quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Aspectos nutrológicos sobre HIV e AIDS


Hoje (01/12) é o comemorando o Dia Mundial de Combate à Síndrome de Imunodeficiência adquirida (SIDA) ou Acquired Immunodeficiency Syndrome (AIDS).

A AIDS é uma doença ocasionada pelo Human Immunodeficiency Virus  (HIV) ou vírus da imunodeficiência humana, que leva a uma depleção imunológica. Durante a infecção inicial, o portador do HIV passar por um breve (as vezes menos de 14 dias) período doente, com sintomas semelhantes aos da gripe. Normalmente isto é seguido por um período prolongado sem qualquer outro sintoma. À medida que a doença progride, ela interfere gradativamente no sistema imunológico, tornando a pessoa muito mais propensa a ter outros tipos de doenças, como infecções oportunistas e câncer, que geralmente não afetam as pessoas com um sistema imunológico saudável.

Antes de tudo faz-se necessário compreender, que HIV e AIDS são diferentes. Nem todo paciente HIV (soropositivo) tem AIDS mas todo paciente com AIDS é HIV. A AIDS é a depleção imunológica ocasionada pelo vírus. Ela se manifesta através de infecções por agentes (vírus, fungos, bactérias) que quando presentes em um indivíduo imunocompetente (sadio) o organismo conseguiria resolver o processo infeccioso. Ou seja, o indivíduo fica vulnerável a agentes que normalmente não são "tão patogênicos" para alguém que esteja com o imunológico saudável.

A evolução da infecção divide-se em quatro estágios:
- (1) infecção aguda pelo HIV;
- (2) infecção crônica assintomática;
- (3) infecção sintomática e
- (4) SIDA ou HIV avançado

A primeira razão para esse post é que quase semanalmente recebo no ambulatório de nutrologia (SUS) pacientes soropositivos. Eles vem encaminhados pelo serviço de infectologia do município. Ao encaminhar o paciente, o infectologista acredita que um suporte nutricional adequado possa ser útil e que esse suporte possa alterar o curso da doença e o seu prognóstico. A segunda razão, é que há pouco material sobre o tema, até mesmo nos livros de nutrição/nutrologia.

Felizmente o suporte nutricional combinada com o tratamento convencional (médico) com infectologistas (é inegável que a terapia anti-retroviral mesmo com todos seus efeitos colaterais é um grande avanço no tratamento da doença) gera bons resultados. Vejo isso nos inúmeros pacientes atendidos ao longo desses anos. Acredito e defendo que um suporte nutricional adequado possa mudar o prognóstico da doença.

Segundo o Projeto Diretrizes publicado em 201: Terapia Nutricional na Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (HIV/AIDS), de autoria da Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral e a Associação Brasileira de Nutrologia: "O estado nutricional do paciente com HIV/AIDS adquiriu importância na prática clínica devido à desnutrição e aos efeitos colaterais da terapia antirretroviral. Mesmo na era HAART (terapia antirretroviral de alta eficácia/highly active antirretroviral therapy), não é pequeno o número de pacientes com perda de peso corporal e alterações importantes de composição corporal. Assim, recomenda-se atuar de imediato em qualquer indivíduo HIV+, assintomático ou na vigência de AIDS, que tenha perda de peso. Logo, deve-se instituir terapia nutricional (TN) e farmacológica, quando indicada. Essa vigilância contribui para sobrevida de pacientes HIV+, ao retardar a imunodepressão de origem nutricional e a ocorrência de infecções oportunistas. Ao manter-se a homeostase corporal e a autoestima, melhora-se também a qualidade de vida do paciente com HIV/AIDS". 

O foco da nutrologia no caso do paciente HIV+/AIDS consiste em :

1) Evitar a desnutrição, reduzir o catabolismo protéico e a perda de peso corporal
2) Minimizar o estresse oxidativo, os sintomas e prevenir as infecções oportunistas
3) Suporte nutricional adequado e balanceado de acordo com as necessidades do indivíduo,
4) Evitar e tratar sinais e sintomas que acometem o trato digestivo do paciente portador de AIDS.
5) Melhorar a tolerância ao tratamento antirretroviral,
6) Auxiliar o paciente a manter a composição corporal;
7) Promover melhor qualidade de vida

Diminuição do catabolismo protéico

A infecção pelo HIV aumenta o catabolismo protéico (é uma doença consumptiva) e com isso o paciente perde massa magra facilmente.  A desnutrição, a perda de peso e a depleção da massa celular metabolicamente ativa podem ocorrer em todos os estágios da doença. A infecção pelo HIV está relacionada a aumento do gasto energético basal (25 a 29% de aumento(, por isso é classificada como uma doença consumptiva.

O norteamento do tratamento nutricional deve ser nesse sentido, combater essa perda de peso, perda de massa magra a fim de se evitar suas repercussões no sistema imune.

Alguns estudos demonstraram que 18% dos pacientes, monitorados durante um ano, perderam acima de 10% do peso corporal durante visitas seriadas, enquanto que 21% perderam acima de 5% do peso corporal prévio. 8% apresentaram Índice de Massa Corporal (IMC)
Essa perda de massa magra, segundo inúmeros estudos está relacionada:
1) Maior mortalidade,
2) Aceleração da progressão da doença,
3) Perda de músculo e com isso diminuição da força muscular e piora do estado funcional do indivíduo.


Hoje já se sabe que a desnutrição tem um efeito negativo no prognóstico, independentemente da imunodeficiência e carga viral, ou seja, mesmo que o paciente esteja em TARV, com carga indetectável, deve-se combater a desnutrição.

É mandatória a realização de Bioimpedanciometria nesses pacientes, sempre que disponíveis no serviço.

Minimizar o estresse oxidativo, os sintomas e prevenir as infecções oportunistas

A infecção pelo HIV leva a um alto grau de stress oxidativo. A terapia nutrológica deve objetivar também a diminuição da produção de radicais livres. Nós orientamos o paciente a ingerir fontes de alguns minerais, aminoácidos e vitaminas que sabidamente podem minimizar esse estresse oxidativo. Quando necessário, a suplementação, desde que comprovado o déficit laboratorialmente. Além disso frisamos as fontes ambientais que estimulam a produção de radicais livres. Com aporto adequado de nutrientes associado à TARV podemos minimizar os riscos desse paciente contrair alguma infecção oportunistica.

Suporte nutricional adequado e balanceado de acordo com as necessidades do indivíduo

Nesse caso, objetivamos fornecer os nutrientes necessários para melhora do sistema imunológico, em especial os linfócitos T-Helper (CD4+ e CD8+), especificando quais nutrientes podem favorecer melhora no quantitativo de linfócitos.


Segundo o Projeto Diretrizes devemos incluir dentro da avaliação laboratorial os "testes bioquímicos, como albumina, contagem total de linfócitos, CD4, CD8, carga viral, dosagem de testosterona total, determinar a função da tireóide, avaliação das funções renal e hepática, concentração sérica de eletrólitos, zinco, selênio, vitamina A e vitamina B12 estão associados com a progressão da doença".

Alguns medicamentos utilizados na TARV (fumarato de tenofovir disoproxil antirretroviral da classe dos inibidores de trasncriptase reversa análogo de nucleosídeos) pode levar a toxicidade renal, óssea e endócrina. Portanto o nível de Vitamina D, assim como de Paratormônio devem ser acompanhado em indivíduos que estão em TARV. Na literatura há controvérsias se  a 25-OH-Vitamina D deve ser solicitada para todos os pacientes HIV+.

Evitando e tratando sinais e sintomas que acometem o trato digestivo do paciente HIV+/AIDS

Devido o uso das medicações na TARV ou pela própria fisiopatologia da doença, esses pacientes são vulneráveis a algumas condições: perda do apetite, náuseas, vômitos, diarréias, perda de massa magra, fraqueza. Sendo dever do médico dar o suporte adequado para tais sintomas.

Como já citado acima, o portador do HIV tem como principal característica o desarranjo da função imune, que no final leva á perda dos linfócitos T-helper (CD4+), necessitando de uma Terapia Nutricional, que possa abranger não apenas os sintomas relacionados a AIDS ou à terapia antirretroviral (TARV) instituída, mas traga ao individuo uma melhor qualidade de vida.

Os pacientes portadores de AIDS vivenciam um elevado grau de estresse oxidativo, ou seja, alta produção de radicais livres, por causa do déficit imunológico, combinado às constantes infecções, além de ações do próprio organismo produzindo radicais livres na tentativa de eliminar o vírus. Com isso o suporte nutrológico adequado, associado à terapia anti-retroviral tem proporcionado aos pacientes uma grande melhora de qualidade de vida.

Desde a década de 90, o Dr. Helion Póvoa, precursor da prática ortomolecular no Brasil, atende pacientes com HIV e tem uma ONG no Rio de Janeiro que visa atender pacientes carentes soropositivos. "O suporte é orientando a parte nutricional e suplementando os nutrientes deficientes (comprovados laboratorialmente)". O Dr. quando vivo, afirmava que pacientes soropositivos que ingeriam vitaminas, minerais e aminoácidos para combater a grande quantidade de radicais livres formados na infecção pelo HIV têm a carga viral diminuída muito mais rapidamente, desaparecendo as complicações decorrentes da doença. Talvez pelo efeito antioxidante dos nutrientes. O Dr. Helion Póvoa destacava, no entanto, que a função dos antioxidantes neste caso é de coadjuvante ao tratamento convencional: "A carga viral da doença é muito grande e só se consegue diminuí-la com um tratamento tão violento quanto esse com os anti-retrovirais. Mas não há dúvida de que o uso de vitaminas e outros antioxidantes é capaz de representar melhoras espetaculares em pacientes com Aids".

Eu particularmente sou da linha defensora de que em processos infecciosos, devemos evitar antioxidantes sintéticos, optando apenas pela alimentação (antioxidantes naturais). Na vigência de processos infecciosos, a produção endógena de radicais livres apesar de gerar alguns sintomas, é crucial na tentativa de eliminar o agente. Existe um fino equilíbrio entre antioxidantes endógenos e esses radicais livres. A partir do momento que entramos com antioxidantes sintéticos, podemos alterar a cinética e as consequências não estão ao nosso alcance. Portanto, a melhor estratégia é a utilização de alimentos, reservando os produtos sintéticos apenas para os quadros com deficit laboratorial comprovado e que não tiveram melhora com o aumento do aporte (ingestão das principais fontes daquele respectivo nutriente).

Segundo o Prof. Helion Póvoa, existe uma proteína, chamada NF-KappaB, que é produzida intensamente no organismo de quem tem o vírus da Aids, pois é fundamental à multiplicação do vírus HIV. Os antioxidantes naturais são capazes de inibir a síntese do fator NF-KappaB e assim auxiliar na inibição da multiplicação do HIV, podendo auxiliar na diminuição da carga viral no paciente e proporcionando-lhe grande melhora do estado geral. Mas nem de longe esse efeito é superior ao da TARV. Sendo iatrogenia qualquer médico que advogue contra o uso da TARV. Tenho visto médicos alegando que o uso de baixas doses de Naltrexona (uma medicação utilizada para tratar alcoolismo e dependência de cocaína) pode reduzir a carga viral e aumentar os níveis de linfócitos T CD4+. Não há estudos com evidências sólidas mostrando que esse tipo de terapia possa ser realmente eficaz na infecção por HIV. A tabela abaixo resumo os principais compostos bioativos (com suas principais fontes alimentares) com ação sobre NF-KappaB)



Os pacientes em uso da TARV também podem apresentar Dislipidemias (aumento de colesterol ou de triglicérides) e alguns alimentos combinados com a prática regular de atividade física podem ser adjuvantes ao tratamento. Dentre os alimentos que podem reduzir os níveis de colesterol LDL temos os ricos em ômega 3 (salmão, atum, sardinha, linhaça, chia), os ricos em fitoesteróis (soja). Para a redução de triglicérides temos os alimentos ricos em Niacina (vitamina B3, presente em carnes e amendoim).

A dieta deve ser avaliada quanto à adequação nutricional individual, considerando-se os sintomas associados à infecção por HIV, como:
• perda de peso,
• anorexia,
• diminuição dos níveis de energia,
• alterações gastrintestinais,

As necessidades energéticas variam dependendo do estado de saúde do indivíduo no momento da infecção por HIV, progressão da doença e desenvolvimento de complicações que prejudicam a ingesta e utilização de nutrientes.

Segundo o prof. Dr. Dan Waitzberg, os indivíduos portadores do vírus HIV desenvolvem dois modelos de desnutrição, a protéico-calórica (DPC) e a Wasting Syndrome.

A primeira se desenvolve devido à ausência ou redução da utilização do nutriente, e pode ser causada por ingestão calórica abaixo da necessidade calórica total ou má absorção de nutrientes.

Já na Wasting Syndrome é definida como uma perda de peso não intencional de 10% ou mais do peso corpóreo usual, diarréia, fraqueza ou febre por mais de 30 dias.

É comum também os pacientes em TARV apresentarem  algum grau de Lipodistrofia (que é diferente da Síndrome Consumptiva). Geralmente detectamos ao exame físico a lipoatrofia na região da face,
dos membros superiores e inferiores e uma proeminência das veias superficiais associadas ou não ao acúmulo de gorduras na região do abdome, da região cervical (gibas) e das mamas. Essa lipodistrofia pode ser ocasionada por fatores  metabólicos: aumento sérico de lipídeos, intolerância à glicose, aumento da resistência periférica à insulina e diabetes mellitus, associados ou não às alterações anatômicas. Podendo ser tratada com uso de GH e Testosterona pelo endocrinologista.

É de grande importância à utilização de nutrientes, minerais e vitaminas envolvidos na função imunológica, já que o paciente encontra-se em constante estresse oxidativo e necessita de equilíbrio nutricional; a ingesta de proteínas adequada é importante para promover o equilíbrio positivo de nitrogênio e repleção de massa magra corpórea.

A atividade bactericida e antiviral dos linfócitos e a capacidade de multiplicação e secreção de Imunoglobulinas é afetada pelos oxidantes celulares, sendo assim é fundamental no tratamento dietoterápico a introdução de alimentos que tenha nutrientes com capacidade antioxidante (exemplo açaí, chá verde, cacau, frutas vermelhas, alho, cebola, fontes de selênio e zinco).

Como o paciente soropositivo necessita de um tratamento medicamentosos que podem ter efeitos colaterais, é interessante fornecer na alimentação substâncias que ajudam no processo de destoxificação do organismo a fim de minimizar os desconfortos e melhorar a metabolização destes pelo fígado, como a utilização:
• Das brássicas: brócolis, couve flor, couve-de-bruxelas, couve e repolho
• Bioflavonóides (ex: quercetina que ativa o citocromo P450),
• Ervas e temperos naturais: alho, cebola, orégano, cúrcuma (açafrão), gengibre, alecrim, tomilho.


MACRONUTRIENTES

As proteínas são essenciais para a manutenção da massa magra e portanto é o principal macronutriente a ser analisado na terapia nutricional do paciente HIV.

Sua ingestão varia de acordo com a fase da doença. Na fase estável da doença, a necessidade protéica
deve ser 1,2 g/kg peso atual/dia. Na fase aguda, a necessidade de proteínas aumenta para 1,5 g/kg de peso atual/dia podendo chegar até a 2g/kg/dia.

Carboidrato devem corresponder a pelo menos 50% do volume calórico total (VCT). Podendo ter uma redução desse aporte caso coexista síndrome metabólica ou dislipidemia.

Habitualmente os lipídios ficam entre 30 a 35% do volume calórico total. Mas se existir dislipidemia, o recomendado é que: o paciente ingira menos de 200mg de colesterol/dia, Gorduras saturadas menos de 7 % do VCT e uma redução da gordura total para até 30% do VCT.

MICRONUTRIENTES

Não há consenso na literatura sobre os nutrientes que estão reduzidos nos pacientes HIV+/AIDS. Alguns estudos mostram que apresentam níveis diminuídos de vitamina A, E, B12, zinco e selênio. Portanto aqui, na minha opinião, os nutrientes que devem receber atenção especial na infecção pelo HIV são:

1- AMINOÁCIDOS:
A – Arginina: Whey, albumina, carnes e amendoim, suplementação
B – Cisteína: Whey, albumina, peixes, frango, suplementação
C – Ornitina: Whey, albumina, dieta, suplementação

2- VITAMINAS com ação antioxidante:
A - Vitamina A e Betacaroteno
B - Vitamina C + Quercetina (bioflavonóide)
C - Vitamina E: a suplementação pode ser deletéria, já que a elevada concentração sérica de vitamina E está associada com marcadores anormais para aterosclerose e pode aumentar risco de complicações cardiovasculares em adultos infectados por HIV.
D - Complexo B (principalmente B12, já que algumas medicamentos utilizados na TARV podem depletá-la, mas há estudos mostrando que os níveis sobem após a instituição da TARV)
E - Vitamina D: sol

3- MINERAIS com ação antioxidante:
A - Selênio: principal fonte a castanha do pará (deve-se a todo custo evitar a suplementação sintética, já que alguns estudos mostram que o risco de câncer de próstata pode aumentar)
B - Germânio: principal fonte o gengibre
C - Zinco: principais fontes: ostras, frutos do mar, carne vermelha, oleaginosas (É um mineral que comumente doso e está baixo, mesmo nos pacientes que estão ingerindo boa quantidade de proteína animal). Atenção especial deve ser dada às fontes de zinco, já que ele é um dos principais nutrientes relacionados à imunidade, em especial aos linfócitos T. Além disso o estress oxidativo aumenta a demanda de zinco.

4- L-GLUTATIONA:
A glutationa é um antioxidante tripeptídeo formado por 3 aminoácidos: Glicina,  ácido glutâmico e cisteína. Ela é o substrato da enzima glutationa peroxidase (GSH) que catalisa a redução do peróxido de hidrogênio através de um mecanismo de óxido-redução. È também a melhor forma de transporte no plasma de cisteína e dos grupos sulfidrílicos, que aumentam a atividade e a proliferação dos linfócitos T e a sua diferenciação de T para B. O paciente portador de HIV pode apresentar um déficit grande de glutationa. Ela auxilia na modulação do sistema imune. Como o corpo fabrica a própria glutationa, é possível incentivar a produção dela ingerindo alimentos que auxiliam o corpo a produzir maiores quantidades. Ou seja, deve-se estimular o consumo de proteínas magras e de alto valor biológico: carnes, ovos, leite e soja. Além disso deve-se estimular o consumo de vegetais in natura, crus, pois no processo de cocção os níveis de Glutationa dos vegetais podem decair.  As seguintes frutas e legumes contêm a maior quantidade de glutationa por porção: aspargos, batatas, pimentas, cebolas, cenouras, abacates, brócolis, espinafre, alho, abóbora, tomates, toranjas, maçãs, laranjas, bananas, pêssegos e melão. Supostamente, o composto químico cianohidroxibutano aumenta os níveis séricos de glutationa e ele pode ser encontrado em brócolis, couve-flor, couve-de-bruxelas e no repolho. A beterraba possui um efeito positivo sobre a atividade das enzimas GSH. Outra estratégia para aumentar a glutationa é o acréscimo de temperos à dieta. Alguns temperos, como cúrcuma, canela, cominho e cardamomo possuem compostos que ajudam na restauração de níveis saudáveis de glutationa, além de elevar a atividade das enzimas GSH. O selênio aumenta os níveis de glutationa peroxidase, ou seja, castanha do pará. O consumo de fontes de ácido alfa-lipóico (ALA), também pode elevar a glutationa, já que ele promove a síntese da glutationa no corpo. O ALA é um potente antioxidante natural, endógeno, que consegue regenerar antioxidantes já oxidados, como as vitaminas C e E. Os alimentos ricos em ácido alfa-lipóico são: espinafre, tomates, ervilhas, couve-de-bruxelas, maionese e farelo de arroz. Muitos deles já são naturalmente ricos em glutationa. Os atividade física é uma outra manteira de estimular o corpo a produzir mais glutationa. Estudos tem mostrado que todos os tipos de exercícios moderados elevam os níveis de glutationa no sangue. Estão incluídos exercícios aeróbicos, musculação e a combinação entre atividades aeróbicas e musculação. Alguns fatores ambientais podem exercer um efeito negativo níveis séricos de Glutationa, tais como: Poluição ou toxinas no ar, uso de drogas,  infecções bacterianas ou virais, radiação, agrotóxicos.

5- N-ACETIL-CISTEÍNA:
É uma substância endógena, formada a partir do aminoácido cisteína e que tem como uma de suas funções, reciclar os níveis de L-glutationa. Portanto todo alimento que for fonte de cisteína, favorecerá um aumento dos níveis de N-acetil-cisteína.

6 - ÁCIDO ALFA-LIPÓICO:
Ele promove a síntese de glutationa endógena. As principais fontes ja foram citadas acima.

7 - COENZIMA Q10:
Nutriente que melhora o aporte de energia na mitocôndria. É um antioxidante que auxilia no processo imunológico. As principais fontes nutricionais são: peixes, soja, germe de trigo, algas, oleaginosas, gergelim e brócolis.

8 - PROBIÓTICOS:
São bactérias que vivem no intestino e que a cada dia são mais estudas, mostrando papel importante na imunomodulação. A principal fonte alimentar são os iogurtes e coalhadas. Os estudos ainda são controversos e inclusive alguns recomendam não se utilizar probióticos industrializados em pacientes imunocomprometidos. Até o momento o uso de algumas cepas de probióticos tem mostrado benefícios na faixa pediátrica, principalmente quando ocorre disfunção intestinal e queda dos linfócitos T CD4+.

9 - ÁCIDOS GRAXOS POLIINSATURADOS e MONOINSATURADOS: os óleos de origem vegetal, ricos em ômega 3 e 9 estimulam as célular natural Killers, que são "policiais" do nosso sistema imunológico. Alguns trabalhos têm estudado o efeito da suplementação de ácido graxos ômega-3 nas complicações metabólicas presentes em pacientes em TARV. Nessa revisão, que incluiu vinte estudos originais, foi visto que a suplementação com ácido graxo ômega-3 resultou em significativa redução nos níveis séricos de triglicérides, redução da lipogênese relacionada a síndrome metabólica.


FONTES DE NUTRIENTES

Zinco:
Ostras, Arroz Integral, Ovo, Grãos integrais, sementes, amêndoas, avelãs
Cobre
Ostras, Tofu, Ervilha, cacau em pó, salmão (Alasca), legumes, cereais integrais, frutas vermelhas, amêndoa, folhas verde-escuro, nozes, pistaches, avelã, aves, ameixas, soja.
Vitamina A
Batata doce, cenoura, espinafre, abóbora, manga, damasco, brócolis, pêssego, papaia, laranja.
Vitamina C:
suco de acerola, suco de laranja, kiwi, manga, melão, papaia, morango, couve-flor, limão.
Vitamina E:
amêndoas cruas, batata doce, abacate, damasco, azeite de oliva extra-virgem, ovos/gema de ovo (caipira), espinafre, aspargo, pepino.
Vitamina B3:
peixes, aves, avelã, nozes, amêndoa, pistaches, ovos.

Vitamina B5:
Suco de l aranja, peito de frango (caipira).
Vitamina B6:
banana, frango, arroz integral e outros grãos integrais. Comer preferencialmente alimentos crus, pois a vitamina B6 se perde na elevação da temperatura
Vitamina B12
ostras, atum, ovo caipira, porco, peito de frango (caipira)
Ácido Fólico:
espinafre, feijão, suco de laranja, brócolis, alface, repolho, banana, ovo caipira.
Vitamina D:
óleo de fígado de bacalhau, arenque, slmão, sardinha, camarão, gema de ovo caipira. SOL
Enxofre:
peixes, aves, ovos, legumes, verduras, algas, alho, cebola, repolho, avelã, couve de Bruxelas, amêndoa, alface, nozes, pistaches.
Silício:
beterraba, repolho, alfafa, aveia integral, arroz integral, alface, pectina de frutas cítricas, confrey, folhas verde escruras, cavalinha (chá), polpa de cana, cebola.
Proantocianidinas/ Antocianidinas
uva, morango, cereja, framboesa, amora, açaí.


Uso de suplementos orais em pacientes HIV+/AIDS

Segundo o projeto diretrizes, os suplementos orais estão indicados quando o paciente se alimenta por via oral, mas não o suficiente para manter suas necessidades energéticas. Para doentes sem complicações, em que se deseja aumentar o peso, o uso de suplementos orais pode auxiliar muito a ampliar a ingestão alimentar.

A suplementação oral também é benéfica em períodos de maior necessidade energética, quando o metabolismo basal está aumentado, como, por exemplo, em episódios de algumas infecções oportunistas. A via enteral deve ser considerada sempre que a alimentação oral estiver insuficiente.

Deve ser postulado seu uso naqueles casos em que houve perda de peso (>5% em
três meses) ou depleção da Massa magra corporal (>5% em três meses) ou então nos pacientes com IMC < 18 kg/m².

INTERAÇÃO NUTRIENTES COM DROGAS

Algumas drogas utilizadas na TARV tem sua absorção diminuída na presença de gorduras e portanto a sua administração deve ser sem com ou sem alimento mas sem alimentos gordurosos. Enquanto o Efavirenz tem sua absorção aumentada quando ingerido com alimentos gordurosos.
São elas: Zidovudina, Abacavir, Didanosina, Tenofovir, Estavudina, Lamivudina

A Zidovudina pode levar a anemia por depleção dos níveis de cobre e zinco, portanto os níveis devem ser dosados.

A didanosina tem risco de pancreatite quando consumida com álcool.

Efavirenz, Nevirapina, Ritonavir, Indinavir, Nelfinavir, Saquinavir, Lopinavir, Amprenavir, Atazanavir devem ser consumidos com alimentos e não devem ser consumidos com: Erva de São João (Hypericum), cápsulas de alho, Ginseng, Ginkgo Biloba, Equinácea.


BIBLIOGRAFIA

  1. ALMEIDA, et al. Consumo alimentar e dislipidemia decorrente da terapia antirretroviral combinada para infecção pelo HIV: uma revisão sistemática. Arq Bras Endocrinol Metab 2009;53:519-27.
  2. AMB, CFM, Projeto Diretrizes: Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina: Terapia Nutricional na Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (HIV/AIDS).Set/2011.
  3. BAUM, et al. Micronutrientes and HIV-1 disease progression. AIDS 1995;9:1051-6.
  4. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Programa Nacional de DST e Aids. Manual Clínico de Alimentação e Nutrição Na Assistência a Adultos Infectados pelo HIV. Brasília, DF, 2006
  5. CARTER, et al. Micronutrients in HIV: A Bayesian Meta-Analysis. PLoS ONE, 10(4), 2015.
  6. COELHO, et al. Vitamin D3 supplementation in HIV infection: effectiveness and associations with antiretroviral therapy. Nutrition Journal (2015) 14:81 
  7. KOTLER, DP. Nutritional alterations associated with HIV infection. J Acquir Immune Syndr 2000;25:S81-7.
  8. WANKE, et al. Weight and wasting remain common complications in individual infected with HIV in the era of highly active antirretroviral therapy. Clin Infec Dis 2000;31:803-5.
  9. WOODS, et al. Effect of a dietary intervention and ω-3 fatty acid supplementation on measures of serum lipid and insulin sensitivity in persons with HIV. Am J Clin Nutr 2009;90:1566-78.



terça-feira, 29 de novembro de 2016

Alimentos que podem ajudar a prevenir o diabetes mellitus por Dr. Mateus Severo

Vídeo feito por um amigo muito estudioso, Dr. Mateus Severo (médico endocrinologista e futuro nutrólogo). Vale a pena curtir a página dele no facebook: https://www.facebook.com/drmateusendocrino/?hc_ref=NEWSFEED

domingo, 27 de novembro de 2016

Melatonina ajuda a regular o sono: conheça os benefícios e contraindicações

Depois de anos de espera, no fim de outubro a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou, parcialmente, a comercialização de melatonina --o "hormônio do sono"-- no Brasil. No momento, apenas uma empresa, a Active Pharmaceutica, recebeu permissão para importá-la e vendê-la a farmácias de manipulação. Para quem não sabe, a melatonina é produzida no escuro pela glândula pineal --localizada na parte central do cérebro-- e, assim que o corpo a reconhece, assimila que é hora de dormir.

“Por isso, se você estiver em um local iluminado, mesmo que pela luz emitida pela televisão, computador ou celular, a produção diminuirá e o organismo receberá o recado de que ainda é dia”, explica Bruno Halpern, endocrinologista e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Como resultado, o relógio biológico fica desregulado e todos os demais hormônios param de funcionar corretamente, causando não só distúrbios de sono, como também uma série de problemas à saúde. Entre eles, obesidade, diabetes, envelhecimento precoce e hipertensão.

Quando tomar?

Na maioria das vezes, a melatonina é indicada para trabalhadores noturnos, que precisam dormir em horários alternativos, ou para quem tem uma rotina fora do comum. É o caso da paranaense Raissa Pestana, 25, relações públicas, que começou a tomar a substância há cerca de três meses, por recomendação de sua endocrinologista. “Praticava atividades físicas à noite e fazia plantões no trabalho às seis da manhã. Meu corpo não entendia essa rotina e meu sono era muito instável. Falei com minha médica, fiz exames e ela me receitou a quantidade de melatonina adequada. Passei a dormir melhor e ganhei mais disposição no dia a dia”, conta.

Aqueles que sofrem com o incômodo “jet lag” (alteração do ritmo biológico após mudanças do fuso horário em longas viagens de avião) também podem fazer uso. “Ela ainda pode ser indicada para melhorar o bem-estar de pacientes portadores de doenças que diminuem a produção do hormônio, como Alzheimer, Parkinson, autismo e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade”, recomenda José Cipolla Neto, professor do departamento de fisiologia do ICB-USP (Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo) e um dos maiores pesquisadores de melatonina no Brasil, com diversos artigos publicados sobre o tema. Gestantes e mulheres que desejam engravidar ou que estejam fazendo tratamento à base de estrogênio devem ficar longe da substância, uma vez que ela tem um leve efeito inibidor do hormônio feminino.

Se você não se enquadra nos casos citados, dificilmente precisará ingeri-la. E vale enfatizar: uma simples dificuldade para dormir não é suficiente para tomá-la, pois é preciso que exames solicitados por endocrinologistas ou médicos do sono comprovem sua deficiência. “Se a pessoa não tiver uma necessidade médica e, mesmo assim, fizer uso, o organismo sairá do ritmo e as consequências serão graves. Ela pode desenvolver distúrbios metabólicos e imunológicos sérios”, garante Cipolla Neto. Outros problemas desencadeadores da falta de sono, como depressão e ansiedade, também não podem ser tratados com a substância. “A melatonina vai funcionar para dormir se o problema de base for a falta do hormônio. Se você dorme mal por depressão, por exemplo, não fará efeito e precisará de outro tipo de medicamento”, explica Halpern.

Prescrição médica

A automedicação é uma realidade nos países em que sua comercialização é autorizada. O empresário Ricardo Vitay, que mora no Canadá, ingeriu melatonina pela primeira vez para aliviar os efeitos do “jet lag” e decidiu incluí-la na rotina para dormir melhor.

“Na cidade onde moro, ela é encontrada facilmente em farmácias e supermercados, sem necessidade de prescrição médica”, conta Vitay. Halpern alerta para o perigo da ingestão sem orientação de um especialista. “A automedicação é um erro grave. O horário e a dose dependem muito do quadro do paciente. A venda indiscriminada é reprovável e deve ser proibida”, salienta.

Segundo Bruno Halpern, é exatamente por essa falta de consciência dos pacientes e dos médicos que a substância ainda não foi totalmente liberada pela Anvisa. “A melatonina passou a ser receitada para qualquer coisa.” Em comunicado, a agência reguladora declarou que a análise minuciosa e a adoção de critério rigorosos para a liberação têm exatamente como objetivo “estabelecer a segurança” em relação à utilização do hormônio.

“Melatonin madness”

O primeiro registro da existência da melatonina foi feito em 1958, pelo dermatologista norte-americano Aaron Lerner. Nas décadas de 1960 e 1970, deu-se início à sua comercialização, mas o verdadeiro “boom” nas vendas aconteceu vinte anos depois. “Na década de 1990, foi observado um grande estouro nas vendas, o que apelidamos de ‘melatonin madness’ (“febre” da melatonina, em tradução livre para o português), lembra Cipolla Neto.

Além da melhora no sono, um dos motivos para o consumo, nos anos 90, era seu efeito antienvelhecimento ("baseado em experimentos questionáveis, vale ressaltar”, diz Cipolla Neto). Segundo o estudioso, a ingestão do hormônio deve ser feita somente diante de prescrição e jamais por motivos estéticos

Fonte: http://estilo.uol.com.br/vida-saudavel/noticias/redacao/2016/11/23/melatonina-ajuda-a-regular-o-sono-conheca-os-beneficios-e-contraindicacoes.htm

terça-feira, 22 de novembro de 2016

A dieta vegetariana é realmente saudável? Por Dr. Sergio Simon

Os vários tipos de dieta vegetariana tornaram-se mais difundidos após a II Guerra Mundial. Nas últimas décadas, a proporção de pessoas que se declaram vegetarianas tem aumentado significativamente nos Estados Unidos e também no Brasil. Nos Estados Unidos, os últimos cálculos mostram que cerca de 5% das pessoas se declaram vegetarianas, e 2% são estritamente veganas.
De um modo geral, vegetarianos são pessoas que não consomem carne, peixe ou frango. Alguns consomem carne muito raramente, uma a duas vezes por mês, e são chamados “semivegetarianos”. Muitos, entretanto, comem regularmente ovos e usam leite e seus derivados : são os ovolactovegetarianos. Há variações dessa dieta: alguns não comem carne vermelha ou branca, mas aceitam refeições à base de peixes “pescovegetarianos”. Já os veganos constituem o grupo mais estrito: não consomem carnes nem peixes e também não usam ovos, leite e laticínios. Sua dieta é estritamente de origem vegetal.

Há várias razões para seguir uma dieta vegetariana: desde religiosas, como parte dos adventistas, até por problemas de consciência (não alimentar-se de animais vivos e de suas proteínas), ou até mesmo ditadas pela vontade de manter uma dieta mais natural e talvez mais saudável.

Mas a dieta vegetariana ou vegana é realmente mais saudável do que a dieta geral da maioria da população, não vegetariana? Teriam os vegetarianos menos doenças e talvez maior longevidade?
Muito do que se sabe a respeito vem de vários estudos observacionais, principalmente dos Estados Unidos e Inglaterra. Os principais são os que foram realizados pela Igreja Adventista do Sétimo Dia americana. Um primeiro estudo analisou 23 000 fiéis durante dezesseis anos, coletando dados sobre suas dietas, doenças e mortalidade. Um segundo estudo, ainda maior, investigou a incidência de doenças e a mortalidade em 34 000 pessoas ao longo de doze anos. Finalmente, um gigantesco estudo (chamado de AHS-2), seguindo 100 000 pessoas nos Estados Unidos e Canadá, foi iniciado em 2 002, e continua coletando dados até os dias de hoje. A Universidade de Oxford realiza atualmente um grande trabalho com populações vegetarianas.

E o que mostram essas pesquisas? No caso do AHS-2 a população analisada de 100 000 pessoas era constituída de 48% de não vegetarianos, 6% de semivegetarianos, 10% de pescovegetarianos, 28% de ovolactovegetarianos e 8% eram veganos puros. Constatou-se que os vegetarianos tinham 2-4 pontos a menos no índice de massa corporal (IMC), um importante indicador de peso e de saúde cardiovascular, quando comparados aos não vegetarianos. Eles tinham também risco 55% menor de ter pressão alta, 25% menor de desenvolver diabetes tipo 2 e 50% de probabilidade de desenvolver síndrome metabólica (um conjunto de alterações metabólicas considerado como um risco cardiovascular importante).

A diminuição do risco de câncer foi relativamente modesta: no total, apenas 8% a menos entre os vegetarianos. Chama atenção, entretanto, que no caso específico do câncer de intestino, um tumor bastante comum, a diminuição chegou a 50%.

Quanto à mortalidade, os vegetarianos tiveram uma queda de 10% a 20% a 20%, verificando-se em especial uma redução de 25% das mortes por problemas cardíacos.

É difícil avaliar as diferenças entre os vários tipos de dieta vegetariana, mas aparentemente o grupo dos veganos estritos foi o que teve maior benefício em termos de menor índice de massa corporal, hipertensão, diabetes, derrame cerebral e morte cardiovascular. O provável motivo seria a grande quantidade de fibras, antioxidantes, grãos integrais, soja e nozes da sua dieta, uma vez que esses elementos sabidamente estão associados aos índices de colesterol, gorduras, diabetes e alguns tipos de câncer.

Mas a dieta vegana não é sem riscos: faltam nela quantidades adequadas de vitamina B12, de cálcio e de proteínas. Outros estudos notaram que os veganos têm 30% a mais de fraturas ósseas e uma incidência alta de deficiência de vitamina B12, que pode levar a problemas neurológicos e cardiovasculares. Assim, idealmente a dieta vegana teria de ser adequada para incluir esses nutrientes, através do uso de suplementos alimentares.

Em suma, os vários estudos mencionados são bastante parecidos em seus resultados: as dietas vegetarianas reduzem o índice de massa corporal e a incidência de diabetes, hipertensão, eventos cardiovasculares e alguns tipos de câncer. A dieta totalmente vegana parece ser a mais protetora, apesar de conter algumas deficiências alimentares importantes, que devem ser corrigidas com suplementos. Entretanto, na sociedade moderna, manter uma dieta totalmente vegana, ou até simplesmente vegetariana, enfrenta obstáculos práticos no dia a dia. É grande a oferta de produtos não vegetarianos no mercado e nossa cultura culinária brasileira dá muito valor às carnes, ao leite e aos ovos. A decisão de seguir qualquer tipo de dieta é uma decisão pessoal, que acarreta compromissos, mas que pode ter recompensas médicas significativas.

Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/letra-de-medico/a-dieta-vegetariana-e-realmente-saudavel/

Os homens estão menos férteis, revela estudo. A culpa… é do estilo de vida

As mudanças no estilo de vida dos homens, que vêm ocorrendo nos últimos anos, reduziram a qualidade e a quantidade de espermatozoides produzidas. O resultado é uma queda na sua taxa de fertilidade. Foi isso que comprovou pesquisa feita pelo Fertility Medical Group em um trabalho publicado no International Brazilian Journal of Urology.

O resultado é uma queda na sua taxa de fertilidade. Foi isso que comprovou pesquisa feita pelo Fertility Medical Group em um trabalho publicado no International Brazilian Journal of Urology.
O estudo foi feito com 2.300 homens, em duas épocas: entre os anos 2000 e 2002 e entre 2010 e 2012. Separados por uma década, todos tinham problemas de fertilidade. Os resultados mostraram que, no primeiro período, o número total de espermatozoides no ejaculado caiu de 183 milhões para 82,8 milhões. Também, número de espermatozoides por mililitro de sêmen ejaculado era de 61 milhões caindo para apenas 27 milhões. Uma queda bastante expressiva.

O mesmo ocorreu em relação à sua forma. Do total de espermatozoides contidos em uma ejaculação, apenas uma porcentagem muito pequena é viável, cerca de 4%. Na amostra do primeiro período, a média era de 4,6%. Uma década depois, caiu para 2,7%.

Outro dado da pesquisa que chamou atenção no estudo foi que, há dez anos, o número de homens com oligozoospermia (diminuição do número de espermatozoides) correspondia a 16% dos participantes. Dez anos depois, aumentou para 30%. Já aqueles com azoospermia (sem espermatozoides) cresceu de 5% para 8,5%. Seguramente, os fatores responsáveis por esses números foram o atual estilo de vida e a exposição cada vez mais frequente a ambientes tóxicos.

Mas o que os homens podem fazer para mudar esse quadro? Melhorar a alimentação, fazer exercícios físicos, controlar o peso, evitar ou reduzir o stress, não usar drogas, como o cigarro e o álcool.

Outros fatores que infelizmente parecem não ter solução são: poluição ambiental, contaminação da água, irradiação etc.. Essas situações comprometem a função testicular na produção de espermatozoides.

Portanto, façam a sua parte, melhorando seus hábitos e tendo uma melhor qualidade de vida.


Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/letra-de-medico/os-homens-estao-menos-ferteis-revela-estudo-a-culpa-e-do-estilo-de-vida/

sábado, 19 de novembro de 2016

Dieta mediterrânea é melhor ‘antídoto’ contra obesidade, dizem cientistas



Uma dieta mediterrânea é mais eficiente para combater a obesidade do que a simples contagem de calorias, afirmam cientistas. Eles acrescentam que esse tipo de dieta reduz o risco de ataques cardíacos e derrames.

Além disso, na opinião desses especialistas, uma alimentação baseada em frutas, legumes, verduras e cereais seria mais eficiente para a perda de peso do que dietas com baixa ingestão de gordura.

A recomendação foi feita por meio de uma declaração conjunta publicada na revista científica PMJ (Postgraduate Medical Journal, na sigla em inglês) e assinada por nomes de peso como o presidente da Academy of Medical Royal Colleges do Reino Unido, Terence Stephenson, e Mahiben Mara, alto funcionário do NHS (National Health Service, o SUS britânico).

No abaixo-assinado, os especialistas criticaram a indústria da dieta por focar a perda de peso na restrição calórica em vez da "boa alimentação".

Melhor do que remédio

Segundo eles, pesquisas indicam que a dieta mediterrânea, incluindo frutas, legumes e verduras, cereais e azeite de oliva, reduz rapidamente o risco de ataques cardíacos e derrames e permitem uma perda de peso mais gradativa a longo prazo.

O autor do abaixo-assinado, o cardiologista Aseem Malhotra, afirma que as evidências científicas são "irrefutáveis".

"O mais importante é dizer às pessoas que elas devem se concentrar em comer melhor".

Inspirada pela cozinha tradicional de países como Grécia, Espanha e Itália, a dieta mediterrânea sempre esteve associada à boa saúde e a corações sadios.

Essa dieta consiste tipicamente em comer várias porções de legumes e verduras, frutas frescas, cereais integrais, azeite de oliva e sementes oleaginosas, além de frango, peixe, carne vermelha, manteiga e gordura animal.

"O impacto desse tipo de alimentação na saúde do paciente se dá de forma muito rápida. Sabemos que a tradicional dieta mediterrânea que é rica em gordura – por meio de testes controlados em grupos aleatórios – reduz o risco de ataque cardíaco e derrames pouco tempo depois de colocada em prática".

No artigo, os médicos também dizem que a dieta mediterrânea é três vezes mais eficiente para a redução da mortalidade em pacientes que já tenham sofrido ataques cardíacos do que medicamentos para baixar o colesterol.

Para David Haslam, diretor-presidente do Fórum de Obesidade Nacional do Reino Unido, a recomendação dos médicos é "bem vinda". "Uma caloria não é só uma caloria. É ingênuo pensar que os complexos sistemas de apetite hormonal e neurológico do nosso corpo respondem a diferentes substâncias de igual maneira".

Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/11/141117_dieta_mediterranea_obesidade_lgb?ocid=socialflow_facebook


quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Seria o açúcar o novo cigarro? Um exagero ou realidade?

HÁ UM SETOR que vende um produto que faz mal à saúde do homem. Uma geração atrás, esse era o setor fumageiro, e o produto era o cigarro. Hoje, é o setor alimentício e o produto é o açúcar.

O Dr. Aseem Malhotra, 37 anos, cardiologista em Londres, Inglaterra, é um dos líderes da campanha contra o açúcar na Europa. Ele afirma que a indústria de alimentos imitou o “roteiro corporativo” da indústria fumageira para rejeitar a regulamentação. “A única diferença”, diz ele, “é que, enquanto o fumo era evitável, o açúcar atualmente é quase inevitável.”

O açúcar adicionado – não o açúcar natural que existe em frutas e legumes – está em tudo. Uma das maiores fontes são bebidas como refrigerantes, energéticos e sucos. Mas um passeio pelo supermercado mostra que há açúcar adicionado a pães, iogurtes, manteiga de amendoim, sopas, vinhos, salsichas – na verdade, a quase todos os alimentos industrializados. Uma única colher de sopa de ketchup pode conter uma colher de chá de açúcar.

Esse “açúcar invisível” recebe muitos nomes. Nos Estados Unidos e na Europa, por exemplo, o consumidor pode encontrar até 83 nomes diferentes para o açúcar adicionado.

Helen Bond, nutricionista da Associação Dietética Britânica, diz: “É um marketing inteligente: palavras como ‘frutose’ fazem pensar que estamos reduzindo o açúcar adicionado, mas o fato é que estamos polvilhando açúcar branco sobre a comida.”

“Esse açúcar a mais é completamente desnecessário”, diz o Dr. Malhotra. “Ao contrário do que a indústria alimentícia quer que acreditemos, o organismo não precisa da energia de nenhum açúcar adicionado.”

O Dr. Robert Lustig, endocrinologista pediátrico do campus de San Francisco da Universidade da Califórnia e líder mundial da campanha contra o açúcar, observa que o consumo mundial de açúcar triplicou no último meio século. Mas, como a população dobrou no mesmo período, o consumo de açúcar per capita aumentou 50%.

No Brasil, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, o açúcar adicionado representa 19% da ingestão total de açúcar do brasileiro.  Ainda segundo o ministério, o excesso de açúcar na dieta é fator de risco para o desenvolvimento da obesidade, além de doenças como o diabetes. Mais da metade da população brasileira (53,9%) está acima do peso. Desses, 18,9% são obesos. Entre as crianças de 5 a 9 anos, um terço delas está com sobrepeso.

“Hoje, nossa alimentação tem tanto açúcar adicionado que o sistema metabólico (que processa a energia) simplesmente não aguenta”, diz Lustig. “Nosso corpo faz coisas diferentes com tipos diferentes de calorias. Na quantidade ingerida hoje, a frutose (açúcar adicionado) é armazenada principalmente como gordura. Em geral, essa gordura vai para a barriga.”

E o perigo para a saúde não é só a obesidade: há indícios que ligam o açúcar a doenças hepáticas, diabetes tipo 2, cardiopatias e cáries. Ainda assim, o setor de bebidas e alimentos continua a promover o açúcar, com muita publicidade de seus produtos açucarados. Grandes quantias também são empregadas para se opor à rotulagem mais explícita dos produtos e combater o aumento da tributação de alimentos e bebidas açucarados.

No Reino Unido, por exemplo, o setor de alimentos e bebidas gastou, em 2014, 256 milhões de libras para promover alimentos insalubres ricos em açúcar e/ou gordura. De acordo com um relatório recente da União Americana de Cientistas Preocupados, quase 7 bilhões de dólares foram gastos no mesmo período nos EUA com a publicidade de produtos açucarados. Desses, cerca de 1,7 bilhão foi empregado especificamente para promover esses produtos junto ao público infantil.

NO ANO PASSADO, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reafirmou a recomendação anterior de que, num parâmetro ideal, nossa ingestão de açúcar, fora aquele que existe naturalmente em frutas e legumes, não deveria exceder 10% da ingestão total de energia (no Brasil, o consumo médio é de 16,3%). A OMS apresentou dados convincentes que ligam o consumo de açúcar à taxa de obesidade e, como o diabete tipo 2 está ligado a ela, também relacionou o açúcar a essa doença.

Na alimentação média, 10% da ingestão total de energia corresponderia a umas 12 colheres de chá de açúcar por dia. Uma única lata de 330 ml de refrigerante pode conter até 10 colheres de chá de açúcar adicionado.

“Temos provas de que manter no limite de 10% a ingestão de açúcar livre reduz o risco de sobrepeso, obesidade e cárie”, disse o Dr. Francesco Branca, diretor do Departamento de Nutrição para a Saúde e o Desenvolvimento, da OMS, no comunicado em que apresentou o relatório à imprensa mundial.

O Conselho Internacional de Associações de Fabricantes de Bebidas, um grupo de pressão do setor, rejeitou o relatório da OMS e fez o seguinte comentário: “Quanto à obesidade, não há qualquer base científica para tratar o açúcar livre de forma diferente do açúcar intrínseco (não adicionado).”

O Dr. Malhotra contesta: “Isso não é verdade. É preciso levar em conta a qualidade dessas calorias. O açúcar intrínseco ocorre em alimentos que trazem outros benefícios nutricionais.”

A PUBLICIDADE de alimentos açucarados continua. O sobrepeso e a obesidade em crianças e a quantidade de alimentos açucarados que elas consomem são uma preocupação específica dos profissionais de saúde. Uma medida que, segundo os especialistas, pode fazer diferença é a redução ou a suspensão da publicidade desses alimentos durante a programação infantil.

A província canadense do Quebec é líder nesse aspecto e restringe esses anúncios de junk food na TV desde 1978. Hoje, Quebec tem taxas de obesidade bem mais baixas do que o resto do Canadá. Outros países que restringiram os comerciais de bebidas e flocos de milho açucarados e outros alimentos nocivos nos horários em que as crianças assistem à TV são Noruega, Suécia, Dinamarca, México e o Reino Unido.

No entanto, uma análise constatou que, no Reino Unido, os fabricantes encontraram outras maneiras de anunciar alimentos nocivos às crianças: na internet, em merchandising durante programas populares e em videogames.

Na Europa, uma iniciativa estimulante para limitar a publicidade para crianças é o EU Pledge. Esse programa começou em 2009 para ajudar o setor a atender à meta da União Europeia de reduzir a obesidade. As principais fábricas de alimentos e bebidas concordaram voluntariamente em limitar a publicidade de alimentos açucarados para crianças até 12 anos. Elas não fazem comerciais de TV nem anúncios na internet para essa faixa etária e não vendem seus produtos em escolas primárias, o que representa uma mudança significativa da maneira como esses alimentos são vendidos a crianças. Desde seu lançamento, o EU Pledge chegou a 22 companhias, alcançando mais de 80% da publicidade de alimentos e bebidas na União Europeia.

Marlene Schwartz é diretora do Centro Rudd para Políticas Alimentares e Obesidade, organização sem fins lucrativos sediada nos EUA e dedicada a encontrar soluções na pesquisa e na política para a obesidade, a má alimentação e o preconceito ligado ao peso durante a infância. Ela diz que as diretrizes do EU Pledge “não vão suficientemente longe. O ideal seria ampliá-las para crianças até 14 anos”.

Outra área da publicidade de alimentos e bebidas à qual o Dr. Malhotra se opõe é a associação entre produtos e atletas, tática usada pela indústria fumageira há apenas 50 anos, quando atletas e celebridades eram contratados para endossar os cigarros. Ele questiona a permissão à Coca-Cola para patrocinar as Olimpíadas. A parceria da empresa com as Olimpíadas começou em 1928 e foi estendida até 2020. “A Coca-Cola [...] associa seus produtos ao esporte, sugerindo que não há problema em consumir suas bebidas desde que se pratiquem exercícios”, escreveu o Dr. Malhotra recentemente na revista British Journal of Sports Medicine. “Mas não dá para vencer a má alimentação com corrida.”

OS DEFENSORES da saúde pública dizem que duas abordagens bem-sucedidas na redução do hábito de fumar – educação do consumidor e tributação – são necessárias no combate ao consumo excessivo de açúcar.

Em janeiro de 2014, o México criou um imposto de 10% sobre bebidas açucaradas, e sua venda caiu 12% no primeiro ano. Na França, um imposto sobre refrigerantes criado em 2012 resultou no declínio gradual do consumo. A Noruega tributa alimentos e bebidas açucarados e divulga informações há muitos anos, com bons resultados. Em março deste ano, o chanceler britânico George
Osborne anunciou a criação de um imposto sobre bebidas açucaradas a ser cobrado de produtores e importadores de refrigerantes.

Embora tenha havido algum sucesso com a tributação, o setor de alimentos e bebidas continua a fazer pressão contra informar sobre o açúcar adicionado ao consumidor – mais uma vez, exatamente como fizeram as empresas fumageiras ao combaterem as tentativas do governo de pôr nas embalagens de cigarros mensagens alertando para o perigo de fumar (medida adotada também no Brasil).

Uma abordagem proposta para solucionar a questão foi pôr nos rótulos “sinais de trânsito” – círculos vermelhos, amarelos e verdes – para indicar a “salubridade” dos produtos alimentícios. Esse esquema, atualmente um programa voluntário bem-sucedido no Reino Unido, foi rejeitado em 2010 pela maioria dos membros do Parlamento Europeu.

“As pessoas não fazem ideia de quanto açúcar ingerem”, diz Ilaria Passarani, chefe do Departamento de Alimentação e Saúde, uma entidade com sede em Bruxelas. Na esteira das preocupações em relação ao açúcar, o Ministério da Saúde e a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia) anunciaram recentemente que estudam um acordo para reduzir a quantidade de açúcar nos alimentos processados, semelhante ao que é feito com o sal. A primeira etapa deve começar em 2017, com análise das principais fontes de açúcar na dieta dos brasileiros.

Os indícios contra o açúcar e seus efeitos nocivos à saúde continuam a se acumular conforme os estudos são publicados. A Dra. Kimber Stanhope, bióloga nutricional da Universidade da Califórnia, completou em 2015 cinco anos de uma pesquisa que ligou o xarope de milho rico em frutose – comum nos Estados Unidos – ao aumento do risco de infarto e acidente vascular cerebral.

“Todos deveriam perceber que não há perigo nenhum em reduzir a ingestão de açúcar”, diz ela, “mas há fatores de risco em continuar a comer grande quantidade enquanto se aguardam mais indícios. Os pais deveriam afastar-se, e aos filhos, do consumo diário de açúcar e considerá-lo um alimento para ocasiões especiais.
Novas pesquisas também indicam que o açúcar, assim como o fumo, pode ser viciante. Eric Stice, neurocientista do Instituto de Pesquisas do Oregon, está usando ressonâncias magnéticas do cérebro de adolescentes para mostrar que “o açúcar ativa o cérebro de um modo que lembra drogas como a cocaína”. Ele acrescenta que as pessoas criam tolerância ao açúcar, como acontece com os fumantes e usuários de drogas: “Isso significa que, quanto mais açúcar se consome, menor a recompensa. O resultado: come-se mais do que nunca.”
Outros estudos revelam que o açúcar é viciante por ativar o circuito gerador de prazer no cérebro.

O QUE FAZER para reduzir a ingestão de açúcar adicionado?

“Há um jeito fácil de resolver esse problema em casa: chama-se comida de verdade”, diz o Dr. Lustig. “Alimentos não industrializados, que nós cozinhamos. Um pedaço de peixe é comida de verdade; nuggets de peixe comprados prontos, não. É assim que temos de nos alimentar e alimentar nossos filhos.”
E podemos provocar mudanças na indústria de alimentos e bebidas. “O ativismo de cidadãos comuns tirou os cigarros de restaurantes, aviões, locais de trabalho e escolas. Temos de fazer o mesmo contra essa avalanche de açúcar em nossa alimentação”, continua o Dr. Lustig. “Se não pararmos de envenenar nosso organismo com açúcar, nós e nossos filhos só ficaremos mais gordos e mais doentes. E o custo será astronômico.”

Fonte: http://www.selecoes.com.br/acucar-o-novo-cigarro

Ninguém Prepara Os Filhos Para o Envelhecimento dos Pais

Sabem quando a preocupação é tanta que nem conseguimos chorar? Quando o sentimento de impotência se sobrepõe a qualquer lágrima narcisista que naquele momento nos diz que nada mais importa a não ser a pessoa que temos à nossa frente, naquela cama de hospital? A roupa para passar a ferro pode esperar, o jantar pode esperar, o Mundo pode esperar.

E à nossa frente encontra-se aquela pessoa de olhos vidrados, sem reacção, numa fugaz memória da mulher forte que uma vez foi. Continua a ser a mesma pessoa, sem ser a pessoa que era. Qualquer pergunta que fazemos, fazemo-la sem grandes expectativas de obter resposta, apenas para conforto próprio de que estamos de facto ali. No quarto ao lado ouvem-se os gritos duma qualquer outra mulher desdentada e desesperada, toda ela dores e doenças. Para mim, qualquer outra mulher, mas para outra pessoa, também ela a razão pela qual nem se consegue chorar de tanta preocupação.

É costume dizer-se que nada nos prepara para sermos pais, que são os filhos que nos ensinam a ser pais. Mas o que não nos ensinam mesmo é a sermos filhos de pais envelhecidos. Queremos salvá-los deles próprios, impedir que o corpo ceda mais rápido que a cabeça, ou que a cabeça ceda mais rápido que o corpo, mas não há como.

E o tempo passa a correr. O meu pai já nem parece o mesmo. Também ele não chora de tanta preocupação. A mulher com quem passou a vida toda, a quem prometeu amar na saúde e na doença, ali está, doente. E ele, a ficar doente, sugado pela doença da mulher que ama, mas que já não reconhece. Quando o amor passa a pura e constante preocupação torna-se numa forma estranha de amar, e o desespero leva-o a fazer coisas irreconhecíveis. Também ele é a mesma pessoa sem ser a pessoa que era. Muito mais magro, muito mais pálido, muito mais triste. E nada nos prepara para isso.

No hospital, outras pessoas esperam, umas mais preocupadas, outras mais aliviadas. As ambulâncias vão chegando, uns choram, outros gritam, outros olham o vazio, e há sempre quem esteja a tentar perceber o que é que se passou com cada um deles. Quem morreu, quem não morreu. Esta é a dinâmica da sala. Não há conversa de ocasião que se possa fazer, não importa o tempo, a política, futebol ou religião. Importa apenas aquela pessoa que amamos e que queríamos recuperar, voltar a vê-la, forte e saudável como ela era.

O mais triste é quando chega o luto antecipado. Aquela réstia de esperança que na verdade já nada espera. É quase como que aguardar pela autorização de poder chorar. E pior de tudo é saber que, quando a barragem que contem as nossas lágrimas finalmente rebentar e estas correrem incontroláveis pelo nosso rosto abaixo, sabermos que choramos em pranto num misto de tristeza e alívio. Isso é o mais triste, a noção de que a pessoa está melhor assim, inexistente enquanto que nós, os que continuam mortais, aqui ficamos, na merda.

Nunca ninguém nos preparou para isto, nunca a sociedade se preparou para isto. O nossos líderes falam em envelhecimento ativo e saudável, mas falam por ocasião, não por genuína preocupação, porque na verdade a forma como olham e tratam os velhos pouco lhes importa. Importa-lhes não terem dores de cabeça ou escândalos que possam manchar as suas ambições políticas. Vemos isso quando estamos desesperados, no corredor das urgências, tudo é treta.

A forma como as pessoas são tratadas não difere muito da maneira como se tratam os refugiados. Agregam-se as pessoas idosas e doentes todas num sítio comum e estas passam a ser apenas mais um nº para a estatísticas, onde ninguém realmente se importa a não ser a própria família, e por vezes nem isso.

Fonte: http://revistareviver.blogspot.com.br/2016/07/ninguem-prepara-os-filhos-para-o.html

Emagrecimento com exercício? Esqueça a balança...

No vídeo o Dr. Bruno Gualano e Dra. Desire Coelho discutem como as vezes a ciência (e as mídias socias) utilizam parâmetros errados quando abordam o sucesso no tratamento da obesidade. A balança mede nada mais que peso corporal e utilizá-la como parâmetro de sucesso pode ser um grande erro! Balança na medicina atualmente é um aparelho obsoleto, que utilizamos ainda apenas quando não temos outras ferramentas mais confiáveis.

O bom exemplo não educa, por Luis Alberto Hanns

Fome X Vontade de comer por Carol Morais


Quando estamos conectados e presentes de verdade no nosso corpo, conseguimos identificar o que é essa vontade louca de comer, que a gente diz que é fome, mas não é. Por que a sensação de vazio não vem do estômago... vem do coração, vem da alma, é ansiedade, ou angústia, ou cansaço, ou tédio, ou nervosismo, ou procrastinação... pode ser muitas outras coisas, menos fome.

Quando vier esse sentimento que te faz levantar e ir em busca de comida (e geralmente nessas horas você procura exatamente aqueles alimentos fáceis de "assimilar", um doce, um chocolate cheio de açúcar, algo que sirva de consolação), levante, afaste-se de onde estava, feche os olhos, respire fundo, três, quatro, cinco vezes. Beba água, beba um chá. Alongue as costas, o pescoço, os braços.

Quando for fome de verdade, você saberá. Você não precisa esperar de duas em duas horas, ou de três em três. E quando sentir fome, coma.

Perda de peso aumenta o apetite em mais de três vezes

Para cada quilo de peso que perderam, os pacientes em um novo estudo consumiram 100 calorias extras por dia – mais de três vezes do que precisariam para manter o peso baixo.

Esse aumento desproporcional no apetite após uma pequena perda de peso "pode explicar por que a manutenção de longo prazo do peso corporal reduzido é tão difícil", disse o pesquisador principal, Dr. David Polidori, da Janssen Research & Development, de San Diego, Califórnia, e seus colegas.

Os achados sugerem que "um aumento relativamente modesto no apetite pode explicar a grande dificuldade que as pessoas têm para perder peso e manter essa perda ao longo do tempo", observou o autor sênior, Dr. Kevin D. Hall, do National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Disease, National Institutes of Health, em Bethesda, Maryland.

Ele apresentou os achados na conferência Obesity Week 2016, e o estudo também foi publicado no periódico Obesity.

Estudos prévios mostraram que o metabolismo desacelera quando os pacientes perdem peso, "como recentemente popularizado por nossos estudos com os participantes de O Grande Perdedor", disse o Dr. Hall ao Medscape.

"No entanto, nossos resultados sugerem que o aumento proporcional no apetite provavelmente tem um papel ainda mais importante na estabilização e na recuperação do peso", sugeriu.

No entanto, ele alertou: "Ainda são dados precoces e é nossa primeira avaliação desse processo em humanos", portanto os achados ainda precisam ser confirmados.

O estudo foi selecionado como um dos cinco melhores em um simpósio especial na conferência, pois traz uma "discussão interessante da fisiologia que dirige a recuperação do peso após uma perda de sucesso", disse ao Medscape a comoderadora da sessão, Dra. Donna H. Ryan, professora emérita no Pennington Biomedical Research Center, em Baton Rouge, Louisiana, e editora-chefe associada da Obesity.

Como os resultados sugerem que um aumento no apetite é ainda mais importante do que a desaceleração do metabolismo no processo de ganho de peso, "a mensagem para os médicos é de não apenas estimular a atividade física como uma forma de conter a recuperação do peso, mas também utilizar medicamentos que tenham impacto no apetite", observou ela.

O Dr. Ken Fujioka, diretor de pesquisa metabólica e nutricional na Scripps Clinic,em Del Mar, Califórnia, disse ao WebMD, site de notícias do Medscape para o público em geral: "Esse estudo é um marco. Ele nos dá informações muito úteis que irão nos ajudar a desenvolver novas diretrizes" para prevenir o ganho de peso.

"Nós temos pacientes que chegaram a esses platôs, e estamos tentando descobrir o que fazer", disse o Dr. Fujioka. "Está claro para nós que é realmente necessário lidar com o consumo de alimentos, com o apetite, a partir desse trabalho".

Inibidores de SGLT2: uma nova forma de estudar o equilíbrio energético

Sabendo que pacientes com diabetes tipo 2 que recebem o inibidor de cotransportador de sódio-glicose 2 (SGLT2) canagliflozina (Invokana, Janssen) como parte da estratégia para redução da glicemia, excretam uma quantidade fixa de glicose na urina (o que causa perda de peso), o Dr. Polidori e colaboradores usaram um modelo matemático para calcular as mudanças no consumo calórico durante um estudo placebo controlado desse medicamento, com duração de 52 semanas, no qual 153 pacientes receberam canagliflozina e 89 pacientes receberam placebo.

O uso dessa abordagem significa que os pacientes que receberam canagliflozina consistentemente excretaram 90g/dia de glicose mas não relataram sentir menos energia, observou o Dr. Hall.

Previamente, os pesquisadores haviam validado um modelo matemático para calcular as mudanças esperadas no consumo calórico correspondentes a mudanças no peso corporal (Am J Clin Nutr. 2015;102:353-358). Eles colocaram os dados do estudo atual nesse modelo.

Ao final do estudo, os pacientes que receberam placebo haviam perdido menos de 1kg, e aqueles que receberam canagliflozina haviam perdido cerca de 4kg. A perda de peso com a canagliflozina foi menor do que o previsto, devido ao aumento do apetite dos pacientes.

Em média, os pacientes que receberam canagliflozina comeram cerca de 100kcal/dia a mais por quilo de peso perdido – uma quantidade mais de três vezes maior do que as adaptações às perdas energéticas correspondentes.

"Nossos resultados fornecem a primeira quantificação do sistema de controle e feedback do consumo enérgico em humanos", escrevem os pesquisadores.

Eles acrescentam que na ausência de "esforços para restringir o consumo de alimentos após a perda de peso, o controle de feedback do consumo energético resultará em uma alimentação acima dos níveis basais com uma aceleração da recuperação do peso.

"Os poucos indivíduos que mantêm a perda de peso com sucesso em longo prazo o fazem por meio de esforços heróicos e vigilantes para manter as alterações comportamentais em face do aumento do apetite em um ambiente obesogênico".

Uma vez que a perda de peso continuada torna mais difícil para os pacientes perderem mais peso, esse estudo reforça a mensagem de que os pacientes deveriam "focar em criar mudanças saudáveis no estilo de vida com as quais possam viver em longo prazo", disse o Dr. Hall.

O estudo recebeu apoio do Intramural Research Program do NIH, National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Disease, usando dados de um estudo patrocinado pela Janssen. O Dr. Polidori é empregado em tempo integral pela Janssen. O Dr. Hall solicitou uma patente para um método de controle de feedback dinâmico personalizado do peso corporal e recebeu financiamento da iniciativa Nutrition Science para investigar os efeitos da dieta cetogênica no gasto de energia em humanos. As declarações de coautores estão listadas no artigo.

Fonte: Obesity. 2016;24:2289-2295. Resumo: http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/oby.21653/abstract;jsessionid=65C79ACD88F7E838D97D7EDB0E6D91ED.f04t03

Obesidade, osteoporose e cirurgia bariátrica: Qual a verdadeira relação ?

Recentemente o British Medical Journal (BMJ)  publicou uma revisão científica sobre a relação entre cirurgia bariátrica e osteoporose, doença crônica que afeta mais de 10 milhões de brasileiros. De acordo com os pesquisadores, pessoas submetidas ao tratamento cirúrgico da obesidade têm 30% mais chances de terem osteoporose, dependendo da técnica cirúrgica utilizada.

O risco aumentado da osteoporose decorre das alterações promovidas no organismo de pacientes bariátricos. No entanto, a obesidade é uma doença crônica que pode ter consequências graves. A cirurgia bariátrica é o tratamento mais eficaz e seguro contra a obesidade, além de auxiliar no controle de doenças associadas. Além disso, muitas pessoas com obesidade têm deficiências de nutrientes importantes para a saúde óssea, entre elas o cálcio, o magnésio e a vitamina D.

Ou seja, o paciente já apresentava risco para a osteoporose.

“Em tese, todo indivíduo que tem modificado o sítio de absorção de cálcio e perde muito peso apresenta prejuízo à absorção do mineral. Porém, fatores genéticos, como a presença ou não de osteoporose na família, podem interferir na evolução”, explica a Profa. Dra. Luciana El-Kadre, cirurgiã do aparelho digestivo e membro da SBCBM.

 A obesidade sempre foi ligada a maior densidade mineral e, portanto, a riscos reduzidos de fratura, mas novas pesquisas indicam que esta relação pode não ser verdadeira.

“Acreditava-se que a obesidade protegeria da osteoporose. Em 2013 um estudo da Universidade de Harvard demonstrou que a obesidade poderia aumentar a incidência da afecção. O estudo concluiu que existe relação entre gordura no fígado e nos músculos e a existência de mais gordura na medula óssea ─ independentemente do índice de massa corporal e da idade”, esclarece a Dra. Luciana.

 Prevenção no pré e no pós-operatório

Então se a obesidade pode prejudicar a saúde óssea e a cirurgia bariátrica pode aumentar o risco da doença, o que fazer? Enquanto o debate científico ainda precisa avançar na investigação das implicações da cirurgia bariátrica na saúde óssea de pessoas submetidas ao procedimento, pacientes podem se prevenir para evitar a osteoporose.

“Candidatos ao tratamento cirúrgico da obesidade devem ser informados da necessidade de reposição e controle dos marcadores relacionados ao metabolismo do cálcio, das particularidades de sua reposição, como fragmentação de dose e forma química”, diz a cirurgiã do aparelho digestivo.

Durante o pré-operatório é fundamental que o paciente seja submetido a exames específicos como a densitometria óssea, para detectar carências antes da cirurgia bariátrica. O cuidado deve continuar no pós-operatório também, especialmente com a suplementação nutricional, que se bem feita pode minimizar os riscos e combater as consequências da perda de massa óssea.

“A reposição de cálcio, magnésio, vitamina D deve ser feita em todos os casos, imediatamente após a operação. A reabsorção óssea pode ser mais intensa no período de emagrecimento rápido. Esses dados também são verdadeiros para grandes perdas de peso com dieta, mesmo sem cirurgia. Em alguns casos, podem ser adicionados componentes que aumentem a absorção do cálcio e sua deposição nos ossos. O controle com dosagens séricas trimestrais inicialmente e depois semestrais também é importante”, afirma a Profa. Dra. Luciana.

Fraturas em pacientes bariátricos

As fraturas osteoporóticas são graves em qualquer pessoa, mas para um paciente bariátrico pode trazer complicações adicionais: impedem a prática de exercícios físicos, atividade fundamental não só para o sucesso do tratamento cirúrgico da obesidade como para o da osteoporose.

“Fraturas de osteoporose, com maior frequência, ocorrem na cabeça do fêmur, fraturas patológicas da vértebra e fraturas das vértebras lombar e torácica. Com reposição e controle adequados, esta complicação pode ser prevenida. É importante salientar que não existe reposição universal, cada paciente necessita de uma dosagem de cálcio, que pode aumentar ou diminuir após a operação. Da mesma forma, existem formas químicas do mineral que têm melhor absorção após a operação”, completa a Profa. Dra. Luciana.

Fonte: http://www.sbcbm.org.br/wordpress/obesidade-osteoporose-e-cirurgia-bariatrica-qual-a-verdadeira-relacao/

domingo, 6 de novembro de 2016

Posicionamento: Sobre o uso e comercialização da MELATONINA no Brasil

Sobre o uso e comercialização da MELATONINA no Brasil, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) esclarece:

  • O uso de melatonina deve ter indicação e acompanhamento médico. À luz do conhecimento atual, não existem evidências que suportem o uso da melatonina em seres humanos com ação anti-tumoral, anti-oxidante ou anti-envelhecimento.

Indicações do uso da melatonina:

- Distúrbios do sono:

  • insônia em idosos, cuja produção de melatonina é cerca de 25% menor do que em jovens;
  • insônia por retardo de fase, sono de não 24 horas, latência prolongada do sono, distúrbios comportamentais do sono REM, e distúrbios do sono em que a produção de melatonina é reduzida (excesso de luz noturna ou uso de beta-bloqueadores);

- Distúrbios do ritmo circadiano (transtornos de adiantamento ou atraso de fase; jet lag, cegueiras pré-quiasmática).

- Doenças neurológicas que cursam com distúrbio do sono, como espectro do autismo, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, síndrome de Smith-Magenis.

Possíveis benefícios da melatonina:

Existem evidências iniciais de benefício do uso da melatonina em alguns casos de:
- Enxaqueca (já existem alguns ensaios clínicos randomizados publicados)
- Depressão (seu análogo, agomelatina, é aprovado com esta indicação, inclusive no Brasil)
- Uso pós lesões isquêmicas (hipoxia e isquemia perinatais - usada associada à hipotermia; na displasia bronco pulmonar do prematuro e como agente protetor contra radiações)

A melatonina também está sendo estudada em ensaios clínicos nas doenças de Alzheimer,
Huntington e Parkinson, além de estudos em Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), Síndrome
Metabólica e alguns tipos de tumores.

Tempo de uso:
Não há limite mínimo ou máximo de tempo de uso da melatonina. Para efeitos transitórios, como em casos de jet lag, a melatonina é usada quando for necessário; para distúrbios de sono, o uso deve ser rotineiro.


Diretoria Nacional – gestão 2015/2016
Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)

Fonte: http://www.endocrino.org.br/media/uploads/PDFs/melatonina_sbem_2016.pdf

sábado, 5 de novembro de 2016

Plenária do Conselho Regional de Medicina - GO sobre “A prática da terapia antiaging e de outros procedimentos sem evidências científicas”

No dia 1º de Novembro de 2016 o Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás realizou uma plenária temática com o título: “A prática da terapia antiaging e de outros procedimentos sem evidências científicas”

Com a participação expressiva da classe médica, de diretores e conselheiros e de representantes de Sociedades de Especialidades, como Dermatologia, Endocrinologia e Metabologia, Geriatria, Cirurgia Plástica e Ginecologia e Obstetrícia, além de convidados de outros Estados, do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Vigilância Sanitária, o Cremego realizou, no dia 1º de novembro, a plenária temática “A prática da terapia antiaging e de outros procedimentos sem evidências científicas”.

Durante cerca de três horas, eles debateram a prescrição de procedimentos sem comprovação científica, a modulação hormonal, o uso de hormônios do crescimento para fins estéticos, a dieta do hGC, excessos de pedidos de exames, a biorressonância e outros “tratamentos” vedados por resoluções do CFM. Até a próxima semana, o Cremego e as Sociedades de Especialidades divulgarão uma nota técnica para orientar os médicos e a sociedade sobre o assunto.

Para ouvir o áudio (podcast completo) clique no link: https://drive.google.com/file/d/0B6YOvJePtw3maUVraUVyYVUwRzQ/view

Intolerância à frutose



Frutose é um carboidrato (açúcar) simples, ou seja, um monossacarídeo presente na nossa dieta. Quando a frutose é absorvida de forma incompleta pelo intestino, ela pode fazer um efeito osmótico e também ser fermentada pela microbiota intestinal, resultando na formação de substâncias químicas e gases, causando sintomas. A atividade da proteína de transporte que determina a absorção de frutose, tal como a GLUT5, é geneticamente determinada e pode ser alterada por inflamação no intestino ou pelo estresse. O limiar de má absorção de frutose varia individualmente e amplamente. Esta forma comum e benigna de intolerância à frutose deve ser distinguida da rara intolerância hereditária à frutose (HFI).

Com o envelhecimento, a maioria das pessoas vai apresentar má absorção de açúcares, incluindo a frutose, quando grandes quantidades são consumidas. Em indivíduos com predisposição o aumento da produção de gás, ácidos graxos de cadeia curta e compostos osmoticamente ativos devido à má absorção e que devido a isso apresentam sintomas, são chamados de intolerantes. A intolerância muitas vezes só se torna aparente na idade adulta.

Frutose está presente em frutas, legumes, grãos, alimentos industrializados e mel. A ingestão diária varia de 20g a 60 g, dependendo da dieta. O consumo de frutose tem aumentado significativamente nas últimas décadas e está implicado no aumento da obesidadel, síndrome metabólica e doença hepática.

Frequência na população e história natural

Aproximadamente 30% dos adultos saudáveis apresentam má absorção com doses inferiores a 50 g de frutose e 10% têm sintomas. Não parece haver grandes diferenças raciais.
Até 70% dos pacientes com síndrome do intestino irritável têm intolerância de quantidades normais de frutose. A intolerância à lactose e frutose concomitantes atinge aproximadamente 20% a 30% dos indivíduos da população.

Sintomas

As principais manifestações incluem inchaço e dor abdominal, diarreia e constipação, borborigmos (ruídos intestinais) e outros sintomas devido o aumento da produção de gás, como eructação e flatulência excessivas, além de náuseas e vómitos.

A depressão pode ser mais comum em adultos e crianças com má absorção de frutose, e pode melhorar com redução rigorosa dieta na ingestão de frutose. Isto pode ser devido a níveis reduzidos de triptofano no sangue.

O zinco e vitaminas do complexo B (ex: ácido fólico) estão diminuídos em parte da população com intolerância à frutose.

Diagnóstico

O diagnóstico clínico de intolerância à frutose é por vezes difícil devido à presença de frutose não apenas em frutas, mas também em vegetais, grãos e muitos outros alimentos. O teste respiratório com hidrogênio expirado é muito sensível para o diagnóstico de má absorção e intolerância à frutose. Pacientes com sintomas compatíveis com doença funcional gastrointestinal (eructação frequente, dispepsia, síndrome do intestino irritável, diarreia e constipação) são os que mais se beneficiam com o esclarecimento da presença ou não desta intolerância, pois orientações dietéticas são a base do tratamento dessas enfermidades.

Tratamento

A redução da ingestão de frutose para níveis tolerados leva rapidamente ao alívio dos sintomas na maioria dos pacientes. Melhores resultados são obtidos quando outros alimentos facilmente fermentáveis também são excluídos (ver lista FODMAP). Geralmente os alimentos identificados como "saudáveis" contêm a frutose e a substituição por alternativas igualmente saudáveis ou adição de suplementos nutricionais é a conduta mais adequada.

A absorção da frutose é facilitada pelo consumo de glicose. A sacarose, açúcar muito consumido em nosso meio, é formada por uma molécula de glicose e outra de frutose. Por esse motivo, pacientes intolerantes à frutose raramente são intolerantes à sacarose. Quando não há a disponibilidade de sacarose, o uso de glicose imediatamente antes das refeições pode reduzir os sintomas de intolerância à frutose. Pequenas quantidades de frutose consumida após refeições são mais bem toleradas do que uma única dose com o estômago vazio.

Intolerância hereditária à frutose (HFI)

Diferente da má absorção de frutose descrita acima, HFI é uma intolerância grave devido a defeitos genéticos (aldolase B) que afeta principalmente crianças no momento da introdução de açúcares. Além dos mesmos sintomas de má absorção de frutose, distúrbios metabólicos, como hipoglicemia, e lesão permanente ao fígado e rins podem acontecer. Em crianças, a doença pode ser fatal devido à convulsões e coma. Nesses casos, a sensibilidade para o componente da frutose da sacarose também ocorre. Todas as formas de sacarose e frutose devem ser rigorosamente evitadas. História familiar positiva de intolerância a açúcares ou de uma aversão a doces é um indício útil. O diagnóstico se faz através de anamnese cuidadosa, coleta de sangue e alguns testes genéticos. Atualmente, nem todas as formas de HFI podem ser identificadas através de testes genéticos.


Autor: Dr. Maurício Bravim - CRM-MG: 29.496

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Dieta LOW CARB: O que é? Como é? Funciona?



Já tem alguns meses que vários leitores estão pedindo pra eu escrever sobre a dieta low carb. Só gosto de escrever algo quando vou realmente a fundo no tema. No momento estou aplicando em mim e para isso tive que estudar bastante o tema, vamos lá... Convidei alguns amigos que entendem do tema para que pudessem me auxiliar a traduzir os princípios da dieta para uma linguagem de mais fácil compreensão.

Ao final do texto há 28 referências bibliográficas com o link para os artigos sobre o tema. (Dr. Frederico Lobo).


O que é a dieta Low carb ?

Antes de tudo, devemos deixar claro que AINDA há poucos estudos com evidência científica robusta, mostrando a eficácia da adoção de uma dieta com menor teor de carboidratos.

Há vários conceitos (que variam de acordo com o teor de carboidrato) mas a grosso modo, pode-se classificar como uma dieta Low carb, quando a ingestão de carboidratos fica abaixo de 130 gramas de carboidrato por dia e acima de 50 gramas (já que abaixo de 50 gramas é dieta cetogênica). Isso quando se fala em quantidade (não porcentagem) de carboidrato.

Em uma dieta convencional, a ingestão de carboidratos deve ficar entre 45-55% do total de nutrientes ingeridos no dia. Ou seja, você um um volume calórico total por dia e ele se distribui entre 3 macronutrientes: Carboidratos, Proteínas e Gorduras. O preconizado pelas sociedades médicas e de nutrição é que essa ingestão fique acima de 45% e abaixo de 60%. O restante se distribui entre proteínas e gorduras.

Já na dieta low carb a ingestão diária de carboidratos permanece abaixo de 30% do total de calorias ingeridas. Alguns autores colocam como abaixo de 20%. Para fins de adesão do paciente, preconizo de 20 a 30%.

Alguns estudos tem mostrado que não importa a distribuição dos macronutrientes. O essencial é a redução da quantidade de calorias. Por mais que alguns profissionais sejam contrários a utilização da contagem de calorias, infelizmente ainda é o melhor método quando se olha as evidências científicas. Porém não podemos ser cegos às evidências clínicas, ou seja, pacientes eliminando gordura mesmo com dietas não-hipocalóricas.

Assim como também devemos lembrar que alguns pesquisadores preconizam que dietas hipocalóricas podem acabar piorando o quadro do paciente, sendo portanto, crucial que o foco seja: Respeitar a fome e melhorar a percepção dos sinais de saciedade. É isso que o pessoal da Nutrição Comportamental tem defendido.  (Dica de livros: 1) O peso das dietas, Dra. Sophie Deram; 2) Nutrição comportamental, Marle Alvarenga e colaboradores).

Variações de dieta Low carb

Há algumas variações de dieta Low Carb. A que apresentaremos aqui no blog é a tradicional. Na qual há redução do teor de carboidrato da dieta. As outras variações são:
  • Dieta Atkins: dentre as dietas com redução de carboidratos, ela foi a primeira que trouxe o conceito de low-carb de volta para o grande público,  por volta da  década de 70. Idealizada pelo médico americano Robert Atkins, ela apresenta 4 fases distintas e uma regra principal para todas elas: limitar a quantidade máxima de carboidratos líquidos ingeridos por dia. A ideia é começar com uma grande restrição de carboidratos (ingerindo no máximo 22 g de carbs líquidos por dia, de modo a tentar induzir cetose) e ir aumentando essa quantidade a cada vez que se muda a “fase” da dieta – algo que acontece conforme seu peso vai diminuindo.
  • Dieta Cetogênica ou Keto: os benefícios dessa dieta foram descobertos inicialmente por médicos que buscavam uma alternativa para o tratamento da epilepsia. Foram percebendo que o número de crises assim como tempo de duração reduzia e observaram uma considerável perda de gordura corporal. Idealmente a proporção diária de macronutrientes (em calorias) seria algo como: 60% – 70% de gorduras / 20% – 30% de proteínas / 5-10% de carboidratos líquidos (Carboidrato líquido é o carboidrato total menos a quantidade de fibra alimentar presente no alimento). Pode-se utilizar fitas para detecção de corpos cetônicos na urina., com isso o paciente consegue monitorar melhor se está em cetose ou não. 
  • Dieta Paleo/Primal: a dieta paleolítica tem suas raízes em uma alimentação similar à existente no período das cavernas (os praticantes supõem isso), ou seja: foca em comer alimentos naturais e que respeitem o modo como nosso organismo evoluiu para se alimentar. Ou seja, ingere-se o mínimo de alimentos processados, eliminando totalmente o açúcar refinado, o trigo e algumas leguminosas. Um ponto a se destacar é que a chamada dieta paleo possui inúmeras vertentes.  Umas mais e outras menos permissivas, incluindo a dieta paleo low-carb que visa o emagrecimento por meio da restrição de carboidratos (como frutas e raízes, alimentos que teoricamente seriam liberados na dieta paleo).
  • Dieta Slow carb: criada e difundida por Tim Ferriss em seu livro “4 Horas Para O Corpo”, a dieta slow carb chegou em 2010 com uma proposta de ser uma dieta simples e fácil de ser seguida. As regras: evite carboidratos de alto índice glicêmico e faça um dia do lixo uma vez por semana.

O destino de cada macronutriente

Ao ingerir mais calorias do que as que são gastas nas atividades diárias (física e gasto energético basal para manter as funções dos órgãos adequadas), a tendência é que o excesso seja armazenado na forma de gordura.

Mas atenção: caloria – ou quilocaloria – não é uma substância que vem dentro da comida, e sim uma unidade de medida de energia. O valor calórico de um alimento serve, portanto, para indicar quanta energia ele fornece para o corpo. Um ser humano precisa consumir todo dia, em média,  de 30 a 35 calorias por quilo de seu peso.

Nesse caso, se a pessoa ingere mais calorias do que isso, o corpo estoca como gordura. Ao ingerir menos calorias, o corpo emagrece, queimando essas reservas para atender à necessidade diária de energia.

Como já citado acima, os 3 macronutrientes ingeridos são:
  1. Os carboidratos (comum em pães, massas, cereais, folhas, legumes, leguminosas, grãos e açúcares), 
  2. As proteínas (abundante nas carnes, ovos, leite, queijos, cogumelos),
  3. Os lipídios ou triglicerídeos (óleos e gordura). 
Ao fim da digestão, o alimento é quebrado em:
  1. Glicose (vinda dos carboidratos ou CHO), 
  2. Aminoácidos (vindos da quebra das proteínas ou PTN),
  3. Ácidos graxos livres (vindos dos triglicerídeos ou TG).
O intestino  absorve os nutrientes para jogá-los na corrente sanguínea e cada um tomar seu rumo. Para compreender como funciona a dieta low carb, é essencial que se conheça o mínimo sobre o metabolismo de carboidratos e de lipídios. e É IMPORTANTE SALIENTAR que no metabolismo de proteínas, quando elas são consumidas em excesso elas levarão a um processo denominado gliconeogênese (ou neoglicogênese), ou seja, forma de glicose a partir de compostos não-glicados (não-carboidratos), nesse caso lactato, glicerol e aminoácidos (proteínas).

Metabolismo de carboidratos

Dos macronutrientes, o metabolismo de carboidratos é o mais complexo. A grosso modo podemos definir que os carboidratos possuem dois destinos principais. Após ser ingeridos, são quebrados (sofrem uma reação chamada hidrólise) ao longo do trato digestivo em subprodutos que depois virarão glicose. Ou seja, todo carboidrato vira glicose. A principal função dos carboidratos é energética.

Os carboidratos podem ser classificados em:

1) Monossacarídeos: são os carboidratos simples em sua estrutura. São assim chamados pois não precisam passar pela hidrólise, já que são praticamente "glicose pura". Todos com função energética. São pequenos e possuem de 3 a 6 átomos de carbono. Quem são eles ?
  • Glicose, 
  • Frutose, 
  • Galactose, 
  • Manose,
  • Ribose. 
2) Oligossacarídeos: são carboidratos formados pela união de 2 a 6 monossacarídeos. Não são tão simples mas nem tao complexos.  Os oligossacarídeos mais importantes são dissacarídeos e os principais são:
  • Lactose que é a união de dois monossacarídeos (glicose + galactose), é o açúcar do leite.
  • Maltose: que é a união de dois monossacarídeos (glicose + glicose), é o açúcar do malte.
  • Sacarose: que é a união de dois monossacarídeos (glicose + frutose ), que é o açúcar da cana e da beterraba.
Dentre os oligossacarídeos temos ainda:
  • Açúcar invertido: utilizado pela indústria alimentícia, consiste em um xarope quimicamente produzido a partir da sacarose. A fórmula da reação química é a seguinte: sacarose + água = glicose + frutose. No nosso meio é o famoso adoçante sucralose. 
  • Dextrinas: são misturas de polímeros de D-glucose (α-1,4). Na produção industrial, é obtido através da hidrólise ácida do amido. Nem todas formas de dextrinas são digeríveis, essas formas não digeríveis são usadas como complemento de fibras alimentares. A maltodextrina é usada como aditivo alimentar é altamente digerível, sendo absorvida tão rapidamente quanto a glucose. 
  • Isomaltose: Produzida a partir da sacarose da beterraba.
  • Rafinose estaquiose: Os frutooligossacarídeos (rafinose e estaquiose) são polímeros naturais de frutose que usualmente são encontrados ligados a uma molécula inicial de glicose. São totalmente resistentes à digestão no trato gastrintestinal, sendo quase que inteiramente pelas usados pelas bifidobactérias do cólon, dessa forma promovem a integridade da mucosa gastrintestinal.
3) Polissacarídeos: são carboidratos complexos em sua estrutura. Como o nome sugere (poli é um termo derivado do grego e quer dizer muitos), os polissacarídeos são compostos macromoleculares (moléculas gigantes), formadas pela união de muitos (centenas) monossacarídeos.  Serão quebrados e virarão glicose. Os três polissacarídeos mais conhecidos são:
  • Amido: É o polissacarídeo de reserva energética dos vegetais. As batatas, arroz, milho, inhame, feijão, mandioca, trigo estão repletos de amido, armazenado pelo vegetal e consumido em épocas desfavoráveis pela planta. Mas para o amido ser aproveitado pelo corpo, é preciso digeri-lo, o que ocorre primeiramente na boca e depois no intestino, com adição de água e a participação de catalisadores orgânicos, isto é, substâncias que favorecem ou aceleram as reações químicas.
  • Glicogênio: É um polissacarídeo de reserva energética dos animais; portanto, equivalente ao amido dos vegetais. No nosso organismo, a síntese de glicogênio ocorre no fígado, a partir de moléculas de glicose. 
  • Celulose: É o polissacarídeo de papel estrutural, isto é, participa da parede das células vegetais. Poucos seres vivos conseguem digeri-lo, entre eles alguns microrganismos que habitam o tubo digestivo de certos insetos (cupins) e o dos ruminantes (bois, cabras, ovelhas, veados etc.).
Os principais carboidratos da dieta são: o amido, a sacarose, frutose e lactose.  A absorção dos carboidratos pelas células do intestino delgado é realizada após hidrólise dos oligossacarídeos e polissacarídeos em seus componentes monossacarídeos (carboidratos de estrutura simples).

Destinos dos monossacarídeos

Após sofrerem várias reações, cada um dos monossacarídeos terá um destino e uma via bioquímica específica. a frutose e galactose virarão glicose no fígado. Enquanto a glicose entrará em uma cascata de reações, dentre elas a glicólise (quebra da glicose para gerar energia) que ocorre no citoplasma das células.

Glicólise

Na glicólise aeróbica (que ocorrre nas células que tem citoplasma) cada molécula de glicose é convertida em duas moléculas de piruvato, cada uma com três átomos de carbonos em um processo no qual vários átomos de carbono são oxidados. Parte da energia livre liberada da glicose é conservada na forma de ATP e de NADH. O resultado do processo total da glicólise é a formação de 2 ATP, 2 NADH e 2 piruvato, às custas de uma molécula de glicose. Os principais destinos desses compostos formados na glicólise são: Ciclo de Krebs (lactato) , Ciclo de Cori (Acetil-CoA), Síntese de proteínas (alanina) e Gliconeogênese (oxaloacetato).

Na glicólise anaeróbica (que ocorre em células sem mitocôndrias), o produto final da glicólise é o lactato e não o piruvato.

Glicogênese 

A glicogênese é a síntese do glicogênio a partir da glicose. O glicogênio é um polissacarídio composto de unidades repetidas de D−glicose unidas por ligações glicosídicas α, constituindo a principal forma de reserva de polissacarídeos nos tecidos animais. Os maiores depósitos estão presentes no fígado e músculos esqueléticos. O glicogênio é armazenado em grânulos intracelulares que também contêm as enzimas que catalisam as reações para a sua síntese e degradação.

A glicose armazenada sob a forma de glicogênio no fígado e músculos destinam-se a diferentes funções:

  • Glicogênio hepático: Atua como reservatório de glicose para a corrente sanguínea com a distribuição para outros tecidos. Acumula após as refeições e, quando necessário, é degradado lentamente para manter a concentração de glicose no sangue mais ou menos constante. As reservas de glicogênio hepático no homem apresentam importante papel como fonte de glicose no período entre as refeições e, em maior extensão, durante o jejum noturno.
  • Glicogênio muscular: Serve como combustível para gerar ATP durante a atividade muscular aumentada. É formado durante o repouso após as refeições. Os níveis de glicogênio muscular apresentam menor variabilidade do que os teores hepáticos em resposta a ingestão de carboidratos.
É importante salientar que o tecido adiposo também necessita glicose para a síntese de triacilglicerol, ou seja, o excesso de carboidrato (quando o necessário já foi para os estoques de glicogênio ou para a glicólise) vai virará triglicerídeos (gordura).

Metabolismo de lipídios

O metabolismo dos lipídios ocorre no fígado. Sendo que esses lipídios são provenientes de duas fontes: os alimentos ingeridos (gorduras e óleos) e da reserva orgânica que é o tecido  gorduroso (adiposo). Diariamente, ingerimos cerca de 25gramas a 105gramas de lipídios. Estes lipídios estão na comida geralmente sob forma de triglicerídeos (TG).

O armazenamento de ácidos graxos na forma de TG é mais eficiente e quantitativamente mais importante do que o de carboidratos na forma de glicogênio (ou seja, temos muito mais reserva energética na forma de gorduras do que na forma de carboidrato).

Quando os hormônios e outras substâncias sinalizam que o corpo precisa de energia, promove-se então a liberação destes TG.  O objetivo é convertê-los em ácidos graxos livres novamente, os quais serão oxidados para produzir energia. No entanto, outras formas de lipídios fazem parte da dieta diária, como os fosfolipídios, o colesterol e as vitaminas lipossolúveis.

Resumindo: se sobra TG, o tecido adiposo "puxa" o excedente e o armazena na forma de gordura que pode ser embaixo da pele (subcutânea) ou ao redor dos órgãos (gordura visceral).

Os dois princípios básicos da dieta Low carb

O primeiro consiste em evitar picos de insulina e com isso evitar uma maior captação de glicose (atividade anabólica).

O segundo princípio consiste em "orientar" o corpo a utilizar o tecido adiposo como fonte de energia.

O vídeo abaixo, elaborado pela equipe do Autoridade Fitness descreve claramente o funcionamento da dieta low carb,




Mas porque evitar picos de insulina? Mas o que que a insulina tem a ver com emagrecimento ?

A insulina é um hormônio como já citado, com ação anabólica, ou seja, ela "joga" a glicose dentro da célula. Quando o paciente está com glicose suficiente, parte dessa glicose vai para o músculo e vira glicogênio muscular ou hepático. Quando o paciente não precisa de tanta glicose, ela é desdobrada em triglicerídeos e vira gordura no tecido adiposo. Além disso quando o nível de insulina está elevado, ela dificulta a remoção dos lipídios já armazenados (lipólise). Lembre-se, a insulina tem ação anabólica e no emagrecimento desejamos uma ação catabólica.

Resumindo: a insulina inibe a lipólise (queima de gordura como fonte de energia) e estimula a lipogênese (produção de gordura).

Mas como evitar esses picos de insulina ou elevação permanente dela ? Ou utilizando medicação ou reduzindo o teor de carboidrato na dieta.

O baixo consumo de carboidratos leva a uma diminuição na liberação de insulina, o que se traduz em uma maior mobilização dos estoques de gordura para serem utilizados como fonte de energia. Além disso, se há menos insulina circulante, há menor risco de hipoglicemias e também menor risco de aumento do apetite. Ou seja, quando o teor de insulina está "controlado", ocorre uma menor variação na glicemia e hoje sabemos que essas variações glicêmicas podem desencadear aumento do apetite ou episódios de compulsão alimentar. Além disso, estudos em diabéticos (tanto tipo 1 quanto tipo 2) tem mostrado que uma menor variabilidade glicêmica está correlacionada a um menor risco de complicações macrovasculares (infarto, avc), microvasculares (doença renal crônica, amputações, pé diabético, retinopatia diabética).

Sendo assim, o principal objetivo da dieta low carb é obrigar o corpo a utilizar gordura como sua principal fonte de energia. Além disso objetiva-se manter a lipólise (quebra da gordura) por mais tempo já que o teor de carboidratos é reduzido e o nível de insulina decai.

Dieta Low carb versus Dieta No carb

É importante salientar que na dieta Low carb o teor de carboidrato é reduzido, porém não drasticamente como em uma dieta cetogênica, no qual o objetivo é induzir o corpo a produzir corpos cetônicos a partir de gordura e utilizar esses corpos cetônicos como fonte exclusiva de energia. Na cetose o corpo não mais obtém energia a partir da glicose. O resultado é uma mobilização das reservas de gordura do organismo (= queima de gordura), que agora passam a ser utilizadas como combustível para o metabolismo.

Entretanto essa diminuição de carboidratos é uma faca de dois gumes. Se por um lado quanto mais você restringe carboidratos, mais você tende a emagrecer, por um outro lado quanto mais você entra em cetose, mais sintomas você apresenta. Além disso não há estudos conclusivos (a longo prazo) sobre as repercussões metabólicas e hormonais de uma dieta No carb.

O que pesquisadores, médicos e nutricionistas tem se perguntado é:
  • A longo prazo, esses corpos cetônicos poderiam mudar a nossa homeostase ?  Causariam lesões em órgãos ? 
  • O paciente perderia massa magra (proteólise) para utilizar essa massa magra como fonte energética? 
  • Favoreceria piora dos quadros de compulsão alimentar nos quadros de Transtorno de Compulsão Alimentar Periódica? Pioraria quadros de Bulimia, Anorexia, Vigorexia ou Ortorexia?
  • Acarretaria uma diminuição da taxa metabólica basal? 
  • Alteraria o funcionamento do hipotalâmico?
  • Teria benefício inferior ou igual ao de dietas hipocalóricas mas com a distribuição de macronutrientes diferentes?
São perguntas que ainda não sabemos. Além disso percebemos claramente que a adesão a uma dieta No carb é bem difícil.

Dentre os sintomas de cetose temos:
  1. fraqueza, 
  2. vertigem, 
  3. dor de cabeça, 
  4. hálito cetônico, 
  5. indisposição, 
  6. poliúria (micção frequente e em grande quantidade), 
  7. câimbras 
Geralmente esses sintomas são transitórios e após 15 a 20 dias desaparecem. Ou seja, o paciente começa o processo de cetoadaptação, conseguindo até mesmo praticar atividade física de alta intensidade.

Todos esses sintomas podem ocorrer em uma dieta No carb ou cetogênica. Na dieta Low carb, como o corpo ainda continua utilizando a glicose como fonte de energia (mas passa a utilizar a gordura também) os sintomas são mais leves ou não ocorrem. Entretanto a queima de gordura é menos acentuada.

Na dieta low carb o paciente emagrece, principalmente logo após os primeiros dias de alteração nos hábitos alimentares (graças à eliminação do excesso de glicogênio estocado). Ou seja, não é uma perda em sua maior parte de gordura e sim de água. Depois dessa depleção de glicogênio muscular é que se inicia a queima de gordura propriamente dita.

Composição da dieta Low carb e adesão

Uma dieta Low carb como já citado acima, deve conter de 130 até 50gramas de carboidrato por dia, ou de 20 a 30% de carboidratos no volume energético total. É importante salientar que na dieta low carb a base da dieta não é proteína e sim vegetais folhosos, legumes e gorduras. Ou seja, é uma dieta pobre em alimentos industrializados.

A composição então proposta por alguns profissionais seria:
  • Carboidratos: 20 a 30%
  • Gorduras: 50 a 60%
  • Proteínas: 30 a 40%
É importante salientar que a digestão das proteínas exige muito mais energia do corpo que a quebra dos carboidratos, e como resultado, há uma aceleração do metabolismo como resposta ao aumento da ingestão de proteínas. Modesto mas há.

Os aminoácidos também são essenciais para a formação de massa muscular, que por sua vez gasta mais energia do que o tecido adiposo. Modesto aumento na taxa metabólica basal, mas há.

E por último, as proteínas ajudam a controlar o apetite, pois promovem mais saciedade, pois não causam um grande pico de insulina, além de retardarem o esvaziamento gástrico.

O que pode e o que não pode

No começo, até se alcançar a perda de peso, alguns alimentos não são permitidos, depois a longo prazo, na manutenção pode-se reintroduzir os carboidratos complexos (como por exemplo arroz, feijão).

Alimentos Permitidos
  • Proteínas de alto valor biológico: carne, frango, peixe, ovo, leite, soja.
  • Carne vermelha magra, peito de frango, peixes, ovos, whey protein isolado. Embutidos (salsicha, mortadela, linguiça, peito de peru, etc.) são permitidos, mas deve-se ficar atento à quantidade de sódio (que promove retenção de líquidos) e de carboidratos nos rótulos, já que no processo de defumação utiliza-se açúcar.
  • Frutas com baixo índice glicêmico: limao, acerola, maracujá, morango, pêssego, ameixa, cereja, amora, framboesa, mirtilos, damasco, açaí e abacate.
  • Laticínios: aqueles com alto teor de gordura contêm menos carboidratos que os laticínios light, mas por outro lado são ricos em gordura saturada, que deve ser consumida com moderação. Creme de leite, cream cheese e parmesão são alguns dos laticínios permitidos na dieta low carb.
  • Gorduras boas: nozes, amêndoas, azeite,  abacate, salmão, atum e sardinha.
  • Vegetais: folhas verdes (couve, rúcula, alface, agrião, etc.) e vegetais não amiláceos (couve flor, rabanete, brócolis, alho poró, aspargo), cenoura, abrobrinha, chuchu, beterraba.
  • Outros: maionese, leite de coco, frutos do mar, gelatina sem açúcar e adoçantes (sucralose e aspartame).
  • Bebidas: café, chás sem açúcar (camomila, erva doce, etc.) e água sem gás.
Alimentos Não permitidos na fase inicial
  • Arroz, batata inglesa, milho, trigo, açúcar, farinhas.
  • Álcool
  • Refrigerantes diet, light ou zero
  • Leguminosas (feijão, lentilha, grão de bico)



Os principais erros cometidos por quem faz dieta Low carb 

1) Não focar na verdadeira base alimentar que deve ser vegetais e folhas! 
  • A base alimentar deve ser comida de verdade deixando de lado os industrializados, ou seja, consumir os alimentos mais próximos da forma como são encontrados na natureza. O correto é deixarmos de lado os industrializados que são os que apresentam maiores concentrações de açúcares por porção, aumentando o consumo de vegetais, principalmente de baixo amido, como as verduras e folhas, e não focar em proteínas e gorduras. Existem vários alimentos Low carb disponíveis no mercado, porém nada saudáveis.
2) Exagerar nas fontes de proteínas e gorduras
  • Em uma dieta low carb (bem formulada, portanto é FUNDAMENTAL que você passe por um nutricionista), a quantidade de vegetais deve ser maior do que a quantidade de produtos animais (carnes e leite e derivados como manteigas, iogurtes e queijos) e gorduras refinadas mesmo que saudáveis, como óleo de coco e azeite. Isso é importante para a flora intestinal e para o equilíbrio nutricional da dieta, evitando com que você fique com o intestino preso e careça de vitaminas e minerais. 
  • Qualquer exagero leva à auto sabotagem.
  • Na low carb se incentiva perder o medo do consumo de proteínas e gorduras naturais dos alimentos e não tê-las como sua base alimentar ou elas em maior concentração na sua refeição
3) Cortar muito o consumo de carboidratos ao ponto de se preocupar com os carboidratos dos vegetais
  • Quando se elimina os carboidratos refinados e se passa a consumir os carboidratos vindos de folhas, legumes e tubérculos, o volume alimentar tende a aumentar contribuindo para o aumento da saciedade, porém a quantidade de carboidratos ingeridos tende a diminuir. Diferente de quando se consome produtos industrializados que apresentam alta concentração de carboidratos refinados em pouca porção.
  • Uma dieta Low carb não deve ser No carb. Trata-se de restringir açúcar, farináceos e excesso de amido e não ficar preso à contagem de carboidratos “do bem”. 
  • Lembre-se: Ninguém engorda comendo muita cenoura ou batata e sim pelo consumo de carboidratos “lixos” que não nos fazem bem e são viciantes! Ex: xarope de glicose, açúcar invertido, maltodextrina, xarope de frutose e etc..!
4) Comer sem fome (Respeite a FOME)
  • Ao se adaptar ao estilo de vida low carb o resultado é um ajuste na regulação de hormônios que estão ligados com a fome, compulsão e ansiedade, além do aumento expressivo da saciedade pelo consumo de gorduras boas, ou seja, gorduras naturais dos alimentos. Com isso haverá diminuição da fome. A fome é uma reação fisiológica do organismo que deve ser respeitada. Um exemplo bem básico e simples: da mesma forma que vamos ao banheiro evacuar ou fazer xixi quando o organismo avisa também devemos comer quando temos fome! Fome é diferente de vontade de comer. A vontade de comer é muito seletiva, já a fome não, você come o que tem!
5) Comer além da saciedade (Respeite a SACIEDADE)
  • Como a fome, a saciedade também deve ser fisiológica e neste caso o bom senso é muito bem vindo. Com uma alimentação focada na qualidade nutricional dos alimentos a quantidade tende a ser autorregulada pelo corpo se atentando para a sensibilidade dos receptores de apetite e saciedade.
6) Comer muitos laticínios e derivados 
  • Algumas pessoas reagem mal ao uso de laticínios e com isso acabam dificultando ou estabilizando a perda de peso. O consumo de laticínios deve ser de forma esporádica, para dar sabor às preparações e reduzir a monotonia alimentar. Caso contrário, se usados em excesso são insulinogênicos e acabam ativando muito a insulina, mecanismo contrário ao que se busca com a Low Carb. 
7) Não ter paciência para esperar a adaptação metabólica acontecer, ou seja, não esperar o organismo a se adaptar utilizando outras vias metabólicas como fonte energia
  • A dieta tradicional da população brasileira, sem dúvidas, tem como maior substrato energético os carboidratos, considerados fonte de energia rápida. Porém, com o consumo reduzido de carboidratos o organismo precisa se adaptar para uma nova utilização energética que deverá ser utilizando os estoques de energia armazenados no tecido adiposo ou mais conhecidos como pneuzinhos.
8) Comparar seus resultados com os dos outros
  • Cada organismo se adapta e reage de forma individual. Existem os que perdem peso de forma rápida e depois estacionam e existem os que perdem peso de forma gradativa. Não compare seus resultados com os de seus amigos ou de alguém da internet.
9) Uma dieta low carb não precisa ser VERY low carb ou cetogênica para ser efetiva
  • Cada pessoa tolera um nível de carboidratos para emagrecer e sem ganhar peso. Há pessoas que toleram grandes quantidades e outras menores. Dietas muitos restritivas não são sustentáveis.
10) Buscar resultados rápidos
  • Resultados rápidos são passageiros.
  • Cuidado com o efeito sanfona! Procure um estilo de vida que seja sustentável, duradouro e que consiga fazer pelo resto da vida 
E o que jejum intermitente?

O jejum intermitente (JI) ou Time-Restricted Feeding (TRF) vem ganhando cada vez mais popularidade, principalmente entre os praticantes de dieta Low Carb e cetogênica. Mas há muitas informações distorcidas sendo disseminadas na internet. Existe uma fundamentação científica, alguns pacientes tem resultados, mas como toda "modinha" as informações vão sendo distorcidas no meio do caminho. Abaixo postarei um texto escrito por uma amiga, a nutricionista Rita de Cassia.

Mas afinal, existem estudos científicos para tal estratégia?

Sim, existem. Mas vamos primeiro a alguns conceitos importantes. De acordo com a literatura, a definição para o jejum intermitente é “estratégia que envolve a restrição total ou parcial do consumo de energia (restrição que varia de 50 a 100%) em 1 a 3 dias por semana”.

Porém, por ser de difícil adesão, foi criada uma estratégia alternativa, conhecida como “time-restricted feeding (TRF)”, que em português significa restrição de tempo de alimentação.

No TRF os indivíduos têm o consumo de alimentos limitados dentro de uma janela de tempo (que varia de 3 a 4h, 7 a 9h ou 10 a 14h), o que induz a um tempo de jejum que varia de 10 a 21 horas por dia. Isso significa que o paciente fará entre 1 a 3 refeições ao dia.

Isso deu origem a alguns métodos populares, sendo largamente difundidos pela internet:

  • Método 16/8: Também chamado de o protocolo Leangains. A pessoa realiza praticamente 2 refeições diárias (por exemplo, uma refeição as 13h e outra as 21h), em uma janela de 8 horas e totalizando 16 horas de jejum.
  • Método do jejum completo: Isso envolve o jejum durante 24 horas, uma ou duas vezes por semana. Por exemplo, o intervalo entre o jantar de um dia anterior até o jantar no dia seguinte.

  • Dieta 5:2: Ficou conhecida popularmente pelo livro “The Fast Diet”. Nele, em dois dias não consecutivos da semana, os indivíduos só comem 500-600 calorias e voltam a consumir normalmente nos outros 5 dias.
É claro que apenas este último não foi desenvolvido por grandes estudos científicos. Até porque já sabemos que o que importa não é o valor calórico dos alimentos e sim a sua densidade nutricional. Então vamos detalhar sobre o que existe de pesquisas científicas neste tema:
  • No estudo de revisão publicado pelo autor Rothschild e colaboradores em 2014, verificou que 11 estudos tinham avaliado os efeitos do TRF em humanos, sendo que a maioria (6 estudos) avaliou os feitos do TRF de 10-12 horas. Entre os estudos que avaliaram o TRF de 4 horas ou 7-8 horas, nenhum efeito benéfico foi encontrado na população estudada. Por outro lado, notavelmente, os estudos que implementaram o TRF de 10-12 horas demonstraram reduções consistentes no peso corporal de 1-3%, além de melhorias nos parâmetros metabólicos, como níveis de lipídios sanguíneos e glicemia. Esses resultados já seriam esperados, pois a expansão da janela de alimentação torna a estratégia mais viável para que o indivíduo consiga consumir os alimentos dentro de suas necessidades durante ao longo do dia. Isso ocorre porque o jejum de 7 a 8 horas foi realizado durante o sono e, portanto, não se trata de nenhuma novidade ao que já é preconizado dentro de uma dieta equilibrada.
  • Além disso, as evidências científicas para os riscos e benefícios do uso do TRF e do jejum intermitente são limitadas, pois os estudos não foram realizados em longo prazo e muitas vezes realizados com um número limitado de participantes. Dessa maneira, enquanto não houver evidências científicas suficientes para respaldar o uso dessas estratégias, elas não devem ser indicadas para garantir um emagrecimento saudável.
  • Em 2015 foram publicados outros estudos de revisão com atualização sobre as evidências científicas para essa estratégia. O artigo “Health effects of intermittent fasting: hormesis or harm? A systematic review” publicado em uma das maiores revistas de nutrição do mundo, trouxe uma revisão sistemática sobre o tema. Eles concluem que faltam estudos clínicos robustos para comprovar o real benefício do jejum intermitente na saúde. No entanto, existem estudos que demonstram que o jejum intermitente realmente provoca melhorias na saúde metabólica, desempenho cognitivo e cardiovascular, porém com algumas falhas metodológicas.
  • O outro artigo, publicado em agosto de 2015, foi nada menos do que pela Academia Americana de Nutrição e Dietética (Eat Right), com o título “Intermittent Fasting and Human Metabolic Health”. A publicação também reforça que são necessários mais estudos que avaliem principalmente os efeitos em longo prazo. Visto que os períodos de jejum podem alterar o equilíbrio da produção dos hormônios da fome/saciedade, o que pode promover distúrbio lá na frente. Deve-se investigar também sobre as alegações referentes ao envelhecimento e biomarcadores longevidade.
  • As recomendações atuais para o emagrecimento ainda ressaltam a importância para o fracionamento das refeições e evitar se alimentar com muita fome. No entanto, ainda não está claro também se essa recomendação é válida para todos de uma maneira generalizada.
Esses artigos deixam claro que o jejum intermitente pode ser uma abordagem promissora para o emagrecimento e melhorar a saúde metabólica para as pessoas quem conseguem se adaptar ao jejum ou comer muito pouco em certas horas do dia ou dias da semana. Ou seja, tudo se refere a INDIVIDUALIDADE!

Abaixo, dois vídeos da Dra. Rita de Cássia. Nutricionista e mestre em Nutrição Humana pela USP.





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Autores:
Dr. Frederico Lobo - Médico clínico geral.
Dr. Flávio Melo - Médico pediatra.
Dr. Thiago Omena - Médico especialista em clínica médica.
Dra. Ana Paula Rodrigues - Nutricionista especialista em Nutrição esportiva.
Dra. Samara Bergamelli - Nutricionista especialista em Nutrição esportiva e com foco em Dieta Low Carb.