Refrigerante zero ou normal: qual o menos pior?





Você abre a geladeira. De um lado, refrigerante tradicional. Do outro, refrigerante zero.
A dúvida surge na hora: “zero é realmente melhor ou é só marketing?”
Essa pergunta é comum aqui no consultório. Afinal, se algo é “zero açúcar”, mas cheio de adoçantes artificiais, isso ajuda ou atrapalha a saúde?

Vamos aos fatos, não às opiniões.

Do ponto de vista científico, a resposta começa com um princípio simples: comparação importa.
A pergunta correta não é se refrigerante zero é saudável.
A pergunta correta é: ele é melhor do que o refrigerante adoçado com açúcar?

Quando analisamos estudos controlados e revisões sistemáticas, o padrão que emerge é consistente:

  • Trocar refrigerante com açúcar por refrigerante zero tende a gerar pequenos benefícios metabólicos, especialmente quando a troca é real e sustentada.
Esses benefícios incluem:
  • Redução discreta de peso ou ganho de peso evitado
  • Menor ingestão calórica diária
  • Menor carga glicêmica
  • Menor impacto negativo no controle metabólico
Ou seja: quando o zero substitui o açúcar, ele reduz dano.
Isso não é opinião, é o que aparece repetidamente na literatura científica. Longe de mim estimular consumo de qualquer tipo de referigerante. Também longe de mim demonizá-lo. Tudo é questão de quantidade, frequência e contexto do consumo. Ninguém morre porque tomou 1 lata de refrigerante zero 1 dia no final de semana. 

Então por que tanta confusão?

Porque nem todos os estudos avaliam a mesma coisa. Estudos observacionais (que acompanham pessoas ao longo dos anos) às vezes mostram associação entre refrigerante zero e pior saúde metabólica.
Mas isso não prova causa.

Na prática, o que acontece com frequência é:
  • Pessoas com sobrepeso, obesidade ou diabetes migram para o zero
  • O refrigerante zero vira um marcador de risco, não a causa do problema

Esse fenômeno se chama causalidade reversa. Quando a gente analisa os ensaios clínicos, onde há troca controlada: Por exemplo, trocar açúcar por bebidas sem calorias é melhor do que manter o açúcar.

Isso explica também a posição recente da Organização Mundial da Saúde em 2023:
A OMS não recomenda adoçantes como estratégia principal de emagrecimento a longo prazo. Mas isso não significa que eles sejam proibidos. Significa apenas que não devem ser tratados como solução, e sim como ferramenta transitória

Outro ponto importante:
  • Refrigerante com açúcar piora risco metabólico e aumenta ingestão calórica
  • Refrigerante zero não gera pico glicêmico
  • Porém, por ser ácido, pode contribuir para erosão do esmalte dentário se consumido em excesso, pode piorar gastrite, refluxo, doenças intestinais. Quando ricos em cafeína piorar sintomas psiquiátricos. 
Ou seja: menos pior não é igual a bom, mas é melhor do que o pior cenário.

Então, a resposta direta é:
✅ Sim, refrigerante zero é melhor do que o adoçado com açúcar, quando um substitui o outro.
❌ Não, refrigerante zero não é um alimento saudável nem deve ser base da rotina.

E qual a estratégia que eu como nutrólogo e acadêmico de nutrição utilizo nos meus pacientes:
  • Uso o refrigerante zero como redução de dano. Não como muleta diária
E sugiro para o paciente que caminhemos gradualmente para opções como:
  • Água
  • Água com gás
  • Água com limão
  • Água gaseificada com limão ou outras frutas cítricas
  • Água aromatizada
  • Chás sem açúcar
  • Chá com adoçante
  • Suchá: suco com chá: ex. abacaxi com camomila. Adoçados com adoçante.
  • Bebidas menos doces no geral
Sempre friso com os pacientes que na saúde real, o objetivo não é perfeição. É tomar decisões que façam sentido no longo prazo. Se você consome refrigerante com frequência, migrar para o zero já é um passo melhor. O próximo passo é reduzir a dependência do sabor hiperdoce e isso nenhuma embalagem resolve por você.

Dá para treinar o paladar? Sim. Falo isso por experiência própria, quando comecei a tomar café sem açúcar. Jamais imaginei que conseguiria. Consegui? Não rs, mas hoje é quase sem nada de estévia. 1 gota no máximo. Reduzir a minha avidez por doce? Sim ! Objetivo quase alcançado! Bora ver se em 2026 consigo tomar o café 100% sem açucar. 

E o refrigerante? Eu nunca gostei.






Autor: Dr. Frederico Lobo - Médico Nutrólogo - CRM-GO 13192 - RQE 11915 - Gostou do texto e quer conhecer mais sobre minha pratica clínica, clique aqui. 

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Sou o Dr. Frederico Lobo, médico nutrólogo titulado pela ABRAN, e desde 2006 produzo conteúdo sobre nutrologia, alimentação, metabolismo, prevenção de doenças e medicina do estilo de vida. Acompanhe meus materiais nas outras plataformas:

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