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sábado, 22 de agosto de 2015

Óleo de Coco X Óleo de Canola - Desvendando mitos



Essa semana, um tema que dividiu opiniões, quando uma nutricionista estudiosa na área de ácidos graxos, foi ao programa bem-estar e deixou claro que o óleo de coco além de caro, pode ser inflamatório. Que o ideal seria optar pelo óleo de canola. Abominável foi a opinião de algumas pessoas, que sequer conhecem o currículo da nutricionista e acusam-na de trabalhar para a indústria. Como se prestar consultoria para a indústria de alimentos fosse crime. É abominável quando leigos e até mesmo profissionais da saúde saem do campo da ciência e partem para ataques pessoais.

Sou o princípio da moderação e da individualidade bioquímica.
Se você é saudável, não apresenta alterações nos níveis de colesterol ou triglicérides, nem risco cardiovascular aumentado: o consumo moderado de óleo de coco associado ao consumo de outros fontes de gorduras (colesterol, gorduras polinsaturadas e monoinsaturadas) é recomendado.
Se você tem dislipidemia, deseja emagrecer ou tem risco cardiovascular aumentado: evite as gorduras saturadas e dê preferência para as monoinsaturadas, polinsaturadas e colesterol.

Não existe vilão e nem mocinho quando se trata de nutrição. Ninguém morre do dia pra noite porque comeu banha de porco e ninguém vive até os 120 anos só porque consome azeite diariamente.

Os estudos na área são preliminares e poucos mostram desfechos conclusivos. Ainda temos muito o que estudar e observar desfechos, com número significativo de pacientes, por um tempo considerável.

Se me perguntarem: BASEADO em ciência, qual óleo mais saudável?  Dados do estudo europeu PREDIMED publicado em 2013 na revista médica New England Journal of Medicine apontam para um forte candidato: o azeite de oliva. Neste estudo, pacientes com alto risco cardiovascular que consumiram dieta mediterrânea associada a azeite de oliva apresentaram uma redução de problemas cardíacos e vasculares de cerca de 30 porcento. Ou seja, não estamos falando apenas de hipóteses, mas de desfechos. Em Medicina, isso serve para respaldar e determinar qual o melhor tratamento ou prevenção. E até agora, o azeite de oliva saiu na frente. Mas devemos deixar de consumir manteiga, peixes ricos em ômega 3, canola ? Compartilho da mesma opinião da nutricionista (que admiro muito) Dra. Sophie Deram. Ela postou essa semana em sua página no facebook (que por sinal indico que sigam):

"- Dra Sophie, você é contra o a favor do uso do óleo de coco, e o de canola? Nossa quanta vezes recebi esta pergunta esses dias!

Vou responder aqui:
Eu sou pró:
Saúde, bem-estar, relação tranquila com a comida, respeitando a fome, saciedade e vontade. Fazer as pazes com a comida e o corpo.
Eu dedico 90% de meu tempo a ajudar pessoas a retomar uma atitude tranquila com o comer, se recuperando de medo, exageros e as vezes transtornos alimentares, tudo isso tem como consequência um peso mais saudável.

Eu sou contra:
Terrorismo nutricional, achar que tem alimentos milagrosos que vão salvar o mundo e alimentos venenosos que vão de repente causar obesidade, diabetes ou infarto.
Alimento é alimento, pode comer de tudo um pouco!
Eu recomendo comer mais caseiro e mais natural, respeitando as suas vontades sem demonizar os alimentos processados que são alimentos também. O prazer de comer é essencial no processo de fazer as pazes com você e até foi mostrado que previne o excesso de peso!

Sobre gorduras, respeito as crenças dos meus pacientes e desmistifico os modismos e demonizações.
Eu sempre vou pelo lado mais natural e menos processado: azeite, manteiga e óleo de coco são mais naturais do que óleo de canola, mas não quer dizer que pode se entupir de óleo de coco porque dizem que emagrece! É uma gordura, tem que ser consumida com moderação e é muito cara por sinal.

Óleo de canola não é veneno (por favor!) mas também não indico como se fosse uma solução mágica contra as doenças cardiovasculares.

Eu pessoalmente como muito simples e cozinho frequentemente. As gorduras que uso mais em casa são azeite e manteiga.
Bon appétit!"


Abaixo o posicionamento do Conselho Federal de Nutricionistas, sobre o assunto, postado aqui:http://www.cfn.org.br/index.php/saiba-mais-sobre-oleos-de-coco-e-de-canola/

Saiba mais sobre óleos de coco e de canola

ÓLEO DE COCO

De acordo com a I Diretriz sobre o Consumo de Gorduras e Saúde Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia, o coco e o óleo de coco, são importantes fontes naturais de gorduras saturadas, especialmente de ácido láurico. Em relação aos demais tipos de gorduras saturadas, o ácido láurico apresenta maior poder em elevar LDL-C, bem como HDL-C. Apesar de estudos mostrarem redução da relação LDL:HDL, aumento do HDL-C e redução da circunferência abdominal em grupos que utilizam óleo de coco, outros comprovam seu efeito hipercolesterolêmico – grupos tratados com óleo de coco apresentam aumento significativo da fração não HDL e triglicérides.

Diante disso, considerando a influência dos ácidos graxos ingeridos sobre os fatores de risco das doenças cardiovasculares e sobre as concentrações plasmáticas de lípides e lipoproteínas, e o preço para a aquisição desse tipo de produto, o óleo de coco, quando utilizado, deve seguir os princípios da variedade, equilíbrio, moderação e prazer. A recomendação é de que seja usado em pequenas quantidades e em preparações culinárias, preferencialmente compostas por alimentos in natura ou minimamente processados, não sendo recomendado para tratamento da hipercolesterolemia.

REFERÊNCIAS
  1. Sociedade Brasileira de Cardiologia. I Diretriz sobre o Consumo de Gorduras e Saúde Cardiovascular; ISSN-0066-782X. Volume 100, nº 1, supl.3, 2013;
  2. Turpeinen O, Karvonen MJ, Pekkarinen M, Miettinen M, Elosuo R, Paavilainen E. Dietary prevention of coronary heart disease: the Finnish Mental Hospital Study. Int J Epidemiol. 1979;8(2):99-118.
  3. Assunção ML, Ferreira HS, dos Santos AF, Cabral CR Jr, Florêncio TM. Effects of dietary coconut oil on the biochemical and anthropometric profiles of women presenting abdominal obesity. Lipids. 2009;44(7):593-601.
  4. 76. Lecker JL, Matthan NR, Billheimer JT, Rader DJ, Lichtenstein AH. Impact of dietary fat type within the context of altered cholesterol homeostasis on cholesterol and lipoprotein metabolism in the F1B hamster. Metabolism. 2010;59(10):1491-501

ÓLEO DE CANOLA

A canola (Brassica napus L. e Brassica rapa L.) planta da família das crucíferas (como o repolho e as couves), pertence ao gênero Brassica. No Brasil cultiva-se apenas canola de primavera, da espécie Brassica napus L. var. oleifera, que foi desenvolvida por melhoramento genético convencional de colza. Segundo a Embrapa, na América do Sul ainda não se empregam variedades ou híbridos de canola transgênicos ou gerados por mutação, utilizando-se apenas variedades geradas através de melhoramento genético convencional. A maioria das sementes de canola empregadas no Brasil são importadas, e para que as sementes tenham sua entrada liberada nos portos, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento exige laudo de análise para cada lote de 1000 kg.

O óleo de canola tem mostrado efeitos cardioprotetores devido ao conteúdo de ácidos graxos monoinsaturados, que promovem a regulação de lipídios plasmáticos, lipoproteínas e aumento da sensibilidade à insulina. Vale ressaltar que os efeitos saudáveis dos óleos comestíveis podem ser suscetíveis a alterações segundo o método culinário utilizado (frituras em profundidade ou superficiais) e em cocções de longo tempo, o que gera mudanças físico químicas que podem repercutir na saúde devido à produção de substâncias indesejáveis ou tóxicas (acroleína).

Estudos recentes evidenciam que o ômega-6, presente também nos óleos, quando consumido em excesso pode promover doenças inflamatórias.

Dessa forma, o nutricionista deve manter-se atualizado para as recomendações e diretrizes de condutas dietéticas a serem adotas.

REFERÊNCIAS
  1. Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Canola – aspectos nutricionais. Disponível em  . Acesso em 21 de agosto de 2015.
  2. Lawrence GD. Dietary Fats and Health: Dietary Recommendations in the Context of Scientific Evidence. Advances in Nutrition. 2013;4(3):294-302. doi:10.3945/an.113.003657.
  3. Lin L, Allemekinders H, Dansby A, et al. Evidence of health benefits of canola oil. Nutrition Reviews. 2013;71(6):370-385. doi:10.1111/nure.12033.
  4. Samuel Durán Agüero, Jairo Torres García; Julio Sanhueza Catalán. Aceites vegetales de uso frecuente en Sudamérica: características y propriedades. Nutr Hosp.32:11-19, 2015.
Fonte: Conselho Federal de Nutricionistas http://www.cfn.org.br/index.php/saiba-mais-sobre-oleos-de-coco-e-de-canola/

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Não compre gato por lebre: 10 dicas na hora de escolher um ômega 3


# Praticamente toda semana recebo e-mail de gente pedindo indicação de ômega 3. 
É totalmente anti-ético fazer orientações médicas via internet, cada caso é um caso e portanto a consulta médica é imprescindível. 
Ou seja, não adianta me mandar e-mail, mensagem na fã page do facebook ou instagram pois eu não responderei qual o melhor tipo de ômega 3 para o seu caso. O Conselho Federal de Medicina PROÍBE o médico de fornecer orientações via internet ou telefone. Apenas em consultas presenciais. 

Às vezes meus amigos ou pacientes me contam que compraram um ômega 3, pois fulano disse que é ótimo pra isso ou aquilo. Sim, ômega 3 é ótimo, mas quando prescrito por um médico habilitado ou nutricionista funcional. E na maioria das vezes gastam dinheiro a toa, comprando óleos de péssima procedência.

São inúmeras as variáveis que interferem na qualidade do óleo, portanto, abaixo cito algumas dessas variáveis, que 99,9% da população leiga desconhece e que pelo menos todos os prescritores de ômega 3 deveriam ter obrigação de saber.

1º - Observe o conteúdo de EPA e DHA por cápsula. Os melhores possuem no rótulo a descrição
da quantidade de EPA e DHA. Somente o “Ômega 3 farmacológico” é capaz de combater doenças crônicas e prevenir o que os cientistas chamam de Inflamação Silenciosa, sendo portanto o tipo de suplemento utilizado nos estudos clínicos que validam a eficácia da suplementação com ômega 3. Sua pureza e concentração tornam possível o uso de “altas doses” indicadas em certas doenças, sem o risco de efeitos colaterais como acontece com produtos similares. Existem muitos Ômega 3 disponíveis no mercado que não atingem a concentração de EPA e DH, sendo assim muitas vezes não correspondem aos critérios de qualidade e eficácia que se esperam deles.

2º - Cheque a proporção de EPA e Ácido Araquidônico (ômega 6). Uma relação de 20% de EPA pra 1% de Ácido araquidônico.

3º -  Identifique a estrutura do óleo (éster etílico ou triglicerídeos), no rótulo deverá falar qual a forma de ômega 3 ali contido.

4º -  Verifique se é isento de contaminantes ambientais: PCBs, mercúrio e dioxinas (geralmente
os bons produtos informam isso de forma bem destacada na embalagem):
  • Concentração de PCB's
  • Concentração de Mercúrio 
  • Concentração de dioxinas
  • Nível de oxidação Total ( OTOX); 13 meq/l

5º - Verifique se é extraído por destilação biomolecular ou ultra-filtrado: o que garante isenção de
poluentes ambientais.

6º -  Verifique se ele é considerado "Enteric Coated". Os assim denominados tem melhor absorção e dão
menos gosto de peixe na boca após o consumo.

7º - Os óleos mais baratos na maioria das vezes não atendem a esses pré-requisitos. Porém, o barato sai caro. Uma das coisas mais importantes é que você calcule o preço em relação à concentração de EPA e DHA. O que você deveria estar pagando é pelo EPA e DHA. Os óleos de peixe mais baratos têm baixas concentrações de EPA e DHA, e por isso, você pode na verdade estar pagando mais caro por um produto sem qualidade.

8º - Ômega 3 que de boa qualidade sempre terá Vitamina E na cápsula, pra agir como antioxidante.

9º - 60 doses de um bom ômega 3 (no Brasil) não sai por menos de 50 reais. Desconfio se encontrar mais barato.

Portanto fica a dica: não use ômega 3 sem supervisão de médico ou nutricionista. Você (e seu bolso) podem se dar mal, afinal, ele não é isento de efeito colateral.


Fontes:
Recentemente fiz uma pesquisa e pedi auxílio de alguns colegas nutrólogos e farmacêuticos  para criarmos uma tabela com as principais marcas nacionais. 


terça-feira, 8 de março de 2011

Os alimentos funcionais e seus benefícios

Soja
A soja pode atuar na prevenção de doenças cardiovasculares, câncer, osteoporose e no alívio dos sintomas da menopausa. Alguns de seus componentes são responsáveis pela redução de colesterol em humanos.

Isso é relevante já que, de acordo com estudos, cada 1% de redução nos valores de colesterol está associado com cerca de 2-3% de redução do risco de doenças cardiovasculares. E diferentes análises observam também que o consumo diário de 20-50g de proteína de soja isolada pode resultar em uma redução de 20-30% do risco de doença coronariana.

Estudiosos já indicaram que o consumo da soja pode reduzir a freqüência e intensidade dos sintomas da menopausa. Por exemplo, 60 gramas de isolado protéico de soja/dia, durante três meses, pode reduzir as ondas de calor em 45% em mulheres com menopausa.

OBS: Não sou a favor do consumo de soja da forma que consome atualmente no ocidente. Sou a favor do uso das formas fermentadas da soja, ou seja, Tofu, Shoyo e Tempeh. Para ler mais sobre a Polêmica da soja: http://www.ecologiamedica.net/2010/12/soja-polemica-continua.html

Repolho, couve-flor e brocólis

O consumo de vegetais crucíferos como repolho, couve-flor, brócolis e couve de bruxelas tem sido associado com a redução do risco de câncer. Estudos administrando o equivalente a 350-500g de repolho/dia em mulheres por 1 semana provam que um componente das crucíferas pode ser um novo caminho para reduzir a probabilidade de câncer de mama.

Tomate

Os carotenóides são poderosos antioxidantes que agem na neutralização de radicais livres, além de estimularem a função do sistema imunológico. Um dos carotenóides, o licopeno, tem uma atividade antioxidante dez vezes maior que os outros. Portanto, é hoje o mais promissor para a nutrição e saúde humana. O licopeno é encontrado principalmente em tomates e produtos derivados.

Alho

O bulbo de alho intacto contém um aminoácido inodoro que é convertido pela ação de enzima em alicina. Essa conversão ocorre quando o alho é esmagado ou triturado.

A alicina é o elemento responsável pelo odor característico do alho e, ao se decompor (um processo espontâneo), ela forma numerosos compostos sulfurados. Alguns desses compostos têm sido investigados por exercerem atividades anticancerígenas e antiaterogênicas.

Os benefícios do alho à saúde são numerosos, incluindo prevenção de câncer, anti-hipertensivo e anti-colesterolêmico. Seus componentes têm se mostrado inibidores de tumores em muitos modelos experimentais e humanos.

Frutas cítricas

As frutas cítricas, tais como laranjas, limas, limões e toronjas (tangerina), entre outras, são fontes importantes de vitamina C, folato e fibras. Recentemente, um de seus compostos (os limonóides) tem atraído a atenção dos pesquisadores, devido às evidências que se têm acumulado suportando o efeito preventivo desse elemento contra o câncer. O limoneno pode ser eficaz contra uma variedade de tumores espontâneos ou induzidos quimicamente.

Cereais

Os cereais podem exercer vários efeitos benéficos à saúde do homem. Dentre eles, a redução do colesterol e do risco de câncer, particularmente aqueles do trato alimentar, como o coloretal e o gástrico. Uma grande quantidade de componentes anticarcinogênicos são encontrados nos grãos, entre eles, as fibras. A aveia talvez seja um dos cereais mais estudados. Sabe-se hoje que ela é fonte de um tipo de fibra responsável pela redução de colesterol, observada em vários estudos científicos.

Uvas e Vinho

As cascas de uvas vermelho-roxas escuras são ricas em determinados tipos de compostos que apresentam a capacidade de prevenir a oxidação da LDL-colesterol, podendo, dessa forma, reduzir o risco das doenças cardiovasculares. Além das uvas, o vinho tinto apresenta também um alto conteúdo desses compostos, cerca de 20-50 vezes maior do que o vinho branco. Além disso, trabalhos recentes mostram que o vinho tinto é também uma fonte significante de resveratrol, elemento encontrado na casca de uvas e que tem propriedades antiaterogênicas e de inibir a carginogênese.

Chá verde

Dos efeitos benéficos à saúde mais pesquisados no chá, a prevenção do câncer é o principal. Estudiosos encontraram que o consumo de 5 ou mais copos de chá verde/dia foi associado com a redução de estágios do câncer de mama.

Peixes e óleos de peixe

Os peixes são fontes de ácidos graxos. Compostos que podem auxiliar no tratamento da hipertensão, doença cardiovascular, aterosclerose e desordens inflamatórias e autoimunes. O consumo de óleo de peixe pode também proteger contra o câncer, incluindo o de mama, cólon, pele, pâncreas, próstata, pulmão e laringe.