quinta-feira, 20 de junho de 2024

Paciente ativo e responsável



Cresci em uma família repleta de médicos. Pai médicos, tios, primos. Uma Medicina pautada em hierarquia. Manda quem pode (médico), obedece quem tem juízo (paciente). A figura do médico sempre foi colocada em um pedestal, endeusada, como se ele fosse o detentor supremo do conhecimento técnico científico da Medicina. 

Porém, a humanidade evolui. Com o advento da internet tivemos uma revolução da informação. Universalização do conhecimento e isso se por um lado foi péssimo por conta das fake news em saúde, por outro deu munição para os pacientes confrontarem médicos, questionarem o que antes era hierarquizado. Ou seja, se antes o médico "mandava" e o paciente "obedecia", hoje o paciente denominado Ativo e responsável, é portador de questionamentos sobre os seus sintomas, diagnóstico e tratamento. 

Mas onde quero chegar com esse papo? Na obesidade. 
Nenhuma outra doença, ao meu ver, precisa tanto de um paciente PAR. Mas na prática o que esses pacientes menos são é PAR. E o que seria um paciente PAR? Esse conceito muito difundido na Oncologia, também se enquadra na Nutrologia ou qualquer área que maneje doenças crônicas não transmissíveis. 

O paciente com postura PAR: assume a responsabilidade pelo seu tratamento e pela sua vida ou no mínimo, uma grande parte desse processo. Ele percebe que tem voz ativa, motivações e precisa agir para lutar contra a obesidade. 

Se a gente parte do pressuposto que a obesidade é uma Doença com 7 pontos primordiais:
  1. Crônica
  2. Recidivante
  3. Incurável
  4. Multifatorial na gênese
  5. Com forte componente genético, emocional
  6. Com necessidade de equipe multidisciplinar
  7. Abordagem nutricional, abordagem corporal (atividade física), medicamentosa e psicoterápica.
Entendemos que o paciente terá papel central no tratamento. Ou seja, ele precisa ser ativo e responsável. O papel do médico é dar as diretrizes, mas quem trilhará o caminho árduo será o paciente ativo e responsável. 

E por que estou falando sobre isso? Simplesmente, porque quando se trata de obesidade, a maioria dos pacientes querem ser emagrecidos. A última coisa que a maioria quer é ser ativo e responsável durante o processo. Infelizmente negligenciam a cronicidade da doença e a necessidade de vigilância eterna. Ou seja, muitos preferem negar que a doença é incurável e que precisa de tratamento dietético, medicamentoso, atividade física e muitas vezes acompanhamento psicoterápico. Esse é o paciente opostos, o passivo e irresponsável (PPI). 

Mas qual a finalidade de se ter uma postura PAR?
  • Estar mais informado sobre a própria doença (obesidade).
  • Ter um maior controle e participação nas escolhas e decisões. Qual abordagem dietética se enquadra mais na sua realidade financeira? Qual abordagem medicamentosa se encaixará melhor no seu padrão alimentar? 
  • Sentir-se mais seguro, confiante e preparado para enfrentar o tratamento e todas as decisões necessárias.
  • Saber lidar com as reais expectativas, principalmente na elaboração de metas a serem atingidas.
  • Assumir compromisso em seguir o que foi acordado: seja dieta, atividade física, uso de medicação. Check list de hábitos. 

E como posso ser um paciente mais PAR?

  • Diante do diagnóstico de obesidade, tenha calma e respire. Internalize que a obesidade é uma doença, que não tem cura, mas tem tratamento e controle. 
  • Essa doença impactará a sua vida e quanto mais precoce for a intervenção ( e duradoura), maiores as chances de sucesso. Durante um tempo, principalmente no primeiro ano, você sentirá que a vida perdeu o sentido, afinal fazer dieta não é legal. Principalmente para aqueles que possuem a comida como fonte central de prazeres. 
  • Leia sobre o tema, tenho um texto pautado em evidências científicas que ajuda os pacientes a terem um panorama melhor sobre a complexidade da obesidade: https://www.nutrologogoiania.com.br/doencas-e-a-nutrologia/obesidade/
  • Informe-se sobre todas as abordagens terapêuticas da obesidade, o texto acima pode te ajudar. Quanto mais você aprende sobre obesidade, mais você se sentirá confiante. Eduque-se, não tenha medo da informação, mas também não acredite em qualquer informação na internet. A maioria das informações em saúde que estão nas redes sociais, YouTube, sites não são informações confiáveis. Não é porque o médico tem muitos seguidores que ele é um bom médico. Podem ser seguidores comprados. Busque o currículo do médico que você escolheu para chamar de "seu". Primeiro veja se ele é realmente especialista, ou seja, se ele tem Registro de qualificação de especialista (RQE) em Nutrologia ou Endocrinologia. Segundo, veja se ele propaga tratamentos milagrosos ou questionados/proibidos pelo Conselho Federal de Medicina. Aqui uma lista de coisas que não fazem parte da Nutrologia e muita gente acha que faz: https://abran.org.br/imprensa/comunicado/comunicado-sobre-o-rol-de-procedimentos
  • Peça ao seu médico indicação de livros, sites, textos sobre o tema. Material que ele confia.
  • Antes das consultas anote todas as suas dúvidas no whatsApp. Questione o seu médico. Não tenha vergonha de perguntar, as vezes dúvidas que parecem bobas, podem ser determinantes no seu sucesso.
  • Solicite um número de telefone para que você possa ligar em casos de urgência.
  • Seja transparente com o médico sobre o seu estilo de vida, realidade financeira e principalmente sobre seus sintomas. Você deve contar ao médico sobre o seu histórico de doenças familiares, o médico deve examiná-lo e solicitar exames, de acordo com o seu caso. Se ele pediu determinado exame, faça. Ou seja, assuma a responsabilidade de agendar seus exames, consultas médicas e buscar os resultados. Não espere que façam isso por você. Mas, caso esteja fragilizado saiba que você pode pedir ajuda a alguém do seu círculo e não precisa passar por tudo isso sozinho.
  • Saiba que o planejamento semanal é um dos maiores determinantes do seu sucesso. Ou seja, tire um tempo para planejar as refeições.
  • Seja realista em relação ao tempo para obter resultados. Não se compare com outras pessoas, você é único e cada pessoa responde de uma forma à dieta e medicações. 
  • Crie o hábito de preencher Check list de hábitos, o bom médico que lida com obesidade sabe da importância desses check lists e recordatórios alimentares. 
  • O Médico/Nutricionista/Profissional da Ed. física/Psicólogo podem até dar as orientações, mas quem trilhará o caminho é você. Ou seja, se você acha que será emagrecido, melhor rever suas expectativas, você é o polo Ativo, você é o PAR. 

Autor: Dr. Frederico Lobo – Médico Nutrólogo – CRM-GO 13192 – RQE 11915 – CRM-SC 32949 – RQE 22416

quarta-feira, 19 de junho de 2024

Não acredite em fadiga adrenal


A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, via Departamento de Adrenal e Hipertensão e a Comissão de Campanhas da SBEM, dá início a campanha de Adrenal 2024, realizada nos dias 18 e 19 de junho. O tema deste ano é “Hormônios Adrenais: Fato ou Fake?” e contará com esclarecimentos sobre o assunto, no site e redes sociais da SBEM. Fadiga adrenal, exames, uso indiscriminado de deidroepiandrosterona (DHEA) e de glicocorticoides são os tópicos que serão abordados durante a campanha.

Além de imagens e esclarecimentos, está incluída a realização de uma live, no dia 19 de junho, às 18h30 no perfil da SBEM no Instagram com o Dr. Leonardo Vieira Neto (vice-presidente do Departamento de Adrenal e Hipertensão) e Dra. Flávia Amanda Costa Barbosa, diretora do Departamento.

A Fadiga Adrenal Não Existe

O Departamento enfatiza que não existe a expressão de “fadiga adrenal” (exaustão adrenal), difundida nas mídias sociais. NÃO é um diagnóstico ou condição médica reconhecida pela medicina moderna. Em outras palavras, a fadiga adrenal NÃO EXISTE! FADIGA ADRENAL É FAKE!

Por não se tratar de uma condição médica verdadeira, a suposta fadiga adrenal não deve ser tratada em nenhum momento com qualquer tipo de hormônio glicocorticoide, como cortisol, hidrocortisona, prednisona, prednisolona ou dexametasona, entre outros.

Cortisol

As glândulas suprarrenais produzem um hormônio chamado cortisol. Ele ajuda a preparar o corpo para as ações do dia a dia e na regulação do sistema imunológico.

Esse hormônio é produzido de maneira ritmada, tendo valores altos e baixos durante o dia. Por isso pode estar alto, normal ou baixo em apenas uma medida no sangue ou na saliva.

Exames e diagnóstico

Os sinais e sintomas erroneamente atribuídos à suposta fadiga adrenal, como cansaço, esgotamento mental, emocional, na verdade estão associados a outras  doenças e ao estilo de vida atual como sedentarismo, alimentação inadequada, obesidade, privação de sono e estresse psicológico.

A medida de cortisol no sangue só estará indicada quando há suspeita de falta desse hormônio, que é denominado de insuficiência adrenal, ou na suspeita de excesso, também chamada de Síndrome de Cushing, que não são doenças consideradas comuns.

A insuficiência adrenal afeta 1 a cada 10.000 pessoas, enquanto na Síndrome de Cushing, é de 1 a cada 20.000 pessoas no caso da insuficiência adrenal.

A medida do cortisol no sangue ou na urina não servem para verificar o nível de estresse.

Portanto, o cortisol, no sangue ou saliva, é um exame que não deve ser feito de rotina na avaliação de avaliação de check-up. Para diagnóstico de doenças da adrenal, exames muito específicos devem ser feitos pelo endocrinologista.

Uso indiscriminado de DHEA

A deidroepiandrosterona (DHEA) é um hormônio e não é um suplemento natural isento de riscos. Ela não serve como reposição para melhorar a massa muscular, a libido, a depressão, o envelhecimento, o fortalecimento do sistema imunológico, o humor e aumentar a energia.

Portanto, é fake que o DHEA é um suplemento que melhora o vigor físico e a libido.

Não há comprovação científica de que esse hormônio traga benefícios para o indivíduo e nem segurança para seu uso em meses ou anos.

O DHEA se transforma em outros hormônios pelo corpo, assim, seu uso pode predispor a efeitos colaterais. Em alguns estudos científicos, até 20-25% das mulheres em uso do hormônio apresentaram oleosidade na pele, espinhas, excesso de pelos e/ou queda de cabelo, associados ao aumento da testosterona (hormônio masculino). Já entre os homens, as pesquisas mostraram que houve uma tendência à elevação do estrogênio (hormônio feminino), podendo levar ao surgimento de mamas e sintomas depressivos.

Segundo as evidências atuais, a única condição médica, em que se justifica considerar um teste terapêutico sistêmico com DHEA, é a insuficiência adrenal crônica em mulheres. Nessa doença rara, as glândulas adrenais (suprarrenais) deixam de produzir seus hormônios corticais.

O risco do uso indiscriminado de corticóides

Os glicocorticoides, ou apenas corticoides, são substâncias “semelhantes” ao cortisol. Eles são muito usados na prática clínica por muitas especialidades médicas, mas também abusados de forma indiscriminada.

São prescritos como anti-inflamatórios e imunossupressores. Entre os mais comuns, estão a hidrocortisona, prednisona, prednisolona, dexametasona, metilprednisolona, budesonida, betametasona e outros.  Porém, quando usado em doses maiores, e por muito tempo, podem levar a atrofia das glândulas, e por fim a tão temida insuficiência adrenal (quando as adrenais não conseguem produzir o cortisol em quantidades adequadas às necessidades do organismo).

Por isso, todo paciente que usa corticoide de forma crônica, para qualquer doença (reumática, inflamatória, pulmonar, dermatológica ou outra), por qualquer via (oral, injetável, nasal, na pele) está sob risco de insuficiência adrenal, especialmente em situações de estresse ou na interrupção abrupta do medicamento. Nessas situações, o paciente pode apresentar a crise adrenal, podendo levar à morte caso não seja diagnosticada e tratada imediatamente.

Além da insuficiência adrenal e crise adrenal, há muitos outros riscos do uso crônico de corticoides, tais como: ganho de peso, diabetes, hipertensão, osteoporose, fraturas, perda muscular, doença cardiovascular (infarto) e cerebrovascular (derrame), trombose, depressão, psicose, úlceras pépticas, infecções, catarata, glaucoma, estrias etc.

A orientação é não usar corticoide sem recomendação médica, nem mesmo uma “pomadinha”. Também não se deve suspender abruptamente o medicamento se estiver usando por muito tempo doses mais altas.
 
Referências
  • Adrenal fatigue does not exist: a systematic review. BMC Endocr Disord. 2016 Aug 24;16(1):48. doi: 10.1186/s12902-016-0128-4
  • Endocrine Library https://www.endocrine.org/patient-engagement/endocrine-library/adrenal-fatigue
  • Endocrine News –https://endocrinenews.endocrine.org/myth-adrenal-fatigue/
  • Androgen therapy in women: a reappraisal: an Endocrine Society clinical practice guideline .J Clin Endocrinol Metab. 2014;99(10):3489-510.
  • Should Dehydroepiandrosterone Be Administered to Women? J Clin Endocrinol Metab 2022;17;107(6):1679-1685.
  • Long-term DHEA replacement in primary adrenal insufficiency: a randomized,        controlled trial. J Clin End Metab 2008;93(2):400-9.
  • Acute adrenal insufficiency after discontinuation of inhaled corticosteroid therapy.Lancet. 1992 Nov 21;340(8830):1289-90. doi: 10.1016/0140-6736(92)92991-n.
  • Adrenal Insufficiency in Corticosteroids Use: Systematic Review and Meta-Analysis J Clin Endocrinol Metab. 2015 Jun;100(6):2171-80. doi: 10.1210/jc.2015-1218.
  • Diagnóstico da insuficiência adrenal secundária . In : Guia prático em doenças adrenais e hipertensão endócrina – Departamento de Adrenal e Hipertensão da Sociedade Brasileira de Endocrinologia  Clannad Editora Científica, 2021.

segunda-feira, 17 de junho de 2024

Só pode se intitular Nutrólogo quem fez residência de Nutrologia ou passou na prova de título

 


Fonte: www.abran.org.br

segunda-feira, 10 de junho de 2024

Mocha Protein Shake


Precisa tomar proteína cedo e dar aquela despertada cedo? Qual um Mocha protein shake? Uma forma diferente de "tomar café"

Ingredientes:
1 scoop (30g) de whey protein sem sabor
3 colheres de chá de café solúvel instantâneo ou 150ml de café 
100ml de leite de amêndoa/soja/leite de vaca
1 colher de chá de mel ou adoçante de sua preferência (opcional)
1 colher de sobremesa de psylium
Gelo a gosto

Modo de preparo
Preparação do Café: Prepare uma 150ml de café ou 3 colheres de chá de café solúvel em 150ml de água. Você pode preparar com antecedência e armazenar na geladeira para que esteja frio na hora de usar. Alguns pacientes relatam que congelam os cubos de café.  No liquidificador, adicione o café, o leite da sua escolha e o whey protein sem sabor.
Adoçar (opcional): Se desejar, adicione mel ou adoçante para adoçar a mistura conforme o seu gosto.
Adicionar Gelo: Adicione gelo a gosto para um shake mais refrescante e gelado.
Bater: Bata todos os ingredientes no liquidificador até obter uma mistura homogênea e cremosa.
Servir: Despeje o mocha protein shake em um copo grande.

Dicas:
Para uma consistência ainda mais cremosa, você pode adicionar 1/2 banana congelada.
Se preferir um sabor de café mais intenso, aumente a quantidade de café e reduza a quantidade de leite.
Para um toque extra de sabor, você pode adicionar uma pitada de canela ou extrato de baunilha.
Para um shake mais espesso, adicione mais whey protein ou menos líquido.
Essa receita é perfeita para um café da manhã rápido e nutritivo, um lanche energético ou uma bebida pós-treino, combinando o sabor rico do café com os benefícios do whey protein. 

sábado, 8 de junho de 2024

Cuidado: óleo de coco não previne doenças - ABESO


Aliás, a gordura do coco nem sequer pode ser classificada como óleo para valer, devido ao seu alto teor de ácidos saturados.

Entre todas as gorduras — vegetais e de origem animal, inclusive, a de coco é aquela que apresenta maior proporção desses ácidos graxos saturados: 92%, precisamente, sendo que 50% são ácido láurico, que no  dia 4/7/24, foi apontado como um “benfeitor” da saúde, com supostas ações antimicrobianas, em reportagem publicada em um dos principais jornais do país.

Infelizmente, não é a primeira vez que nos deparamos com esse equívoco perigoso em grandes veículos — e não só neles. Nas redes sociais, ele também é repetido por influenciadores que propagam modismos.

As informações sobre o óleo de coco deste post foram extraídas do “Posicionamento sobre o tratamento nutricional do sobrepeso e da obesidade”, elaborado com o mais rigoroso critério científico. 



Entre suas mais de 260 páginas para download gratuito — escritas pelas integrantes do nosso Departamento de Nutrição e por mais de 20 grandes pesquisadores convidados —, três são inteiramente dedicadas a esmiuçar a gordura de coco.

Destacamos o trecho: “ O consumo excessivo de gorduras saturadas pode ter efeitos deletérios sob o ponto de vista cardiometabólico. Já se demonstrou que é capaz de elevar as concentrações plasmáticas de LDL-colesterol (LDL-c) e aumentar a presença de componentes inflamatórios nas partículas de HDL.”

Tampouco há evidência de que a gordura de coco ajude alguém a perder peso. “Indivíduos com aumento de risco vascular devem ser orientados a fazer uso de óleos vegetais ricos em ácidos graxos insaturados e fontes de ácidos graxos essenciais, como os de canola e soja, em quantidades moderadas, evitando óleos tropicais, como o de coco”, frisa, ainda, esse posicionamento. Vale, aqui, lembrar o óbvio: pessoas com obesidade costumam ter risco cardiovascular aumentado, então… Sim, nós nos preocupamos muito com o que andamos lendo por aí.

Capítulo na íntegra

A gordura de coco é extraída da carne do coco maduro e se apresenta em duas versões, óleo refinado, clareado e desodorizado ou óleo virgem ou extravirgem, prensado a frio, forma de extração que conserva os polifenóis presentes na carne do coco. Apesar das diferenças na forma de extração, a composição de ácidos graxos é bastante similar. 

A gordura de coco não pode ser classificada como óleo, em razão do seu alto teor da ácidos graxos saturados1. Os principais produtores de gordura de coco são Filipinas, Indonésia e Índia2, regiões onde o coco e seus derivados são importante fonte de renda e calorias para população local3. O seu uso é amplamente difundido na indústria de cosméticos, em razão de suas propriedades emulsificantes, bactericidas e cicatrizantes4. 

Entretanto, nos últimos anos, o consumo da gordura de coco se tornou bastante popular na mídia e recomendações de uso foram proclamadas sem que estudos bem conduzidos e conclusivos tenham apresentado resultados que embasem suas indicações. 

Dentre todas as gorduras (vegetal e animal), a de coco é a que apresenta maior percentual de ácidos graxos saturados (92%), sendo o láurico o que se encontra em maior concentração (50%), seguido de mirístico (16%), palmítico (8%) e, em pequenas quantidades, caprílico, cáprico e esteárico5,6. 

Vale ressaltar que a gordura de coco oferece baixas concentrações de ácido linoleico (18:2-ω-6) e não contém ácido linolênico (18:3, ω-3), ambos ácidos graxos essenciais, que devem ser ofertados pela dieta, pois não são sintetizados endogenamente5,6. 

Os ácidos graxos saturados estão naturalmente presentes na dieta, dentre eles o palmítico (16:0) é o que se encontra em maior abundância, seguido do esteárico (18:0), mirístico (14:0) e o ácido láurico (12:0), que tem a gordura de coco como sua fonte principal5. Os ácidos graxos saturados possuem funções biológicas importantes, atuam em vias de sinalização, compõem membranas celulares e são capazes de influenciar a transcrição de genes e a estabilidade de proteínas de membranas celulares7. 

Todavia, o consumo excessivo de saturados pode ter efeitos deletérios sob o ponto de vista cardiometabólico. Já se demonstrou que o ácido graxo saturado é capaz de elevar as concentrações plasmáticas de LDL-colesterol (LDL-c)8,9 e aumentar a presença de componentes inflamatórios nas partículas de HDL, comprometendo a sua funcionalidade10. 

Em 2015, a Biblioteca Cochrane conduziu extensa revisão sistemática, incluindo estudos de longa duração e mostrou que a redução do consumo de saturados reduziu em 17% os eventos cardiovasculares, efeito observado nos estudos que promoveram a substituição de saturados por poli-insaturados. Foi visto, ainda, que a redução nos eventos cardiovasculares se relacionou ao grau de redução das concentrações de colesterol total (CT)11. 

Em 1992, Denke e Grundy12 demonstraram, em indivíduos saudáveis, que comparado ao consumo de fórmula rica em oleico, o consumo de láurico é capaz de elevar as concentrações plasmáticas de CT e LDL-c, todavia de forma menos acentuada que palmítico. Posteriormente, outros estudos corroboraram a ação hipercolesterolemiante do ácido láurico, tanto comparado ao óleo de cártamo13, como ao óleo de oliva14. Assim, recomenda-se a adequação do consumo de saturados para < 10% do valor calórico total da dieta (VCT) e redução adicional (<7% do VCT) para indivíduos com risco cardiovascular aumentado, substituindo as calorias provenientes de saturados por insaturados ou carboidratos complexos15. 

Outra promessa atribuída pela mídia à gordura de coco é o seu uso como estratégia para perda de peso e aumento de saciedade. É possível que tais afirmações se apoiem erroneamente nas ações dos triglicérides de cadeia média (TCM), formados principalmente por ácidos capróico (6:0), caprílico (8:0) e cáprico (10:0), os quais são, quase na sua totalidade, absorvidos via sistema porta ligados à albumina e, por não necessitarem do transporte via quilomícrons, não elevam a trigliceridemia16,17. 

Deve ficar claro que o TCM difere enormemente da gordura de coco, que contém mais de 60% da sua composição sob a forma de láurico e mirístico (12:0 e 14:0). Apesar de haver debate sobre a classificação do láurico como ácido graxo de cadeia média ou longa, em termos de absorção, este se comporta de forma similar aos ácidos graxos de cadeia longa. 

Diferentemente dos TCM, o láurico é absorvido principalmente (70-75%) via quilomícrons18,19, especialmente quando se encontra em grandes concentrações. De toda forma, o efeito do consumo de TCM sobre o colesterol plasmático deve ser levado em conta. 

Em indivíduos hipertrigliceridêmicos, o consumo de TCM reduziu a concentração plasmática de TG. Por outro lado, elevou a colesterolemia17. Já em indivíduos hipercolesterolêmicos, comparado ao consumo de óleo de girassol, o consumo de TCM elevou as concentrações de CT, LDL-c, VLDL-c e TG20. 

Em relação à perda de peso e gasto energético, o consumo de dieta suplementada com TCM induziu aumento do gasto energético e oxidação lipídica em homens e mulheres com sobrepeso. Além disso, induziu redução de tecido adiposo subcutâneo comparado à dieta rica em óleo de oliva, apenas em homens com sobrepeso21,22. 

Por outro lado, já se demonstrou em ratos23 e em humanos24, que a oxidação de ácidos graxos saturados é inversamente relacionada ao tamanho da cadeia carbônica (láurico > mirístico > palmítico > esteárico), achado que contribui para a crença de que o láurico e, portanto, o óleo de coco, se prestaria ao tratamento da obesidade. Contudo, dados da literatura não suportam tais conclusões. 

Estudo realizado em 15 mulheres com sobrepeso, comparou o efeito do consumo de uma refeição contendo 25ml de óleo de coco extravirgem (VCO) ou óleo de oliva extravirgem (OO) no gasto energético, oxidação lipídica, saciedade e marcadores de risco cardiometabólicos. O consumo de VCO induziu menor plenitude, saciedade total e supressão da fome, quando comparado ao OO. 

Não houve diferença em relação a gasto energético, oxidação lipídica e efeito pós-prandial de parâmetros metabólicos entre VCO e OO25. Além disso, o consumo de refeições enriquecidas com óleo de coco não elevou termogênese ou saciedade quando comparado ao óleo de milho26 ou óleo de soja27. Estudo experimental em ratos wistar comparou o efeito do óleo de coco extravirgem (VCO), copra (óleo de coco refinado), óleo de oliva e de girassol no metabolismo lipídico. 

Não houve diferença no consumo de dieta ou ganho de peso dos animais. Entretanto, comparado aos demais óleos, o consumo de VCO reduziu as concentrações plasmáticas e hepáticas de CT, TG e fosfolípides, bem como a atividade das enzimas lipogênicas hepáticas e aumentou a atividade de enzimas ligadas à oxidação lipídica (avaliado em tecido cardíaco). V

ale ressaltar que VCO e copra apresentavam o mesmo perfil de ácidos graxos, variando apenas na concentração de polifenóis28. Em camundongos C57/BL6, o consumo de óleo de coco induziu menor ganho de peso comparado ao consumo de óleo de soja29. 

Todavia não foi estudado o perfil lipídico dos animais, desenvolvimento de lesão aterosclerótica e marcadores inflamatórios, parâmetros importantes para avaliar a segurança do óleo de coco, uma vez que perda de peso em animais também foi observada em trabalho com o uso de ácidos graxos trans, que promoveu severo desenvolvimento de aterosclerose, perfil inflamatório e diabetes30. Desta forma, resultados de estudos em animais devem ser interpretados com cautela. 

Deve-se ressaltar, ainda, que dentre os saturados, o ácido láurico possui elevado potencial inflamatório31 em razão de sua ação sobre vias de sinalização envolvendo os receptores Toll-like (TLRs), especialmente TLR4 e TLR2. Esta família de receptores tem como função reconhecer padrões moleculares associados a patógenos, como o lipopolissacarídeo (LPS), e alertar o sistema imune, por meio de cascata de sinalização, que culmina com ativação do fator nuclear kappa B (NF-kB) e secreção de citocinas pró-inflamatórias, como TNF-α, IL--1b, IL-632. O LPS contém lipídios em sua estrutura que interagem com TLR, sendo láurico (C12:0) > mirístico (C14:0) > palmítico (C16:0), os principais ácidos graxos nessa fração. 

Conhecida como Lipídio A, esta estrutura é responsável pela ação endotóxica do LPS33. Em macrófagos, a incubação com ácido láurico levou à ativação da via TLR 2/4 - NF-κB, que culminou com aumento da expressão de cicloxigenase 2 (COX 2)34. Já em células dendríticas (CD), o ácido láurico estimulou sua maturação, induzindo aumento da expressão de citocinas pró-inflamatórias e ativação de células T naive35. 

A ação inflamatória dos saturados, somada à sua ação hipercolesterolemiante, aumenta seu potencial aterogênico30. 

Assim, é importante salientar que indivíduos com aumento do risco cardiovascular devem ser orientados a fazer uso de óleos vegetais ricos em ácidos graxos insaturados, fontes de ácidos graxos essenciais, como canola e soja em quantidades moderadas, evitando ou consumindo minimamente óleos tropicais como óleo de coco e palma, mantendo o consumo de ácidos graxos saturados < 7% do VCT. 

Classe de recomendação I, Nível de evidência A. 

Além disso, não há evidências científicas que suportem a indicação do óleo de coco como estratégia para perda de peso. 

Classe de recomendação III, Nível de evidência B.

Fonte: https://www.instagram.com/p/C72ZrejP3nN/?utm_source=ig_web_copy_link

sexta-feira, 7 de junho de 2024

Semaglutida e redução do consumo de álcool


Desde que o Rodrigo Lamonier (o nutricionista que fica dentro do consultório me acompanhando) começou a trabalhar comigo em 2018, constatamos que existem 3 grandes vilões no processo de emagrecimento:

1) Álcool
2) Gorduras ocultas
3) Baixa ingestão de proteína

Já escrevemos sobre álcool aqui, estratégias de redução de danos, efeitos dele sobre a saúde humana, recomendações de doses "seguras". Mas esse post tem como objetivo relatar algo interessante que percebemos desde que comecei a prescrever a Semaglutida (Ozempic, Wegovy) para alguns pacientes.

1 grama de álcool fornece 7kcal. A maioria dos pacientes homens ingerem bebida alcóolica final de semana e perdem "a mão" na quantidade. Acaba ingerindo na sexta, sábado, domingo. Por mais que tenhamos essa política de redução de danos, intercalando cerveja com álcool/cerveja sem álcool/água, alguns acabam ingerindo cerca de 1000 a 1500kcal de cerveja por dia de final da semana, ou seja, sexta, sábado e domingo. Ou seja, prejudica totalmente o processo de emagrecimento, por mais que durante a semana o paciente siga 100% do plano alimentar.


Quando surgiu a semaglutida, acreditávamos que ela teria efeito no controle da glicemia, ações no hormônio intestinal GLP-1 e promoveria redução do apetite e saciedade. Porém, não sabíamos do efeito que ela teria em "craving" por álcool.  Isso tem sido demonstrado em alguns estudos e percebi que na prática realmente ocorre, já que o gargalo no processo de emagrecimento (para alguns) é o álcool principalmente final de semana. Ou seja, sem o consumo de álcool ou redução drástica, os pacientes sustentam a restrição calórica e com isso o processo de emagrecimento anda. 

Um estudo publicado em 28 de maio na Nature Communications, examinou os registros eletrônicos de saúde de quase 84.000 pacientes com obesidade com uma idade média de 51 anos. Nesse trabalho os pacientes receberam análogo de GLP-1 como semaglutida  e naltrexona (Vivitrol), que são projetados para controlar a obesidade e diabetes tipo 2 interagindo com a parte da fome do cérebro para suprimir o apetite e reduzir o açúcar no sangue e a hemoglobina glicada.

Os pesquisadores descobriram que aqueles tratados com semaglutida mostraram uma diminuição de 50% a 56% no risco de transtorno de uso de álcool e a recorrência do mesmo, em comparação com outros medicamentos GLP-1; a equipe replicou o estudo usando 600.000 pacientes com diabetes tipo 2 e encontrou resultados semelhantes.


Embora os pesquisadores não tenham certeza do porquê a semaglutida pode afetar o consumo uso de álcool, acreditam que ela interaja com o sistema de dopamina no cérebro, que está envolvido no sistema de recompensas do consumo de alimentos e álcool, e faz com que os pacientes não anseiem mais por álcool. Que é o que é relatado no consultório. 

Os análogos de GLP-1s também mediam as respostas ao estresse, então os pesquisadores também acreditam que a semaglutida pode atuar como um amortecedor para o consumo de álcool relacionado ao estresse.

Embora ele acredite que mais pesquisas devam ser realizadas, Rong Xu, pesquisador principal do estudo e professor de informática biomédica na Case Western Reserve University School of Medicine, disse que os resultados são “notícias muito promissoras, na medida em que podemos ter um novo método terapêutico para tratar a AUD (Alcohol user disorder ou Transtorno de uso do álcool)". 

Com o desfecho positivo, ou seja, o paciente tendo perda de peso no processo de emagrecimento, temos um reforço daquilo que citei no começo do texto: o álcool é um vilão no processo de emagrecimento. Seria ingenuidade acreditar que o paciente abandonará o uso de álcool pois, o consumo é um fator de sociabilização. Pro isso tentamos promover redução de danos. Com a semaglutida isso é mais fácil. 

Textos publicados aqui no blog sobre consumo de álcool:

Minimizando os danos do álcool no processo de emagrecimento

Calorias do vinho e ganho de peso

O que é "melhor": gin ou cerveja ?

Existe cerveja que engorda menos ?

Calorias das cervejas e o processo de emagrecimento

Ingerir qualquer quantidade de álcool não é seguro para a saúde cerebral e pode causar danos ao cérebro

Até mesmo uma bebida alcoólica por dia pode aumentar o risco de derrame, diz estudo

Álcool: até o consumo moderado aumenta o risco de câncer, de acordo com estudo

Autor: Dr. Frederico Lobo - Médico Nutrólogo - CRM-GO 13192 - RQE 11915 / CRM-SC 32949 - RQE 22416
Revisores: 
Rodrigo Lamonier - Nutricionista e Profissional da Educação física
Márcio José de Souza - Nutricionista e Profissional da Educação física
Dra. Edite Melo Magalhães - Médica especialista em Clínica médica e Nutróloga

Calorias das cervejas e o processo de emagrecimento

No meu questionário pré-consulta, sempre pergunto sobre a ingestão de álcool, quantidade e frequência de consumo. Não obstante, os pacientes sempre se surpreendem quando eu e o meu nutricionista explicamos que 1g de álcool possui 7kcal. Ou seja, são calorias vazias, que vão atrapalhar de forma indireta o emagrecimento, reduzir alguns nutrientes do corpo e reduzir os níveis de testosterona. 

Aí pergunto para vocês: será que a grande maioria conseguirá se abster de algo que é cultural, que favorece a socialização? Eu não ingiro álcool, não estimulo o consumo, mas sou bem realista com relação à nossa realidade. 

As pessoas não vão parar de beber, sejamos realistas. Alguns sim, enxergam malefícios do álcool, mas a grande maioria não. Ou seja, aí entra a política de redução de danos. Existe uma diferença gritante entre o mundo ideal da Medicina e o nosso mundo real. Sempre friso isso para os pacientes no consultório, pois isso é causa de muito sofrimento psíquico para alguns indivíduos mais rígidos. 

Alguns leitores falarão que há pesquisas mostrando os benefícios do álcool. Sim, há trabalhos mostrando que o consumo moderado de álcool pode ter impacto positivo na saúde. Eu acredito que há bastante vieses nesses estudos. Alguns trabalhos afirmam que o álcool tem:
  • Efeito na prevenção de Infarto agudo do miocárdio (IAM): por atuar no metabolismo das lipoproteínas, aumentando o percentual de HDL. 
  • Ação antitrombótica: inibindo a agregação de plaquetas, reduzindo o fibrinogênio e melhorando a fibrinólise.
  • Ação no mecanismo de ação da insulina: melhorando o metabolismo de carboidratos.
  • Aumento do estradiol o que de forma indireta eleva o HDL
Mas o que seria consumo moderado de álcool:
  • 30 a 40g de álcool por dia para Homens
  • 15 a 20g de álcool por dia para Mulheres
  • Em média 0,102g/kg/hora (variando de 0,070-0,185)
  • Traduzindo: 1 long Neck/dia para Mulheres e 2 Long Necks/dia para Homens. 
O teor alcoólico deve ser considerado quando optar-se por ingerir bebida alcoólica. 
Por exemplo:
  • Cerveja 5% de teor alcoólico
  • Champanhe 11,5%
  • Vinho 12%
  • Licor 20%
  • Vodca 37,5%
  • Whisky 40%
Deve-se levar em conta também que para uma mesma qualidade de álcool, a absorção pelo organismo é menor quando proveniente da cerveja do que quando oriundo de bebidas destiladas. 

Autor: Dr. Frederico Lobo - Médico Nutrólogo - CRM 13192 - RQE 11915






Não te contaram, mas é possível sim emagrecer e ter saúde tomando cerveja 🍺 Sabia?

O problema não é a cerveja mas sim o QUANTO DE CERVEJA? Eis a questão? A quantidade precisa estar alinhada com o seu objetivo, certo?

Se você está trabalhando em prol de qualquer tipo de meta de saúde, melhora de composição corporal ou desempenho físico, detesto ter que dar essa notícia, mas beber álcool, pelo menos regularmente, não está favorecendo você em nada. Se for pontualmente igual na noite de hoje, sem problemas. 
  • O álcool é um macronutriente quase tão calórico quanto a gordura que fornece 9 calorias. As calorias do álcool não possuem nenhum valor nutritivo. Cada copo/tulipa de 300 mL de chope contém 130 calorias e 3 a 6 % de álcool, o mesmo que um bombom ou um pãozinho francês. Quantos pães você é capaz de comer e quantos copos de cerveja você consegue beber?
  • O álcool aumenta o apetite e aumenta muito os desejos, ao mesmo tempo em que diminui as inibições em torno dos alimentos. Aquele alimento que você não come há anos, bêbado, você devora uma tonelada sem culpa. Sua tomada de decisão não é tão boa quanto seria se você não estivesse um pouco embriagado.
  • Beber com frequência pode prejudicar tanto o desempenho quanto a recuperação do exercício, o que significa que você não conseguirá treinar com tanta intensidade ou com tanta frequência, o que pode afetar sua taxa de força e ganho muscular. Álcool é uma substancia depressiva. Cansaço e depressão se misturam com abuso.
  • A saúde hormonal e intestinal não é falada tanto quanto deveria, mas é extremamente importante. O álcool pode danificar o revestimento do intestino e atrapalhar a flora intestinal, o que prejudicará a queima de gordura e como o corpo digere os alimentos. Ele também pode mexer com os níveis de hormônios que constroem músculos e queimam gordura.
  • Mas o álcool atrapalha a qualidade do sono, especialmente o sono REM, que é quando seu corpo faz a maior parte do trabalho para reparar e regenerar seu organismo. Não dormir o suficiente aumentará a fome e os desejos, e diminuirá a energia, então você pode acabar comendo mais e se movendo menos.
Semaglutida e redução do consumo de álcool

Minimizando os danos do álcool no processo de emagrecimento

Calorias do vinho e ganho de peso

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Autor: Dr. Frederico Lobo - Médico Nutrólogo - CRM-GO 13192 - RQE 11915 / CRM-SC 32949 - RQE 22416
Revisores: 
Rodrigo Lamonier - Nutricionista e Profissional da Educação física
Márcio José de Souza - Nutricionista e Profissional da Educação física
Dra. Edite Melo Magalhães - Médica especialista em Clínica médica e Nutróloga

quinta-feira, 6 de junho de 2024

Salada 16: Salada de inverno cítrica

Ingredientes:
1/2 maço de acelga; 
1 colher de sopa de azeite; 
Sumo de 1 laranja-baía espremida
Sumo de 1 limão siciliano espremido  
1/4 de xícara de chá de castanha de caju triturada; 
1 dente de alho; 
1 colher de chá de amido de milho; 
Sal
1 pitada de pimenta do reino
Opcional: Crouton de 1 fatia de pão integral

Modo de fazer:
Lave e separe as folhas da acelga (cortando a parte mais dura e descartando).
Corte-as em fatias com a espessura de 1/2 dedo 
Misture o sumo da laranja, do limão e o amido de milho, até que fique uma mistura homogênea. 
Em uma frigideira em fogo médio, aqueça o azeite e adicione o alho. Mexa até dourar; 
Junte a acelga fatiada, tempere com sal e pimenta do reino e refogue. 
Regue a acelga com a mistura do sumo das frutas e o amido de milho.
Misture bem e deixe cozinhar por cinco minutos, até que as folhas fiquem murchas e o caldo grosso; 
Desligue o fogo, adicione a castanha de caju e sirva em uma saladeira. Para dar mais crocância corte 1 fatia de pão integral em cubos bem pequenos e coloque na air fryer para virar crouton. 

Para quem ainda não leu os posts publicados:

Introdução à salada: 

https://www.ecologiamedica.net/2022/01/boracomersalada.html

Princípios básicos da salada: 

https://www.ecologiamedica.net/2022/01/boracomersalada-post-1-principios.html

Salada 1: Berinjela com castanha do Pará (ou castanha do Brasil), uva-passa e hortelã: 

https://www.nutrologogoiania.com.br/salada-1-berinjela-com-castanha-do-para-ou-castanha-do-brasil-uva-passa-e-hortela

Salada 2: Salada de inverno de abacate com frango cítrico: 

http://www.ecologiamedica.net/2022/06/salada-2-salada-de-inverno-de-abacate.html?m=0

Salada 3: Salada de inverno de rúcula: 

https://www.ecologiamedica.net/2022/06/salada-3-salada-de-inverno-de-rucula.html

Salada 4: Salada com legumes assados: 

https://www.ecologiamedica.net/2022/07/salada-4-salada-de-legumes-assados.html

Salada 5: Salada de Picles de pepino com molho de alho:

 https://www.ecologiamedica.net/2023/04/salada-5-salada-de-picles-de-pepino-com.html

Salada 6: Salada vegana de lentilha crocante: 

https://www.ecologiamedica.net/2023/07/salada-6-salada-vegana-de-lentilha.html

Salada 7: Salada cítrica de grão de bico: 

https://www.ecologiamedica.net/2023/07/salada-7-salada-de-grao-de-bico-citrica.html

Salada 8: Salada de frango com molho pesto de abacate: 

https://www.ecologiamedica.net/2023/08/salada-8-salada-de-frango-com-molho-de.html

Salada 9: Salada de berinjela com passas e amêndoas: 

https://www.ecologiamedica.net/2023/11/salada-9-salada-de-berinjela-com-passas.html?m=0

Salada 10: Salada com molho homus

https://www.ecologiamedica.net/2023/11/salada-10-salada-com-molho-homus.html

Salada 11: Salada de atum crocante: 

https://www.ecologiamedica.net/2023/12/salada-11-salada-crocante-de-atum.html

Salada 12: Trigo cozido com especiarias

https://www.ecologiamedica.net/2024/02/salada-12-trigo-cozido-com-especiarias.html

Salada 13: Salada de Pequi com molho de mostarda e mel

https://www.ecologiamedica.net/2024/04/salada-13-salada-de-pequi-ao-molho-de.html

Salada 14: Salada de Quinoa com frango dourado

https://www.ecologiamedica.net/2024/05/salada-14-salada-de-quinoa-com-frango.html

Salada 15: Salada Waldorf

https://www.ecologiamedica.net/2024/05/salada-15-salada-waldorf.html

Salada 16: Salada de inverno cítrica

https://www.ecologiamedica.net/2024/06/salada-16-salada-de-inverno-citrica.html

Smoothie de Whey Protein sem sabor com Frutas

Que precisamos de proteína, já sabemos.
Que precisamos ingerir frutas, também já sabemos.
Que a recomendação de fibras/dia gira em torno de 34g para homens e 28g para mulheres, também já sabemos. Porém, infelizmente a maioria dos brasileiros não atingem essa meta. 

E se eu te disser que com poucos ingredientes você consegue atingir em uma única refeição metade dessa quantidade? Além de cerca de 30g de proteína. - "Mas Dr. eu não gosto de whey". Você nem sentirá o gosto do whey. 

Hoje trago para vocês uma receita de Smoothie de Whey (sem sabor) com Frutas e fibras. 



Ingredientes:
1 scoop (30g de proteína por scoop) de whey protein sem sabor
1 xícara de morango congelado (3,3g de fibra)
1 banana media madura (2,6g de fibra)
1 maçã media (4,4g de fibra)
1 colher de sopa de aveia em flocos (1,45g de fibra)
1 colher de sopa de psylium (10g de fibra)
1/2 xícara de iogurte natural ou grego
300ml de água gelada
1 colher de chá de mel ou adoçante de sua preferência (opcional)
Gelo a gosto

Modo de preparo:
Preparação dos Ingredientes: Certifique-se de que todos os ingredientes estejam à mão. Se estiver usando morangos frescos, lave-os bem e retire as folhas. Se estiver usando morangos congelados, não é necessário descongelar.
Bata todos os ingredientes no liquidificador até obter uma mistura homogênea. Se preferir a bebida mais fria e refrescante, adicione gelo a gosto e bata novamente até que os cubos de gelo estejam triturados.

Servir: Despeje o smoothie em um copo grande e sirva imediatamente.

Dicas:
Você pode substituir as frutas de acordo com sua preferência ou o que estiver disponível na estação. Manga, abacaxi, ou frutas vermelhas também são ótimas opções.
Para uma versão vegana, use leite vegetal de coco, amêndoa, castanha de caju, soja. 
Se preferir uma consistência mais espessa, adicione mais iogurte.
Adicionar uma colher de chá de manteiga de amendoim ou pasta de amêndoas pode dar um toque extra de sabor. 
Esse smoothie é uma maneira deliciosa e nutritiva de consumir whey protein sem sabor, além de ser uma excelente opção de lanche ou refeição pós-treino.

quarta-feira, 5 de junho de 2024

"Não emagreci com Ozempic e agora?"



Pergunta frequente no meu cotidiano. Respostas complexas rs. 

Então vamos aos trechos dos diálogos:

- Dr. Frederico eu tomei Ozempic por 2 meses e não perdi nada de peso.
- Nada mesmo?
- Nada!
- Quem prescreveu o Ozempic (Semaglutida) ?
- Comprei sem receita e tomei igual o senhor prescreveu pra minha amiga.
- E o que te leva a acreditar que você á uma paciente que se enquadra no perfil do Ozempic?
- Se funcionou pra ela, pensei que funcionaria comigo.
- Qual dose você usava?
- Não passei de 0,5mg, porque senão eu passava muito mal.
 

Fatores genéticos
 
A semaglutida não é para todos. Trabalhos mais recentes mostram que existem fatores genéticos que determinam se o paciente será um bom respondedor ou não. No EUA até existe esse exame genético para fazer e custa cerca de $350. Espero que chegue logo no Brasil. Esse teste genético poderia ser o primeiro passo em direção à medicina de precisão para o tratamento da obesidade
 
Um dos grandes mistérios dos análogos de GLP-1 para perda de peso é por que algumas pessoas perderão 20% ou mais de seu peso corporal inicial com as medicações (Semaglutida/Liraglutida), enquanto para outras o peso não cai, como o caso dessa paciente acima.
 
Um estudo descobriu que cerca de 1 em cada 7 pessoas que usaram semaglutida por mais de um ano não perdeu pelo menos 5% de seu peso inicial, indicando que a medicação não funcionou bem para elas. 
 
“Achamos que o teste será capaz de explicar quem será capaz de perder peso, e podemos prever com 95% de precisão quem perderá mais de 5% com este teste genético”, disse o Dr. Andres Acosta, gastroenterologista e pesquisador da Mayo Clinic que auxiliou no desenvolvimento do teste genético. 
 
Os análogos de GLP-1 não são baratos e muitos pacientes compram na expectativa de que funcionará com eles. Um teste capaz de prever se os análogos funcionarão pode poupar gastos desnecessários e muita frustração. 
 
O teste, MyPhenome, foi desenvolvido por pesquisadores da Mayo Clinic e foi licenciado no ano passado por uma empresa chamada Phenomic Sciences. Custa US$ 350 e deve ser solicitado por um profissional de saúde. Ele procura 6.000 mudanças em 22 genes que estão na via de sinalização do hormônio GLP-1, e usa os resultados para atribuir a cada pessoa uma pontuação de risco que a classifica como “intestino faminto”-positivo ou “intestino faminto”-negativo.
 
Pessoas com fome positivas para intestinos têm respostas normais à sinalização hormonal no cérebro, enquanto pessoas com fome para intestino-negativo não parecem responder tão bem aos sinais hormonais do estômago que dizem ao cérebro para parar de comer. De acordo com o Dr. Acosta, o teste classifica essas pessoas como tendo um cérebro com fome, e elas podem precisar de diferentes tipos de abordagens para perder peso, como a cirurgia bariátrica.
 
Em um pequeno estudo recente com 84 pessoas inscritas em um registro de perda de peso na Clínica Mayo, os pesquisadores executaram o teste em amostras armazenadas de sangue ou saliva. Após nove meses usando a semaglutida, as pessoas que foram classificadas como intestinais positivas para fome perderam significativamente mais peso do que aquelas que estavam com fome intestinal-negativo.
 
Após um ano, as pessoas classificadas como positivas para intestinos com fome perderam uma média de 19% de seu peso inicial, ou quase o dobro, em média, do que os 10% do peso corporal total perdido por pessoas que foram classificadas pelo teste como negativos para intestino com fome.


Fatores comportamentais 
 
- Mas você fez alguma dieta?
- Fiz
- Com acompanhamento de algum nutricionista?
- Não, eu tirei arroz e parei de jantar. Mesmo assim não consegui emagrecer. Entende porque eu tô preocupada Dr? Eu comia pouco e não emagreci com o Ozempic!
- E final de semana, como era?
- Final de semana meu marido faz churrasco, eu comia só carne e feijão tropeiro, além de refrigerante zero.
- Quanto de carne?
- Uns 3 bifes de picanha, uns 350g de carne, umas 2 colheres de servir de tropeiro e 2 latas de coca zero.
- Comia sobremesa?
- Não, sem sobremesa. Tá vendo Dr, mesmo comendo pouco eu não emagreci.
- E esse churrasco é só no sábado ou no domingo?
- Sábado e domingo, mas eu como pouco.
- Você tem noção que 300g de picanha fornece cerca de 900 a 1000kcal? Além disso tem o tropeiro, 100g fornece cerca de 250kcal, 2 colheres de servir cheia fornece cerca de 300kcal. Ou seja, em uma única refeição você consumiu cerca de 1300kcal, fora as outras refeições. 
- Sério Dr?
- Sim. E a atividade física, qual você fez nesses 2 meses usando o Ozempic?
- Chego tarde do trabalho e infelizmente só fazia caminhada no sábado e domingo, uns 45 minutos no parque
 
Ou seja, a paciente não seguiu um plano alimentar elaborado por um profissional. Não praticou exercício físico diariamente. Isso diminui as chances do paciente responder à medicação. Associado a isso há ainda os fatores genéticos.  O próprio fabricante do medicamento coloca isso em bula: praticar um programa de reeducação alimentar e de exercícios. 
 
- Mas Dr. minha amiga tomou e não fez atividade física. Perdeu peso mesmo assim
- Será que ela perdeu gordura somente ou perdeu gordura e bastante músculo?
- Aí não sei, só sei que ela emagreceu. 
- É aí que mora o perigo. Em um processo de emagrecimento a atividade física muitas vezes auxilia pouco no processo de emagrecimento, mas ela protege a massa magra do paciente. Evita o reganho do peso perdido. Melhora a resistência insulínica. A gente não indica a toa, não é porque queremos ver o paciente sofrendo, sentindo dor durante o treino. 


- E o seu sono, como está?
- Dr eu trabalho muito, as vezes chego em casa 21:00, por isso que não treino. Aí até comer, tomar banho, olhar minhas redes sociais, já são 01:00. Durmo e acordo 07:00. 
- Então você dorme menos de 6 horas por noite?
- Geralmente sim.
- Entendi.
- E agora Dr, o que faço ?
- E agora que a gente começará do zero, avaliando: 
  • História do ganho de peso
  • Tentativas de perda de peso
  • Ferramentas já utilizadas durante o processo de emagrecimento.
  • Análise dos hábitos de vida
  • Recordatório alimentar de 7 dias com posterior análise conjunta (eu e meu nutricionista dentro do consultório)
  • Detecção do padrão alimentar
  • Escolha de medicação baseada no padrão alimentar identificado
  • A dose da medicação está adequada? Faz-se necessário escalonamento da dose? Dá para optimizar essa dose? 
  • Elaboração do plano alimentar baseado no padrão alimentar identificado
  • Escolha do exercício físico baseado na composição corporal, comorbidades, afinidade e disponibilidade
  • Acompanhamento psicoterápico para entender a baixa adesão ao que é proposto, fatores sabotadores.
  • Mudança no padrão de sono
Ou seja, não é porque falhou com Ozempic que já indicaremos cirurgia bariátrica. Há outras medicações que podem ser utilizadas.
 
Autor: Dr. Frederico Lobo – Médico Nutrólogo – CRM-GO 13192 – RQE 11915 – CRM-SC 32949 – RQE 22416