"O senhor não tem pacientes, tem legião de fãs"




O ano mal começou e já tive uma surpresa no consultório. Ontem foi um daqueles dias que a gente sai diferente do trabalho (consultório). Não por causa de número de atendimentos, nem por causa de casos complexos e que acabem sendo cansativo, mas por causa de uma frase simples, dessas que atravessam a gente sem pedir licença.

Atendi uma paciente que faz acompanhamento comigo há 11 anos. Talvez pela ausência do nutricionista (sim, ele não fica mais comigo), ela olhou nos meus olhos e disse: “Doutor, você não tem pacientes. Você tem uma legião de fãs.” e riu !

Eu ri e depois fiquei em silêncio por alguns segundos, mas provavelmente com o rosto pegando fogo. Não por vaidade, mas porque ali cabia uma responsabilidade enorme. Afinal “fã” não é quem adora me seguir em redes sociais e compartilhar meu conteúdo. “Fã” é quem se sente visto por mim. É quem sente que não é tratado como protocolo ou troféu (já que muitos médicos expóem pacientes em redes sociais, nos famigerados antes e depois). "Fã"  é aquele paciente que percebe que o médico não está apenas diagnosticando, tratando sintomas e prescrevendo, mas caminhando junto.

De repente passou um filme rápido na minha cabeça, fiquei lembrando de dezenas de "fãs" que tive e tenho naquele consultório. 

Ao longo desses anos, entendi que o que fideliza não é a conduta perfeita, é a presença verdadeira, escuta ativa. É o paternalismo que tanto meus tios/tias médicos recriminam. É lembrar do nome do filho ou do cachorro. É perguntar como foi a semana difícil (e infernizar às 07:00 toda sexta-feira via whatsApp, fiscalizando o checklist). É celebrar pequenas vitórias que ninguém mais valoriza, fazendo reforço positivo em conquistas mínimas. É explicar quantas vezes for preciso, sem pressa de acabar a consulta. Mas com o ar paternalista e professoral.

Talvez por isso algumas pessoas viajam de outros estados para serem atendidas presencialmente.
Talvez por isso pacientes do SUS continuam voltando mesmo eu sendo um médico bravo (estou à frente do ambulatório de Nutrologia desde 2015).
Talvez por isso tantos chegam cansados de se sentirem apenas “mais um” e ficam porque, pela primeira vez, se sentiram olhados. 

Não construí isso com marketing agressivo, vendendo falsas promessas. Construí com ética, altruísmo, escuta, respeito, vínculo e temor a Deus (ou ao Karma rs) e tendo como foco: honrar a Medicina ensinada pelo meu pai, meu maior exemplo de médico. Se vocês me acham um cara legal, apaixonariam pelo Dr. Getúlio Pereira de Araújo. 

E se existe algo que realmente me emociona, é perceber que, para alguns pacientes, o meu consultório não é só um lugar de atendimento médico. É um lugar de acolhimento, talvez uma arena dos meus fãs.

Então esse post é para agradecer a confiança de vocês, meus pacientes queridos. Daqui 7 dias completo 18 anos de formado e tive muitos momentos de alegria nos meus atendimentos. 

Goiânia, 13 de Janeiro de 2026. 


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