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quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Alimentação e prevenção de Alzheimer

Enquanto algumas pessoas herdam genes que aumentam a probabilidade de desenvolver algum tipo de demência, muitas têm a oportunidade de reduzir substancialmente seus riscos adotando um estilo de vida saudável, sugere a Organização Mundial de Saúde (OMS), em relatório divulgado neste ano. E, tão importante quanto manter corpo e mente ativos, a alimentação tem papel fundamental na prevenção do Alzheimer.

Em todo o mundo, cerca de 50 milhões de pessoas têm demência e, com um novo caso surgindo a cada três segundos, esse número, com o envelhecimento da população, tende a triplicar até 2050. O Alzheimer, tipo mais comum, representa entre 60% e 70% dos casos. Causa e cura ainda são desconhecidas, e os principais avanços científicos são no sentido de mapear comportamentos e intervenções para retardar ou prevenir o declínio cognitivo.

Se, por um lado, a idade é o fator de risco mais forte, por outro, a demência não é uma consequência natural ou inevitável do envelhecimento. Na verdade, estudos recentes demonstraram, segundo a OMS, uma relação entre o comprometimento cognitivo e hábitos como inatividade física, uso de álcool e tabaco e dietas não saudáveis, assim como certas condições médicas, como colesterol alto, diabetes, hipertensão e obesidade.

“Hoje sabemos que o estilo de vida pode proteger ou aumentar o risco de ter demências e que em torno de um terço dos casos podem ser preveníveis”, afirma Celene Queiroz Pinheiro de Oliveira, geriatra e diretora da Associação Brasileira de Alzheimer - Regional São Paulo (ABRAz-SP). “Nesse quesito, a nutrição tem um papel central”, ressalta.

Nelson Iucif Junior, diretor do Departamento de Geriatria da Associação Brasileira de Nutrologia, não só corrobora com a importância da boa alimentação como mostrará evidências científicas que sugerem uma forte relação entre flora intestinal e saúde do cérebro na palestra "Microbiota e Doença de Alzheimer", no 23º Congresso Brasileiro de Nutrologia, de 26 a 28 de setembro, em São Paulo.

Ele explica que, conforme envelhecemos, naturalmente aumenta o grau de inflamação (“inflammaging”) orgânica, que é agravado com doenças como aterosclerose (formação de placas de gordura na parede das artérias do coração), disbiose (intestino preso) e isquemia (diminuição ou suspensão da irrigação sanguínea): “Isso aumenta a permeabilidade intestinal de tal forma que substâncias agressivas passam para a corrente sanguínea e vão atingir o cérebro, facilitando o desencadeamento de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer”.

Qual a melhor dieta para a prevenção do Alzheimer?

Muitos estudos tratam do assunto, pontua a geriatra. O mais importante deles, o WW Fingers, conduzido na Finlândia em 2013 e agora com desdobramentos para vários países, mostra que a dieta mediterrânea, a prática de exercícios regulares e o controle rigoroso de diabetes, colesterol alto e hipertensão arterial reduziram em 31% a manifestação de demências num grupo de 1.200 pessoas de 60 a 77 anos de idade, seguidas por dois anos.

Há pesquisas que mostram que a dieta dash (para hipertensão) é forte aliada também na prevenção de Alzheimer, assim como a dieta mind, que une as duas (dash e mediterrânea) e incorpora ao cardápio substâncias neuroprotetoras e antioxidantes para combater o declínio cognitivo. “O fato é que não existe um alimento mágico e um alimento matador”, lembra o nutrólogo. “É o conjunto da alimentação que faz toda a diferença.”

Coloque no seu cardápio para prevenir o Alzheimer:

  • Vegetais, com ênfase nos folhosos e verdes;
  • Fibras e cereais integrais;
  • Frutas;
  • Gorduras boas, como as presentes no azeite, nos óleos vegetais e nas oleaginosas, mas não abuse, já que são calóricos;
  • Peixes, aves e carnes magras (limitada a 2 vezes por semana);
  • Azeite de oliva;
  • Leite e derivados, para quem não tem intolerância.

Use com moderação:

  • Carnes vermelhas gordurosas e embutidos;
  • Álcool, “o uso constante em doses altas é extremamente tóxico para o organismo, incluindo o cérebro”; o consumo elevado, segundo a ABRAz (≥38 g/dia ou 23 drinques/semana), aumenta em 10% o risco de desenvolver demência.

Tire do seu cardápio para a prevenção do Alzheimer:

  1. Comidas industrializadas;
  2. Fast foods e frituras;
  3. Embutidos;
  4. Bolos, bolachas recheadas e produtos que contém gorduras trans.


Fonte: https://institutomongeralaegon.org/longevidade-e-saude/saude-fisica/prevencao-do-alzheimer?fbclid=IwAR0DHpfig0CDkYUQK8sRLdJ0vlYBn9QFf8AUyISPe_gRQZsnW8c-6TlKmPg

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Fumaça dos carros como fator de risco para diversas patologias



Anualmente inúmeras pessoas morrem em decorrência de complicações oriundas da poluição ambiental. A poluição por veículos é apenas uma das poluições e que tem suma importância na nossa saúde.

Segundo o maior pesquisador brasileiro em matéria de Poluição Atmosférica, o Médico e professor da USP, Dr. Paulo Saldiva, a poluição mata cerca de 12 pessoas por dia só em São Paulo. Mata mais idosos que jovens. Mata mais pobres que ricos. Quem mora na periferia e tem que esperar nos pontos de ônibus respira mais veneno do que quem está passando pelo ponto de carro soltando fumaça.

Pr complicar ainda mais a situação, a poluição em decorrência das fumaças emitidas por veículos,
agrava as mudanças climáticas o que ocasiona mais doenças. Gerando um ciclo.

Uma recente pesquisa feita pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada), evidenciou que esse tipo de poluição é um fator importante na saúde dos moradores das cidades e que a emissão de gás carbônico por veículos automotores aumentou 283% em 30 anos no Brasil.

Inúmeras são as doenças que podem ser ocasionadas por essa fumaça e a cada momento a ciência nos mostra estudos que correlacionam a poluição ambiental como fator de risco para diversas patologias.

Durante décadas a poluição ambiental ficou relacionada apenas a patologias das vias aéreas superiores e inferiores. Por exemplo: fator causal ou de piora de rinites, sinusites, desencadeamento de pneumonias, descompensação de pacientes portadores de Doença Pulmonar Obstrutitva crônica – DPOC (enfisema pulmonar e bronquite crônica), desencadeamento de crises asmáticas. Isso acontece, justamente pelo fato das vias áreas serem a via de entrada para os contaminantes presentes na fumaça.

Um estudo interessante publicado em 2011 em uma das revistas médicas mais renomadas “The Lancet”, sugeriu que a poluição poderia impedir que os pulmões de crianças crescessem normalmente, alcançando todo o seu potencial.

Em 2010 o laboratório de poluição atmosférica experimental da USP (Universidade de São Paulo), realizou uma pesquisa em 18 capitais e concluíram que todas essas cidades vêm sofrendo uma influência cada vez maior de poluentes na saúde de sua população, por causa do aumento da frota de carros.

Um estudo publicado na revista Circulation correlacionou a poluição do ar ao aumento da incidência de doenças cardiovasculares. Já um estudo interessante e recente, feito pelo British Heart Association, da Inglaterra, evidenciou que quanto maior a exposição à fumada de veículos maior o risco do indivíduo ter um infarto agudo do miocárdio.

Outro estudo publicado agora em 2011 mostrou que a exposição crônica à fumaça de veículos leva a uma diminuição na capacidade de aprendizagem e memória em ratos que foram expostos ao ar poluído por 15 horas por semana durante 10 semanas. De acordo com os pesquisadores, foram encontrados “sinais de inflamação associados ao envelhecimento precoce e à doença de Alzheimer”.

O aumento da prevalência do Diabetes Mellitus também pode estar relacionado a partículas finas decorrentes da poluição atmosférica, foi o que mostrou um recente estudo publicado na Diabetes Care.

Outro estudo evidenciou alterações na pressão arterial, níveis de lipídios e marcadores inflamatórios de indivíduos expostos à um ar poluído.

Mas e aí, qual a solução ?

Isso é algo que os governantes em ação conjunta com o ministério da saúde e pesquisadores da área deverão buscar. Não só pelas doenças em si ocasionadas, mas pelos gastos que ocorrem, dinheiro este que poderia ser empregado em outras áreas da saúde.

A melhoria do sistema de transporte público e aumentar o número de ciclovias é uma opção, já que está bem estabelecido que o aumento da frota de carros eleva a produção de fumaça e com isso problemas de saúde.

As produtoras de combustíveis devem tentar produzir substâncias que durante a combustão, lancem produtos menos tóxicos no ar das cidades.

As montadoras deveriam procurar lançar filtros de combustíveis mais eficientes, além de motores menos poluentes, busca por fontes renováveis de energia, fabricação de carros elétricos...

Cada cidade deveria implantar a inspeção veicular. Esta seria hoje o principal projeto de saúde pública no Brasil. Com isso os carros desrregulados seriam retirado de circulação e auxiliariam a reduzir o que denominam de “fumaça preta”.

Bibliografia:
  1. http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/videos-veja-entrevista/paulo-saldiva-medico-especialista-em-poluicao-atmosferica/
  2. http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=10551&Itemid=7
  3. http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/node/8803
  4. http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/node/8806
  5. http://circ.ahajournals.org/content/109/21/2655.full
  6. http://care.diabetesjournals.org/content/33/10/2196.abstract
  7. http://circ.ahajournals.org/content/121/25/2755.full
  8. http://oem.bmj.com/content/68/1/64.abstract
  9. http://bloodjournal.hematologylibrary.org/content/118/9/2405.abstract
  10. http://ehp03.niehs.nih.gov/article/info%253Adoi%252F10.1289%252Fehp.1002973&usg=ALkJrhguVaqg1NgdpoNX_M_g-ivmR2qTqg

domingo, 17 de abril de 2011

Aspectos nutricionais e a Doença de Alzheimer

O que a ciência já sabe sobre a doença de Alzheimer”, esse é o título da matéria publicada pela revista “Viva Saúde”, edição nº 78. Mas será que tudo que se sabe para o controle dessa condição apenas envolve descoberta de genes, avanço no diagnóstico, novos remédios e vacinas? O texto aborda o efeito degenerativo da doença, o que pode ser didaticamente elucidado no site da Alzheimer’s Association em uma apresentação disponível em português: A viagem ao cérebro (http://www.alz.org/alzheimers_disease_4719.asp). Contudo, a reportagem deixa uma grande interrogação no que diz respeito à nutrição e alimentação.

O cérebro, assim como todo o restante do nosso organismo, é formado por células. Sua estrutura e função dependem dos nutrientes. Estudos mostram que inúmeros aspectos da cognição são comprometidos pela má nutrição desde a infância. Observando a realidade alimentar da população brasileira e global, não é de se espantar que 8,7% das crianças entre 8 e 15 anos foram “rotuladas” com TDAH ou transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, e 1 em cada 10 crianças tomem medicamentos estimulantes como ritalina. Já o autismo afeta 1 em cada 166 crianças e sua incidência aumentou em 11 vezes na última década. Problemas com o aprendizado afetam entre 5% e 10% das crianças em idade escolar. A doença de Alzheimer (DA) é o comprometimento cerebral após longa data de desequilíbrios, que hoje já afetam as crianças.

A Alzheimer’s Disease International (ADI) estima que existam atualmente 30 milhões de pessoas com demência no mundo, e 4,6 milhões de novos casos anualmente (um novo caso a cada 7 segundos); assim, em 2050 mais de 100 milhões de pessoas poderão estar afetadas, principalmente pessoas da terceira idade. A DA é a forma mais comum de demência, contando de 50 a 60% de todos os casos, e no Brasil acomete cerca de um milhão de pessoas.

Há pouco tempo, os considerados tradicionais fatores de risco para DA (idade avançada, histórico familiar de demência e polimorfismo do gene ApoE 4) mantiveram a prevenção longe das prioridades tanto de pesquisa quanto da prática clínica. Entretanto, nos últimos anos, estudos vêm acumulando evidências de que fatores de risco modificáveis relacionados ao estilo de vida também são importantes na DA. Uma série de estudos mostra que os mesmos fatores de risco para as doenças cardiovasculares também contribuem para a DA. Entre esses estão a obesidade, hipertensão, dislipidemia, diabetes, sedentarismo, tabagismo e consumo de álcool. Essas informações, quando rearranjadas e reavaliadas, sugerem que os mesmos mecanismos deletérios que acometem o sistema cardiovascular também afetam o cérebro.

Uma revisão sistemática publicada este ano no European Journal of Neurology traz a seguinte sentença: “Apesar de as pesquisas na DA focarem no desenvolvimento de intervenções baseado na hipótese da cascata amiloide, acredita-se que a DA não é uma condição singular definida exclusivamente por placas e emaranhados, mas sim o resultado de uma sobreposição conjunta de processos biológicos que constituem formas de envelhecimento cerebral grave”. E são justamente esses processos biológicos desencadeados por uma gama de fatores ambientais e comportamentais que influenciam o envelhecimento cerebral e a DA. Na ótica da Nutrição Funcional, são vistos como desequilíbrios fisiológicos, resultado da interação entre os genes com o ambiente. No caso da DA, os desequilíbrios oxidativo, inflamatório, estrutural e neuroendócrino são mais pronunciados. Nesse sentido a nutrição, considerada causa básica, também é solução, sendo capaz de modular esses processos prevenindo, retardando e melhorando a sintomatologia característica da doença.

Na última década, muitas investigações foram realizadas para avaliar a efetividade da dieta do mediterrâneo na prevenção do desenvolvimento de doenças crônicas como Alzheimer e principalmente de doenças cardiovasculares. Esta dieta é caracterizada por um alto consumo de peixes, vegetais, legumes, frutas, cereais integrais, azeite de oliva, baixo consumo de produtos lácteos, carnes e gordura saturada, assim como o consumo moderado de álcool, principalmente na forma de vinho tinto.

Em recente meta-análise publicada no Britsh Medical Journal, foi avaliada a relação entre aderência à dieta do mediterrâneo e a mortalidade e incidência de doenças crônicas. O resultado mostrou aumento significativo no nível de saúde. Houve redução de 9% nas taxas de mortalidade total e por doenças cardiovasculares, diminuição de 6% nas taxas de mortalidade por câncer e de 13% na incidência de Parkinson e Alzheimer. Em contraste, um estudo populacional realizado na Polônia avaliou o perfil alimentar de indivíduos diagnosticados com a DA. Os resultados mostraram um alto consumo de carnes, manteiga, produtos lácteos com elevado teor de gordura e açúcar refinado, além de baixo consumo de frutas e verduras.

O padrão alimentar ocidental possui características contrárias ao padrão mediterrâneo. É pró-inflamatório, pró-oxidante, promove desestruturação celular e gera desequilíbrios neuroendócrinos. Esses desequilíbrios são mais suscetíveis no tecido cerebral devido à sua composição e atividade metabólica. Composto por 60% de gordura, o cérebro pesa apenas 2% do peso corporal, usa 20% do oxigênio que respiramos e em torno de 20% das calorias que consumimos. Contém 100 bilhões de células conectadas às outras por aproximadamente 40.000 conexões (sinapses). Este é o número de conexões cerebrais que estão constantemente mandando e recebendo mensagens que mantém nossa saúde. Cada uma dessas conexões interage pelas membranas celulares que, quando não estão saudáveis, perdem efetividade e rapidez.

As membranas celulares dos neurônios são consideradas peças-chave para a ótima comunicação cerebral. O alto consumo de ômega-6, característico da dieta ocidental, deixa a estrutura rígida e não funcional, o que associado a ausência de antioxidantes desse padrão alimentar e a atividade metabólica cerebral, favorece ao estresse oxidativo, que por sua vez conduz a processos inflamatórios e vice-versa. Este processo impede a membrana de realizar boa comunicação e a célula fica incapaz de produzir quantidades suficientes de energia. Alguns estudos chamaram a DA de diabetes tipo 3 devido a identificação de resistência a insulina cerebral caracterizada por estes danos a membrana.

Os ácidos graxos poli-insaturados ômega-3 e os antioxidantes são os grandes responsáveis por estruturar e proteger a membrana celular, além de controlar a expressão gênica, regular o sistema imunológico e os processos inflamatórios, melhorando o metabolismo como um todo. Dado o padrão alimentar deficiente nestes nutrientes, é fácil entender um dos porquês que vivemos hoje uma epidemia de desordens psiquiátricas e neurológicas.

A íntima relação entre nutrição e saúde vem sendo intensivamente estudada pela ciência por mais de meio século. No entanto, modelos convencionais persistem em enxergar um único agente causando uma única doença associada a um único tratamento. Análises lineares como esta estão fadadas ao fracasso frente às desordens multifatoriais como o Alzheimer. Um modelo mais adequado entende que uma condição é resultado de vários desequilíbrios, e um desequilíbrio pode levar a várias condições patológicas. O raciocínio sistêmico considera esses desequilíbrios moleculares que afetam todo o organismo. Identificá-los e modulá-los é a maneiro como a nutrição pode intervir na DA.

** Texto elaborado pelo Dr. Nélio Carlos de Araújo Santos Filho, aluno bolsista do curso de Pós-graduação em Nutrição Clínica Funcional pela VP Consultoria Nutricional/ Divisão Ensino e Pesquisa.

Fonte: http://www.vponline.com.br/blog/?p=86