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sexta-feira, 6 de julho de 2018

O que não é Nutrologia?


Todos os dias no consultório é a mesma história para os pacientes:

Paciente ACHANDO que foi a um nutrólogo e na verdade o médico não é especialista: lembrando que só é especialista em Nutrologia ou quem fez a residência ou tem o título. Se não tem, não é NUTRÓLOGO.A maioria dos que se dizem nutrólogos não o são. Para saber se o profissional é nutrólogo basta entrar no site do Conselho  de Medicina e buscar o nome do profissional: http://www.cremego.org.br/index.php?option=com_medicos

Paciente ACHANDO que Nutrologia é sinônimo de Ortomolecular, Medicina Quântica, Homeopatia, Medicina Integrativa (conceito que conseguiram deturpar), Chips hormonais, Anabolizantes, Excesso de suplementos, Doses cavalares de vitaminas e minerais. A Associação Brasileira de Nutrologia emitiu um documento em 2017 mostrando que isso não faz parte do roll de procedimentos nutrológicos.

Alguns médicos deturpam a Nutrologia e fazem leigos e outros médicos acharem que Nutrologia é aquilo que eles praticam. A Nutrologia é uma especialidade séria e que no momento sofre um processo de desmoralização por parte de alguns profissionais. .

Quer saber o que é NUTROLOGIA de verdade? www.nutrologogoiania.com.br

Montei uma pequena biblioteca descrevendo: O que é Nutrologia. A história da Nutrologia no Brasil. O que não é Nutrologia. Diferença entre Nutrólogo e Nutricionista...Endócrino...Médico do esporte. Vários textos mostrando como a Nutrologia pode auxiliar no tratamento de várias doenças.

domingo, 19 de abril de 2015

Alerta sobre termogênicos e pré-treino por Dr. Flavio Cadegiani


Excelente texto de um amigo endocrinologista de Brasília, Dr. Flávio Cadegiani (http://corpometria.com.br/), que compactua da mesma opinião que eu, sobre termogênicos e pré-treinos.

Muitos pacientes me consideram chato por ser reticente quanto à prescrição destas substâncias. Felizmente nesse ponto sou radical e paciente meu não é cobaia. Logo, não prescrevo e recrimino o uso.

Vi inúmeras vezes pacientes iniciarem tratamento comigo e utilizarem "escondido" Jack3D ou Oxyelite. No início do tratamento apresentavam TSH (horrmônio tireoestimulante) normal e depois de 6 meses o mesmo subir vertiginosamente, indicando alteração tireoideana, além de positivar anticorpos.

Também vi inúmeras vezes pacientes com "tendências" a transtornos psiquiátricos e após o uso, o mesmo servir como "gatilho" para o desencadeamento de doenças psiquiátricas.

Sem contar que vários desses termogênicos e pré-treinos possuem na sua composição substâncias que podem aumentar a pressão arterial, frequência cardíaca, causar insônia.

Alguns são "batizados" com hormônios ou anorexígenos.

Parece inofensivo mas não é, portanto preservo ao máximo meu paciente. Alimentos termogênicos estão aí pra serem adicionados à alimentação. É muito mais seguro procurar uma nutricionista ou nutrólogo. Mais seguro, mais barato, só não é mais prático rs.


Parece inofensivo mas não é, portanto preservo ao máximo meu paciente.

att





ALERTA – PRÉ-TREINOS, TERMOGÊNIICOS E A VERDADE SOBRE O CASO “NETINHO” – VALE A PENA LER

POR DR. FLÁVIO CADEGIANI

Os tão difundidos pré-treinos e termogênicos, utilizados para melhora da performance no treino, sensação de bem-estar e aceleração da queima de gordura, aparentemente inofensivos pois são vendidos livremente nos Estados Unidos, escondem uma realidade um pouco diferente e não tão bacana quanto imaginamos.
Primeiramente, não sabemos ao certo o que estes produtos contêm em sua composição. Na descrição dos ingredientes e produtos utilizados para formulação, costumam vir escrito o nome de algum complexo que não explicita o que contem neste complexo. Diversos estudos independentes nos EUA mostraram que entre 20 e 50 por cento destas formulações contém doses consideráveis de androgênios, anfetaminas e outros aceleradores, Ou você acha que aquele “gás” que o C4 ou Jack3d costumam dar vem de doses homeopáticas de plantinhas que nunca fariam mal algum? No ímpeto de associar seu produto a melhores resultados e a sensação de vitalidade e de força, os fabricantes muitas vezes adulteram propositadamente suas fórmulas.

E por que o FDA (Food and Drug Administration, ou a “Anvisa” dos EUA) não age? Pois bem, todos estem produtos, pasmem, são classificados como simples “alimentos” por este órgão, o que os exime de análise prévia para autorizar a venda destes “simples e inofensivos alimentos”. Sim, é uma grande lacuna de qualidade na competência deste órgão americano, e existe um grande movimento para mudar isso, que enfrenta um gigante lobby das indústrias de suplementos (não, lobby não é uma exclusividade brasileira). Portanto, por enquanto, o que é classificado como suplemento e alimento tem de provar que faz mal para ser avaliado, enquanto qualquer novo medicamento, para ser aprovado, tem de provar que não faz mal para ser liberado. Observem a lógica americana.

Ok, mas quais seriam as consequências a curto e longo prazos?

Para contar da primeira consequência, utilizarei um exemplo que atualmente está em voga: o Netinho. Alguns detalhes da história não estão bem esclarecidos. Primeiro, a questão do nódulo hepático. Doses supra-fisiológicas de androgênios, normalmente acima de 06 vezes o nível normal, que se atinge por usuários pesados de androgênios, podem (vejam bem, eu disse podem, porque não há evidência suficiente de que causam, embora a relação seja clara) causar nódulos hepáticos, mas principalmente quando associados a hormônios de cavalo. Só que o cantor em questão tem comorbidades que não cabe dizer aqui que estas sim apresentam por si só um grande risco de lesões hepáticas. Tudo bem, culparam os androgênios que para ele julgaram ser de cunho meramente estético quando na realidade é um tratamento médico, até onde a informação chegou a mim.

Porém, o maior complicador foi a hemorragia que ele apresentou à biópsia hepática. Ora, o risco de hemorragia é inerente ao procedimento. Mas dizem que a hemorragia foi em excesso por culpa da testosterona e derivados que ele vinha utilizando. Aí já é extremamente questionável. Primeiro, os androgênios causam vasodilatação sim, mas em outros locais como músculos. Nada comprova esta vasodilatação na trama hepática. Segundo e mais importante, o uso de androgênios está associado a aumento de risco de TROMBOSE, e não hemorragia, tanto que temos vistos muitos pacientes jovens sem qualquer fator de risco apresentarem AVC. Normalmente, o aumento de risco de trombose vai de encontro ao risco de hemorragia, pois ele rapidamente coagularia impedindo uma perda maior de sangue.

Então, quem poderia causar o sangramento? Sim, os pré-treinos, aceleradores e outros vaso-dilatadores! Estes sim, se consumidos até 30 dias antes do procedimento, aumentam risco de sangramento. Aproveito aqui para sugerir aos pacientes que serão submetidos a procedimentos e a meus colegas médicos que irão realizar procedimentos invasivos, que solicitem a interrupção de qualquer prép-treino ou termogênico ao menos 30 dias antes. E não somente por conta do aumento de risco de sangramento, mas por outro motivo. Mas qual?

Um caso em Recife(PE) chamou atenção quando um adolescente faleceu por causas cardíacas após ingesta de grandes quantidades de Jack 3d, na antiga formulação (não sei a as novas formulações, sem o DMAA, ou dimethilamylamina, serão tão inofensivas assim). Pois então, esse caso explicitou os riscos cardiovasculares associados ao uso exagerado destes produtos. Que aumentam risco de arritmias, infartos e outras descompensações cardíacas. E estudos também sugerem que o uso prévio também aumento o risco trans-operatório de complicações hemodinâmicas. Portanto, evitar de qualquer modo o uso de Jack 3d, C4, 1MR, Hemo-Rage, OxyelitePro, Lipo6Black ou outros nos 30 dias que antecedem qualquer cirurgia.
Mas os riscos não param por aí. Aproximadamente 30% dos usuários crônicos de Jack3d desenvolvem sintomas depressivos, ansiosos ou associados a síndrome do pânico. E provavelmente estes valores são extrapolados para outros produtos. Os sintomas neuro-psiquiátricos costumam perdurar por algum tempo após a interrupção do uso destes suplementos. E muitos tornam-se verdadeiros dependentes destas composições para poder treinar e viver bem. E garanto, o vício não é somente psicológico, mas químico também, devido a substâncias abertamente descritas e principalmente as escondidas e disfarçadas, como disse no início deste alerta.

Alterações de produção de diversos hormônios, como testosterona e GH, aumento do risco de infecções por apresentar imunomodulações, aumento do risco de Síndrome de Fadiga Crônica, aumento do risco de artropatias e de overtraining são só mais alguns dos riscos associados a estes “inofensivos” produtos.
Então tudo isso significa que devemos parar de usar estes produtos? Bem, eu recomendo fortemente o uso máximo de metade da dose preconizada pelo fabricante. Recomendo também a interrupção prévia a cirurgia como já citei, assim como durante a gravidez e amamentação, por falta de segurança em estudos. E sugiro a substituição, de for imprescindível, de uso de substâncias alternativas, como cafeína e taurina, onde sabemos o que estamos utilizando ao certo.

Espero te mostrado um pouco do que há por trás destes maravilhosos termogênicos e pré-treinos que nos deixam tão felizes e empolgados.

Compartilhem este texto, acredito que seja bem esclarecedor.

Um abraço,

Dr. Flávio Cadegiani (CRM-DF 16219 e CREMESP 160.400)
Médico - Endocrinologista e nutrólogo
http://corpometria.com.br

Fonte: http://www.cadegiani.com.br/alerta-pre-treinos-e-termogeniico-e-a-verdade-sobre-o-caso-netinho-vale-a-pena-ler/

sábado, 29 de dezembro de 2012

Abordagem da Obesidade - Tratamento para emagrecimento



A obesidade tem sido considerada por muitos o “mal do século”, e cresce a cada ano, “atacando” não só os países desenvolvidos como os países em desenvolvimento como o Brasil. Cabe a nós profissionais da saúde, em especial nós, médicos, o conhecimento e o interesse adequado para lidar com tal problema. A obesidade é geralmente definida como a condição de pesar 20% ou mais acima do seu peso ideal, como mostrado no quadro peso (Quadro 1.1). Nos Estados Unidos, cerca de um a cada cinco homens, e uma a cada três mulheres são obesos (ABESO, 2003).

No Brasil a situação tornou-se um problema de saúde pública, a qual se não for tomada atitudes drásticas o futuro promete ser sombrio.

Recentemente, o Ministério da Saúde divulgou um pesquisa que revela que quase metade da população brasileira está acima do peso. Segundo o estudo, 42,7% da população estava acima do peso no ano de 2006. Em 2011, esse número passou para 48,5%. O levantamento é da Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), e os dados foram coletados em 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal.

O estudo também revelou que o sobrepeso é maior entre os homens. 52,6% deles está acima do peso ideal. Entre as mulheres, esse valor é de 44,7%. A pesquisa também diz que o excesso de peso nos homens começa na juventude: na idade de 18 a 24 anos, 29,4% já estão acima do peso; entre 25 e 34 anos são 55%; e  entre 34 e 65 anos esse número sobe para 63%.

Já entre as mulheres, 25,4% apresentam sobrepeso entre 18 e 24 anos; 39,9% entre 25 e 34 anos; e, entre 45 e 54 anos, o valor mais que dobra, se comparando com a juventude, passando para 55,9%.


Quadro 1.1. Quadro de classificação do Índice de Massa Corporal (IMC):
18 a 25 kg / m2
Normal
25 a 30 kg / m2
Excesso de peso
30 a 40 kg / m2
Obeso
40 kg / m2
Obesidade Mórbida
(MARINS, 1998)


É importante salientar que a tabela de IMC muda de acordo com a faixa etária. Por exemplo, sobrepeso para idosos é acima de 26,9.

Segundo Fox (2000): “Obesidade refere-se à quantidade de gordura acima da média contida no corpo, que, por sua vez, depende do conteúdo lipídico de cada célula gordurosa e do número total de tais células. Contudo, a avaliação do número e do tamanho de células adiposas constitui um procedimento clínico dispendioso que também não nos diz toda a verdade”.


Logo, foram criadas diversas formas de cálculo mais simples e sem custo para se classificar alguém como obeso. Por exemplo, um IMC acima de 30 é considerado frequentemente como indicador de obesidade. Uma alta relação entre as circunferências da cintura e do quadril também é usada como indicador de excesso de peso. (MCARDLE et al., 1998)


Outra forma de se detectar e classificar excesso de peso é pelo método de dobras cutâneas, que por ser um método de baixo custo e grande funcionalidade é altamente empregado em avaliações pré-treinamento e pós-treinamento. Devido à sua grande utilização surgiram várias equações para predizer a massa gorda, dentre estas as mais utilizadas são as de Pollock (1985) e Faulkner (1973).


Quadro 1.2. Equações para predizer a massa gorda

·         Equação de Pollock para Mulheres (McArdle et al,  1998):
Dc = 1,099421 – 0,0009929 (X1) + 0,0000023 (X1)2 – 0,0001392 (X2)

Dc = Densidade Corporal; X1 = Somatório das medidas das dobras cutâneas (Tríceps, Supra-Ilíaca e Coxa);  X2 = Idade em anos
·         Equação de Pollock para Homens (McArdle et al,  1998):
Dc = 1,10938 – 0,0008267 (X1) + 0,0000016 (X1)2 – 0,0002574 (X2)

Dc = Densidade Corporal; X1 = Somatório das medidas das dobras cutâneas (Peitoral, Abdominal e Coxa); X2 = Idade em anos
Para ambos os sexos: % de Gordura = 492/Dc – 450
·         Equação de Faulkner para ambos os sexos (McArdle et al,  1998):
·         % de Gordura = S4 x 0,153 + 5,783
S4 = Somatório das medidas das pregas cutâneas (Tríceps, Subescapular, Supra-Ilíaca e Abdominal)

Após aplicação da fórmula (Pollock, 1985 ou Faulkner, 1973), a classificação poderá ser obtida através de uma tabela classificatória (Tabela I) como apresentada a seguir:
Tabela I – Tabela classificatória de percentual de gordura para homens e mulheres:

Classificação
Homens
Mulheres
Gordura essencial
1 a 5 %
3 a 8 %
Maioria dos atletas
5 a 13 %
12 a 22 %
Saúde ótima
10 a 25 %
18 a 30 %
Aptidão ótima
12 a 18 %
16 a 25 %
Obesidade limítrofe
22 a 27 %
30 a 34 %
(FOOD AND NUTRITION BOARD, 2000)


As técnicas de imagem como a tomografia computadorizada e ressonância magnética, são recomendadas como técnicas ideais disponíveis para determinação da gordura visceral (FOX, 2000). Porém, estas técnicas não estão disponíveis para a maioria das pessoas.

Na minha prática utilizo a avaliação por bioimpedanciometria.

A Bioimpedância ou Impedância Bioelétrica (BIA) é um método de análise da Composição Corporal (CC). Apesar de não ser considerado padrão-ouro para análise da CC foi considerado pelo Consenso Latino Americano de Obesidade como um método apurado para avaliação da CC. Com os dados dessa avaliação, é possível fazer o correto diagnóstico de peso corporal, avaliando se a pessoa está inchada (edemaciada ou retendo líquido) ou se é excesso de peso realmente.

Com base nesse exame, o cardápio é melhor elaborado e as metas são melhores atingidas.

Além disso o acompanhamento fica mais completo, já que o médico consegue acompanhar se a massa magra ou massa gorda aumentou/diminuiu.

Entretanto para que a análise seja feita correta, faz-se necessário seguir alguns protocolos.

Quais as vantagens da BIA ?
A BIA é um método não invasivo, rápido, com boa sensibilidade, indolor, usado para avaliar a CC, baseado na passagem de uma corrente elétrica (totalmente indolor) de baixa amplitude (500 a 800 mA) e de alta freqüência (50 kHz), e que permite mensurar os componentes resistência (R), reatância (Xc), impedância (Z) e ângulo de fase. Termos difíceis para um leigo, mas resumindo, de posse destes parâmetros o aparelho consegue calcular:

  1. A Real % Gordura Corporal e  o Peso Gordura
  2. A % de massa magra e Peso da massa magra corporal
  3. O peso total
  4. A % Água Corporal
  5. Taxa Metabólica Basal (TMB) – quanto você gasta em calorias por dia para manter-se vivo e em repouso.
  6. O Índice de Massa Corporal (IMC)

Como se faz a BIA ?
Existe um protocolo sugerido por pesquisadores o qual a marca InBody preconiza como fundamental para uma análise correta da CC.

  1. Suspender o uso de medicamentos diuréticos de 24 horas a 7 dias antes do teste
  2. Estar em jejum de pelo menos 4 horas
  3. Estar em abstinência alcoólica por 48 horas
  4. Evitar o consumo de cafeína ou qualquer termogênico (chá-verde, chá-mate, coca-cola, guaraná em pó, chocolate) 24 horas antes do teste
  5. Estar fora do período pré menstrual e menstrual
  6. Não ter praticado atividade física nas últimas 24 horas
  7. Ter bebido pelo menos 2 litros de água nas últimas 24 horas
  8. Urinar pelo menos 30 minutos antes da medida
  9. Permanecer pelo menos 5 -10 minutos de repouso absoluto em posição de decúbito dorsal antes de efetuar a medida
Durante o exame, como já dito acima, uma corrente elétrica passa pelo corpo através de dois pares de eletrodos (adesivos) colocados na mão e no pé direito. O exame é totalmente indolor. Quanto maior é o percentual de gordura, maior é a dificuldade para a corrente elétrica atravessar o corpo.

Existe alguma contra-indicação para realizar a BIA ?
Contra-Indicação absoluta para a realização do teste: portadores de marcapasso e gestantes.

Por que utilizar a BIA no emagrecimento ou quando se quer ganhar massa magra ?
A grande vantagem da BIA é nos processos de emagrecimento. Hoje ja se sabe que perda de peso não é sinônimo de emagrecimento, muitas vezes o paciente perde massa gorda (gordura), ganha massa magra e o peso não altera na balança (as vezes até aumenta). Com a análise pela BIA as chances de uma interpretação errônea é menor. Um outro exemplo é quando o paciente apresenta alto IMC, não se acha tão gordo e aí a BIA evidencia que há uma grande % de massa magra, sendo assim a quantidade de gordura a ser perdida não é a que era estimada de acordo com o IMC.

Considerações importantes sobre a BIA
Além de seguir o correto protocolo, faz-se necessário que o aparelho seja de boa qualidade e esteja calibrado. No Brasil a Ottoboni é representante da maior marca de BIA do mundo, a InBody. Portanto os aparelhos InBody possuem validação científica, sendo chancelados pelas maiores Instituições do Brasil, como a Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) e GANEP.

Qualquer aparelho de BIA é fidedigno para análise da CC ?
Não. Quanto maior a tecnologia (número de polos, segmentos e frequências) melhor a acurácia do teste. Nosso aparelho é da marca InBody, tetrapolar, multisegmentar, multifrequencial. O exame dura cerca de 10 minutos e o resultado é impresso na hora.




Para mim como médico, o problema central da obesidade consiste em uma disfunção catabólica (dificuldade do organismo em queimar as reservas calóricas), por bloqueio oxidativo de enzimas fundamentais ao catabolismo. Sendo que esse bloqueio pode ser por inúmeros fatores, desde dietéticos até ambientais.

Na maioria das vezes a quantidade calórica exagerada leva à obesidade, porém em alguns pacientes essa ingestão é normal e mesmo assim o paciente está obeso. Inúmeros fatores podem está envolvidos e somente o médico está apto a diagnosticar isso, ja que na maioria das vezes faz-se necessário solicitar exames que somente médicos podem realizar.

Os itens abaixo podem facilitar o ganho de peso ou redução da taxa metabólica basal.
1)      Disbiose intestinal: Nosso intestino é repleto de bactérias “Boas” e bactérias “Ruins”. Quando o número de bactérias ruins se sobrepõe ao número de boas, surge uma condição chamada disbiose intestinal. Estudos recentes têm evidenciando que o intestino de pacientes obesos possui um perfil de bactérias diferente (firmicutes) do intestino dos pacientes magros (bacterioidetes). Por exemplo, o intestino no gordo possui mais bactérias que diminuem o metabolismo e que favorece a absorção de mais nutrientes, além de influenciar a nível cerebral, na escolha do tipo de alimento a ser ingerido. Portanto em todo tratamento médico sério é fundamental a adoção de medidas dietético-higiênicas que diminuam essa disbiose. A maneira mais eficaz de se tratar é com antibióticos (infelizmente é o que tem dado resultado segundo a maioria dos trabalhos) em ciclo curto e posteriormente recolonização com uso de cepas variadas por um período prolongado. É importante salientar que mesmo em ciclos curtos, o uso de antibióticos é capaz de alterar a flora intestinal e a mesma ser recomposta somente após 2 anos. 
2)      Hipotireoidismo (na verdade o hipotireoidismo apenas promove uma retenção hídrica, ou seja, ninguém engorda devido o hipotireoidismo), porém pode promover uma queda do gasto energético de repouso. A avaliação médica com dosagem do TSH, T4 livre, T3 livre é crucial. Se o TSH estiver alto mesmo com uso de levotiroxina, o endocrinologista deve aumentar a dose, a fim de manter o TSH nos níveis adequados. Com isso reestabelecer o metabolismo do paciente.
3)      Insônia: As pesquisas revelam que indivíduos que dormem poucas horas por noite apresentam redução nos níveis de leptina (hormônio que favorece a saciedade e o gasto energético) e um acréscimo similar na concentração de grelina (hormônio que favorece a compulsão principalmente por carboidratos e alimentos gordurosos). Além disso, a insônia favorece uma diminuição do hormônio do crescimento (este, sabidamente diminui massa gorda e favorece aumento da massa magra) e diminuição dos pulsos do LH, o hormônio que estimula a produção de testosterona. O déficit de testosterona (muitíssimo comum em homens obesos) favorece o ganho de gordura abdominal. 
4)      Aumento do cortisol sanguíneo: O cortisol tem múltiplas funções, dentre elas auxilia na manutenção dos níveis glicêmicos e controle da pressão arterial. Quando em excesso poderá favorecer o ganho de peso. Mas afinal, que situações podem desencadear maior liberação do cortisol ? O que ativa esta liberação são estressores como poluentes, alimentação rica em gordura saturada ou trans, excesso de sódio, adoçantes, o jejum prolongado (ficar horas sem comer alguma coisa), a ansiedade, a apreensão, o nervosismo, medicamentos (corticóides), alcoolismo dentre outro."O estresse leva ao aumento do hormônio cortisol, que facilita a diferenciação de células gordurosas (aumento do número de células gordurosas), aumenta a formação de gordura (entrada de triglicérides no adipócito - célula de gordura), dificulta o emagrecimento.Além disso ocorre um desequilíbrio na massa magra pois uma das ações do cortisol é a utilização da massa magra (degradação das proteínas) e com isso alteração do metabolismo basal, fraqueza muscular.
5)      Déficit de minerais que fazem parte do metabolismo de carboidratos e lipídios: vitaminas do complexo B, Cromo, Vanádio, Biotina, Zinco, Magnésio, Selênio.

Índice fitoquímico e intolerância alimentar

Frequentemente atendemos pacientes que possuem a mesma ingestão calórica, porém, um engorda e o outro não. Os pacientes são diferentes entre si, receberam nutrientes diferentes no período intra-útero e infância, gerando metabolismos diferentes entre si. 

Há ainda a questão do tipo de alimento ingerido. Sabe-se que há diferença entre comer 300 calorias de uma barra de chocolate amargo e 300 calorias em um hambúrguer. A diferença é a quantidade de fitoquímicos que irão regular o funcionamento das células, no caso da barra de chocolate que possui estes fitoquímicos, fazendo com as calorias sejam gastas nas mitocôndrias, diferente do hambúrguer, que as calorias serão estocadas. Hoje chamamos isso de índice fitoquímico da dieta. A ciência vem mostrando que quando 40% das calorias de uma dieta provêm de alimento rico em fitoquímicos, não precisamos fazer dieta de restrição, nem regime de emagrecimento, basta trocar a qualidade dos alimentos, para aqueles ricos em fitoquímicos, que se consegue manter a perda de peso e manter o peso perdido.

Uma dieta com alimentos pró-oxidantes ou já oxidados favorece um maior armazenamento de gordura. Ou seja, para nós, o mais importante é a qualidade dos alimentos ingeridos, e não o seu valor calórico. Deve haver uma mudança qualitativa na dieta, sem grandes privações (passar fome), para obtenção de perda progressiva e eficaz do excesso de peso.

A compulsão por determinado alimento é sintoma de intolerância alimentar, ou seja, o paciente é, organicamente, intolerante ao alimento de que mais gosta de consumir o que leva ao aumento de peso por gerar um processo inflamatório no intestino e sistemicamente. Hoje já se sabe que estados inflamatórios podem favorecer o ganho de peso dependendo do tipo de mediadores químicos presentes. No caso das intolerâncias alimentares e compulsão pelo alimento intolerante, o mecanismo não está bem estabelecido, mas acredita-se que durante a liberação de substâncias “alérgicas” como, por exemplo, a histamina, ocorra também liberação de Serotonina, gerando prazer no paciente e perpetuando essa compulsão alimentar.

Gordura marrom

A dieta ocidental, rica em alimentos refinados, leva a uma grande produção e estoque da gordura clara (branca), com pouca concentração de mitocôndrias, que são os grandes produtores de energia nas células.  

Quando nascemos, para mantermos um equilíbrio na temperatura corporal (nos mantermos aquecidos já que perdemos calor facilmente) somos dotados de uma gordura denominada de marrom, devido a sua coloração.

A gordura marrom é rica em mitocôndrias, provoca maior atividade metabólica, queimando as calorias e impedindo seu acúmulo sob a forma de gordura. Após adultos continuamos tendo gordura marrom, porém em quantidade menor. Porém há indivíduos que possuem mais e isso pode explicar os casos em que paciente tem alta ingestão de comida e mesmo assim não engorda. Hoje a medicina ja conhecer algumas táticas para aumentar a quantidade de gordura marrom.

Obesidade como doença multifatorial

Abaixo alguma das possíveis causas de Obesidade, só para compreendermos como o problema é muito mais complexo do que a maioria dos nossos pacientes imaginam.

Causas 1
Causas 2
Alimentação inadequada
Alto consumo de comida industrializada
Muita gordura na dieta 
Muito açúcar na dieta
Bebidas açucaradas
Sobremesas
Restaurantes Fast food
Comer fora em geral
Alto custo de comida saudável 
Pouca atividade física 
Automóvel 
Falta de calçadas para se caminhar
Diminuição de atividade física no trabalho 
Baixa renda
Alta renda
Economia
Poluição
Flora intestinal
Genética 
Epigenética
Problemas endocrinológicos
Medicamentos
Temperatura ambiente
Problemas do sono
Distúrbios intra-uterinos
Casamento consangüíneo
Vírus 
Idade mais avançada de maternidade 
Mães que trabalham fora
Pais que trabalham muito
Mães solteiras
Ganho de peso na gestação 
Diabetes gestacional

Causas 3
Causas 4
Ajuda financeira do governo (bolsa família etc)
Lares com 3 gerações 
Tabagismo materno
Ganho de peso rápido na infância 
Falta ou pouco aleitamento materno
Relacionamento mãe-filho ruim 
Maus tratos na infância ( negligência, abuso físico, abuso sexual)
Problemas comportamentais crônicos na infância 
Depressão 
Problemas respiratórios 
Incapacidade física 
Incapacidade mental
Subsídios agrícolas
Superprodução de grãos 
Publicidade de alimentos para crianças 
Globalização 
Industrialização 
Urbanização 
Facilidade no transporte
Aumento da renda per capita e do PIB
Melhor fornecimento de água 
Melhoria no saneamento básico 
Baixo nível educacional dos pais
Uso exagerado de TV e computador 

Causas 5
Causas 6
Termogênese não relacionada a atividade física 
Inflamação crônica 
Relacionamentos sociais
Parar de fumar
Estresse
Equipamentos domésticos 
Problemas na tireóide 

Ir para escola particular 
Não comer no café da manhã
Beliscar
Massas
Chocolate 
Conflitos familiares
Baixa taxa de obesidade entre gays e homens bissexuais
Alta taxa de obesidade entre lésbicas e mulheres bissexuais 
Imigrante latino nos EUA
Mulher presa nos EUA
Ter feito amigdalectomia
Deixar a luz acesa à noite 
Exposição pré-natal a desastres naturais

Foi criada uma teoria chamada de “Teoria do Set-Point” que defende um ponto de equilíbrio quanto ao peso corporal. Explicando o porquê pessoas submetidas a regimes de restrição calórica retornam ao seu peso quando a dieta é interrompida. 

Essa teoria mostra que uma subalimentação reduz a taxa metabólica basal, a termogênese induzida pela dieta e a atividade física voluntária. Este conjunto de fatores faz com que a restrição alimentar não gere o equilíbrio energético negativo necessário para manter a redução ponderal. Tais regulações são promovidas pelo hipotálamo, comprovando experiências conduzidas por Kessey que defende a existência de um ponto de equilíbrio ponderal (POLLOCK, 1993).

Mas porque combater a obesidade?

Admite-se que em breve a obesidade acabará ultrapassando o fumo como causa de morte nos Estados Unidos. Segundo Pollock (1993), os riscos específicos da obesidade para saúde incluem:

  1. Função cardíaca deteriorada como resultado de um maior trabalho mecânico e da disfunção autônoma e ventricular esquerda;
  2. Hipertensão e acidente vascular cerebral;
  3. Diabetes mellitus com início da vida adulta, pois cerca de 80% desses pacientes são obesos;
  4. Doença Renal crônica devido à associação com hipertensão arterial;
  5. Doença pulmonar como resultado do maior esforço necessário para movimentar a parede torácica ou apnéia obstrutiva do sono;
  6. Alterações farmacodinâmicas de algumas drogas, principalmente anestésicos, devido à lipossolubilidade;
  7. Osteoartrite, doença articular degenerativa e gota;
  8. Vários tipos de câncer;
  9. Níveis plasmáticos anormais de lipídeos e lipoproteínas;
  10. Irregularidades menstruais;
  11. Alterações psicológicas.
Abordagem da obesidade

Inicialmente sugiro pros meus pacientes o que denomino de quatro passos para iniciar o processo de emagrecimento.

1) Aceitação
- Estou gordo e preciso emagrecer
- Reconhecer a obesidade
- Reconhecer os malefícios e futuras consequências caso a obesidade não seja tratada
- Compreender que a questão estética é o de menos nesse jogo.
- No caso dos comedores compulsivos recomendo que procurem grupos de Comedores Compulsivos anônimos (CCAs) http://www.comedorescompulsivos.org.br/

2) Encontrar os passos:
O primeiro já foi dado, que foi procurar o auxílio médico. Montaremos então uma estratégia de mudanças. Estas mudanças serão a médio e longo prazo, e deverão se adequar às necessidades do paciente.
Nesse momento discutimos inúmeros fatores que estão envolvidos no processo e até que ponto o paciente irá aceitar as sugestões, como por exemplo:
Quer parar de comer o que gosta? O quanto vai comer?  Quantidade ou qualidade? Quer se sujeitar a praticar atividade física?

Explico a matemática da comida, mas saliento que diferente da matemática, ela não é tão exata. Nem sempre o que entra (comida) e o que se gasta (atividade física) gera eliminação de gordura. Na maioria das vezes isso pode acontecer, mas até quando a pessoa conseguirá sustentar esse processo? O diferencial aqui será a qualidade do alimento, já que estudos atuais evidenciam que a qualidade dos nutrientes pode influenciar diretamente no metabolismo.

O tipo de atividade física é de importância crucial e para isso temos como ferramenta a calorimetria indireta (exame que mostra a taxa metabólica de repouso) e a ergoespirometria (exame que mostra em qual zona de frequência cardíaca o paciente inicia a queima de gordura). A ergoespirometria só ser realizada por médicos. A interpretação é feita por médico especializado na área. É uma ferramente primordial, pois assim o médico pode direcionar o melhor treinamento. 

3) Salientar que o processo é como se preparar para uma maratona. Se não tiver planejamento, com disciplina e determinação, a vontade pode ser grande, mas o resultado esperado não acontece. Ou seja, deixamos claro pro paciente que não adianta:
1 - aceitar o problema
2 - pensar positivo
3 - tratar emoções
Mas CONTINUAR comendo desregradamente, vida sedentária e acreditar que irá emagrecer. Não irá. 

4) Tratar as emoções, portanto quase sempre é imprescindível a presença de um psiquiatra ou psicólogo no processo.  Trabalhar as emoções que paralisam, amedrontam, faz fugir de si mesmo e descarregar no corpo. 
Resolver os bloqueios emocionais é de suma importância para eliminar os quilos a mais.
1 - Ser vítima não ajuda
2 - Fugir das responsabilidades, não ajuda.
3 - Tem que ter coragem para agir e ser feliz. Se a coragem não aparecer, aí tem que buscá-la dentro de si. Porque ela existe. Coragem pra tampar o sentimento indesejável com alimento existe, mas pra mudar não há?

Abordagem nutricional e medicamentosa

Hoje na medicina temos inúmeras substâncias que diminuem o apetite mas nenhuma delas apresenta estudos bem estabelecidos, ao contrário de fármacos alopáticos já consagrados na literatura. Existem pacientes que infelizmente precisam destas medicações alopáticas para reduzir o apetite. Para esse grupo de pacientes, na maioria das vezes, sugiro um tratamento com endocrinologista ou nutrólogo.

Na nossa abordagem utilizamos elementos naturais (sem efeitos adversos) que:
1) Estimulam a produção da gordura marrom e aumentando o consumo energético (aumento do metabolismo). Usamos alimentos e suplementos termogênicos
2) Tratamento da irritabilidade, ansiedade ou depressão já que estes podem ser gatilhos para um maior consumo de alimentos ou favorecem a diminuição da prática de atividade física. Utilizamos alimentos e suplementos.
3) Alimentos e fitoquímicos com finalidade de reduzir a ingestão de comida e promoção de maior saciedade.

Quando apenas a utilização de elementos naturais não funciona, faz-se necessário a instituição de terapia medicamentosa. Falo isso abertamente pois os maiores especialistas na área deixam isso muito claro. Uma pequena parcela de pacientes consegue emagrecer definitivamente e manter o peso adequado, apenas com dieta e atividade física.

Existe um estigma que ronda o tratamento medicamentoso da obesidade. Isso é fruto da ignorância de vários profissionais, em especial nutricionistas e profissionais da educação física. Quem estuda a fundo obesidade, sabe que a terapia medicamentosa, utilizada de forma racional tem papel crucial no tratamento. São inúmeras medicações que podem auxiliar. Somente após anamnese, que o médico saberá escolher qual a medicação mais adequada.

As principais medicações são:

  1. femproporex (venda suspensa no Brasil, em processo de liberação) 
  2. anfepramona (venda suspensa no Brasil, em processo de liberação) 
  3. mazindol (venda suspensa no Brasil, em processo de liberação) 
  4. sibutramina,
  5. naltrexona com bupropiona (off-label no Brasil, mas ja liberado no USA para uso em obesidade)
  6. victoza (off-label no Brasil, mas ja liberado no USA para uso em obesidade)
  7. metformina (off-label)
  8. fluoxetina
  9. sertralina
  10. fentermine
  11. topiramato (off-label no Brasil, mas ja liberado no USA para uso em obesidade)
  12. lisdexanfetamine
  13. SGLT2:  inibidores do co-transportador de sódio e glicose 2 
As 3 primeiras como citei, estão com venda suspenda no Brasil. Nunca utilizei nos meus pacientes mas não recrimino quem utiliza. A sibutramina pode ser eficaz em alguns pacientes, mas há riscos em alguns grupos de risco. Não prescrevo geralmente. 

Naltrexona com bupropiona é uma combinação excelente, sem muitos efeitos colaterais, com boa tolerabilidade. Tenho boa experiência com os pacientes.

Victoza é uma boa medicação, o problema é o custo.

Metformina é uma medicação muito segura, com inúmeros estudos e geralmente utilizada para melhorar a captação de glicose e com isso reduzir o excesso de insulina, muito comum em individuos obesos. Tenho uma boa experiência com seu uso. Medicação que o governo fornece de graça.
Fluoxetina e sertralina são antidepressivos com ação ansiolítica e de excelente escolha nos pacientes portadores de compulsão alimentar. Tenho boa experiência com ambos. São drogas segurar, utilizadas ha quase 3 década, com poucos efeitos colaterais. Preço acessível. 

Fentermine, é um derivado anfetamínico, ainda não disponível no Brasil. 

Topiramato é uma droga anticonvulsivante, que posteriormente foi utilizada para enxaqueca. Tem uma potente ação ansiolítica e reduz a fome. É a medicação de escolha nos casos de compulsão alimentar. Não utilizo muito devido os efeitos colaterais ligados a cognição. 

Lisdexanfetamina é uma medicação utilizada pra deficit de atenção e que alguns pesquisadores perceberam que suprimia o apetite. Não tenho experiência. 

SGLT2 são inibidores do co-transportador de sódio e glicose 2, a indicação formal é em diabetes, porém perceberam que em doses maiores, pode favorecer o emagrecimento, por eliminar cerca de 70g/dia de carboidratos, o que gera um deficit calórico de 280kcal. Na dose usada para obesidade promove uma eliminação de quase 600kcal. É ainda nova no mercado, cara, mas que tem resultados bons e promissores. 

Além disso, é imprescindível:
1) Beber água (35ml/kg/dia),
2) Dormir bem (8 horas de sono toda noite em ambiente adequado), sendo que se o paciente apresentar ronco, é imprescindível a realização de uma polissonografia para estratificar o numero de apnéias durante o sono. Muitas vezes faz-se necessário utilizar dispositivo para evitar a apnéia. 
3) Correção de deficiências nutricionais ou presença de metais tóxicos 
4) Melhora dos mecanismos de "desintoxicação" do organismo (o que denominamos de suporte hepático e intestinal), 
5) Acompanhamento nutricional é imprescindível, até mais que a própria prática de atividade física (ou seja, em processo de emagrecimento: 30%se deve à prática de exercícios, 70% à dieta seguida).
6) Prática regular de atividade física com acompanhamento de profissional habilitado, que respeite acima de tudo seus limites. Se possuir alguma patologia osteomuscular (ex. hérnia de disco, artrose, artrite reumatóide), cardiopulmonar, endócrina (diabetes) faça antes uma consulta com o especialista na área e sempre procure educadores físicos com experiência em grupos especiais. Muitas vezes o barato sai muito caro. 


Métodos que condeno e não trabalho
  1. HCG
  2. Uso de GH para emagrecimento
  3. Uso de testosterona para emagrecimento
  4. Uso de termogênicos
  5. Dietas altamente restritivas
  6. Cirurgia bariátrica sem ao menos tentar métodos clínicos por no minimo 2 anos e sem IMC acima de 35. 

Dr. Frederico Lobo (CRM-GO 13192)

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

As dúvidas mais comuns sobre a prática ortomolecular e sobre o atendimento do Dr. Frederico Lobo


A origem da ortomolecular

R:  O prefixo Orto (Ortho) deriva do grego e quer dizer "correto", logo, Ortomolecular, ao pé da letra, significa "molécula correta". O termo foi cunhado em 1968 por um professor americano de química quântica e bioquímica chamado Linus Pauling (1901-1994).  O mesmo era um cientista e criou esse termo inicialmente baseado em trabalhos randomizados e duplo-cegos do psiquiatra canadense Abrahan Hoffer, que conseguiu diminuir o tempo de internação de esquizofrênicos com o uso de doses elevadas de vitamina B3 (3g/dia). Linus Pauling foi prêmio Nobel por 2 vezes (Química em 1954 e da Paz em 1962) propondo que distúrbios mentais poderiam ser tratados pela correção de desequilíbrios ou deficiências de constituintes cerebrais tais como vitaminas e outros micronutrientes, como uma alternativa à administração de drogas psicoativas sintéticas.

No final da década de 60 passou a desenvolver a Bioquímica da Nutrição e na década de 70 extendeu o conceito Ortomolecular à medicina em geral, como sendo "moléculas certas em concentrações certas", caracterizando uma abordagem de prevenção e tratamento de doenças e alcançar a saúde baseada em ações fisiológicas e enzimáticas de nutrientes específicos, como vitaminas, minerais e aminoácidos presentes no organismo.

 Linus Pauling é considerado o pai da Biologia Molecular.

Ortomolecular no Brasil

R: No Brasil temos dois principais pioneiros na medicina ortomolecular. Ambos pesquisadores renomados e que contribuiram para a popularização da Ortomolecular:

A)  Prof. Dr. Hélion Póvoa é um dos maiores especialistas na área de nutrição e bioquímica do país. Foi ex-aluno de Linus Pauling e trouxe para o Brasil a ortomolecular. Membro titular da Academia Nacional de Medicina, pesquisador da Fiocruz e professor-visitante de Nutrição em Harvard. Tem mais de 400 trabalhos de pesquisa publicados no Brasil e no exterior. Inúmeros livros sobre ortomolecular.

B) Prof. Dr. José de Felippe Jr é também um dos pioneiros da ortomolecular (ou como o próprio denomina: Medicina Biomolecular) no Brasil. Fomou-se pela Santa Casa de São Paulo, tem doutorado em Fisiologia pela Universidade de São Paulo, PhD em Ciências , livre docente de Clínica Médica e Medicina Intensiva pela Universidade do Rio de Janeiro, fundador e Primeiro Secretário Geral da Associação de Medicina Intensiva Brasileira ( AMIB). http://www.medicinacomplementar.com.br/

C) Na atualidade existem outros profissionais que agregaram muito valor à medicina ortomolecular/biomolecular no Brasil, como os médicos:
  • Os cardiologistas
c1) Efraim Olzewer,
c2) Artur Lemos (http://www.arturlemos.com.br/),
c3) Fábio Cesar Santos (atual presidente da Associação Médica Brasileira de Oxidologia - AMBO),
  • Os psiquiatras ortossistêmicos:
c4) Dr. Cyro Masci (http://www.masci.com.br/),
c5) Juarez Callegaro (http://www.ortossistemica.com.br/),
c6) Dra. Guilhermina Guanaes,
c7) Dr. Luiz Paulino Guanaes.

A Medicina ortomolecular é uma especialidade médica?

R: Primeiramente não devemos utilizar o termo medicina ortomolecular, pois ela não é considerada uma especialidade médica, muito menos área de atuação.

É reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina como uma "prática médica" através da resolução 1.938 de 14/01/2010. Nessa resolução foram estabelecidos os seus limites e finalidades normatizando a sua prática por médicos no Brasil. O termo mais apropriado seria: estratégia ortomolecular/biomolecular. Ortomolecular e biomolecular são sinônimos. A resolução está disponível no site do próprio Conselho Federal de Medicina: http://www.portalmedico.org.br/resolucoes/cfm/2010/1938_2010.htm
Por não ter uma base sólida e sim um agrupamento de conhecimentos bioquímicos associados à prática médica, é muito improvável que a ortomolecular se torne uma especialidade médica.

Evidências cientificas da eficácia da estratégia ortomolecular

R- Na atualidade não restam dúvidas que os fenômenos oxidativos (formação de radicais livres) exercem papel relevante na origem de uma vasta gama de patologias. Há vários trabalhos que mostram os benefícios da terapia antioxidante, assim como há outros que mostram que em determinadas situações a terapia é contra-indicada. Para citar um exemplo prático, o Estudo CARET mostrou que pacientes que fumavam tinham mais problemas, incluindo câncer de pulmão quando faziam ingestão de betacaroteno (sintético), deste modo resta óbvio que não devemos usar os carotenóides sintéticos em tabagistas.

Por isto é fundamental que ao procurar o auxílio de um médico com prática em ortomolecular, que esse médico tenha uma boa formação na área (pós-graduação) a fim de que ele possa avaliar quais as vantagens, limitações e riscos da ingestão de qualquer elemento que tenha interferência na saúde.

A busca da Ortomolecular deve ser feita no sentido de prevenção, de sentir-se melhor, de alcançar o bem-estar, de promover mudança de hábitos de vida e dos valores relacionados à saúde. A adoção de estratégias preventivas sempre se mostra muito mais promissora do que tratar um problema já instalado. Evidentemente que alguém que teve um Infarto do miocárdio ou Câncer já passou há muito tempo do estágio de prevenção e, neste contexto, menos pode ser feito pela prática ortomolecular (mas ainda assim muito pode ser feito, como por exemplo orientações sobre hábitos saudáveis de vida, correção de deficiências nutricionais, suplementação orientada, etc).

Como saber se o médico está apto a exercer a estratégia ortomolecular se não há disciplina de ortomolecular na grande dos cursos de medicina do Brasil?

 R: No Brasil ainda existem poucos curso de ortomolecular, a maioria pós-graduações (2 anos) e são restritos a médicos. Os principais cursos são reconhecidos pelo MEC e no geral possuem um vasto conteúdo programático.

A opinião da ASOMED  e de outras Associações de Médicos que atuam na prática, é que Ortomolecular é ciência e prática médica e necessariamente deve ser exercida única e exclusivamente por médico. Nutricionistas podem utilizar de algumas estratégias ortomoleculares, mas o ato de diagnóstico deve ser feito por médicos pós-graduados na área. A ortomolecular está para a medicina como a funcional está para a nutrição.

Portanto, antes de procurar um médico que atue na área, procure saber se o mesmo tem pós-gradução na área, se participa de associações médicas e se ele se atualiza constantemente. Ferramenta simples: Google. Digite o nome do médico no google acrescentado dos termos: currículo; currículo CNPQ, pós-graduado. Outra dica é entrar no site do próprio CNQP: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/busca.do?metodo=apresentar e digitar o nome do médico, mas antes marque a opção: ( ) Demais pesquisadores (Mestres, Graduados,Estudantes, Técnicos, etc.)

É importante salientar, que nós, médicos com prática ortomoleculares não nos achamos superiores aos demais médicos ou demais profissionais da saúde, apenas temos habilidades diferentes e uma propedêutica diferenciada.

A consulta com abordagem ortomolecular 

R: A consulta ortomolecular inicial dificilmente dura menos de 1 hora. Consiste basicamente em uma consulta médica como outra qualquer, composta de questionamentos sobre sinais e sintomas (anamnese), exame físico e, se necessário solicitação de exames complementares gerais e específicos e por fim instituição do tratamento.

O diferencial da ortomolecular muitas vezes é a questão do tempo gasto pelo médico e questionamentos feitos de forma mais holística. Enquanto um especialista geralmente fica restrito à área dele (e ele não está errado) o médico que atua na estratégia ortomolecular busca ter uma abordagem mais integrativa, enxergando o paciente como um todo. E é claro: isso demanda tempo.

Portanto, dificilmente médicos ortomoleculares atendem planos de saúde. Muitas vezes até atendem outras áreas por planos de saúde, solicitam os exames pelo plano de saúde, mas a consulta em si não é coberta pelo plano.

    O custo do tratamento ortomolecular

    R: Existe um estigma de que o tratamento ortomolecular é um tratamento caro, porém se formos verificar tudo que é feito em um tratamento ortomolecular e seus reais benefícios, percebemos que a terapia na verdade é “barata”, tendo-se em vista a boa relação final de custo-benefício.

    O preço da consulta é justificado pelo tempo que o médico ortomolecular gasta com o paciente, geralmente com avaliação inicial de no mínimo 1 hora (vale ressaltar que o acompanhamento do paciente é feito em consultas de retorno que habitualmente também duram uma hora ou mais).

    Os exames na maioria das vezes são os tradicionais e a grande maioria é coberta pelos planos de saúde. Já o tratamento em si, como é personalizado, às vezes sai caro. Mas varia de paciente pra paciente: quanto mais hábitos saudáveis de vida, quanto melhor a alimentação, menos o paciente precisará gastar. Portanto, o “caro” é relativo. Se o paciente insiste em manter hábitos de vida ruins, não quer se alimentar de forma equilibrada (ingerindo doses mínimas de vitaminas, minerais e boas gorduras) com certeza a formulação sairá cara. É dever do médico praticante de ortomolecular estimular a aquisição de nutrientes via alimentação e não via suplementos.

    Fala-se muito em radicais livres e que a ortomolecular visa combater a formação deles. O que são os radicais livres?

    R: Cerca de 95% do oxigênio proveniente da respiração é neutralizado pela cadeia respiratória celular, onde acaba seu ciclo metabólico, sendo transformado em água. Os 5% de oxigênio restantes são transformados nos Radicais Livres que, se não forem adequadamente eliminados ou se estiverem sendo formados em excesso, podem vir a ser prejudiciais para o organismo humano, provocando uma condição patológica chamada de Stress oxidativo. Mas lembre-se que os radicais livres também podem ser benéficos para o corpo, pois auxiliam nas defesas do sistema imune.

    Esse stress oxidativo pode ser causado por anomalias genéticas dos órgãos de defesa, e também por fatores ambientais, como por exemplo: o tabagismo, a radiação, excesso de atividade física, intoxicações metálicas, ingestão de gorduras animais, frituras, carne vermelha, inflamações e infecções, consumo abusivo de álcool, stress físico e mental, etc.

    Hoje em dia a medicina sabe que várias doenças têm sua origem vinculada à ação dos Radicais Livres, como por exemplo: Câncer, Aterosclerose, Artrites, Catarata, Enfisema Pulmonar. Outras doenças pioram sua evolução na presença de excesso de Radicais Livres como: Infecções graves, Diabetes, Mal de Parkinson, Doença de Alzheimer, Enfermidades neurológicas desmielinizantes (Esclerose lateral amiotrófica).

    Mas será que precisamos deliberadamente tomar medidas para combatê-los? As espécies reativas de oxigênio (EROs) são produtos naturais dos processos oxidativos que ocorrem em nossas células, nas mitocôndrias. Portanto, produzir energia implica em produzir radicais livres, e não há como evitar tal produção. Uma vez que os músculos produzem muita e são dotados de muitas mitocôndrias, eles acabam sendo um dos principais locais de produção das EROs. O problema é que, dentro das mitocôndrias, existe muito DNA, que pode sofrer danos. Outro problema é que as mitocôndrias se renovam e, para tanto, precisam copiar o material genético (DNA) das mitocôndrias já existentes. Se o DNA já estiver danificado, a cópia conterá os danos anteriores, os que se somarão aos novos danos. O resultado desse acúmulo de danos ao DNA ao longo do tempo é a diminuição da função da mitocôndria. Em outras palavras, ao longo do tempo (leia-se envelhecimento), ocorre um acúmulo de danos ao DNA mitocondrial, os quais resultam em diminuição da capacidade de produzir energia. Essa é a base da teoria do envelhecimento mitocondrial e, não ao acaso, ao envelhecer, perde-se progressivamente sua capacidade de produzir energia e de realizar exercícios que dependem do metabolismo aeróbio. Por esse mesmo motivo, o combate aos radicais livres promete efeitos “antienvelhecimento”.

    Estudos mais recentes tem demonstrado que a ingestão de antioxidantes naturais mostra-se benéfica para a maioria das patologias que tem o estresse oxidativo como componente da fisiopatologia. Mas a maioria dos estudos mostram que a suplementação com antioxidantes sintéticos falham ao tentar minimizar esse estresse oxidativo. Muitas vezes sendo mais deletério do que benéfico. Há um fino equilíbrio entre nossos antioxidantes, sendo assim muitas vezes os nossos antioxidantes endógenos podem se tornar pró-oxidantes.

    A corrente que sigo na ortomolecular, evita ao máximo a prescrição de antioxidantes, justamente por acreditar que eles não sejam tão deletérios como propagados, além disso, por estudarmos biodisponibilidade de nutrientes, sabemos que uma infinidade de antioxidantes são facilmente obtidos através de uma alimentação variada e equilibrada.


    O médico que se auto-intitula como praticante da estratégia ortomolecular deve estar apto a realizar quais procedimentos ?

    R: Na estratégia ortomolecular/biomolecular o médico deve estar apto a :

    1 - Descobrir quais nutrientes essenciais estão faltando ou em excesso;

    2 - Diagnosticar se existem metais tóxicos no organismo;

    3 -Verificar se o sistema endócrino e sistemas de absorção, metabolização, excreção estão dentro da normalidade;

    4 - Diagnosticar se existe intolerância ou alergia alimentar;

    5 - Conhecer e orientar sobre hábitos saudáveis de vida a todos os pacientes.

    Modos de ação da ortomolecular

    R: Existem 3 maneiras (modos) do tratamento ortomolecular agir:

    1) Modo PREVENTIVO: através de diagnósticos cada vez mais precoces, detectando alterações metabólicas subclínicas (antes do surgimento das doenças propriamente ditas), utilizando-se do tratamento Ortomolecular que visa o equilíbrio global do indivíduo, dando-lhe condições de manter-se sadio ou, diante de doenças, obter melhor resposta à terapêutica específica empregada. Os exames por nós utilizados incluem: exames de imagem, exames laboratoriais, mineralograma capilar. Exames como a Bioressonância (Vegatest), muito utilizada por alguns ortomoleculares, não possuem validação científica perante a ANVISA e por isso alguns ortomoleculares mais céticos não os utilizam.

    2) Modo SISTÊMICO: atua na avaliação diagnóstica de todos órgãos e sistemas, analisando a inter-relação e interdependência entre eles e nos tratamentos nutricionais celulares, através de suplementação com nutrientes indispensáveis ao organismo ou retirando substâncias em excesso ou tóxicas, como metais pesados.

    3) Modo INTERATIVO: atua na inter-relação dos sistemas humanos com os sistemas ambientais, visto que estamos dentro de uma grande teia em que os sistemas interagem: homem/natureza; homem/animais, homem/alterações climáticas, homem/poluições, etc.

    Os nutrientes da ortomolecular

    R: Todas as células do corpo produzem energia com a finalidade de fabricar vários tipos de moléculas necessárias para o seu bom funcionamento. Nesse processo de produção de energia e síntese de substâncias que mantém o equilíbrio, uma parte do substrato para ativar esse processo é composto por substâncias que o próprio corpo sintetiza. Mas cerca de 48 substâncias (também importantes para o processo) o corpo não consegue sintetizar e para isso é necessário que venha através da alimentação e respiração.

    Tais substâncias são denominadas de "Nutrientes Essenciais" e portanto o organismo deve recebê-las já prontas do meio externo. Isto quer dizer que necessitamos de um aporte nutricional adequado, em elementos essenciais, e não é difícil compreender que a falta de um ou mais desses elementos prejudicará o funcionamento das células e, conseqüentemente, do organismo como um todo.

    Os 48 nutrientes essenciais que devem ser recebidos do meio externo:

    Aminoácidos: 1-Histidina; 2-Leucina; 3-Isoleucina; 4-Valina; 5-Lisina; 6-Metionina; 7-Fenilalanina; 8-Treonina; 9-Triptofano

    Ácido Graxo essencial: 10-Ácido linoléico

    Vitaminas: 11-Tiamina (B1); 12-Riboflavina (B2); 13-Niacina (B3); 14-Piridoxina (B6); 15-Ácido fólico (B9); 16-Cobalamina (B12); 17-Ácido pantotênico (B5) ; 18-Biotina; 19-Ácido para-amino-benzóico (PABA); 20-Inositol; 21-Colina; 22-Ácido ascórbico (C); 23-Retinol (A); 24-Calciferol (D); 25-Alfa tocoferol (E); 26-Menadiona (K)

    Sais minerais: 27-Sódio; 28-Potássio; 29-Cálcio; 30-Fósforo; 31-Magnésio; 32-Manganês; 33-Ferro; 34-Cobre; 35-Zinco; 36 - Selênio; 37 - Cromo; 38- Iodo; 39 - Enxofre; 40 - Lítio; 41 - Boro; 42 - Flúor; 43- Vanádio; 44- Molibdênio; 45-Ácido lipóico; 46-Bioflavonóides (rutina, hesperidina, quercetina)

    Outros: 47-Água, 48-Oxigênio

    Na nossa terapêutica utilizamos diversas dessas substâncias. O papel das vitaminas, aminoácidos, ácidos graxos, enzimas e minerais, na terapêutica tem sido revisto, graças aos estudos estimulados pelo uso dessas substâncias na prática clínica e descobertas da pesquisa básica. O ortomolecular genuíno não utiliza nenhuma outra substância além dessas. Portanto hormônios NÃO fazem parte do arsenal da ortomolecular, assim como antioxidantes sintéticos.

    Mas como saber o que está faltando no organismo? Uma anamnese completa (história do paciente bem colhida, idealmente por no mínimo 1 hora), exame físico e alguns exames (especiais, por exemplo o Mineralograma - exame do fio do cabelo - que detecta metais tóxicos que não deveriam ser encontrados no organismo e necessitam ser retirados), como dosagens de metabólitos de vitaminas e ácidos graxos para diagnosticar se há necessidade de repor tais substâncias.


    Exames utilizados na prática ortomolecular

    R: Varia de médico pra médico. No geral utilizamos:
    1 - Exame clínico (anamnese e exame físico)
    2 - Exames laboratoriais: exames de sangue (bioquímicos, hormônios, enzimas), fezes, urina;
    3 - Exames de imagem: Raio X, Ultrassonografias, Tomografias, Ressonâncias;
    4 - Mineralograma capilar.
    5 - Bioimpedância (não confundir com Bioressonância)

    Existem alguns exames não-convencionais que alguns ortomoleculares utilizam, mas que não são obrigatoriamente “da ortomolecular”. Não os utilizo, mas vários colegas utilizam. Os principais são:
    2) HLB (microscopia de campo claro e escuro, que é o exame da gota de sangue colhida na hora),
    3) Biorressonância (Vegatest),
    4) Nerve express,
    5) Termografia
    6) ES complex
    7) Testes nutrigenéticos
    8) Testes de intolerãncia alimentar baseados em IgG e IgG4


    Mineralograma capilar

    R: Mineralograma consiste na dosagem de minerais em algum tecido do corpo. Mineralograma capilar ou popularmente chamado “exame do Fio de cabelo”, consiste na dosagem de minerais no cabelo. É utilizado nos Estados Unidos há mais de 30 anos e liberado pelo Conselho Federal de Medicina.

    Este exame é um método rápido, eficiente e indolor para saber como vai sua saúde, proporcionando uma orientação médica com muito mais segurança. Seu cabelo contém todos os minerais presentes em seu corpo, e o mineralograma mede se há excesso de metais tóxicos. Alguns médicos extrapolam e acreditem que a matriz capilar sirva para verificar o status nutricional, ou seja, acreditam que sirva para dosar a quantidade de minerais. O Conselho Federal de Medicina veta a sua utilização com essa finalidade. Seu uso é única e exclusivamente para detecção de metais tóxicos.

    Não adianta o paciente por conta própria solicitar o mineralograma, pois existe toda uma interpretação. Por exemplo, se um mineralograma apresenta Boro aumentado, não necessariamente esse Boro está aumentado, pode estar ocorrendo uma desmineralização óssea e com isso o Boro desloca-se do Osso e vai para outros tecidos, dentre eles o tecido capilar. Portanto, é fundamental que o médico seja o responsável pela solicitação e interpretação.

    Com relação à coleta, o paciente precisa fornecer uma amostra de seu cabelo. Esta deve se retirada na região da nuca ou occipital (da raiz, até 3cm). Uma amostra de +- 1g, que não contenha tintura, permanentes, gel, condicionadores e tratamentos químicos afins. O paciente é orientado a fazer um preparo para a coleta, que irá variar de semanas a meses caso o mesmo utilize tinta ou qualquer produto químico que possa alterar o exame



    Tratamento endovenoso

    R: Este tratamento é chamado de desintoxicação. Serve fundamentalmente para eliminar metais pesados como Chumbo, Alumínio e Mercúrio que podem causar uma série de problemas clínicos. Em alguns casos, é utilizada terapia venosa para suprir deficiências nutricionais impostas por algumas moléstias.

    Deve-se ter em mente que este tipo de tratamento é selecionado para casos isolados onde existe a comprovação da intoxicação e uma correlação clínica pelos referidos metais pesados. Não é algo feito de rotina na prática ortomolecular; entretanto, isso varia de médico pra médico. Pacientes que desejam resultados mais rápidos optam por reposição de vitaminas e sais minerais por via endovenosa. Porém, a terapia endovenosa não substitui a dieta e terapia via oral.

    Uma situação muito comum é: pacientes chegam ao consultório com alterações no trato digestivo (em especial a Disbiose intestinal), sendo assim a muitos dos nutrientes prescritos via oral, dificilmente serão absorvidos naquele momento. O médico então inicia um tratamento para melhora do status intestinal e paralelamente prescreve alguns nutrientes endovenosos. Mais adiante quando o paciente já apresenta uma melhora, mantemos apenas a terapia via oral e dieta.

    Outra situação comum: deficiência de vitamina D. Como o paciente apresenta sintomatologia devido aquela deficiência e o uso diário via oral  da Vitamina D3 pode demorar a restabelecer os níveis adequados da 25-Hidroxi-vitamina D, optamos por prescrever injeções intramuscular semanais por 1 mês... posteriormente deixamos apenas a dose via oral.

    Estratificando a produção de radicais livres

    R: São vários os fatores que aumentam os radicais livres. Para citar alguns: tabagismo, poluição atmosférica, poluição do solo, poluição da água, uso de agrotóxicos, poluição eletromagnética, sedentarismo, dietas pro-inflamatórias, estresse crônico, doenças degenerativas, entre outros. A mensuração no organismo pode ser feita por vários métodos, sendo os mais comuns:

    1 - Dosagem de radicais livres no sangue por quimioluminescência;
    2 - Dosagem de de MDA (Dialdeído malônico ou Malondialdeído) na urina: o MDA consiste em uma substância que aumenta na vigência de uma reação chamada lipoperoxidação, ocasionada por radicais livres;
    3 - Dosagem de enzimas antioxidantes tais como: Glutation peroxidase, Superóxido dismutase e Catalase;
    4 - Dosagem de substâncias antioxidantes como vitaminas (A, C, E, Betacaroteno, ácido fólico, B12); na verdade, dosamos os seus metabólitos e quando estes estão baixos, subentendemos que está ocorrendo uma baixa ingesta ou então utilização excessiva, possivelmente a fim de neutralizar a ação de radicais livres;
    5 – HLB, que consiste em um exame por meio da análise de uma gota de sangue, extraída do paciente na hora da consulta e avaliada através de microscópio óptico de alta resolução. Tal exame é proibido pelo CFM.

    Caso os níveis de radicais livres estejam fora dos níveis fisiológicos, dependendo de cada caso, será feita a reposição dos antioxidantes necessários através da alimentação. Muitas vezes inicialmente começamos apenas com mudança de hábitos de vida e reestruturação dietética.

    Ação antienvelhecimento

    R: Muitos pacientes acreditam que ingerindo vitaminas, minerais e antioxidantes, terá um retardo no seu envelhecimento. Isso é um erro. Antes de qualquer intervenção terapêutica, devemos olhar os hábitos de vida dos pacientes, com estímulo à adoção e manutenção de hábitos saudáveis de vida e correção dos “errados”. Devemos fazer uma avaliação nutricional para um melhor balanceamento da alimentação, controle médico periódico e melhora do estilo de vida com medidas para redução de fatores pró-radicais livres. Para termos um envelhecimento saudável e evitar o surgimento de doenças, vários fatores devem ser considerados, entre eles o fator genético. É uma falácia achar que tomar vitaminas seja o "elixir da juventude" e além disso nenhum médico deve prometer resultados a pacientes.  O médico que promete resultados está infringindo o código de ética médica, pois a medicina é um contrato de meios e não de fins (resultados).

    Ortomolecular é pra quem ?

    R: Qualquer um pode se beneficiar da estratégia ortomolecular, desde aquelas pessoas que querem prevenção até aquelas que têm alguma patologia a ser tratada. Não existe idade ideal para se procurar um médico que trabalhe com medicina preventiva ou estratégia ortomolecular. Quanto antes procurar, melhores serão os resultados, pois a natureza principal deste tipo de tratamento é evitar as moléstias e não esperar que elas surjam para depois tratá-las.

    Dieta ortomolecular

    R: Não existe dieta ortomolecular, sendo um insulto ao bom senso aceitar que tomando vitaminas a pessoa eliminará quilos. O Médico, claro, irá dar estímulo à reeducação alimentar, ingestão adequada de água e prática diária de atividade física. A ortomolecular pode auxiliar nos casos em que existam alterações laboratoriais como: alteração tireoideana (hipotireoidismo), hiperinsulinismo (aumento da insulina) ou resistência insulínica, compulsão por determinados grupos alimentares em decorrência de alterações nos neurotransmissores, dificuldade de exercitar-se devido fadiga crônica, etc.

    Atividades físicas, são imprescindíveis na estratégia ortomolecular ?

    R: São indispensáveis em qualquer tratamento médico que assim os requeira ou permita. Os efeitos benéficos do exercício vão muito além da redução do peso: proteção cardiovascular, ganho de massa muscular, sensação de bem-estar, melhoria na qualidade de vida, redução da pressão arterial e da frequência cardíaca, liberação de endorfinas, melhora na qualidade do humor, etc. Lembre-se que a mudança deve ser do estilo de vida! Estes exercícios devem ser iniciados, no caso dos sedentários, de modo gradual, após avaliação adequada, evitando-se assim riscos desnecessários

    Os alimentos não são capazes de nos fornecer as vitaminas de que precisamos?

    R: Há controvérsias. Na teoria alguns especialistas afirmam que somente com uma dieta equilibrada podemos alcançar as quantidades mínimas de nutrientes. Mas na prática percebemos que isso é improvável muitas vezes, mas não impossível. Por que alguns ortomoleculares são a favor da suplementação:

    1 - Uma alimentação bem equilibrada pode ser muito difícil nos dias de hoje. Vejamos as recomendações: até 5 frutas por dia, 8 porções de vegetais, peixes com freqüência, leguminosas, cereais integrais, diferentes tipos de azeites, não cozinhar demais os alimentos, mastigar bem e devagar.... difícil não é?

    2 - O nosso solo já não é tão rico quanto o solo de antigamente, obviamente, e como conseqüência os alimentos não são tão nutritivos como eram antes, principalmente devido à monocultura, falta de rotatividade do solo.

    3 - O excesso de agrotóxicos, encontrado na maioria dos alimentos, especialmente as frutas e vegetais, também diminui o valor nutricional dos alimentos, além de ser prejudicial ao nosso organismo. Existem inúmeros estudos mostrando os malefícios do consumo de produtos que contém agrotóxicos.

    4 - Uso de antibióticos e promotores de crescimento nos animais, favorecendo uma alteração na composição protéica dos animais (associe-se a isso a carne bovina contendo mais gordura devido o confinamento dos animais).

    5 - Por conta do excesso de stress, poluição e a vida corrida, nosso organismo também não é mais o mesmo... nosso intestino e estômago estão em constante estado de desequilíbrio o que faz com que não consigamos digerir e absorver completamente as vitaminas e minerais dos alimentos. Além disso, devido à maior produção de radicais livres, precisamos de mais antioxidantes: NÃO antioxidantes isolados, mas um conjunto de antioxidantes (já que eles trabalham em sinergia).

    Tudo isso associado ao abuso de alimentos industrializados leva a uma desnutrição subclínica, um enfraquecimento do organismo, que não é visível até surgirem doenças. Portanto, na opinião de uma grande maioria dos médicos que atuam na estratégia ortomolecular, a suplementação PERSONALIZADA faz-se necessária. Porém, somente deve ser feita por profissional habilitado, sendo que as doses utilizadas devem respeitar os limites de segurança (por exemplo a Noael - Nível de efeito adverso não observado). A isso denominamos de suplementação racional. Só se suplementa aquilo que é comprovado laboratorialmente que há deficiência. A suplementação às cegas é iatrogênica. É inadmissível o uso de polivitamínicos sem acompanhamento.

    Como dito acima, é difícil conseguir todos os nutrientes mas não impossível. O médico que utiliza os preceitos ortomoleculares deve sempre focar na dieta do paciente e na manutenção de hábitos salutares de vida, a fim de diminuir a espoliação ou não absorção de nutrientes.

    Vitaminas engordam?

    R: Não, vitaminas não geram calorias; o que pode ocorrer é algumas delas restaurarem o apetite mas, nestes casos, é a ingestão errônea de outros alimentos que levará ao ganho de massa gorda.


    Como faço para me consultar com o Dr. Frederico Lobo? 

    R:  Mande um e-mail para doclobo@gmail.com

    Como funciona a consulta ?

    R: A consulta é como qualquer consulta médica normal, anamnese minuciosa, exame físico, postulação de prováveis diagnósticos e solicitação de exames complementares para elucidar o diagnóstico. No retorno uma nova anamnese (re-anamnese que denomino), checagem dos exames solicitados, prescrição terapêutica, podendo esta ser composta apenas por mudanças de hábitos de vida e/ou de medicamentos (alopáticas, ou fitoterápicos, vitaminas, minerais, ácidos graxos, antioxidantes).

    OBS: 
    Não solicito exames não convencionais: HLB, Bioressonância. 
    Se você tem plano de saúde, poderá fazer os exames por ele baseado na resolução da ANS denominada CONSU 8. 
    Não prescrevo hormônios (GH, testosterona, Estradiol, hCG, DHEA, anabolizantes). 

    Qual o tempo do retorno ?

    R: O retorno deverá ser feito assim que os exames ficarem prontos, não ultrapassando o período de 30 dias. Após esse período é cobrado o valor de uma nova consulta.

    O senhor utiliza quais exames na estratégia ortomolecular ?

    R: Na minha pós-graduação tivemos aula sobre vários métodos porém a maioria dos nossos professores foram unânimes quando o assunto era exames. Fico restrito a exames laboratoriais convencionais, exames de imagem, dosagem de minerais através do mineralograma capilar (exame do fio de cabelo), para mais informações ler o texto: http://www.ecologiamedica.net/2010/09/mineralograma-capilar.html

    Por que o senhor não utiliza a bioressonância ?

    R: Porque após alguns anos lendo sobre ele, fazendo curso e comprando livros sobre ele, solicitando para alguns pacientes e inclusive solicitando pra mim (inúmeras vezes) vi que era um exame que não atendia minhas expectativas.

    Não encontrei artigos científicos com evidências robustas para a sua solicitação. É um exame que depende do operador (quem executa o exame) e necessita de um ambiente sem poluição eletromagnética (algo difícil hoje em dia).

    As alergias alimentares diagnosticadas por ele são infundadas (pesquisei isso na prática clínica, consultei 2 alergistas e a vice-residente da ASBAI), metais tóxicos diagnosticados não correspondiam aos encontrados no mineralograma que eu solicitava (e isso foram mais de 100 vezes). Então parei de solicitar.

    Quem tiver dúvida procure artigos científicos de pesquisas bem embasadas, buscando validar o método como científico. Na maior base de dados do mundo, a Pubmed (http://www.pubmed.com/) há pouquíssimos artigos sobre o tema.

    Não confundir bioressonância com bioimpedância, essa eu solicito com frequência, por ser uma ferramenta extremamente útil nos processos de emagrecimento, tratamento para ganho de massa magra e etç.