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Quando ouvimos a palavra “orgânico”, geralmente pensamos em frutas, verduras e alimentos cultivados sem determinados agrotóxicos. Entretanto, na Química e na Nutrição, essa palavra tem um significado completamente diferente. Você sabia, por exemplo, que todas as vitaminas são consideradas substâncias orgânicas, enquanto os minerais são classificados como inorgânicos?
Essa distinção não tem relação com um alimento ser natural, industrializado, saudável ou prejudicial à saúde. Na verdade, ela depende da natureza química das substâncias que compõem os alimentos.
Entender essa diferença ajuda a compreender melhor o papel dos nutrientes no organismo e a desfazer alguns equívocos bastante comuns sobre alimentação.
Para compreender o que é uma substância orgânica, precisamos começar pelo carbono, um elemento químico fundamental para a vida.
Os compostos orgânicos são substâncias cuja estrutura molecular é baseada principalmente em átomos de carbono, frequentemente combinados com hidrogênio, oxigênio, nitrogênio e outros elementos. O carbono possui uma característica interessante: consegue estabelecer diferentes ligações químicas, formando cadeias, anéis e estruturas bastante complexas. Isso permite a existência de uma enorme variedade de moléculas, desde a glicose presente nas frutas até as proteínas que constituem nossos músculos.
Portanto, quando a Química classifica uma substância como orgânica, está descrevendo principalmente sua estrutura molecular, e não sua origem ou qualidade nutricional.
Os compostos inorgânicos, por sua vez, abrangem substâncias que não pertencem às classes químicas dos compostos orgânicos. A água que bebemos, o sal de cozinha e diversos compostos minerais são exemplos bastante conhecidos. Uma curiosidade é que algumas substâncias inorgânicas também contêm carbono, como o dióxido de carbono e os bicarbonatos. Isso demonstra que a simples presença desse elemento não é suficiente para classificar qualquer substância como orgânica.
Na alimentação, os minerais constituem uma categoria especialmente importante de nutrientes inorgânicos. Ferro, cálcio, magnésio, zinco, potássio e sódio são elementos químicos que participam de inúmeras funções fisiológicas, mesmo não apresentando a estrutura molecular característica das vitaminas, proteínas ou carboidratos.
Mas por que as vitaminas são classificadas como orgânicas? A resposta está na estrutura química de cada uma delas. A vitamina C, por exemplo, também chamada de ácido ascórbico, possui uma molécula formada por seis átomos de carbono, oito de hidrogênio e seis de oxigênio.
Já a vitamina B12 apresenta uma estrutura muito mais complexa, formada por diversos átomos, incluindo carbono, hidrogênio, nitrogênio e até cobalto. Apesar dessas diferenças, todas as vitaminas possuem estruturas moleculares orgânicas.
Elas são necessárias em pequenas quantidades para o funcionamento adequado do organismo, participando de processos relacionados ao metabolismo, à manutenção dos tecidos, à formação de células e a diversas outras atividades essenciais à vida.
Os minerais são diferentes porque representam elementos químicos, e não uma família de moléculas orgânicas. O cálcio, por exemplo, é um elemento que pode estar presente nos alimentos e no organismo sob diferentes formas químicas. Nos ossos e dentes, ele participa da formação de cristais minerais que conferem resistência às estruturas.
O ferro, por sua vez, integra a hemoglobina, proteína presente nas hemácias responsável pelo transporte de oxigênio. Embora possa estar associado a moléculas orgânicas, como acontece no grupo heme, o ferro continua sendo um elemento mineral. O mesmo raciocínio vale para o zinco, o magnésio e outros minerais essenciais. Sua classificação como inorgânicos está relacionada à natureza desses elementos, e não à importância que possuem para a saúde.
Outra diferença interessante entre vitaminas e minerais está na maneira como se comportam durante o armazenamento e o preparo dos alimentos. Algumas vitaminas podem sofrer degradação quando expostas ao calor, à luz, ao oxigênio ou a determinadas condições de processamento. A vitamina C, por exemplo, é particularmente sensível a algumas dessas condições, e seu conteúdo pode diminuir durante o cozimento prolongado ou o armazenamento inadequado.
Os minerais, entretanto, não são destruídos pelo aquecimento utilizado normalmente na cozinha, pois os elementos químicos continuam existindo. Isso não significa que sua quantidade no alimento permaneça necessariamente a mesma. Parte do potássio, do magnésio e de outros minerais pode passar para a água do cozimento, que frequentemente é descartada.
É importante esclarecer também que um nutriente orgânico não é necessariamente mais saudável do que um inorgânico. Essa confusão ocorre porque a palavra “orgânico” costuma ser associada a características positivas na publicidade e nas conversas sobre alimentação. Entretanto, do ponto de vista nutricional, tanto as vitaminas quanto os minerais são indispensáveis para o funcionamento do organismo.
A deficiência de vitamina C pode provocar escorbuto, enquanto a deficiência de ferro pode causar anemia ferropriva. Da mesma forma, a ingestão insuficiente de vitamina D pode comprometer a saúde óssea, assim como uma ingestão inadequada de cálcio pode prejudicar a manutenção dos ossos. Portanto, não existe uma superioridade nutricional dos compostos orgânicos sobre os inorgânicos apenas em razão dessa classificação.
Outra dúvida frequente envolve as vitaminas produzidas pela indústria farmacêutica ou utilizadas na fortificação de alimentos. Uma vitamina C sintetizada industrialmente continua sendo uma molécula orgânica, mesmo que não tenha sido extraída diretamente de uma fruta. Quando apresenta a mesma estrutura química e a mesma forma molecular, sua origem não modifica sua identidade como substância.
Naturalmente, isso não significa que consumir um suplemento seja equivalente a comer uma laranja, pois a fruta também fornece água, fibras e diversos outros compostos. Algo semelhante acontece com os minerais presentes em suplementos, que geralmente são oferecidos na forma de sais ou outros compostos químicos. O fato de serem produzidos industrialmente não altera a natureza do elemento mineral, embora a forma química possa influenciar sua absorção.
Também precisamos diferenciar o conceito químico de composto orgânico daquele utilizado na agricultura. Um alimento certificado como orgânico é produzido conforme normas específicas de produção, que incluem critérios relacionados ao manejo agrícola e ao uso de determinados insumos. Isso não significa que ele contenha exclusivamente compostos orgânicos do ponto de vista químico.
Uma cenoura cultivada organicamente, por exemplo, possui água e minerais, assim como uma cenoura produzida pela agricultura convencional. Ambas também contêm carboidratos, vitaminas e outras substâncias orgânicas. Da mesma maneira, um alimento convencional não deixa de conter moléculas orgânicas simplesmente porque foi produzido fora de um sistema de agricultura orgânica.
São dois significados diferentes para a mesma palavra, e compreender essa distinção evita interpretações equivocadas sobre a composição dos alimentos.
Em resumo, a diferença entre substâncias orgânicas e inorgânicas está relacionada à sua natureza e estrutura química, e não ao fato de serem naturais, artificiais, benéficas ou prejudiciais à saúde. As vitaminas são consideradas orgânicas porque possuem moléculas estruturadas a partir do carbono, enquanto os minerais são elementos químicos classificados como nutrientes inorgânicos.
Ambos são essenciais e desempenham funções que não podem ser substituídas simplesmente pela ingestão de outros nutrientes. Por isso, uma alimentação variada, com frutas, verduras, legumes, leguminosas, cereais e outras fontes alimentares adequadas, contribui para fornecer vitaminas e minerais em quantidades suficientes.
Mais importante do que decorar classificações é compreender que a saúde depende do equilíbrio entre diferentes nutrientes, e que nenhum deles deve ser considerado superior apenas por receber o nome de orgânico.
Resumindo: Vitaminas são compostos orgânicos porque possuem estruturas moleculares baseadas em carbono. Minerais são nutrientes inorgânicos porque são elementos químicos, como ferro, cálcio e zinco. Ambos são essenciais à saúde, e essa classificação não determina se um nutriente é mais saudável ou nutritivo.
Fonte: https://ods.od.nih.gov/

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