terça-feira, 9 de julho de 2019

Estudo da USP mostra a importância de manter massa muscular para longevidade

Pesquisadores da USP analisaram dados de 839 idosos com 65 anos ou mais para analisar como a quantidade de músculos influencia na longevidade de cada um. Eles concluíram que o risco de mortalidade foi quase 63 vezes maior entre as mulheres com pouca massa muscular. Entre os homens com menos massa muscular, a chance de morrer foi 11,4 vezes maior.

As primeiras medidas foram anotadas entre 2005 e 2007. Quatro anos depois, 132 dos voluntários haviam morrido. Desses, 43,2% faleceram por problemas no coração . Entre os homens, 20% morreram, enquanto entre as mulheres, 13%. De modo geral, os participantes que morreram eram mais velhos, faziam menos exercícios , tinham diabetes e doenças do coração.

— Quando a gente viu as causas de morte, cerca de 40% foram devido a doenças cardiovasculares , por insuficiência cardíaca. Há dois fatores por trás disso. O primeiro é que o sujeito que vai ter uma doença cardíaca tem menos músculos porque qualquer doença crônica é uma inflamação. E a inflamação diminui a produção muscular— explica Rosa Maria Rodrigues Pereira, professora da Disciplina de Reumatologia da Faculdade de Medicina da USP e coordenadora da pesquisa. — Em qualquer doença crônica você acaba produzindo menos músculos. Isso acontece também em doenças reumatológicas e diabetes, por exemplo. O segundo fator é que a atividade física é boa para a atividade cardiovascular.

Alimentação: carne, feijão e grão de bico ajudam a manter a massa muscular
A médica explica que a perda de massa muscular acontece naturalmente após os 40 anos, e pode passar despercebida com o ganho de peso de gordura. Estima-se que,  após os 50 anos, entre 1% e 2% da massa muscular seja perdida anualmente. Entre os fatores que podem acelerar o fenômeno estão sedentarismo , dieta pobre em proteínas , doenças crônicas e hospitalização.

Para recuperar a massa muscular perdida, a médica Maria Rodrigues indica uma rotina de exercícios físicos e uma dieta rica em proteínas .

— Não estamos falando aqui de dietas “low carb”, em que a pessoa aumenta demais o consumo de carne. O importante é que você tenha uma boa ingestão de proteínas, que podem ser tanto de origem animal quanto vegetal. É importante, a partir dos 60 anos, continuar comendo peixe, ovo, carne e frango. Ou proteínas de origem vegetal: feijão, grão de bico, lentilha e amêndoas, por exemplo. E a atividade física, com musculação, com pesos, que é uma coisa boa para aumentar a massa muscular.

Quase metade dos brasileiros perde músculos a partir dos 80 anos
O estudo foi feito na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP). Os cientistas avaliaram a quantidade de músculos que cada pessoa tinha nos braços e nas pernas, além da quantidade de gordura nas camadas abaixo da pele e entre os órgãos vitais. 

O grupo desenvolveu uma equação para determinar, com base nas características estatísticas da população estudada, quais indivíduos poderiam ser considerados com massa muscular abaixo da média. Cerca de 20% das pessoas que participaram da pesquisa tinham massa muscular abaixo da média.

A perda músculos associada ao envelhecimento é conhecida como sarcopenia. Dados da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia indicam que 46% dos brasileiros acima de 80 anos sofrem disso.

Os voluntários que participaram da pesquisa da USP foram examinados por uma técnica conhecida como densitometria por emissão de raios X de dupla energia. Rápido e indolor, o exame não requer nenhum preparo especial e é realizado com baixa intensidade de exposição aos raios X. Esse tipo de densitometria fornece as informações de massa óssea, magra e de gordura do corpo inteiro ou de partes específicas, expressas em porcentagem da massa total. O equipamento foi adquirido com auxílio da Fapesp.

Ministério da Agricultura proíbe venda de seis marcas de azeite

Azeite de oliva de seis marcas foram proibidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento de serem vendidos no Brasil, após a fiscalização encontrar produtos fraudados e impróprios ao consumo. Os produtos das marcas Oliveiras do Conde, Quinta Lusitana, Quinta D’Oro, Évora, Costanera e Olivais do Porto devem ter os produtos recolhidos dos supermercados de todo o país até a próxima segunda-feira.

Caso a medida não seja cumprida, os comerciantes serão advertidos e posteriormente denunciados ao Ministério Público Federal, para eventual responsabilização criminal. Eles também podem receber multas de R$ 5 mil por ocorrência com acréscimo de 400% sobre o valor comercial dos azeites. 

As fraudes foram encontradas em oito estados, como Alagoas e Santa Catarina. Foram analisadas 19 amostras do Oliveiras do Conde; oito do Quinta Lusitana e duas da marca Évora. Da Costanera e Olivais do Porto, foram encontrados rótulos em uma fábrica clandestina, em Guarulhos, São Paulo. Os responsáveis pelas marcas são Rhaiza do Brasil Ltda, Mundial Distribuidora e Comercial Quinta da Serra Ltda.

Segundo o diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (Dipov) do Ministério, Glauco Bertoldo, a proibição aconteceu após uma operação realizada no início de maio, pela Delegacia de Polícia de Guarulhos (Demacro – PC/SP), que descobriu uma fábrica clandestina de azeites falsificados.
No local, os policiais encontraram uma mistura de óleos, sem a presença de azeite de oliva. “Atualmente, o azeite de oliva é o segundo produto alimentar mais fraudado do mundo, perdendo apenas para o pescado”, alerta o diretor. Glauco Bertoldo adverte que a adulteração e falsificação de azeite de oliva, além de ser fraude ao consumidor, é crime contra a saúde pública.

O Ministério alerta para que o consumidor desconfie de azeites mais baratos, pois podem ser fruto de fraudes. Glauco ressalta, ainda, que o verdadeiro azeite de oliva tem preço a partir de R$ 17, enquanto os falsificados custam em média entre R$ 7 e R$ 10.

Reducitarianismo: uma opção para quem deseja reduzir o consumo de carne vermelha

Lançado na Europa mapa do envenenamento de alimentos no Brasil

Em exposição crônica aos agrotóxicos, brasileiro corre mais risco de morte e desenvolvimento de doenças

Um ousado trabalho de geografia que mapeou o nível de envenenamento dos alimentos produzidos no Brasil foi lançado em maio, em Berlim, na Alemanha, país que contraditoriamente sedia as maiores empresas agroquímicas do mundo. Quem estava presente no lançamento do atlas Geografia do uso de agrotóxicos no Brasil e conexões com a União Europeia ficou perplexo com a informação sobre o elevado índice de resíduos agrotóxicos permitidos em alimentos, na água potável, e que, potencialmente, contamina o solo, provoca doenças e mata pessoas. A obra, que já foi publicada no Brasil, é de autoria da geógrafa Larissa Mies Bombardi, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.

O Brasil é campeão mundial no uso de pesticidas na agricultura, alternando a posição dependendo da ocasião apenas com os Estados Unidos. O feijão, a base da alimentação brasileira, tem um nível permitido de resíduo de malationa (inseticida) que é 400 vezes maior do que aquele permitido pela União Europeia; na água potável brasileira permite-se 5 mil vezes mais resíduo de glifosato (herbicida); na soja, 200 vezes mais resíduos de glifosato, de acordo com o estudo, que é rico em imagens, gráficos e infográficos. “E como se não bastasse o Brasil liderar este perverso ranking, tramita no Congresso nacional leis que flexibilizam as atuais regras para registro, produção, comercialização e utilização de agrotóxicos”, relata Larissa.

A pesquisadora explica que o lançamento do atlas na Europa se deu pelo fato de a Alemanha sediar a Bayer/Monsanto e a Basf, indústrias agroquímicas que respondem por cerca de 34% do mercado mundial de agrotóxicos. A Monsanto, recentemente incorporada ao grupo Bayer, é a líder mundial de vendas do glifosato, cujos subprodutos têm sido associados a inúmeras doenças, incluindo o câncer e o Alzheimer. “Queríamos promover discussão sobre a contradição de sediarem indústrias que controlam toda a cadeia alimentar agrícola – das sementes, agrotóxicos e fertilizantes – e serem rigorosos quanto ao uso de mais de um terço dos pesticidas que são permitidos no Brasil. Eles são corresponsáveis pelos problemas gerados à população porque vendem e exportam substâncias sabidamente perigosas, porém, proibidas em seu território”, diz.

Intoxicação e suicídios

Segundo a geógrafa, as perdas não se limitam à contaminação de alimentos e dos cursos d’água. O atlas traz informações de que, depois de extensa exposição aos agrotóxicos, ocorrem também casos de mortes e suicídios associados ao contato ou à ingestão dessas substâncias.

Entre 2007 e 2014, o Ministério da Saúde teve cerca de 25 mil ocorrências de intoxicações por agrotóxicos. O atlas mapeia as regiões mais afetadas: dos Estados brasileiros, durante o período da pesquisa, o Paraná ficou em primeiro lugar, com mais de 3.700 casos de intoxicação. São Paulo e Minas Gerais ficaram na segunda colocação, com 2 mil. Das 3.723 intoxicações registradas no Paraná, 1.631 casos eram de tentativas de suicídio, ou seja, 40% do total. Em São Paulo e Minas gerais o porcentual foi o mesmo. No Ceará, houve 1.086 casos notificados, dos quais 861 correspondiam a tentativas de suicídio, cerca de 79,2%. Os mapas de faixa etária mostram que 20% da população afetada era composta de crianças e jovens com idade até 19 anos. Segundo Larissa, no Brasil, há relação direta entre o uso de agrotóxicos e o agronegócio. Em 2015, soja, milho e cana de açúcar consumiram 72% dos pesticidas comercializados no País.

O atlas Geografia do uso de agrotóxicos no Brasil e conexões com a União Europeia, em português, foi lançado no Brasil em 2017 e traz um conjunto de mais de 150 imagens entre mapas, gráficos e infográficos que abordam a realidade do uso de agrotóxicos no Brasil e os impactos diretos deste uso no País. A pesquisa que deu origem à publicação teve o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Em Berlim, o lançamento aconteceu na sede do ENSSER (European Network of Scientists for Social and Environmental Responsability), rede europeia sem fins lucrativos que reúne cientistas ativistas responsáveis ambiental e socialmente, em Glasgow, Escócia. O suporte financeiro para o lançamento do atlas na Europa foi da FFLCH e da Pró-Reitoria de Pesquisa da USP.

Estados Unidos provavelmente banirão agrotóxico com ação neurotóxica e é um dos mais vendidos no Brasil

Clorpirifós, inseticida de uso caseiro e em plantações diversas, tem riscos neurológicos comprovados; corte americana determinou que agência reguladora dos EUA proíba o uso. Para ler mais acesse: 

terça-feira, 2 de julho de 2019

Antidepressivos na geladeira? Ciência estuda como dieta afeta a saúde mental

Recostado no divã, um homem qualquer descreve um sentimento de ansiedade que o oprime todos os dias. Ele o descreve como se fosse um convidado faminto que não quer ir embora, uma visita indesejada que o obriga a colocar mais e mais aperitivos sobre a mesa, e não é só uma metáfora. Também fala de outros assuntos e relata estados passageiros de tristeza que não pode explicar facilmente. De repente, o psiquiatra tira os óculos, os coloca lentamente sobre a mesinha ao lado e faz uma estranha pergunta a seu paciente... “O que tem dentro de sua geladeira?”, diz. O olhar do homem revela um compreensível estranhamento diante do rumo do interrogatório, mas a questão da qualidade nutricional dos alimentos parece não ser insignificante no que se refere à saúde mental.

Há décadas que os cientistas conhecem os benefícios que uma dieta e nutrição adequadas têm no desenvolvimento das doenças cardiovasculares, digestivas e endócrinas. E não só os médicos são conscientes de que a saúde entra pela boca; a informação dirigida aos mortais comuns para cuidar de sua dieta é tudo, menos escassa. A situação é muito diferente no campo da psiquiatria, ainda que nos últimos anos um número crescente de pesquisas mostra que a alimentação não só tem um papel crucial em nossa saúde física como também na mental. Se levarmos em consideração que a depressão é uma das doenças que se relacionam com a qualidade nutricional da dieta, a ideia de que a felicidade está no prato não é tão disparatada.

Inflamação, um nexo de união entre dieta e doença

É óbvio que as emoções e a comida estão relacionadas; todos nós já fomos fortemente impelidos à geladeira em momentos de ansiedade, e a terapia para superar os momentos de tristeza à base de sorvete é um clássico nos filmes que giram em torno às decepções amorosas. As evidências são muito mais esquivas em uma ótica empírica, mas a comunidade científica começou a se perguntar por que a doença mental também não é tratada da perspectiva nutricional, e os especialistas encontraram um paradoxo muito interessante.

“As doenças psiquiátricas, como a depressão e a esquizofrenia, não são muito diferentes da diabetes se olharmos as mudanças que ocorrem no organismo a um nível molecular. As pessoas com diabetes e com depressão se encontram em um estado de inflamação sistêmica leve, mas crônica”, diz o professor de psiquiatria e psicologia médica da Universidade de Valência e membro do comitê executivo da Sociedade Internacional para a Pesquisa em Psiquiatria Nutricional Vicent Balanzá. “Assumindo isso, as intervenções com dieta e nutrição podem ser eficazes para corrigir a inflamação também nas doenças psiquiátricas e, em geral, para melhorar o prognóstico das pessoas que as sofrem. No final das contas, a divisão entre cérebro-mente e corpo não tem fundamento científico”, acrescenta o também pesquisador do Centro de Pesquisa Biomédica em Rede de Saúde Mental.

Por isso médicos e pesquisadores de todo o mundo começaram a trabalhar sinergicamente para averiguar mais sobre as relações entre os nutrientes e a mente e englobaram o conhecimento adquirido sobre o termo de psiquiatria nutricional. Um dos maiores expoentes da disciplina emergente, o agricultor e psiquiatra da Universidade Columbia, em Nova York (EUA), Drew Ramsey, defende que uma dieta deficiente é um dos maiores fatores que contribuem à depressão. Nesse sentido, uma das metanálises mais recentes publicadas sobre os efeitos da nutrição na saúde mental, da qual participaram cientistas do mundo todo (incluindo dois grupos de pesquisa espanhóis), descobriu que “manter uma dieta saudável, em particular uma dieta mediterrânea tradicional, e evitar uma dieta proinflamatória parece dar certa proteção contra a depressão em estudos observacionais. Isso proporciona uma base de evidência razoável para avaliar o papel das intervenções dietéticas para prevenir a depressão”, diz o texto.

“O crescente campo da psiquiatria nutricional evidencia muitas consequências e correlações entre o que comemos com a forma como nos sentimos e como nos comportamos. É um assunto que ganha cada vez mais força”, diz a psiquiatra especialista em transtorno de vícios e medicina legal Paula Vernimmen. Mas podemos melhorar nossa saúde mental mudando nossa alimentação? Existem alimentos que nos fazem felizes e vice-versa?

Não procure um alimento milagroso, o importante é a dieta

Balanzá alerta que a relação entre os nutrientes e a depressão é muito complexa, e que não é tão direta como pode parecer. Entre outras coisas, porque no desenvolvimento da doença mental há a intervenção de numerosos fatores além desse. “Por exemplo, as diferenças genéticas entre os indivíduos que fazem com que os déficits nutricionais repercutam mais ou menos no risco de se adoecer. E nos últimos anos aprendemos que o mais relevante à saúde mental é o padrão dietético, a dieta, mais do que um alimento e um nutriente concretos. O que importa ao nosso cérebro é a diversidade e a harmonia entre eles. A dieta é como uma orquestra que pode emitir uma linda música, a saúde, se a cultivarmos”, diz o pesquisador.

E se a mediterrânea pode ter efeitos terapêuticos sobre a depressão, uma dieta inadequada poderia piorar seus sintomas? A resposta é sim, especialmente no caso das “dietas hipercalóricas, mas pobres em nutrientes, baseadas em produtos ultraprocessados e comida rápida”, confirma Balanzá. Uma dieta saudável, como a mediterrânea, “traz nutrientes fundamentais para o cérebro, como diversos minerais, vitaminas, aminoácidos essenciais e ácidos graxos essenciais. São importantes porque têm efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios e neuroprotetores, que ajudam a combater melhor as consequências negativas do estresse. Mas a carência de nutrientes essenciais tem repercussões ao cérebro das pessoas em geral. Assim, o déficit de algumas vitaminas, como o folato e a vitamina B12, se relaciona com um estado de ânimo depressivo e com a deterioração cognitiva”, diz o especialista.

De fato, em um trabalho de 2015 publicado na BMC Medicine os cientistas observaram que uma ingestão menor de alimentos densos em nutrientes e uma maior de comida pouco saudável se associa a um menor volume do hipocampo esquerdo. “Essa foi a primeira demonstração em humanos de que a qualidade da dieta pode repercutir em estruturas cerebrais”, afirma Balanzá.

Diminuir o risco de depressão em até 35%
De acordo com a doutora Vernimmen, esse campo de pesquisa está proporcionando descobertas satisfatórias. Por exemplo, se sabe que “as pessoas que seguem dietas ricas em verduras, frutas, grãos sem processar, peixes e mariscos, que contêm poucas quantidades de carnes magras e laticínios, têm risco de depressão de 25% a 35% mais baixo. Além disso, uma má hidratação, o consumo de álcool, de cafeína e o hábito de fumar podem precipitar e estimular os sintomas de ansiedade”. A especialista acrescenta que os picos altos de açúcar “podem imitar de uma crise de ansiedade a um ataque de pânico”. Por último, “os períodos prolongados de jejum, em que são gerados estados hipoglicemiantes — caracterizados pela diminuição dos níveis de açúcar no sangue —, podem simular sintomas de depressão”.

Mas ainda que todas essas descobertas sejam, sem dúvida, emocionantes, é preciso lidar com elas com rigor acadêmico como o demonstrado por Balanzá, que vê essa nova tendência com otimismo moderado. “Não é suficiente pressupor que as vitaminas e os probióticos favorecem a saúde mental porque são naturais e saudáveis. Nos testes clínicos é preciso exigir o mesmo rigor metodológico que se pede aos remédios. Uma mensagem importantíssima à população é que melhorar a dieta por si só não irá curar os transtornos mentais e saber isso é vacinar-se contra as promessas dos charlatões e as pseudociências”.

Logo saberemos mais. Desde 2013 um grupo de 300 profissionais psiquiatras, epidemiologistas, nutricionistas, dietistas, psicólogos e pesquisadores básicos se reúnem anualmente para gerar e difundir conhecimento científico. Nesse ano o farão em Londres para falar, justamente, de psiquiatria nutricional. Será uma boa oportunidade para ver em que ponto está essa disciplina que já está ocupando espaços e gerando uma nova narrativa sobre a saúde mental.

Amazônia: garimpos jogam ‘uma Brumadinho’ a cada 20 meses no Tapajós

Já faz alguns anos que a Amazônia passa por mais uma corrida do ouro, só que desta vez “moderna”, como dizem os locais pró-garimpo. Não pelas preocupações socioambientais crescentes, mas pelo uso de máquinas que substituem parte daquele formigueiro de gente que víamos no passado por um formigueiro mecanizado. São os chamados “PCs”, retroescavadeiras hidráulicas que avançam de forma insana e avassaladora abrindo crateras sobre a floresta.

O artigo é de Caetano Scannavino, Empreendedor social, morador da Amazônia e coordenador do Projeto Saúde e Alegria.

No mais, os garimpos continuam como nos tempos do Velho Oeste, mercuriais e febris por ouro, com governos coniventes, leis próprias, sempre em nome do desenvolvimento como única alternativa para sobrevivência econômica, pouco importando se estão em áreas proibidas como terras indígenas (TIs) ou unidades de conservação (UCs).

Só no território Yanomami são mais de 10 mil garimpeiros cavando a floresta, assoreando rios, contaminando águas, corrompendo indígenas, chamando violência, prostituição, armas e drogas.

Já na bacia do Tapajós, vindos dos garimpos ilegais dentro das Flonas (Florestas Nacionais) e Terras Munduruku, são despejados por ano mais de 7 milhões de toneladas de sedimentos – o equivalente a um Brumadinho a cada 20 meses.

O mercúrio é um desses rejeitos. Ele é metilado no fundo dos rios, quando então pode ser dissolvido nas células dos peixes que vão alimentar as pessoas. Segundo o Dr. Erik Jennings, médico neurologista que atua no Tapajós, existem vários estudos que apontam níveis mercuriais bastante altos nos índios Munduruku (medidos através do cabelo).

“Disso não temos mais dúvidas. O que falta agora são os estudos clínicos, examinando bem a parte neurológica das pessoas, para se ver a consequência que eles já estão tendo. A intoxicação mercurial atinge o sistema nervoso deixando as pessoas sem concentração, reduz a memória, a coordenação, causa déficit de inteligência e tremores incontroláveis. E as crianças geradas por mães contaminadas também terão consequências devastadoras em seus cérebros. Então, temos um grave problema social aí. Sem plena capacidade cognitiva, o mercúrio tira das pessoas a capacidade de competir e sobreviver numa sociedade de forma justa.”

Se já estava ruim nos governos anteriores, tende a piorar ainda mais com um presidente que quer liberar o garimpo em terras indígenas. A tática é deixar os índios à mercê dos garimpeiros ilegais, sem as devidas medidas protetivas ao mesmo tempo que fecham as torneiras dos serviços assistenciais, colapsando a atenção básica, a segurança alimentar… Sem opções, alguns indígenas acabam induzidos a buscar apoio junto aos próprios garimpeiros, estabelecendo acordos e/ou se envolvendo diretamente nas atividades extrativas. Com isso, pressionam para dividi-los, abrindo as portas para a entrada de novos invasores. É perverso.

Até agora, pouco se ouviu sobre políticas que diversifiquem as cadeias produtivas, reduzam a dependência do ouro e incentivem a transição para economia da floresta em pé. Ao invés de premiar a garimpagem legal coibindo as ilegalidades para que as boas práticas predominem, o governo quer acabar com elas legalizando-as. O discurso presidencial é pelo alívio da fiscalização e multas por crimes ambientais – isso no país onde já reina a impunidade com menos de 5% delas quitadas.

E assim será enquanto continuarmos com a visão estreita de progresso e desenvolvimento, literalmente entregando o ouro, se contentando com pouco quando se poderia ganhar muito mais, em todos os sentidos.

A cultura econômica que se criou é de país vira-lata, com alguns poucos se apropriando da riqueza que é de todos, cometendo crimes ambientais em cascata, lucrando sem pagar impostos, inclusive quebrando quem quer fazer a coisa certa, sufocados pela concorrência desleal. E ainda deixam a conta do estrago para o Estado, ou seja, para você pagar.

Toda essa ilegalidade acontece a vista de todos, Ibama, ICMBio, Funai, PF… E até de quem aqui me lê, se assim desejar, bastando uma visita ao Google Maps.

O ouro continua falando mais alto do que a fiscalização e a punição. Anos e anos de exploração tornaram os municípios dourados reféns de uma economia movida por práticas predatórias e pela “livre negociação armada”, onde o garimpo elege e governa, em todas as esferas.

Projetos de mineração estão sendo liberados dentro de UCs pela ANM (Agência Nacional de Mineração) em conluio com as Secretarias Municipais de Meio Ambiente. Além de proibidos, não contam com estudos sérios de impacto e os devidos processos de licenciamento ambiental. Só nas Flonas de Itaituba 1 e 2, região do Tapajós que se sobrepõe às terras Munduruku, há 11 lavras já para exploração (mais 166 requerimentos) e 20 autorizações para pesquisa (mais 30 pedidos) – apenas em 2015, para Itaituba 2, a ANM concedeu 6 autorizações para garimpos de diamante e ouro.

“Para cada quilo legal, 10 saem ilegais”, disse Eugenio Viana, ex-secretário de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia de Itaituba/PA, em reportagem para a Agência Pública.

Questionar isso não é ser contra o desenvolvimento, mas contra esse modelo que compromete tudo e todos para favorecer só alguns. Se fosse bom, depois de tanto ouro extraído, municípios áureos como Itaituba ou Jacareacanga já deveriam ter asfalto 100%, rede de esgotos, água tratada, energia estável, internet banda larga, escolas e hospitais de primeira.

Só que não, por exemplo, dentre os nossos 5,5 mil municípios, Itaituba está no andar de baixo, ocupando o 4377º lugar no ranking IFDM, enquanto Jacareacanga é o 7º pior e menos desenvolvido do país (IFDM – Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal).

Isso não é legal…

Produto químico (triclosam) em pastas dentais ligado a osteoporose em mulheres

Um produto químico denominado Triclosan,  utilizado como agente antibacteriano em vários produtos de higiene pessoal, há algum tempo vem sendo taxado de disruptor endócrino. Ou seja, uma substância com potencial para desregular o sistema endócrino.

Este químico pode ser encontrado em diversos produtos de higiene pessoal como sabonetes, pasta de dentes, desinfetantes para as mãos e colutórios. A exposição ao triclosan pode ainda suceder através de água contaminada.

Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Escola de Saúde Pública de Hangzhou, na China, propôs-se analisar a associação entre as concentrações de triclosan na urina e a densidade mineral óssea e osteoporose em mulheres adultas. Para isso, analisaram dados recolhidos de uma sondagem à saúde e nutrição nos EUA, entre 2005 e 2010, e que incluía 1.848 mulheres com 20 ou mais anos de idade.

Foi observado que a presença de concentrações de triclosan na urina está negativamente associada à densidade mineral óssea e positivamente associada à prevalência de osteoporose. A evidência foi mais forte em mulheres na pós-menopausa do que nas que se encontravam na pré-menopausa.

“Estudos em laboratório demonstraram que o triclosan poderá ter potencial para afetar a densidade mineral óssea negativamente em linhas celulares ou em animais. Contudo, pouco se sabe sobre a relação entre o triclosan e a saúde óssea humana”, comentou Yingjun Li, autor correspondente do estudo.

Fonte: https://www.medscape.com/viewarticle/914888?src=soc_fb_190627_mscpedt_news_mdscp_triclosan&faf=1

75% dos casos dos transtornos psiquiátricos em adultos começam na infância

Um estudo realizado pelo Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com escolas públicas de São Paulo e do Rio Grande do Sul, mostra que 80% dos estudantes com algum transtorno mental — como por exemplo ansiedade, fobias, déficit de atenção, hiperatividade ou esquizofrenia — não recebem tratamento médico nem psicológico. Os pesquisadores realizaram uma série de exames de neuroimagem, além de avaliações genéticas e psiquiátricas em 2.511 alunos com idades entre seis e 12 anos. Destes, 652 apresentaram pelo menos um transtorno mental, mas apenas 20% haviam recebido algum tipo de tratamento.

O psiquiatra Guilherme Polanczyk, um dos responsáveis pelo estudo, diz ser uma ameaça silenciosa, embora o tratamento primário (sem a necessidade de um especialista) baste na maioria dos quadros. A atenção é necessária de qualquer maneira, pois grande parte das condições é crônica, em 75% dos casos persistem até a vida adulta. “As instituições de ensino têm um papel-chave na identificação e intervenção quando há transtornos mentais. Nessa fase, a criança desenvolve habilidades sociais, empatia, capacidade de resolver problemas, autocontrole, cruciais para a vida adulta”, argumenta o pesquisador do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina (FM) para o Jornal da USP no Ar.

Recursos no Brasil são escassos na educação, bem como no atendimento psicológico, segundo Polanczyk. “Nos Estados Unidos e na Europa, serviços de saúde mental estão na escola, assim os sintomas são encontrados com prontidão”, diz o psiquiatra. “Os transtornos podem se apresentar em diferentes condições: ansiedade, medo, fobia, ataques de pânico, depressão. E em outras formas menos frequentes, apesar de encontrados em amostras de adolescentes, como déficit de atenção, transtornos comportamentais, bipolar, obsessivo-compulsivo e esquizofrenia”, aponta. Os colégios deveriam não apenas trabalhar na prevenção, como promover a saúde mental.

O docente comenta que não existem dados representativos da população brasileira, mas que a pesquisa indica uma importante pista. Ele diz que “13% das crianças apresentaram transtorno clínico, outras 20% subclínico, que acontece quando há sintoma, no entanto, não ultrapassam a barreira diagnóstica, e 80% daquelas com o problema não receberam nenhum tratamento”. Um indicativo preocupante, já que a amostragem do ensaio está localizada em São Paulo e Porto Alegre — dois ricos centros urbanos. “No interior e estados mais pobres, as taxas de tratamento devem ser ainda menores”, estima Polanczyk.

O especialista estuda esse problema no Instituto Nacional de Psiquiatria do Desenvolvimento para Infância e Adolescência (INPD), cujo  site pode ser acessado neste link. “ Lá, cientistas de várias universidades, USP e Unifesp entre elas, desenvolvem projetos de pesquisa e transmissão do conhecimento para a comunidade. Muita coisa já poderia e deveria ser aplicada, inclusive”, finaliza

Comissão Nacional Especializada de Climatério da Febrasgo se posiciona sobre implante de gestrinona (chip da beleza)


A Comissão Nacional Especializada de Climatério da Febrasgo entende que não há dados publicados na literatura médica a respeito da eficácia e da segurança do implante em questão. No presente momento, não há, disponível no mercado brasileiro, implante hormonal aprovado pela Anvisa, exceto o implante anticoncepcional composto por etonogestrel. A Comissão Nacional Especializada em Climatério da Febrasgo desaconselha o uso de quaisquer tratamentos, hormonais ou não, que não possuam aprovação pela Anvisa.

A gestrinona foi estudada sob administração por via oral e para tratamento da endometriose, portanto, não existindo estudos referentes ao seu uso parenteral, em especial, por meio de implantes. Pela ausência de estudos de longa duração no tocante à sua real eficácia e, em especial, no que tange à sua segurança, ainda, não havendo estudos ou citações na literatura científica sobre uso da gestrinona como Terapia hormonal do Climatério, a Comissão não pode recomendar o uso de tais implantes.

Várias entidades médicas desaprovam o emprego de medicações feitas em farmácias de manipulação, sem aprovação de órgãos reguladores – como FDA (americano), EMEA (europeu), ANVISA. Sobre o uso de medicamentos manipulados (como é o caso deste implante), a Sociedade Internacional de Menopausa (IMS), deste modo, posicionou-se em 2016: 

“A prescrição de terapia hormonal manipulada não é recomendada devido à falta de controle de qualidade e supervisão regulatória associada a esses produtos, juntamente com a falta de evidência de segurança e eficácia.

As mulheres que solicitam terapia hormonal manipulada devem ser encorajadas a considerar produtos regulados contendo hormônios estruturalmente idênticos aos produzidos no corpo. Estes estão disponíveis em uma ampla gama de doses e vias de administração”.

A Sociedade Americana de Menopausa (NAMS), no ano de 2017, emitiu, em sua última declaração sobre medicamentos manipulados, o que segue:

“Terapias hormonais manipuladas são preparadas por um farmacêutico usando a prescrição de um provedor e podem combinar múltiplos hormônios (estradiol, estrona, estriol, de-hidroepiandrosterona [DHEA], testosterona, progesterona), usar combinações ou formulações não testadas e não aprovadas, ou serem administradas em vias de administração não padronizadas (não testadas), como implantes subdérmicos”.

 Esse é o caso do implante da gestrinona, como segue:

"O hormônio manipulado apresenta problemas de segurança, como regulamentação e monitoramento governamentais mínimos, superdosagem ou subdosagem, presença de impurezas ou falta de esterilidade, falta de eficácia científica e dados de segurança, e falta de um rótulo descrevendo os riscos!".

Também, em 2017, a Endocrine Society (Sociedade de Endocrinologia Americana) publicou seu posicionamento em atinência aos hormônios manipulados:

“A Endocrine Society está preocupada com o fato de os pacientes estarem recebendo informações potencialmente enganosas ou falsas sobre os benefícios e riscos dos hormônios manipulados. Portanto, a Sociedade apoia a regulamentação e supervisão da FDA de todos os hormônios, independentemente da estrutura química ou do método de fabricação. Isso deve incluir, mas não se limitar:

  • Pesquisas de pureza e precisão de dosagem.
  • Notificação obrigatória por fabricantes de medicamentos de eventos adversos.
  • Um registro de eventos adversos relacionados ao uso de preparações hormonais.
  • Inclusão de informações uniformes para os pacientes, como advertências e precauções, no acondicionamento de produtos hormonais”.

Dessa maneira, o implante de gestrinona não é uma opção recomendada pela Comissão Nacional Especializada de Climatério da Febrasgo por não obedecer a padronização de medicamentos hormonais comercializados no Brasil, por não ter aprovação pela ANVISA e, ainda, por não haver publicações de dados referentes à sua eficácia e segurança na literatura científica médica. 

Referências

  1. Baber RJ, Panay N, Fenton the IMS Writing Group. 2016 IMS Recommendations on women’s midlife health and menopause hormone therapy,Climacteric2016;19(2):109-50,DOI:3109/13697137.2015.1129166
  2. The 2017 hormone therapy position statement of The North American
  3. Menopause Society Menopause: The Journal of The North American Menopause Society 2017; 24(7):728-53DOI: 10.1097/GME.0000000000000921 ß 2017 by The North American Menopause Society
  4. Huntley AL. Compounded or confused? Bioidentical hormones and menopausal health. Menopause Int. 2011;17:16-18.
  5. Bhavnani BR, Stanczyk FZ. Misconception and concerns about bioidentical hormones used for custom-compounded hormone therapy. J Clin Endocrinol Metab 2012;97:756-9.
  6. Endocrine Society – Position Statement, 2017. Available https://www.endocrine.org/-/media/endosociety/files/advocacy-and-outreach/position-statements/2017/position_statement_compound_bioidentical_hormone_therapy.pdf?la=en


Pós-graduação não confere título de especialistas


segunda-feira, 24 de junho de 2019

Ministério da Agricultura divulga registro de 42 agrotóxicos

O Ministério da Agricultura divulgou nesta segunda-feira (24), que 42 agrotóxicos foram registrados. Desse total, apenas um produto traz um ingrediente ativo novo, os demais são produtos genéricos que já estavam presentes em outros produtos existentes no mercado.

A decisão está publicada no Diário Oficial da União (DOU), por meio do Ato número 42, do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas da Secretaria de Defesa Agropecuária.

Segundo o ministério, da lista de registros, 29 são produtos técnicos equivalentes, ou seja, genéricos de princípios ativos já autorizados no País, para uso industrial.

Outros 12 registros (10 de origem química e dois de origem microbiológica) são produtos genéricos que já estão prontos para serem usados no controle de pragas na agricultura brasileira.

Também está na lista o registro do produto técnico à base do ingrediente ativo Florpirauxifen-benzil, que é o primeiro ingrediente ativo novo aprovado em 2019.

Ele apresenta alta eficiência contra a infestação de diversas plantas daninhas para as quais hoje o produtor rural tem muitas dificuldades para controlar.

O Ministério da Agricultura ressalta que o objetivo da aprovação de produtos genéricos é baratear o preço dos defensivos, o que faz cair o custo de produção e, consequentemente, os preços dos alimentos para o consumidor brasileiro.

Já a aprovação de novos produtos tem como objetivo disponibilizar novas alternativas de controle mais eficientes e com menor impacto ao meio ambiente e à saúde humana.

Fonte: https://exame.abril.com.br/brasil/ministerio-da-agricultura-divulga-registro-de-42-agrotoxicos/

sábado, 22 de junho de 2019

Instagram: perfis que vale a pena seguir



As vezes o pessoal me pede indicação de perfis interessantes para seguir nas redes sociais.

Fiz um apanhado dos meus 60 preferidos.


  1. https://www.instagram.com/abeso_evidenciasemobesidade/
  2. https://www.instagram.com/abranbr/
  3. https://www.instagram.com/acaciaestanislau/
  4. https://www.instagram.com/advogadapalova/
  5. https://www.instagram.com/agnaldo_cardiologia/
  6. https://www.instagram.com/alexandreaguiarquiminutri/
  7. https://www.instagram.com/andreheibel/
  8. https://www.instagram.com/comerintuitivo/
  9. https://www.instagram.com/desire.coelho/
  10. https://www.instagram.com/doutorsemmoda/
  11. https://www.instagram.com/dr.albertodiasfilho/
  12. https://www.instagram.com/dr.alexandrepintodeazevedo/
  13. https://www.instagram.com/dr.audie/
  14. https://www.instagram.com/dr.hirose/
  15. https://www.instagram.com/dr.zorzo_nutrologo/
  16. https://www.instagram.com/dra.fernandasallesr/
  17. https://www.instagram.com/dra.isoldaprado/
  18. https://www.instagram.com/dra.patriciapeixoto/
  19. https://www.instagram.com/dradaniellacosta/
  20. https://www.instagram.com/drajulianagarciad/
  21. https://www.instagram.com/dralexandreplaza/
  22. https://www.instagram.com/dramandanutrologia/
  23. https://www.instagram.com/dranataliajatene_endocrino/
  24. https://www.instagram.com/drarenatamachado/
  25. https://www.instagram.com/dratacianaborges/
  26. https://www.instagram.com/draugustomargon/
  27. https://www.instagram.com/drbrunohalpern/
  28. https://www.instagram.com/drflaviocadegiani/
  29. https://www.instagram.com/drgiorelli/
  30. https://www.instagram.com/drharoldofalcao/
  31. https://www.instagram.com/drjoaomota/
  32. https://www.instagram.com/drjuanbernard/
  33. https://www.instagram.com/drmarciomancini/
  34. https://www.instagram.com/drnutrologo/
  35. https://www.instagram.com/drtiagoqueiroz/
  36. https://www.instagram.com/dryurigaleno/
  37. https://www.instagram.com/endocrinologistamariliazanier/
  38. https://www.instagram.com/gdpimentel/
  39. https://www.instagram.com/guiartioliusp/
  40. https://www.instagram.com/guilhermeschweitzernutri/
  41. https://www.instagram.com/jeffbitencourtnutricionista/
  42. https://www.instagram.com/jhonescarneiromedico/
  43. https://www.instagram.com/joaopaim_nutricao/
  44. https://www.instagram.com/karolcalfa_nutrologa/
  45. https://www.instagram.com/leandromarques.nutrologia/
  46. https://www.instagram.com/lulancha/
  47. https://www.instagram.com/medicosnacozinha/
  48. https://www.instagram.com/minutodesaude/
  49. https://www.instagram.com/moreira.isis/
  50. https://www.instagram.com/murilodattilo/
  51. https://www.instagram.com/nutricaocomportamental/
  52. https://www.instagram.com/nutriricardodurante/
  53. https://www.instagram.com/nutrologiabrasil/
  54. https://www.instagram.com/nutrologorafael/
  55. https://www.instagram.com/pistarinosergio/
  56. https://www.instagram.com/rodrigolamoniernutri
  57. https://www.instagram.com/saudehonesta/
  58. https://www.instagram.com/sbemnacional/
  59. https://www.instagram.com/tatianaabrao/
  60. https://www.instagram.com/valentim_nutri/



terça-feira, 21 de maio de 2019

Embrapa lança primeiro livro sobre controle não químico de plantas daninhas

“Controle de plantas daninhas: métodos físico, mecânico, cultural, biológico e alelopatia” é o título do livro lançado pela Embrapa e que está disponível para download gratuito na seção “Publicações” do Portal da Empresa. 

Manutenção do peso perdido por Dr. Bruno Halpern


Sempre que discuto manutenção de peso com meus pacientes, tento fazer uma analogia com subir uma escada rolante ao contrário. Para se manter parado na mesma altura, é preciso fazer esforços contínuos.

Ou seja, não é porque você chegou num peso adequado, que o tratamento acabou. O nosso hipotálamo, que é o centro da fome e do controle energético, fará o possível para nos levar de novo ao peso inicial, aumentado o apetite e reduzindo o gasto energético.

Algumas pesquisas sugerem que a cada quilo que perdemos, aumentamos nosso apetite em 100 kcal e reduzimos o gasto energético em 30 kcal.

Ou seja, não é fácil. Ao entender que o tratamento é crônico, aumenta-se a chance de sucesso a longo prazo. Por isso é importante sempre discutir para o paciente que o tratamento não acaba quando você atinge o peso perdido.

Há estratégias que podem ajudar (exemplo: muito exercício, vigilância com pesagens frequentes, entre outras).

Não falo isso para desanimar, mas inclusive pra pacientes que já tiveram efeito sanfona no passado entendam que a recuperação de peso é um processo fisiológico e não uma “falta de força de vontade” ou um desleixo com a saúde!

Ref: Polidori, er al. How strongly does appetite counter weight loss? Obesity 2016 #obesidadeeutratocomrespeito #obesidadedoençacronica #manutencaodepeso #obesidade #emagrecer #dietas #efeitosanfona

Paciente é troféu ?

Fiz essa pergunta nas minhas redes sociais e uma grande maioria concordou que comigo. Paciente não é troféu. O que me preocupa são os 10% que defendem que não é anti-ético expor pacientes redes sociais. E vocês, seguidores aqui do blog, o que acham ?


Acupuntura no pronto-socorro: uma opção viável e benéfica para tratar a dor sem opioides

 acupuntura feita no pronto-socorro (PS) é uma opção viável e benéfica para tratar a dor sem opioides nem medicamentos, sugere nova pesquisa

O estudo de viabilidade e melhora da qualidade foi feito com mais de 700 pacientes com dor aguda atendidos no pronto-socorro do Aurora West Allis, em Milwaukee, Wisconsin, para os quais foi oferecida uma sessão de acupuntura.

"Descobrimos que mais de 50% dos pacientes para os quais os médicos e os acupunturistas concordaram com a indicação, aceitaram fazer acupuntura no PS; e, dentre os que aceitaram, vimos até 50% de redução da dor e até 60% de redução do estresse e da ansiedade", disse ao Medscape o primeiro autor John Burns, fisioterapeuta com especialização em medicina oriental e acupunturista do Departamento de Medicina Integrativa do Aurora Health Center, em Milwaukee.

"Estes são resultados descritos pelos próprios pacientes, mas o que queremos é informação para potencialmente levar à realização de ensaios clínicos randomizados controlados mais rigorosos – comparando a acupuntura a alguns de nossos métodos tradicionais de tratar a dor, como os narcóticos", acrescentou o autor.

John observou que esses resultados positivos ocorreram após uma única sessão de acupuntura no pronto-socorro, e os pacientes receberam informações sobre onde e como dar sequência ao tratamento. "Não tem diferença nenhuma de quando o paciente recebe um medicamento durante um atendimento no pronto-socorro", acrescentou o pesquisador.

"O fato de informarem melhora com a acupuntura é compreender que os pacientes podem se beneficiar de um tratamento de acupuntura de modo semelhante ao benefício que obtêm com os medicamentos, mas sem o risco de efeitos adversos", disse John.

Os resultados foram apresentados na reunião de 2019 da American Pain Society (APS).

Ceticismo inicial

Com a pressão da Joint Commission e de outras importantes organizações e agências hospitalares internacionais para a promoção de métodos não farmacológicos para o tratamento da dor, a acupuntura conquistou a aceitação em áreas que vão da ortopedia à dor do câncer.

O estudo em tela foi projetado para se alinhar às recomendações da Joint Commission, disse John.

"Tivemos de capacitar o acupunturista para prepará-lo acerca do que iria encontrar no pronto-socorro", explicou. "Nós também o apresentamos aos médicos e à equipe do pronto-socorro, para que soubessem o que estávamos planejando e comprassem a nossa ideia".

Como era de se esperar, em um primeiro momento houve ceticismo, disse John.

"Inicialmente o ceticismo foi grande e, naturalmente, todos deveríamos ter um certo grau de ceticismo saudável diante de novidades", observou. "Meu trabalho foi esclarecer, dar informações, fazer uma introdução, explicar as evidências que têm sido obtidas de vários tipos de pacientes. E, depois de cerca de um mês, a equipe começou a ver os benefícios nos próprios pacientes. Então agora o ambiente é de aceitação".

Para o estudo em tela, foi oferecido tratamento com acupuntura para 706 pacientes com dor aguda por indicação do médico emergencista. Entre esses pacientes, 379 (53,7%) concordaram em fazer este tratamento.

Os pacientes considerados mais adequados para a sessão de acupuntura foram aqueles com uma pontuação de três a cinco pelo índice de gravidade de urgência, que é considerada uma dor de menor intensidade do que a da pontuação um ou dois.

"Mais de 60% dos pacientes que procuram o pronto-socorro têm uma pontuação ≥ 3, de modo que estes foram a maioria dos que aceitaram a acupuntura", disse John. Os quadros clínicos dos pacientes foram variados, "de lombalgia a migrânea, e até mesmo um paciente com retenção urinária", observou o pesquisador.

Redução significativa da dor

Para os pacientes que fizeram acupuntura, a média da pontuação da dor diminuiu significativamente de 6,5 para 3,4 em uma escala de 0 (ausência de dor) a 10 (pior dor possível; P < 0,001).

Também foram observadas reduções significativas na média dos níveis de estresse, ansiedade e náuseas (todos P < 0,001). A média da pontuação de ansiedade diminuiu de 4,8 no início do estudo para 1,6; a média da pontuação de náuseas diminuiu de 1,6 para 0,6. Também houve boa aceitação da abordagem pela equipe.

Não houve diferenças significativas entre aqueles que fizeram e os que não fizeram acupuntura em termos de duração da permanência no pronto-socorro ou do uso de medicamentos ou opioides.

Pelo tratamento convencional, os pacientes que procuram o pronto-socorro com dor tipicamente recebem medicamentos controlados. Pesquisas feitas anteriormente sugerem que até 17% dos pacientes que nunca tinham tomado opioides ao receber sua primeira prescrição da classe ainda usavam esses medicamentos um ano depois da consulta na qual os medicamentos foram prescritos pela primeira vez, escreveram os pesquisadores do estudo em tela.

As sessões de acupuntura no estudo foram cobertas pelo hospital e não custaram nada para os pacientes, informou John. Ele disse não conhecer nenhum plano de saúde que reembolse a acupuntura no pronto-socorro.

O programa está em andamento e atualmente está no seu terceiro ano no centro, observou John. Embora a intervenção só esteja disponível atualmente em um centro, esse sistema hospitalar tem cinco centros e "esperamos conseguir implementar essa prática nos outros centros", disse o pesquisador.

"Já apareceram outras pessoas interessadas no nosso sistema", acrescentou John.

O encaminhamento médico é importante

Uma análise mais ampla, com 1.161 pacientes que fizeram acupuntura no Aurora Health Center entre 2005 e 2016, também foi apresentada na reunião da APS – e reforçou a importância do encaminhamento médico para o tratamento com acupuntura.

Os resultados mostraram que entre os pacientes encaminhados para o tratamento, 87,7% tiveram mais probabilidade de fazer novas sessões em comparação a 75,7% dos pacientes com demanda espontânea.

Os pacientes encaminhados também tiveram um número maior de sessões do que os pacientes com demanda espontânea (quatro a sete sessões em comparação a apenas uma a três, respectivamente). "Os resultados mostram que os pacientes encaminhados são mais propensos a continuar as sessões se tiverem o apoio do seu médico", disse ao Medscape a primeira autora, Dra. Carolita Heritage, médica do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia do Aurora Sinai Medical Center.

A grande maioria da população do estudo (N = 1.057) foi atendida com queixa de dor, e mais de 70% dos pacientes referiram melhora da dor após a acupuntura.

A Dra. Carolita fez a importante ressalva de que a cobertura da acupuntura pelos planos de saúde não é sistemática, e que o custo pode ser um problema para muitos pacientes.

"Apesar do aumento da aceitação, ainda é difícil obter cobertura; mas é por isso que precisamos de mais dados mostrando que a acupuntura é viável e proveitosa", disse a Dra. Carolita.

"Não desanime"

Comentando os resultados para o Medscape, a especialista em medicina da dor Dra. Lucy Chen, médica e professora associada de anestesiologia na Harvard Medical School, em Boston, e pesquisadora responsável do Mass General Center for Translational Pain Research do Massachusetts General Hospital, disse que embora o estudo sobre o uso da acupuntura no pronto-socorro sugira melhora da dor com apenas uma sessão, a maioria das evidências mostra ser necessário um tratamento mais prolongado.

"Você realmente precisa fazer seis ou sete sessões antes de definir se a acupuntura foi ou não bem-sucedida. De modo que é importante recomendar ao paciente que faça várias sessões", explicou a especialista.


"Se o paciente não perceber nenhum resultado após uma ou duas sessões, é importante dizer para que ele não desista", acrescentou. A Dra. Lucy, que não participou da pesquisa, disse que a acupuntura é oferecida atualmente no seu centro de tratamento da dor e em vários departamentos do Massachusetts General Hospital. No entanto, a médica sonha com um centro de saúde integrado mais centralizado, oferecendo a acupuntura e outras abordagens não farmacológicas para o tratamento da dor em todas as especialidades.

"A acupuntura está distribuída em diferentes departamentos do Massachusetts General Hospital. É oferecida no centro de tratamento da dor, no centro oncológico e em outros departamentos; mas estou pensando em criar um centro integrado para desempenhar um papel mais relevante", disse a especialista.

A Dra. Lucy concordou que os médicos não devem deixar de encaminhar os pacientes com dor para a acupuntura, acrescentando que a pesquisa mostrou que têm sido observadas reduções mensuráveis da dor até mesmo no mais cético dos pacientes.

"Na verdade, a questão são os dados – gosto de promover a pesquisa científica. Essa é a forma de avançar", disse Dra. Lucy.

Os autores do estudo e a Dra. Lucy Chen informaram não ter conflitos de interesse relevantes.

American Pain Society Annual Meeting: Abstract 361;794:362. Apresentado de 04 a 05 de abril de 2019.

Retrocesso ambiental pode custar US$ 5 tri ao Brasil até 2050, diz estudo

Excelente reportagem publicada pela revista Valor: https://www.valor.com.br/brasil/5647915/retrocesso-ambiental-pode-custar-us-5-tri-ao-brasil-ate-2050-diz-estudo?fbclid=IwAR0NQSZE3razJnDYh5x-2xrVtyKSeA-_VvOR4ot3fZf3gRNH73EIJ0u6qus

Teste genético para obesidade - Por Dr. Bruno Halpern

Muitos pacientes me perguntam qual a validade e utilidade de diversos testes genéticos disponíveis hoje, que avaliam o risco de obesidade, a resposta a uma dieta ou a outra, intolerâncias alimentares e assim por diante.

E a resposta é: até o momento nenhuma.

Veja: não há dúvidas que a obesidade tem um imenso componente genético (ao redor de 70%), porém o número de genes associados é enorme e cada um, isoladamente, aumenta o reduz muito pouco sua chance de se tornar obeso ou responder a uma dieta ou outra. Ou seja, o real risco de alguém só poderia ser calculado juntando todos esses genes e as interações são complexas. Além do mais, para um escore genético ser válido, eu preciso de um estudo que demonstre que, sabendo a história genética de alguém, eu mudaria uma conduta e essa mudança levaria a um resultado diferente do que eu teria originalmente. E não existe nenhum estudo assim. Um grande estudo de dietas, chamado DIETFITS demonstrou que a carga genética dos pacientes não diferenciou aqueles que respondiam a low carb ou low fat, ou seja, fazer o teste não foi útil.

Isso não quer dizer que algum dia eles não venham a ter utilidade, mas as interpretações atuais de estudos como esse podem ser totalmente erradas. Por exemplo, aumentar 50% a chance de responder a uma dieta pode parecer muito: mas se minha chance sem o teste era de 20%, com o teste passou a ser 30 %. Ou seja, ainda é mais provável eu não responder, mas com o resultado na mão você acha que responderá!
Para dietas, o maior preditor de resposta é a sua adesão.

Acabou de ser publicado um artigo no New England, maior revista médica do mundo, que discute exatamente isso: como os escores de risco genético para doenças multifatoriais ainda não entregaram grandes vantagens do que simplesmente um bom questionário e consulta médica.

Ref: Gardner, Dietfits JAMA 2018; Hunter. Has the genome granted our wish yet? NEJM 2019 #genes #dietas #genetica #obesidade #testegenetico #perdadepeso #obesidadeeutratocomrespeito

O preconceito contra o obeso por profissionais da área da saúde

Vale muitoa a pena assistir ao vídeo: https://vimeo.com/17559178?fbclid=IwAR2bktolEPskFp2EI5JwWJ3fVAlLmqRe4fpQbQL5VfimOZ9e6elfsFfVHYY

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Sugestões

Gostaria de receber sugestões de temas que vocês querem ler aqui no blog. Deixem nos comentários ou via direct la no instagram @drfredericolobo

att

Dr. Frederico Lobo - CRM-GO 13192 - RQE 11915
Médico Nutrólogo

quarta-feira, 17 de abril de 2019

“Coquetel” com 27 agrotóxicos foi achado na água de 1 em cada 4 municípios – consulte o seu

Um coquetel que mistura diferentes agrotóxicos foi encontrado na água de 1 em cada 4 cidades do Brasil entre 2014 e 2017. Nesse período, as empresas de abastecimento de 1.396 municípios detectaram todos os 27 pesticidas que são obrigados por lei a testar. Desses, 16 são classificados pela Anvisa como extremamente ou altamente tóxicos e 11 estão associados ao desenvolvimento de doenças crônicas como câncer, malformação fetal, disfunções hormonais e reprodutivas. Entre os locais com contaminação múltipla estão as capitais São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Manaus, Curitiba, Porto Alegre, Campo Grande, Cuiabá, Florianópolis e Palmas.

Os dados são do Ministério da Saúde e foram obtidos e tratados em investigação conjunta da Repórter Brasil, Agência Pública e a organização suíça Public Eye. As informações são parte do Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua), que reúne os resultados de testes feitos pelas empresas de abastecimento.

Os números revelam que a contaminação da água está aumentando a passos largos e constantes. Em 2014, 75% dos testes detectaram agrotóxicos. Subiu para 84% em 2015 e foi para 88% em 2016, chegando a 92% em 2017. Nesse ritmo, em alguns anos, pode ficar difícil encontrar água sem agrotóxico nas torneiras do país.

Embora se trate de informação pública, os testes não são divulgados de forma compreensível para a população, deixando os brasileiros no escuro sobre os riscos que correm ao beber um copo d’água. Em um esforço conjunto, a Repórter Brasil, a Agência Pública e a organização suíça Public Eye fizeram um mapa interativo com os agrotóxicos encontrados em cada cidade. O mapa revela ainda quais estão acima do limite de segurança de acordo com a lei do Brasil e pela regulação europeia, onde fica a Public Eye.






domingo, 14 de abril de 2019

Agricultores consomem agrotóxico porque fumam ao aplicar, diz ministra da Agricultura em audiência pública

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, esteve na Câmara dos Deputados nesta terça-feira (9/4) para esclarecer os critérios utilizados para a liberação do uso de agrotóxicos no Brasil. Em menos de 100 dias de governo foram publicados no Diário Oficial da União o deferimento do registro de 152 agrotóxicos — média de mais de 1,5 aprovação por dia. A chefe da pasta da Agricultura participou de audiência pública conjunta realizada pelas comissões de Meio Ambiente, de Defesa do Consumidor, de Seguridade Social e de Agricultura. O encontro foi requerido pelos deputados federais Camilo Capibere (PSB/AP), Célio Moura (PT/TO), Alexandre Padilha (PT/SP) e outros.

Um dia depois da defesa da ministra na Câmara dos Deputados o Governo aprovou a comercialização de mais 31 produtos agrotóxicos. A publicação do deferimento dos registros ocorreu na edição desta quarta-feira do Diário Oficial da União. 16 produtos da lista foram classificados pela Anvisa como Extremamente Tóxico, a classificação toxicológica mais alta.

Depois das críticas e do clima de hostilidade nas participações do ministro da Economia, Paulo Guedes a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), e do ex-ministro de Educação Ricardo Vélez a Comissão de Educação, Tereza Cristina chegou ao Congresso Nacional demonstrando suas boas relações com a casa onde cumpriu seu mandato por quatro anos. Demonstrou conhecimento do assunto e usou argumentos repetidos pela bancada ruralista. Mas também acabou dando escorregadas. Durante cinco horas e meia respondeu críticas de opositores do governo e recebeu afagos de apoiadores. Membros da Frente Parlamentar da Agropecuária marcaram presença em peso na audiência pública — aplaudindo e elogiando todas as respostas afiadas da ministra.

As opiniões polêmicas da ministra geraram burburinhos no auditório. A primeira reação ocorreu logo nos primeiros 25 minutos de audiência, quando no meio da apresentação das principais ações do Ministério da Agricultura nos 100 primeiros dias de governo a ministra utilizou o termo “remédio das plantas” para se referir aos agrotóxicos.

O tom de defesa dos pesticidas – e ataques a estudos científicos, que foram chamados de “desinformação” – seguiu durante toda a audiência. A ministra declarou diversas vezes que a maioria dos casos de intoxicação ocorre devido ao manejo errado dos pesticidas, argumento usado pela Frente Parlamentar da Agropecuária da qual ela já foi presidente. Foi muito aplaudida pelos membros da Frente, que eram maioria no plenário.

Segundo dados apresentados pelo Ministério da Agricultura, 60% dos agrotóxicos aplicados no país são herbicidas, utilizados para matar pragas antes do plantio, sem contato com o produto final. “É preciso focar no processo do controle do uso desses produtos na aplicação”, garantiu a ministra.

“Os pequenos produtores não têm essa capacitação feita para que eles tenham o cuidado e apliquem com roupas apropriadas, equipamentos apropriados, façam lavagem do equipamento e não fumem. Às vezes o sujeito fuma aplicando, e no cigarro ele acaba ingerindo o produto químico que ele está utilizando na aplicação do solo”.

A reportagem procurou na internet casos de intoxicação por agrotóxico devido ao contato do veneno com cigarro, mas não encontrou resultados.


Mais tarde, ao tentar explicar que países que já passaram por guerras investem mais nos produtores rurais, a ministra disse que o brasileiro não passa muita fome porque tem manga nas cidades. “A agricultura para países que tiveram guerras e que passaram fome é segurança nacional. Nós nunca tivemos guerra, nós não passamos muita fome porque temos manga nas nossas cidades, temos clima tropical”, pontuou. (Leia também: A fome volta ao sertão da Paraíba)

Ao fim da audiência, Tereza Cristina afirmou que o objetivo do Ministério é fazer com que a agricultura cresça e o pequeno agricultor possa produzir de maneira eficiente. “Nós juntos podemos modificar a legislação para simplificar, desburocratizar e fazer com que o Brasil caminha para frente sem ideologias”, disse aos parlamentares.

“A pior praga é a desinformação”, disse a Ministra. Ela contestou estudos apresentados pelos deputados, como o que demonstrou presença de agrotóxicos em leite materno no Mato Grosso.

Tereza afirma que o Ministério da Agricultura contestou todos os trabalhos. “Contestamos os estudos feitos no Mato Grosso, porque os níveis detectados estão aquém do que é exclusivamente de defensivos agrícolas. Temos aí produtos domésticos e urbanos para ratos e mosquitos, que contaminam muito desses municípios”, diz.

“Guerra comercial”

Ao ser questionada sobre o número de deferimentos nos primeiros meses, Tereza Cristina respondeu que “não existe essa liberação geral”. Para ela, longos processos de aprovação de pesticidas atrasam o agronegócio brasileiro.

“Estive com a Anvisa nas últimas semanas e eles nos afirmaram que têm uma dívida com a agricultura brasileira. Porque em anos passados colocaram na gaveta (processos de permissão de agrotóxicos), o que gerou a obsolência de vários produtos que foram retirados da Europa porque apareceram moléculas mais eficazes, com menos toxicidade e com o mesmo objetivo das antigas, mas mais modernos”. No momento, há 2187 produtos agrotóxicos comercializados em todo país. Desses, 976 tiveram o registro deferido desde 2017.

A ministra adiantou outros argumentos dos grandes produtores ao dizer que existe uma “guerra comercial” na qual a “barreira sanitária” poderia ser um trunfo.

“Será que se o Brasil produzisse produtos de tão má qualidade, cheio de resíduos, estaríamos exportando? Hoje há uma guerra comercial, e ela passa pela barreira sanitária. Será que estaríamos exportando para mais de 160 países do mundo? Eu deixo essa pergunta para vocês”.

Antes de chegar ao mercado, o agrotóxico precisa passar por avaliação do Ministério da Agricultura, Ibama e da Anvisa. Os órgãos fazem diversos testes para medir, por exemplo, o grau toxicológico e o potencial de periculosidade ambiental. O período para o produto passar por todo processo de avaliação pode chegar aos cinco anos — apenas após receber o aval de todos os órgãos que o deferimento do registro é publicado no Diário Oficial da União.

Até o momento, seis atos publicados neste ano oficializaram o deferimento de 152 registros. As autorizações publicadas neste ato tramitaram no ano passado, ainda durante o governo de Michel Temer (MDB). Porém, sob a batuta da ministra, foram publicados no DOU neste ano o pedido de registro de mais 322 produtos agrotóxicos, que passarão agora por avaliação do Ministério da Agricultura, Ibama e Anvisa.

Mortes de abelhas

A ministra rebateu reportagem da Agência Pública e Repórter Brasil que mostrou que em três meses mais de meio bilhão de abelhas foram encontradas mortas em quatro estados brasileiros. Estudos laboratoriais encontraram vestígios de agrotóxicos à base de neonicotinoides e de Fipronil nos insetos mortos.

Porém, segundo uma pesquisa citada pela ministra, os casos estariam ligados a outro agrotóxico, o ingrediente ativo Sulfoxaflor, que segundo ela não é registrado no Brasil. “Esse é o grande problema dessa fila enorme que não registra e testa produto. Esse produto muito provavelmente entrou de maneira ilegal no Brasil e está sendo usado de maneira errônea”. Segundo ela, o governo deve aprovar mais agrotóxicos para impedir o uso de substâncias ilegais.

A ministra foi corrigida pelo deputado Alexandre Padilha (PT), que mostrou que o Ato nº1 do Ministério da Agricultura, publicado em 10 de janeiro deste ano, autorizava o registro do ingrediente ativo. Após consultar assessores, Tereza informou que apenas o ingrediente ativo foi autorizado mas ainda não há produtos sendo vendidos no mercado.

Sobre Fipronil e neonicotinoides, a ministra disse que estão passando por reavaliação do Ibama, onde serão apurados seus impactos nos polinizadores, assim como já mostrou a reportagem da Agência Pública e Repórter Brasil.

Esta reportagem faz parte do projeto Por Trás do Alimento, uma parceria da Agência Pública e Repórter Brasil para investigar o uso de Agrotóxicos no Brasil. A cobertura completa está no site do projeto.

Atividades ao ar livre, em contato com a natureza, trazem benefícios para saúde e bem-estar

O agito dos grandes centros urbanos prejudica a saúde física e mental. As poluições sonora, visual e atmosférica somadas ao enclausuramento do dia a dia contribuem com o desencadeamento de problemas pulmonares, cardíacos e emocionais. Diante deste contexto, a ciência vem mostrando que praticar atividades ao ar livre, em contato com a natureza, é o que precisa ser incorporado na rotina das pessoas como forma de tratamento preventivo.

Pesquisadores da Universidade de Chiba, no Japão, reuniram 168 voluntários e colocaram metade para passear em florestas e o grupo restante para andar nos centros urbanos. As pessoas que tiveram contato com a natureza mostraram em geral uma diminuição de 16% no cortisol (hormônio do estresse), 4% na frequência cardíaca e 2% na pressão arterial.

Para o neurologista e psicoterapeuta cognitivo Mário Negrão, é possível notar uma melhora significativa no aparelho digestivo, nas alergias e na resistência à bactérias e infecções, mas o mais importante é a sensação de bem-estar. “Quando você coloca um indivíduo em uma cidade sem muita natureza, você está colocando-o em um ecossistema hostil, onde tudo que o rodeia é artificial. É comprovado que isso gera um impacto imenso na saúde”, relata.

Na Austrália, um estudo produzido na Universidade Deakin mostra que a natureza oferece às pessoas momentos de liberdade e relaxamento, impactando positivamente o estado mental dos indivíduos e reduzindo sintomas de ansiedade e depressão. Na Holanda, pesquisadores do Centro Médico Universitário de Amsterdã constataram que pessoas que vivem próximas da natureza reduzem em 21% as chances de desenvolverem depressão. Os benefícios também envolvem uma melhora na qualidade do sono, no desenvolvimento cognitivo, na imunidade, nos problemas cardíacos e pulmonares, além de uma redução na ansiedade, na tensão muscular e na possibilidade de desenvolver doenças como obesidade e diabetes.

Para a doutora em Ciências Florestais e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, Teresa Magro, a sensação de bem-estar está relacionada também ao que fazemos no ambiente natural. “Só o fato de olhar uma paisagem, fazer um passeio em um parque ou em uma área com menos barulho, já nos dá uma sensação de relaxamento”, afirma.

No país com a mais rica biodiversidade do mundo, o contato com a natureza pode ocorrer em diferentes espaços, como parques, praças, cachoeiras e ambientes costeiros e marinhos. “Os benefícios fornecidos pela natureza – como ar puro, água, regulação microclimática, redução de partículas poluentes, relaxamento mental e físico, entre outros – e sua conexão com a saúde das pessoas devem ser vistos pela sociedade e pelo poder público como uma prioridade. Ter espaços verdes acessíveis e bem cuidados próximos da população estimula a visitação e a prática de atividades, o que resulta em indivíduos mais relaxados e produtivos”, completa a gerente de Conservação da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, Leide Takahashi.

Humanidade consome recursos da Terra a taxas insustentáveis

George Monbiot, correspondente do jornal britânico The Guardian e conhecido por seu ativismo ambiental e político, fez um apelo surpreendente para que as pessoas no Reino Unido reduzissem o uso de carros em 90% ao longo da próxima década.

Muitos indivíduos podem se mostrar avessos a essa ideia, mas talvez ela soe um pouco menos bizarra à luz de um novo relatório da ONU Meio Ambiente sobre a taxa com que estamos abocanhando os recursos do planeta Terra.

ONU

A indústria global do automóvel necessita de quantidades enormes de metais vindos da mineração, assim como de outros recursos naturais, como a borracha. E a transição para os veículos elétricos, embora necessária para conter a poluição do ar e as emissões de gases do efeito estufa, também tem consequências adversas para a natureza — a mineração em larga escala do lítio para as baterias usadas nos veículos elétricos poderia provocar novas dores de cabeça ambientais.

O Panorama Global sobre Recursos 2019, relatório da ONU Meio Ambiente preparado pelo Painel Internacional sobre Recursos, examina as tendências em recursos naturais e nos seus padrões correspondentes de consumo desde os anos 1970. Entre as principais descobertas da pesquisa, estão as seguintes conclusões:

A extração e o processamento de materiais, combustíveis e alimentos contribuem com metade do total de emissões globais de gases do efeito estufa e com mais de 90% da perda da biodiversidade e do estresse hídrico;
A extração de recursos mais do que triplicou desde 1970, incluindo um aumento de cinco vezes no uso de minerais não metálicos e um aumento de 45% no uso de combustíveis fósseis;
Até 2060, o uso global de materiais poderia dobrar para 190 bilhões de toneladas (a partir dos atuais 92 bilhões), enquanto as emissões de gases do efeito estufa poderiam aumentar 43%.
Além dos transportes, outro grande consumidor de recursos é o setor de construção, que cresce rapidamente.

O cimento, o insumo fundamental para a produção de concreto, o material de construção mais usado no mundo, é uma grande fonte de gases do efeito estufa e responde por algo em torno de 8% das emissões de dióxido de carbono, de acordo com um relatório recente da Chatham House.

Tanto a produção de concreto quanto a de argila (para tijolos) incluem processos que consomem muita energia para a extração de matéria-prima, além de etapas de transporte e uso de combustíveis para o aquecimento de fornos.

A areia de qualidade para uso na construção está sendo extraída atualmente a taxas insustentáveis.

“A extração de materiais é um dos principais responsáveis pelas mudanças climáticas e perda da biodiversidade — um desafio que só vai piorar a não ser que o mundo empreenda urgentemente uma reforma sistemática do uso de recursos”, afirma o especialista em mudanças climáticas da ONU Meio Ambiente, Niklas Hagelberg. “Tal reforma é tão necessária quanto possível.”

Transição energética

Dados de 2014 do Banco Mundial mostram que 66% da energia global é fornecida por combustíveis fósseis. A diretora-executiva interina da ONU Meio Ambiente, Joyce Msuya, pediu a aceleração da transição energética, dos combustíveis fósseis — carvão, petróleo e gás — para fontes renováveis de energia, como eólica e solar.

“Precisamos ver uma mudança quase total para as fontes renováveis de energia, que têm o poder de transformar vidas e economias ao mesmo tempo em que protegem o planeta”, afirmou a dirigente em uma carta para os participantes da Assembleia da ONU para o Meio Ambiente, realizada recentemente em Nairóbi, no Quênia.

O chamado da chefe da ONU Meio Ambiente veio poucos dias após o fundo soberano da Noruega — o maior do mundo, de 1 trilhão de dólares — sinalizar que planeja vender algumas das suas ações em empresas de petróleo e gás. A manobra é um golpe simbólico na indústria dos combustíveis fósseis, que vai reverberar entre empresas de energia e seus investidores.

“Agora, mais do que nunca, uma ação urgente e sem precedentes é exigida de todas as nações” para reduzir o aquecimento global, afirma o Relatório de Lacuna de Emissões da ONU Meio Ambiente de 2018. “Para transpor a lacuna de emissões de 2030 e garantir uma descarbonização de longo prazo, os países também têm que aprimorar as suas ambições de mitigação”, acrescenta o documento.

O Painel Internacional sobre Recursos foi lançado pela ONU Meio Ambiente em 2007, para construir e compartilhar os conhecimentos necessários para melhorar o nosso uso de recursos no mundo todo. O painel é formado por cientistas eminentes, altamente qualificados em questões de gestão de recursos, tanto de países desenvolvidos quanto de países em desenvolvimento, além de integrantes da sociedade civil e de organizações industriais e internacionais.