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quinta-feira, 19 de maio de 2011

Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e sensibilidade ao glúten

A edição 95 da revista Viva Saúde publicou a matéria “No mundo da Lua”, abordando os sintomas e o tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). O TDAH é uma doença caracterizada pelo padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade/impulsividade. É considerada a mais frequente desordem comportamental da infância e atinge cerca de 5% das crianças no Brasil. A criança com déficit de atenção distrai-se facilmente por estímulos do ambiente externo e também do próprio pensamento. Ela também tende à impulsividade: não espera a sua vez, não lê a pergunta até o final e já responde, age sem pensar; apresenta dificuldades em se organizar e planejar aquilo que precisa fazer.
A reportagem traz como tratamento o uso de remédios para melhora dos sintomas da doença. No entanto, a alimentação também exerce papel fundamental na evolução do quadro do paciente.

Novas pesquisas demonstram a correlação entre casos de distúrbio de aprendizado, autismo, atraso de desenvolvimento e transtorno por déficit de atenção e hiperatividade em pacientes sensíveis ao glúten. A sensibilidade ao glúten é um estado de resposta imunológica exagerada à proteína de cereais como o trigo, o centeio, a cevada e a aveia em indivíduos geneticamente predispostos. O mais conhecido caso de intolerância ao glúten é a doença celíaca, uma doença inflamatória autoimune do intestino delgado, com sintomas gastrintestinais como diarreia, distensão e/ou dor abdominal. No entanto, no caso da sensibilidade ao glúten, praticamente qualquer órgão pode ser afetado sem obrigatoriamente haver o comprometimento intestinal.

Alguns pesquisadores acreditam que a exposição prolongada ao glúten nas pessoas sensíveis, ou seja, o consumo exacerbado de pães e massas seria o gatilho para o desenvolvimento dessas doenças neurológicas. Ao ingerir alimentos que contêm glúten, as enzimas digestivas entram em ação para promover sua quebra, permitindo sua absorção adequada. No entanto, por ser uma molécula grande, alguns pedaços dessa proteína não são totalmente quebrados pelas enzimas. Assim, estas macromoléculas parcialmente digeridas podem ultrapassar a barreira intestinal, principalmente nos casos onde há uma permeabilidade intestinal alterada.

Ao atingir a corrente sanguínea, estas macromoléculas são identificadas pelo sistema de células de defesa como “invasoras”, havendo formação de um complexo antígeno-anticorpo. Este complexo viaja pela corrente sanguínea e pode se depositar, por exemplo, no sistema nervoso e causar sintomas psiquiátricos, cognitivos e de comportamento. Nesses casos, a retirada do glúten da dieta alivia os sintomas em um número significativo de pessoas.

Dessa forma, além do tratamento com medicamentos, é preciso avaliar se a criança com TDAH possui uma hipersensibilidade ao glúten, bem como outras deficiências nutricionais importantes. Além disso, em um intestino saudável, a mucosa intestinal está íntegra, não permitindo a passagem dessas macromoléculas. Portanto, é de extrema importância uma alimentação com o objetivo de promover o reparo da mucosa do intestino de um paciente sensível ao glúten e a manutenção de um intestino íntegro. A complementação do tratamento com a Nutrição é, com certeza, garantia de sucesso na melhora dos sintomas e da qualidade de vida do paciente.

*Texto elaborado pelo Dr. Guilherme Barros Fernandes, aluno bolsista do curso de Pós-graduação em Nutrição Clínica Funcional pela VP Consultoria Nutricional/ Divisão Ensino e Pesquisa.

Fonte: http://www.vponline.com.br/blog/home.php/

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Uso de medicamento para déficit de atenção é excessivo em crianças

Uma pesquisa desenvolvida na USP, Unicamp, Instituto Glia de pesquisa em neurociências e do Albert Einsten College of Medicine (EUA) mostra que aproximadamente 75% das crianças e adolescentes brasileiros recebendo tratamento para déficit de atenção foram diagnosticados incorretamente.

O estudo analisou 5.961 jovens de todo o país entre 4 e 18 anos de idade. Para determinar se os diagnósticos dos participantes eram corretos, cientistas aplicaram questionários, onde os pais e professores determinaram a ocorrência do transtorno usando o manual americano de diagnóstico em psiquiatria DSM-4 Esses dados foram comparados com informações dadas pelos pais sobre os diagnósticos que seus filhos já haviam recebido antes da pesquisa.

Dentre os jovens que participaram do estudo, apenas 23,7% realmente sofriam de déficit de atenção. Dos que recebiam medicamento para o transtorno, apenas 27,3% precisavam do tratamento.

Além de diagnósticos equivocados trazerem complicações para o paciente, o abuso de medicamentos pode causar efeitos colaterais graves. O medicamento usado no tratamento dessa condição é o metilfenidato, princípio ativo da Ritalina e do Concerta. Ele age no sistema nervoso central, fazendo com que a pessoa consiga se concentrar melhor.

O uso indiscriminado da droga é bastante comum entre adultos, porém, de acordo com a especialista em psiquiatria Maria da Graça de Castro “não há comprovação científica de que a ritalina traga benefícios. para quem não tem déficit de atenção”.

Entre 60% e 80% dos casos infantis de déficit de atenção prevalecem na vida adulta do paciente. Porém o uso de medicamentos deve ser feito com acompanhamento médico. Estima-se que 4% dos adultos brasileiros possam sofrer dessa condição.

Fonte: http://boasaude.uol.com.br/news/index.cfm?news_id=9128&mode=browse&fromhome=y

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Médicos americanos buscam tratar déficit de atenção sem medicação

Cerca de 2,5 milhões de crianças nos Estados Unidos usam medicamentos estimulantes para combater problemas de atenção e hiperatividade. Mas preocupações sobre os efeitos colaterais fizeram com que muitos pais procurassem por alternativas: praticamente dois terços das crianças que sofrem de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, ou TDAH, usam algum tipo de tratamento alternativo.

A estratégia mais comum implica mudanças na dieta, como o não uso de comidas processadas, açúcares e complementos alimentares. Cerca de 20% das crianças que sofrem da doença receberam algum tipo de fitoterapia; outras tentaram suplementos como vitaminas e óleo de peixe ou usaram biofeedback, massagem e ioga.

Embora alguns estudos de tratamentos alternativos pareçam promissores, existem poucos resultados sólidos para guiar os pais. O que é uma pena porque, para algumas crianças, medicamentos vendidos sob receita não são uma opção.

Os remédios mudaram a vida de muitas crianças. Mas quase um terço delas passaram por preocupantes efeitos colaterais e, em um estudo publicado em 2001 pelo Journal of the Canadian Medical Association, surge a informação de que, para mais de 10% dos usuários, os efeitos colaterais podem ser severos - incluindo diminuição de apetite e perda de peso, insônia, dor abdominal e mudanças na personalidade.

Apesar de os remédios serem em geral vistos como seguros, muitos pais ficaram alarmados quando a Food and Drug Administration (FDA, agência federal norte-americana que regulamenta alimentos e remédios) ordenou, em 2006, que estimulantes como Adderall, Ritalin e Concerta portassem alertas de risco de morte súbita, ataques cardíacos e alucinações em alguns pacientes.

E as alternativas? Na semana passada, o Journal of the American Medical Association revelou que um primeiro estudo da erva de São João mostra que ela não funcionou melhor que um placebo, para combater a TDAH. Mas o teste, com 54 crianças, durou apenas oito semanas, e até remédios vendidos sob receita podem levar até três meses para apresentar efeitos mesuráveis.

Mas a questão maior pode ser que, na medicina complementar, um tratamento raramente é usado isoladamente, fazendo com que a gama de remédios alternativos dificulte o estudo.

Tratamentos naturais podem ser benéficos, disse a principal autora do relatório, Wendy Weber, professora pesquisadora associada da escola de medicina naturopática da Universidade de Bastyr, em Kenmore, Washington. "Nós só precisamos fazer mais estudos e documentar o efeito."

Outros tratamentos herbais para o transtorno incluem equinácea, ginkgo biloba e ginseng. Não há dados confiáveis sobre a equinácea; um estudo de 2001 mostrou avanços depois de quatro semanas em crianças usando ginkgo e ginseng, mas não havia grupo de controle para fazer uma comparação.

Há mais esperança nos ácidos graxos do ômega-3, encontrados em peixes e suplementos de óleo de peixe. Um estudo publicado no ano passado pelo Pediatric Clinics of North America concluía que "crescentes provas" apoiavam o uso desses suplementos para crianças com TDAH.

Sobre as mudanças na dieta, um estudo publicado em 2007 no Lancet, publicação médica britânica, examinou o efeito de colorantes artificiais e preservantes no comportamento hiperativo de crianças.

Depois de consumir uma dieta sem aditivos por seis semanas, as crianças receberam ou uma bebida placebo ou uma contendo uma mistura de aditivos, por período de duas semanas. No grupo dos aditivos, os comportamentos hiperativos aumentaram.

O estudo fez com que muitos pediatras repensassem seu ceticismo sobre uma relação entre a dieta e a TDAH. "As descobertas gerais do estudo são claras e exigem que até mesmos nós, céticos, que há muito duvidamos de depoimentos de pais sobre os efeitos de várias comidas no comportamento de suas crianças, admitamos que podemos ter errado", declarou a edição de fevereiro da AAP Grand Rounds, uma publicação da Academia Americana de Pediatras.

Dados sobre cortes no açúcar são menos persuasivos. Vários estudos sugerem que qualquer conexão entre açúcar e hiperatividade vem da percepção dos pais, e não da realidade. Em um estudo, mães para as quais foi dito que as crianças receberam açúcar reportaram mais comportamentos hiperativos, mesmo quando a comida estava na verdade adoçada artificialmente. Mães para as quais foi dito que a criança recebeu um lanche com pouco açúcar reportaram menor incidência de problemas de comportamento em seus filhos.

Uma opção interessante é uma forma de terapia de biofeedback na qual a criança usa eletrodos na cabeça e aprende a controlar videogames exercitando as partes do cérebro relacionadas à atenção e ao foco. A pesquisa sugeriu que o método funciona tão bem quanto a medicação, e muitas crianças disseram ter gostado.

O desafio é encontrar um médico que ajude a explorar a gama de opções. Por exemplo, a melhor maneira de dizer que mudanças na dieta podem ajudar é eliminar as comidas e depois voltar a usá-las, monitorando o comportamento da criança durante esse tempo. A melhor prova pode vir de um professor que não saiba da mudança na dieta.

O Conselho de Pediatras Integrativos, em www.integrativepeds.org , tem uma lista de pediatras que oferecem tratamentos alternativos. Seu diretor, Dr. Lawrence D. Rosen, chefe de pediatria integrativa no centro médico da Universidade de Nova Jersey, diz que pais devem procurar uma abordagem holística. Mas ele adiciona que ela pode incluir remédios vendidos sob receita.

"Receito remédios, em meu consultório, e há crianças cujas vidas foram salvas por isso", ele disse. "Mas é a abordagem holística que permite tratamento muito diferente de um único remédio, uma única pílula. Estamos tratando não só das necessidades físicas e químicas das crianças, mas de toda sua saúde mental e emocional".

Tradução: Paulo Migliacci ME

Fonte: http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI2969726-EI8148,00.html

OSB: Para ler sobre a visão da prática ortomolecular sobre o TDAH veja o post:
  1. http://www.ecologiamedica.net/2010/12/deficit-de-atencao-na-visao-da-pratica.html

segunda-feira, 28 de março de 2011

Correlação entre corantes (artificiais) alimentares e TDAH (transtorno de déficit de atenção com hiperatividade)

A Food and Drug Administration (FDA) disse que pretende recolher esta semana pareceres de alguns especialistas sobre a possível associação entre corantes artificiais e hiperatividade em crianças.

O Centro para Ciência de Interesse Público (CSPI) solicitou ao FDA em 2008 a proibição do Amarelo 5, Vermelho 40, e outros usados ​​corantes artificiais,  alegando que "têm sido evidenciado em vários estudos clínicos, que eles podem prejudicar o comportamento infantil" O CSPI tambem solicitou que fosse obrigatório o uso de rótulos advertindo a presença de tais corantes, até que a proibição entre em vigor.

Na quarta-feira e quinta-feira desta semana, o FDA  quer solicitar a um grupo de especialistas que analisem as evidências a cerca do tema, em resposta à petição da CSPI, além de decidirem o que será necessário (conduta) para garantir a saúde da faixa estudada. O FDA também divulgou para o Comitê de consultoria sobre alimentação as informações com o motivo da reunião nesse documento.


Para alguns especilistas os estudos devem ser revistos e analisados de forma minuciosa pois à primeira vista, um estudo pode correlacionar corantes com TDAH, mas quando você considera outros fatores importantes que poderiam ser responsáveis ​​pelos resultados, tais como gênero, escolaridade materna, a dieta e outros fatores, torna-se impossível associar que o TDAH é devido corantes alimentares.
 
As controvérsia sobre o uso de corantes ganharam força com um estudo feito pela Southampton em 2007 e publicado na revista britânica The Lancet. Nesse estudo os pesquisadores analisaram os efeitos das misturas de aditivos num grupo composto por 297 crianças (faixa etátia de 3 a 9 anos) e concluiu que os aditivos alimentares tiveram leve, porém, significativa correlação com a hiperatividade das crianças, até a metade da infância. Porém, o estudo foi alvo de críticas, devido ao fato das crianças participantes terem recebido coquetéis de aditivos, o que torna impossível saber quais foram os aditivos responsáveis ​​pelo aumento da hiperatividade.
 
O FDA acrescentou que os resultados de relevantes ensaios clínicos indicam que os efeitos sobre o compoartamento parece decorrer devidao a uma intolerância única para estes aditivos e não devido propriedades neurotóxicas dos mesmos.
 
Na Europa, em 2009, uma revisão feita por especialistas concluiu que apesar dos trabalhos publicados, todos os dados disponíveis no momento, não suportam uma associação entre aditivos alimentares e hiperatividade.
 
Fonte: http://www.foodnavigator-usa.com/Financial-Industry/Expert-panel-to-reassess-food-colorings-and-hyperactivity-link?utm_source=AddThisWeb&utm_medium=SocialAddThis&utm_campaign=SocialMedia



 

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Fumo passivo pode levar ao desenvolvimento de Transtorno de déficit de atenção com hiperatividade em crianças

Respirar a fumaça de cigarro fumado pelos outros – o chamado fumo passivo – pode levar a consequências negativas para a saúde mental em crianças, assim como físicas, aponta um estudo britânico publicado no periódico Archives of Pediatrics and Adolescent Medicine.

Os autores da pesquisa afirmam que observaram que o fumo passivo pode levar ao estresse infantil e pais e cuidadores devem estar atentos para deixar as crianças o mais longe possível de ambientes onde haja fumaça do cigarro. Respirar essa fumaça pode contribuir para o aumento da incidência de transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), transtornos do comportamento e diversos problemas de saúde física.

Mark Hamer, da Universidade College London – um dos autores da pesquisa – e sua equipe analisaram dados de mais de 900 crianças com idades entre 4 e 8 anos observadas em outro estudo feito em 2003. Essas crianças moravam em lares onde as pessoas não eram fumantes, mas os questionários aplicados pediam para que os pais e cuidadores indicassem com qual periodicidade essas crianças frequentavam ambientes ou situações onde elas eram expostas ao fumo passivo (incluindo a própria casa, como em reuniões sociais e familiares). Todos os indivíduos foram testados para a cotinina, um subproduto do tabaco presente na fumaça do cigarro.

Além disso, os pais também responderam a um questionário que indicava o nível de estresse (o chamado Strengths and Difficulties Questionnaire ou SDQ) para determinar o comportamento emocional, variações comportamentais e problemas sociais das crianças e cuja pontuação máxima é 40 pontos. Ao menos 3% das crianças acompanhadas chegaram aos 20 pontos nesse teste. Além disso, um terço do total de crianças – e que frequentavam ambientes onde podia ocorrer o fumo passivo – tinham níveis de cotinina até 44% maior do que crianças que não frequentavam esse tipo de ambiente.

Os problemas mais comuns observados nessas crianças eram o TDAH e o estresse infantil, apesar dos pesquisadores afirmarem não saberem exatamente como essa relação entre fumo passivo e transtornos mentais ocorre. Uma hipótese é que as substâncias presentes no cigarro podem influenciar o desenvolvimento cerebral alterando níveis de substâncias no cérebro, como a produção de dopamina. Os pesquisadores dizem que é preciso mais estudos para confirmar esses resultados e determinar exatamente como e por que essa associação ocorre.

Abstract: http://archpedi.ama-assn.org/cgi/content/abstract/archpediatrics.2010.243v1?maxtoshow=&hits=10&RESULTFORMAT=&fulltext=passive&searchid=1&FIRSTINDEX=0&sortspec=date&resourcetype=HWCIT

Fonte: http://oqueeutenho.uol.com.br/portal/2011/01/13/fumo-passivo-pode-levar-ao-desenvolvimento-de-tdah-em-criancas/

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Dieta é eficaz no tratamento do Déficit de atenção com hiperatividade (TDAH)

Pesquisadores holandeses publicaram na revista “The Lancet” um estudo que observou efeitos benéficos do tratamento nutricional, através da ingestão de alimentos hipoalérgicos em crianças com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH).

O objetivo primário do estudo foi investigar o impacto do tratamento nutricional, através da restrição de alimentos e compostos que influenciam no TDAH, como aditivos alimentares, corantes artificiais e aromatizantes, emulsificantes, nitratos e sulfitos, entre outros. Já o objetivo secundário foi analisar o papel da alergia alimentar na indução do transtorno.

Trata-se de um estudo randomizado, controlado, dividido em duas fases. A primeira fase consistiu no recrutamento de crianças de 4-8 anos (n = 100) diagnosticadas com TDAH, em que foram divididas em dois grupos, durante cinco semanas, à dieta com restrição à determinados alimentos (grupo dieta de eliminação, n = 50) ou dieta geral com recomendações de hábitos saudáveis (grupo controle, n = 50).

A dieta de eliminação foi baseada segundo a proposta de Hill e Taylor (2001) que consiste em número limitado de alimentos hipoalergênicos, como o arroz, peru, cordeiro, legumes e verduras (alface, cenoura, couve-flor, repolho e beterraba), pêras e água. Todos os outros alimentos foram proibidos, sendo os demais legumes, frutas e carnes permitidos apenas sob supervisão. O cálcio foi fornecido diariamente através de bebidas não lácteas com adição de cálcio. O objetivo foi de propor uma dieta de eliminação tão abrangente quanto possível para cada criança, a fim de tornar a intervenção mais viável.

As crianças que apresentaram melhorias clínicas quando submetidas à dieta de restrição (melhora de pelo menos 40% na escala de classificação da doença) prosseguiram para a segunda fase do estudo. Os alimentos que estimulam a síntese de IgG (imunoglobulina G) e alimentos que não estimulam IgG (classificados em de acordo com a resposta individual da criança, através de testes no sangue), foram adicionados à dieta para avaliar o efeito da hipersensibilidade alimentar mediada por IgG (ativada principalmente na presença de antígenos e toxinas).

Entre o início e o final da primeira fase, o grupo da dieta de eliminação melhorou em 23,7% o escore para classificação do TDAH em relação ao grupo controle (p < 0,0001). A pontuação total das crianças submetidas à dieta de eliminação que continuaram até o final da segunda fase diminuiu em 20,8% (p <0,0001), em relação ao grupo controle, em que a pontuação foi aumentada de acordo com os sintomas da doença.

No entanto, na segunda fase, em que as crianças foram avaliadas de acordo com a ingestão de alimentos capazes de ativar ou não IgG, a recidiva dos sintomas de TDAH ocorreu em 19 das 30 (63%) crianças, independente dos níveis de IgG no sangue.

“A dieta de eliminação rigorosamente supervisionada é um valioso instrumento para avaliar se o TDAH é induzido por alimentos. No entando, a prescrição de dietas com base em exames de sangue IgG deve ser desencorajado, pois não houve diferença na recidiva dos sintomas entre os alimentos que aumentam ou não IgG no sangue”, comentam os pesquisadores.

“Portanto, nosso estudo mostra efeitos consideráveis de uma dieta de eliminação de alimentos envolvidos no desenvolvimento TDAH. Assim, postulamos que a intervenção nutricional deve ser considerada em todas as crianças com TDAH, desde que os pais estejam dispostos a seguir uma dieta restrita, e desde que seja feita sob supervisão de especialistas para evitar o desequilíbrio nutricional”, concluem.

Artigo:
Título: Effects of a restricted elimination diet on the behaviour of children with attention-deficit hyperactivity disorder (INCA study): a randomised controlled trial.
Autores: Pelsser LM, Frankena K, Toorman J, Savelkoul HF, Dubois AE, Pereira RR, et al
Periódico: Lancet.
Vol: 377
Data: Fev/2011.

Fonte: http://www.nutritotal.com.br/notas_noticias/?acao=bu&id=489

sábado, 18 de setembro de 2010

Déficit de Atenção na visão da prática ortomolecular


Com frequência recebo pacientes que relatam "possuir" Déficit de atenção e muitas vezes vão além, acrescentam o termo "Hiperatividade" à doença que adquiriram navegando na internet. Brinco que virou moda ser portador de déficit de atenção. Uma frase típica de pacientes: "- Dr. eu fiz um teste na internet, um questionário e com base nele, eu tenho déficit de atenção com hiperatividade".

E aí, perguntam o que a prática ortomolecular tem para auxiliar (é comum mães sempre questionarem).

Bem, o Distúrbio (ou Transtorno como alguns autores denominam) de Déficit de atenção (DDA ou TDA) com ou sem Hiperatividade (TDAH) realmente tem se tornado comum em nosso meio. Não se sabe ainda se a incidência está aumentando ou se o que antes era considerado desvio de conduta (indisciplina, desobediência) passou a ser visto por um outro ângulo, ou seja, visto pela ótica neuropsiquiátrica.

Aliás, não só pacientes, mas muitos médicos (inclusive psiquiatras) atualmente estão diagnosticando Transtorno do Déficit de atenção com mais frequência. Quando fazia faculdade li os critérios e tive pontução suficiente para ser "portador" de tal patologia. Na época falei com o Dr. Edison Saraiva e e ele questionou o excesso de diagnósticos de TDAH.

Hoje com a visão da ortomolecular vejo que a questão é muito mais complexa do que se pensava. Se olharmos os critérios oferecidos pelo DMS-IV com certeza teremos uma legião de portadores de DDA (principalmente os com hiperatividade). Mas e daí? Será que são realmentes portadores de tal patologia ou estão portadores de sintomas que compõem tal patologia?

Quando escrevo SÃO é pq há um componente genético. É aquela criança que a mãe relata que desde o período intra-útero já era inquieta e mesmo após o nascimento continuou inquieta. Há estudos de gêmeos univitelinos mostrando que quando um é portador de DDA, em 80% dos casos o outro também é, ou seja, temos uma influência genética considerável. Há também correlação entre pais portadores de TDAH e filhos "herdando" tal característica.

Quando escrevo ESTÃO é porque ao olhar pela ótica ortomolecular e ecológica vejo que são inúmeros os fatores que podem levar uma criança ou adulto a apresentar comportamento que se enquadre nos critérios para diagnóstico de DDA com ou sem hiperatividade. A questão é mais complexa ainda pois são múltiplos fatores e que muitas vezes não podemos modificar. Dentre os fatores ambientais e nutricionais podemos citar:
  • Envenenamento ambiental extenso (quando escrevo envenenamento entendam como Poluição em todos os âmbitos: atmosférica (ar), solo (uso de pesticidas e herbicidas), água, sonora, eletromagnética) estamos sendo vítima da ação de algumas substâncias que durante milênios eram desconhecidas pelo nosso organismo e que de forma abrupta entraram no nosso cotidiano. Já postei inúmeras vezes artigos que mostram correlação de agrotóxicos com DDA em crianças. Inúmeros artigos que associação aditivos alimentares a DDA em crianças.
  • A hipótese de Feingold propõe que os aditivos alimentares como o BHT, BHA, corantes artificiais e aromatizantes, emulsificantes, nitratos e sulfitos, induzem a hiperatividade em crianças. Feingold listou 3.000 aditivos alimentares diferentes que deveriam ser investigados. Enquanto a conclusão final do comitê consultor nacional de hiperkinesis e aditivos alimentares era a de que não há uma ligação significante entre ambos, estudos em andamento sugerem que há um correlação definitiva e significante. Em estudos clínicos controlados, até 50% de crianças hiperativas melhoraram quando suas dietas foram alteradas, controlando a ingestão de aditivos, açúcar e eliminando possíveis alérgenos alimentares.
  • Questão nutricional: déficit de vitaminas (principalmente complexo B), ômega 3, excesso de carboidratos, deficiência de proteínas (baixa produção de dopamina). Com o processamento dos alimentos (muitas vitaminas por serem termolábeis se perdem) refino de alimentos (magnésio e outros minerais como o Zinco são retirados dos alimentos). Desequilíbrio da relação entre ômega 6 e ômega 3 promovendo um estado inflamatório sistêmico. Alérgenos alimentares: nunca se falou tanto é alergias alimentares e intolerâncias, entrando na velha questão: será que já existiam antes mas não eram diagnosticadas ou será que a prevalência está aumentando por alguns fatores? Fatores estes como: agrotóxicos, exposição precoce e persistente a proteínas de alimentos, transgênicos, irradiação de alimentos, alterações do sistema imunológico, disruptores endócrinos como o bisfenol-A.
  • Uso excessivo de celulares, poluição eletromagnética.
Baseado nessa complexidade de temas, estava montando alguns protocolo para tratamento dos vários tipos de Disturbio de Déficit de atenção (sim não é apenas um tipo, são 6 subtipos). Abaixo listo um pequeno resumo sobre eles além de algumas dicas que dou para os meus pacientes.

6 tipos de Distúrbio de Déficit de Atenção

1 – Distúrbio de Déficit de Atenção Clássico COM hiperatividade (80% dos homens e 50% das mulheres):
• É o tipo mais comum (por baixa de dopamina)
• Desvia facilmente a atenção do que está fazendo e comete erros por prestar pouca atenção a detalhes. Muitas vezes distrai-se com seus próprios devaneios ou então um simples estímulo externo tira a pessoa do que está fazendo.
• Dificuldade de concentração em palestras, aulas, leitura de livros... (dificilmente termina um livro, a não ser que o interesse muito).
• Às vezes parece não ouvir quando o chamam (muitas vezes é interpretado como egoísta, desinteressado...)
• Durante uma conversa pode distrair-se e prestar atenção em outras coisas, principalmente quando está em grupos. Às vezes capta apenas partes do assunto; outras, enquanto “ouve” já está pensando em outra coisa e interrompe a fala do outro.
• Relutância em iniciar tarefas que exijam longo esforço mental.
• Dificuldade em seguir instruções, em iniciar, completar e só então, mudar de tarefa (muitas vezes é visto como irresponsável).
• Dificuldade em organizar-se com objetos (mesa, gavetas, arquivos, papéis...) e com o planejamento do tempo (costuma achar que é 10 e que o dia tem 48h).
• Problemas de memória a curto prazo: perde ou esquece objetos, nomes, prazos, datas... Durante uma fala, pode ocorrer um “branco” e a pessoa esquecer o que ia dizer
• Inquietação – mexer as mãos e/ou pés quando sentado, musculatura tensa, com dificuldade em ficar parado num lugar por muito tempo. Costuma ser o “dono” do controle remoto.
• Faz várias coisas ao mesmo tempo, está sempre a mil por hora, em busca de novidades, de estímulos fortes. Detesta o tédio.
• Consegue ler, assistir televisão e ouvir música ao mesmo tempo. Muitas vezes é visto como imaturo, insaciável.
• Pode falar, comer, comprar,... compulsivamente e/ou sobrecarregar-se no trabalho. Muitos acabam estressados, ansiosos e impacientes: são os workaholics.
• Tendência ao vício: álcool, drogas, jogos, Internet e salas de bate papo...
• Interrompe a fala do(s) outro(s); sua impaciência faz com que responda perguntas antes mesmo de serem concluídas.
• Costuma ser prolixo ao falar, perde sua objetividade em mil detalhes, sem perceber como se comunica. No entanto, não tem a menor paciência em ouvir alguém como ele, sem dar-se conta que é igual.
• Baixo nível de tolerância: não sabe lidar com frustrações, com erros (nem os seus, nem dos outros). Muitas vezes sente raiva e se recolhe.
• Impaciência: não suporta esperar ou aguardar por algo: filas, telefonemas, atendimento em lojas, restaurantes..., quer tudo para “ontem”.
• Instabilidade de humor: ora está ótimo, ora está péssimo, sem que precise de motivo sério para isso. Os fatores podem ser externos ou internos, uma vez que costuma estar em eterno conflito.
• Dificuldade em expressar-se: muitas vezes as palavras e a fala não acompanham a velocidade da sua mente. Muitos quando estão em grupo, falam sem parar sem se dar conta que outras pessoas gostariam de emitir opiniões, fazer colocações e o que deveria ser um diálogo, transforma-se num monólogo que só interessa a quem está falando.
• Respondem bem: Ritalina, Chá-verde, Rhodiola, L-tirosina, Mucuna, Same, Dieta hiperprotéica, Omega 3 e Vitamina D.
• Pode se utilizar ainda: Fluoxetina, Sertralina

2 – Distúrbio de Déficit de Atenção Clássico SEM hiperatividade
• 50% das mulheres e menos comum em homens.
• É comum o Day-dreaming.
• Desvia facilmente a atenção do que está fazendo e comete erros por prestar pouca atenção a detalhes. Muitas vezes distrai-se com seus próprios devaneios ou então um simples estímulo externo tira a pessoa do que está fazendo.
• Dificuldade de concentração em palestras, aulas, leitura de livros... (dificilmente termina um livro, a não ser que o interesse muito).
• Às vezes parece não ouvir quando o chamam (muitas vezes é interpretado como egoísta, desinteressado...)
• Durante uma conversa pode distrair-se e prestar atenção em outras coisas, principalmente quando está em grupos. Às vezes capta apenas partes do assunto; outras, enquanto “ouve” já está pensando em outra coisa e interrompe a fala do outro.
• Relutância em iniciar tarefas que exijam longo esforço mental.
• Dificuldade em seguir instruções, em iniciar, completar e só então, mudar de tarefa (muitas vezes é visto como irresponsável).
• Dificuldade em organizar-se com objetos (mesa, gavetas, arquivos, papéis...) e com o planejamento do tempo (costuma achar que é 10 e que o dia tem 48h).
• Problemas de memória a curto prazo: perde ou esquece objetos, nomes, prazos, datas... Durante uma fala, pode ocorrer um “branco” e a pessoa esquecer o que ia dizer
• Respondem bem à ritalina e a tudo que aumente a dopamina, além dos estimulantes. Pode-se usar antidepressivos estimulantes como a Mirtazapina

3 – Distúrbio de Déficit de Atenção COM Hiperfoco
• DDA com Hiperfoco é provavelmente a terceira forma mais comum de ADD, o paciente muitas vezes se concentram excessivamente em uma coisa ou atividade particular, em detrimento da maioria das outras coisas (ou seja, tem visão hiperfocada) , o que causa problemas para eles e para aqueles que os rodeiam.
• Eles também se sentem angustiados ou facilmente irritáveis quando tem q deixar de fazer aquilo que estão fazendo para fazer outra coisa.
• Sugestão do Dr. Daniel Amen: NÃO utilizar ritalina e nem o que estimula Dopamina pois podem aumentar o hiperfoco e piorar o quadro.
• Responde bem aos estimulantes do tipo "antidepressivos", tais como a fluoxetina ou venlafaxina XR.
• Utilizar: L-taurina, 5HTP, Magnésio, B6, Ômega 3, Vitamina D. Meditação transcendental.

4 – Distúrbio de Déficit de Atenção do Lobo temporal
• Também denominado de Déficit de atenção exacerbado
• Tem características especiais como irritabilidade e raiva exacerbados e às vezes raiva associada a violência.
• Pioram com uso de psicoestimulantes como Ritalina e Antidepressivos estimulantes, só podendo ser utilizados se antes iniciarmos terapia com anticonvulsivantes (carbamazepina, valproato de sódio) ou estabilizadores do humor (carbonato de lítio).
• Além da lentidão comum no lobo frontal, este tipo de déficit de atenção é associado à disfunção de um ou ambos lobos temporais, sendo este o fator causal da irritabilidade.
• Comum a sensação de Deja vu (mas nunca foi ao lugar ou vivenciou aquilo)
• Memória comumente deficiente.
• Dar estabilizador do humor ou anticonvulsivante para tratar o distúrbio do lobo temporal e posteriormente as alternativas para o tratamento do déficit de atenção clássico com hiperatividade.

5 – Distúrbio de Déficit de Atenção do Sistema límbico ou Pequeno Déficit de Atenção ou Transtorno Depressivo
• Neste caso há um leve déficit de atenção, porém as principais características são: mau-humor, pessimismo, pensamentos negativos recorrentes, astenia, baixa auto-estima.
• Neste caso os antidepressivos “estimulantes” funcionam bem, mas tem que se elevar: serotonina, dopamina e noradrenalina.
• Dar preferencialmente 5HTP, L-taurina, ômega 3, B6, Magnésio, Zinco, Kava-Kava e Erva de São-João. Posteiormente iniciar terapia para elevar Dopamina: chá verde, mucuna, L-tirosina.
6 – Distúrbio de Déficit de Atenção do tipo Anel de fogo
• Neste subtipo existe uma sensibilidade extrema, irritabilidade intensa, distração exacerbada e agressividade associada a raiva. É um estágio mais grave que a do Lobo tempora. A violência ocorre devido a hiperatividade em diversas áreas cerebrais. São pacientes que se debatem contra a parece, muito angustiados.
• Necessidade de imediato: Anticonvulsivantes e estabilizadores do humor (carbamazepina, lamotrigina ou valproato de sódio) e / ou ansiolíticos e/ou antipsicóticos a fim de reduzir a hiperatividade cerebral.
• Em hipótese alguma iniciar com psicoestimulantes como ritalina.
• O nome Anel de fogo foi dado pelo Dr. Daniel Amen ao verificar que portadores deste distúrbio apresentavam na Tomografias por emissão de pósitrons (SPECT) círculos demonstrando hiperexcitação em áreas cerebrais.

Orientações para todos os tipos de Déficit de atenção.

• Eliminar aditivos alimentares e alérgenos alimentares da dieta

São aditivos alimentares: Corantes, Edulcorantes, Conservantes, Antioxidantes, Estabilizadores, Emulsionantes, Espessantes e Gelificantes. Estes nomes são encontrados nos rótulos dos produtos industrializados que seguem as normas vigentes). Os principais ligados ao DDA são:

1. BHA e BHT,

2. Corantes ligados ao DDA e Hiperatividade:

• Tartrazina (E102 ou C.I. 19140);

• Verde Rápido - E142;

• Amarelo Crepúsculo (E110, Amarelo 6 ou C.I. 15985);

• Azul Patente V (E131);

• Azorrubina (E122);

• Ponceau 4R (C.I. 16255) ou Vermelho Cochineal A, C.I. Vermelho Ácido 18,

• Escarlate Brilhante 4R (E124);

• Vermelho 40 - Conhecido também como Vermelho Allura, Vermelho Alimentício 17, C.I. 16035 ou E129.

• Eritrosina - E127, conhecida também pelo nome de Vermelho número 3;

• Azul Brilhante - Também conhecido pelo nome de Azul número 1, Azul Ácido 9 ou (E133);

• Eliminar por complexo da dieta alimentos que possuem na composição: Glutamato monossódico.

3. Se for utilizar alimentos com corantes, dar preferência a corantes naturais:
  • Corante de Urucum, Carmin de Cochonilha, Corante de Cúrcuma, Corante de Clorofila, Corante de Páprica, Corante de Beterraba, Corantes de Antocianina, Corante caramelo (E150), Colorau, Chlorella, Carmim e Dióxido de titânio.
• Alérgenos alimentares ligados a hiperatividade: Podemos observar alergia ou intolerância: leite de vaca, chocolate, aromatizante de uvas, aromatizante de laranja, cana de açúcar, tomates, produtos de trigo, ovos, derivados do leite, nozes e outras oleaginosas, peixe, soja. É amplamente aceito que os alérgenos alimentares podem causar mudanças de humor , depressão e até alucinações.

• Elimine sal, refrigerante (altos níveis de fosfato), catchup, mostarda, molho de soja, vinagre de maçã, queijos coloridos, carnes processadas e/ou defumadas, embutidos, trigo, manteiga com corante, margarina, sorvetes, doces e perfumes.

• Não use alimentos com salicilatos: estes incluem amêndoas, maçãs, damascos, cerejas, uvas passas, amoras, pêssegos, ameixas, ameixas secas, tomates, pepinos e laranjas.

• Faça um quadro de anotações de sintomas todas as semanas com os alimentos consumidos e qualquer reação emocional que possa estar relacionada com aqueles alimentos.

• Os fosfatos tipicamente encontrados nos refrigerantes foram relacionados com a hiperatividade muscular.

• Eliminar o açúcar branco da dieta: Muitos estudos sugerem que crianças hiperativas apresentam comprometimento da tolerância à glicose . A tendência à hiploglicemia em crianças hiperativas também apoia os efeitos negativos que o açúcar pode provocar. Alguns estudos de universidades revelam que um café da manhã rico em açúcar e em carboídratos pode acentuar o comportamento hiperativo. Quando se ingeria proteína no café da manhã, a hiperatividade era muito menor, talvez pela elevação da dopamina.

# Alguns metais tóxicos como (alumínio e chumbo) podem ocasionar sintomas de Déficit de atenção e portanto há indicação de se solicitar o mineralograma capilar.

Suplementos nutricionais que podem ser utilizados no Déficit de atenção 

A prática ortomolecular e medicina tradicional chinesa possuem inúmeras estratégias  a fim de se reduzir o déficit de atenção e hiperatividade ( a maioria dos casos incluem as duas características). O tratamento é multidisciplinar (médico, nutricionista funcional, psicólogo).

Dentre os nutrientes primários que podem estar em falta nos portadores de DDA temos:
Vitaminas do complexo B, Vitamina C, Diversos minerais (Cálcio, Magnésio, Zinco) e etç. Apenas o médico ou nutricionista estão indicados a repor estes minerais e vitaminas. Existe um sinergismo e antagonismo entre deles, portanto não é recomendável a auto-medicação, pois pode agravar o problema ou gerar complicações. Como por exemplo reposição de Zinco sem outros minerais para contrabalancear.

Suplementos minerais: Crianças com ADD podem apresentar uma série de deficiências minerais. O importante é descobrir qual ou quais nutrientes estão faltando especificamente para o paciente em questão, uma alternativa além do inquérito nutricional e exames laboratoriais é o mineralograma capilar.

Minerais:

  • Cálcio/Magnésio: Ajuda a acalmar o sistema nervoso e é vital para a função cerebral normal. Em um estudo feito com 175 crianças para verificar déficit cognitvo e alterações mentais evidenciou que a grande maioria apresentava deficiência de Magnésio. O ideal é obter tais minerais na dieta diária e quando não possível: suplementar.
  • Zinco/Cobre/Ferro:  Uma estudo do estado nutricional global das crianças com DDAH apontou que  população de pacientes estudados estava sob risco de deficiência de micronutrientes, tais como o zinco e o cobre – minerais que desempenham um papel crucial na síntese de dopamina, noradrenalina e melatonina, substância que regula o sono. Um estudo realizado por pesquisadores da University of British Columbia e do Children's and Women's Health Centre de Vancouver, no Canadá foi apresentado durante o 56º encontro anual da American Academy of Child & Adolescent Psychiatry. Nele foram avaliadas 44 crianças com diagnóstico de DDAH, cujas idades variavam entre 6 e 12 anos; as taxas de deficiência de zinco e cobre foi de 45% e de 35%, respectivamente. A pesquisadora principal, Dra. Margaret Weiss disse ao Medscape Psychiatry que “existem vários estudos com crianças que apresentam TDAH que avaliaram a ingesta de açúcar e etc., mas nenhum realmente avaliou a ingesta alimentar e os seus nutrientes entre estas crianças”. Em conjunto com o autor principal, Dr. Joy Kiddie, o estudo incluiu 44 crianças hiperativas, com idades entre 6 e 12 anos e que haviam recebido ou não o tratamento farmacológico. Destas, 17 nunca haviam feito uso de nenhuma medicação, 18 estavam em uso de estimulantes e 9 estavam utilizando a atomoxetina. A ingestão diária de alimentos foi avaliada através de anotações de três dias e da lembrança do que foi ingerido nas ultimas 24 horas. As anotações incluíam avaliações a respeito da ingestão de macro e micronutrientes com base nas recomendações de ingestão diária de cada um deles. A lembrança do que oi ingerido nas ultimas 24 horas foi utilizada para avaliar o percentual de nutrientes de baixa densidade ingeridos pela criança, ou o que é comumente chamado de “besteiras”. O estudo revelou que os níveis séricos de zinco estavam inferiores aos padrões normais em 77% das crianças com idade entre 6 e 9 anos, e em 67% das crianças com idades entre 10 e 12 anos. Além disso, 25% das crianças apresentavam níveis séricos de zinco inferiores ao cutoff determinante da deficiência deste mineral. 23% das crianças apresentavam níveis séricos de cobre inferiores aos padrões normais. Os pesquisadores descobriram que a amostra de pacientes estudada consumia as mesmas quantidades de proteína, carboidratos e de gordura que as recomendadas diárias e que as demais crianças. Além disso, as crianças com TDAH não consumiam mais alimentos de baixa densidade nutricional que as demais. Contudo, 40% dos pacientes ingeriam menos carne (e substitutos) que as quantidades recomendadas e apresentavam níveis inferiores de micronutrientes relacionados, que são cofatores essenciais para a produção de dopamina, noradrenalina e melatonina pelo organismo. As aferições sanguíneas dos micronutrientes replicaram os achados prévios de deficiência de zinco e revelaram, pela primeira vez, a deficiência de cobre. Além disso, os níveis plasmáticos de ferritina estavam inferiores a 50 mg/ml na maioria destas crianças, valor mínimo necessário para a sua entrada no sistema nervoso central. A Dra. Weiss comentou que “existe uma crença de que a criança com TDAH come mais besteiras do que as demais, o que não se confirmou nesta pesquisa. Contudo, nossos achados sugerem que as crianças com TDAH são nutricionalmente diferentes das demais, uma vez que elas comem menos carne, peixe e frango, e possuem níveis menores dos micronutrientes relacionados, que são essenciais para que o organismo produza dopamina, noradrenalina e melatonina”.
  • Zinco/cobre: Controvérsias à parte, um outro estudo, também apresentado durante o 56º Encontro Anual da American Academy of Child & Adolescent Psychiatry, o Dr. Eugene Arnold e seus colaboradores da Ohio State University, em Columbus, relataram que a suplementação de 15 ou 30 mg de zinco elementar, em comparação com placebo, não causou nenhuma diferença nos sintomas das crianças que apresentavam TDAH, após 13 semanas de tratamento. Segundo a Dra. Weiss, este estudo levanta uma serie de questionamentos, uma vez que trabalhos anteriores haviam sugerido que a suplementação de zinco interferia nos sintomas deste transtorno. “Não é apenas uma questão sobre o que a criança come, mas também se elas são capazes de absorver e metabolizar o zinco, ou então se elas estão excretando este mineral em demasia. Em outras palavras: existira algum fenômeno de esgotamento do zinco?” comentou a pesquisadora. Ela disse ainda que, com base neste estudo, ainda é muito cedo para fazer qualquer recomendação clínica além de que as crianças com TDAH devam ter uma dieta adequada, que inclua quantidades apropriadas de peixe, carne e frango. Contudo, reconheceu, este pode ser um grande desafio, sobretudo entre as crianças que fazem uso de estimulantes por causa da redução do apetite induzida pelo medicamento. Ela acrescentou ainda ser importante que os clínicos com experiência na avaliação nutricional possam fornecer aos pais informações a respeito de uma boa nutrição. E disse: “tradicionalmente, a ênfase na abordagem terapêutica das crianças com DDAH se baseia no tratamento do espectro dos sintomas deste transtorno, mas também é importante abordar as questões básicas de saúde, tais como o sono, a nutrição e o crescimento. Uma boa saúde faz toda a diferença”. A Dra. Weiss relatou que fornece consultoria e/ou recebeu apoio financeiro para pesquisas da Eli Lilly and Company, Janssen, Purdue University, Shire Pharmaceuticals Inc e da Takeda Pharmaceuticals North America, Inc. American Academy of Child & Adolescent Psychiatry 56th Annual Meeting: Abstract 17.3. Presented October 31, 2009.
  • GABA: Alguns estudos mostram que o uso de GABA (ácido gama amino butírico) tanto pode reduzir a hiperatividade, como beneficiar crianças com distúrbios de aprendizagem. A questão é saber se o Gaba ingerido via-oral conseguirá atravessar a barreira hematoencefálica para chegar ao cérebro. Na dúvida, na ortomolecular utilizamos a L-taurina.
  • Vitamina B6: Uma vitamina extremamente importante para a função mental normal. Indivíduos com dificuldades de aprendizado, esquizofrenia e outros distúrbios mentais frequentemente apresentam deficiência de vitamina B6. Um estudo confirma alguma melhora em indivíduos esquizofrênicos que não respondiam à terapia com drogas psicotrópicas.Ácidos graxos omega-3: Alguns levantamentos mostram que para algumas crianças com DDAH a suplementação com ácidos graxos insaturados (principalmente ômega 3, ácido linolênico) parece proporcionar alguma melhora. Os mecanismos exatos envolvidos ainda permanecem desconhecidos. O importante é manter uma relação ômega-6/ômega-3 de 2 para 1 (2:1). Atualmente a alimentação moderna proporciona elevadas quantidades de ácido linolêico (ômega 6), que é pró- inflamatorio e diminuí a concentração . O suplemento de óleos de peixes marinhos (salmão, sarinha, atum) ou mesmo do óleo de linhaça que são fontes naturais de ômega 3, melhoram a memória e aconcentração em alguns estudos . Artigos: 1) Huss M, Völp A, Stauss-Grabo M. Supplementation of polyunsaturated fatty acids, magnesium and zinc in children seeking medical advice for attention-deficit/hyperactivity problems - an observational cohort study. Lipids Health Dis (2010) Sep 24;9:105. 2) Schuchardt JP, Huss M, Stauss-Grabo M, Hahn A. Significance of long-chain polyunsaturated fatty acids (PUFAs) for the development and behaviour of children. Eur J Pediatr. 2010 Feb;169(2):149-64.
Nutrientes Secundários

  • Centella asiatica: Pode melhorar a habilidade mental de crianças inaptas, dada sua propriedade anti-ansiedade. Após a terapia com a centella asiatica, 30 crianças, que eram consideradas inaptas, foram capazes de focarem suas tarefas e concentravam-se mais. Dose sugerida: Ingerir como recomendado, usando produtos de potência garantida e padrão.
  • Panax quinquefolium (Ginseng americano): Um estudo com o Ginseng americano evidenciou melhora nos pacientes com DDA. Foi usado o ginseng americano, porém é possível que o mesmo possa ser substituído pelo ginseng coreano. Lyon MR, Cline JC, Zepetnek JT, Shan JJ, Pang P, Benishin C. Effect of the herbal extract combination Panax quinquefolium and Ginkgo biloba on attention-deficit hyperactivity disorder: a pilot study. J Psychiatry Neurosci 2001;26(3):221-8.
  • Pycnogenol: Um estudo realizado com o Pycnogenol em  crianças portadoras de TDAH evidenciou melhora significativa da hiperatividade, atenção e coordenação visual motora, bem como a concentração em crianças. Trebaticka J, Kopasova S, Hradecna Z, Cinovsky K, SKodacek I, Suba J, Muchova J, Zitnanova I, Waczulikova I, Rohdewald P, Kdurackova Z. Treatment of ADHD with French maritime pine bark extract, Pycnogenol. Eur Child Adolesc Psychiatry (2006).
  • Vitamina C com bioflavonóides: Considerado um bom antioxidante, esta vitamina também ajuda a contra-atacar os efeitos do estresse.
  • L-Tirosina, Mucuna pruriens e Rhodiolla Rosea: Ajudam a aumentar os níveis de dopamina, promovendo uma melhora na "vigilância" mental.
  • S-AME (S-adenosilmetiona)
  • Vitamina D3
Outras Terapias de Apoio

  • Terapia com artes: Saídas criativas como pintura com o dedo ou escultura podem ser uma grande ajuda para canalizar a energia e a encorajar satisfação pessoal.
  • Meditação Transcedental: É ensinada por profissionais que foram treinados na Índia. Experiência própria, é a única técnica que conseguiu diminuir minha hiperatividade. Resultados incríveis em mim e em pacientes, principalmente hipertensos e pacientes com transtorno de ansiedade generalizada.
  • Musicoterapia: Um estudo controlado descobriu que ouvir Mozart ajudava crianças com DDA. Rosalie Rebollo Pratt e colegas estudaram 19 crianças com DDA, entre os sete e dezessete anos. Eles tocavam discos de Mozart para as crianças, três vezes por semana, durante sessões de biofeedback de ondas cerebrais. Eles colocavam o 100 Masterpieces, volume 3, que incluía o Concerto para Piano n. º 21 em dó, O Casamento de Fígaro, o Concerto para Flauta n. º 2 em lá, Don Giovannie outros concertos e sonatas. O grupo que ouvia Mozart reduzia sua atividade de ondas cerebrais teta (ondas lentas que são freqüentemente excessivas no DDA) ao ritmo exato do compasso subjacente da música; e exibia melhora de concentração e controle de humor, diminuindo a impulsividade e aumentando a habilidade social. Entre os sujeitos que melhoraram, 70 por cento mantiveram essa melhora seis meses depois do fim do estudo e sem treinamento posterior. (Estas descobertas foram publicadas no International Journal of Arts Medicine, 1995).
  • Biofeedback: O Biofeedback que também é decrito como "método de treinamento psicofisiológico por meio de equipamentos eletrônicos" é uma ferramenta utilizada na pesquisa, treinamento e tratamento clínico de profissionais de instituições de referência mundial. Aspectos como o estresse, padrões de ondas cerebrais, respiração, batimentos cardíacos, tensão muscular, fluxo sanguíneo, temperatura, dentre outros são captados e filtrados. As amostras são convertidas e transmitidas ao paciente em tempo real por meio de equipamentos que treinam estes padrões.