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domingo, 6 de março de 2022

Obesidade e a gordofobia: percepções em 2022

Elaborada pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO) e a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a iniciativa é parte da campanha pelo Dia Mundial da Obesidade, de 4 a 10 de março de 2022. Mais de 3.5600 pessoas de todo o país responderam ao questionário divulgado pelos sites e mídias sociais das duas instituições.

“Conhecimento, cuidado e respeito”: este é o mote da campanha do Dia Mundial da Obesidade, dia 4 de março, para o ano de 2022. O foco é a ampliação do conhecimento sobre a obesidade, o caminho para a redução do preconceito e a melhoria no cuidado às pessoas.

A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) e a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) têm agido há mais de 30 anos no combate à obesidade. E combater a obesidade não é combater a pessoa com obesidade. E sim tratar a doença
e respeitar quem convive com ela, acolhendo, ouvindo, estudando, andando junto. Foi o que nos levou a ABESO e SBEM a lançarem a  pesquisa “Obesidade e a Gordofobia 2022 - Percepções”. 

O levantamento feito por meio digital chega ao cerne da questão: o cuidado dispensado a pessoas acima do peso precisa ser revisto. Os sistemas de saúde, tanto público quanto privado, precisam se atentar para o impacto que o acolhimento dessas pessoas pode ter no resultado do tratamento. 

Abriram com a pesquisa, um espaço para escuta e para entenderem como podemos agir em busca de uma mudança que possa refletir em resultados concretos. Esperavam sim, um número maior de participação deste público, mas não na proporção que se apresentou na pesquisa. 

A excelente pesquisa da ABESO/SBEM deixou claro que nós profissionais da área da saúde, precisamos agir contra a gordofobia para tratar a obesidade sem estigmas. 

E, para isso, precisa-se investir em conhecimento (é inadmissível vermos profissionais da área da saúde falarem que obesidade é falta de atividade física e de "fechar a boca"), cuidado e respeito (acolhimento principalmente por parte de médicos). Algo que não se vê na prática. Falo isso, como médico que atua diretamente com obesidade em um ambulatório municipal de Nutrologia. Médico que convive diariamente com endocrinologistas, nutrólogos e nutricionistas. É assustador ver alguns posicionamentos de colegas, tamanha gordofobia e falta de compaixão pelo sofrimento alheio. 

Abaixo as projeções do Atlas de Obesidade 2022 da World Obesity, ou seja, os números são alarmantes e a pergunta que fica: 
  1. Toda esse população ficará a mercê de gordofobia praticada por profissionais da área da saúde.
  2. Parte dessa população ficará sem tratamento adequado devido um péssimo acolhimento por profissionais da saúde ?
Fonte: www.worldobesity.org 


Para acessar as conclusões da pesquisa clique aqui: https://campanhaobesidade.abeso.org.br/ebook_gordofobia.pdf

Obesidade: não tem causa única

 


E-book: Conhecimento, cuidado e respeito

No dia Mundial da obesidade (04/03) do ano de 2022 a Associação Brasileira para estudos da obesidsde e síndrome metabólica (ABESO) juntamente com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e metabologia (SBEM)  prepararam uma publicação de 12 páginas com sobre o tema do Dia Mundial da Obesidade de 2022: “Obesidade: conhecimento, cuidado e respeito!”. O foco é a ampliação do conhecimento sobre a obesidade, o caminho para redução do preconceito e a melhora do cuidado das pessoas.

Guia de atividade física e obesidade (ABESO)

O Departamento de Atividade Física da ABESO (Associação Brasileira para estudos da obesidade e síndrome metabólica), elaborou um guia sobre a importância da atividade física na obesidade.

De forma didática ele trata de conceitos básicos relacionados ao tema, a começar pela própria diferença entre atividade física e exercício físico e a inter-relação entre sedentarismo e obesidade. 

Mostra como o sedentarismo pode levar ao surgimento de inúmeras doenças e o que ocorre da cabeça aos pés quando seu corpo se exercita. Há ainda orientações sobre o tipo de exercício,  a frequência e a intensidade para quem está acima do peso.

Atividade física e exercício físico são ferramentas fundamentais não apenas para ajudar no processo de emagrecimento e manutenção do peso, mas para prevenir e tratar inúmeras doenças além da obesidade.

Ano após ano o sedentarismo vem aumentando na zona urbana em todo mundo (tema já tratado aqui no blog). Mesmo com a tentativa do ministério da saúde estimulando o combate a ele. Muitas vezes, as pessoas com sobrepeso e obesidade não se sentem estimuladas à prática do exercício físico, porque não entendem todos os males provocados por sua falta no dia a dia, nem enxergam em maior profundidade os seus inúmeros benefícios.  Ou, ainda, até querem se movimentar, mas fazem isso sem a devida orientação de um profissional de Educação Física, por exemplo, e sem terem o conhecimento de considerações muito importantes quando alguém com excesso de peso decide treinar. 

Para acessar clique aqui: https://abeso.org.br/wp-content/uploads/2021/08/GuiaAtividadeV4-CapaB.pdf

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

O aumento da prevalência de obesidade nas capitais

Em 2006 o Ministério da saúde iniciou uma pesquisa denominada Vigitel (Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico). Ocorre anualmente em todas as capitais dos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal. 

As entrevistas ocorrem via inquérito por telefone, realizado anualmente em amostras da população adulta (>18) residente em domicílios com linha de telefone fixo. Quais temas o Vigitel aborda? 

Os indicadores avaliados pelo Vigitel estão dispostos nos seguintes assuntos: 
  • Tabagismo;
  • Excesso de peso e obesidade;
  • Consumo alimentar;
  • Atividade física;
  • Consumo de bebidas alcoólicas;
  • Condução de veículo motorizado após consumo de qualquer quantidade de bebidas alcoólicas;
  • Autoavaliação do estado de saúde;
  • Prevenção de câncer;
  • Morbidade referida. 
A duração média para responder ao questionário é de 12 minutos. Importante destacar, também, que algumas perguntas realizadas não são diretamente sobre saúde, mas são muito importantes para serem relacionadas com a situação da saúde da população.

No Vigitel de 2020, a prevalência de obesidade nas capitais ficou da seguinte maneira, conforme a figura abaixo.


E o que isso nos fazer refletir ?

Que a obesidade tem se tornado cada vez mais prevalente nas capitais brasileiras. Em 2020, foram registrados 21,5% dos adultos com obesidade, contra 20,3% em 2019. Manaus (24,9%), Cuiabá (24%) e Rio de Janeiro (23,8%) lideram a incidência de obesidade nas capitais. E o que preocupa a ciência é que até 2011, nenhuma capital tinha uma prevalência de obesidade acima de 20%, enquanto em 2020 o Vigitel levantou 16 capitais com prevalência de obesidade acima de 20%. 

Quais fatores estão envolvidos ?

Há quem acredite que isso tenha piorado com a pandemia. Sim, estamos em uma pandemia há 2 anos mas a prevalência já vinha aumentando. A pandemia pode ter exacerbado o que já vinha piorando. E falar de fatores de riscos, gatilhos em obesidade é bem complexo.

Centenas de fatores podem estar relacionados mas na nossa reflexão hoje abordaremos temas pouco discutidos e que geram uma grande contribuição.

A poluição ambiental
O estresse crônico
A violência
O sedentarismo

A princípio esses gatilhos parecem desconectados, mas a medida que se analisa de forma "sociológica" percebemos uma inter-relação entre eles. 

A poluição ambiental engloba tanto a poluição do ar (obviamente maior em capitais) quando poluição do solo, poluição sonora, poluição visual. 

A poluição do ar está relacionada a piora de várias patologias (Alzheimer, doenças pulmonares, cardiovasculares, alérgicas) e também obesidade. Mecanismos ainda não bem elucidados mas acredita-se que seja por disrupção endócrina e/ou exacerbaçao da inflamação subclínica. 

A poluição do solo inclui também a poluição da água. Metais tóxicos, poluentes orgânicos persistentes (POPs), disruptores endócrinos. Ou seja, substâncias que de forma direta ou indireta podem ocasionar doenças, exacerbar outras e com isso alterar a parte endócrina. Tema há décadas negligenciado no Brasil e que na Europa ganha cada vez mais força. 
 
A poluição sonora assim como a poluição visual favorecem uma hiperativação do eixo pituitária-adrenal e com isso elevação crônica e persistente dos níveis de cortisol e noradrenalina. O que de forma indireta poderiam influenciar os adipócitos, desbalanço nos níveis de hormônios relacionados ao apetite (Grelina) e saciedade e gasto energético (leptina). 

O estresse crônico pode ter inúmeros fatores causais:
Trânsito
Desigualdade social
Violência
Apreensão quanto ao futuro
Menor contato com a natureza
Menor tempo disponível para lazer
Alta carga de trabalho
Redução do número de horas de sono

Tudo isso interage e favorecem hiperativação do eixo pituitária-adrenal. Ou seja, elevação crônica do cortisol. 

Combina-se a tudo isso, um maior sedentarismo, influenciado pela violência, distância entre pontos dentro das cidades, transporte público precário e/ou ineficaz, comodidade. 

Os fatores acima ainda facilitam o consumo de alimentos ultraprocessados: cereja do bolo!

Ou seja, os fatores que vem favorecendo maior prevalência da obesidade nas capitais são inúmeros. Enquanto autoridades sanitárias não se atentarem a isso, veremos os índices subirem. Com consequente estrangulamento do sistema público/privado de saúde. 

Autores:
Dr. Frederico Lobo - CRM 13192, RQE 11915 - Médico Nutrólogo
Dra. Edite Magalhães - CRM , RQE - Médica especialista em Clínica Médica
Dr. Leandro Houat - CRM 27920 , RQE 20548 - Médico especialista em Medicina de Família e comunidade
Revisores:
Rodrigo Lamonier - Nutricionista e Profissional da Educação física
Márcio José de Souza - Profissional de Educação física e Graduando em Nutrição.

Fontes:

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Crianças obesas superarão as com baixo peso pela primeira vez na história da humanidade

Na Espanha, eles não puderam sair ao ar livre por seis semanas. Em Wuhan, eles ficaram presos por 76 dias. O pior foi nas Filipinas, onde as crianças foram proibidas de deixar suas casas por mais de um ano. Estes foram alguns dos bloqueios pandêmicos mais draconianos que os jovens tiveram que suportar. Mas ainda mais curtos e menos restritivos deixaram cicatrizes na vida das crianças—com consequências que se tornarão cada vez mais aparentes em 2022.

Uma das tendências mais deprimentes é o aumento da obesidade infantil, que acelerou em muitos países durante a pandemia, já que as crianças ficaram em casa por mais tempo, muitas vezes na frente de uma tela. Um estudo global publicado em 2017 na Lancet projetou que, se as tendências vistas na época continuassem, até 2022 a obesidade em crianças e adolescentes de 5 a 19 anos superaria a parcela de que estavam abaixo do peso pela primeira vez. Essa previsão agora parece certa de se tornar realidade.

Muitas pessoas pensam que as crianças com peso extra são encontradas apenas em países ricos, e que a crise nutricional dos países pobres assume a forma apenas de uma abundância de crianças emagrecidas. Na verdade, 27% das crianças com excesso de peso do mundo com menos de cinco anos vivem na África e 48% estão na Ásia. De fato, em algumas partes da África e da Ásia, o número de crianças com excesso de peso é duas a quatro vezes maior do que o número de crianças que são muito magras para sua altura (uma medida de desnutrição aguda conhecida como “desperdício” “wasting”)

Nos últimos dez anos, a proporção de crianças com excesso de peso aumentou, enquanto a proporção de crianças desnutridas diminuiu.  Em 2020, 5,7% das crianças menores de cinco anos estavam com sobrepeso e 6,7% com emaciação.

A pandemia fez tudo girar. As rupturas em países pobres afetaram as famílias que viviam mais duramente. Muitos deles acharam mais difícil colocar comida na mesa - então seus filhos provavelmente emagreceram. Mas a perda de massa muscular e de gordura de uma criança pode ser revertida rapidamente quando a nutrição melhora. Como resultado, espera-se que qualquer aumento relacionado à pandemia na tendência de queda observada para o número de crianças abaixo do peso tenha vida curta.

Não é assim com a obesidade. A má alimentação e os hábitos de atividade física formados na primeira infância tendem a persistir na adolescência e na idade adulta. Para milhões de crianças presas em casa durante os bloqueios de pandemia de 2020-21, esses hábitos cruciais mudaram para pior. Na Alemanha, por exemplo, 28% das crianças de três a cinco anos praticavam menos atividades físicas e 20% consumiam mais lanches açucarados durante a pandemia.

Nos países ricos, a obesidade infantil está concentrada nas famílias pobres.  Nos países pobres, entretanto, é um problema da classe média - então, à medida que a renda média aumenta, mais crianças estão se mudando para a zona de excesso de peso. As coisas pioram pelo fato de que a fome no início da vida aumenta o risco de uma criança ganhar peso rapidamente mais tarde, o que os cientistas acreditam ser em parte devido à mudança metabólica. Muitos países pobres estão enfrentando agora uma “dupla epidemia” de desnutrição e obesidade, que muitas vezes coexistem na mesma comunidade e até mesmo no mesmo domicílio.

Em 2022 e além, esperamos ver mais países se esforçando para mudar os ambientes “obesogênicos” em que vivem as crianças. Os legisladores introduzirão mais impostos sobre bebidas e lanches açucarados, reformularão os programas escolares de exercícios e nutrição e começarão a tratar a obesidade como uma doença (o que é, de acordo com a Organização Mundial de Saúde), em vez de um fracasso pessoal.

Para os sofredores mais jovens, quanto mais cedo as coisas podem ser revertidas, maiores são as chances de que crescerão para desfrutar de uma vida mais longa, saudável e feliz.

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EndoNews: Lifelong Learning
Inciativa premiada no Prêmio Euro - Inovação na Saúde

quarta-feira, 16 de junho de 2021

Crianças que ingerem mais alimentos ultraprocessados ganham peso mais rapidamente



Crianças que comem mais alimentos ultraprocessados são mais propensas a estar acima do peso ou obesas quando adultas, sugere um novo estudo de 17 anos com mais de 9.000 crianças britânicas nascidas na década de 1990. Os pesquisadores também descobriram que alimentos ultraprocessados - incluindo pizzas congeladas, bebidas gasosas, pão produzido em massa e algumas refeições prontas - representaram uma proporção muito alta de dietas infantis - mais de 60% das calorias em média.

"Uma das principais coisas que descobrimos aqui é uma relação dose-resposta", disse o Dr. Eszter Vamos, professor clínico sênior de medicina de saúde pública no Imperial College London e autor do estudo que publicou na revista JAMA Pediatrics na segunda-feira, em um comunicado à imprensa.
"Isso significa que não são apenas as crianças que comem os alimentos mais ultraprocessados (que) têm o pior ganho de peso, mas também quanto mais comem, pior isso fica", disse Vamos.

O processamento industrial de alimentos modifica os alimentos para alterar sua consistência, sabor, cor e vida útil, usando alternância mecânica ou química para torná-los mais palatáveis, baratos, atraentes e convenientes - processos que não acontecem em refeições caseiras, observou o estudo. 

Alimentos ultraprocessados tendem a ser mais densos em energia e nutricionalmente mais pobres.
Eles geralmente têm altos níveis de açúcar, sal e gorduras saturadas, mas baixos níveis de proteína, fibra dietética e micronutrientes, e são agressivamente comercializados pela indústria de alimentos, disse o estudo.

Gunter Kuhnle, professor de nutrição e ciência de alimentos na Universidade de Reading, no Reino Unido, disse que a ligação entre a saúde infantil e alimentos ultraprocessados era complexa, e fatores socioeconômicos provavelmente desempenharam um grande papel. Ele não estava envolvido na pesquisa.

"Os resultados deste estudo não são surpreendentes: crianças que consomem muitos alimentos 'ultraprocessados' são mais propensas a serem menos saudáveis e mais obesas do que seus pares com menor ingestão. A interpretação desses resultados é, no entanto, muito mais difícil", disse ele ao Science Media Centre em Londres.

“O resultado do estudo é fortemente confundido por fatores socioeconômicos: crianças residentes em áreas mais carentes e de famílias com menor escolaridade e menor nível socioeconômico tiveram o maior consumo de alimentos ultraprocessados. 

Infelizmente, essas crianças também estão em maior risco de obesidade e problemas de saúde, pois ainda existem desigualdades consideráveis de saúde no Reino Unido e o nível socioeconômico é um determinante importante da saúde."

Os pesquisadores acompanharam um grupo de 9.000 crianças, que estavam participando de um estudo mais amplo, dos 7 aos 24 anos. 

Os diários alimentares foram concluídos aos 7, 10 e 13 anos, registrando os alimentos e bebidas consumidos pelas crianças ao longo de três dias. 

Medidas do índice de massa corporal (IMC), peso, circunferência da cintura e gordura corporal também foram coletadas ao longo do período do estudo.

As crianças foram divididas em cinco grupos com base na quantidade de alimentos ultraprocessados que comeram. 

No grupo mais baixo, os alimentos ultraprocessados representaram um quinto da sua dieta total, enquanto no grupo mais alto eles representaram mais de dois terços.

Os pesquisadores descobriram, em média, que as crianças dos grupos que comiam mais alimentos ultraprocessados viram um aumento mais rápido no IMC, peso, circunferência da cintura e gordura corporal à medida que cresciam.

Aos 24 anos de idade, os do grupo mais alto tinham, em média, um nível mais alto de IMC em 1,2 kg/m2, maior gordura corporal em 1,5%, peso em 3,7 kg e aumento da circunferência da cintura em 3,1 cm.

Embora o estudo mostre uma ligação entre comer alimentos ultraprocessados e aumentos no IMC e na gordura corporal, ele definitivamente não mostra causa e efeito

“O problema é que as crianças que comeram diferentes quantidades de alimentos ultraprocessados aos 7 anos e suas famílias teriam diferido de outras maneiras, não apenas na quantidade de alimentos ultraprocessados que comeram", disse Kevin McConway, professor emérito de estatística aplicada da The Open University que não estava envolvido no estudo, ao SMC. "As associações entre medidas de gordura corporal e consumo de alimentos ultraprocessados podem ser causadas por essas outras diferenças, e não pelo consumo de alimentos ultraprocessados."

Os pesquisadores usaram ajustes estatísticos para levar em conta outros fatores que poderiam explicar a ligação, como sexo, etnia, peso ao nascer e atividade física, disse McConway. 

Isso "aumentou a confiança no que está causando as diferenças entre os grupos", disse ele.

Estudos anteriores sobre o mesmo assunto haviam produzido achados inconsistentes, mas envolveram menos crianças e curtos períodos de acompanhamento, disseram os pesquisadores.
Segundo os pesquisadores, medidas mais radicais e eficazes são necessárias para reduzir a exposição e o consumo de alimentos ultraprocessados pelas crianças.

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Inciativa premiada no Prêmio Euro - Inovação na Saúde

Fonte: Chang K, Khandpur N, Neri D, et al. Association Between Childhood Consumption of Ultraprocessed Food and Adiposity Trajectories in the Avon Longitudinal Study of Parents and Children Birth Cohort. JAMA Pediatr. Published online June 14, 2021. doi:10.1001/jamapediatrics.2021.1573

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Vantagens de se estar acima do peso - alegadas pelos pacientes




Muito se fala sobre as desvantagens e as consequências de se estar acima do peso. Mas pouco se fala sobre as "vantagens" que os pacientes alegam. Soa estranho, eu, um nutrólogo escrever sobre isso, afinal deveria "amedrontar" os pacientes com o que a ciência vem mostrando nas últimas décadas. A lista de desvantagens é quilométrica. 

Então por que escrever sobre isso ? Por que colocar a obesidade ou sobrepeso como algo com vantagens ?

Simplesmente porque existem "vantagens" e elas são inegáveis (do ponto de vista do paciente). Queiramos ou não, elas existem na concepção do paciente! Se elas não existissem, a grande maioria dos pacientes não estariam acima do peso e perpetuando um processo. 

Obviamente que existem fatores genéticos, bioquímicos, emocionais, comportamentais e até mesmo sociais que auxiliam nessa perpetuação da obesidade.

Em um dos questionários que aplico nos pacientes que atendo, questiono:
- Quais as vantagens e desvantagens de se estar acima do peso. 

Então ao longo dos anos, anotei as principais vantagens que os pacientes alegam. Na maioria das vezes eles esquecem que a maioria dessas vantagens continuam existindo mesmo quando atingem um peso saudável.  Abaixo algumas relatadas por pacientes:
  • Comer o que se gosta. Não ter limites quanto à qualidade (tipo) da comida. Gostam de comer algo mais palatável ou se é algo com sabor mais comum e que não estimula tanto as papilas gustativas e a produção de dopamina). 
Consideração: estando acima do peso ou magro, as comidas hiperpalatáveis continuarão existindo. Há magros que possuem paladar infantilizado ou com preferência por alimentos hiperpalatáveis. 
  • Comer o quanto se quer, na hora que quer, como quer. Não ter limites quanto à quantidade da comida. 
Consideração: o limite sempre vem, cedo ou tarde. Seja ele voluntário ou imposto por uma doença como um diabetes mellitus tipo 2 ou uma retirada do estômago por câ ncer gástrico. Então é melhor aceitar que a nossa alimentação também precisa de limite. 
  • Não precisar sofrer com limites (dieta é uma restrição, é uma limitação e por isso quanto mais restritiva, maiores as chances do paciente abandonar o tratamento). 
Consideração: entra no tópico anterior. 
  • Conhecer novos estabelecimentos de comida. Comer novidades. Há pacientes afoitos por novidades, a novidade leva a uma maior produção de dopamina. No fim, garimpar novos lugares pode se tornar um hobby e fonte de prazer. 
Consideração: a não ser que o Brasil afunde em uma crise econômica sem precedentes e a maioria dos estabelecimentos de comida fechem as portas, sempre haverá novidades "alimentícias". A tendência é a variedade aumentar, produtos mais "limpos" irem surgindo, com a finalidade de atender a um consumidor cada vez mais exigente e que se preocupa com a própria saúde. Brincamos no consultório: as sobremesas não deixarão de existir e alegrar almoços. Fast-foods vão continuar existindo, assim como bons restaurantes. Então é melhor os pacientes tentarem ser mais longevos para conhecer o futuro promissor que temos no ramo da alimentação.
  • Não precisar "sofrer" em academia/estúdios, sentindo dor muscular, cansando, abdicando de uma hora do dia. Por mais que na prática percebamos que a dor dá lugar a um prazer (talvez por reação bioquímica no cérebro), a idéia que os pacientes sedentários possuem é: malhar dói ! 
Consideração: O nosso corpo é repleto de articulações e a finalidade é permitir que nos movamos. O movimento é inerente à nossa natureza. Quando paramos de nos movimentar a nossa energia fica estagnada e nosso corpo adoece. Sempre falamos no consultório uma frase que diz: Escolha o exercício que você menos odeie. Faça-o. Crie o hábito. O prazer pode surgir depois. Nosso corpo precisa de movimento. Músculos precisam de estímulo, o sangue precisa circular e o cérebro funciona melhor quando abandonamos o sedentarismo.
  • Evitar relacionamentos amorosos e com isso evitar sofrimentos de uma vida a dois. É inegável que portadores de obesidade podem ter uma maior dificuldade para acharem parceiros (as). Com isso evitam sofrer em relacionamentos.  
Consideração: estando acima do peso ou magro, conflitos amorosos sempre existirão. E o mais engraçado é que muitos pacientes acreditam piamente que os problemas relacionados à esfera afetiva desaparecerão como uma passe de mágica. Indicação: Psicoterapia. Notícia triste: problemas sempre teremos, mas a gente evolui e aprende a manejar sem gerar tanta dor em sí próprio ou no outro.

  • A comida é um anestésico diante dos sofrimentos cotidianos, diante de situações que incomodam ou causam dor emocional. Mesmo o efeito anestésico sendo de curta duração e o prazer proporcionado por ela também. A comida pode ser uma válvula de escape. 
Consideração: muitas vezes o que queremos após um dia complicado é chegar em casa e comer algo que gostamos. Isso é comida emocional e faz parte da vida. Não há nada de errado em utilizar a comida como anestésico. O que não se pode permitir é que isso se torne uma constante, a maioria dos dias da semana. O preço a se pagar é caro e a sobremesa chamar-se-á: Culpa. 
  • Sendo portador de obesidade, o paciente não precisa ficar se preocupando com a saúde. Ou seja, ele se esquiva de procurar auxílio ao médico anualmente, para realizar exames que podem escancarar uma verdade difícil de ser vista. Isso também é uma vantagem, mesmo sabendo que lá no fundo isso é mentira, que todos nós temos medo de adoecer. Muitas vezes uma negação da realidade na qual o paciente está inserido. 
Consideração: A conta chega e as vezes o preço é exorbitante. 
  • Viver em sociedade é prazeroso mas pode ser doloroso. Relações interpessoais podem ser fonte de angústia, raiva, aflição. Quando você se torna obeso, você pode voluntariamente evitar eventos sociais em que terá que relacionar com pessoas que você não tem afinidade. Ou seja, o isolar-se socialmente e com isso reduzir atritos também pode ser uma das vantagens da obesidade. 
Consideração: vale o mesmo que explicamos nas relações amorosas. Problemas nas relações interpessoais existirão sempre, em maior ou menor grau. É assim que evoluimos, é assim que aprendemos a viver em sociedade. 
  • Mas para outros, viver em sociedade é prazeroso e a comida é um dos meios de agrupar pessoas queridas. Ou seja, se uns tiram vantagem ao evitar o contato, outros veem isso como uma forma de socializar. Socializar, confraternizar, comemorar, "resenhar" geralmente envolve comes e bebes. 
Consideração: pode-se comemorar, celebrar a vida, reunir amigos, beber, comer. Mas o prazer principal não pode ser a comida. Estar com familiares, amigos, parceiro(a) pode ser tão prazeroso quanto uma comida apetitosa.
  • Fuga da auto-responsabilidade e de autocuidados. Ter consciência de que está acima do peso e assumir a responsabilidade de parte disso é um ato que demonstra maturidade emocional e até mesmo intelectual. Quando o portador de obesidade se nega a assumir isso, ele traz à tona um lado rebelde, infanto-juvenil, no qual ele se exime de se responsabilizar por parte do problema. Menos peso no ombro, mesmo que isso custe mais peso no corpo.
Consideração: novamente afirmamos que a conta chega e as vezes é alta e vem acompanhada de dor: física e emocional. Com um punhado de culpa (sensação de que poderia ter sido diferente).
  • Ser portador de obesidade, faz com que algumas pessoas se vejam na obrigação de ser legal com as pessoas, boazinhas, engraçadas, inteligentes e mais competente que as demais. Um fato de compensação pois se acha inferior por estar acima do peso. Ser uma pessoa mais legal e querida pela maioria (mesmo que essa maioria seja veladamente preconceituosa) pode ser uma vantagens para alguns. 
Consideração: utilizamos várias máscaras para viver em sociedade. Nada que uma boa psicoterapia não seja capaz de fazer o paciente enxergar as máscaras que ele utiliza para ser aceito.
Entenderam as inúmeras vantagens? O porquê de tanta gente perpetuar o processo ?

Obesidade é muito mais complexo do que se pensa. Não é apenas chegar e cuspir as desvantagens. Muitas vezes precisamos entender o que a pessoa ganha com o excesso de peso. Essas vantagens como citei acima existem e devem ser levadas em conta. Barganhas inconscientes. 

Explicar ao paciente o quanto elas são ilusórias e superficiais. Tais "vantagens" devem ser detectadas e o paciente encaminhado para a psicoterapia. Tratamento da obesidade deve ser multidisciplinar para que se obtenha êxito. Médico + Nutricionista + Psicólogo + Profissional da educação física. 

Obviamente a lista de desvantagens é infinitamente maior, com eficácia comprovada através de inúmeros estudos publicados nas ultimas 3 décadas, mas isso é assunto para o próximo texto: A dor da obesidade. 

Autor: Frederico Lobo (Médico Nutrólogo)
Revisor: Rodrigo Lamonier (Nutricionista e Profissional da Educação física).

sábado, 29 de agosto de 2020

O Ministério da saúde adverte, seu Junk food é prejudicial à saúde

Extraí o texto abaixo do Site: Corpo em foco. Vale a pena ler. Bem interessante.

Hoje vou abordar um dos temas mais discutidos na mídia, nas academias, na roda de amigos que é sobre alimentação, parece que sempre vai existir dúvidas sobre isso, porém algo mudou, estão comentado e muito sobre um projeto de lei para que as embalagens de alimentos industrializados tragam estampados os perigos de seu consumo, bem como as possíveis restrições para algumas pessoas.

Basta mencionar a palavra “obesidade” diante de pesquisadores de saúde para perceber que o único ponto em que há consenso a esse respeito é o fato de que a questão atingiu proporções críticas. A obesidade, é considerada uma epidemia generalizada que afeta crianças e adultos, e não apenas nos EUA e na Europa Ocidental, mas também em países como a África do Sul, China e Brasil. Os órgãos responsáveis pela saúde pública advertem sobre a iminência de uma crise nos sistemas de saúde, que deverão receber em breve uma quantidade imensa de pacientes com diabetes, pressão alta, problemas cardíacos e outras enfermidades associadas ao excesso de peso. Mas de onde vem toda essa problemática, o que está acontecendo com nosso hábito alimentar? Se tudo que precisamos para ter uma vida saudável, duradoura, cheia de energia vem dos alimentos.

Devo ressaltar que esse tipo de problema que estamos enfrentando principalmente pelo estilo de vida corrida, vem atingindo as crianças que crescem recebendo de seus pais o mau hábito alimentar, e estão herdando doenças que não são típicas dessa faixa etária. É só andar pela rua com um olhar um pouco mais crítico para perceber a enorme quantidade de crianças obesas, e isso acarretará a um adulto obeso e cheio de doenças.

Como diz o Personal Trainer Flávio Settanni, famoso pelas celebridades, “devemos encarar alguns produtos como verdadeiras drogas, na mesma linha adotada com cigarro e álcool”, porém a informação que nos é apresentada não é a verdadeira que devemos obter, e não basta ter informação, mas principalmente a consciência do que aquele tipo de produto nos causa. Creio que a culpa não seja somente dos pais que assim como as crianças são vítimas da falta de informação, mas também, da mídia, do governo, das escolas enfim, para o consumidor, o que é apresentado nas embalagens é uma verdadeira “sopa” de letras e números (P.I, EPX, A-I, CT II, etc.) de difícil compreensão para o público leigo que compõem a quase totalidade dos consumidores. Considerando que o Código do Consumidor garante a este o direito a uma informação clara e precisa no rótulo a respeito do que contém no produto. Esses alimentos, se consumidos em excesso, principalmente por pessoas predispostas a sofrer danos com seu consumo, têm o potencial de uma droga sim. Uma droga que engorda, entope artérias e provoca envelhecimento precoce, além de outros prejuízos. Veja aqui alguns aditivos que são acrescentados nos alimentos industrializados para que eles possam durar mais, ter uma aparência mais sedutora para o consumo e que devem ser consumidos com restrição ou até evitados:

1.Gorduras Hidrogenadas: riscos de doenças cardiovasculares e obesidade.
2.Corantes Artificiais para alimentos: alergias, asma, hiperarividade, possibilidade de serem substâncias carcinogênicos (que induzem o aparecimento de cânceres) (Quem quiser ler mais, postei no começo do ano sobre o tema)
3.Nitritos e Nitratos: essas substâncias podem gerar nitrosaminas no organismo, que podem ser cancerígenas.
4.Sulfitos (dióxido de enxofre, metabisulfito, e outros): reações alérgicas e asmáticas.
5.Açúcares e Adoçantes: obesidade, cáries, diabetes, hipoglicemia, incremento de triglicerídeos (gordura na corrente sanguínea) ou candidíase.
6.Adoçantes artificiais (Aspartame, Acesulfame K e Sacarina): problemas de comportamento, hiperativiade, alergias e possivelmente carcinogênicos. O governo desaconselha o uso de adoçantes artificiais para crianças e mulheres grávidas. Qualquer pessoa com fenilcetonúria (com incapacidade para metabolizar o aminoácido “fenilalanina” presente nas proteínas) não deve usar o aspartame.
7.Glutamato monosódico: alergias e reações como dores de cabeça e depressão, também pode agir como uma neurotoxina por ter ação neuroestimulante.
8.Conservantes (Butil Hidroxitolueno – BHT; Butil Hidroxianisol – BHA; Cálcio Dissódico – EDTA, entre outros): reações alérgicas, hiperatividade, possibilidade de causar câncer. O BHT pode ser tóxico para o sistema nervoso.
9.Flavorizantes Artificiais: alergias e alterações no comportamento.
10.Farinhas refinadas: baixo teor de calorias, desbalanceamento de carbohidratos, alterações na produção de insulina, perda de vitaminas do complexo B devido o refino.
11.Sal (excesso): retenção de líquidos no corpo e aumento da pressão arterial. Não ultrapassar o permitido: 1,5g de Sódio por dia.
12.Olestra (um tipo de gordura artificial): diarréia e distúrbios digestivos.

Conheço pessoas que levam a obesidade somente pelo aspecto estético que já é muita coisa e não levam em consideração o que acontece com nosso corpo, lá dentro com o consumo de alimentos industrializados. A importância deve ser dada principalmente por nós, porém cada vez mais posso perceber que as empresas já estão mudando de estratégia ou mascarando ainda mais a problemática, como por exemplo a empresa General Mills que em janeiro, anunciou que substituiria os grãos refinados de vários cereais por grãos integrais. No mesmo mês, a empresa lançou uma nova versão do chocolate da marca Chocolate Lucky Charms (com alto teor de açúcar e grande quantidade de marshmallow).

“As pessoas gostam de ter opção.” E havendo opções, as empresas não precisam se impor aos clientes. Não é interessante que o marketing diga aos consumidores o que devem comer ou fazer. Não há lugar para paternalismos. Médicos e nutricionistas, ou talvez o governo, podem desempenhar esse papel, mas não o profissional de marketing.” Diz Barbara Kahn, professora de Marketing da Wharton.

Algo que devemos levar muito em consideração é que “as pessoas não sabem quanto comer. Elas não comem mais apenas para satisfazer seu apetite. Os adultos não conhecem limites. Não é o que acontece com as crianças. Quando não sentem fome, elas não comem. Param no meio de uma mordida, uma atitude que os adultos desaprenderam”.

E nesta situação o que nós adultos costumamos fazer é forçar a criança a comer mais. A decisão de cortar o excesso, ou de mudar o hábito alimentar, de modo geral, supõe que o consumidor está disposto a assumir “pessoalmente a responsabilidade” por suas ações — conforme mais uma frase sempre citada no debate em torno da obesidade. Shelley Rosen, membro da Equipe Global de Estilos de Vida Equilibrados do McDonald’s, observa que as pessoas são responsáveis pelas “decisões que tomam na vida. Nós e outras marcas procuramos oferecer opções, de modo que as pessoas possam tomar as decisões corretas com base nas suas necessidades — levando em conta, entre outras coisas, preço, portabilidade e conveniência. Se as pessoas não se interessam pelas opções que oferecemos, nós as retiramos do cardápio. Todos dizem que deveríamos ter um hambúrguer vegetariano. Nós temos [em alguns de nossos mercados], porém a taxa de ‘consumo’ desse tipo de hambúrguer não é a mesma de outros produtos. Apesar disso, continuamos a testá-lo”.

Com isso podemos observar que não é somente a falta de informação, pois nós sabemos o quanto prejudicial é consumir este tipo de alimento, o que falta mesmo é mais amor pela vida, pela sua própria vida.

“Os gordinhos que não se controlam, os hipertensos que sofrem com o consumo excessivo de sal e as pessoas com altos índices de colesterol deveriam ser proibidas de comprar alguns produtos, ou, ao menos, deveriam ser aterrorizadas com imagens do mal que eles podem fazer, como nos maços de cigarros” diz Flávio. Talvez devessem ter até sua propaganda proibida, principalmente nos programas e materiais infantis. O problema, porém, é que muitos anúncios são dirigidos a uma parcela vulnerável da população — as crianças. No momento em que se recorre a personagens do desenho animado, associando-se produtos a filmes infantis, por exemplo, a pergunta passa a ser outra: será que o consumidor é capaz de escolher com base em informações detalhadas ou será que ele está sendo inundado com material de marketing capaz de modificar seu comportamento? As empresas podem retrucar com o argumento de que as crianças não são responsáveis pelas decisões de compra; cabe aos pais decidir comprar ou não, mas todos sabemos do enorme poder de persuasão das crianças.

Não sei exatamente quais produtos estarão sujeitos a essa legislação, mas posso dizer qual é minha lista de alimentos que deveriam ser banidos de qualquer alimentação, principalmente pelos candidatos a problemas sérios:

- Salgadinhos de pacote: quase todos! Farinha refinada frita, muitas vezes com gordura trans e lotado de sal. Consumir isso todos os dias provavelmente fará mais mal do que fumar alguns cigarros ou beber um pouco. Faço uma pequena exceção para alguns novos que são assados e feitos sem gordura trans, que, embora não sejam recomendados, provocam menos prejuízos.

- Bolachas e biscoitos: novamente a farinha refinada, preparada com gordura, açúcar e/ou sal em abundância. Esse é o lanchinho da tarde preferido nos escritórios, talvez por isso homens e mulheres engordem tanto quando começam a trabalhar e compartilhar essas tranqueiras.

- Refrigerantes com açúcar: é quase burrice tomar refrigerante com açúcar quando se pode tomar um diet.

Existem outros produtos perigosos, mas os que citei acima lideram o ranking dos alimentos que deveriam ter seu uso controlado ou conter drásticas advertências na embalagem.

Mais uma vez a escolha é só sua. Continue comendo e engordando, comendo e prejudicando sua saúde, comendo e envelhecendo mais depressa, se pelo menos não existisse outras opções eu até entenderia, mais existe e com certeza aquele tempinho que você gastou cozinhando algo ou refletindo melhor no que ingerir será recompensado com um corpo saudável e uma vida mais tranqüila. Nada vai adiantar se o governo ir lá nas embalagens colocar o quanto aquele alimento pode fazer mau e mesmo assim, irmos lá e comprá-lo, levar para casa, para mesa de nossa família uma refeição mascarada de bomba atômica. Fica para todos aquela frase mágica:

VOCÊ É O QUE VOCÊ COME.

Ah, quero agradecer a participação de todos! Aos poucos vamos atendendo aos pedidos de temas enviados e também estamos procurando responder rapidamente as dúvidas e esclarecer as verdades e mitos do universo fitness

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Perda de peso e redução da mortalidade - Por Dr. Bruno Halpern



A associação entre #obesidade e maior risco de doenças crônicas e redução da expectativa de vida é bem estabelecida, embora o risco individual dependa mais da distribuição de gordura do que do peso em si.

No entanto, é muito difícil provar que perder peso reduz risco de mortalidade por algumas razões: 1- perder peso de forma significativa (ao menos 10%) e manter a longo prazo é difícil, e somente estudos muito grandes conseguiriam responder essa questão 2-estudos observacionais confundem perdas de peso intencionais com as não intencionais, em q a pessoa perde peso por estar doente e assim, tem mortalidade maior.

Estudos de intervenção demonstram que pessoas que perdem mais de 10% tem redução de riscos, mas em geral esses são estudos de poucos anos. A melhor evidência de longo prazo vem de estudos com cirurgia bariátrica , q tb demonstram redução de riscos.

Agora, um estudo com mais de 20mil pessoas e quase 30 anos de seguimento mostra que sair da obesidade para o sobrepeso no início da vida adulta (ao redor de 25 anos) reduziu em 54% o risco de mortalidade precoce nesse grupo em comparação aos que permaneceram com obesidade. O risco desses indivíduos se igualou (ou foi até um pouco menor) do que o de pessoas que sempre tiveram apenas sobrepeso.

O longo tempo de seguimento reduz a chance de que quem perdeu peso perdeu por estar doente e analisa melhor dados de perda intencional de peso. Também dá a idéia de quanto mais precoce melhor essa perda, pois quando a perda ocorre mais para frente na vida, o resultado é menos claro (mas talvez ainda precisamos de mais anos de acompanhamento).

Esse é um estudo observacional, com suas limitações. E também mostra que, infelizmente, é muito mais comum pessoas saírem de pesos “normais” para sobrepeso e obesidade do que pessoas que conseguem fazer o caminho inverso. Obesidade não se resolve “espontaneamente”. Perder peso e manter vai contra nossa biologia básica e exige tratamento continuo. Essa é uma informação a precisa ser passada para levarmos a doença e o tratamento a sério. Se mais pessoas conseguirem bons resultados, conseguiremos reduzir essas taxas de complicações! 


quinta-feira, 6 de agosto de 2020

A infinidade de tratamentos para obesidade

Dias através eu conversava com uma amiga endocrinologista e com meu nutricionista. A heterogeneidade de resposta dos pacientes aos tratamentos de obesidade.  Confusa a frase acima, vamos esclarecer enumerando.
  1. Há pacientes em estado de obesidade que reduzem o percentual de gordura (emagrecem) só com dieta e atividade física? Sim
  2. Há os que reduzem só com atividade física ? Sim
  3. Há os que reduzem só com dieta? Sim
  4. Há os que emagrecem com a combinação: dieta, atividade física e uso de medicação ? Sim
  5. Há os que garantem que perderam peso apenas com fitoterápicos, combinado com dieta e atividade física? Sim
  6. Há os que perdem gordura só em utilizar medicações ansiolíticas e com isso tratar o gatilho base da obesidade (no caso daquela pessoa específica)? Sim
  7. Há os que apenas com medicação conseguem perder gordura? Sim
  8. Há os que apenas com psicoterapia combinada com reeducação alimentar alcançam bons resultados? Sim
  9. Há os que só perderão peso com cirurgia bariátrica? Sim
  10. Há os que perder peso com bariátrica, reganharam boa parte do peso perdido e posteriormente perderão com dieta e atividade física? Sim
Enfim, há vários tratamentos, várias formas de se tratar a obesidade. Mas o principal ponto é: cada paciente é único. Cada paciente tem uma resposta ao tratamento. Não é porque a cirurgia bariátrica funcionou para um que funcionará para outro.

Estou cansado de ver pacientes que foram submetidos a cirurgia bariátrica, foram mau respondedores (perderem pouco peso) e que se arrependeram da cirurgia. Mas isso é assunto para outro post.

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Obesidade e coronavirus por Dr. Bruno Halpern


Dois pesquisadores irlandeses publicaram na excelente revista Obesity uma hipótese que poderia explicar, ao menos em parte, porque estaríamos vendo uma maior gravidade de infecções em indivíduos com obesidade. 

👉A tese seria que o vírus poderia se depositar no tecido adiposo, que na obesidade já é mais inflamado, e assim, gerar mais inflamação, além de ser liberado aos poucos, minando as estratégias de defesa e gerando cada vez mais inflamação, que acaba por gerar respostas gravíssimas no corpo.

👉Há um racional por trás: um dos receptores que facilitam o vírus a entrar nas células está presente em grandes quantidades no tecido adiposo; outros vírus sabidamente podem se depositar em gordura; e muitas das substâncias produzidas pelo corpo em pacientes graves são amplamente produzidas no tecido adiposo. Esse reservatório também poderia explicar tempos mais longos de presença de vírus em algumas pessoas.

👉Para tornar essa hipótese mais forte seria preciso localizar o vírus em amostras de tecido adiposo, o que não foi feito ainda, mas não é tecnicamente difícil.

👉De toda forma, cada vez é mais claro a importância da obesidade como fator de risco independente de complicações. O lado bom é que sabemos que perdas de peso pequenas (de 5-15%) e exercício físico moderado já reduzem inflamação e poderiam (não comprovado mas altamente provável) já ajudar a reduzir parcialmente os riscos. 

Ref: Ryan. Is adipose tissue a reservoir for viral spread, immune activation and citokyne amplification in Covid-19? Obesity 2020 #coronavirusbrasil #obesidade #covid19brasil

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Alimentar-se fora de casa pode favorecer obesidade

Um estudo inédito feito em cinco países, incluindo o Brasil, analisou o conteúdo energético das refeições servidas em restaurantes fast food com os restaurantes de serviço à La Carte e o comparou com os índices dos Estados Unidos. 

Segundo uma das pesquisadoras envolvidas, Professora Dra. Vivian Suen Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) e médica nutróloga da ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia), 94% das refeições de serviço completo e 72% das refeições de fast food continham 600 quilocalorias ou mais. 

O estudo não é uma defesa aos restaurantes fast food, mas a pesquisadora destaca que o tamanho das porções mesmo quando se trata de comida saudável, deve ser levado em consideração como um alerta no combate à obesidade.

“Consumir as porções atuais de um restaurante tradicional e uma refeição de fast food diariamente forneceria entre 70% e 120% da energia diária que um indivíduo precisa. Isso é o aporte energético suficiente para uma mulher sedentária, sem refeições adicionais como bebidas, lanches, aperitivos ou sobremesas”, declara.

O alto conteúdo energético da alimentação consumida fora de casa tanto nas refeições de serviço completo quanto nos fast foods é um fenômeno generalizado que provavelmente está aumentando a epidemia global de obesidade – considerado maior problema de saúde pública do mundo.

Os resultados dos dados da investigação apontaram que a quantidade de calorias medida em refeições em restaurantes no Brasil, Gana, Índia e Finlândia não foi significativamente diferente dos valores altos relatados anteriormente para os EUA. Apenas a China teve os valores inferiores aos dos EUA. As refeições de fast food continham significativamente menos energia do que as refeições dos restaurantes de serviço completo.

Vivian pondera: “A consistência dos resultados obtidos na pesquisa nos países analisados sugere que o alto conteúdo energético de refeições preparadas fora de casa, em geral, e não apenas nas redes de fast food, pode ser um importante contribuinte para a epidemia global da obesidade e uma meta potencialmente impactante para as intervenções de saúde pública”.

O estudo intitulado, “Measured energy content of frequently purchased restaurant meals: multi-country cross sectional study” (Mensuração do conteúdo energético das refeições mais pedidas em restaurantes: um estudo comparativo entre países), financiado pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), analisou 223 refeições selecionadas aleatoriamente, 111 menus completos e restaurantes de fast food populares no Brasil, China, Finlândia, Gana e Índia. 10 refeições de cinco cantinas foram estudadas na Finlândia. Para elaborar esta pesquisa estiveram envolvidos pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP), Instituto de Saúde Pública e Nutrição Clínica da Finlândia, Departamento de Alimentação e Nutrição da Universidade da Georgia, Escola de Ciência e Nutrição da Universidade de Boston; Laboratório de Biologia Molecular do Instituto de Genética e Desenvolvimento da Academia Chinesa de Pequim, Instituto de Biologia e Desenvolvimento Científico da Inglaterra, Departamento de Medicina, Endocrinologia e Nutrição Clínica da Finlândia e do Centro de Excelência em Evolução Animal e Genética da Academia Chinesa de Ciências.

O estudo: https://www.bmj.com/content/bmj/363/bmj.k4864.full.pdf

Fonte: http://abran.org.br/2019/01/16/estudo-aponta-que-refeicoes-fora-de-casa-contribuem-com-aumento-da-obesidade/

terça-feira, 26 de março de 2019

Jantar depois das 20 horas pode aumentar o risco de obesidade

A obesidade é um problema de saúde pública que vem aumentando em todo o mundo. 

Entre as causas da doença estão fatores, como genética, doenças endócrinas, excesso de alimentação, falta de atividade física e problemas para dormir. 

Outra possível causa para o excesso de peso é o horário das refeições, especialmente as realizadas à noite, indica estudo preliminar apresentado este final de semana durante a ENDO 2019, uma conferência médica realizada nos Estados Unidos. 

De acordo com os pesquisadores, indivíduos que jantam tarde estão em maior risco de apresentar níveis mais altos de gordura corporal e, consequentemente, maior Índice de Massa Corporal (IMC) – fator de risco para a obesidade.

A obesidade é um problema de saúde pública que vem aumentando em todo o mundo. Entre as causas da doença estão fatores, como genética, doenças endócrinas, excesso de alimentação, falta de atividade física e problemas para dormir. Outra possível causa para o excesso de peso é o horário das refeições, especialmente as realizadas à noite, indica estudo preliminar apresentado este final de semana durante a ENDO 2019, uma conferência médica realizada nos Estados Unidos. De acordo com os pesquisadores, indivíduos que jantam tarde estão em maior risco de apresentar níveis mais altos de gordura corporal e, consequentemente, maior Índice de Massa Corporal (IMC) – fator de risco para a obesidade.

Estudos anteriores já haviam feito associação similar, destacando que a ingestão alimentar feita após as 20 horas pode aumentar a probabilidade de desenvolver obesidade.

O estudo

Para chegar a este resultado, a equipe da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, recrutou 31 pessoas (90% mulheres, com idade média de 36 anos) que estavam acima do peso ou obesas. Para avaliar o máximo de variáveis capazes de interferir nas descobertas, os pesquisadores recolheram informações sobre o sono, os níveis de atividade e a dieta dos participantes. Além disso, cada um dos voluntários recebeu equipamentos para monitorar o ciclo de sono e o tempo gasto em atividades físicas ou sedentárias. A ingestão alimentar foi monitorada através de um aplicativo de telefone que permitia aos participantes fotografar as refeições, o que ajudava a registrar os horários da alimentação. Os níveis de glicose no sangue também foram acompanhados.

Os dados coletados apontaram que os participantes se alimentaram ao longo de 11 horas (do acordar ao dormir), sendo a última refeição realizada por volta das 20 horas da noite. A partir dessas informações, os pesquisadores perceberam que aqueles que comiam no final do dia tinham IMC mais alto, assim como maiores níveis de gordura corporal. “Comer no final do dia, mais à noite, parece estar ligado ao armazenamento de mais gordura corporal devido a diferenças hormonais a esta hora do dia”, explicou Lona.

A equipe ainda descobriu que esses indivíduos tinham um média de sono de 7 horas por noite – o que pode descartar a ideia de que a falta de sono interfere no risco de apresentar excesso de peso (pelo menos nesses voluntários). Apesar dos resultados, os cientistas ressaltam que os achados são preliminares e, portanto, será necessário dar continuidade às investigações para entender os mecanismos que ligam o horário da refeição ao aumento do risco de obesidade.

Dados de 2018 do Ministério da Saúde indicam que 18,9% da população acima de 18 anos nas capitais brasileiras é obesa. O percentual é 60,2% maior do que o obtido na primeira vez que o trabalho foi realizado, em 2006, quando essa parcela era de 11,8%. Esses números preocupam já que estudo do ano passado publicado no periódico Cancer Epidemmiology indicou que o Brasil terá 640.000 casos de câncer em 2025 – e quase 30.000 deles vão estar associados à obesidade.

Para esses pesquisadores, o aumento da obesidade está associada a industrialização e o alto consumo de alimentos processados. “A industrialização de sistemas alimentares mudou profundamente as culturas alimentares tradicionais, que eram geralmente composta de alimentos frescos e minimamente processados”, escreveram no relatório. A sugestão para solucionar a questão, de acordo com eles, é adotar intervenções e políticas de saúde pública capazes de reduzir o problema a nível populacional.

Além disso, as novas descobertas apontam para outra possível solução: antecipar o horário do jantar e evitar ingerir muitas calorias antes de dormir.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Obesidade favorecida pela genética.

No maior estudo desse tipo, realizado até o momento, pesquisadores da Universidade de Cambridge analisaram por que algumas pessoas conseguem permanecerem magras, enquanto outras engordam com muita facilidade. Eles descobriram que os dados genéticos são carregados em favor de pessoas magras e contra obeso. 

6 a cada 10 adultos no Reino Unido estão acima do peso, e 1 em cada 4 adultos é obeso.  Aos cinco anos, quase uma em cada quatro crianças está acima do peso ou é obesa. 

Embora seja sabido que mudanças em nosso ambiente, como fácil acesso a alimentos de alto teor calórico e estilos de vida sedentários, têm impulsionado o aumento da obesidade nos últimos anos, há considerável variação individual de peso dentro de uma população que compartilha o mesmo ambiente. 

Algumas pessoas parecem poder comer o que gostam, mesmo que aquilo não seja saudável e permanecem magras. Enquanto muitos obesos consomem alimentos ditos saudáveis, possuem rotina regular de atividade física e mesmo assim não alcançam o peso ideal. Isso levou algumas pessoas a caracterizarem pessoas com excesso de peso como preguiçosas ou sem força de vontade.

Com o apoio do Wellcome e do European Research Council, uma equipe liderada pelo professor Sadaf Farooqi no Wellcome-MRC Institute of Metabolic Science, da Universidade de Cambridge, estabeleceu o Estudo em Lean e Thin Subjects - STILTS - para examinar por que e como as pessoas conseguem mais fácil ficar magra do que outras. 

Estudos de gêmeos mostraram que a variação no peso corporal é amplamente influenciada por nossos genes. 

Até hoje, os estudos se concentraram em pessoas com excesso de peso. 

Centenas de genes foram encontrados que aumentam a chance de uma pessoa estar com sobrepeso e, em algumas pessoas, genes defeituosos podem causar obesidade severa desde tenra idade.

A equipe do professor Sadaf Farooqi foi capaz de recrutar 2.000 pessoas que eram magras (definidas como um índice de massa corporal (IMC) menor que 18 kg / m2), mas saudáveis, sem condições médicas ou distúrbios alimentares. 

Eles trabalharam com clínicos gerais em todo o Reino Unido, tendo amostras de saliva para permitir a análise de DNA e pedindo aos participantes que respondessem a perguntas sobre sua saúde geral e estilos de vida. 

Acredita-se que seja a única coorte de seu tipo no mundo e os pesquisadores dizem que o Instituto Nacional de Pesquisa em Saúde do Reino Unido - a infraestrutura de pesquisa do Serviço Nacional de Saúde - possibilitou e apoiou fortemente suas pesquisas.

Em um estudo publicado hoje na revista PLOS Genetics , a equipe do Professor Farooqi colaborou com a equipe da Dra Inês Barroso no Wellcome Sanger Institute para comparar o DNA de cerca de 14.000 pessoas - 1.622 voluntários magros da coorte STILTS, 1.985 pessoas gravemente obesas e outras 10.433 controles de peso normais.

Nosso DNA compreende uma sequência de moléculas conhecidas como pares de bases, representadas pelas letras A, C, G e T. As cadeias desses pares de bases formam regiões genéticas (que incluem ou formam nossos genes). Nossos genes fornecem o código de como nossas funções corporais e alterações na ortografia - por exemplo, um C no lugar de um A - podem ter alterações sutis ou às vezes dramáticas em recursos como cor de cabelo e cor dos olhos, mas também em peso.

A equipe encontrou várias variantes genéticas comuns já identificadas como tendo um papel na obesidade. Além disso, eles encontraram novas regiões genéticas envolvidas na obesidade severa e algumas envolvidas na magreza saudável.

Para ver o impacto que esses genes tiveram no peso de um indivíduo, os pesquisadores adicionaram a contribuição das diferentes variantes genéticas para calcular um escore de risco genético.

"Como antecipado, descobrimos que as pessoas obesas tinham uma pontuação de risco genético maior do que as pessoas com peso normal, o que contribui para o risco de excesso de peso. Os dados genéticos são carregados contra eles", explica o Dr. Barroso.

É importante ressaltar que a equipe também mostrou que pessoas magras tinham uma pontuação de risco genético muito menor - elas tinham menos variantes genéticas que sabemos que aumentam as chances de uma pessoa estar acima do peso.

"Esta pesquisa mostra pela primeira vez que pessoas magras e saudáveis ​​são geralmente magras porque têm uma menor carga de genes que aumentam as chances de uma pessoa estar acima do peso e não porque são moralmente superiores, como algumas pessoas gostam de sugerir", diz o professor Farooqi. . "É fácil apressar o julgamento e criticar as pessoas pelo seu peso, mas a ciência mostra que as coisas são muito mais complexas. Temos muito menos controle sobre o nosso peso do que poderíamos pensar."

Três em cada quatro pessoas (74%) na coorte STILTS tinham histórico familiar de serem magras e saudáveis ​​e a equipe encontrou algumas mudanças genéticas que eram significativamente mais comuns em pessoas magras, o que, dizem, pode permitir que identifiquem novos genes e biológicos. mecanismos que ajudam as pessoas a ficarem magras.

"Já sabemos que as pessoas podem ser magras por diferentes motivos", afirma o professor Farooqi. "Algumas pessoas simplesmente não estão interessadas em comida, enquanto outras podem comer o que gostam, mas nunca engordar. Se pudermos encontrar os genes que os impedem de engordar, poderemos direcionar esses genes para encontrar um novo peso". estratégias de perda e ajudar as pessoas que não têm essa vantagem ".

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Autor: Dr. Alberto Dias Filho - Médico endocrinologista de Goiânia

Para corrigir a mudança climática, conserte a obesidade e as epidemias de fome, dizem os relatórios



O mundo precisa encontrar soluções para combater três pandemias inter-relacionadas - obesidade, fome e mudança climática - e precisa fazê-lo rapidamente antes que o planeta esteja "queimado", segundo um relatório divulgado no domingo.

A Comissão Lancet, um grupo de 43 especialistas de 14 países com uma ampla gama de conhecimentos recrutados pela revista, abordou o tema com relatórios de alto perfil em 2011 e 2015 , mas "pouco progresso foi feito" além de reconhecer a epidemia, os autores do mais novo relatório argumentam; na verdade, o problema está piorando.

Em todo o mundo, nem um país reverteu sua epidemia de obesidade e, muitas vezes, empresas poderosas impulsionadas pelo lucro influenciam políticas que "estão em desacordo com o bem público e com a saúde planetária", diz o relatório. 

É um problema que se tornou o que os autores chamam de syndemic global.

Uma sindêmica é "uma sinergia de pandemias que co-ocorrem", interagem e compartilham causas comuns. 

Essas três pandemias representam o "desafio supremo para os humanos, o meio ambiente e nosso planeta".

Juntos, obesidade e desnutrição são a maior causa de morte prematura. 

Globalmente, mais de 2 bilhões de adultos e crianças estão com sobrepeso ou obesos e têm problemas de saúde por causa disso, segundo pesquisas. 

As pessoas não praticam ou não podem se exercitar, e esse é o quarto principal fator de risco de morte.

Simultaneamente, existe o problema oposto. 

Em 2017, a fome mundial aumentou pelo terceiro ano consecutivo, segundo pesquisa da ONU.

Dois bilhões lutam com deficiências de micronutrientes e 815 milhões são cronicamente subnutridos, diz o relatório.

À medida que as temperaturas globais sobem mais rapidamente do que o previsto, a mudança climática pode levar a muito mais mortes do que os 250.000 por ano previstos pela Organização Mundial da Saúde há apenas cinco anos. 

Por causa da escassez de alimentos sozinha, o mundo poderia ver um aumento líquido de 529.000 mortes de adultos até 2050, segundo a pesquisa.

Os novos relatórios sugerem que há uma solução: os governos, empresas e ativistas devem lidar com essas questões de obesidade e desnutrição enquanto enfrentam as mudanças climáticas. 

Cada problema está relacionado, e cada um deles, em grande parte, acontece por causa de "incentivos econômicos equivocados", "poderosos interesses investidos", "inércia política" e demanda "insuficiente" por mudança do público.

Soluções que ajudam um pode ajudar o outro. 

Por exemplo, se os governos investirem mais em transporte público, isso tornará mais conveniente e acessível para as pessoas conseguirem empregos que ponham comida na mesa. 

Aqueles que dirigem menos e tomam o transporte público com mais frequência fazem mais exercícios e, segundo estudos , tendem a não ser obesos. 

Se menos pessoas dirigissem carros, também haveria menos gases de efeito estufa para contribuir com as mudanças climáticas.

As outras recomendações do relatório incluem a redução dos subsídios do governo para carne bovina, laticínios, açúcar, milho, arroz e trigo e redirecionar esse dinheiro para a agricultura sustentável para alimentos mais saudáveis. 

O fortalecimento das leis que aumentam a transparência permitiria que as pessoas vissem quanto dinheiro os políticos obtêm dos grandes conglomerados de alimentos para perpetuar políticas insalubres. 

Outra sugestão: fornecer rótulos nutricionais claros sobre os produtos e adicionar rótulos para explicar como um alimento é sustentável, incluindo a quantidade de água e carbono necessários para produzi-lo. 

Além disso, os autores recomendam investir US $ 70 bilhões em 10 anos em um "Fundo de Alimentos" global para reduzir a desnutrição.

Os autores também dizem que os filantropos devem investir US $ 1 bilhão adicionais para impulsionar a defesa social para demandar soluções para essas organizações sindicais.

Essas sindemicas "precisam ser enfrentadas, e não foram abordadas, e essa é uma preocupação central", disse o coautor do relatório, Tim Lobstein, diretor de políticas da Federação Mundial de Obesidade.

Os autores dizem que as empresas podem ajudar a liderar o caminho, investindo mais em energia sustentável. 

Esse investimento reduz a poluição que causa a mudança climática e torna o ar mais fácil de respirar, o que significa que as pessoas podem se exercitar mais do lado de fora.

"O Relatório da Comissão Lancet pode conter apenas os ingredientes certos necessários para um mundo com desafios nutricionais", disse Katie Dain, CEO da parceria global da Aliança para Doenças Não Transmissíveis , que não esteve envolvida no relatório. 

"Por muito tempo, temos sonhado acordado o nosso caminho para um futuro doente, totalmente evitável. A mensagem interligada do relatório sobre nutrição e mudança climática é clara: um sistema alimentar que garanta uma dieta melhor para isso e para as próximas gerações salvar milhões de vidas e, ao mesmo tempo, também ajudar a salvar o planeta ".

Os autores esperam que o novo relatório inicie uma conversa que crie alianças para pressionar por melhores políticas e encorajar as empresas a criar produtos acessíveis que melhorem, ao invés de tirar, a saúde das pessoas.

O que temos agora é "insustentável, e devemos agir", disse o co-autor William H. Dietz , diretor do Centro Global de Prevenção e Bem-Estar de Sumner M. Redstone e professor da Universidade George Washington. Caso contrário, o planeta poderia estar "queimando" dentro de 50 anos.

Corinna Hawkes , professora da City University London, que trabalhou no relatório, observa: "Sem dúvida, é altamente ambicioso, dado o mundo de hoje".

Mas Dietz acrescentou que soluções urgentes são necessárias. "Estamos correndo contra o tempo."

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Fonte: https://edition.cnn.com/2019/01/27/health/obesity-climate-change-undernutrition/index.html

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

A frequência em que se pesa altera o processo de emagrecimento ?

Preocupação com peso corporal é algo infelizmente inserido na cultura da população como algo comum e aceitável. Eu digo infelizmente, pois ao contrário do que se imagina, a preocupação real não está relacionada à saúde ou melhora de hábitos de vida saudáveis, e sim relacionados à preocupação estética com o corpo. Assim, pesar-se em suas balanças de casa ou mesmo na balança da farmácia passou a ser um hábito incorporado em boa parte das pessoas e se tornou automático, mesmo para quem efetivamente não está preocupado com ganhos ou perdas de peso. E diante disto, para aquelas pessoas que estão insatisfeitas com seu corpo, e acreditam que perder peso seja uma solução, pesar-se se tornou uma obrigação. Acredita-se que, assim, será mais fácil manter o controle sobre o que deverá comer naquele ou no próximo dia para tentar perder ou manter o peso. Além disso, a autoavaliação de peso de forma frequente é muitas vezes recomendada por profissionais em intervenções para perda de peso, acreditando que supostamente pode prevenir o ganho de peso.

Mas será que funciona? Será que pode levar a consequências negativas?

Vamos ver o que nos dizem as evidências científicas?

Cito dois estudos que abordam este tema. O primeiro deles, uma publicação recente de agosto de 2018 por Rohde e colaboradores, que revelou que jovens adultos que se pesam mais frequentemente durante a semana apresentam maior ganho de peso que aqueles que se pesam menos frequentemente ao longo de dois anos de observação, relacionando também com maior risco de apresentarem episódios de compulsão alimentar e tendência a comportamentos compensatórios inadequados na tentativa inapropriada de promoverem de perda de peso. Estes achados sugerem claramente que a autopesagem deve ter efeitos negativos sobre a tentativa de controle de peso. Em revisão de literatura publicada em 2011 por Burke e colaboradores, em que 14 estudos que avaliaram monitorização de peso publicados entre 1993 e 2009 foram analisados, na associação entre automonitoramento e perda de peso, o nível de evidência era fraco (ou seja, monitorar-se com pesagens não determina perda de peso) por causa de limitações metodológicas. Esta revisão destacou a necessidade de estudos populacionais, para definição de medidas objetivas de adesão ao automonitoramento e estudos que estabeleçam qual o padrão necessário de autopesagem para a possibilidade de resultados bem sucedidos.

Mas, e por que será que isto ocorre?

É preciso entender que nosso peso corporal sofre influências de vários fatores comuns do dia a dia e uma oscilação diária é esperada, sem representar aumento ou diminuição real de adiposidade (tecido gorduroso). O quanto de líquidos se ingere em um dia, a frequência que se urina ou de ritmo intestinal, o grau de atividade física diária, o clima quente ou frio (que influencia nossas escolhas alimentares ou nossa hidratação) podem impactar no número exposto na balança sem representar real ganho ou perda de gordura corporal. Assim sendo, a pesagem frequente pode, por consequência de oscilações habituais de peso (sem valor clínico real), levar a insatisfações e frustrações que interferirão nos comportamento alimentar. E podem aparecer como episódios de compulsão ou exagero alimentar ou como tentativas inadequadas de compensação, como fazer restrição e jejuns ou aumentar a intensidade de atividade física, que representam sintomas de um comportamento alimentar transtornado.

Em resumo, as evidências sugerem que se pesar mais frequentemente foi associado com maiores ganhos futuros de peso e pode estar associada a um risco aumentado de início de comportamentos não saudáveis de controle de peso compensatório e posterior surgimento de comportamento alimentar transtornado. 

Autor: Dr. Alexandre Pinto de Azevedo, médico psiquiatra do Programa de Transtornos Alimentares (AMBULIM) do IPq-HC-FMUSP

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Opinião: onde estamos errando no diagnóstico da obesidade?

Muito interessante essa reflexão do Dr. Fabiano M. Serfaty, médico endocrinologista. Mas mais importante que o diagnóstico é sabermos onde estamos errando no tratamento da obesidade. Nunca tivemos um mundo falando tanto de dieta, fazendo tantas dietas... e mesmo assim a obesidade tem se tornado uma pandemia. 

Opinião: onde estamos errando no diagnóstico da obesidade? por Dr. Fabiano Serfaty

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a obesidade é uma condição médica na qual se tem acúmulo de tecido adiposo em excesso, o que pode gerar impacto negativo na saúde do indivíduo, levando à redução da esperança de vida e ao aumento dos problemas de saúde[1].

A maneira mais utilizada para se avaliar e definir o grau de obesidade é por meio da avaliação do índice de massa corporal (IMC), embora este não seja sensível à composição e à distribuição de gordura[2,3,4]. O IMC é calculado pela divisão do peso em kg pela altura em metros elevada ao quadrado (kg/m²). As classificações para os níveis de IMC adotadas pela OMS e pelos National Institutes of Health (NIH) dos EUA para indivíduos caucasianos, hispânicos e negros são[1,5]:

Abaixo do peso: <18 div="" kg="" m2="">
Peso normal: ≥ 18,5 a 24,9 kg/m2
Sobrepeso: ≥25,0 a 29,9 kg/m2
Obesidade: ≥ 30 kg/m2
Obesidade Grau I: 30,0 a 34,9 kg/m2
Obesidade Grau II: 35,0 a 39,9 kg/m2
Obesidade Grau III: ≥40 kg/m2

Limitações da utilização IMC

O IMC apresenta importantes limitações, podendo superestimar o grau de obesidade em indivíduos com grande massa muscular[6]. Os idosos, por sua vez, tendem a ter menor densidade óssea, maior risco de sarcopenia e massa corporal magra reduzida, portanto, podem pesar menos que os adultos mais jovens da mesma altura. De acordo com o Ministério da Saúde brasileiro, no idoso, o IMC normal varia de > 22 a < 27 kg/m2. Além disso, existem variações na composição corporal entre diferentes grupos populacionais. Os negros, por exemplo, apresentam maior densidade corporal e massa magra em comparação com os brancos. Já em populações asiáticas, para que se tenha a redução do risco de eventos cardiovasculares é necessário que os níveis de IMC estejam no limite inferior da normalidade.

Por outro lado, a obesidade de peso normal, definida como a combinação de IMC normal e alto teor de gordura corporal, está associada ao aumento do risco de mortalidade por uma série de causas. Vários estudos demonstraram que o IMC não reflete, de fato, o conteúdo real de gordura corporal, causando erros no diagnóstico de sobrepeso ou obesidade[7,8].

O IMC é o melhor parâmetro?

Embora a obesidade, definida pelo IMC, influencie o risco cardiovascular, este parâmetro apresenta importante limitações na previsão da mortalidade cardiovascular. Nos últimos anos vários estudos demonstraram que outros índices de avaliação da adiposidade têm sido cada vez mais associados a um maior risco cardiometabólico dos pacientes. Devido à “epidemia” global da obesidade, o interesse na eficácia da utilização destes parâmetros está aumentando tanto para adultos quanto para crianças em muitos países e em diferentes grupos étnicos.

Circunferência abdominal

A circunferência abdominal é uma maneira de medir a obesidade abdominal, que fornece informações que o IMC não é capaz de fornecer. Segundo recomendações da OMS, a medida da circunferência deve ser aferida na região mais estreita do abdome ou no ponto médio entre o rebordo costal inferior e a crista ilíaca. Ela deve ser medida com uma fita flexível colocada em plano horizontal. Os pacientes com obesidade abdominal, também chamada de adiposidade central, obesidade visceral ou androide, apresentam maior risco de desenvolver diabetes, doenças cardíacas, câncer, apneia obstrutiva do sono, acidente vascular cerebral (AVC), hipertensão arterial sistêmica, dislipidemia e doença hepática gordurosa não alcoólica[7,8,9].

Existe, de fato, uma variabilidade étnica nos valores da circunferência da cintura que preveem um risco cardiovascular aumentado. Por exemplo, os japoneses americanos e índios do sul da Ásia têm maior gordura total e gordura visceral, por isso podem apresentar maior risco de desenvolver diabetes tipo 2 para o mesmo nível IMC que os brancos. Em mulheres asiáticas, uma circunferência da abdominal ≥80 cm e em homens asiáticos um valor ≥ 90 cm são considerados anormais.

O diagnóstico da obesidade abdominal é de extrema importância na estratificação de risco cardiovascular, por isso é de fundamental associar a medida da cintura abdominal ao IMC durante exame físico do médico. A técnica é simples e fácil de executar, além de ser de baixo custo, e de demostrar uma boa associação com a adiposidade visceral[8,9,10,11,12].

De acordo com o National Cholesterol Education Program (NCEP) /Adult Treatment Panel III (ATP-III), os valores de ponto de corte específicos para sexos associados ao aumento do risco cardiovascular são: ≥ 102 cm em homens e ≥ 88 cm em mulheres[13]. Pela International Diabetes Federation (IDF), a obesidade abdominal é utilizada como critério diagnóstico para síndrome metabólica de acordo com a seguinte classificação:

homens brancos de origem europeia e negros: ≥ 94 cm;
homens sul-asiáticos, ameríndios, chineses e japoneses: ≥ 90 cm;
mulheres brancas de origem europeia, negras, sul-asiáticas, ameríndias, chinesas e japonesas ≥ 80 cm.[13]

Relação cintura-quadril

A medição da relação cintura-quadril não oferece nenhuma vantagem sobre a circunferência da cintura sozinha, é frequentemente usada por clínicos, e atualmente não é recomendada como parte da avaliação rotineira da obesidade por American Heart Association (AHA)/American College of Cardiology (AC )/The Obesity Society (TOS). Atualmente, a OMS reconhece como ponto de corte para aumento de risco cardiovascular uma relação cintura-quadril > 0,8 em mulheres e > 0,9 em homens. Entretanto, estas estimativas são derivadas de populações predominantemente caucasianas, e por isso existem dúvidas sobre a aplicabilidade destes ponto de corte nestes valores em populações não caucasianas.

De fato, a circunferência da cintura e uma relação cintura quadril demonstraram em vários estudos serem melhores do que o IMC para identificar os indivíduos com maior risco de desenvolver doenças relacionadas a aterosclerose. Em qualquer nível de IMC, o risco de desenvolvimento de doença cardiovascular, tanto em homens quanto em mulheres, é diretamente proporcional ao aumento da gordura abdominal[14,15,16].

Relação cintura-estatura

Independentemente da idade e do sexo, a relação cintura-estatura é uma maneira simples de se avaliar o risco metabólico de um paciente. Um valor ≥ 0,5 é um indicador significativo de risco, podendo ser traduzido na mensagem “mantenha sua cintura em menos de metade da sua altura.”[17,18]. Alguns estudos classificam como pontos de corte:

Baixo risco: <0 div="">
Risco elevado:  ≥0,5 e <0 div="">
Risco muito elevado: ≥ 0,6.[17]

Em termos de custo e eficácia, a medição do IMC necessita de balanças para pesagem, assim como um estadiômetro para medir a altura. Já a relação cintura-estatura requer uma fita métrica e um estadiômetro. Tendo em vista que uma fita métrica é mais barata e mais portátil do que as balanças de pesagem, a relação cintura-estatura pode também apresentar um custo benefício melhor do que o IMC[17,18].

De acordo com uma extensa meta-análise publicada na Obesity Reviews compreendendo adultos de diversos grupos étnicos, a relação cintura-estatura é um parâmetro antropométrico clínico superior à circunferência abdominal e ao IMC para a detecção de fatores de risco cardiometabólicos, tanto no sexo masculino quanto no feminino[19].

Vários estudos prévios já demonstraram que a relação cintura-estatura é um parâmetro útil e confiável para avaliar a gordura abdominal, especialmente a visceral, que esta associada ao desenvolvimento de uma série de fatores de riscos cardiometabólicos[20,21,22,23,24,25,26,27,28,29].

Em uma outra recente meta-análise, que avaliou crianças e adolescentes, a relação cintura-estatura mostrou ser um bom preditor de risco cardiometabólico, sendo em alguns estudos melhor que o IMC e a medição da cintura abdominal. O autor desta meta-análise sugere, inclusive, o uso de rotina da relação cintura-estatura em vez do IMC e da cintura abdominal para a identificação mais simples e precoce das crianças e dos adolescentes com fatores de risco cardiovascular[30,31].

Devido a limitações claras do IMC, a relação cintura-estatura é considerada por muitos autores o melhor indicador clínico de risco para a saúde, pois pode ser usado na infância, na vida adulta, assim como em todo o mundo e em todos os grupos étnicos[17,18,19,20,21,22,23,24,25,26,27,28,29,30,31]. É importante frisar que, geralmente, crianças menores de cinco anos não são contadas em estudos populacionais[17].

Como definir melhor a obesidade?

A estimativa da composição da gordura corporal vem sendo estudada em diversas populações ao redor do mundo, mas a precisão destas estatísticas ainda é prejudicada pela variedade dos diferentes métodos indiretos de avaliação da composição corporal[31]. Os limites padrões acima de 25% e 35% de gordura são utilizados classicamente como definição de obesidade em homens e mulheres, respectivamente[32].

A adiposidade visceral pode ser medida com precisão por tomografia computadorizada (TC), ressonância magnética (RM), e com menor precisão por dupla absorciometria de raios-x de energia (DEXA).      Como exemplo desta mensuração, a TC define a obesidade visceral como > 130 cm2 [32,33].

Estudos de imagens realizados em grandes coortes, como o Framingham Heart Study e o Jackson Heart Study, demonstraram que o aumento da adiposidade visceral, associado ao excesso de deposição de gordura ectópica, estão significativamente ligados a um aumento significativo do desenvolvimento de anormalidades metabólicas e de doenças cardíacas, sendo esta relação independente da quantidade de tecido adiposo total ou subcutâneo presente[34,35].

A bioimpedância é mais utilizada na prática clínica e mede a água corporal, fornecendo uma medida validada da massa gorda corporal e da massa livre de gordura. O exame se baseia na altura, no peso e no sexo específico de cada paciente para, deste modo realizar a análise da composição corporal dele[36,37,38].

Além do IMC, outros índices antropométricos de avaliação da adiposidade têm sido cada vez mais associados a um maior risco cardiometabólico e precisam ser levados em consideração na prática clínica, assim como na avaliação e na estratificação de risco do paciente. Embora a pesagem hidrostática, a composição corporal por absorciometria com raios-X de dupla energia (DEXA), a tomografia computadorizada (TC) e a ressonância magnética (RM) proporcionem uma medida mais precisa da distribuição da gordura corporal, elas são geralmente reservadas como ferramentas de pesquisa devido ao custo adicional e ainda não estão disponíveis para uso em larga escala na prática clínica[39,40].

Ponto de vista

Definir a obesidade com base apenas na altura e no peso, por meio do IMC, é simplificar uma doença multifatorial e complexa, que precisa ser encarada com seriedade por todos os setores da sociedade. São necessários todos os esforços possíveis para o diagnóstico precoce e a elaboração de medidas públicas e individuais, que ajudem e tratem o paciente obeso, que sofre com tanto preconceito. É preciso agir ativamente e rapidamente para combater a “epidemia” global de obesidade com toda dedicação profissional possível, unindo forças, para realizar medidas públicas e também pessoais, avaliando, escutando, entendendo e individualizando cada paciente na sua essência.