sábado, 30 de setembro de 2023

Preciso tirar os carboidratos para emagrecer?

Na avaliação nutricional do paciente, o recordatório alimentar é uma ferramenta extremamente importante para que possamos avaliar sua ingestão habitual, possíveis déficits nutricionais e onde na rotina alimentar é mais provável que esteja presente o consumo calórico excessivo.

E durante esse recordatório, ao longo dos anos, percebi um comportamento bem comum entre vários pacientes... Quando pergunto sobre as grandes refeições, é corriqueiro que haja uma pausa e um certo "freio" na hora de relatar a porção do arroz e, até mesmo, alguns pacientes já relatam antes "o arroz eu como pouquíssimo", como se existisse algum problema sobre a presença desse alimento no cardápio. 

Essa pausa reflete e reforça o MITO de que o arroz seria um "vilão" e um dificultador dos resultados do processo de emagrecimento, o que cada dia mais tenho certeza de que se trata de uma visão distorcida sobre este cereal.

E nesses anos de atendimento em que fiz o acompanhamento de mais de 2.000 pacientes, não me lembro ao me os um paciente em que o consumo de arroz realmente fosse um problema ou um dos possíveis favorecedores do ganho de gordura corporal. E não tenho a menor dúvida em reforçar que, aqueles que acompanho o histórico da evolução do peso corporal, que retiraram por conta própria o arroz da dieta, acabam reganhando o peso e sofrendo com efeito sanfona em longo prazo (claro que esse efeito não é devido exclusivamente da retirada do arroz, mas sim pelo desconhecimento e falta de orientação profissional que dificulta o paciente em enxergar onde realmente está o comportamento/hábito problemático).

Sempre que o paciente exclui o arroz das grandes refeições, alimento esse que possui um importante aspecto cultural e sabor insubstituível para muitos, ele acaba reduzindo o volume alimentar de um alimento que não possui uma alta densidade energética. Por exemplo, 100g de arroz cozido (4 colheres de sopa ou 2 de servir) possui aproximadamente 125kcal, densidade bem inferior a de um pão de queijo médio que pode apresentar até 150kcal em uma única unidade.

Essa restrição desse alimento pode fazer com que a refeição principal não dê saciedade e satisfação suficiente, favorecendo o aumento do apetite no período da tarde e jantar. Esse aumento do apetite pode reduzir de forma bem significativa a qualidade das escolhas alimentares e, inclusive, favorecer o aumento do consumo de quitandas, alimentos industrializados e outras opções que são hipercalóricas, resultando no ganho de peso ao longo das semanas.

Então, é muito mais interessante que esse paciente receba a informação correta e mantenha uma porção adequada de arroz nas suas refeições, cuja quantidade dependerá das suas individualidades, do que excluir esse alimento e aumentar o risco de compensações posteriores que serão ruins ao seu estado nutricional.

E lembre-se: se você anda excluindo o arroz para emagrecer, que tal preencher um recordatório alimentar por pelo menos 20 dias, incluindo os finais de semana? Você perceberá que os erros alimentares não estarão nesses alimentos mais naturais, mas sim em outras escolhas comuns feitas em aplicativos de comida, ingestão de bebidas alcoólicas, alimentos industrializados e perda de rotina aos finais de semana.

Autores: 
Rodrigo Lamonier - Nutricionista e Profissional da Educação física
Dr. Frederico Lobo - Médico Nutrólogo - CRM-GO 13192 - RQE 11915 / CRM-SC 32949 - RQE 22416
Revisores: 
Márcio José de Souza - Profissional de Educação física e Graduando em Nutrição.
Dra. Edite Melo Magalhães - Médica especialista em Clínica médica - CRM-PE 23994 - RQE 9351 

sexta-feira, 29 de setembro de 2023

Low carb regada a carne vermelha e embutidos: é uma boa estratégia?

 

A estratégia low carb ganhou fama e notoriedade nos últimos anos e, inclusive, é difícil ter alguma semana em que não atendo algum paciente que já não tenha seguido essa estratégia ao menos uma vez ao longo do seu processo de mudança alimentar. E existe uma forte onda de divulgação de informações DETURPADAS e MITOS por aí de que as carnes poderiam ser consumidas à vontade ao longo do dia, já que na nossa evolução, nosso corpo só teria benefícios desse hábito que existe desde a era paleolítica. 

Segundo esse MITO, o amido foi reintroduzido de forma "recente" evolutivamente falando e, segundo ele, consumir carboidratos é prejudicial quando comparado ao consumo de carnes.

No entanto, antes de responder a pergunta do tema desse texto, é importante ressaltar que existem estudos que confirmam a presença de AMIDO em ossaturas estudadas que são da era paleolítica. Ou seja, o amido já está inserido na nossa alimentação há milhares de anos e a informação propagada dos que são adeptos a dieta low carb de forma extremista, ou a dieta carnívora e outras estratégias excessivas, estão ERRADAS. 

E agora respondendo a pergunta: fazer dieta LOW CARB regada a carne vermelha e embutidos é uma estratégia PÉSSIMA quando o objetivo é a melhora do estado nutricional e a redução do risco de doenças crônicas não transmissíveis. E eu me arrisco a dizer ainda que, essa estratégia é uma das piores que existem quando o assunto é saúde e cuidados com o meio ambiente.

Já por outro lado, uma LOW CARB bem feita, prescrita corretamente pelo Nutricionista, controlando o consumo das gorduras saturadas e se preocupando com a ingestão de fibras, proteínas e calorias no total, pode trazer resultados excepcionais para muitos casos.

Portanto, caso você se sinta mais apto a fazer a dieta LOW CARB, procure o nutricionista para que seja feita corretamente. O consumo excessivo de carnes vermelhas e embutidos está associado ao um maior risco de doenças crônicas não transmissíveis, inclusive o câncer de cólon (dobra o risco absoluto do surgimento da doença).

E mais, esse tipo de dieta visando o emagrecimento parece não ser nada interessante, já que tem estudos comparando dietas com equivalência de calorias e proteínas, mas com diferença nos tipos de gorduras (saturadas ou mono e poli-insaturadas), mostrando que as dietas ricas em gorduras saturadas (carnes e embutidos em excesso) estão associadas a uma pior resposta na perda de gordura corporal.

Inclusive, a dieta mediterrânea, que é a dieta que mostra melhores resultados com relação a parâmetros metabólicos, possui quantidades pequenas de carne vermelha e menos ainda de embutidos e outros alimentos ultra processados.

Portanto, se você se sentir tentado a seguir uma low carb regada a carnes e embutidos, principalmente se for por seguir perfis ou indivíduos que fomentem esse tipo de estratégia, solicite as evidências científicas que demonstram o que eles propagam por aí. É bem provável que você não receba nenhum trabalho de qualidade mostrando tais benefícios.

Procure um Nutricionista sério e que siga a ciência da nutrição.

Autor:
Rodrigo Lamonier - Nutricionista e Profissional da Educação física
Revisor:
Dr. Frederico Lobo - Médico Nutrólogo - CRM-GO 13192 - RQE 11915, CRM-SC 32.949, RQE 22.416

quinta-feira, 28 de setembro de 2023

Falta de vitaminas e minerais pode levar a queda de cabelo

Uma das queixas que mais escutamos no nosso consultório de Nutrologia/Nutrição e que mais traz preocupação com relação à autoestima e aflição é a alteração na saúde capilar. Queda de cabelo, o tormento das mulheres e de alguns homens. 

Muitas mulheres chegam à consulta apresentando medo de perderem todo o cabelo, já que relatam que o chão da casa fica cheio de fios e que os travesseiros formam "perucas" diariamente. O marido reclama do excesso de tufos no ralo do banheiro. 

Por fim, por estar no imaginário popular que a queda de cabelo é por falta de nutrientes ou por estresse, agendam consulta com o Nutrólogo ou Nutricionista. Muitas dessas pacientes relatam que querem dosar os nutrientes e melhorar a dieta para que os cabelos fiquem mais fortes e a queda pare. Uma boa parte já vem com autosuplementação, doses cavalares de nutrientes, as vezes "gominhas para crescer cabelo". Então aqui fazemos uma apelo: Não autosuplemente. Isso pode ser deletério. Os nutrientes possuem um fino equilíbrio entre si. 

Mas será que os nutrientes podem levar a queda de cabelo, quando deficientes? Sim, o seu cabelo pode SIM estar caindo por falta de vitaminas e minerais! Assim como por falta de proteínas, estresse, dietas, restritivas e muitos outros fatores. O Nutrólogo até pode detectar o déficit desses nutrientes e suplementar, mas o mais correto é passar em consulta com um dermatologista. 

Algumas deficiências nutricionais favorecem a queda e outras alterações nos cabelos, principalmente nas mulheres. E os nutrientes mais comuns e estudados que podem estar relacionados a essas alterações são:
  1. Ferro, 
  2. Zinco, 
  3. Selênio, 
  4. Vitamina A, 
  5. Vitamina D,
  6. Vitaminas do complexo B (incluindo a biotina),
  7. Silício
Contudo, mesmo sendo nutrientes importantes para a saúde dos cabelos, não é válido sair suplementando todos de forma aleatória, já que existem algumas causas que não são dependentes da nutrição, ocorrendo a possibilidade de se piorar a saúde dos cabelos quando houver excesso de nutrientes (selenose, hipervitaminose A). 

É muito importante o acompanhamento interdisciplinar com nutricionista e médico, para avaliar os possíveis déficits por meio de exames laboratoriais/recordatórios alimentares, histórico das alterações e através das avaliações físicas (afastando outras doenças como as tireoidopatias e as alopécias androgenética, areata, dentre outras).

E ainda, muita gente não se lembra, mas o consumo adequado de proteínas também é um dos pilares mais importantes quando o assunto é saúde capilar, já que esse nutriente muitas vezes é negligenciado e pode ser uma das causas das alterações relacionadas a queda e lentificação do crescimento. Por sua vez, é importante ressaltar o cuidado quanto a ingestão calórica do cardápio, já que a restrição excessiva de calorias por um período longo pode favorecer também alterações significativas (comum na cirurgia bariátrica, que pode ser devido a vários fatores desses descritos acima).


Autores
Dr. Frederico Lobo - Médico Nutrólogo - CRM-GO 13192 - RQE 11915, CRM-SC 32.949, RQE 22.416
Rodrigo Lamonier - Nutricionista e Profissional da Educação física

Troquei o arroz branco pelo integral, isso vai me ajudar a emagrecer mais rápido?

Você provavelmente já deve ter sido orientado (a) a substituir o arroz branco da sua dieta pelo arroz integral e, inclusive, essa orientação é acompanhada da afirmação de que essa troca é altamente eficaz para você conseguir emagrecer. 

Mas, será que essa orientação é válida e o arroz integral, consumido em quantidades semelhantes ao branco, é mesmo capaz de favorecer o emagrecimento?

A resposta é: NÃO! Com relação a quantidade de CALORIAS por porção, substituir o arroz branco pelo arroz integral NÃO faz muita diferença no processo de emagrecimento, já que ambos os tipos possuem cerca de 120-130kcal a cada 100g. Ou seja, a densidade calórica é semelhante e se o consumo do arroz integral não proporcionar melhores respostas nas suas escolhas alimentares ao longo do dia, é bem provável que os resultados de emagrecimento não mudem muito.

Contudo, é importante ressaltar que o arroz integral tem uma característica nutricional superior ao arroz branco, apresentando uma maior quantidade de fibras, minerais e vitaminas por porção ingerida. Ou seja, ele pode ter um efeito superior, quando comparado ao  branco, nos quesitos de controle glicêmico do paciente ("níveis de açúcar no sangue"), perfil lipídico (colesterol, triglicérides), regularização do funcionamento intestinal e na percepção de saciedade do indivíduo (menor consumo e maior sensação de saciedade).

E devido a esses possíveis efeitos, ele pode sim ser um coadjuvante no processo de emagrecimento. Mas o mais importante é o seu efeito frente ao quadro metabólico do paciente como um todo, podendo melhorar alguns parâmetros que estão associados com maior mortalidade (perfil lipídico/glicêmico). E se consumir o arroz integral como substituto ao branco te proporciona maior saciedade ao longo do dia, é possível que você melhore suas escolhas alimentares e diminua o consumo calórico total diário, consequentemente, perdendo mais peso em médio/longo prazo.

Sendo assim, vale muito a pena inserir o arroz integral no seu cardápio, pelo menos alguns dias da semana, principalmente se você possui uma baixa ingestão de fibras ao longo do dia.

Autores: 
Rodrigo Lamonier - Nutricionista e Profissional da Educação física
Dr. Frederico Lobo - Médico Nutrólogo - CRM-GO 13192 - RQE 11915 / CRM-SC 32949 - RQE 22416
Revisores: 
Márcio José de Souza - Profissional de Educação física e Graduando em Nutrição.
Dra. Edite Melo Magalhães - Médica especialista em Clínica médica - CRM-PE 23994 - RQE 9351 

quarta-feira, 27 de setembro de 2023

Preciso cortar arroz para emagrecer?

Quando o assunto é emagrecimento, arroz é um dos alimentos mais "temidos", tanto que é bastante comum nos atendimentos relatos como "já cortei totalmente o arroz e mesmo assim não estou emagrecendo".

Contudo, será mesmo que o arroz é um grande vilão durante o processo de perda de peso?

A resposta é: na maioria dos casos, NÃO!

Para que você tenha uma ideia, segundo a Tabela Brasileira de Composição dos Alimentos (TACO), cada 100g de arroz branco cozido possui aproximadamente 128kcal, o que não é uma densidade calórica excessiva como muitos acreditam. 

Veja bem, caso você consuma 100g de arroz no almoço e 100g de arroz no jantar, somará um total de 256kcal, o que representa aproximadamente 13% da necessidade calórica diária de alguém que precise ingerir 2.000kcal.

Com isso você deve pensar: "mas o arroz possui alto índice glicêmico"!

Sim, é verdade! Porém, há estudos demonstrando que a resposta glicêmica aos alimentos pode variar MUITO, entre os indivíduos. Além disso, raramente alguém ingere o arroz sozinho.

Geralmente é refogado com algum tipo e óleo (isso já muda a carga glicêmica da refeição) e pra completar a falácia do índice glicêmico, ele acaba sendo comumente consumido com carnes, leguminosas (feijão, lentilha, grão de bico) e saladas/vegetais (abundância em fibras), o que muda totalmente o índice glicêmico, reduzindo-o significativamente (na prática consideramos a carga glicêmica da refeição).

Portanto, caso você queira emagrecer, procure o auxílio de um Nutrólogo e posteriormente de um Nutricionista para te auxiliarem na mudança de hábitos. Não saia cortando e eliminando os alimentos habituais da sua dieta de forma aleatória, pois essa ação pode dificultar a perda de peso e gerar transtornos alimentares no futuro. 


Autores: 
Rodrigo Lamonier - Nutricionista e Profissional da Educação física
Dr, Frederico Lobo - Médico Nutrólogo - CRM 13192 - RQE 11915
Márcio José de Souza - Profissional de Educação física e Graduando em Nutrição. 

Tirzepatida e seu impacto no peso - Por. Dra. Lia Bataglini

 

Transtorno de compulsão alimentar

 

Efeito rebote da Semaglutida (Ozempic), isso existe? Por Dra. Natália Jatene

 

segunda-feira, 25 de setembro de 2023

A frutose das frutas é um problema? Causa esteatose hepática? Engorda?


Vários trabalhos já demonstraram que o consumo EXCESSIVO de frutose pode ter a sua metabolização um pouco problemática, com consequente aumento do risco da elevação do triglicérides, ácido úrico, piora da resistência à ação da insulina e maior risco de esteatose hepática (gordura no fígado). Em ratos principalmente isso ocorre, mas os estudos em humanos não mostram isso, principalmente quando se trata de consumo de frutas. 

E devido a essa questão, muitas pessoas tem reduzido o consumo das frutas com medo da frutose presente nesse grupo de alimentos.

Mas, a frutose da fruta é mesmo um problema?

A resposta é: NÃO! O problema da frutose está ligado somente devido ao seu consumo através de produtos processados e ultraprocessados, ou seja, aqueles que são adicionados de xaropes diversos (xarope de glicose, xarope de agave, xarope de milho). O consumo de frutas NÃO está associado com os problemas que relatei acima, muito pelo contrário, as frutas exercem papel PROTETOR com relação ao perfil lipídico, gordura no fígado e ação da insulina. A fruta geralmente tem fibra na composição, sendo uma das principais fontes de fibras da nossa alimentação.

Uma banana ou uma maçã, por exemplo, possuem entre 4 a 7g de frutose por unidade, sendo fonte de vitaminas, minerais e fibras que são importantes para a manutenção da saúde. Por outro lado, alguns alimentos ultraprocessados adicionados de xaropes podem conter 30g a 40g de frutose por unidade/porção, com pouca ou nenhuma fibra, além de serem nutricionalmente bem pobres. Esses sim podem trazer consequências negativas se forem frequentes na dieta.

Portanto, comam mais frutas e reduza o consumo de alimentos enriquecidos com xaropes/açúcares.

Autor: Dr. Rodrigo Lamonier - Nutricionista e Profissional da Educação física
Revisor: Dr. Frederico Lobo - Médico Nutrólogo - CRM-GO 13192 - RQE 11915 / CRM-SC 32949 - RQE 22416

Quem se identifica com os sintomas de TDAH? Por Dr. Murilo Caetano - Médico Psiquiatra em Goiânia

 Abaixo um vídeo muito interessante de um amigo psiquiatra.

quinta-feira, 21 de setembro de 2023

O impacto do câncer na vida das mulheres

Quando consideramos o impacto social ou econômico da morte de uma mulher com câncer, devemos reconhecer que muito mais de um problema pessoal ou familiar estamos frente a uma catástrofe social. Por todas suas consequências, a influência desproporcional que traz o câncer na vida das mulheres merece maior atenção.

O câncer de mama é o mais comum entre todos os tumores e sua incidência deve aumentar nas próximas décadas, assim como sua mortalidade. O câncer de colo de útero mata 300.000 mulheres em todo o mundo a cada ano, 90% delas em países em desenvolvimento. Dados das Nações Unidas indicam que mais de 4 milhões de mulheres morrem por câncer anualmente, deixando mais de 1 milhão de órfãos. O impacto é maior em países de baixos recursos, onde o diagnóstico precoce e o tratamento mais eficaz estão mal distribuídos ou não são acessíveis particularmente em populações marginalizadas. Existe uma associação entre a morte de uma mãe e mortalidade infantil. A estimativa é que para cada 100 mulheres que morrem por câncer em países africanos, 14-30 crianças morrem como consequência.

Mulheres dedicam 2 a 10 vezes mais tempo em trabalho não remunerado do que homens e reconhecidamente têm um papel fundamental e pouco valorizado no funcionamento social. Sociedades que cuidam de suas mulheres são mais saudáveis e têm um futuro mais próspero e produtivo.

O aumento na incidência e na mortalidade por câncer não é inevitável. Obesidade, álcool e sedentarismo, entre outros fatores de risco, podem e devem ser alvo de estratégias preventivas. Temos que enfrentar o estigma e os mitos associados com a doença e que resultam em diagnósticos tardios. De acordo com a OMS, detectar tumores de mama com menos de 2 cm aumenta as chances de cura e resulta numa diminuição progressiva da mortalidade. Devemos identificar iniquidades e corrigi-las, educar a sociedade e mudar nossa percepção com relação ao câncer na mulher e a profundidade de suas consequências, para todos. Mulheres mais cuidadas e com mais saúde representam um futuro melhor para todos nós. 

Fonte: http://sissaude.com.br/sis/inicial.php?case=2&idnot=37911

quarta-feira, 20 de setembro de 2023

Comparação entre 04 suplementos proteicos: Whey, caseína, proteína da soja e colágeno - Por Dra. Lia Bataglini

 

A verdade que não te contaram sobre os Implantes hormonais - Por Dra. Natália Jatene

Indivíduos com hábitos noturnos têm maior risco de apresentar diabetes tipo 2


Os “notívagos” têm um risco maior de evoluir com diabetes tipo 2 e são mais propensos a fumar mais, fazer menos exercício e ter maus hábitos de sono em comparação com os indivíduos “madrugadores”, de acordo com um novo estudo, publicado em 11 de setembro no periódico Annals of Internal Medicine.

O trabalho analisou o cronótipo autoavaliado dos participantes, que se refere à preferência circadiana de um indivíduo para dormir e acordar, sendo classificado como madrugador (aquele que prefere acordar cedo e é mais ativo durante o dia) ou notívago (aquele que prefere acordar tarde, sendo mais ativo durante a noite).

Analisando o estilo de vida e os hábitos de sono relatados por mais de 60.000 enfermeiras de meia-idade, pesquisadores do Brigham and Women's Hospital e da Harvard Medical School dos EUA constataram que aquelas que tinham preferência por acordar mais tarde tinham um risco 72% maior de apresentar diabetes e probabilidade 54% maior de apresentar comportamentos pouco saudáveis em comparação com participantes que tendiam a acordar mais cedo.

Após ajuste para seis fatores de estilo de vida — dieta, uso de álcool, índice de massa corporal (IMC), atividade física, tabagismo e duração do sono — a associação entre risco de diabetes tipo 2 e cronótipo noturno diminuiu para 19% o risco de apresentar a doença.

Numa análise de subgrupo, essa associação foi mais forte entre as mulheres que não trabalharam em plantões noturnos nos últimos dois anos ou que trabalharam em plantões noturnos durante menos de dez anos. Para as enfermeiras que trabalharam recentemente em turnos noturnos, o estudo não encontrou associação entre o cronótipo noturno e o risco de diabetes tipo 2.

As participantes, provenientes do Nurses' Health Study II, tinham entre 45 e 62 anos de idade, sem histórico de câncer, doenças cardiovasculares ou diabetes. Os pesquisadores acompanharam o grupo de 2009 a 2017.

Existe uma incompatibilidade entre o ritmo circadiano natural e o horário de trabalho?

Os autores, liderados pelo Dr. Sina Kianersi, Ph.D., da Harvard Medical School, nos EUA, sugerem que os resultados podem estar ligados a uma incompatibilidade entre o ritmo circadiano de uma pessoa e o seu ambiente físico e social — por exemplo, quando alguém vive de acordo com um horário oposto ao de sua preferência circadiana.

Em um estudo de 2015, as enfermeiras que trabalhavam em turnos diurnos há mais de dez anos, mas tinham um cronótipo noturno, apresentavam maior risco de diabetes em comparação com as que tinham um cronótipo diurno (51% mais probabilidade de desenvolver diabetes tipo 2).

Em um estudo de 2022, um cronótipo noturno foi associado a um risco 30% maior de diabetes tipo 2. Os autores especularam que o desalinhamento circadiano poderia ser o culpado — por exemplo, ser um notívago, mas trabalhar de manhã cedo — o que pode perturbar o metabolismo glicêmico e lipídico.

Estudos anteriores mostraram que hábitos de sono mais curtos ou irregulares estão associados a um maior risco de diabetes tipo 2. Outros estudos também constataram que as pessoas com cronótipo noturno têm maior probabilidade do que os madrugadores de terem hábitos alimentares pouco saudáveis,  praticarem menos atividade física e de serem fumantes e consumidores de álcool.

Este novo estudo não mostrou associação entre o cronótipo noturno e o consumo não saudável de álcool, que os autores definiram como tomar uma ou mais doses de bebida alcóolica por dia.

Em um editorial que acompanha o estudo, dois médicos da Harvard T.H. Chan School of Public Health, nos EUA, alertam que o desenho estatístico do estudo limita sua capacidade de estabelecer a causalidade.

“O cronótipo pode mudar com o tempo, o que pode estar correlacionado com mudanças no estilo de vida”, escrevem Kehuan Lin, Mingyang Song e o médico Dr. Edward Giovannucci. “São necessários ensaios experimentais para determinar se o cronótipo é um marcador de estilo de vida pouco saudável ou um determinante independente”.

Eles também sugerem que fatores psicológicos e o tipo de trabalho realizado pelos participantes podem ser potenciais causas de confusão nos resultados do estudo.

Os autores do estudo observam que seus achados podem não ser aplicáveis para outros grupos que não sejam enfermeiras brancas de meia-idade. A população estudada também tinha um nível de escolaridade relativamente alto e era socioeconomicamente favorecida.

O autorrelato do cronótipo com uma única pergunta também pode resultar em erros de classificação e de aferição, reconhecem os autores.

Os achados destacam a importância de avaliar o cronótipo de um indivíduo para programar o trabalho por plantões — por exemplo, atribuir notívagos aos turnos noturnos pode melhorar a sua saúde metabólica e os hábitos de sono, de acordo com os autores do estudo.

“Dada a importância da modificação do estilo de vida para a prevenção do diabetes, pesquisas futuras são necessárias para avaliar se a melhoria dos comportamentos poderia efetivamente reduzir o risco da doença em pessoas com cronótipo noturno”, concluem os autores.

terça-feira, 19 de setembro de 2023

Uso de polivitamínicos indiscriminadamente podem perturbar o sono, indicam estudos

 Cientistas descobriram um índice levemente maior de sono insuficiente ou interrompido em pessoas que tomavam suplementos multivitamínicos

Milhões de americanos tomam suplementos multivitamínicos todos os dias, na esperança de obter vários tipos de benefícios para a saúde. Mas quando se trata de uma boa noite de sono, será que essas pílulas podem prestar um desserviço?

Ao longo dos anos, relatos sugeriram isso. Alguns usuários alegam que esses suplementos reduzem seu sono e levam a despertar mais frequente no meio da noite. Em um estudo realizado em 2007, pesquisadores recrutaram centenas de participantes e investigaram seus hábitos de sono - incluindo seu uso de vitaminas e medicações -, e então pediram que eles mantivessem um "diário do sono" por duas semanas.

Após controlar fatores como gênero, idade e outras variáveis, os cientistas descobriram um índice levemente maior de sono insuficiente ou interrompido em pessoas que tomavam suplementos multivitamínicos. Mas por terem encontrado apenas uma associação, eles não puderam excluir a possibilidade de que as pessoas com sono mais pobre simplesmente são as com maior tendência a buscar os multivitamínicos.

Se há um efeito, o problema é separar os efeitos das vitaminas individuais. Há alguma evidência de que a vitamina B produz alguma consequência. Alguns estudos mostram que ingerir vitamina B6 antes de ir para a cama pode levar a sonhos muito vívidos, o que pode acordar as pessoas. A B6 ajuda o corpo a converter triptofano em serotonina, um hormônio que afeta o sono. Outros estudos mostram que a vitamina B12 pode afetar os níveis de melatonina, promovendo a vigília.

Para aqueles que suspeitam que seus suplementos multivitamínicos podem estar abreviando seu sono, a melhor solução pode ser simplesmente tomar as pílulas pela manhã, ou pelo menos algumas horas antes de ir para a cama.

Sendo assim, há evidências de que suplementos multivitamínicos podem perturbar o sono noturno.

Fonte: http://tinyurl.com/348no8l

Tenho gases ao comer pão, será que não posso com glúten?


Nas consultas em consultório, a maioria dos pacientes que relatam ter gases ao consumir alimentos com farinha de trigo (pão, bolo, biscoitos, dentre outros) acreditam que o problema está diretamente ligado ao GLÚTEN, devido a alguma sensibilidade ou intolerância a essa proteína.

Mas antes de explicar, sugiro que você me siga no instagram: @drfredericolobo para mais informações de qualidade em Nutrologia e Medicina. Lá, posto principalmente nos stories, informação de qualidade e no feed, junto com meus afilhados postamos sobre vários temas.

E se eu te disser que provavelmente essa piora nos seus sintomas de gases não está relacionado ao glúten, mas sim com os carboidratos fermentáveis presentes no trigo?

O trigo possui uma quantidade considerável de um grupo de carboidratos conhecidos como FRUTANOS, que podem ser os causadores dos seus sintomas gastrointestinais. Os frutanos são carboidratos fermentáveis, resistentes à digestão e que, quando são ingeridos, são fermentados pelas bactérias presentes em todo o trato digestivo, produzindo assim os gases e resultando na distensão abdominal e outros sintomas.

O grande ponto é que muitas pessoas só se lembram do glúten e de alguns FODMAPs (carboidratos fermentáveis) que são mais falados como a lactose e a frutose. No entanto, desconhecem que há uma gama de intolerâncias alimentares possíveis e bem comuns na prática clínica que precisam ser investigadas, incluindo intolerância aos polióis, a rafinose, estaquiose, dentre outras.

E caso você tenha sintomas gastrointestinais, agende seu horário para avaliação do quadro e tratamento dietoterápico.

Autor: Dr. Rodrigo Lamonier - Nutricionista e Profissional da Educação física
Revisor: Dr. Frederico Lobo - Médico Nutrólogo - CRM-GO 13192 - RQE 11915 / CRM-SC 32949 - RQE 22416

sexta-feira, 15 de setembro de 2023

15 de Setembro - Dia do Nutrólogo

 

Parabéns a todos os Nutrólogos de verdade.

A todos os Nutrólogos éticos, transparentes com seus pacientes e que exercem a Medicina de forma digna e responsável.

A todos os Nutrólogos que não enxergam paciente como troféu e nem o expõem em redes sociais. 

A todos os Nutrólogos que enxergam o paciente em sua totalidade mas nem por isso invadem outras especialidades. Querendo ser Endocrinologista, Ginecologista ou Urologista.

A todos os Nutrólogos que mesmo diante de uma campanha difamatória por parte de alguns profissionais da área da saúde lutam pela moralização da Nutrologia e buscam a cada dia mostrar a importância da especialidade.

Parabéns a todos que honram o título ou residência e vestem a camisa da especialidade. 

A todos que se orgulham de praticar essa especialidade linda.

Autor: Dr. Frederico Lobo - Médico Nutrólogo
CRM-GO 13.192 | RQE 11.915 / CRM-SC 32.949 | RQE 22.416 

quarta-feira, 13 de setembro de 2023

Seleção de afilhados

Muitos colegas estão enviando mensagem,/e-mail/direct perguntando se farei mentoria para a prova de título de 2024 ou 2025, se venderei os flashcards e banco de questões.

A resposta é: Não. 

A mentoria para a prova e os os materiais são somente para os meus afilhados. É 100% gratuita e tem duração de 13 meses, com aulas semanais todas as terças-feiras. ]

Esse ano tenho 18 afilhados fazendo a mentoria. Com aulas semanais, seminários, elaboração de textos, postagens, artigos. Discussão de casos clínicos e questões de provas.

Caso você seja médico, interessado em ser apadrinhado na Nutrologia, leia o site:

Caso queira comprar o e-book: Tô na Nutro e agora, para se preparar melhor para a prática clínica e ter um norte em relação à prova de titulo: clique aqui.


Depoimento dos afilhados











Att

Dr. Frederico Lobo
Médico Nutrólogo
CRM-GO 13.192 RQE 11.915
CRM-SC 32.949 RQE 22.416



terça-feira, 12 de setembro de 2023

Nova resolução de publicidade médica

Após um processo que durou mais de três anos, de fazer uma consulta pública que recebeu mais de 2.600 sugestões, de realizar quatro webinários e de ouvir as sociedades médicas, o plenário do Conselho Federal de Medicina (CFM) atualizou suas regras para a publicidade médica. O novo texto vai permitir que o médico divulgue seu trabalho nas redes sociais, faça publicidade dos equipamentos disponibilizados no seu local de trabalho e, em caráter educativo, use imagens de seus pacientes, ou de banco de fotos.

A Resolução CFM nº 2.336/2023 está disponível em: 

“Por muitos anos, interpretamos de forma restritiva os decretos-lei 20.931/32 e 4.113/42, que regulam o exercício da medicina e nossa propaganda/publicidade. Durante décadas, dividimos a prática da medicina em duas, a do consultório e pequenos serviços autônomos e a hospitalar. Depois da releitura desses dispositivos legais, vimos que deixamos de tratar de forma isonômica as duas formas de prática da medicina. A partir dessa revisão, passamos a assegurar que o médico possa mostrar à população toda a amplitude de seus serviços, respeitando as regras de mercado, mas preservando a medicina como atividade meio. É uma resolução que dá parâmetros para que a medicina seja apresentada em suas virtudes, ao mesmo tempo em que estabelece os limites para o que deve ser proibido”, explica o relator da Resolução CFM nº 2.336/23, conselheiro federal Emmanuel Fortes, que já tinha sido o relator do texto que até hoje regulamentava a publicidade médica (Resolução CFM nº 1.974/2011).

Além de permitir ao médico mostrar o seu trabalho, a nova resolução também autoriza a divulgação dos preços das consultas, a realização de campanhas promocionais, o uso das imagens dos pacientes, investimentos em negócios não relacionados à área de prescrição do médico, além de outras permissões.

Imagens – Se o regramento anterior proibia expressamente o uso de imagens do paciente, o novo texto esclarece como essas imagens podem ser usadas. Pela Resolução CFM nº 2.336/23, a imagem deve ter caráter educativo e obedecer os seguintes critérios: o material deve estar relacionado à especialidade registrada do médico e a foto deve vir acompanhada de texto educativo, contendo as indicações terapêuticas e fatores que possam influenciar negativamente o resultado.

A imagem também não pode ser manipulada ou melhorada e o paciente não pode ser identificado. Demonstrações de antes e depois devem ser apresentadas em conjunto com imagens contendo indicações, evoluções satisfatórias, insatisfatórias e possíveis complicações decorrentes da intervenção. Quando for possível, deve ser mostrada a perspectiva de tratamento para diferentes biotipos e faixas etárias, bem como a evolução imediata, mediata e tardia.

É comum que o paciente publique em suas redes sociais agradecimento ao profissional que o atendeu. Agora, o médico poderá repostar, em suas redes, esses elogios e depoimentos. “A única observação é a de que o depoimento seja sóbrio, sem adjetivos que denotem superioridade ou induzam a promessa de resultados”, esclarece Emmanuel Fortes.

Quando o médico usar imagens de banco de imagens, deverá citar a origem e atender as regras de direitos autorais. Quando a fotografia for dos próprios arquivos de médico ou do estabelecimento onde atue, deve obter do paciente a autorização para publicação. A imagem deve garantir o anonimato do paciente, mesmo que este tenha autorizado o uso, e respeitar seu pudor e privacidade.

A Resolução 2.336/23 autoriza a captura de imagens por terceiros apenas para os partos. Não podem ser filmados por terceiros outros procedimentos médicos. “O nascimento é um momento sublime, daí porque permitimos a filmagem e fotos. Em outras situações, não podemos colocar em risco a segurança do paciente”, argumenta Fortes.

No Manual será estabelecido critérios para a captura de imagens para publicação pelos médicos, preservando a intimidade e à segurança do ato médico para os pacientes.

Continuam proibidos o ensino de técnicas médicas a não-médicos, como previsto na Resolução CFM nº 1.718/2004. “Com esta resolução, afirmamos que o médico poderá mostrar para a sociedade suas habilidades, mas alguns princípios não podemos abrir mão. A vedação do ensino do ato médico a outros profissionais é um deles”, pontua Emmanuel Fortes.

Para o relator da Resolução, houve uma mudança significativa no sentido da norma. “Antes, praticamente só tínhamos vedações. Agora, professamos a liberdade de anúncio, mas com responsabilidade e sem sensacionalismo”, define.

Dieta detox não existe

 No vídeo abaixo, o nosso nutricionista explica o porquê de Dieta Detox não existir.