segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Cansaço crônico


A reportagem abaixo foi publicada na FORBES Brasil e apesar de superficial engloba as principais causas de cansaço crônico. O motivo de eu repostar a reportagem aqui, é pq é uma queixa que ao longo dos últimos 10 anos, tem se tornado cada vez mais frequente no consultório. Principalmente na Nutrologia, já que no imaginário popular, cansaço está relacionado a algum tipo de déficit de nutriente.

Déficit de Nutrientes é apenas uma das causas de Cansaço crônico, mas a lista engloba mais de 50 doenças ou condições que podem levar o paciente a relatar para o seu médico: "- Doutor estou sentindo um cansaço, uma fadiga, um desânimo, uma indisposição". 

Tem um texto grande aqui no acervo do blog sobre o tema, mas prometo que em breve escreverei um mostrando o quão difícil é a investigação do sintoma: Cansaço.

Vale a pena ler a reportagem. Apesar do erro já no começo, no qual o autor caracteriza a anemia como exclusivamente por falta de ferro. Temos vários tipos de anemia, com várias etiologias. Falta de ferro pode causar anemia? Sim, anemia ferropriva. Falta de B12 pode também? Sim, anemia megaloblástica. Falta de ácido fólico? Também. Falta de zinco? Pode reduzir o tamanho das hemácias. Falta de cobre tb, bem como de vitamina A, intoxicação por metais tóxicos, déficit de B6.


Abraço

Dr. Frederico Lobo - Médico Nutrólogo - CRM-GO 13192 / RQE 11915

Descubra os principais motivos do cansaço constante

Em nosso agitado mundo moderno, uma queixa comum que os médicos ouvem é que seus pacientes estão frequentemente cansados. Se esse for o seu caso, o primeiro passo é observar seu estilo de vida. Uma alimentação saudável deve fornecer todos os nutrientes de que você necessita, mas, se você tem uma dieta pobre, a falta de nutrição pode fazer seu corpo lutar por fontes de energia.

Os exercícios podem tonificar e fortalecer os sistemas do seu corpo, além de liberarem hormônios do bem-estar, chamados endorfinas, que podem lhe dar um impulso. No entanto, se você é sedentário, está acima do peso ou é obeso, seu corpo pode estar com dificuldades para funcionar da maneira ideal. Por fim, um bom sono é fundamental para o seu corpo descansar e reparar-se – não dormir o suficiente pode deixá-lo esgotado.

Se você já abordou todos os fatores de estilo de vida que pode controlar e, mesmo assim, está enfrentando uma fadiga que parece não desaparecer, seu cansaço pode ter uma causa médica.

Anemia

A anemia é caracterizada pela falta de ferro no sangue, o que impede o funcionamento correto das hemácias e causa cansaço. As mulheres que menstruam – em especial se forem fluxos intensos – e as gestantes correm um risco particularmente alto, embora as mulheres na pós-menopausa e os homens também possam sofrer desse mal. Um simples exame de sangue é capaz de medir os níveis de ferro, e existem suplementos que podem ser comprados sem receita médica. Além disso, você pode aumentar sua ingestão de fontes naturais de ferro, como carne e verduras de folhas verdes escuras, para ajudar a corrigir o problema.

Doença da tireoide

Como a glândula tireoide controla o seu metabolismo, que, por sua vez, afeta seus níveis de energia, uma tireoide pouco ativa pode fazer com que você se sinta cansado. Chamada de hipotireoidismo, essa moléstia afeta principalmente mulheres e idosos e não tem cura. Felizmente, porém, ela é facilmente diagnosticada com um exame de sangue que mede o nível de hormônio da tireoide. Tomar um medicamento para a tireoide pode normalizar a função da glândula, embora seja necessário para o resto da vida.

Diabetes

Um dos primeiros sinais do diabetes pode ser o cansaço, porque você não está processando e absorvendo a glicose, que é o combustível do corpo. O diabetes é uma disfunção grave que pode prejudicar olhos, rins, nervos e coração, por isso é melhor que seja diagnosticado o quanto antes. Exames de sangue podem ajudar a identificar o diabetes, e você pode mantê-lo sob controle por meio de dieta, exercícios e, muitas vezes, medicamentos.

Depressão ou ansiedade

Os problemas de saúde mental estão intimamente ligados ao corpo e também podem gerar sintomas físicos. Para quem sofre de depressão ou ansiedade, pequenas tarefas podem ser esmagadoras e desgastantes, e essa falta de energia pode fazer com que você se sinta cansado. Medicamentos e aconselhamento ajudam. Porém, mesmo em pessoas sem problemas de saúde mental, o estresse pode levar à fadiga, já que o corpo fica em alerta máximo (a reação de “luta ou fuga”). Nesse caso, técnicas de relaxamento e controle do estresse, como meditação ou ioga, podem liberar a tensão que você sente e que destrói sua energia.

Apneia do sono

O sono costuma ser considerado um dos pilares da saúde, assim como a dieta e os exercícios. Mesmo que você pense que está tendo uma noite inteira de sono, um distúrbio denominado apneia obstrutiva do sono pode deixá-lo cansado, pois o bloqueio da respiração na garganta pode acordá-lo repetidas vezes durante a noite. Se você acha que pode ter apneia do sono (talvez porque seu parceiro ou sua parceira diz que você ronca), o próximo passo é um exame do sono para determinar se está sofrendo desse distúrbio. Mudanças no estilo de vida, como perda de peso, podem ajudar, da mesma maneira que aparelhos respiratórios como o CPAP (sigla em inglês para “pressão de ar positiva contínua”) ou uma cirurgia.

Doença autoimune

Existem mais de 80 tipos de doença autoimune, como artrite reumatóide, lúpus eritematoso sistêmico, esclerose múltipla, síndrome de Sjögren e doença celíaca, nas quais o corpo ataca por engano suas próprias células. Infelizmente, as doenças autoimunes não são fáceis de diagnosticar. Além disso, a fibromialgia e a síndrome da fadiga crônica – que não se enquadram nas doenças autoimunes, mas muitas vezes atuam como elas – são outras patologias que seu médico pode cogitar ao efetuar um diagnóstico. Embora não esteja totalmente claro o motivo de o cansaço estar associado a essas enfermidades, medicamentos e ajustes no estilo de vida podem ajudar você a controlar o cansaço ao lidar com uma doença crônica.

Doenças cardíacas

Você pode não associar a fadiga a doenças cardíacas, mas ela pode ser um sinal desse mal, especialmente se você tiver outros sintomas, como falta de ar, tontura ou dor no peito. Seu coração está trabalhando demais, e seu sangue não está fluindo adequadamente para os órgãos e tecidos, o que causa cansaço. Se você acha que pode ter algum problema no coração, consulte seu médico imediatamente, pois essa doença pode ser fatal.

domingo, 4 de novembro de 2018

Por que a puberdade começa cada vez mais cedo

Louise Greenspan, pediatra e professora da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, se lembra da primeira vez que atendeu uma menina de sete anos com as mamas começando a se desenvolver;"Seus pais estavam muito preocupados e queriam entender o que estava acontecendo com a menina, que ainda brincava com bonecas", escreveu a médica em um artigo para o portal US News.

"Quando expliquei a eles que 15% das meninas começam a puberdade nessa idade, eles não podiam acreditar." No passado, o desenvolvimento da puberdade, com sinais como o crescimento da mama ou dos pelos pubianos, era considerado anormal antes dos oito anos de idade.

Mas, nos Estados Unidos, 15% das meninas estão iniciando o desenvolvimento das mamas aos sete anos e, aos oito anos, mais de 25% começam a passar por esse processo; E isso não acontece apenas nos Estados Unidos: segundo o médico e especialista em puberdade Frank Biro, do Centro de Medicina Adolescente do Hospital Infantil de Cincinnati, estamos diante de um fenômeno global.

MUDANÇAS COMEÇARAM A SER PERCEBIDAS NO INÍCIO DO SÉCULO 20

"Não há uma razão simples para explicar por que a puberdade tem ocorrido em uma idade mais precoce", explicou Biro em entrevista à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC.

O médico estima que a puberdade tenha sido adiantada pelo menos um ou dois anos desde o início do século 20, especialmente entre as meninas. "No início do século passado, a alimentação começou a melhorar e a saúde pública também. É nesse ponto que o começo da puberdade ficou mais precoce", explica o médico.

"Mas em meados do século 20, e especialmente nas últimas duas décadas, começamos a ver algo muito diferente".

Frank Biro e colegas conduziram uma pesquisa há alguns anos sobre a puberdade precoce em meninas. Estudos anteriores já haviam vinculado o Índice de Massa Corporal (IMC) a um início mais precoce da puberdade. Para Biro, sua pesquisa ratificou isto: o IMC talvez seja o fator mais importante na explicação deste fenômeno.

Isso ocorre porque as células de gordura participam da produção do estrogênio, um dos hormônios sexuais femininos. Assim, quanto mais tecido adiposo uma menina tiver, maior a probabilidade de que comece a puberdade mais cedo.

Os pesquisadores também apontam que a exposição a elementos químicos no ambiente pode estar alterando a idade em que a puberdade começa. Os fenóis, os ftalatos e os fitoestrógenos são substâncias químicas conhecidas como desreguladores endócrinos, já que interferem no sistema hormonal do organismo.

Eles são encontrados em diversos produtos manufaturados, como esmaltes, perfumes e xampus."O que descobrimos é que a exposição a esses produtos químicos está associada ao desenvolvimento mais precoce das mamas", explica Biro.  Uma puberdade mais precoce antecipa certos riscos. Para começar, as crianças com maior Índice de Massa Corporal são mais propensas a ter obesidade e diabetes tipo 2. E Biro aponta também que a menstruação precoce está associada a um risco aumentado de câncer de mama."Também temos que levar em conta os fatores sociais", alerta o médico. Sabemos que meninos e meninas que iniciam a puberdade mais cedo têm maior probabilidade de se engajar em comportamentos de risco, como fumar, beber ou usar drogas".

Segundo um estudo realizado em janeiro nos Estados Unidos, a puberdade precoce em meninas também está relacionada a uma maior probabilidade de problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão.

Para Biro, isto também é tributário de uma questão social. "Como aparentam ser mais velhos, eles são tratados como se assim fossem", explica o especialista. "Se uma menina de 12 anos parece ter 15 anos, é muito provável que a tratem como se tivesse 15 anos, o que pode causar muitos problemas."

E quais são os alertas para os meninos que iniciam a puberdade mais cedo? "Os meninos passam por pressões diferentes das meninas", explica o médico.

"Os garotos que crescem antes tendem a ser vistos como líderes. Apesar de haver também a possibilidade que acabem adotando comportamentos mais arriscados, um início precoce da puberdade pode ser uma coisa positiva para alguns deles."

A boa notícia é que é improvável que a idade em que a puberdade começa continue a diminuir. "Há de existir um mínimo biológico", diz Biro. "E no que diz respeito às garotas, não acho que (a idade) possa continuar caindo muito mais."