Se você já tentou emagrecer várias vezes e voltou ao mesmo ponto, você não está sozinho, há milhões de pessoas no mundo no mesmo barco que você. A grande maioria das pessoas ainda acredita que obesidade se resume a comer menos e se exercitar mais, mas essa visão está ultrapassada e é, na prática, um dos maiores obstáculos para o sucesso. Por conta dessa visão, muitos além de carregarem o peso do corpo, carregam também o peso de uma culpa. Ou seja, se culpam por possuirem uma doença.
A verdade é que o tratamento da obesidade exige uma abordagem muito mais profunda, estratégica e individualizada. Infelizmente a maioria dos profissionais são rasos e muitas vezes gordofóbicos. Ironia né? Quem deveria acolher é quem mais julga. Quem deveria se aprofundar e compreender a complexidade da condição, prefere viver na superficialidade e acreditar que tratar obesidade é apenas medicar e pedir para o paciente fazer dieta e exercício.
E aqui está o ponto mais importante: entender que o profissional tem que ter expertise na área, pode mudar completamente o seu resultado como portador da obesidade. Enquanto você continuar tratando obesidade de forma simplista e acreditando em profissionais rasos, vai continuar tendo resultados simplistas. E isso explica por que tantos pacientes entram e saem de dietas sem nunca atingir estabilidade. O problema não é você, é o modelo errado de tratamento que ainda domina o mercado.
Fico indignado todos os dias, quando recebo pacientes que passaram por profissinais das mais diversas especialidades e que se dizem especialistas em tratamento da obesidade. A superficialidade, o interesse meramente comercial que enoja.
Sempre friso para os pacientes que o conhecimento teórico não é suficiente. Para se tornar bom em obesologia, o médico precisa atender muitos pacientes. Precisa errar, ajustar, aprender e evoluir. Isso é ganhar mão. Sem isso, o profissional fica preso à teoria. E a teoria não cobre a complexidade da vida real. Cada paciente reage de forma diferente. Só a prática ensina a lidar com isso.
Por que a maioria dos tratamentos falha
A maioria dos tratamentos de emagrecimento falha porque ignora a complexidade da doença. Promessas de perda rápida de peso, dietas restritivas e protocolos prontos podem até funcionar no curto prazo, mas não são sustentáveis.
O corpo humano possui mecanismos sofisticados de defesa que entram em ação quando há restrição calórica intensa. Isso inclui aumento da fome, redução do metabolismo e maior eficiência em armazenar gordura. Ou seja, o próprio organismo passa a lutar contra você. E quando isso não é explicado, o paciente se culpa. Muitas vezes o próprio médico reforça essa culpa no paciente.
Esse ciclo de tentativa e erro gera frustração, baixa autoestima e abandono do tratamento. O que deveria ser um processo estruturado vira uma sequência de fracassos. E o mais grave: isso poderia ser evitado com uma abordagem correta desde o início, melhor acolhimento, mais escuta, mais transparência de ambas as partes, menos pressa, mais respeito.
Atenção: nem todo “especialista em obesidade” é especialista de verdade
Hoje existe um fenômeno perigoso: muitos profissionais se autodenominam especialistas em obesidade sem ter formação adequada ou experiência prática suficiente. Isso acontece porque o tema está em alta e atrai pacientes, ou seja, obesidade gera lucro. É muito raro uma semana que não fico sabendo de algum conhecido que "do nada" resolveu tratar obesidade. Puramente por interesse financeiro, visto que a gordofobia médica é bem documentada na literatura. Há duas décadas o tratamento da obesidade era praticamente restrito aos endocrinologistas, nutrólogos, cirurgiões bariátricos e nutricionistas. Mas nos últimos 5 anos começaremos a vivenciar um boom de "novos especialistas".
Tratar obesidade de verdade exige muito mais do que conhecimento teórico, exige vivência clínica, acolhimento, escuta, ajuste de condutas, conhecimento de estratégias da terapia cognitiva comportamental e contato com diferentes perfis de pacientes. É o que na prática chamamos de “ganhar mão”.
Sem isso, o profissional não consegue lidar com as inúmeras nuances da doença. Ele pode até saber o que fazer no papel, saber prescrever medicamento, mas não sabe como adaptar na vida real. E é exatamente aí que os tratamentos falham. O paciente precisa entender que está escolhendo alguém para cuidar de uma doença crônica, não para seguir uma dieta temporária. Essa escolha precisa ser criteriosa.
Se não teve acolhimento, escuta, empatia: pula fora, esse profissional não é pra você. Se já na primeira consulta o médico ficou mais interessado em te vender protocolos do que te entender, foge, é cilado Bino!
E minha vida, ultimamente tem se resumido a ouvir ciladas. É revoltante o que tenho escutado no meu consultório. Sucessão de atrocidades e falta de humanitarismo.
Entender a obesidade muda tudo
Quando você começa a entender a obesidade como uma doença neuroendócrina, tudo muda. A ideia de culpa dá lugar ao entendimento. Existe uma orquestra de hormônios como leptina, grelina, insulina e outras substâncias que regulam sua fome, sua saciedade e seu comportamento alimentar.
Quando esse sistema está desregulado, você sente mais fome, pensa mais em comida e tem mais dificuldade de parar de comer, e isso nso não é fraqueza, é puramente biologia. E quando o paciente ignora isso, acaba sendo tratado de forma superficial. O tratamento eficaz começa quando você entende o que está acontecendo dentro do seu corpo e aí o médico tem papel fundamento através da Literacia em obesidade. Sem esse entendimento, qualquer estratégia vira tentativa e erro. E tentativa e erro não é tratamento.
Tenho uma coletânea de 20 vídeos que elaborei para os meus pacientes do ambulatório de Nutrologia no SUS, um dos únicos ambulatórios do centro-oeste que recebe grandes obesos. Acesse o link para assistir: https://www.youtube.com/watch?v=j0qUQ49ozqo&list=PLoay4x5E-hZS4lPDJFfiaYNIAput86DWJ
O que um tratamento eficaz precisa ter
Um tratamento de obesidade que realmente funciona precisa integrar vários pilares. Empatia, acolhimento, nutrição, análise do comportamento, exercício físico, farmacoterapia e acompanhamento contínuo. Quando um desses elementos falta, o resultado fica comprometido.
Não existe solução única e muito menos fórmula mágica. Existe estratégia. E estratégia exige individualização. O profissional precisa entender o seu contexto, sua rotina, seus hábitos e suas dificuldades. Sem isso, ele está apenas aplicando um protocolo genérico. E protocolos genéricos não funcionam para doenças complexas. Cada vez que alguém diz trabalhar com emagrecimento definitivo, um adipócito se multiplica rs.
Dieta não é o centro do tratamento
Ao longo de 16 anos tratando pessoas com obesidade, percebi que um dos maiores erros é colocar a dieta como protagonista. A alimentação é importante, mas não resolve tudo. Sem detecção de comorbidades e gatilhos, sem abordagem comportamental e sem estratégia de longo prazo, a dieta falha. Cada falha vem acompanhada de perda de tempo e de dinheiro. Também entram no combo culpa (muitas vezes fomentada por médicos e nutricionistas).
A nutrição precisa ser personalizada, sustentável e integrada ao restante da estratégia. Caso contrário, vira mais uma tentativa frustrada. Alguém vai lucrar e alguém vai chorar, o ciclo se perpetuará.
Farmacoterapia: quando usar e por quê
Hoje sabemos que muitos pacientes se beneficiam do uso de medicamentos. Substâncias como semaglutida e tirzepatida atuam diretamente nos mecanismos de fome e saciedade. Vocês sabem que sou um entusiasta dessas medicações, até escrevi um e-book sobre delas, acredito que o surgimento delas foi uma revolução no tratamento da obesidade.
Elas ajudam o paciente a ter mais controle sobre a alimentação, muitas entregam mais de 15% de perda de peso, algo inimaginável ha 15 anos (exceto cirurgia bariátrica ou com doses altas dos famigerados noradrenérgicos). Mas atenção: é importante frisar, que elas subsistuem estilo de vida ruim, inclusive nem agem bem em organismos desajustados, ou seja, as próprias bulas das medicações colocam como base: dieta, atividade física e hábitos salutares de vida. O remédio é uma excelente é ferramenta, não solução isolada. O bom profissional sabe quando usar, como usar e quando ajustar. Quando parar de usar. Como manejar colaterais.
E foi graças as medicações que surgiram os "especialistas em obesidade" com 6 meses de formado. Como as drogas entregam uma boa perda de peso, ficou "fácil" tratar obesidade. Surgiu então o maior nicho da medicina moderna. Não importa se o "especialista" gosta ou não de tratar obesos, ele gosta de ganhar dinheiro. Tem demanda!
O erro dos extremos
Existe um erro comum: ou o profissional é totalmente contra medicamentos, ou depende exclusivamente deles. Nenhum desses extremos funciona. O tratamento eficaz está no equilíbrio. Usar todas as ferramentas disponíveis de forma estratégica é o que gera resultado. Ignorar ferramentas limita o tratamento. Usar sem critério também. O segredo está na individualização. Há pacientes que não serão respondedores a maioria das medicações. Como conduzir isso? Cirurgia bariatrica? E se ele tiver contraindicação? Há pacientes que não respondem, por pura ignorância do médico em achar que todos responderão às medicações mais atuais como tirzepatida. Há pacientes que profissionais escalonam dose rapidamente, por não fazer ajustes básicos da alimentação, analisar o contexto de vida da pessoa no momento.
Comportamento: o verdadeiro gargalo
Muitos pacientes sabem o que fazer, mas não conseguem fazer. Isso acontece porque o comportamento alimentar não está sendo tratado, sequer compreendido. Médico que se diz especialista em obesidade e não estuda terapia cognitivo comportamental é cru, não sabe o que está fazendo. Age como autoridade, reforça culpa no paciente. Ansiedade generalizada, estresse e sono ruim influenciam diretamente o peso. Ignorar isso é um erro grave. O tratamento precisa abordar esses fatores e isso é básico, é o mínimo. Caso contrário, o paciente sempre volta ao ponto inicial.
Exercício físico com estratégia
Exercício não é só gastar calorias. Ele ajuda a preservar massa muscular, melhora o metabolismo e contribui para a manutenção do peso. Treino de força é essencial. Sem ele, o paciente perde músculo e fica metabolicamente mais lento. Isso facilita o reganho de peso. A atividade física precisa ser adaptada à realidade do paciente. Caso contrário, não há adesão.
Profissional bom vs profissional mediano
Um bom profissional investiga, adapta e acompanha. Um profissional mediano aplica protocolo. Essa diferença define o resultado. O paciente precisa aprender a identificar isso. Caso contrário, corre o risco de entrar em mais um ciclo de frustração.
Se você quer resultado real, procure um médico com boa formação em Nutrologia ou Endocrinologia, que tenha experiência prática em obesidade. Essas são as duas especialidades clínicas que mais estudam obesidade. Pergunte, questione, entenda a abordagem. Veja se ele fala de longo prazo, se considera comportamento e se tem plano B. Isso faz toda a diferença.
Não estou falando que outras especialidades não podem tratar ou não saibam tratar, Basta estudar. Mas isso demanda tempo, muito tempo, prática constante, aprofundamento no tema e acima de tudo, capacidade inata em acolher. O paciente obeso ele é diferenciado e precisa de mais acolhimento, muitas vezes até mesmo de paternalismo, rédeas, negociação e principalmente colocado no seu papel de paciente ativo e responsável. Isso demanda paciência e escuta.
Sua saúde exige critério
A obesidade tem tratamento, mas não com atalhos. E é aqui que muito paciente erra: aceita qualquer abordagem, qualquer promessa rápida, qualquer protocolo pronto, como se todos os corpos funcionassem igual. Não funcionam.
Se você quer resultado de verdade, precisa mudar o nível de exigência. Escolher um profissional não é só marcar consulta, é decidir quem vai conduzir uma parte importante da sua saúde pelos próximos meses (ou anos).
Então a dica que dou: Questione, observe, entenda como ele pensa. Desconfie de soluções simples demais, de respostas prontas, de quem promete muito em pouco tempo, de quem tenta te vender soros milagrosos, indicar farmácia específica. Isso quase sempre cobra um preço depois.
O que você deve buscar é um médico que primeiramente sabe te ouvir e acolher, um profissional que raciocina, que ajusta, explica, que não te trata como mais um caso igual a todos os outros. Fuja de quem te expõem em redes sociais, paciente não é troféu.
Procure estratégia, não discurso bonito, tente encontrar um médico que trabalhe com medicina baseada em evidência, não com achismos do tipo "na minha prática funciona". E principalmente: procure um profissional que olhe para você como um indivíduo, com história, rotina e desafios próprios. Porque é exatamente isso que sustenta resultado não intensidade, mas consistência bem orientada ao longo do tempo.
FAQ – Perguntas Frequentes sobre Obesidade
1. Obesidade é falta de força de vontade?
Não. É uma doença complexa, com fatores hormonais, metabólicos e comportamentais.
Culpar o paciente só atrasa o tratamento e piora a adesão. Sugiro que leia meu texto: https://www.nutrologogoiania.com.br/doencas-e-a-nutrologia/obesidade/
2. Dieta resolve obesidade?
Sozinha, não. Pode ajudar, mas não sustenta resultado a longo prazo. Precisa estar integrada com comportamento e estratégia médica.
3. Por que emagreço e engordo de novo?
Porque o corpo ativa mecanismos de defesa para recuperar o peso. Sem estratégia, o reganho é esperado, não exceção.
4. Remédio para emagrecer funciona?
Funciona quando bem indicado e acompanhado. Mas não substitui mudança de hábitos e acompanhamento. Sugiro que baixe e leia meu e-book: https://www.ecologiamedica.net/2026/03/e-book-analogos-de-glp-1-dr-frederico.html
5. Todo mundo precisa de remédio?
Não. Depende do caso, histórico e resposta ao tratamento. A decisão deve ser individualizada.
6. Exercício é obrigatório?
Sim, mas não só para emagrecer. Ele ajuda pouco no processo de emagrecimento, mas ajuda a evitar perda de massa muscular, a evitar reganho de peso, além de outros benefícios. Tenho um podcast sobre isso: https://www.youtube.com/watch?v=R_oeyBDzp8U
7. O que é transtorno de compulsão alimentar?
É um transtorno psiquiátrico, que engloba sensação de perda de controle sobre a comida, geralmente ligada a emoções, com posterior culpa. O diagnóstico do transtorno de compulsão alimentar (TCA) não é “no olho” nem baseado só no relato de “como muito às vezes”. Ele segue critérios clínicos bem definidos, principalmente do manual DSM-5 e exige avaliação cuidadosa. Precisa de abordagem específica, não só dieta. Muitas vezes usamos medicação. Leia meu texto sobre o tema. Tenho um texto sobre o tema: https://www.ecologiamedica.net/2026/04/compulsao-alimentar-como-identificar.html
8. Dormir mal engorda?
Sim. Altera hormônios da fome e aumenta o apetite. Sono é parte essencial do tratamento.
9. Existe melhor dieta?
Não existe uma única melhor. A melhor é a que você consegue manter.
10. Cirurgia bariátrica é último recurso?
Não necessariamente. É uma ferramenta válida em casos bem indicados.
11. Quanto tempo dura o tratamento?
É contínuo. Obesidade é doença crônica. Não existe prazo curto definitivo.
12. Posso tratar sozinho?
Dificilmente com sucesso duradouro. A orientação profissional faz diferença.
13. Como saber se o profissional é bom?
Ele tem boa formação, geralmente é especialista (tem RQE), tem escuta ativa, empático, bom acolhimento, sabe investigar, adapta o tratamento para a sua individualidade e acompanha. Não usa protocolo pronto nem promete milagre. Acima de tudo, tem ética.
14. Nutrólogo ou endocrinologista: qual escolher?
Ambos podem tratar bem, se tiverem experiência. O mais importante é a abordagem e vivência prática. Muitos optam pelo nutrólogo por conta de alguns prescreverem dieta e entenderem mais de suplementos. Mas há excelentes endocrinologistas que sabem manejar bem os quadros e trabalham em parceria com nutricionistas. Mesmo sendo nutrólogo titulado decidi fazer a faculdade de Nutrição, para a minha consulta ficar mais completa. Espero cursar psicologia no futuro para entender mais as nuances da esfera emocional.
15. O que realmente funciona no longo prazo?
Estratégia individualizada, acompanhamento e consistência. Sem isso, qualquer resultado tende a ser temporário.
Autor: Dr. Frederico Lobo - Médico Nutrólogo - CRM-GO 13192 - RQE 11915 - Gostou do texto e quer conhecer mais sobre minha pratica clínica, clique aqui.

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