Meus músculos não ficam mais doloridos durante os treinos, será que é normal?


Dor muscular tardia não é sinônimo de resultado

Muita gente ainda acredita que “se não doeu, não funcionou”, mas essa ideia atrapalha mais do que ajuda. A dor muscular tardia (aquela dor que aparece horas depois do treino, chamada de DOMS) pode acontecer, mas não é um termômetro confiável de hipertrofia, emagrecimento ou evolução física. Você pode ficar vários dias dolorido e, mesmo assim, estar treinando mal, com técnica ruim, volume inadequado ou recuperação péssima. E também pode treinar muito bem, evoluir carga e condicionamento, e quase não sentir dor no dia seguinte. Resultado de verdade não é dor: é progressão, consistência e adaptação.

O mito do “no pain no gain” confunde seu cérebro e seu corpo

A frase “no pain no gain” é repetida em redes sociais como se fosse lei, mas é um mito perigoso quando aplicada ao pé da letra. Dor não é prova de treino efetivo; muitas vezes é só sinal de excesso, erro de execução, falta de aquecimento, sono ruim ou recuperação insuficiente. Quando você usa a dor como guia, você tende a oscilar: um dia exagera para “sentir”, no outro abandona porque “travou” tudo. Treino inteligente não busca sofrimento, busca estímulo adequado para gerar adaptação com segurança.

Por que às vezes dói mais quando você muda o treino

É comum sentir mais dor muscular tardia quando você troca exercícios, muda a ordem, altera o volume, aumenta a amplitude ou introduz um movimento novo. Isso acontece porque o corpo ainda não está adaptado àquele padrão de esforço, especialmente quando há mais controle na fase excêntrica (descida do movimento), que costuma gerar mais microlesões e desconforto. Essa dor tende a diminuir em poucos dias, não porque o treino ficou fraco, mas porque o corpo se ajustou. Em outras palavras: a dor diminui porque você está ficando mais eficiente, não porque “parou de funcionar”.

“Pareceu fácil” não significa que foi inútil

Muita gente entra na academia procurando aquela sensação de destruição para validar o esforço. Só que treino eficiente pode parecer “limpo”: boa técnica, respiração controlada, sensação de trabalho muscular durante a série e cansaço proporcional, sem necessariamente virar dor tardia. O que confirma que você está no caminho certo é a progressão planejada: mais carga ao longo das semanas, mais repetições com o mesmo peso, melhor controle do movimento, menor intervalo com mesma performance, ou maior resistência no cardio. Isso é evolução mensurável, e não depende de dor.

Quando parar de sentir dor NÃO é sinal para trocar tudo

Outro erro comum é achar que, quando a dor some, o corpo “acostumou” e o treino precisa ser trocado imediatamente. Na prática, a adaptação é esperada: ela mostra que o seu organismo aprendeu a lidar com o estímulo e agora você consegue repetir aquele padrão com menos estresse pós-treino. O que define a hora de mudar é estagnação prolongada nos indicadores certos (performance, técnica, cargas, medidas, condicionamento) — e não a ausência de dor. Trocar treino toda hora só para “voltar a doer” pode impedir progresso sólido.

O que realmente determina resultados: estímulo + recuperação + consistência

Se você quer hipertrofia, emagrecimento e melhora de saúde, foque no tripé que funciona: estímulo bem prescrito, recuperação adequada e consistência semanal. Estímulo significa treinar com intensidade compatível com seu nível, executar bem e progredir aos poucos. Recuperação envolve sono, proteína suficiente, hidratação, descanso e manejo do estresse. Consistência é manter o plano por semanas e meses, sem viver de recomeços. Dor muscular tardia pode aparecer no caminho, mas ela é um efeito colateral possível, não o objetivo.

Dor muscular tardia pode ter alerta: aprenda a diferenciar

Existe uma diferença importante entre desconforto muscular tardio e dor que sugere lesão. A dor tardia costuma ser difusa, melhora com aquecimento e diminui em 48–72 horas, enquanto dor de lesão tende a ser pontual, aguda, piora com certos movimentos, pode limitar a função e persistir ou aumentar com o tempo. Se você sente dor articular, dor “em fisgada”, formigamento, perda de força ou dor que não melhora, é sinal de ajustar o treino e buscar orientação profissional. Segurança também é resultado.

Treine com inteligência: pare de medir seu progresso pela dor

A mensagem é simples e libertadora: você não precisa sofrer para evoluir, mas também não deve usar o mito como desculpa para treinar fofo. O caminho do treino eficaz é progressivo, monitorado e sustentável: você aumenta a demanda aos poucos, sem se destruir, e mantém a regularidade. Se você quer resultados reais, pare de perguntar “doeu?” e comece a perguntar “eu progredi?”. Dor muscular tardia pode até aparecer, mas a régua do sucesso é performance, composição corporal, saúde e consistência — e isso, sim, muda seu corpo de verdade.

Autor: Dr. Frederico Lobo - Médico Nutrólogo - CRM-GO 13192 - RQE 11915 - Gostou do texto e quer conhecer mais sobre minha pratica clínica, clique aqui. 

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