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segunda-feira, 27 de junho de 2016

Biorresonância - da série exames estranhos


Recentemente conversando com alguns colegas e professores discutíamos o quanto alguns exames estranhos têm rodeado a medicina. A Bioressonância é um deles.

  • NÃO SOLICITO BIORESSONÂNCIA !
  • NÃO REALIZO BIORRESSONÂNCIA !
  • NÃO CONCORDO COM BIORRESSONÂNCIA !

Imagine que vegetais, minerais, animais emitam uma onda eletromagnética. Segundo o fabricante do teste, todas as ondas eletromagnéticas emitidas pelos seres vivos ou por materiais da natureza vivos, ou também mortos, podem ser mensuradas e é isso que o aparelho busca fazer. É na realidade um TESTE DE RESSONÂNCIA entre o paciente e a substância ou informação a ser obtida pelo Reflexo autonômico VEJA.

No exame o examinador liga o aparelho a um eletrodo e posiciona o eletrodo em alguns pontos das mãos do paciente (início do meridiano segundo a Medicina chinesa). No aparelho há uma colméia (um recipiente que contem fragmentos de centenas de substâncias, desde metais tóxicos a fragmentos de órgãos, parasitas).

Inicia-se o teste e busca-se a ressonância entre o paciente e a substância testada.

Para vocês entenderem: vamos testar se a pessoa tem deficiência de zinco. Se tiver ressonância a deficiência se comprova (sim, sem dosar no sangue, urina ou cabelo, apenas com o exame. algo inadmissível no mundo científico).

Testa-se todos os minerais, vitaminas, algumas verminoses (os fabricantes e praticantes divulgam que descobre-se até se você tem Giárdia via esse exame, piada).

O examinador também consegue descobrir qual o melhor tipo de tratamento pra vc. Acupuntura? Fitoterapia ? Também consegue falar se algum órgão seu está com deficiência. Acredita que até nível de colesterol, cortisol, glicemia possam ser estimados apenas com essa testagem.

Preço: de 300 a 500 reais. Muitos médicos embutem o exame no valor da consulta e com isso o paciente não tem a opção de não realizar o exame.

Tem validação científica?  NÃO. Perante o Conselho Federal de Medicina NÃO HÁ NENHUM TIPO DE RESPALDO (comprovação científica) CIENTÍFICO.

Quem estiver na dúvida consulte o Conselho Regional de Medicina do seu estado. Tal exame é um velho conhecido dos conselheiros dos CRMs de todo o país e eles falarão a mesma coisa que estou falando.

Inúmeros ortomoleculares criticam quem o utiliza e até fazem chacota das condutas tomadas baseadas nesse exame.

O médico ou nutricionista pode realizar ? Pode, assim como qualquer profissional (sem formação na área da saúde) que saiba manejar o aparelho. Qualquer profissional da saúde com o mínimo de discernimento, entrar na Pubmed e fizer uma busca sobre o método, encontrará dezenas de estudos repletos de falhas metodológicas grosseiras.

Minha experiência com o exame.

Quando algum paciente chega ao meu consultório com resultado desse exame (alegando que tirou ovo, glúten, leite, determinadas frutas pq o exame acusou), explico que não acredito no exame e não tomo conduta baseada nos resultados do exame.

Razão: as centenas de incongruências que já vi nos resultados ao longo de 14 anos estudando o tema.

Para exemplificar:

Pacientes que tinham altíssima quantidade de determinado metal tóxico e o exame evidenciou outro ou nenhum. Ex. paciente tinha alto nível de chumbo e a bioressonância falou que tinha era alumínio.
Pacientes que suspenderam da dieta alimentos de suma importância, pois o exame detectou isso, gerando carência nutricional. Ex. o exame falou que o paciente não podia usar leite, glúten, açúcar, batata, banana. Na prática após teste de provocação oral o paciente não apresentou sintomas mesmo sendo monitorado com dieta hipoalergênica por 5 dias subsequentes.
Paciente que alegaram que o exame mostrou altos níveis de cortisol ou baixos níveis de testosterona. Quando solicitei os exames de sangue nada disso se confirmou.

Por essas e outras não confio no método, não solicito BIORRESSONÂNCIA e discordo totalmente de médicos que tomam conduta médica baseada nesse exame.

Pode ser que eu esteja errado e no futuro o exame receba validação científica? Sim. Mas até o momento, trabalho com evidências científicas robustas.

Autor: Dr. Frederico Lobo (CRM-GO 13192) - Médico