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sexta-feira, 23 de julho de 2010

Bisfenol-A(BPA): Ao contrário do que diz a Abiquim já existem estudos científicos dos riscos à saúde



Recentemente o MPF/SP instaurou inquérito para apurar riscos da substância bisfenol-A (BPA) à saúde, tendo em vista as crescentes preocupações mundiais com os reconhecidos riscos desta substância. Como não poderia deixar de ser, aAssociação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) imediatamente negou que os riscos existam.


Em entrevista a jornalista Daniel Mello, repórter da Agência Brasil, em 19/07/2010, o presidente da Abiquim, Nelson Pereira dos Reis,

…confirmou que dentro dos limites o Bisfenol não representa perigo. Segundo ele, mesmo com parte da substância pode se misturando ao alimento, se as normas de dosagem forem seguidas, a substância é eliminada rapidamente do organismo. “Ele é eficientemente metabolizado e excretado”, destacou.

A proibição do Bisfenol em alguns países se deve, de acordo com Pereira, a decisões políticas não embasadas em fatos científicos. “Não há nada cientificamente comprovado que o uso do Bisfenol A ofereça risco à saúde”.

A substância é utilizada, segundo ele, apenas em uma pequena parte dos produtos feitos de plástico. “O Bisfenol é utilizado na fabricação de policarbonados, o que perto do conjunto dos plásticos é uma parte muito pequena, perto de 1%.”

Apesar de garantir a segurança do produto, o presidente da Abiquim disse que “testes adicionais são bem-vindos”….

A declaração, meramente protocolar, não foi diversa do que seria de se esperar, principalmente considerando que a indústria química nunca foi uma militante da transparência e da verdade. Mas, neste caso, a distorção dos fatos pode ser uma ameaça à saúde pública.

O bisfenol-A (BPA) é tema recorrente nos meus textos como editor de ciências e, em razão disto, me darei ao trabalho de documentar vários estudos científicos dos riscos à saúde do BPA.

Vejamos:

A exposição aos níveis ambientais regulamentados para indústria química dos EUA, pela EPA, ainda no útero e/ou no início da vida pode causar danos de longa duração à função testicular, segundo um novo estudo realizado em animais. Os resultados foram apresentados segunda-feira na 92a Reunião Anual da Endocrine Society’s, realizada em San Diego.
O estudo foi apresentado por Benson Akingbemi, PhD, principal autor do estudo e um professor adjunto na Auburn (Ala.) University.

Na mesma reunião da Endocrine Society’s, foi apresentado um estudo do Prof. Evanthia Diamanti-Kandarakis, PhD, da University of Athens Medical School in Greece, segundo o qual mulheres com síndrome dos ovários policísticos (SOP), o desequilíbrio hormonal mais comum em mulheres em idade reprodutiva, podem ser mais vulneráveis à exposição ao BPA.
O estudo sugere que o BPA, um disruptor hormonal conhecido, é mais presente e associado com níveis mais altos de hormônios masculinos no sangue das mulheres com SOP, quando comparadas com mulheres saudáveis .

O estudo Bisphenol-A exposure in utero leads to epigenetic alterations in the developmental programming of uterine estrogen response], publicada na edição online da revista FASEB (http://www.fasebj.org), agrega mais dados de que os níveis considerados seguros, de exposição ao Bisfenol-A(BPA), não são efetivamente seguros. A pesquisa sugere que a exposição ao bisfenol A (BPA) durante a gestação leva a alterações epigenéticas que podem causar problemas de reprodução permanente na prole do sexo feminino. [in http://www.ecodebate.com.br/2010/03/01/a-exposicao-de-ratas-gravidas-ao-bisfenol-abpa-indica-que-a-contaminacao-pode-afetar-a-saude-da-prole-do-sexo-feminino/]
No estudo [Maternal Bisphenol A Exposure Promotes the Development of Experimental Asthma in Mouse Pups], pesquisadores expuseram ratas prenhas ao BPA, em dosagens proporcionais a uma mulher grávida, ao longo da gestação e do período de amamentação, identificando que a exposição aumentou o risco do desenvolvimento de asma. A pesquisa foi publicada na edição de fevereiro da revista Environmental Health Perspectives. [in http://www.ecodebate.com.br/2010/02/05/pesquisa-sugere-que-exposicao-de-gestantes-ao-bisfenol-abpa-aumenta-o-risco-de-asma-nas-criancas-por-henrique-cortez/ ]
Pesquisadores da Universidade de Exeter e Peninsula Medical School descobriram mais evidências de uma ligação entre a exposição ao bisfenol-A(BPA) e doença cardiovascular.
A pesquisa [Association of Urinary Bisphenol A Concentration with Heart Disease: Evidence from NHANES 2003/06] avaliou dados do estudo populacional NHANES 2005-2006, relativo aos EUA e seus resultados foram publicados pela revista online, PlosOne. [in http://www.ecodebate.com.br/2010/01/19/estudo-confirma-ligacao-do-bisfenol-abpa-a-doencas-cardiovasculares-em-adultos-por-henrique-cortez/ ]

De acordo com reportagem [BPA in the womb shows link to kids’ behavior] de Janet Raloff, na edição online do Science News, de 06/10/2009, as meninas que tiveram exposição pré-natal ao bisfenol-A (BPA), no início da gravidez, mostraram-se mais agressivas que os meninos, além de índices maiores de ansiedade. De acordo com o Science News, esta é a primeira pesquisa a associar a exposição a um contaminante ambiental aos problemas de comportamento diferenciado por gênero. [in http://www.ecodebate.com.br/2009/10/09/exposicao-pre-natal-ao-bisfenol-abpa-e-relacionada-a-efeitos-comportamentais-adversos-nas-criancas-por-henrique-cortez/ ]
Em um estudo [Use of Polycarbonate Bottles and Urinary Bisphenol A Concentrations] da Harvard School of Public Health (HSPH) pesquisadores descobriram que os participantes que, ao longo de uma semana, beberam em garrafas de policarbonato , comumente usado garrafas plásticas e mamadeiras, apresentaram um aumento de dois terços da substância química bisfenol-A (BPA) na urina . [in http://www.ecodebate.com.br/2009/05/25/estudo-confirma-a-contaminacao-por-bisfenol-a-bpa-a-partir-de-garrafas-plasticas/ ]
Pesquisadores da Yale School of Medicine comprovaram que o bisfenol-A (BPA) pode afetar primatas, tendo observado que ele produziu danos neurológicos em macacos. É a primeira evidência de que o BPA pode afetar a saúde de primatas e, por consequência, também os humanos.
A pesquisa foi publicada na edição online da PNAS, Proceedings of the National Academy of Sciences. O estudo “Bisphenol A prevents the synaptogenic response to estradiol in hippocampus and prefrontal cortex of ovariectomized nonhuman primates“, publicado na revista online PNAS, 10.1073/pnas.0806139105, está disponível para acesso integral no formato HTML. Para acessar o estudo clique aqui. [in http://www.ecodebate.com.br/2009/03/19/pesquisa-relaciona-o-bisfenol-a-bpa-a-danos-neurologicos/ ]

Estudo [State of the Evidence The Connection Between Breast Cancer and the Environment] sugere que produtos químicos encontrados em praticamente tudo, de pesticidas aos plásticos para produtos de higiene pessoal, ‘imitam’ ou alteram o hormônio estrógeno. Dentre estes produtos químicos destacam-se os controversos ftalatos e o bisfenol-A (BPA).
Os pesquisadores analisaram 400 estudos epidemiológicos e experimentais. De acordo com a pesquisa, a exposição a substâncias químicas comuns encontradas em garrafas plásticas de água, mamadeiras e embalagens de alimentos podem ser ligados ao desenvolvimento de câncer de mama, ao longo da expectativa de vida. [in http://www.ecodebate.com.br/2009/02/20/nova-pesquisa-reafirma-a-relacao-entre-exposicao-quimica-e-cancer-de-mama/ ]

Uma nova pesquisa, [Oral Exposure to Bisphenol A Increases Dimethylbenzanthracene-Induced Mammary Cancer in Rats] realizada na Universidade do Alabama em Birmingham, agrega novas informações e preocupações sobre o aditivo plástico bisfenol-A, BPA , comumente usado em produtos de consumo, inclusive mamadeiras, garrafas de água e revestimentos de latas.
O Dr. Coral Lamartiniere, descacado toxicologista e cientista sênior no Comprehensive Cancer Center, da UAB, concluiu que os baixos níveis de bisfenol-A, BPA, administrado via oral em roedores, causou tumores e alterações genéticas compatíveis com fases iniciais de câncer. [in http://www.ecodebate.com.br/2009/01/13/nova-pesquisa-reafirma-os-riscos-do-bisfenol-a-bpa-para-o-desenvolvimento-de-cancer-por-henrique-cortez/ ]

Frederick vom Saal, pesquisador da Divisão de Ciências Biológicas, da University of Missouri-Columbia, ao avaliar que o Canadá estuda proibir a utilização do BPA em produtos infantis, afirma que isto é um grande passo, mas não é o suficiente, porque o seu uso deve ser proibido integralmente. O Bisfenol A é, reconhecidamente, um disruptor do sistema hormonal e , em cobaias animai, já foi relacionado com o aumento do risco de desenvolvimento de câncer. Dados do Centers for Disease Control and Prevention mais de 90% dos norte-americano, com mais de 6 anos de idade, possuem algum grau de presença do BPA no organismo.
Vom Saal detaca que numerosos estudos com animais relacionam o BPA com disfunções sexuais, redução na contagem de esperma, feminização de macho e câncer de próstata. Ele afiram, ainda, que na pesquisa com animai não foram identificados níveis seguros de exposição ao Bifenol ª [in http://www.ecodebate.com.br/2008/09/20/pesquisador-afirma-que-nao-existem-niveis-seguros-de-exposicao-ao-bisfenol-a-bpa/ ]

Garrafas de plástico, quando aquecidas com água fervente, liberam químicos tóxicos bisfenol A (BPA), a uma taxa 55 vezes superior do que quando preenchidas com água temperatura em ambiente. É o que afirma um estudo realizado por pesquisadores da University of Cincinnati College of Medicine e publicado na revista Toxicology Letters.
Pesquisa publicada na revista Journal of the American Medical Association, JAMA, afirma que o BPA, utilizado em plásticos de garrafas e mamadeiras, está associado ao aumento dos casos de diabetes e problemas cardíacos. Pesquisadores da Exeter University, demonstraram que pessoas com altos níveis de BPA no organismo possuem alta probabilidade de desenvolver algumas doenças.
A pesquisa foi realizada utilizando dados dos EUA, coletados no National Health and Nutrition Examination Survey 2003-2004, com 1.455 adultos entre 18 e 74 anos. A concentração de BPA foi coletada em exames de urina.

Os cientistas identificaram que as pessoas com problemas cardiovasculares e diabetes possuíam maiores concentrações de Bisfenol A em suas urinas.

Para acessarem a íntegra do estudo “Association of Urinary Bisphenol A Concentration With Medical Disorders and Laboratory Abnormalities in Adults”, publicado no JAMA Vol. 300, No. 11, September 17, 2008, cliquem aqui.

Para acessarem o editorial do JAMA, na mesma edição, “Bisphenol A and Risk of Metabolic Disorders” cliquem aqui.

Há, portanto, informações e pesquisas mais do que suficientes para documentar os riscos do bisfenol-A (BPA) à saúde.

Os casos aqui relatados mostram que apenas a Abiquim convenientemente desconhece estes estudos.

Em nenhuma hipótese é aceitável que os interesses corporativos e o lucro possam significar quaisquer riscos à saúde

O MPF/SP está absolutamente correto e, quem sabe assim, a Anvisa, finalmente, proíba esta ‘bomba’ química em nosso país, apesar dos poderosos interesses aos quais a Abiquim representa.

Por Henrique Cortez, para o EcoDebate, 23/07/2010.


FONTE

quarta-feira, 8 de junho de 2011

A qualidade das embalagens comercializadas no país: Você é o que come na embalagem que consome?

Por meio do sistema endócrino, os agentes químicos interferem nos organismos e alteram a síntese e a metabolização dos hormônios. Ele é integrador, assim como o sistema nervoso autônomo, e é regulado por uma série de eixos de retroalimentação. Interferentes químicos ambientais alteram a produção de hormônios agindo como desreguladores endócrinos.

Para debater este assunto, a conselheira do Cremesp e endocrinologista Ieda Verreschi convidou o químico Peter Rembischevski – mestre em química orgânica e especialista em toxicologia, há 10 anos na Gerência Geral de Toxicologia da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) – e Fabiana Dupont, uma das criadoras do portal O Tao do Consumo (Você é o que come na embalagem que consome – www.otaodoconsumo.com.br), com foco em informações sobre agentes químicos desreguladores como o Bisfenol A, presente em embalagens plásticas para alimentos.

Ieda: A partir de 1980 surgiram pesquisas científicas sobre desreguladores endócrinos, indicando que provocavam alterações em algumas espécies sem maior repercussão. Recentemente, o assunto passou a ter maior destaque em conferências científicas.

Peter: O conhecimento científico nessa área cresceu muito nos últimos dois anos. Ensaios em animais e células humanas demonstraram que o bisfenol e outros desreguladores endócrinos têm potencial para causar efeitos adversos. A dúvida é se as doses empregadas nos estudos estão acima das que se correlacionam com a exposição humana. Mas, não podemos descartar os efeitos nocivos demonstrados em animais.

Fabiana: Pesquisas apontam que a maior fonte de exposição de crianças ao bisfenol é a mamadeira de policarbonato. Já a de adultos são as latas de alimentos e bebidas.

Peter: Estudos não comprovaram efeitos nocivos em baixíssimas doses. A Comunidade Europeia baniu recentemente a mamadeira de policarbonato, que contém bisfenol, baseada no princípio de precaução. Nesse caso é bem aplicado, pois não há certeza sobre sua segurança, há indícios de malefícios. Gosto da frase dos toxicologistas de que “a ausência de evidência não é o mesmo que evidência de ausência”. Comprovar que os níveis de bisfenol presentes em mamadeiras ou em enlatados não fazem mal ao ser humano seria evidência de ausência, mas não é esse o status atual.

Fabiana: É preciso mais pesquisas, inclusive sobre a interação entre vários compostos. Cerca de 80 mil químicos são utilizados no mundo em produtos do cotidiano. Apenas 200 foram estudados em profundidade, e a maioria como agente isolado. Os EUA declararam guerra ao câncer com foco nos químicos, porque os cientistas concluíram que a genética e os maus hábitos não são suficientes para justificar o aumento de câncer. Outra coisa pode estar acontecendo, o bisfenol age como um estrogênio e alguns deles causam câncer e infertilidade. O hormônio pode ser utilizado pela medicina para outros fins, mas sua inclusão em embalagens alimentares é um despropósito. O bisfenol também está presente em recibos de máquinas de cartão de crédito. Quem trabalha como caixa durante todo o dia precisa ser acompanhado, pois também o recebemos por absorção dérmica. Alguns desreguladores não afetam apenas a geração atual, mas as duas seguintes. Nossa geração conviveu menos com plástico, mas as crianças de hoje vivem em outro mundo. Quais serão as consequências em longo prazo?

Ieda: O princípio da precaução é importante. A evidência da atuação de ftalatos não é tão forte no animal exposto, mas os defeitos se manifestam nas gerações seguintes. Verifica-se em modelos animais pela possibilidade de analisar três gerações em três anos.
“Operadoras de caixa de supermercados apresentaram maiores níveis de bisfenol” – Peter

Peter: O artigo que a Fabiana citou sobre máquinas de cartões tem outras conclusões, como a análise de presença de bisfenol no sangue e urina de mulheres grávidas. As que trabalham como caixa apresentaram maior ní­vel de bisfenol, comparada às outras ocupações. Ainda que de forma cautelosa, sugere que a exposição ao bisfenol não acontece apenas por ingestão como pensávamos. É preciso estudar a exposição à pele.

Fabiana: Além de embalagens alimentares, o bisfenol é utilizado em CDs, DVDs, computadores, filtro de cigarro, papel filme etc. É um produto muito lucrativo para a indústria petroquímica, que pressiona para continuar a vendê-lo. Atualmente, cerca de seis empresas sintetizam o bisfenol utilizado no mundo. Nos EUA, várias empresas já estão procurando alternativas, utilizando resinas novas ou passando para o vidro. Como essa questão está sendo tratada pela Anvisa?

Peter: No imaginário popular, a substância sintética é ruim e a natural, boa. Há desreguladores endócrinos em produtos sintéticos e naturais, como a soja. Os alimentos liberam pesticidas naturais. As plantas que ingerimos produzem substâncias mutagênicas e até cancerígenas para se defender de agressores. Mas têm também substâncias benéficas que neutralizam essas ações, como por exemplo, os antioxidantes. O organismo tem uma memória toxicológica evolutiva pelo convívio com essas substâncias nos alimentos há milhares de anos, criando sistemas imunológicos e enzimáticos capazes de depurá-las. Talvez não seja possível fazer o mesmo com a sintética, que acompanha a humanidade há apenas 50 anos.

Fabiana: Do período da gestação aos três anos é a janela mais preocupante. A mamadeira já libera bisfenol na temperatura ambiente. Mas com o aquecimento, libera até 50 vezes mais.

Peter: A Universidade de Lisboa fez estudos em mamadeiras – com leite, suco de laranja e água em variadas temperaturas até os 100 graus – que demonstraram a migração do bisfenol A para o líquido. Fez-se também avaliação de risco, com base no valor de DDA (Dose Diária Aceitável) de 50 microgramas de bisfenol por quilo corporal. O máximo que se atingiu foi 1,7 – muito abaixo do DDA. Até há pouco tempo, isso sustentava sua não proibição. Porém, passou a ser proibido nos EUA e Europa porque estudos, ainda que não conclusivos, demonstraram alguns efeitos em doses 200 vezes mais baixas do que a aceitável. A Anvisa manteve aberta até fevereiro a Consulta Pública número 114 sobre centenas de aditivos de contato com alimentos, inclusive o bisfenol em mamadeiras. A consulta é motivada pela necessidade de alteração de parâmetros. A resolução da Anvisa estava defasada em relação aos avanços científicos e aos atuais parâmetros da Europa. Ela estabelecia em três miligramas por quilo a quantidade máxima de plástico em alimento, enquanto a Europa já adotava 0,6. Para harmonizar a legislação europeia com a de países do Mercosul, a norma será alterada.

“A maior fonte de exposição de crianças ao bisfenol é a mamadeira de policarbonato” – Fabiana

Fabiana: Em relação às mamadeiras produzidas, a Anvisa está checando a migração com os fabricantes?

Peter: Pode ser que não estejamos preparados ainda para essa migração das mamadeiras. A Europa fez isso e quando colocou o tema em consulta pública perguntou aos fabricantes o que a mudança acarretaria. A fábrica poderia fechar ou despedir milhares de pessoas? A agência reguladora e as autoridades devem ter essa preocupação. Quando não há certeza, querendo fazer o bem, podemos causar mal maior. Também é possível colocar uma substância menos testada e segura que a anterior no mercado. Bem ou mal, o bisfenol é testado há 70 anos. A conclusão do questionário aos fabricantes de mamadeira foi a de que a própria indústria já tinha substitutos.

Fabiana: Há pouco o bisfenol foi proibido na Europa. Já está proibido no Canadá e em oito condados dos Estados Unidos. A dúvida é: onde vão parar essas mamadeiras? É importante que o público seja informado sobre o que está acontecendo. Não é demonizar o bisfenol ou o plástico. Existem opções e mesmo no Brasil não é preciso se expor a isso.


Ieda: No controle das águas, a Sabesp está fazendo um trabalho específico e algo deve mudar, mas a Europa faz isso há séculos.
Peter: Há algum tempo está sendo revisada a Portaria 518, do Ministério da Saúde, de controle de água. A Anvisa entrou nessa discussão e acabou se retirando porque não concordava com os parâmetros adotados. Minha área gerencial desenvolve um programa de controle de resíduos agrotóxicos em alimentos que, no máximo até 2012, passará a fazê-lo em água também.

Ieda: A maioria dos agrotóxicos é desregulador endócrino.

Fabiana: Muitos falam que a água da torneira em São Paulo é boa para beber. Eu tomo às vezes, mas fico com medo.

Peter: É boa no sentido microbiológico e de controle do cloro, entre outras substâncias. Mas o controle químico ainda está pendente. A portaria 518 tenta estabelecer limites mais restritos para algumas substâncias, mas comparado aos EUA, estamos atrasados.

Ieda: A iniciativa privada tem um papel no sentido de antecipar catástrofes?

Fabiana: Oficialmente não, mas é fundamental que as empresas deem esse passo, sem esperar o governo proibir. A medicina e a ciência andam rápido e os processos governamentais são burocráticos e lentos. As empresas que tomarem a iniciativa primeiro sairão ganhando pela atitude sustentável de um produto livre de bisfenol. Além da mamadeira, são milhares de produtos plásticos utilizados, o copo descartável, as garrafas pet, Tupperware etc. Seu preço é muito baixo e, depois de usados, nada valem. A maior parte do que fica jogado na rua é de plástico. Além do volume enorme, a decomposição leva séculos e seus componentes podem se desprender e ir para os leitos fluviais. Latas ou vidros ao contrário, têm valor.
“O princípio da precaução é importante; os defeitos podem se manifestar nas gerações seguintes” - Ieda

Peter: Isso acontece naturalmente nos países em que a população está mais conscientizada.

Fabiana: Pode ser interessante a volta da reutilização do vidro, porque ainda há logística para tal. Bares trabalham com garrafas retornáveis, mas fazíamos isso também em supermercados com os refrigerantes e outras bebidas. Reutilizar reduz custos e permite o retorno ao ciclo produtivo em vez de ir para o lixo.

Ieda: Grande parte dos acidentes domésticos era causada por vidro quebrado ou estilhaçado. Houve um movimento da saúde pública para conter seu uso. O vidro pode retornar, desde que fabricado com outras características de segurança.

Peter: No caso de mamadeiras, por exemplo, há outros materiais plásticos isentos de bisfenol. Pode ser mais caro, feio e menos prático, mas a saúde das crianças merece esse cuidado. Chegará num ponto em que todos irão ganhar. Mas nem toda substância sintética é nociva. Bem ou mal, a humanidade progrediu e as condições de saúde melhoraram. Mas por que não evitar aquilo que não sabemos se faz mal? Os recipientes de plástico velhos, principalmente mamadeiras com rachaduras, liberam mais monóxidos. Está provado que cigarro tem efeito sobre o desenvolvimento fetal e seu filtro tem bisfenol. Pode haver sinergismo de substâncias. Às vezes, em pequena quantidade, não faz tanto mal isoladamente, mas, junto à outra, apresenta efeito aditivo. Está comprovado que essas substâncias cruzam a barreira placentária e atingem o feto, ainda despreparado para receber grande carga de substâncias químicas. Ainda em relação a essas substâncias, intriga a questão da feminilização em anfíbios.

Ieda: Vale lembrar que o órgão sexual de anfíbios desenvolve-se em uma ou outra direção de forma sazonal

Peter: O que foi observado em anfíbios pode não acontecer em mamíferos, mas é indício de que essas substâncias alteram a diferenciação genital. Uma pesquisadora da área comportamental fez um estudo com crianças de até quatro anos demonstrando que meninos que preferiam as brincadeiras de menina apresentavam maiores níveis de determinados ftalatos no organismo. É um indício intrigante que exige mais pesquisas.

Fabiana: Não é o produtor, mas a comunidade científica que tem de provar que determinado produto faz mal, quando deveria ser o contrário, principalmente quando está ligado à alimentação.

Ieda: Se compararmos com dez anos atrás, evoluímos, mas queremos melhorar mais.

Como saber se há bisfenol

Procure o símbolo da reciclagem na parte de trás da embalagem. O bisfenol pode estar presente nos números 3 e 7. Às vezes, a mamadeira não tem esse símbolo, mas em geral é mencionado de que material é feita. Evite se for de policarbonato.

Fonte: http://www.cremesp.org.br/?siteAcao=Revista&id=539

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Alemanha em alerta: produtores de bisfenol A devem encontrar alternativa ao químico

Agência Federal do Meio Ambiente apresenta relatório histórico questionando a segurança do bisfenol A

Uma semana após a proibição do bisfenol A no estado americano de Vermont, é a vez do bisfenol A retornar aos holofotes mundiais. Desta vez, a Alemanha entra em alerta contra o químico. Relatório sobre químicos tóxicos da Agência Federal do Meio Ambiente da Alemanha, publicado nesta quarta-feira, destaca a periculosidade do bisfenol A.

O relatório contempla o que é uma substância química, onde ela acontece e quais são os riscos para a saúde humana e o meio ambiente. O bisfenol A recebeu destaque pelas novas pesquisas realizadas e a crescente preocupação dos consumidores em relação ao químico. No documento, a Agência Federal do Meio Ambiente explica os riscos do BPA e aponta as opções políticas para o futuro.

O presidente da Agência, Jochen Flasbarth, recomenda aos produtores e usuários de produtos químicos que busquem substâncias alternativas e pede que o princípio de precaução seja aplicado para proteção dos seres humanos e do meio ambiente.

O bisfenol A está presente em muitos objetos do cotidiano: alimentos enlatados, mamadeiras, garrafas e recipientes plásticos, DVDs, papel térmico e embalagens de alimentos. O químico migra do plástico, já que possui moléculas instáveis, contaminando alimentos e seres humanos. A produção, transformação e reciclagem do bisfenol A pode também contaminar rios e lagos. A produção mundial anual do BPA, matéria-prima para a fabricação de plásticos policarbonatos e resinas epóxi, é de 3,8 milhões de toneladas.

Como já foi demonstrado por muitas pesquisas com animais, o bisfenol A age como o hormônio sexual feminino estrogênio. O produto químico é menos potente que o hormônio sexual natural, mas há evidências de que interfere principalmente na reprodução. O bisfenol A já foi associado em pesquisas ao câncer de mama, de próstata, diabetes, obesidade, síndrome de hiperatividade, infertilidade, aborto e puberdade precoce e tardia.

A EFSA, correspondente a Anvisa na Europa está reavaliando a utilização do bisfenol A e tem a previsão de publicação de um novo relatório ainda este ano. O Canadá, Dinamarca, Costa Rica e França, no entanto, já proibiram, como medida de precaução, o bisfenol A em mamadeiras e outros produtos infantis. Segundo Jochen Flasbarth, ainda há alguma lacunas em relação ao bisfenol A, no entanto, como precaução, as evidências disponíveis são suficientes para limitar o uso de certos produtos contendo o químico.

A agência que regula produtos químicos na Europa – REACH (Registro, Avaliação e Autorização de Substâncias Químicas)- reforça a responsabilidade da indústria química. As empresas que fabricam o bisfenol A, ou que utilizam a substância, são responsáveis pela avaliação dos riscos do químico em todo seu ciclo de vida e devem minimizá-los. A Agência Federal do Meio Ambiente da Alemanha vai analisar a questão cuidadosamente para decidir quais medidas adicionais serão tomadas para proteger os seres humanos e o meio ambiente.

Como precaução, a Agência recomenda aos fabricantes, importadores e usuários de bisfenol A que substituam o químico imediatamente.

Fonte – umweltbundesamt.de / dw-online.de / O Tao do Consumo

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Bisfenol-A como disruptor endócrino

Cerca de 11 milhões de substâncias químicas são capazes de desequilibrar o sistema endócrino de um organismo saudável, deixando sequelas, muitas vezes irreversíveis, como por exemplo, a infertilidade.

Entre essa “população” de desreguladores endócrinos, uma tem sido a vedete das investigações científicas em animais, em vários países. Trata-se de uma substância tóxica presente há mais de 100 anos na vida das pessoas de vários cantos do planeta e hoje faz parte do modo de vida da sociedade atual.

“O Bisfenol-A é encontrado no ar que respiramos, na água que ingerimos, e nos alimentos que consumimos, pois ele se desprende dos materiais que estão acondicionados em embalagens desenvolvidas à base de policarbonato(plástico), nos enlatados revestidos de Bisfenol-A para evitar ferrugem, no momento de lavar um utensílio com a bucha da pia, além de poder ser encontrado na salivação devido o contato com as resinas dentárias, feitas à base dessa substância. Sem contar com o contato por meio de outras formas de consumo.

Esse desregulador tem sido matéria de pesquisas, no Brasil ainda embrionárias, mas avançandas. Por isso, estamos atentos ao movimento no mundo que regulamenta a retirada dessa substância das embalagens. Várias indústrias já estão retirando-a das embalagens dos produtos.”, afirma Dra. Elaine Frade Costa, endocrinologista da SBEM-SP(Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia do Estado de São Paulo).

No Brasil, a discussão sobre o tema é embrionária por isso, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia do Estado de São Paulo – SBEM-SP criou a Campanha Contra os Desreguladores Endócrinos, com slogan ”Diga não ao bisfenol-A, a vida não tem plano B” para fomentar a sociedade com informações com objetivo de prevenção. Como primeira ação realizou o Fórum SBEM-SP sobre Desreguladores Endócrinos Bioquímica, Bioética, Clínica e Cidadania na Sede do CREMESP (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo).

Para entender melhor sobre a complexidade em especial da ação do Bisfenol-A a reportagem do Blog ouviu uma das endocrinologistas integrantes do GTDE (Grupo de Trabalho dos Desreguladores Endócrinos da SBEM-SP), Dra. Elaine Frade Costa, para entender o porque essa substância é tão nociva à saúde.

Blog – Como o desregulador endócrino, Bisfenol-A, modifica o metabolismo?
Elaine – O Bisfenol-A, em específico, funciona como um hormônio, o estrogênio e, ao entrar na corrente sanguínea, age nos tecidos, provocando alterações. Essa substância tem similaridade com o hormônio feminino e pode exercer sua função, determinando puberdade precoce, câncer de mama e infertilidade. Em animais, o BPA também causou diabetes, obesidade, alterações no comportamento, hiperatividade , de acordo com pesquisas realizadas por diversas universidades no mundo.

Blog – De que forma acontece o contato com o Bisfenol-A?
Elaine – O contato acontece de várias formas, dentre elas, pela ingestão de alimentos e pelo contato com a pele. Isso acontece porque o Bisfenol-A desprende-se facilmente passando de uma embalagem, por exemplo, para um produto alimentício.

Blog – Existe alguma regulamentação, um limite de migração de Bisfenol-A das embalagens para os alimentos ?
Elaine – A ANVISA determina que a quantidade tolerada é de 0,6 mg/kg de alimento, ou seja, o alimento pode conter até 0,6 mg de BPA por kilo. De acordo com os especialistas, ingerimos cerca de 10 microgramas de BPA por dia. Mas se consumirmos essa quantidade em cada alimento, imagine quanto não consumimos se a maioria dos produtos possui essa substância.

Blog – Quais as consequências?
Elaine – Segundo estudos realizados fora do país em animais, a presença de Bisfenol-A foi associada a uma série de doenças, dentre elas: endometriose (doença que causa infertilidade), Câncer de mama e de próstata, déficit de atenção, de memória visual e motor, diabetes, diminuição da qualidade de esperma em adultos, fibromas uterinos, gestação ectópica, hiperatividade , etc.

Blog – Como evitar a contaminação?
Elaine – A mudança de hábito é fundamental para diminuir a presença de Bisfenol-A no organismo. À princípio, evitar embalagens alimentícias à base de plástico (policarbonato) e enlatados contendo o símbolo triângulo com os números 3 e 7. É preciso reforçar também que o plástico libera mais Bisfenol-A quando aquecido ou congelado. Ou seja, apresenta maior potencial de contaminação.

Blog – Quais são as outras ações que integram essa campanha?
Elaine – A SBEM-SP busca estreitar o relacionamento com o governo para impulsionar mudanças no consumo dessa substância na sociedade. Precisamos de uma regulamentação do consumo do Bisfenol-A, a fim de promover mudanças como estão fazendo outros países. Além disso, queremos impulsionar políticas de educação e gestão ambiental. Porém, nosso trabalho é árduo, até que se consiga modificar isso. Nosso segundo passo é investir em pesquisas para podermos dosar, no sangue, o Bisfenol-A e relacioná-lo com doenças. Por meio de dados mais concretos teremos como provar e investir para que se regularize a dose mais segura para o consumo ou simplesmente conseguir retirá-lo do mercado como fizeram outros países. Nesse caso, a indústria terá que substituir a substância e encontrar alternativas. Hoje, não existe legislação e, portanto, a maioria das embalagens não reforçam essa informação. É preciso esclarecer que, embora seja difícil comprovar a relação direta entre BPA e doenças em seres humanos pela impossibilidade de experimentação, os resultados em animais e as observações populacionais sugerem fortemente a existência de efeitos indesejáveis sobre o sistema endócrino. Desta forma, a substância deve ser retirada obedecendo-se o principio da precaução, até que sua inocuidade seja comprovada. É um direito previsto no Código de Defesa do Consumidor.

Fonte: http://sbemsp.org.br/bpa/?p=490

terça-feira, 9 de novembro de 2010

SBEM-SP promove fórum sobre Desreguladores Endócrinos

No domingo postei um texto de autoria de uma nutricionista, mostrando a relação Obesidade com Bisfenol-A. Hoje trago para vocês uma campanha  organizada pela  Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, regional de São Paulo (SBEM-SP).

Eles criaram um grupo técnico de trabalho dos desreguladores endócrinos (GTDE) que tem como objetivo utilizar a pesquisa em favor da socialização do conhecimento em prol da saúde da população. A missão do grupo é conscientizar a classe médica, a indústria, o governo e o consumidor sobre os efeitos dos desreguladores endócrinos na saúde humana e propor novas medidas de consumo.

Trabalho árduo pela frente, afinal, "mexer" com a indústria petrolífera é uma missão quase impossível. Falo isso porque à medida que forem estudando a ação dos outros desreguladores endócrinos perceberão que os derivados de petróleo tem uma ação disruptora importante.

Acredito que também terão que entrar na questão da preferência por orgânicos, afinal pesticidas também possuem efeito endócrino, então outro gigante a ser combatido: Monsanto...

Veremos que rumo tomará. Faço meu papel de médico ecologista e que defende um mundo mais limpo, mas sou um pouco pessimista com relação à mudanças quando o assunto se trata contaminantes. Até porque, "não existe contaminação, o que existe é envenenamento".

Boa semana

Dr. Frederico Lobo




GTDE (Grupo de Trabalho dos Desreguladores Endócrinos )

Formado por médicos endocrinologistas da SBEM-SP (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia do Estado de São Paulo). O grupo conta com o apoio e participação efetiva de pesquisadores sobre o tema que deram origem ao blog O Tao do Consumo.

Visão do grupo: Utilizar a pesquisa em favor da socialização do conhecimento em prol da saúde da população.

Missão do grupo: Conscientizar a classe médica, a indústria, o governo e o consumidor sobre os efeitos dos desreguladores endócrinos na saúde humana e propor novas medidas de consumo.

Comitê Gestor do GTDE:

SBEM-SP (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia do Estado de São Paulo)
Dra. Elaine Costa
Dr. Francisco Homero D’Abronzo
Dra. Ieda Therezinha Verreschi
Dra. Marise Lazaretti Castro
Dra. Nina Musolino
Dra. Tania Bachega

Apoio ao Comitê: Blog O Tao do Consumo
Fabiana Dupont
Fernanda Medeiros

O que é a campanha ?

A Campanha Contra os Desreguladores Endócrinos é uma iniciativa do GTDE (Grupo de Trabalho dos Desreguladores Endócrinos) da SBEM-SP (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia do Estado de São Paulo) criada com o intuito de mobilizar e conscientizar a população sobre os danos causados pelos desreguladores endócrinos (Endocrine Disrupting Chemical-EDCs) à saúde humana.

A proposta dessa campanha é o princípio da precaução, ou seja, uma vez que existem evidências que tais substâncias causam mal, tanto ao ser humano quanto ao meio ambiente, devem ser tomadas medidas de alerta, como um sinal de prevenção.

Objetivos da campanha

Envolver outros profissionais da área da saúde, como os farmacêutico-bioquímicos, toxicologistas, nutricionistas, além dos endocrinologistas, pediatras e outras especialidades, para informar e propor soluções e políticas públicas para o controle de tais substâncias.

Primeira ação da Campanha

A Regional São Paulo da SBEM lança como primeira ação da Campanha o Fórum SBEM-SP sobre Desreguladores Endócrinos: Bioquímica, Bioética, Clínica e Cidadania. O evento está programado o dia 25 de novembro, das 8h30 às 13hs, na Sede do Cremesp Vila Mariana e é destinado pesquisadores e interessados em disseminar o conhecimento sobre os impactos dos desreguladores endócrinos à saúde humana.


O objetivo é debater as ações dos Desreguladores Endócrinos na saúde e como a população deve se proteger. A ação do Bisfenol-A e a proibição do seu uso em embalagens no mundo é destaque no Fórum .

De acordo com a Presidente da SBEM-SP, Marise Lazzareti Castro, “ a expectativa desse Fórum é buscar parcerias com instituições sérias como o CREMESP de SP– que já nesse primeiro momento contribuiu com apoio logístico, além de representantes como a APM (Associação Paulista de Medicina, SBP_SP (Sociedade Paulista de Pediatria); a Ética da Terra e o blog o Tao do consumo.

A médica explica que o Fórum promete fomentar a discussão de como a sociedade civil pode se organizar para se precaver contra o Bisfenol –A. “Queremos atrair pessoas envolvidas na área e que possam fazer contribuições, como por exemplo, os pesquisadores”, salienta.

A programação reserva temas como: Desreguladores Endócrinos e a saúde humana; aspectos químicos e toxicológicos, efeitos sobre a diferenciação sexual e efeitos sobre a glândula tireóide; Os Mecanismos e Iniciativas de Proteção Social contra Potenciais Riscos do Bisfenol A; panoramas das ações e empreendimento para o controle e proteção populacional. Posicionamento e medidas, o Papel da Anvisa e Discussão do Bisfenol-A no mundo.

Programação disponível aqui.


Significado da logomarca

A primeira fase da Campanha promove o slogan “Diga Não ao Bisfenol A, a Vida não tem Plano B” e chama a atenção para os danos causados pelo Bisfenol A, substância presente em utensílios utilizados em nosso dia a dia, que contaminam, em especial os alimentos que consumimos, trazendo danos irreversíveis ao sistema endócrino.

Logomarca – A logomarca tem como destaque o feto, pois é o alvo mais sensível à utilização de tais substâncias capazes de romper o sistema endócrino. As formas escolhidas para envolver o feto são de uma “borboleta”, devido à similaridade da forma da tireoide, principal órgão afetado pelos desreguladores endócrinos.


O que são EDC's ?

Os EDC’s (desreguladores endócrino) são substâncias químicas, que ocorrem no meio ambiente em forma isolada ou como uma mistura de substâncias, que possuem propriedades suscetíveis de desequilibrar o sistema endócrino num organismo intacto, sua descendência ou (sub) populações. Aproximadamente, 11 milhões de desreguladores endócrinos são produzidos mundialmente, alguns dos quais o ser humano tem contato diário, por meio da contaminação de alimentos, da poluição do ar ou da água.

Os que mais causam preocupação aos pesquisadores são: o Bisfenol A, encontrado, em sua maioria em plásticos e resinas, os pesticidas e herbicidas usados na lavoura, inadvertidamente ingeridos. Tais substâncias alteram o sistema endócrino, modificando o sistema hormonal do organismo, gerando prejuízos irreversíveis à saúde da população, tais como:
•Aborto
•Anomalias e tumores do trato reprodutivo
•Câncer de mama e de próstata
•Déficit de atenção, de memória visual e motor
•Diabetes
•Diminuição da qualidade e quantidade de esperma em adultos
•Endometriose
•Fibromas uterinos
•Gestação ectópica (fora da cavidade uterina)
•Hiperatividade
•Infertilidade
•Modificações do desenvolvimento de órgãos sexuais internos
•Obesidade
•Precocidade sexual
•Retardo mental
•Síndrome dos ovários policísticos
Sobre o Bifesnol-A (BPA)

O Bisfenol A (BPA) é um composto utilizado na fabricação de policarbonato, um tipo de resina utilizada na produção da maioria dos plásticos. O BPA também está presente na resina epóxi, utilizada na fabricação de revestimento de latas para evitar a ferrugem e prevenir a contaminação externa. Algumas empresas já desenvolvem produtos sem a presença do BPA, para evitar prejuízos à saúde do consumidor. Segundo os pesquisadores, o componente tem similaridade com o hormônio feminino e da tireoide. Ao entrar em contato com o organismo humano, principalmente durante a vida intrauterina, pode romper o sistema endócrino, por interação com os receptores desses hormônios, trazendo danos irreversíveis à saúde da população.


A substância atua tanto por ingestão como por contato com a pele e consequente absorção. O grande problema do uso do BPA é o fato de a substância se desprender e contaminar alimentos ou produtos embalados, pelo contato direto. O plástico contendo Bisfenol A tanto quando aquecido ou congelado apresenta uma contaminação ainda maior. De acordo com os especialistas, ingerimos cerca de 10 microgramas de BPA por dia.

BPA no Brasil

A diretiva da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária do Brasil) é normalizada junto ao Mercosul, foi revista em março de 2008 (Resolução Anvisa nº 17, de 17 de março de 2008) e baseia-se em lei da Comunidade Européia de 2004 (Comission Directive 2004/19/EC).


Para o bisfenol-A, o limite de migração específico (LME) permitido das embalagens para os alimentos e bebidas é de 0,6 mg/kg de material plástico.

No momento, o Projeto de Lei do deputado Beto Faro (PT-PA), que está sendo analisado pelas comissões de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio, de Seguridade Social e Família e de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados, tramita em caráter conclusivo.

O Projeto proíbe a produção, a importação e a comercialização de embalagens, equipamentos e outros produtos para lactantes e crianças da primeira infância que contenham em suas composição o bisfenol-A.

Em Curitiba, o vereador Aladim Luciano (PV) propôs lei banindo o bisfenol. Apresentado na Câmara de Curitiba, em março de 2010, o projeto prevê a proibição da fabricação, fornecimento e comercialização de mamadeiras e brinquedos infantis compostos por elementos plásticos que liberem o poluente orgânico persistente bisfenol-A (BPA).

BPA no Mundo

Estados Unidos Quatro estados (Minnesota, Washington, Connecticut e Wisconsin) e algumas cidades, incluindo Chicago e Rockford proibiram sua utilização em produtos infantis. Tanto o FDA quanto o EPA declararam o bisfenol-A preocupante e estão revisando sua posição em relação ao uso do BPA.


Canadá, Costa Rica e Dinamarca proibiram seu uso.

França O senado aprovou sua proibição e agora a lei passa por outras instâncias.

Europa O European Food Safety Administration (EFSA ) também está reavaliando seu uso com um relatório final a ser publicado ainda no primeiro semestre de 2010.
BPA – USA

No que concerne aos padrões de consumo estabelecidos pelo governo nos Estados Unidos, o FDA publicou uma nova análise em janeiro de 2010 onde manifesta preocupações sobre possíveis riscos à saúde provocados pelo bisfenol-A:

“Estudos utilizando testes de toxidade confirmaram que o nível baixo de exposição ao BPA não era prejudicial à saúde. No entanto, considerando testes recentes onde novas bordagens foram realizadas, levando em conta efeitos colaterais mais sutis, tanto o National Toxicology Program at the National Institutes of Health quanto o FDA demonstram preocupação sobre os possíveis efeitos do BPA no cérebro, no comportamento e na próstata de fetos, bebês e crianças”.

O FDA está dando os primeiros passos para reduzir a exposição ao BPA em produtos alimentares. Esse passos incluem:
•Apoiar ações de indústrias para interromper a produção de mamadeiras e copos infantis, para o mercado americano, que possuam BPA em sua composição;

•Incentivar o desenvolvimento de alternativas ao BPA para a parte interna de latas de leite destinadas a bebês;

•Apoiar tentativas de substituição ou diminuição dos níveis de BPA em outros tipos de latas.

•Apoiar uma mudança mais severa na regulamentação do BPA;

•Buscar a participação da população e também opiniões externas nas pesquisas sobre o BPA;

•Apoiar as recomendações do Department of Health and Human Services no que diz respeito à alimentação de bebês e a preparação de comida para a redução da exposição ao BPA.

O FDA não está recomendando que famílias deixem de usar leite ou alimentos para bebês pois os benefícios de uma nutrição balanceada ultrapassam o risco potencial da exposição ao BPA.

A cidade de Chicago, em maio de 2009, e Rockford, em março de 2010, proibiu a venda de mamadeiras e copos infantis com BPA. Também esse ano, os estados de Washington, Minnesota, Wisconsin e Connecticut também proibiram a venda de mamadeiras e copos infantis com BPA. Em abril de 2010, o EPA (Environmental Protection Agency) também divulgou que está reavaliando o uso do bisfenol-A. O jornal Journal Sentinel de Milwakee (Wisconsin) mantém uma seção discutindo o assunto.

1998 - Governo canadense declara o bisfenol-A uma substância tóxica.

BPA – CANADÁ

Março, 2010 O país decide proibir a comercialização de mamadeiras, chupetas e outros artigos para bebês que contenham plásticos com bisfenol-A. Há 12 anos as lojas do Walmart no país não vendem produtos para alimentação infantil que contenham BPA. Outras empresas do ramo seguiram a mesma iniciativa*.

O movimento no Canadá contra o bisfenol-A impulsionou o debate ao redor do mundo e se transformou em um case de sucesso na luta a favor de melhor regulamentação de químicos.

Ver o conteúdo oficial da proibição em: Order Amendign Schedule I to the Hazardous Produts Act (bisphenol-A)

Para acessar o tema: Toxic Nation

BPA – EUROPA

Junho, 2008 Comissão Européia publica um relatório atualizado da União Européia sobre o levantamento de risco do bisfenol-A. O documento conclui que produtos com BPA – como o plástico de policarbonato e resinas epóxi – são seguros para o consumo e para o meio ambiente quando utilizados corretamente.

Outubro, 2008 A EFSA (European Food Safety Authority) declara que após a publicação dos resultados da pesquisa de Lang – Associação da concentração de bisfenol-A com problemas de saúde e anormalidades em laboratório em adultos – não havia motivos para a revisão da dose diária tolerável (TDI – Tolerable Daily Intake) para o BPA de 0.05 mg/kg de peso corporal.

2009 Estudo científico critica os processos do relatório de risco da exposição à disruptores endócrinos, incluindo o BPA.

Dezembro, 2009 O Ministério do Meio Ambiente da União Européia publica um relatório expressando preocupação com os resultados de pesquisas recentes que demonstraram efeitos nocivos da exposição a disruptores endócrinos. O documento incentiva novas pesquisas sobre o tema.

Junho, 2009 A AFFSA (Anvisa francesa) é instruída para reexaminar a aprovação do BPA. Na Dinamarca, em maio de 2009, o parlamento já tinha aprovado uma resolução pedindo a proibição do BPA em mamadeiras.

Março, 2010 Senado francês aprova lei proibindo o uso do BPA em embalagens alimentícias, principalmente em mamadeiras. Os políticos afirmam que a publicação de inúmeros estudos alertando sobre os problemas de saúde causados pela presença do policarbonato foi o que os incentivou a fazer a proposta.

Abril, 2010 A AFFSA conclama a indústria alimentícia a divulgar no rótulo a presença do bisfenol-A. No mesmo mês, o BPA foi proibido na Dinamarca.

Na Inglaterra a polêmica ganha força com artigos muito críticos ao bisfenol-A do jornal Independent.

BPA e o feto
Segundo os especialistas, há fases da vida onde ocorre maior suscetibilidade aos desreguladores. Os bebês são os mais vulneráveis a esse contato, desde a vida intrauterina, pela contaminação via placenta, cordão umbilical e também quando lactentes, pelo uso de mamadeira. A substância tem efeitos de hormônios estrogênios sintéticos, que causam câncer e infertilidade tanto na mulher como no homem. Portanto, os grupos que devem estar mais atentos  ao uso da substância são as mulheres em fase reprodutiva, gestantes, bebês e crianças (de 0 a 06 anos, especialmente).

Produtos que contém BPA

Plásticos: adesivos, cadeiras, brinquedos, CDs, copos infantis, eletrodomésticos, eletrônicos, embalagens para acondicionar alimentos e bebidas, escovas de dente, filtros de água, garrafas reutilizáveis de água, mamadeiras, peças automotivas, revestimento interno de latas e vidros, sacola de supermercado, entre outros produtos plásticos.
Resinas de epóxi: colas, selantes dentários
 
Dicas de consumo: Como evitar a exposição ao BPA
1 – Use mamadeiras e utensílios de vidro ou bpa free para os bebês


2 – Não esquente embalagens de plástico com bebidas e alimentos no microondas. O bisfenol é liberado em maiores quantidades quando o plástico é aquecido.


3 – Evite o consumo de alimentos e bebidas enlatadas, pois o bisfenol é utilizado como resina époxi no revestimento destas embalagens

4 – Evite pratos, copos e outros utensílios de plástico. Opte pelo vidro, porcelana e aço inoxidável na hora de armazenar bebidas e alimentos


5 – Descarte utensílios de plástico lascados ou arranhados. Evite lavá-los com detergentes fortes ou colocá-los na máquina de lavar louças


6 – Caso utilize embalagens plásticas (tanto de garrafas quanto embalagens alimentares) evitar o uso de embalagens que tenham os símbolos de reciclagem 3 (V) e 7 (PC) na parte posterior da embalagem, eles podem conter bisfenol-A em sua composição.

FONTE: Site da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia , regional de São Paulo

sábado, 19 de março de 2011

Armazene seu alimento em vidro, não em plástico, por Dr. Carlos Braghini Jr

O BPA (Bisfenol A) foi inventado na década de 30 na busca de estrógenos sintéticos, mas hoje está profundamente inserido em nossa sociedade de consumo. Atualmente, ele é usado em muitos plásticos comuns e como “verniz” na parede interna de latas de alimentos. É o monômero mais comum para os policarbonatos objetivados para o contato alimentar, e por isso mesmo, pode contaminar os produtos alimentícios.

Um estudo da Universidade Case Western Reserve (EUA) mostrou que o BPA foi o responsável por causar deformação em óvulos de camundongos de laboratório. A atividade química do BPA é semelhante à do hormônio feminino estrogênio e alguns pesquisadores já desconfiavam que ele pudesse danificar os órgãos sexuais de fetos.

Na verdade, o estudo começou por acaso. A Dra. Patrícia Hunt notou defeitos genéticos incomuns nos óvulos de camundongos, e ao perseguir a causa, desconfiou das gaiolas de plástico transparentes. Seus estudos mostraram que mesmo traços residuais da BPA – 20 partes por bilhão em água potável – levam à alteração de 8% dos óvulos. Em condições normais, apenas 1% dos óvulos deveria apresentar defeitos. Outros estudos apontam que o BPA pode causar, em fetos de animais, problemas no desenvolvimento de testículos, da próstata e na contagem de esperma. Isso quer dizer que o mesmo pode acontecer com seres humanos, aumento o risco de defeitos congênitos, como por exemplo, síndrome de Down.

Apesar das pesquisas patrocinadas pelas indústrias de plástico, esses dados são razões suficientes para você preferir armazenar seus alimentos (inclusive água) em recipientes de vidro. Isso é particularmente importante se os alimentos forem gordurosos (biscoitos, queijos, manteiga, chocolate, tortas, etc.), pois esses agentes tóxicos passam facilmente do plástico para a gordura.

Diminua também os alimentos líquidos em plásticos leves. Isso não inclui apenas os sucos em embalagens de papelão (tetra-pack ou longa-vida), que têm uma camada interna de plástico, mas também algumas frutas e verduras em latas, que podem também ter uma camada interna de plástico.

Uma das primeiras providências para reduzir a exposição ao Bisfenol é NUNCA usar xícaras ou copos de isopor, principalmente para bebidas quentes. Isso se torna mais grave se lembrarmos de que toda mamadeira para bebês é de plástico (lembra-se que já houve uma época onde elas eram de vidro?).

Outra providência fundamental para sua saúde é NUNCA aquecer alimentos em plásticos, o que significa dar adeus ao jantar no micro-ondas. Se você ainda quer se arriscar a comer comidas desse tipo, transfira a comida para um recipiente de vidro antes de esquentá-lo.

Lembre-se: até que a indústria de plásticos pare de usar todos os agentes suspeitos ou revele quais os seus produtos que contêm esses agentes químicos, não se tem como saber se eles estão presentes ou não. Entretanto, as sugestões que apresentei acima podem reduzir substancialmente a sua exposição e a da sua família.

Faça a sua parte!

Fonte: http://www.ecologiacelular.com.br/content/armazene_seu_alimento_em_vidro_nao_em_plastico

OBS do Dr. Frederico Lobo - Para ler mais sobre o Bisfenol, visite os seguintes posts:
  1. http://www.ecologiamedica.net/2011/02/bisfenol-bpa-e-estudos-recentes.html
  2. http://www.ecologiamedica.net/2011/03/bisfenol-sera-analisado.html
  3. http://www.ecologiamedica.net/2011/02/ainda-sem-consenso-agencias-reguladoras.html
  4. http://www.ecologiamedica.net/2011/02/bisfenol-como-disruptor-endocrino.html
  5. http://www.ecologiamedica.net/2011/02/anvisa-pode-obrigar-fabricantes.html
  6. http://www.ecologiamedica.net/2011/02/portugal-proibe-o-uso-do-bisfenol-na.html
  7. http://www.ecologiamedica.net/2011/01/contaminacao-ambiental-e-gravidas.html
  8. http://www.ecologiamedica.net/2011/01/pressao-de-consumidores-provoca.html
  9. http://www.ecologiamedica.net/2010/11/europa-proibe-bisfenol-e-no-brasil.html
  10. http://www.ecologiamedica.net/2010/11/alemanha-em-alerta-produtores-de.html
  11. http://www.ecologiamedica.net/2010/11/nova-pesquisa-revela-que-exposicao-ao.html
  12. http://www.ecologiamedica.net/2010/11/harvard-diz-que-bisfenol-bpa-tambem.html
  13. http://www.ecologiamedica.net/2010/11/sbem-sp-promove-forum-sobre.html
  14. http://www.ecologiamedica.net/2010/11/bisfenol-e-etiologia-da-obesidade.html
  15. http://www.ecologiamedica.net/2010/11/envenenamos-o-planeta-que-agora-nos.html
  16. http://www.ecologiamedica.net/2010/10/contaminantes-na-agua-comprometem.html
  17. http://www.ecologiamedica.net/2010/10/bisfenol-usado-em-recipientes-de-comida.html
  18. http://www.ecologiamedica.net/2010/10/projeto-quer-proibir-mamadeiras-com.html
  19. http://www.ecologiamedica.net/2010/10/ecologia-celular-livro.html
  20. http://www.ecologiamedica.net/2010/10/contaminantes-emergentes-na-agua.html
  21. http://www.ecologiamedica.net/2010/07/bisfenol-abpa-ao-contrario-do-que-diz.html
  22. http://www.ecologiamedica.net/2010/07/estudo-confirma-contaminacao-por.html
  23. http://www.ecologiamedica.net/2010/06/os-enlatados-e-o-bisfenol.html
  24. http://www.ecologiamedica.net/2010/06/conheca-as-substancias-nocivas-mais.html
  25. http://www.ecologiamedica.net/2010/04/mamadeiras-plasticas-podem-fazer-mal.html

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Proibição do Bisfenol em mamadeiras e brinquedos

A decisão de proibir a produção e a venda de mamadeiras com bisfenol A na composição foi bem recebida pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, que lidera uma campanha contra o uso da substância. Anunciada na última quinta-feira (15), a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi tomada para proteger a saúde das crianças, apesar de não haver resultados conclusivos sobre o bisfenol.

Para a subcoordenadora da campanha da Sociedade de Endocrinologia, Elaine Cota, o bisfenol deve ser banido de brinquedos e embalagens plásticas usadas para guardar alimentos. “Deveria ser proibido em todas as embalagens que acondicionam alimentos e nos brinquedos plásticos. As crianças não vão só usar a mamadeira, mas também o copinho plástico”, disse Elaine, que integra o grupo dos desreguladores endócrinos da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, regional de São Paulo. “Quando a criança morde um brinquedo, a substância pode se desprender”, acrescentou.

O bisfenol A é utilizado na fabricação da maioria dos produtos plásticos, como potes, escovas de dente, copos, cadeiras e no revestimento interno de latas. Quando o plástico é aquecido ou congelado, moléculas do bisfenol A acabam por ser desprender e contaminar os alimentos e produtos embalados. Os especialistas estimam que uma pessoa ingere cerca de 10 microgramas de BPA por dia.

A exposição à substância, de acordo com os especialistas, altera o funcionamento das células e hormônios, podendo provocar deficiências físicas e até mesmo câncer. Estudos em animais apontam o bisfenol A como causador de doenças. “Os efeitos podem ser vistos muitos anos depois ou em outras gerações. Uma criança exposta pode ter infertilidade na vida adulta”, argumentou a médica, acrescentando que não existem estudos em seres humanos.

Elaine Cota recomenda que a população, principalmente as grávidas, evite o uso de embalagens plásticas para guardar bebidas e comidas. “Elas devem procurar não esquentar a comida em embalagens plásticas no micro-ondas”, aconselhou.

Apesar de não existir pesquisas conclusivas sobre os riscos do bisfenol, a Anvisa decidiu proibir o uso em mamadeiras como forma de cautela e proteção aos bebês com até 1 ano de idade, além de seguir medidas adotadas por outros países, como a Europa e o Canadá. A agência reguladora informa que “não há justificativa para adoção de outras restrições de uso para a substância” no momento. No entanto, a Anvisa aponta como substituto do bisfenol o polipropileno, já que a substância está presente no policarbonato. Ambos são tipos de material plástico.

A partir da publicação oficial da medida, os fabricantes terão três meses para retirar as mamadeiras com bisfenol do mercado. As produzidas nesse período deverão ser vendidas até 31 de dezembro de 2011.

Como evitar a exposição ao BPA

- Não esquentar no micro-ondas embalagens de plástico com bebidas ou alimentos, pois o bisfenol é liberado em maior quantidade quando o plástico é aquecido
- Evitar o consumo de alimentos e bebidas enlatadas. A substância é usada como resina para revestimento interno das latas
- Preferir embalagens de vidro, porcelana e aço inoxidável para armazenar alimentos e bebidas
- Descartar utensílios plásticos lascados ou arranhados
- Evitar a utilização de embalagens plásticas com os símbolos de reciclagem 3 (V) e 7 (PC) porque podem ter bisfenol A na composição

Fonte:  http://www.sissaude.com.br/sis/inicial.php?case=2&idnot=12323

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Estudo associa Bisfenol-A (BPA) com um risco maior de obesidade de crianças e adolescentes




Bisfenol está associado a obesidade em crianças – Estudo associou a presença da substância no organismo de crianças e adolescentes com um risco maior de obesidade; bisfenol aparece no plástico de garrafas e de embalagens de alimentos

Um ano depois de a Anvisa ter proibido a fabricação e a importação de mamadeiras que continham bisfenol A em sua composição, um estudo [Association Between Urinary Bisphenol A Concentration and Obesity Prevalence in Children and Adolescents] associou a presença da substância no organismo de crianças e adolescentes com um risco maior de obesidade. O bisfenol aparece no plástico de garrafas e de embalagens de alimentos. Também é usado no revestimento de latas. Matéria de Mariana Lenharo, em O Estado de S.Paulo, com informações adiconais do EcoDebate.

http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,bisfenol-esta-associado-a-obesidade-em-criancas,932446,0.htm
Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Nova York avaliaram 2.838 pessoas de 6 a 19 anos. A urina dos participantes foi analisada para quantificar a presença do bisfenol. Eles foram, então, divididos em quatro grupos de acordo com a quantidade encontrada.

No grupo com mais bisfenol na urina, havia 10,3% de crianças e adolescentes obesos. Já no grupo com menor quantidade da substância, 22,3% dos participantes tinham obesidade. O estudo foi publicado hoje no Journal of The American Medical Association (JAMA).

Estudos em laboratório já tinham detectado uma relação entre o bisfenol e a obesidade. Essa é, porém, a primeira pesquisa em crianças e adolescentes a avaliar essa hipótese. A endocrinologista Tania Bachega, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e membro do Grupo de Trabalho dos Desreguladores Endócrinos da Regional São Paulo da SBEM, explica que, em cultura de células, já foi observado que o bisfenol seria responsável pela proliferação do tecido adiposo.

Tania alerta que as principais causas da obesidade continuam sendo o aumento do consumo de calorias e o sedentarismo. “Mas especialistas estão discutindo que, apesar do aumento da ingesta calórica, a obesidade está crescendo muito mais do que o esperado.” A hipótese seria que substâncias químicas, chamadas de obesógenos, poderiam estar predispondo ao ganho de peso. O bisfenol, que interfere no funcionamento do sistema endócrino, seria uma dessas substâncias.

Mesmo assim, os pesquisadores não descartam a hipótese de que crianças obesas consumam mais produtos como refrigerantes e alimentos enlatados, que conhecidamente têm maior quantidade de bisfenol em suas embalagens.

Outros malefícios associados ao bisfenol são câncer, diabete, infertilidade, endometriose, ovários policísticos, entre outros.

Segundo a endocrinologista Ieda Verreschi, da Unifesp, estudos demonstram atuações específicas do bisfenol em alguns períodos do desenvolvimento humano, como o nascimento, a puberdade e alguns momentos da vida adulta. Nos recém-nascidos, ele pode promover a alteração no desenvolvimento das gônadas, podendo levar à ambiguidade genital. Na adolescência, eleestá relacionado à puberdade precoce. Já em adultos, ele se relaciona a alguns casos de câncer, como o de mama e o de próstata.

Association Between Urinary Bisphenol A Concentration and Obesity Prevalence in Children and Adolescents
Leonardo Trasande, MD, MPP; Teresa M. Attina, MD, PhD, MPH; Jan Blustein, MD, PhD
JAMA. 2012;308(11):1113-1121. doi:10.1001/2012.jama.11461

ABSTRACT

Context
Bisphenol A (BPA), a manufactured chemical, is found in canned food, polycarbonate-bottled liquids, and other consumer products. In adults, elevated urinary BPA concentrations are associated with obesity and incident coronary artery disease. BPA exposure is plausibly linked to childhood obesity, but evidence is lacking to date.

Objective
To examine associations between urinary BPA concentration and body mass outcomes in children.

Design, Setting, and Participants
Cross-sectional analysis of a nationally representative subsample of 2838 participants aged 6 through 19 years randomly selected for measurement of urinary BPA concentration in the 2003-2008 National Health and Nutrition Examination Surveys.

Main Outcome Measures
Body mass index (BMI), converted to sex- and age-standardized z scores and used to classify participants as overweight (BMI ?85th percentile for age/sex) or obese (BMI ?95th percentile).

Results
Median urinary BPA concentration was 2.8 ng/mL (interquartile range, 1.5-5.6). Of the participants, 1047 (34.1% [SE, 1.5%]) were overweight and 590 (17.8% [SE, 1.3%]) were obese. Controlling for race/ethnicity, age, caregiver education, poverty to income ratio, sex, serum cotinine level, caloric intake, television watching, and urinary creatinine level, children in the lowest urinary BPA quartile had a lower estimated prevalence of obesity (10.3% [95% CI, 7.5%-13.1%]) than those in quartiles 2 (20.1% [95% CI, 14.5%-25.6%]), 3 (19.0% [95% CI, 13.7%-24.2%]), and 4 (22.3% [95% CI, 16.6%-27.9%]). Similar patterns of association were found in multivariable analyses examining the association between quartiled urinary BPA concentration and BMI z score and in analyses that examined the logarithm of urinary BPA concentration and the prevalence of obesity. Obesity was not associated with exposure to other environmental phenols commonly used in other consumer products, such as sunscreens and soaps. In stratified analysis, significant associations between urinary BPA concentrations and obesity were found among whites (P < .001) but not among blacks or Hispanics.

Conclusions
Urinary BPA concentration was significantly associated with obesity in this cross-sectional study of children and adolescents. Explanations of the association cannot rule out the possibility that obese children ingest food with higher BPA content or have greater adipose stores of BPA.

Fonte: http://www.blogger.com/blogger.g?blogID=2737621885114110105#editor/src=header


Caso queira ler mais sobre o Bisfenol A, abaixo segue um texto de minha autoria e publicado aqui no blog em 2011: http://www.ecologiamedica.net/2011/07/bisfenol-voce-come-sem-saber-e-adoece.html


Bisfenol-A (BPA) nome estranho, mas que tem aparecido com frequência na imprensa. Na semana passada, foi noticiado que Piracicaba - SP é a primeira cidade do Brasil a aprovar, na Câmara Municipal, uma lei que proíbe a comercialização de mamadeiras, chupetas, alimentos e bebidas que contenham o químico bisfenol A.

Em 2010 a regional de São Paulo da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e metabologia (SBEM-SP) criou a Campanha Contra os Desreguladores Endócrinos, com slogan ”Diga não ao bisfenol-A, a vida não tem plano B” para fomentar a sociedade com informações com objetivo de prevenção. Como primeira ação realizou o Fórum SBEM-SP sobre Desreguladores Endócrinos Bioquímica, Bioética, Clínica e Cidadania na Sede do CREMESP (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo). Para isso criaram um grupo de Trabalho em Desreguladores Endócrinos, para estudar os efeitos de tais disruptores sobre a saúde humana. Tema até então muito negligenciado pelos endocrinologistas brasileiros.

Inúmeros países estão proibindo a comercialização de produtos à base de BPA e a discussão chegou ao Brasil.

Mas afinal, o que é o Bisfenol-A ou BPA?

O Bisfenol-A (BPA) é um composto utilizado na fabricação do policarbonato, um tipo de plástico rígido e transparente. Serve para diluir a resina de poliéster a fim de torná-la mais líquida e facilitar sua laminação.

Onde está presente?

O BPA está presente em recipientes de alimentos e bebidas, como mamadeiras, embalagens plásticas e copos infantis. Além disso, pode ser encontrado no revestimento interno (forro) de enlatados (para evitar a oxidação), garrafas reutilizáveis de água (do tipo squeeze) e garrafões de água mineral. Também é encontrado em uma variedade de produtos, incluindo lentes de óculos, CDs e DVDs, computadores,  eletrodomésticos, ferramentas pesadas, equipamentos esportivos, equipamentos médicos. As resinas epóxi são facilmente formadas e resistem a químicos, o que fazem delas úteis em produtos tais como placas de circuito impresso, tintas e adesivos, selantes dentais e película de revestimento interno de latas de metal. Os produtos plásticos compostos por BPA, comercialmente produzidos desde a década de 50, tornaram-se onipresentes devido a resistência de seus fragmentos, transparência visual e por ter alta resistência ao calor e à eletricidade.

O BPA pode ser considerado fator de risco para diversas doenças ?

Sim, diversas patologias (inúmeros estudos tem mostrando essa correlação pelo menos in vitro). A questão é que com o tempo ou quando aquecido, a colagem que conecta os blocos feitos com o BPA, deteriora, liberando moléculas de BPA. A quantidade liberada é realmente muito baixa, mas os plásticos estão tão dispersos, presentes nas mamadeiras infantis, nas garrafas d’água, nas latas de metal para alimentos, nas embalagens para estocar alimentos, que a população está constantemente sendo exposta a estas pequenas contaminações. Ou seja, vai acumulando.

Num estudo de 2003-2004, feito pelo CDC/U.S. Centers for Disease Control (Centro de Controle de Doenças dos EUA, equivale ao Ministério da Saúde brasileiro), perto de 93% das pessoas testadas, com idade de 6 anos e acima, tinham BPA  detectável em suas urinas; as fêmeas tinham níveis um pouco mais altos do que os machos. 

Em num novo estudo (Use of Polycarbonate Bottles and Urinary Bisphenol A Concentrations) da Harvard School of Public Health (HSPH) pesquisadores descobriram que os participantes que, ao longo de uma semana, beberam em garrafas de policarbonato , comumente usado garrafas plásticas e mamadeiras, apresentaram um aumento de dois terços do BPA na urina. O estudo é o primeiro a demonstrar que beber em garrafas de policarbonato (em garrafas plásticas o policarbonato pode ser identificado pelo código de reciclagem número 7) aumenta o nível de BPA na urina. Estudos anteriores já haviam demonstrado que ferver garrafas plásticas acelera a liberação de substâncias tóxicas, mas este novo estudo elaborado por Harvard demonstra que isto também ocorre durante o consumo de líquidos frios. Para acessar o estudo: http://www.ehponline.org/members/2009/0900604/0900604.pdf

Um outro estudo recente e publicado pela Universidade da California, mostrou que 96% das gestantes estudas na California, apresentavam BPA na urina. Para acessar: http://ehp03.niehs.nih.gov/article/fetchArticle.action?articleURI=info%3Adoi%2F10.1289%2Fehp.1002727

Numerosos estudos têm mostrado que o BPA age como um disruptor endócrino, incluindo o início precoce da maturação sexual, desenvolvimento e tecidos alterados na organização da glândula mamária e diminuição da produção espermática. Pode ser mais prejudicial nas etapas de desenvolvimento precoce. Isso que tem chamado a atenção dos endocrinologistas.

Mas afinal o que é um disruptor endócrino ?

O próprio nome já diz, é uma substância química semelhante a um hormônio que promove alterações no sistema endócrino (mimetiza (imita) hormônios, se liga a receptores hormonais, ativa substâncias hormônio-dependentes). Inúmeros são os disruptores endócrinos, para ler mais visite o link: http://www.ecologiamedica.net/2010/06/disruptores-endocrinos-no-meio-ambiente.html

BPA e patologias

Diversos estudos científicos têm encontrado efeitos notáveis da exposição perinatal do BPA, que incluem:
1) Alterações no desenvolvimento da próstata e da glândula mamária;
2) Hiperplasia intraductal e lesões pré-neoplásicas da glândula mamária na idade adulta;
3) Alterações no útero e ovário;
4) Alterações ligadas ao dimorfismo sexual no adulto;
5) Alterações comportamentais, tais como hiperatividade, aumento de agressividade e déficit de atenção;
6) Alterações no comportamento sexual;
7) Aumento da susceptibilidade ao vício de drogas.
8) Alterações tireoideanas

Embora os riscos inerentes à exposição ao BPA sejam no desenvolvimento fetal, bebês, crianças e mulheres grávidas, há também uma grande preocupação com os efeitos dessa substância em adultos.
Tem sido relatado em estudos científicos que o bisfenol-A pode estar relacionado com doença cardiovascular, diabetes, obesidade e disfunção hepática.

Os principais estudos realizados até o momento mostram que o BPA pode se ligar a 3 principais receptores:
1) receptores estrogênicos (levando a produção de estrogênios: estradiol, estriol, estrona),
2) receptores androgênicos (levando a produção de testosterona , dehidroepiandrosterona (DHEA), androstenediona (Andro), dihidrotestosterona (DHT): 
3) Receptores dos hormônios tireoideanos (levando a mimetizar a ação dos hormônios tireoideanos que são o Triiodotironina (T3) e a Tetraiodotironina (T4).

Ao se ligar a um receptor pode ter uma maior ou menor afinidade, além de se ligar de forma incompleta e com isso não ocorrer uma ativação semelhante aos hormônios naturais. Tais ativações podem levar ao surgimento de inúmeros distúrbios, principalmente hormonais. Por isso o BPA é considerado um disruptor endócrino (ou desregulador).

Vejamos abaixo alguns estudos:

Distúrbios metabólicos: Em 2008 o American Journal of American Medical Association publicou um artigo sobre os riscos metabólicos do BPA. Para acessar: http://jama.ama-assn.org/content/300/11/1353.full

Obesidade: Foi mostrado, através de dados do National Health and Nutrition Survey (NHANES) 2003/04 que altas concentrações de BPA estavam associadas com diagnóstico de doenças cardiovasculares e diabetes.  Sendo lipofílico, pode ser armazenado no tecido adiposo. Uma vez que a obesidade torna-se epidêmica e que fatores ambientais estão fortemente ligados a esses dados, acredita-se que o BPA possa estar fortemento ligado.  O BPA é comumente descrito pela sua atividade estrogênica. Além de se ligar aos receptores nucleares de estrógeno alfa e beta, ele interage com uma série de outros receptores de estrógenos não clássicos, alguns com alta afinidade. Ele também atua como antagonista de receptor de andrógenos e interage com receptores de hormônios tireoidianos.  Alguns estudos em animais já conseguem traçar um caminho para o entendimento da relação do BPA com a obesidade. Doses muito baixas oferecidas a animais durante o desenvolvimento exercem alguns efeitos. Ratos e camundongos mostraram peso corporal aumentado quando expostos a baixas dosagens de BPA no período pré-natal e neonatal. Alguns resultados mostram que esse aumento no peso é relacionado ao gênero, ao passo que outros relatam efeitos em ambos os sexos. Essa diferença pode estar relacionada com o tempo de exposição e com a dose.
Estudos in vitro com BPA fornecem evidências de seu papel no desenvolvimento da obesidade, podendo sugerir alvos específicos. O BPA faz com que as células 3T3-L1 (fibroblastos de camundongos que podem se diferenciar em adipócitos) aumentem sua taxa de diferenciação, e em combinação com a insulina, acelera a formação de adipócitos. Outros trabalhos in vitro mostram que baixas doses de BPA prejudicam a sinalização do cálcio nas células pancreáticas, atrapalham o funcionamento da célula beta e causam resistência à insulina. Baixas dosagens experimentais também podem inibir a síntese de adiponectina e estimular a liberação de adipocinas inflamatórias como interleucina-6 (IL-6) e fator de necrose tumoral alfa (TNF-α) do tecido adiposo humano, sugerindo seu papel na obesidade e síndrome metabólica.
Entretanto, estudos com humanos ainda são escassos e a amostragem utilizada é pequena. Um estudo com 296 italianos mostrou que a excreção diária de BPA associou-se com aumento de concentração sérica de testosterona total em homens. Porém, outro estudo analisou a relação entre hormônios tireoidianos e reprodutivos e concentração urinária de BPA em 167 homens em uma clínica de infertilidade. Observou-se relação inversa entre concentração de BPA e índices de testosterona livre, estradiol e hormônio tireoestimulante (TSH). Quando os níveis de hormônios androgênicos foram avaliados em mulheres eumenorreicas, mulheres com SOP e homens, observou-se diferenças entre os gêneros, possivelmente devido à diferença nos níveis de atividade da enzima relacionada ao androgênio. Ainda, demonstrou-se que concentrações sérias de BPA estavam associadas com aumento dos andrógenos, o que não ocorreu com níveis de estradiol, hormônios luteinizantes (LH) e folículo estimulante (FSH). Dados parecidos foram encontrados por Takeuchi e colaboradores, em trabalho feito com mulheres com e sem disfunção ovariana.
Diante do conteúdo exposto, pode-se concluir que ainda faltam informações precisas, esclarecendo a relação do bisfenol A na etiologia da obesidade, tanto na exposição pré-natal quanto na vida adulta. Estudos em humanos estão limitados a amostras pequenas e em sua maioria avaliam a excreção urinária de BPA em um único momento do dia.

Diabetes: Um estudo recentemente publicado na (Nature Reviews Endocrinology) associou o BPA ao risco de Diabetes mellitus tipo 2. A conclusão surgiu após a revisão de mais de 90 estudos que envolvem o BPA e outros componentes químicos tóxicos ao organismo.  Roedores alimentados com uma dieta acrescida de BPA desenvolveram resistência à insulina e perderam a capacidade de manter níveis normais de glicose (um sinal de alerta para o desenvolvimento do diabetes tipo 2). 
Um dos estudos feito em 2010 indicou que ratas prenhas transmitiram esse risco aos filhotes.
Pesquisas similares envolvendo seres humanos apresentaram poucos resultados consistentes. Porém, uma análise feita nos EUA entre 2003 e 2004 com quase 1.500 pessoas mostrou que indivíduos com presença de BPA na urina tinham cerca de três vezes mais risco de ter diabetes tipo 2. Embora os autores digam que são necessários estudos epidemiológicos mais amplos para estabelecer a conexão entre o BPA e a doença, eles argumentam que já existe evidência suficiente para recomendar que a substância seja evitada. Para acessar: http://www.nature.com/nrendo/journal/vaop/ncurrent/full/nrendo.2011.56.html

Doenças cardiovasculares: Pesquisadores da Universidade de Exeter e Peninsula Medical School descobriram mais evidências de uma ligação entre a exposição ao BPA e doença cardiovascular.  A pesquisa (Association of Urinary Bisphenol A Concentration with Heart Disease: Evidence from NHANES 2003/06) avaliou dados do estudo populacional NHANES 2005-2006, relativo aos EUA e seus resultados foram publicados pela revista online, PlosOne. Para acessar:  http://www.ecodebate.com.br/2010/01/19/estudo-confirma-ligacao-do-bisfenol-abpa-a-doencas-cardiovasculares-em-adultos-por-henrique-cortez

Distúrbios psiquiátricos: De acordo com reportagem (BPA in the womb shows link to kids’ behavior) de Janet Raloff, na edição online do Science News, de 06/10/2009, as meninas que tiveram exposição pré-natal ao BPA, no início da gravidez, mostraram-se mais agressivas que os meninos, além de índices maiores de ansiedade. De acordo com o Science News, esta é a primeira pesquisa a associar a exposição a um contaminante ambiental aos problemas de comportamento diferenciado por gênero. Para acessar: http://www.sciencenews.org/view/generic/id/48065/title/Science_%2B_the_Public__BPA_in_the_womb_shows_link_to_kids%E2%80%99_behavior

Distúrbios sexuais: Testes conduzidos em uma espécie de camundongo selvagem indicaram novos riscos para o ambiente, e talvez para a saúde, ligados ao BPA. O consumo de níveis supostamente seguros da molécula fez com que camundongos machos ficassem com sua capacidade de localização espacial prejudicada. Além disso, as fêmeas da espécie passaram a esnobá-los, como se soubessem que havia algo de errado com os bichos. Os achados estão na revista "PNAS", da Academia Nacional de Ciências dos EUA, e foram obtidos por Cheryl Rosenberg e seus colegas da Universidade do Missouri.  Os pesquisadores demonstram cautela na hora de relacionar os resultados com possíveis efeitos sobre meninos humanos, mas afirmam que é preciso levá-los em conta e continuar os estudos.

Asma: No estudo (Maternal Bisphenol A Exposure Promotes the Development of Experimental Asthma in Mouse Pups), pesquisadores expuseram ratas prenhas ao BPA, em dosagens proporcionais a uma mulher grávida, ao longo da gestação e do período de amamentação, identificando que a exposição aumentou o risco do desenvolvimento de asma. A pesquisa foi publicada na edição de fevereiro da revista Environmental Health Perspectives. Para acessar: http://ehsehplp03.niehs.nih.gov/article/fetchObjectAttachment.action?uri=info%3Adoi%2F10.1289%2Fehp.0901259&representation=PDF

Efeito neurotóxico: Pesquisadores da Yale School of Medicine comprovaram que o bisfenol-A (BPA) pode afetar primatas, tendo observado que ele produziu danos neurológicos em macacos. É a primeira evidência de que o BPA pode afetar a saúde de primatas e, por consequência, também os humanos. A pesquisa foi publicada na edição online da PNAS, Proceedings of the National Academy of Sciences. O estudo “Bisphenol A prevents the synaptogenic response to estradiol in hippocampus and prefrontal cortex of ovariectomized nonhuman primates“, publicado na revista online PNAS, 10.1073/pnas.0806139105, está disponível para acesso integral no formato HTML. Para acessar o estudo clique aqui. Para acessar: http://www.pnas.org/content/105/37/14187.full

Câncer de mama: Estudo (State of the Evidence The Connection Between Breast Cancer and the Environment) sugere que produtos químicos encontrados em praticamente tudo, de pesticidas aos plásticos para produtos de higiene pessoal, ‘imitam’ ou alteram o hormônio estrógeno. Dentre estes produtos químicos destacam-se os controversos ftalatos e o BPA.
Os pesquisadores analisaram 400 estudos epidemiológicos e experimentais. De acordo com a pesquisa, a exposição a substâncias químicas comuns encontradas em garrafas plásticas de água, mamadeiras e embalagens de alimentos podem ser ligados ao desenvolvimento de câncer de mama, ao longo da expectativa de vida. Para acessar: http://www.ijoeh.com/index.php/ijoeh/article/view/858

Outros tipos de cânceres: Uma outra pesquisa recente (Oral Exposure to Bisphenol A Increases Dimethylbenzanthracene-Induced Mammary Cancer in Rats) realizada na Universidade do Alabama em Birmingham (UA), agrega novas informações e preocupações. O Dr. Coral Lamartiniere, descacado toxicologista e cientista sênior no Comprehensive Cancer Center, da UA, concluiu que os baixos níveis de BPA, quando administrados via oral a roedores, causou tumores e alterações genéticas compatíveis com fases iniciais de câncer. Para acessar: http://www.ehponline.org/members/2009/11751/11751.pdf

Alterações cromossomiais: De acordo com pesquisa da Escola de Medicina de Harvard, o BPA causa a infertilidade em vermes podendo matar embriões. A exposição ao químico também danificou a integridade de cromossomos e causou a morte de células. Cromossomos do grupo de controle permaneceram normais, já os cromossomos no grupo exposto ao BPA se apresentaram frágeis e fragmentados. A consequência foi a morte de embriões e vermes menos férteis na pesquisa publicada na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences. Para acessar: http://www.otaodoconsumo.com.br/perigos-do-bpa/harvard-diz-que-bisfenol-a-tambem-compromete-a-formacao-de-cromossomos

Síndrome do ovário policísticos: Recente estudo feito pela Escola Médica de Athenas e enviado para publicação na edição de Março do Jornal de Endocrinologia clínica e Metabolismo, evidenciou altos níveis de BPA em mulheres com síndrome do ovario policístico (SOP) quando comparado ao grupo  de mulheres sadias (grupo controle).  Além dos níveis de BPA elevados, também foram detectados altas concentrações de testosterona e androstenediona. O aumento da produção de androgênios, como é vista na SOP interfere na detoxificação do BPA pelo fígado, levando ao acúmulo de BPA no sangue. A conclusão final do estudo foi que o BPA-A pode ser mais prejudicial às mulheres que já apresentam desequilíbrios hormonais e alterações relacionadas à fertilidade, como os encontrados na SOP. O coordenador da pesquisa foi categórico ao firmar que portadoras de SOP devem estar cientes dos riscos potenciais do BPA, evitando o consumo diário de alimentos ou bebidas armazenadas em recipientes de plástico.

Endometriose: Com relação à Endometriose, o principal estudo feito até o momento foi publicado em 2009, nele investigaram as concentrações séricas de BPA-A e BPA-B no sangue de 58 mulheres com endometriose e 11 mulheres férteis sem a doença. O Bifesnol foi encontrado em 63,8% das mulheres com endometriose, porém nenhuma das mulheres do grupo controle tinham BPA no sangue, o que sugere uma importante relação entre a exposição ao bisfenol A ou B e a endometriose.
A interação entre o BPA com o receptor do hormônio estrogênio parece ativar a produção de um tipo de estrogênio, o 17-beta-estradiol e também aumenta a ação de uma enzima chamada aromatase, que leva a formação de mais estrogênios. Por outro lado, como os pesquisadores gregos afirmaram, o BPA também leva ao aumento da produção de androgênios.

Infertilidade masculina e disfunção erétil: Há diversos estudos mostrando que a exposição ao BPA diminui a contagem de espermatozóides de camundongos, além de inteferir na ereção. Uma pesquisa recente feita com 130 operários chineses expostos diariamente a altos níveis BPA e outros 88 trabalhadores livres dessa substância revelou que os primeiros apresentavam baixa contagem de esperma entre duas e quatro vezes mais que o segundo grupo. Já uma pesquisa inédita, realizada por pesquisadores da University of Michigan, Harvard School of Public Health e Massachusetts General Hospital, sugere que o bisfenol-A pode afetar os níveis de hormônios em seres humanos de maneira semelhante às alterações, já comprovadas, em animais.
O estudo mediu a concentração de bisfenol-A na urina de 167 homens recrutados através de uma clínica de infertilidade em Massachusetts e determinou os níveis de hormônio no sangue. Os pesquisadores descobriram que homens com maior taxa de BPA no sangue tinham também uma maior taxa de hormônio estimulante folicular (FHS) e menores taxas de foliculina. Elevadas taxas de FSH e baixas taxas de foliculina já foram associadas a uma menor qualidade de esperma em humanos. A pesquisa ainda mostrou uma redução na proporção entre estrogênio e testosterona, possivelmente, refletindo uma anormalidade na produção ou eliminação desses hormônios. Além disso, uma menor taxa do hormônio estimulante da tiróide foi observada quando os números de múltiplas análises de BPA foram feitas para estudar a exposição, sugerindo uma excessiva produção do hormônio da tiróide (conhecido como efeito hipertireoidite). Os resultados desse estudo são apoiados por estudos feitos com animais que mostram níveis de hormônios alterados pela exposição ao BPA. Para acessar: http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2009/11/10/AR2009111017411.html

Prevenção

Talvez a prevenção seja a principal parte. Muitos dos meus pacientes que acompanham meu blog ficam preocupados com o tema devido a quantidade de artigos que posto sobre. Felizmente quase que semanalmente estão sendo publicados artigos sobre o BPA e com isso os pacientes chegam afoitos ao consultório pra dosar BPA e descobrir maneiras de não se contaminar. Como a dosagem de BPA só se faz em grandes centros de pesquisa, não é usual na prática-clínica, infelizmente.

Portanto a melhor maneira é a prevenção de uma nova contaminação. Como o BPA é um composto utilizado na fabricação do policarbonato, um tipo de plástico, a maioria dos utensílios de plástico o tem na sua composição, visto que quando adicionado ao policarbonato confere transparência e maior rigidez. Ele também é encontrado no forro interno de enlatados (bebidas e alimentos) a fim de se evitar a ferrugem, materiais dentários (selantes dentais) , materiais automotivos e até mesmo no papel de extratos bancários.

Tenho 9 dicas principais para evitar a contaminação:

1) Optar por produtos orgânicos;

2) Limpar (tirar o pó) da casa frequentemente evitando exposição a produtos químicos quem além de terem o BPA podem levar na composição inúmeros contaminantes ambientais que não possuem estudos bem estabelecidos relacionados a nocividade para saúde humana;

3) Lavar bem as mãos antes de comer;

4) Escolher os produtos de higiene que contenham menos ingredientes tóxicos;

5) Substituir talheres e recipientes de plástico (tapware, garrafas) ou alumínio pelos de aço inox (no caso dos talheres) ou vidro;

6) Evitar utilizar plásticos, optanto sempre que possível por utensílios de vidro (são mais ecologicamente corretos, pelo vidro ser 100% reciclável). No fundo dos recipientes há geralmente o número que identifica quais componentes entraram na composição daquele plastico, o número do BPA é o 7 ou as letras PC.

7) Evitar aquecer no fogão ou microondas recipientes de plástico que contenham bebida ou alimento dentro. 

8) Mamadeiras, chupetas e copos de plástico que estejam arranhados devem ser descartados pois segundo estudos há maior risco de liberarem o BPA. O plástico quando aquecido libera mais facilmente o BPA. Se a criança utiliza mamadeiras, utilize as versões sem BPA.

 9) Evite Congelar alimentos em recipientes de plástico, facilita a liberação do BPA.