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quinta-feira, 5 de julho de 2018

Ingestão de sal pode causar comprometimento cerebral independente de hipertensão

Aumento do sal, diminuição da função cognitiva

A grande ingestão de sal pode ter uma repercussão surpreendente na memória e no funcionamento cognitivo, independentemente do seu efeito sobre a pressão arterial, de acordo com um estudo com modelo animal publicado no periódico Nature Neuroscience.[1]

Depois de apenas algumas semanas, ratos alimentados com uma dieta rica em sódio apresentaram redução importante do fluxo sanguíneo para regiões do cérebro associadas ao aprendizado e à memória. Os ratos tiveram dificuldade de construir um ninho e lutaram para encontrar o caminho para sair de labirintos, visto que essa diminuição do fluxo sanguíneo parece comprometer tanto a cognição quanto a memória espacial.

Os pesquisadores – uma equipe da Weill Cornell Medicine, de Nova York – alimentaram os ratos com o equivalente a cerca de 6.000 mg de sal por dia com uma dieta humana. Em comparação, os Centers for Disease Control and Prevention (CDC) dos EUA recomendam que os norte-americanos limitem a ingestão de sal a cerca de 2.300 mg por dia, como parte de um plano de alimentação saudável.[2] De acordo com a Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos, a maioria de nós come quase 50% mais do que isso.

Embora a hipertensão, associada à ingestão elevada de sal, possa levar ao aumento do risco de acidente vascular cerebral e a demência[3], o primeiro autor, Dr. Costantino Iadecola, médico e diretor do Feil Family Brain and Mind Research Institute e Anne Parrish Titzell Professor of Neurology na Weill Cornell Medicine, não acredita que isto seja o que causou o declínio cognitivo observado no estudo.

“Essa foi a surpresa”, disse o pesquisador. “Verificamos que alimentar os ratos com uma dieta com alto teor de sal (8 a 16 vezes a dieta normal), o que corresponde aos mais altos níveis de consumo de sal nos seres humanos, é o que resulta na disfunção cognitiva. Os efeitos nocivos do sal sobre o cérebro são independentes do aumento da pressão arterial. Portanto, é a alta ingestão de sal na alimentação por si só que prejudica a função cerebral”.

O Dr. Iadecola acrescentou que há evidências na literatura corroborando a ideia de que estes resultados também se aplicam aos seres humanos.[4]

“Estudos epidemiológicos citados no nosso artigo demonstraram uma ligação significativa entre a ingestão de excesso de sal na alimentação e a doença cerebrovascular, o declínio cognitivo e a demência”, disse o pesquisador.

Resposta imunitária e o eixo intestino-cérebro

Os pesquisadores descobriram que os ratos que ingerem uma dieta rica em sal montaram uma resposta imunitária intestinal que aumentou os níveis de leucócitos. Isto teve um impacto negativo em outras células imunitárias, ao mesmo tempo aumentando a proteína interleucina-17 (IL-17), que diminui os níveis de uma substância fundamental para a saúde circulatória, o óxido nítrico.[4]

“Este efeito decorre do acúmulo no intestino de uma classe especial de linfócitos denominada células TH17, que produzem grandes quantidades de IL-17”, disse o Dr. Iadecola.

“A IL-17 entra na circulação sanguínea e compromete as células endoteliais no cérebro, que revestem os vasos sanguíneos cerebrais, e suprime a produção de óxido nítrico. A perda do óxido nítrico diminui a oferta de sangue para o cérebro e causa lesão neuronal, o que levará ao comprometimento cognitivo”.

O autor acrescentou que as bactérias do intestino também podem desempenhar um papel nesta reação imunitária mediada pelo sal, porque um estudo humano anterior havia observado o efeito direto delas sobre os linfócitos no intestino.[5]

Segundo o Dr. Iadecola, a conexão intestino-cérebro também pode ser prejudicada por outros fatores, como a gordura saturada, o açúcar e os adoçantes artificiais.

“Essa é uma possibilidade, mas ainda precisa ser determinado se esses fatores alimentares são prejudiciais ao serem absorvidos no intestino, entrarem na circulação e agirem diretamente nos vasos sanguíneos do cérebro, ou por induzirem uma resposta imunitária que resulta em efeitos nocivos, como descobrimos que é definitivamente o caso do sal na alimentação”, explicou.

Inibidor reverte o efeito

Para determinar que foram os altos níveis de IL-17 induzidos pelo sal, e não a hipertensão, que causaram o declínio cognitivo, Dr. Iadecola e colaboradores administraram para os ratos que comiam a dieta com alto teor de sal uma substância denominada inibidor Y27632 ROCK. Esta substância diminuiu os níveis da IL-17, o que fez com que os ratos voltassem a apresentar comportamento e cognição quase normais.

Por mais que isto possa ser promissor, existe uma diferença importante entre administrar essa substância para ratos ou para os seres humanos, de acordo com o Dr. Iadecola.

“Não sabemos se os danos nos seres humanos que têm consumido grande quantidade de sal na alimentação durante toda a vida são irreversíveis, comparado a apenas algumas semanas dos ratos”.

Sal a menos também poderia ser um problema
De acordo com o Dr. Michael Harrington, diretor de neurociência na Huntington Medical Research Institutes, em Pasadena, Califórnia, "o grupo de estudos Nowak[6] ] com humanos idosos foi feito com dosagens do sódio sérico e, embora os resultados sejam distorcidos em relação ao que seria a distribuição normal da população, eles mostram que níveis muito baixos ou muito altos de sódio no sangue não são bons para a função cognitiva e também se correlacionam à piora da função cognitiva”.

Entretanto, o Dr. Harrington ficou fascinado com as conclusões do estudo. “O grupo de ratos do Dr. Iadecola tem essa intrigante conexão intestino-cérebro, na qual o aumento do sal alimentar no intestino causa lesões aos capilares cerebrais por mediação imunológica, resultando em deterioração cognitiva. É incrivelmente interessante como a fisiologia mecanicista ficando um pouco fora de controle pode causar danos cerebrais”.

Isso reforça o arcabouço de pesquisas mostrando que a alimentação é um fator poderoso que influencia a saúde cognitiva. “Sabemos que uma dieta saudável é essencial para alguém com demência conseguir manter uma boa qualidade de vida e também evitar a perda de peso corporal, um efeito colateral comum do tratamento da demência, bem como das doenças neurológicas subjacentes”, disse Deborah R. Gustafson, PhD, professora do Departamento de Neurologia da State University of New York.

Deborah acredita que moderar a ingestão de sal é aconselhável, nem que seja apenas para prevenir o declínio cognitivo relacionado com a hipertensão. “Como a ingestão elevada de sal na alimentação está associada à hipertensão, pelo menos entre as pessoas sensíveis ao sal, então a maior ingestão de sal poderia estar associada a problemas cognitivos. Os dados observacionais são muito sistemáticos para a associação entre o risco de hipertensão na meia-idade com a demência”.

De acordo com um artigo de 2010 no American Journal of Hypertension[7], as lesões da substância cerebral causadas pela hipertensão de longa data estão associadas ao comprometimento cognitivo.

Dr. Iadecola conclui que, embora o papel pleno do sal na doença de Alzheimer e no declínio cognitivo esteja apenas começando a ser descoberto, “doenças específicas à parte, acredito que moderar a ingestão de sal é uma prática necessária para manter o cérebro saudável e evitar doenças cerebrais, especialmente nas populações em risco, como as pessoas com fatores de risco cardiovascular (diabetes, hipertensão, etc.), esclerose múltipla e doença inflamatória intestinal”.

domingo, 13 de dezembro de 2015

Sal Rosa do Himalaya - Mito ou verdade (by Desconstruindo Mitos em Saúde)




Frequentemente vemos pacientes contando que estão utilizando o sal do Himalaya. Qual a minha opinião? Uma perda de dinheiro. Pagar 100 vezes em 300g de sal, sendo que não existe nenhum tipo de vantagem ? Vá comprar comida de verdade (orgânica de preferência e de produtores locais) que você ganha mais saúde.
Mas porque pensamos assim? É achismo, implicância com as pedrinhas rosa ou temos alguma base científica para afirmar isso ?
Desde 2008 estamos buscando artigos sobre o tema. Passaram-se SETE anos e até agora, não encontramos NENHUM artigo na Pubmed mostrando vantagens em se consumir o tal sal do Himalaya. O que estão em jogo aqui não é achismo (-Ah mas comigo eu usei e gostei), somos médicos, alguns pesquisadores com mestrado e doutorado e o que estamos buscando são evidências científicas. É injusto fazer terrorismo nutricional com a população. Pessoas que tem um orçamento limitado e acabam acreditando que tem obrigação de comprar Sal do Himalaya pois alguns profissionais vendem a idéia de que é mais saudável.
Enfim, compramos o bendito, fizemos uso e não vimos diferença alguma.
Mas será que esses sais diferentes são mais saudáveis ? No mercado temos o sal marinho, sal de cozinha refinado e iodado, sal kosher, sal aromatizado, fleur de sel (flor do sal ou sal cinza), Hiwa Kai, sal negro, Hawaiian Sea Salt, Kala Namak, “sal orgânico” e o famoso sal rosa do Himalaya. Todos são o mesmo produto: cloreto de sódio. Apenas as quantidades ínfimas (traços) de minerais variam de um para outro.
Primeira ilusão de quem consome esse sal. Não há minas de sal no Himalaya. Como diz a culinarista Pat Feldman "é sal demais para "Himalaya de menos". As maiores minas de "sal do Himalaya" ficam no Paquistão, a quase 500 km do Himalaya.
Uma dúvida, o sal rosa do Himalaya é tão puro que não recebe iodação, sendo comercializado sem iodo ? Mas se isso é uma política de saúde pública e a falta de iodação pode gerar repercussões metabólicas, o consumo do mesmo estaria ligado a um maior risco de deficiência de iodo? Há alguns produtos com o nome Sal do Himalaya que é iodado, mas os importados não são.
O sal de mesa (o tão mal falado sal refinado) é enriquecido com iodo e é uma forma altamente eficaz para prevenir a deficiência de iodo (que pode levar ao bócio, um aumento do volume da glândula tireóide). A política de saúde pública (que consiste na iodação do sal) acaba prevenindo o bócio por déficit de Iodo, tão comum em décadas passadas, no interior do Brasil.

A maior desculpa apresentada para se propagar os benefícios com o uso do sal do Himalaya é que ele contém 84 minerais traços e esses promovem saúde e bem-estar. Existe um site interessantíssimo que seguimos: https://www.sciencebasedmedicine.org que visa desvendar alguns mitos. Recentemente postaram sobre o sal do Himalaya e provaram que não há UM único estudo comparando o sal do Himalaya com os demais.
Mas suponhamos que esses 84 minerais presentes realmente estejam na composição. Isso justificaria a sua utilização ? Não. São traços, ou seja, quantidades tão ínfimas que você adquire consumindo 200ml de água natural.
Não há nenhuma evidência publicada em revistas ou jornais ligados a área, mostrando que a substituição de sal branco por sal do Himalaya traga benefícios para a saúde. Na lista de minerais citados, você notará que uma série deles são radioativos, como Rádio, Urânio e Polônio. Também compõem a lista, minerais tóxicos, como o Tálio. Seria arriscado então consumir Sal do Himalaya ? Não, já que são traços, ou seja, quantidades ínfimas.
Uma pergunta inversa aos defensores do seu uso: então se os vestígios de 84 minerais presentes são benéficos, porque não acreditar que os vestígios de minerais radioativos e tóxicos possam ser prejudiciais?
O site fluoridedetective.com alerta que a análise do sal extraído da maior mina de "sal do Himalaya" do mundo, no Paquistão, demonstrou concentração gigantesca de flúor, de 231 ppm (231mg de fluor por quilo de sal). http://www.poisonfluoride.com/pfpc/html/analysis.html E isso é arriscado, ou seja, já temos evidências de que o seu uso tenha potencial efeito tóxico.
Resumindo: a alegação de que sal rosa do Himalaya contém 84 minerais pode ATÉ ser verdade, mas a alegação de que “promove a saúde e bem-estar” é falsa até que se prove o contrário, com estudos clínicos.
Enquanto esperamos por evidências, continuaremos utilizando o sal marinho iodado. Pelo menos sabemos que eles não contém urânio.
Caso nos perguntem qual sal ideal? O sal refinado é puramente Cloreto de Sódio com iodo, sem traços de outros minerais. O sal marinho por não ser refinado, mantém alguns traços de minerais. A questão é: traços de minerais terão impacto na nossa saúde ? Não, pois a quantidade que utilizamos é ínfima.
O que devemos adotar é uma dieta saudável, com mais alimentos in natura e menos alimentos processados. Dar preferência a vegetais (folhagens, legumes, leguminosas, cereais integrais) orgânicos, beber basta água filtrada, praticar atividade física regularmente, ter contato com a natureza, dormir bem, manter os pensamentos em ordem e cultivar bons sentimentos. Isso é infinitamente superior que qualquer traço de minerais.
Assinam o post acima os seguintes perfis no instagram:
Dr. Frederico Lobo (Médico de Goiânia – GO) @drfredericolobo,

Dr. Thiago Omena (Clínico geral de São Paulo - SP) @tomena
Dra. Tatiana Abrão (endocrinologista e nutróloga de Sorocaba – SP) @tatianaabrao,
Dr. Daniella Costa (nutróloga de Uberlândia – MG) @dradaniellacosta,
Dr. Reinaldo Nunes (endocrinologista e nutrólogo de Campos – RJ) @dr.reinaldonunes,
Dr. Mateus Severo (endocrinologista de São Maria – RS) @drmateusendocrino,
Dr. Pedro Paulo Prudente (Médico do esporte de Gramado – RS) @drpedropauloprudente,
Dr. Ricardo Martins Borges (Nutrólogo de Ribeirão Preto – SP) @clinicaricardoborges,
ATUALIZAÇÃO: 24/05/2016
Dra. Patricia Salles (endocrinologista de São Paulo – SP), @endoclinicdoctors, Dra. Camila Bandeira (endocrinologista de Manaus – AM) @endoclinicdoctors,

Na última semana atendi um dentista que estuda ortomolecular há mais de duas décadas. Vendo a moda do Sal rosa do Himalaya, o mesmo solicitou que o filho (bioquímico e dono de um laboratório de análises clínicas), fizesse a análise do sal rosa grosso e do triturado. Ambos comprados a granel em Goiânia. O mesmo relatou que os resultados evidenciaram altíssima contaminação por chumbo. Assim que ele me repassar as imagens do laudo, disponibilizarei aqui no blog.


ATUALIZAÇÃO: 19/06/2016


Fui informado por uma amiga nutricionista que o Laboratório de Farmácia da UFG irá realizar a análise de amostras do Sal do Himalaya vendidas em Goiânia. Assim que os resultados forem liberados, eu os publicarei aqui.


Atualização: 30/05/2017




O Laboratório de Farmácia da UFG não fez as análises ainda. Assim que for feita e eu receber os resultados posto aqui. Porém a USP fez uma análise e não achou superioridade no consumo do Sal Rosa, segundo as pesquisadoras do Laboratório de Alimentos da USP. “Em 1g de sal você tem 400 mg de sódio, no sal refinado. Nos gourmets, tem 312 mg, 360 mg, varia inclusive entre eles, mas não passa, não é abaixo de 300 mg”, explicou a pesquisadora Eliana Bistriche Giutini.

Um estudo de 2010 analisou 45 tipos de sal e o brasiliense João Gabriel Marques, nutricionista e mestre em Nutrição Humana pela Universidade de Brasília (UnB) analisou o estudo, criando até uma tabela para fins comparativos. O mesmo publicou a análise em seu blog: http://cienciadanutricao.blogspot.com.br/2016/02/a-ilusao-do-sal-rosa-do-himalaia.html


Considerando os 45 tipos de sal avaliados, ficaremos apenas com aqueles mais interessantes para a nossa análise, ou seja, aqueles mais facilmente encontrados para consumo: sal refinado, sal marinho*, sal grosso e sal rosa do Himalaia.
*O sal marinho escolhido, a partir das diversas opções de sal marinho do estudo, foi o que pode ser obtido a partir do Oceano Atlântico (litoral brasileiro).
Para facilitar a visualização, montei uma tabela com a concentração dos minerais avaliados pelo estudo: cálcio, potássio, magnésio, ferro, zinco e sódio. Além disso, coloquei, na última coluna, os valores de referência de ingestão (DRIs) — para mulheres jovens adultas* — de cada um desses nutrientes.
*Escolhi os valores para mulheres jovens adultas porque eles são iguais ou inferiores aos de homens, idosos ou gestantes; a única exceção foi o ferro, que possui valor de referência mais baixo para homens do que para mulheres (8 x 18 mg). Assim, essas escolhas foram determinadas para que houvesse a possibilidade de a ingestão desses minerais, a partir dos sais, pudesse ser minimamente importante pelo menos para o grupo populacional com as menores necessidades absolutas de minerais.
Todos os minerais abaixo estão representados em miligramas (mg) e referem-se à quantidade presente em 10 g de sal, que é próxima à média de ingestão diária da população brasileira:

É possível perceber, claramente, que o consumo de nenhum sal, nem mesmo o rosa do Himalaia, nem mesmo o azul de Urano, representará uma fonte expressiva de minerais — com exceção do sódio, é claro. A concentração de minerais no sal rosa é bastante superior à dos demais sais? Sim, chegando a ser 300% superior para o cálcio e mais de 7400% superior para o magnésio, por exemplo, quando comparada à do sal refinado. Mas de que adianta se, na prática, essas quantidades de minerais encontradas no sal rosa ainda são muito pequenas em relação às necessidades diárias? Nada. Considerando nossas necessidades nutricionais, o mineral mais importante no sal rosa seria o ferro. Mesmo assim, a ingestão de 10 g/dia desse tipo de sal não seria capaz de suprir nem 5% das recomendações de ferro. Além disso, diferentemente do que algumas pessoas dizem e do que alguns sites informam, o sal rosa do Himalaia não possui menor concentração de sódio quando comparado ao sal refinado. E sódio à parte, nenhum sal será uma fonte minimamente importante de minerais. Além desse artigo científico que analisamos, existe também um site em inglês que apresenta a concentração de todos os minerais que supostamente são encontrados no sal rosa. Porém, como o site não diz muito bem como esses dados foram obtidos, não é possível afirmar que essas informações são confiáveis. Mesmo assim, se alguém quiser confirmar que o sal rosa não se configura como uma fonte importante de nenhum desses nutrientes, basta comparar os minerais apresentados pelo site às necessidades nutricionais de cada mineral segundo as DRIs.