quinta-feira, 14 de novembro de 2019

14 de Novembro - Dia Mundial do Diabetes

O Brasil tem 17 milhões de adultos (entre 20 e 79 anos) convivendo com o diabetes, o equivalente a 11,4% da população nessa faixa etária. Os dados são 9º Atlas de Diabetes, produzido pela IDF (Federação Internacional de Diabetes).

Desde o último levantamento da entidade, feito em 2017, o aumento de casos no Brasil foi de 31%. Isso coloca o país na lista das dez nações que apresentaram maior elevação de casos da doença no mundo todo —estamos em quinto lugar, atrás apenas da China, Índia, Estados Unidos e Paquistão.

Globalmente, a estimativa do documento é que 463 milhões de adultos sejam diabéticos, com cerca de 32 milhões de casos na América Central e do Sul. A diabetes tipo 2, em que há uma resistência à insulina (diferente da tipo 1, em que o corpo deixa de produzir o hormônio por perder as células beta do pâncreas), é responsável por até 90% dos casos.

O mapeamento ainda identificou que existem 38 milhões a mais de pessoas vivendo com diabetes em todo o mundo em comparação com o último Atlas. Para os estudiosos, é um indício importante do crescimento de casos da doença.

A pesquisa ainda estima que 95.800 crianças e adolescentes menores de 20 anos conviviam com a diabetes tipo 1 no Brasil —índice que coloca o país em terceiro lugar no ranking mundial, depois de EUA e Índia.

Custos da doença e mortalidade

Quando não tratado ou controlado, o diabetes pode causar diversas complicações à saúde, especialmente para o sistema cardiovascular, com comprometimento tanto de pequenos vasos (microvascularização) como dos grandes (macrovascularização).

Os cuidados com a saúde de quem convive com a doença, claro, impactam na economia das famílias e do país. A despesa médica anual com esses pacientes ficou em US$ 3.117, a mais alta na América do Sul. A entidade estima que, até 2030, o gasto com diabetes na região aumente em 15,3%.

No quesito mortalidade, o Brasil novamente assume a liderança com 135.200 mortes causadas por complicações da diabetes —o número corresponde a 55,6% dos óbitos registrados na América do Sul, um total de 243.200 adultos entre idades de 20 a 79 anos.

Os dados ainda dão conta de que a mortalidade é maior entre homens (122.200) do que em mulheres (121.000), e que os números são maiores em países de renda média em comparação às nações consideradas de alta renda.

Obesidade como fator de risco

De acordo com o Manual MSD, a obesidade e o aumento de peso são fatores importantes para o desenvolvimento de resistência à insulina, provocando a diabetes tipo 2.

Nesse quesito, o Brasil já havia demonstrado dados igualmente preocupantes. A pesquisa Vigitel 2018, preparada pelo Ministério da Saúde, mostrou que entre 2006 e 2018 o número de obesos no Brasil aumentou em 67,8%.

O crescimento do índice foi maior justamente entre os adultos, nas faixas de 25 a 34 anos (84,2%) e 35 a 44 anos (81,1%).

Mas nem todos os números são desanimadores. A pesquisa revelou ainda um aumento de 15,5% no consumo de frutas e hortaliças entre 2008 e 2018; e um crescimento de 25,7% na prática de exercícios físicos. Houve ainda uma queda de 54,4% no consumo de bebidas açucaradas e refrigerantes entre adultos.

A população também aumentou sua consciência em relação à própria saúde. Os cerca de 40% de entrevistados que receberam o diagnóstico de diabetes demonstraram ter maior conhecimento sobre suas necessidades e sentiram-se estimulados a procurar o serviço de saúde para iniciar o tratamento o quanto antes.

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Alimentação e prevenção de Alzheimer

Enquanto algumas pessoas herdam genes que aumentam a probabilidade de desenvolver algum tipo de demência, muitas têm a oportunidade de reduzir substancialmente seus riscos adotando um estilo de vida saudável, sugere a Organização Mundial de Saúde (OMS), em relatório divulgado neste ano. E, tão importante quanto manter corpo e mente ativos, a alimentação tem papel fundamental na prevenção do Alzheimer.

Em todo o mundo, cerca de 50 milhões de pessoas têm demência e, com um novo caso surgindo a cada três segundos, esse número, com o envelhecimento da população, tende a triplicar até 2050. O Alzheimer, tipo mais comum, representa entre 60% e 70% dos casos. Causa e cura ainda são desconhecidas, e os principais avanços científicos são no sentido de mapear comportamentos e intervenções para retardar ou prevenir o declínio cognitivo.

Se, por um lado, a idade é o fator de risco mais forte, por outro, a demência não é uma consequência natural ou inevitável do envelhecimento. Na verdade, estudos recentes demonstraram, segundo a OMS, uma relação entre o comprometimento cognitivo e hábitos como inatividade física, uso de álcool e tabaco e dietas não saudáveis, assim como certas condições médicas, como colesterol alto, diabetes, hipertensão e obesidade.

“Hoje sabemos que o estilo de vida pode proteger ou aumentar o risco de ter demências e que em torno de um terço dos casos podem ser preveníveis”, afirma Celene Queiroz Pinheiro de Oliveira, geriatra e diretora da Associação Brasileira de Alzheimer - Regional São Paulo (ABRAz-SP). “Nesse quesito, a nutrição tem um papel central”, ressalta.

Nelson Iucif Junior, diretor do Departamento de Geriatria da Associação Brasileira de Nutrologia, não só corrobora com a importância da boa alimentação como mostrará evidências científicas que sugerem uma forte relação entre flora intestinal e saúde do cérebro na palestra "Microbiota e Doença de Alzheimer", no 23º Congresso Brasileiro de Nutrologia, de 26 a 28 de setembro, em São Paulo.

Ele explica que, conforme envelhecemos, naturalmente aumenta o grau de inflamação (“inflammaging”) orgânica, que é agravado com doenças como aterosclerose (formação de placas de gordura na parede das artérias do coração), disbiose (intestino preso) e isquemia (diminuição ou suspensão da irrigação sanguínea): “Isso aumenta a permeabilidade intestinal de tal forma que substâncias agressivas passam para a corrente sanguínea e vão atingir o cérebro, facilitando o desencadeamento de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer”.

Qual a melhor dieta para a prevenção do Alzheimer?

Muitos estudos tratam do assunto, pontua a geriatra. O mais importante deles, o WW Fingers, conduzido na Finlândia em 2013 e agora com desdobramentos para vários países, mostra que a dieta mediterrânea, a prática de exercícios regulares e o controle rigoroso de diabetes, colesterol alto e hipertensão arterial reduziram em 31% a manifestação de demências num grupo de 1.200 pessoas de 60 a 77 anos de idade, seguidas por dois anos.

Há pesquisas que mostram que a dieta dash (para hipertensão) é forte aliada também na prevenção de Alzheimer, assim como a dieta mind, que une as duas (dash e mediterrânea) e incorpora ao cardápio substâncias neuroprotetoras e antioxidantes para combater o declínio cognitivo. “O fato é que não existe um alimento mágico e um alimento matador”, lembra o nutrólogo. “É o conjunto da alimentação que faz toda a diferença.”

Coloque no seu cardápio para prevenir o Alzheimer:

  • Vegetais, com ênfase nos folhosos e verdes;
  • Fibras e cereais integrais;
  • Frutas;
  • Gorduras boas, como as presentes no azeite, nos óleos vegetais e nas oleaginosas, mas não abuse, já que são calóricos;
  • Peixes, aves e carnes magras (limitada a 2 vezes por semana);
  • Azeite de oliva;
  • Leite e derivados, para quem não tem intolerância.

Use com moderação:

  • Carnes vermelhas gordurosas e embutidos;
  • Álcool, “o uso constante em doses altas é extremamente tóxico para o organismo, incluindo o cérebro”; o consumo elevado, segundo a ABRAz (≥38 g/dia ou 23 drinques/semana), aumenta em 10% o risco de desenvolver demência.

Tire do seu cardápio para a prevenção do Alzheimer:

  1. Comidas industrializadas;
  2. Fast foods e frituras;
  3. Embutidos;
  4. Bolos, bolachas recheadas e produtos que contém gorduras trans.


Fonte: https://institutomongeralaegon.org/longevidade-e-saude/saude-fisica/prevencao-do-alzheimer?fbclid=IwAR0DHpfig0CDkYUQK8sRLdJ0vlYBn9QFf8AUyISPe_gRQZsnW8c-6TlKmPg

Alimentar-se fora de casa pode favorecer obesidade

Um estudo inédito feito em cinco países, incluindo o Brasil, analisou o conteúdo energético das refeições servidas em restaurantes fast food com os restaurantes de serviço à La Carte e o comparou com os índices dos Estados Unidos. 

Segundo uma das pesquisadoras envolvidas, Professora Dra. Vivian Suen Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) e médica nutróloga da ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia), 94% das refeições de serviço completo e 72% das refeições de fast food continham 600 quilocalorias ou mais. 

O estudo não é uma defesa aos restaurantes fast food, mas a pesquisadora destaca que o tamanho das porções mesmo quando se trata de comida saudável, deve ser levado em consideração como um alerta no combate à obesidade.

“Consumir as porções atuais de um restaurante tradicional e uma refeição de fast food diariamente forneceria entre 70% e 120% da energia diária que um indivíduo precisa. Isso é o aporte energético suficiente para uma mulher sedentária, sem refeições adicionais como bebidas, lanches, aperitivos ou sobremesas”, declara.

O alto conteúdo energético da alimentação consumida fora de casa tanto nas refeições de serviço completo quanto nos fast foods é um fenômeno generalizado que provavelmente está aumentando a epidemia global de obesidade – considerado maior problema de saúde pública do mundo.

Os resultados dos dados da investigação apontaram que a quantidade de calorias medida em refeições em restaurantes no Brasil, Gana, Índia e Finlândia não foi significativamente diferente dos valores altos relatados anteriormente para os EUA. Apenas a China teve os valores inferiores aos dos EUA. As refeições de fast food continham significativamente menos energia do que as refeições dos restaurantes de serviço completo.

Vivian pondera: “A consistência dos resultados obtidos na pesquisa nos países analisados sugere que o alto conteúdo energético de refeições preparadas fora de casa, em geral, e não apenas nas redes de fast food, pode ser um importante contribuinte para a epidemia global da obesidade e uma meta potencialmente impactante para as intervenções de saúde pública”.

O estudo intitulado, “Measured energy content of frequently purchased restaurant meals: multi-country cross sectional study” (Mensuração do conteúdo energético das refeições mais pedidas em restaurantes: um estudo comparativo entre países), financiado pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), analisou 223 refeições selecionadas aleatoriamente, 111 menus completos e restaurantes de fast food populares no Brasil, China, Finlândia, Gana e Índia. 10 refeições de cinco cantinas foram estudadas na Finlândia. Para elaborar esta pesquisa estiveram envolvidos pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP), Instituto de Saúde Pública e Nutrição Clínica da Finlândia, Departamento de Alimentação e Nutrição da Universidade da Georgia, Escola de Ciência e Nutrição da Universidade de Boston; Laboratório de Biologia Molecular do Instituto de Genética e Desenvolvimento da Academia Chinesa de Pequim, Instituto de Biologia e Desenvolvimento Científico da Inglaterra, Departamento de Medicina, Endocrinologia e Nutrição Clínica da Finlândia e do Centro de Excelência em Evolução Animal e Genética da Academia Chinesa de Ciências.

O estudo: https://www.bmj.com/content/bmj/363/bmj.k4864.full.pdf

Fonte: http://abran.org.br/2019/01/16/estudo-aponta-que-refeicoes-fora-de-casa-contribuem-com-aumento-da-obesidade/

Benefícios dos queijos brancos: Queijo minas, cottage e ricota:

Os queijos brancos são ótimas opções para quem deseja manter uma alimentação equilibrada.

Versáteis, podem aparecer no café da manhã, no lanche e nas saladas. E ainda são cheios de nutrientes: proteína, cálcio, vitaminas e minerais, por exemplo.

O médico Durval Ribas Filho, nutrólogo e presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), explica que todas as versões desse alimento podem ser interessantes para a saúde. “Mas vale lembrar que os queijos brancos têm menos gordura que os amarelos, portanto, são mais indicados para quem tem o objetivo de emagrecer”, diz. 

Esse é o caso do queijo minas, do cottage e da ricota. Abaixo, você descobre as características de cada um desses queijos brancos.

Cottage 

Esse queijo se parece com uma pasta em pedaços, sendo mais macio e de sabor mais marcante.

É bastante indicado para quem quer seguir uma dieta mais light. “Ele possui uma quantidade menor de calorias em comparação com o queijo minas e a ricota e também menos gorduras”, afirma Durval. 

Por conter menos leite em sua composição, apresenta menor quantidade de cálcio. Também ajuda a equilibrar a flora intestinal.

Uma fatia e meia (50 g) de queijo cottage tem, em média:

  • 46 calorias
  • 2,15 g de gorduras
  • 186 mg de sódio 
  • 41,3 mg de cálcio

Queijo minas frescal

De consistência mais mole e úmida que os outros, é o mais calórico das três opções, mas você encontra no mercado versões com menor teor de gordura. Apesar de apresentar um número maior de calorias, o queijo minas pode fazer parte de uma dieta balanceada porque não deixa de ser uma boa fonte de proteínas e cálcio.

É importante destacar que o queijo minas frescal não é a mesma coisa que o queijo minas padrão (queijo minas curado ou pasteurizado). O frescal, mais branquinho e macio, forma soro. Já o minas padrão é seco e firme.

Em uma porção de 50 g de queijo minas frescal você encontra:

  • 132 calorias
  • 10,1 g de gorduras
  • 150 mg de sódio 
  • 289 mg de cálcio

Ricota

Essa é a opção que contém menos sódio, além de teor de gordura e colesterol mais baixo.  “A ricota é feita com o soro do queijo e não diretamente do leite. É uma excelente fonte de cálcio e vitaminas A, B, D e E. Ajuda a fortalecer os ossos, prevenindo a osteoporose”, detalha Durval.

Uma porção de 50 g de ricota apresenta:

  • 70 calorias
  • 4,0 g de gorduras
  • 141 mg de sódio 
  • 126 mg de cálcio


Fonte: https://cuidai.com.br/queijo-minas-cottage-ricota-queijos-brancos/

Consumo de carne vermelha e risco cardiovascular

Estudos observacionais sugerem que a ingestão de carne vermelha está associada ao aumento do risco de doença cardiovascular (DCV), enquanto que essa associação não foi observada com o consumo regular de aves. 

Por outro lado, fontes de proteínas vegetais e padrões alimentares vegetarianos parecem ser cardioprotetores, um achado apoiado por uma revisão sistemática de ensaios clínicos randomizados que mostram diminuição do colesterol LDL (0,16 mmol/L), colesterol não HDL (0,18 mmol/L) e apolipoproteína B (apoB) (0,05g/L) quando a proteína animal é substituída pela proteína da planta.

Como é sabido que os ácidos graxos saturados da dieta (AGSs) aumentam as concentrações plasmáticas de colesterol LDL, geralmente se supõe que o conteúdo de AGS da carne vermelha contribui para sua associação com o risco de DCV. Essa suposição é apoiada pela falta de diferenças significativas no colesterol total, no colesterol LDL e no colesterol HDL em ensaios clínicos randomizados, em que a carne vermelha magra (carne bovina, suína ou cordeiro) em comparação com frango/ave magra foi consumida como parte de um dieta com baixo AGS (7 a 11% da energia total [E]).

Efeitos equivalentes da carne vermelha comparada à carne branca nos lipídios e lipoproteínas plasmáticos também foram relatados em metanálises de ensaios clínicos randomizados, embora esses resultados não tenham sido avaliados em relação ao teor de AGS das dietas.

Em resumo, até o momento não houve avaliação sistemática da interação potencial da fonte de proteína na dieta e do conteúdo de AGS nas concentrações de colesterol LDL e nas medidas aterogênicas relacionadas às lipoproteínas, incluindo níveis de partículas de lipoproteínas.

OBJETIVOS DO ESTUDO

O objetivo principal do presente ensaio clínico (Animal and Plant Protein and Cardiovascular Health: APPROACH) foi testar as diferenças nos efeitos das lipoproteínas de dietas nas quais a principal fonte de proteína é a carne vermelha, em comparação com dietas com conteúdo total de proteína semelhante de carne branca (aves) ou fontes de proteínas vegetais, e para determinar se esses efeitos foram modificados comparando a alta com a baixa ingestão de AGS.

MÉTODOS

Homens e mulheres geralmente saudáveis, 21 a 65 anos, índice de massa corporal de 20 a 35 kg/m2, foram aleatoriamente designados para 1 de 2 grupos paralelos (alto ou baixo AGS) e, em cada um, alocados em carne vermelha, carne branca, e dietas proteicas sem carnes consumidas por 4 semanas cada uma em ordem aleatória. Os desfechos primários foram LDL-colesterol, apolipoproteína B (apoB), partículas pequenas + médias de LDL e colesterol total / alta densidade de lipoproteínas.

RESULTADOS

A análise incluiu participantes que completaram todas as três atribuições de proteína na dieta (61 para alto AGS; 52 para baixo AGS). O colesterol LDL e a apoB foram maiores com carne vermelha e branca do que com dieta sem carne, independentemente do teor de AGS (P <0 0="" a="" afetados="" ags="" alta="" ao="" apob:="" apob="" aumento="" aumentou="" baixo="" branca.="" carne="" colesterol="" com="" compara="" culas="" da="" de="" densidade="" devido="" diferiram="" dio="" e="" em="" enquanto="" entre="" exceto="" fonte="" foram="" grande="" grandes="" independente="" isso="" ldl="" lipoprote="" m="" n="" na="" nas="" o="" ocorreu="" os="" p="" para="" part="" pela="" pequeno="" prim="" principalmente="" prote="" respectivamente="" resultados="" rios="" sem="" significativamente="" todos="" total="" vermelha="">

CONCLUSÕES

Os resultados estão de acordo com as recomendações que promovem dietas com alta proporção de alimentos à base de plantas, mas, com base nos efeitos de lipídios e lipoproteínas, não fornecem evidências para a escolha de carne branca em vez de vermelha para reduzir o risco de DCV.

Este estudo foi registrado no Clinicaltrials.gov como NCT01427855. Am J Clin Nutr 2019; 110: 24–33.

Estudo: http://abran.org.br/new/wp-content/uploads/2019/09/abran_artigo_20092019.pdf

Fonte: http://abran.org.br/2019/09/20/efeitos-da-ingestao-de-carne-vermelha-branca-ou-proteinas-vegetais-no-risco-de-doenca-cardiovascular/

Pular café da manhã e efeito no metabolismo energético e no ritmo diurna da glicemia de jovens saudáveis

As atuais estratégias terapêuticas para a obesidade se concentraram principalmente no desequilíbrio entre gasto energético e consumo de energia, mas o tempo das refeições também foi estudado como um fator que controla o peso corporal. A refeição consumida após um jejum noturno, ou seja, café da manhã, é frequentemente descrita como “a refeição mais importante do dia”, e acredita-se que contribua para uma boa saúde e nutrição, fornecendo nutrientes essenciais no início do dia.

Revisões sistemáticas, incluindo uma metanálise, sugerem que é globalmente observada uma associação positiva entre pular o café da manhã e estar com sobrepeso ou obesidade, independentemente das diferenças culturais entre os países. O efeito térmico dos alimentos após o café da manhã é maior do que após o almoço e o jantar, e isso sugere a possibilidade de que o gasto energético acumulado durante 24h (gasto energético de 24 horas) seja afetado pelas diferenças nos hábitos alimentares diários: tomar café da manhã ou pulando o café da manhã. No entanto, estudo anterior não observou nenhum efeito de pular o café da manhã no gasto energético de 24 horas, e outro estudo relatou um ligeiro aumento no gasto energético de 24 horas após o pulo do café da manhã em comparação com um padrão de três refeições. Tomados em conjunto, os resultados dos estudos de calorimetria estritamente controlada não enfatizaram a ligação epidemiológica entre pular o café da manhã e aumentar o peso corporal.

O desalinhamento das refeições com o relógio biológico está associado a um maior risco de obesidade e diabetes tipo 2. Os efeitos de pular o café da manhã no perfil de glicose de 24 horas foram avaliados usando um sistema de monitoramento contínuo de glicose (CGMS), mas os resultados são inconsistentes; a glicose média de 24 horas foi aumentada ao pular o café da manhã em estudo anterior, enquanto a curva glicêmica em 24 horas em outro estudo não foi diferente entre pular o café da manhã e três refeições. Na tentativa de obter uma melhor compreensão da dinâmica glicêmica, métodos avançados de análise de séries temporais foram desenvolvidos. A análise de flutuação diluída (DFA) da dinâmica glicêmica revelou que reduzir e interromper o tempo sentado com atividade intermitente de intensidade de luz pode desempenhar um papel na manutenção do controle glicêmico. É possível, portanto, que os efeitos de pular o café da manhã na dinâmica glicêmica em uma condição de vida livre possam ser diferentes daqueles observados quando um indivíduo permanece em uma câmara metabólica.

Uma maneira plausível de esclarecer os efeitos de pular o café da manhã no metabolismo energético e no controle glicêmico é avaliar os efeitos de pular repetidamente no café da manhã, em vez dos efeitos de um único incidente de pular o café da manhã.

OBJETIVOS DO ESTUDO

A hipótese do estudo foi de que pulos repetidos no café da manhã e comportamento sedentário afetam o metabolismo energético e a flutuação glicêmica. Observe que o período de intervenção da refeição de 6 dias como o período limite superior do CGMS. Assim, o objetivo do estudo foi esclarecer a influência de 6 dias consecutivos de pular o café da manhã no metabolismo energético e no controle glicêmico de jovens saudáveis ​​do sexo masculino, além de alterar a composição corporal como desfechos secundários.

MÉTODOS

Dez homens jovens participaram de 2 ensaios (com ou sem café da manhã) que duraram 6 dias consecutivos, ambos foram realizados com uma semana de intervalo com um desenho repetido de medidas. Durante a intervenção da refeição, a glicemia de cada indivíduo foi medida usando o sistema de monitoramento contínuo de glicose. Se o café da manhã era ignorado, os participantes faziam grandes refeições no almoço e no jantar, de modo que a ingestão de energia em 24 horas era idêntica à da condição de 3 refeições. Às 22h, do quinto dia, os indivíduos entraram em uma câmara respiratória do tamanho de uma sala, onde permaneceram por 33 horas, e foram instruídos a realizar um comportamento sedentário.

RESULTADOS

Os níveis de glicose foram semelhantes entre as 2 refeições durante os primeiros 5 dias de intervenção, mas a glicemia às 23h foi maior na condição de pular o café da manhã do que na condição de 3 refeições. Pular o café da manhã elevou a resposta glicêmica pós-prandial após o almoço no primeiro dia de intervenção. No sexto dia, não houve diferenças significativas no gasto energético de 24 horas e na oxidação do substrato. Quando os indivíduos permaneceram em uma câmara metabólica, o nível de atividade física diminuiu significativamente, a estabilidade glicêmica deteriorou-se levemente e a glicemia média ao longo de 24 h foi maior no ensaio de pular o café da manhã do que no ensaio de 3 refeições.

CONCLUSÕES

O estilo de vida sedentário e o pulo repetido no café da manhã causaram flutuações anormais de glicose, enquanto o metabolismo energético de 24 horas permaneceu inalterado.

Registro de Ensaio Clínico: Este estudo foi registrado em http://www.umin.ac.jp/english/ como UMIN000032346.

Am J Clin Nutr 2019; 110: 41–52.

O estudo: http://abran.org.br/new/wp-content/uploads/2019/09/abran_artigo_27092019.pdf

Fonte: http://abran.org.br/2019/09/27/existe-relacao-entre-pular-o-cafe-da-manha-e-aumentar-o-peso-corporal/

Uma Lei para alertar sobre os riscos do uso excessivo de telas na infância


Iniciativa é da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS). Assim como a indústria do cigarro passou a ser obrigada a alertar sobre os riscos do tabagismo com dizeres nas embalagens, fabricantes de celular poderão, em breve, ter a obrigação de dispor de um alerta nos seus equipamentos. O objetivo é informar os males que o uso excessivo de telefones celulares, televisão e tablets causam no desenvolvimento da criança.

A iniciativa é da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS) e a proposta será apresentada em forma de Projeto de Lei pelo deputado estadual Pedro Pereira. A intenção é fazer um projeto de lei para que, em todas as embalagens de dispositivos eletrônicos vendidos, tenha uma etiqueta com a recomendação de um uso moderado - principalmente durante a infância. A medida permitirá orientar a sociedade sobre os perigos do uso excessivo e indicar qual é o tempo máximo ideal que as crianças podem ficar expostas a essas tecnologias.

O anúncio oficial do Projeto de Lei será feito no primeiro dia de atividades do 39º Congresso Brasileiro de Pediatria (CBP) que acontece de 9 a 12 de outubro na FIERGS, reunindo cerca de sete mil participantes, em Porto Alegre (RS).

Justificativa

Os benefícios e prejuízos das tecnologias é um foco de atenção de todos os profissionais que lidam com as questões da saúde durante a infância e a adolescência. Estudos científicos comprovam que a tecnologia influencia comportamentos através do mundo digital, modificando hábitos na infância que podem causar prejuízos e danos à saúde física e mental dos jovens, com impacto em diversos aspectos.

A neurociência comprovou, através de exames de Ressonância Magnética, que o uso excessivo de telas prejudica o desenvolvimento cerebral das crianças. Por isso, elas não devem ser expostas de forma precoce a dispositivos eletrônicos.

Por outro lado, o celular tornou-se uma alternativa fácil aos pais, já que poupa o esforço que eles fariam com brincadeiras ou contando histórias, por exemplo. Tendo acesso a vídeos, cores e canções que ajudam na distração das crianças, os responsáveis passaram a usar esse artifício desde muito cedo, em bebês de poucos meses, o que prejudica o período da aquisição da linguagem e da estrutura psíquico-social, que ocorre principalmente nos dois primeiros anos de vida. É claro que é necessário conviver com os avanços da tecnologia e saber tirar proveito deles, mas não se pode esquecer que, durante o processo de formação da criança, é muito importante que ela receba estímulos através de canções de ninar, histórias contadas pelos pais e brincadeiras que gerem algum tipo de interação, pois é essa troca de estímulos que vai fazer com que o seu desenvolvimento seja saudável.

É comprovado que o uso excessivo de dispositivos eletrônicos prejudica a qualidade do sono: crianças e adolescentes que ficam muito tempo conectados dormem menos e dormem mal. O contato com as telas dentro de uma ou duas horas antes de dormir induz à insônia e à dificuldade de iniciar o sono, isso é decorrente do alto estímulo visual que a luz azul provoca. A baixa qualidade do sono, por sua vez, provoca outros problemas de saúde, como a obesidade, alterações de humor (ansiedade e depressão), déficit de atenção e diminuição do rendimento escolar.

O tempo que jovens e crianças dedicam às telas suprime o tempo que eles poderiam ter dedicado a atividades lúdicas, esportivas e de interação com outras pessoas. Isso é um fator que provoca o sedentarismo, que, junto à obesidade, contribui para o surgimento de futuras doenças cardiovasculares e diabetes.

Evidências científicas mostram que o tempo de conexão excessivo das crianças e da família afetam a convivência, o diálogo e as suas relações interpessoais, alterando a qualidade do vínculo e a dinâmica familiar - pontos que são muito importantes para o desenvolvimento saudável de uma criança. Inclusive existem pesquisas em que crianças afirmaram achar que os pais preferem o celular a elas, causando um sentimento de carência e exclusão por serem deixadas de lado.

Além de todos os danos que os dispositivos eletrônicos podem causar à saúde, existem também os impactos causados pelos conteúdos das mídias. Alguns conteúdos mais violentos podem estimular condutas agressivas, antissociais e autolesivas. Também existem evidências científicas sobre a relação do uso excessivo de redes sociais com depressão e problemas de autoestima.

Portanto, é muito importante que os pais saibam dos impactos que o uso excessivo de dispositivos eletrônicos tem no desenvolvimento das crianças e, a partir disso, possam controlar da melhor forma o tempo que seus filhos ficam conectados às telas.

Helena Muller
Cristina Targa Ferreira
Sergio Amantea
Diretoria SPRS

Os efeitos de uma dieta baseada em vegetais ricos em inulina na saúde intestinal e no comportamento nutricional


Efeitos de uma dieta baseada em vegetais ricos em inulina na saúde intestinal e no comportamento nutricional em humanos saudáveis

Por vários anos, a microbiota intestinal tem sido apontada como um ecossistema atraente que desempenha um papel fundamental na fisiologia do hospedeiro. Alterações da composição intestinal microbiana têm sido associadas a uma ampla variedade de condições, como obesidade, diabetes tipo 2, doença inflamatória intestinal, autismo e distúrbios comportamentais. Na dieta, alguns carboidratos não digeríveis, chamados prebióticos, são fermentados pela microbiota intestinal, conferindo assim benefícios potenciais à saúde. Foi demonstrado que a suplementação dietética com frutanos purificados do tipo inulina (ITFs) exerce efeitos positivos na saúde em humanos, como melhora da permeabilidade intestinal, diminuição da massa gorda, aumento da produção de peptídeos de incretina no intestino que atuam na saciedade e melhora no controle do apetite. No entanto, pouco se sabe sobre o efeito da ITF no comportamento e no apetite, ao considerar o consumo de vegetais naturalmente ricos em ITF. Além disso, dados recentes sugerem que a fermentação da fibra alimentar pode levar ao desconforto intestinal, principalmente em pacientes com síndrome inflamatória intestinal.

Surpreendentemente, apenas alguns estudos tentaram analisar o impacto de prebióticos que ocorrem naturalmente em produtos alimentícios na composição e função da microbiota intestinal e na tolerância gastrointestinal. Os ITFs ocorrem principalmente nas raízes das plantas, como alcachofra-girassol , alho-poró ou cercefi, onde atuam como um polímero de armazenamento e de preservação do estresse.

OBJETIVOS DO ESTUDO

Neste estudo, foi desenvolvido um protocolo para uma intervenção dietética diária que durou 2 semanas com vegetais ricos em ITF para atingir uma ingestão mínima de pelo menos 9 g ITF/d em voluntários saudáveis. O objetivo do estudo foi avaliar o efeito da intervenção nutricional na composição e atividade da microbiota intestinal, ingestão de nutrientes, comportamento relacionado a alimentos e sintomas gastrointestinais. A composição da microbiota intestinal estava relacionada aos sintomas gastrointestinais. Também foi avaliada a persistência dos efeitos 3 semanas após a conclusão da intervenção alimentar.

MÉTODOS

Um único grupo de estudos composto por 26 indivíduos saudáveis. Durante duas semanas, os participantes foram instruídos a aderir a uma dieta controlada baseada em vegetais ricos em ITF (fornecendo uma ingestão média de 15 g ITF/d). Foram organizados três dias de teste: antes e após a intervenção nutricional e três semanas após o retorno à dieta habitual. Foram avaliados a ingestão de nutrientes, comportamento alimentar, composição da microbiota fecal, fermentação microbiana e sintomas gastrointestinais.

RESULTADOS

As principais modificações microbianas durante a intervenção foram uma proporção aumentada do gênero Bifidobacterium, um nível reduzido de Clostridiales não classificados e uma tendência para diminuir as Oxalobacteraceae. Essas alterações foram revertidas três semanas após a intervenção. Os voluntários mostraram maior saciedade, um desejo reduzido de comer alimentos doces, salgados e gordurosos e uma tendência para aumentar as atitudes hedônicas em relação a alguns vegetais ricos em inulina. Apenas episódios de flatulência foram relatados durante a intervenção na dieta, enquanto o desconforto intestinal, inversamente associado ao Clostridium cluster IV e Ruminococcus callidus, foi melhorado ao final da intervenção.

CONCLUSÕES

Um maior consumo de vegetais ricos em ITF permite um aumento substancial de fibras alimentares bem toleradas, o que por sua vez pode melhorar o comportamento relacionado aos alimentos. Além disso, leva a modificações benéficas da composição e função da microbiota intestinal.

Este estudo está registrado em clinictrial.gov como NCT03540550. Am J Clin Nutr 2019; 109: 1683–1695.


sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Déficit de vitamina B12 na população com diabetes tipo 2

Um assunto pouco falado entre pessoas com diabetes e mesmo no consultório do endocrinologista é a deficiência de vitamina B12.

Esse é um nutriente fundamental para a formação dos glóbulos vermelhos do sangue e necessário para o bom funcionamento dos nervos e do cérebro. Sua carência está associada, portanto, a anemia, neuropatia (doença que acomete os nervos do corpo) e até demência.

As principais fontes de vitamina B12 na dieta são leite, ovos, fígado, carne de porco, atum, salmão e truta. Porém, para ser absorvida lá no intestino, ela precisa se ligar a uma proteína produzida pelo estômago.

A carência dessa vitamina é muito mais comum em pessoas com diabetes tipo 1 e também com diabetes tipo 2, mas por mecanismos diferentes.

Pessoas com diabetes tipo 1 têm um risco cinco vezes maior de ter deficiência de vitamina B12. Isso se deve ao fato de que o sistema imunológico delas chega a destruir as células do estômago que produzem a tal da proteína que se liga ao nutriente e permite sua posterior absorção. Como eu disse, sem a proteína, a vitamina não é aproveitada pelo organismo direito.

Tem mais: quem tem diabetes tipo 1 encara uma maior probabilidade de ter doença celíaca — condição inflamatória e autoimune que se agrava com a ingestão de glúten. A associação da doença celíaca com o diabetes, por sua vez, aumenta a propensão à deficiência da vitamina B12.

Com o diabetes tipo 2 a história é outra. O problema isoladamente não eleva o risco de faltar B12 no organismo. A questão está na metformina, medicamento usado para tratar a resistência à insulina e controlar os níveis de glicose no sangue.

Falamos de um remédio com mais de 60 anos de história e prescrito a praticamente toda pessoa com diabetes tipo 2. Entre seus efeitos colaterais, ele está ligado a uma diminuição na absorção intestinal de vitamina B12. Isso não é motivo para largar o tratamento, por favor. Mas pede atenção!

Tanto quem tem diabetes tipo 1 como indivíduos com o tipo 2 devem ter seus níveis de vitamina B12 avaliados periodicamente. Deficiências podem ser corrigidas com mudanças na dieta e suplementação a critério médico.

O Silêncio dos homens


Vale a pena assistir e perceber o quanto vivenciamos no cotidiano uma masculinidade tóxica.

O novo Código de Ética Médica, no capítulo II, defende que os profissionais podem se recusar a realizar atos médicos que não se adequem aos seus valores pessoais.

Você encontra o documento completo em: https://bit.ly/2RyvAE8.

Instagram proíbe posts com produtos de dietas e cirurgia estética.

Não é difícil ver alguma publicação sobre cirurgias estéticas ou produtos voltados para uma vida mais “fitness” (como chás de emagrecimento) no Instagram (e, pela lógica, quanto mais você vê, mais elas aparecem para você). Nesta quarta-feira (18), a plataforma anunciou algumas restrições que mudam as normas para esse tipo de postagem com produtos de dietas e cirurgias estéticas.

De modo geral, as redes sociais podem promover grande influência sobre o modo como vivemos, criando uma pressão social para que mudemos nosso padrão e para nos sentirmos mal em relação ao nosso corpo. Anúncios estéticos ou de produtos que fazem milagres, como “isso me ajudou a perder 10kg em uma semana” ou “isso me deixou 20 anos mais jovem”, prometem fazer rapidamente algo que leva mais tempo e podem influenciar distúrbios alimentares e problemas emocionais, principalmente em adolescentes.

O que muda no Instagram

Dentre as novas regras, estão proibidos posts de produtos duvidosos ligados à perda de peso vinculados a alguma oferta comercial (ou oferecendo desconto). O objetivo é promover mudanças benéficas e que não tirem da rede social sua ideia principal, que é ser um lugar positivo para todos os usuários.

Justamente por afetar um grande número de jovens, outro fator adicionado foi sobre a restrição de idade. Conteúdos relacionados ao uso de alguns produtos de emagrecimento e procedimentos estéticos ficam restritos para maiores de 18 anos. Em breve será possível denunciar esse tipo de publicação.

É claro que as empresas ligadas a esses setores não ficarão nada contentes com a notícia. Ysabel Gerrard, professora da University of Sheffield e uma das consultoras do Instagram (que prestou esse serviço gratuitamente para a rede social), afirmou que tais empresas devem agir com responsabilidade e remodelar seus produtos e técnicas de marketing visando a segurança das pessoas.

Alguns estudos recentes mostram como determinados tipos de publicações podem interferir na saúde mental dos adolescentes. Um deles, da Royal Society for Public Health e do Young Health Movement, realizado em 2017, mostrou que o Instagram é a pior plataforma de mídia social para a saúde mental de um jovem. Um segundo estudo, do Pew Research Center, feito em 2018, encontrou que 37% dos adolescentes se sentem pressionados para publicar conteúdos que receberão um grande número de curtidas.

Nos últimos dias, vimos que o Instagram tem mudado sua postura com relação a algumas questões. Uma mudança radical que deixou muitos chocados (e até mesmo chateados) foi a remoção do número de curtidas. A medida, adotada em julho deste ano no Brasil, teve como um dos seus objetivos também remover a pressão sobre o usuário.

Tais alterações transformam a rede social não em um lugar para competir por popularidade, curtidas ou ser “tóxico” para a saúde mental, mas sim para que diferentes pessoas possam se expressar. O ideal não é se concentrar em quão popular a sua foto foi, mas sim no conteúdo que foi publicado. Acredita-se que novas alterações virão por aí, algumas delas relacionadas ao combate ao bullying, mas não há nada certo ainda. Elas também podem chegar ao Facebook em breve.

No mês de prevenção ao suicídio no Brasil (chamado de Setembro Amarelo), ver ações como essa da rede social lembram que devemos nos empenhar mais não em exibir corpos considerados “perfeitos”, mas com a aceitação própria e a lembrança de que cada característica nossa é o que nos torna especiais, diferentes e, consequentemente, únicos.

#BombaTôFora - Exercício induzindo importantes funções cerebrais



Revisão científica sobre o efeito protetor cerebral do exercício físico e sobre as repercussões cerebrais do uso de esteroides anabonizantes, disponível gratuitamente no link: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/…/PM…/pdf/medicina-55-00396.pdf

Informe-se! Não permita que você, seus familiares, amigos e clientes entrem ou fiquem nessa!

Os danos são bem maiores que os ganhos!!!

Fontehttps://www.facebook.com/bombatofora/photos/a.340483713180222/498684717360120/?type=3&theater

19/09 - Aniversário do SUS


segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Uso de esteroides anabolizantes: um breve histórico do problema por Dr. Mateus Dornelles

Uso indevido de esteroides androgênicos, um velho problema

O uso de esteroides androgênicos para melhorar o desempenho físico, ao contrário do que se possa imaginar, é tema antigo na prática médica. Em 1893, um médico idoso chamado Brown-Séquard reportou “um ganho importante de força” após auto injetar um “fluido testicular” desenvolvido em laboratório de animais. Esta descoberta criou bastante entusiasmo e marcou o início da andrologia. Após algum tempo, já na década de 1930, começaram a ser desenvolvidos os primeiros andrógenos sintéticos derivados da testosterona. Desde então, diversos esteroides androgênicos foram sintetizados e aprovados para o tratamento de diversos problemas de saúde, incluindo deficiência de testosterona, caquexia, osteoporose, atraso no desenvolvimento da puberdade e até câncer de mama.

Ganho de massa muscular, as custas de efeitos adversos potencialmente graves

Os derivados sintéticos da testosterona possuem graus variados de atividade androgênica e anabólica, isto é, são capazes de aumentar a massa muscular, queimar gordura e melhorar o desempenho esportivo. Contudo, o uso de esteroides anabolizantes não se faz sem um custo muito alto à saúde. Efeitos adversos são frequentes e incluem toxicidade ao fígado e coração, aumento da viscosidade sanguínea (policitemia) com risco de trombose, aumento das gorduras do sangue (colesterol e triglicerídeos), pressão alta, depressão, crescimento de mamas em homens (ginecomastia), atrofia dos testículos, problemas sexuais e infertilidade em graus variados.

Falta de informação confiável dificulta a abordagem do problema

Como a maioria dos usuários destas substâncias não costuma procurar atenção médica, a literatura científica ainda carece de informações principalmente sobre as sequelas causadas pelo seu uso. Isso é problemático, pois o usuário não vê o médico como alguém com capacidade de fornecer informações apropriadas e acaba por buscá-las na internet ou com outros usuários. Já o médico, por não ter acesso a estudos confiáveis, fica desconfortável em abordar o assunto e acaba por adotar uma postura repressiva. Esta falta de empatia afasta paciente e médico, e o assunto vira tabu.

#BombaTôFora, uma luz no fim do túnel

Com o intuito de melhorar a assistência, prevenindo o uso e tratando as complicações, tanto médicos quanto pacientes devem estar dispostos a dialogar abertamente e a estudar sobre o assunto. Só desta maneira cooperativa, seremos capazes de construir conhecimento apropriado e confiável sobre o uso de esteroides anabolizantes. O projeto #BombaTôFora, apoiado pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, cumpre muito bem esta função.

Referência:
1- Pope HG Jr, Wood RI, Rogol A, Nyberg F, Bowers L, Bhasin S. Adverse health consequences of performance-enhancing drugs: an Endocrine Society scientific statement. Endocr Rev. 2014 Jun;35(3):341-75.

Dr. Mateus Dornelles Severo
Médico Endocrinologista
Doutor e Mestre em Endocrinologia pela UFRGS
CRM-RS 30.576 - RQE 22.991
www.facebook.com/drmateusendocrino

Efeitos Psiquiátricos dos Anabolizantes

Dr. Clayton Macedo, um dos responsáveis pela campanha Bomba Tô Fora - que tem o apoio da SBEM -, fala sobre os efeitos psiquiátricos que podem surgir com o uso dos anabolizantes (testosterona e afins).

Ele explica também que agressividade e reações inesperadas estão entre alguns dos sintomas e que podem estar ligados ao aumento do feminicídio. “Estamos vivendo um grave problema de saúde pública”, enfatizou o Dr. Clayton.

O médico alerta para que é importante ficar alerta aos sintomas e que diversas pesquisas estão sendo feitos, como uma pesquisa dinamarquesa. Nos dados, ele explica que cerca de 20% dos pesquisados que utilizavam os anabolizantes praticaram algum tipo de crime grave.

Vejam as informações que o médico deu na entrevista ao site da SBEM Nacional. Para ouvir acesse: https://www.endocrino.org.br/efeitos-psiquiatricos-dos-anabolizantes/?fbclid=IwAR3EclMNEh_nLXo-mhjhlw7hgaAdpegTxz7p1XO2uMhdO6o3yP0J5xhwb5Q

Reduzir o consumo de carne vermelha e sua relação com meio ambiente

Diminuir o consumo de carne vermelha é uma decisão muito difícil. A questão é que não podemos mais fazer vista grossa para o fato que o principal motor do desmatamento da Amazônia é a ampliação de pastos para o setor da carne. Se estamos juntos pedindo mais cuidado do governo pela floresta, um passo importante que cada um pode tomar individualmente é diminuir o consumo de boi. Se ainda gostamos de carne, há opções de proteína animal que causam menos impacto ambiental: frango, porco, cordeiro, cabra, peixes, frutos do mar, ovos, queijos...

Estudo publicado pela Academia Nacional Americana de Ciências compara o impacto ambiental da criação de boi com a criação de outras carnes (referência abaixo). Segundo a pesquisa, a produção atual de boi no mundo é a maior responsável por desmatamento no mundo, com extinção de espécies, poluição das águas e 1/5 das emissões de gases de efeito estufa.

Quem está junto nessa bandeira em defesa pela Amazônia em pé, convidamos para essa guinada juntos. Também estamos nesse processo de transição, por uma questão de coerência de discurso e ideais. 

Saiba mais:
"Burdens of meat" - PNAS - pesquisa da Academia Nacional Americana de Ciências: https://www.pnas.org/content/early/2014/07/17/1402183111
STOP DEFORESTATION - Beef Cattle: http://bit.ly/2lQTwIk

Conclusão sobre modulação hormonal


O professor Mauro Cziepiekeski deu uma brilhante aula  no III Update em Nutrição e Metabolismo em Hospital de Clínicas de Porto Alegre HCPA. esclarecendo sobre o uso inadequado de hormônios e a inaceitabilidade do uso de hormônios bioidênticos, que tem sido preconizado para a manutenção da jovialidade. Veja a sua conclusão.



terça-feira, 27 de agosto de 2019

Carnes alternativas (a base de vegetais) podem fazer parte de uma dieta saudável e sustentável?


Os alimentos ricos em carne vermelha, especialmente carnes processadas, têm sido associados a uma ampla gama de conseqüências para a saúde, incluindo obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer. 

Com base em uma revisão abrangente das evidências epidemiológicas, a Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer da Organização Mundial da Saúde classificou carnes processadas, como salsichas, bacon e salsichas como carcinogênicas para o homem para câncer colorretal, e carnes vermelhas não processadas, como carne bovina e carne de porco, como "provavelmente cancerígeno". 

Além disso, existe uma crescente preocupação de que a produção industrial de carne possa contaminar recursos naturais, incluindo rios, córregos e água potável, com nutrientes de lagoas de resíduos animais e escoamento. 

Existe também a preocupação de que a criação de gado possa levar à perda de florestas e outras terras que fornecem valiosos sumidouros de carbono, bem como a grande quantidade de emissões de gases de efeito estufa que contribuem para as questões ambientais e climáticas em andamento. 

É claro que, tanto para a saúde humana como para a saúde dos recursos naturais e do planeta, é necessário um sistema alimentar sustentável que desloque a população global para mais alimentos à base de plantas e menos alimentos de origem animal.

Padrões alimentares predominantes em frutas minimamente processadas, vegetais, grãos integrais, nozes, soja e outras leguminosas têm sido recomendados para melhorar a saúde humana e a sustentabilidade ambiental. 

Nesse meio tempo, uma variedade de produtos alimentícios à base de plantas foi desenvolvida para substituir aqueles tradicionalmente feitos de animais. 

Esses produtos incluem tanto alternativas lácteas (por exemplo, “leites” de soja e nozes) quanto alternativas de carne na forma de hambúrgueres, salsichas e outros produtos semelhantes à carne feitos a partir de componentes amplamente processados ​​à base de plantas. 

Embora esses produtos forneçam mais alternativas baseadas em plantas para alimentos de origem animal, eles não são necessariamente destinados a imitar a experiência sensorial real do consumo de carne.

Uma nova geração de alternativas de carne à base de vegetais (PBMAs) entrou no mercado. 

Estes produtos são projetados especificamente para imitar o sabor e a experiência de comer carne, enquanto são comercializados como uma maneira de acelerar a mudança de produtos baseados em animais. 

Mas os PBMAs devem ser considerados parte de uma dieta saudável com baixo teor de carbono (uma que visa reduzir os gases de efeito estufa devido aos métodos de produção, embalagem, processamento, transporte, preparação e desperdício de alimentos) que podem ajudar a reduzir a dependência da produção industrial de carne ? 

A resposta a essa pergunta permanece longe de ser clara, dada a falta de estudos rigorosamente desenhados e financiados independentemente.

Neste ponto, 2 empresas dominam o cenário PBMA. A Impossible Foods e a Beyond Meat oferecem hambúrgueres, que agora estão disponíveis em várias cadeias de restaurantes de fast food, supermercados e outras entidades de alimentos, principalmente na América do Norte. 

Projetados para imitar o gosto e a experiência de comer carne, esses novos produtos visam atrair uma base de consumidores mais ampla do que os demógrafos vegans ou vegetarianos relativamente menores que tinham sido mais frequentemente alvo de alternativas anteriores a produtos animais.

Por seu clima de elogios e benefícios de recursos naturais e seu mimetismo exclusivo de carne, PBMAs atraiu atenção significativa do consumidor. 

A Avaliação do Ciclo de Vida recente encomendado pelo Beyond Meat descobriram que o Beyond Burger gera emissões de gases 90% menos gases de efeito e requer 46% menos energia, 99% menos água e 93% menos uso da terra em comparação com um hambúrguer feito de carne bovina dos EUA, de liderança para a conclusão de que os PBMAs provavelmente terão menos efeitos ambientais do que a produção industrial de carne bovina com base nas métricas analisadas. 

No entanto, a robustez desta conclusão merece estudos adicionais.

Embora fatores ambientais possam e devam ser fortes motivadores da escolha de alimentos, é igualmente importante considerar os efeitos dos PBMAs na saúde humana. 

É importante ser cauteloso ao extrapolar diretamente os potenciais benefícios encontrados em pesquisas anteriores sobre alimentos à base de plantas e padrões alimentares para PBMAs, dada a sua natureza altamente processada. 

Ensaios clínicos randomizados demonstraram que a substituição de carne vermelha por nozes, legumes e outros alimentos protéicos vegetais reduz os níveis de colesterol total e lipoproteína de baixa densidade. 

Estudos epidemiológicos de longo prazo também mostraram que essa mudança de carne vermelha para alimentos vegetais está associada a menores riscos de doenças crônicas e mortalidade total. 

No entanto, os PBMAs incorporam proteína vegetal purificada em vez de alimentos integrais, com a Beyond Burgers usando isolado de proteína de ervilha e hambúrgueres impossíveis usando isolado e concentrado de proteína de soja. 

Um recente estudo de alimentação controlado de curto prazo descobriu que o consumo de dietas ricas em alimentos ultraprocessados ​​provoca excesso de ingestão calórica e ganho de peso.

Além da criação de produtos caloricamente densos e altamente palatáveis, o processamento de alimentos também pode levar à perda de alguns nutrientes e fitoquímicos naturalmente presentes nos alimentos vegetais.

Enquanto os hambúrgueres Beyond Meat and Impossible Foods são mais baixos em gordura total e saturada do que um hambúrguer de carne bovina e contêm zero colesterol (eles são semelhantes em calorias e proteínas), eles também são mais ricos em sódio. 

Sem estudos adicionais, não há evidências para comprovar que essas diferenças de nutrientes por si só oferecem um benefício significativo à saúde. 

De fato, os PBMAs são mais ricos em gordura saturada em comparação com a maioria das fontes de proteínas vegetais minimamente processadas, como feijões e lentilhas.

Ao avaliar os efeitos sobre a saúde dos PBMAs, também é necessário considerar como esses produtos são consumidos. 

Por exemplo, esses populares hambúrgueres PBMA são frequentemente consumidos em ambientes de fast food, onde podem ser colocados em um pão refinado com uma variedade de coberturas, servidos com batatas fritas e até mesmo uma bebida açucarada. 

Assim, não é possível supor que a substituição de um hambúrguer de PBMA por um hambúrguer melhora a qualidade geral da dieta.

Além disso, outra preocupação exclusiva do Impossible Burger deve ser considerada. 

Este produto contém grandes quantidades de heme (uma molécula contendo ferro) de plantas de soja adicionadas ao hambúrguer para melhorar o sabor e a aparência do produto. 

A ingestão mais elevada de ferro heme tem sido associada ao aumento das reservas de ferro no organismo e ao risco elevado de desenvolver diabetes tipo 2. 

Para responder a perguntas sobre os efeitos dos PBMAs sobre a saúde e o papel que os PBMAs podem desempenhar em uma dieta sustentável de baixo carbono, são necessários estudos rigorosamente planejados e financiados independentemente. 

Embora não seja viável a realização de grandes ensaios de longa duração sobre desfechos de doenças, ensaios de intervenção de curto prazo podem ser realizados para comparar os efeitos desses produtos com produtos animais convencionais e fontes de proteína vegetal minimamente processadas sobre o risco cardiometabólico e outros fatores, como o microbioma. 

Além disso, tanto a intervenção quanto os estudos observacionais devem ser realizados para examinar como o consumo de PBMAs influencia a qualidade geral da dieta, a ingestão calórica, o estado nutricional e o peso corporal dos indivíduos. 

Além disso, no nível da população, será importante examinar se um aumento no consumo de PBMAs realmente leva a uma redução significativa no consumo de carne vermelha.

Um grande desafio no estudo de alternativas à carne é que suas formulações e conteúdos de nutrientes podem mudar rapidamente devido a rápidas inovações tecnológicas e reformulações de produtos. 

Embora hambúrgueres e outros substitutos de carne vermelha possam ser os produtos mais amplamente disponíveis até o momento, outros PBMAs estão sendo introduzidos ou desenvolvidos, incluindo aqueles que imitam aves ou peixes. 

Outra linha de produtos no horizonte é a carne, aves e peixes cultivados em laboratório (ou cultivados), que utiliza tecnologias baseadas em células para cultivar e cultivar células de animais, produzindo produtos animais sem criar e abater o animal. 

Embora todas ou algumas dessas tecnologias alternativas de carne possam representar uma oportunidade significativa para reduzir os gases de efeito estufa que alimentam as mudanças climáticas, elas também podem representar uma grande ruptura nos sistemas de alimentos, agricultura, e pesca, o que poderia ter importantes implicações em saúde pública, ambiental e regulatória.

Embora o consumo de carne vermelha nos Estados Unidos tenha declinado continuamente por décadas e tenha permanecido estável nos últimos anos, aumentou acentuadamente em todo o mundo, especialmente em países de renda baixa e média.

A demanda global por carne, bem como as necessidades energéticas, continuará a aumentar nas próximas décadas. 

Paralelamente à rápida transição nutricional, a carga global de obesidade e doenças crônicas relacionadas à dieta tem aumentado consideravelmente. 

Os PBMAs podem ter algum papel na melhoria da saúde humana e planetária, mas não há evidências que sugiram que eles possam substituir dietas saudáveis ​​focadas em alimentos vegetais minimamente processados. 

Políticas nutricionais e orientações dietéticas devem continuar a enfatizar uma dieta rica em alimentos vegetais, como nozes, sementes e leguminosas ou leguminosas, que são ricas em proteínas e muitos outros nutrientes, mas requerem pouco processamento industrial. 

Opções mais tradicionais, como tofu, seitan e tempeh, também podem ser usadas para diversificar as alternativas à carne.

Para atender ao desafio sem precedentes de alimentar uma dieta saudável e sustentável para cerca de 10 bilhões de pessoas até 2050, relatórios recentes recomendam uma redução substancial no consumo de carne vermelha e a mudança para padrões alimentares baseados principalmente em plantas.

As inovações tecnológicas são vitais para a criação deste sistema, mas será importante manter-se vigilante para garantir que esses novos produtos sejam benéficos para a saúde humana, bem como para a saúde do planeta, e para entender e considerar quaisquer conseqüências não intencionais.

“Compartilhar é se importar”
Instagram:@dr.albertodiasfilho

Proteína de origem vegetal relacionada a maior longevidade

Maior consumo de proteínas à base de plantas - como as encontradas em cereais e leguminosas - está associado com menor risco de mortalidade, de acordo com um estudo observacional no JAMA Internal Medicine.

 Aproximadamente 70.000 pessoas com idade entre 40 e 69 anos no Japão completaram questionários de frequência alimentar.

Durante um seguimento médio de 18 anos, 18% morreram.

 Maior ingestão de proteína vegetal foi associada com menor risco de mortalidade (razão de risco para quintis 2-5: 0,84-0,89). 

Um padrão semelhante foi observado para mortalidade cardiovascular, mas não para mortalidade relacionada ao câncer.

Em contraste, o aumento da ingestão de proteínas totais ou baseadas em animais não foi associado à mortalidade.

A troca de 3% da energia da proteína animal pela proteína vegetal resultou em menor risco de mortalidade total, cardiovascular e relacionada ao câncer. 

As reduções de risco foram ainda maiores quando substituímos as carnes processadas por vegetais

Os autores dizem que a falta de uma associação entre proteína animal e mortalidade pode ser porque o consumo animal é geralmente menor no Japão do que nos EUA, e a principal proteína animal é o peixe.

Eles concluem: "Nosso estudo sugere que incentivar dietas com maior ingestão de proteína baseada em vegetais pode contribuir para a saúde e a longevidade a longo prazo"

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Guia dos Disruptores Endócrinos

Foi lançado durante o Congresso Brasileiro de Atualização em Endocrinologia e Metabologia de 2019, o Guia aos Disruptores Endócrinos em português. 

O guia consiste em uma iniciativa conjunta da Endocrine Society e o IPEN, que é uma rede global composta por 700 organizações não-governamentais. 

A apresentação do Guia foi feita na manhã desta quinta-feira, na conferência Global Health Impacts of Exposure do Tendcrine-Disrupting Chemicals, realizada pela Dra. Michele Andrea La Merril (USA), uma das autoras.

Para que o material fique disponível para todos os sócios, população e imprensa,  Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia liberou o arquivos em PDF para ser baixado gratuitamente: Guia dos Disruptores Endócrinos: https://www.endocrino.org.br/media/uploads/PDFs/ipen-intro-edc-v1_9h-pt-print.pdf

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Documentário What the health


A postagem abaixo foi extraída do facebook do Dr. Bruno Halpern, médico endocrinologista. Achei interessante pois com o advento da internet, redes sociais, youtube e netflix, muita informação em saúde circula e quem é leigo não consegue distinguir o que tem realmente evidência científica, daquilo que não passa de achismo. Ou indo mais além, extrapolações de estudos in vitro para a saúde humana. 

Quem me acompanha e me segue nas redes sociais desde 2009 sabe que já fui vegetariano e uma boa parcela dos meus pacientes no consultório são vegetarianos. Que o motivo pelo qual sou a favor do vegetarianismo é exclusivamente ambiental. Acredito que a redução do consumo de carnes pode sim auxiliar a reduzir os impactos ambientais e minimizar o sofrimento animal. 

Nutricionalmente não vejo superioridade da dieta vegetariana à dieta onívora ( a qual sigo hoje). Ambas tem riscos se não tiverem equilíbrio. A vegetariana com os riscos nutricionais (B12, Ferro) e a Onívora com o risco de desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, caso tenha excesso de carboidratos simples, gorduras saturada, gordura trans, alimentos industrializados. 

Acredito que a pessoa deva seguir a dieta que te faz bem e não lesa a própria saúde. É possível ter uma dieta vegetariana equilibrada desde que se faça suplementação de B12. Tenho centenas de pacientes que assim o fazem e estão bem do ponto de vista metabólico. 

O que não concordo é com o fanatismo e xiitismo de alguns grupos de vegetarianos. Muito menos com utilizar dados fakes ou baixo nível de evidência científica para fazer terrorismo e tentar "converter" onívoros. Isso é errado. Ninguém muda ninguém, ao longo desses anos tenho percebido isso claramente na prática clínica. 

Abaixo a tradução do Dr. Bruno Halpern do texto do profissional da saúde Ted Kyle do Site https://conscienhealth.org/

Att

Dr. Frederico Lobo
Médico Nutrólogo
CRM-GO 13192 | RQE 11915

Sobre o documentário What the Health

Muito cuidado com alguns documentários sobre saúde que, passando em uma rede de streaming conhecida, podem parecer de alta credibilidade. E nem sempre é assim. No caso do “What the health” trata-se de um manifesto vegano, com evidências que não passam nem no mais básico escrutínio científico. 

👉Ted Kyle, do @conscienhealth apontou alguns erros que o tornam um “auto de fé” #vegano e não um documentário científico.

1 - Não, carnes processadas não são tão perigosas como o cigarro. Apesar da OMS ter colocado os processados como provavelmente carcinogênicos, o consumo excessivo pode aumentar em 16% o risco de câncer de cólon. Cigarro aumenta a prevalência de diversos cânceres na ordem de 4000%.

2 - Ovos não são perigosos como o cigarro! Cigarro matará, direta ou indiretamente, dois em cada 3 fumantes. Ovo está muito distante disso e o consumo moderado é nutritivo e seguro. Inclusive, o #colesterol que comemos não é a principal fonte de produção de colesterol no nosso corpo.

3 -Leite não causa câncer. Há diversas metanálises (compilações de estudos) que mostram de maneira clara que essa relação não existe. E evidências indiretas ligam o #leite #iogurte e derivados a um risco reduzido de obesidade, diabetes e risco cardiovascular.

4 - Peixes não irão te "envenenar". Infelizmente, é verdade que peixes em topo de cadeia alimentar (cação, peixe espada e um pouco menos o atum), podem conter maior quantidade de mercúrio e por isso de fato se recomenda moderação no consumo desses peixes (não mais de 1 vez por semana). Porém, outros peixes continuam sendo muito saudáveis, com gorduras benéficas (embora ômega3 em quantidades benéficas seja difícil de encontrar em peixes no Brasil).

👉Ted Kyle termina seu texto dizendo:
"Quando as linhas entre fatos, presunções e opiniões se confudem, a ciência se torna política. A propaganda (que tem um viés proposital de persuasão) invade o documentário. What the health é mais propaganda que documentário. Uma opção individual por uma dieta vegana pode ser uma opção saudável e pode ajudar a reduzir a pressão que estamos fazendo na Terra. Porém, propaganda corrompe mesmo causas nobres."


segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Vigitel Brasil 2018

O Vigitel, Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico, é realizado desde 2006, em todas as capitais dos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal e apresenta dados epidemiológicos da população brasileira.

A atualização com dados do ano de 2018 acaba de ser publicada. Entre as informações, podemos destacar os índices de obesidade que chegaram a 19,8% da população, sendo 18,7% entre homens e 20,7% entre as mulheres. Além disso, a pesquisa demonstra que apenas 33,9% da população consome quantidade igual ou maior que 5 porções de frutas ou hortaliças por dia.

Link: https://nutritotal.com.br/pro/wp-content/uploads/sites/3/2019/08/vigitel-brasil-2018.pdf

Livro - Além da Nutrição - ABRAN 2019



A  ABRAN publicou uma obra intitulada “Além da Nutrição: O impacto da nutrição materna na saúde das futuras gerações”. 

O livro foi escrito com muita cautela, todo embasado em evidências robustas e aceitas na comunidade cientifica, trazendo as principais informações sobre os benefícios da suplementação durante as fases de planejamento, gestação e amamentação.

O livro é fruto do trabalho realizado por renomados profissionais da saúde, com o reconhecimento científico da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) e apoio da Bayer.

Link para download. Clique aqui. 

domingo, 18 de agosto de 2019

Quem pode se denominar Nutrólogo ?


Deseja saber se o seu médico é realmente Nutrólogo? Leia esse texto de minha autoria: http://www.nutrologogoiania.com.br/a-nutrologia/seu-medico-e-nutrologo/

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Gases intestinais

Talvez uma das queixas mais frequentes no meu consultório seja essa: Gases e distensão abdominal. Há anos venho me aprofundando no estudo desse sintoma, elaborando protocolos de investigação e tratamento em conjunto com outros Nutrólogos e a participação de amigos nutricionistas.

É uma queixa muito comum e muitas vezes negligenciada por alguns profissionais: médicos e nutricionistas. E muitas vezes por pura ignorância acreditam que dar probióticos pode melhorar o quadro, quando na verdade pode é piorar.

Nos últimos 3 anos é raro um dia que não atendo alguém com essa queixa. Brinco que virou o meu feijão com arroz no consultório.

Abaixo posto um vídeo de um amigo (Dr. Joffre Rezende Neto) que esclarece de forma clara e didática as principais causas de gases e distensão abdominal.

O nutrólogo geralmente é capacitado para investigar o sintoma e instituir um tratamento adequado de acordo com a etiologia. Só depois que o paciente apresenta um diagnóstico (que somente o profissional médico pode dar) encaminhamos para o Nutricionista.


quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Déficit de micronutrientes pode ser muitas vezes o único sinal de doença celíaca

Em muitos casos, os adultos com doença celíaca não diagnosticada apresentam deficiências nutricionais como o único sinal da doença. Os médicos costumam procuram por sinais típicos como perda de peso inexplicável ou magreza extrema. Mas os sinais característicos da doença celíaca podem ser baixos níveis de vitaminas e outros micronutrientes, segundo um estudo recentemente publicado no Proceedings da Mayo Clinic.

“As pessoas têm ideias preconcebidas de como é a doença celíaca. Elas esperam ver pacientes que, por causa da má absorção de nutrientes e da diarreia, fiquem magros com muitas deficiências. Entretanto, observamos muitos pacientes que não perderam peso (e muitos que estão com sobrepeso), mas que ainda apresentam deficiências de micronutrientes. Ao mesmo tempo que eles não estão perdendo calorias, também não estarão absorvendo alguns nutrientes vitais.”, explicou o coautor do estudo, Joseph Murray, professor de medicina da Mayo Clinic, em Rochester, Minnesota, nos Estados Unidos.

Baixos níveis de nutrientes

De acordo com o estudo, isso significa que os médicos precisam estar atentos a baixos níveis de certos micronutrientes, em particular de ferro, vitamina D e zinco. Como muitos pacientes não fazem exames de sangue regulares, eles podem apresentar fadiga, sintoma clássico de falta de ferro no organismo.

“É um sintoma muito comum. As pessoas chegam e dizem que não têm a energia que costumavam ter, seja durante exercícios ou atividades diárias. Isso mostra que elas podem ser deficientes em ferro devido à doença celíaca oculta”, diz Joseph Murray.

O procedimento inicial é realizar um exame de sangue. “Se isso voltar positivo, significa que o paciente precisa ser encaminhado para um especialista gastrointestinal, uma vez que é preciso ter certeza para chegar a um diagnóstico que exigirá tratamento ao longo da vida”, destaca o médico.

Joseph Murray suspeita que até 50% dos adultos com doença celíaca não são diagnosticados porque não apresentam perda de peso e outros sinais e sintomas considerados típicos da doença. Ou também porque eles se colocaram em uma dieta sem glúten, que pode distorcer os resultados do exame de sangue.

Metodologia

Joseph Murray e seus colegas estudaram 309 adultos recém-diagnosticados com doença celíaca entre 2000 e 2014. Os pacientes foram selecionados por idade com os participantes do National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES), um banco de dados representativo nos Estados Unidos.

Quando os pesquisadores compararam os pacientes celíacos recém-diagnosticados com os participantes do NHANES, encontraram algumas grandes diferenças nos níveis de nutrientes. O zinco foi deficiente em 59,4% daqueles com celíaca versus 33,2% dos controles e o cobre ficou baixo em 6,4% dos pacientes celíacos versus 2,1% dos controles. Já o ácido fólico ficou baixo em 3,6% dos pacientes celíacos versus 0,3% dos controles e, por fim, a vitamina B12 ficou baixa em 5,3% dos pacientes celíacos versus 1,8% dos controles.

Entre os pacientes celíacos, o nível de ferro ficou baixo em 30,8%, mas não houve controles com medidas de ferro para comparações. E, ao contrário dos pressupostos tradicionais sobre celíacos e magreza, a perda de peso foi observada em apenas 25,2% dos pacientes diagnosticados com a enfermidade.

Conclusões do estudo

Joseph Murray espera que o novo estudo sirva de alerta para que os médicos da atenção primária possam notar deficiências nutricionais em seus pacientes. Ele os adverte para lembrar que “só porque alguém está acima do peso não significa que eles não tenham doença celíaca”.

Autora: Úrsula Neves - Jornalista carioca. Diretora executiva do Digitais do Marketing, colunista de cultura e maternidade dos sites Cabine Cultural e Feminino e Além, respectivamente.


Epidemia de obesidade atinge populações da América Latina e do Caribe

As populações da América Latina e do Caribe estão sendo vítimas de uma epidemia de obesidade. Os dados são da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da agência da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Ao mesmo tempo, aumenta também o número de pessoas que apresenta casos de má nutrição alimentar na região.  

“A obesidade afeta quase 25% da população e 60% dos habitantes têm sobrepeso na América Latina e no Caribe”, destaca o relatório “Perspectivas agrícolas 2019-2028”, redigido pelas duas instituições.

O documento aponta que o “triplo ônus da má nutrição, uma mescla de subalimentação, obesidade e falta de micronutrientes, cria um problema de saúde pública cada vez mais grave. E o fenômeno parece seguir avançando, especialmente para os setores mais pobres da população, as mulheres, as populações autóctones, as pessoas de ascendência africana e as crianças”.

Taxas comparáveis a países ricos

As taxas de sobrepeso e de obesidade na América Latina e no Caribe, claramente superiores ao nível médio mundial há mais de 40 anos, são comparáveis à dos países de alta renda.

Atualmente, a região fica na segunda posição na classificação mundial, atrás somente da América do Norte. Ao mesmo tempo, apesar do excedente na produção agrícola e alimentar na América Latina, a quantidade de pessoas em situação de insegurança alimentar aumentou pelo terceiro ano consecutivo.

No entanto, mais do que a disponibilidade dos alimentos, o custo para os consumidores pobres é o que explica a agravamento da situação, de acordo com os analistas.

“A América Latina e o Caribe vivem uma verdadeira epidemia de sobrepeso e obesidade. Contudo, diferentemente dos países desenvolvidos, é improvável que esses países tenham condições econômicas de lidar com as epidemias de doenças causadas pela obesidade, que provavelmente ocorrerão caso a enfermidade não seja fortemente e prontamente combatida”, destaca Flávio Cadegiani, mestre e doutor em Endocrinologia Clínica pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp/EPM).  

Ainda segundo o especialista, a América Latina passou a apresentar uma epidemia de obesidade quando deixou de priorizar a alimentação local e se rendeu às grandes redes de fast-food e de alimentos ultraprocessados. 

“Ao contrário do que inicialmente se imaginaria, a coexistência entre insegurança alimentar e obesidade não é necessariamente um paradoxo. Na verdade, é uma sequência natural do desenvolvimento humano. Na maior parte das populações, a alimentação farta e descontrolada é um ode ao acúmulo para pessoas que já viveram períodos de insegurança alimentar. Somente com a estabilização do provimento de comida por, ao menos, uma a duas gerações que a abundância e o entendimento cultural do pensamento de “quanto mais se comer melhor” passará a perder força. Aconteceu assim com os imigrantes europeus pós-guerra, que imigraram para a América (inclusive no Brasil). A cultura da obesidade como a beleza a ser atingida é um fator de atração que ainda tem força em determinadas populações da África, por exemplo”, analisa Cadegiani.

Recomendações
O documento aponta algumas iniciativas de políticas públicas como a limitação da publicidade de alimentos e bebidas processados, assim como rótulos nutricionais detalhados nas embalagens, medida implementada pelo Chile, o imposto sobre os alimentos vinculado à saúde no México e a lei sobre alimentação nas escolas no Brasil.

Na opinião de Cadegiani, primeiramente os médicos precisam entender que a obesidade trata-se de uma doença real, grave, de grande componente genético, metabólico. E que seus portadores não são pessoas mais fracas, pois a atração por alimentos mais calóricos é mais intensa e a facilidade de armazenamento é maior. Ou seja, não se trata de uma doença em que se falar para o paciente “fechar a boca” vai trazer qualquer efeito positivo.

“Devido à grande epidemia e à altíssima prevalência, não somente os médicos especialistas, mas todos os médicos, incluindo médicos de família, têm que saber lidar e tratar (inclusive do ponto de vista medicamentoso), e saber encaminhar, somente quando necessário, para cirurgia bariátrica. É necessário um treinamento médico maciço no Brasil e uma cobrança maior com uma abordagem mais proativa dos médicos para prevenir o aparecimento de mais de 200 doenças decorrentes da obesidade em milhões de pessoas”, enfatiza o especialista em Endocrinologia.

Uma abordagem mais consciente pode ajudar nesta difícil missão, principalmente, em relação aos pacientes. As informações sobre alimentação e estilo de vida saudável devem vir após a ampla conscientização do que é obesidade e do que ela pode causar, uma vez que os indivíduos precisam entender as razões de comer menos alimentos muito calóricos, ultraprocessados, e com grande teor de carboidratos refinados e de gorduras más.

“A mensagem de que ‘sim, nós entendemos o quanto é difícil comer saudável em face da ampla oferta de alimentos que trazem prazer instantâneo e aliviam sentimentos, mas estamos aqui para ajudar efetivamente’ precisa sempre estar junto às campanhas de conscientização sobre a obesidade. E, claro, oferecer caminhos efetivos e verdadeiramente acessíveis àqueles que necessitam de ajuda”, defende Cadegiani.

Autora: Úrsula Neves
Jornalista carioca. Diretora executiva do Digitais do Marketing, colunista de cultura e maternidade dos sites Cabine Cultural e Feminino e Além, respectivamente.

Referências: https://nacoesunidas.org/onu-ve-epidemia-de-obesidade-na-america-latina-e-caribe/