terça-feira, 30 de novembro de 2010

As boas compras: guia para uma boa escolha no supermercado

PARTE I - Aprendendo a ler rótulos

 Quando pensamos em saúde, uma das coisas que nos vem à cabeça é alimentação. Numa vida em que a correria do dia-a-dia impera, o uso de alimentos industrializados é cada vez mais freqüente e aí surge a dúvida, dá para fazer escolhas mais saudáveis nestas horas? A resposta é sim, se você souber ler e interpretar o que vem escrito nas embalagens e rótulos dos alimentos você terá como fazer uma escolha mais consciente do que está consumindo e portanto escolher aquele produto mais indicado para a sua saúde.

Segundo a ANVISA (Agencia Nacional de Vigilância Sanitária), pesquisas feitas mostram que 70% da população consultam os rótulos dos alimentos, porém grande parte não compreende adequadamente o significado ali contido.

Para te ajudar nas horas das compras, resolvi falar um pouquinho sobre o tema e para ficar mais didático vamos dividir em três partes : embalagem , ingredientes e melhor escolha.

Vamos começar então a falar sobre a embalagem, listando os principais itens a serem avaliados :

1) LISTA DE INGREDIENTES: é a relação dos ingredientes utilizados no preparo do produto e deve vir sempre em ordem decrescente, ou seja, do ingrediente presente em maior quantidade para o de menor quantidade.

2) ORIGEM: indica quem é o fabricante e onde o produto foi fabricado.

3) PRAZO DE VALIDADE: quando o produto tiver validade inferior a 3 meses deve conter dia, mês e ano de vencimento; quando este período for maior de três meses deve conter pelo menos mês e ano de vencimento.

4) CONTEÚDO LÍQÜIDO: deve indicar a quantidade total do produto na embalagem e pode vir expresso em forma de peso, unidades ou litros.

5) LOTE: possibilita rastrear o processo de fabricação daquele produto, portanto em caso de danos é possível identificar se esta alteração foi só neste produto ou se ocorreu no processo todo.

6) INFORMAÇÃO NUTRICIONAL OBRIGATÓRIA: pode aparecer na forma de tabela ou na forma linear na embalagem e deve conter as seguintes informações:

- PORÇÃO: quantidade média do alimento que deve ser consumida por pessoas sadias, devendo ser expressas em grama ou ml e seguida posteriormente entre parêntesis do equivalente da medida caseira (colher de sopa, fatia , unidade, pote, xícara, copo).

- VALORES DE REFERENCIA DIÁRIO (%VD): é o numero que indica o percentula do produto em questão de energia e nutrientes com base numa dieta de 2000 cal. .

VALORES DIÁRIOS DE REFERENCIA UTILIZADOS ATUALMENTE:

  • Valor energético 2.000 cal ou 8400KJ
  • Carboidratos 300 gr
  • Proteinas 75 gr
  • Gorduras totais 55 gr
  • Gorduras saturadas 22 gr 
  • Fibra alimentar 25 gr
  • Sódio 24 gr
OBSERVAÇÃO : NÃO EXISTEM VALORES PARA GORDURA TRANS

Agora que você já consegue compreender as informações contidas nas embalagens, você deve ficar atento também as seguintes questões:

- Não compre produtos no qual a embalagem estiver alterada, como rasgada ou lacre rompido.Observe também se não há danos causados por insetos ou roedores.

- Não adquira também produtos nos quais a embalagem apresente danos como: amassado, ferrugem ou tiver estufada, mesmo que estejam dentro do prazo de validade.

- Observe se não há presença de mofo nos alimentos.

- Produtos congelados não podem apresentar embalagens úmidas ou com cristais de gelo no seu interior e não podem estar moles, observe também se não há poças de água próximo ao balcão refrigerado. O mesmo cuidado se aplica para alimentos refrigerados.

Além de todos estes cuidados observe o local que você escolheu para fazer as suas compras, fique atento a limpeza do local (prateleiras, chão e bancadas), na aparência dos atendentes que tem que estar uniformizados e limpos, além da organização e disposição dos produtos: alimentos e produtos de limpeza não combinam!

Fontes:
  1. ANVISA 
  2. Ciências Nutricionais – Aprendendo a Aprender, de J. E. Dutra de Oliveira E J. Sergio Marchini.
 
PARTE II - Os ingredientes
 
Agora que você já sabe interpretar os rótulos dos alimentos e escolher bem as embalagens, está na hora de compreender um pouco o significado dos ingredientes presentes na composição dos alimentos.

1) CARBOIDRATOS: São os componentes que fornecem energia para as células, principalmente as cerebrais. Podem estar presente na forma de hidratos de carbono (cereais, leguminosas,tubérculos,frutas), açúcares (sacarose ou açúcar de mesa, mel, açúcar invertido, frutose, xarope de3 milho, glicose de milho) e também na forma de amido.

2) PROTEINAS: São os componentes da dieta responsáveis pelo crescimento, manutenção e reparação de tecidos, órgãos e células. Presentes em alimentos de origem animal ( carne, leite e ovos) e vegetais (leguminosas como feijão, grão de bico, soja).

3) LIPÍDEOS OU GORDURAS: São também grande fornecedores de energia para o corpo, mas sua principal função é ajudar na absorção de determinadas vitaminas (A, E, D e K), além de fazer parte da constituição de diversas estruturas celulares. Participa também da formação hormonal. Estão divididas em:
3.1) GORDURAS SATURADAS: Presentes em alimentos de origem animal como carnes, leites integrais, queijos e manteigas. Devem ser consumidas de forma moderado pois o abuso pode causar doenças cardiovasculares e aumentar LDL.

3.2) GORDURAS INSATURADAS: Presentes em óleos vegetais, frutas oleaginosas (amendoim, castanhas e nozes). São as gorduras saudáveis, pois não causam lesão ao organismo.

3.3) GORDURAS POLINSATURADAS: É considerada a gordura do bem, porém não pode ser sintetizada pelo organismo e portanto devem ser consumidas pela dieta. Seus principais representantes são o ômega 3 e o ômega 6 , encontrados em óleos vegetais, peixes de águas profundas e alguns vegetais verdes escuros. É responsável por combater a inflamação no organismo, diminuir o mau colesterol (LDL) e aumentar o bom (HDL) sendo portanto protetor cardiovascular.

3.4) GORDURA TRANS: Está presente em alimentos industrializados que utilizam gordura vegetal hidrolisada. Usada no preparo de margarinas, sorvetes, bolos, bolachas, salgadinhos e frituras em geral. Seu consumo deve ser evitado pois causa doenças cardiovasculares.

4) FIBRAS ALIMENTARES: Presentes em alimentos de origem vegetal ou em alimentos que contenham grãos integrais. Seu consumo é de fundamental importância pois aumenta o transito intestinal evitando obstipação, serve de alimento para bactérias do bem, presentes no intestino, e por este motivo melhoram a absorção intestinal mas ao mesmo tempo retardam e diminuem a absorção de substâncias ruins como gorduras e carboidratos simples. Seu consumo regular está ligado à diminuição da obstipação, obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares e diversos tipos de câncer.

5) POLIÓIS: Presentes de forma natural em alguns alimentos, podem também ser produzidos industrialmente e utilizados para obter alimentos de baixo valor energético ( exemplos: sorbitol. Xilitol, manitol...). Seu consumo excessivo pode causar diarréia.

6) SÓDIO: Presente em alimentos caseiros ou industrializados está presente na forma de sal de cozinha ou em aditivos químicos que contenham sódio em sua composição (glutamato monossódico, inosinato dissódico, citrato de sódio, ciclamato de sódio, sacarina sódica).Seu consumo moderado é importante para manutenção do equilíbrio hídrico do organismo, mas em excesso causa retenção hídrica, hipertensão.

7) ADITIVOS: São substancias dotadas ou não de valor nutritivo, intencionalmente adicionadas aos produtos alimentícios com o intuito de melhorar cor, sabor, cheiro, aumentar a durabilidade,manter ou modificar a consistência entre outros.São altamente utilizados pela industria alimentícia e portanto aqui vale a máxima “é a dose que faz o veneno”; portanto o ideal é diminuir o seu consumo optando por produtos mais naturais. Aparecem na lista de ingredientes com seus nomes ou através de códigos representados por letras que serão discriminados logo abaixo entra parênteses e ao lado do aditivo.

- ACIDULANTE (H): Proporcionam uma maior acidez ao alimento impedindo o desenvolvimento de bactérias e portanto a sua deterioração. Conseguem também modificar a doçura do açúcar, além de imitar o sabor de certas frutas e conferir sabor ácido ou agridoce nas bebidas.

- AROMATIZANTES (F): Tem o papel de dar sabor e aroma aos alimentos podendo ser naturais ou artificiais. Fazem com que o alimento fique mais parecido ao natural melhorando a aceitação do consumidor.

- ANTIOXIDANTES (A): Tem sua principal aplicação em óleos e gorduras e impedem a deterioração do alimento e o aparecimento do ranço. Presente em sorvetes, leite em pó integral, leite de coco,produto de cacau, cervejas, margarinas, entre outros.

- CORANTES (C): Conferem e realçam a cor dos alimentos melhorando sua aceitação pelo consumidor. Podem ser naturais (C1) ou artificiais (C2) e estão presentes em grande numero de produtos como doces, balas, refrigerantes, entre outros.

- CONSERVANTES (P): Evita que os alimentos se deteriorem aumentando sua durabilidade, para isso limita a ação dos microorganismos. Aparecem nos rótulos na forma de P1 a P10. Muito utilizado pela industria alimentícia.

- ESPESSANTES (EP): Sua função é dar consistência aos alimentos. Utilizado em geléias, creme de leite, iogurtes, sorvetes.

- ESTABILIZANTE (ET): São utilizados para manter a aparência dos produtos, tendo como principal função estabilizar as proteínas dos alimentos. É possível identificá-los nos rótulos das embalagens pelos códigos ET1 até ET29. Impedem também que os ingredientes se separem.

- UMECTANTES (U): Tem função de umidificar o alimento.

- ANTI-UMECTANTE (AU): Evita a umidificação dos alimentos.

- EDULCORANTES (D): Usado nos produtos dietéticos em substituição do açúcar.


PARTE III - Dicas finais

Você já pode se considerar um expert no assunto,portanto na próxima ida ao supermercado vá com calma e faça boas escolhas. No inicio este processo é demorado, mas com o tempo você se acostuma e acaba dando preferência a mercadorias que levem em conta o bem estar seu e de sua família.

Segue abaixo algumas dicas para deixar tudo mais prático e te ajudar na escolha destes produtos, afinal vocês merecem.

- Dê preferência a alimentos integrais, eles ajudam o funcionamento do seu intestino pois possuem maior quantidade de fibras. Por não passarem pelo processo de refinamento eles mantém as vitaminas e sais minerais contidos nos alimentos em questão, e por estarem completos necessitam de maior tempo de digestão evitando picos de glicemia e o desenvolvimento de diabetes,além de saciarem mais portanto você consome em menor quantidade e de quebra evita o ganho de peso.

- Evite alimentos que contenham gordura trans como bolachas recheadas, bolos, sorvetes, margarinas. Algumas industrias colocam alimento livre de gordura trans, pois a nossa legislação permite que produtos que contenham até 0,2 gr por porção coloquem “isento”, “zero”, “ausência” com relação a este componente. Para identificar a presença da gordura trans leia a lista de componentes e procure: gordura vegetal hidrogenada ou gordura vegetal parcialmente hidrogenada.

- Dê preferência a marcas que tenham a menor quantidade de sódio na sua composição, isto evita que você retenha líquido e de quebra aumente a sua pressão sangüínea. Este cuidado deve ser redobrado se você já for portador de hipertensão arterial.

- Dê preferência a alimentos LIGHT ou Zero pois estes alimentos possuem quantidade reduzida de determinado ingrediente o que reduz também a quantidade de calorias neste produto, diferente de alimentos do tipo DIET no qual são retirados por completo um determinado nutriente com finalidade fisiológica mas nem sempre possui caloria reduzida pois este nutriente retirado pode ser substituído por outro que pode até elevar o seu conteúdo calórico como é o caso do chocolate DIET que fica livre de açúcar mas é acrescido de gordura. Os alimentos DIET são específicos para determinadas patologias.

- Se você possui diabetes deve escolher alimentos livres de açúcar refinado, invertido ou frutose como glicose de milho ou xarope de milho. Deve dar preferência também aos alimentos integrais.

- Se o seu colesterol estiver alto deve escolher alimentos com baixo teor de gordura total. Portanto escolha alimentos desnatados ou LIGHT.

- Se você apresenta doença celíaca deve dispensar alimentos que contenham trigo, aveia, cevada e seus derivados, nestes produtos no rótulo deve estar escrito “contém Glúten”. Já os alimentos que estão livres dos ingredientes acima e portanto são os ideais para o celíaco têm no seu rótulo os dizeres “não contém glúten”.

- Se você for portador de fenilcetonúria deve ficar atento aos dizeres “contêm fenilalanina”, além de dar preferência a alimentos com baixo índice de proteínas, mas vale saber que a ANVISA fez uma norma na qual as empresas devem informar em seu site ou no portal da ANVISA uma lista contendo a porcentagem de proteína, fenilalanina e umidade contida nos seus produtos, o que vai facilitar e muito a vida de vocês. As industrias têm até 2012 para se adequarem.

Espero que tenha ajudado a todos, então tenham uma boa compra!!!

OBS: qualquer dúvida entre em contato e o que puder esclarecerei a todos

Dra. Liliane Lemesin
Prática em Clínica médica, nutrologia, medicina anti-envelhecimento, estratégias ortomoleculares e consultoria em hábitos saudáveis e qualidade de vida.
Atendimento: Clínica Lisieux - R. Monte alegre, 47- Perdizes - São Paulo -SP - Fone: 11- 38626362
Site: http://www.vidavida.com.br
E-mail: draliliane@vidavida.com.br

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Agrotóxicos e doenças não transmissíveis

William Waissmann
Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana, Escola Nacional de Saúde Pública, Fundação Oswaldo Cruz. waissman@ensp.fiocruz.br

 
A agricultura intensiva é um dos esteios históricos da lógica exportadora do estado brasileiro. Mais que significar um espaço produtivo gerador de bens populares, vem significando, ao longo dos séculos, momento perpetuador do uso abusivo e exclusivo do solo, a permitir desde a utilização da força de trabalho escrava até a expulsão da terra de levas intermináveis de migrantes que acabam por fluir aos grandes centros.


A violência do trabalho em meio rural mal era abordada nas primeiras normas acidentárias brasileiras (Lei nº 3.724/19191), quando só se admitia haver lesão indenizável oriunda de trabalho agrícola quando este fosse relacionado a máquinas à combustão, como se estas fossem freqüentes em um país ainda pouco urbanizado e pobre no início do século XX.

Mas, se houve melhorias normativas com as décadas, as mazelas também se diferenciaram qualitativamente. Os agrotóxicos, subprodutos da tecnologia de guerra, tiveram seu uso fortemente estimulado por política de estado a partir da década de 1970, com a concessão de crédito agrícola naquele período sendo vinculada à sua aquisição, e por oferta que exaltava suas propriedades de reduzir trabalho com pragas e de beneficiar alimentos, população e trabalhadores. Passaram os agrotóxicos a compor a vida diária de milhões de trabalhadores do campo, que a eles se expõem ocupacionalmente com suas famílias, assim como também se incorporaram à dieta dos brasileiros do campo e das cidades, presentes que estão nos alimentos.

De fato, os quase 4,5 bilhões de dólares que se estima terem sido as vendas brasileiras de agrotóxicos em 20042 estão ao alcance dos pratos e das implicações relacionadas à saúde. Consulta ao Sistema Integrado de Informações sobre Agrotóxicos (SIA), mantido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), revela, como exemplo, que para a cana-de-açúcar e a soja, duas das grandes culturas agrícolas nacionais, há autorização de utilização de 61 e 127 ingredientes ativos diferentes de agrotóxicos, respectivamente, dos mais variados grupos químicos e classificações toxicológicas3.

De mais de 4.000 amostras de vegetais coletadas em supermercados de doze capitais, entre 2001 e 2004, analisadas em programa de monitoramento coordenado pela ANVISA, detectou-se resíduos de agrotóxicos em mais de 50%, sendo que, destas, quase um terço apresentavam resíduos irregulares, ou seja, acima de quantidades permitidas ou oriundos de agrotóxicos de uso não autorizado para os vegetais onde foram encontrados4.

Fato lembrado por Miranda et al.5, no artigo que serve de base a estas observações, e que aqui se ressalta, é a possibilidade de associação entre exposição a agrotóxicos e doenças crônicas não transmissíveis como cânceres, endocrinopatias, neuropatias e outras. A prevalência de algumas destas afecções tem se elevado e contaminantes ambientais, como é o caso dos agrotóxicos, podem estar associados às suas gêneses muitas vezes multifatoriais. Reconhecer essa possibilidade associativa é importante para o sistema de vigilância em saúde, que deve estar alerta para potenciais efeitos advindos de contaminações ambientais e ocupacionais e buscar a pesquisa de causas ambientais, como os agrotóxicos, na gênese de agravos de natureza crônica.

É assim que, ao lado de se reconhecer o potencial carcinogênico de alguns agrotóxicos em animais, estudos epidemiológicos em humanos apontam a possibilidade de associação entre vários tipos de cânceres e exposição a agrotóxicos. Dentre os cânceres mais proeminentes encontram-se os linfohematopoiéticos6,7,8, com destaque para exposição ocupacional e infantil, e os hormônio-dependentes9,10, havendo ainda, em nosso meio, possível relevância para os cânceres gastroesofágicos11.

Vários agrotóxicos possuem efeitos estrogênicos e/ou anti-estrogênicos e/ou anti-androgênicos ou sobre outros segmentos do sistema endócrino na dependência de suas características físico-químicas, dose, afinidade por receptores, espécie atingida etc12. Apesar da maioria das alterações endócrinas terem sido detectadas em estudos animais, é relevante que se destaque as potenciais associações com alterações hipofisárias, tiroideanas, do metabolismo lipídico e glicídico, do ciclo menstrual, testiculares, espermáticas, e com queixas de impotência sexual, dentre outras13.

Agrotóxicos de vários grupos, como organofosforados, carbamatos, organoclorados, piretróides e outros, associam-se a efeitos neurológicos agudos quando em exposições em altas doses. Podem haver seqüelas tanto sensitivas quanto motoras, além de déficits cognitivos transitórios ou permanentes. Exposições crônicas a baixas doses também têm sido associadas à presença de sintomas neuropsíquicos, assim como cabe destaque à possível inter-relação entre exposição crônica a agrotóxicos e o desenvolvimento de doenças degenerativas do sistema nervoso central14,15,16,17.

Agrotóxicos são produtos de alto risco que se tornaram parte da vida diuturna rural e urbana. Assim, se o incentivo ao conhecimento pormenorizado de seus efeitos crônicos é importante, já que muitos dos efeitos permaneceriam mesmo que todos os agrotóxicos fossem banidos de uma só vez pela meia vida longa no corpo que muitos apresentam, é fundamental que se estimulem de forma prioritária as restrições aos seus usos pelos riscos que oferecem. Como um estímulo à promoção da saúde, projetos que visem, como exemplo, a substituição dos produtos mais tóxicos e alternativas de produção não geradoras de patologias deveriam estar entre aqueles que recebem estímulos e fomentos para pesquisas dos órgãos governamentais responsáveis pela saúde das populações.


Referências
1. Lei nº 3.724 de 15 de janeiro de 1919. Regula as obrigações resultantes dos acidentes do trabalho. Coleções das Leis do Brasil 1919:166.

2. Camargo MLB, Ferreira CRRPT, Frozaglia T, Ângelo JA, Freitas BB, Ferreira TT. Dispêndio com defensivos agrícolas na agricultura da cana-de-açúcar, Estado de São Paulo e Brasil 2005. [acessado 2006 Ago 12]. Disponível em: http://www.iea.sp.gov.br/out/verTexto. php?codTexto=4258

3. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Sistema de Informações sobre Agrotóxicos. Módulo Pós-Registro. Pesquisa de Princípio Ativo. [acessado 2006 Ago 12]. Disponível em: http://www4.anvisa.gov.br/AGROSIA/asp/frm_pesquisa_ingrediente.asp; 2005a

4. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Controlando Agrotóxicos nos Alimentos: o trabalho desenvolvido pela ANVISA com as vigilâncias dos Estados do AC, ES, GO, MG, MS, PA, PE, PR, RJ, RS, SC, SP, TO, a FIOCRUZ/INCQS e os laboratórios IAL/SP, IOM/FUNED, LACEN/PR E ITEP/PE . Relatório de atividades 2001 2004. [acessado 2006 Ago 12]. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/toxicologia/residuos/rel_anual_ 2004.pdf; 2005b

5. Miranda AC, Moreira JC, Carvalho R, Peres F. Neoliberalismo. Uso de agrotóxicos e a crise da soberania alimentar no Brasil. Rev C S Col. No prelo 2006.

6. Lee WJ, Hoppin JA, Blair A, Lubin JH, Dosemeci M, Sandler DP, et al. Cancer incidence among pesticide applicators exposed to alachlor in the Agricultural Health Study. Am J Epid 2004; 159(4):373-80.

7. Mills PK, Yang R, Riordan D. Lymphohematopoietic cancers in the United Farm Workers of America (UFW), 1988-2001. Cancer Causes Control 2005; 16(7):823-30.

8. Reynolds P, Von Behren J, Gunier RB, Goldberg DE, Hertz A, Harnly ME. Childhood cancer and agricultural pesticide use: an ecologic study in California. Environ Health Perspec 2002; 110(3):319-24.

9. Ejaz S, Akram W, Lim CW, Lee JJ, Hussain I. Endocrine disrupting pesticides: aleading cause of cancer among rural people in Pakistan. Exp Oncol 2004; 26(2): 98-105.

10. Van Maele-Fabry G, Willems JL. Prostate cancer among pesticide applicators: a meta-analysis. Int Arch Occup Environ Health 2004; 77(8):559-70.

11. Meyer A, Chrisman J, Moreira JC, Koifman S. Cancer mortality among agricultural workers from Serrana Region, state of Rio de Janeiro, Brazil. Environ Res 2003; 93(3):264-71.

12. U.S. Environmental Protection Agency. Endocrine Disruptor Screening Program. Second Interim Report of the Screening and testing Work Group. [acessado 2006 Ago 18]. Disponível em: http://www.epa.gov/scipoly/oscpendo/edsparchive/2ndinter.htm

13. Waissmann W. Endocrinopatologia associada ao trabalho. In: Mendes R, organizador. Patologia do Trabalho. 2ª. ed. Rio de Janeiro: Atheneu; 2003, v. 02, p. 1094-1139.

14. Kamel F, Hoppin JA. Association of Pesticide Exposure with Neurologic Dysfunction and Disease. Environ Health Perspec 2004; 112(9):950-958, 2004.

15. Lotti M, Moretto A. Organophosphate-induced delayed polyneuropathy. Toxicol Review 2005; 24(1):37-49.

16. Meggs WJ. Permanent paralysis at sites of dermal exposure to chlorpyrifos. J Toxicol Clin Toxicol 2003; 41(6):883-6.

17. Secretaria de Vigilância Sanitária. Manual de Vigilância da Saúde de Populações Expostas a Agrotóxicos. Brasília: OPAS/OMS; 1996.

FONTE: http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232007000100005&lng=pt

Refrigerantes X Gota em mulheres

Mulheres que consomem bebidas ricas em frutose, como refrigerantes e sucos de laranja, apresentam um risco elevado de desenvolver gota, segundo estudo feito por pesquisadores da University of British Columbia e apresentado recentemente durante a Reunião Científica Anual do Colégio Americano de Reumatologia, em Atlanta, nos Estados Unidos.


Em comunicado divulgado no dia 22 de novembro, o reumatologista Sergio Bontempi Lanzotti, diretor do Instituto de Reumatologia e Doenças Osteoarticulares, compara o perigo à ingestão de álcool: "As novas descobertas indicam que a ligação entre bebidas ricas em frutose e o risco de gota é comparável às bebidas alcoólicas, que são causas conhecidas do surgimento da doença."

A gota é causada pelo aumento da concentração sanguínea de ácido úrico, que dá origem a episódios recorrentes de artrite, mediada pela deposição de cristais desse ácido nas articulações. Segundo Lanzotti, para prevenir e tratar a doença é preciso estar atento ao estilo de vida do paciente

FONTE: http://www.prontuariodenoticias.com.br/noticias.asp?secao=OC&id=9953

domingo, 28 de novembro de 2010

Agrotóxicos, Saúde e Meio Ambiente - Utilizando o Mato Grosso como exemplo

No fim de setembro, no Mato Grosso, realizou-se um importante evento de debate: o “Congresso Nacional Agrotóxicos, Saúde e Meio Ambiente – Direito à Informação”. O tema é totalmente atual e imprescindível, já que o Brasil é hoje o maior consumidor mundial de agrotóxicos, e no Mato Grosso o uso destes produtos químicos é intenso e perigoso. Não por acaso, já que se trata de um dos estados brasileiros onde o agronegócio (novo nome para a velha elite rural) é mais forte. Agrotóxicos são um tema envolto em polêmica: representantes do agronegócio defendem seu uso de forma ameaçadora, dizendo que sem eles não se produz alimentos em quantidade suficiente para alimentar a todos; enquanto a realidade mostra um lado mais cruel desta suposta verdade.

Segundo Franciléia de Castro, engenheira agrônoma da Fase Mato Grosso que participou do evento, foram dados exemplos de como o abuso de agrotóxicos traz prejuízos à saúde humana. O caso do município de Lucas do Rio Verde é um destes exemplos. Situada numa área de cultivo de soja, a população deste lugar foi pulverizada por agrotóxicos em 2006, porque um pequeno avião de aspersão jogou químicos demais e de forma imprudente. O vento se encarregou de levar as gotículas do veneno para as casas das pessoas, caixas d’água, mananciais, plantas e solo. Não demorou para que pessoas começassem a aparecer com sintomas de contaminação, às vezes graves. Quase quatro anos depois, o professor Vanderlei Pignati pesquisou, em parceria com a Fiocruz, este mesmo caso. E descobriu que a contaminação continua: os venenos estão presentes na urina e no sangue dos moradores, na água de poços artesianos, em amostras do ar e da água de chuva. Lucas do Rio Verde é um município contaminado pelos agrotóxicos. Franciléia diz que em Mato Grosso há um dito popular recente que afirma: “se for a Lucas do Rio Verde, não tome banho nem beba água”.

É verdade que em 2006 a Fase Mato Grosso e outras entidades já haviam alertado a Superintendência Federal de Agricultura do Mato Grosso, mas de nada adiantou. O poder do agronegócio e suas alianças geralmente bloqueiam ações sociais contra seus interesses, mesmo quando estes trazem prejuízos coletivos. Por isso, foi essencial que este congresso tenha sido pautado pela idéia do direito à informação. “Foi muito bem pensado o tema do direito à informação sobre agrotóxicos, é essa nossa luta agora”, diz Franciléia. “A sociedade precisa saber do mal que os agrotóxicos representam para nossa vida, e de como todos os dias somos contaminados, seja pelo ar e pela água ou pelos alimentos que consumimos. Essa tomada de consciência deve fortalecer o controle social sobre o uso de agrotóxicos”.

Controle social. Palavras que causam arrepios no agronegócio. Um exemplo do próprio debate dos agrotóxicos explica o porquê. De mais ou menos um ano para cá, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária decidiu que iria rever a permissão de uso de certos produtos químicos para agricultura. O motivo: novos estudos comprovavam que eles eram muito mais tóxicos do que se pensava, e além do mais, os produtos haviam sido proibidos em diversos outros países. Associações do agronegócio, avessas a qualquer tipo de controle que prime pelos interesses da população, vêm usando de seu poder político para impedir a ANVISA de fazer seu trabalho. E por enquanto, a sociedade brasileira ainda tem que ingerir químicos altamente tóxicos, proibidos em seus próprios países de origem, e em quantidades geralmente muito maiores do que o limite.

Outro problema que aponta para a questão do direito à informação é a relação entre agrotóxicos e transgênicos. As empresas que vendem sementes transgênicas costumavam dizer ao público que suas plantas geneticamente modificadas dispensavam o uso de agrotóxicos. Mentira deslavada. “A introdução da soja transgênica elevou a aplicação de agrotóxicos no país. O aumento se deu pelo maior uso de herbicidas à base de glifosato, um princípio ativo recomendado para a soja transgênica Roundup Ready, da multinacional Monsanto. Segundo o Ibama, no Mato Grosso, que é o maior produtor nacional de soja, a utilização dos 15 principais herbicidas usados no grão cresceu 67% no período de 2000 a 2004, e a de glifosato, 93%. Nesses quatro anos, a área plantada registrou salto de 95%, para 6,1 milhões de hectares. Isso em relação à soja, mas também vemos no estado o avanço nos cultivos transgênicos de milho e algodão, que contribuem ainda mais para os consumos dos agrotóxicos”, diz a engenheira agrônoma. Franciléia também nota que, pouco a pouco, a informação sobre a relação entre agrotóxicos e transgênicos vai se difundindo. “Pesquisas recentes mostram que o glifosato provoca malformação e defeitos de nascimento em animais de laboratório, mesmo em dosagens muito inferiores às usadas na pulverização agrícola”.

Informação difundida é mais defesa para a população contra as liberdades empresariais que comprometem a saúde pública. Facilita e estimula a organização cidadã para resistir às tentativas de reduzir o direito à alimentação adequada a nada. Somente com mais organização social e práticas políticas ativas pode-se abordar a questão dos agrotóxicos para além do banimento de produtos químicos prejudiciais à saúde. Trata-se, afinal, de questionar um modelo de produção agrícola que é concentrador de terra e riquezas, e que também deixa um rastro de contaminações e prejuízos tanto para os trabalhadores rurais como para todos aqueles que consomem os alimentos cheios de agrotóxicos.

Cresce no Brasil a organização de pessoas em associações, movimentos, ONGs e outros tipos de grupo que estão preocupados em mudar o modelo de produção de alimentos. O congresso realizado no Mato Grosso, puxado pelo Fórum Nacional de Combate ao Uso de Agrotóxicos, já deu sua contribuição para termos mais organização política no campo. Foi criado o Fórum Estadual para a mesma finalidade. Em pleno Mato Grosso, no coração do agronegócio brasileiro. Mais um passo de volta a uma agricultura saudável, limpa e que privilegie o alimento para consumo das pessoas.

FONTE: http://observatoriodamulher.org.br/site/index.php?option=com_content&task=view&id=1825&Itemid=133

Congresso Nacional sobre Agrotóxicos, saúde e meio ambiente: pelo direito à informação

Aconteceu nos últimos dias 25 e 26/11/210 um congresso promovido pelo Ministério do Trabalho sobre agrotóxicos, saúde e meio ambiente.

O evento contou com a presença da professora Lia Giraldo, ex-membro da CTNBio, falando sobre agrotóxicos. Lia, como se sabe, não aguentou a submissão do Conselho às exigências das empresas e o descaso da mesma com o princípio da precaução, saúde das pessoas e do meio ambiente e terminou pedindo pra deixar a entidade. (vide abaixo, a cópia da carta).

Enfim, além dos agrotóxicos se falou bastante de transgênicos. Que, obviamente, ao contrário do que diziam as empresas, o uso de agrotóxicos aumentou após sua liberação comercial. Falou-se numa variedade transgênica de cana-de-açúcar que é mais leve e tem mais açúcar.

A CTNBio vista de dentro.

Durante 15 meses a dra. Lia Giraldo, médica e pesquisadora da Fiocruz, participou da CTNBio na qualidade de representante das organizações do campo socioambiental. Na última reunião da Comissão ela comunicou seu desligamento e fez um balanço sobre o funcionamento da CTNBio. A carta de Lia Giraldo é leitura indispensável para entendermos como decisões políticas de governo são transformadas em "decisões técnicas".


Brasília, 17 de maio de 2007.



Excelentíssimo Senhor Ministro da Ciência e Tecnologia
Excelentíssima Senhora Ministra do Meio Ambiente
Ilustríssimo Senhor Presidente da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança


Referente: Notificação de desligamento da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança e declaração de motivos.

Há 31 anos sou servidora pública dedicada à Saúde Coletiva, dos quais 20 anos como médica sanitarista, tendo por esse período trabalhado na região siderúrgica-petroquímica de Cubatão - SP, promovendo a saúde dos trabalhadores e ambiental. Fiz meu mestrado e doutorado investigando biomarcadores para análise de risco. Há dez anos sou pesquisadora titular da Fundação Oswaldo Cruz e docente do programa de Pós-Graduação do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães, onde sou responsável pelas disciplinas obrigatórias de “Filosofia da Ciência e Bioética” e de “Seminários Avançados de Pesquisa”.

Como técnica, gestora, cientista e professora tive que lidar com diversas situações de conflitos de interesses que muitas vezes emergiam de forma aguda e tenho claro que os conflitos são parte do processo social e por isso mesmo devem estar subordinados a regras de convivência civilizada, em respeito ao estado de direito e à democracia.

Sou membro titular na CTNBio como Especialista em Meio Ambiente indicada pelo Fórum Brasileiro de Organizações Não Governamentais, a partir de uma lista tríplice à Ministra do Meio Ambiente, a quem coube a escolha. Hoje, após quinze meses de minha nomeação, peço o desligamento formal dessa Comissão e apresento a titulo de reflexão algumas opiniões críticas no sentido de colaborar com o aprimoramento da biossegurança no país.

Na minha opinião, a lei 11.105/2005 que criou a CTNBio fez um grande equívoco ao retirar dos órgãos reguladores e fiscalizadores os poderes de analisar e decidir sobre os pedidos de interesse comercial relativos aos transgênicos, especialmente sobre as liberações comerciais.

A CTNBio está constituída por pessoas com título de doutorado, a maioria especialistas em biotecnologia e interessados diretamente no seu desenvolvimento. Há poucos especialistas em biossegurança, capazes de avaliar riscos para a saúde e para o meio ambiente.

Os membros da CTNBio têm mandato temporário e não são vinculados diretamente ao poder público com função específica, não podendo responder a longo prazo por problemas decorrentes da aprovação ou do indeferimento de processos.

A CTNBio não é um órgão de fomento à pesquisa ou de pós-graduação ou conselho editorial de revista acadêmica. O comportamento da maioria de seus membros é de crença em uma ciência da monocausalidade. Entretanto, estamos tratando de questões complexas, com muitas incertezas e com conseqüências sobre as quais não temos controle, especialmente quando se trata de liberações de OGMs no ambiente.

Nem mesmo o Princípio da Incerteza, que concedeu o Prêmio Nobel à Werner Heisenberg (1927), é considerado pela maioria dos denominados cientistas que compõe a CTNBio. Assim, também na prática da maioria, é desconsiderado o Princípio da Precaução, um dos pilares mais importantes do Protocolo de Biossegurança de Cartagena que deve nortear as ações políticas e administrativas dos governos signatários.

O que vemos na prática cotidiana da CTNBio são votos pré-concebidos e uma série de artimanhas obscurantistas no sentido de considerar as questões de biossegurança como dificuldades ao avanço da biotecnologia.

A razão colocada em jogo na CTNBio é a racionalidade do mercado e que está protegida por uma racionalidade científica da certeza cartesiana, onde a fragmentação do conhecimento dominado por diversos técnicos com título de doutor, impede a priorização da biossegurança e a perspectiva da tecnologia em favor da qualidade da vida, da saúde e do meio ambiente.

Não há argumentos que mobilizem essa racionalidade cristalizada como a única “verdade científica”. Além da forma desairosa no tratamento daqueles que exercem a advocacy no strito interesse público.

Participar desta Comissão requereu um esforço muito grande de tolerância diante das situações bizarras por mim vivenciadas, como a rejeição da maioria em assinar o termo de conflitos de interesse; de sentir-se constrangida com a presença nas reuniões de membro do Ministério Público ou de representantes credenciados da sociedade civil; de não atender pedido de audiência pública para debater a liberação comercial de milho transgênico, tendo o movimento social de utilizar-se de recurso judicial para garantia desse direito básico; além de outros vícios nas votações de processos de interesse comercial.

Também a falta de estrutura da Secretaria Geral da CTNBio é outra questão que nos faz pensar como é que é possível ter sido transferido para essa Comissão tanta responsabilidade sem os devidos meios para exerce-la? Assistimos a inúmeros problemas relacionados com a instrução e a tramitação de processos pela falta de condições materiais e humanas da CTNBio.

Para ilustrar cito o processo No. 01200.000782/2006-97 da AVIPE que solicitava a revisão de uma decisão da CNBS. O mesmo foi distribuído para um único parecerista pela Secretaria Geral como um processo de simples importação de milho GM para alimentar frangos. Graças à interpretação de um membro de que haveria necessidade de nomear mais um parecerista, em função dos problemas antigos deste processo que sofrera recurso da ANVISA e do MMA junto ao CNBS, é que se descobriu que este processo estava equivocado. Mesmo porque a CTNBio só poderia dar parecer a pedidos de importação de sementes para experimentos científicos. Importação de sementes para comercialização para ração animal, por exemplo, não é uma atribuição da CTNBio.

Outro fato ilustrador é o caso da apreciação do pedido de liberação comercial da vacina contra a doença de Aujeski (em que também fui um dos relatores). Os únicos quatro votos contra a liberação não seriam suficientes para a sua rejeição. No entanto, o fato de não se ter 18 votos favoráveis impediu a sua aprovação e este fato foi utilizado amplamente para justificar a redução de quorum de 2/3 para maioria simples nas votações de liberação comercial de OGM. Ocorre que o parecer contrário à aprovação desse processo trouxe uma série de argumentos que sequer foram observados por aqueles que já tinham decidido votar em favor de sua liberação.

Essa vacina está no mercado internacional há quinze anos e só é comercializada em cinco países, nenhum da comunidade européia. Esta observação levou-me a investigar as razões para tal e encontrei uma série de questões que contraindicam o seu uso na vigilância sanitária de suínos frente aos riscos de contrair a doença de Aujeski e que também são seguidas pelo Brasil.

Infelizmente este fato foi utilizado politicamente no Congresso Nacional como um argumento para justificar a redução do quorum para liberação comercial, mostrando que os interesses comerciais se sobrepujam aos interesses de biossegurança com o beneplácido da CTNBio.

Desta forma, em respeito à cidadania e a minha trajetória profissional de cientista e de formadora de recursos humanos, não poderei mais permanecer como membro de uma Comissão Técnica Nacional de Biossegurança que, a meu ver, não tem condições de responder pelas atribuições que a lei lhe confere.

Faço votos que uma profunda reflexão inspire todos aqueles que têm responsabilidade pública para que os órgãos com competência técnica e isenção de interesses possam de fato assumir o papel que o Estado deve ter na proteção da saúde, do ambiente, da sociedade, da democracia e do desenvolvimento sustentável.



Brasília, 17 de maio de 2007.


Profa. Dra. Lia Giraldo da Silva Augusto
Membro Titular da CTNBio
Especialista em Meio Ambiente


FONTE: http://greenrecife.blogspot.com/2010/11/congresso-agrotoxicos-saude-e-meio.html

Criação de Gado Confinado – Em que isso nos afeta ?

Quem leu o livro O Dilema do Onívoro, do jornalista Michael Pollan, sabe o que significa uma fazenda de confinamento de gado nos EUA. Gostaria de visitar uma aqui no Brasil, para poder falar mal é claro, mas felizmente não há nenhuma perto de mim.

Digo felizmente, porque tal prática ainda é incipiente no Brasil. Obtive dados que informam que menos de 6% da carne de gado brasileira é de gado confinado. Mas este quadro pode mudar rapidamente: já temos associação de confinadores e a EMBRAPA está dando o maior apoio. Há vezes, e elas têm sido cada vez mais frequentes, em que a eficiência da EMBRAPA vai contra a gente. Tomara que isso seja transitório, ou seja, esperamos sinceramente que a EMBRAPA passe a considerar outros fatores, além do meramente econômico e eventualmente ambiental, nas suas decisões de pesquisa e fomento.

No site da ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne) há um texto da nutricionista Licínia de Campos no qual ela afirma que “A carne bovina proveniente de animais criados a pasto tem sido cotada como uma das mais nutritivas. Várias pesquisas concluíram que o produto contém concentrações elevadas de betacaroteno e α-tocoferol, níveis maiores de ácidos graxos Omega 3, proporção maior e mais desejável de Omega-3 : Omega-6, e níveis altos de ácido linoléico conjugado, todas estas substâncias sabidamente de efeitos favoráveis à saúde humana.”

E nós acrescentamos que isso não vale só para a carne do gado de corte, vale para o leite das vacas que pastam, para os ovos e a carne das galinhas criadas soltas, e todos os animais que se alimentam da forma como foram naturalmente moldados.

A autora do texto cita um estudo que mostra que o teor de betacaroteno, que se converte em vitamina A no organismo, é 10 vezes maior na carne do gado criado a pasto do que no gado confinado. Quanto ao alfa-tocoferol, uma das formas de apresentação da vitamina E, de alta importância antioxidante, o texto refere a uma quantidade 3 vezes maior na carne do boi criado a pasto, sempre em comparação ao confinado. Com uma vantagem adicional: o maior teor de alfa-tocoferol ajuda a conservar a carne do gado depois do corte. Isso é, aumenta a “vida na prateleira”, frase esta capaz de emocionar a retalhistas e varejistas.

Na continuidade do estudo, a autora fala da relação ômega 3 / ômega 6 da carne, lembrando que o ácido graxo ômega 6 promove a inflamação, o bloqueio sanguíneo e o crescimento de tumores enquanto que o ômega 3 age na direção inversa, embora ambos sejam necessários no equilíbrio de um organismo são. Os dados citados por Licínia mostram uma relação ômega 3 / ômega 6 de 1 / 2 no gado criado a pasto e de 1 / 4 no gado confinado, o que significa uma degradação de 2 vezes. David Servan-Schreiber, no seu livro Anticâncer – página 87, cita uma degradação de 4 vezes nesta relação ômega 3 / ômega 6, ocorrida nos últimos 40 anos, na carne do gado norte-americano, também em função da alteração na dieta dos animais decorrente do confinamento.

Ainda citando informações do texto da ABIEC, quanto ao ácido linoléico conjugado (usualmente denominado CLA, sigla em inglês), um ácido graxo polinsaturado de grandes benefícios ao organismo humano, os animais de pasto apresentam teores 2 a 3 vezes maiores que seus semelhantes confinados. No leite de vacas alimentadas a pasto esta vantagem proporcional sobe para 5.

Entretanto, o fato de o Brasil ter relativamente pouco gado confinado e de a ABIEC enaltecer a qualidade da carne do gado criado solto no pasto, não significa que o confinamento não vá crescer. Como toda indústria, a pecuária “busca a melhor relação custo / benefício possível”, o que é uma maneira suavizada de dizer que ela “busca o maior lucro possível”. O que significa que se que o que ela ganhar a mais com o gado confinado pagar os custos adicionais do confinamento e sobrar alguma coisa, é nesta direção que a indústria se desloca. Sobre isso, você pode dar uma lida no texto sobre os Os Direcionadores da Indústria de Alimentos.

Porém determinar a velocidade com que a pecuária se deslocará nesta direção (a do confinamento), é coisa difícil de prever. Há mil variáveis envolvidas. Em épocas de seca, confinar é boa solução. Em épocas de chuva, desde que não demasiadas, não. Em épocas de baixa da soja e do milho no mercado internacional, é hora de confinar. Em algumas regiões, se há maior exportação de suco de laranja ou maior produção de cerveja, significa mais refugos baratos para alimentar o gado, logo é hora de confinar.

Vamos a uma situação limite no que se refere ao direcionamento que o mercado pode dar ou não ao confinamento: inventaram o “plástico verde”. Mera propaganda industrial para nos empurrar um plástico, como outro qualquer em termos de demora na degradação ambiental, que seria ecologicamente mais correto, só porque parte dele (em torno de uns 20%) é feita com derivados do álcool da cana de açúcar e não do petróleo. Se a moda pega, teremos ainda mais demanda por cana, maior preço da cana, maior avanço sobre pastagens por encarecimento da terra, logo maiores vantagens do confinamento. Ou seja, a pseudo solução de um problema ambiental pode acabar nos gerando um problema maior, nutricional, de saúde.

A EMBRAPA, em um texto usado num curso de confinamento de bovinos, define confinamento como “o sistema de criação de bovinos em que lotes de animais são encerrados em piquetes ou currais com área restrita, e onde os alimentos e água necessários são fornecidos em cochos“.

O texto, muito didático, cita sempre o enfoque econômico como opção pelo confinamento ou não. Era de se esperar, de uma empresa pública, que houvesse alertas ou ressalvas quanto à perda da qualidade nutricional do produto. Não há. Só haveria, e isso pode ser visto alguns parágrafos adiante, se esta perda de qualidade afetasse a rentabilidade.

Em contra-partida, há uma grande preocupação com as “doenças do confinamento”, não ditas desta forma, é claro, mas colocadas assim “Por exemplo, o resíduo da pré-limpeza do grão de soja, que chega a ter 16% de proteína bruta na MS, não deve ser incluído nas rações em proporção superior a 25% da MS, porque causará diarréia e timpanismo.”, ou assim “É importante que os animais sejam adaptados gradativamente à dieta do confinamento, em especial aqueles antes mantidos exclusivamente em pastagens. A não adaptação à dieta tem sido responsável por distúrbios, como acidose e timpanismo nos confinamentos”. (MS = matéria seca.)

A autora, Esther Guimarães Cardoso, descreve os problemas existentes no confinamento do gado de corte,condicionando-os só e exclusivamente, aos resultados econômicos: “Podem ser considerados como problemas no/do confinamento do gado de corte aqueles fatores ou condições que contribuem para o insucesso ou diminuição do rendimento da atividade”.

Esquecendo de que se trata de ruminantes, o texto fala que “Dentre os problemas que podem afetar os animais no confinamento, está a acidose, caracterizada pelo aumento do ácido lático no rúmen, geralmente em conseqüência do consumo excessivo de alimentos ricos em carboidratos facilmente fermentescíveis (do concentrado da ração).”

Citando mais um parágrafo doloroso (para mim, imagine para o gado confinado): “O timpanismo também pode acometer bovinos em confinamento. Alguns alimentos, como leguminosas e resíduo da pré-limpeza do grão de soja, podem favorecer seu aparecimento. O timpanismo pode ainda ocorrer quando a freqüência de alimentação não é adequada ou há alternância de super e subfornecimento de concentrados, especialmente os finamente moídos (pode haver evolução até o aparecimento de paraqueratose)”. Fiz um destaque em “resíduo da pré-limpeza do grão de soja” porque isso não deveria ser alimento nem de bactérias.

Pegamos animais que pastavam lenta e calmamente ao longo do dia, buscando o capim mais fresco possível, em áreas abertas, deitando para ruminar sob alguma sombra disponível, e os aglomeramos em pequenos espaços confinados. Fornecemos o alimento que nos convém economicamente, fazendo-os engordar por ter que comer mais e mais para buscar os nutrientes que o pasto lhe dava e agora não têm mais, fazendo-os adoecer e disputar ombro a ombro (ou, mais adequadamente falando, paleta a paleta) um espaço no cocho para ver se hoje “serviram trevo fresco” e depois nos surpreendemos com a seguinte frase no trabalho da EMBRAPA “Montas e brigas entre animais, se freqüentes, podem trazer prejuízo tanto para aqueles dominados (lesões) quanto para os dominantes (gasto energético superior). As causas para tais comportamentos anormais não estão bem definidas. Há casos em que é preciso retirar animais do lote para amenizar o problema.” O negrito acima é auto explicativo.

Se você quiser saber mais, já que este texto está “comprido demais da conta”, há uma reportagem na Revista Rural (de 20/08/2010), na qual dirigentes da Assocon (Associação Nacional dos Confinadores) falam das vantagens econômicas do confinamento e preconizam aquilo que tememos: “Pode-se dizer que confinamento é o futuro. O processo vai demorar, mas a tendência é essa mesmo, aqui no Brasil.” Inventaram até o “boitel”, um sistema no qual o pecuarista coloca seu gado no confinamento pagando uma diária que há dois anos atrás era de R$ 4,50.

Ou seja, aquilo que já fizeram com nossas galinhas e ovos, e com nossos porcos, principalmente os destinados a lingüiças, salames e congêneres, estão querendo, e vão fazer, com o nosso gado.

Comeremos cada vez mais alimentos de qualidade nutricional inferior, adoeceremos mais, daremos sobrecarga aos nossos planos de saúde ou ao SUS, que subsidiarão, desta forma, o lucro da agropecuária de confinamento.

FONTE: http://alimentacaoesaude.org/criacao-de-gado-confinado-em-que-isso-nos-afeta/

Médicos ortomoleculares em São Paulo

Post informativo sobre os médicos que atuam em estratégias ortomoleculares em São Paulo - SP ( Médico ortomolecular em São Paulo ) e que são certificados e associados à ASOMED (Associação para Estudos de Estratégias Ortomoleculares em Medicina)


Retirado do site da ASOMED: http://asomed.webnode.com.br/medicos-certificados-/medicos%20ortomoleculares%20em%20s%c3%a3o%20paulo%20-%20sp/

Dr. Jose de Felippe Jr. Um dos pioneiros na ortomolecular no Brasil. Atende na Rua  Conde de Porto Alegre, 1985 - Campo Belo - São Paulo - SP - CEP: 04608-003. Fone do consultório: (11) 5093-5685 - Ao consultar, informar que foi indicação do discípulo dele, Dr. Frederico Lobo de Goiânia.

Dr. Thiago Oliveira Omena - CRM-SP 164.118.
Especialista em: Clínica Médica (residência médica pela Beneficência Portuguesa)
Prática em: Clínica médica, nutrologia (pós-graduação pela ABRAN), medicina esportiva (CEFIT), homeopatia (Hospital do servidor público Municipal). Utiiza das estratégias ortomoleculares na sua prática clínica.
Atendimento: Rua Borges Lagoa, 1231, Sala 104, Vila Clementino, São Paulo-SP. Fone: (11) 5573-4469.
Convênios: não


Dra. Liliane Lemesin
Prática em: Clínica médica, nutrologia, medicina anti-envelhecimento, estratégias ortomoleculares e consultoria em hábitos saudáveis e qualidade de vida.
Atendimento: Clínica Lisieux - R. Monte alegre, 47- Perdizes - São Paulo -SP - Fone: 11- 38626362
Site: http://www.vidavida.com.br
E-mail: draliliane@vidavida.com.br
Convênios: não

Médicos ortomoleculares em Formosa - GO

Post informativo sobre os médicos que atuam em estratégias ortomoleculares em  Formosa - GO ( Médico ortomolecular em Formosa ) e que são certificados e associados à ASOMED (Associação para Estudos de Estratégias Ortomoleculares em Medicina)



Retirado do site da ASOMED: http://asomed.webnode.com.br/medicos-certificados-/em-formosa-go/

Dr. Ronaldo Resende Luciano

Especialidade: Ginecologia e obstetrícia
Prática em: Ginecologia e em estratégias Ortomoleculares
Atendimento: Avenida Tancredo Neves, nº296 - Formosa - Goiás - Fone: 62-3631-1887
E-mail: ronaldo.luciano@uol.com.br
Convênios: Ginecologia (Cassi/Bradesco/Unimed), Ortomolecular (apenas particular).

Médico Ortomolecular Goiânia credenciado à ASOMED



Dr. Frederico Lobo (CRM-GO 13192 / CRM-DF 18620)
Médico, clínico geral.
Sócio (não-titulado) da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN);
Sócio da Associação Brasileira para Estudos da Obesidade (ABESO);
Sócio da Associação Médica Brasileira de Prática Ortomolecular (AMBO);
Sócio da Associação Brasileira de Medicina complementar (ABMC);
Contatos e redes sociais
E-mail: doutorfredericolobo@gmail.com
Instagram: @drfredericolobo
Consultório: Clínica Medicare: Rua 115-H, nº 31, St. Sul, Goiânia-GO.
Fones (62) 3941-2998 / 3941-2974/  9956-5505 (WhatsApp)
Consultas somente particular (Não atendo nenhum plano de saúde) 
Horário de agendamento é das 08:00 às 12:00 e das 14:00 às 18:00, de Segunda a Sexta-feira.

Meu nome é Frederico Lobo, sou médico, clínico geral, escritor e ambientalista. Há 15 anos (2002), iniciei meus estudos (ainda na graduação de medicina) sobre Bioquímica médica, Nutrologia Médica, Nutrição humana e estratégias ortomoleculares. Ao longo da minha formação acadêmica realizei diversos cursos na área. Defendo uma prática embasada em ciência, respeitando a legislação do Conselho Federal de Medicina (CFM) e prescrevendo apenas aquilo que é permitido. Nesses 14 anos, participei de diversos congressos, cursos e jornadas ligados à bioquímica médica e nutrologia. 

Atualmente atendo semanalmente no meu consultório particular em Goiânia. Sou médico concursado e atuo no Ambulatório de Nutrologia clínica da Prefeitura Municipal de Aparecida de Goiânia. Saliento que apesar de atuar na área não sou especialista em Nutrologia, já que especialista é somente aquele que prestou a prova de título e foi aprovado ou cursou a residência de nutrologia. Estou prestando a prova de título e enquanto não passar, não poderei me intitular nutrólogo

Minhas condutas são criteriosas, calcadas em rigor científico, baseada em evidências científicas sólidas e primo pela transparência para com o meu paciente (paciente não é cliente). A prescrição de suplementos só é feita se houver real necessidade, assim como utilização de soros endovenosos (terapia injetável, reservada para intoxicação crônica ou aguda por metais tóxicos). 

Não utilizo exames com pouco respaldo científico (segundo o CFM) e segundo as sociedades de especialidades médicas, tais como os seguintes exames: Biorresonância, HLB, testes nutrigenéticos, dosagens salivares.

Também não trabalho com modulação hormonal (terapia antienvelhecimento, hCG, prescrição de anabolizantes, Testosterona, DHEA, melatonina) já que tal prática é condenada pelo Conselho Federal de Medicina, Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontrologia (SBG) e pela Associação Brasileira para Estudos da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO). 

O parecer que proíbe a prática de modulação hormonal no Brasil está disponível aqui: http://www.portalmedico.org.br/resolucoes/CFM/2012/1999_2012.pdf

No link a seguir vc encontrará inúmeros pareceres de sociedades médicas sérias sobre o tema, isso basta para que eu não utilize modulação hormonal e hormônios ditos bioidênticos na minha prática. 

http://www.drfredericolobo.com.br/2016/07/pareceres-de-sociedades-medicas-contra.html

Como funciona o meu atendimento ? O que eu trato ?

Muitos me enviam e-mail ou perguntam via instagram/facebook como funciona a minha abordagem terapêutica e o que eu trato. Abaixo descreverei de forma sucinta o que ocorre dentro do consultório. Minha função como médico é olhar o paciente como um todo (abordagem holística) e tentar solucionar o seu problema (nenhum médico pode garantir resultados de acordo com o código de ética médica). O meu compromisso consiste em utilizar todo o meu conhecimento em prol do paciente.

Sou de uma família composta por 32 médicos e desde muito novo aprendi a não enxergar a medicina como um comércio. Vejo o paciente como paciente e não cliente. Prezo pela ética e pela prática de uma medicina baseada em evidências. Portanto você jamais verá eu solicitando exames sem respaldo científico ou terapias proibidas pelo CFM. Por mais que os benefícios de alguma terapia sejam provados. Sou da seguinte teoria: Legislação existe para ser seguida e respeitada. Ou seja, se a ANVISA e o CFM não autorizam, ela não deve ser praticada dentro território nacional até que seja liberada. Exemplos: procainoterapia, utilização de EDTA para fins que não seja de quelação, PRP, PRFC, modulação hormonal, terapia antiaging, uso de hCG para emagrecimento, utilização de anabolizantes com finalidade estética. 

Clínica Medicare

Faço parte do corpo clínico da clínica Medicare, um centro integrado de saúde que existe há 30 anos em Goiânia. Foi fundada pelo Homeopata Hélio Gonçalves (que atua com homeopatia unicista). Conta com equipe de médicos, psicólogas e profissional da educação física. Situa-se no Setor Sul, em uma viela calma,  aconchegante, cercada de natureza.

Corpo clínico

Dr. Hélio Gonçalves - Médico Homeopata Unicista
Dr. Douvel Moraes - Médico Homeopata Unicista
Dra. Ana Maria Caran - Psicóloga especialista em Psicologia Hospitalar (ênfase em Oncopsicologia)
Dra. Patrícia Gramacho - Psicóloga especialista em Psicologia Hospitalar
Porf.Mdo. Marcelo Henrique Silva - Profissional da educação física, especialista em grupos especiais






Roteiro da consulta

A consulta é composta por 3 partes:
1 º - Anamnese: o paciente deverá relatar todos os sintomas que o trazem até meu consultório. Primeiro de forma sucinta, enumerando os problemas. Posteriormente esmiuçarei as queixas, uma a uma e realizando várias perguntas acerca dos sinais e sintomas relatados. Solicito que se possível já venha com todos os sintomas anotados em ordem cronológica de aparecimento. Quanto mais minuciosa a descrição, melhor é para o diagnóstico e tratamento. (Orientações pré-consulta).
2º - Exame físico: Aferição da pressão, Frequência cardíaca, Frequência respiratória, Oximetria e exame físico geral. Nos casos de emagrecimento ou ganho de massa magra é solicitada a Bioimpedância ou Avaliação por DEXA sempre que houver alteração de 3-5% do peso corporal. A consulta não inclui a Avaliação física Integrada (Antropometria, Teste de Flexibilidade, Teste de Força, Bioimpedanciometria Inbody e elaboração de plano de treino), esse é um serviço realizado a parte na clínica. 
3º - Solicitação de exames: solicitarei os exames que julgar necessário para comprovar as minhas hipóteses diagnósticas. Portanto são exames complementares ao diagnóstico:

Acho imprescindível salientar que não solicito os seguintes exames:
1) Biorressonância ou VegaTest (não confundir com Bioimpedância),
2) Nerv express,
3) EIS Complex,
4) Teste de intolerância alimentar baseados em IgG ou IgG4, (apenas dosagem de IgE ou testes cutâneos, que são os únicos com validação científica)
5) Testes nutrigenéticos
6) HLB (exame da gota de sangue).

Exames e planos de saúde: a maioria dos exames são realizados pelos planos de saúde, exceto Mineralograma capilar e Bioimpedância (a Unimed cobre a Bioimpedância). Alguns planos (Ipasgo, IMAS) não cobrem a Vitamina D, Selênio, Homocisteína. O mineralograma capilar não é para todos os pacientes que solicito, ele é solicitado apenas para pacientes com suspeita de intoxicação (crônica) por metais tóxicos. Não são todas as vitaminas e minerais que são dosados no sangue. Cromo, manganês, iodo, lítio, molibdênio, flúor, cobalto, germânio, boro, silício: são dosados apenas quando em excesso, ou seja, a sua dosagem habitual não tem utilidade clínica, pois 99% das vezes apareceram abaixo do limite inferior. As vitaminas B1, B2, B3, B5, B6, biotina, E, K, são dosáveis porém os métodos utilizados apresentam controvérsias. O que realmente é dosado na prática: Eletrólitos, Cálcio iônico e total, Magnésio, Zinco, Cobre, Selênio, Ferritina, Ferro, Vitamina A, B12 e ácido metilmalônico, Ácido fólico sérico e eritrocitário, Vitamina C no sangue e urina, Vitamina D (25-OH-Vitamina D).

Avaliação física integrada e avançada (AFIA)

Conto com um profissional da educação física na minha equipe, o professor Marcelo Henrique Silva. Abaixo um minicurrículo sobre o professor Marcelo. 
1. Graduado: Educação Física – UEG/ ESEFFEGO;
2. Especialista: Fisiologia do Exercício e Prescrição do Exercício – UGF (com atuação em grupos especiais);
3. Mestrando: Ciências da Saúde – FM/UFG, orientando do Dr. Paulo Gentil;
4. Professor Conexão Brasil Saúde (4 anos), InSaúde (2 anos), CONAAF 2.0 e FIEP (Federação Internacional de Educação Física);
5. Coordenador do Laboratório de Treinamento Resistido (FEFD – UFG);
6. Colaborador SFHE 9Setor de Fisiologia Humana e do Exercício) (FEFD-UFG);
7. Grupo de Estudos em Saúde e Exercício.;
8. Projeto Guarda-Chuva (5 anos de intervenção) em Estado de Apreciação na Plataforma Brasil;
9. Bolsista CAPES (Nível Mestrado).
10. Vasta experiência em treinamentos para emagrecimento e hipertrofia muscular. 

Criamos um serviço completo (inexistente até o momento em Goiás) de avaliação física no qual realizamos em conjunto alguns exames:
Avaliação por bioimpedância: avaliação com aparelho de bioimpedanciometria (InBody) que objetiva estratificar a massa magra (em cada segmento), massa gorda (total e segmentar), água corporal total do paciente e estimativa da taxa metabólica basal. 
Cineantropometria: avaliação feita com auxílio de uma balança, estadiômetro, adipômetro e trena antropométrica, com objetivo de detectar onde está a gordura do paciente, estratificar a massa magra. O método utilizado é o ISAK (reconhecido internacionalmente como o método mais fidedigno para cineantropometria). O professor Marcelo tem formação e certificação pelo ISAK. 
Teste do Banco de Wells: avaliação do grau de flexibilidade do paciente, no qual utilizamos um aparelho que quantifica a flexibilidade.

Com essa avaliação minuciosa podemos quantificar de forma mais fidedigna processos de emagrecimento, ganho de massa magra, fortalecimento muscular e de melhora da flexibilidade. Ao final da avaliação o paciente recebe:
- Laudo com o resultado da bioimpedância
Laudo com os resultados da cineantropometria
Elaboração de uma proposta de treinamento mais indicado para cada caso. 

A avaliação está sendo feita nas terças ou quintas, no período matutino e faz-se necessário seguir uma série de recomendações (preparo).
    Tratamento: Em meu tratamento não utilizo hormônios e raramente utilizo medicações de uso controlado. Opto por utilizar fitoterapia, correção de deficiência de nutrientes utilizando vitaminas, minerais, aminoácidos, ácidos graxos. Também utilizo muito, probióticos (principalmente através da alimentação). Caso seja necessário, utilizo alopatia e deixo claro para o paciente o porquê de não se optar por algo "natural". Sou da seguinte teoria: Jamais algo sintético será superior a algo natural. Portanto a suplementação deve ser mínima e apenas quando necessária. O médico que lida com nutrição tem obrigação de saber muito bem sobre biodisponibilidade de nutrientes e ensinar para o paciente as fontes destes (educação em saúde). Experiência própria, a adesão é infinitamente superior quando se opta por esse caminho. Riscos também são minimizados, já que nutrientes sintéticos podem aumentar a incidência de doenças cardiovasculares e câncer. Sou totalmente contra o uso de polivitamínicos, principalmente em uma região como o cerrado, no qual o solo é rico em determinados nutrientes (Cobre) e que podem ser deletérios quando em excesso.

    Não trabalho com modulação hormonal, dieta hCG,  hidrocolonterapia, ozonioterapia, terapia antioxidante. Pelo contrário, abomino tais terapias e tenho argumentos fortes para isso. 
    Tais práticas não tem respaldo científico das maiores associações médicas brasileiras e nem do Conselho Federal  de Medicina(CFM).  

    Modulação hormonalNão trabalho com modulação hormonal . É proibida pelo CFM baseado no parecer nº29/2012. O documento que proíbe pode ser acessado em http://www.portalmedico.org.br/pareceres/CFM/2012/29_2012.pdf 
    O CFM deixa explícito no seu site ( http://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=23324:conselho-federal-de-medicina-proibe-o-uso-das-terapias-antienvelhecimento-no-pais&catid=3 ) que os médicos brasileiros que prescreveram terapias com o objetivo específico de conter o envelhecimento, práticas conhecidas como anti-aging ou modulação hormonal, estarão sujeitos às penalidades previstas em processos ético-profissionais. No caso de condenação, após denúncia formal, eles poderão receber de uma advertência até a cassação do registro que lhes a autoriza o exercício da Medicina. 
    Segundo o parecer faltam evidências científicas que justifiquem a prática da medicina antienvelhecimento e modulação hormonal. Tal conclusão surgiu após uma extensa (mais de 5 mil artigos)  revisão de estudos científicos sobre o assunto, realizada pelo CFM em pareceria com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia ( http://www.endocrino.org.br/cfm-proibe-terapias-antienvelhecimento/ ), Sociedade Brasileira de Geriatria ( http://www.sbppc.org.br/site/index.php?option=com_content&task=view&id=2016&Itemid=26 ). 

    A modulação hormonal virou moda no Brasil graças à divulgação de algumas celebridades e alguns médicos em redes sociais. Segundo a SBEM a prescrição de hormônios deve ser feita por endocrinologistas titulados e deve seguir  alguns critérios:  1) ter comprovação laboratorial da deficiência do hormônio (exame mostrando baixa quantidade do hormônio); 2) o paciente apresentar sintomas de deficiência do hormônio.  Portanto NÃO trabalho com modulação hormonal e não concordo com tal prática.

    Dieta hCG: Não trabalho com a famigerada Dieta hCG. Tal dieta consiste em utilizar o hormônio que a grávida produz  em grande quantidade na gestação, aplicar intramuscular tal hormônio diariamente e submeter-se a uma dieta de 500kcal durante 40 dias.  Essa dieta tem parecer contrário das maiores sociedades médicas do mundo. No Brasil a Associação brasileira para estudos de obesidade (ABESO) assim como da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e metabologia, já se posicionaram contra e deixaram claro os riscos inerentes a tal terapia. O documento com tal posicionamento pode ser acessado no link a seguir: http://www.abeso.org.br/uploads/downloads/81/555380d3325ce.pdf
    Portanto não prescrevo tal dieta, não concordo. O tratamento para emagrecimento que prescrevo não utiliza hormônios, somente vitaminas, minerais, ácidos graxos (ômega 3), dieta que visa controlar o apetite, fitoterápicos (plantas).  Em alguns casos utilizo medicações alopáticas.

    Hidrocolonterapia: Não trabalho com hidrocolonterapia. Discordo do método, acha muito agressivo e perigoso, pois remove as bactérias boas do intestino e há riscos de infecção intestinal.

    Ozonioterapia: Não trabalho com ozonioterapia já que é uma prática que tem um parecer contrário do Conselho Federal de Medicina. Apesar de achar a ozonioterapia uma terapia promissora, por ser uma terapia sem respaldo legal, não não utiliza.

    Não indico farmácias de manipulação (a indicação é infração ética) mas oriento que o paciente tenha cuidado ao escolher as farmácias, nunca se orientando pelo preço. Reservo a manipulação apenas para prescrição de vitaminas, minerais e probióticos. Sempre que existir o mesmo produto porém na indústria farmacêutica, opto por ele, devido o controle de qualidade ser maior na indústria. Isso ocorre principalmente em fitoterápicos, ácidos graxos e probióticos.

    Retornos

    O prazo máximo de retorno é de 20 dias. Sendo que para os pacientes de fora de Goiânia estendo o prazo para até 60 dias.

    NÃO atendo NENHUM PLANO DE SAÚDE:  Affego, Allianz, Amil, Ascefet,CAEME, Casbeg, Celgmed, Cnen, Comego, Comisam, Conab, Coop rodoviarios, Correios, Funbsmac, Funcef, Furnas, Fusex, Gama saúde, IMAS, IPASGO, Irmão soares, Life, Mediservice, Metago, NotreDame seguro saúde, Ortobom, Petrobras, Planmed, Proasa, Promed, SulAmerica, Unibanco Saúde, Unimed, Bradesco.

    Agendamento de consultas

    O paciente que tiver interesse em agendar uma consulta, deverá ligar na clínica e verificar a disponibilidade de horário com a secretária Patrícia. Meu consultório fica na Clínica Medicare, situada na rua 115-H, nº 31, St. Sul, Goiânia-GO. Fones (62) 3941-2998 / 9-9956-5505 (WhatsApp). Atendo quarta, quinta, sexta das 14 às 19:00h. Segunda e Terça coordeno o Ambulatório de Nutrologia (SUS) onde sou concursado.

    Sobre consultas

    1) Os exames laboratoriais e de imagem (exceto mineralograma capilar) podem ser feitos pelo plano de saúde, de acordo com a resolução Consu 8 da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O artigo 2° da Consu 8 afirma: Para adoção de práticas referentes à regulação de demanda da utilização dos serviços de saúde, estão vedados: VI - negar autorização para realização do procedimento exclusivamente em razão do profissional solicitante não pertencer à rede própria ou credenciada da operadora.
    Portanto, não existe lei que obrigue o médico a manter vínculo com o plano de saúde, sendo uma questão de vontade própria. Logo, a regra determina que qualquer médico pode solicitar exames e procedimentos para pacientes que tenham plano de saúde, independente da vinculação ou não do profissional com o plano. Isso aumenta a liberdade de escolha do paciente em optar pelo médico de sua preferência, tendo ainda a possibilidade de fazer todos os exames pelo plano de saúde.
    3) O prazo máximo de retorno é de 30 dias.

    O que eu não atendo meu consultório?
    • Pacientes que desejam fazer uso de anabolizantes, hormônios com finalidade estética, uso de GH, dieta HCG, modulação hormonal, ozonioterapia;
    • Terapia de reposição hormonal. Posso até fazer o diagnóstico do déficit mas não prescrevo hormônios;
    • Pacientes portadores de esquizofrenia: encaminho para o Dr. Murilo Caetano (Holus - 3245-2034);
    O que eu atendo no meu consultório?
    • Fadiga, cansaço crônico, astenia, fraqueza, indisposição (grande procura);
    • Magreza constitucional (baixo peso), da criança, adulto e idoso          
    • Sobrepeso, obesidade em todos os seus graus: crianças acima dos 5 anos até idosos (grande procura);
    • Ganho de massa magra (hipertrofia) para pacientes Sarcopênicos (grande procura);  
    • Acompanhamento pré e pós-cirurgia bariátrica; 
    • Transtorno da Compulsão  Alimentar Periódica (TCAP) (grande procura);
    • Builimia e anorexia (aspectos nutricionais, a parte psiquiátrica encaminho para o Dr. Rodolfo Campos que é especialista na área (Fone:3282-6849)
    • Aspectos nutricionais da ansiedade; depressão; insônia (ou seja, o psiquiatra faz a parte dele e eu busco déficits nutricionais ou intoxicação por  substâncias que possam estar interferindo no agravamento da doença) (grande procura);
    • Orientações nutrológicas na Intolerância à glicose e Diabetes mellitus tipo 2;  (grande procura);
    • Dislipidemias: hipercolesterolemia e hipertrigliceridemia; 
    • Síndrome metabólica (grande procura);
    • Esteatose hepática não-alcóolica (fígado gorduroso); 
    • Alergias alimentares e Intolerâncias alimentares (lactose, frutose e sacarose) (grande procura);
    • Anemias carenciais (Ferropriva, por deficiência de B12, ácido fólico, cobre, zinco, complexo B, vitamina A); (grande procura);
    • Pacientes vegetarianos, veganos, ovolactovegetarianos, crudivoristas (grande procura);
    • Intoxicação crônica por metais tóxicos: Alumínio, Chumbo, Mercúrio, Arsênico, Cádmio com posterior quelação; (grande procura);
    • Orientações nutricionais em Constipação intestinal (intestino preso) e Diarréia crônica; 
    • Dispepsias correlacionadas à ingestão de alimentos específicos (má digestão) (grande procura);
    • Disbiose intestinal e Síndrome de Supercrescimento bacteriano do intestino delgado (SIBO) (grande procura);
    • Síndrome do intestino irritável (grande procura);
    • Fibromialgia (aspectos nutrológicos) (grande procura);
    • Acompanhamento nutricional pré-gestacional (preparo pré-gravidez e pós-gravidez para retornar ao peso anterior);
    • Infertilidade (aspectos nutrológicos), a parte de investigação encaminho para Dra. Lorena Apolinário (Fone: 3638-3515; (grande procura);
    • Orientações nutricionais para hepatopatas (Hepatites Virais, Hepatite Autoimune, Esteatose hepática, Cirrose hepática);
    • Orientações nutricionais para cardiopatas (Insuficiência coronariana, Insuficiência cardíaca, Arritmias, Valvulopatias, Hipertensão arterial); (grande procura);
    • Orientações nutricionais para pneumopatas (Enfisema, Asma, Fibrose cística);
    • Orientações nutricionais para portadores de doenças autoimunes (artrite reumatóide, lúpus, Hipotireoidismo/tireoidite de hashimoto, psoríase, vitiligo) (grande procura);
    • Orientações nutricionais em portadores de HIV em tratamento com antiretrovirais (grande procura);

    sexta-feira, 26 de novembro de 2010

    Ainda sem consenso, agências reguladoras do mundo analisam a proibição ou não do Bisfenol-A, diz toxicologista da Anvisa

    Um dos palestrantes do Fórum Peter Rembischevski adianta que o Brasil estuda o tema para adotar uma nova regulamentação ou proibição da substância.

    ‘”Proibir totalmente a utilização ou estabelecer um outro parâmetro de ingestão diária tolerável de Bisfenol-A (BPA) composto encontrado na fabricação de policarbonato, um tipo de resina utilizada na produção da maioria dos plásticos – é a grande dúvida que permeia a maioria das agências reguladoras do mundo, incluindo a ANVISA, no Brasil”, afirma Peter Rembischevski, Mestre em Química pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Toxicologista e Especialista em Regulação e Vigilância Sanitária da Anvisa – Agência de Vigilância Sanitária.

    Durante o Fórum SBEM-SP sobre Desreguladores Endócrinos: Bioquímica, Bioética, Clínica e Cidadania que acontece dia 25 de novembro, quinta-feira, na Sede do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo(CREMESP), Peter abordará o Papel da Anvisa sobre o tema. O evento integra a Campanha contra os Desreguladores Endócrinos sob o slogan: “Diga não ao Bisfenol-A, a vida não tem plano B”, idealizada pela SBEM-SP.

    Segundo ele, “a questão ainda não tem consenso na maioria das agências reguladoras no mundo porque cada uma delas interpreta os resultados das pesquisas científicas em animais por meio intra-venoso, de maneiras distintas causando controvérsias sobre o tema. E isso tem explicações sob a ótica da toxicologia. A ingestão de Bisfenol-A por meio intra-venoso é absorvida pelo organismo de modo diferente se comparada com a ingestão via oral, como acontece na maioria das vezes, por humanos. A reação do organismo é diferente dependendo da maneira que o Bisfenol-A é absorvido. O organismo dos animais e dos seres humanos são diferentes e, por isso, nem sempre o que é prejudicial para uma espécie é também para a outra. É o princípio da correlação inter-espécies. Mesmo as pesquisas realizadas com a substância em pequenas populações de pessoas ainda não é capaz de sustentar sua proibição”.

    Ele reforça que talvez a discussão fique sobre o limiar da dose, abaixo da qual não produz efeito negativo, como é o caso do ferro. Afinal, a dose faz o veneno – uma dose baixa não oferece preocupação, mas destaca que o Brasil está atento e ainda estuda a melhor forma de regulamentar ou proibir a utilização da substância por isso quer também estudar o posicionamento da União Européia.

    Nova Era

    Peter ressalta que apesar de ainda não haver um consenso, as agências reguladoras mudaram a postura e, hoje, não esperam ter a certeza se uma substância é noviça ou não à saúde. Atualmente, diferente do passado, as agências utilizam o princípio da precaução – o que significa que mesmo antes de ter uma certeza, mas já tendo indícios, estabelece parâmetros de utilização da substância em questão para evitar maiores problemas no futuro. Antigamente, esperava-se anos até que se comprovasse a veracidade das pesquisas. Hoje, as agências incentivam os fabricantes a procurarem alternativas para substituir o produto .
    Peter ainda reforça que o mercado mesmo sem uma posição da maioria das agências reguladoras já está mudando. Os produtos com Bisfenol-A estão perdendo mercado. “Para se ter uma idéia, os produtos com BPA perderam 50% do mercado no Japão, sem o governo precisar proibir a utilização da substância”, destaca Peter.

    FONTE: http://sbemsp.org.br/bpa/