quinta-feira, 19 de maio de 2022

Abordagem nutricional dos transtornos psiquiátricos

Nos últimos 10 anos foi raro o dia em que não recebi paciente relatando algum sintoma psiquiátrico. No auge da pandemia escrevi um pouco sobre isso e agora, no final da pandemia, percebi que os relatos só aumentaram.

Não sei se é pela parceria que tenho com inúmeros psicólogos e psiquiatras. Se é por um mero acaso do destino, pois sempre gostei de acolher e ouvir esses pacientes (muitas vezes até fugindo do meu papel de nutrólogo e quase que desempenhando um papel de "pseudo-psicólogo"). Ou então se é porque realmente o número de transtornos psiquiátricos aumentou depois da pandemia. Acredito que seja uma confluência dos 3 fatores, o fato é que tenho atendido muitos pacientes com transtornos psiquiátricos.

Mas por que um paciente procuraria um médico nutrólogo para tratar de uma doença/queixa psiquiátrica? Simplesmente, porque há muita informação propagada erroneamente na internet. 

Abaixo, algumas das fake news mais comuns em psiquiatria nutricional:
  • "Você sabia que 90% da sua serotonina é produzida no intestino?"
  • "Você sabia que a falta de vitaminas pode levar a depressão?"
  • "A utilização de nutrientes podem reduzir a ansiedade?"
  • "Dieta low carb pode melhorar TDAH?"
  • "Dieta cetogênica pode curar convulsões e reduzir os sintomas depressivos?"
  • "A suplementação de vitaminas pode melhorar o seu sono?"
  • "Soro com vitaminas e minerais podem melhorar o seu foco, concentração, memorização?"
  • "As bactérias intestinais podem influenciar no seu humor?"
  • "Jejum intermitente pode melhorar sintomas de ansiedade/depressão/bipolaridade?"
  • "Usar melatonina pode curar a insônia?"
Ou seja, uma série de fake news estão publicadas na internet, por pessoas que provavelmente nunca estudaram psiquiatria nutricional. 

Profissionais que sequer conhecem a cascata de formação de neurotransmissores. Que mal sabem solicitar uma polissonografia para avaliar o sono. Gente totalmente despreparada e que vem cometendo iatrogenias a rodo. E o pior, fazendo isso com pessoas altamente fragilizadas, com dor emocional. 

Nisso, esses profissionais acabam vendendo soros, chips, prescrevendo páginas e mais páginas de suplementos. Ou seja, enquanto existir cavalos, São Jorge não andará a pé.

Mas afinal, a Nutrologia pode agregar alguma coisa nos transtornos psiquiátricos? Sim. Mas não é a panaceia que pintam por aí. Alias, é um efeito bem limitado. Palavra de quem estuda isso desde 2003, quando perdi meu pai para o transtorno bipolar. 

Noções básicas de Psiquiatria nutricional ou Nutropsiquiatria

Primeiramente, devo explicar pra vocês que existem várias substâncias, denominadas neurotransmissores.

Os neurotransmissores são substâncias químicas produzidas pelas células do nosso sistema nervoso central (os neurônios) e são usadas para transmitir informação entre eles. 

Os neurotransmissores são liberados por um neurônio pré-sináptico para a fenda sináptica (imagine um vale) e causam uma alteração na membrana pós-sináptica ou no neurônio pós-sináptico. Conforme consta na imagem.


Essa membrana pós-sináptica (célula receptora), pode ser um neurônio com receptores especificas para os neurotransmissores, sofrendo uma alteração de potencial (evento elétrico). Mas também pode ser uma célula muscular ou uma célula glandular. 

Define-se por neurotransmissão (ou transmissão sináptica) a conversão de um evento elétrico em num evento químico e posteriormente em evento elétrico.

A reação desencadeada pela liberação desses neurotransmissores pode excitar ou ativar o neurônio pós-sináptico, ou inibir ou bloquear sua atividade. Ou seja, o neurotransmissor pode ter uma ação Excitatória ou Inibitória. Isso que poderá gerar os sintomas psiquiátricos ou neurológicos. 

Os neurotransmissores podem se dividir em:

1) Aminas biogênicas:
  • Acetilcolina
  • Histamina
  • Monoaminas: Serotonina e Catecolaminas (Dopamina, Noreprinefrina, Epinefrina)
2) Aminoácidos com ação neurotransmissora:
  • Ácido-gama-aminobutírico (GABA)
  • Glutamato
  • Glicina
  • Taurina
3) E podemos ter também os neuropeptideos que possuem ação no sistema nervoso central e periférico:
  • Substância P
  • Vasopressina
  • Peptídeo inibidor Vasoativo
  • Endorfinas e beta-endorfinas
  • Ocitocina
  • Neurotensina
Mas há mais de 100 neurotransmissores estudados. Nesse texto vamos nos ater a alguns somente.


Os neurotransmissores também podem ser classificados de acordo com a sua função: Excitatória,  Inibitória ou Modulatória.

Neurotransmissores excitatórios: esses neurotransmissores têm efeitos excitatórios no neurônio, o que significa que aumentam a probabilidade de o neurônio disparar um potencial de ação. Alguns dos principais neurotransmissores excitatórios incluem epinefrina e norepinefrina.

Neurotransmissores inibitórios: já esses, têm efeitos inibitórios sobre o neurônio. Eles diminuem a probabilidade de o neurônio disparar um potencial de ação. Alguns dos principais neurotransmissores inibidores incluem a serotonina e o ácido gama-aminobutírico (GABA).

Neurotransmissores mistos: A acetilcolina e dopamina podem criar efeitos tanto excitatórios quanto inibitórios, dependendo do tipo de receptores que estão presentes.

Neurotransmissores modulatórios: Esses neurotransmissores, frequentemente denominados neuromoduladores, são capazes de afetar um número maior de neurônios ao mesmo tempo. Esses neuromoduladores também influenciam os efeitos de outros mensageiros químicos. 

E onde entra a Nutrologia ?

Já dizia Lavoisier, "Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, Essa é a lei da conservação das massas. Um neurotransmissor até ser formado, começou com um aminoácido. Mas até virar o neurotransmissor, ele sofreu reações enzimáticas (co-fatores = vitaminas, minerais). Depoís de uma série de reações, eis que surge um neurotransmissor. Ou seja, para chegar a ser um neurotransmissor, ele precisou de algumas substâncias interferindo na estrutura química do aminoácido. Quem catalisou essas reações ? Nutrientes. Aqui entra na Nutrologia. 

Aminoácidos são compostos orgânicos, formados por um carbono, um grupo carboxila, um grupo amino (por isso AMINO-acido) e por um radical. Quando se junta vários aminoácidos eles forma proteínas. 

Mas por que voltar no segundo grau? Simplesmente, porque esses aminoácidos é que darão origem aos 4 principais neurotransmissores. A imagem abaixo exemplifica isso. Ou seja:
  • Serotonina se forma a partir do aminoácido triptofano
  • Dopamina se forma a partir do aminoácido tirosina, que por sua vez se forma da Fenilalanina
  • Noradrenalina também se forma do aminoácido tirosina
  • Gaba se forma através da junção de 3 aminoácidos: ácido glutâmico, taurina e glicina. 


Ou seja, pela lógica, se eu consumo mais aminoácido precursor de serotonina, eu formarei mais serotonina? Não necessariamente. Essa é uma das fake news propagandas por aí. O corpo se autorregula. Para esse triptofano entrar no cérebro ele precisa atravessar uma barreira chamado Hematoencefálica. Pra complicar, ele sofre competição com outros aminoácidos, como por exemplo os BCAAs. E pra complicar ainda mais, ele só virará serotonina após uma série de reações enzimáticas, que são dependentes de bons níveis de vitaminas, minerais.

Entenderam agora a fake news da serotonina intestinal ? De que adianta serotonina no intestino se ela não consegue atravessar essa barreira? 

Entenderam também a fake news "come banana, é rica em triptofano e forma mais serotonina", ou "coma aveia, é rica em serotonina". Banana tem pouquíssimo triptofano e nenhum alimento possui serotonina. 

Então, o senhorzinho que está com rebaixamento do humor, triste, com oscilação do humor, assiste um videozinho no YouTube que fala sobre "os efeitos transformadores dos nutrientes na depressão" e resolve marcar com o Nutrólogo. 

O que tem de real nisso tudo ?

A serotonina é uma monoamina que  desempenha um papel importante na regulação e modulação do humor, sono, ansiedade, sexualidade e apetite.

Seu déficit pode levar a aumento da ansiedade, aumento do apetite e até exacerbação da libido (ou o oposto).

A classe de medicamentos denominada "inibidores seletivos da recaptação da serotonina ou ISRSs" são um tipo de medicação antidepressiva comumente prescrita para tratar depressão, ansiedade, transtorno do pânico e ataques de pânico. Eles agem tentando equilibrar os níveis de serotonina, bloqueando a recaptação de serotonina no cérebro, o que pode ajudar a melhorar o humor e reduzir sentimentos de ansiedade.

Muitas vezes um dos efeitos colaterais dessas medicações é a redução do apetite e também da libido. Justamente por interferência em outros dois neurotransmissores: a Dopamina e a Noradrenalina.

Pra formar serotonina precisa do aminoácido triptofano? Sim. Mas quantidades mínimas já conseguem suprir isso. E não adianta dosar serotonina no sangue. Serotonina no sangue ou no intestino provavelmente não influenciará na serotonina cerebral, mais precisamente a serotonina na fenda pós-sináptica. Ingestão habitual de carnes, oleaginosas, lácteos, leguminosas já consegue fornecer a necessidade diária de triptofano. E não é você tomando L-triptofano que essa serotonina subirá. E graças a Deus que não é assim. Imagina: come e faz "pico de serotonina". Que loucura seria o mundo. 

Vitaminas podem influenciar nessa produção de serotonina? Sim. Em especial a vitamina B12, o ácido fólico e vitamina B6. As 3 são co-fatores e entram na cascata de produção de serotonina. Ou seja, a deficiência dessas vitaminas podem levar a menor produção de serotonina? Sim, principalmente a B12 e o ácido fólico. Por isso na atualidade vemos tantos psiquiatras e neurologistas dosando a vitamina B12. 

Minerais também podem influenciar? Sim. Magnésio e ferro podem também interferir na produção de serotonina. 

Então vamos lá, se eu tomar  L-triptofano, B6, B12, ácido fólico, magnésio, ferro formarei mais serotonina e com isso reduzir os sintomas depressivos? Não necessariamente. As coisas não são tão simples e matemáticas como se parece. Os transtornos psiquiátricos são multifatoriais, complexos. 

Há envolvimento de fatores genéticos (polimorfismos genéticos que interferem na fenda sináptica, no neurônio pós-sináptico, na recaptação dessa serotonina e até mesmo na formação das formas ativas de ácido fólico (metilfolato), B12 (metilcobalamina), B6 (piridoxal-5-fosfato)). 

Há influência de outros neurotransmissores sobre a serotonina.

Doenças de base podem interferir na produção de neurotransmissores, assim como uso de substâncias, drogas, álcool, privação de sono, sedentarismo.

Entenderam a complexidade?

E é importante salientar que nem todo quadro de ansiedade envolve comente serotonina, as vezes pode ter outro neurotransmissor deficiente. E o profissional mais habilitado para investigar isso não é o Nutrólogo e sim o Psiquiatra. Se você apresenta sintomas de déficit de serotonina: procure um psiquiatra e posteriormente um psicólogo. Pode procurar o nutrólogo? Só depois que for nesses dois. Eu não atendo pacientes com sintomas psiquiátricos que não estejam em acompanhamento com psiquiatra e com psicólogo. 

Mas e os outros neurotransmissores?

GABA: o ácido gama-aminobutírico (GABA) age como o principal mensageiro químico inibidor do corpo. O GABA contribui para a visão, controle motor e desempenha um papel na regulação da ansiedade. 

Os benzodiazepínicos, usados ​​para ajudar no tratamento da ansiedade, funcionam aumentando a eficiência dos neurotransmissores GABA, o que pode aumentar a sensação de relaxamento e calma. Assim como o anticonvulsivamente topiramato e o fitoterápico Passiflora incarnata. 

O glutamato é o neurotransmissor mais abundante encontrado no sistema nervoso, onde desempenha um papel em funções cognitivas, como memória e aprendizagem. Quantidades excessivas de glutamato podem causar excitotoxicidade resultando em morte celular. Essa excitotoxicidade causada pelo acúmulo de glutamato está associada a algumas doenças e lesões cerebrais, incluindo a doença de Alzheimer, derrame cerebral e convulsões epilépticas. O Magnésio pode reduzir a excitação neuronal e por isso tem se pesquisado cada vez mais sobre sua ação em algumas doenças neurológicas e psiquiátricas. 

Então vamos tratar ansiedade com magnésio? Não. Essa é mais uma fake news. 

Temos ainda as monoaminas catecolaminas, que são uma classe de neurotransmissores e que engloba: Dopamina, noradrenalina e adrenalina

A dopamina desempenha um papel importante na coordenação dos movimentos do corpo. Talvez os seus efeitos mais estudados na atualidade são por estar relacionados ao sistema de recompensa, motivação e acréscimos. 

Vários tipos de drogas viciantes aumentam os níveis de dopamina no cérebro, redes sociais também. A doença de Parkinson, que é uma doença degenerativa que resulta em tremores e prejuízos no movimento motor, é causada pela perda de neurônios geradores de dopamina no cérebro.

A epinefrina é considerada tanto um hormônio quanto um neurotransmissor. Geralmente, a epinefrina (adrenalina) é um hormônio do estresse que é liberado pela glândula adrenal. No entanto, funciona como um neurotransmissor no cérebro.

A noradrenalina é um neurotransmissor que desempenha um papel importante no estado de alerta que está envolvido na resposta de luta ou fuga do corpo. Seu papel é ajudar a mobilizar o corpo e o cérebro para agir em momentos de perigo ou estresse. Níveis deste neurotransmissor são tipicamente mais baixos durante o sono e mais altos durante períodos de estresse.

Como citei acima, todos esses neurotransmissores são oriundos de algum aminoácido e possuem vitaminas e minerais como co-fatores para a sua produção. talvez por isso as pessoas estejam buscando o consultório de Nutrólogos. Porém, é errado afirmarmos que a suplementação de nutrientes, de forma isolada irá tratar sintomas psiquiátricos. 

O tratamento é multidisciplinar e engloba acompanhamento com:
  • Psiquiatra
  • Psicólogo
  • Mudança do estilo de vida. 
O slide abaixo faz parte da explicação que dou para os pacientes que procuram o meu consultório devido esses sintomas.





Ao longo desses quase 13 anos de consultório, o que vejo dando resultado no tratamento dessas patologias é justamente a transdisciplinaridade e principalmente mudanças no estilo de vida. Portanto, não pense que o Nutrólogo irá curar a sua depressão ou sua ansiedade. Vá consciente das limitações da especialidade. 

Para quem deseja ler mais sobre o assunto, acesse outros textos aqui postados sobre saúde mental:




Autor: Dr. Frederico Lobo - CRM-GO 13192 - RQE 11915 - Médico Nutrólogo

Existe cerveja que engorda menos ?

Sabe aquela cervejinha do happy hour (que agora é feito em casa rsrs)? Então, ela pode ser um "problema" se o seu objetivo for perder peso nos próximos dias.

Sabe por que? Bom, além dos efeitos nocivos que o álcool em excesso traz ao organismo, a grande tolerância que parte das pessoas têm em beber grandes volumes resulta em uma ingestão significativa de calorias.

Por exemplo:

1 cerveja long neck comum (355ml) tem aproximadamente 170kcal. Vamos supor que nessa quarentena você decida aproveitar para tomar 10 unidades para passar o tempo. Só nessas 10 unidades você já vai ingerir 1700kcal. Agora acrescente nessa conta alguns petiscos. Aí a situação já dá uma "baqueada" e a perda de peso então... rsrs. 

Mas, será que existe cerveja que engorda menos?
.
Avaliei várias marcas dos produtos COMUNS com álcool, inclusive aquela "verdinha" que o pessoal fala que engorda menos, rsrs. A faixa de calorias de todas as cervejas comuns estão na média de 120 a 180 kcal por long neck. Por outro lado, cervejas do tipo "light" OU sem álcool, possuem entre 100 e 130 calorias por long neck, o que acaba não sendo uma "solução" ideal.

Logo, mesmo tendo essas diferenças calóricas mínimas entre as bebidas, não vejo que haja uma cerveja que engorde MENOS.

"Ah, mas então eu preciso parar totalmente de beber para perder peso?" Não necessariamente, mas é preciso que esse volume calórico seja considerado no cálculo do seu plano alimentar, para que seja realizada uma redução gradativa do volume e da frequência em que se bebe, principalmente quando as quantidades ingeridas são MUITO excessivas.

Viu só? Não precisa parar de beber 100% para conseguir perder peso, mas sim adequar a frequência e quantidade que essa "gelada" será consumida.

Uma outra estratégia é o intercalamento entre tipos de cerveja. 

Exemplo: 10 copos de cerveja (300ml cada = 130kcal) totaliza em 1.300Kcal. Se adotarmos uma política de redução de danos, a pessoa ingeriria: 6 copos de cerveja (300ml cada = 780cal) + 4 cervejas zero álcool (1 litro = 420kcal). O Álcool apresenta a segunda maior densidade calórica, 1 grama de álcool fornece 7kcal. 1 grama de gordura fornece 9kcal. Ao passo que 1grama de carboidratos ou proteínas fornecem 4kcal. 

Sendo assim, quando você bebe álcool, as duas variáveis mais importantes são: frequência (número de vezes que você beberá) e o volume (quantidade de bebida que você ingerirá). 

Outra estratégia é o intercalamento com copos de água, pois o álcool por si só, tem ação inibindo o ADH (hormônio antidiurético = que inibe que você urina). Ou seja, além de estar bebendo líquido (o que por si só já estimula a diurese) há também a ação na inibição do hormônio. Resultado: você fará mais xixi e se desidratará. Portanto, intercale com 1 copo de água (200ml) a cada 200ml de álcool. 

Por último é importante lembrar que o álcool pode causar hipoglicemia. Então ingira carboidratos enquanto estiver bebendo. A ingestão alimentar em conjunto, tende a reduzir o volume de álcool ingerido. 


Autores: 
Rodrigo Lamonier - Nutricionista e Profissional da Educação física
Dr, Frederico Lobo - Médico Nutrólogo - CRM 13192 - RQE 11915
Márcio José de Souza - Profissional de Educação física e Graduando em Nutrição. 

quarta-feira, 18 de maio de 2022

Depressão atinge mais da metade dos adolescentes obesos

Mais de 50% dos adolescentes obesos preencheram os critérios de depressão, que também foi associada a vários componentes da síndrome metabólica, com base em dados de 160 indivíduos.

Pesquisas anteriores mostram que as consequências metabólicas da obesidade pioram com a coexistência da depressão em adultos, mas uma relação semelhante em adolescentes obesos não foi explorada, de acordo com Nisha Gupta, estudante de medicina do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Texas, Houston, e colegas.

"Essa relação é explicada por uma resposta hiperativa ao estresse e adoção de hábitos de vida não saudáveis", ambos os quais aumentaram durante a pandemia de COVID-19, observaram os pesquisadores em seu resumo.

Em um estudo apresentado na reunião anual das Sociedades Acadêmicas Pediátricas, os pesquisadores revisaram dados de 160 adolescentes obesos atendidos em uma clínica pediátrica de controle de peso entre 1o de julho de 2018 e dezembro. 3 de 2021. Os dados incluíram informações antropométricas, clínicas e laboratoriais. A depressão foi avaliada usando o Questionário de Saúde do Paciente-9 (PHQ-9). O objetivo do estudo foi comparar a prevalência de componentes da síndrome metabólica em jovens obesos com e sem depressão diagnosticada.

No geral, 46% dos pacientes tinham escores PHQ-9 inferiores a 5, o que foi definido como nenhuma depressão clinicamente significativa. 

Um total de 26% tinha diagnósticos atuais ou anteriores de depressão, e 25% preenchiam os critérios de depressão moderada a grave, com escores PHQ-9 de 10 ou mais. 

Notavelmente, 18% dos indivíduos sem história prévia de depressão preencheram os critérios de depressão moderada a grave, escreveram os pesquisadores.

Adolescentes que relataram fadiga diurna ou dificuldade para dormir, e aqueles que relataram comer fora sete ou mais vezes por semana tiveram pontuações mais altas do que aqueles sem esses relatos.

Em análises laboratoriais, escores mais altos do PHQ-9 foram significativamente associados ao aumento de peso, índice de massa corporal, porcentagem de gordura corporal, pressão arterial diastólica e insulina sanguínea em jejum (P < 0,02 para todos).

Os achados do estudo foram limitados pelo tamanho relativamente pequeno da amostra, observaram os pesquisadores. 

No entanto, os resultados sugerem que a depressão é comum, mas muitas vezes subdiagnosticada em adolescentes obesos, e o rastreamento da depressão deve fazer parte do controle da obesidade.

• Estudo Destaca a Necessidade de Rastreamento

O presente estudo é importante por causa do aumento geral da obesidade nos Estados Unidos, que se estende a crianças e adolescentes, disse Tim Joos, MD, um clínico com sede em Seattle com uma combinação de medicina interna/prática pediátrica, em uma entrevista.

"Com o aumento das taxas de obesidade entre crianças e adolescentes nas últimas décadas, estamos vendo mais doenças 'adultas' se infiltrarem nas idades mais jovens, incluindo diabetes tipo 2, pressão alta e agora, depressão", disse ele.

"Os resultados são um alerta para a necessidade de uma melhor prevenção e manejo da obesidade em todo o sistema em adolescentes e a importância do rastreamento e gerenciamento da depressão em adolescentes obesos", enfatizou ele.

O estudo não recebeu financiamento externo. Os pesquisadores não tinham conflitos financeiros para divulgar. Joos não tinha conflitos financeiros para divulgar e faz parte do conselho consultivo editorial da Pediatric News.

“Compartilhar é se importar”
Instagram:@dr.albertodiasfilho
EndoNews: Lifelong Learning
Inciativa premiada no Prêmio Euro - Inovação na Saúde

Instituições de caridade Goiânia

Ontem os termômetros marcaram 12°C de madrugada em Goiânia. Diante do frio, fico refletindo o quanto sou privilegiado por ter um lar, roupas, cobertores. Imaginando pessoas em situação de rua, que não tem o que comer e muito menos como se proteger do frio. O inverno pode ser cruel para alguns. 

Felizmente, esse ano estou vendo várias instituições se mobilizando para arrecadar cobertores, roupas, produtos de higiene pessoal e mantimentos para a população mais carente. 

Então caso queira e esteja com disponibilidade financeira, disponibilizarei nesse post, algumas instituições que estão auxiliando quem realmente precisa. 

Em união com alguns amigos, fizemos um instagram chamado @rodadacaridade no qual disponibilizaremos a rota de onde há pessoas em vulnerabilidade social, grupos específicos que atuam de forma filantrópica e formas de praticar a caridade.

Associação Tio Cleobaldo


Associação Tio Cleobaldo é uma entidade filantrópica, sem fins lucrativos, que atua há mais de 40 anos.
Está situada em Goiânia-GO e tem como missão diminuir a vulnerabilidade que envolve as pessoas em situação de rua. 

Proporcionando dignidade e de reintegração familiar e na sociedade. Auxiliam cerca de 340 (Trezentos e quarenta) crianças fixas, uma média 35 (Trinta e cinco) gestantes, 541 (quinhentos e quarenta e uma) famílias em média fixa e mais de 700 (setecentas) pessoas em situação de rua, com distribuição de refeições no período noturno 2 vezes por semana, cestas básicas, roupas, sapatos e apoio social. 

Nesse inverno estão arrecadando cobertores. 
E-mail: cleobaldotio@gmail.com
Fone e whatsApp: (62) 98164-7604

Filhos de SR


A Filhos de SR é uma entidade filantrópica, sem fins lucrativos, que tem como objetivo auxiliar indivíduos em situação de rua, adictos (drogas, bebidas), estrangeiros e refugiados, acamados ou indivíduos com dificuldade de locomoção. 

Foi criada no ano de 2021 em Goiânia diante de um cenário de insegurança alimentar que se agravou durante a pandemia. Todos os sábado, o acorda cedo para preparar refeições (pão com manteiga, leite e bolachas) e distribuir em pontos estratégicos de Goiânia-GO. 

Também recebem doações de cobertores, roupas, calçados. Nesse inverno estão arrecadando cobertores.
E-mail: filhosdesr@gmail.com
Fone e WhatsApp: (62) 98330-8383.


Policia Civil de Goiás


Com a chegada de uma frente fria a Goiás, os policiais civis fizeram frente a campanha de distribuição de agasalhos e cobertores à medida que vão recebendo as doações arrecadas por entidades dos servidores ligadas a categoria. 

Até o dia 20/05, será feita uma ação nas proximidades da 1ª Delegacia Distrital (1ª DP), no Centro de Goiânia, com a distribuição de marmitas feitas por grupos voluntários, emissão de documentos pessoais por parte do Instituto de Identificação e a entrega dos agasalhos e cobertores. Pelo menos 1,7 mil pessoas cadastradas devem ser atendidas por essas arrecadações. 


Organização das voluntárias de Goiás (OVG)


Em meio às notícias sobre a chegada de uma massa de ar polar a Goiânia, o Governo de Goiás, por meio da OVG e do Gabinete de Políticas Sociais (GPS), se antecipou para ajudar quem mais sofre com o frio: as pessoas em situação de rua. No dia 12/05, equipes da OVG e do GPS foram às ruas da capital e distribuíram centenas de cobertores da Campanha Aquecendo Vidas 2022. 

A ação garante dignidade àqueles que mais necessitam e alcançará todos os 246 municípios goianos. Durante as entregas, pacotes individuais de frutas desidratadas do Banco de Alimentos da OVG também foram doados. A distribuição continuará nos próximos dias, quando outros 300 cobertores serão doados a famílias vulneráveis de Aparecida de Goiânia, dia 16/05. 

Realizada todos os anos, a Campanha Aquecendo Vidas já distribuiu mais de 130 mil cobertores desde 2019, além dos 70 mil adquiridos para este ano. As mais de 200 mil peças compradas desde o início da gestão representam um investimento de R$ 6,5 milhões. Para complementar as doações da Campanha Aquecendo Vidas, a OVG e o GPS estão arrecadando cobertores e agasalhos novos e usados (em bom estado de conservação), até o dia 25 de maio. Neste ano, as doações poderão ser entregues em 10 pontos diferentes:
  • OVG: Rua T-14, Setor Bueno
  • Palácio Pedro Ludovico Teixeira: Rua 82, nº 400, Centro
  • Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg): Rua 260, Setor Leste Universitário
  • Corpo de Bombeiros: Avenida C-206, Jardim América
  • Saneago: Avenida Fued José Sebba, nº 1245, Jardim Goiás
  • Enel: Rua Gileno Godói, 02, Quadra A37, 505, Jardim Goiás
  • Shopping Bougainville: Rua 9, nº 1855, Setor Marista
  • Shopping Cerrado: Avenida Anhanguera, nº 10.790, Setor Aeroviário
  • Associação Comercial e Industrial do Estado de Goiás (Acieg): Rua 14, nº 50, Setor Oeste
Outras instituições que precisam da sua ajuda, não só no inverno.

Instituto Total Educação - Desenvolvimento de métodos de aprendizagem

O Projeto Total Educação e Cultura em Aparecida de Goiânia, tem o propósito de cooperar na transformação e desenvolvimento do indivíduo, promovendo qualidade e melhoria no ensino por meio da promoção dos valores humanos e compartilhando recursos e habilidades. A instituição habilita professores e profissionais da educação por meio de consultoria e coaching para desenvolver e aperfeiçoar os métodos de aprendizagem. O projeto atua em duas escolas no setor Garavelo em Aparecida de Goiânia, impactando diretamente 280 crianças.
Onde: 2 escolas no Setor Garavelo - Aparecida de Goiânia
Informações: 99126-0432 
E-mail: marcelo@totaledu.com.br
Conta Corrente para doações:  Banco do Brasil - Agência 4678-7 Conta Corrente: 10730-1

Hospital Araújo Jorge - Combate ao Câncer

O Hospital Araújo Jorge é uma unidade de saúde privada e filantrópica, atendendo em média 80% dos pacientes pelo Sistema Único de Saúde(SUS). O HAJ atende cerca de 30.000 pacientes mensal de todas as idades, oferecendo tratamento para todos os tipos de câncer com os mais modernos recursos. É referência no tratamento da doença no Centro-Oeste. Só que esse número pode aumentar se mais ajudas forem recebidas. O Hospital não consegue atender  toda a demanda por falta de recursos. E não é só de recursos financeiros que a instituição precisa. Você pode ajudar doando sangue, indo com os amigos ajudar no trabalho voluntário, levando mantimentos, roupas. O HAJ conta ainda com a ala infantil que precisa além dos mantimentos, de fraldas, leite em pó, achocolatado, gelatinas; a dieta para as crianças com câncer é restrita e esses alimentos ajudam na recuperação dos pequenos. Custam pouco e fazem muita diferença na vida delas.
Endereço: Rua 239, N 206, Setor Universitário
Conta corrente para doações: Banco do Brasil Agência: 3388-x Conta Corrente: 11331-x Titular: Associação de Combate ao Câncer em Goiás
Informações para doações: (62) 3243-7000 ou no site www.accg.org.br

CEVAM - Centro de valorização da Mulher - Combate a violência doméstica 

O Centro de Valorização da Mulher  CEVAM - É a chance que muitas mulheres tem para sair da situação de conflito que estão em suas famílias. A instituição atende mulheres, crianças e adolescentes em situação de violência, dando apoio psicológico, jurídico e pedagógico. As mulheres contam com diversos acompanhamentos e cursos para que possam aprender uma profissão e reingressar no mercado de trabalho. Tem ainda o projeto anjos da guarda em que pessoas podem ajudar uma criança da forma que puder. Seja apoio financeiro, materiais escolares, serviços médicos ou apenas levar a criança para passear no final de semana. Ajude!
Onde: Rua SNF 02, Qd. 1 A, Lt. 1 a 4, Setor Norte Ferroviário
Conta corrente para doações: Banco do Brasil Agência: 3689-7 Conta Corrente - 18786-0 
Informações e doações: 3213-2233 ou no site cevam.com.br

CVV - Centro de Valorização da Vida - Combate ao suicídio

O CVV – Centro de Valorização da Vida é uma organização não governamental com 53 anos de existência no Brasil, e foi criada para o serviço voluntário na prevenção de suicídio e apoio emocional. O serviço é gratuito, e é oferecido por voluntários que se disponibilizam para conversar com as pessoas de uma forma diferenciada e realmente preocupada com os sentimentos de quem entra em contato. Você pode se tornar voluntário entrando em contato pelo telefone 3223-4041 ou no local de atendimento Ed. Anhanguera - Quadra 21 - Lote 30 - Av. Anhanguera, 5389 - St. Central.
Onde: Ed. Anhanguera - Quadra 21 - Lote 30 - Av. Anhanguera, 5389
Informações: 3223-4041 ou no site cvv.com.br

ASCEP

Associação  de Serviços a Criança Especial de Goiânia foi fundada em 1987 por uma senhora que se dispôs a cuidar de crianças com deficiência. Depois com a quantidade de crianças que precisavam de ajuda aumentou foi preciso mudar para um ambiente maior.  A instituição realiza atendimento na área de assistência social, fisioterapia, fonoaudiologia, nutrição, musicoterapia entre outros. Hoje o projeto atende cerca de 110 crianças especiais e só é mantido através de doações.
Onde: Rua Pucinne, Nº 50 - Jardim Europa
Informações: (62) 3239-0400 | 3239-0410
Site: www.ascep.com.br

Projeto Emanuel - Ressocialização de moradores de rua e ex- presidiários

O Projeto Emanuel tem modificado a vida de diversas pessoas em situação de rua e na reintegração social de ex- presidiários. O Pastor Wellington Correia é o idealizador do projeto que teve início nas visitas que fazia ao presídio estadual. Enxergou que ajudando essas pessoas, poderia através da instituição impactar positivamente suas vidas e de suas famílias. A sede está em construção para melhor atender quem precisa.
Onde: Rua Luciano Asseimer Toledo, Qd 06 - Chácara 06 - Conjunto Vista Alegre - Goiânia
Informações: 91459569 / 99434232 / 3203-2991
Conta Corrente para doações: Banco Itaú - Agência 7832 - Conta: 059849

Associação de Proteção e Assistência ao Reeducando – APAR

A Associação de Proteção e Assistência ao Reeducando (APAR) é uma organização que atua há 35 anos prestando serviços aos presidiários e egressos com colocação profissional, além de auxílio às famílias dos presos com a oferta de cursos profissionalizantes e cestas básicas. Também presta apoio a adolescentes infratores que cumprem medidas socioeducativas fechadas. Para ajudar basta ir à sede da associação ou ligar para os telefones de contato.
Telefones: (62) 9 9637 -7776 Eurípedes | (62) 9 9944- 7720 Paulo
Endereço: Avenida Anhanguera, esquina com Tocantins, n 5399, sala 1708, Setor Central, Goiânia

Creche Casa do Caminho

A Entidade Filantrópica, fundada 1991, desenvolve trabalhos assistenciais com a comunidade em geral. São mais de 250 crianças atendidas e ainda promove trabalhos com gestantes e mães solteiras. A creche possui um programa de doação de livros, alimentos e conta com a ajuda de voluntários frequentemente.
Telefone: 62 3210-7436 (Joaquim)
Endereço: Rua JC-36 Qd.10 Lt.13/14 – Jardim Curitiba-I
Site: www.crechecasadocaminho.com.br

Residencial Professor Niso Prego

A unidade atende crianças de 0 a 12 anos que foram afastadas do convívio familiar por meio de medida protetiva aplicada por autoridade judicial. O Residencial Professor Niso Prego oferece às crianças, que estão sob algum tipo de processo judicial (se irão pra algum parente ou se voltaram para os pais ou se irão para adoção), um ambiente agradável, educativo e seguro.
Telefone: 62 3541-1882 (Flávia)
Endereço: Rua SC-06 APM 2B QD. 22 LT. 2C – Setor Goiânia 2

Observatório Social de Goiânia – OSGyn

Essa ONG é um espaço para o exercício da cidadania para voluntários apartidários. O objetivo do observatório (que existe em quase todo Brasil) é de contribuir para a melhoria da gestão pública. Cada Observatório Social é integrado por cidadãos em favor da transparência e da qualidade na aplicação dos recursos públicos. Pra quem se preocupa com problemas como a corrupção no Brasil e quer lutar contra isso, o OSGyn pé o lugar correto para se voluntariar.
Endereço: Rua 101, nº 123 Ed. Centro de Serviços OAB – Setor Sul
Telefones: 62 8213-1994 (Ana Emília) ou 62 99688-4571 (Isabel)

Manassés

Quem já andou de ônibus em Goiânia já deve ter encontrado rapazes ex-dependentes químicos vendendo balas e divulgando o nome desse instituto. A Manassés busca recuperar os dependentes em drogas e orientá-los para reintegração na sociedade. A Casa também é mantida através de doações, voluntários e trabalhos dos próprios internos. Sabemos o quanto a sociedade vem sofrendo com a interferência das drogas na vida de jovens, adolescentes e pais de família. A destruição causada é enorme. Recuperar essas pessoas e socializá-las é super importante. 
Onde: Av. Venerando de Freitas Borges, 692 - Qd 5, lote 2, Setor Jaó, Goiânia - GO.
Informações: (62) 3609-6089

Vila São Cottolengo 

Situada em Trindade, região metropolitana de Goiânia, a Vila São Cottolengo é uma instituição filantrópica com mais de 60 anos de história. É um centro especializado em reabilitação física, auditiva e intelectual. São realizados cerca de 2.400 atendimentos diariamente. É conveniado ao SUS e sobrevive por doações. Você pode ajudar tanto com dinheiro, mantimentos ou tempo livre. Voluntariado sempre é bem-vindo.
Onde: Av. Manoel Monteiro, N 163 Bairro Santuário, Trindade-GO
Informações para doações: 3506-9017 | 3506-9243
E-mail: doacoes@cottolengo.org.br
Conta corrente para doações:Banco do Brasil: Agência 2738-3  Conta: 55100-7
Site: www.cottolengo.org.br

APAE - Apoio a pessoas com deficiência intelectual

A associação dos pais e amigos dos excepcionais, cuida em Goiânia de aproximadamente 500 pessoas com deficiência intelectual, oferecendo serviços de assistência social, prevenção na saúde, educação e preparação para o mercado de trabalho. É pioneira e referência neste tipo de ação no Brasil, ajudando as famílias a lidar melhor com o deficiente intelectual. O trabalho é lindo e tem feito a diferença na sociedade. 
Endereço: Rua 255, nº 628, Setor Coimbra, Goiânia - GO.
Fone: (62) 3226-8000
Site: http://www.goiania.apaebrasil.org.br/
Email: contato@apaedegoiania.org.br

Asilo Solar Colombino Augusto de Bastos

O que doar: Café, açúcar, manteiga de leite, carne vermelha (em bife ou moída), sabão em pó, detergente, água sanitária, desinfetante, sabonete líquido, fraldas geriátricas,  álcool em gel e doações em dinheiro.
Horário de funcionamento do brechó: De terça a sexta-feira, das 8h às 17h
Endereço: Avenida Antônio Fidelis, nº 800, Parque Amazônia, em Goiânia.
Informações: (62) 3280-1031.

Grupo Aids: Apoio, Vida, Esperança (Aave)

O que doar: alimentos, produtos de limpeza e dinheiro.
Onde doar: Rua Iporá, qd 19, lt 15, nº 170, Bairro Nossa Senhora de Fátima, Cidade Jardim, Goiânia - GO.
Informações: Telefone (62) 9 8605-5695 | e-mail: aave@grupoaave.org

Projeto Minha Oportunidade (PMO)

O que doar: alimentos, roupas, brinquedos, material esportivo, dinheiro
Endereço: Rua La Rochelle, Qd. 28, Lt. 10, Campos Elíseos – Aparecida de Goiânia
Telefone: (62) 3277-3036 / 99153-6717.

Abrigo São Vicente de Paulo

O que doar: alimentos, fraldas geriátricas e produtos de higiene e limpeza
Endereço: Rua B-6, nº 72, Vila Americano do Brasil, Goiânia
Informações: (62) 3251-5122.

Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (CRER)

O que doar: fraldas descartáveis geriátricas, alimentos não perecíveis, roupas, calçados, brinquedos, cadeiras de rodas, andadores e muletas.
Endereço: Avenida Vereador José Monteiro, nº 1.655, Setor Negrão de Lima
Informações: (62) 3232-3232.

Legião da Boa Vontade (LBV)

O que doar: dinheiro, alimentos, material de higiene, roupas, sapatos e móveis.
Endereço: Rua Jamil Abraão, número 645, Setor Rodoviário, Goiânia.
Informações: (62) 3531-5000.

Núcleo Social Dona Judith

O que doar: alimentos, material de higiene, material de limpeza, material escolar, material esportivo, roupas, sapatos.
Endereço: Rua Santa Luzia Qd. 23 Lt.8 – Bairro Nova Cidade, Aparecida de Goiânia.
Informações: (62) 3537-2278.

sexta-feira, 13 de maio de 2022

Elevação do risco de Diabetes tipo 2 devido dieta desequilibrada

A combinação de uma dieta desequilibrada, incluindo grandes quantidades de açúcares e gorduras, em indivíduos com predisposição genética eleva o risco de desenvolver diabetes tipo 2 (DM2) em até 119%.

Por outro lado, em pessoas com risco genético elevado para desenvolver diabetes, uma dieta equilibrada, com frutas, legumes e vegetais crus e baixo consumo de ultraprocessados, reduziu em 30% o risco da doença.

Os resultados são do maior estudo para avaliação de fatores genéticos em conjunto com ambientais para determinação de diabetes já feito até hoje. Os dados completos da pesquisa foram publicados na revista especializada PLoS Medicine nesta terça-feira (26).

O estudo foi conduzido por pesquisadores dos Estados Unidos, de instituições como a Universidade Harvard, da Suécia (da Universidade de Lund) e da China (da Universidade Marítima de Dalian).

A pesquisa analisou dados de 35.759 adultos que participaram de três coortes (estudos de epidemiologia com período de acompanhamento prolongado) nos EUA, de 1986 a 2017.

A dificuldade em estudos passados de mensurar quanto do risco populacional de aparecimento de uma doença é causado pelo ambiente e o quanto é pela genética está na identificação dos marcadores genéticos e sua associação com determinadas enfermidades.

No caso do estudo americano, os cientistas fizeram um trabalho extenso de mapear todos os genes envolvidos no risco de ter diabetes a partir da grande base de dados do Reino Unido (UK Biobank). Com uma amostra de mais de 391 mil indivíduos, dos quais 17.403 tinham diabetes, os pesquisadores identificaram mais de 850 mil variantes de genes, das quais cerca de 893 estavam associadas à presença de diabetes tipo 2.

Já para avaliação da dieta foi calculado o índice de alimentação saudável alternada (AHEI, na sigla em inglês), que consiste em uma dieta equilibrada com a base da pirâmide alimentar formada por frutas, verduras e legumes crus, grãos integrais, castanhas e outras oleaginosas, e um baixo consumo de produtos ultraprocessados (ricos em gorduras saturadas e baixos em nutrientes).

Assim, os participantes do estudo foram divididos em risco genético baixo (quando havia baixa frequência das variantes associadas ao desenvolvimento de diabetes), intermediário e alto.

Em relação aos fatores genéticos sozinhos, o risco de desenvolver diabetes foi para essas pessoas 29% maior do que para os não portadores das variantes. Já a avaliação da dieta em conjunto com os fatores de risco genéticos teve algumas variações.

Para quem tinha risco baixo genético, a associação de uma dieta de baixa qualidade elevou em 31% o risco de desenvolver diabetes; nos pacientes com risco genético intermediário, esse valor foi de 53%; já em quem tinha risco elevado, ele atingiu a média de 119%.

Já a proporção de casos de diabetes do tipo 2 em excesso calculados pelos fatores ambientais ou genéticos foi de 53,3% para risco hereditário, 38,6% para nutrição e só 7,8% para a soma dos dois, indicando que os dois fatores juntos não possuem tanto efeito assim no desenvolvimento ou não de diabetes, comparado a ambos separadamente.

Jordi Merino, pesquisadora do Centro de Genômica e Diabetes de Harvard, disse à Folha que o estudo revela que cerca de um terço do risco de desenvolver diabetes do tipo 2 pode ser evitado somente com a dieta balanceada.

"Nossa pesquisa sugere que, mesmo para aqueles com risco genético elevado, uma dieta saudável pode reduzir em até 30% esse risco. Esses achados podem direcionar políticas públicas em como melhorar o consumo de dietas mais saudáveis, reduzir desigualdades no acesso a alimentos e promover informação sobre melhores escolhas na alimentação."

O diabetes é uma doença causada pelo nível glicêmico (de açúcar) alto no sangue, associado com uma inflamação metabólica crônica e uma menor capacidade de produção de insulina para reduzir esses níveis de açúcar. Os casos de diabetes aumentaram no Brasil e no mundo nos dois últimos anos de pandemia, e, mundialmente, quase 7 milhões de pessoas morrem por causas associadas ao diabetes a cada ano.

A pesquisa, no entanto, possui limitações. Como a população estudada era composta em sua maioria de pessoas brancas, ela não pode ser extrapolada para todas as etnias.

"Entretanto, os vieses amostrais devido à população são mínimos. O próximo passo seria conduzir um estudo clínico para avaliar os riscos genéticos mínimos e máximos em populações mais heterogêneas", afirma Merino.



quinta-feira, 12 de maio de 2022

Hábitos alimentares e ansiedade

Com a pandemia muito provavelmente você já percebeu que é mais difícil manter um bom hábito alimentar com a ausência de uma rotina, principalmente devido ao aumento da ANSIEDADE.

A ansiedade faz com que muitos vejam a alimentação como uma válvula de escape, um "botãozinho" a ser apertado nos momentos tristes, alegres ou de qualquer outro sentimento. Isso faz com que a busca pelos alimentos com hiper-sabores (hiperpalatáveis = gordura + açúcar) aumente em períodos de maior ansiedade, o que é justificável pelas respostas sensoriais e bioquímicas geradas por esses alimentos, em especial por essa junção da gordura com açúcar.

Por exemplo: o consumo de doces e alimentos hipercalóricos potencializam a entrada de triptofano (o precursor da serotonina) no cérebro, gerando aquela sensação momentânea de prazer, que passa após algumas horas e se torna um ciclo recorrente.

Logo, nos períodos de maior ansiedade a é necessário que você tente construir uma rotina e tenha prazeres que não seja somente a alimentação. Que tal estudar um pouco? Ler livros? Assistir a uma série ou aquele filme que você vem planejando há algum tempo? .

Fortaleça o contato virtual com seus amigos e familiares, sente-se à mesa para se alimentar e tenha horários fixos para comer. 

Tente perceber se está se alimentando por "fome" ou "vontade de comer", sendo que a primeira não é por alimentos específicos e a segunda é.

Autor: 
Rodrigo Lamonier - Nutricionista e Profissional da Educação física
Revisores: 
Dr, Frederico Lobo - Médico Nutrólogo - CRM 13192 - RQE 11915
Márcio José de Souza - Profissional de Educação física e Graduando em Nutrição. 

No bolso do brasileiro já não cabem regras para uma alimentação balanceada

O texto abaixo é de autoria de uma grande amiga Nutróloga (Dr. Aritana Alves) que atua em Salvador. Ele corrobora com tudo aquilo que tenho vivenciado no ambulatório do SUS especialmente. 

É triste ver pacientes tendo que se privar da ingestão de alimentos e com isso apresentando déficit de vitaminas e minerais. 

É mais triste ainda, você prescrever um suplemento (mesmo os mais baratos) e esses pacientes não terem condições de comprar, como por exemplo uma simples ampola de Vitamina B12. 

E ainda mais triste é ver colegas postando sugestões nutricionais mirabolantes, totalmente fora da realidade do brasileiro. O brasileiro mal está tendo dinheiro para comprar alimentos básicos. Se você tem, saiba que é altamente privilegiado. 

att

Dr. Frederico Lobo
Médico Nutrólogo
CRM-GO 13192 - RQE 11915



Quem vai ao mercado já percebeu que é impossível, para grande parte da população, entre os assalariados, onde eu me incluo, manter o padrão de preferências e o mesmo poder de compra. 

O Ibre-FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas) ilustra a inflação do prato feito (o PF que alimenta muitos trabalhadores por aí) com o aumento indisfarçável do arroz, feijão, feijão preto, alface, batata, cebola, tomate, frango, ovos e carnes bovinas. No último ano, esse combo rendeu um aumento de mais de 20% ao PF.

Os jornais de ontem trouxeram o tomate como vilão do aumento e, na última semana, a cenoura chegando a custar R$ 15, também foi assunto. Mas uma série de escolhas equivocadas sustentam esse aumento, como o transporte feito com o diesel que sofreu reajuste de 8,8% hoje; agrotóxicos importados e realmente caros que a indústria nos faz comer; o desinteresse do governo em incentivar a agricultura local, familiar e sustentável; entre outras questões estruturais. 

Como resultado disso, temos uma população cada vez mais adoecida, comendo farináceos e optando pelo que pode pagar: produtos industrializados que, a médio e longo prazo, alimentam as filas do SUS. 

Autora: Dra. Aritana Alves - Médica Nutróloga

quarta-feira, 11 de maio de 2022

Agrotóxicos

 

Vocês devem ter se espantado, assim como eu, com o post que republiquei hoje nos stories. A cada 2 dias, um brasileiro morre por intoxicação com agrotóxicos. Segundo a Friends of the Earth Europe, que assina a pesquisa mais recente, 20% das vítimas brasileiras são crianças e adolescentes com até 19 anos - o mesmo público que, alguns meses atrás, apareceu aqui nos meus posts como protagonista de um país sem futuro: não trabalham, não estudam e, agora, com apoio das indústrias de veneno e passe livre concedido pelo Governo Federal, morrem.

Esse mesmo relatório conclui que suas empresas europeias gastaram 2 milhões de euros em apoio ao lobby no Brasil. A Bayer e BASF tiveram 45 novos agrotóxicos aprovados nos últimos três anos, sendo que 19 deles contêm substâncias proibidas na União Europeia. Ou seja, lá não pode, mas aqui, para matar índios, jovens, pescadores e brasileiros à margem dos rios e da sociedade, isso sim, pode. As empresas europeias de agrotóxicos não só se beneficiam com o enfraquecimento de regulamentações ambientais e de agrotóxicos no Brasil, mas também com generosas isenções de impostos sobre seus produtos.

Nutrologicamente falando, seria, então, mais interessante consumir alimentos que vão na contramão do in natura envenenado? Passamos a comprar biscoitos, pães, salgadinhos? Não mesmo. Já existem estudos conclusivos quanto à presença de resíduos de agrotóxicos nesses produtos também. E do ponto de vista ambiental, eles são tão prejudiciais quanto os venenos: os dois grupos reduzem as vastas terras brasileiras a um laboratório a céu aberto de commodities envenenadas, pasto desmatado ou as duas coisas.

Autora: Dra. Aritana Alves - Médica Nutróloga

Fontes: 


[Conteúdo exclusivo para médicos e nutricionistas] Cálcio, vitamina D e calcificação da válvula aórtica: para o osso ou para o coração?

Suplemento de cálcio e vitamina D: certo ou errado?

Intuitivamente, pode-se pensar que suplementar vitaminas e minerais seria a coisa certa a fazer, especialmente em pessoas mais velhas e comórbidas. Todos os anos, bilhões de dólares são gastos nessa crença. No entanto, todos nós podemos estar errados.

Um estudo presente nesta revista demonstra um aumento significativo da mortalidade cardiovascular (CV) em pacientes idosos que suplementam cálcio, seja com ou sem vitamina D, que inicialmente apresentavam estenose aórtica (EA) leve a moderada em uma análise longitudinal de um grande ecocardiograma contemporâneo  coorte de banco de dados de 2.657 pacientes.

Os pacientes foram acompanhados para substituição da valva aórtica (AVR) e/ou óbito, bem como progressão da EA.

Cerca de metade da população do estudo estava em suplementação, com cerca de 40% tomando cálcio incluindo vitamina D ou não por mais de 5,5 anos. O risco absoluto de mortalidade CV foi surpreendentemente maior com 13,7 para suplementação de cálcio ± vitamina D e 9,6 para apenas vitamina D, em comparação com 5,8 por 1.000 pessoas-ano sem suplementação.  

Surpreendentemente, também a mortalidade por todas as causas foi significativamente maior com a adição de cálcio.

Em quase metade dos pacientes com administração de cálcio, a AVR foi realizada durante o seguimento, enquanto a AVR foi necessária em apenas 11% dos não suplementadores.

Curiosamente, ao estratificar por status de osteoporose, as diferenças de sobrevida e AVR persistiram inalteradas entre os grupos.

Cálcio: a chave secreta?

A calcificação é o processo cardinal que conduz a um ciclo vicioso que propaga a rigidez e a obstrução da válvula aórtica (AV). A ruptura da camada endotelial promove a captação de lipídios oxidados e células imunes, promovendo uma alça inflamação-calcificação com remodelação fibrótica dos folhetos aórticos. A ativação das células intersticiais valvares (VICs) induz sua diferenciação osteoblástica osteogênica e secreção de colágeno, levando a uma maior deposição de cálcio semelhante à formação do osso esquelético.

Embora as vias de contribuição multifatorial tenham sido identificadas, até agora nenhuma terapia médica provou ser eficaz em interromper ou reverter a progressão fibrocalcificada da EA.  

Apesar do acúmulo de lipídios estar envolvido na fase inicial da EA, as estatinas não foram efetivas na fase de propagação tardia.

O metabolismo desregulado do fosfato de cálcio é um dos principais determinantes no desenvolvimento da esclerose do folheto aórtico e da EA calcificada, desencadeada pelo comprometimento da função renal e no hiperparatireoidismo primário ou secundário.

A identificação de fatores de risco suscetíveis para calcificação valvar, que podem ser modificados por medidas não invasivas, como medicação direcionada ou mudanças na dieta, em vez da abordagem cirúrgica puramente mecânica do AVR, é altamente desejável.

Os níveis séricos de cálcio parecem ser menos influenciados pela ingestão dietética, por exemplo, por produtos lácteos e alimentos, enquanto a suplementação artificial de cálcio gerou maior disponibilidade imediata de cálcio sérico, o que pode levar a mais mineralização ectópica da válvula ou aterosclerose arterial vascular.

Da mesma forma, a desmineralização óssea libera cálcio e fosfato excessivos na circulação na osteoporose, o que pode induzir a transformação osteoblástica da VIC aórtica.

Níveis elevados de cálcio sérico foram atribuídos a uma alta prevalência de calcificação AV em um estudo de tomografia computadorizada cardíaca, de forma semelhante aos níveis elevados de fósforo e magnésio.  

Esses micronutrientes podem contribuir para a formação de lesões e iniciar o processo de mineralização nos folhetos aórticos na fase inicial da patogênese.  

Curiosamente, a progressão da calcificação AV, uma vez estabelecida, não foi mais influenciada pelos níveis séricos, o que se compara de forma semelhante ao presente estudo, onde a progressão temporal da gravidade da EA foi independente de qualquer suplementação.

No entanto, a mortalidade e a incidência de AVR foram significativamente ampliadas pela adição de cálcio, que também pareceu piorar a ocorrência de sintomas, bem como maior degeneração da aterosclerose vascular.

Emocionantemente, a suplementação de vitamina D sozinha permaneceu neutra em relação à AVR e não foi associada a nenhum aumento de mortalidade em análises multivariáveis, de modo que os supostos efeitos benéficos sobre osteoporose e metabolismo ósseo são mantidos em pacientes com EA.

• Osso e coração

Osteoporose e menor densidade mineral óssea, tão frequentemente presentes em idosos, têm sido associadas à progressão mais rápida da EA e calcificações valvares, também do anel valvar mitral.

A osteoporose tem um grande impacto na saúde pública e mais de 70% das fraturas relacionadas ocorrem em mulheres, principalmente na pós-menopausa, embora também mulheres e homens na pré-menopausa sejam afetados.

Cerca de metade das mulheres brancas têm baixa massa óssea com osteopenia ou osteoporose aos 60 anos. No entanto, a ingestão ideal e a real utilidade dos suplementos de cálcio permanecem controversas, pois o aumento dos riscos de doença cardiovascular (DCV) e acidente vascular cerebral entre as usuárias de cálcio foi repetidamente apontado em estudos de coorte e meta-análises.

O Instituto de Medicina dos EUA (relatório de 2011) e diretrizes recentes recomendam principalmente uma ingestão dietética de cálcio de 1.200 mg/dia para mulheres > 50 e homens > 70 anos, com risco de dano aumentando acima de 2.000 mg/dia e suplementação apenas em dieta insuficiente, bem como vitamina D adicional dependendo dos níveis séricos medidos.

Estudos anteriores sobre suplementação de cálcio não abordaram adequadamente a EA até o momento, destacando a pesquisa atual.

Por outro lado, homens e mulheres com osteoporose apresentam não apenas maior risco de todas as causas, mas particularmente também de mortalidade CV.  

Indivíduos com osteoporose apresentaram maior prevalência de outras comorbidades, principalmente o tabagismo nos homens.

Notavelmente, o risco de mortalidade CV foi 68% maior em homens com osteoporose, e a incidência de DCV foi 24% maior em mulheres com osteoporose.  

Portanto, recentemente foi recomendado que o manejo da osteoporose deve incluir triagem para risco de doença cardiovascular e respiratória.

É importante ressaltar que no presente estudo na EA, o aumento da mortalidade com a suplementação de cálcio persistiu em mulheres ou homens e foi independente do status de osteoporose na entrada.

Os resultados foram independentes da administração de vitamina D. Em contraste, bisfosfonatos e outros tratamentos para osteoporose (alendronato ou denosumab) não conseguiram interromper a calcificação AV progressiva.

No entanto, como limitação de interpretação no presente contexto, no Estudo SALTIRE II, foram excluídos da análise pacientes com EA que necessitam de tratamento obrigatório para osteoporose com alendronato, denosumab ou suplementação com cálcio.

A limitação do presente estudo de Kassis et al é que o consumo real de alimentos dietéticos ou outra ingestão suplementar de cálcio ou vitamina D não pode ser determinado exclusivamente, por exemplo, de produtos de venda livre ou alternativos

Outra questão a considerar é que os pacientes em suplementação de cálcio apresentavam mais comorbidades na linha de base, como doença renal crônica, diabetes e mais DCVs preexistentes, por exemplo, coronariopatia, fibrilação atrial ou insuficiência cardíaca, e mais pacientes tinham diagnóstico de osteoporose.

No entanto, a frequência de múltiplas doenças concomitantes está bem alinhada com relatos anteriores e da vida real em pacientes com osteoporose, e não houve diferença de idade em pacientes em uso ou não de cálcio.

• Dar ou não dar: mensagem para levar para casa

Em conclusão, a segurança da ingestão artificial de cálcio suplementar deve ser considerada de forma individual e cuidadosa.

A avaliação de doenças cardiovasculares subjacentes e fatores de risco, como lipídios, tabagismo, hipertensão ou doença renal concomitante, devem ser levados em consideração na situação clínica geral do paciente, se o tratamento ou prevenção da osteoporose for pretendido.

A suplementação de cálcio foi associada a maior mortalidade por todas as causas e CV e maiores taxas de intervenção AVR para EA (figura 1).

A vitamina D pareceu ser segura e não influenciou a progressão da EA.  

Estudos futuros em osteoporose devem focar ainda mais nos eventos CV que determinam a mortalidade geral.

A visualização de calcificações CV em modalidades de imagem da osteoporose (por exemplo, raios-X, TC) deve ser particularmente incluída na estratificação de quando administrar apenas vitamina D ou também cálcio adicional.

Em pacientes com EA calcificada e CV de alto risco, o presente estudo acrescenta fortemente à evidência de que a suplementação contínua de cálcio a longo prazo deve ser evitada, se não obrigatória.

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Inciativa premiada no Prêmio Euro - Inovação na Saúde

O que o médico pode fazer em um país no qual as pessoas não estão conseguindo pagar seus medicamentos?

O texto abaixo foi escrito pela minha afilhada, após ela ler meu desabafo no texto anterior.

Fiz uma versão para leigos. Ela fez uma reflexão para médicos.

att

Dr. Frederico Lobo
Médico Nutrólogo
CRM-GO 13192 - RQE 11915




Nós médicos somos formados em um algoritmo muito simples e padrão: estude, diagnostique e cure. 

Por anos e anos esse pensamento vem sendo perpetuado em faculdades, residências e pós-graduações, mas o que muitos esquecem é que o dever do médico vai muito além.

Temos, dentre tantas atribuições, o dever da responsabilidade social, da empatia e principalmente exercer o "Primum non Desete" (primeiro não causar danos) em todas as suas derivações.

Estou falando isso tudo para comentar que os preços das medicações, como tudo nesse país, estão assustadoramente caros! Não é difícil imaginar que cada vez mais pacientes vão parar de ter acesso às suas medicações, vão desestabilizar suas doenças e ter complicações perfeitamente
evitáveis caso a terapêutica correta fosse utilizada.

E o que fazer diante desse cenário? Aqui vão algumas perguntas de ouro:

1) Meu paciente pode pagar por essa medicação? (existem sites e aplicativos que em segundos fazem isso pra você).

2) Essa medicação vai realmente ser fundamental em seu tratamento?

3) Existe alguma medicação incluída na farmácia do SUS que eu possa utilizar?

4) Aquela medicação cara pode ser trocada por outra similar mais barata?

Precisamos falar sobre isso! Precisamos incluir esses pontos em nossas consultas.



Autora: Dra. Edite Magalhães - Médica especialista em Clínica Médica - CRM-PE 23994 - RQE 9351

Horizonte sombrio: onde vamos parar?




Para eu escrever preciso de inspiração e quando algo me toca muito, minha criatividade é ativada. A vontade de colocar no papel o que sinto toma uma grande proporção, fico inquieto enquanto não sento e escrevo. Hoje estou tomado por essa sensação. Fruto de algo que vivenciei em uma drogaria.

Inicio com uma pergunta: Onde vamos parar? Nosso horizonte é sombrio. 

Desci na farmácia para comprar um soro nasal (o cerrado já está começando a ter o clima de deserto, que durará até Final de outubro), meu anti-hipertensivo (sim, sou hipertenso desde os 26, assim como boa parte dos meus familiares) e algumas outras coisas. 

Sempre gosto de ficar olhando as novidades de fitoterápicos, vitaminas, minerais, probióticos, talvez porque quando comecei a prescrever isso em 2008, só tínhamos as opções manipuladas. Hoje a indústria percebeu que é um grande mercado e tem grandes sessões só desses produtos nas drogarias. Enquanto olhava as embalagens, era impossível não ouvir os clientes pedindo as suas medicações. E aí começou o turbilhão de sensações. 

Cliente A: pedindo a droga Glibenclamida. Uma medicação que baixa a glicemia, porém o SUS dá e a farmácia popular também. Tem o inconveniente de promover ganho de peso e risco de hipoglicemiantes. O cliente visivelmente com excesso de peso. Aí, como médico me questionei: medicação ultrapassada, será que o médico desse senhorzinho não conhece outras drogas? Será que o senhorzinho não tem condições de comprar uma droga que custa R$60 reais e terá menos efeitos adversos? Será que o profissional que o acompanha explica os riscos da droga? Será que já foi encaminhado para tratamento com nutricionista ou nutrólogo? Será que já foi prescrita uma nova droga, mas o mesmo não tem condições de comprar? Tudo isso borbulhando dentro da minha cabeça, enquanto eu olhava um frasco de um novo probiótico. 
 
Senhorzinho pega a sua cestinha e vai para o caixa. Cliente Frederico Lobo dá seguimento na análise dos polivitamínicos. A atendente chama a Cliente B. Uma senhora por volta dos 50 anos, pedindo medicação para asma/DPOC, anti-hipertensivo e um colágeno tipo II. Quando a atendente fala os valores, a senhora questiona: "subiu o preço?". A atendente faz uma carinha triste e responde: "Sim, infelizmente tivemos um reajuste de quase 10% recentemente". A senhora triste, a atendente triste também em dar a notícia e eu perplexo com o valor do colágeno. Sendo que nem há tanta evidência para a prescrição. Pensando: e se essa senhora tivesse nos últimos 10 anos pago uma academia, feito fortalecimento muscular? Será que ela tem uma boa ingestão protéica? Será que a doença pulmonar a impede de praticar algo? Será que por mais quantos anos ela conseguirá pagar essas medicações? Talvez ela tenha condições financeiras ainda para pagar, mas e se o que ela ganha vai perdendo o poder de compra e as medicações vão subindo o preço?

Nessa hora lembrei da minha infância. Mudei pra esse bairro em 1992. Haviam poucas farmácias no bairro. Hoje, assustadoramente há mais de 50. Uma em cada esquina. Nessa que eu estava, tinha uma outra ao lado. Duas farmácias, lado a lado. Pensei: se estão abrindo lojas de grandes redes e todas estão cheias, existe demanda. 

Existir demanda = existem doentes. 

Se estão cada vez mais doentes podemos elaborar vários questionamentos e refletir sobre eles:
A população está com maior expectativa de vida?
A população está adoecendo mais ou mais precocemente?
As pessoas estão procurando mais auxílio médico?
As pessoas estão recebendo mais diagnósticos?
Os médicos estão prescrevendo mais?
As pessoas estão mais preocupadas com prevenção?
O que será do ser humano? Vamos normalizar adoecer na juventude? 
Vamos normalizar tomar 30 cápsulas de medicações por dia?

A senhora portadora de pneumopatia e artrose pega suas compras e se dirige ao caixa, indignada com o preço. Com um olhar cabisbaixo e eu cabisbaixo refletindo. Nessa hora já tinha me batido uma tristeza, porque lembrei dos meus pacientes do SUS. Continuei olhando as embalagens. Fui parar no soro nasal. Agora tem um com xilitol, sempre compro. Gosto, é docinho, só não é doce a sensação de estar comprando uma embalagem que poluirá o ambiente. O ar está poluído, o meu nariz obstruído, o tempo seco, as queimadas começando e eu perpetuei a poluição comprando um produto com embalagem de alumínio, que gerará mais resíduo pro planeta. Eu fico cabisbaixo, inspiro, reflito e penso: é, eu preciso respirar, então vai esse soro com xilitol. 

Mas o show não pode parar. A atendendo não pára. Chega mais um senhor, por volta de 60-70 anos e pede a droga do momento. Semaglutida. Quase R$1000 a canetinha para 1 mês. Quando a atendente fala o valor, ele eleva a sobrancelha, mas aceita. É resiliente e deve estar confiante com a "a mais nova novidade" medicação prescrita por algum médico. Ele pede também uma metformina, essa a farmácia popular dá. Ele pede também uma medicação para colesterol elevado e também um anti-hipertensivo. Eu com o olho na embalagem mas minha cabeça fazendo as contas. Esse senhor gastará mais de 1200 por mês de medicação nesse exato momento. Aí lembrei que a caneta pode gerar resíduo, vai poluir também o ambiente caso não seja descartada corretamente. Mais poluição, mais narina obstruída, mais soro pra eu comprar, mais poluição, mais resíduo gerado por mim. 

E por aí foi... eu analisando os rótulos dos suplementos, os clientes pedindo medicamentos. O atendente assustando-os com o preço. 

Eu refletindo sobre o horizonte sombrio, sobre meus pacientes do SUS que muitas vezes não tem condições financeiras nem para comprar alimento, sobre os resíduos gerados, drogarias pipocando e a população adoecendo. Será que as pessoas nos próximos anos destinarão seus salários para a compra de medicações?

Viveremos ou apenas sobreviveremos? É, pelo visto o nosso horizonte é sombrio. 

Quantas dessas doenças não seriam prevenidas (e o atendente não precisaria assustar o cliente com o valor da medicação e nem eu ficar pensando no resíduo) se educação nutricional fosse ensinada desde o ensino fundamental? Quantas medicações não precisariam ser utilizadas, se as pessoas fossem orientadas que a a idade chegará e que musculatura é sinônimo de qualidade de vida e maior longevidade? Ou seja, ensinadas que a prática regular de atividade física fosse algo inerente à existência humana. Orientadas que quando o corpo para, de doenças ele padece. 

Dinheiro e mais dinheiro direcionado para a sobrevivência. Tem gente que tem muito dinheiro e não ligará para o preço. Tem gente que boa parte do próprio salário vai para a compra das medicações e tem gente que não tem dinheiro e nem medicação pode comprar. Enquanto eu olhava mais uma embalagem me deu uma tristeza ao refletir sobre isso e pensando: como colocaria isso em forma de texto. Mas lembrando da embalagem de soro nasal com xilitol e pensando em perguntar para o atendente, se eles tinham algum programa para receber descarte dessas embalagens. Mas fiquei tão preso na tristeza das minhas reflexões, que depois eu volto lá e pergunto. 

É aqui pertinho de casa, aliás, aqui na rua de casa tem mais de 10 farmácias. Elas "acolhem" pessoas de todas as idades, do bebê ao senhorzinho. De todos os sexos, corpos, raças. De todas as classes sociais. Elas lucram, elas vendem cura, elas vendem sobrevivência e eu me pergunto: nosso horizonte é lutar pela sobrevivência?

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Dr. Frederico Lobo
CRM-GO 13192 - RQE 11915
Médico Nutrólogo