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quinta-feira, 5 de julho de 2018

Transtornos alimentares: comuns em todas as idades, sexos e etnias

Os transtornos alimentares atingem as pessoas de todas as idades, sexos e grupos étnicos/raciais, e estão associados a um comprometimento psicossocial significativo, revela uma nova pesquisa.

Os pesquisadores analisaram dados de mais de 35.000 adultos nos Estados Unidos e descobriram que as mulheres tinham probabilidade significativamente maior de terem transtornos alimentares do que os homens, e os brancos tinham maior probabilidade de ter anorexia nervosa do que os seus homólogos negros não-hispânicos e hispânicos.

Por outro lado, as chances de ter bulimia nervosa não diferiram significativamente por raça/etnia, e menos negros não-hispânicos do que entrevistados hispânicos e brancos tinham transtorno de compulsão alimentar durante a vida.

Todos os três transtornos estão associados a importante comprometimento psicossocial.

"Embora os transtornos alimentares possam não ser tão prevalentes quanto alguns outros transtornos psiquiátricos, como depressão, ansiedade, ou transtornos do uso de álcool e drogas, esses quadros são comuns, são encontrados entre homens e mulheres de vários grupos étnicos/raciais, e ocorrem durante toda a vida", disse ao Medscape a primeira autora Tomoko Udo, PhD, professora-assistente do Departamento de Políticas, Gerenciamento e Comportamento em Saúde, University at Albany School of Public Health, em Nova York (EUA).

"O transtorno de compulsão alimentar, um novo diagnóstico 'formal' do DSM-V (do inglês Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition), é importante de ser rastreado e identificado, posto que está associado a risco significativamente maior de obesidade, e que todos os transtornos alimentares estão associados a deficiências de funcionamento psicossocial e, portanto, representam um importante problema de saúde pública", disse Tomoko, falando não só por si, mas também em nome do coautor do trabalho, Carlos M. Grilo, PhD.

O estudo foi publicado on-line em 17 de abril no periódico Biological Psychiatry.

Novas estimativas de prevalência
"Existem poucos dados populacionais representativos em nível nacional sobre a prevalência dos transtornos alimentares" nos Estados Unidos, escreveram os autores.

Estudos anteriores utilizaram os critérios do DSM-IV para avaliar a prevalência dos transtornos alimentares. Além disso, a prevalência dos transtornos alimentares entre grupos étnicos/raciais foi calculada por meio do agrupamento de dados provenientes de várias amostras diferentes.

"São necessários dados de amostras de grande escala de representação nacional avaliados por meio de entrevista diagnóstica para atualizar as estimativas de prevalência dos transtornos alimentares nos EUA", acrescentam.

Isto é particularmente necessário por causa da atualização dos critérios diagnósticos dos transtornos alimentares no DSM-V. As mudanças determinaram que o transtorno de compulsão alimentar é um diagnóstico formal e diminuiu a frequência da compulsão alimentar para o diagnóstico de transtorno de compulsão alimentar.

"Acreditamos que era importante obter novas estimativas de prevalência em uma amostra maior e representativa, especialmente porque o DSM-V fez várias alterações nos critérios de diagnóstico dos transtornos alimentares em relação ao DSM-IV", disse Tomoko.

"Muitos médicos e pesquisadores esperavam maiores estimativas do que as encontradas nos estudos preliminares como resultado do 'relaxamento' dos critérios diagnósticos dos transtornos alimentares", observou a professora.

O estudo em tela utilizou dados do 2012-2013 National Epidemiologic Survey Alcohol and Related Conditions (NESARC-III). Um total de  36.309 pessoas com ≥ 18 anos de idade foram avaliadas por entrevistas diagnósticas administradas por leigos.

Os entrevistados deram informações sociodemográficas (idade, sexo, etnia, escolaridade e renda).


Informaram também a altura e o peso, que foram utilizados para calcular o índice de massa corporal (IMC).

O NIAAA Alcohol Use Disorder and Associated Disabilities Interview Schedule–5 (AUDADIS-5) foi utilizado para avaliar anorexia nervosa, bulimia nervosa e transtorno de compulsão alimentar. Os dados continham a idade de início e a idade no momento do episódio mais recente.

O AUDADIS também foi usado para avaliar a deterioração da socialização decorrente dos transtornos alimentares. Os fatores avaliados foram a interferência nas atividades diárias normais, sérios problemas de convívio com os outros, e sérios problemas para cumprir as próprias responsabilidades.

Transtornos alimentares mais comuns
Os pesquisadores criaram grupos para o diagnóstico específico dos transtornos alimentares (anorexia nervosa, bulimia nervosa e transtorno de compulsão alimentar) fundamentados nos critérios do DSM-5, usando as respostas ao NESARC-III para as perguntas relevantes ao AUDADIS-5, e adaptando a pontuação dos dados variáveis do NESARC-III para criar as categorias diagnósticas do estudo em pauta.

As estimativas da prevalência de transtornos alimentares durante toda a vida mostraram que a anorexia nervosa e o transtorno de compulsão alimentar são os tipos de transtorno alimentar mais comuns, com prevalência de 0,80% (erro padrão = 0,07%) e 0,85% (erro padrão = 0,05%). A prevalência de bulimia nervosa foi de 0,28% (erro padrão = 0,03%).

As estimativas da prevalência de 12 meses da anorexia nervosa, da bulimia nervosa, e do transtorno de compulsão alimentar, foram de 0,05% (erro padrão = 0,02%), 0,14% (erro padrão = 0,02%) e 0,44% (erro padrão = 0,04%), respectivamente.

Dentre os 0,22% de participantes que informaram transtornos alimentares concomitantes (ou seja, ter um diagnóstico específico de dois ou mais transtornos alimentares durante a vida), 0,01% informaram anorexia nervosa com bulimia nervosa, 0,02% informaram anorexia nervosa com transtorno de compulsão alimentar, 0,13% informaram bulimia nervosa com transtorno de compulsão alimentar, e 0,05% informaram ter os três transtornos alimentares.

Para todos os três transtornos alimentares, as prevalências de diagnósticos durante toda a vida e em 12 meses foram significativamente maiores entre as mulheres do que entre os homens, com estimativas não ajustadas de 1,42%, 0,46% e 1,25% para as mulheres vs. 0,12%, 0,08% e 0,42% para os homens de anorexia nervosa, bulimia nervosa e transtorno de compulsão alimentar, respectivamente.

Houve também diferenças significativas na prevalência entre as etnias/raças da anorexia nervosa durante toda a vida; as odds ratios (ORs) ajustadas foram significativamente menores entre os participantes negros não hispânicos e hispânicos em comparação com os entrevistados brancos não hispânicos.

No entanto, a OR ajustada de 12 meses de anorexia nervosa foi significativamente menor entre os hispânicos do que entre os entrevistados brancos não-hispânicos. Não houve casos de anorexia nervosa em 12 meses entre os entrevistados negros não-hispânicos.

Embora a prevalência de bulimia nervosa durante a vida e a prevalência em 12 meses não tenham diferido significativamente por raça/etnia, as ORs ajustadas do transtorno de compulsão alimentar durante a vida foram significativamente menores entre os negros não-hispânicos do que entre os entrevistados brancos não-hispânicos.

Não houve diferenças raciais para o transtorno de compulsão alimentar em 12 meses, nem o nível de escolaridade foi significativamente associado à prevalência de transtornos alimentares.

Por outro lado, as categorias de renda mais elevadas foram associadas a um aumento significativo da probabilidade de anorexia nervosa durante toda a vida.

Após o ajuste por idade, sexo, etnia/raça e nível de escolaridade, a anorexia nervosa e o transtorno de compulsão alimentar foram mais prevalentes entre os grupos mais jovens do que entre as pessoas com 60 anos de idade ou mais.

Não "aumentar o caráter patológico"
Todos os transtornos alimentares foram associados a altos índices de comprometimento da função psicossocial.

Para os diagnósticos durante toda a vida, os índices de comprometimento da função social foram significativamente maiores entre as pessoas com bulimia nervosa por toda a vida (61,4%) e transtorno de compulsão alimentar por toda a vida (53,7%) em comparação às pessoas com anorexia nervosa (30,7%).

Por outro lado, a única diferença psicossocial significativa no diagnóstico em 12 meses foi para a bulimia nervosa. Os entrevistados com bulimia nervosa referiram maior dificuldade de conviver com os outros do que aqueles com transtorno de compulsão alimentar.

Para os diagnósticos durante toda a vida, bem como de 12 meses, as pessoas com anorexia nervosa tiveram índice de massa corporal (IMC) atuais significativamente mais baixos do que aquelas com bulimia nervosa e transtorno de compulsão alimentar. Para os diagnósticos durante toda a vida, bem como de 12 meses, aqueles com bulimia nervosa tiveram um IMC atual significativamente mais baixo do que aqueles com transtorno de compulsão alimentar.

Além disso, as pessoas com anorexia nervosa durante toda a vida tinham significativamente maior probabilidade de estar abaixo do peso ou de ter um peso normal, quando comparadas às pessoas com transtorno de compulsão alimentar durante toda a vida. Além disso, a probabilidade delas de ter excesso de peso ou obesidade foi significativamente menor quando comparadas às pessoas com transtorno de compulsão alimentar durante toda a vida, que por sua vez foram associadas a um aumento significativo da probabilidade de obesidade e obesidade mórbida.

Os autores observam que as estimativas de prevalência obtidas "estão em desacordo com o ponto de vista dos críticos do DSM-V, que usaram o transtorno de compulsão alimentar como uma ilustração do aumento do caráter patológico".

Tomoko reconheceu estar "surpresa" com as descobertas.

"Pensamos que poderíamos ver aumento da prevalência em todos os transtornos alimentares decorrentes das mudanças nos requisitos diagnósticos, particularmente maior aumento da bulimia nervosa e do transtorno de compulsão alimentar, que não observamos. E, de fato, nossas estimativas tanto para a bulimia nervosa quanto para o transtorno de compulsão alimentar foram mais baixas do que os estudos anteriores e do que esperávamos".

Necessidade de rastrear melhor
Comentando o estudo para o Medscape, a nutricionista Kendrin Sonneville, professora-assistente de ciências nutricionais e professora-assistente de pesquisa do Center for Human Growth and Development, University of Michigan School of Public Health, em Ann Arbor (EUA), que não participou do trabalho, disse que "estudos como este, realizado em uma amostra nacional, ajudam a compreender quem está sofrendo com transtornos alimentares e quem pode não estar recebendo ajuda para seu transtorno alimentar".

A "mensagem mais importante" é que "pessoas de todas as idades, gênero e raças/grupos étnicos são atingidas pelos transtornos alimentares" e "vivenciam uma deterioração importante, e muitos sofrem durante muito tempo", disse a comentarista.

Kendrin instou os médicos e os sistemas de saúde a "identificarem estratégias para detectar os transtonos alimentares mais precocemente". A comentarista observou que a detecção e o encaminhamento para tratamento precoces são "necessários para melhorar a saúde e diminuir o sofrimento das pessoas com transtornos alimentares".

Tomoko acrescentou: "Acreditamos que nosso estudo destaque a complexidade da avaliação e do reconhecimento dos transtornos alimentares, enquanto documenta as repercussões clínicas deles, e em termos de saúde pública".

Como o tratamento com os especialistas em transtornos alimentares "não é tão facilmente acessível em muitas comunidades, como o é para outros transtornos psiquiátricos e clínicos, a melhora do acesso ao atendimento é uma prioridade importante para os sistemas de saúde", disse a pesquisadora.

O trabalho de Carlos M. Grilo foi subsidiado em parte pelos National Institutes of Health. O Dr. Carlos M. Grilo declarou não possuir conflitos de interesses relevantes. Os conflitos de interesse dos coautores estão listados no artigo original. Tomoko Udo e Kendrin Sonneville revelaram não possuir conflitos de interesse relacionados com o tema.

Biol Psychiatry. Publicado on-line em 17 de abril de 2018.




quinta-feira, 7 de junho de 2018

O seu médico é realmente Nutrólogo ?

Será que o seu médico realmente é Nutrólogo ?
Via de regra no Brasil só se pode intitular especialista em uma área médica no Brasil quem:
1 – Fez residência médica credenciada no MEC
2 – Tem título de especialista registrado no Conselho Federal de Medicina (CFM).

O médico que fez residência de Nutrologia, após concluí-la vai ao Conselho Regional de Medicina do seu estado(CRM) portanto o Certificado de conclusão da residência e registra-se como Nutrólogo, recebendo do CRM um número de Registro de Qualificação de Especialista (RQE), podendo então se intitular Nutrólogo.

No caso dos que foram aprovados na prova de título, basta levar o título ao CRM e pedir o RQE.
Mas e aí, como saber se o meu médico é ou não Nutrólogo?
Basta entrar no site do CFM ou no link: http://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_medicos&Itemid=59
Digitar o nome do médico, o estado e procurar. Se ao ver o nome do seu médico e não estiver especificado o RQE e a Especialidade que ele está registrado, provavelmente o seu médico não é titulado. Procure um que seja especialista.
#NutrologiaDeVerdade
#NutrologiaÉtica

Em Goiânia temos apenas 59 Nutrólogos titulados, ou seja, apenas 59 profissionais são Verdadeiramente Nutrólogos. A lista está na imagem abaixo (clique nela para aumentar) e os dados foram extraídos do site do Conselho Regional de Medicina de Goiás.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Aspectos nutrológicos sobre HIV e AIDS



A AIDS é uma doença ocasionada pelo Human Immunodeficiency Virus  (HIV) ou vírus da imunodeficiência humana, que leva a uma depleção imunológica. Durante a infecção inicial, o portador do HIV passar por um breve (as vezes menos de 14 dias) período doente, com sintomas semelhantes aos da gripe. Normalmente isto é seguido por um período prolongado sem qualquer outro sintoma. À medida que a doença progride, ela interfere gradativamente no sistema imunológico, tornando a pessoa muito mais propensa a ter outros tipos de doenças, como infecções oportunistas e câncer, que geralmente não afetam as pessoas com um sistema imunológico saudável.

Antes de tudo faz-se necessário compreender, que HIV e AIDS são diferentes. Nem todo paciente HIV (soropositivo) tem AIDS mas todo paciente com AIDS é HIV. A AIDS é a depleção imunológica ocasionada pelo vírus. Ela se manifesta através de infecções por agentes (vírus, fungos, bactérias) que quando presentes em um indivíduo imunocompetente (sadio) o organismo conseguiria resolver o processo infeccioso. Ou seja, o indivíduo fica vulnerável a agentes que normalmente não são "tão patogênicos" para alguém que esteja com o imunológico saudável.

A evolução da infecção divide-se em quatro estágios:
- (1) infecção aguda pelo HIV;
- (2) infecção crônica assintomática;
- (3) infecção sintomática e
- (4) SIDA ou HIV avançado

A primeira razão para esse post é que quase semanalmente recebo no ambulatório de nutrologia (SUS) pacientes soropositivos. Eles vêm encaminhados pelo serviço de infectologia do município. Ao encaminhar o paciente, o infectologista acredita que um suporte nutricional adequado possa ser útil e que esse suporte possa alterar o curso da doença e o seu prognóstico. A segunda razão, é que há pouco material sobre o tema, até mesmo nos livros de nutrição/nutrologia.

Felizmente o suporte nutricional combinado com o tratamento convencional (médico) com infectologistas (é inegável que a terapia anti-retroviral mesmo com todos seus efeitos colaterais é um grande avanço no tratamento da doença) gera bons resultados. Vejo isso nos inúmeros pacientes atendidos ao longo desses anos. Acredito e defendo que um suporte nutricional adequado possa mudar o prognóstico da doença.

Segundo o Projeto Diretrizes publicado em 201: Terapia Nutricional na Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (HIV/AIDS), de autoria da Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral e a Associação Brasileira de Nutrologia: "O estado nutricional do paciente com HIV/AIDS adquiriu importância na prática clínica devido à desnutrição e aos efeitos colaterais da terapia antirretroviral. Mesmo na era HAART (terapia antirretroviral de alta eficácia/highly active antirretroviral therapy), não é pequeno o número de pacientes com perda de peso corporal e alterações importantes de composição corporal. Assim, recomenda-se atuar de imediato em qualquer indivíduo HIV+, assintomático ou na vigência de AIDS, que tenha perda de peso. Logo, deve-se instituir terapia nutricional (TN) e farmacológica, quando indicada. Essa vigilância contribui para sobrevida de pacientes HIV+, ao retardar a imunodepressão de origem nutricional e a ocorrência de infecções oportunistas. Ao manter-se a homeostase corporal e a autoestima, melhora-se também a qualidade de vida do paciente com HIV/AIDS". 

foco da nutrologia no caso do paciente HIV+/AIDS consiste em:

1) Evitar a desnutrição, reduzir o catabolismo proteico e a perda de peso corporal
2) Minimizar o estresse oxidativo, os sintomas e prevenir as infecções oportunistas
3) Suporte nutricional adequado e balanceado de acordo com as necessidades do indivíduo,
4) Evitar e tratar sinais e sintomas que acometem o trato digestivo do paciente portador de AIDS.
5) Melhorar a tolerância ao tratamento antirretroviral,
6) Auxiliar o paciente a manter a composição corporal;
7) Promover melhor qualidade de vida

Diminuição do catabolismo proteico

A infecção pelo HIV aumenta o catabolismo proteico (é uma doença consumptiva) e com isso o paciente perde massa magra facilmente.  A desnutrição, a perda de peso e a depleção da massa celular metabolicamente ativa podem ocorrer em todos os estágios da doença. A infecção pelo HIV está relacionada a aumento do gasto energético basal (25 a 29% de aumento), por isso é classificada como uma doença consumptiva.

O norteamento do tratamento nutricional deve ser nesse sentido, combater essa perda de peso, perda de massa magra a fim de se evitar suas repercussões no sistema imune.

Alguns estudos demonstraram que 18% dos pacientes, monitorados durante um ano, perderam acima de 10% do peso corporal durante visitas seriadas, enquanto que 21% perderam acima de 5% do peso corporal prévio. 8% apresentaram Índice de Massa Corporal (IMC) 
Essa perda de massa magra, segundo inúmeros estudos está relacionada:
1) Maior mortalidade,
2) Aceleração da progressão da doença,
3) Perda de músculo e com isso diminuição da força muscular e piora do estado funcional do indivíduo.
Hoje já se sabe que a desnutrição tem um efeito negativo no prognóstico, independentemente da imunodeficiência e carga viral, ou seja, mesmo que o paciente esteja em TARV, com carga indetectável, deve-se combater a desnutrição.
É mandatória a realização de Bioimpedanciometria nesses pacientes, sempre que disponíveis no serviço.

Minimizar o estresse oxidativo, os sintomas e prevenir as infecções oportunistas

A infecção pelo HIV leva a um alto grau de stress oxidativo. A terapia nutrológica deve objetivar também a diminuição da produção de radicais livres. Nós orientamos o paciente a ingerir fontes de alguns minerais, aminoácidos e vitaminas que sabidamente podem minimizar esse estresse oxidativo. Quando necessário, a suplementação, desde que comprovado o déficit laboratorialmente. Além disso frisamos as fontes ambientais que estimulam a produção de radicais livres. Com aporto adequado de nutrientes associado à TARV podemos minimizar os riscos desse paciente contrair alguma infecção oportunistica.
Suporte nutricional adequado e balanceado de acordo com as necessidades do indivíduo
Nesse caso, objetivamos fornecer os nutrientes necessários para melhoria do sistema imunológico, em especial os linfócitos T-Helper (CD4+ e CD8+), especificando quais nutrientes podem favorecer melhora no quantitativo de linfócitos.
Segundo o Projeto Diretrizes devemos incluir dentro da avaliação laboratorial os "testes bioquímicos, como albumina, contagem total de linfócitos, CD4, CD8, carga viral, dosagem de testosterona total, determinar a função da tireóide, avaliação das funções renal e hepática, concentração sérica de eletrólitos, zinco, selênio, vitamina A e vitamina B12 estão associados com a progressão da doença".
Alguns medicamentos utilizados na TARV (fumarato de tenofovir disoproxil antirretroviral da classe dos inibidores de transcriptase reversa análogo de nucleosídeos) pode levar a toxicidade renal, óssea e endócrina. Portanto o nível de Vitamina D, assim como de Paratormônio devem ser acompanhados em indivíduos que estão em TARV. Na literatura há controvérsias se  a 25-OH-Vitamina D deve ser solicitada para todos os pacientes HIV+.

Evitando e tratando sinais e sintomas que acometem o trato digestivo do paciente HIV+/AIDS
Devido ao uso das medicações na TARV ou pela própria fisiopatologia da doença, esses pacientes são vulneráveis a algumas condições: perda do apetite, náuseas, vômitos, diarréias, perda de massa magra, fraqueza. Sendo dever do médico dar o suporte adequado para tais sintomas.
Como já citado acima, o portador do HIV tem como principal característica o desarranjo da função imune, que no final leva á perda dos linfócitos T-helper (CD4+), necessitando de uma Terapia Nutricional, que possa abranger não apenas os sintomas relacionados a AIDS ou à terapia antirretroviral (TARV) instituída, mas traga ao indivíduo uma melhor qualidade de vida.
Os pacientes portadores de AIDS vivenciam um elevado grau de estresse oxidativo, ou seja, alta produção de radicais livres, por causa do déficit imunológico, combinado às constantes infecções, além de ações do próprio organismo produzindo radicais livres na tentativa de eliminar o vírus. Com isso o suporte nutrológico adequado, associado à terapia anti-retroviral tem proporcionado aos pacientes uma grande melhora de qualidade de vida.
Desde a década de 90, o Dr. Helion Póvoa, precursor da prática ortomolecular no Brasil, atende pacientes com HIV e tem uma ONG no Rio de Janeiro que visa atender pacientes carentes soropositivos. "O suporte é orientando a parte nutricional e suplementando os nutrientes deficientes (comprovados laboratorialmente)". O Dr. quando vivo, afirmava que pacientes soropositivos que ingeriam vitaminas, minerais e aminoácidos para combater a grande quantidade de radicais livres formados na infecção pelo HIV têm a carga viral diminuída muito mais rapidamente, desaparecendo as complicações decorrentes da doença. Talvez pelo efeito antioxidante dos nutrientes. O Dr. Helion Póvoa destacava, no entanto, que a função dos antioxidantes neste caso é de coadjuvante ao tratamento convencional: "A carga viral da doença é muito grande e só se consegue diminuí-la com um tratamento tão violento quanto esse com os anti-retrovirais. Mas não há dúvida de que o uso de vitaminas e outros antioxidantes é capaz de representar melhoras espetaculares em pacientes com Aids".
Eu particularmente sou da linha defensora de que em processos infecciosos, devemos evitar antioxidantes sintéticos, optando apenas pela alimentação (antioxidantes naturais). Na vigência de processos infecciosos, a produção endógena de radicais livres apesar de gerar alguns sintomas, é crucial na tentativa de eliminar o agente. Existe um fino equilíbrio entre antioxidantes endógenos e esses radicais livres. A partir do momento que entramos com antioxidantes sintéticos, podemos alterar a cinética e as consequências não estão ao nosso alcance. Portanto, a melhor estratégia é a utilização de alimentos, reservando os produtos sintéticos apenas para os quadros com deficit laboratorial comprovado e que não tiveram melhora com o aumento do aporte (ingestão das principais fontes daquele respectivo nutriente).
Segundo o Prof. Helion Póvoa, existe uma proteína, chamada NF-KappaB, que é produzida intensamente no organismo de quem tem o vírus da Aids, pois é fundamental à multiplicação do vírus HIV. Os antioxidantes naturais são capazes de inibir a síntese do fator NF-KappaB e assim auxiliar na inibição da multiplicação do HIV, podendo auxiliar na diminuição da carga viral no paciente e proporcionando-lhe grande melhora do estado geral. Mas nem de longe esse efeito é superior ao da TARV. Sendo iatrogenia qualquer médico que advogue contra o uso da TARV. Tenho visto médicos alegando que o uso de baixas doses de Naltrexona (uma medicação utilizada para tratar alcoolismo e dependência de cocaína) pode reduzir a carga viral e aumentar os níveis de linfócitos T CD4+. Não há estudos com evidências sólidas mostrando que esse tipo de terapia possa ser realmente eficaz na infecção por HIV. A tabela abaixo resumo os principais compostos bioativos (com suas principais fontes alimentares) com ação sobre NF-KappaB)
https://3.bp.blogspot.com/-0hNdIQaBRNE/WEBD5bBvI3I/AAAAAAAADlw/YI86wuSlJkklLkTwVWDzVEma0UfO8bWAQCLcB/s640/nfkb.jpg

Os pacientes em uso da TARV também podem apresentar Dislipidemias (aumento de colesterol ou de triglicérides) e alguns alimentos combinados com a prática regular de atividade física podem ser adjuvantes ao tratamento. Dentre os alimentos que podem reduzir os níveis de colesterol LDL temos os ricos em ômega 3 (salmão, atum, sardinha, linhaça, chia), os ricos em fitoesteróis (soja). Para a redução de triglicérides temos os alimentos ricos em Niacina (vitamina B3, presente em carnes e amendoim).

A dieta deve ser avaliada quanto à adequação nutricional individual, considerando-se os sintomas associados à infecção por HIV, como:
• perda de peso,
• anorexia,
• diminuição dos níveis de energia,
• alterações gastrintestinais,

As necessidades energéticas variam dependendo do estado de saúde do indivíduo no momento da infecção por HIV, progressão da doença e desenvolvimento de complicações que prejudicam a ingesta e utilização de nutrientes.

Segundo o prof. Dr. Dan Waitzberg, os indivíduos portadores do vírus HIV desenvolvem dois modelos de desnutrição, a protéico-calórica (DPC) e a Wasting Syndrome.

A primeira se desenvolve devido à ausência ou redução da utilização do nutriente, e pode ser causada por ingestão calórica abaixo da necessidade calórica total ou má absorção de nutrientes.

Já na Wasting Syndrome é definida como uma perda de peso não intencional de 10% ou mais do peso corpóreo usual, diarréia, fraqueza ou febre por mais de 30 dias.

É comum também os pacientes em TARV apresentarem algum grau de Lipodistrofia (que é diferente da Síndrome Consumptiva). Geralmente detectamos ao exame físico a lipoatrofia na região da face, dos membros superiores e inferiores e uma proeminência das veias superficiais associadas ou não ao acúmulo de gorduras na região do abdome, da região cervical (gibas) e das mamas. Essa lipodistrofia pode ser ocasionada por fatores metabólicos: aumento sérico de lipídeos, intolerância à glicose, aumento da resistência periférica à insulina e diabetes mellitus, associados ou não às alterações anatômicas. Podendo ser tratada com uso de GH e Testosterona pelo endocrinologista.

É de grande importância à utilização de nutrientes, minerais e vitaminas envolvidos na função imunológica, já que o paciente se encontra em constante estresse oxidativo e necessita de equilíbrio nutricional; a ingesta de proteínas adequada é importante para promover o equilíbrio positivo de nitrogênio e repleção de massa magra corpórea.

A atividade bactericida e antiviral dos linfócitos e a capacidade de multiplicação e secreção de Imunoglobulinas é afetada pelos oxidantes celulares, sendo assim é fundamental no tratamento dietoterápico a introdução de alimentos que tenha nutrientes com capacidade antioxidante (exemplo açaí, chá verde, cacau, frutas vermelhas, alho, cebola, fontes de selênio e zinco).

Como o paciente soropositivo necessita de um tratamento medicamentosos que podem ter efeitos colaterais, é interessante fornecer na alimentação substâncias que ajudam no processo de destoxificação do organismo a fim de minimizar os desconfortos e melhorar a metabolização destes pelo fígado, como a utilização:
• Das brássicas: brócolis, couve flor, couve-de-bruxelas, couve e repolho
• Bioflavonóides (ex: quercetina que ativa o citocromo P450),
• Ervas e temperos naturais: alho, cebola, orégano, cúrcuma (açafrão), gengibre, alecrim, tomilho.


MACRONUTRIENTES

As proteínas são essenciais para a manutenção da massa magra e portanto é o principal macronutriente a ser analisado na terapia nutricional do paciente HIV.

Sua ingestão varia de acordo com a fase da doença. Na fase estável da doença, a necessidade protéica deve ser 1,2 g/kg peso atual/dia. Na fase aguda, a necessidade de proteínas aumenta para 1,5 g/kg de peso atual/dia podendo chegar até a 2g/kg/dia.

Carboidrato devem corresponder a pelo menos 50% do volume calórico total (VCT). Podendo ter uma redução desse aporte caso coexista síndrome metabólica ou dislipidemia.

Habitualmente os lipídios ficam entre 30 a 35% do volume calórico total. Mas se existir dislipidemia, o recomendado é que: o paciente ingira menos de 200mg de colesterol/dia, Gorduras saturadas menos de 7 % do VCT e uma redução da gordura total para até 30% do VCT.

MICRONUTRIENTES
Não há consenso na literatura sobre os nutrientes que estão reduzidos nos pacientes HIV+/AIDS. Alguns estudos mostram que apresentam níveis diminuídos de vitamina A, E, B12, zinco e selênio. Portanto aqui, na minha opinião, os nutrientes que devem receber atenção especial na infecção pelo HIV são:

1- AMINOÁCIDOS:
A – Arginina: Whey, albumina, carnes e amendoim, suplementação
B – Cisteína: Whey, albumina, peixes, frango, suplementação
C – Ornitina: Whey, albumina, dieta, suplementação

2- VITAMINAS com ação antioxidante:
A - Vitamina A e Betacaroteno
B - Vitamina C + Quercetina (bioflavonóide)
C - Vitamina E: a suplementação pode ser deletéria, já que a elevada concentração sérica de vitamina E está associada com marcadores anormais para aterosclerose e pode aumentar risco de complicações cardiovasculares em adultos infectados por HIV.
D - Complexo B (principalmente B12, já que alguns medicamentos utilizados na TARV podem depletá-la, mas há estudos mostrando que os níveis sobem após a instituição da TARV)
E - Vitamina D: sol

3- MINERAIS com ação antioxidante:
A - Selênio: principal fonte a castanha do pará (deve-se a todo custo evitar a suplementação sintética, já que alguns estudos mostram que o risco de câncer de próstata pode aumentar)
B - Germânio: principal fonte o gengibre
C - Zinco: principais fontes: ostras, frutos do mar, carne vermelha, oleaginosas (É um mineral que comumente doso e está baixo, mesmo nos pacientes que estão ingerindo boa quantidade de proteína animal). Atenção especial deve ser dada às fontes de zinco, já que ele é um dos principais nutrientes relacionados à imunidade, em especial aos linfócitos T. Além disso o estress oxidativo aumenta a demanda de zinco.

4- L-GLUTATIONA:
A glutationa é um antioxidante tripeptídeo formado por 3 aminoácidos: Glicina,  ácido glutâmico e cisteína. Ela é o substrato da enzima glutationa peroxidase (GSH) que catalisa a redução do peróxido de hidrogênio através de um mecanismo de óxido-redução. É também a melhor forma de transporte no plasma de cisteína e dos grupos sulfidrílicos, que aumentam a atividade e a proliferação dos linfócitos T e a sua diferenciação de T para B. O paciente portador de HIV pode apresentar um déficit grande de glutationa. Ela auxilia na modulação do sistema imune. Como o corpo fabrica a própria glutationa, é possível incentivar a produção dela ingerindo alimentos que auxiliam o corpo a produzir maiores quantidades. Ou seja, deve-se estimular o consumo de proteínas magras e de alto valor biológico: carnes, ovos, leite e soja. Além disso deve-se estimular o consumo de vegetais in natura, crus, pois no processo de cocção os níveis de Glutationa dos vegetais podem decair.  As seguintes frutas e legumes contêm a maior quantidade de glutationa por porção: aspargos, batatas, pimentas, cebolas, cenouras, abacates, brócolis, espinafre, alho, abóbora, tomates, toranjas, maçãs, laranjas, bananas, pêssegos e melão. Supostamente, o composto químico cianohidroxibutano aumenta os níveis séricos de glutationa e ele pode ser encontrado em brócolis, couve-flor, couve-de-bruxelas e no repolho. A beterraba possui um efeito positivo sobre a atividade das enzimas GSH. Outra estratégia para aumentar a glutationa é o acréscimo de temperos à dieta. Alguns temperos, como cúrcuma, canela, cominho e cardamomo possuem compostos que ajudam na restauração de níveis saudáveis de glutationa, além de elevar a atividade das enzimas GSH. O selênio aumenta os níveis de glutationa peroxidase, ou seja, castanha do pará. O consumo de fontes de ácido alfa-lipóico (ALA), também pode elevar a glutationa, já que ele promove a síntese da glutationa no corpo. O ALA é um potente antioxidante natural, endógeno, que consegue regenerar antioxidantes já oxidados, como as vitaminas C e E. Os alimentos ricos em ácido alfa-lipóico são: espinafre, tomates, ervilhas, couve-de-bruxelas, maionese e farelo de arroz. Muitos deles já são naturalmente ricos em glutationa. A atividade física é uma outra maneira de estimular o corpo a produzir mais glutationa. Estudos tem mostrado que todos os tipos de exercícios moderados elevam os níveis de glutationa no sangue. Estão incluídos exercícios aeróbicos, musculação e a combinação entre atividades aeróbicas e musculação. Alguns fatores ambientais podem exercer um efeito negativo níveis séricos de Glutationa, tais como: Poluição ou toxinas no ar, uso de drogas, infecções bacterianas ou virais, radiação, agrotóxicos.

5- N-ACETIL-CISTEÍNA:
É uma substância endógena, formada a partir do aminoácido cisteína e que tem como uma de suas funções, reciclar os níveis de L-glutationa. Portanto todo alimento que for fonte de cisteína, favorecerá um aumento dos níveis de N-acetil-cisteína.

6 - ÁCIDO ALFA-LIPÓICO:
Ele promove a síntese de glutationa endógena. As principais fontes ja foram citadas acima.

7 - COENZIMA Q10:
Nutriente que melhora o aporte de energia na mitocôndria. É um antioxidante que auxilia no processo imunológico. As principais fontes nutricionais são: peixes, soja, germe de trigo, algas, oleaginosas, gergelim e brócolis.

8 - PROBIÓTICOS:
São bactérias que vivem no intestino e que a cada dia são mais estudas, mostrando papel importante na imunomodulação. A principal fonte alimentar são os iogurtes e coalhadas. Os estudos ainda são controversos e inclusive alguns recomendam não se utilizar probióticos industrializados em pacientes imunocomprometidos. Até o momento o uso de algumas cepas de probióticos tem mostrado benefícios na faixa pediátrica, principalmente quando ocorre disfunção intestinal e queda dos linfócitos T CD4+.

9 - ÁCIDOS GRAXOS POLIINSATURADOS e MONOINSATURADOS: os óleos de origem vegetal, ricos em ômega 3 e 9 estimulam as célular natural Killers, que são "policiais" do nosso sistema imunológico. Alguns trabalhos têm estudado o efeito da suplementação de ácido graxos ômega-3 nas complicações metabólicas presentes em pacientes em TARV. Nessa revisão, que incluiu vinte estudos originais, foi visto que a suplementação com ácido graxo ômega-3 resultou em significativa redução nos níveis séricos de triglicérides, redução da lipogênese relacionada a síndrome metabólica.


FONTES DE NUTRIENTES

Zinco:
Ostras, Arroz Integral, Ovo, Grãos integrais, sementes, amêndoas, avelãs
Cobre
Ostras, Tofu, Ervilha, cacau em pó, salmão (Alasca), legumes, cereais integrais, frutas vermelhas, amêndoa, folhas verde-escuro, nozes, pistaches, avelã, aves, ameixas, soja.
Vitamina A
Batata doce, cenoura, espinafre, abóbora, manga, damasco, brócolis, pêssego, papaia, laranja.
Vitamina C:
suco de acerola, suco de laranja, kiwi, manga, melão, papaia, morango, couve-flor, limão.
Vitamina E:
amêndoas cruas, batata doce, abacate, damasco, azeite de oliva extra-virgem, ovos/gema de ovo (caipira), espinafre, aspargo, pepino.
Vitamina B3:
peixes, aves, avelã, nozes, amêndoa, pistaches, ovos.
Vitamina B5:
Suco de l aranja, peito de frango (caipira).
Vitamina B6:
banana, frango, arroz integral e outros grãos integrais. Comer preferencialmente alimentos crus, pois a vitamina B6 se perde na elevação da temperatura
Vitamina B12
ostras, atum, ovo caipira, porco, peito de frango (caipira)
Ácido Fólico:
espinafre, feijão, suco de laranja, brócolis, alface, repolho, banana, ovo caipira.
Vitamina D:
óleo de fígado de bacalhau, arenque, slmão, sardinha, camarão, gema de ovo caipira. SOL
Enxofre:
peixes, aves, ovos, legumes, verduras, algas, alho, cebola, repolho, avelã, couve de Bruxelas, amêndoa, alface, nozes, pistaches.
Silício:
beterraba, repolho, alfafa, aveia integral, arroz integral, alface, pectina de frutas cítricas, confrey, folhas verde escruras, cavalinha (chá), polpa de cana, cebola.
Proantocianidinas/ Antocianidinas
uva, morango, cereja, framboesa, amora, açaí.


Uso de suplementos orais em pacientes HIV+/AIDS

Segundo o projeto diretrizes, os suplementos orais estão indicados quando o paciente se alimenta por via oral, mas não o suficiente para manter suas necessidades energéticas. Para doentes sem complicações, em que se deseja aumentar o peso, o uso de suplementos orais pode auxiliar muito a ampliar a ingestão alimentar.

A suplementação oral também é benéfica em períodos de maior necessidade energética, quando o metabolismo basal está aumentado, como, por exemplo, em episódios de algumas infecções oportunistas. A via enteral deve ser considerada sempre que a alimentação oral estiver insuficiente.

Deve ser postulado seu uso naqueles casos em que houve perda de peso (>5% em
três meses) ou depleção da Massa magra corporal (>5% em três meses) ou então nos pacientes com IMC < 18 kg/m².

INTERAÇÃO NUTRIENTES COM DROGAS

Algumas drogas utilizadas na TARV têm sua absorção diminuída na presença de gorduras e portanto a sua administração deve ser sem com ou sem alimento mas sem alimentos gordurosos. Enquanto o Efavirenz tem sua absorção aumentada quando ingerido com alimentos gordurosos.
São elas: Zidovudina, Abacavir, Didanosina, Tenofovir, Estavudina, Lamivudina

A Zidovudina pode levar a anemia por depleção dos níveis de cobre e zinco, portanto os níveis devem ser dosados.

A didanosina tem risco de pancreatite quando consumida com álcool.

Efavirenz, Nevirapina, Ritonavir, Indinavir, Nelfinavir, Saquinavir, Lopinavir, Amprenavir, Atazanavir devem ser consumidos com alimentos e não devem ser consumidos com: Erva de São João (Hypericum), cápsulas de alho, Ginseng, Ginkgo Biloba, Equinácea.

BIBLIOGRAFIA

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