Por que não atendo quem não quero?




Em 2018, minha ex-sócia Carol Morais (@carolmoraiscozinha) me deu um conselho simples: atenda apenas aquilo que você gosta e sabe fazer bem.

Na época, achei loucura, afinal, como assim recusar um paciente disposto a pagar? E aí, depois de conversar com minha advogada (Dra. Giovanna Rassi), entendi o óbvio: não existe obrigação ética de aceitar todo e qualquer atendimento em um consultório particular, especialmente quando não se trata de uma urgência, ou seja, atendimento eletivo.

Desde então, adotei uma regra muito clara: não atendo casos nos quais não tenho experiência, competência técnica ou segurança para conduzir.

Quando uma demanda não se encaixa na minha área de atuação, entro em contato por e-mail ou whatsapp, explico o motivo e, quase sempre indico um colega mais experiente na área. Isso se chama responsabilidade, não deixo a pessoa dessasistida. Não considero isso arrogância, nem desprezo e muito menos uma falta de empatia da minha parte. 

Para isso, criei um formulário de triagem no meu site, estruturado dentro das normas da LGPD e com supervisão jurídica. A pessoa que quer agendar, ela precisa preenchê-lo e em até 48h dou o feedback.

E ao longo dos anos, percebi que muitas pessoas acreditam que o simples fato de estarem pagando lhes dá o direito de exigir que qualquer médico aceite qualquer caso. 

Dinheiro não compra tudo, compra muita coisa, mas algumas coisas ou pessoas, não!

Eu jamais vou atender alguém apenas para não perder a consulta. Não aceitarei um caso apenas porque existe dinheiro envolvido. Muito menos colocarei minha reputação (construída ano após ano), minha consciência (como médico e como ser humano) e a segurança do paciente em risco, só para agradar quem acredita que pagamento gera obrigação de atendimento. 

No meu consultório particular, continuarei recusando atendimentos quando entender que um outro colega poderá conduzir melhor o caso. No SUS, a realidade é diferente, porque sou o único nutrólogo do ambulatório e preciso lidar com uma demanda mais ampla. Lá sou concursado e não poss negar atendimentos. 

Mas, no particular, minha regra permanece sendo: não é o dinheiro que decide quem eu atendo e sim a minha consciência profissional.

att

Dr. Frederico Lobo
CRM-GO 13192 - RQE 11915 - Médico Nutrólogo

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