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sábado, 18 de abril de 2015

Leite, faz bem ou faz mal? Por Dr. Frederico Lobo e Dr. Ricardo Martins Borges

O leite de vaca é um dos alimentos mais completos que existe. Tem uma grande variedade de nutrientes essenciais ao crescimento, desenvolvimento e manutenção de uma vida equilibrada e saudável. 

Sua composição é variada, devido à variação de cada animal e e também da maneira de criação (pastagem, tempo entra ordenhas, etc).

O leite de vaca contém em média 35g de proteínas por litro, divididas basicamente em lactoalbumina, lactoglobulina e caseína. É um alimento com proteínas de alto valor biologic por conter todos os aminoácidos essencias (valina, lisina, treonina, leucina, isoleucina, triptofano, fenilalanina e metionina). Quando analisado pela metodologia PDCAAS (Protein Digestibility Corrected Amino Acid Score) estabelecida pela OMS, o leite tem um “score”de 1,0 (segundo a PDCAAS, as proteínas que possuem score acima de 0,8 são consideradas de alto valor biológico).

Os carboidratos correspondem por 4,7% da composição do leite 4,70% do leite, sendo a lactose o principal. Ela ajuda a fornecer energia, promover a absorção do cálcio e desenvolver a flora microbiana intestinal adequada.

Os lipídios respondem por cerca de 3,0% a 6,0% do leite integral. Tanto no leite humano como no bovino a parte principal do conteúdo dos lipídios é formada por triacilgliceróis. A parte restante contém fosfolipídios (lecitina), esteróides, carotenóides, vitaminas lipossolúveis E , K e alguns ácidos graxos livres. O leite integral tem um teor elevado de gorduras o que aumenta seu valor caloric, já os semi-desnatados e desnatados corrigem isso.

Tanto o leite de vaca como o leite materno são pobres em ferro mas o ferro do leite materno está ligado à lactoferrina e apresente maior biodisponibilidade. O leite de vaca também apresenta baixo conteúdo de vitamina C, considerado um fator estimulador da absorção de ferro, e alto teor de cálcio e fósforo, fatores inibidores da absorção de ferro.

Os diferentes tipos de leite existentes no mercado são produtos à base de leite de vaca in natura, podendo ter sua composição modificada por meio de fortificação ou redução de nutrientes (ex.: isento de lactose; quanto ao teor de gorduras: integral, desnatado, semidesnatado, isento de colesterol; enriquecidos ou fortificados: cálcio, ferro, vitaminas A, D, E, B6, ômega-3, ômega-6).


Ou seja: leite faz bem a saúde? Leite faz mal a saúde???? Raios, e agora??????? Como tudo, o que faz bem ou mal a saúde é uma alimentação equilibrada, não um alimento em especial. O leite pode sim ser inserido em uma alimentação saudável e equilibrada! Ele não é um veneno nem uma poção milagrosa!

Autores:

Dr. Ricardo Martins Borges - Nutrólogo (residência pela FMUSPRP) e especialista em clínica médica (residência pela FMUSPRP) - Tem mestrado em Nutrologia.
Dr. Frederico Lobo - Médico, clínico geral, ambientalista.


Abaixo uma reportagem interessante sobre o tema:

Como responder a quem diz que o leite faz mal

No mundo de hoje, há dois tipos de pessoas: as que toleram a lactose e as que não. Se você está no segundo grupo, não tem opção a não ser restringir os lácteos ou eliminá-los (conforme o grau de intolerância que tiver) para evitar problemas. Mas inclusive se você não tem dificuldade de ingerir leite e derivados, possivelmente acredita que esses alimentos possam causar danos ou prejudicar sua saúde; talvez tenha lido ou ouvido todo tipo de afirmações, muitas delas contraditórias, pois esse líquido branco suscita fortes paixões e fobias entre críticos e partidários. Não há motivo para o temor, como diz Giuseppe Russolillo, presidente da Fundação Espanhola de Dietistas-Nutricionistas: “Os membros da comunidade científica, e os nutricionistas em particular, veem o leite como o alimento biologicamente completo e muito apto para o consumo humano.”

A seguir, apresentamos algumas afirmações sobre o leite que podem confundir o consumidor. E oferecemos a informação para responder, com rigor, a essas sentenças frequentes.

“A maioria da população mundial não pode beber leite”

Para poder digerir o açúcar do leite é necessário uma enzima chamada 'lactase'. Na Europa, onde a capacidade de produção dessa enzima aumentou, entre 70% e 90% da população a produzem (mas isso pode mudar ao longo da vida)

É verdade. Estima-se que dois terços da população mundial não podem ingerir a lactose depois dos oito anos. Um poderoso argumento para que essa maioria restrinja os lácteos (iogurtes e alguns queijos costumam ser bem digeridos pela maioria dos que têm intolerância, assim como pequenas quantidades de outros laticínios) ou não os consuma nos casos mais extremos. Para poder digerir o açúcar do leite, é necessária uma enzima chamada lactase. Na Europa, onde a capacidade de produção dessa enzima aumentou, entre 70% e 90% da população a produz (embora isso possa mudar ao longo da vida). Na Ásia e na África, ao contrário, a maioria dos habitantes são intolerantes, com taxas que superam 90% em muitos lugares. Por outro lado, existe a alergia ao leite (mais exatamente à sua proteína), que não tem nada a ver e afeta uma porcentagem mínima da população – em geral, menos de 1%. Além disso, a alergia costuma ser transitória. Um conselho pode ser útil para quem sofre dela: não tome lácteos. Já para você que não tem intolerância nem é alérgico, mesmo que se compadeça e se solidarize com os demais, a afirmação que encabeça esse parágrafo não o impede de se deleitar.

“O ser humano é o único animal que bebe leite após a amamentação"

Também é certo. Isso porque o ser humano é o único animal que desenvolveu a agricultura e pecuária. Também é o único que cozinha feijoada, que joga futebol e diz obviedades. Os traços que nos tornam humanos são exatamente os que apenas nós desenvolvemos – muitos deles bons, outros nem tanto. Além disso, embora a frase aí de cima geralmente seja aplicada como argumento contrário, poderia ser perfeitamente a favor. Há cerca de 8.000 anos, um grupo de humanos utilizou o leite para se alimentar na Europa e, com o tempo, acabou desenvolvendo a capacidade de digeri-lo. E onde o hábito foi adotado, a adaptação (ao longo de gerações) foi majoritária, de modo que a digestão da lactose parece mais uma vantagem evolutiva que um inconveniente.

“Os produtos lácteos contêm muita gordura saturada”

Há muitos outros alimentos que também fornecem cálcio, como os legumes e as frutas secas, e sua absorção pode ser inclusive melhor

Para começar, há lácteos desnatados que praticamente não contêm gordura alguma. Entre os demais, alguns têm porcentagens modestas (o leite integral tem 3,6% e um iogurte não desnatado tem ao redor de 3%). Esse é um terreno escorregadio, onde a evidência científica parece colocar em xeque ideias que estavam muito arraigadas. Como explica o nutricionista Juan Revenga, durante um tempo pensou-se que todas as gorduras saturadas eram ruins, mas novos estudos mostram que não se pode generalizar e que as provenientes do leite podem inclusive ser benéficas para a saúde.

“O leite está cheio de antibióticos e hormônios aplicados às vacas”

Começando pelo final, dar hormônios aos animais é uma prática proibida há anos. Aplicar antibióticos para fomentar o crescimento também é (na União Europeia desde 2006). Miguel Ángel Lurueña, doutor em ciência e tecnologia dos alimentos e autor do blog Gominolas de Petróleo, explica que os antibióticos só podem ser empregados em situações específicas, exclusivamente para fins de tratamento. “Caso sejam administrados, é necessário respeitar um tempo de espera para conseguir que o animal metabolize essas substâncias, a fim de que não estejam presentes no leite (ou na carne) em quantidades que possam representar um risco à saúde humana. Quem menos deseja que haja resíduos de antibióticos no leite é a indústria de alimentos: a presença dessas substâncias traz enormes inconvenientes, entre eles a impossibilidade de elaborar laticínios fermentados como queijo e iogurte. Isso porque os antibióticos podem impedir o desenvolvimento das bactérias que entram em sua elaboração”, diz Lurueña. A Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA) publica todo ano um relatório mostrando os resultados do controle que realiza periodicamente sobre os alimentos. No relatório do ano passado, apenas 0,09% do leite analisado apresentou uma quantidade de antibióticos acima dos limites estabelecidos por lei.

“O leite favorece o câncer”

Sobre esse tema não há conclusões científicas sólidas. Ou seja: se favorece ou impede o desenvolvimento do câncer, não seria de forma determinante, posto que não existe uma clara evidência de uma coisa ou de outra. Em todo caso, os estudos realizados vão na linha do que resume a Escola de Saúde Pública de Harvard: “Enquanto o cálcio e os lácteos podem reduzir o risco de câncer de cólon, um alto consumo desse grupo de alimentos poderia, possivelmente, aumentar ao mesmo tempo o risco de câncer de próstata e de ovário.” Os especialistas tomam essa afirmação com cuidado, já que foram encontradas correlações, mas não causalidades: ou seja, não se sabe se o que provoca um aumento ou uma redução dos tumores seja o leite; pode haver outros fatores na equação. “Esses valores tão estreitos não deveriam ser utilizados para fazer recomendações radicais ou excludentes demais”, conclui Luis Jiménez, químico e autor do livro Lo que dice la ciencia para adelgazar (“O que diz a ciência para emagrecer”).

“O leite produz catarro e favorece o resfriado”

A comunidade científica não tem dúvidas sobre isso. É um mito sem nenhum fundamento. O pediatra Carlos González explica desse modo: “Como o catarro é um mecanismo de defesa das vias respiratórias contra as infecções, poderia-se considerar que essa é uma vantagem do leite. No entanto, vários estudos realizados com um grupo placebo (leite de vaca ou de soja com substâncias que maquiam a diferença do sabor) mostraram que isso não acontece. O leite não produz muco.”

“Os lácteos contribuem para a osteoporose”

Não parece que seja assim. Como dizia numa entrevista de 2013 Sergio Calsamiglia, catedrático do Departamento de Ciência Animal e dos Alimentos da Faculdade de Veterinária da Universidade Autônoma de Barcelona, nos últimos 25 anos foram realizadas 138 pesquisas a respeito. E apenas duas indicaram uma maior incidência de osteoporose entre consumidores de leite. Na imensa maioria ocorreu o contrário. Calsamiglia afirma que esse panorama continua vigente. A Escola de Saúde Pública de Harvard conclui que o consumo de lácteos e cálcio parece “reduzir o risco de osteoporose”, como apontam dezenas de pesquisas.

E no outro extremo, alguém poderia dizer: “O leite é um alimento imprescindível para ter ossos saudáveis”

Isso é totalmente correto? O leite é uma rica fonte de cálcio, que é importante para os ossos. Portanto, os nutricionistas costumam recomendar sua ingestão para o aporte desse mineral. Mas o leite está longe de ser o único alimento que contém cálcio. Muitos outros também o oferecem, como os legumes e as frutas secas, e sua absorção pode inclusive ser melhor nesses casos. Além disso, como explica Revenga, para ter uma saúde óssea adequada existem muitos fatores em jogo. “A presença de cálcio na dieta é só um deles (e não tem por que ser o mais importante); também influem, e de forma importante: a adequada presença de vitaminas D e K; não consumir vitamina A em excesso; ter um adequado, não excessivo, aporte de proteína; não tomar refrigerante em excesso; e ter um padrão de vida ativo”, afirma.

Conclusão: Se você tem intolerância à lactose, é melhor não ingerir lácteos (ou consumir só alguns e em pequenas quantidades). Se tem alergia à proteína do leite, também deve evitá-los. Mas se não se enquadrar nos casos anteriores e gostar do leite e dos seus derivados, aproveite-os e saiba que o leite é um alimento completo cujo consumo habitual tem uma grande quantidade de benefícios em quantidades moderadas. Se você não gosta de lácteos, não quer toma-los, odeia-os, é filosoficamente contra eles por algum motivo ou quer se solidarizar com os que não podem prová-los, escolha outros alimentos que proporcionem uma dieta equilibrada. Nenhum é imprescindível.

Fonte: http://brasil.elpais.com/brasil/2015/06/24/ciencia/1435133903_111790.html?id_externo_rsoc=FB_CM

sábado, 14 de maio de 2016

Por que ainda recomendamos o consumo de leite ?

Na página do Facebook do Dr. Drauzio Varella uma seguidora esbravejou: “Que tamanho desserviço com a população! Em pleno 2015 ter que explicar para adultos formados que leite de ser humano é para ser humano e leite de vaca é para bezerro. Meu Deus!”. O post era sobre o consumo de leite para a prevenção da osteoporose. Para ela e muitos outros dos mais de 500 comentários, o leite de vaca deveria entrar no ostracismo por não trazer nenhum benefício à saúde e não ser adequado para seres humanos.

Realmente, os seres humanos são os únicos animais que consomem leite na fase adulta, mas existem motivos para isso que vão além da discussão sobre saúde: 1)  desenvolvemos técnicas para domesticação do gado e, assim, conseguimos incorporar o leite animal em nossa dieta; e 2) não destinamos o leite à alimentação de outros animais adultos porque ele é considerado muito nobre e seu custo é alto demais para que ele seja um ingrediente de ração, embora alguns produtores de suínos utilizem soro de leite para a alimentação dos animais.

Esses apontamentos são da dra. Patrícia Blumer Zacarchenco, pesquisadora científica do TECNOLAT-ITAL (Centro de Tecnologia de Alimentos –Instituto de Tecnologia de Alimentos do Estado de São Paulo), que há mais de 18 anos anos estuda o alimento. “Quando o filhote se torna adulto, o desmame feito pelas fêmeas das diversas espécies ocorre não porque o leite deixa de ser adequado para a cria, mas sim para que o filhote passe a ingerir outros alimentos. Também serve para poupar energia da fêmea para um novo processo de gestação.”**

A mesma lógica pode ser aplicada às pessoas. O leite, mesmo o de origem animal, não deixa de ser nutritivo quando nos tornamos adultos, apenas incorporamos outros alimentos em nossa dieta, tanto por terem outros nutrientes que não estão presentes no leite quanto por aumentarem nossa capacidade gustativa. Por mais que exista uma vertente contrária ao seu consumo, o leite traz benefícios à saúde, sim. Ele ajuda na prevenção da síndrome metabólica, na redução da pressão arterial, na prevenção do diabetes tipo 2 e, claro, da osteoporose, pois quando o assunto é ingestão de cálcio, a bebida ainda é uma das fontes mais importantes.

Claro que existem outros meios de ingerir o mineral. As verduras verde-escuras (brócolis, espinafre e couve), assim como castanhas-do-pará, amêndoas e tofu, são excelentes fontes de cálcio (ver tabela abaixo). Muitas dessas, inclusive, têm teor mais elevado do mineral que o próprio leite. Por exemplo: 100 g de brócolis têm 513 mg de cálcio, enquanto 100 ml de leite têm 107 mg.

Por que, então, insistir no consumo de leite? “Alguns alimentos, principalmente os ricos em fibras, contêm fitatos (presentes nos farelos de cereais), oxalatos (presentes no espinafre e nas nozes) e taninos (presentes nos chás). Esses componentes diminuem a biodisponibilidade (a velocidade e extensão de absorção de um princípio ativo) do cálcio, o que pode comprometer a quantidade de mineral efetivamente aproveitada pelo organismo. Já o leite conta com a presença de caseinofosfopeptídeos, lactose e proteínas que facilitam a absorção do cálcio”,* explica a dra. Patrícia Blumer.




Recomendamos o leite, também, com base nos hábitos alimentares dos brasileiros

Quando falamos sobre hábitos alimentares de um país, é preciso não generalizar a partir dos costumes que temos em casa.

O ideal é que a alimentação e as vitaminas não sejam provenientes de apenas uma fonte. Quanto mais colorido o prato e mais variado o cardápio, melhor. O leite não serve para suprir todo o cálcio necessário diariamente, até porque para isso seria necessário ingerir perto de 1 litro do alimento (e poucos gostam do leite puro). Por outro lado, alguns fatores importantes contam para mantê-lo em nossa dieta: sua multifuncionalidade, o preço e, claro, o gosto da população.

O leite é um dos ingredientes mais versáteis da gastronomia (ainda mais que as hortaliças). Se eliminarmos seu consumo, deixaremos de ingerir, também, todos seus derivados: manteiga, queijo, requeijão, creme de leite, leite condensado, iogurte etc. Excluir todos esses alimentos significa abrir mão de inúmeras receitas, muitas enraizadas na nossa cultura, como pães, doce de leite, pão de queijo, brigadeiro e bolos. Até algumas receitas com legumes e verduras ficariam comprometidas: legumes na manteiga, purê de batata, brócolis gratinado, entre muitas outras.

Do ponto de vista econômico, as hortaliças ficam em desvantagem em relação ao leite. Os preços, é claro, podem variar dependendo do produto e do local de compra, mas tomando como referência valores do Instituto de Economia Agrícola do Estado de São Paulo, em fevereiro de 2016 um maço de brócolis custava, em média, R$ 5,69, enquanto o litro do leite longa-vida (o mais consumido no país) saía por R$ 3,03.

A diferença entre os preços (R$ 2,66) pode parecer pequena, mas  quando pensamos no orçamento da maioria dos brasileiros, ela é significativa. Em 2015, dados do Banco Central sobre distribuição de renda mostraram que 28,2% da população recebia um salário mínimo, e 54,4%, de um a três salários. Nessa época, o salário era de R$ 788.

Vamos ao cálculo comparativo. Em média, 30% do salário é destinado à alimentação. Fazendo uma conta rápida, e nos baseando no atual salário mínimo, que é de R$ 880, grande parte dos brasileiros costuma gastar, em média, de R$ 264 a R$ 792 por mês com comida.

Para suprirem a necessidade de ingestão diária de cálcio, esses brasileiros precisariam comprar quase um maço de brócolis por dia, o que resultaria em um investimento mensal de aproximadamente R$170, enquanto com o leite o gasto seria quase metade dessa quantia, R$91. Com a primeira opção de compra e baseando-nos no menor salário, sobrariam R$ 94 para comprar os alimentos básicos (arroz, feijão, farinha, carne etc.). Isso se levarmos em conta apenas aos gastos individuais, sem contar famílias que têm dois ou mais integrantes e apenas uma renda.

Já em relação aos costumes alimentares, a maioria dos brasileiros não consome hortaliças e frutas. De acordo com o estudo mais recente Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), publicado em 2015, apenas 24% dos brasileiros ingerem a quantidade ideal recomendada pela OMS (Organização Mundial de Saúde) desse tipo de alimento (400 g diários).

Se não consumimos nem o que é necessário para termos uma alimentação balanceada, imagine quantos conseguirão ingerir a quantidade diária de cálcio por meio das hortaliças. Por outro lado, o consumo do leite tem aceitação bem maior no país: 54% dos brasileiros consomem o alimento, segundo o mesmo estudo.

As recomendações da OMS para consumo de cálcio podem variar de 300 a 400 mg por dia nos primeiros meses de vida (período da amamentação) e até 1.300 mg/dia na adolescência, por exemplo. Isso equivaleria a comer, diariamente, 234 g de brócolis, 67 7g de couve-manteiga, 882 g de espinafre ou 250 g de sardinha, todos os dias. “Essas pessoas não têm o hábito de ingerir verduras, legumes nem peixes. Como compensar a falta de cálcio? Com o leite, claro”, explica a dra. Sônia Trecco, nutricionista responsável pelo atendimento ambulatorial do HC-FMUSP.

E é exatamente na adolescência que se inicia a prevenção contra danos futuros. Nessa fase, a massa óssea está em formação e segue assim até os 20 anos, quando a densidade óssea atinge o pico. Depois, a estrutura começa a enfraquecer.

A dra. Ana Hoff, endocrinologista do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, explica que uma boa ingestão de cálcio desde cedo é importante para prevenção da perda óssea que pode resultar em osteoporose, mesmo que isso só vá ocorrer décadas depois. “No caso de um consumo pobre do mineral, o organismo sacrifica o esqueleto (depósito de 99% do cálcio no corpo humano) para que suas funções sejam mantidas. A retirada de cálcio do esqueleto para suprir sua falta no sangue resulta em perda óssea.”

O grande desafio deveria ser incentivar a ingestão de cálcio no país sem condenar o leite. Mesmo quem consome a bebida garante a quantidade ideal de cálcio por dia. Apenas 20% das mulheres com 45 anos ingerem o necessário. Entre aquelas com menos de 45 anos, essa porcentagem não passa de 10%.

É claro que é necessário sempre promover uma alimentação diversificada, e também outros hábitos que interferem na saúde da população. “É importante lembrar que a prevenção à osteoporose só é efetiva quando há ingestão de vitamina D, pois essa vitamina ajuda o organismo a absorver o mineral. Para obtê-la, basta tomar dez minutos de sol diariamente”, afirma a nutricionista Sônia Trecco.

Quando recomendamos trocar o leite por outra fonte de cálcio

Não há discussão: a intolerância à lactose (hipolactasia primária) é um dos fatores que impõe restrição ao consumo de leite e laticínios. Segundo a dra. Ana Hoff, o problema causa sintomas desagradáveis após a ingestão desses produtos, tais como distensão do abdômen, acúmulo de gases e fezes amolecidas. “Neste caso, a necessidade de cálcio deve ser suprida por outros alimentos ou, se necessário, com suplementos”, afirma.

Rejane Matar, médica responsável pelo Laboratório de Provas Funcionais do Aparelho digestivo do HC-FMUSP, explica que parte da população apresenta declínio fisiológico e grande diminuição da ação da enzima lactase (responsável pela quebra da lactose, transformando-a em galactose e glucose, monossacarídeos que conseguem ser absorvidos pelo organismo). “Sem a produção abundante de lactase, o organismo não consegue ‘quebrar’ e absorver a lactose no intestino delgado e o manda direto para o grosso. Lá, existem bactérias que fermentam a lactose produzindo gás hidrogênio, que acaba provocando os sintomas desagradáveis.”

A intolerância à lactose é levantada por muitos que vilanizam o leite como uma prova de que ele não deveria ser consumido pelos humanos. Embora o organismo passe inevitavelmente a produzir menos enzima lactase ao longo do tempo, isso não significa que todos nos tornaremos intolerantes à lactose. De acordo com a dra. Rejane Matar, só é considerado intolerante quem apresenta os sintomas. Se não há sinais, não há intolerância à lactose. “O problema é que as pessoas inventaram essa história de que todo mundo precisa tirar o glúten e os produtos lácteos da dieta para emagrecer, enquanto na verdade eles só devem ser retirados em casos especiais e realmente confirmados”. Entretanto, a dra. Rejane ressalta: “Pacientes com genótipo de lactasia persistente num dado momento poderão ter intolerância à lactose.”

Segundo estudos epidemiológicos, as populações que nos seus primórdios dependiam da pecuária muito mais que da agricultura (e eram grandes consumidores de leite e laticínios em geral) apresentam menor prevalência de intolerância à lactose em relação àquelas que dependeram mais da agricultura para sobreviver. “No geral, a prevalência da hipolactasia primária do adulto varia no mundo. Na Dinamarca, 4% da população é intolerante. No nordeste europeu (próximo ao Mar Norte) e na Grã-Bretanha esse número é de 5%, e na Suécia,de  7%”,** explica a dra. Patrícia Blumer. Ou seja, a intolerância não é uma condição soberana.

“E mesmo sendo intolerante, é preciso ter cautela. Quando o paciente tem problemas de intolerância, ele não precisa necessariamente parar de consumir laticínios. É possível que ele seja intolerante apenas a uma determinada quantidade. Por isso, sempre recomendamos fazer um teste e diminuir a porção ingerida. Se ele consumia 3 copos de leite e apresentava sintomas, pedimos que reduza para 2, para 1 e observe como seu corpo reage”, explica dra. Rejane. Se mesmo assim houver desconforto, aí sim, o ideal é a total retirada do leite da dieta. “Nesses casos, o mais indicado é suprir a necessidade de cálcio por meio de outros alimentos”, completa.

A restrição ao consumo de leite também se estende a pessoas com determinadas doenças, como Doença de Crohn, enfermidades inflamatórias, úlcera, gastrite (a bebida estimula a produção de suco gástrico, o que pode piorar o quadro), entre outros problemas já existentes que possam ser agravados com o consumo da bebida. “O leite integral, por exemplo, pode agravar sintomas de refluxo em pessoas que já têm esse problema. A gordura, de um modo geral, retarda o esvaziamento gástrico e propicia o surgimento dos sintomas.”, afirma dra. Rejane.

E dá para confiar na qualidade do leite?

Para quem não se lembra, em 2014 testemunhamos um caso grave de adulteração de leite descoberto pela Operação Leite Compen$ado: cerca de um milhão de litros de leite adulterado ou fora dos padrões sanitários foi comercializado pelas empresas de laticínios Pavlat e Hollmann no Rio Grande do Sul. Nas dependências da empresa foram encontrados soda cáustica, formol e água oxigenada. Em São Paulo e no Paraná, 300 mil litros da bebida, das marcas Parmalat* e Líder, também estavam batizados e chegaram às casas dos consumidores.

No entanto, a fiscalização acontece e é por causa dela que produtos adulterados são retirados do mercado e tomamos conhecimento do que está sendo comercializado. O MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) tem um Programa de Combate a Fraude no Leite, que por meio de análises laboratoriais monitora os estabelecimentos que recebem e processam a bebida. Caso seja detectada alguma adulteração no produto, são aplicadas as sanções administrativas previstas na legislação, incluindo o Regime Especial de Fiscalização.

Enquanto vigora este Regime, a inspeção é intensificada e nenhum produto é liberado para comercialização até que os resultados de análises oficiais demonstrem que ele está dentro dos padrões. Só assim é liberado para consumo. Uma vez descoberta nova fraude, as empresas responsáveis ficam obrigadas a incluir análises específicas dentro do seu programa de controle de qualidade.

Nos últimos três anos, o Programa de Combate à Fraude no Leite realizou em média quatro mil análises de leite pronto para consumo (leite pasteurizado, UHT – longa vida, leite em pó) por ano. Desde o início da operação no RS, em 2013, o percentual de amostras adulteradas passou de 37% para 26%. No primeiro trimestre de 2015, o índice caiu ainda mais, alcançando 22%, e depois chegando a 10%, segundo o promotor Mauro Rockenback, que estava à frente das investigações.

Questionar a qualidade e a confiabilidade do produto é de extrema importância, deve ser uma atitude tomada sempre e sem pudor pelos consumidores, em qualquer âmbito. Acompanhar o trabalho das fiscalizações também é salutar, mas não se passa a ser um hábito cego e sem critério. “Seguir nessa linha de raciocínio é colocar em cheque a confiabilidade de toda a indústria nacional, não apenas a de laticínios ou alimentos”, explica a dra. Patrícia Blumer, que há nove anos é pesquisadora científica do TECNOLAT-ITAL (Centro de Tecnologia de Alimentos-Instituto de Tecnologia de Alimentos).

 * A empresa Lactalis do Brasil entrou em contato com a nossa Redação para informar que o ocorrido aconteceu na época em que a Parmalat era gerida por outra empresa. Em 2015, quando adquiriram a licença da marca, modificaram os processos de certificação do leite por um método mais rigoroso.

Referências bibliográficas utilizadas pela dra. Patrícia Blumer

* Foram consultados 2 artigos científicos (Simone Correa Leite; Indiomara Baratto; Rosangela Silva. CONSUMO DE CÁLCIO E RISCO DE OSTEOPOROSE EM UMA POPULAÇÃO DE IDOSOS. Revista Brasileira de Obesidade, Nutrição e Emagrecimento, São Paulo. v.8. n.48. p.165-174. Nov./Dez. 2014. E Brito, A.C.; Pinho, L.G. Relação entre a ingestão de leite e a osteopenia e osteoporose em mulheres acima dos 50 anos. Revista do INTO. Vol. 1. Núm. 1. 2008) e o livro “Leite para Adultos: Mitos e Fatos frente à Ciência” da Varela Editora e Livraria Ltda, lançado em 2009 das autoras Antunes, A.E.C.; Pacheco, M.T.B.

**Foi consultado o artigo científico Rejane Mattar, Daniel Ferraz de Campos Mazo. intolerância à lactose: mudança de paradigmas com a biologia molecular. Rev Assoc Med Bras 2010; 56(2): 230-6 e o livro “Leite para Adultos: Mitos e Fatos frente à Ciência” da Varela Editora e Livraria Ltda, lançado em 2009 das autoras Antunes, A.E.C.; Pacheco, M.T.B.

Fonte: http://drauziovarella.com.br/alimentacao/por-que-ainda-indicamos-o-leite/

domingo, 7 de agosto de 2016

Semanal Mundial da Amamentação por Dr. Flávio Melo


Meu amigo Flávio Melo (pediatra) do site http://www.pediatradofuturo.com.br fez ao longo dessa semana vários posts sobre amamentação. Excelente material e de leitura obrigatória para as mamães que estão amamentando, as grávidas ou qualquer mulher que anseia por esse momento sublime.

Amamentação – parte 1 – produção do leite materno


O leite materno é o alimento essencial e mais importante para o bebê.  Por mais que o ambiente, o hospital (se for o caso) ou as pessoas tentem te fazer pensar que a amamentação é algo difícil e extraordinário, na verdade é um ato natural e instintivo para você e o bebê.
Claro que entender o processo de produção pode ajudar. Então, de uma forma simplificada, quero que você saiba o passo a passo.

O passo a passo da produção de leite materno

1- Os hormônios da gravidez – estrógeno e progesterona – preparam os seios para o que virá depois: acontece o aumento das mamas, da sensibilidade e a dilatação dos vasos sanguíneos.
2- Após o nascimento começa a ação de outros dois hormônios secretados pela glândula hipófise. Um deles estimula a produção, chamado prolactina, e o outro estimula a ejeção do leite, chamado ocitocina.
3- A produção do leite é sob demanda, ou seja, quanto mais o menino mama, mais a mama produz.
4- Até mesmo mulheres que adotam, com ajuda profissional, podem conseguir produzir leite e amamentar.

E quando a “fábrica” está devagar, o que fazer?

1- Como você já viu acima, a amamentação tem que ser sob livre demanda.
2- Melhorar a pega do bebê. Clique aqui para ver algumas mini aulas gravadas pela fonoaudióloga Isa Crivellaro.
3- Verificar se ele não tem anquiloglossia (língua presa).
4- Amamentar à noite.
5- Ofereça o seio mesmo quando o bebê não demonstre fome.
6- Ofereça sempre os dois seios em cada mamada, mas não fique trocando de seio a cada instante. Espere esvaziar um para oferecer o outro.
7- Retirar o leite (ordenhar) pode aumentar a produção e caso seja suficiente, você pode e deve doar. Os prematuros agradecem!
8- Nada de complemento.
9- Compressas mornas nos seios (nada de bolsa térmica) ou massageá-los embaixo do chuveiro pode ajudar.
10- Relaxe, aproveite o momento único. Não foque nos problemas, foque no amor que você transmite para esse ser maravilhoso, gestado por você e que agora você tem nos braços.
11- Durma bem, na medida do possível.
12- Beba muita água, entre 3 a 4 litros de água por dia. O leite materno é 87% água!
13- Remédios para produzir leite? Só com avaliação médica!
14- Anticoncepcionais? Só com avaliação médica.
15- Se está com dor, por algum motivo, ela sozinha pode ser a causa da baixa produção e precisa de tratamento.
Fonte: http://www.pediatradofuturo.com.br/amamentacao-parte-1-producao-do-leite-materno/

Amamentação – Parte 2 – Qual a composição do leite materno e como melhorar


O leite materno (LM) é mais do que um alimento completo: é um alimento “vivo”. Transforma-se e se adapta às necessidades do bebê nas diferentes fases do crescimento.
A composição do leite materno muda de acordo com o tempo e pode mudar de acordo com a alimentação da mãe. Por isso é tão importante não fazer restrições alimentares desnecessárias durante a lactação, sem a ajuda do seu pediatra e da nutricionista.

As fases do leite materno

1 – Colostro
É o leite produzido nos primeiros 5 a 7 dias após o parto. É rico em componentes imunogênicos e proteínas, como a imunoglobulina A secretora, a lactoferrina, leucócitos (por isso chamo de alimento vivo) e fatores de desenvolvimento/crescimento. Sua função essencial é prover proteção ao bebê, por isso a quantidade de lactose não é tão grande.
2 – Leite de transição
Após a primeira semana, ocorre o aumento da produção do leite e gradativamente aumenta a quantidade de lactose, para prover as necessidades do bebê em crescimento rápido.
3 – Leite Maduro
Ao redor do final do primeiro mês, o leite já está com sua composição e produção estabilizadas, o bebê já está adaptado ao aleitamento, o leite materno já está maduro.

Qual a composição do leite materno?

Em média, 100 ml tem 67 calorias. A mãe produz cerca de 750 ml de leite maduro por dia e gasta cerca de 500-600 calorias para esse fim.
Em termos de macronutrientes (média), carboidratos (lactose e oligossacarídeos) representam 55% do total, gorduras (palmítico e oléico, linoléico e linolênico, DHA e ARA) 37,5% e proteínas (80% de proteínas do soro e 20% de caseína) 7,5%.
Já em termos de micronutrientes, a depender da alimentação da mãe, há níveis variáveis de vitamina A, B1,B2,B6,B12, D e Iodo.
É muito importante que a lactante consuma ou suplemente quantidades adequadas de vitamina D, pois normalmente tem pouco no leite materno (o bebê também deve ser suplementado).

Componentes Imunogênicos

Esses são talvez os componentes mais importantes, pois determinam uma série de estímulos positivos para a flora intestinal e auxiliam na modulação da resposta imunológica, tão importante para evitar doençasalérgicas, metabólicas e inflamatórias no futuro.
Há desde células do sistema imunológico, como macrófagos, linfócitos T até as recentemente descobertas células tronco, cuja função e importância ainda é investigada.
Também estão presentes as chamadas citocinas e quimocinas, que ao entrarem em contato com o sistema imunológico intestinal do bebê, funcionam como moduladores da resposta e maturadores. Protegem e preparam para os inúmeros contatos com elementos estranhos que acontecem no início da vida.
Os elementos mais recentemente estudados foram os oligossacarídeos do leite materno (HMOs), que são carboidratos que estimulam e nutrem as bactérias da flora intestinal. São os nossos primeiros e importantíssimos pre-bióticos.
Antes se pensava que o LM era estéril, mas recentemente se descobriu que existe uma microbiota/flora, que muda de acordo com as características maternas e ao longo do período da lactação. Ou seja, até no leite materno tem Vitamina S.

Fatores de crescimento

Além de tudo exposto acima, no há hormônios, como a leptina, grelina, adiponectina, que auxiliam na saciedade e no metabolismo e também no desenvolvimento e crescimento de diversos órgãos, desde o intestino até o cérebro.
Pois é, como vocês podem ver, o LM é um alimento rico, vivo e essencial. Mas a sua alimentação e estilo de vida pode influenciar em diversos aspectos da sua composição.
Como turbinar o seu leite? Assunto para o post de amanhã.
Fonte: http://www.pediatradofuturo.com.br/parte-2-qual-composicao-do-leite-materno-e-como-melhorar/

Amamentação – Parte 3 – Leite Materno: como turbinar?


Como você já viu nos posts anteriores, o leite materno é produzido sob demanda, é um alimento vivo e que se transforma de acordo com as fases e necessidades do bebê.
Pensávamos até certo tempo atrás que a composição não variava muito com a dieta materna, mas estudos recentes desbancaram essa teoria.
De acordo com a quantidade e qualidade da dieta materna, podem ocorrer variações importantes nos seus constituintes.
E o pior é que basta o menino chorar mais um pouquinho, que todo mundo começa a te aperrear para mudar a alimentação, tirando exatamente tudo o que é importante para uma boa composição do teu leite, como as fontes de vitaminas, minerais e gorduras boas.
Aí te dizem:
– Comer peixe amamentando? Nem pensar! É carregado! Mas torta de chocolate pode!
E aí sou eu (o pediatra) e o bebê que choramos!

Então, vamos turbinar o leite materno?

Antes de mais nada, esse é um momento crucial para um nutricionista te ajudar, pois somente ele tem a autorização legal para prescrever o cardápio.
Só vou listar aqui algumas regrinhas gerais, ok?
Regra geral 1: coma alimentos com densidade nutricional!
  • Peixes e frutos do mar: salmão, algas, mariscos e sardinhas. Olho na qualidade e procedência!!!
  • Carnes: carne de boi, porco, cordeiro, frango e carnes de órgão, como o fígado (uma vez por semana).
  • Frutas e hortaliças: tomate, frutas vermelhas (se o bolso deixar), repolho, couve, alho e brócolis.
  • Sementes e castanhas: amêndoas, nozes, chia e linhaça.
  • Outros: ovos, aveia, tubérculos (batata doce, cará), quinoa, e chocolate com alto teor de cacau (70% ou mais).
A lista é enorme: o importante é não restringir mas qualificar.
Evite ao máximo os ultra-processados. Sei que você sempre vai ter uma tortinha à mão e umas lembrancinhas para os glutões que vem visitar a bebê, mas resista sempre que possível!
Regra 2: saiba quais vitaminas e minerais têm sua quantidade variável no leite de acordo com a alimentação
  • Vitamina B1 (Tiamina) – peixe, porco, sementes, castanhas e pão.
  • Vitamina B2 (Riboflavina) – queijo, amêndoas, castanhas, carne vermelha, peixes do mar e ovos.
  • Vitamina B6 – sementes, castanhas, peixe, frango, porco, bananas e frutas secas.
  • Vitamina B12 – mariscos, fígado, peixes do mar, caranguejo e camarão.
  • Colina – ovos, fígado de boi, fígado de frango, peixes do mar e amendoim.
  • Vitamina A – batata doce, cenoura, folhosos verdes escuros, carnes de órgãos e ovos.
  • Vitamina D – óleo de fígado de bacalhau, peixes do mar, alguns cogumelos e alimentos fortificados (laticínios)
  • Selênio – castanha do Brasil/Pará (uma só), frutos do mar, peixe, trigo integral e sementes.
  • Iodo – algas desidratadas, bacalhau, leite e sal iodado.
Incluir esses alimentos na sua alimentação vai aumentar a quantidade dos elementos no leite materno e seu bebê vai agradecer.
Além disso, os ácidos graxos essenciais que você consome (comendo animais marinhos por exemplo), fará com que a quantidade de ômega-3, especialmente DHA e ARA, subam no leite materno.
Esses são elementos essenciais para o desenvolvimento cerebral e visual do bebê. Se sua nutricionista e pediatra perceberem que sua dieta é deficiente, eles podem ser suplementados.
Regra 3: saiba quais são as fontes de outros minerais importantes, cujo consumo não altera muito a composição do leite (mas devem fazer parte da dieta materna!)
  • Folato: feijões, lentilhas, folhosos verdes, aspargos e abacate!
  • Cálcio: leite, iogurte, queijo, folhosos verdes e leguminosas.
  • Ferro: carne vermelha, porco, frango, frutos do mar, feijões, hortaliças verdes e frutas secas.
  • Cobre: frutos do mar, grãos integrais (verdadeiros!!!), nozes, feijões, carnes de órgãos e batata.
  • Zinco: ostras (cuidado com a qualidade!), carne vermelha, frango, feijões, nozes e laticínios.
Se você não comer esses alimentos em quantidade suficiente, o corpo vai usar suas reservas para não prejudicar a composição do leite. Por isso, se não comer bem e com qualidade, vai se sentir fraca!
Se não for possível comer alguns alimentos, é importante que seu médico e nutricionista prescrevam suplementos, mas essa é uma situação especial. Em geral, a nutrição deve vir da Comida de Verdade!

Regra 4: o que consumir com moderação

Algumas coisas precisam de moderação, mas não estão proibidas. Exemplo:
  • Cafeína – cerca de 1% da cafeína que você consome é transferida para o leite materno. Quantidades pequenas de cafeína não causam danos, em torno de 2 xícaras médias por dia.
  • Álcool – o ideal é não consumir álcool, pois ele vai para o leite materno e o bebê demora muito mais para metabolizar. Seu corpo leva de 1-2 horas para “limpar” da corrente sanguínea o equivalente à uma taça pequena de vinho, uma lata de cerveja ou uma dose de destilados. Portanto, em uma situação excepcional onde você queira ingerir uma taça de vinho, por exemplo,espere pelo menos 2 horas para oferecer o seio após ingerir.
  • Leite de vaca – cerca de 2-6% dos bebês podem desenvolver alergia à proteína do leite de vaca (APLV), mesmo em aleitamento materno exclusivo. Não tomar leite de vaca não evitará a APLV, mas caso exista essa suspeita, a dieta da mãe precisará estar 100% restrita para verificar o diagnóstico e durante o tratamento.
E aí, aprendeu como turbinar seu leite materno? Se gostou, compartilhe!
No próximo post, tudo de bom que o leite materno faz para a saúde do teu bebê.
Fonte: http://www.pediatradofuturo.com.br/leite-materno-como-turbinar/


Amamentação – Parte 4 – O que evita no bebê


omo você já deve ter lido e aprendido nos posts anteriores, o leite materno é um alimento completo para as necessidades do seu bebê.
Mas ele não é somente a nutrição perfeita pra ele, pois também tem impacto na saúde à curto, médio e longo prazo.
A cada dia essa lista abaixo aumenta, mas já passou dos dedos de uma mão. Seguem abaixo os benefícios do LM (leite materno) pro seu bebê:
– seus anticorpos, como por exemplo a Imunoglobulina A, protegem o bebê, formando uma camada protetora nas vias aéreas (nariz e garganta) e no trato digestório.
Por isso mesmo, nem sempre que você fica resfriada o seu bebê pega. Afinal, você pode até dar a doença, mas também está dando a proteção.
– redução nos episódios de otites: 3 ou mais meses de aleitamento exclusivo podem reduzir o risco em 50%e qualquer período de amamentação reduz em 23%.
– redução nos episódios de infecções respiratórias: o aleitamento exclusivo por mais de 4 meses reduz o risco de hospitalização por essas doenças em 72%.
– redução no risco de gripes e resfriados: bebês em AM exclusivo por 6 meses, tem um risco 63% menor de ter infecções sérias nas vias aéreas superiores.
– redução no risco de infecções intestinais: redução de 64%, mesmo após a cessação da amamentação.
– o leite materno reduz em 60% o risco de uma infecção grave dos prematuros, a enterocolite necrotizante.
– redução de 50% no risco de morte súbita no lactente.
– amamentar exclusivamente por pelo menos 3 a 4 meses, está ligado a cerca de 35% de redução do risco de asma, dermatite atópica e rinite.
– bebês que são amamentados no momento da primeira exposição ao glúten, tem um risco 52% menor de desenvolver doença celíaca.
– bebês amamentados tem 30% menos chance de desenvolver doença inflamatória intestinal.
– pelo menos 3 meses de amamentação reduz o risco de diabetes tipo 1 em 30% e diabetes tipo 2 em 40%.
Além de todas as doenças acima, o aleitamento promove um ganho de peso saudável. As taxas de obesidade em bebês amamentados são cerca de 15-30% menores, comparados aos bebês que tomam fórmula artificial.
Cada mês que dura o aleitamento, ocorre uma redução de 4% no risco de obesidade futura.
Seu bebê prematuro também terá chances reduzidas de problemas de desenvolvimento, se amamentado exclusivamente.
Como vocês podem ver, a lista é extensa e impressionante. Cabe a nós, profissionais de saúde e às famílias, dar todo o apoio e suporte à amamentação, até porque os benefícios não são somente para o bebê, mas também para a mãe.
Mas aí já é o assunto do post de amanhã.
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Fonte: http://www.pediatradofuturo.com.br/amamentacao-parte-4-o-que-evita-no-bebe/

Amamentação – Parte 5 – O que evita na mamãe


Nos posts anteriores, você aprendeu:
  • Como o leite materno é produzido.
  • Sua composição.
  • Como comer para turbiná-lo.
  • Benefícios do AM para o bebê.
Mas aí você faz todo o esforço do mundo, passa dias e noites insones e não ganha nada?
Primeiro, nem preciso falar do vínculo psicológico que esse momento proporciona. E isso ajuda tanto a mãe, quanto o bebê.
Mas não é só isso.

Benefícios do aleitamento materno para as mamães

1) Só para produzir o leite materno, você gasta em torno de 500 calorias por dia. Claro que com uma dieta desequilibrada isso se dilui no primeiro milk shake, hambúrguer gourmet #sqn e mega torta que comer.
Mas se comer direitinho, o “peso” da gestação vai embora rapidinho (rimou?!?!?).
2) Após o parto, o útero, que ficou enorme, precisa contrair e voltar a ficar do tamanho de um punho fechado no máximo. Essa involução ocorre sob o comando da ocitocina, que é liberada em grandes quantidades durante o trabalho de parto, reduzindo o risco de sangramentos e auxiliando as contrações.
Mas você que amamenta também continua a secretar ocitocina e o processo de involução uterina é mais acelerado. Sabe aquela sua amiga que ficou 6 meses de cinta?
3) Às vezes, a tristeza no pós-parto supera a felicidade de ser mãe. Aí vem a temida depressão puerperal. Cerca de 15% das puérperas podem ter.
A ocitocina também é chamada do hormônio anti-ansiedade. Como vimos, quem amamenta produz mais. Então, no fim das contas, quem amamenta tem menor risco de depressão pós-parto.
4) A amamentação reduz o risco de câncer de mama e de ovário em 28%. Cada ano de aleitamento reduz o risco de câncer de mama em 4,3%. Isso deve encorajar você a amamentar além dos dois anos de idade.
5) Ocorre também um risco menor de síndrome metabólica, que predispõe ao diabetes, problemas cardíacos e a obesidade grave. Também há um risco de 10-50% menor de desenvolver pressão alta, artrite e dislipidemias.
6) Seu bolso agradece. As fórmulas, além de não chegarem aos pés do LM, estão pela hora da morte…
Você viu acima todos os benefícios maternos de amamentar, mas infelizmente, há situações que a amamentação deve ser proibida ou postergada.
Outras vezes, a orientação de não amamentar está incorreta.
Esse será o assunto do próximo post. Depois da série, fique certa que saberá mais sobre amamentação que a maioria das suas amigas.
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Fonte: http://www.pediatradofuturo.com.br/amamentacao-parte-5-o-que-evita-na-mamae/

Amamentação – Parte 6 – Quando não amamentar (e os mitos que te dizem)


Espero que você que está acompanhando a série de posts em homenagem à Semana Mundial de Aleitamento Materno 2016 já esteja bastante segura e motivada para amamentar.
Exclusivamente até os 6 meses e com outros alimentos até 2 anos ou mais.
Mas não é raro que eu receba no consultório mães frustradas por terem tido a amamentação contraindicada. Os motivos podem ser vários: um quadro infeccioso que demandou uso de antibióticos, um processo infeccioso atual ou por causa de alguma doença detectada no recém nascido.
Muitas vezes essa indicação está simplesmente incorreta! E é justamente para te ajudar a não deixar o aleitamento materno desnecessariamente, que escrevo esse novo post da série.
Primeiro, vamos falar sobre infecções, pois infelizmente ainda vejo mamães tendo alta da maternidade com a prescrição de antibióticos de rotina nos 7 dias posteriores à cirurgia.
Além de afetar a microbiota da mãe, isso afeta também a microbiota do leite materno, pois agora você já sabe que até no leite materno há micróbios do bem.

Mamães com infecção crônica ou infecção aguda

As únicas infecções que contraindicam o aleitamento materno são por HTLV1/HTLV2 e HIV.
No caso da mãe apresentar uma infecção mais grave – chamada septicemia – e estar internada em UTI, é recomendado ofertar leite humano de banco. Pelo menos até que as condições clínicas dela estejam mais estáveis.
Nas doenças respiratórias transmitidas por gotículas, como a Tuberculose na fase aguda, Coqueluche e Influenza/H1N1, está indicada que você ordenhe seu leite e tome precauções de contato respiratório até que o tratamento seja instituído e diminua o risco de transmissão (dependendo de cada doença).
Já para Hepatite B, fazer vacina e imunoglobulina no bebê e amamentar logo após.
Se for Herpes Simples, só atrasar o início da amamentação se houver lesões ativas no seio ou mamilo.
Fique atenta: não há contraindicação de amamentar no caso de Dengue, Zyka ou Chikungunya.

Quais são as doenças dos bebês que contraindicam a amamentação?

– Galactosemia clássica.
– Má absorção congênita de Glicose-Galactose (CGGM).
– Deficiência congênita de lactase.
– Fenilcetonúria e Doença da urina de Xarope do bordo.

E quando a mãe está doente ou tem alguma doença ou problema crônico?

Em casos selecionados de algumas doenças maternas, a amamentação poderá ser contraindicada ou postergada até melhora das suas condições clínicas.
A depressão grave pós-parto, a psicose puerperal e o distúrbio bipolar descompensado precisam de atenção!
Doenças cardíacas graves, como insuficiência cardíaca grave, se encaixam nesta situação. Assim como em portadores de esclerose múltipla severa.
Nas lactantes que passaram por cirurgia de mamoplastia redutora, pode haver dificuldades com a amamentação.

E quando a mãe está usando ou usou fármacos, drogas lícitas ou ilícitas?

Poucos fármacos contraindicam a amamentação. Normalmente está contraindicada a amamentação com o uso de:
  • Sedativos do grupo dos opióides (ex. morfina, codeína).
  • Alguns psicotrópicos e antiepilépticos (doxepina, zonisamida, por exemplo).
  • Os anticoncepcionais combinados de estrogênio/progesterona.
  • Isotretinoína (para acne).
  • Diversas drogas para tratamento do câncer.
Anti inflamatórios e 99% dos antibióticos são compatíveis com o aleitamento.
Uma lista completa de drogas e sua compatibilidade na gestação pode ser encontrada clicando aqui.

E no caso de drogas lícitas ou ilícitas?

Como você já leu no post sobre como turbinar o leite, o uso de álcool no aleitamento materno deve ser evitado. Além da passagem do álcool para o bebê, pode haver alteração do sabor do leite materno e diminuição da lactogênese (produção de leite).
Nesse estudo, a ingestão do equivalente a 1 lata de cerveja ou 1 taça de vinho chegou a reduzir a produção de leite em 23%!
“- Mas Dr. Flávio, e a tal da cerveja preta para aumentar a produção do leite?”
Essa respondo no último post da série, sobre mitos da amamentação, ok?
No caso do tabagismo, além dos efeitos na saúde materna, a nicotina passa através do LM, altera o sabor, reduz a produção de prolactina e está associado a um menor tempo de aleitamento. O passivo também!
Essa parte abaixo é para os profissionais de saúde que se deparam com uma gestante em trabalho de parto que consumiu drogas. Não é tão raro, infelizmente, e sempre fica a dúvida se deve liberar ou não o aleitamento.
Se houve uso de drogas ilícitas imediatamente antes do parto ou durante o aleitamento, a recomendação é suspender a amamentação pelos seguintes períodos:
  • Anfetamina e ecstasy: 24–36 horas.
  • Barbitúrico: 48 horas.
  • Cocaína, crack: 24 horas.
  • Etanol: 2-3 horas por dose ou até estar sóbria.
  • Heroína e morfina: 24 horas.
  • LSD: 48 horas.
  • Maconha: 24 horas.
  • Fenciclidina: 1–2 semanas
Há estudos que discutem esse assunto em maior profundidade, como este aqui de 2013 publicado no PubMed e este outro também de 2013 publicado no Clinics Obstetricts and Gynecology.

Resumindo…

Como você leu neste post, talvez muitos dos motivos que já te contaram que contraindicariam a amamentação não são baseados na ciência e peço que você compartilhe a informação correta e científica, para incentivar cada vez mais o aleitamento materno, mesmo quando a mãe ou o bebê tem algum tipo de problema.
Fonte: http://www.pediatradofuturo.com.br/parte-6-quando-nao-amamentar-e-os-mitos-que-te-dizem/

Parte 7 – 24 MITOS da amamentação que você pecisa saber!


Esse é o último post da série de 7 que fiz essa semana em homenagem à Semana Mundial de Aleitamento Materno 2016.
Espero que possa ter te ensinado algo novo e estimulado as famílias a dar apoio cada vez maior a este ato tão importante para uma boa saúde das futuras gerações.
Vamos recapitular  o que falamos nesta série:
Mas mesmo com toda a informação disponível, a amamentação muitas vezes é comprometida com mitos, preconceitos e atitudes negativas.
Como vocês sabem que gosto de desmistificar, compartilho a tradução desse texto publicado por Lisa Marasco, assistente de aleitamento.
Foi publicado no site da La Leche League International, uma organização que apoia, dá treinamento e consultoria para profissionais e famílias com problemas de amamentação.

24 Mitos comuns sobre amamentação

Mito 1 : Amamentar frequentemente leva à baixa produção de leite, contribuindo para o desmame.
Realidade: O suprimento de leite é otimizado quando um bebê saudável mama sob livre demanda, sempre que ele necessitar.
O reflexo de ejeção de leite funciona mais na presença de mais estímulo de sucção, que acontece quando você não limita as vezes que o seu bebê vai ao seio. A mama é fábrica (80%) e estoque (20%).
Referências:
De Carvalho, M. et al. Effect of frequent breastfeeding on early milk production and infant weight gainPediatrics 1983: 72:307-11.
Hill, P. Insufficient milk supply syndrome. NAACOG’s Clin Issues 1992; 3(4):605-12.
Klaus, M. The frequency of suckling: neglected but essential ingredient of breastfeeding. Ob Gyn Clin North Am 1987; 14(3):623-33.
Neifert, M. Early assessment of the breastfeeding infant. Contemporary Pediatrics October 1996; 6-9.
Lawrence R. Breastfeeding: A Guide for the Medical Professional, 4th ed. St. Louis: Mosby 1994; 188.
Salariya, F. et al. Duration of breastfeeding after early initiation and frequent feeding. Lancet 1978; 2(8100):1141-43.
Slaven, S. Harvey, D. Unlimited sucking time improves breastfeeding. Lancet 1981; 14:392-93.
Stuart-Macadam, P., Dettwyler, K. Breastfeeding: Biocultural Perspectives. Hawthorne, New York: Aldine de Gruyter, 1995; 129.
Woolridge, M. and Baum, J. Infant appetite-control and the regulation of the breast milk supply. Child Hosp Qtrly 1992; 3:113-19.
Mito 2: A lactante só precisa amamentar de 4 a 6 vezes ao dia para manter o suprimento de leite para o bebê.
 Realidade: Os estudos mostram que quando uma lactante amamenta precocemente e frequentemente, uma média de 10 vezes ao dia nas duas primeiras semanas, sua produção de leite é bem maior.
Seu bebê ganha mais peso e ela tende a manter a amamentação por um período mais longo. A produção do leite está relacionada diretamente com a frequência e o suprimento de leite diminui quando as mamadas são infrequentes ou limitadas.
Daly, S., Hartmann, R Infant demand and milk supply: Part 1 and 2. J Hum Lact 1995; 11(1):21-37.
De Carvalho, M. et al. Effect of frequent breastfeeding on early milk production and infant weight gainPediatrics 1983: 72:307-11.
De Coopman, J. Breastfeeding after pituitary resection: support for a theory of autocrine control of milk supply. J Hum Lact 1993; 9(1):35-40.
Riordan, I. and Auerbach, K. Breastfeeding and Human Lactation. Boston and London: Jones and Bartlett 1993; 88.
 Mito 3: Bebês mamam todo o leite que precisam nos primeiros 5 a 10 minutos.
Realidade: Enquanto muitos bebês mais velhos podem obter a maioria do leite nos primeiro 5 a 10 minutos, isso não pode ser generalizado para todos os bebês.
Recém-nascidos, que estão aprendendo a mamar e não são tão eficientes na sucção, frequentemente necessitam de mais tempo para mamar.
A habilidade de sugar também tem a ver com a o reflexo de ejeção materno, que varia entre as lactantes. Enquanto certas mães podem ejetar imediatamente, algumas podem não ser tão eficientes.
Algumas ejetam o leite em pequenas alíquotas, várias vezes na mesma mamada. Melhor do que tentar adivinhar como você funciona, é observar os sinais de saciedade do bebê como relaxamento de mãos e braços e auto-desprendimento.
Lucas, A., Lucas, P., Aum, J. Differences in the pattern of milk intake between breast and bottle-fed infants.Early Hum Dev 1981; 5:195.
Stuart-Macadam, P., Dettwyler, K. Breastfeeding: Biocultural Perspectives. Hawthorne, New York: Aldine de Gruyter, 1995; 129-37.
 Mito 4: A lactante deve espaçar as mamadas, para que seus seios tenham tempo para encher novamente de leite.
Realidade: Cada dupla mãe/bebê são únicos. O corpo de uma lactante está sempre produzindo leite. Suas mamas funcionam em parte como estoque, algumas armazenando mais que outras.
Quanto mais vazia estiver a mama, mais rápido o corpo produz leite para abastecê-las. Quanto mais cheias as mamas estiverem, mais a produção fica lenta. Se uma mãe fica forçadamente esperando que as mamas encham, seu corpo pode interpretar que está produzindo demais e reduzir a produção total.
 Daly, S., Hartmann, R. Infant demand and milk supply: Part 2. J Hum Lact 1995; 11(1):21-37.
Lawrence R. Breastfeeding: A Guide for the Medical Professional, 4th ed. St. Louis: Mosby 1994; 240-41.
Mito 5: Bebês precisam de 6 a 8 mamadas por dia até 2 meses de vida, 5 a 6 com 3 meses e não mais que 4 ou 5 aos 6 meses de idade.
Realidade: Um bebê em aleitamento materno exclusivo sob livre demanda, varia sua ingesta de acordo com o suprimento de leite da mãe e sua capacidade de armazenamento, bem como de acordo com as suas necessidades de desenvolvimento.
Surtos de crescimento e doenças podem mudar temporariamente seu padrão de alimentação. Estudos mostraram que bebês em AM sob livre demanda vão estabilizar o ritmo de amamentação em um padrão que se enquadra na sua necessidade.
Além disso, a ingesta calórica de uma bebê em AM aumenta no final da mamada. Dessa forma, colocar limites na frequência e no tempo pode levar à menor ingesta calórica do que a sua necessidade.
Daly, S., Hartmann, R. Infant demand and milk supply: Part 1. J Hum Lact 1995; 11(1):21-6.
Klaus, M. The frequency of suckling. Ob Gyn Clin North Am 1987; 14(3):623-33.
Lawrence R. Breastfeeding: A Guide for the Medical Professional, 4th ed. St. Louis: Mosby 1994; 253.
Millard, A. The place of the clock in pediatric advice: rationales, cultural themes and impediments to breastfeeding. Soc Sci Med 1990; 31:211.
Woolridge, M. “Baby-controlled breastfeeding: biocultural implications” in Stuart-Macadam, P., Dettwyler, K.Breastfeeding: Biocultural Perspectives. Hawthorne, New York: Aldine de Gruyter, 1995; 217-42.
Mito 6: É a quantidade de leite que o bebê ingere (quantitativo), e não o tipo, leite humano ou fórmula (qualitativo), que determina o intervalo das mamadas
Realidade: Bebês em aleitamento materno exclusivo tem esvaziamento gástrico mais rápido do que bebês em uso de leite artificial (1,5 horas versus 4 horas), devido ao menor tamanho das moléculas de proteína no leite materno.
Enquanto a quantidade ingerida é um fator que pode determinar a frequência de alimentações, o tipo de leite também é muito importante.
Estudos antropológicos com leite de mamíferos confirmam que bebês humanos tendem à amamentar frequentemente e sempre o fizeram ao longo de toda nossa evolução.
 Lawrence R. Breastfeeding: A Guide for the Medical Professional, 4th ed. St. Louis: Mosby 1994; 254.
Marmet, C., Shell, E. Breastfeeding Is Important. Encino, California: Lactation Institute, 1991:4.
Stuart-Macadam, P., Dettwyler, K. Breastfeeding: Biocultural Perspectives. Hawthorne, New York: Aldine de Gruyter, 1995; 129.
Mito 7: Nunca acorde um bebê para mamar.
Realidade: Enquanto a maioria dos bebês consegue indicar quando necessitam se alimentar, os recém-nascidos podem não acordar sozinhos com facilidade e devem ser acordados, se necessário, para comer pelo menos 8 vezes ao dia.
Isso pode acontecer por medicamentos que a mãe tomou no parto, medicações que a mãe esteja tomando, icterícia, traumatismos, chupetas e comportamento de recusa após pouca resposta à sinais de fome.
Além disso, mães que querem ter a vantagem da contracepção natural proporcionada pelo Aleitamento Materno Exclusivo, percebem que há um atraso no retorno do ciclo menstrual quando o bebê continua mamando no período noturno.
American Academy of Pediatrics Policy Statement on Breastfeeding and the use of Human Milk. Pediatrics1997; 100(6):1035-39.
Klaus, M. The frequency of suckling: neglected but essential ingredient of breast-feeding. Ob Gyn Clin North Am 1987; 14(3):623-33.
Mohrbacher, N., Stock, J. BREASTFEEDING ANSWER BOOK. Schaumburg, Illinois: LLLI, 1997; 60-65, 360-61.
Tips for Rousing a Sleepy Newborn. LLLI, 1997. Publication No.485.
Mito 8: O metabolismo de um bebê é desorganizado ao nascimento e requer a implantação de uma rotina alimentar para estabilizar essa desorganização.
 Realidade: Rotina só vale para o ritual do sono noturno e não para a amamentação. Ao longo do tempo o bebê vai se adaptando ao ritmo familiar e adquirindo um padrão de horário e frequência, espaçando a alimentação.
Mas isso ocorre aos poucos, a rotina do sono envolve o período noturno, mas sempre que o bebê acordar dando sinais de fome, deve ser alimentado.
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Sears, W. The Fussy Baby. LLLI 1985;12-13.
Mito 9: : Lactantes sempre devem oferecer os dois seios na mamada
Realidade: É mais importante deixar o bebê terminar o primeiro seio, mesmo que signifique não mamar no outro seio na mesma mamada.
O leite posterior é obtido gradualmente enquanto o seio é drenado. Alguns bebês, se mudados prematuramente de seio, podem se fartar no leite anterior dos dois seios, que é menos calórico.
Nesta situação pode não obter quantidades equilibradas de leite anterior e posterior, resultando em um bebê irritado e pouco ganho de peso.
Nas primeiras semanas, muitas mães oferecem ambos os seios na mamada, mas nesse caso pode ser um facilitador para aumentar a produção.
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Mito 10: Se um bebê não está ganhando peso, pode ser devido à baixa qualidade do leite materno. O mito do leite fraco.
Realidade: Estudos mostraram que mesmo mulheres desnutridas são capazes de produzir leite materno em quantidade e qualidade suficientes para suprir o crescimento do bebê.
Na maioria dos casos, o ganho de peso está relacionado à baixa ingesta de leite ou por um problema de saúde do bebê.
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Mito 11: A baixa produção de leite é comumente causada por estresse, cansaço e/ou pouco líquido ou alimento na dieta materna 
Realidade: A causa mais comum de problemas no suprimento de leite materno são as mamadas infrequentes ou pega ou posição do bebê inadequada.
Ambas são normalmente devido à orientações inadequadas à lactante. Problemas de sucção no bebê também podem impactar na produção do leite materno.
Estresse, cansaço e má nutrição são causas raras de falha no suprimento de LM porque o corpo tem mecanismos de sobrevivência extremamente desenvolvidos para proteger a amamentação durante períodos de suprimento insuficiente de alimentos para a mãe.
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Mito 12: A mãe deve tomar leite para produzir leite
Realidade: Uma dieta saudável, com hortaliças, frutas, gorduras boas, proteínas de qualidade e carboidratos de baixo índice glicêmico é tudo o que uma mãe necessita para ter os nutrientes adequados para a produção de LM.
Cálcio pode ser obtido por outras fontes que não dos leites/laticínios, como folhosos verdes escuros, peixes como a sardinha e nozes/sementes. Nenhum outro mamífero toma leite para produzir leite.
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Mito 13: A sucção não nutritiva não tem base científica.
Realidade: Lactantes experientes aprendem que os padrões de sucção e necessidades dos bebês variam. Enquanto alguns lactentes tem suas necessidades alcançadas durante a mamada, outros bebês necessitam de sucção adicional ao seio após a mamada, mesmo que não estejam mais famintos.
Bebês podem sugar ao seio quando estão sentido solidão, medo ou dor.
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Mito 14: A mama não deve ser uma chupeta para o bebê.
Realidade: Confortar e atingir as necessidades de sucção ao seio é algo forjado pela natureza. Chupetas são literalmente um substituto materno quando esta não está disponível.
Outras razões para usar o seio como chupeta inclui um melhor desenvolvimento orofacial, uma amenorréia lactacional mais prolongada, evita a confusão de bicos e estimula um suprimento adequado de leite, terminando por aumentar as taxas de sucesso da amamentação.
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Mito 15: Não existe confusão de bicos.
Realidade: A amamentação ao seio e por mamadeiras requerem diferentes habilidades motoras.
Bicos de silicone proporcionam um time de hiper-estímulo que os bebês podem introjetar ao invés do seio, que é mais suave. Como resultado, alguns bebês desenvolvem uma confusão de sucção e aplicam modos de sucção inapropriados ao seio quando estes trocam entre seio e mamadeira.
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Mito 16: Amamentação frequente pode causar depressão pós parto.
Realidade: Acredita-se que a depressão pós parto é causada pela flutuação hormonal após o nascimento e pode ser exacerbada pelo cansaço e pela falta de apoio social, pelo fato desta ocorrer mais frequentemente em mulheres que tem uma história de problemas antes da gestação.
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Mito 17: Amamentar sob livre demanda não aumenta o vinculo mãe-bebê.
Realidade: O caráter responsivo da amamentação sob livre demanda resulta na sincronização de ambos, levando à um vínculo melhorado.
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Mito 18: Mães que colocam muitos os bebês no colo, os deixam mimados.
Realidade: Bebês que são mais acalentados choram por menos tempo durante o dia e exibem mais segurança à medida que amadurecem.
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Mito 19: É importante que outros familiares alimentem o bebê, para criar vínculo.
Realidade: A alimentação não é o único método pelo qual os outros membros da família criam vínculo com o bebê. Acalentar, balançar, conversar, dar banho e brincar são muito importantes para seu crescimento, desenvolvimento e ligação com outras pessoas.
Heller, S. The Vital Touch: How Intimate Contact with Your Baby Leads to Happier, Healthier Development.New York: Henry Holt, 1997;54-55, 60-61.
Mito 20: A alimentação sob livre demanda tem um impacto negativo no relacionamento marido/mulher
Realidade: Pais maduros percebem que as necessidades do bebês são intensas, mas diminuem ao longo do tempo. Na realidade, o trabalho conjunto de criar um bebê pode servir para aproximar ainda mais o casal, à medida que estes vão se desenvolvendo.
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 Mito 21: Alguns bebês são alérgicos ao leite materno.
Realidade: O leite materno é a substância mais natural e fisiológica que o bebê pode ingerir.
Se um bebê tem sintomas relacionados à alimentação, normalmente é por uma proteína da dieta materna que passa pelo leite materno. Esse problema acaba quando se retira a proteína suspeita da dieta materna por um tempo e a amamentação pode continuar normalmente.
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Mito 22: A amamentação frequente causa obesidade na criança na infância.
Realidade: Estudos mostram que bebês que controlam seu padrão de amamentação e ingesta, tendem a tomar a quantidade adequada de leite. O leite artificial e a introdução muito precoce de sólidos e não o AME sob demanda, tem sido implicado em obesidade na infância.
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Mito 23: A amanetação deitado pode causar otites.
Realidade: Pelo fato do leite materno ser um alimento vivo e com anticorpos e imunoglobulinas, o bebê tem menor risco de desenvolver infecções no ouvido, não importando a posição em que é amamentado.
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Mito 24: O leite materno não serve mais após 1 ano de idade, porque sua qualidade diminui após os 6 meses de idade.
Realidade: A composição do leite materno muda para atingir as necessidades do bebê à medida que ele cresce. Mesmo quando um bebê está comendo outros alimentos, o leite materno é a principal fonte de nutrição no primeiro ano de vida.
No segundo ano de vida ele se torna uma suplementação para a alimentação sólida. Além disso, o amadurecimento completo do sistema imunológico demora entre 2 e 6 anos.
O leite materno continua a complementar e impulsionar o sistema imune por todo o período que durar o aleitamento materno. Na hora da doença, muitas vezes o bebê recusa tudo, menos o leite materno.
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Fonte: http://www.pediatradofuturo.com.br/parte-7-24-mitos-da-amamentacao-que-voce-pecisa-saber/