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sábado, 6 de junho de 2020

6 de Junho - Dia do Combate à Desnutrição Hospitalar


A Campanha Diga não à Desnutrição é uma iniciativa da Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (BRASPEN) que visa tornar de conhecimento público a prevalência, os problemas causados pela desnutrição hospitalar.

No Brasil, a taxa de desnutrição varia entre 20 e 60% em adultos hospitalizados e durante a hospitalização esta condição piora progressivamente principalmente em idosos e pacientes críticos.

  • 1 a cada 3 pacientes internados é desnutrido (hospitais públicos e privados);
  • Destes pacientes, somente 7% são diagnosticados como desnutridos;
  • Pacientes desnutridos têm tempo de internação 3 vezes maior; a desnutrição apresenta como principais complicações: pior resposta imunológica, atraso no processo de cicatrização, risco elevado de complicações cirúrgicas e infecciosas, maior probabilidade de desenvolvimento de lesões por pressão, aumento no tempo de internação e do risco de mortalidade, com consequente considerável aumento dos custos hospitalares.
  • A identificação precoce da desnutrição, bem como o manejo, por meio de ferramentas recomendadas, possibilita estabelecer conduta nutricional mais apropriada e melhora do desfecho nestes pacientes.

Uma equipe multidisciplinar especializada é fundamental para implantar e difundir ações (“cultura” da identificação/diagnóstico precoce, tratamento e prevenção da desnutrição hospitalar).

#Nutrologia
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#NutrologiaDeVerdade 
#DiaD
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#DesnutricaoHospitalar

terça-feira, 12 de maio de 2020

Por que é errada e anti-ética a solicitação de exames previamente à primeira consulta?


Pacientes  frequentemente questionam secretárias de médicos se ele pode fazer a solicitação de exames previamente à primeira consulta e com isso o paciente já chegar com os exames realizados.

A maioria alega 3 motivos:
1) Morar fora da capital ou em outro estado.
2) Para já sair do consultório com uma conduta.
3) Alguns médicos que fazem isso.

Primeiramente é importante explicar para que serve um exame.

Na Medicina denominamos de exames complementares ao diagnóstico aqueles exames (laboratoriais (sangue, urina, fezes), de imagem) que complementam aos dados da anamnese e do exame físico para a confirmação das hipóteses diagnósticas.

Ou seja, ele é justamente denominado complementar, pois serve para complementar o que o médico já postulou de diagnóstico durante a consulta. Portanto, na nossa opinião jamais deve ser solicitado antes do paciente consultar.

Podendo até ser enquadrado como uma prática anti-ética, por infringir 3 artigos do Código de ética Médica.

No Capítulo III do Código de Ética Médica, que trata da Responsabilidade profissional, o Conselho Federal de Medicina (CFM) afirma que: “É vedado ao médico: Art. 14. “Praticar ou indicar atos médicos desnecessários ou proibidos pela legislação vigente no País”.

No Art. 35: "É vedado ao médico: Exagerar a gravidade do diagnóstico ou do prognóstico, complicar a terapêutica ou exceder-se no número de visitas, consultas ou quaisquer outros procedimentos médicos".

E por último e mais importante, de acordo com o CFM: Art. 80: "É vedado ao médico: Expedir documento médico sem ter praticado ato profissional que o justifique, que seja tendencioso ou que não responda à verdade". Ou seja, se o médico não fez o ato de consultar o paciente, ele não pode solicitar o exame.

Infelizmente pacientes que moram em outra localidade, terão que se deslocar duas vezes. Ou, se for durante a pandemia, poderão fazer retorno via telemedicina. 

É lastimável que alguns colegas ainda façam isso para atrair pacientes. Esse tipo de prática acaba sobrecarregando os planos de saúde. Se o plano de saúde é sobrecarregado, ele acaba repassando isso para o paciente, ou seja, aumenta a mensalidade do plano.  Agora imagine então o bolso daqueles que não possuem plano de saúde e terão que arcar com exames particulares.

Além disso, inúmeros exames desnecessários acabam sendo solicitados e muitas vezes por erros laboratoriais (o que pode ocorrer na Medicina, levando a falsos positivos ou falsos negativos) geram uma nova cascata de exames justamente para investigar o exame com erro analítico.

Portanto, nós não recomendamos a solicitação de exames previamente à primeira consulta. O exame é complementar.  A solicitação configura infração ética perante o conselho. 

Autores:
  • Dr. Frederico Lobo - Médico Nutrólogo - CRM-GO 13.192 - RQE Nº 11.915.
  • Dra. Karoline Calfa - Médica Nutróloga, Especialista em Terapia Nutricional Enteral e Parenteral, Especialista em Clínica Médica.  CRM-ES 6411 | RQE Nº: 6156,  RQE Nº: 10585, RQE Nº: 10584. Conselheira do CRM-ES. Responsável pela Câmara técnica de Nutrologia do CRM-ES. 

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Obesidade e coronavirus por Dr. Bruno Halpern


Dois pesquisadores irlandeses publicaram na excelente revista Obesity uma hipótese que poderia explicar, ao menos em parte, porque estaríamos vendo uma maior gravidade de infecções em indivíduos com obesidade. 

👉A tese seria que o vírus poderia se depositar no tecido adiposo, que na obesidade já é mais inflamado, e assim, gerar mais inflamação, além de ser liberado aos poucos, minando as estratégias de defesa e gerando cada vez mais inflamação, que acaba por gerar respostas gravíssimas no corpo.

👉Há um racional por trás: um dos receptores que facilitam o vírus a entrar nas células está presente em grandes quantidades no tecido adiposo; outros vírus sabidamente podem se depositar em gordura; e muitas das substâncias produzidas pelo corpo em pacientes graves são amplamente produzidas no tecido adiposo. Esse reservatório também poderia explicar tempos mais longos de presença de vírus em algumas pessoas.

👉Para tornar essa hipótese mais forte seria preciso localizar o vírus em amostras de tecido adiposo, o que não foi feito ainda, mas não é tecnicamente difícil.

👉De toda forma, cada vez é mais claro a importância da obesidade como fator de risco independente de complicações. O lado bom é que sabemos que perdas de peso pequenas (de 5-15%) e exercício físico moderado já reduzem inflamação e poderiam (não comprovado mas altamente provável) já ajudar a reduzir parcialmente os riscos. 

Ref: Ryan. Is adipose tissue a reservoir for viral spread, immune activation and citokyne amplification in Covid-19? Obesity 2020 #coronavirusbrasil #obesidade #covid19brasil

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Felicitações


Minha gratidão a todos vocês que acompanham esse blog desde 2010. Que sempre comentam, mandam mensagens via comentários ou redes sociais. Vocês que me motivam a continuar escrevendo e compartilhando informações de qualidade.

Desejo a todos um Feliz Natal e um excelente 2020.

Abraço

Dr. Frederico Lobo


quinta-feira, 14 de novembro de 2019

14 de Novembro - Dia Mundial do Diabetes

O Brasil tem 17 milhões de adultos (entre 20 e 79 anos) convivendo com o diabetes, o equivalente a 11,4% da população nessa faixa etária. Os dados são 9º Atlas de Diabetes, produzido pela IDF (Federação Internacional de Diabetes).

Desde o último levantamento da entidade, feito em 2017, o aumento de casos no Brasil foi de 31%. Isso coloca o país na lista das dez nações que apresentaram maior elevação de casos da doença no mundo todo —estamos em quinto lugar, atrás apenas da China, Índia, Estados Unidos e Paquistão.

Globalmente, a estimativa do documento é que 463 milhões de adultos sejam diabéticos, com cerca de 32 milhões de casos na América Central e do Sul. A diabetes tipo 2, em que há uma resistência à insulina (diferente da tipo 1, em que o corpo deixa de produzir o hormônio por perder as células beta do pâncreas), é responsável por até 90% dos casos.

O mapeamento ainda identificou que existem 38 milhões a mais de pessoas vivendo com diabetes em todo o mundo em comparação com o último Atlas. Para os estudiosos, é um indício importante do crescimento de casos da doença.

A pesquisa ainda estima que 95.800 crianças e adolescentes menores de 20 anos conviviam com a diabetes tipo 1 no Brasil —índice que coloca o país em terceiro lugar no ranking mundial, depois de EUA e Índia.

Custos da doença e mortalidade

Quando não tratado ou controlado, o diabetes pode causar diversas complicações à saúde, especialmente para o sistema cardiovascular, com comprometimento tanto de pequenos vasos (microvascularização) como dos grandes (macrovascularização).

Os cuidados com a saúde de quem convive com a doença, claro, impactam na economia das famílias e do país. A despesa médica anual com esses pacientes ficou em US$ 3.117, a mais alta na América do Sul. A entidade estima que, até 2030, o gasto com diabetes na região aumente em 15,3%.

No quesito mortalidade, o Brasil novamente assume a liderança com 135.200 mortes causadas por complicações da diabetes —o número corresponde a 55,6% dos óbitos registrados na América do Sul, um total de 243.200 adultos entre idades de 20 a 79 anos.

Os dados ainda dão conta de que a mortalidade é maior entre homens (122.200) do que em mulheres (121.000), e que os números são maiores em países de renda média em comparação às nações consideradas de alta renda.

Obesidade como fator de risco

De acordo com o Manual MSD, a obesidade e o aumento de peso são fatores importantes para o desenvolvimento de resistência à insulina, provocando a diabetes tipo 2.

Nesse quesito, o Brasil já havia demonstrado dados igualmente preocupantes. A pesquisa Vigitel 2018, preparada pelo Ministério da Saúde, mostrou que entre 2006 e 2018 o número de obesos no Brasil aumentou em 67,8%.

O crescimento do índice foi maior justamente entre os adultos, nas faixas de 25 a 34 anos (84,2%) e 35 a 44 anos (81,1%).

Mas nem todos os números são desanimadores. A pesquisa revelou ainda um aumento de 15,5% no consumo de frutas e hortaliças entre 2008 e 2018; e um crescimento de 25,7% na prática de exercícios físicos. Houve ainda uma queda de 54,4% no consumo de bebidas açucaradas e refrigerantes entre adultos.

A população também aumentou sua consciência em relação à própria saúde. Os cerca de 40% de entrevistados que receberam o diagnóstico de diabetes demonstraram ter maior conhecimento sobre suas necessidades e sentiram-se estimulados a procurar o serviço de saúde para iniciar o tratamento o quanto antes.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Aumento de ansiedade pode estar correlacionado a aditivos de alimentos processados

Substâncias largamente utilizadas para manter o sabor, reforçar o aroma e prolongar o tempo de conservação dos alimentos industrializados, os aditivos alimentares estariam relacionados a mudanças comportamentais em animais, causando um aumento da ansiedade. Essa foi a conclusão de um grupo de pesquisadores da Georgia State University, nos Estados Unidos, que realizou o estudo com ratos de laboratório.

Em artigo publicado no periódico científico Scientific Reports, os pesquisadores afirmaram que ao colocar os camundongos em contato com emulsificantes sintéticos (utilizados em alimentos como biscoitos, bolos e margarinas para melhorar sua textura e prolongar sua conservação), foi possível observar mudanças comportamentos e aumento da ansiedade dos roedores. 

Para realizar as observações, os estudiosos acrescentaram os aditivos alimentares na água de camundongos machos e fêmeas. Após 12 semanas, foi possível observar o efeito das substâncias na alteração do comportamento dos animais: os machos apresentaram sintomas semelhantes à ansiedade humana enquanto as fêmeas reduziram suas interações sociais.

Esse estudo deu sequência a um trabalho realizado anteriormente pelos cientistas, que observaram a presença de inflamações nos intestinos dos camundongos que consumiam os emulsificantes sintéticos. De acordo com os autores do trabalho, essa inflamação também se estendeu ao sistema nervoso, afetando os comportamentos dos animais — diferentes trabalhos já constataram uma forte interconexão entre o sistema nervoso central e os trilhões de microrganismos que vivem na região intestinal, uma ligação conhecida como "eixo cérebro-intestino". 

De acordo com os autores do trabalho, é possível estabelecer uma relação entre o funcionamento do organismo dos camundongos com o dos humanos. Resta agora realizar estudos mais aprofundados para entender como o comportamento das pessoas é afetado pelo consumo dos aditivos alimentares, além de estudar a relação entre o "eixo cérebro-intestino". 

Fonte: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Saude/noticia/2019/01/aditivos-de-alimentos-processados-tem-relacao-com-aumento-de-ansiedade.html?fbclid=IwAR3ScrYsYl4rS4E81ILy5K3C2voM5kbbIm7K3zbxvO2ozJJwJOv5ObPREQo

sexta-feira, 6 de julho de 2018

O que não é Nutrologia?


Todos os dias no consultório é a mesma história para os pacientes:
  • 👉Paciente ACHANDO que foi a um nutrólogo e na verdade o médico não é especialista: lembrando que só é especialista em Nutrologia ou quem fez a residência ou tem o título. Se não tem, não é NUTRÓLOGO.A maioria dos que se dizem nutrólogos não o são. Para saber se o profissional é nutrólogo basta entrar no site do Conselho  de Medicina e buscar o nome do profissional: http://www.cremego.org.br/index.php?option=com_medicos
  • 👉Paciente ACHANDO que Nutrologia é sinônimo de Ortomolecular, Medicina Quântica, Homeopatia, Medicina Integrativa (conceito que conseguiram deturpar), Chips hormonais, Anabolizantes, Excesso de suplementos, Doses cavalares de vitaminas e minerais. Alguns médicos deturpam a Nutrologia e fazem leigos e outros médicos acharem que Nutrologia é aquilo que eles praticam. A Nutrologia é uma especialidade séria e que no momento sofre um processo de desmoralização por parte de alguns profissionais. .
  • Quer saber o que é NUTROLOGIA de verdade? 👉www.nutrologogoiania.com.br👈
  • Montei uma pequena biblioteca descrevendo: O que é Nutrologia. A história da Nutrologia no Brasil. O que não é Nutrologia. Diferença entre Nutrólogo e Nutricionista...Endócrino...Médico do esporte. Vários textos mostrando como a Nutrologia pode auxiliar no tratamento de várias doenças.


quinta-feira, 5 de julho de 2018

Transtornos alimentares: comuns em todas as idades, sexos e etnias

Os transtornos alimentares atingem as pessoas de todas as idades, sexos e grupos étnicos/raciais, e estão associados a um comprometimento psicossocial significativo, revela uma nova pesquisa.

Os pesquisadores analisaram dados de mais de 35.000 adultos nos Estados Unidos e descobriram que as mulheres tinham probabilidade significativamente maior de terem transtornos alimentares do que os homens, e os brancos tinham maior probabilidade de ter anorexia nervosa do que os seus homólogos negros não-hispânicos e hispânicos.

Por outro lado, as chances de ter bulimia nervosa não diferiram significativamente por raça/etnia, e menos negros não-hispânicos do que entrevistados hispânicos e brancos tinham transtorno de compulsão alimentar durante a vida.

Todos os três transtornos estão associados a importante comprometimento psicossocial.

"Embora os transtornos alimentares possam não ser tão prevalentes quanto alguns outros transtornos psiquiátricos, como depressão, ansiedade, ou transtornos do uso de álcool e drogas, esses quadros são comuns, são encontrados entre homens e mulheres de vários grupos étnicos/raciais, e ocorrem durante toda a vida", disse ao Medscape a primeira autora Tomoko Udo, PhD, professora-assistente do Departamento de Políticas, Gerenciamento e Comportamento em Saúde, University at Albany School of Public Health, em Nova York (EUA).

"O transtorno de compulsão alimentar, um novo diagnóstico 'formal' do DSM-V (do inglês Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition), é importante de ser rastreado e identificado, posto que está associado a risco significativamente maior de obesidade, e que todos os transtornos alimentares estão associados a deficiências de funcionamento psicossocial e, portanto, representam um importante problema de saúde pública", disse Tomoko, falando não só por si, mas também em nome do coautor do trabalho, Carlos M. Grilo, PhD.

O estudo foi publicado on-line em 17 de abril no periódico Biological Psychiatry.

Novas estimativas de prevalência
"Existem poucos dados populacionais representativos em nível nacional sobre a prevalência dos transtornos alimentares" nos Estados Unidos, escreveram os autores.

Estudos anteriores utilizaram os critérios do DSM-IV para avaliar a prevalência dos transtornos alimentares. Além disso, a prevalência dos transtornos alimentares entre grupos étnicos/raciais foi calculada por meio do agrupamento de dados provenientes de várias amostras diferentes.

"São necessários dados de amostras de grande escala de representação nacional avaliados por meio de entrevista diagnóstica para atualizar as estimativas de prevalência dos transtornos alimentares nos EUA", acrescentam.

Isto é particularmente necessário por causa da atualização dos critérios diagnósticos dos transtornos alimentares no DSM-V. As mudanças determinaram que o transtorno de compulsão alimentar é um diagnóstico formal e diminuiu a frequência da compulsão alimentar para o diagnóstico de transtorno de compulsão alimentar.

"Acreditamos que era importante obter novas estimativas de prevalência em uma amostra maior e representativa, especialmente porque o DSM-V fez várias alterações nos critérios de diagnóstico dos transtornos alimentares em relação ao DSM-IV", disse Tomoko.

"Muitos médicos e pesquisadores esperavam maiores estimativas do que as encontradas nos estudos preliminares como resultado do 'relaxamento' dos critérios diagnósticos dos transtornos alimentares", observou a professora.

O estudo em tela utilizou dados do 2012-2013 National Epidemiologic Survey Alcohol and Related Conditions (NESARC-III). Um total de  36.309 pessoas com ≥ 18 anos de idade foram avaliadas por entrevistas diagnósticas administradas por leigos.

Os entrevistados deram informações sociodemográficas (idade, sexo, etnia, escolaridade e renda).


Informaram também a altura e o peso, que foram utilizados para calcular o índice de massa corporal (IMC).

O NIAAA Alcohol Use Disorder and Associated Disabilities Interview Schedule–5 (AUDADIS-5) foi utilizado para avaliar anorexia nervosa, bulimia nervosa e transtorno de compulsão alimentar. Os dados continham a idade de início e a idade no momento do episódio mais recente.

O AUDADIS também foi usado para avaliar a deterioração da socialização decorrente dos transtornos alimentares. Os fatores avaliados foram a interferência nas atividades diárias normais, sérios problemas de convívio com os outros, e sérios problemas para cumprir as próprias responsabilidades.

Transtornos alimentares mais comuns
Os pesquisadores criaram grupos para o diagnóstico específico dos transtornos alimentares (anorexia nervosa, bulimia nervosa e transtorno de compulsão alimentar) fundamentados nos critérios do DSM-5, usando as respostas ao NESARC-III para as perguntas relevantes ao AUDADIS-5, e adaptando a pontuação dos dados variáveis do NESARC-III para criar as categorias diagnósticas do estudo em pauta.

As estimativas da prevalência de transtornos alimentares durante toda a vida mostraram que a anorexia nervosa e o transtorno de compulsão alimentar são os tipos de transtorno alimentar mais comuns, com prevalência de 0,80% (erro padrão = 0,07%) e 0,85% (erro padrão = 0,05%). A prevalência de bulimia nervosa foi de 0,28% (erro padrão = 0,03%).

As estimativas da prevalência de 12 meses da anorexia nervosa, da bulimia nervosa, e do transtorno de compulsão alimentar, foram de 0,05% (erro padrão = 0,02%), 0,14% (erro padrão = 0,02%) e 0,44% (erro padrão = 0,04%), respectivamente.

Dentre os 0,22% de participantes que informaram transtornos alimentares concomitantes (ou seja, ter um diagnóstico específico de dois ou mais transtornos alimentares durante a vida), 0,01% informaram anorexia nervosa com bulimia nervosa, 0,02% informaram anorexia nervosa com transtorno de compulsão alimentar, 0,13% informaram bulimia nervosa com transtorno de compulsão alimentar, e 0,05% informaram ter os três transtornos alimentares.

Para todos os três transtornos alimentares, as prevalências de diagnósticos durante toda a vida e em 12 meses foram significativamente maiores entre as mulheres do que entre os homens, com estimativas não ajustadas de 1,42%, 0,46% e 1,25% para as mulheres vs. 0,12%, 0,08% e 0,42% para os homens de anorexia nervosa, bulimia nervosa e transtorno de compulsão alimentar, respectivamente.

Houve também diferenças significativas na prevalência entre as etnias/raças da anorexia nervosa durante toda a vida; as odds ratios (ORs) ajustadas foram significativamente menores entre os participantes negros não hispânicos e hispânicos em comparação com os entrevistados brancos não hispânicos.

No entanto, a OR ajustada de 12 meses de anorexia nervosa foi significativamente menor entre os hispânicos do que entre os entrevistados brancos não-hispânicos. Não houve casos de anorexia nervosa em 12 meses entre os entrevistados negros não-hispânicos.

Embora a prevalência de bulimia nervosa durante a vida e a prevalência em 12 meses não tenham diferido significativamente por raça/etnia, as ORs ajustadas do transtorno de compulsão alimentar durante a vida foram significativamente menores entre os negros não-hispânicos do que entre os entrevistados brancos não-hispânicos.

Não houve diferenças raciais para o transtorno de compulsão alimentar em 12 meses, nem o nível de escolaridade foi significativamente associado à prevalência de transtornos alimentares.

Por outro lado, as categorias de renda mais elevadas foram associadas a um aumento significativo da probabilidade de anorexia nervosa durante toda a vida.

Após o ajuste por idade, sexo, etnia/raça e nível de escolaridade, a anorexia nervosa e o transtorno de compulsão alimentar foram mais prevalentes entre os grupos mais jovens do que entre as pessoas com 60 anos de idade ou mais.

Não "aumentar o caráter patológico"
Todos os transtornos alimentares foram associados a altos índices de comprometimento da função psicossocial.

Para os diagnósticos durante toda a vida, os índices de comprometimento da função social foram significativamente maiores entre as pessoas com bulimia nervosa por toda a vida (61,4%) e transtorno de compulsão alimentar por toda a vida (53,7%) em comparação às pessoas com anorexia nervosa (30,7%).

Por outro lado, a única diferença psicossocial significativa no diagnóstico em 12 meses foi para a bulimia nervosa. Os entrevistados com bulimia nervosa referiram maior dificuldade de conviver com os outros do que aqueles com transtorno de compulsão alimentar.

Para os diagnósticos durante toda a vida, bem como de 12 meses, as pessoas com anorexia nervosa tiveram índice de massa corporal (IMC) atuais significativamente mais baixos do que aquelas com bulimia nervosa e transtorno de compulsão alimentar. Para os diagnósticos durante toda a vida, bem como de 12 meses, aqueles com bulimia nervosa tiveram um IMC atual significativamente mais baixo do que aqueles com transtorno de compulsão alimentar.

Além disso, as pessoas com anorexia nervosa durante toda a vida tinham significativamente maior probabilidade de estar abaixo do peso ou de ter um peso normal, quando comparadas às pessoas com transtorno de compulsão alimentar durante toda a vida. Além disso, a probabilidade delas de ter excesso de peso ou obesidade foi significativamente menor quando comparadas às pessoas com transtorno de compulsão alimentar durante toda a vida, que por sua vez foram associadas a um aumento significativo da probabilidade de obesidade e obesidade mórbida.

Os autores observam que as estimativas de prevalência obtidas "estão em desacordo com o ponto de vista dos críticos do DSM-V, que usaram o transtorno de compulsão alimentar como uma ilustração do aumento do caráter patológico".

Tomoko reconheceu estar "surpresa" com as descobertas.

"Pensamos que poderíamos ver aumento da prevalência em todos os transtornos alimentares decorrentes das mudanças nos requisitos diagnósticos, particularmente maior aumento da bulimia nervosa e do transtorno de compulsão alimentar, que não observamos. E, de fato, nossas estimativas tanto para a bulimia nervosa quanto para o transtorno de compulsão alimentar foram mais baixas do que os estudos anteriores e do que esperávamos".

Necessidade de rastrear melhor
Comentando o estudo para o Medscape, a nutricionista Kendrin Sonneville, professora-assistente de ciências nutricionais e professora-assistente de pesquisa do Center for Human Growth and Development, University of Michigan School of Public Health, em Ann Arbor (EUA), que não participou do trabalho, disse que "estudos como este, realizado em uma amostra nacional, ajudam a compreender quem está sofrendo com transtornos alimentares e quem pode não estar recebendo ajuda para seu transtorno alimentar".

A "mensagem mais importante" é que "pessoas de todas as idades, gênero e raças/grupos étnicos são atingidas pelos transtornos alimentares" e "vivenciam uma deterioração importante, e muitos sofrem durante muito tempo", disse a comentarista.

Kendrin instou os médicos e os sistemas de saúde a "identificarem estratégias para detectar os transtonos alimentares mais precocemente". A comentarista observou que a detecção e o encaminhamento para tratamento precoces são "necessários para melhorar a saúde e diminuir o sofrimento das pessoas com transtornos alimentares".

Tomoko acrescentou: "Acreditamos que nosso estudo destaque a complexidade da avaliação e do reconhecimento dos transtornos alimentares, enquanto documenta as repercussões clínicas deles, e em termos de saúde pública".

Como o tratamento com os especialistas em transtornos alimentares "não é tão facilmente acessível em muitas comunidades, como o é para outros transtornos psiquiátricos e clínicos, a melhora do acesso ao atendimento é uma prioridade importante para os sistemas de saúde", disse a pesquisadora.

O trabalho de Carlos M. Grilo foi subsidiado em parte pelos National Institutes of Health. O Dr. Carlos M. Grilo declarou não possuir conflitos de interesses relevantes. Os conflitos de interesse dos coautores estão listados no artigo original. Tomoko Udo e Kendrin Sonneville revelaram não possuir conflitos de interesse relacionados com o tema.

Biol Psychiatry. Publicado on-line em 17 de abril de 2018.




quinta-feira, 7 de junho de 2018

O seu médico é realmente Nutrólogo ?

Será que o seu médico realmente é Nutrólogo ?
Via de regra no Brasil só se pode intitular especialista em uma área médica no Brasil quem:
1 – Fez residência médica credenciada no MEC
2 – Tem título de especialista registrado no Conselho Federal de Medicina (CFM).

O médico que fez residência de Nutrologia, após concluí-la vai ao Conselho Regional de Medicina do seu estado(CRM) portanto o Certificado de conclusão da residência e registra-se como Nutrólogo, recebendo do CRM um número de Registro de Qualificação de Especialista (RQE), podendo então se intitular Nutrólogo.

No caso dos que foram aprovados na prova de título, basta levar o título ao CRM e pedir o RQE.
Mas e aí, como saber se o meu médico é ou não Nutrólogo?
Basta entrar no site do CFM ou no link: http://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_medicos&Itemid=59
Digitar o nome do médico, o estado e procurar. Se ao ver o nome do seu médico e não estiver especificado o RQE e a Especialidade que ele está registrado, provavelmente o seu médico não é titulado. Procure um que seja especialista.
#NutrologiaDeVerdade
#NutrologiaÉtica

Em Goiânia temos apenas 59 Nutrólogos titulados, ou seja, apenas 59 profissionais são Verdadeiramente Nutrólogos. A lista está na imagem abaixo (clique nela para aumentar) e os dados foram extraídos do site do Conselho Regional de Medicina de Goiás.

terça-feira, 22 de maio de 2018

CFM alerta: Pós-graduação não garante obtenção de título de especialista

A simples existência de um curso de pós-graduação lato sensu, ainda que reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC), não habilita o médico se anunciar como especialista, tendo somente valor acadêmico. Apenas duas formas podem levar o médico a obter a  especialização: 

  1. por meio de uma prova de títulos e habilidades das Sociedades de Especialidades filiadas pela Associação Médica Brasileira; 
  2. e/ou por residência médica reconhecidas pela Comissão Nacional de Residência Médica. 

O alerta é feito pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) que debateu o assunto em Sessão Plenária  em Brasília. “O CFM está atento a propagandas de alguns cursos de pós-graduação que induzem interpretação equivocada”, afirmou o presidente da entidade.

A Plenária do CFM ressaltou que o médico somente poderá anunciar especialidade quando estiver registrado o título no Conselho Regional de Medicina em que estiver inscrito.

Seguem algumas perguntas e respostas importantes:

1. Fiz pós-graduação lato sensu em área que não é considerada especialidade médica pelo CFM. Posso anunciá-la?
R: Não. Por terem potencial para confundir o paciente, esses títulos não devem ser anunciados.

2. Tenho pós-graduação em geriatria, mas não possuo o título de especialista. Posso inserir a palavra "geriatria" em meu carimbo?
R: Não. Para se apresentar como geriatra ou profissional de geriatria é preciso ter o título de especialista em geriatria, adquirido por meio do programa de residência médica ou por
avaliação de sociedade de especialidade reconhecida pelo CFM. O paciente deve ter absoluta clareza sobre a formação do médico que o atende.

3. Sou psiquiatra. A medicina do sono é uma área de atuação da psiquiatria. Não tenho título de sociedade relacionado a esta área, mas fiz pós-graduação lato sensu neste campo. Posso anunciá-la, já que esta área do conhecimento tem relação com a minha especialidade?
R: Não. Para anunciar-se como profissional de determinada área de atuação faz-se necessário ter título adquirido por meio do programa de residência médica ou por avaliação de sociedade de especialidade reconhecida pelo CFM. Adicionalmente, este
título deve ser registrado no CRM local. 

4. Sou cardiologista e fiz um mestrado em psiquiatria. Posso fazer referência a esse título no material de meu consultório de cardiologia, nos cartões de visita e em outras peças de
publicidade e papelaria?
R: Não. A resolução o impede associar títulos acadêmicos à sua especialidade médica quando não são da mesma área. O CFM entende que o anúncio desse título confunde o paciente. Esse tipo de anúncio induz o paciente a crer, por exemplo, que o mestrado torna o profissional um psiquiatra ou cardiologista mais habilitado, o que não é verdade. De qualquer modo, você pode anunciar todos os títulos que possui relacionados à sua
especialidade. Eles só precisam ser previamente registrados no CRM local.

5. Os treinamentos que realizei, mas que não resultaram em título acadêmico, relacionados com minha especialidade, podem ser anunciados?
R: Sim. Antes de anunciá-los, no entanto, você deve registrá-los no CRM local.


Saiba mais com a Resolução CFM nº 1634/2002:
(http://www.portalmedico.org.br/resolucoes/CFM/2002/1634_2002.htm).

sexta-feira, 18 de maio de 2018

A relação entre doações de campanha e regras mais frouxas para agrotóxicos



Mantida a toada dos últimos anos, a semana é sombria no Congresso Nacional. Como prova de que na atual legislatura tudo o que é ruim pode piorar, deputados da bancada ruralista querem impulsionar uma manipulação de imagem que beneficia a elite do agronegócio e as megacorporações de agrotóxicos.

Projetos de lei que formam o chamado "Pacote do Veneno" preveem alterações na Lei de Agrotóxicos (Lei 7802/89). Entre elas, a renomeação dos produtos químicos, que passariam a se chamar "defensivos fitossanitários". A votação na Comissão Especial que trata do tema pode começar ainda nesta semana e seguir ao Plenário.

O greenwashing (em português, lavagem verde) defendido pelos deputados da Frente Parlamentar da Agropecuária faz parte do jogo de marketing que quer ocultar os impactos negativos dos agrotóxicos. Isso, num país que há dez anos é líder mundial no uso de pesticidas. Resultado: em alimentos como hortaliças, frutas e leguminosas, são 7,3 litros de agrotóxicos consumidos por habitante anualmente e quatro mil intoxicações humanas só em 2017, segundo dados da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).

Ainda assim, atendendo ao lobby das gigantes do setor agroquímico, como Bayer, Monsanto (a primeira adquiriu a segunda recentemente), Syngenta e Bunge, legisladores estreitam ligações com proprietários de terra que possuem fichas recheadas de crimes ambientais e de trabalho escravo.

O principal dos projetos do pacote, o PL 3.200/2015, é de autoria do deputado Covatti Filho, do PP do Rio Grande do Sul. O texto simplifica o registro de novos pesticidas, facilita o uso de genéricos, cria um novo órgão federal para acompanhar o tema – retirando poder da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) – e reduz o papel dos estados na fiscalização. Além disso, essa é a proposta que suaviza o nome dos agrotóxicos.

Covatti recebeu 737 mil reais de doadores na campanha, sendo 326 mil reais do agronegócio. O parlamentar gaúcho é integrante da pouco conhecida, mas muito atuante, "bancada do fumo", que defende a indústria do cigarro.

Luiz Nishimori, do PR do Paraná, é o relator do projeto. Autodeclarado agricultor e comerciante, ele é conhecido como homem do agronegócio. Recebeu 2,4 milhões de reais na disputa eleitoral de 2014, 880 mil reais captados junto a empreendedores do setor.

De empresas flagradas por trabalho escravo ou autuadas por violações ambientais, amealhou 245 mil reais. Deputado estadual paranaense até 2011, é acusado por formação de quadrilha e estelionato por participar de esquema de nomeação de funcionários-fantasma na Assembleia Legislativa. A ação está no Supremo Tribunal Federal (STF), em segredo de Justiça.

A presidente da comissão é Tereza Cristina, do DEM de Mato Grosso do Sul. Dos parlamentares que analisam o pacote, ela foi a mais favorecida por doadores, com o valor de 4,2 milhões de reais, dos quais 2,5 milhões de reais chegaram via agronegócio. De empresas que praticaram crimes ambientais ou de trabalho escravo, recebeu 100 mil reais.

O padrinho e o compadrio

Durante a última sessão em que se tentou votar a proposta, no dia 8 de maio, vários deputados ressaltaram que o texto original foi apresentado em 2002, pelo então senador Blairo Maggi (PP), hoje ministro da Agricultura e Pecuária. Um dos maiores concentradores de terra do Brasil, ele é dono de gigantescas plantações de soja e milho, além de criação de gado, especialmente em Mato Grosso.

Maggi, na última eleição, apadrinhou Adilton Sachetti, do PRB de Mato Grosso. Considerado "compadre" do ministro, Sachetti acumulou 3,8 milhões de reais em doações, com 2,4 milhões de reais do agronegócio.

Entre os principais doadores aparecem a Amaggi (empresa do agronegócio da família do ministro), com 400 mil reais, e o próprio Blairo, que desembolsou 250 mil reais. Pior: 1 milhão de reais foi arrecadado de empresas que usaram trabalho escravo ou foram responsáveis por crimes ambientais.

Outras figuras que chamam a atenção na comissão e estão sob a batuta de Maggi são Luiz Carlos Heinze, do PP gaúcho, e Valdir Colatto, do MDB de Santa Catarina.

O primeiro é empresário ruralista. Elegeu-se deputado em 2014 com 1,8 milhão de reais do agronegócio. E recebeu 548 mil reais de empresas flagradas por trabalho escravo ou violações ambientais. Em um discurso de fevereiro de 2014, referiu-se a índios, quilombolas, gays e lésbicas como "tudo que não presta".

Já Colatto captou 619 mil reais, sendo mais da metade das doações oriundas do agronegócio, 328 mil reais. Das empresas flagradas por violações ambientais ou trabalho escravo, ele angariou 40 mil reais.

Em comum, esses nomes defendem, principalmente, a mudança de nome para "defensivos fitossanitários", com o argumento raso de que "a atual legislação é defasada e impõe muita dificuldade ao setor".

Organizamos duas tabelas com os nomes dos integrantes da Comissão Especial que têm financiamento pelo agronegócio. Também utilizamos informações do Ruralômetro, projeto da Repórter Brasil que mede a "febre" dos parlamentares – quanta mais alta a temperatura, maior a fidelidade às corporações.



Há parlamentares que receberam investimentos das corporações do setor em 2014, mas se posicionam contra esses interesses. São os casos de Alessandro Molon (PSB-RJ) e Patrus Ananias (PT-MG) — Patrus, inclusive, escreveu texto de repúdio ao Pacote do Veneno em companhia do também petista Nilto Tatto (SP).

Reação 

O subprocurador-geral da República Nívio de Freitas Silva Filho discorda dos ruralistas. Ele diz que o relatório de Nishimori desconsidera os efeitos dos agrotóxicos sobre a saúde ou o meio ambiente, além de apontar inconstitucionalidades no projeto.


É o caso da extinção de regras que hoje garantem algum controle sobre os pesticidas. A proposta apresentada tiraria a competência dos municípios de legislar sobre o uso e o armazenamento local dos agrotóxicos; o dever do Estado de formular políticas para a redução dos riscos e a proibição de registros de substâncias causadoras de doenças, como o câncer.

Organizações da sociedade civil e movimentos sociais se mobilizam. Na semana passada, um manifesto assinado por 271 entidades que atuam em promoção da saúde, meio ambiente e defesa do consumidor se posicionou contra o “Pacote do Veneno” e foi enviado à Comissão Especial da Câmara dos Deputados. O documento já conseguiu 130 mil assinaturas.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Mapa com os mecanismos etiológicos da obesidade por Dr. Bruno Halpern



Uma das maiores autoridades (no Brasil )em Obesidade na atualidade é o Dr. Bruno Halpern, filho do Dr. Alfredo Halpern. Toda semana o Dr. Bruno posta artigos interessantes sobre o tema na sua página do facebook: https://www.facebook.com/DrBrunoHalpern/

Hoje ele postou um mapa bem interessante. A imagem é difícil de entender, mas ela é muito ilustrativa. Consiste basicamente em um “Mapa da Obesidade”, que discute a complexidade da doença, e todas suas inter-relações, tanto biológicas, psicológicas e culturais.

Quando alguém diz que emagrecer é simples, só comer menos e se mexer mais, ou que quer um remédio que “tire a fome e a vontade de comer” seria interessante que Nutrólogos e Endócrinos mostrassem essa imagem.

O interessante é que mesmo que você corte algumas das vias, sempre será possível chegar a um ponto por outras. Sendo assim, o tratamento deve ser multidisciplinar e englobar questões de mudança de estilo de vida, tanto alimentares como exercício, com medicações (quando bem indicadas), estratégias comportamentais, vigilância e assim por diante.

Desconfie de quem tem soluções simples e únicas, e desconfie de quem diz que devemos “ouvir nosso corpo”. Embora atenção plena e entender porque comemos algumas coisas é importantíssimo, para pessoas com genética favorável ao ganho de peso, ouvir os sinais do corpo de nada servirá

sexta-feira, 31 de março de 2017

Quero ser nutrólogo, como proceder?


Definitivamente a Nutrologia se tornou a especialidade "da moda". Isso vem acontecendo já tem cerca de 8 anos. Muitos querem se intitular Nutrólogos mas não querem pagar o preço para utilizar o título.

Esse guia tem como objetivo sanar as dúvidas que recebo quase que diariamente via instagram, e-mails, facebook, canal no youtube. E se tem muita gente perguntando, é porque realmente a especialidade está em alta. 

As dúvidas mais comuns:
1) Onde cursar Nutrologia?
2) Fazer residência de clínica médica e depois de Nutrologia ou partir para pós-graduação?
3) Como é o mercado da Nutrologia?

Não responderei às perguntas na sequência acima, pois acho mais lógico explicar primeiro sobre a especialidade e posteriormente especificar o passo-a-passo da formação em Nutrologia. Portanto, leia o texto abaixo com atenção. Qualquer dúvida: doutorfredericolobo@gmail.com 

1) História de Nutrologia ( extraído de www.nutrologogoiania.com.br )

A Nutrologia pode ser definida como uma especialidade médica que estuda a fisiopatologia, o diagnóstico e tratamento das doenças nutricionais. Compreende-se por Doença Nutricional, qualquer patologia que tem como agente primário etiológico algum nutriente, seja ele excesso ou déficit.

O início da Nutrição médica ou Nutrologia Médica começou em 1932 com o médico Josué de Castro que estudou problemas relacionados a nutrição no Brasil, influenciado pelo Nutrólogo argentino Pedro Escudeiro (o pai da Nutrição médica na América Latina). Dr. Josué foi responsável pelo primeiro estudo de inquérito alimentar no Brasil. Foi criador do Serviço de Alimentação e Previdência Social (SAPS, 1940), da Comissão Nacional de Alimentação (CNA, 1945). Criou e dirigiu o Instituto de Nutrição da Universidade do Brasil por 10 anos. Foi diretor cientifico dos Arquivos Brasileiros. Um outro pioneiro na área de Nutrição médica no Brasil é o Prof. Dr. José Eduardo Dutra de Oliveira. Ele foi um dos responsáveis pelo reconhecimento da importância e da necessidade do ensino da Nutrição clínica no ensino médico e desde a década de 50 atua em nosso país. Em 1956 criou a divisão de Nutrologia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto (HCFMUSP-RP)

A Nutrologia apesar de parecer uma especialidade nova no Brasil, já tem mais de 45 anos, no Brasil sendo representada pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN). Uma associação médica que foi criada em 1973 no Rio de Janeiro pelos médicos Prof. Dr. José Evangelista (in memorian) e Dra. Clara Sambaquy Evangelista (in memorian). Porém só em 1978, a Nutrologia foi reconhecida como Especialidade Médica pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), pela Associação Médica Brasileira (AMB) e pelo Conselho Nacional de Residência Médica (CNRM). 

A Nutrologia acabou tendo uma forte ascensão no cenário médico nacional nos últimos 7 anos. Ascensão tão forte que a maioria dos que se intitulam Nutrólogos na verdade não são. Como dizia um outdoor aqui em Goiânia: “Especialize-se na especialidade do momento”. Até alguns anos era uma especialidade praticamente desconhecida pela população e até mesmo pelos médicos.  Com o aumento do interesse por temas relacionados à alimentação e doenças nutroneurometabólicas o interesse pela área cresceu de forma exponencial.

Hoje temos que lidar com um problema, que é a quantidade exorbitante de profissionais que se intitulam nutrólogos e na verdade não são. Médicos que apenas fizeram pós-graduações de Nutrologia ou nem isso. No Brasil a Especialidade relacionada à Nutrição médica é a Nutrologia. Porém há áreas de atuação dentro da Nutrologia. São elas:
  • Nutrição Parenteral e Enteral
  • Nutrição Parenteral e Enteral Pediátrica
  • Nutrologia Pediátrica
2) O que faz um nutrólogo ?

O Nutrólogo é o médico habilitado e capacitado para diagnosticar, acompanhar e tratar todas as doenças que sejam de cunho nutricional ou que a ingestão alimentar pode influenciar no prognóstico. Falou que é doença nutricional, o médico Nutrólogo está habilitado a tratar. 

A Nutrologia estuda, pesquisa e avalia os malefícios decorrentes da ingestão ou déficit de um determinado nutriente. Baseado nessa premissa, a Nutrologia aplica esse conhecimento para a avaliação de nossas necessidades orgânicas, visando a manutenção da saúde e redução de risco de doenças, assim como o tratamento das manifestações de deficiência ou excesso de nutrientes.

O acompanhamento do estado nutricional do paciente e a compreensão da fisiopatologia das doenças diretamente relacionadas com os nutrientes permitem ao médico Nutrólogo atuar no diagnóstico, prevenção e tratamento destas doenças, contribuindo na promoção de uma vida saudável, com melhor qualidade de vida. Nossa abrangência engloba:
  1. O diagnóstico e tratamento das doenças nutricionais (que incluem as doenças nutroneurometabólicas de alta prevalência nos dias de hoje como a obesidade, a hipertensão arterial e o diabetes mellitus), utilizando de todo um arsenal propedêutico (investigativo) e terapêutico: solicitação e avaliação de exames complementares, prescrição de medicações, vitaminas, minerais, ácidos graxos quando necessários.
  2. A identificação de possíveis “erros” alimentares, hábitos errôneos de vida ou estados orgânicos que estejam contribuindo para o quadro nutricional do paciente, já que as inter-relações entre nutrientes-nutrientes, nutrientes-medicamentos e de mecanismos regulatórios orgânicos são complexas, podendo levar ao padecimento do organismo.
  3. O esclarecimento ao paciente, de que existem doenças nutricionais, decorrentes de alterações nos nutrientes. Desde condições mais simples, como anemia ferropriva e carência de vitamina A, até condições mais complexas, como: obesidade, hipertensão arterial, diabetes mellitus, vários tipos de câncer, anorexia nervosa, osteoporose. 
  4. Elucidar para o paciente quais são as substâncias benéficas e maléficas presentes nos alimentos, de modo que ele mesmo saiba fazer as suas escolhas alimentares para viver mais e melhor.
  5. Tratamento de pacientes gravemente enfermos ou internados em hospitais, a fim de se combater a desnutrição principalmente intra-hospitalar.
3) Baseado nisso, em quais estabelecimentos um médico Nutrólogo poderia atuar? Em quais áreas poderia adentrar?

Para fins didáticos, prefiro subdividir a Nutrologia em Nutrologia clínica e Nutrologia Hospitalar.

O Nutrólogo que atua em Nutrologia clínica geralmente exerce suas atividades dentro de serviços ambulatoriais/consultório, atendendo situações que não necessitam de intervenção emergencial. Ex: médico Nutrólogo que trabalha com obesidade em ambulatório no sistema público ou em consultório privado. Eu sou um Nutrólogo clínico. 

Já a Nutrologia hospitalar, como o próprio nome diz, englobará atuações dentro do âmbito hospitalar. Ou seja, pacientes internados em enfermarias ou Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com risco nutricional. 

A Nutrologia hospitalar geralmente utiliza dentro do seu arsenal terapêutico, de fórmulas enterais (via sonda ou gastrostomia/jejunostomia) ou formulações parenterais (via endovenosa).

Dentre as áreas que o Nutrólogo pode atuar, além da hospitalar temos:
  • Nutroterapia no paciente cirúrgico (preparo pré-cirúrgico), pediátrica, geriátrica, esportiva,  oncológica,  materno-fetal, doenças hepáticas, doenças gastrintestinais,  doenças renais, doenças pulmonares, doenças cardíacas e vasculares, doenças neurológicas, doenças reumatológicas, doenças osteomusculares, doenças hematológicas, doenças alérgicas.
Ou seja, o Nutrólogo pode atuar em todas as áreas da medicina, já que existe uma interface entre a maioria das doenças e aspectos nutricionais.

4) Quais doenças e situações tratamos ?
  1. Pacientes saudáveis que deseja melhorar hábitos dietéticos e salutares de vida.
  2. Pacientes saudáveis que desejam realizar check up nutricional, para detecção de falta ou excesso de nutrientes.
  3. Pacientes críticos e internados em Centros de Terapia Intensiva (CTIs), necessitando de suporte nutricional para melhorar o prognóstico e evitar complicações (ex. sarcopenia) após a alta.
  4. Pacientes restritos ao leito hospitalar e que necessitam de suporte nutricional adequado para se evitar desnutrição intra-hospitalar.
  5. Pacientes que serão ou foram submetidos a cirurgias.
  6. Orientações nutrológicas para pacientes oncológicos (os mais diversos tipos de câncer).
  7. Pacientes que não conseguem ingerir comida por via oral (pela boca) e necessitam de sonda nasogástrica/nasoenteral ou por via endovenosa (na veia).
  8. Pacientes com gastrostomia ou jejunostomia.
  9. Magreza constitucional (baixo peso), em todas as fases da vida.
  10. Sobrepeso.
  11. Obesidade em todos os seus graus: em todas as fases da vida.
  12. Preparo pré-cirurgia bariátrica.
  13. Acompanhamento pós-cirurgia bariátrica.
  14. Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica (TCAP).
  15. Bulimia, Anorexia, Síndrome do Comer Noturno, Vigorexia, Ortorexia: aspectos nutrológicos. O acompanhamento psiquiátrico é indispensável
  16. Aspectos nutricionais da ansiedade, depressão, insônia (ou seja, o psiquiatra faz a parte dele e o nutrólogo busca déficits nutricionais ou intoxicação por substâncias que possam estar interferindo no agravamento da doença).
  17. Intolerância à glicose, Diabetes mellitus tipo 2  e tipo 1.
  18. Dislipidemias: hipercolesterolemia (aumento do colesterol) e hipertrigliceridemia (aumento do triglicérides).
  19. Síndrome metabólica: Obesidade acompanhada de hipertensão, aumento da circunferência abdominal ou dislipidemia.
  20. Esteatose hepática não-alcoólica (gordura no fígado).
  21. Alergias alimentares.
  22. Intolerâncias alimentares (lactose, frutose, rafinose e sacarose).
  23. Anemias carenciais (por falta de ferro, de vitamina B12, de ácido fólico, cobre, zinco, complexo B, vitamina A).
  24. Pacientes vegetarianos, veganos, ovolactovegetarianos, crudivoristas.
  25. Constipação intestinal (intestino preso).
  26. Diarreia aguda ou crônica.
  27. Síndrome do Intestino Curto.
  28. Dispepsias correlacionadas à ingestão de alimentos específicos (má digestão).
  29. Alterações da Permeabilidade intestinal (leaky Gut), Disbiose intestinal.
  30. Síndrome de Supercrescimento bacteriano do intestino delgado (SIBO).
  31. Síndrome do intestino irritável.
  32. Orientações nutrológicas em Doença de Crohn e Retocolite ulcerativa.
  33. Aspectos nutrológicos da Fibromialgia.
  34. Pacientes portadores de Fadiga.
  35. Acompanhamento nutrológico pré-gestacional e gestacional (preparo pré-gravidez e pós-gravidez para retornar ao peso anterior e fazer suplementações necessárias).
  36. Infertilidade (aspectos nutrológicos).
  37. Orientações nutrológicas para cardiopatas (Insuficiência coronariana, Insuficiência cardíaca, Arritmias, Valvulopatias, Hipertensão arterial).
  38. Orientações nutrológicas para pneumopatas (Enfisema, Asma, Fibrose cística).
  39. Orientações nutrológicas em Hiperuricemia (aumento do ácido úrico), Gota.
  40. Orientações nutrológicas em Transtorno de déficit de atenção com hiperatividade.
  41. Orientações nutrológicas e tratamento de pacientes com sarcopenia (baixa quantidade patológica de músculo).
  42. Orientações nutrológicas e tratamento de pacientes com osteoporose ou osteopenia.
  43. Orientações nutrológicas para portadores de doenças autoimunes (artrite reumatóide, lúpus, Hipotireoidismo/tireoidite de hashimoto, psoríase, vitiligo, doença celíaca).
  44. Orientações nutrológicas em portadores de HIV em tratamento com antirretrovirais.
  45. Orientações nutrológicas para hepatopatas (Varizes esofagianas, Hipertensão portal, insuficiência hepática, Ascite, cirrose hepática).
  46. Orientações nutrológicas para nefropatas (Insuficiência renal aguda, insuficiência renal crônica, glomerulonefrites, litíase renal, gota e hiperuricemia assintomática).
  47. Atletas
5) Por que a especialidade está em alta e há tantos Nutrólogos ?

Primeiramente deixo a imagem abaixo, para frisar QUEM pode se considerar Nutrólogo. Pois a grande maioria dos que se intitulam, na verdade não o são e propaganda enganosa configura crime!

Sim, publicidade enganosa é crime de acordo com o Código de Defesa do Consumidor, sujeitando o médico a uma pena de detenção de 3 meses a 1 ano e multa. Incorre na mesma pena o agenciador da propaganda enganosa, ou seja, o dono da clínica que é conivente com a propaganda enganosa.

A propaganda é enganosa quando induz o consumidor (nesse caso o paciente) ao erro, ou seja, quando apresenta um produto ou serviço com qualidades que não possui (nesse caso, o título de especialista). Quando o médico usurpa de outro um título que não possui, ele está cometendo crime.  Além da responsabilidade penal, o Código impõe ainda uma responsabilidade civil aos veiculadores de propaganda enganosa.

Não preciso nem deixar claro que se é crime, consta como infração ética perante o Conselho Federal de Medicina. Muitos dos processos éticos profissionais que correm em sigilo nos conselhos regionais são relacionados a essa propaganda enganosa. Médicos se intitulando Nutrólogo quando na verdade não são.


Caso recentemente divulgado pela mídia: https://www.agazeta.com.br/es/gv/medicos-que-se-passavam-por-especialistas-sao-denunciados-pelo-mpes-0219

Mas e aí, se eu fiz pós-graduação em Nutrologia eu não posso divulgar? Não, de acordo com o código de ética médica não, pois induz o paciente ao erro. O médico devidamente registrado no Conselho Regional de Medicina (CRM) da jurisdição na qual atua está apto a exercer a profissão em toda sua plenitude, sendo impedido apenas de anunciar especialidade sem o registro do respectivo título no CRM.

Mas porque a especialidade está tão em alta nos últimos anos?  Há muitos nutrólogos?

Por volta de 2008 a especialidade começou a sua ascensão e em 2013 entrou verdadeiramente em alta. Tendo poucos profissionais atendendo por planos de saúde.

A grande maioria dos que se intitulam nutrólogos, na verdade não o são. Segundo o site do Conselho Federal de Medicina, somos 1047 Nutrólogos ativos e registrados no Brasil: https://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_medicos&Itemid=59#buscaMedicos


Se há poucos nutrólogos atendendo por planos, poucos atendendo no SUS, é porque a maioria está atendendo somente particular. E se uma boa parcela está só no particular, poderia se inferir que é porque há público procurando, correto? Em partes sim. Talvez isso responda um dos motivos da alta.

A consulta nutrológica demanda tempo, dedicação e o valor que os planos pagam é muito baixo. No SUS há poucas cidade que possuem serviço de Nutrologia, pois preferem contratar Nutricionistas. Quando na verdade deveriam contratar os dois.

Muitos dizem que desde 2008 com o surgimento de algumas redes sociais, a Nutrologia tornou-se uma das especialidades médicas da moda. Talvez porque há alguns anos era menos difícil passar na prova de título de especialista. As razões pela especialidade estar "em voga" são inúmeras:
  1. A sociedade busca cada vez mais saúde, bem-estar, longevidade e estética. As pessoas se preocupam cada vez mais com o que ingerem, como ingerem e o que o corpo faz com o que foi ingerido.
  2. Aumento  estrondoso do número de pesquisas/estudos correlacionando a influência de hábitos alimentares sobre centenas de doenças. O que potencializa o item 1.
  3. A influência da nutroterapia no desfecho de inúmeras doenças. O que também potencializa o item 1.
  4. Médicos cansando de suas especialidades originais e querendo atuar em uma área diferente e mais dinâmica. 
  5. A crença de que é uma área altamente rentável, já que trata de Obesidade e Ganho de massa (hipertrofia), ou seja, envolve estética e esse mercado gera bilhões em todo o planeta. 
  6. Como até pouco tempo atrás era relativamente fácil ter autorização para prestar a prova de título (e com isso garantir um título), médicos sem especialidade ou recém-formados viam na Nutrologia uma alternativa para ter um título de especialista. Isso agora acabou desde que a Associação Médica Brasileira estabeleceu critérios mais rígidos como pré-requisitos para a prova de título. Além do alto grau de dificuldade da Prova de título elaborada pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).
  7. É uma área que se inter-relaciona com diversas áreas da medicina e outras profissões da área da saúde, em especial Educação física, Nutrição, Psicologia. 
6) Quero ser Nutrólogo, como fazer?

Cursar Medicina e AMAR BIOQUÍMICA. Não existe faculdade de Nutrologia. A Nutrologia é uma especialidade médica. Logo, só médicos podem fazer residência de Nutrologia ou pós-graduação. Pode parecer bobo ter que explicar isso, mas inúmeras pessoas já me perguntaram se para ser Nutrólogo tem que fazer Medicina. E se você não gosta de bioquímica, esqueça, você nunca aprenderá Nutrologia e muito menos gostará da área. Portanto, se você não curte vias metabólicas, metabolismo de macro e micronutrientes, e não entende o mínimo de endocrinologia, desculpa mas a Nutrologia não é para você. Estou cansado de conviver com Nutrólogos péssimos e que o problema base é o fato de não entender o ciclo básico, ou seja, bioquímica. "Ah Dr, mas eu gosto de alimentação, de atividade física". Não interessa, se não souber Bioquímica e BEM, será muito difícil você se tornar um bom Nutrólogo.

Estudantes de Medicina: modus operandis

Se você ja é estudante de medicina, a dica que te dou é: gradue-se e depois faça residência de Clínica Médica ou Clínica Cirúrgica e depois preste a prova de residência de Nutrologia. É o caminho mais difícil mas que te dará melhores garantias no futuro.

Todas as residências de Nutrologia no Brasil são coordenadas por excelentes profissionais. Eu mesmo, se pudesse voltar no tempo, teria feito residência de Clínica Médica e depois de Nutrologia. A diferença entre o Nutrólogo que fez residência e o que fez só pós e passou na prova de título é gritante. Por um simples motivo: não há escola melhor para se tornar Nutrólogo do que o Sistema Único de Saúde do Brasil. É ali que se bota a mão na massa, ali que você aprende a se virar com poucos recursos. Sem firulas de prescrição de suplementos ineficazes. Nutrologia é prática, variedade de doenças nutricionais. Se você não tem isso, mais uma vez te digo: esqueça Nutrologia.

Se não dá para fazer a residência, a segunda melhor opção são os estágios em serviços credenciados à ABRAN (listei todos logo abaixo). Todos são bons, coordenados por professores altamente capacitados. Além de terem a mesma carga horária da residência.

Médicos: modus operandis

Não adianta espernear, tentar burlar, fazer pós-graduação e colocar Nutrologia no carimbo. Seja adulto e reconheça que você tem apenas 3 opções:
1) Seguir o caminho tradicional, já citado acima, ou
2) Estágio supervisionado (ou especialização) em serviço reconhecido pela ABRAN;
3) Pós-graduação de Nutrologia (e hoje temos mais de 20 em todo o país).

É importante salientar que apenas a residência médica e o estágio reconhecido pela ABRAN dão direito a prestar a prova de título logo após o término. No caso do Estágio supervisionado faz-se necessário que o serviço seja reconhecido pela ABRAN, tenha a carga horária e tempo de duração exigidos pela AMB. Além disso o médico deverá ter pelo menos 2 anos de formado, que é o tempo mínimo de duração dos estágios.

No caso das pós-graduações, nenhuma delas dá direito a prestar a prova de título. É preciso ter no mínimo 4 anos de formado e 4 anos de atuação em Nutrologia. Ou seja, na melhor das hipóteses o médico só poderá prestar a prova de título 4 anos após terminar a pós-graduação.

Residência médica em Nutrologia no Brasil

Cursou 6 anos de medicina? Você terá que fazer 2 anos de residência de clínica médica ou cirúrgica e mais 2 anos de residência de Nutrologia. Nesse caso não precisa prestar a prova de título. Basta ir ao CRM e solicitar o seu Registro de qualificação de especialista (RQE) em nutrologia. Mas se quiser prestar a prova de título pode, pois preenche o pré-requisito.


Serviços de Especialização em Nutrologia (Estágios credenciados)

Você pode prestar a prova de título de Nutrologia se tiver no mínimo 2 anos de formado e tiver feito Estágio ou Especialização em Nutrologia com prazo de formação mínimo de 2 anos, sendo obrigatória carga horária anual de 2.880 horas (60h/semanais), distribuídas entre atendimento ambulatorial, atendimento em unidade de internação (hospitalar) e programa teórico.

SE comprovado isso, com declaração do chefe do serviço de nutrologia e diretor clínico, pode-se prestar a prova de título. No caso do estágio, segundo o edital o serviço tem que ser reconhecido pela ABRAN. No Brasil os únicos lugares que tem esse estágio são:

Pós-graduações em Nutrologia

Pós-graduação em Nutrologia tornou-se um mercado promissor, principalmente por se tratar de uma área com pouquíssimas vagas de residência. O que a maioria das pós-graduações não contam é que nenhuma delas (nem mesmo a da ABRAN) dá  ao médico o direito a prestar a prova de título.


REPITO: NENHUMA DAS PÓS-GRADUAÇÕES ABAIXO DÁ DIREITO A PRESTAR A PROVA DE TÍTULO, MUITO MENOS SE ANUNCIAR ESPECIALISTA. 

Na atualidade a ABRAN possui uma pós denominada de Curso Nacional de Nutrologia (CNNutro), que ocorre anualmente em São Paulo. Até 2016 a realização deste era obrigatória para quem desejava prestar a prova de título. Ou então ter feito a residência. A partir de 2017 o edital da prova de título teve uma mudança radical, Além disso a ABRAN tem o Curso Nacional de Enteral e Parenteral (CNNEP) e a Pós de Nutrologia Esportiva do professor Werutsky. Até 2019 o CNNUTRO pontuava 15 pontos para a prova de titulo e o CNNEP e a pós de Nutro esportiva 10 ponto cada.

Outras pós-graduações de Nutrologia que existem no Brasil mas como não fiz não posso opinar muito:
Repetindo: NENHUMA pós-graduação de Nutrologia dá direito a prestar a prova de título. Nem mesmo a da ABRAN. Os pré-requisitos para prestar a prova vão depender do edital daquele ano. Anualmente a AMB muda o edital e baseado no último edital (2019) somente pode prestar a prova de título quem: Fez a residência ou tenha 4 anos de formado e fez o estágio reconhecido ou atuou por 4 anos em algum serviço de Nutrologia ambulatorial/consultório ou hospitalar.

Atuação por 4 anos em serviço de Nutrologia

O médico que não fez a residência de Nutrologia ou o Estágio reconhecido, ele tem direito a prestar a prova de título, caso comprove o tempo de atuação em serviço de Nutrologia. Nesse caso, o médico deverá ter atuado em algum serviço de nutrologia que tenha atividade ambulatorial ou hospitalar, precisando receber uma declaração (de algum colega que o viu atuando durante os 4 anos). Mas isso pode mudar de acordo com o edital.

Serve atendimento em Equipe multidisciplinar de terapia Nutricional? Sim! Em UTI? Sim. Em ambulatório de Nutrologia no SUS? Sim. Em consultório particular de Nutrologia? Sim. Mas como dito acima, todos os anos o edital muda e a tendência é ficarem mais exigentes nos pré-requisitos.

7) Prova de título de Nutrologia (TEN) - Estou apto a prestar a prova de título, e agora?

Para saber se está apto, deverá consultar o edital do ano vigente, que geralmente sai 2 meses antes da prova. A ABRAN pode fazer a prova uma ou duas vezes ao ano.

As pontuações da prova de título se distribuem da seguinte maneira:
  • 65 pontos de prova e 35 pontos de currículo (2019). No edital de 2020 tivemos algumas mudanças: 
  • Prova escrita objetiva contendo 50 questões de multipla escolha (0,5 ponto cada questão) = 25 pontos
  • Prova escrita dissertativa contendo 10 questões e cada uma vale 1,5 ponto = 15 pontos
  • Prova oral contendo 3 questões e cada uma valendo 10 pontos = 30 pontos
  • Provas valem 70 pontos no total.
  • Curriculum 30 pontos.
  • Somando currículo + provas o candidato deve ter 70 pontos para ser aprovado. 
  • Os pré-requisitos para prestar:
  • 1 - Estar inscrito no CRM ha pelo menos 2 anos
  • 2 - Ter feito residência de Nutrologia ou
  • 3 - Ter feito treinamento em Nutrologia em serviço reconhecido pela ABRAN com duração de 2 anos ou,
  • 4 - Ter atuado em serviço de Nutrologia por pelo menos 4 anos. Sendo que deve-se comprovar por meio de declaração assinada pelo responsável pelo treinamento e reconhecida firma ou através de documento autenticado
  • Data: 10/10/2020 às 09h até as 19h no Hospital do Servidor Público Estadual
Para ser aprovado, o médico deverá ter pelo menos 70% dos 100 pontos. Ou seja, ir para a prova sem ao menos 35 pontos de currículo é pedir para não ser aprovado. O currículo inclui inúmeras atividades que geram pontuação. No edital de 2019 a residência Médica fornecia 35 pontos de currículo e os estágios supervisionados 30 pontos.

Por exemplo: ter feito CNNUTRO = 15 pontos, CNNEP 10 pontos. Ir ao congresso por 2 anos seguidos = 6 pontos. Mas como dito acima, todos os anos estão mudando. Minha dica é: o médico deve comparecer aos congressos ou jornadas da especialidade e preferencialmente produzir trabalhos científicos (artigos científicos, poster em congressos, artigos de livros de nutrologia, participação em mesas redondas da área) para obter mais pontos. Pois é difícil alguém que não tem 35 pontos de currículo passar na prova. Não é impossivel, eu não tinha, mas eu fechei a prova oral e fui bem na prova escrita, por isso passei. 

Ou seja, que lição tiramos disso: não basta apenas cursar o CNNUTRO, CNNEP, comprovar os 4 anos de atuação hospitalar e ambulatorial, é preciso vivenciar verdadeiramente a especialidade e o principal, lutar para que ela cresça de forma ética. É um caminho árduo. Principalmente para quem não quis fazer a residência ou algum estágio com 60h semanais. Por isso elaborei o e-book: Metodologia de estudos para a prova de título de Nutrologia, no qual explico como estudar para a prova de título, por onde estudar, meu cronograma de estudos. Nos últimos 10 anos a taxa de aprovação na prova de título tem girado em torno de 10 a 20%. Ou seja, 80% de reprovação.

Também elaborei um e-book chamado Tô na Nutro e agora, que é voltado para aqueles que já formaram e querem começar atender Nutrologia em consultório. Dou o caminho das pedras, explicando como foi o meu processo e inúmeras informações práticas para quem está com dificuldade para começar a atender. É muito difícil começar do nada, sem ter feito uma residência de Nutrologia.

Na verdade é difícil até mesmo para quem fez residência, já que quase todas as residências de Nutrologia no Brasil são voltadas para Nutrologia Hospitalar. Parte do estímulo para criação desse e-book veio dos meus amigos que fizeram residência de Nutro e não sabiam por onde começar.

Então ensino o beabá do consultório, redes sociais, marketing ético. Modéstia parte o e-book Tô na Nutro e agora é um sucesso de vendas e talvez o grande segredo do sucesso seja a mentoria gratuita que dou para quem compra. Acolho os compradores como afilhados. Prova disso são os inúmeros depoimentos em www.provadetitulodenutrologia.com.br 

Não tenho título, fiz pós-graduação e quero atuar como Nutrólogo, posso ?

Pode, porém é expressamente proibido divulgar. Ou seja, como já dito acima: não pode divulgar que fez pós-graduação, nem colocar Nutrologia no carimbo ou qualquer impresso. Caso infrinja essa recomendação pode ter problemas não só com o Conselho Regional de Medicina da sua localidade, mas também responder na esfera jurídica por propaganda enganosa. Porém há estratégias éticas para divulgar seu trabalho sem falar que fez pós ou que é Nutrólogo. Isso ensino no e-book: Tô na Nutro e agora?

8) Prós e contras de ser Nutrólogo

Por ser uma área que tem a ciência a seu favor (digo em investimentos de pesquisas científicas) é uma área ultra-dinâmica. Diariamente surgem novos estudos, ensaios clínicos. Algo que era verdade até o mês passado, pode deixar de ser.

Para quem gosta desse dinamismo, a especialidade é um prato cheio. Para quem não gosta dessa "incertezas" científica, pule fora, nutrologia não é pra você. No começo as incertezas doem, geram insegurança, com o tempo começamos a aprender a caminhar nesse terreno arenoso. 

É uma área que demanda muito conhecimento do ciclo básico da graduação em medicina, em especial bioquímica médica. Se você não gosta de bioquímica, vias metabólicas, hormônios, compreensão da fisiopatologia das doenças, pule fora, ainda dá tempo, pois nutrologia não é pra você.

Não adianta fazer algo só por interesse financeiro. Você pode até lucrar, mas o paciente consegue enxergar quem realmente ama o que faz e diferenciar daquele que faz por dinheiro. Os olhos dos verdadeiros amantes da Nutrologia brilham, quando precisam explicar Educação Nutricional e Medicina Nutricional para os pacientes. Fazer Nutrologia por falta de opção é a maior burrada que um médico pode fazer. E eu posso te garantir que vi dezenas de amigos e colegas se arrependendo de ter feito isso. De ter investido 20, 30, 50 mil em cursos e depois desistir da área. Não foi uma, duas, 10, 20 ou 30 vezes. Foram mais de 40 vezes que vi isso acontecendo. É triste e por isso falo: Só curse Nutrologia e invista se realmente gostar da área. Fazer por modismo pode ser uma péssima idéia e o tiro sair pela culatra.

Mas porque? Porque a Nutrologia é uma especialidade muito mal falada. Simples assim. Há bons e péssimos profissionais em todas as áreas, mas na Nutrologia, como a grande maioria faz apenas por modismo, acabam deturpando tudo que é ensinado pelos mestres da Nutrologia. Começam colocar como "conduta nutrológica" coisas do tipo: uso de anabolizantes para fins estéticos. Infusão de soros sendo que o trato digestivo está funcionante. Nada disso consta no roll de procedimentos nutrológicos. Com isso a Nutrologia fica mal falada, principalmente por outros médicos, que muitas vezes desconhecem a real Nutrologia, praticada baseada em evidências.

Logo, se você quer fazer Nutrologia e criar "condutas nutrológicas" rechaçadas pela Associação Brasileira de Nutrologia, saiba que você tem grandes chances de ter a imagem maculada perante outros médicos. Quer fazer? Faça direito. Não por modismos, não por dinheiro.

9) Será que a Nutrologia é para você?

Se você gosta de pacientes críticos, pode seguir a área de Nutrição Enteral e Parenteral, que é a área de Nutrologia Hospitalar. Ficando parte do seu cotidiano restrito ao ambiente hospitalar (em especial CTI, enfermaria). Mas se ficar em hospital não te agrada, você tem inúmeras áreas dentro da Nutrologia Clínica para atuar. A Nutrologia como citado acima, correlaciona-se com várias áreas, sendo assim é rara uma especialidade em que a Nutrologia não agregará algo. 

É Pediatra? A Nutrologia pediátrica pode te auxiliar muito. Caso você assimile o conceito de imprinting metabólico, pode contribuir para uma geração totalmente diferente das demais. E isso não fica restrito só à pediatria, obstetras também podem aprender muito com isso.

É endocrinologista? A nutrologia pode mudar totalmente sua atuação no tratamento da obesidade, diabetes, síndrome metabólica, transtornos alimentares, sarcopenia.

É cardiologista? A nutrologia pode te auxiliar a manejar melhores seus pacientes hipertensos, com síndrome metabólica ou portadores de insuficiência coronariana.

É nefrologista? A Nutrologia com certeza trará um melhor prognóstico para os seus pacientes nefropatas.

É infectologista? O suporte nutrológico pode mudar o curso de inúmeros processos infecciosos.

É geriatra? A nutrologia pode ajudar na prevenção e tratamento da osteoporose, sarcopenia, síndrome da fragilidade.

É oncologista? A nutrologia pode te auxiliar muito, melhorando a tolerância dos pacientes à quimioterapia e evitando a caquexia inerente ao processo neoplásico. 

Mas eu sou cirurgião, será que a nutrologia pode agregar conhecimento à minha atuação? Sim, já ouviu falar sobre imunonutrição? Nutrição enteral precoce? Menor tempo de jejum pré-operatório? Projeto ACERTO. Tudo isso é Nutrologia. E o melhor, tudo isso faz diferença na condução dos casos.

Ou seja, a nutrologia pode auxiliar a maioria das especialidades. 

A preocupação global das pessoas com a estética é uma faca de dois gumes. Se por um lado o excesso de preocupação pode precipitar transtornos alimentares, do outro temos pessoas de conscientizando mais sobre a importância de se alimentar melhor, favorecendo mais qualidade de vida e uma provável senilidade mais saudável.

O mercado de emagrecimento gera bilhões em todo o mundo, assim como o desejo de hipertrofia muscular ou melhora da performance nos exercícios. Esse é um grande filão que recorre aos nutrólogos.

Porém esse mesmo filão pode recorrer aos endocrinologistas, médicos do esporte, clínicos gerais, nutricionistas, profissionais da educação física, psicólogos. Ou até mesmo a farmacêuticos, enfermeiros, fisioterapeutas,  quem sabe o famoso "coach", "o tio da loja de suplementos" ou o "dono do espaço vida saudável". Vários concorrentes, não é?

Ou seja, muita gente que sequer compreende as nuances da obesidade, querendo manejar uma doença multifatorial, crônica, recidivante, com alto componente genético e comportamental. Portanto se você quer ser nutrólogo saiba que você "concorrerá" com essas outras áreas, caso seu foco seja apenas obesidade, hipertrofia e performance. 

Mas dá pra atuar em nutrologia sem ter como foco obesidade, hipertrofia ou performance? Sim, seja bem-vindo (no meu e-book explico o que mais atendo e o que meus amigos nutrólogos mais atendem). Isso é o que mais precisamos dentro da nutrologia. Médicos que queiram atuar em doenças. No manejo nutrológico de uma infinidade de doenças. Não necessariamente você precisa manejar só doenças.

É importante também o manejo nutrológico dos principais ciclos da vida: infância, idade fértil, climatério, senilidade, ou seja, a nutrologia está presente do começo ao fim da vida.

O que temos visto é que a Nutrologia é uma das áreas médicas que mais tem atraído médicos na atualidade. Médicos de diversas áreas estão migrando para nutrologia ou complementando suas áreas com conhecimentos nutrológicos.

10) Como é o mercado de Nutrologia?

Qual tipo de mercado? Sempre faço essa pergunta e quase sempre vão logo perguntando da rentabilidade.

A rentabilidade varia muito. Inúmeros fatores vão influenciar tais como formação, qualificação, Networking, marketing, empatia.

A maioria dos médicos que fazem residência de Nutrologia, permanecem trabalhando com Nutrologia Hospitalar e alguns fazem Nutrologia clínica (ambulatorial ou consultório).

Nutrologia hospitalar: o médico Nutrólogo pode chefiar a Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional (EMTN) e o valor pago por isso varia. Pode passar visita em enfermaria/UTI, sendo que cada visita nutrológica de terapia enteral gira (valor bruto) em torno de R$40 a 60/paciente, porém alguns planos não pagam a visita de enteral. No caso de visita diária em terapia parenteral o valor bruto varia de R$80 a 100 e pelo menos em Goiás a maioria dos planos só pagam a visita a cada 2 ou 3 dias. A EBSERH também constantemente lança editais contratando Nutrólogos (via CLT) para 20 hora semanais.

Ambulatório de Nutrologia no SUS: os valores também variam muito, mas giram em torno de R$ 5600 a 7400 por 20 horas semanais. Há pouquíssimos serviços de Nutrologia ambulatorial no Brasil, geralmente só onde há residências de Nutrologia.

Atendimento de planos de saúde: os planos buscam muito os Nutrólogos pois há poucos que atendem por plano de saúde. Razão? Os valores pagos pela maioria das operadoras de saúde.  Há planos de todos os tipos e as consultas podem girar em torno de R$30 até 9. Lembrando que toda consulta por plano, dá direito a um retorno dentro de um prazo estabelecido pela operadora. Logo, o valor deve ser dividido por 2. Essa é a razão de eu nunca ter atendido planos de saúde. Para ter o mínimo de lucro, o nutrólogo terá que atender um grande volume de pacientes. Qualidade e volume são inversamente proporcionais na Medicina.

Consultório particular: o valor de uma consulta particular em Nutrologia varia muito. Geralmente Varia entre R$ 400 a 700. Mas até um médico conseguir cobrar acima de R$500 vai um tempo.

O médico Nutrólogo pode ainda ser professor na Graduação de Medicina ou pós-graduações. O valor médico da hora/aula gira em torno de R$ 50 a 60 reais. O que totaliza ao final do mês de  R$1600 a 2000 reais. No caso de pós-graduações pagam cerca de R$150 a 200 a hora aula.

Logo, como se vê, não é uma área que gera alta rentabilidade. Aqueles que muito lucram com a Nutrologia são exceções. Ou então são profissionais que trabalham com práticas não permitidas pelo Conselho Federal de Medicina, como prescrição de anabolizantes para fins estéticos. Que é o que denomino de profissional de vida médica curta, pois cedo ou tarde terá algum problema. Pelo menos é o que tenho visto nos últimos 12 anos.

11) Roll de procedimentos em Nutrologia

É importante deixar claro que Nutrologia não inclui no seu roll de procedimentos terapêuticos e propedêuticos as práticas abaixo:
  • Prática Ortomolecular ou Biomolecular
  • Modulação hormonal
  • Uso de hormônios com finalidade estética
  • Ozonioterapia
  • Biorressonância
  • Medicina "quântica"
  • Homeopatia
  • Medicina germânica
  • Medicina biológica
  • Medicina funcional
  • Medicina Integrativa
Conheço excelentes Nutrólogos que são Homeopatas ou praticantes de Ortomolecular, mas verdade seja dita: isso não faz parte da Nutrologia. O médico pode até praticar, mas não pode colocar como se isso fosse próprio da Nutrologia.

Só existe UMA nutrologia, que é a nutrologia baseada em evidências científicas. Apesar da nutrição humana ser um terreno de incertezas, talvez por falhas metodológicas, ano após ano essas evidências vão se consolidando. Sendo assim, o médico deve se pautar no princípio da Medicina Baseada em evidência.

12) Agradecimentos aos meus amigos Nutrólogos
  • Agradeço aqui a todos os meus mestres na Nutrologia, em especial aos meus professores da ABRAN (Elza de Mello, Juliana Machado, Sandra Fernandes, Eline Soriano, Fernando Chueire, Vivian Suen, Durval Ribas, família Giorelli, Marcela Garcez). 
  • Juan Bernard por ser um amigo muito participativo nas minhas decisões "nutrológicas".
  • Pedro Dal Bello por ler sempre meus textos e opinar de forma carinhosa e amiga. 
  • Karol Calfa que foi uma das pessoas que de forma indireta me fez escolher a Nutro.
  • Haroldo Falcão por me estimular a estudar bastante, logo quando comecei na Nutro.
  • Simone Silvestre por ler o texto atentamente e fazer as correções.
  • Leandro Marques por ter me auxiliado bastante na época da prova de título e por sempre ser meu termômetro/revisor nos meus textos.
  • Daniela Costa por ter colaborado tanto comigo na época da prova de título.
  • Amanda Weberling por ter topado a Mentoria para a prova de título.
  • Rodrigo Costa por sua excelência e por me estimular a ser um profissional melhor. 
Autor: Dr. Frederico Lobo - CRM-GO 13.192 | RQE 11915 - Médico Nutrólogo - Goiânia - GO



ABAIXO OS NOSSOS MATERIAIS À VENDA



E-book : Tô na nutro e agora ? Valor: R$ 2.570,00. Para comprar: clique aqui.
E-book: Metodologia de estudo para a prova de título de Nutrologia 2020. R$ 2500,00.
Interessados: clique aqui.

Eu, Frederico Lobo, não vendo mais os materiais preparatórios para a prova. Mas cedi o material pra minha amiga Amanda Weberling e ela reformulou todo o conteúdo. Os interessados: tratar via e-mail menutrologia@gmail.com ou clique aqui.

Combo de Flashcards + questões: Flashcards (400 resumos na forma de flashcard, alguns menemônicos) + Banco de questões que caíram em provas da ABRAN (questões que caíram nas provas de título de 2012, 2014, 2015, 2017, 2018 e 2019), questões da prova final do CNNUTRO e CNNEP, questões de concursos de Nutrologia. Totalizando 1200 questões.
R$ 6.500,00 à vista. 

E-book 1: Tô na Nutro e agora ?
Consiste em um guia (202 páginas) para você que decidiu começar a estudar Nutrologia, iniciar consultório de atendimento em Nutro e nos próximos anos prestar a prova de título de especialista. É composto por: 
  1. Onde há residências e Estágios oficiais em Nutrologia no Brasil.
  2. Quais são os pré-requisitos para a prova de título, como funciona a prova de título de Nutrologia e como adquirir os pontos para alcançar os 35 pontos de currículo. Quais livros comprar, quais cursos fazer. Quais os melhores métodos de estudo baseado em evidências.
  3. Quais livros adquirir para aprender o beabá da Nutrologia.
  4. Quais cursos fazer para aprender os principais temas da Nutrologia e ter segurança para atuar no consultório.
  5. Como foi a minha caminhada até chegar na Nutrologia e as dificuldades que encontrei até formar uma carteira de pacientes.
  6. Começou consultório: Plano de saúde x Particular? Pessoa física x Pessoa jurídica? Reembolso.  Preço x Valor. Agregando valor à consulta.
  7. Dicas de como criar um ambulatório de Nutrologia no SUS da sua cidade. Um projeto em .doc todo detalhado, pronto para você utilizar.
  8. Quais as melhores técnicas de estudo para aprender Nutrologia para o dia-a-dia e estudar para a prova de título.
  9. Como encantar o paciente desde o pré-consulta ao pós-consulta, dentro da ética e sem ser apelativo. 
  10. O que fazer na prática clínica: dentro da ética médica e da legalidade.
  11. O que não fazer na prática clínica: pois fera a ética médica e código penal.
  12. Dicas de como empreender em redes sociais, de forma ética e eficaz. Como funciona o algoritmo do facebook e do instagram.
  13. Reputação em redes sociais, número de seguidores e métricas da vaidade. Por que número de seguidores não tem importância e não faz conversão em pacientes no consultório.
  14. Como organizar postagens em Instagram, Facebook, Sites. Quais cursos fazer para aprender mais sobre mídias digitais e empreendedorismo digital. Uma tabela em excel que vai organizar completamente a sua vida digital.
  15. Como encontrar um Nutricionista da sua confiança para que ele possa acompanhar quinzenalmente os seus pacientes. Como elaborar um encaminhamento completo, de fácil compreensão para o Nutricionista. Um modelo prático, simples e rápido de ser preenchido, sem que nada passe desapercebido e o Nutricionista da sua confiança possa fazer um plano com todos os itens que você como médico julga necessário.
  16. Como encontrar o seu nicho de pacientes e ser feliz na medicina.
  17. Como é o meu prontuário de Obesidade/Sobrepeso, além de uma prática e rápida para atendimento de obesidade e sobrepeso ( a que utilizo no ambulatório do SUS).
  18. Como é o meu prontuário eletrônico.
  19. Recordatório alimentar funcional de 7 dias, por mim criado, baseado em estratégias da Nutrição comportamental.
  20. Como fazer um exame físico praticamente completo em menos de 15 minutos.
  21. Orientações pré-consulta por mim criadas, com a finalidade de agilizar o seu atendimento mas sem perder a qualidade.
  22. Roteiro para a solicitação de exames de forma racional e assim evitar conflito com os planos de saúde.
  23. Uma série de 10 lâminas nutrológicas educativas para facilitar a compreensão e adesão do paciente no tratamento da obesidade.
  24. Orientações de preparo pré-bioimpedância.
  25. Curadoria minha por 6 meses. Disponibilidade de 1 hora 2 vezes por semana.
  26. Link para download do Manual de Publicidade Médica, Manual de Prescrição Médica.
  27. Brinde 1: Acesso a um grupo secreto no facebook chamado Nutrologia Brasil (criado em 2014). No qual praticamente postamos notícias, guidelines e artigos em Nutrologia. É preciso ter facebook e me adicionar: Lobo Fred.
  28. Brinde 2: Acesso ao grupo secreto do Telegram chamado Nutrobooks no qual postamos livros e artigos da área. É preciso ter telegram e me adicionar.
  29. Brinde 3: Acesso ao grupo secreto do Telegram focado em Empreendedorismo digital em Nutrologia, no qual uma vez por semana envio materiais sobre o tema.
  30. Brinde 4: Cronograma de estudos utilizado por mim  para ser aprovado em 3º lugar com 74,7%. 
  31. OBS 1: O e-book consiste em um arquivo em PDF, com 202 páginas, com senha criptografada e intransferível. Na sendo permitido impressão dos arquivos. Ele é enviado via e-mail com a senha e em outros e-mails os arquivos anexos. São 13 arquivos anexos.

Att

Dr. Frederico Lobo










Depoimento da Dra. Laura Bernardes, que comprou o material preparatório para a prova de título e o e-book: Tô na nutro e agora.


Depoimento do Dr. Jhones Carneiro que comprou o material preparatório para a prova de título e o e-book: Tô na nutro e agora. Aluno da mentoria preparatória de 2020.


Depoimento da Dra. Juliane Arndt que comprou o material preparatório para a prova de título e o e-book: Tô na nutro e agora e o e-book: Metodologia de estudo para a prova de título. Aluna da mentoria preparatória de 2020.

Depoimento do Dr. Bruno de Andrade, sobre o banco de questões e Flashcards. Médico Nutrólogo aprovado na prova de título de 2017. 

Depoimento da Dra. Amanda Weberling, sobre o banco de questões e Flashcards. Médica Nutróloga com Residência pela USP. Aluna da Mentoria de 2018 e aprovada na prova de título de 2018. 



Depoimento de profissionais que compraram ou tiveram acesso ao e-book: Tô na Nutro e agora





E-book 2: Metodologia de estudo para a prova de título de Nutrologia de 2020: o que você vai aprender

  1. Como é o edital da prova de título de Nutrologia, quais os pré-requisitos
  2. Quais livros adquirir e ler por completo, para se preparar para a prova de título de Nutrologia
  3. Quais cursos fazer para se preparar melhor para a prova de título de Nutrologia
  4. Onde há residência e estágios em Nutrologia no Brasil, para que você consiga ter os pré-requisitos para prestar a prova de título de Nutrologia
  5. Como montar um cronograma no qual ao longo de 9 meses você estude toda a matéria do edital e ainda revise por 1 mês
  6. Quais as melhores técnicas de estudo, para fixar melhor a densa matéria de Nutrologia e assim se preparar para a prova de título de Nutrologia de 2020.
  7. Quais guidelines e consensos você deve baixar na internet, pois tem chances de cair na prova de título de Nutrologia de 2020.
  8. Meu cronograma de estudo que utilizei para passar na prova. Quais os quase 200 sub-temas que podem cair na prova de título.
Valor: R$ 2500,00.

att

Dr. Frederico Lobo - Médico nutrólogo aprovado na prova de titulo de Dezembro de 2017
Dra. Amanda Weberling  - Médica nutróloga aprovada na prova de titulo de Novembro de 2018


DICAS PARA QUEM ESTÁ SE PREPARANDO PARA A PROVA DE TÍTULO DE NUTROLOGIA

  • ESTUDEM !
  • ESTUDEM!
  • ESTUDEM!!
  • Em 07/03/2020 saiu o resultado da prova de título de 2019. Não sei ao certo quantos prestaram a prova, mas 93% dos que fizeram o MENUTRO passaram. Apenas 2 mentorandos não passaram. O número de aprovados praticamente quadruplicou. 
  • Parabéns aos aprovados.



2018
  • Dia 15/02/2019 saiu o resultado da prova de título de Nutrologia de 2018. Dos 124 que prestaram, somente 24 foram aprovados. Desses 24 novos titulados, 6 adquiriram o nosso material preparatório (pacote 1), participaram do grupo de estudos no whatsApp e no grupo do facebook.  Ficamos bem feliz com isso.  
  • Os 6 aprovados estudaram bastante e com certeza serão excelentes Nutrólogos. A Nutrologia precisa de profissionais éticos e que lutem pela valorização da especialidade. É sempre bom ver novos rostos entrando para a especialidade. Parabéns a todos.