terça-feira, 28 de setembro de 2010

Bisphenol-A e câncer de mama – semelhanças com dietilestilbestrol

Como parte de uma característica especial sobre os riscos potencias da exposição à bisphenol-A (BPA) durante a gestação, Medscape conversou com o Dr. Hugh S. Taylor. Ele é Professor de Obstetrícia, Ginecologia, e Ciências Reprodutivas, Professor de Biologia molecular, celular, e de desenvolvimento e Chefe do Departamento de Endocrinologia Reprodutiva e Infertilidade na Yale School of Medicine. Ele é também diretor do Yale Center for Endometrium and Endometriosis. Ele foi o investigador líder em um estudo que identificou um importante movimento gerado pela exposição à BPA durante a gestação que poderia levar ao câncer de mama depois de décadas. [1]

Medscape: Você poderia descrever seu estudo sobre o risco de câncer de mama na prole do sexo feminino de mães que foram expostas ao bisphenol-A (BPA), [1] e dar algumas ideias se ele foi clinicamente significante?

Dr. Taylor: Nesse estudo nós usamos um modelo animal (rato) para estudar o risco a câncer de mama – mais precisamente—o mecanismo pelo qual o risco de desenvolvimento de um câncer de mama pode ser aumentado após exposição do útero ao dietilestilbestrol (DES) ou BPA. Nós pesquisamos mães ingerindo esses dois compostos estrogênicos durante a gestação e então determinaram qual efeito esses compostos tiveram na prole feminina após seu nascimento e quando adultos. Eles só foram expostos dentro do útero e quando eram fetos.

Nesse estudo, nós olhamos para o tecido da mama. Evidência recente demonstra que mulheres que foram expostas a DES como fetos começam a mostrar um risco aumentado relativo de câncer de mama quando elas atingem as idades maiores que 40 anos. Essa droga foi utilizada nos anos 50 e 60 para prevenir o aborto em mulheres de alto risco, e agora estamos vendo um risco aumentado de câncer de mama em suas filhas, que estão chegando a idade em que o risco de câncer de mama começa a crescer. Nós queríamos chegar ao mecanismo por trás do risco. Como a exposição a estrogênio poderia estar influenciando seu risco de câncer de mama meio século após e como um adulto de 40-, 50-, 60-anos?


Nós também queríamos determinar se o BPA teve o mesmo efeito. Enquanto os dados do BPA em humanos são menos claros do que com DES, modelos animais adultos estão claramente mostrando que a exposição intrauterina à BPA pode aumentar o risco de mudanças pré-neoplásicas na mama e o risco de desenvolvimento o câncer de mama quando outros carcinógenos são administrados também. Nesses modelos animais adultos, o BPA aumenta a suscetibilidade ou risco no lugar de aumentar diretamente o número de cânceres de mama.

Medscape: Você poderia comparar as diferenças entre DES e BPA em termos de força do efeito?

Dr. Taylor: Bem, isso é o que nos surpreende. DES é um estrogênio bastante poderoso. Tem uma afinidade alta para o receptor de estrogênio e funciona como um estrogênio poderoso, enquanto o BPA é um estrogênio bastante fraco. Tem alguns efeitos estrogênicos, mas eles são pequenos, e tem uma afinidade para o receptor de estrogênio que é várias vezes mais baixa que o estrogênio natural, o estradiol. Foi surpreendente então que os dois estrogênios tenham tido o mesmo efeito no estudo, o que nos leva a especular se eles podem estar afetando a expressão genética através de um mecanismo diferente do efeito no receptor de estrogênio.

Medscape: Alguma ideia do que seria isso?

Dr. Taylor: Não, nós ainda não sabemos. Contudo, nós especulamos. Nós administramos ou BPA ou DES durante a gestação, e esperamos até que esses ratos ficassem adultos, e então nós olhamos ao tecido ou glândula mamária, como é chamada nos ratos.

Nós mostramos que um gene que é ligado ao câncer de mama fica permanentemente elevado nesses ratos, e a breve exposição a ou DES ou BPA durante a gestação leva a uma elevação permanente e duradoura de uma molécula chamada EZH2.[2] Apesar do fato de que DES e BPA variam drasticamente na sua potência, ambos têm efeito similar na expressão da molécula EZH2, e mulheres com elevações em EZH2 tem um maior risco de desenvolvimento do câncer de mama.
EZH2 modifica as histonas, que são as proteínas que envolvem e compactam o DNA. Modificação de histonas pode abrir o DNA ou torná-lo mais compacto e menos acessível e pode mudar genes. Toda uma bateria de genes é provavelmente regulada diferenciadamente por essa mudança no EZH2. A modificação altera acessibilidade ao DNA e, portanto é hipergenética. A modificação da histona continua a influenciar a maneira que o DNA é empacotado e, portanto se um gene está ligado ou não nesse indivíduo. Nós também sabemos que essa modificação em particular aumenta o risco de câncer de mama.

Mulheres que realizaram biópsias que tiveram resultados benignos, mas mostraram um EZH2 elevado tinham uma grande chance de desenvolvimento de câncer de mama no futuro. Além disso, mulheres com câncer de mama que tem EZH2 expressado em altos níveis têm um prognóstico pior.


Medscape: Voltando ao seu estudo, uma das criticas foi que você injetou BPA no rato gestante. Alguns outros estudos usando ingestão oral em alguns ratos não encontraram nenhum risco para câncer de mama, ou foi baixo e não foi significante.

Dr. Taylor: Isso é algo controverso, eu admito. A injeção obviamente não é a rota da exposição humana, mas eu acho que temos que notar duas coisas. A primeira é que tentamos imitar na média, níveis que são similares aos humanos após a exposição oral. Nós mostramos níveis séricos que em média são similares aos níveis humanos após exposição oral, apesar de um diferente curso de tempo. O rato recebe um bolus e então funciona rapidamente. O BPA é metabolizado e excretado na urina relativamente rápida, então a injeção não provê a mesma exposição como a ingestão oral. Isso certamente poderia ser uma critica ao nosso estudo.

 
Contudo, não estamos tentando imitar exatamente a exposição humana. Nosso ponto é descobrir o mecanismo de ação. Nós queremos saber como a exposição durante a gestação pode levar a mudanças por toda a vida. Parece pouco usual que essas mudanças não ocorram com a exposição na vida adulta, mas a exposição durante a gravidez resulta em mudanças para a vida o que aumenta o risco de câncer de mama. Qual é o mecanismo por trás disso? Como poderemos explicar esse estranho fenômeno no qual o risco só aparece anos após a exposição? Nesse caso, a mama é programada durante o desenvolvimento para responder depois. Nós claramente mostramos que o mecanismo aqui está programando o útero. Exposição no início da vida muda permanentemente a expressão de uma molécula que aumenta o risco de câncer de mama.

Medscape: Em termos de significância clínica, o quão preocupado você está sobre isso?

Dr. Taylor: Como mencionei, nosso objetivo era entender o mecanismo – não decidir qual dose é segura e qual não é. Nós vamos subsequentemente estudá-las, mas esse não era nosso objetivo aqui. Contudo, eu acho que a ligação com DES torna nossos achados relevantes. Em humanos é claro que mulheres expostas ao DES tiveram desfechos reprodutivos terríveis, incluindo útero anormal, e está ficando aparente que elas têm um risco aumentado de câncer de mama também, especialmente ao ficarem mais velhas. Nosso estudo nos mostra que o BPA está fazendo o mesmo no seio que o DES faz. É isso que me preocupa. Agora, qual o nível de exposição que precisamos nos preocupar ainda é uma questão sem resposta. Exatamente o que mulheres deveriam fazer quando estão grávidas ainda não está definido claramente, mas eu diria que faz sentido ser cauteloso. A maioria das evidencias disponíveis mostra que há algum risco.

Medscape: É possível estudar os efeitos do BPA em mulheres?

Dr. Taylor: Nós nunca teremos o estudo perfeito em mulheres. Um porque em países desenvolvidos todas as mulheres estão expostas a BPA, então você nunca terá um grupo onde você não encontra BPA. E, se você vai para uma área do mundo onde não há BPA, você ainda não pode comparar mulheres desses locais com mulheres de países desenvolvidos. Existem muitas outras diferenças, então você não pode atribuir nada do que você vê ao efeito do BPA. Você também nunca poderá dar a um grupo de mulheres grávidas altas doses de BPA quando pensamos que é perigoso. Seria pouco ético, então nós nunca teremos o estudo humano para provar isso. Nós vemos correlação entre os níveis de BPA no soro ou urina e a doença em humanos. Com muitos estudos com animais preocupantes e correlações similares em humanos eu acho que pode ter sentido ser cauteloso e não passar pelo risco de exposição ao BPA – especialmente durante a gestação. Nós estamos mostrando que a gestação é o momento mais vulnerável. Por isso, eu aconselho minhas pacientes grávidas a evitar BPA o quanto puderem.

Medscape: Então existem dicas específicas para evitar BPA?

Dr. Taylor: Pode ser quase impossível evitar o BPA inteiramente. Ele é muito em tantos produtos. Eu ainda estou aprendendo sobre coisas que contem BPA. Eu acho que algumas das exposições mais comuns são as garrafas de água de plástico duro. Muitos fabricantes estão removendo o BPA de seus produtos.

Medscape: Isso inclui grandes containeres?

Dr. Taylor: O número de reciclagem no triangulo pequeno na base do objeto geralmente é uma dica. Se tem o número 7 pode conter BPA.

Medscape: Latas são, é claro, uma grande fonte de BPA, e é muito difícil evitá-las.

Dr. Taylor: Sim, quase toda lata é com uma cobertura de epóxi que contém BPA. O selo de resina impede que a lata vaze e que bactérias entrem o que é algo bom, mas o BPA entra na nossa comida. Isto provavelmente recomenda a qualquer gestante a tentar evitar os alimentos enlatados, especialmente nos meses iniciais. Isso inclui a refeição for a de casa, porque na maioria dos restaurantes você recebe comidas que são enlatadas. Comer frutas e vegetais frescos é uma boa ideia e tem muitos outros benefícios. Não há realmente um lado ruim com exceção talvez do custo.

Medscape: É claro, há uma preocupação de que uma vez que comida enlatada é a maneira mais barata de comprar vegetais, as mulheres com rendas mais baixas, podem deixar de comer vegetais em razão do medo de passar o risco do câncer de mama para suas crianças.

Dr. Taylor. Sim, pode ser um pouco mais custoso evitar comidas enlatadas, mas certamente os ganhos em rede para a sociedade serão maiores se pudermos reduzir o câncer de mama e riscos reprodutivos no futuro. Existem também tantos outros benefícios a saúde decorrente da ingestão de frutas e vegetal frescos, especialmente durante a gestação, que eu certamente advogaria a favor do pequeno gasto extra. Eu acho que se você come as frutas e vegetais da estação você provavelmente consegue comprá-los relativamente baratos e é melhor que comer alimentos enlatados.

Medscape: Mas o BPA está em latas há décadas. Isso não argumenta a favor de sua segurança?

Dr. Taylor: Mas nós também temos visto um aumento do índice de neoplasias, incluindo câncer de mama, nas últimas décadas, O quanto disso está ligado ao BPA? Eu não sei.

Medscape: Você tem um número de outros compostos estrogênicos que preocupam a população, então é claro o curso do problema do efeito sinérgico de todos esses produtos químicos.

Dr. Taylor: Não, nós simplesmente não sabemos. Obviamente, estamos expostos a uma completa pletora de produtos químicos diferentes, alguns dos quais são hormônios e muitos sem dúvida tem interações; mas até que possamos saber mais eu acho que faz sentido ao menos eliminar ou tentar evitar aqueles que nós sabemos que são perigosos. Contudo, foi demonstrado que a exposição à BPA certamente leva a problemas no útero e mamas.

Medscape: Porque você acha que seu estudo em particular gerou tanto interesse da imprensa?

Dr. Taylor: Bem, eu penso que essa é a primeira vez que temos um mecanismo que nos diz que podemos ver um risco aumentado de câncer de mama com BPA e isso ajuda a resolver o mistério do quanto uma exposição breve pode programar alguém para a vida. Isso não era conhecido antes.

Medscape: Existe algum esforço publico para eliminar o BPA de produtos?

Dr. Taylor: Bem, algumas coisas. Por exemplo, Califórnia e Connecticut acabam de promulgar uma lei removendo o BPA dos brinquedos de crianças. Nalgene tirou o BPA de suas garrafas de água. O National Institute of Environmental Health Sciences (NIEHS) investiu pesado em estudos sobre as consequencias de BPA. NIEHS está tentando de maneira sem precedentes coordenar essas pesquisas para que tenhamos dados concretos que podem elucidar melhor a questão. Jerry Heindel no NIEHS lidera essa pesquisa.

Na realidade, a imprensa e o publico em geral estão fazendo mais do que qualquer um para que essa questão seja impactante. O mercado está causando a maioria dessas mudanças. O fato de Nalgene tirar o BPA das garrafas de água não se deu em razão da legislação, mas sim porque as pessoas começaram a reparar e a trocar para garrafas de aço inoxidável. Walmart está tirando materiais contendo BPA-de suas prateleiras e, mais uma vez, isso se dá em razão do pedido do público educado pelas informações dadas ao consumidor. São as forças do mercado, que ganham poder com as notícias e pesquisas patrocinadas pelo governo e não a legislação, que geram essas ações.

Medscape: Bem, muito obrigada. Eu realmente gostei de ouvir sobre o assunto. Você clarificou a edição para mim e eu acho que para nossos leitores também, então muito obrigado

Texto extraído do Medscape: http://www.medcenter.com/Medscape/content.aspx?id=27894

Produtos de limpeza estão ligados ao câncer de mama?

O uso frequente de produtos de limpeza da casa pode potencializar o risco de câncer de mama, de acordo com um novo estudo que gerou ceticismo de médicos especialistas e da indústria de produtos de beleza.


Purificadores de ar e produtos para controle de mofo e umidade foram particularmente relacionados à doença, disse a pesquisadora Julia Brody, diretora executiva do Silent Spring Institute em Newton, Massachussets, que liderou o estudo.

O estudo foi publicado no Journal Environmental Health.

Acredita-se que o estudo foi o primeiro publicado a relatar a ligação entre produtos de limpeza da casa e o risco de câncer. "Muitos estudos de laboratório nos levaram a uma preocupação em relação a componentes particulares em produtos de limpeza e purificadores de ar, disse Brody à WebMD.

Enquanto Brody vê uma ligação. Outros não estão convencidos. “O que esse estudo realmente mostra é, quando um estudo confia na memória dos indivíduos sobre sua exposição e as pessoas estão preocupadas sobre essa exposição, nós não obtemos respostas confiáveis,” disse Michael Thun, vice-presidente emérito de epidemiologia para a American Cancer Society.


Produtos de limpeza e câncer de mama: detalhes do estudo

Brody e seus colaboradores conduziram entrevistas por telefone com 787 mulheres que foram diagnosticadas com câncer de mama e 721 que não tiveram câncer de mama. “Nós perguntamos a mulheres sobre o uso anterior de produtos de limpeza – no último ano, seu uso típico," declara Brody.

“Nós descobrimos ligações do câncer de mama com a combinação na utilização de produtos de limpeza – muitos produtos diferentes tomados juntos – e purificadores de ar e produtos de controle de mofo e umidade."

A ligação mais forte, ela diz, é a combinação de todos os produtos de limpeza. “No uso de produtos de limpeza combinados, o risco é cerca de duas vezes tão alto para câncer de mama quanto para mulheres que disseram que usavam a maioria quando comparadas com mulheres que disseram usar o mínimo."

O uso de repelente de insetos pareceu estar ligado também, disse Brody, mas foi encontrada uma pequena associação entre outros pesticidas e o risco de câncer de mama.

Especificar o quanto a exposição aos produtos pode aumentar o risco é difícil ela diz. Para o uso combinado de produtos, mulheres foram divididas em quatro grupos; aquelas no quarto grupo, que mais usavam, tinham duas vezes o risco daquelas no grupo que usava menos.

Para purificadores de ar sólidos, por exemplo, aqueles que fizeram uso por sete ou mais vezes em um ano tinham duas vezes o risco de câncer de mama do que aqueles que nunca usaram.

Brody também descobriu que mulheres que tinham câncer de mama e achavam que produtos químicos e poluentes contribuem para o risco do câncer tinham mais chances de relatar o alto uso de produtos clínicos.

Mas não tem certeza sobre o que leva a que – se mulheres que tem câncer de mama começam a se perguntar se o uso de produtos de limpeza desenvolvia um papel, ou outros fatores.

Segunda Opinião

Quando estudos olham para dados do passado, o que cientistas chamam de estudos retrospectivos – e pedem a pessoas que elas confiem em suas memórias, “os resultados não serão interpretáveis,” diz Thun, que revisou os achados do estudo para WebMD.

'‘Eu diria que o estudo realmente não é informativo sobre o risco real,” ele diz. "É muito mais informativa sobre o porque dessa linha particular de estudo não é confiável. “Não é informativa. E não vai responder as questões."

Quanto ao risco de produtos de limpeza, Thun diz, "É a hora do julgamento. Nós sabemos que há muita preocupação sobre produtos de limpeza vinda de grupos de defesa do meio ambiente."

Idealmente, a maneira de estudar o link potencial, ele diz, é definir antes a exposição a produtos de limpeza, e então seguir essas mulheres. Ele sabe que isso é difícil e consome muito tempo e “provavelmente não vai acontecer.”

Além disso, a técnica de relato não é confiável, ele diz, especialmente naqueles já diagnosticados. “Se eu tenho câncer de mama, eu vou buscar uma razão,” ele diz.

“Há uma preocupação em relação a recall bias,” concorda Susan Brown, diretora de educação da saúde no Susan G. Komen for the Cure em Dallas. O entendimento dos efeitos de produtos de limpeza necessitará de mais estudo, incluindo pesquisa que siga um grupo de mulheres durante o tempo, ela diz à WebMD.

''Nossa experiência é que uma vez que as pessoas são diagnosticadas com câncer de mama, elas estão tão interessadas em tentar descobrir o que causou a doença, que eles olham para as coisas de maneiras diferentes, '' diz Brown.

"Eles olham a cada exposição, cada comportamento como suspeito, talvez parte da razão deles terem o câncer de mama. É perfeitamente natural, mas não leva a boa ciência necessariamente."

Como o que devem mulheres se preocupar até que sejam realizadas mais pesquisas sobre produtos de limpeza? Thun diz que grupos de defesa do meio ambiente oferecem sugestões de uso de produtos mais simples, como sabão e água e bicarbonato de sódio.

Thun sugere também o foco em maneiras conhecidas para a redução do risco de câncer de mama, incluindo a manutenção de um peso saudável, atividade física, diminuição do consumo de álcool, e evitar a terapia de reposição hormonal.

Resposta da indústria

Em uma declaração, o American Cleaning Institute desafiou os achados. A pesquisa, de acordo com a declaração, “exceder nas suas conclusões baseadas em uso de produtos de limpeza relatado pela própria pessoa que foi diagnosticado com câncer de mama."

Afirma ainda que “a pesquisa é frequente a insinuação e especulação sobre a segurança de produtos de limpeza e seus ingredientes."

Tomando a edição com uma abordagem retrospectiva, a declaração nota que foi pedido a mulheres que elas relembrassem que produtos usaram no passado.

Brody defende seu estudo. "Essa é uma primeira abordagem e é necessário cautela na sua interpretação," ela diz.

Em uma pesquisa em andamento, sua equipe está testando o ar e a poeira nas casas das mulheres e encontrando compostos de produtos de consumo que possam ser prejudiciais, ela diz.

“Nós estamos focando no entendimento de exposições de produtos de consumo," ela diz, para identificar quais são potencialmente geradores de dano.

Julia Brody, PhD, executive director, The Silent Spring Institute, Newton, Mass. Zota, A. Environmental Health, July 20, 2010. Michael Thun, MD, vice president emeritus of epidemiology, American Cancer Society. Susan Brown, director of health education, Susan G. Komen for the Cure, Dallas.
 
Link pro Abstract do artigo

O sono reduzido durante a noite no início da vida está ligado à obesidade subsequente

Duração menor do tempo de sono no início da vida é ligada à obesidade posterior, de acordo com os resultados de um estudo de coorte prospectivo relatado na Archives of Pediatric & Adolescent Medicine.

"O sono reduzido pode aumentar o risco de obesidade em crianças e adolescentes," escreve Janice F. Bell, da University of Washington e Seattle, e Frederick J. Zimmerman, da University of California, Los Angeles.

"A evidência está se acumulando em estudos cruzados da população para suportar uma relação contemporânea robusta entre o sono encurtado e um status de peso pouco saudável em crianças e adolescentes.

Em vários estudos, uma relação de dose-resposta é evidente com o aumento das chances de sobrepeso/obesidade associada com menos horas gastas dormindo."

Usando o US Panel Survey of Income Dynamics Child Development Supplements (PSID-CDS) de 1997 e 2002, os investigadores buscaram avaliar associações entre o sono durante o dia e à noite e a obesidade subsequente em 1930 crianças e adolescentes com idades entre 0 e 13 anos no início em 1997.

As durações de sono durante o dia e a noite no início foram definidas como menos do que 25 por cento dos escores de sono normalizado pela idade. No seguimento em 2002, o índice de massa corporal (IMC) foi convertido para z escores específicos com idade ou sexo e caracterizados como peso normal, sobrepeso, ou obesidade com uso de pontos de corte estabelecidos.

A relação entre a classificação da IMC e pouco sono durante o dia e a noite no início e o seguimento foi acessado com regressão logística ordenada. Co variáveis importantes incluindo o status sócio econômico, IMC dos pais, e IMC no início para crianças mais velhas de 4 anos foram também usados.

Entre crianças com idades entre 0 e 4 anos no início, duração pequena do sono nos dados de base foi fortemente associada com um maior risco para sobrepeso ou obesidade foi associada fortemente com um maior risco para sobrepeso ou obesidade subsequente (odds ratio, 1.80; intervalo de confiança de 95%, 1,16 – 2,80).

Entre crianças com idades de 5 a 13 anos, contudo, o sono no início não foi associado com o peso subsequente, mas o sono contemporâneo foi inversamente associado. Em ambos os grupos, o sono durante o dia não foi associado significantemente com a obesidade subsequente.

"Na coorte mais antiga, o seguimento do sono durante a noite foi associada com as chances marginalmente aumentadas no seguimento enquanto a duração do sono 5 anos antes não teve efeito significante," escrevem os autores do estudo.

"Esses achados sugerem que há uma janela crítica antes de 5 anos quando o sono durante a noite pode ser importante para o status de obesidade subsequente."

As limitações desse estudo incluem a coleção de dados de sono por apenas 2 dias em um ano, falta de IMC no início para as crianças mais novas, potencial confusão pela atividade física e dieta, e a falta de dados em relatos dos pais para o peso no início do trabalho.

"A duração diminuída o sono no início da vida é um fator de risco modificável com importantes implicações para prevenção e tratamento da obesidade," concluem os autores do estudo.

"Sono insuficiente durante a noite entre crianças e pré-escolares pode ser um fator de risco duradouro para obesidade subseqüente. O cochilo não parece ser um substituto para o sono durante a noite em termos de prevenção de obesidade."

Arch Pediatr Adolesc Med. 2010;164:840-845.

Extraído de: http://www.medcenter.com/Medscape/content.aspx?id=27924

terça-feira, 21 de setembro de 2010

SAÚDE

Como alcançar e manter SAÚDE

(de forma prática e simples)

Tenho observado em consultório 3 tipos básicos e distintos de paciente: Aquele que

... realmente quer ter saúde, seja porque já “cansou de estar doente” ou cansou de tantos e freqüentes remédios e tratamentos;

... até quer ter saúde mas que quando compreende que para isso será obrigatório mudar seu próprio estilo de vida, em maior ou menor grau, desanima-se pela mera perspectiva do esforço que terá que fazer;

... quer mesmo é uma consulta curta e objetiva, que resolva sua queixa pontual rapidamente e, se possível, ao final resulte em um “remedinho mágico” e/ou mesmo um atestado médico.



O primeiro tipo é o que tem resultados. E não é que não vá mais adoecer em sua vida, já que isto é impossível. É que, salvo em casos de fatalidades, às quais todos estamos sujeitos, decerto adoecerá menos, ficará doente por menos tempo, terá maior qualidade de vida e responderá melhor e mais rápido a eventuais tratamentos que venham a fazer-se necessários.
O segundo tipo até obtém resultados mas às custas de maiores esforços e “incômodos”. O raciocínio é simples: hábitos de vida parcialmente saudáveis = resultado em Saúde parcial. Não parece lógico isto? Em outras palavras, se alguém não faz direito tudo o que deveria estar fazendo pela sua saúde, como espera ter melhora ou ficar curado de tudo o que o incomoda?
O terceiro tipo é aquele que em um curto período de tempo já tem uma verdadeira coleção de medicamentos que usa regularmente mas a cada dia apresenta mais e mais sinais e sintomas. Isto porque todos já sabemos: medicamentos normalmente são bons para umas coisas e pioram ou causam outras. Ainda mais: sua forma de conduta e de enxergar sua própria vida e conduta não contemplam a importância de investigar, descobrir e tratar as causas dos seus problemas e assim sendo, uma vida inteira tratando meramente efeitos, superficialmente, trará resultados superficiais e incompletos. Mais uma vez, não é lógico isto?

Acredito, entretanto, que todo paciente que procure consulta por um profissional de saúde, se não quer saúde integral, quer pelo menos algum alivio para algum sofrimento, atual ou futuro. E com este objetivo, quaisquer que sejam as queixas, percebi que muito freqüentemente repito, de maneiras diferentes, os 10 conselhos que listarei abaixo e melhor explicarei ao longo dos próximos Informativos. Posso assegurar-lhes que segui-los, em milhares de casos, tem mostrado os melhores resultados possíveis, melhorando ou mesmo curando e assim promovendo Saúde e real Qualidade de Vida, com menor uso de medicamentos e menor necessidade de consultas e tratamentos freqüentes.

1 – Beba água de 1 em 1 hora (Pelo menos 3 litros por dia)

2 – Alimente-se de 3 em 3 horas

3 – Coma fibras pelo menos 2x/dia

4 – Pratique exercícios físicos regularmente (Mínimo de 3x/semana)

5 – Durma direito (Cuide do seu sono)

6 – Respire direito

7 – Evite excessos (Qualquer tipo)

8 – Reduza seu stress (Planeje-se e foque nas ações/soluções e não nos problemas)

9 – Consulte seu médico regularmente, bem como demais profissionais de saúde adequados e necessários para o seu caso, seguindo suas orientações

10 – Seja positivo (Tenha postura de vida positiva e pró-ativa)

* Esclarecimento importante: As orientações em epígrafe NÃO substituem a consulta ao seu médico (ou profissional de saúde eventualmente mais adequado ao seu caso) e embora em sua maioria estejam BEM embasadas em inúmeros trabalhos científicos, em boa parte, são frutos de observação minha, em consultório, ao longo de 10 anos de Medicina.


Cordialmente,

Ícaro Alves Alcântara

Médico

 
* Ícaro Alves Alcântara é médico homeopata, pós graduado em abordagem ortomolecular em Medicina e Irisdiagnose, trabalhando com consultoria em Hábitos Saudáveis e Qualidade de Vida há mais de 10 anos. Mais informações no site: www.icaro.med.br

sábado, 18 de setembro de 2010

Déficit de Atenção na visão da prática ortomolecular


Com frequência recebo pacientes que relatam "possuir" Déficit de atenção e muitas vezes vão além, acrescentam o termo "Hiperatividade" à doença que adquiriram navegando na internet. Brinco que virou moda ser portador de déficit de atenção. Uma frase típica de pacientes: "- Dr. eu fiz um teste na internet, um questionário e com base nele, eu tenho déficit de atenção com hiperatividade".

E aí, perguntam o que a prática ortomolecular tem para auxiliar (é comum mães sempre questionarem).

Bem, o Distúrbio (ou Transtorno como alguns autores denominam) de Déficit de atenção (DDA ou TDA) com ou sem Hiperatividade (TDAH) realmente tem se tornado comum em nosso meio. Não se sabe ainda se a incidência está aumentando ou se o que antes era considerado desvio de conduta (indisciplina, desobediência) passou a ser visto por um outro ângulo, ou seja, visto pela ótica neuropsiquiátrica.

Aliás, não só pacientes, mas muitos médicos (inclusive psiquiatras) atualmente estão diagnosticando Transtorno do Déficit de atenção com mais frequência. Quando fazia faculdade li os critérios e tive pontução suficiente para ser "portador" de tal patologia. Na época falei com o Dr. Edison Saraiva e e ele questionou o excesso de diagnósticos de TDAH.

Hoje com a visão da ortomolecular vejo que a questão é muito mais complexa do que se pensava. Se olharmos os critérios oferecidos pelo DMS-IV com certeza teremos uma legião de portadores de DDA (principalmente os com hiperatividade). Mas e daí? Será que são realmentes portadores de tal patologia ou estão portadores de sintomas que compõem tal patologia?

Quando escrevo SÃO é pq há um componente genético. É aquela criança que a mãe relata que desde o período intra-útero já era inquieta e mesmo após o nascimento continuou inquieta. Há estudos de gêmeos univitelinos mostrando que quando um é portador de DDA, em 80% dos casos o outro também é, ou seja, temos uma influência genética considerável. Há também correlação entre pais portadores de TDAH e filhos "herdando" tal característica.

Quando escrevo ESTÃO é porque ao olhar pela ótica ortomolecular e ecológica vejo que são inúmeros os fatores que podem levar uma criança ou adulto a apresentar comportamento que se enquadre nos critérios para diagnóstico de DDA com ou sem hiperatividade. A questão é mais complexa ainda pois são múltiplos fatores e que muitas vezes não podemos modificar. Dentre os fatores ambientais e nutricionais podemos citar:
  • Envenenamento ambiental extenso (quando escrevo envenenamento entendam como Poluição em todos os âmbitos: atmosférica (ar), solo (uso de pesticidas e herbicidas), água, sonora, eletromagnética) estamos sendo vítima da ação de algumas substâncias que durante milênios eram desconhecidas pelo nosso organismo e que de forma abrupta entraram no nosso cotidiano. Já postei inúmeras vezes artigos que mostram correlação de agrotóxicos com DDA em crianças. Inúmeros artigos que associação aditivos alimentares a DDA em crianças.
  • A hipótese de Feingold propõe que os aditivos alimentares como o BHT, BHA, corantes artificiais e aromatizantes, emulsificantes, nitratos e sulfitos, induzem a hiperatividade em crianças. Feingold listou 3.000 aditivos alimentares diferentes que deveriam ser investigados. Enquanto a conclusão final do comitê consultor nacional de hiperkinesis e aditivos alimentares era a de que não há uma ligação significante entre ambos, estudos em andamento sugerem que há um correlação definitiva e significante. Em estudos clínicos controlados, até 50% de crianças hiperativas melhoraram quando suas dietas foram alteradas, controlando a ingestão de aditivos, açúcar e eliminando possíveis alérgenos alimentares.
  • Questão nutricional: déficit de vitaminas (principalmente complexo B), ômega 3, excesso de carboidratos, deficiência de proteínas (baixa produção de dopamina). Com o processamento dos alimentos (muitas vitaminas por serem termolábeis se perdem) refino de alimentos (magnésio e outros minerais como o Zinco são retirados dos alimentos). Desequilíbrio da relação entre ômega 6 e ômega 3 promovendo um estado inflamatório sistêmico. Alérgenos alimentares: nunca se falou tanto é alergias alimentares e intolerâncias, entrando na velha questão: será que já existiam antes mas não eram diagnosticadas ou será que a prevalência está aumentando por alguns fatores? Fatores estes como: agrotóxicos, exposição precoce e persistente a proteínas de alimentos, transgênicos, irradiação de alimentos, alterações do sistema imunológico, disruptores endócrinos como o bisfenol-A.
  • Uso excessivo de celulares, poluição eletromagnética.
Baseado nessa complexidade de temas, estava montando alguns protocolo para tratamento dos vários tipos de Disturbio de Déficit de atenção (sim não é apenas um tipo, são 6 subtipos). Abaixo listo um pequeno resumo sobre eles além de algumas dicas que dou para os meus pacientes.

6 tipos de Distúrbio de Déficit de Atenção

1 – Distúrbio de Déficit de Atenção Clássico COM hiperatividade (80% dos homens e 50% das mulheres):
• É o tipo mais comum (por baixa de dopamina)
• Desvia facilmente a atenção do que está fazendo e comete erros por prestar pouca atenção a detalhes. Muitas vezes distrai-se com seus próprios devaneios ou então um simples estímulo externo tira a pessoa do que está fazendo.
• Dificuldade de concentração em palestras, aulas, leitura de livros... (dificilmente termina um livro, a não ser que o interesse muito).
• Às vezes parece não ouvir quando o chamam (muitas vezes é interpretado como egoísta, desinteressado...)
• Durante uma conversa pode distrair-se e prestar atenção em outras coisas, principalmente quando está em grupos. Às vezes capta apenas partes do assunto; outras, enquanto “ouve” já está pensando em outra coisa e interrompe a fala do outro.
• Relutância em iniciar tarefas que exijam longo esforço mental.
• Dificuldade em seguir instruções, em iniciar, completar e só então, mudar de tarefa (muitas vezes é visto como irresponsável).
• Dificuldade em organizar-se com objetos (mesa, gavetas, arquivos, papéis...) e com o planejamento do tempo (costuma achar que é 10 e que o dia tem 48h).
• Problemas de memória a curto prazo: perde ou esquece objetos, nomes, prazos, datas... Durante uma fala, pode ocorrer um “branco” e a pessoa esquecer o que ia dizer
• Inquietação – mexer as mãos e/ou pés quando sentado, musculatura tensa, com dificuldade em ficar parado num lugar por muito tempo. Costuma ser o “dono” do controle remoto.
• Faz várias coisas ao mesmo tempo, está sempre a mil por hora, em busca de novidades, de estímulos fortes. Detesta o tédio.
• Consegue ler, assistir televisão e ouvir música ao mesmo tempo. Muitas vezes é visto como imaturo, insaciável.
• Pode falar, comer, comprar,... compulsivamente e/ou sobrecarregar-se no trabalho. Muitos acabam estressados, ansiosos e impacientes: são os workaholics.
• Tendência ao vício: álcool, drogas, jogos, Internet e salas de bate papo...
• Interrompe a fala do(s) outro(s); sua impaciência faz com que responda perguntas antes mesmo de serem concluídas.
• Costuma ser prolixo ao falar, perde sua objetividade em mil detalhes, sem perceber como se comunica. No entanto, não tem a menor paciência em ouvir alguém como ele, sem dar-se conta que é igual.
• Baixo nível de tolerância: não sabe lidar com frustrações, com erros (nem os seus, nem dos outros). Muitas vezes sente raiva e se recolhe.
• Impaciência: não suporta esperar ou aguardar por algo: filas, telefonemas, atendimento em lojas, restaurantes..., quer tudo para “ontem”.
• Instabilidade de humor: ora está ótimo, ora está péssimo, sem que precise de motivo sério para isso. Os fatores podem ser externos ou internos, uma vez que costuma estar em eterno conflito.
• Dificuldade em expressar-se: muitas vezes as palavras e a fala não acompanham a velocidade da sua mente. Muitos quando estão em grupo, falam sem parar sem se dar conta que outras pessoas gostariam de emitir opiniões, fazer colocações e o que deveria ser um diálogo, transforma-se num monólogo que só interessa a quem está falando.
• Respondem bem: Ritalina, Chá-verde, Rhodiola, L-tirosina, Mucuna, Same, Dieta hiperprotéica, Omega 3 e Vitamina D.
• Pode se utilizar ainda: Fluoxetina, Sertralina

2 – Distúrbio de Déficit de Atenção Clássico SEM hiperatividade
• 50% das mulheres e menos comum em homens.
• É comum o Day-dreaming.
• Desvia facilmente a atenção do que está fazendo e comete erros por prestar pouca atenção a detalhes. Muitas vezes distrai-se com seus próprios devaneios ou então um simples estímulo externo tira a pessoa do que está fazendo.
• Dificuldade de concentração em palestras, aulas, leitura de livros... (dificilmente termina um livro, a não ser que o interesse muito).
• Às vezes parece não ouvir quando o chamam (muitas vezes é interpretado como egoísta, desinteressado...)
• Durante uma conversa pode distrair-se e prestar atenção em outras coisas, principalmente quando está em grupos. Às vezes capta apenas partes do assunto; outras, enquanto “ouve” já está pensando em outra coisa e interrompe a fala do outro.
• Relutância em iniciar tarefas que exijam longo esforço mental.
• Dificuldade em seguir instruções, em iniciar, completar e só então, mudar de tarefa (muitas vezes é visto como irresponsável).
• Dificuldade em organizar-se com objetos (mesa, gavetas, arquivos, papéis...) e com o planejamento do tempo (costuma achar que é 10 e que o dia tem 48h).
• Problemas de memória a curto prazo: perde ou esquece objetos, nomes, prazos, datas... Durante uma fala, pode ocorrer um “branco” e a pessoa esquecer o que ia dizer
• Respondem bem à ritalina e a tudo que aumente a dopamina, além dos estimulantes. Pode-se usar antidepressivos estimulantes como a Mirtazapina

3 – Distúrbio de Déficit de Atenção COM Hiperfoco
• DDA com Hiperfoco é provavelmente a terceira forma mais comum de ADD, o paciente muitas vezes se concentram excessivamente em uma coisa ou atividade particular, em detrimento da maioria das outras coisas (ou seja, tem visão hiperfocada) , o que causa problemas para eles e para aqueles que os rodeiam.
• Eles também se sentem angustiados ou facilmente irritáveis quando tem q deixar de fazer aquilo que estão fazendo para fazer outra coisa.
• Sugestão do Dr. Daniel Amen: NÃO utilizar ritalina e nem o que estimula Dopamina pois podem aumentar o hiperfoco e piorar o quadro.
• Responde bem aos estimulantes do tipo "antidepressivos", tais como a fluoxetina ou venlafaxina XR.
• Utilizar: L-taurina, 5HTP, Magnésio, B6, Ômega 3, Vitamina D. Meditação transcendental.

4 – Distúrbio de Déficit de Atenção do Lobo temporal
• Também denominado de Déficit de atenção exacerbado
• Tem características especiais como irritabilidade e raiva exacerbados e às vezes raiva associada a violência.
• Pioram com uso de psicoestimulantes como Ritalina e Antidepressivos estimulantes, só podendo ser utilizados se antes iniciarmos terapia com anticonvulsivantes (carbamazepina, valproato de sódio) ou estabilizadores do humor (carbonato de lítio).
• Além da lentidão comum no lobo frontal, este tipo de déficit de atenção é associado à disfunção de um ou ambos lobos temporais, sendo este o fator causal da irritabilidade.
• Comum a sensação de Deja vu (mas nunca foi ao lugar ou vivenciou aquilo)
• Memória comumente deficiente.
• Dar estabilizador do humor ou anticonvulsivante para tratar o distúrbio do lobo temporal e posteriormente as alternativas para o tratamento do déficit de atenção clássico com hiperatividade.

5 – Distúrbio de Déficit de Atenção do Sistema límbico ou Pequeno Déficit de Atenção ou Transtorno Depressivo
• Neste caso há um leve déficit de atenção, porém as principais características são: mau-humor, pessimismo, pensamentos negativos recorrentes, astenia, baixa auto-estima.
• Neste caso os antidepressivos “estimulantes” funcionam bem, mas tem que se elevar: serotonina, dopamina e noradrenalina.
• Dar preferencialmente 5HTP, L-taurina, ômega 3, B6, Magnésio, Zinco, Kava-Kava e Erva de São-João. Posteiormente iniciar terapia para elevar Dopamina: chá verde, mucuna, L-tirosina.
6 – Distúrbio de Déficit de Atenção do tipo Anel de fogo
• Neste subtipo existe uma sensibilidade extrema, irritabilidade intensa, distração exacerbada e agressividade associada a raiva. É um estágio mais grave que a do Lobo tempora. A violência ocorre devido a hiperatividade em diversas áreas cerebrais. São pacientes que se debatem contra a parece, muito angustiados.
• Necessidade de imediato: Anticonvulsivantes e estabilizadores do humor (carbamazepina, lamotrigina ou valproato de sódio) e / ou ansiolíticos e/ou antipsicóticos a fim de reduzir a hiperatividade cerebral.
• Em hipótese alguma iniciar com psicoestimulantes como ritalina.
• O nome Anel de fogo foi dado pelo Dr. Daniel Amen ao verificar que portadores deste distúrbio apresentavam na Tomografias por emissão de pósitrons (SPECT) círculos demonstrando hiperexcitação em áreas cerebrais.

Orientações para todos os tipos de Déficit de atenção.

• Eliminar aditivos alimentares e alérgenos alimentares da dieta

São aditivos alimentares: Corantes, Edulcorantes, Conservantes, Antioxidantes, Estabilizadores, Emulsionantes, Espessantes e Gelificantes. Estes nomes são encontrados nos rótulos dos produtos industrializados que seguem as normas vigentes). Os principais ligados ao DDA são:

1. BHA e BHT,

2. Corantes ligados ao DDA e Hiperatividade:

• Tartrazina (E102 ou C.I. 19140);

• Verde Rápido - E142;

• Amarelo Crepúsculo (E110, Amarelo 6 ou C.I. 15985);

• Azul Patente V (E131);

• Azorrubina (E122);

• Ponceau 4R (C.I. 16255) ou Vermelho Cochineal A, C.I. Vermelho Ácido 18,

• Escarlate Brilhante 4R (E124);

• Vermelho 40 - Conhecido também como Vermelho Allura, Vermelho Alimentício 17, C.I. 16035 ou E129.

• Eritrosina - E127, conhecida também pelo nome de Vermelho número 3;

• Azul Brilhante - Também conhecido pelo nome de Azul número 1, Azul Ácido 9 ou (E133);

• Eliminar por complexo da dieta alimentos que possuem na composição: Glutamato monossódico.

3. Se for utilizar alimentos com corantes, dar preferência a corantes naturais:
  • Corante de Urucum, Carmin de Cochonilha, Corante de Cúrcuma, Corante de Clorofila, Corante de Páprica, Corante de Beterraba, Corantes de Antocianina, Corante caramelo (E150), Colorau, Chlorella, Carmim e Dióxido de titânio.
• Alérgenos alimentares ligados a hiperatividade: Podemos observar alergia ou intolerância: leite de vaca, chocolate, aromatizante de uvas, aromatizante de laranja, cana de açúcar, tomates, produtos de trigo, ovos, derivados do leite, nozes e outras oleaginosas, peixe, soja. É amplamente aceito que os alérgenos alimentares podem causar mudanças de humor , depressão e até alucinações.

• Elimine sal, refrigerante (altos níveis de fosfato), catchup, mostarda, molho de soja, vinagre de maçã, queijos coloridos, carnes processadas e/ou defumadas, embutidos, trigo, manteiga com corante, margarina, sorvetes, doces e perfumes.

• Não use alimentos com salicilatos: estes incluem amêndoas, maçãs, damascos, cerejas, uvas passas, amoras, pêssegos, ameixas, ameixas secas, tomates, pepinos e laranjas.

• Faça um quadro de anotações de sintomas todas as semanas com os alimentos consumidos e qualquer reação emocional que possa estar relacionada com aqueles alimentos.

• Os fosfatos tipicamente encontrados nos refrigerantes foram relacionados com a hiperatividade muscular.

• Eliminar o açúcar branco da dieta: Muitos estudos sugerem que crianças hiperativas apresentam comprometimento da tolerância à glicose . A tendência à hiploglicemia em crianças hiperativas também apoia os efeitos negativos que o açúcar pode provocar. Alguns estudos de universidades revelam que um café da manhã rico em açúcar e em carboídratos pode acentuar o comportamento hiperativo. Quando se ingeria proteína no café da manhã, a hiperatividade era muito menor, talvez pela elevação da dopamina.

# Alguns metais tóxicos como (alumínio e chumbo) podem ocasionar sintomas de Déficit de atenção e portanto há indicação de se solicitar o mineralograma capilar.

Suplementos nutricionais que podem ser utilizados no Déficit de atenção 

A prática ortomolecular e medicina tradicional chinesa possuem inúmeras estratégias  a fim de se reduzir o déficit de atenção e hiperatividade ( a maioria dos casos incluem as duas características). O tratamento é multidisciplinar (médico, nutricionista funcional, psicólogo).

Dentre os nutrientes primários que podem estar em falta nos portadores de DDA temos:
Vitaminas do complexo B, Vitamina C, Diversos minerais (Cálcio, Magnésio, Zinco) e etç. Apenas o médico ou nutricionista estão indicados a repor estes minerais e vitaminas. Existe um sinergismo e antagonismo entre deles, portanto não é recomendável a auto-medicação, pois pode agravar o problema ou gerar complicações. Como por exemplo reposição de Zinco sem outros minerais para contrabalancear.

Suplementos minerais: Crianças com ADD podem apresentar uma série de deficiências minerais. O importante é descobrir qual ou quais nutrientes estão faltando especificamente para o paciente em questão, uma alternativa além do inquérito nutricional e exames laboratoriais é o mineralograma capilar.

Minerais:

  • Cálcio/Magnésio: Ajuda a acalmar o sistema nervoso e é vital para a função cerebral normal. Em um estudo feito com 175 crianças para verificar déficit cognitvo e alterações mentais evidenciou que a grande maioria apresentava deficiência de Magnésio. O ideal é obter tais minerais na dieta diária e quando não possível: suplementar.
  • Zinco/Cobre/Ferro:  Uma estudo do estado nutricional global das crianças com DDAH apontou que  população de pacientes estudados estava sob risco de deficiência de micronutrientes, tais como o zinco e o cobre – minerais que desempenham um papel crucial na síntese de dopamina, noradrenalina e melatonina, substância que regula o sono. Um estudo realizado por pesquisadores da University of British Columbia e do Children's and Women's Health Centre de Vancouver, no Canadá foi apresentado durante o 56º encontro anual da American Academy of Child & Adolescent Psychiatry. Nele foram avaliadas 44 crianças com diagnóstico de DDAH, cujas idades variavam entre 6 e 12 anos; as taxas de deficiência de zinco e cobre foi de 45% e de 35%, respectivamente. A pesquisadora principal, Dra. Margaret Weiss disse ao Medscape Psychiatry que “existem vários estudos com crianças que apresentam TDAH que avaliaram a ingesta de açúcar e etc., mas nenhum realmente avaliou a ingesta alimentar e os seus nutrientes entre estas crianças”. Em conjunto com o autor principal, Dr. Joy Kiddie, o estudo incluiu 44 crianças hiperativas, com idades entre 6 e 12 anos e que haviam recebido ou não o tratamento farmacológico. Destas, 17 nunca haviam feito uso de nenhuma medicação, 18 estavam em uso de estimulantes e 9 estavam utilizando a atomoxetina. A ingestão diária de alimentos foi avaliada através de anotações de três dias e da lembrança do que foi ingerido nas ultimas 24 horas. As anotações incluíam avaliações a respeito da ingestão de macro e micronutrientes com base nas recomendações de ingestão diária de cada um deles. A lembrança do que oi ingerido nas ultimas 24 horas foi utilizada para avaliar o percentual de nutrientes de baixa densidade ingeridos pela criança, ou o que é comumente chamado de “besteiras”. O estudo revelou que os níveis séricos de zinco estavam inferiores aos padrões normais em 77% das crianças com idade entre 6 e 9 anos, e em 67% das crianças com idades entre 10 e 12 anos. Além disso, 25% das crianças apresentavam níveis séricos de zinco inferiores ao cutoff determinante da deficiência deste mineral. 23% das crianças apresentavam níveis séricos de cobre inferiores aos padrões normais. Os pesquisadores descobriram que a amostra de pacientes estudada consumia as mesmas quantidades de proteína, carboidratos e de gordura que as recomendadas diárias e que as demais crianças. Além disso, as crianças com TDAH não consumiam mais alimentos de baixa densidade nutricional que as demais. Contudo, 40% dos pacientes ingeriam menos carne (e substitutos) que as quantidades recomendadas e apresentavam níveis inferiores de micronutrientes relacionados, que são cofatores essenciais para a produção de dopamina, noradrenalina e melatonina pelo organismo. As aferições sanguíneas dos micronutrientes replicaram os achados prévios de deficiência de zinco e revelaram, pela primeira vez, a deficiência de cobre. Além disso, os níveis plasmáticos de ferritina estavam inferiores a 50 mg/ml na maioria destas crianças, valor mínimo necessário para a sua entrada no sistema nervoso central. A Dra. Weiss comentou que “existe uma crença de que a criança com TDAH come mais besteiras do que as demais, o que não se confirmou nesta pesquisa. Contudo, nossos achados sugerem que as crianças com TDAH são nutricionalmente diferentes das demais, uma vez que elas comem menos carne, peixe e frango, e possuem níveis menores dos micronutrientes relacionados, que são essenciais para que o organismo produza dopamina, noradrenalina e melatonina”.
  • Zinco/cobre: Controvérsias à parte, um outro estudo, também apresentado durante o 56º Encontro Anual da American Academy of Child & Adolescent Psychiatry, o Dr. Eugene Arnold e seus colaboradores da Ohio State University, em Columbus, relataram que a suplementação de 15 ou 30 mg de zinco elementar, em comparação com placebo, não causou nenhuma diferença nos sintomas das crianças que apresentavam TDAH, após 13 semanas de tratamento. Segundo a Dra. Weiss, este estudo levanta uma serie de questionamentos, uma vez que trabalhos anteriores haviam sugerido que a suplementação de zinco interferia nos sintomas deste transtorno. “Não é apenas uma questão sobre o que a criança come, mas também se elas são capazes de absorver e metabolizar o zinco, ou então se elas estão excretando este mineral em demasia. Em outras palavras: existira algum fenômeno de esgotamento do zinco?” comentou a pesquisadora. Ela disse ainda que, com base neste estudo, ainda é muito cedo para fazer qualquer recomendação clínica além de que as crianças com TDAH devam ter uma dieta adequada, que inclua quantidades apropriadas de peixe, carne e frango. Contudo, reconheceu, este pode ser um grande desafio, sobretudo entre as crianças que fazem uso de estimulantes por causa da redução do apetite induzida pelo medicamento. Ela acrescentou ainda ser importante que os clínicos com experiência na avaliação nutricional possam fornecer aos pais informações a respeito de uma boa nutrição. E disse: “tradicionalmente, a ênfase na abordagem terapêutica das crianças com DDAH se baseia no tratamento do espectro dos sintomas deste transtorno, mas também é importante abordar as questões básicas de saúde, tais como o sono, a nutrição e o crescimento. Uma boa saúde faz toda a diferença”. A Dra. Weiss relatou que fornece consultoria e/ou recebeu apoio financeiro para pesquisas da Eli Lilly and Company, Janssen, Purdue University, Shire Pharmaceuticals Inc e da Takeda Pharmaceuticals North America, Inc. American Academy of Child & Adolescent Psychiatry 56th Annual Meeting: Abstract 17.3. Presented October 31, 2009.
  • GABA: Alguns estudos mostram que o uso de GABA (ácido gama amino butírico) tanto pode reduzir a hiperatividade, como beneficiar crianças com distúrbios de aprendizagem. A questão é saber se o Gaba ingerido via-oral conseguirá atravessar a barreira hematoencefálica para chegar ao cérebro. Na dúvida, na ortomolecular utilizamos a L-taurina.
  • Vitamina B6: Uma vitamina extremamente importante para a função mental normal. Indivíduos com dificuldades de aprendizado, esquizofrenia e outros distúrbios mentais frequentemente apresentam deficiência de vitamina B6. Um estudo confirma alguma melhora em indivíduos esquizofrênicos que não respondiam à terapia com drogas psicotrópicas.Ácidos graxos omega-3: Alguns levantamentos mostram que para algumas crianças com DDAH a suplementação com ácidos graxos insaturados (principalmente ômega 3, ácido linolênico) parece proporcionar alguma melhora. Os mecanismos exatos envolvidos ainda permanecem desconhecidos. O importante é manter uma relação ômega-6/ômega-3 de 2 para 1 (2:1). Atualmente a alimentação moderna proporciona elevadas quantidades de ácido linolêico (ômega 6), que é pró- inflamatorio e diminuí a concentração . O suplemento de óleos de peixes marinhos (salmão, sarinha, atum) ou mesmo do óleo de linhaça que são fontes naturais de ômega 3, melhoram a memória e aconcentração em alguns estudos . Artigos: 1) Huss M, Völp A, Stauss-Grabo M. Supplementation of polyunsaturated fatty acids, magnesium and zinc in children seeking medical advice for attention-deficit/hyperactivity problems - an observational cohort study. Lipids Health Dis (2010) Sep 24;9:105. 2) Schuchardt JP, Huss M, Stauss-Grabo M, Hahn A. Significance of long-chain polyunsaturated fatty acids (PUFAs) for the development and behaviour of children. Eur J Pediatr. 2010 Feb;169(2):149-64.
Nutrientes Secundários

  • Centella asiatica: Pode melhorar a habilidade mental de crianças inaptas, dada sua propriedade anti-ansiedade. Após a terapia com a centella asiatica, 30 crianças, que eram consideradas inaptas, foram capazes de focarem suas tarefas e concentravam-se mais. Dose sugerida: Ingerir como recomendado, usando produtos de potência garantida e padrão.
  • Panax quinquefolium (Ginseng americano): Um estudo com o Ginseng americano evidenciou melhora nos pacientes com DDA. Foi usado o ginseng americano, porém é possível que o mesmo possa ser substituído pelo ginseng coreano. Lyon MR, Cline JC, Zepetnek JT, Shan JJ, Pang P, Benishin C. Effect of the herbal extract combination Panax quinquefolium and Ginkgo biloba on attention-deficit hyperactivity disorder: a pilot study. J Psychiatry Neurosci 2001;26(3):221-8.
  • Pycnogenol: Um estudo realizado com o Pycnogenol em  crianças portadoras de TDAH evidenciou melhora significativa da hiperatividade, atenção e coordenação visual motora, bem como a concentração em crianças. Trebaticka J, Kopasova S, Hradecna Z, Cinovsky K, SKodacek I, Suba J, Muchova J, Zitnanova I, Waczulikova I, Rohdewald P, Kdurackova Z. Treatment of ADHD with French maritime pine bark extract, Pycnogenol. Eur Child Adolesc Psychiatry (2006).
  • Vitamina C com bioflavonóides: Considerado um bom antioxidante, esta vitamina também ajuda a contra-atacar os efeitos do estresse.
  • L-Tirosina, Mucuna pruriens e Rhodiolla Rosea: Ajudam a aumentar os níveis de dopamina, promovendo uma melhora na "vigilância" mental.
  • S-AME (S-adenosilmetiona)
  • Vitamina D3
Outras Terapias de Apoio

  • Terapia com artes: Saídas criativas como pintura com o dedo ou escultura podem ser uma grande ajuda para canalizar a energia e a encorajar satisfação pessoal.
  • Meditação Transcedental: É ensinada por profissionais que foram treinados na Índia. Experiência própria, é a única técnica que conseguiu diminuir minha hiperatividade. Resultados incríveis em mim e em pacientes, principalmente hipertensos e pacientes com transtorno de ansiedade generalizada.
  • Musicoterapia: Um estudo controlado descobriu que ouvir Mozart ajudava crianças com DDA. Rosalie Rebollo Pratt e colegas estudaram 19 crianças com DDA, entre os sete e dezessete anos. Eles tocavam discos de Mozart para as crianças, três vezes por semana, durante sessões de biofeedback de ondas cerebrais. Eles colocavam o 100 Masterpieces, volume 3, que incluía o Concerto para Piano n. º 21 em dó, O Casamento de Fígaro, o Concerto para Flauta n. º 2 em lá, Don Giovannie outros concertos e sonatas. O grupo que ouvia Mozart reduzia sua atividade de ondas cerebrais teta (ondas lentas que são freqüentemente excessivas no DDA) ao ritmo exato do compasso subjacente da música; e exibia melhora de concentração e controle de humor, diminuindo a impulsividade e aumentando a habilidade social. Entre os sujeitos que melhoraram, 70 por cento mantiveram essa melhora seis meses depois do fim do estudo e sem treinamento posterior. (Estas descobertas foram publicadas no International Journal of Arts Medicine, 1995).
  • Biofeedback: O Biofeedback que também é decrito como "método de treinamento psicofisiológico por meio de equipamentos eletrônicos" é uma ferramenta utilizada na pesquisa, treinamento e tratamento clínico de profissionais de instituições de referência mundial. Aspectos como o estresse, padrões de ondas cerebrais, respiração, batimentos cardíacos, tensão muscular, fluxo sanguíneo, temperatura, dentre outros são captados e filtrados. As amostras são convertidas e transmitidas ao paciente em tempo real por meio de equipamentos que treinam estes padrões.

Ômega 3 e Ômega 9 auxiliam no tratamento da Obesidade


Pesquisadores revelam propriedades terapêuticas de gorduras insaturadas:  Dieta rica em ômegas-3 e 9 interrompe e reverte processo inflamatório que causa a perda do controle da fome

Pesquisa realizada no Laboratório de Sinalização Celular (Labsincel) da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp revela como a ação dos ácidos graxos insaturados ômega-3 e ômega-9, presentes respectivamente na semente de linhaça e no azeite de oliva, é capaz não apenas de interromper como também reverter o processo inflamatório causado por dietas ricas em gorduras saturadas numa região do cérebro chamada hipotálamo, responsável pelo controle da fome e do gasto energético, que ocasiona a perda deste controle neural e abre espaço para o desenvolvimento da obesidade.

O estudo revelou ainda, em descrição inédita na literatura, que o ômega-9, ao contrário do que se sabia até o momento, é mais potente em reverter essas condições do que o ômega-3, reconhecido como um clássico anti-inflamatório. A pesquisa, que acaba de ganhar o primeiro lugar no Prêmio Henri Nestlé, certame nacional de grande impacto na área da nutrição, foi realizada por Dennys Esper Cintra, da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) da Unicamp em Limeira, e por Lício Velloso, da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, coordenador do Labsincel.

Estudos recentes mostram que dietas ricas em gorduras saturadas – como as presentes nas carnes bovina e suína, e em seus derivados como leite, queijos e manteiga – lesionam o hipotálamo ao darem início a um tipo de inflamação local que acaba influenciando em seu funcionamento. Esse processo inflamatório, quando prolongado, pode causar a morte de neurônios e, consequentemente, a perda deste controle neural. Uma vez inflamado, o hipotálamo perde parte de suas funções, ao ter reduzida a sua capacidade de “percepção” entre o momento de sinalizar para o organismo a estocagem ou a queima de energia.

Pesquisas anteriores do grupo haviam revelado que tal inflamação é desencadeada por um receptor do sistema imune denominado Toll-Like Receptor 4 (TLR4). Este receptor é capaz de reconhecer uma substância presente na parede celular de bactérias, e, quando ativado, produz citocinas que causam inflamação. Demonstrou-se que essa substância presente na parede de bactérias também está presente nos alimentos ricos em gorduras saturadas. Quando consumidas em larga escala, como é o caso das dietas ocidentais, essas grandes quantidades de gordura são capazes de sensibilizar esses receptores, simulando uma infecção.

“Isso ocorre por todo o organismo, mas quando essas gorduras encontram esses receptores no hipotálamo, o estrago pode ser maior, pois é ali que se encontra a caixa-preta do nosso balanço energético” diz o pesquisador. Logo, algumas pessoas, quando expostas a dietas hipercalóricas, perdem gradativamente o controle da fome e passam a consumir mais calorias do que gastam, tornando-se obesas com o decorrer do tempo.
Os ensaios nutrigenômicos realizados por Cintra em modelos experimentais comparou a ação dos ácidos graxos insaturados ômega-3 e ômega-9 no hipotálamo de camundongos obesos e diabéticos e demonstrou que essas substâncias são capazes não apenas de atenuar a inflamação e restabelecer o processo de sinalização celular que controla o apetite como também de interromper os sinais de morte celular que vinham se instaurando.

Durante o tratamento com os ômegas, a sinalização da insulina e leptina (hormônios que indicam ao cérebro que há a presença de nutrientes e que está na hora de parar de comer) perdida em animais obesos e diabéticos foi restabelecida. Houve restauração de todo o perfil metabólico dos animais, culminando em perda de peso.

A pesquisa mostrou, no entanto, que para que os resultados sejam efetivamente alcançados é preciso uma ingestão contínua desses nutrientes, somada à descontinuidade da ingestão elevada de alimentos ricos em gordura saturada, ou seja, é preciso que haja uma reeducação alimentar, pois, uma vez interrompido o tratamento, os neurônios voltam a sofrer o processo de apoptose (morte celular).

No estudo, inicialmente, induziu-se a obesidade e diabetes nos animais, por meio da ingestão de uma dieta altamente calórica, rica em gorduras saturadas, bastante semelhante à consumida atualmente por populações ocidentais. Numa segunda etapa, quando do início do tratamento, os animais foram distribuídos em grupos que receberam dietas acrescidas de ômega-3 ou ômega-9, em concentrações crescentes. É sabido que a simples redução no consumo de gorduras saturadas já é o suficiente para a melhora no perfil metabólico em diversas espécies, inclusive em humanos.

Contudo, quando tais ácidos são ainda agregados à alimentação, os processos negativos gerados no hipotálamo pelo consumo crônico da gordura saturada melhoraram de forma exuberante. Houve recuperação do comportamento alimentar adequado, devido principalmente ao aumento na expressão de proteínas anti-inflamatórias e anti-apoptóticas, além da redução significativa na expressão de marcadores pró-inflamatórios e pró-apoptóticos no hipotálamo dos camundongos.

Para confirmar a ação específica dos ácidos graxos ômega-3 e 9, os pesquisadores infundiram as substâncias diretamente no hipotálamo de animais obesos, e observaram redução imediata no consumo de alimentos. Após uma semana de infusão direta no hipotálamo, os animais já tinham perdido mais de 10% do seu peso corporal.

Gasto energético

Somado a estes fatores, ambos os experimentos demonstraram que a perda de peso não se deveu apenas à recuperação do controle nervoso da fome, mas também porque tais substâncias aumentaram o gasto energético dos animais. Quando infundido diretamente no hipotálamo, ou mesmo quando consumidos por via oral, ambos, ômega 3 e 9, aumentam no tecido adiposo marrom a expressão de uma proteína chamada UCP-1, que é responsável pelo aumento do gasto energético. Com isso, a atividade das proteínas da via da insulina e da leptina foi restaurada. Os animais se tornaram muito mais tolerantes à glicose e também mais sensíveis às ações da insulina, antes prejudicada pela obesidade.

Outro fato surpreendente foi demonstrado nesse estudo. “Como dito anteriormente, os ômegas foram suplementados nas dietas em várias concentrações. A resposta mais interessante se demonstrou nos grupos que receberam as menores concentrações na dieta, tanto de ômega-3 quanto de ômega-9. Embora os animais diabéticos não tenham deixado de ser diabéticos, a glicemia foi reduzida de forma expressiva e se tornou controlável através apenas da alimentação nesses grupos”, revelou Cintra.

O impacto da substituição dos ácidos graxos na variação do peso corporal foi dependente da composição, mas não do tipo de ácido graxo. “Observamos que quando os animais consumiam esses ácidos graxos, ou quando aplicávamos diretamente no hipotálamo, a inflamação era finalizada. Os sinais de insulina e leptina enviados pela periferia chegavam até o hipotálamo e cumpriam a obrigação deles informando ao organismo que já havia nutrientes em quantidade suficientes, e que a fome deveria desaparecer”, explicou Cintra.

As concentrações testadas nas dietas correspondentes aos melhores resultados são quantidades passíveis de consumo no dia a dia, por meio de um acréscimo natural desses alimentos em nossas refeições diárias, sem a necessidade de suplementos alimentares. Alimentos como semente de linhaça marrom, óleo de soja, sardinha e canola apresentam custos razoáveis e também excelentes fontes de ômega-3. Da mesma forma, o azeite de oliva, óleo de soja, abacate e amendoim são fontes saudáveis de ômega-9.

Perspectivas

Além de mostrar que os ácidos graxos ômega-3 e ômega-9 são capazes de interromper os sinais de morte celular, inibir a inflamação e restabelecer a sinalização celular das vias da leptina e da insulina, o trabalho trouxe evidências de que esses ácidos podem desencadear também um estímulo à gênese de novos neurônios, num processo chamado de neurogênese.

A próxima empreitada será investigar a possibilidade dessa síntese de novos neurônios, e verificar se tais ácidos graxos possuem a capacidade de exercer plasticidade sobre os neurônios afetados de indivíduos obesos, revertendo assim o processo de morte instaurado pelos ácidos graxos saturados. “Precisamos descobrir se essa plasticidade ocorre no local onde os neurônios foram mortos pelo excesso de gordura saturada. Ainda não sabemos até que ponto, e nem porque razão, mas o ômega-3 é capaz de estimular a multiplicação de neurônios. O estudo indicou que o ômega-3 pode ter sido o responsável pela regeneração daqueles neurônios que já haviam morrido naquela região do hipotálamo. O próximo passo será descobrir se o ômega-3 é mesmo capaz de restabelecer os neurônios controladores da fome, e assim devolver ao indivíduo a capacidade perdida de controlar sua fome após ele ter se tornado obeso”, concluiu Cintra.

Isto torna o assunto em questão ainda mais delicado: como a morte dos neurônios pode ser irreversível – os estudos na área ainda são muito incipientes – a possibilidade de o vício ou a compulsão por comidas gordurosas e altamente calóricas acontecer pode ser ainda mais grave. De acordo com Cintra, é preciso que cada vez mais políticas públicas de prevenção à obesidade sejam implantadas, e que haja todo um esforço de reeducação alimentar entre a população, desde a infância. “Uma vez que a pessoa se torna obesa, fica difícil reverter o processo de obesidade, ou, ao menos, de devolvê-la o controle da fome. Mesmo com o enorme avanço da ciência, esta ainda se encontra de mãos atadas em relação à obesidade. Ainda não temos nenhuma saída satisfatória para a doença, por isso é tão importante a prevenção. O indivíduo não pode se tornar obeso, porque a partir desse momento ele pode estar entrando em um caminho sem volta”, afirma Cintra.

Por esta razão, a melhor saída continua sendo, de acordo com cientistas e especialistas, investir em programas de conscientização, reeducação alimentar, e de estímulos às práticas de atividades físicas, para assim, tentar evitar que a obesidade atinja um patamar irreversível.

Fonte: Jornal da Unicamp

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Praguicidas (agrotóxicos) – mais fatos a respeito



Os praguicidas (que também aparecem designados, inadequadamente, por agrotóxicos, agroquímicos, defensivos agrícolas, pesticidas, etc, representam um grande agrupamento de substâncias químicas que têm em comum a propriedade de produzirem a morte de agentes causadores do que é considerado praga no campo agropecuário.

Esses agentes variam enormemente no que se refere:
1) à estrutura química,
2) mecanismos de ação,
3) toxicidade.

Por isso, têm merecido por parte da Toxicologia um estudo minucioso e permanente. Sua toxicidade pode se manifestar, nos mamíferos, em:
1)curto,
2)médio,
3)longo prazo após;
4) e/ou durante a exposição.

Devemos sempre nos recordar de que os praguicidas são desenvolvidos intencionalmente para que sejam tóxicos, é isso que se busca!

Sua toxicidade pode ser classificada, por exemplo, a aguda (ou de curto prazo), que será baixa, moderada, grave ou letal, em decorrência das manifestações de sinais e sintomas. Por isso é tão importante que as autoridades de saúde e de meio ambiente do país controlem eficiente e eficazmente esses produtos, por meio de testes de avaliação de toxicidade, de registros e restrições quanto ao uso, de vigilância de uso e descarte de embalagens e resíduos.

O uso dessas substâncias permanece uma polêmica acesa:
1) de um lado argumentos relativos à produção de alimentos, fome no mundo, geração de trabalho e renda, tudo isso bradado pelos representantes de indústrias de síntese e/ou formuladoras e os grandes produtores rurais;

2) do outro lado os argumentos referentes à contaminação ambiental e humana, a biomagnificação nas cadeias alimentares, à causação de doenças, isso acenado por cientistas e ambientalistas.

Por isso, não é de se espatar que o assunto esteja sempre tão presente na mídia, ainda que nem sempre tratado de forma correta e com informações apropriadas para a compreensão do grande público. E como a questão da poluição ambiental por esses produtos é ubíqua, a presença midiática também o é. Assim, vejam-se algumas recentes notícias.


Relatório oficial confirma relação entre agrotóxicos e aumento de doenças na Argentina

Em junho último, o jornal argentino Página 12 publicou uma reportagem sobre a divulgação de um informe, elaborado por uma comissão criada pelo governo estadual do Chaco (no norte do país), analisando estatísticas de saúde em zonas de uso intensivo de agrotóxicos. Em uma década, triplicaram os casos de câncer em crianças e quadruplicaram os nascimentos de bebês com malformações.

Os dados contundentes confirmam as denúncias que vêm sendo realizadas há alguns anos pelos moradores das regiões de produção intensiva de soja e arroz. Este aumento assustador da ocorrência de doenças relacionadas aos agrotóxicos deu-se em apenas uma década, período em que aumentou consideravelmente o uso de agroquímicos na região.

O estudo, intitulado simplesmente “Primeiro Informe”, foi entregue ao Governo Estadual e ao escritório local do Ministério da Saúde. Os casos de câncer estão focalizados na localidade La Leoneza, epicentro das denúncias por uso de herbicidas e inseticidas. As malformações correspondem a dados de todo o estado, onde, sempre segundo dados oficiais, ocorrem 17 casos por mês.

La Leonesa é uma localidade de dez mil habitantes a 60 km da capital do estado, Resistencia. Há dez anos são denunciados os efeitos sanitários dos agrotóxicos usados nas plantações de arroz. Destacam-se o glifosato, o endossulfam, o metamidofós, o picloran e o clopirifos, entre outros químicos usados também nas lavouras de soja.

Devido à mobilização constante e à reivindicação por estudos, o governo do Chaco criou, por decreto, em dezembro de 2009, a Comissão Estadual de Pesquisa sobre Contaminantes da Água, incluindo a participação do Ministério da Saúde Pública, da Administração Estadual da Água, do Ministério da Saúde da Nação, da Universidade Nacional do Nordeste e do Ministério de Produção. O “Primeiro Informe” foi concluído cinco meses após a criação da Comissão.

Segundo o estudo, “A respeito de patologias oncológicas infantis, leucemias, tumores cerebrais e linfomas, observa-se um maior número de casos anuais a partir de 2002. Em La Leonesa, no período 2000-2009 se comprova um aumento notável, que triplica a ocorrência de câncer em crianças menores de dez anos”.

Na década de 1990-1999 foi registrada uma média de 0,2 casos por ano (1 a cada 60 meses). No período 2000-2009 foram contabilizados 0,6 casos por ano (1 caso a cada 20 meses).

A média mundial de câncer em menores de 15 anos é de 12-14 casos a cada 100 mil crianças. Os dados oficiais de Chaco mostram que em La Leonesa o registro salta para 20,2.

O informe observa a multicausalidade do câncer, mas chama a atenção: “Este aumento da casuística coincide com a expansão da fronteira agrícola (...), tornando vulnerável a saúde da população pelo fato de as práticas e técnicas de cultivo incluírem pulverizações aéreas com herbicidas como o glifosato e outros agrotóxicos”.

Todos os números são do Serviço de Estatísticas do Hospital Pediátrico local, mas o informe destaca que haveria cerca de 25% de outros casos atendidos diretamente no Hospital Garrahan, de Buenos Aires, sugerindo que o número total de casos seria ainda maior.

Laura Mazitelli é moradora de La Leonesa e tinha o costume de levar seu bebê para acenar aos aviões agrícolas que passavam perto de sua casa. Aos dois anos o bebê Iván foi diagnosticado com leucemia. Foi levado ao Hospital Garrahan e submetido a oito meses de quimioterapia, mais dois anos de tratamento intensivo. Laura tornou-se uma militante contra o uso de agroquímicos na região. Com o aumento do número de casos, seus vizinhos começaram a se organizar.

“Tatiana de 5 anos. Milagros de 8. María de 7. Francisco de 12. Victoria de 6. São todos vizinhos com câncer. E o pior é que a lista segue. Precisavam tantos casos para reconhecerem que estão nos envenenando?”, pergunta Laura.

Mas os casos de malformações congênitas em recém nascidos cresceram ainda mais. Em uma década se quadruplicaram em todo o Estado do Chaco. No período de um ano, entre 1997 e 1998, houve no Chaco 24.030 nascimentos, dos quais 46 com malformações. Uma década depois, nos doze meses entre 2008 e 2009 foram registrados menos nascimentos: 21.808, mas multiplicaram-se as malformações:186 casos. O informe oficial destaca que se passou de um índice de 19,1 para 85,3 casos a cada 10 mil nascidos.

Estes dados correspondem à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de Neonatologia do Hospital Perrando, de Resistencia. De 1997 a 1998 houve uma média de 4,9 casos por mês. De 2001 a 2002 cresceu para 7,5 casos. E entre 2008 e 2009 aumentou para 16,8 casos mensais.

A pesquisa ressalta ainda que só estão incluídos dados do serviço de saúde pública. “Tanto em dados estatísticos de enfermidades oncológicas infantis como em malformações em recém nascidos não estão incluídos os registros de instituições de saúde privadas, nos quais as estatísticas são similares, aspecto que as aumentaria consideravelmente”.

Uma integrante da comissão que elaborou o estudo, que pediu manter o anonimato devido às “enormes pressões” de que estão sendo alvo, afirmou que “todos os profissionais que assinam o estudo têm muita experiência sobre o tema estudado, mas as empresas arrozeiras e sojeiras pressionam muito o governo. Não sabemos como isso terminará, há muitos interesses em jogo”.

Dois integrantes da Comissão confirmaram que estão elaborando um segundo informe, analisando estatísticas oficiais sobre o aumento geométrico, em zonas de uso intensivo de agrotóxicos, de casos de gravidez que não chegam a termo devido a abortos espontâneos, aumento de problemas reprodutivos em adultos e crescimento exponencial de câncer de mama. Não há data definida para a sua conclusão, mas os pesquisadores alertaram sobre a possibilidade de “intromissões no trabalho da Comissão”.

O “Primeiro Informe” da Comissão pesquisadora solicita que sejam tomadas “medidas preventivas” em La Lenoesa até que se realize um estudo de impacto ambiental e pedem que se ampliem as análises para as outras seis localidades que estariam sujeitas às mesmas condições (Gancedo, Napenay, Santa Sylvina, Tres Isletas, Avia Terai e Colonia Elisa).



Extraído de: Página 12, 14/06/2010.

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Agrotóxicos ligados a suicídios de agricultores em MS
Folha de São Paulo (http://www.folha.uol.com.br/), 17/07/2010.



Agricultores de Fátima do Sul apresentam náuseas, depressão e cometem suicídio após usarem inseticidas. A tristeza aparente aponta que é dia de velório. O cheiro, que atravessa os cômodos, faz parentes e curiosos saírem para o quintal. O odor expõe o motivo daquela morte: Mauro de Souza Lucas cometeu suicídio com veneno da lavoura de algodão.

A cena, na zona rural do município de Fátima do Sul (MS), seria um caso isolado se o cheiro não fizesse parte de outros velórios ali.Lucas havia brigado com um irmão em uma festa de fim de ano e, de volta para casa, foi direto para o quarto dos agrotóxicos. Escolheu um dos mais fortes e bebeu.

"Um vizinho levou-o para o hospital, ele acabou de morrer lá", diz Antônia de Souza Lucas, 64, "uns 14" filhos. "Era veneno brabo, não lembro o nome, mas era veneno de algodão, fedido." O episódio ocorreu há quase dez anos, mas o cheiro do velório ainda não saiu do nariz de Antônia. Mauro tinha 26 anos quando morreu. Ela não sabe por que o filho se matou. "Era uma nervosia, muita raiva, ele pôs na cabeça e se matou logo."

Fátima do Sul, cidade de 18 mil habitantes a 242 km de Campo Grande, foi criada em 1943 no governo Getúlio Vargas como polo agrícola. Predominam os sítios de três a dez hectares de imigrantes nordestinos. Ali, fala-se dos nomes de agrotóxicos com intimidade: Barrage, Folidol, Azodrin, Tamaron, 2,4D e 3,10.

A maioria desses produtos pertence à família dos inseticidas organofosforados, derivados do ácido fosfórico, e são usados para combater pragas em culturas diversas.

O contato com eles alterou o conceito de saúde dos agricultores. Quase todos se referem a dor de cabeça, náusea e coceiras, além do cheiro inconfundível. Fora os casos de intoxicação aguda em que os sintomas mais graves surgem logo após a exposição.

Muitos lavradores não têm, não usam ou não sabem usar corretamente os equipamentos de proteção, como máscaras e macacão, nem têm orientação sobre como armazená-lo ou se desinfetar após aplicar o veneno.

Depressão: Assim como as náuseas, sintomas de depressão tomam conta das conversas nos sítios. Antônia lembra que o filho começou a ficar "esquisito" antes de morrer.

Para Dario Xavier Pires, químico e pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) que há uma década estuda os casos de suicídio no município, os sintomas são evidentes no contato com produtores e nas conversas informais com profissionais da saúde locais.

A psiquiatra paulista Jussinalva Aguiar explica que "normalmente os casos de suicídio estão ligados a quadros depressivos" que passam despercebidos na rotina do trabalhador rural. Segundo Jussinalva, o tipo de agrotóxico usado no algodão inibe a enzima acetil-colinesterase, causando acúmulo do neurotransmissor acetilcolina e a consequente superestimulação das terminações nervosas. "A intoxicação por agrotóxico causa variações qualitativas e quantitativas nas sinapses, que agem na alteração do humor. Pode causar tanto sintomas depressivos como manias e agitação."

Em 2004 e 2005, um grupo de pesquisadores da UFMS -entre eles Pires- fez um levantamento sobre os estados depressivos e os níveis da enzima colinesterase em 261 agricultores expostos a organofosforados no município. Deles, 149 (57,1%) relataram algum sintoma após o uso de agrotóxicos, e 30 apresentaram distúrbios psiquiátricos menores (DPM). Três tentaram o suicídio.

Ranking: Em números absolutos, Mato Grosso do Sul ocupava, em 2002 (último ano disponível), o quarto lugar em suicídios de homens e o segundo de mulheres no Brasil. (...)

O segundo lugar é de Fátima do Sul. Depois de Mauro, outros dois filhos de Antônia, Jonas e Luiz, também se mataram em um ano. Uma terceira, Cecília, tentou. Levantamento da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef) para a consultoria alemã Kleffman Group aponta o Brasil como o país que mais consome agrotóxicos.

Em 2008, foram gastos U$ 7,1 bilhões, ante US$ 6,6 bilhões dos EUA, em segundo.

O Serviço de Informações Tóxico-Farmacológicas do Ministério da Saúde registrou, em 2007, 112,4 mil casos de intoxicação. Estima-se que haja subnotificação.

O Ministério da Saúde não tem estudos nem política preventiva de suicídio na zona rural -há divergência entre os pesquisadores sobre a correlação direta entre depressão e agrotóxicos. "Os estudos feitos nessas populações não são determinantes e ainda não conseguiram comprovar a relação", diz Ângelo Zanaga Trapé, médico toxicologista e professor da Unicamp. (...)


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Paraná monitora agrotóxicos
Folha de Londrina (http://www.bonde.com.br/folhadelondrina ), 21/07/2010.

Já está em vigor o Sistema de Monitoramento do Comércio e Uso de Agrotóxicos do Paraná (Siagro), que verifica eletronicamente o comércio e venda de defensivos agrícolas em todo o Estado. Pelo sistema, todas as informações das receitas para compra de agrotóxicos emitidas para os produtores são enviadas on-line para a Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab).

A medida, de acordo com o coordenador da Divisão de Fiscalização e de Insumos da Seab, Adriano Riesemberg, quer incentivar a prática de uma agricultura com uso racional de produtos químicos. Com as informações do novo banco de dados, a Seab poderá identificar locais onde a administração dos defensivos químicos possam ocorrer de forma inadequada.

Segundo o fiscal da Seab, são emitidos anualmente cerca de 3 milhões de receitas. No ano passado, calcula-se que 80 mil toneladas de produtos químicos foram despejados nas lavouras paranaenses. "Não há justificativa agronômica para esta quantidade. Os produtores têm deixado de lado boas práticas agrícolas e optado pela compra de agrotóxicos", afirma Riesemberg, referindo-se a tecnologias como a rotação de culturas, uso do solo conforme a capacidade e o manejo integrado de pragas.

O novo banco de dados, na avaliação de Riesemberg, permitirá o controle mais ágil e eficiente, possibilitando um gerenciamento eletrônico do que está sendo usado em campo. Desde segunda-feira, quando o sistema entrou em vigor, até ontem a Seab já registrou 6.800 arquivos de receitas enviadas pelo sistema.

O Siagro prevê o envio eletrônico de informações das receitas emitidas no Estado, deixando disponíveis essas dados no Departamento de Fiscalização e da Defesa Agropecuária (Defis), responsável pelo monitoramento do comércio. Toda semana os comerciantes de agrotóxicos são obrigados a enviar as informações referentes às quantidades comercializadas na semana anterior.

Um dos campos de preenchimento mais visados, diz Reisemberg, será o local da aplicação do agrotóxico para verificar se não há mananciais nos perímetros ou áreas de preservação ambiental.

Atualmente no Estado existem cerca de 400 mil propriedades rurais e aproximadamente 2 mil pontos de comércio de agrotóxicos, incluindo as cooperativas. As regiões norte e oeste concentram as maiores áreas de produção agrícola. (...)

N.E.: O Siagro tem como base de seu funcionamento o Decreto Nº 6107 - 19/01/2010.


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Agrotóxicos no Ceará estão isentos de impostos
Diário do Nordeste (Fortaleza, Ceará) (http://diariodonordeste.globo.com/capa.asp?Email=), 20/07/2010.


Desoneração tributária de insumos agrícolas como fator de ampliação de investimentos, repercutindo na geração de emprego e renda, mas, trocando em miúdos, uma terrível sequela: isentos de uma série de tributos, o Estado e o País assistem à crescente entrada de venenos contra pragas na lavoura, e essa facilidade estaria relacionada ao uso abusivo de agrotóxicos no Ceará. Levantamento feito pela Rede Nacional de Advogados Populares (Renap) revela a série de isenções de impostos para a comercialização de agrotóxico no Estado. O Brasil é campeão mundial em consumo de agrotóxicos, e aqui se aceita até o que - por questão de saúde - é rejeitado em outros países em desenvolvimento e nos desenvolvidos.

A medida [isenção de ICMS, IPI, PIS/Pasep e Cofins] vale, até mesmo, para os produtos em reavaliação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e que já foram rechaçados em vários outros países produtores. Os agrotóxicos ficaram isentos de cobrança de ICMS no Ceará desde um decreto do Governo do Estado, em 1997.

No dispositivo se declarou a isenção dos seguintes tipos de defensivos: inseticidas, fungicidas, formicidas, herbicidas, parasiticidas, germicidas, acaricidas, nematicidas, raticidas, desfolhantes, dessecantes, espalhantes adesivos, estimuladores e inibidores de crescimento (reguladores), vacinas, soros e, ainda, medicamentos produzidos para uso na agricultura e na pecuária, "vedado o benefício quando dada ao produto destinação diversa".

Esse tipo de desoneração também é constatada na esfera federal. As isenções seguiram uma escala crescente, como tem sido o aumento da compra de agrotóxicos no Brasil, que em dois anos subiu do terceiro para o primeiro lugar mundial em consumo.

"Às isenções tributárias concedidas aos agrotóxicos somam-se ainda às carências estruturais e institucionais, provocando a externalização dos custos sociais, ambientais e sanitários que, não sendo embutidos no preço do produto, acabam por ser coletivamente absorvidos pela sociedade e pelos sistemas públicos previdenciários e de saúde", explica Maiana Maia, da Renap, que acrescenta: "as isenções tributárias diminuem os custos equivalentes à utilização de agrotóxicos pelas empresas, ao que, pelo outro lado, os agrotóxicos barateados vão nos custando a vida e o meio ambiente equilibrado, numa relação claramente desigual".

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Fonte: INTERTOX

Persistentes bioacumulativos e tóxicos (PBT) ou Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs)

Persistentes bioacumulativos e tóxicos (PBT) uma ameaça perene Dois artigos se relacionam e colocam novamente em evidência as substâncias químicas Persistentes Bioacumulativas e Tóxicas (PBT), cujo cerne é a ciência toxicológica. O artigo Brasil apoia medidas da ONU para banir substâncias químicas poluentes mostra a conquista nacional e global, já, que a partir de 26 de agosto, o Brasil vai reforçar o banimento de nove substâncias químicas classificadas como Poluentes Orgânicos Persistentes (POP), incluindo-as a lista das 12 já banidas pela Convenção de Estocolmo de 1972 da Organização das Nações Unidas (ONU).

Outro artigo publicado hoje (28 agosto) na Folha de são Paulo, Trechos "limpos" do Tietê têm metais pesados; homem pode ser contaminado, diz respeito aos riscos à saúde humana para o consumo de peixes e contato direto com as águas em trechos tidos como limpos do histórico Rio Tietê.

Convido-os a fazer uma rápida retrospectiva dos fatos que preocupam demais os especialistas da toxicologia.

A primeira constatação dos efeitos dos poluentes Persistentes Bioacumulativos e Tóxicos (PBT), data o ano de 1962 com a publicação do livro Primavera Silênciosa, de Rachel Carson, que colocou em xeque o modelo linear, cartesiano e antropocêntrico do pensamento humano, mostrando que o comportamento das substâncias químicas no ambiente depende de múltiplos fatores e que uma substância utilizada para o controle de pragas, o DDT, exercia efeitos secundários na formação da casca de ovos de pássaros colocando em risco a espécie.

Um nova visão de mundo começou a se desenvolver, o biocentrismo, muito bem descrita no artigo publicado na RevInter Ainda uma vez a ética e a ética ambiental , que diz: “A nova visão tem por base a noção de interdependência de todos os elementos, animados e inanimados, da natureza, compondo uma teia de interconexões que faz fluir entre si estímulos positivos e/ou negativos”.

Essas substâncias PBT se tornaram uma ameaça global, seu transporte no ambiente pode percorrer milhares de quilômetros através das correntes de rios, oceanos e do ar, ao ponto de ursos polares do Alaska a pinguins e gaivotas do pólo Sul, que supostamente não estariam expostos à poluição ambiental, concentrarem no tecido adiposo níveis elevados de Dioxinas e Furanos como apresentado no artigo Polychlorinated dibenzo-p-dioxins, dibenzofurans and polychlorinated biphenyls in polar bear, penguin and south polar skua.

A preocupação para o controle dos PBTs tem-se intensificado. A Convenção de Estocolmo, de 1972, foi o primeiro passo para os Governos incluírem medidas de controle relacionadas à produção, importação, exportação, disposição e uso das substâncias classificadas como POPs, e promoção de melhores tecnologias e práticas para a sua substituição. Na primeira relação constaram as seguintes substâncias: aldrin, bifenilas policloradas, clordano, DDT, dieldrin, dioxinas, endrin, furanos, heptacloro, hexaclorobenzeno, mirex, toxafeno. As informações toxicológicas sobre esses produtos podem ser acessadas no livro Poluentes Orgânicos Persistentes – POPs publicado pela InterTox.

O homem tem mostrado uma capacidade surpreendente de desenvolver novas substâncias químicas. A Sociedade Americana de Química tem registro de:
1) 62 milhões de substâncias inorgânicas e orgânicas,
2) 44 milhões comercialmente disponíveis,
3) apenas 281 mil regulamentadas de alguma forma. O maior desafio dos cientistas e governo tem sido o de obter informações críveis para a regulamentação destes compostos. A lista dos 12 POPs – e agora dos novos 9 POPs – é um exemplo da permissão de uso de substâncias químicas ou de processos que geram essas substâncias sem o devido estudo de causa e efeito no ciclo de vida da substância.

Na União Européia, diante das incertezas na área regulatória para restringir o uso e a comercialização de produtos tidos como (PBT) e os muito Persistentes e Muito Bioacumulativos (vPvB), entrou em vigor, em junho de 2007, e vem sendo gradativamente implementado, o REACH (do inglês Registration, Evaluation, Authorisation and Restriction of Chemical substances), que altera o ônus da prova: agora, a indústria, e não mais o governo, passa a ser responsável pela segurança das substâncias químicas colocadas no mercado. Assim as substâncias sem informação não têm mercado na Europa.

Retomando o caso local do estado de São Paulo, em que metais foram depositados e acumulados nos sedimentos por longo período, e se tornaram fonte de risco para as populações, porque muitas vezes a percepção da qualidade da água limita-se apenas a parâmetros de cor e odor, sabemos que inúmeros outros compostos oriundos dos efluentes urbanos e indústrias, não avaliados pelo atual marco legal, ou provenientes de passivos gerados ou não antes da era regulatória, estão presentes nos sedimentos e águas do Tietê e se tornaram ameaça perene ao ecossistema e à saúde humana, como os disruptores endócrinos e nanopartículas.


Por Marcus da Matta
Diretor de sustentabilidade da InterTox
28/08/2010


Texto extraído do site da Intertox: http://intertox.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=345%3Atoxicologia-persistentes-bioacumulativos-e-toxicos-pbt-uma-ameaca-perene&catid=95%3Atoxicologia-em-manchete&lang=br

Brasil apoia medidas da ONU para banir substâncias químicas poluentes


Ainda no assunto: POPs.

O Brasil foi representado pela secretária de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente (MMA)
Rio de Janeiro - A partir do dia (26) o Brasil vai reforçar o banimento de nove substâncias químicas classificadas como poluentes orgânicos persistentes, conhecidas internacionalmente pela sigla POP, contidas em agrotóxicos e produtos antichamas. O anúncio mundial das substâncias que passam a integrar a nova lista de banimento, divulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU), foi realizado durante teleconferência entre representantes do governo brasileiro, no Rio, e integrantes da Convenção de Estocolmo sobre Contaminantes Persistentes da ONU, em Genebra, Suíça.

O Brasil foi representado pela secretária de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Branca Americano, e pela coordenadora do Centro Regional da Convenção de Estocolmo para América Latina, Lady Virgínia Menezes.

Branca ressaltou que o Brasil já vinha restringindo a maior parte dos produtos químicos que aparecem na lista da ONU e que apenas um continua sendo produzido no país: um agrotóxico em forma de iscas antiformigas. "Estamos realizando um trabalho de inventário para identificar onde estão essas substâncias e para eliminar os remanescentes desses produtos no Brasil.

Dessas nove substâncias que foram incluídas, nós só produzimos a sulfluramida, usada no combate a formigas e em equipamentos eletrônicos, como retardador de chamas", explicou Branca.

A ONU já havia divulgado uma lista com 12 POPs, que agora será acrescida de mais nove, totalizando 21 substâncias com recomendação de banimento em todo o mundo.

São elementos químicos que permanecem durante muito tempo na natureza, sendo absorvidos pelos animais em toda a cadeia alimentar, chegando até os seres humanos, onde se depositam principalmente nas camadas gordurosas, podendo gerar doenças nervosas, imunológicas, reprodutivas e câncer.

Para Lady Virgínia, é necessário haver intercâmbio entre os países da América Latina, a fim de gerar conhecimento sobre o assunto e controle na circulação dos componentes proibidos de um país para outro.

"Os países da América Latina e Caribe têm basicamente os mesmos problemas, como gestão de resíduos sólidos, principalmente industriais e de saúde, e pesticidas obsoletos", disse Lady Virgínia, que desenvolve na Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) projetos de assistência técnica para países latino-americanos.

A teleconferência foi realizada no veleiro científico Sea Dragon, que começou hoje uma viagem de coleta de resíduos sólidos pelo Atlântico Sul, principalmente plásticos, para monitorar a presença e o impacto de POPs na água e em peixes de águas profundas.

Segundo o cientista Marcus Eriksen, responsável pela expedição, em medições anteriores, realizadas no Atlântico Norte, verificou-se que 35% dos peixes coletados tinham pedaços de plásticos em seus estômagos. Na primeira fase da expedição, a tripulação seguirá até Recife. Em seguida, rumará para Cape Town, na África do Sul, percorrendo depois rotas que incluem Uruguai, Chile, Taiti e Havaí.

A viagem dos cientistas e demais informações sobre POPs podem ser acompanhadas na página www.pops.int ou www.facebook.com/safeplanet.

A nova lista divulgada pela ONU contém as seguintes substâncias:
1) alpha hexachlorocyclohexane,
2) beta hexachlorocyclohexane,
3) chlordecone,
4) hexabromobiphenyl,
5) hexabromobiphenyl ether,
6) lindane,
7) pentachlorobenzene,
8) perfluorooctane sulfonic,
9) tetrabromodiphenyl ether.

Extraído de: http://www.cramt.org.br/TNX/conteudo.php?cid=1131&sid=44