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quarta-feira, 9 de maio de 2018

Mapa com os mecanismos etiológicos da obesidade por Dr. Bruno Halpern



Uma das maiores autoridades (no Brasil )em Obesidade na atualidade é o Dr. Bruno Halpern, filho do Dr. Alfredo Halpern. Toda semana o Dr. Bruno posta artigos interessantes sobre o tema na sua página do facebook: https://www.facebook.com/DrBrunoHalpern/

Hoje ele postou um mapa bem interessante. A imagem é difícil de entender, mas ela é muito ilustrativa. Consiste basicamente em um “Mapa da Obesidade”, que discute a complexidade da doença, e todas suas inter-relações, tanto biológicas, psicológicas e culturais.

Quando alguém diz que emagrecer é simples, só comer menos e se mexer mais, ou que quer um remédio que “tire a fome e a vontade de comer” seria interessante que Nutrólogos e Endócrinos mostrassem essa imagem.

O interessante é que mesmo que você corte algumas das vias, sempre será possível chegar a um ponto por outras. Sendo assim, o tratamento deve ser multidisciplinar e englobar questões de mudança de estilo de vida, tanto alimentares como exercício, com medicações (quando bem indicadas), estratégias comportamentais, vigilância e assim por diante.

Desconfie de quem tem soluções simples e únicas, e desconfie de quem diz que devemos “ouvir nosso corpo”. Embora atenção plena e entender porque comemos algumas coisas é importantíssimo, para pessoas com genética favorável ao ganho de peso, ouvir os sinais do corpo de nada servirá

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Emagrecimento



A obesidade tem sido considerada por muitos o “mal do século”, e cresce a cada ano, “atacando” não só os países desenvolvidos como os países em desenvolvimento como o Brasil. Cabe a nós profissionais da saúde, em especial nós, médicos, o conhecimento e o interesse adequado para lidar com tal problema. A obesidade é geralmente definida como a condição de pesar 20% ou mais acima do seu peso ideal, como mostrado no quadro peso (Quadro 1.1). Nos Estados Unidos, cerca de um a cada cinco homens, e uma a cada três mulheres são obesos (ABESO, 2003).

No Brasil a situação tornou-se um problema de saúde pública, a qual se não for tomada atitudes drásticas o futuro promete ser sombrio.

Recentemente, o Ministério da Saúde divulgou um pesquisa que revela que quase metade da população brasileira está acima do peso. Segundo o estudo, 42,7% da população estava acima do peso no ano de 2006. Em 2011, esse número passou para 48,5%. O levantamento é da Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), e os dados foram coletados em 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal.

O estudo também revelou que o sobrepeso é maior entre os homens. 52,6% deles está acima do peso ideal. Entre as mulheres, esse valor é de 44,7%. A pesquisa também diz que o excesso de peso nos homens começa na juventude: na idade de 18 a 24 anos, 29,4% já estão acima do peso; entre 25 e 34 anos são 55%; e  entre 34 e 65 anos esse número sobe para 63%.

Já entre as mulheres, 25,4% apresentam sobrepeso entre 18 e 24 anos; 39,9% entre 25 e 34 anos; e, entre 45 e 54 anos, o valor mais que dobra, se comparando com a juventude, passando para 55,9%.


Quadro 1.1. Quadro de classificação do Índice de Massa Corporal (IMC):
18 a 25 kg / m2
Normal
25 a 30 kg / m2
Excesso de peso
30 a 40 kg / m2
Obeso
40 kg / m2
Obesidade Mórbida
(MARINS, 1998)


É importante salientar que a tabela de IMC muda de acordo com a faixa etária. Por exemplo, sobrepeso para idosos é acima de 26,9.

Segundo Fox (2000): “Obesidade refere-se à quantidade de gordura acima da média contida no corpo, que, por sua vez, depende do conteúdo lipídico de cada célula gordurosa e do número total de tais células. Contudo, a avaliação do número e do tamanho de células adiposas constitui um procedimento clínico dispendioso que também não nos diz toda a verdade”.

Logo, foram criadas diversas formas de cálculo mais simples e sem custo para se classificar alguém como obeso. Por exemplo, um IMC acima de 30 é considerado frequentemente como indicador de obesidade. Uma alta relação entre as circunferências da cintura e do quadril também é usada como indicador de excesso de peso. (MCARDLE et al., 1998)

Outra forma de se detectar e classificar excesso de peso é pelo método de dobras cutâneas, que por ser um método de baixo custo e grande funcionalidade é altamente empregado em avaliações pré-treinamento e pós-treinamento. Devido à sua grande utilização surgiram várias equações para predizer a massa gorda, dentre estas as mais utilizadas são as de Pollock (1985) e Faulkner (1973).

Quadro 1.2. Equações para predizer a massa gorda

·         Equação de Pollock para Mulheres (McArdle et al,  1998):
Dc = 1,099421 – 0,0009929 (X1) + 0,0000023 (X1)2 – 0,0001392 (X2)

Dc = Densidade Corporal; X1 = Somatório das medidas das dobras cutâneas (Tríceps, Supra-Ilíaca e Coxa);  X2 = Idade em anos
·         Equação de Pollock para Homens (McArdle et al,  1998):
Dc = 1,10938 – 0,0008267 (X1) + 0,0000016 (X1)2 – 0,0002574 (X2)

Dc = Densidade Corporal; X1 = Somatório das medidas das dobras cutâneas (Peitoral, Abdominal e Coxa); X2 = Idade em anos
Para ambos os sexos: % de Gordura = 492/Dc – 450
·         Equação de Faulkner para ambos os sexos (McArdle et al,  1998):
·         % de Gordura = S4 x 0,153 + 5,783
S4 = Somatório das medidas das pregas cutâneas (Tríceps, Subescapular, Supra-Ilíaca e Abdominal)

Após aplicação da fórmula (Pollock, 1985 ou Faulkner, 1973), a classificação poderá ser obtida através de uma tabela classificatória (Tabela I) como apresentada a seguir:
Tabela I – Tabela classificatória de percentual de gordura para homens e mulheres:

Classificação
Homens
Mulheres
Gordura essencial
1 a 5 %
3 a 8 %
Maioria dos atletas
5 a 13 %
12 a 22 %
Saúde ótima
10 a 25 %
18 a 30 %
Aptidão ótima
12 a 18 %
16 a 25 %
Obesidade limítrofe
22 a 27 %
30 a 34 %
(FOOD AND NUTRITION BOARD, 2000)


As técnicas de imagem como a tomografia computadorizada e ressonância magnética, são recomendadas como técnicas ideais disponíveis para determinação da gordura visceral (FOX, 2000). Porém, estas técnicas não estão disponíveis para a maioria das pessoas.

Na minha prática utilizo a avaliação por bioimpedanciometria.

A Bioimpedância ou Impedância Bioelétrica (BIA) é um método de análise da Composição Corporal (CC). Apesar de não ser considerado padrão-ouro para análise da CC foi considerado pelo Consenso Latino Americano de Obesidade como um método apurado para avaliação da CC. Com os dados dessa avaliação, é possível fazer o correto diagnóstico de peso corporal, avaliando se a pessoa está inchada (edemaciada ou retendo líquido) ou se é excesso de peso realmente.

Com base nesse exame, o cardápio é melhor elaborado e as metas são melhores atingidas.

Além disso o acompanhamento fica mais completo, já que o médico consegue acompanhar se a massa magra ou massa gorda aumentou/diminuiu.

Entretanto para que a análise seja feita correta, faz-se necessário seguir alguns protocolos.

Quais as vantagens da BIA ?
A BIA é um método não invasivo, rápido, com boa sensibilidade, indolor, usado para avaliar a CC, baseado na passagem de uma corrente elétrica (totalmente indolor) de baixa amplitude (500 a 800 mA) e de alta freqüência (50 kHz), e que permite mensurar os componentes resistência (R), reatância (Xc), impedância (Z) e ângulo de fase. Termos difíceis para um leigo, mas resumindo, de posse destes parâmetros o aparelho consegue calcular:

  1. A Real % Gordura Corporal e  o Peso Gordura
  2. A % de massa magra e Peso da massa magra corporal
  3. O peso total
  4. A % Água Corporal
  5. Taxa Metabólica Basal (TMB) – quanto você gasta em calorias por dia para manter-se vivo e em repouso.
  6. O Índice de Massa Corporal (IMC)

Como se faz a BIA ?
Existe um protocolo sugerido por pesquisadores o qual a marca InBody preconiza como fundamental para uma análise correta da CC.

  1. Suspender o uso de medicamentos diuréticos de 24 horas a 7 dias antes do teste
  2. Estar em jejum de pelo menos 4 horas
  3. Estar em abstinência alcoólica por 48 horas
  4. Evitar o consumo de cafeína ou qualquer termogênico (chá-verde, chá-mate, coca-cola, guaraná em pó, chocolate) 24 horas antes do teste
  5. Estar fora do período pré menstrual e menstrual
  6. Não ter praticado atividade física nas últimas 24 horas
  7. Ter bebido pelo menos 2 litros de água nas últimas 24 horas
  8. Urinar pelo menos 30 minutos antes da medida
  9. Permanecer pelo menos 5 -10 minutos de repouso absoluto em posição de decúbito dorsal antes de efetuar a medida
Durante o exame, como já dito acima, uma corrente elétrica passa pelo corpo através de dois pares de eletrodos (adesivos) colocados na mão e no pé direito. O exame é totalmente indolor. Quanto maior é o percentual de gordura, maior é a dificuldade para a corrente elétrica atravessar o corpo.

Existe alguma contra-indicação para realizar a BIA ?
Contra-Indicação absoluta para a realização do teste: portadores de marcapasso e gestantes.

Por que utilizar a BIA no emagrecimento ou quando se quer ganhar massa magra ?
A grande vantagem da BIA é nos processos de emagrecimento. Hoje ja se sabe que perda de peso não é sinônimo de emagrecimento, muitas vezes o paciente perde massa gorda (gordura), ganha massa magra e o peso não altera na balança (as vezes até aumenta). Com a análise pela BIA as chances de uma interpretação errônea é menor. Um outro exemplo é quando o paciente apresenta alto IMC, não se acha tão gordo e aí a BIA evidencia que há uma grande % de massa magra, sendo assim a quantidade de gordura a ser perdida não é a que era estimada de acordo com o IMC.

Considerações importantes sobre a BIA
Além de seguir o correto protocolo, faz-se necessário que o aparelho seja de boa qualidade e esteja calibrado. No Brasil a Ottoboni é representante da maior marca de BIA do mundo, a InBody. Portanto os aparelhos InBody possuem validação científica, sendo chancelados pelas maiores Instituições do Brasil, como a Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) e GANEP.

Qualquer aparelho de BIA é fidedigno para análise da CC ?
Não. Quanto maior a tecnologia (número de polos, segmentos e frequências) melhor a acurácia do teste. Nosso aparelho é da marca InBody, tetrapolar, multisegmentar, multifrequencial. O exame dura cerca de 10 minutos e o resultado é impresso na hora.




Para mim como médico, o problema central da obesidade consiste em uma disfunção catabólica (dificuldade do organismo em queimar as reservas calóricas), por bloqueio oxidativo de enzimas fundamentais ao catabolismo. Sendo que esse bloqueio pode ser por inúmeros fatores, desde dietéticos até ambientais.

Na maioria das vezes a quantidade calórica exagerada leva à obesidade, porém em alguns pacientes essa ingestão é normal e mesmo assim o paciente está obeso. Inúmeros fatores podem está envolvidos e somente o médico está apto a diagnosticar isso, ja que na maioria das vezes faz-se necessário solicitar exames que somente médicos podem realizar.

Os itens abaixo podem facilitar o ganho de peso ou redução da taxa metabólica basal.
1)      Disbiose intestinal: Nosso intestino é repleto de bactérias “Boas” e bactérias “Ruins”. Quando o número de bactérias ruins se sobrepõe ao número de boas, surge uma condição chamada disbiose intestinal. Estudos recentes têm evidenciando que o intestino de pacientes obesos possui um perfil de bactérias diferente (firmicutes) do intestino dos pacientes magros (bacterioidetes). Por exemplo, o intestino no gordo possui mais bactérias que diminuem o metabolismo e que favorece a absorção de mais nutrientes, além de influenciar a nível cerebral, na escolha do tipo de alimento a ser ingerido. Portanto em todo tratamento médico sério é fundamental a adoção de medidas dietético-higiênicas que diminuam essa disbiose. A maneira mais eficaz de se tratar é com antibióticos (infelizmente é o que tem dado resultado segundo a maioria dos trabalhos) em ciclo curto e posteriormente recolonização com uso de cepas variadas por um período prolongado. É importante salientar que mesmo em ciclos curtos, o uso de antibióticos é capaz de alterar a flora intestinal e a mesma ser recomposta somente após 2 anos. 
2)      Hipotireoidismo (na verdade o hipotireoidismo apenas promove uma retenção hídrica, ou seja, ninguém engorda devido o hipotireoidismo), porém pode promover uma queda do gasto energético de repouso. A avaliação médica com dosagem do TSH, T4 livre, T3 livre é crucial. Se o TSH estiver alto mesmo com uso de levotiroxina, o endocrinologista deve aumentar a dose, a fim de manter o TSH nos níveis adequados. Com isso reestabelecer o metabolismo do paciente.
3)      Insônia: As pesquisas revelam que indivíduos que dormem poucas horas por noite apresentam redução nos níveis de leptina (hormônio que favorece a saciedade e o gasto energético) e um acréscimo similar na concentração de grelina (hormônio que favorece a compulsão principalmente por carboidratos e alimentos gordurosos). Além disso, a insônia favorece uma diminuição do hormônio do crescimento (este, sabidamente diminui massa gorda e favorece aumento da massa magra) e diminuição dos pulsos do LH, o hormônio que estimula a produção de testosterona. O déficit de testosterona (muitíssimo comum em homens obesos) favorece o ganho de gordura abdominal. 
4)      Aumento do cortisol sanguíneo: O cortisol tem múltiplas funções, dentre elas auxilia na manutenção dos níveis glicêmicos e controle da pressão arterial. Quando em excesso poderá favorecer o ganho de peso. Mas afinal, que situações podem desencadear maior liberação do cortisol ? O que ativa esta liberação são estressores como poluentes, alimentação rica em gordura saturada ou trans, excesso de sódio, adoçantes, o jejum prolongado (ficar horas sem comer alguma coisa), a ansiedade, a apreensão, o nervosismo, medicamentos (corticóides), alcoolismo dentre outro."O estresse leva ao aumento do hormônio cortisol, que facilita a diferenciação de células gordurosas (aumento do número de células gordurosas), aumenta a formação de gordura (entrada de triglicérides no adipócito - célula de gordura), dificulta o emagrecimento.Além disso ocorre um desequilíbrio na massa magra pois uma das ações do cortisol é a utilização da massa magra (degradação das proteínas) e com isso alteração do metabolismo basal, fraqueza muscular.
5)      Déficit de minerais que fazem parte do metabolismo de carboidratos e lipídios: vitaminas do complexo B, Cromo, Vanádio, Biotina, Zinco, Magnésio, Selênio.

Índice fitoquímico e intolerância alimentar

Frequentemente atendemos pacientes que possuem a mesma ingestão calórica, porém, um engorda e o outro não. Portanto dentro dos preceitos ortomoleculares não se conta calorias, assim como nutricionistas funcionais. Os pacientes são diferentes entre si, receberam nutrientes diferentes no período intra-útero e infância, gerando metabolismos diferentes entre si. 

Há ainda a questão do tipo de alimento ingerido. Sabe-se que há diferença entre comer 300 calorias de uma barra de chocolate amargo e 300 calorias em um hambúrguer. A diferença é a quantidade de fitoquímicos que irão regular o funcionamento das células, no caso da barra de chocolate que possui estes fitoquímicos, fazendo com as calorias sejam gastas nas mitocôndrias, diferente do hambúrguer, que as calorias serão estocadas. Hoje chamamos isso de índice fitoquímico da dieta. A ciência vem mostrando que quando 40% das calorias de uma dieta provêm de alimento rico em fitoquímicos, não precisamos fazer dieta de restrição, nem regime de emagrecimento, basta trocar a qualidade dos alimentos, para aqueles ricos em fitoquímicos, que se consegue manter a perda de peso e manter o peso perdido.

Uma dieta com alimentos pró-oxidantes ou já oxidados favorece um maior armazenamento de gordura. Ou seja, para nós, o mais importante é a qualidade dos alimentos ingeridos, e não o seu valor calórico. Deve haver uma mudança qualitativa na dieta, sem grandes privações (passar fome), para obtenção de perda progressiva e eficaz do excesso de peso.

A compulsão por determinado alimento é sintoma de intolerância alimentar, ou seja, o paciente é, organicamente, intolerante ao alimento de que mais gosta de consumir o que leva ao aumento de peso por gerar um processo inflamatório no intestino e sistemicamente. Hoje já se sabe que estados inflamatórios podem favorecer o ganho de peso dependendo do tipo de mediadores químicos presentes. No caso das intolerâncias alimentares e compulsão pelo alimento intolerante, o mecanismo não está bem estabelecido, mas acredita-se que durante a liberação de substâncias “alérgicas” como, por exemplo, a histamina, ocorra também liberação de Serotonina, gerando prazer no paciente e perpetuando essa compulsão alimentar.

Gordura marrom

A dieta ocidental, rica em alimentos refinados, leva a uma grande produção e estoque da gordura clara (branca), com pouca concentração de mitocôndrias, que são os grandes produtores de energia nas células.  

Quando nascemos, para mantermos um equilíbrio na temperatura corporal (nos mantermos aquecidos já que perdemos calor facilmente) somos dotados de uma gordura denominada de marrom, devido a sua coloração.

A gordura marrom é rica em mitocôndrias, provoca maior atividade metabólica, queimando as calorias e impedindo seu acúmulo sob a forma de gordura. Após adultos continuamos tendo gordura marrom, porém em quantidade menor. Porém há indivíduos que possuem mais e isso pode explicar os casos em que paciente tem alta ingestão de comida e mesmo assim não engorda. Hoje a medicina ja conhecer algumas táticas para aumentar a quantidade de gordura marrom.

Obesidade como doença multifatorial

Abaixo alguma das possíveis causas de Obesidade, só para compreendermos como o problema é muito mais complexo do que a maioria dos nossos pacientes imaginam.

Causas 1
Causas 2
Alimentação inadequada
Alto consumo de comida industrializada
Muita gordura na dieta 
Muito açúcar na dieta
Bebidas açucaradas
Sobremesas
Restaurantes Fast food
Comer fora em geral
Alto custo de comida saudável 
Pouca atividade física 
Automóvel 
Falta de calçadas para se caminhar
Diminuição de atividade física no trabalho 
Baixa renda
Alta renda
Economia
Poluição
Flora intestinal
Genética 
Epigenética
Problemas endocrinológicos
Medicamentos
Temperatura ambiente
Problemas do sono
Distúrbios intra-uterinos
Casamento consangüíneo
Vírus 
Idade mais avançada de maternidade 
Mães que trabalham fora
Pais que trabalham muito
Mães solteiras
Ganho de peso na gestação 
Diabetes gestacional

Causas 3
Causas 4
Ajuda financeira do governo (bolsa família etc)
Lares com 3 gerações 
Tabagismo materno
Ganho de peso rápido na infância 
Falta ou pouco aleitamento materno
Relacionamento mãe-filho ruim 
Maus tratos na infância ( negligência, abuso físico, abuso sexual)
Problemas comportamentais crônicos na infância 
Depressão 
Problemas respiratórios 
Incapacidade física 
Incapacidade mental
Subsídios agrícolas
Superprodução de grãos 
Publicidade de alimentos para crianças 
Globalização 
Industrialização 
Urbanização 
Facilidade no transporte
Aumento da renda per capita e do PIB
Melhor fornecimento de água 
Melhoria no saneamento básico 
Baixo nível educacional dos pais
Uso exagerado de TV e computador 

Causas 5
Causas 6
Termogênese não relacionada a atividade física 
Inflamação crônica 
Relacionamentos sociais
Parar de fumar
Estresse
Equipamentos domésticos 
Problemas na tireóide 

Ir para escola particular 
Não comer no café da manhã
Beliscar
Massas
Chocolate 
Conflitos familiares
Baixa taxa de obesidade entre gays e homens bissexuais
Alta taxa de obesidade entre lésbicas e mulheres bissexuais 
Imigrante latino nos EUA
Mulher presa nos EUA
Ter feito amigdalectomia
Deixar a luz acesa à noite 
Exposição pré-natal a desastres naturais

Foi criada uma teoria chamada de “Teoria do Set-Point” que defende um ponto de equilíbrio quanto ao peso corporal. Explicando o porquê pessoas submetidas a regimes de restrição calórica retornam ao seu peso quando a dieta é interrompida. Essa teoria mostra que uma subalimentação reduz a taxa metabólica basal, a termogênese induzida pela dieta e a atividade física voluntária. Este conjunto de fatores faz com que a restrição alimentar não gere o equilíbrio energético negativo necessário para manter a redução ponderal. Tais regulações são promovidas pelo hipotálamo, comprovando experiências conduzidas por Kessey que defende a existência de um ponto de equilíbrio ponderal (POLLOCK, 1993).

Mas porque combater a obesidade?

Admite-se que em breve a obesidade acabará ultrapassando o fumo como causa de morte nos Estados Unidos. Segundo Pollock (1993), os riscos específicos da obesidade para saúde incluem:

  1. Função cardíaca deteriorada como resultado de um maior trabalho mecânico e da disfunção autônoma e ventricular esquerda;
  2. Hipertensão e acidente vascular cerebral;
  3. Diabetes mellitus com início da vida adulta, pois cerca de 80% desses pacientes são obesos;
  4. Doença Renal crônica devido à associação com hipertensão arterial;
  5. Doença pulmonar como resultado do maior esforço necessário para movimentar a parede torácica ou apnéia obstrutiva do sono;
  6. Alterações farmacodinâmicas de algumas drogas, principalmente anestésicos, devido à lipossolubilidade;
  7. Osteoartrite, doença articular degenerativa e gota;
  8. Vários tipos de câncer;
  9. Níveis plasmáticos anormais de lipídeos e lipoproteínas;
  10. Irregularidades menstruais;
  11. Alterações psicológicas.
Abordagem da obesidade

Inicialmente sugiro para os meus pacientes, o que denomino de quatro passos para iniciar o processo de emagrecimento.

1) Aceitação
- Estou gordo e preciso emagrecer
- Reconhecer a obesidade
- Reconhecer os malefícios e futuras consequências caso a obesidade não seja tratada
- Compreender que a questão estética é o de menos nesse jogo.
- No caso dos comedores compulsivos recomendo que procurem grupos de Comedores Compulsivos anônimos (CCAs) http://www.comedorescompulsivos.org.br/

2) Encontrar os passos:
O primeiro já foi dado, que foi procurar o auxílio médico. Montaremos então uma estratégia de mudanças. Estas mudanças serão a médio e longo prazo, e deverão se adequar às necessidades do paciente.
Nesse momento discutimos inúmeros fatores que estão envolvidos no processo e até que ponto o paciente irá aceitar as sugestões, como por exemplo:
Quer parar de comer o que gosta? O quanto vai comer?  Quantidade ou qualidade? Quer se sujeitar a praticar atividade física?

Explico a matemática da comida, mas saliento que diferente da matemática, ela não é tão exata. Nem sempre o que entra (comida) e o que se gasta (atividade física) gera eliminação de gordura. Na maioria das vezes isso pode acontecer, mas até quando a pessoa conseguirá sustentar esse processo? O diferencial aqui será a qualidade do alimento, já que estudos atuais evidenciam que a qualidade dos nutrientes pode influenciar diretamente no metabolismo.

O tipo de atividade física é de importância crucial e para isso temos como ferramenta a calorimetria indireta (exame que mostra a taxa metabólica de repouso) e a ergoespirometria (exame que mostra em qual zona de frequência cardíaca o paciente inicia a queima de gordura). A ergoespirometria só deve ser realizada por médicos. A interpretação é feita por médico especializado na área. É uma ferramente primordial, pois assim o médico pode direcionar o melhor treinamento. 

3) Salientar que o processo é como se preparar para uma maratona. Se não tiver planejamento, com disciplina e determinação, a vontade pode ser grande, mas o resultado esperado não acontece. Ou seja, deixamos claro pro paciente que não adianta:
1 - aceitar o problema
2 - pensar positivo
3 - tratar emoções
Mas CONTINUAR comendo desregradamente, vida sedentária e acreditar que irá emagrecer. Não irá. 

4) Tratar as emoções, portanto quase sempre é imprescindível a presença de um psiquiatra ou psicólogo no processo.  Trabalhar as emoções que paralisam, amedrontam, faz fugir de si mesmo e descarregar no corpo. 
Resolver os bloqueios emocionais é de suma importância para eliminar os quilos a mais.
1 - Ser vítima não ajuda
2 - Fugir das responsabilidades, não ajuda.
3 - Tem que ter coragem para agir e ser feliz. Se a coragem não aparecer, aí tem que buscá-la dentro de si. Porque ela existe. Coragem pra tampar o sentimento indesejável com alimento existe, mas pra mudar não há?

As 5 alterações químicas cerebrais que mais detectamos na anamnese:
  1. Comedor compulsivo (vício, come desesperadamente na tentativa de sentir-se bem) - geralmente apresenta serotonina baixa e aumento da atividade do cérebro antigo (período paleolítico), compulsão por carboidrato principalmente no final da tarde: respondem bem à sibutramina, 5HTP, dieta rica em triptofano.
  2. Comedor impulsivo (não controla o impulso, ele não se controla pra começar a "comilança") -  geralmente apresenta baixa de dopamina, e na nossa anamnese apresenta o teste de checagem de hipoatividade do lobo pré-frontal positivo. Os alimentos prediletos são: chocolate, cafeína. Tem uma sensação de recompensa após a "comilança". Respondem bem a Bupropiona com naltrexona, Topiramato, Mucuna, Tirosina, DHA, Camelia, L-PEA, dieta low carb.
  3. Comer impulsivo/compulsivo - É uma mistura dos dois: tratamento mais complexo, aminoacidoterapia na qual os aminoácidos prescritos têm posologias diferentes ou medicações.
  4. Comedor ansioso (expectativa constante do futuro) - Geralmente apresenta baixa de GABA e responde bem aos precursores do mesmo. Além da utilização de inibidores seletivos da recaptação de serotonina.
  5. Comedor do estresse - Geralmente apresenta uma elevação do cortisol, sendo que este pode dificultar a queima de gordura e favorecer a diferenciação das células de gordura (adipócitos). Tratamento visando redução do cortisol, com medidas higiênico-dietéticas além de atividade física.
Abordagem nutricional e medicamentosa

A grande maioria dos pacientes infelizmente vão precisar de fármacos antiobesidade. Os estudos mostram que apenas 10% dos que perdem peso com atividade física e dieta conseguem manter o peso eliminado após 2 anos. .

Na minha abordagem, opto por inicialmente utilizarmos elementos naturais (sem efeitos adversos) que:
1) Estimulam a produção da gordura marrom e aumentando o consumo energético (aumento do metabolismo). Usamos alimentos e suplementos termogênicos
2) Tratamento da irritabilidade, ansiedade ou depressão já que estes podem ser gatilhos para um maior consumo de alimentos ou favorecem a diminuição da prática de atividade física. Utilizamos alimentos e suplementos.
3) Alimentos e fitoquímicos com finalidade de reduzir a ingestão de comida e promoção de maior saciedade.

Quando apenas a utilização de elementos naturais não funciona, faz-se necessário a instituição de terapia medicamentosa antiobesidade. Falo isso abertamente pois os maiores especialistas na área deixam isso muito claro. Uma pequena parcela de pacientes consegue emagrecer definitivamente e manter o peso adequado, apenas com dieta e atividade física.

Existe um estigma que ronda o tratamento medicamentoso da obesidade. Isso é fruto da ignorância de vários profissionais, em especial nutricionistas e profissionais da educação física. Quem estuda a fundo obesidade, sabe que a terapia medicamentosa, utilizada de forma racional tem papel crucial no tratamento. São inúmeras medicações que podem auxiliar. Somente após anamnese, que o médico saberá escolher qual a medicação mais adequada.

As principais medicações são:
  1. femproporex (venda suspensa no Brasil, em processo de liberação) 
  2. anfepramona (venda suspensa no Brasil, em processo de liberação) 
  3. mazindol (venda suspensa no Brasil, em processo de liberação) 
  4. sibutramina,
  5. naltrexona com bupropiona (off-label no Brasil, mas ja liberado no USA para uso em obesidade)
  6. victoza (off-label no Brasil, mas ja liberado no USA para uso em obesidade)
  7. metformina (off-label)
  8. fluoxetina
  9. sertralina
  10. fentermine
  11. topiramato (off-label no Brasil, mas ja liberado no USA para uso em obesidade)
  12. lisdexanfetamine
  13. SGLT2:  inibidores do co-transportador de sódio e glicose 2
  14. liraglutida 
A sibutramina pode ser eficaz em alguns pacientes, mas há riscos em alguns grupos de pacientes. Geralmente não prescrevo. 

Naltrexona com bupropiona é uma combinação excelente, sem muitos efeitos colaterais, com boa tolerabilidade. Tenho boa experiência com os pacientes.

Victoza/Liraglutida é umaexcelente medicação, o problema é o custo.

Metformina é uma medicação muito segura, com inúmeros estudos e geralmente utilizada para melhorar a captação de glicose e com isso reduzir o excesso de insulina, muito comum em indivíduos obesos. Tenho uma boa experiência com seu uso. Medicação que o governo fornece de graça. Seu uso em obesidade é considerado off-label.

Fluoxetina e sertralina são antidepressivos com ação ansiolítica e de excelente escolha nos pacientes portadores de compulsão alimentar. Tenho boa experiência com ambos. São drogas seguras, utilizadas há quase 3 década, com poucos efeitos colaterais. Preço acessível. 

Fentermine, é um derivado anfetamínico, ainda não disponível no Brasil. 

Topiramato é uma droga anticonvulsivante, que posteriormente foi utilizada para enxaqueca. Tem uma potente ação ansiolítica e reduz a fome. É a medicação de escolha nos casos de compulsão alimentar. Talvez seja a droga que eu mais utilizo no ambulatório de Nutrologia no SUS, pelo preço acessível. 

Lisdexanfetamina é uma medicação utilizada pra deficit de atenção e que alguns pesquisadores perceberam que suprimia o apetite. Não tenho experiência. O FDA liberou seu uso para casos de compulsão alimentar.

SGLT2 são inibidores do co-transportador de sódio e glicose 2, a indicação formal é em diabetes, porém perceberam que em doses maiores, pode favorecer o emagrecimento, por eliminar cerca de 70g/dia de carboidratos, o que gera um deficit calórico de 280kcal. Seu uso em obesidade é off-label.

Além disso, é imprescindível:
1) Beber água (35ml/kg/dia),
2) Dormir bem (8 horas de sono toda noite em ambiente adequado), sendo que se o paciente apresentar ronco, é imprescindível a realização de uma polissonografia para estratificar o numero de apnéias durante o sono. Muitas vezes faz-se necessário utilizar dispositivo para evitar a apnéia. 
3) Correção de deficiências nutricionais ou presença de metais tóxicos 
4) Melhora dos mecanismos de "desintoxicação" do organismo (o que denominamos de suporte hepático e intestinal), 
5) Acompanhamento nutricional é imprescindível, até mais que a própria prática de atividade física (ou seja, em processo de emagrecimento: 30%se deve à prática de exercícios, 70% à dieta seguida).
6) Prática regular de atividade física com acompanhamento de profissional habilitado, que respeite acima de tudo seus limites. Se possuir alguma patologia osteomuscular (ex. hérnia de disco, artrose, artrite reumatóide), cardiopulmonar, endócrina (diabetes) faça antes uma consulta com o especialista na área e sempre procure educadores físicos com experiência em grupos especiais. Muitas vezes o barato sai muito caro. 

Métodos que condeno
  1. hCG
  2. Uso de GH para emagrecimento
  3. Uso de testosterona para emagrecimento
  4. Uso de termogênicos
  5. Dietas altamente restritivas
  6. Cirurgia bariátrica sem ao menos tentar os métodos clínicos por no mínimo 2 anos e sem IMC acima de 35. 

Dr. Frederico Lobo (CRM-GO 13192 / RQE 11915)
Médico, clínico geral e nutrólogo. 

terça-feira, 31 de março de 2015

A nutrição e sua importância nos primeiro 1.000 dias de vida da criança - Dra. Christiane Araujo Chaves Leite

Os primeiros 1.000 dias entre a gravidez e o segundo ano de vida oferecem uma janela de oportunidade única para proporcionar à criança um futuro mais saudável e próspero. O correto manejo nutricional durante os primeiros 1.000 dias pode ter um profundo impacto no crescimento e na aprendizagem, oferecendo também chances para melhora do padrão de vida social e para a construção de uma sociedade mais saudável, a longo prazo, e estável.

Ainda hoje a desnutrição lidera as causas de morte de crianças mais jovens em vários locais do mundo. Para lactentes e crianças abaixo de 2 anos, as consequências da desnutrição são particularmente graves, quase sempre irreversíveis, com repercussões na idade adulta.
Durante a gravidez, a desnutrição pode ter um péssimo impacto no crescimento saudável do feto e no desenvolvimento da criança. Bebês que se desnutrem durante a vida intrauterina têm um maior risco de morrer na infância e são mais propensos a enfrentar, ao longo da vida, déficits cognitivos e físicos e problemas crônicos de saúde.

Para crianças menores de 2 anos, a desnutrição pode ser devastadora, repercutindo sobre o sistema imunológico e susceptibilizando-as a morrer de doenças comuns como pneumonia, diarreia e malária.
Lactentes nascidos de baixo peso (BP) têm piores resultados quanto ao desenvolvimento neurológico (habilidades cognitivas, de memória, visuais e média de quociente de inteligência [QI]) quando comparados com aqueles nascidos com peso adequado para a idade gestacional. O período perinatal é de alta necessidade energética e de micronutrientes, e qualquer processo, como nascimento prematuro, nutrição inadequada ou insuficiência placentária, que interrompa o fluxo de nutrientes para o feto pode resultar em bebês com BP ao nascimento. Portanto, parece lógico que ao menos parte dos déficits cognitivos possa ser explicada por privação nutricional.

Os nutrientes comumente deficientes em lactentes de BP incluem proteína e energia e micronutrientes como ferro, zinco e ácidos graxos poli-insaturados de cadeia longa (LC-PUFAs).
Estratégias para melhorar o desenvolvimento neurológico de crianças nascidas de BP são importantes, e muitas intervenções tiveram foco na abordagem nutricional aplicada durante o período após o nascimento. O acúmulo expressivo, no cérebro, dos LC-PUFAs (ácido docosa-hexaenoico [DHA] e ácido araquidônico [ARA]) ocorre principalmente no último trimestre de gestação e nos primeiros meses de vida.

A maioria das fórmulas para prematuros tem sido suplementada com LC-PUFAs desde o princípio dos anos 2000. De maior relevância clínica há dois ensaios recentes com doses de DHA que refletem a taxa estimada de acúmulo na vida intrauterina. Esses ensaios também incluíram lactentes alimentados com leite materno. Ambos descreveram progressos no desenvolvimento neurológico.
Pelas revisões recentes da literatura e das recomendações de expertos acerca da adição de LC-PUFAs às fórmulas infantis, conclui-se que as evidências atuais respaldam a suplementação de DHA e ARA nessas fórmulas, em especial nas destinadas a prematuros.

Estudo prospectivo, randomizado, duplo-cego, placebo-controlado e de intervenção (suplementação de leite humano com DHA e ARA), com seguimento até os 20 meses de idade, não resultou em diferença no índice de desenvolvimento mental de Bayley (MDI). No entanto, identificou melhora significante na atenção sustentada em atividades lúdicas livres.

Recém-nascidos de BP apresentam déficits cognitivos documentados em comparação com aqueles nascidos a termo e com peso normal ao nascimento. Poucos estudos demonstraram o impacto da privação nutricional nesse desfecho, muito provavelmente porque envolveram amostras pequenas ou apresentaram problemas metodológicos, limitando a possibilidade de extrair conclusões robustas. Estudos maiores e ensaios de intervenção mais bem desenhados, com seguimento a longo prazo do desenvolvimento neurológico e suas repercussões, são necessários para determinar a utilidade dos suplementos nutricionais e o tempo de sua administração a recém-nascidos de baixo peso.

Veja mais detalhes em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/m/pubmed/20624152/.

Artigo de referência: Attention among very low birth weight infants following early supplementation with docosahexaenoic and arachidonic acid. Westerberg AC, Schei R, Henriksen C, Smith L, Veierød MB, Drevon CA, Iversen PO. Acta Paediatr. 2011 Jan;100(1):47-52

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Estudo liga transtorno no paladar à obesidade e à anorexia infantis

Transtornos no paladar podem contribuir significativamente para a obesidade infantil ou, no outro extremo, para a anorexia, segundo sugere um estudo feito por cientistas australianos.

Embora não seja a totalidade de crianças obesas que apresentam transtornos gustativos, "haveria uma porcentagem razoável de crianças que são obesas ou anoréxicas por uma mudança no paladar derivada de diversas doenças e remédios", disse o neuropsicólogo David Laing, da Universidade de Nova Gales do Sul, coautor do estudo divulgado na publicação especializada "Acta Paediatrica".

Laing e seus colegas descobriram que uma em cada dez crianças australianas entre 8 e 12 anos é incapaz de saborear adequadamente sua comida. Esta taxa aumenta para 12% entre os aborígines, segundo o estudo realizado com 432 alunos de diversas escolas públicas.

O ser humano normalmente pode identificar pelo menos cinco sabores: doce, azedo, amargo, salgado e umami (similar ao agridoce). Mas quando uma pessoa sofre de um transtorno gustativo e é incapaz de detectar um ou mais sabores, seus hábitos alimentares mudam devido ao fato de que os sabores das comidas se tornam desagradáveis. Por isso, "na maioria dos casos, e até onde se conhece, a pessoa fica ou muito obesa ou anoréxica", explicou Laing.

"Os efeitos da perda do paladar nos hábitos alimentares e na saúde das crianças a longo prazo ainda são desconhecidos e por isso é preciso que sejam feitas mais pesquisas para analisar os comportamentos de suas dietas", acrescentou o cientista australiano.

Fonte: http://www.hebron.com.br/

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Estudos relacionam obesidade a flora intestinal "ruim"

Os cientistas estão, nos últimos anos, começando a entender como vivem os trilhões de seres que há no intestino de cada ser humano. Ainda que seja você quem come chocolate todos os dias, uma flora intestinal que não ajuda pode ser a culpada pelos seus pneuzinhos, dizem os pesquisadores.

Em 2006, um estudo na "Nature" mostrou que gordos tinham um tipo diferente de flora intestinal. Não se sabia bem se a obesidade era causa ou consequência.

Três anos depois, um pesquisador americano, Jeffrey Gordon, da Universidade Washington, propôs na "Science Translational Medicine" que engordar era consequência. Ele dizia que as pessoas deveriam saber que tipo de bactérias há em seu intestino para saber se eram vulneráveis à obesidade.

Agora, um outro trabalho na "Nature" mostra que existem três diferentes tipos de flora intestinal. Do mesmo jeito que cada ser humano tem um tipo sanguíneo, todos tem um "tipo intestinal".

Cada um representa um tipo de bactéria diferente que predomina no intestino. Assim, ao menos por enquanto, esses tipos não tem nomes fáceis como "O positivo" ou "A negativo", mas "predominância de Bacteroides" ou "predominância de Prevotella".

Ficou claro para os pesquisadores que o tipo intestinal nada tem a ver com com a etnia do indivíduo, com o seu país de origem ou com a sua maneira de se alimentar.

Como cada bactéria tem uma eficiência diferente na hora de extrair energia dos alimentos, é possível que aquele amigo que come feito quem nunca viu comida e continua magro tenha tido a sorte de nascer com o tipo de flora intestinal certa.

Os cientistas, de várias instituições europeias (com colaboração da Universidade Federal de Minas Gerais), não conseguiram, porém, apontar qual das três floras intestinais é de gordinho e qual é de "magro de ruim". Estudaram bactérias de europeus, americanos e japoneses.

Era um grupo de poucas dezenas de pessoas. Os cientistas estão planejando repetir o trabalho agora com 400.

Mesmo que eles consigam novos resultados, certamente o tipo intestinal não será a única explicação para a obesidade. Outros fatores, como a alimentação e questões genéticas não relacionados ao intestino, certamente têm um peso grande.

De qualquer forma, não é possível subestimar o papel das bactérias no organismo humano.

Elas são muitas: enquanto o corpo humano tem cerca de 10 trilhões de células, cada pessoa carrega consigo mais de 300 trilhões de bactérias de todos os tipos.

Ou seja: há bem mais células de bactérias em você do que células de você mesmo.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/905599-estudos-relacionam-obesidade-a-flora-intestinal-ruim.shtml

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Novos dados da obesidade no mundo. Fica uma pergunta no ar

Na primeira semana de fevereiro saiu os resultados do último grande estudo sobre obesidade no mundo. Somos meio bilhão de adultos obesos acima de 20 anos, um em cada 10 adultos. Isso significa que a proporção de obesos dobrou nos últimos 30 anos.

Os números são de uma pesquisa publicada na última semana na revista científica The Lancet, baseada em dados epidemiológicos de vários países que incluem mais de 9 milhões de participantes. Ao mesmo tempo, um dado curioso chamou a atenção dos pesquisadores em outros dois estudos: a queda dos índices de hipertensão arterial e de colesterol nos países desenvolvidos nesse mesmo período.

O estudo foi realizado por pesquisadores americanos, ingleses e suíços e revela que em 2008 mais de uma pessoa em cada dez, na população mundial adulta, já era obesa, com maior porcentagem entre as mulheres. Entre os países ricos, os Estados Unidos aparecem em primeiro lugar, desde 1980, na taxa de obesidade, enquanto a população japonesa se mostra como a menos afetada pelo problema. O Brasil está na 19ª posição no ranking mundial de obesidade masculina e na 15ª posição na obesidade feminina.

Esses dados nos levam a uma análise crítica da nossa metodologia e de nosso arsenal de tratamento da obesidade. Estamos perdendo a guerra contra esse mal, que responde pela grande incidência paralela de diabetes e elevadas taxas de mortalidade potencialmente evitáveis no mundo.

O que poderia explicar o sucesso na redução das taxas de colesterol e pressão arterial e o fracasso na redução do peso das pessoas? Obesidade, colesterol e hipertensão arterial são doenças crônicas muito semelhantes em suas causas e consequências. Todas associadas a estilos de vida inadequados com sedentarismo, stress e erros alimentares. Todas dependem de reeducação alimentar, atividade física e medicamentos. Então, com tantas semelhanças, o que poderia explicar o avanço da obesidade no mundo, tendo em vista a redução das duas outras doenças?

Fonte: http://comersemculpa.blog.uol.com.br/arch2011-02-01_2011-02-15.html#2011_02-11_08_46_25-142670378-0?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

sábado, 18 de setembro de 2010

Ômega 3 e Ômega 9 auxiliam no tratamento da Obesidade


Pesquisadores revelam propriedades terapêuticas de gorduras insaturadas:  Dieta rica em ômegas-3 e 9 interrompe e reverte processo inflamatório que causa a perda do controle da fome

Pesquisa realizada no Laboratório de Sinalização Celular (Labsincel) da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp revela como a ação dos ácidos graxos insaturados ômega-3 e ômega-9, presentes respectivamente na semente de linhaça e no azeite de oliva, é capaz não apenas de interromper como também reverter o processo inflamatório causado por dietas ricas em gorduras saturadas numa região do cérebro chamada hipotálamo, responsável pelo controle da fome e do gasto energético, que ocasiona a perda deste controle neural e abre espaço para o desenvolvimento da obesidade.

O estudo revelou ainda, em descrição inédita na literatura, que o ômega-9, ao contrário do que se sabia até o momento, é mais potente em reverter essas condições do que o ômega-3, reconhecido como um clássico anti-inflamatório. A pesquisa, que acaba de ganhar o primeiro lugar no Prêmio Henri Nestlé, certame nacional de grande impacto na área da nutrição, foi realizada por Dennys Esper Cintra, da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) da Unicamp em Limeira, e por Lício Velloso, da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, coordenador do Labsincel.

Estudos recentes mostram que dietas ricas em gorduras saturadas – como as presentes nas carnes bovina e suína, e em seus derivados como leite, queijos e manteiga – lesionam o hipotálamo ao darem início a um tipo de inflamação local que acaba influenciando em seu funcionamento. Esse processo inflamatório, quando prolongado, pode causar a morte de neurônios e, consequentemente, a perda deste controle neural. Uma vez inflamado, o hipotálamo perde parte de suas funções, ao ter reduzida a sua capacidade de “percepção” entre o momento de sinalizar para o organismo a estocagem ou a queima de energia.

Pesquisas anteriores do grupo haviam revelado que tal inflamação é desencadeada por um receptor do sistema imune denominado Toll-Like Receptor 4 (TLR4). Este receptor é capaz de reconhecer uma substância presente na parede celular de bactérias, e, quando ativado, produz citocinas que causam inflamação. Demonstrou-se que essa substância presente na parede de bactérias também está presente nos alimentos ricos em gorduras saturadas. Quando consumidas em larga escala, como é o caso das dietas ocidentais, essas grandes quantidades de gordura são capazes de sensibilizar esses receptores, simulando uma infecção.

“Isso ocorre por todo o organismo, mas quando essas gorduras encontram esses receptores no hipotálamo, o estrago pode ser maior, pois é ali que se encontra a caixa-preta do nosso balanço energético” diz o pesquisador. Logo, algumas pessoas, quando expostas a dietas hipercalóricas, perdem gradativamente o controle da fome e passam a consumir mais calorias do que gastam, tornando-se obesas com o decorrer do tempo.
Os ensaios nutrigenômicos realizados por Cintra em modelos experimentais comparou a ação dos ácidos graxos insaturados ômega-3 e ômega-9 no hipotálamo de camundongos obesos e diabéticos e demonstrou que essas substâncias são capazes não apenas de atenuar a inflamação e restabelecer o processo de sinalização celular que controla o apetite como também de interromper os sinais de morte celular que vinham se instaurando.

Durante o tratamento com os ômegas, a sinalização da insulina e leptina (hormônios que indicam ao cérebro que há a presença de nutrientes e que está na hora de parar de comer) perdida em animais obesos e diabéticos foi restabelecida. Houve restauração de todo o perfil metabólico dos animais, culminando em perda de peso.

A pesquisa mostrou, no entanto, que para que os resultados sejam efetivamente alcançados é preciso uma ingestão contínua desses nutrientes, somada à descontinuidade da ingestão elevada de alimentos ricos em gordura saturada, ou seja, é preciso que haja uma reeducação alimentar, pois, uma vez interrompido o tratamento, os neurônios voltam a sofrer o processo de apoptose (morte celular).

No estudo, inicialmente, induziu-se a obesidade e diabetes nos animais, por meio da ingestão de uma dieta altamente calórica, rica em gorduras saturadas, bastante semelhante à consumida atualmente por populações ocidentais. Numa segunda etapa, quando do início do tratamento, os animais foram distribuídos em grupos que receberam dietas acrescidas de ômega-3 ou ômega-9, em concentrações crescentes. É sabido que a simples redução no consumo de gorduras saturadas já é o suficiente para a melhora no perfil metabólico em diversas espécies, inclusive em humanos.

Contudo, quando tais ácidos são ainda agregados à alimentação, os processos negativos gerados no hipotálamo pelo consumo crônico da gordura saturada melhoraram de forma exuberante. Houve recuperação do comportamento alimentar adequado, devido principalmente ao aumento na expressão de proteínas anti-inflamatórias e anti-apoptóticas, além da redução significativa na expressão de marcadores pró-inflamatórios e pró-apoptóticos no hipotálamo dos camundongos.

Para confirmar a ação específica dos ácidos graxos ômega-3 e 9, os pesquisadores infundiram as substâncias diretamente no hipotálamo de animais obesos, e observaram redução imediata no consumo de alimentos. Após uma semana de infusão direta no hipotálamo, os animais já tinham perdido mais de 10% do seu peso corporal.

Gasto energético

Somado a estes fatores, ambos os experimentos demonstraram que a perda de peso não se deveu apenas à recuperação do controle nervoso da fome, mas também porque tais substâncias aumentaram o gasto energético dos animais. Quando infundido diretamente no hipotálamo, ou mesmo quando consumidos por via oral, ambos, ômega 3 e 9, aumentam no tecido adiposo marrom a expressão de uma proteína chamada UCP-1, que é responsável pelo aumento do gasto energético. Com isso, a atividade das proteínas da via da insulina e da leptina foi restaurada. Os animais se tornaram muito mais tolerantes à glicose e também mais sensíveis às ações da insulina, antes prejudicada pela obesidade.

Outro fato surpreendente foi demonstrado nesse estudo. “Como dito anteriormente, os ômegas foram suplementados nas dietas em várias concentrações. A resposta mais interessante se demonstrou nos grupos que receberam as menores concentrações na dieta, tanto de ômega-3 quanto de ômega-9. Embora os animais diabéticos não tenham deixado de ser diabéticos, a glicemia foi reduzida de forma expressiva e se tornou controlável através apenas da alimentação nesses grupos”, revelou Cintra.

O impacto da substituição dos ácidos graxos na variação do peso corporal foi dependente da composição, mas não do tipo de ácido graxo. “Observamos que quando os animais consumiam esses ácidos graxos, ou quando aplicávamos diretamente no hipotálamo, a inflamação era finalizada. Os sinais de insulina e leptina enviados pela periferia chegavam até o hipotálamo e cumpriam a obrigação deles informando ao organismo que já havia nutrientes em quantidade suficientes, e que a fome deveria desaparecer”, explicou Cintra.

As concentrações testadas nas dietas correspondentes aos melhores resultados são quantidades passíveis de consumo no dia a dia, por meio de um acréscimo natural desses alimentos em nossas refeições diárias, sem a necessidade de suplementos alimentares. Alimentos como semente de linhaça marrom, óleo de soja, sardinha e canola apresentam custos razoáveis e também excelentes fontes de ômega-3. Da mesma forma, o azeite de oliva, óleo de soja, abacate e amendoim são fontes saudáveis de ômega-9.

Perspectivas

Além de mostrar que os ácidos graxos ômega-3 e ômega-9 são capazes de interromper os sinais de morte celular, inibir a inflamação e restabelecer a sinalização celular das vias da leptina e da insulina, o trabalho trouxe evidências de que esses ácidos podem desencadear também um estímulo à gênese de novos neurônios, num processo chamado de neurogênese.

A próxima empreitada será investigar a possibilidade dessa síntese de novos neurônios, e verificar se tais ácidos graxos possuem a capacidade de exercer plasticidade sobre os neurônios afetados de indivíduos obesos, revertendo assim o processo de morte instaurado pelos ácidos graxos saturados. “Precisamos descobrir se essa plasticidade ocorre no local onde os neurônios foram mortos pelo excesso de gordura saturada. Ainda não sabemos até que ponto, e nem porque razão, mas o ômega-3 é capaz de estimular a multiplicação de neurônios. O estudo indicou que o ômega-3 pode ter sido o responsável pela regeneração daqueles neurônios que já haviam morrido naquela região do hipotálamo. O próximo passo será descobrir se o ômega-3 é mesmo capaz de restabelecer os neurônios controladores da fome, e assim devolver ao indivíduo a capacidade perdida de controlar sua fome após ele ter se tornado obeso”, concluiu Cintra.

Isto torna o assunto em questão ainda mais delicado: como a morte dos neurônios pode ser irreversível – os estudos na área ainda são muito incipientes – a possibilidade de o vício ou a compulsão por comidas gordurosas e altamente calóricas acontecer pode ser ainda mais grave. De acordo com Cintra, é preciso que cada vez mais políticas públicas de prevenção à obesidade sejam implantadas, e que haja todo um esforço de reeducação alimentar entre a população, desde a infância. “Uma vez que a pessoa se torna obesa, fica difícil reverter o processo de obesidade, ou, ao menos, de devolvê-la o controle da fome. Mesmo com o enorme avanço da ciência, esta ainda se encontra de mãos atadas em relação à obesidade. Ainda não temos nenhuma saída satisfatória para a doença, por isso é tão importante a prevenção. O indivíduo não pode se tornar obeso, porque a partir desse momento ele pode estar entrando em um caminho sem volta”, afirma Cintra.

Por esta razão, a melhor saída continua sendo, de acordo com cientistas e especialistas, investir em programas de conscientização, reeducação alimentar, e de estímulos às práticas de atividades físicas, para assim, tentar evitar que a obesidade atinja um patamar irreversível.

Fonte: Jornal da Unicamp