sexta-feira, 13 de maio de 2022

Elevação do risco de Diabetes tipo 2 devido dieta desequilibrada

A combinação de uma dieta desequilibrada, incluindo grandes quantidades de açúcares e gorduras, em indivíduos com predisposição genética eleva o risco de desenvolver diabetes tipo 2 (DM2) em até 119%.

Por outro lado, em pessoas com risco genético elevado para desenvolver diabetes, uma dieta equilibrada, com frutas, legumes e vegetais crus e baixo consumo de ultraprocessados, reduziu em 30% o risco da doença.

Os resultados são do maior estudo para avaliação de fatores genéticos em conjunto com ambientais para determinação de diabetes já feito até hoje. Os dados completos da pesquisa foram publicados na revista especializada PLoS Medicine nesta terça-feira (26).

O estudo foi conduzido por pesquisadores dos Estados Unidos, de instituições como a Universidade Harvard, da Suécia (da Universidade de Lund) e da China (da Universidade Marítima de Dalian).

A pesquisa analisou dados de 35.759 adultos que participaram de três coortes (estudos de epidemiologia com período de acompanhamento prolongado) nos EUA, de 1986 a 2017.

A dificuldade em estudos passados de mensurar quanto do risco populacional de aparecimento de uma doença é causado pelo ambiente e o quanto é pela genética está na identificação dos marcadores genéticos e sua associação com determinadas enfermidades.

No caso do estudo americano, os cientistas fizeram um trabalho extenso de mapear todos os genes envolvidos no risco de ter diabetes a partir da grande base de dados do Reino Unido (UK Biobank). Com uma amostra de mais de 391 mil indivíduos, dos quais 17.403 tinham diabetes, os pesquisadores identificaram mais de 850 mil variantes de genes, das quais cerca de 893 estavam associadas à presença de diabetes tipo 2.

Já para avaliação da dieta foi calculado o índice de alimentação saudável alternada (AHEI, na sigla em inglês), que consiste em uma dieta equilibrada com a base da pirâmide alimentar formada por frutas, verduras e legumes crus, grãos integrais, castanhas e outras oleaginosas, e um baixo consumo de produtos ultraprocessados (ricos em gorduras saturadas e baixos em nutrientes).

Assim, os participantes do estudo foram divididos em risco genético baixo (quando havia baixa frequência das variantes associadas ao desenvolvimento de diabetes), intermediário e alto.

Em relação aos fatores genéticos sozinhos, o risco de desenvolver diabetes foi para essas pessoas 29% maior do que para os não portadores das variantes. Já a avaliação da dieta em conjunto com os fatores de risco genéticos teve algumas variações.

Para quem tinha risco baixo genético, a associação de uma dieta de baixa qualidade elevou em 31% o risco de desenvolver diabetes; nos pacientes com risco genético intermediário, esse valor foi de 53%; já em quem tinha risco elevado, ele atingiu a média de 119%.

Já a proporção de casos de diabetes do tipo 2 em excesso calculados pelos fatores ambientais ou genéticos foi de 53,3% para risco hereditário, 38,6% para nutrição e só 7,8% para a soma dos dois, indicando que os dois fatores juntos não possuem tanto efeito assim no desenvolvimento ou não de diabetes, comparado a ambos separadamente.

Jordi Merino, pesquisadora do Centro de Genômica e Diabetes de Harvard, disse à Folha que o estudo revela que cerca de um terço do risco de desenvolver diabetes do tipo 2 pode ser evitado somente com a dieta balanceada.

"Nossa pesquisa sugere que, mesmo para aqueles com risco genético elevado, uma dieta saudável pode reduzir em até 30% esse risco. Esses achados podem direcionar políticas públicas em como melhorar o consumo de dietas mais saudáveis, reduzir desigualdades no acesso a alimentos e promover informação sobre melhores escolhas na alimentação."

O diabetes é uma doença causada pelo nível glicêmico (de açúcar) alto no sangue, associado com uma inflamação metabólica crônica e uma menor capacidade de produção de insulina para reduzir esses níveis de açúcar. Os casos de diabetes aumentaram no Brasil e no mundo nos dois últimos anos de pandemia, e, mundialmente, quase 7 milhões de pessoas morrem por causas associadas ao diabetes a cada ano.

A pesquisa, no entanto, possui limitações. Como a população estudada era composta em sua maioria de pessoas brancas, ela não pode ser extrapolada para todas as etnias.

"Entretanto, os vieses amostrais devido à população são mínimos. O próximo passo seria conduzir um estudo clínico para avaliar os riscos genéticos mínimos e máximos em populações mais heterogêneas", afirma Merino.



quinta-feira, 12 de maio de 2022

Hábitos alimentares e ansiedade

Com a pandemia muito provavelmente você já percebeu que é mais difícil manter um bom hábito alimentar com a ausência de uma rotina, principalmente devido ao aumento da ANSIEDADE.

A ansiedade faz com que muitos vejam a alimentação como uma válvula de escape, um "botãozinho" a ser apertado nos momentos tristes, alegres ou de qualquer outro sentimento. Isso faz com que a busca pelos alimentos com hiper-sabores (hiperpalatáveis = gordura + açúcar) aumente em períodos de maior ansiedade, o que é justificável pelas respostas sensoriais e bioquímicas geradas por esses alimentos, em especial por essa junção da gordura com açúcar.

Por exemplo: o consumo de doces e alimentos hipercalóricos potencializam a entrada de triptofano (o precursor da serotonina) no cérebro, gerando aquela sensação momentânea de prazer, que passa após algumas horas e se torna um ciclo recorrente.

Logo, nos períodos de maior ansiedade a é necessário que você tente construir uma rotina e tenha prazeres que não seja somente a alimentação. Que tal estudar um pouco? Ler livros? Assistir a uma série ou aquele filme que você vem planejando há algum tempo? .

Fortaleça o contato virtual com seus amigos e familiares, sente-se à mesa para se alimentar e tenha horários fixos para comer. 

Tente perceber se está se alimentando por "fome" ou "vontade de comer", sendo que a primeira não é por alimentos específicos e a segunda é.

Autor: 
Rodrigo Lamonier - Nutricionista e Profissional da Educação física
Revisores: 
Dr, Frederico Lobo - Médico Nutrólogo - CRM 13192 - RQE 11915
Márcio José de Souza - Profissional de Educação física e Graduando em Nutrição. 

No bolso do brasileiro já não cabem regras para uma alimentação balanceada

O texto abaixo é de autoria de uma grande amiga Nutróloga (Dr. Aritana Alves) que atua em Salvador. Ele corrobora com tudo aquilo que tenho vivenciado no ambulatório do SUS especialmente. 

É triste ver pacientes tendo que se privar da ingestão de alimentos e com isso apresentando déficit de vitaminas e minerais. 

É mais triste ainda, você prescrever um suplemento (mesmo os mais baratos) e esses pacientes não terem condições de comprar, como por exemplo uma simples ampola de Vitamina B12. 

E ainda mais triste é ver colegas postando sugestões nutricionais mirabolantes, totalmente fora da realidade do brasileiro. O brasileiro mal está tendo dinheiro para comprar alimentos básicos. Se você tem, saiba que é altamente privilegiado. 

att

Dr. Frederico Lobo
Médico Nutrólogo
CRM-GO 13192 - RQE 11915



Quem vai ao mercado já percebeu que é impossível, para grande parte da população, entre os assalariados, onde eu me incluo, manter o padrão de preferências e o mesmo poder de compra. 

O Ibre-FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas) ilustra a inflação do prato feito (o PF que alimenta muitos trabalhadores por aí) com o aumento indisfarçável do arroz, feijão, feijão preto, alface, batata, cebola, tomate, frango, ovos e carnes bovinas. No último ano, esse combo rendeu um aumento de mais de 20% ao PF.

Os jornais de ontem trouxeram o tomate como vilão do aumento e, na última semana, a cenoura chegando a custar R$ 15, também foi assunto. Mas uma série de escolhas equivocadas sustentam esse aumento, como o transporte feito com o diesel que sofreu reajuste de 8,8% hoje; agrotóxicos importados e realmente caros que a indústria nos faz comer; o desinteresse do governo em incentivar a agricultura local, familiar e sustentável; entre outras questões estruturais. 

Como resultado disso, temos uma população cada vez mais adoecida, comendo farináceos e optando pelo que pode pagar: produtos industrializados que, a médio e longo prazo, alimentam as filas do SUS. 

Autora: Dra. Aritana Alves - Médica Nutróloga

quarta-feira, 11 de maio de 2022

Agrotóxicos

 

Vocês devem ter se espantado, assim como eu, com o post que republiquei hoje nos stories. A cada 2 dias, um brasileiro morre por intoxicação com agrotóxicos. Segundo a Friends of the Earth Europe, que assina a pesquisa mais recente, 20% das vítimas brasileiras são crianças e adolescentes com até 19 anos - o mesmo público que, alguns meses atrás, apareceu aqui nos meus posts como protagonista de um país sem futuro: não trabalham, não estudam e, agora, com apoio das indústrias de veneno e passe livre concedido pelo Governo Federal, morrem.

Esse mesmo relatório conclui que suas empresas europeias gastaram 2 milhões de euros em apoio ao lobby no Brasil. A Bayer e BASF tiveram 45 novos agrotóxicos aprovados nos últimos três anos, sendo que 19 deles contêm substâncias proibidas na União Europeia. Ou seja, lá não pode, mas aqui, para matar índios, jovens, pescadores e brasileiros à margem dos rios e da sociedade, isso sim, pode. As empresas europeias de agrotóxicos não só se beneficiam com o enfraquecimento de regulamentações ambientais e de agrotóxicos no Brasil, mas também com generosas isenções de impostos sobre seus produtos.

Nutrologicamente falando, seria, então, mais interessante consumir alimentos que vão na contramão do in natura envenenado? Passamos a comprar biscoitos, pães, salgadinhos? Não mesmo. Já existem estudos conclusivos quanto à presença de resíduos de agrotóxicos nesses produtos também. E do ponto de vista ambiental, eles são tão prejudiciais quanto os venenos: os dois grupos reduzem as vastas terras brasileiras a um laboratório a céu aberto de commodities envenenadas, pasto desmatado ou as duas coisas.

Autora: Dra. Aritana Alves - Médica Nutróloga

Fontes: 


[Conteúdo exclusivo para médicos e nutricionistas] Cálcio, vitamina D e calcificação da válvula aórtica: para o osso ou para o coração?

Suplemento de cálcio e vitamina D: certo ou errado?

Intuitivamente, pode-se pensar que suplementar vitaminas e minerais seria a coisa certa a fazer, especialmente em pessoas mais velhas e comórbidas. Todos os anos, bilhões de dólares são gastos nessa crença. No entanto, todos nós podemos estar errados.

Um estudo presente nesta revista demonstra um aumento significativo da mortalidade cardiovascular (CV) em pacientes idosos que suplementam cálcio, seja com ou sem vitamina D, que inicialmente apresentavam estenose aórtica (EA) leve a moderada em uma análise longitudinal de um grande ecocardiograma contemporâneo  coorte de banco de dados de 2.657 pacientes.

Os pacientes foram acompanhados para substituição da valva aórtica (AVR) e/ou óbito, bem como progressão da EA.

Cerca de metade da população do estudo estava em suplementação, com cerca de 40% tomando cálcio incluindo vitamina D ou não por mais de 5,5 anos. O risco absoluto de mortalidade CV foi surpreendentemente maior com 13,7 para suplementação de cálcio ± vitamina D e 9,6 para apenas vitamina D, em comparação com 5,8 por 1.000 pessoas-ano sem suplementação.  

Surpreendentemente, também a mortalidade por todas as causas foi significativamente maior com a adição de cálcio.

Em quase metade dos pacientes com administração de cálcio, a AVR foi realizada durante o seguimento, enquanto a AVR foi necessária em apenas 11% dos não suplementadores.

Curiosamente, ao estratificar por status de osteoporose, as diferenças de sobrevida e AVR persistiram inalteradas entre os grupos.

Cálcio: a chave secreta?

A calcificação é o processo cardinal que conduz a um ciclo vicioso que propaga a rigidez e a obstrução da válvula aórtica (AV). A ruptura da camada endotelial promove a captação de lipídios oxidados e células imunes, promovendo uma alça inflamação-calcificação com remodelação fibrótica dos folhetos aórticos. A ativação das células intersticiais valvares (VICs) induz sua diferenciação osteoblástica osteogênica e secreção de colágeno, levando a uma maior deposição de cálcio semelhante à formação do osso esquelético.

Embora as vias de contribuição multifatorial tenham sido identificadas, até agora nenhuma terapia médica provou ser eficaz em interromper ou reverter a progressão fibrocalcificada da EA.  

Apesar do acúmulo de lipídios estar envolvido na fase inicial da EA, as estatinas não foram efetivas na fase de propagação tardia.

O metabolismo desregulado do fosfato de cálcio é um dos principais determinantes no desenvolvimento da esclerose do folheto aórtico e da EA calcificada, desencadeada pelo comprometimento da função renal e no hiperparatireoidismo primário ou secundário.

A identificação de fatores de risco suscetíveis para calcificação valvar, que podem ser modificados por medidas não invasivas, como medicação direcionada ou mudanças na dieta, em vez da abordagem cirúrgica puramente mecânica do AVR, é altamente desejável.

Os níveis séricos de cálcio parecem ser menos influenciados pela ingestão dietética, por exemplo, por produtos lácteos e alimentos, enquanto a suplementação artificial de cálcio gerou maior disponibilidade imediata de cálcio sérico, o que pode levar a mais mineralização ectópica da válvula ou aterosclerose arterial vascular.

Da mesma forma, a desmineralização óssea libera cálcio e fosfato excessivos na circulação na osteoporose, o que pode induzir a transformação osteoblástica da VIC aórtica.

Níveis elevados de cálcio sérico foram atribuídos a uma alta prevalência de calcificação AV em um estudo de tomografia computadorizada cardíaca, de forma semelhante aos níveis elevados de fósforo e magnésio.  

Esses micronutrientes podem contribuir para a formação de lesões e iniciar o processo de mineralização nos folhetos aórticos na fase inicial da patogênese.  

Curiosamente, a progressão da calcificação AV, uma vez estabelecida, não foi mais influenciada pelos níveis séricos, o que se compara de forma semelhante ao presente estudo, onde a progressão temporal da gravidade da EA foi independente de qualquer suplementação.

No entanto, a mortalidade e a incidência de AVR foram significativamente ampliadas pela adição de cálcio, que também pareceu piorar a ocorrência de sintomas, bem como maior degeneração da aterosclerose vascular.

Emocionantemente, a suplementação de vitamina D sozinha permaneceu neutra em relação à AVR e não foi associada a nenhum aumento de mortalidade em análises multivariáveis, de modo que os supostos efeitos benéficos sobre osteoporose e metabolismo ósseo são mantidos em pacientes com EA.

• Osso e coração

Osteoporose e menor densidade mineral óssea, tão frequentemente presentes em idosos, têm sido associadas à progressão mais rápida da EA e calcificações valvares, também do anel valvar mitral.

A osteoporose tem um grande impacto na saúde pública e mais de 70% das fraturas relacionadas ocorrem em mulheres, principalmente na pós-menopausa, embora também mulheres e homens na pré-menopausa sejam afetados.

Cerca de metade das mulheres brancas têm baixa massa óssea com osteopenia ou osteoporose aos 60 anos. No entanto, a ingestão ideal e a real utilidade dos suplementos de cálcio permanecem controversas, pois o aumento dos riscos de doença cardiovascular (DCV) e acidente vascular cerebral entre as usuárias de cálcio foi repetidamente apontado em estudos de coorte e meta-análises.

O Instituto de Medicina dos EUA (relatório de 2011) e diretrizes recentes recomendam principalmente uma ingestão dietética de cálcio de 1.200 mg/dia para mulheres > 50 e homens > 70 anos, com risco de dano aumentando acima de 2.000 mg/dia e suplementação apenas em dieta insuficiente, bem como vitamina D adicional dependendo dos níveis séricos medidos.

Estudos anteriores sobre suplementação de cálcio não abordaram adequadamente a EA até o momento, destacando a pesquisa atual.

Por outro lado, homens e mulheres com osteoporose apresentam não apenas maior risco de todas as causas, mas particularmente também de mortalidade CV.  

Indivíduos com osteoporose apresentaram maior prevalência de outras comorbidades, principalmente o tabagismo nos homens.

Notavelmente, o risco de mortalidade CV foi 68% maior em homens com osteoporose, e a incidência de DCV foi 24% maior em mulheres com osteoporose.  

Portanto, recentemente foi recomendado que o manejo da osteoporose deve incluir triagem para risco de doença cardiovascular e respiratória.

É importante ressaltar que no presente estudo na EA, o aumento da mortalidade com a suplementação de cálcio persistiu em mulheres ou homens e foi independente do status de osteoporose na entrada.

Os resultados foram independentes da administração de vitamina D. Em contraste, bisfosfonatos e outros tratamentos para osteoporose (alendronato ou denosumab) não conseguiram interromper a calcificação AV progressiva.

No entanto, como limitação de interpretação no presente contexto, no Estudo SALTIRE II, foram excluídos da análise pacientes com EA que necessitam de tratamento obrigatório para osteoporose com alendronato, denosumab ou suplementação com cálcio.

A limitação do presente estudo de Kassis et al é que o consumo real de alimentos dietéticos ou outra ingestão suplementar de cálcio ou vitamina D não pode ser determinado exclusivamente, por exemplo, de produtos de venda livre ou alternativos

Outra questão a considerar é que os pacientes em suplementação de cálcio apresentavam mais comorbidades na linha de base, como doença renal crônica, diabetes e mais DCVs preexistentes, por exemplo, coronariopatia, fibrilação atrial ou insuficiência cardíaca, e mais pacientes tinham diagnóstico de osteoporose.

No entanto, a frequência de múltiplas doenças concomitantes está bem alinhada com relatos anteriores e da vida real em pacientes com osteoporose, e não houve diferença de idade em pacientes em uso ou não de cálcio.

• Dar ou não dar: mensagem para levar para casa

Em conclusão, a segurança da ingestão artificial de cálcio suplementar deve ser considerada de forma individual e cuidadosa.

A avaliação de doenças cardiovasculares subjacentes e fatores de risco, como lipídios, tabagismo, hipertensão ou doença renal concomitante, devem ser levados em consideração na situação clínica geral do paciente, se o tratamento ou prevenção da osteoporose for pretendido.

A suplementação de cálcio foi associada a maior mortalidade por todas as causas e CV e maiores taxas de intervenção AVR para EA (figura 1).

A vitamina D pareceu ser segura e não influenciou a progressão da EA.  

Estudos futuros em osteoporose devem focar ainda mais nos eventos CV que determinam a mortalidade geral.

A visualização de calcificações CV em modalidades de imagem da osteoporose (por exemplo, raios-X, TC) deve ser particularmente incluída na estratificação de quando administrar apenas vitamina D ou também cálcio adicional.

Em pacientes com EA calcificada e CV de alto risco, o presente estudo acrescenta fortemente à evidência de que a suplementação contínua de cálcio a longo prazo deve ser evitada, se não obrigatória.

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O que o médico pode fazer em um país no qual as pessoas não estão conseguindo pagar seus medicamentos?

O texto abaixo foi escrito pela minha afilhada, após ela ler meu desabafo no texto anterior.

Fiz uma versão para leigos. Ela fez uma reflexão para médicos.

att

Dr. Frederico Lobo
Médico Nutrólogo
CRM-GO 13192 - RQE 11915




Nós médicos somos formados em um algoritmo muito simples e padrão: estude, diagnostique e cure. 

Por anos e anos esse pensamento vem sendo perpetuado em faculdades, residências e pós-graduações, mas o que muitos esquecem é que o dever do médico vai muito além.

Temos, dentre tantas atribuições, o dever da responsabilidade social, da empatia e principalmente exercer o "Primum non Desete" (primeiro não causar danos) em todas as suas derivações.

Estou falando isso tudo para comentar que os preços das medicações, como tudo nesse país, estão assustadoramente caros! Não é difícil imaginar que cada vez mais pacientes vão parar de ter acesso às suas medicações, vão desestabilizar suas doenças e ter complicações perfeitamente
evitáveis caso a terapêutica correta fosse utilizada.

E o que fazer diante desse cenário? Aqui vão algumas perguntas de ouro:

1) Meu paciente pode pagar por essa medicação? (existem sites e aplicativos que em segundos fazem isso pra você).

2) Essa medicação vai realmente ser fundamental em seu tratamento?

3) Existe alguma medicação incluída na farmácia do SUS que eu possa utilizar?

4) Aquela medicação cara pode ser trocada por outra similar mais barata?

Precisamos falar sobre isso! Precisamos incluir esses pontos em nossas consultas.



Autora: Dra. Edite Magalhães - Médica especialista em Clínica Médica - CRM-PE 23994 - RQE 9351

Horizonte sombrio: onde vamos parar?




Para eu escrever preciso de inspiração e quando algo me toca muito, minha criatividade é ativada. A vontade de colocar no papel o que sinto toma uma grande proporção, fico inquieto enquanto não sento e escrevo. Hoje estou tomado por essa sensação. Fruto de algo que vivenciei em uma drogaria.

Inicio com uma pergunta: Onde vamos parar? Nosso horizonte é sombrio. 

Desci na farmácia para comprar um soro nasal (o cerrado já está começando a ter o clima de deserto, que durará até Final de outubro), meu anti-hipertensivo (sim, sou hipertenso desde os 26, assim como boa parte dos meus familiares) e algumas outras coisas. 

Sempre gosto de ficar olhando as novidades de fitoterápicos, vitaminas, minerais, probióticos, talvez porque quando comecei a prescrever isso em 2008, só tínhamos as opções manipuladas. Hoje a indústria percebeu que é um grande mercado e tem grandes sessões só desses produtos nas drogarias. Enquanto olhava as embalagens, era impossível não ouvir os clientes pedindo as suas medicações. E aí começou o turbilhão de sensações. 

Cliente A: pedindo a droga Glibenclamida. Uma medicação que baixa a glicemia, porém o SUS dá e a farmácia popular também. Tem o inconveniente de promover ganho de peso e risco de hipoglicemiantes. O cliente visivelmente com excesso de peso. Aí, como médico me questionei: medicação ultrapassada, será que o médico desse senhorzinho não conhece outras drogas? Será que o senhorzinho não tem condições de comprar uma droga que custa R$60 reais e terá menos efeitos adversos? Será que o profissional que o acompanha explica os riscos da droga? Será que já foi encaminhado para tratamento com nutricionista ou nutrólogo? Será que já foi prescrita uma nova droga, mas o mesmo não tem condições de comprar? Tudo isso borbulhando dentro da minha cabeça, enquanto eu olhava um frasco de um novo probiótico. 
 
Senhorzinho pega a sua cestinha e vai para o caixa. Cliente Frederico Lobo dá seguimento na análise dos polivitamínicos. A atendente chama a Cliente B. Uma senhora por volta dos 50 anos, pedindo medicação para asma/DPOC, anti-hipertensivo e um colágeno tipo II. Quando a atendente fala os valores, a senhora questiona: "subiu o preço?". A atendente faz uma carinha triste e responde: "Sim, infelizmente tivemos um reajuste de quase 10% recentemente". A senhora triste, a atendente triste também em dar a notícia e eu perplexo com o valor do colágeno. Sendo que nem há tanta evidência para a prescrição. Pensando: e se essa senhora tivesse nos últimos 10 anos pago uma academia, feito fortalecimento muscular? Será que ela tem uma boa ingestão protéica? Será que a doença pulmonar a impede de praticar algo? Será que por mais quantos anos ela conseguirá pagar essas medicações? Talvez ela tenha condições financeiras ainda para pagar, mas e se o que ela ganha vai perdendo o poder de compra e as medicações vão subindo o preço?

Nessa hora lembrei da minha infância. Mudei pra esse bairro em 1992. Haviam poucas farmácias no bairro. Hoje, assustadoramente há mais de 50. Uma em cada esquina. Nessa que eu estava, tinha uma outra ao lado. Duas farmácias, lado a lado. Pensei: se estão abrindo lojas de grandes redes e todas estão cheias, existe demanda. 

Existir demanda = existem doentes. 

Se estão cada vez mais doentes podemos elaborar vários questionamentos e refletir sobre eles:
A população está com maior expectativa de vida?
A população está adoecendo mais ou mais precocemente?
As pessoas estão procurando mais auxílio médico?
As pessoas estão recebendo mais diagnósticos?
Os médicos estão prescrevendo mais?
As pessoas estão mais preocupadas com prevenção?
O que será do ser humano? Vamos normalizar adoecer na juventude? 
Vamos normalizar tomar 30 cápsulas de medicações por dia?

A senhora portadora de pneumopatia e artrose pega suas compras e se dirige ao caixa, indignada com o preço. Com um olhar cabisbaixo e eu cabisbaixo refletindo. Nessa hora já tinha me batido uma tristeza, porque lembrei dos meus pacientes do SUS. Continuei olhando as embalagens. Fui parar no soro nasal. Agora tem um com xilitol, sempre compro. Gosto, é docinho, só não é doce a sensação de estar comprando uma embalagem que poluirá o ambiente. O ar está poluído, o meu nariz obstruído, o tempo seco, as queimadas começando e eu perpetuei a poluição comprando um produto com embalagem de alumínio, que gerará mais resíduo pro planeta. Eu fico cabisbaixo, inspiro, reflito e penso: é, eu preciso respirar, então vai esse soro com xilitol. 

Mas o show não pode parar. A atendendo não pára. Chega mais um senhor, por volta de 60-70 anos e pede a droga do momento. Semaglutida. Quase R$1000 a canetinha para 1 mês. Quando a atendente fala o valor, ele eleva a sobrancelha, mas aceita. É resiliente e deve estar confiante com a "a mais nova novidade" medicação prescrita por algum médico. Ele pede também uma metformina, essa a farmácia popular dá. Ele pede também uma medicação para colesterol elevado e também um anti-hipertensivo. Eu com o olho na embalagem mas minha cabeça fazendo as contas. Esse senhor gastará mais de 1200 por mês de medicação nesse exato momento. Aí lembrei que a caneta pode gerar resíduo, vai poluir também o ambiente caso não seja descartada corretamente. Mais poluição, mais narina obstruída, mais soro pra eu comprar, mais poluição, mais resíduo gerado por mim. 

E por aí foi... eu analisando os rótulos dos suplementos, os clientes pedindo medicamentos. O atendente assustando-os com o preço. 

Eu refletindo sobre o horizonte sombrio, sobre meus pacientes do SUS que muitas vezes não tem condições financeiras nem para comprar alimento, sobre os resíduos gerados, drogarias pipocando e a população adoecendo. Será que as pessoas nos próximos anos destinarão seus salários para a compra de medicações?

Viveremos ou apenas sobreviveremos? É, pelo visto o nosso horizonte é sombrio. 

Quantas dessas doenças não seriam prevenidas (e o atendente não precisaria assustar o cliente com o valor da medicação e nem eu ficar pensando no resíduo) se educação nutricional fosse ensinada desde o ensino fundamental? Quantas medicações não precisariam ser utilizadas, se as pessoas fossem orientadas que a a idade chegará e que musculatura é sinônimo de qualidade de vida e maior longevidade? Ou seja, ensinadas que a prática regular de atividade física fosse algo inerente à existência humana. Orientadas que quando o corpo para, de doenças ele padece. 

Dinheiro e mais dinheiro direcionado para a sobrevivência. Tem gente que tem muito dinheiro e não ligará para o preço. Tem gente que boa parte do próprio salário vai para a compra das medicações e tem gente que não tem dinheiro e nem medicação pode comprar. Enquanto eu olhava mais uma embalagem me deu uma tristeza ao refletir sobre isso e pensando: como colocaria isso em forma de texto. Mas lembrando da embalagem de soro nasal com xilitol e pensando em perguntar para o atendente, se eles tinham algum programa para receber descarte dessas embalagens. Mas fiquei tão preso na tristeza das minhas reflexões, que depois eu volto lá e pergunto. 

É aqui pertinho de casa, aliás, aqui na rua de casa tem mais de 10 farmácias. Elas "acolhem" pessoas de todas as idades, do bebê ao senhorzinho. De todos os sexos, corpos, raças. De todas as classes sociais. Elas lucram, elas vendem cura, elas vendem sobrevivência e eu me pergunto: nosso horizonte é lutar pela sobrevivência?

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Dr. Frederico Lobo
CRM-GO 13192 - RQE 11915
Médico Nutrólogo

domingo, 8 de maio de 2022

Aula - Introdução à Nutrologia

Fui convidado pelo pessoal da Liga de Nutrologia da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais para ministrar uma aula Introdutória à Nutrologia. Será amanhã pelo google meet. Aqueles que tiverem interesse é só me solicitar por e-mail: menutrologia@gmail.com

Abaixo alguns dos slides.

Espero que gostem.






sexta-feira, 6 de maio de 2022

Acompanhe a intensidade do exercício com o 'teste de conversa'

Se você está se perguntando como manter seu treino favorito, mas torná-lo mais intenso, o "teste de conversa" pode ser a sua resposta.

O teste de conversação é uma maneira de medir a intensidade relativa de uma atividade e se baseia na compreensão de como a atividade física afeta a frequência cardíaca e a respiração, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA.

Geralmente, ser capaz de falar, mas não cantar durante uma atividade, a tornaria uma intensidade moderada, diz o CDC. Sua voz pode ser trabalhosa, disse o fisioterapeuta Nicholas Rolnick, mas você pode continuar uma conversa. "É (sua) frequência cardíaca elevada, mas não interfere em um treino", disse Rolnick, que mora em Nova York.

É um método fácil de escalar a intensidade sem nenhuma tecnologia ou software de fitness complicado, disse Rolnick. O teste de conversação pode ajudá-lo a "certificar-se de que você está atingindo a intensidade do exercício que deseja atingir para atender às diretrizes recomendadas pela atividade física".

Esta atividade pode ser caminhar rapidamente, ou 5 Km por hora ou mais rápido, mas não correr. Aeróbica aquática, andar de bicicleta mais devagar do que 16 Km por hora em terreno plano ou nivelado, tênis e dança de salão também podem se encaixar nesse nível de intensidade, de acordo com o CDC.

Durante o treino mais intenso, manter uma conversa seria impossível, disse Rolnick. Você não seria capaz de dizer mais do que algumas palavras sem ter que fazer uma pausa para respirar, diz o CDC.

Os exercícios feitos com essa intensidade podem incluir corrida, voltas de natação, tênis individual, dança aeróbica, ciclismo mais rápido que 16 Km por hora ou em inclinações, pular corda ou caminhar ladeira acima ou enquanto carrega uma carga pesada.

A Organização Mundial da Saúde recomendou que os adultos tenham pelo menos 150 minutos - 2 horas e meia - de atividade física moderada a vigorosa semanalmente. Isso pode reduzir o risco de morte precoce, doenças cardíacas, hipertensão, câncer e diabetes tipo 2, de acordo com a OMS.

As pessoas grávidas devem fazer pelo menos 150 minutos de exercícios aeróbicos e de fortalecimento moderados por semana, dizem as recomendações da OMS. E crianças menores de 18 anos precisam de pelo menos 60 minutos de exercício moderado a vigoroso (principalmente atividades aeróbicas) diariamente.

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Uma conversa com o introdutor do ensino de Nutrologia no Brasil: Dr. José Eduardo Dutra de Oliveira

O ensino de nutrologia em clínica médica é uma das propostas do médico e professor José Eduardo Dutra de Oliveira, referência no país em Nutrologia, especialidade médica que estuda e dá assistência a problemas relacionados aos nutrientes na saúde, nas doenças e no desenvolvimento e prevenção de moléstias crônicas degenerativas. 

Ele foi recentemente homenageado no Congresso Internacional de Ciências Nutricionais, na Tailândia, como uma das Living Legends do mundo, título oferecido aos médicos com mais de 80 anos de idade ainda em atividade.

É autor de mais de 300 artigos científicos em revistas nacionais e internacionais sobre nutrição e nutrologia, professor titular de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP, em Ribeirão Preto, professor visitante da Universidade de Cornell (Estados Unidos) e introdutor do ensino de Nutrologia no curso médico. 

Por sua sugestão, foram criadas as Unidades Básicas de Alimentação, Nutrologia e Saúde (Ubans) em todos os municípios brasileiros como centros de educação, tratamento e prevenção de doenças.

Diversas vezes atuou como consultor da Food and Agriculture Organization (FAO) da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Universidade da Organização das Nações Unidas (ONU). 

É membro da Câmara Técnica de Nutrologia do Cremesp. O professor Dutra, de 82 anos, mantém uma verdadeira cruzada em defesa da boa alimentação como um direito de todas as pessoas.

Nesta entrevista à Ser Médico, ele lamenta que os brasileiros alimentem-se mal em quantidade e qualidade e paguem por isso com aumento da obesidade, doenças do coração, diabetes e outras moléstias crônicas ligadas à alimentação e à nutrição. Ele destaca a necessidade de um maior número de médicos com conhecimentos especializados em Nutrologia e de melhor interação entre nutrólogos e médicos das outras especialidades e demais profissionais da área da saúde.

Ser Médico: Como o senhor caracteriza a Nutrologia?
José Eduardo Dutra de Oliveira: A Nutrologia é uma especialidade médica relativamente recente, que estuda e mostra a infl uência dos nutrientes da alimentação em todo o nosso organismo, por meio de exames clínico, bioquímico e funcional dos nutrientes. As mais tradicionais e clássicas doenças da nutrição eram as defi ciências de nutrientes, como escorbuto, beribéri, pelagra etc. Hoje, como nutrólogos, estudamos e tratamos
de problemas da saúde e de doenças ligadas a nutrientes, como dislipidemias, disproteinemias, obesidade, diabetes, nutrocardiopatias, síndrome metabólica, hipertensão e certos tipos de canceropatias. Foi demonstrado que todas têm relação direta ou indireta com nutrientes, saúde, estilo e qualidade de vida.

SM: Desde quando estudos demonstram o papel dos nutrientes da alimentação na saúde?
Dutra: Há muito tempo, o comer, o alimentar-se - como diz a própria palavra – demonstra quão básico e fundamental é para a saúde, vida e qualidade de vida. Quem deixar de comer, morre, e quem come mal, fi ca doente. Por outro lado, também já foi evidenciado que não só a quantidade, mas principalmente a qualidade dos
alimentos, sua composição em nutrientes, proteínas, gorduras, açúcares, minerais e vitaminas, são fundamentais à saúde e/ou causa primária ou secundária de diferentes doenças orgânicas.

SM: Ou seja, dependendo do que você come, pode ter doenças diferentes?
Dutra: Isso começou a ser demonstrado há séculos. Na época das grandes descobertas, por exemplo, os navios que partiam da Europa levavam várias e grandes quantidades de comida, mas não frutas e verduras. Alguns dos tripulantes começaram a ficar doentes, com um quadro de lesões cutâneas e hemorragias gengivais, que caracterizavam o quadro de defi ciência de vitamina C, o escorbuto. Em outros lugares, observaram que a deficiência de certas substâncias – posteriormente chamadas de vitaminas – era responsável por uma doença que se chamou beribéri. Manifestava-se em pessoas que se alimentavam com arroz degerminado. É também o caso da pelagra, nos Estados Unidos, que aparecia nos escravos com alimentação à base de milho, deficiente em niacina e triptofano. Já a má alimentação leva a um sem número de distúrbios nutricionais.

SM: O que poderia ser considerada uma boa alimentação?
Dutra: É aquela que tem muitos nutrientes ingeridos com os alimentos em várias refeições diárias e que fornece quantidade e qualidade de todas as substâncias nutritivas necessárias e essenciais ao funcionamento normal do organismo. Uma alimentação saudável e nutritiva inclui diversos tipos de alimentos que forneçam diariamente os nutrientes necessários e essenciais à nutrição humana. É para se lamentar que o brasileiro esteja perdendo o hábito de consumir arroz com feijão, duas boas fontes locais de energia e proteínas e que estão sendo substituídas por fast foods nem sempre nutricionalmente saudáveis.

SM: Como o médico nutrólogo faz o diagnóstico dos pacientes?
Dutra: O diagnóstico nutrológico é feito pelo exame clínico e análise nutrológica e diagnósticos bioquímico e funcional dos nutrientes. Todas as pessoas precisam fazer periodicamente um checkup nutrológico dos seus nutrientes, incluindo um nutrograma para verificar seu estado nutrimental e prevenir riscos de doenças nutricionais. A vida moderna, o sedentarismo, a má alimentação em quantidade e qualidade e até o aumento da sobrevida têm exposto as pessoas a um maior risco de várias doenças ligadas direta e/ou indiretamente a nutrientes, como dislipidemias, anemias, obesidade, cardiopatias, diabetes, hipertensão e outras nutropatias. Exames médicos nutrológicos periódicos – assim como os que existem na cardiologia, na oftalmologia, na ginecologia –, deveriam também ser feitos por todos.

SM: Como é realizado o tratamento e a prevenção das doenças nutricionais?
Dutra: O tratamento da doença nutricional, a nutroterapia, é aplicado à base de medicamentos e suplementos de nutrientes, com todas as substâncias que cientificamente tenham comprovada eficácia em curar ou prevenir distúrbios de nutrientes. Não é possível indicar, prescrever e monitorar os efeitos de um remédio ou de uma dieta sem o exame e diagnóstico médico clínico nutricional. Não se pode aceitar, do ponto de vista médico e ético, a indicação, prescrição de medicamentos e de dietas com objetivo de tratamento de doenças por profissionais não médicos. Infelizmente, até leigos rotineiramente se automedicam e utilizam as mais variadas dietas nas nutropatias. O tratamento de doenças em nutrologia, como em outras especialidades médicas, tem que ser sempre indicado, prescrito e baseado na avaliação médica clinica e laboratorial dos pacientes.

SM: A obesidade está se tornando um enorme problema mundial. Como preveni-la?
Dutra: Realmente, o excesso e o consumo exagerado de comida, ao lado de fatores genéticos e ambientais, têm tornado a obesidade a grande epidemia mundial atual. É preciso que se entenda que a obesidade é uma doença nutrológica, em geral, com distúrbios de vários nutrientes e não somente com aumento de peso. Há 60 ou mais anos, o grande problema médico mundial era a falta de alimentos, a fome. Ainda ela continua para uma boa parte da população mundial. Mas, para a maioria dos habitantes do mundo, nos países em melhor situação econômica e onde se implementaram indiscriminadamente programas de alimentação assistencialista, não se ensinou a comer. Com isso, começaram a aparecer e multiplicar o sobrepeso e a obesidade, tornando-se uma grande epidemia mundial.

SM: Muitos obesos estão se submetendo à cirurgia bariátrica para emagrecer. É uma solução?
Dutra: Não. É um procedimento que está na moda e que deve ser indicado em casos especiais e sob a supervisão médica, particularmente do médico nutrólogo. Retira-se uma parte do estômago do paciente e, assim, é dificultada a absorção de nutrientes no intestino delgado. Isso traz consequências muito sérias para a saúde. As pessoas operadas não emagrecem apenas, o organismo delas fica totalmente alterado, requerendo cuidados especializados pelo resto de suas vidas. A cirurgia bariátrica irá subsistir até que mais conhecimentos fisiopatológicos da obesidade sejam encontrados.

SM: Como tornar-se nutrólogo e fazer a interface da nutrologia com a clínica médica?
Dutra: O nutrólogo é um clínico geral especializado na avaliação clínica, no diagnóstico e no tratamento de doenças nutricionais. O grande problema de uma especialidade médica nova, como a nutrologia, é ter somente uma meia dúzia de escolas médicas com ensino, residência e pós-graduação, mestrado e doutorado na área. Então, médicos recém-formados têm uma ideia superficial e treinamento muito pequeno em nutrologia. Eles podem se tornar especialista se fizerem o curso da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran). O Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) tomou a iniciativa pioneira de criar uma Câmara Técnica de Nutrologia – da qual faço parte – que, entre outras atividades, responde a consultas sobre nutrologia, nutroterapias, medicamentos, alimentos, cirurgias bariátricas etc. Procuramos mostrar, caracterizar e identificar cada vez mais o trabalho médico e ético da nutrologia
na medicina.

SM: Sendo a nutrologia tão importante para a vida e para a qualidade de vida, por que a maioria dos médicos dá tão pouca importância a ela?
Dutra: Quero acreditar, em primeiro lugar, que o motivo é que esta especialidade é nova, ainda pouco ensinada, e que os colegas médicos, os ministérios e secretarias de saúde e as assistências médicas pública e privada ainda não se aperceberam da sua importância. A Associação Médica Brasileira (AMB) já reconhece a Nutrologia como especialidade médica. Na América Latina, existe a Sociedade Latinoamericana de Nutrologia. Estamos também organizando uma Sociedade Médica Internacional de Nutrologia (International Medical Association of Nutrology), que cria, mundialmente, a Nutrologia. Temos que oferecer à população os benefícios que a especialidade traz à saúde e propomos que seja implantada em cada município uma Unidade Básica de Alimentação, Nutrologia e Saúde (Ubans).

Um cientista com visão social por Isac Jorge Filho*

Ele é sempre o primeiro a chegar e o último a sair de nossas reuniões na Câmara Técnica de Nutrologia do Cremesp. Se a gente não tomar Cuidado, fi ca com a palavra a reunião inteira. Está sempre propondo coisas e trabalhos novos. O leitor deve estar pensando que falo de um jovem colega entusiasmado com suas novas atividades. E acertou, falo mesmo de um “jovem há mais tempo”, graduado em Medicina pela Universidade de São Paulo em 1951.

José Eduardo Dutra de Oliveira é um nutrólogo absolutamente envolvido com os problemas sociais. Seus trabalhos com aspectos alimentares das populações carentes na região de Ribeirão Preto tiveram impacto internacional. Como cientista, escolheu o caminho da pesquisa envolvendo os aspectos sociais da alimentação, ao mesmo tempo que, como cidadão, sempre participou de forma efetiva e prática da vida da comunidade.

A região de Ribeirão Preto tem forte vocação para a agricultura, antes com o café, agora com a cana-de-açúcar. Os lavradores levam suas refeições para o trabalho no campo, daí serem chamados de “boias-frias”. A base dessa alimentação é o clássico e brasileiríssimo “arrozfeijão”, tido por muitos – e por muito tempo –, como alimento “fraco”, predispondo a defi ciências nutricionais. O professor Dutra de Oliveira resolveu estudar essa mistura e as populações que a utilizam, mostrando que o nosso “feijão com arroz” é comida de bom padrão nutricional. Seu livro Boias-frias: uma realidade brasileira, coordenado por ele e por sua esposa e companheira de todos momentos, Maria Helena Silva Dutra de Oliveira, rodou o mundo.

Em seu livro, Ciências nutricionais: aprendendo a aprender, escrito em parceria com Sérgio Marchini, faz mensagem de alerta aos alunos, definindo que: “As ciências nutricionais, como multidisciplinares, são biológicas e sociais nos seus fundamentos e nas suas aplicações”. Dentro de sua ampla visão não deixou de incluir um capítulo, que tive a honra de escrever, destinado aos dilemas bioéticos na produção, industrialização e distribuição dos alimentos.

Dutra de Oliveira nunca se conformou com o que denomina “alimentos que não alimentam”, incluindo aí a maioria das balinhas e refrigerantes. Seu trabalho para enriquecer tais produtos com nutrientes é contínuo. Envolvido com a comunidade onde vive, conseguiu que sucos servidos na merenda escolar de algumas cidades fossem “reforçados” com sais de ferro, o que determinou claro impacto na diminuição do número de crianças com anemia ferropriva. Fez o mesmo com a água de algumas cidades.

Cidadão do mundo, soube por uma filha, que mora na Suíça, que a China havia convencido uma grande empresa internacional de refrigerantes a adicionar alguns nutrientes à sua bebida. Tentou fazer o mesmo aqui no Brasil. Não conseguiu, em um primeiro momento. Mas, certamente, a semente estava plantada e germinou: já começam a ser lançados em nosso país refrigerantes enriquecidos com nutrientes! Este avanço se deve à persistência e trabalho de Dutra de Oliveira, um cientista-cidadão que dedica sua vida a mostrar duas coisas que parecem tão simples e que muitos, preocupados exclusivamente com tecnologias de ponta, parecem esquecer: “que a boa alimentação é fundamental, como prevenção e tratamento de doenças” e “que precisamos de alimentos que, verdadeiramente, alimentem”.

Texto extraído de: https://www.cremesp.org.br/?siteAcao=Revista&id=471

quinta-feira, 5 de maio de 2022

Leite integral, leite semidesnatado ou leite desnatado: qual a melhor opção para consumo ?

  

Os leites UHT (Ultra High Temperature) disponíveis no mercado possuem 3 apresentações: 
  • Integral, 
  • Semidesnatado,
  • Desnatado
Muitos pacientes têm dúvidas sobre quais suas diferenças e qual a melhor opção para o seu caso.

A resposta é bem simples!

A diferença está apenas no teor de #gordura de cada produto, sendo que:

🔷o integral é aquele que possui, no mínimo, 3% de gordura;
🔷o semidesnatado apresenta entre 0,6% e 2,9% de gordura;
🔷o desnatado apresenta, no máximo, 0,5% de gordura.

Essa diferença reflete principalmente no teor calórico e de vitaminas lipossolúveis (A, D e E - as últimas duas em baixas quantidades) em cada um dos produtos. 

Por exemplo, o leite integral possui aproximadamente 120kcal a cada 200mL; o semidesnatado 84kcal a cada 200mL e o desnatado 68 kcal a cada 200mL.

Qual a melhor opção?

Na verdade isso dependerá das suas necessidades nutricionais e objetivos, o que só é possível dizer através de uma avaliação completa. Mas, por exemplo, nos casos em que seja necessário uma restrição calórica e/ou maior controle de gorduras saturadas, o leite semidesnatado e desnatado podem ser opções mais interessantes. 

O oposto também é verdadeiro, caso o objetivo seja o aumento do peso corporal.

Autor: 
Rodrigo Lamonier - Nutricionista e Profissional da Educação física
Revisores: 
Dr, Frederico Lobo - Médico Nutrólogo - CRM 13192 - RQE 11915
Márcio José de Souza - Profissional de Educação física e Graduando em Nutrição. 

quarta-feira, 4 de maio de 2022

Jejum intermitente funciona?


Um estudo publicado há 2 semanas em um dos períodos médicos mais importantes do mundo (The New England Journal of Medicine) comparou  a perda de peso e redução de circunferência abdominal em adultos obesos por 12 meses.

No estudo, um grupo  foi submetido ao jejum intermitente (Time-Restricted Eating) com restrição de calorias e já o outro grupo, não seguiu o jejum intermitente e fez a restrição calórica.

Os pesquisadores selecionaram aleatoriamente 139 pacientes com obesidade (IMC>30) para alimentação com restrição de tempo (comer apenas entre 8h e 16h) com restrição calórica ou restrição calórica diária sozinha. 

Durante 12 meses, todos os participantes foram instruídos a seguir uma dieta com restrição calórica que consistia de 1.500 a 1.800 kcal por dia para homens e 1.200 a 1.500 kcal por dia para mulheres. 

O desfecho primário foi a diferença entre os dois grupos na mudança do peso corporal. Já os desfechos secundários incluíram mudanças na circunferência abdominal, índice de massa corporal (IMC), quantidade de gordura corporal e medidas de fatores de risco metabólicos.

Resultados

Do total de 139 participantes submetidos à randomização, 118 (84,9%) completaram a visita de acompanhamento de 12 meses.

A perda de peso média da linha de base em 12 meses foi de -8,0 kg (intervalo de confiança de 95% [IC], -9,6 a -6,4) no grupo de restrição de tempo e -6,3 kg (IC 95%, -7,8 a -4,7) no grupo de restrição calórica diária.

As mudanças no peso não foram significativamente diferentes nos dois grupos na avaliação de 12 meses. Os resultados das análises das circunferências da cintura, IMC, gordura corporal, massa magra corporal, pressão arterial e fatores de risco metabólicos foram consistentes com os resultados do desfecho primário.

Além disso, não houve diferenças substanciais entre os grupos no número de eventos adversos.

Conclusão

A conclusão foi que o grupo submetido ao jejum intermitente com restrição calórica e o grupo apenas com restrição calórica, sem o jejum intermitente, tiveram resultados semelhantes no que diz respeito à perda de peso e à redução da circunferência abdominal. 

O que corrobora com outros estudos feitos na mesma linha de pesquisa. O importante para a perda de peso é o déficit calórico total do dia, e não o jejum intermitente em si.

Minha opinião: à luz das evidências científicas ATUAIS não há superioridade. 

Na prática: Se o paciente se sente bem, gosta de fazer jejum, pode fazer, desde que redistribua os macronutrientes (proteína principalmente) ao longo do dia. Faça sob supervisão médica, quantificando se está ocorrendo algum déficit de nutriente e perda de massa muscular.

Acho que fui um dos primeiros perfis médicos a falar de Jejum intermitente em 2014, quando o tema ainda não tinha sido notado por médicos brasileiros. Em um primeiro momento muitos nutrólogos recriminaram esse tipo de prática, posteriormente o pessoal da endocrinologia começou a pesquisar e viram que alguns artigos mostravam benefícios. Hoje já se encontram evidências que não há superioridade. A ciência funciona assim. 

Então as mensagens que ficam são:
1) O que importa é o déficit calórico
2) Jejum não é para todos, há pessoas que sentirão mal-estar, desencadearão enxaqueca, piora de transtornos alimentares (compulsão)
3) Pacientes diabéticos em uso de hipoglicemiantes ou insulina jamais devem fazer jejum sem supervisão médica, pois, há um grande risco de hipoglicemia
4) Atletas amadores ou indivíduos que treinam cardio podem apresentar redução da performance, náuseas, vertigem quando treinarem em Jejum
5) Há risco de déficit de proteína se elas não forem redistribuídas na janela de ingestão (período em que pode comer).
6) Há risco de baixa ingestão de fibras e déficit de alguns nutrientes: ou seja, tem que fazer sob supervisão médica. 
7) Se você se sente bem, percebe melhora na cognição, na disposição (mesmo não existindo evidência científica disso), converse com o seu médico/nutricionista sobre. 
 
Fonte: Liu D, Huang Y, Huang C, Yang S, Wei X, Zhang P, Guo D, Lin J, Xu B, Li C, He H, He J, Liu S, Shi L, Xue Y, Zhang H. Calorie Restriction with or without Time-Restricted Eating in Weight Loss. N Engl J Med. 2022 Apr 21;386(16):1495-1504. doi: 10.1056/NEJMoa2114833. PMID: 35443107.

Autor: Dr. Frederico Lobo - Médico Nutrólogo - CRM-GO 13192 - RQE 11915
Revisores: 
Dra. Edite Magalhães - Médica especialista em Clínica Médica - CRM-PE 23994 - RQE 9351
Dr. Leandro Houat - CRM-SC 27920 - RQE 20548 - Médico especialista em Medicina de família e comunidade

Programação do curso de Nutrologia básica para acadêmicos de medicina

 2022 ficará marcado na minha vida, como um ano em que tirei do papel um plano antigo. O curso de nutrologia básica voltada para acadêmicos de medicina. Totalmente gratuito, EAD e com uma equipe de peso. 

Confesso que não imaginei que teria tantos amigos dispostos a me ajudar e contribuir dando aula gratuitamente. É muito bom saber que há pessoas que lutam pela especialidade e que vêem no curso uma oportunidade para se ensinar a real nutrologia. 

A grande maioria das faculdades não ensinam praticamente nada de nutrição para estudantes de medicina e isso, em pleno século XXI. O objetivo do curso é preencher essa lacuna. Por isso decidimos que o curso ocorrerá a cada dois anos e sempre gratuito, para acadêmicos de todo o país, do 5º ao 10º período. Tendo sempre 2 anos de duração, para não ficar pesado para os acadêmicos e nem para os médicos que estarão ministrando.

Na ideia inicial propus um curso de 25 horas, para 100 alunos. Posteriormente a procura foi tão grande que ofertamos 150 vagas e dobramos a carga horária. E agora em Abril de 2022 decidimos que o curso teria: 250 vagas. Todas preenchidas. Uma programação melhor que a de muita pós-graduação de Nutrologia.

Meus agradecimentos ao pessoal do GANEP, que cedeu 28 voucher pro congresso Ganepão (gratuitamente), à USP-RP que cedeu 250 inscrições gratuitamente do Congresso de Obesidade (CIOTEN) e à Associação Brasileira de Nutrologia que cederá 25 inscrições para o Congresso Brasileiro de Nutrologia.

A programação do Curso será:

MÓDULO 1: AGOSTO/2022 

05/08/22 - Sexta
19:00: Introdução à Nutrologia – Dr. Frederico Lobo – Médico Nutrólogo
20:00: Nutrologia e ética – Dra. Karoline Calfa – Médica Nutróloga e Conselheira do CRM-ES
21:00: Nutrologia e perícia judicial – Dr. Cristopher Celintano – Médico perito judicial  

06/08/22 - Sábado 09:00: Necessidades energéticas básicas – Dr. Frederico Lobo – Médico Nutrólogo
10:00: Avaliação do estado nutrológico – Dra. Márcia Beretta – Médica Nutróloga
11:00: Anamnese nutrológica – Dr. Frederico Lobo – Médico Nutrólogo
14:00: Exame físico em Nutrologia – Dr. Lucas Vaz – Médico especializando de Nutrologia (HFR)
15:00: Métodos de avaliação corporal (Bioimpedância, DEXA) e gasto energético (Calorimetria indireta) – Dr. Edvaldo Guimarães Jr – Médico Nutrólogo

07/08/22 - Domingo
08:00: Macronutrientes – Dra. Nayara Dourado – Médica Nutróloga 
09:30: Vitaminas C – Dra. Sabrina Barros – Médica Nutróloga
10:00: Vitaminas B1 e B2 – Dr. Frederico Lobo – Médico Nutrólogo
10:30: Vitaminas B3, B5 e B6 – Dr. Frederico Lobo – Médico Nutrólogo
11:00: Vitaminas Ácido fólico e B12 – Dr. Frederico Lobo – Médico Nutrólogo
14:00: Vitaminas A, E, k – Dr. Frederico Lobo – Médico Nutrólogo e Dra. Juliany Luz – Médica Nutróloga e especialista em Medicina de família
15:00: Vitamina D – Dra. Isabella Lacerda Marx – Médica R4 de Nutrologia 
16:00: Cálcio – Dr. Lucio Vieira – Médico endocrinologista
17:00: Ferro – Dr. Audie Nathaniel Momm – Médico Nutrólogo e Nutricionista 
18:00: Magnésio – Dr. Frederico Lobo – Médico Nutrólogo
18:30: Zinco – Dra. Elza de Mello – Médica Nutróloga, Pediatra, Gastropediatra e Nutricionista
19:00: Microminerais – Cobre – Dr. William Macedo Faria – Médico R4 de Nutrologia 
19:30: Microminerais – Selênio, Cromo, Manganês – Dra. Brenda Prates – Médica Nutróloga

10/08/22 - Quarta
19:00: Fibras alimentares – Dra. Nayara Dourado – Médica Nutróloga
20:00: Experiência como residente ou especializando em serviços de Nutrologia reconhecidos pela ABRAN
Dr. Plinio Augusto Moreira – Médico cirurgião geral e estagiário em Nutrologia (HCFMUSP-SP)
Dra. Julia Pacheco – Médica R4 de Nutrologia (IGESP – SP)
Dra. Isabella Lacerda Marx – Médica R4 de Nutrologia (Hospital Felício Rocho – BH)
Dr. Hiago Amorim – Médica Especializando (IAMSPE – SP)

MÓDULO 2:  DEZEMBRO/2022 

02/12/22 - Sexta
19:00: Triagem nutricional, risco nutricional e fisiopatologia do doente crítico – Dra. Simone Silvestre – Médica Nutróloga com área de atuação em Nutrição enteral e parenteral. 
21:00: Dispositivos para terapia nutricional – Dr. Alexandre Matos – Médico Nutrólogo

03/12/22 - Sábado
09:00: Sinais e sintomas de déficit nutricional – Dr. Frederico Lobo – Médico Nutrólogo
14:00: Nutrição enteral: indicações contraindicações, complicações – Dr. Alexandre Matos – Médico Nutrólogo
16:00: Nutrição parenteral: indicações contraindicações, complicações – Dr. Alexandre Matos – Médico Nutrólogo

04/12/22 - Domingo
14:00: Grandes queimados, pancreatite aguda – Dr. Alexandre Matos – Médico Nutrólogo 

MÓDULO 3: FEVEREIRO/2023 

03/02/23 - Sexta
19:00: Diabetes mellitus – Dra. Tatiana Abrão – Médica Nutróloga, Endocrinologista e especialista em Clínica Médica
21:00: Síndrome metabólica – Dr. Luiz Viola – Médico Nutrólogo, Endocrinologista e especialista em Clínica Médica
21:30: Esteatose hepática não-alcoólica – Dr. Luiz Viola – Médico Nutrólogo, Endocrinologista e especialista em Clínica Médica

04/02/23 - Sábado
08:00: Acolhimento do paciente portador de obesidade – Dr. Bruno de Andrade – Médico Nutrólogo
09:00: Conceito e epidemiologia da Obesidade - Dr. Frederico Lobo – Médico Nutrólogo
09:30 – Diagnóstico, Classificação e Complicações da obesidade – Dr. Frederico Lobo – Médico Nutrólogo
11:00 – Fisiopatologia da Obesidade – Dr. Luiz Viola – Médico Nutrólogo, Endocrinologista e especialista em Clínica Médica
14:00 – Tratamento dietético da obesidade – EM ABERTO
15:00 – Atividade física na obesidade – Dr. Lucas Vaz – Médico especializando de Nutrologia (HFR)
16:00 – Tratamento medicamentoso da obesidade – Dra. Julia Pacheco – Médica R4 de Nutrologia (IGESP – SP)
17:00 – Tratamento cirúrgico da obesidade – Dr. Plínio Fonseca – Médico cirurgião geral e R4 de Nutrologia

05/02/23 - Domingo
09:00: Nutroterapia nas alterações da pele e fâneros – Dr. Jyean Muchon – Médico R4 de Nutrologia
10:00: Nutrologia e gestação – Dra. Alessandra Bedin – Médica Nutróloga, Ginecologista e Obstetra
11:00: Hipertensão arterial sistêmica – Dra. Ana Valéria Ramirez – Médica Nutróloga
14:00: Dislipidemias – Dra. Giseli Albach Lenz - Médica Nutróloga
15:00: Desnutrição – Dr. Pedro Dal Bello – Médico Nutrólogo e Oncologista clínico
16:00: Sarcopenia e Caquexia – Dr. Pedro Dal Bello – Médico Nutrólogo e Oncologista clínico

MÓDULO 4: AGOSTO/2023 

04/08/23 - Sexta
19:00: Cafeína, Whey Protein, Creatina – Dr. Limiro Silveira – Médico Nutrólogo
21:00 – Composição corporal e contraceptivos – Dr. Ênio Damaso – Médico Nutrólogo, Ginecologista e Obstetra

05/08/23 - Sábado
09:00: Intolerâncias alimentares – Dr. Frederico Lobo – Médico Nutrólogo
10:00: Síndrome do intestino irritável – Dr. Frederico Lobo – Médico Nutrólogo
11:00: Constipação intestinal – Dra. Beth Hong – Médica Nutróloga
14:00: Disbiose intestinal – Dr. Frederico Lobo – Médico Nutrólogo
16:00: Nutrologia e processos éticos profissionais – Dra. Giovana Rassi – Advogada e especialista em Direito Médico

06/08/23 - Domingo
09:00: Hiperuricemia e gota – Dra. Aritana Alves – Médica Nutróloga
10:00: Litíase renal – Dra. Aritana Alves – Médica Nutróloga
14:00: Doença renal crônica – Dra. Aritana Alves – Médica Nutróloga
15:00: Hepatopatias e Nutrologia – Dr. Alexandre Matos – Médico Nutrólogo
16:00: Oncologia nutrológica – Dr. Pedro Dal Bello – Nutrólogo e Oncologista clínico

MÓDULO 5: NOVEMBRO/2023 

10/11/23 - Sexta
19:00: Doença celíaca – Dra. Livia Brito – Médica Nutróloga
20:00: Jejum intermitente – Dra. Juliany Luz – Médica Nutróloga e especialista em Medicina de família e comunidade
21:00: Mitos em Nutrologia – Dr. Guilherme Araújo – Médico Nutrólogo

11/11/23 - Sábado
09:00: Psiquiatria Nutricional, neurotransmissores e estilo de vida – Dr. Alexandre Pinto Azevedo – Médico Psiquiatra
14:00: Anorexia e Bulimia – Dra. Amanda Weberling – Médica Nutróloga
15:00: Compulsão alimentar – Dra. Amanda Weberling – Médica Nutróloga
16:00: Ortorexia, Vigorexia – Dr. Luiz Barbosa Neto – Médico Nutrólogo

12/11/23 - Domingo
09:00: Alimentos funcionais – Rodrigo Lamonier – Nutricionista 
10:00: Reducitarianismo,Vegetarianismo e veganismo – Dr. Luiz Barbosa Neto – Médico Nutrólogo 
14:00: Nutrologia comportamental – Dra. Edite Magalhães – Médica especialista em Clínica Médica
15:00: Anemias carenciais – Dra. Edite Magalhães – Médica especialista em Clínica Médica
16:00: Nutrologia na ESF – Dra. Juliany Luz – Médica Nutróloga e especialista em Medicina de família e comunidade e Dr. Leandro Houat – Médico especialista em Medicina de família e comunidade

Espero de coração que os alunos gostem e apliquem os conhecimentos após formarem.

terça-feira, 3 de maio de 2022

Ter gordura no fígado (Esteatose hepática) não é normal e nós podemos te provar

Apesar de ser um achado frequente nas ultrassons de abdômen realizadas como “rotina”, sendo conhecida como a doença do fígado mais frequente da atualidade, a esteatose hepática não é um achado normal como muitos insistem. 

Ela é uma condição na qual ocorre excessivo acúmulo de lipídeos (gordura) nas células do fígado (hepatócitos) e que pode progredir.

A esteatose hepática é classificada em dois grandes grupos: 
  • Causada pelo consumo excessivo e crônico de bebidas alcoólicas; 
  • Causada por outros fatores de risco e denominada Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA). 
A evolução natural da DHGNA é, ao longo dos anos, poder se transformar em esteatoepatite (inflamação), cirrose e carcinoma hepatocelular (câncer de fígado). 

No Brasil, estudos utilizando a ultrassonografia como método diagnóstico, encontraram em torno de 20% de esteatose hepática na população geral, ou seja, é um problema de saúde pública e não pode ser menosprezado! 

DHGNA é considerada uma manifestação de grande desordem metabólica, e sua prevalência eleva-se na presença de obesidade e diabetes mellitus. Além disso, podemos citar outros fatores de risco como dislipidemia, hipertensão arterial e uso de esteroides anabolizantes. 

A grande maioria dos pacientes não apresentam sinais ou sintomas, pois esta é uma doença silenciosa, sendo inicialmente identificada porque o paciente realizou uma ultrassonografia de abdômen como parte de seus exames clínicos de rotina. 

Infelizmente não existe um tratamento medicamentoso específico, com boas evidências científicas, para essa condição, sendo o grande foco do tratamento a perda de peso e controle das comorbidades associadas a essa condição. 

Entre as drogas que vêm sendo mais estudadas estão os antioxidantes e os hipolipemiantes. 

As estatinas foram testadas em diversos estudos e os achados não têm sido consistentes, porém sabemos que são medicamentos bem tolerados e seguros nos pacientes com EHNA, geralmente melhoram o perfil lipídico, aminotransferases (TGO e TGP) e diminuem a incidência de eventos cardiovasculares (que são a principal causa de morte neste grupo de pacientes). Não estão aprovadas como uma classe de medicamentos específicos para o tratamento da EHNA. 

Entre as drogas antioxidantes, a mais estudada é a vitamina E com resultados não homogêneos nos estudos. Deve ser usada com cautela até que tenhamos mais estudos sobre sua eficácia e segurança. 

Doses acima de 270mg de alfa-tocoferol podem ter efeito tóxico no organismo (favorecer alteração na coagulação, ou seja o uso não é recomendado para quem usa anticoagulante ou quem tem distúrbios da coagulação).

Alguns estudos mostram maior risco de câncer de próstata, ou seja, pacientes com alto risco de câncer de próstata devem utilizar com cautela, somente sob prescrição médica. 

Além disso a vitamina E em alguns trabalhos evidenciou aumento da mortalidade em pacientes diabéticos. 

Evidências sugerem apenas para pacientes com estádio de fibrose > 2 (calcular o estágio de fibrose é o grande entrave pois a elastografia não está acessível para todos os pacientes).

Já uma droga hipoglicemiante, chamada pioglitazona tem evidência em pacientes diabéticos e aconselhada nesse público. Os efeitos colaterais superam os benefícios em pacientes não diabéticos 
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Os análogos de GLP 1 estão começando a mostrar algum grau de evidência e sucesso.

E ATENÇÃO: Não são recomendados suplementos alimentares.

Autora: Dra. Edite Magalhães - Médica especialista em Clínica Médica - CRM-PE 23994 - RQE 9351
Revisores: 
Dr. Frederico Lobo - Médico Nutrólogo - CRM-GO 13192 - RQE 11915
Dr. Leandro Houat - CRM-SC 27920 - RQE 20548 - Médico especialista em Medicina de família e comunidade

Por que a dieta te faz engordar - Por Bruno Gualano

Viver em dieta não é moleza. Mesmo assim, podemos estimar que 4 a cada 10 leitores desta coluna tentaram perder peso nos últimos 5 anos. Entre 10 que conseguiram a proeza de reduzir o ponteiro da balança, 8 recuperaram os quilos perdidos no primeiro ano. E, pasmem, outros tantos tiveram um destino ainda pior.

Em 1983, "Dieting makes you fat" ("A dieta te faz engordar"), de Geoffrey Cannon e Hetty Einzig, prenunciava um aparente paradoxo: 1 a cada 3 pessoas que recorrem a dietas tende a ganhar mais peso no futuro do que perdeu inicialmente. Daí o provocativo título do best-seller.

Três décadas se passaram e o assunto continua quente.

A restrição de calorias ainda é componente central do tratamento de pessoas com sobrepeso e obesidade, não obstante sua taxa de sucesso bastante variável.

Em contrapartida, temos evidências suficientes para afirmar que indivíduos com peso normal que fazem dietas apresentam maior propensão a engordar ao longo da vida.

Essa constatação advém de diferentes tipos de estudos. Numa pesquisa com gêmeos, aqueles que reportavam praticar dietas restritivas durante a adolescência —em comparação aos que não tinham esse hábito— apresentaram maior risco de sobrepeso aos 25 anos de idade.

Atletas de elite que costumeiramente necessitam baixar peso para competir, tais como boxeadores e halterofilistas, tendem a exibir maior massa corporal do que seus pares envolvidos em modalidades que não demandam um rígido controle de peso.

Num dos mais clássicos estudos sobre dietas —o "Experimento de Fome em Minnesota"—, homens saudáveis foram submetidos a uma austera restrição calórica por 6 meses, que resultou na perda de 25% do peso corporal. Alguns participantes puderam se alimentar à vontade por 2 meses subsequentes. Os pesquisadores notaram que a sensação de fome dos voluntários alcançou patamares superiores aos do início do estudo, assim permanecendo por semanas, mesmo após a recuperação completa do peso perdido.

As explicações para esses resultados estão na origem da nossa espécie.

Nossos genes foram esculpidos ao longo de milhões de anos de evolução pelo martelo da imprevisibilidade alimentar. Isto nos forjou econômicos, poupadores. De tal sorte que uma queda abrupta do peso corporal —via restrição de calorias, por exemplo— desencadeia uma resposta fisiológica vigorosa, rumo à recuperação do peso perdido.

Quando perdemos peso, eliminamos gordura e músculo. E a baixa nos estoques de ambos os tecidos, interpretada pelo nosso cérebro como um risco à sobrevivência, aciona o sinal da fome. Isso explica, aliás, por que frequentemente sabotamos as dietas.

Ocorre que o botão da fome permanece ativado mesmo quando recuperamos toda a gordura inicialmente perdida.

A voracidade pela comida só alivia com a retomada da massa muscular, que se dá de modo mais lento do que a de gordura —muitas vezes, quando já estamos mais gordos do que antes da dieta.

Esse mecanismo —chamado de fat overshooting (algo como supercompensação de gordura)— ajuda a explicar por que dietas restritivas podem nos fazer engordar no futuro.

O ciclo de perda e ganho de peso (mais ganho do que perda, a rigor)— popularmente conhecido como efeito sanfona— está associado com maiores riscos cardiovasculares e de mortalidade, além de distúrbios de autoimagem, transtornos alimentares e de ansiedade.

Em que pese a onipresente pressão social pelo corpo magro, a tentativa de emagrecer pessoas com peso normal é clinicamente incoerente. E pode muito bem produzir o oposto do pretendido.