Retatrutida reduz apneia do sono em até 57%, aponta estudo do NEJM

 

Retatrutida reduz gravidade da apneia do sono em até 57%, aponta novo estudo publicado no NEJM

Pesquisa publicada em 21 de outubro de 2026 no New England Journal of Medicine mostra que a retatrutida, medicamento ainda em investigação, pode reduzir significativamente as interrupções respiratórias durante o sono em pessoas com sobrepeso ou obesidade, inclusive naquelas com diabetes tipo 2.

O que é a apneia obstrutiva do sono e por que ela preocupa?

A apneia obstrutiva do sono (AOS), também conhecida pela sigla SAOS, é uma doença caracterizada por interrupções repetidas da respiração durante o sono. Essas pausas acontecem porque as vias aéreas superiores ficam parcial ou completamente obstruídas, dificultando a passagem do ar. 

Como consequência, a quantidade de oxigênio no sangue pode diminuir, o sono se torna fragmentado e a pessoa não consegue descansar adequadamente. Roncos intensos, engasgos durante a noite, cansaço ao despertar, dificuldade de concentração e sonolência durante o dia estão entre os sintomas mais conhecidos. Entretanto, algumas pessoas apresentam apneia importante mesmo sem perceber sintomas significativos.

O problema vai muito além de uma noite mal dormida. A apneia obstrutiva do sono está associada ao aumento do risco de hipertensão arterial, alterações metabólicas, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. A obesidade é um dos principais fatores de risco modificáveis, pois o excesso de tecido adiposo pode favorecer o estreitamento das vias respiratórias e prejudicar a mecânica da respiração durante o sono. Por isso, o tratamento da obesidade tem recebido atenção crescente como uma estratégia para reduzir a gravidade da apneia.

Retatrutida: o que é e como esse medicamento funciona?

A retatrutida é um medicamento injetável, administrado uma vez por semana, que vem sendo estudado para o tratamento da obesidade e de doenças metabólicas. Diferentemente de medicamentos que atuam em um ou dois receptores hormonais, ela apresenta uma característica especial: atua simultaneamente nos receptores de três hormônios envolvidos no metabolismo, o GLP-1, o GIP e o glucagon. Essa combinação é conhecida como triplo agonismo e tem demonstrado resultados expressivos na redução do peso corporal em pesquisas clínicas.

Sua ação envolve mecanismos relacionados ao controle do apetite, à regulação da glicose e ao metabolismo energético. Como a obesidade está fortemente relacionada à apneia obstrutiva do sono, os pesquisadores decidiram investigar se o emagrecimento proporcionado pela retatrutida poderia melhorar também a respiração durante a noite. É importante destacar que a retatrutida permanece um medicamento experimental, e os resultados apresentados não significam que esteja liberada para uso clínico rotineiro.

O que o novo estudo publicado no New England Journal of Medicine investigou?

Em 21 de outubro de 2026, o New England Journal of Medicine (NEJM) publicou o artigo científico Retatrutide Once Weekly for Treatment of Obstructive Sleep Apnea, apresentando os resultados de dois estudos clínicos de fase 3, chamados TRIUMPH-1-OSA e TRIUMPH-2-OSA. Juntos, os estudos envolveram 691 adultos com apneia obstrutiva do sono moderada a grave e índice de massa corporal (IMC) de pelo menos 27 kg/m². O objetivo era avaliar se a retatrutida conseguiria reduzir os episódios de interrupção respiratória durante o sono, comparativamente a um placebo.

Os participantes foram divididos em dois grupos de pesquisa. O estudo TRIUMPH-1-OSA incluiu 243 pessoas sem diabetes tipo 2, enquanto o TRIUMPH-2-OSA avaliou 448 pessoas com diabetes tipo 2. Em cada estudo, os participantes receberam semanalmente retatrutida nas doses-alvo de 4 mg, 9 mg ou 12 mg, ou placebo, durante 80 semanas, aproximadamente 18 meses. Todos receberam orientações individualizadas sobre alimentação saudável e atividade física. O desenho da pesquisa foi randomizado e duplo-cego, o que significa que os participantes foram distribuídos aleatoriamente entre os tratamentos e nem eles nem os pesquisadores responsáveis pelas avaliações sabiam qual substância estava sendo administrada.

Como os pesquisadores avaliaram a melhora da apneia do sono?

Para avaliar os resultados, os cientistas utilizaram principalmente o índice de apneia-hipopneia (IAH), um indicador obtido pela polissonografia, exame que registra diferentes parâmetros durante o sono. Esse índice mostra quantas vezes, em média, a respiração para ou diminui significativamente a cada hora de sono. Quanto maior o número, mais grave tende a ser a apneia. Habitualmente, considera-se apneia leve quando ocorrem de 5 a menos de 15 eventos por hora, moderada entre 15 e menos de 30, e grave quando o índice atinge 30 ou mais eventos por hora.

Os participantes apresentavam apneia importante antes de iniciar o tratamento. No TRIUMPH-1-OSA, a média inicial era de 58,6 eventos respiratórios por hora, enquanto no TRIUMPH-2-OSA era de 55,9 eventos por hora. Esses números mostram que a maioria dos participantes tinha comprometimento respiratório significativo durante a noite. Além do IAH, os pesquisadores avaliaram a redução do peso corporal, as quedas de oxigênio no sangue, aspectos relacionados à qualidade do sono e a segurança do medicamento.

Retatrutida reduziu em até 57% a frequência de apneias e hipopneias durante o sono

Um dos resultados mais relevantes foi a redução significativa do índice de apneia-hipopneia após 80 semanas. Entre os participantes sem diabetes tipo 2, a dose de 9 mg de retatrutida promoveu uma redução média estimada de 57,3% no IAH, enquanto a dose de 12 mg proporcionou redução de 53,3%. No grupo placebo, a redução percentual estimada foi de 11,1%. Em números absolutos, os participantes que utilizaram 9 mg tiveram uma diminuição média de 34,3 eventos respiratórios por hora, comparativamente a 9,9 eventos por hora no grupo placebo.

Entre as pessoas com diabetes tipo 2, os resultados também foram positivos. A dose de 9 mg reduziu o IAH em 39,5%, enquanto a dose de 12 mg alcançou redução de 40,9%. No grupo placebo, a redução foi de 13,3%. Esses resultados demonstram que a retatrutida apresentou benefícios tanto em pessoas com diabetes quanto naquelas sem a doença. Entretanto, é fundamental compreender que uma redução expressiva no número de eventos respiratórios não significa necessariamente a cura da apneia, já que parte dos pacientes pode continuar apresentando episódios durante o sono.



Resultados estimados dos estudos TRIUMPH-OSA, conforme a Tabela 2 do artigo. Percentuais representam redução em relação ao início do estudo, não a diferença ajustada em relação ao placebo.

Fonte: Grunstein et al., NEJM, 2026. Dados da Tabela 2, página 6 do estudo.

A perda de peso também foi expressiva durante o tratamento

Além da melhora da apneia, a retatrutida proporcionou uma redução importante do peso corporal. Entre as pessoas sem diabetes, a perda média estimada variou de 12,5% a 22,2%, dependendo da dose utilizada. 

Naquelas com diabetes tipo 2, a redução variou de 12,1% a 18,5%. Os participantes que receberam placebo também perderam peso, porém em menor proporção: 4,8% no estudo sem diabetes e 5,6% no estudo com diabetes. Esses resultados reforçam a importância do tratamento da obesidade para a saúde respiratória e metabólica.

Um aspecto interessante é que o medicamento não apresentou uma resposta perfeitamente proporcional à dose em todos os resultados. No grupo sem diabetes, por exemplo, a dose de 9 mg apresentou redução numérica do IAH maior do que a dose de 12 mg. Isso não significa que 9 mg seja necessariamente superior, pois o estudo não estabeleceu essa comparação direta entre as doses. A interpretação dos resultados deve considerar o conjunto das evidências, a resposta individual e a segurança do tratamento.

Menos quedas de oxigênio durante o sono: outro resultado importante

A apneia obstrutiva do sono não provoca apenas interrupções respiratórias. Ela também pode ocasionar quedas repetidas da saturação de oxigênio, situação conhecida como hipoxemia intermitente. Quando isso acontece várias vezes durante a noite, o organismo fica exposto a episódios recorrentes de falta de oxigênio, com possíveis repercussões cardiovasculares e metabólicas. Por esse motivo, os pesquisadores avaliaram também a chamada carga hipóxica, um indicador que considera a frequência, a duração e a intensidade dessas quedas de oxigênio.

Os resultados foram relevantes. Entre os participantes sem diabetes, a retatrutida na dose de 9 mg reduziu a carga hipóxica em aproximadamente 75%, enquanto no grupo com diabetes a redução foi de 62,8%. Na dose de 12 mg, os valores foram de 70,2% e 64,1%, respectivamente. Esses achados sugerem que a melhora não ficou restrita ao número de interrupções respiratórias, alcançando também a intensidade da falta de oxigênio durante o sono. Entretanto, ainda são necessários estudos específicos para determinar se essas mudanças resultam efetivamente em menos infartos, acidentes vasculares cerebrais ou mortes cardiovasculares.

A retatrutida pode fazer a apneia desaparecer?

Uma das perguntas mais importantes é se o tratamento poderia levar à remissão da apneia obstrutiva do sono. Os pesquisadores avaliaram quantos participantes alcançaram um IAH inferior a cinco eventos por hora ou passaram a apresentar apneia leve, sem sonolência diurna excessiva. No estudo com pessoas sem diabetes, aproximadamente 51,6% dos participantes que receberam retatrutida na dose de 9 mg alcançaram esse resultado, comparativamente a 12,5% daqueles que receberam placebo. Entre os participantes com diabetes, os percentuais foram de 39,5% e 12,6%, respectivamente.

Esses números são animadores, mas precisam ser interpretados corretamente. O resultado utilizado pelos pesquisadores combina duas situações diferentes: normalização do índice respiratório ou redução para apneia leve sem sonolência excessiva. Portanto, não significa que metade dos participantes tenha apresentado cura completa da doença. Além disso, a apneia é multifatorial e pode estar relacionada a características anatômicas, alterações musculares e outros fatores independentes da obesidade. Mesmo após emagrecimento significativo, algumas pessoas continuam necessitando de tratamento específico.

Quais foram os efeitos colaterais observados com a retatrutida?

Como acontece com outros medicamentos que atuam sobre os receptores de GLP-1, os efeitos adversos mais frequentes foram gastrointestinais. Diarreia, náuseas, constipação e desconforto digestivo estiveram entre as principais queixas relatadas. A maioria desses eventos apresentou intensidade leve ou moderada e ocorreu principalmente durante o período de aumento progressivo das doses. Os pesquisadores também observaram maior frequência de alterações da sensibilidade, chamadas disestesias, entre os participantes que receberam retatrutida. Por isso, os resultados de eficácia precisam ser analisados juntamente com os possíveis riscos do tratamento.

Outro achado foi o aumento transitório da frequência cardíaca, especialmente durante as primeiras etapas do acompanhamento. Foram registrados eventos adversos graves em aproximadamente 8% dos participantes tratados com retatrutida, comparativamente a 10% dos participantes que receberam placebo, em ambos os estudos. Também houve um óbito por causa gastrointestinal durante o tratamento com retatrutida no TRIUMPH-2-OSA, sem que esse registro isolado permita concluir uma relação causal definitiva com o medicamento. Embora os resultados gerais de segurança sejam encorajadores, o acompanhamento de longo prazo continua sendo fundamental.

A retatrutida poderá substituir o CPAP no tratamento da apneia do sono?

Atualmente, a pressão positiva nas vias aéreas, especialmente por meio do CPAP, permanece uma das principais estratégias para o tratamento da apneia obstrutiva do sono, sobretudo nos casos moderados e graves. O equipamento utiliza uma máscara conectada a um dispositivo que mantém as vias respiratórias abertas durante o sono. Apesar de sua eficácia, algumas pessoas apresentam dificuldades de adaptação, desconforto com a máscara ou problemas para utilizá-lo regularmente. Nesse cenário, medicamentos capazes de tratar a obesidade e reduzir a gravidade da apneia representam uma possibilidade terapêutica importante.

Entretanto, os resultados do estudo não significam que a retatrutida possa substituir automaticamente o CPAP. Embora uma parcela dos participantes tenha alcançado parâmetros respiratórios compatíveis com remissão ou doença leve, outros permaneceram com apneia significativa. Além disso, a pesquisa não avaliou diretamente se o medicamento melhora a adesão ao CPAP. A decisão de modificar ou suspender o tratamento com pressão positiva deve ser individualizada e baseada em avaliação médica, evolução clínica e, quando indicado, nova polissonografia. Nenhum paciente deve abandonar o CPAP apenas porque emagreceu ou passou a utilizar um medicamento para obesidade.

O que esse estudo representa para o futuro do tratamento da obesidade e da apneia?

A publicação desses resultados representa mais um avanço na compreensão da obesidade como uma doença crônica, complexa e capaz de comprometer diferentes sistemas do organismo. Durante muitos anos, o tratamento da apneia concentrou-se principalmente em manter as vias respiratórias abertas durante o sono. Agora, medicamentos que promovem perda ponderal expressiva podem ampliar as possibilidades de tratamento de um dos fatores que contribuem para o desenvolvimento e a manutenção da doença. Isso não elimina a importância dos equipamentos respiratórios, mas permite considerar abordagens complementares que atuem também sobre o peso corporal e a saúde metabólica.

O estudo apresenta limitações importantes. Os participantes tinham IMC de pelo menos 27 kg/m², de modo que seus resultados não podem ser automaticamente aplicados a pessoas com apneia do sono e peso normal. 

Além disso, os pesquisadores não demonstraram se a redução da carga hipóxica diminui eventos cardiovasculares no longo prazo, tampouco esclareceram completamente o que acontece com a apneia após a interrupção do medicamento. Também não foi possível estabelecer quanto do benefício respiratório decorre diretamente do emagrecimento e quanto poderia resultar de outros mecanismos. Novas pesquisas deverão esclarecer essas questões.

O que podemos concluir sobre a retatrutida e a apneia obstrutiva do sono?

Os estudos TRIUMPH-1-OSA e TRIUMPH-2-OSA demonstraram que a retatrutida promoveu reduções clinicamente importantes na gravidade da apneia obstrutiva do sono em adultos com sobrepeso ou obesidade, com ou sem diabetes tipo 2. Os benefícios incluíram diminuição dos episódios de apneia e hipopneia, redução expressiva do peso corporal e melhora da oxigenação durante o sono. Esses resultados reforçam a importância de reconhecer e tratar a obesidade em pessoas com distúrbios respiratórios do sono, sempre considerando a complexidade e as particularidades de cada paciente.

É fundamental lembrar que a retatrutida ainda está em investigação e não deve ser utilizada fora dos contextos legalmente autorizados. Os resultados representam uma possibilidade promissora, mas não uma solução definitiva ou universal para a apneia. Para quem apresenta roncos intensos, pausas respiratórias observadas por familiares, sonolência excessiva ou obesidade associada a problemas de sono, a recomendação continua sendo procurar avaliação médica. O diagnóstico adequado, o tratamento individualizado e o acompanhamento contínuo permanecem essenciais para melhorar a qualidade de vida e reduzir os riscos associados à doença.

Perguntas frequentes sobre retatrutida e apneia do sono (FAQ)

1. A retatrutida pode curar a apneia obstrutiva do sono ou apenas diminuir a quantidade de interrupções respiratórias durante a noite?

A retatrutida reduziu significativamente a gravidade da apneia, e parte dos participantes atingiu critérios de remissão ou doença leve sem sonolência excessiva. Isso não representa cura definitiva para todos os pacientes.

2. Qual foi a redução da apneia do sono observada nos pacientes que utilizaram retatrutida durante os estudos clínicos?

No estudo sem diabetes, a redução média do índice de apneia-hipopneia alcançou 57,3% com 9 mg. Entre as pessoas com diabetes tipo 2, chegou a 40,9% com 12 mg, após 80 semanas.

3. A retatrutida funciona para pessoas que possuem apneia obstrutiva do sono associada ao diabetes tipo 2 e à obesidade?

Sim. O estudo TRIUMPH-2-OSA demonstrou melhora significativa dos indicadores respiratórios em pessoas com diabetes tipo 2. Os benefícios foram observados juntamente com perda de peso importante.

4. Pessoas que utilizam CPAP podem interromper o equipamento respiratório depois de emagrecer com medicamentos como a retatrutida?

Não automaticamente. O emagrecimento pode reduzir a gravidade da apneia, mas a suspensão do CPAP depende de reavaliação médica e, quando indicada, nova polissonografia.

5. Quanto peso os participantes perderam durante o tratamento com retatrutida nos estudos publicados no New England Journal of Medicine?

A perda média estimada variou de 12,5% a 22,2% entre pessoas sem diabetes e de 12,1% a 18,5% entre aquelas com diabetes tipo 2, dependendo da dose.

6. Quais foram os efeitos colaterais mais comuns da retatrutida durante o tratamento da apneia obstrutiva do sono?

Os principais efeitos adversos foram diarreia, náuseas, constipação e desconforto digestivo. Também ocorreram alterações da sensibilidade e aumento transitório da frequência cardíaca.

7. A retatrutida é o mesmo medicamento que a tirzepatida, conhecida comercialmente como Mounjaro, ou existem diferenças entre eles?

Não. A tirzepatida atua nos receptores GIP e GLP-1, enquanto a retatrutida atua também no receptor de glucagon. Ambas são estudadas no contexto da obesidade e de suas complicações.

8. Uma pessoa magra que apresenta apneia obstrutiva do sono também pode se beneficiar do tratamento com retatrutida?

O estudo não respondeu a essa pergunta, pois incluiu apenas participantes com IMC igual ou superior a 27 kg/m². Não é possível extrapolar seus resultados para pessoas com peso normal.

9. A retatrutida já está aprovada para o tratamento da apneia obstrutiva do sono e pode ser prescrita normalmente no Brasil?

Na data da publicação do artigo, em 21 de outubro de 2026, a retatrutida permanecia em investigação clínica. Os resultados apresentados não equivalem a uma autorização de comercialização ou prescrição rotineira.

10. Perder peso pode melhorar a apneia obstrutiva do sono mesmo quando o emagrecimento acontece sem o uso de medicamentos?

Sim. A redução do peso corporal pode melhorar a gravidade da apneia em pessoas com sobrepeso ou obesidade. Entretanto, nem sempre o emagrecimento elimina a doença, sendo necessário acompanhamento individualizado.


Artigo original: GRUNSTEIN, R. R. et al. Retatrutide once weekly for treatment of obstructive sleep apnea. The New England Journal of Medicine, 21 out. 2026. DOI: 10.1056/NEJMoa2611477. Disponível em: https://doi.org/10.1056/NEJMoa2611477. 

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