segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Estratégias para driblar os 4 tipos de fome

A fome fisiológica é a fome real de comida. Falo que é aquela fome do pescoço para baixo. Na qual o "estômago" apresenta um vazio e podemos até ter hipoglicemia, por necessidade de glicose. 
Estratégia: Observar o seu nível de fome, já que ela é real. Em uma escala de 0 a 10, onde zero é sem fome e 10 é muita fome. Não aguarde chegar no 9 ou 10 para se alimentar. Quando a fome surgir, já se alimente, com alimentos com boa densidade nutricional (bom teor de vitaminas, minerais, proteínas, fibras).

A fome emocional falamos que é aquela ligada ao afeto, na qual buscamos anestesiar sentimentos, sensações, emoções e que após o consumo de algum alimento, sentimos um bem-estar. 
Estratégia: Primeiro detecte quais fontes de prazer não relacionadas a alimentação você possui Liste. Aí ao longo da semana vá incluindo esses prazeres. Exemplo: atividades, ler livro, ver filme/séries, passear com amigos, receber massagem. Além disso comer com atenção plena pode te auxiliar na percepção do comer emocional. Há diversas técnicas de mindufl eating. 

Fome social é aquela na qual se come por influência do meio. Brinco que é a fome por influência do algoritmo do instagram, você vê um post com um determinado prato/alimento e desperta-se a vontade de comer aquilo.
Estratégia: o algoritmo é traiçoeiro. Quanto mais você vê perfis de comida, mais perfis semelhantes ele te mostrará. Então evite esses perfis. Se é a fome social por estar em uma festa/bar vendo os amigos comendo, sugiro que não saia de casa com a fome na escala 9 ou 10. Se o consumo for inevitável, principalmente se for para socializar (e não há nada de errado nisso), sugiro que aplique as técnicas de mindful eating. Respeite a sua fome, mas também respeite os sinais de saciedade e pare de ingerir quando perceber que já está satisfeita.

A fome específica é a vontade de comer um alimento específico ou gosto específico. Ex. doce final da tarde.
Estratégia: quando eu acompanhei o pessoal do Comedores Compulsivos Anônimos aprendi com eles que as "fissuras" vinham na forma de onda. Ou seja, se você ficasse parado, só observando, sem agir (comer) a força da onda diminuiria. Nesse caso essa fica fica sendo a melhor estratégia. Como não é fome física, ela tende a desaparecer rapidamente. Brinco que se for uma vontadezinha, ela passará. Porém, se é uma vontade grande, muito grande, aí te sugiro satisfazer a vontade, mas com uma porção menor que a habitual e utilizando técnicas de mindful eating. 

Autor: Dr. Frederico Lobo - Médico Nutrólogo - CRM-GO 13192 - RQE 11915

Estratégias que podem te ajudar a ter mais adesão ao tratamento para emagrecer



Ao longo dos anos, percebemos que o tratamento da obesidade tende a ser fadado ao fracasso se alguns cuidados não forem tomados. 

Para exemplificar isso, a gente faz algumas perguntas:
1) Quantas pessoas no seu círculo social, que você viu perder uma quantidade considerável de gordura e sustentaram até hoje esse emagrecimento?
2) Quantos emagreceram somente com dieta e atividade física e sustentaram após 5 anos essa perda de peso?
3) Quantos perderam e foi por cirurgia bariátrica?
4) Quantos emagreceram e foi devido a uma combinação de dieta, atividade física e uso de medicação?

Menos de 10% dos pacientes conseguem perder peso somente com dieta e atividade física e sustentar essa perda de peso ao longo de 5 anos. 

Isso nos mostra o quanto a obesidade é uma doença CRÔNICA, COM FORTE COMPONENTE GENÉTICO E AMBIENTAL, COM VÁRIAS CAUSAS (MULTIFATORIAL), RECIDIVANTE e com inúmeros fatores que perpetuam o processo e favorecem o reganho de peso. 

Mas se há casos de sucesso, devemos olhá-los com mais atenção e analisar a razão do sucesso. E a prestação de contas é um dos determinantes desse sucesso.

Prestação de contas? Sim e nada tem a ver com contabilidade. Dividimos essa prestação de contas em 2 tipos: a interna e a externa. 

Prestação de contas: INTERNA

Nela agimos por nós mesmos. Ela diz respeito a formas objetivas que temos de avaliar o nosso resultado (emagrecimento). Há 3 formas de prestação de contas interna:

1) Vigilância: o paciente necessita se pesar ou fazer bioimpedância para avaliar de forma objetiva como está progredindo (há pacientes que geralmente pioram quanto se pesam, mas via de regra a maioria realmente precisa). 

Há uma vertente dentro da Nutrição comportamental que condena a pesagem, porém os estudos de Terapia cognitivo comportamental mostram justamente o contrário. A vigilância contínua promove melhores desfechos.

Mesmo que balança não represente a realidade exata do seu peso, em um período de 15 dias dá para se ter uma noção de como você está indo. Atenção aos períodos pré e pós-menstruais. Atenção também à constipação intestinal (intestino preso).

2) Rastreamento de calorias: caloria não é tudo, mas a estratificação (estimativa) da ingestão de calorias é fundamental no processo de emagrecimento. 

Não consideramos o rastreamento calórico (recordatório alimentar) uma estratégia universal, porém,  nossa prática clínica percebemos que auxilia bastante, principalmente para aquele paciente que "acha" que está seguindo o plano alimentar. 

Há trabalhos também que validam a utilização desses recordatórios alimentares, para fins de aumentar a adesão ao tratamento.

Algumas perguntas devem ser feitas durante análise do recordatório:

1º - Estimar o quanto você está ingerindo no dia e proporção dos macronutrientes.
2º - Determinar onde você está "errando" e as comorbidades associadas a esse "erro". Falo erro com aspas, pois, as vezes, errada foi a estratégia adotada pelo médico para o seu caso. Temos que normalizar que em tratamento de obesidade muitas vezes não acertamos de primeira o melhor tratamento. E/ou muitas vezes teremos que alternar as estratégias terapêuticas. 
  1. Está fazendo mais refeições livres além das ofertadas pelo nutricionista? 
  2. Como está o padrão alimentar?
  3. Está beliscando? 
  4. Está hiperfágico?
  5. Está tendo quantos episódios de compulsão alimentar por semana? Será que precisaremos entrar com medicação e/ou pedir uma avalição psiquiátrica?
  6. Está tendo episódios de compensação alimentar: tais como jejum, dietas restritivas, detox, vômitos, uso de laxantes ou diuréticos, exercícios físico extenuante na tentativa de compensar episódios de compulsão?
  7. Como está a sua relação com a comida? Está gerando mais ansiedade e favorecendo um comer transtornado?
  8. Está fazendo psicoterapia?
  9. Quais momentos do dia tende a ingerir mais calorias e com isso sabotar o que foi proposto?
  10. Há fome emocional? 
  11. Há apetite para algum alimento específico? 
  12. Qual o sentimento predominante nos momentos em que tem compulsão e/ou ingere aquilo que não estava dentro do programado com o Nutri.
3º - Mostrar o quanto você conseguiu reduzir de calorias se comparado ao que ingeria antes. Às vezes o paciente não está perdendo peso na balança e fica desanimado, mas quando se compara ao que ele era antes do tratamento, detectamos um grande avanço. Principalmente no que se trata de volume e qualidade das refeições. Por isso, o reconhecimento de avanços é importante.

3) Estabelecer metas de exercícios e cumprir essas metas, sendo realista. 

A gente orienta aos nossos pacientes que essas metas de início podem até não serem ambiciosas, mas o feito é melhor que o perfeito. E o feito por 20 minutos sempre será melhor que o nada feito. 

Prestação de contas: EXTERNA

É aquela prestação de contas na qual o outro vai te validar. O outro vai te analisar. O outro vai te falar se você teve ou não um bom resultado e/ou se está progredindo, estacionado o regredindo no processo.

a) Profissionais: Nutrólogo, Nutricionista, Endocrinologista: ter pessoas que olharão/acompanharão seu resultado. Os estudos mostram que esse tipo de prestação de conta aumenta as chances de sucesso em um processo de emagrecimento. 

Por isso, orientamos que no tratamento da obesidade as consultas devem ser mais periódicas com o nutricionista. O ideal é de 15 em 15 dias. Ter alguém fiscalizando a evolução geralmente promove melhores desfechos de acordo com alguns estudos. 

Se o paciente está indo bem, ele tende a ficar mais motivado e se ele está indo mal, a gente revisa a estratégia adotada. Como dissemos acima, as vezes erramos na estratégia escolhida. As vezes precisamos alternar as estratégias. 

b) Blog: há estudo mostrando que os pacientes que escreveram blog relatando o processo tem melhores resultados que aqueles não fizeram. Que tal escrever um blog e ali falar das suas dificuldades, colocar as fotos das suas refeições. Postar seu progresso. Há milhões de pessoas nesse barco e com certeza alguém gostará de te acompanhar. 

c) Grupos de whatsApp em que um estimula o outro: um adendo, abominamos grupos de desafios. Uma coisa é um grupo em que as pessoas possuem o mesmo objetivo (que é perder peso) e um estimula o outro. 

Outra coisa, bem nociva por sinal (iatrogênica na verdade), são grupos de competição (desafios), no qual a perda de peso é estimulada de forma errada, pois não leva em conta que as pessoas possuem individualidade biológica, histórias de vida diferentes, realidades financeiras diferentes, constituição familiar diferentes.

Autor: Dr. Frederico Lobo - CRM-GO 13192 - RQE 11915 - Médico Nutrólogo
Revisores:
Rodrigo Lamonier - Nutricionista e Profissional da Educação física
Márcio José de Souza - Profissional de Educação física e Graduando em Nutrição.
Dra. Edite Magalhães - CRM , RQE - Médica especialista em Clínica Médica
Dr. Leandro Houat - CRM 27920 , RQE 20548 - Médico especialista em Medicina de Família e comunidade

Ação da insulina para inibir a ingestão de alimentos: está tudo na sua cabeça?

A insulina é um sinal chave que participa da resposta à disponibilidade de nutrientes, ajustando o uso de energia periférica para manter a homeostase da energia e da glicose.

No entanto, sua função neuroendócrina se estende além da regulação dos níveis circulantes de glicose.

Estudos em humanos usaram a administração intranasal de insulina para definir seus efeitos no sistema nervoso central (SNC) versus periféricos.

Estudos anteriores em humanos mostraram que a insulina suprime a atividade do estriado ventral e altera a comunicação entre o estriado ventral e a área tegmental ventral (VTA) de uma maneira que implicava, mas não podia verificar, a inibição da dopamina.

No estriado ventral (núcleo accumbens), neurotransmissores individuais e suas respectivas vias de sinalização neuronal governam diversos aspectos do comportamento alimentar, incluindo motivação, recompensa antecipatória e consumatória e abordagem alimentar.

Assim, a pesquisa que define o efeito da insulina em neurotransmissores específicos no corpo estriado tem o potencial de informar nossa compreensão das ações centrais da insulina para modular o comportamento alimentar em humanos. O estudo de Kullman et al investiga as interações da insulina com a sinalização da dopamina no corpo estriado e na rede mesocorticolímbica estendida à qual pertencem as regiões estriatais.

Kullman e colegas realizaram um estudo cruzado, cego e rigorosamente projetado do efeito da administração de insulina intranasal versus placebo nos resultados de neuroimagem multimodal em 10 homens jovens e saudáveis.

Visando o estriado dorsal e ventral, eles mediram o potencial de ligação da dopamina por meio de [11C]raclopride e tomografia por emissão de pósitrons (PET), que muda proporcionalmente à disponibilidade de locais de ligação nos receptores de dopamina 2 e 3 (D2/D3).

Eles encontraram maior potencial de ligação tanto no estriado ventral quanto no dorsal após a administração de insulina intranasal em comparação ao placebo.

Os autores interpretam os achados como evidência de que a atividade dopaminérgica dentro do corpo estriado foi reduzida pela insulina intranasal.

Concomitantemente com a imagem PET, foram adquiridos exames de ressonância magnética funcional em repouso em série.

Estes foram analisados ​​usando 2 medidas calculadas: uma que estimou a atividade neural e uma segunda que avaliou a conectividade funcional.

As análises se concentraram em regiões do sistema mesocorticolímbico (um circuito altamente conservado que governa comportamentos motivados), incluindo o VTA, estriado dorsal (caudado e putâmen), hipotálamo lateral, córtex pré-frontal medial e estriado ventral.

Os resultados mostram menor atividade estriatal 15 e 30 minutos após a administração de insulina do que o placebo.

Em análises correlacionais, eles descobriram que indivíduos com maiores diferenças no potencial de ligação entre as condições também tinham maiores diferenças na atividade neural – achados limitados à região estriada ventral e ao ponto de tempo pós-insulina de 15 minutos.  

Essa correlação relaciona a magnitude da supressão da dopamina pela insulina com as reduções na sinalização estriatal ventral.

No ponto de tempo pós-insulina de 45 minutos, a magnitude do efeito da insulina no potencial de ligação foi associada a aumentos na conectividade entre pares regionais específicos dentro do sistema mesocorticolímbico que incluía o VTA, estriado ventral, córtex pré-frontal e hipotálamo lateral.

Os autores concluem que a insulina atua centralmente para reduzir a sinalização dopaminérgica no corpo estriado, o que pode modular a atividade neuronal localmente e a conectividade entre as principais regiões que regulam o comportamento motivado e os aspectos recompensadores da ingestão de alimentos.

Embora realizado em uma pequena amostra, o estudo de Kullman et al está de acordo com um grande corpo de evidências pré-clínicas e acumulando estudos em humanos, de que a insulina tem atividade anorexígena no cérebro.

O estudo implica reduções na sinalização dopaminérgica estriatal como um dos mecanismos neuroendócrinos de ação da insulina em humanos.

A sinalização da dopamina estriatal ventral pode desempenhar um papel específico no aumento do impulso para identificar e obter alimentos.  

Além disso, indivíduos com maior disponibilidade de receptores D2/D3 estriados dorsais – como visto com a administração de insulina em Kullman et al – exibem inibição mais rápida das respostas motoras e maior ativação frontoestriatal durante a inibição da resposta.

Assim, um papel da insulina pode ser atuar como um sinal de feedback negativo para o SNC em resposta à disponibilidade de nutrientes com efeitos resultantes que suprimem a motivação para a alimentação, facilitam a autorregulação e reduzem a atividade direcionada à obtenção de alimentos.

As descobertas complementam extensas investigações que revelam como a exposição a nutrientes no intestino produz sinais de saciedade para reduzir a ingestão de alimentos.

Especificamente, esses dados sugerem que os hormônios derivados do intestino e a insulina circulante representam fontes potencialmente redundantes de feedback negativo sobre a ingestão de energia com sobreposição em suas vias efetoras do SNC.

Por exemplo, a presença de nutrientes no intestino estimula a liberação de sinais de saciedade, incluindo peptídeo-1 semelhante ao glucagon, que atua no VTA em roedores para alterar a sinalização da dopamina.

Ao contrário da insulina, os sinais de saciedade derivados do intestino requerem a entrada de aferências vagais e esplâncnicas do intestino.  

Curiosamente, existem vias paralelas que fornecem sinais de feedback positivos do intestino para o cérebro para promover a ingestão de alimentos.

Este processo, denominado “apetição” por Sclafani, é separado e complementar ao sistema de saciedade e não está sob a regulação da entrada vagal intestinal.

Por exemplo, a liberação de dopamina estriatal induzida pela infusão intragástrica de glicose está envolvida no condicionamento do apetite doce – a oxidação da glicose é necessária e provavelmente não é dependente de insulina.

Em outras palavras, parecem existir caminhos paralelos que usam a dopamina no aprendizado e no estabelecimento de associações de recompensa-pista com alimentos específicos com base no conteúdo de nutrientes e são distintos daqueles que governam o equilíbrio energético e a saciedade relacionada à refeição.  

Este último pode envolver insulina, nutrientes e outros hormônios da saciedade.

Uma limitação notável da metodologia de Kullman e colegas é que ela não reproduz essa fisiologia porque a insulina intranasal foi fornecida em jejum.

No entanto, os resultados destacam que a disponibilidade de nutrientes é um sistema endócrino no qual o comportamento é a saída regulada.

A pesquisa implica, além disso, que são necessárias ferramentas clínicas para detectar, diagnosticar e tratar anormalidades nesse ciclo de feedback endócrino-comportamental.  

Por exemplo, pesquisas anteriores sugerem que a resistência à insulina é acompanhada por deficiências na ação central da insulina para inibir a atividade mesolímbica, mas faltam ferramentas comprovadas para avaliar e diagnosticar a disfunção.

Da mesma forma, monitorar os efeitos colaterais da administração de insulina exógena, como aumento do desejo de comer, comportamento de busca de alimentos ou falta de saciedade, fica atrás de nossas medidas cada vez mais detalhadas do efeito da titulação de insulina na glicose periférica.

Sem meios para monitorar esse sistema de maneira baseada em evidências, podemos deixar de detectar sintomas de apetite e comportamento alimentar quando eles surgirem.

Isso representa uma oportunidade perdida de intervir antes do ganho de peso clinicamente significativo.

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Inciativa premiada no Prêmio Euro - Inovação na Saúde

Aumento do turismo residencial no mundo é uma tendência é positiva para o meio ambiente

Nos últimos anos, as viagens internacionais e de longa distância ganharam espaço na vida de muita gente. Entretanto, o que as pessoas não sabem é que o uso de aviões e carros para isso é prejudicial ao meio ambiente. Algo que pode mudar nos próximos meses, com a tendência do turismo residencial em alta por todo o mundo. Um artigo feito recentemente mostra que alguns grandes centros, como Nova York e Tóquio, estão observando os moradores das cidades explorarem mais pontos turísticos da região, evitando viagens que podem causar mais poluição.

Segundo uma reportagem do canal alemão DW, os aviões são responsáveis por cerca de 5% das mudanças climáticas que acontecem no mundo. Esse é um número alto, principalmente que menos de 10% da população mundial usa esse meio de transporte. Ou seja, estamos falando de algo que causa prejuízo ao meio ambiente, mesmo sendo utilizado por poucas pessoas. O problema é que nos últimos anos esse número cresceu, com as viagens aéreas ficando mais acessíveis.

De 2020 para cá, por conta da crise que afetou o mundo, as viagens de avião perderam espaço e o turismo viu uma nova tendência de viagem surgir. O levantamento feio pelo site de caça-níqueis da Betway mostra isso com números, e faz uma comparação entre Nova York e Tóquio. A cidade norte-americana, por exemplo, teve quase 20 milhões de turistas locais em 2021. Um número que deve atingir os 30 milhões neste ano, inclusive pelas iniciativas da própria região para aumentar isso.

O artigo mostra também que essa sempre foi uma tendência de Nova York, que costuma chamar mais a atenção de pessoas que moram próximas do estado. Isso é importante para diminuir o impacto de uma viagem internacional, quando um brasileiro sai de São Paulo, por exemplo, para visitar o Empire State Building. Essa mudança é essencial para o meio ambiente, e a esperança é que ela continue assim pelos próximos anos, mesmo após o fim da crise na área da saúde.

Pouco acessível para todos

Apesar dessa tendência positiva, ainda existem alguns problemas com essa tendência de turismo residencial. Em Nova York, uma visita ao Museu Guggenheim não sai por menos de US$ 25, um valor que não é acessível para qualquer um. Para um final de semana turístico, um morador da Big Apple vai gastar mais de US$ 280. Ou seja, isso ainda é um empecilho para que as pessoas possam aproveitar a cidade norte-americana, mesmo morando na região.

Em entrevista ao blog da Betway, o brasileiro Gustavo Ventura explica que em alguns pontos da cidade é quase impossível encontrar preços baixos. “Na alimentação se gasta geralmente de US$ 30 a US$ 40 por refeição. Claro que existem opções mais baratas, mas nos centros turísticos sempre é mais caro”, afirma o paulista que mora em Nova York desde 2021. Isso faz com que muitas atividades fiquem inacessíveis, o que pode prejudicar essa tendência de turismo residencial.

Apenas como comparação, os restaurantes em Tóquio oferecem preços bem acessíveis. Com apenas US$ 14 é possível se alimentar em pontos turísticos da capital japonesa. É uma prova de que é possível cobrar pouco em um centro urbano importante. Aliás, um morador da região pode curtir um final de semana com US$ 122, menos que a metade do gasto por alguém em Nova York. Essa diferença explica muito o problema que estamos falando.

Iniciativas pró meio ambiente

A busca por maior sustentabilidade em viagens não depende apenas dessa nova tendência do turismo, mas também de ações de grandes empresas. Algo que tem acontecido, principalmente quando falamos de companhias aéreas. Os aviões comerciais mais modernos são menos poluentes, e prometem ficar ainda mais limpos no futuro. São atitudes assim que podem ajudar o meio ambiente.

Outra discussão que tem ganhado força na Europa é o maior uso de trens para viagens longas. Os turistas poderiam ter passagens mais acessíveis, e assim trocariam um avião por um trem. Uma substituição importante, pois esse meio de transporte pode ser até 50% mais limpo que o outro.

A reportagem feita pela Betway mostra que a tendência atual é de um turismo residencial, seja no Japão, nos Estados Unidos ou até mesmo no Brasil. Algo que ajuda não apenas a economia dos turistas, mas também o meio ambiente. Quanto menos uso de carros e aviões acontecer, melhor para o planeta

Curcumina pode auxiliar na redução da Doença Renal Crônica

Diversas são as estratégias utilizadas para auxiliar na prevenção do desenvolvimento da Doença Renal Crônica, em especial seu quadro característico de inflamação prolongada. 

Um estudo recente sugere ainda uma nova intervenção: a suplementação de curcumina, componente ativo do açafrão. Vamos entender melhor essa relação?

A Doença Renal Crônica (DRC) é uma condição patológica decorrente da perda progressiva da função renal, com alto risco de mortalidade cardiovascular.

Entre os fatores patogênicos para a progressão da DRC e a ocorrência de suas principais complicações, a inflamação e o estresse oxidativo têm desempenhado um papel importante, sendo considerados grandes fatores de riscos para aumento da morbidade e da mortalidade.

Há indícios que a microbiota intestinal muda consistentemente ao longo da DRC, induzindo uma carga metabólica que pode aumentar ainda mais o risco cardiovascular dos pacientes. Além disso, os metabólitos derivados da microbiota, tais como p-cresil sulfato (PCS) e indoxil sulfato (IS), podem contribuir para diminuir a função renal e piorar ainda mais a doença.

Sendo assim, uma das possibilidades de modular o quadro inflamatório sistêmico da DRC é a atuação na composição da microbiota intestinal. Mas como?

Intervenções direcionados à modulação das espécies que habitam o trato gastrointestinal têm sido sugeridas, especificamente através da suplementação de probióticos/prebióticos ou nutracêuticos. Dentre estes, a curcumina demonstrou propriedades anti-inflamatórias significativas.

A partir daí, o estudo piloto italiano analisado neste artigo buscou observar os potenciais benefícios da suplementação oral de curcumina-fosfolipídio em indivíduos com Doença Renal Crônica Leve.

Pessoas com DRC usaram curcumina por 6 meses

De fevereiro de 2018 a fevereiro de 2019, foram recrutados 24 pacientes com Doença Renal Crônica em estágio leve, maiores de 18 anos e que não estavam em tratamento hemolítico.

Para o grupo controle, foram selecionados 20 voluntários saudáveis, a partir dos mesmos critérios do grupo anterior, exceto pela presença da DRC ou qualquer outra doença relacionada ao rim.

Os pacientes com a doença seguiram orientações nutricionais e foram suplementados com 500mg curcumina contendo 100 mg de curcuminóides, duas vezes ao dia, por período de 3 ou 6 meses. O estudo buscou analisar as principais alterações conforme a passagem do tempo, que se dividiu em T0 (momento inicial), T1 (após três meses) e T2 (após seis meses).

Após estes períodos, foram coletados parâmetros clínicos, medidas de composição corporal, hábitos alimentares e amostras de fezes e sangue.

Os parâmetros investigados foram: estado nutricional e ingestão alimentar, inflamação e estresse oxidativo, toxinas urêmicas e microbiota intestinal.

Efeitos da suplementação sobre a inflação e outros parâmetros de saúde

Ingestão alimentar e estado nutricional: No início do estudo, foi fornecido aconselhamento nutricional aos pacientes com DRC, com objetivo de relembrar a importância da diminuição da ingestão de proteínas, sódio, fósforo e potássio. Os resultados mostraram a diminuição na ingestão de calorias, carboidratos, proteínas e fibras, além de fósforo e potássio. A análise de bioimpedância mostrou também uma diminuição significativa na massa gorda e uma tendência crescente na massa livre de gordura no primeiro trimestre.

Inflamação: A suplementação de curcumina resultou em um efeito anti-inflamatório e redutor das citocinas plasmáticas, em particular da proteína quimiotática de monócitos (MCP-1), que costuma ser super expressa em pacientes com DRC, aumentando a inflamação através do recrutamento de macrófagos.  Após seis meses de suplementação, o fitossomo de curcumina também induziu uma redução nos níveis plasmáticos de IL-4 (interleucina moduladora de respostas imunes) e IFN-y (citocina que contribui para a progressão da disfunção renal). O efeito anti-citocinas pró inflamatórias da curcumina já havia sido demonstrado anteriormente em diferentes condições patológicas, tais como hepatite B e osteoartrite. 

Estresse oxidativo: Em relação à análise da peroxidação lipídica, houve uma diminuição de 18% de TBARS (subproduto da peroxidação) após 3 meses do início do estudo, e uma diminuição de 25% ao final dos 6 meses de suplementação com o fitossomo de curcumina.

Toxinas urêmicas: As duas principais toxinas urêmicas que contribuem para a progressão da doença renal e aumento dos riscos cardiovasculares são o indoxil sulfato (IS) e o p-cresil sulfato (PCS). Embora não tenha sido observado uma diminuição significativa, houve uma tendência de redução para os níveis de PCS total e livre. Em relação à IS, notou-se estabilidade. É válido salientar que, normalmente, há um aumento nos níveis de toxinas urêmicas à medida que os danos renais pioram, mas isso não foi observado após a suplementação. Dessa forma, a observação de estabilidade pode ser considerada um resultado positivo.

Microbiota intestinal: Após 6 meses de suplementação de curcumina, a diversidade alfa foi mais elevada em grupos com Doença Renal Crônica em suplementação, quando comparados ao grupo controle. Vale relembrar que os pacientes com a doença seguiram orientações nutricionais específicas, enquanto o grupo controle estava em uma dieta livre.

Em resumo, houve presença significativamente maior de:
Família Lachnospiraceae 
Família Lactobacillaceae 
Família Prevotellaceae

Enquanto isso, houve uma presença significativamente menor de:
Família Enterobacteriaceae (e gênero Shigella)
Família Bacteroidaceae 
Filo Verrucomicrobia
Gênero Lachnoclostridium
 
Conclusão 

A partir dos resultados apresentados, ficam sugeridos os benefícios promissores do uso de curcumina para a Doença Renal Crônica, principalmente na redução da inflamação.  Além disso, nenhum efeito adverso foi observado no grupo de pacientes suplementados, o que corrobora com o bom perfil de segurança deste fitossomo, mesmo após administração prolongada.

As limitações do estudo apresentado dizem respeito ao pequeno tamanho da amostra e alta taxa de abandono. Desse modo, outros estudos são necessários para evidenciar o potencial benefício da curcumina na DCR, especialmente ensaios controlados por placebo.

Para conferir o estudo na íntegra: https://www.mdpi.com/2072-6643/14/1/231

Referência: PIVARI, Francesca et al. Curcumin Supplementation (Meriva®) Modulates Inflammation, Lipid Peroxidation and Gut Microbiota Composition in Chronic Kidney Disease. Nutrients, v. 14, n. 1, p. 231, 2022.

Autor: Natália C Lopes

O aumento da prevalência de obesidade nas capitais

Em 2006 o Ministério da saúde iniciou uma pesquisa denominada Vigitel (Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico). Ocorre anualmente em todas as capitais dos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal. 

As entrevistas ocorrem via inquérito por telefone, realizado anualmente em amostras da população adulta (>18) residente em domicílios com linha de telefone fixo. Quais temas o Vigitel aborda? 

Os indicadores avaliados pelo Vigitel estão dispostos nos seguintes assuntos: 
  • Tabagismo;
  • Excesso de peso e obesidade;
  • Consumo alimentar;
  • Atividade física;
  • Consumo de bebidas alcoólicas;
  • Condução de veículo motorizado após consumo de qualquer quantidade de bebidas alcoólicas;
  • Autoavaliação do estado de saúde;
  • Prevenção de câncer;
  • Morbidade referida. 
A duração média para responder ao questionário é de 12 minutos. Importante destacar, também, que algumas perguntas realizadas não são diretamente sobre saúde, mas são muito importantes para serem relacionadas com a situação da saúde da população.

No Vigitel de 2020, a prevalência de obesidade nas capitais ficou da seguinte maneira, conforme a figura abaixo.


E o que isso nos fazer refletir ?

Que a obesidade tem se tornado cada vez mais prevalente nas capitais brasileiras. Em 2020, foram registrados 21,5% dos adultos com obesidade, contra 20,3% em 2019. Manaus (24,9%), Cuiabá (24%) e Rio de Janeiro (23,8%) lideram a incidência de obesidade nas capitais. E o que preocupa a ciência é que até 2011, nenhuma capital tinha uma prevalência de obesidade acima de 20%, enquanto em 2020 o Vigitel levantou 16 capitais com prevalência de obesidade acima de 20%. 

Quais fatores estão envolvidos ?

Há quem acredite que isso tenha piorado com a pandemia. Sim, estamos em uma pandemia há 2 anos mas a prevalência já vinha aumentando. A pandemia pode ter exacerbado o que já vinha piorando. E falar de fatores de riscos, gatilhos em obesidade é bem complexo.

Centenas de fatores podem estar relacionados mas na nossa reflexão hoje abordaremos temas pouco discutidos e que geram uma grande contribuição.

A poluição ambiental
O estresse crônico
A violência
O sedentarismo

A princípio esses gatilhos parecem desconectados, mas a medida que se analisa de forma "sociológica" percebemos uma inter-relação entre eles. 

A poluição ambiental engloba tanto a poluição do ar (obviamente maior em capitais) quando poluição do solo, poluição sonora, poluição visual. 

A poluição do ar está relacionada a piora de várias patologias (Alzheimer, doenças pulmonares, cardiovasculares, alérgicas) e também obesidade. Mecanismos ainda não bem elucidados mas acredita-se que seja por disrupção endócrina e/ou exacerbaçao da inflamação subclínica. 

A poluição do solo inclui também a poluição da água. Metais tóxicos, poluentes orgânicos persistentes (POPs), disruptores endócrinos. Ou seja, substâncias que de forma direta ou indireta podem ocasionar doenças, exacerbar outras e com isso alterar a parte endócrina. Tema há décadas negligenciado no Brasil e que na Europa ganha cada vez mais força. 
 
A poluição sonora assim como a poluição visual favorecem uma hiperativação do eixo pituitária-adrenal e com isso elevação crônica e persistente dos níveis de cortisol e noradrenalina. O que de forma indireta poderiam influenciar os adipócitos, desbalanço nos níveis de hormônios relacionados ao apetite (Grelina) e saciedade e gasto energético (leptina). 

O estresse crônico pode ter inúmeros fatores causais:
Trânsito
Desigualdade social
Violência
Apreensão quanto ao futuro
Menor contato com a natureza
Menor tempo disponível para lazer
Alta carga de trabalho
Redução do número de horas de sono

Tudo isso interage e favorecem hiperativação do eixo pituitária-adrenal. Ou seja, elevação crônica do cortisol. 

Combina-se a tudo isso, um maior sedentarismo, influenciado pela violência, distância entre pontos dentro das cidades, transporte público precário e/ou ineficaz, comodidade. 

Os fatores acima ainda facilitam o consumo de alimentos ultraprocessados: cereja do bolo!

Ou seja, os fatores que vem favorecendo maior prevalência da obesidade nas capitais são inúmeros. Enquanto autoridades sanitárias não se atentarem a isso, veremos os índices subirem. Com consequente estrangulamento do sistema público/privado de saúde. 

Autores:
Dr. Frederico Lobo - CRM 13192, RQE 11915 - Médico Nutrólogo
Dra. Edite Magalhães - CRM , RQE - Médica especialista em Clínica Médica
Dr. Leandro Houat - CRM 27920 , RQE 20548 - Médico especialista em Medicina de Família e comunidade
Revisores:
Rodrigo Lamonier - Nutricionista e Profissional da Educação física
Márcio José de Souza - Profissional de Educação física e Graduando em Nutrição.

Fontes:

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

Calorias no rodízio de comida japonesa

 

Pergunta frequente de consultório: Dr, em um rodízio de comida japonesa, quais sushis e sashimis devo escolher?

Sente-se à mesa pois rodízio de comida japonesa é um capítulo à parte na Nutrologia rs.

Primeira dica: Pra que rodízio? Que mentalidade é essa na qual você decide comer uma grande variedade de pratos devido o preço que pagou. Não seria melhor ir a um bom restaurante de comida japonesa e pedir e montar um combinado de 20 ou 30 peças? Apreciá-las calmamente, sentir a textura dos peixes, do arroz, a acidez, a temperatura, o sabor, a gordura e as notas dos peixes. 

Segunda dica: Cuidado com o sódio do shoyu. Opte-se sempre pelo shoyu light. Tem bem menos sódio, mas ainda assim tem sódio, ou seja, em excesso pode elevar a pressão arterial em indivíduos predispostos. Além disso pode favorecer maior retenção hídrica (inchaço). A função do shoyu é realçar o sabor do peixe. Não está ali para ser usado indiscriminadamente e sim para ser pincelado no peixe.

Terceira dica: tarê: ele é doce, tem uma combinação de água, sal, soja, milho, açúcar, corante caramelo e conservador sorbato de potássio, sake, xarope de glicose, amido modificado, acidulante, ácido láctico,  glutamato monossódico. Ou seja, também tem sódio e ainda pode elevar a sua glicemia. Cuidado diabéticos. Cuidado também com as calorias. 1 colher de sopa fornece cerca de 290mg de sódio e 24kcal. 

Quarta dica: Atenção às calorias.  

Se for comer sashimi (apenas as fatias cruas): opte por peixes e frutos do mar mais magros, ou seja, com menor quantidade de gordura:  badejo, garoupa, robalo, tilápia. Peixes com maior teor de gordura e que você deve ficar atento às quantidades: anchova, arenque, atum, cavala, salmão, sardinha, tainha. São ricos em ômega 3 e por isso devem ser incorporados à nossa rotina. As pessoas tendem a pensar que pelo sashimi não ter carboidrato, eles não são calóricos. Com isso exageram.  Cada peça oferece cerca de 20 a 25kcal, mas e se você ingerir 15 sashimis, aí ja terá ingerido cerca de 300kcal. Atenção também à digestão, já que a proteína estando crua, tem uma digestão mais lenta. Se você exagera, pode ficar empachado e passar mal. Gestantes com IgG negativo para toxoplasmose devem evitar alimentos crus como peixes.

Se for comer sushi, o cuidado deve ser redobrado, pois além dos frutos do mar, o sushi acompanha o shari, que é o arroz com vinagre. Sim, aquele arroz japonês especial, para dar liga e ficar grudadinho depende da presença de açúcar e vinagre. Atenção diabéticos! E cada pecinha terá em torno de 30 a 35kcal no caso de peixe branco, polvo e camarão, e 40-45kcal nas peças com salmão ou atum. Quer comer o sushi? Ok, mas coma também sashimi para alterar a carga glicêmica da refeição e com isso a sua glicemia não elevar tanto.

Quinta dica: cuidado com as preparações quentes. Geralmente são fritas: empanados, hot roll, hot philadelphia, guyoza, rolinho primavera, shimeji na manteiga e abacaxi. 1grama de gordura fornece 9kcal. 

Entendeu como é fácil alcançar 1000kcal em um rodízio ?

Autor: Dr. Frederico Lobo - Médico Nutrólogo - CRM-GO 13192 | RQE 11915
Revisores: 
Rodrigo Lamonier - Nutricionista e Profissional da Educação física
Márcio José de Souza - Profissional de Educação física e Graduando em Nutrição. 



Calorias das cervejas - Por Dr. Sergio Pistarino

No meu questionário pré-consulta, sempre pergunto sobre a ingestão de álcool, quantidade e frequência de consumo. Não obstante, os pacientes sempre se surpreendem quando eu e o meu nutricionista explicamos que 1g de álcool possui 7kcal. Ou seja, são calorias vazias, que vão atrapalhar de forma indireta o emagrecimento, reduzir alguns nutrientes do corpo e reduzir os níveis de testosterona. 

Aí pergunto para vocês: será que a grande maioria conseguirá se abster de algo que é cultural, que favorece a socialização? Eu não ingiro álcool, não estimulo o consumo, mas sou bem realista com relação à nossa realidade. 

As pessoas não vão parar de beber, sejamos realistas. Alguns sim, enxergam malefícios do álcool, mas a grande maioria não. Ou seja, aí entra a política de redução de danos. Existe uma diferença gritante entre o mundo ideal da Medicina e o nosso mundo real. Sempre friso isso para os pacientes no consultório, pois isso é causa de muito sofrimento psíquico para alguns indivíduos mais rígidos. 

Alguns leitores falarão que há pesquisas mostrando os benefícios do álcool. Sim, há trabalhos mostrando que o consumo moderado de álcool pode ter impacto positivo na saúde. Eu acredito que há bastante vieses nesses estudos. Alguns trabalhos afirmam que o álcool tem:
  • Efeito na prevenção de Infarto agudo do miocárdio (IAM): por atuar no metabolismo das lipoproteínas, aumentando o percentual de HDL. 
  • Ação antitrombótica: inibindo a agregação de plaquetas, reduzindo o fibrinogênio e melhorando a fibrinólise.
  • Ação no mecanismo de ação da insulina: melhorando o metabolismo de carboidratos.
  • Aumento do estradiol o que de forma indireta eleva o HDL
Mas o que seria consumo moderado de álcool:
  • 30 a 40g de álcool por dia para Homens
  • 15 a 20g de álcool por dia para Mulheres
  • Em média 0,102g/kg/hora (variando de 0,070-0,185)
  • Traduzindo: 1 long Neck/dia para Mulheres e 2 Long Necks/dia para Homens. 
O teor alcoólico deve ser considerado quando optar-se por ingerir bebida alcoólica. 
Por exemplo:
  • Cerveja 5% de teor alcoólico
  • Champanhe 11,5%
  • Vinho 12%
  • Licor 20%
  • Vodca 37,5%
  • Whisky 40%
Deve-se levar em conta também que para uma mesma qualidade de álcool, a absorção pelo organismo é menor quando proveniente da cerveja do que quando oriundo de bebidas destiladas. 

Autor: Dr. Frederico Lobo - Médico Nutrólogo - CRM 13192 - RQE 11915


Abaixo uma postagem que um amigo (Sergio Pistarino) fez sobre as calorias das cervejas. 



Não te contaram, mas é possível sim emagrecer e ter saúde tomando cerveja 🍺 Sabia?

O problema não é a cerveja mas sim o QUANTO DE CERVEJA? Eis a questão? A quantidade precisa estar alinhada com o seu objetivo, certo?

Se você está trabalhando em prol de qualquer tipo de meta de saúde, melhora de composição corporal ou desempenho físico, detesto ter que dar essa notícia, mas beber álcool, pelo menos regularmente, não está favorecendo você em nada. Se for pontualmente igual na noite de hoje, sem problemas. 
  • O álcool é um macronutriente quase tão calórico quanto a gordura que fornece 9 calorias. As calorias do álcool não possuem nenhum valor nutritivo. Cada copo/tulipa de 300 mL de chope contém 130 calorias e 3 a 6 % de álcool, o mesmo que um bombom ou um pãozinho francês. Quantos pães você é capaz de comer e quantos copos de cerveja você consegue beber?
  • O álcool aumenta o apetite e aumenta muito os desejos, ao mesmo tempo em que diminui as inibições em torno dos alimentos. Aquele alimento que você não come há anos, bêbado, você devora uma tonelada sem culpa. Sua tomada de decisão não é tão boa quanto seria se você não estivesse um pouco embriagado.
  • Beber com frequência pode prejudicar tanto o desempenho quanto a recuperação do exercício, o que significa que você não conseguirá treinar com tanta intensidade ou com tanta frequência, o que pode afetar sua taxa de força e ganho muscular. Álcool é uma substancia depressiva. Cansaço e depressão se misturam com abuso.
  • A saúde hormonal e intestinal não é falada tanto quanto deveria, mas é extremamente importante. O álcool pode danificar o revestimento do intestino e atrapalhar a flora intestinal, o que prejudicará a queima de gordura e como o corpo digere os alimentos. Ele também pode mexer com os níveis de hormônios que constroem músculos e queimam gordura.
  • Mas o álcool atrapalha a qualidade do sono, especialmente o sono REM, que é quando seu corpo faz a maior parte do trabalho para reparar e regenerar seu organismo. Não dormir o suficiente aumentará a fome e os desejos, e diminuirá a energia, então você pode acabar comendo mais e se movendo menos.

Autor: Dr. Sergio Pistarino - Médico do esporte @pistarinosergio

Onde tem atendimento psicológico gratuito/social em Goiânia?

Sempre me perguntam onde há atendimento psicológico gratuito em Goiânia ou clínica social (atendimento com valor mais acessível). 

Então resolvi listar alguns estabelecimentos e espero que possa auxiliá-los. Quem me segue ao longo dessa última década, sabe do quanto valorizo uma boa psicoterapia. Brinco que é o maior investimento que uma pessoa pode fazer para si mesmo. Então, terapia para todos. O mundo agradece. 

Escrevi sobre isso no post: Faça terapia, um investimento que você faz em você http://www.ecologiamedica.net/2020/11/faca-terapia-um-investimento-que-voce.html?m=0

Atendimento gratuito

Núcleo de psicologia aplicada UNIVERSO
Fone: (62) 3238-3719

Centro de psicologia aplicada UNIP
Fone: (62) 3281-8581

Serviço de psicologia aplicada ESTÁCIO
Fone: (62) 3601-4934

Clínica escola da UFG
Fone: (62) 3209-6208

Essas clínicas/escolas geralmente possuem períodos de triagem e algumas dão atendimentos emergenciais.

Clínica social

Avivar - Psicologia e movimento
Fone: (62) 98209-9599

Instituto Olhos da alma sã
Fone: (62) 3204-2565

ITGT
Fone: (62) 3941-9798

Instituto Skinner
Fone: (62) 3609-0942

SOGEP
Fone: (62) 3941-9033

Lotus Psicologia
Fone: (62) 3576-0666

IGAC
Fone: (62) 3223-9896

Armazém de dentro
Fone: (62) 98163-7514

Autor: Dr. Frederico Lobo - Médico Nutrólogo - CRM-GO 13192 - RQE 11915

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

A culpa não é da chuva por Kathya Balan

Mais de uma década depois da reestruturação do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil, manchetes apontam o volume pluviométrico da estação como culpado do desastre ocorrido em Petrópolis nesta semana. A culpa é mesmo da forte chuva?

Em 2011, a região serrana do Rio Janeiro sofreu com um dos maiores desastres climáticos do Brasil, classificado pela ONU como o “8º maior deslizamento ocorrido no mundo nos últimos 100 anos”. Esse desastre foi um marco para a Gestão de Risco no Brasil.

Com mais de 900 mortos, além de centenas de desaparecidos e milhares desabrigados, este foi o ponto de partida para a reestruturação do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil, com o advento da Lei 12.608, de 11 de abril de 2012.

Mais de uma década depois, manchetes apontam o volume pluviométrico da estação como culpado do desastre ocorrido em Petrópolis nesta semana. A culpa é mesmo da forte chuva? Desastres não são naturais. São eventos extremos socioambientais, que se iniciam e se findam trazendo prejuízos ao homem. E para entender o resultado devastador de um desastre como o ocorrido, precisamos olhar para a governança do risco de desastres no País.

Em relação aos riscos e desastres hidrológicos a governança está “diretamente ligada à maneira como as políticas públicas são aplicadas e construídas”. Seria algo como “o processo de assumir que o risco existe e planejar ações para evitar, reduzir, transferir, compartilhar e até mesmo aceitar seus impactos”, o que resultaria em uma governança preventiva. Inclusive, a Lei 12.608 direciona os esforços de gerenciamento de risco e desastres para o âmbito preventivo, mas ainda é exatamente nesse ponto que falhamos miseravelmente.

Para que esse sistema funcione são necessários alguns fatores: articulação; consensos; estratégias e autonomia: o estado deixa de ser o produtor das ações e passa a dirigi-la. Regiões em que a probabilidade do risco de um desastre é alta deveriam ser monitoradas e contar com sistemas de alertas eficazes construídos junto aos cidadãos. Acredito na necessidade da criação de estratégias e políticas públicas que coloquem o cidadão no papel de protagonista. Somente a partir do conhecimento construído junto à comunidade é que se poderá desenvolver a percepção pública dos riscos e desastres e aumentar as possibilidades de intervenção do cidadão durante a gestão dos riscos na fase pré-desastre.

Desastres como o ocorrido abrem janelas de oportunidade para o debate e para a implementação de melhorias na governança dos riscos. O momento é de reflexão: quantas vidas ainda serão perdidas até que haja um comprometimento dos governantes com a gestão preventiva dos riscos de desastres?

É mais fácil culpar o aquecimento global, as fortes chuvas e julgar desastres como “naturais” do que assumirmos a culpa que nos cabe na falta de uma gestão de risco eficaz. Os possíveis fatores responsáveis pelo desastre em Petrópolis são: a falta de planejamento urbano, o descaso com a vulnerabilidade social e econômica da população e a negligência dos gestores públicos por trás de grandes desastres.

Kathya Balan é Mestra em Governança e Sustentabilidade e Supervisora da Assessoria da Presidência e Sustentabilidade do ISAE Escola de Negócios

Instituições e grupos de auxílio em Joinville

No último final de semana estive em Joinville - SC e achei interessante nos semáforos os avisos: "Não dê esmolas, ajude de verdade". Uma iniciativa da Secretaria de Assistência Social do município. 

Tal campanha tem como objetivo a conscientização da população loca, que há serviços públicos e instituições parcerias aptas a atender as pessoas que ficam nos semáforos ou em situação de rua (uma triste realidade em nosso país).  

De acordo com a secretária de Assistência Social do munícipio, Fabiana Cardozo. “A esmola não contribui com as políticas públicas do município, pelo contrário, apenas fomenta a permanência das pessoas nas ruas. 

Sendo assim, para a secretária, conhecer melhor a rede de atendimento do município e saber orientar sobre os locais corretos onde buscar assistência são as melhores maneiras de auxiliar quem necessita.

Além disso, quem desejar contribuir, pode destinar donativos como alimentos e roupas às instituições parceiras da secretaria de assistência social. 

A lista com todos os serviços oferecidos está disponível no site da Prefeitura de Joinville: https://www.joinville.sc.gov.br/servicos/como-ajudar-pessoas-em-situacao-de-rua

Este conteúdo reúne informações de órgãos que recolhem doações e oferecem serviços de apoio a pessoas em situação de rua, no Município de Joinville (SC). O atendimento envolve um conjunto de ações voltadas para o acolhimento e cuidado, garantindo atenção em frentes como saúde, higiene pessoal, alimentação adequada, educação profissional e acesso ao trabalho.

Quem pode auxiliar ? Qualquer pessoa.



Entrei em contato com o POP e eles me informaram que necessitam de doações de produtos de higiene pessoal pois possuem um espaço para banho e higiene da população em situação de rua. Sendo assim, aqueles que quiserem contribuir, podem procurá-los diretamente na Rua Paraíba, 937 – Anita Garibaldi – 89203-502, Joinville – SC. Horário ao público: segunda a sexta, 7h às 19h. Fone: (47) 3433-3341.

Doação de alimentos eles não aceitam, pois possuem convênio com o Restaurante Popular e o mesmo já fornece alimentação para a população em situação de rua ou para aqueles em situação de vulnerabilidade alimentar (insegurança alimentar). Porém me indicaram 2 grupos que também entregam refeições para a população em situação de rua.

Projeto amar até o fim
Coordenado pelo Pastor Fábio (47) 98418-8323. Instagram: https://www.instagram.com/projetoamarateofim/
Rua Jerônimo Coelho, n396-B, ao lado do laboratório municipal. Servem café da tarde e janta todos os dias para a população em situação de rua.

Comunidade de inclusão social: Eis que aqui
Organizam janta e banho para população em situação de rua. 

att

Dr. Frederico Lobo - Médico Nutrólogo - CRM-GO 13192 - RQE 11915

Preciso comer sempre antes de treinar ?

O pré-treino é uma das refeições que mais geram dúvidas entre os praticantes de exercícios, principalmente por não saberem se ela é ou não uma refeição OBRIGATÓRIA para o bom rendimento. Caso essa seja uma dúvida que você tenha, saiba que essa refeição que antecede momentos antes do treino NÃO É OBRIGATÓRIA e pode não ser a melhor opção para todos os casos.

Para sabermos se essa refeição é mesmo necessária ou uma boa opção, devemos avaliar suas necessidades nutricionais, hábitos alimentares, rotina diária e, o mais importante, os seus objetivos.

Por exemplo: há indivíduos que acordam sem apetite e não se sentem bem ao se alimentar antes do treino, podendo até mesmo ter perda do rendimento caso o faça. Nesses casos o treinamento em jejum pode ser uma boa opção (não significa que trará mais resultados do que o treino alimentado). Nos casos em que os treinos são feitos próximos aos horários de refeições maiores, a própria grande refeição poderá ser o suficiente para garantir uma melhora da performance na prática.

E há inúmeras outras possíveis ressalvas que devem ser consideradas antes de afirmarmos a necessidade ou não do pré-treino. Por isso é sempre importante buscar a orientação de um Nutricionista, pois apenas assim você será visto de forma individualizada e integral.

Lembre-se: nem sempre o pré-treino será utilizado como fonte de energia ao exercício que virá a seguir, pois o processamento dos alimentos levam um certo tempo. E as recomendações mais atuais do American College of Sports Medicine (Colégio Americano de Medicina Esportiva) dispõe que em exercícios com duração menor do que 45-75 min, apenas a exposição oral com carboidratos ("bochecho" com carboidratos) já seria o suficiente para melhorar a performance na prática. 

Ou seja, a depender do objetivo e do treinamento, o pré-treino pode ou não ser uma opção ao seu objetivo.

Autor: Rodrigo Lamonier - Nutricionista e Profissional da Educação física
Revisor: Dr, Frederico Lobo - Médico Nutrólogo - CRM 13192 - RQE 11915

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

Veganos e vegetarianos são mais fracos? O ciência informa responde


 

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Musculação é só por estética ?

É perceptível que quem gosta de praticar a musculação realmente AMA, mas, quem não gosta, costuma ODIAR, rsrs! É isso que ouvimos diariamente no consultório e mais do que nunca é dever de todo Nutricionista e Nutrólogo frisar para os pacientes a importância dessa terapia. 

Muitas pessoas subestimam os efeitos da musculação, inclusive a considera como uma prática puramente "estética" e, talvez, por isso, há aqueles que não querem conhecer e nem experimentar tais exercícios.

Mas, será que a musculação é realmente só por estética?

Definitivamente, NÃO! Diversos estudos demonstram que a prática de musculação está relacionada com o menor risco do desenvolvimento de inúmeras doenças crônicas não transmissíveis (hipertensão, diabetes, cânceres, doenças respiratórias, dislipidemias, dentre outras) e, inclusive, para idosos, reduz o risco de quedas e fraturas, que é fator que aumenta muito a morbimortalidade dessa população.

O tecido muscular esquelético, o qual é estimulado na musculação (aumentando seu volume e funcionalidade), é considerado um órgão endócrino responsável por produzir/liberar substâncias chamadas de "miocinas", as quais podem trazer benefícios de forma sistêmica ao organismo.

Um exemplo comum de benefício da prática da musculação é a hipertrofia muscular e consequente progresso das respostas glicêmicas (maior sensibilidade à insulina e controle da glicose no sangue), o que é fundamental para pacientes com diabetes mellitus.

Há certos casos que a combinação da musculação, melhora de outros fatores de risco como o sono ruim, ansiedade, estresse e hábitos alimentares inadequados, os pacientes com pré-diabetes podem obter melhora na glicemia e não evoluir para o diabetes no futuro.

Então, que tal começar a praticar musculação hoje?
Ps: faça um check up com seu Médico Nutrólogo e procure um Nutricionista para orientação alimentar!

Autor: 
Rodrigo Lamonier - Nutricionista e Profissional da Educação física
Revisores: 
Dr, Frederico Lobo - Médico Nutrólogo - CRM 13192 - RQE 11915
Márcio José de Souza - Profissional de Educação física e Graduando em Nutrição. 

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Nutrologia não inclui Modulação hormonal no rol de procedimentos

 
Praticamente todos os dias pelo menos 10 pessoas ligam aqui na clínica e perguntam se trabalho com modulação hormonal.

A resposta é em alto e bom som: N-Ã-O. Abomino esse tipo de prática e aqui dou alguns motivos bem simples. Mas antes é preciso entender o porquê das pessoas associarem a Nutrologia à prática de Modulação Hormonal.

Vamos lá ! A Nutrologia NÃO tem dentro do seu rol de procedimentos a Modulação hormonal. Os profissionais que praticam, fazem por conta própria. Pois não é ensinado nada disso nas residências de Nutrologia ou cursos de especialização, em especial o dado pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN). Em 2019 a própria ABRAN emitiu um comunicado deixando claro que algumas práticas não fazem parte do rol de procedimentos nutrológicos.
A ABRAN em comunicado também publicou no próprio site um posicionamento especificamente sobre Modulação Hormonal.

Ou seja, tal tipo de prática não tem respaldo da sociedade a qual sou membro titular. Para acessar: Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN): http://abran.org.br/2018/03/04/posicionamento-sobre-a-modulacao-hormonal/

A especialidade responsável por estudar mais a fundo os hormônios é a Endocrinologia e Metabologia e a própria Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) publicou ano passado um posicionamento sobre Modulação Hormomal: https://www.endocrino.org.br/alerta-sbem-nao-existe-especialista-em-modulacao-hormonal/

Os praticantes de Modulação hormonal argumentam que com o passar dos anos há quedas acentuadas de vários hormônios e devemos "modulá-los" deixando em valores ótimos. Mesmo o indivíduo não apresentando déficit. Ou seja, alguns defendem uma ação antienvelhecimento da reposição desses hormônios. 

A Associação Brasileira para Estudos da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO) se posicionou contra a prática de medicina anti-envelhecimento: http://www.abeso.org.br/pdf/Posicionamento%20SBEM%20-%20anti-aging2.pdf

A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) tatambém se posicionou contra: http://portaldaurologia.org.br/medicos/destaque-sbu/nota-oficial/


Além de todas as sociedades médicas acima reprovarem a prática de Modulação Hormonal, o Conselho Federal de Medicina (CFM) que é a autarquia que regulamenta o exercício da Medicina no Brasil tem uma resolução no qual PROÍBE EXPRESSAMENTE a prática de modulação hormonal no Brasil. Podendo ser acessado em:

Abaixo, texto transcrito do site do CFM: 

Com a Resolução 1999/2012, os médicos que prescreverem métodos para deter o envelhecimento podem ser punidos até com a perda do registro profissional
Médicos brasileiros que prescreveram terapias com o objetivo específico de conter o envelhecimento, práticas conhecidas como antiaging, estarão sujeitos às penalidades previstas em processos ético-profissionais. No caso de condenação, após denúncia formal, eles poderão receber de uma advertência até a cassação do registro que lhes a autoriza o exercício da Medicina.

A Resolução 1999/2012, aprovada pelo plenário do Conselho Federal de Medicina (CFM), determina a proibição da adoção destas práticas pelos médicos. O texto, que será publicado no Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira (19), se baseia em extensa revisão de estudos científicos que concluiu pela inexistência de evidências científicas que justifiquem e validem a prescrição destas práticas.

A nova regra reforça limitação imposta pelo Código de Ética Médica, em vigor desde 2010, que também desautoriza o emprego de técnicas sem comprovação cientifica. A Resolução também dialoga com os conteúdos das Resoluções 1938/2010, que alerta para a ineficácia das práticas ortomoleculares com o intuito de combater processos como o antienvelhecimento, e mesmo a Resolução 1974/2011, que trata de publicidade médica. Esta regra proíbe os médicos de anunciarem e prometerem resultados aos pacientes e também de anunciarem o uso de métodos sem comprovação cientifica.

O Coordenador da Câmara Técnica de Geriatria do CFM, Gerson Zafalon Martins, que coordenou o trabalho que resultou na nova resolução, alerta para os riscos que tais métodos podem causar. Segundo ele, há possibilidade de que adoção destas terapias possam provocar danos permanentes, inclusive contribuindo para o aumento do risco de câncer em determinados pacientes. “Prescrever hormônio do crescimento para “rejuvenescer” um adulto que não tem deficiência desse hormônio é submetê-lo ao risco de desenvolver diabetes e até neoplasias”.

Mudança de comportamento - Na avaliação do plenário do CFM, o aumento da longevidade não decorre tratamentos específicos, mas de uma mudança de atitude, que inclui a adoção de hábitos saudáveis (melhor alimentação, prática de esportes, abandono do tabaco e uso limitado do álcool, entre outros pontos). “Estão vendendo ilusão de antienvelhecimento para a população sem nenhuma comprovação científica e que pode fazer mal à saúde. Com a idade, o metabolismo mais lento e a ingestão de algumas substâncias podem aumentar o risco de várias doenças”, alerta a geriatra Elisa Franco Costa, que auxiliou na pesquisa do CFM.

Entre as diferentes técnicas para deter o envelhecimento, a principal crítica do CFM se detém sobre a reposição hormonal e a suplementação com antioxidantes (vitaminas e sais minerais). De acordo com o CFM, a adoção destes métodos não gerou, até o momento, resultados confirmados por estudos científicos em grandes grupos populacionais ou de longa duração. Além disso, como eram empregados em pacientes com hipofunção glandular, podem provocar efeitos adversos que levem seus usuários ao desenvolvimento de outras disfunções.

Para os conselheiros, a prescrição e o emprego de tratamentos de forma inadequada colocam a saúde dos pacientes em risco. Este entendimento é o mesmo de outros órgãos de regulação, tanto nacionais quanto internacionais, se posicionam contra a manipulação hormonal em indivíduos saudáveis.
Penalidades possíveis - Em agosto passado, o CFM divulgou parecer produzido pela Câmara Técnica de Geriatria que propunha um parâmetro normativo sobre a questão. Apenas de seu caráter orientador, o documento não tinha função normatizadora. Com a nova Resolução, o médico fica o impedido de praticar a terapia, sob pena de ter seu registro profissional cassado.

Segundo dados da corregedoria do CFM, nos últimos quatro anos, a entidade já cassou o registro profissional de cinco médicos que praticavam os procedimentos sem comprovação científica. Outras dez punições (como suspensão e censura pública) também foram dadas a outros médicos. Os Conselhos Regionais de Medicina também apuram outros casos.

O ilícito destes médicos geralmente era agravado pela publicidade imoderada, sensacionalista e promocionais. Muitos deles garantiam resultados, o que contraria o Código de Ética Médica (CEM). “A medicina não é uma ciência de fim e sim de meios. O médico tem que fazer o possível em benefício do paciente, mas nem sempre o resultado é satisfatório”, destaca o corregedor do CFM, José Fernando Maia Vinagre.

SAIBA O QUE DIZ A RESOLUÇÃO CFM 1.999/2012
Ficam vedados o uso e divulgação dos seguintes procedimentos e respectivas indicações da chamada medicina antienvelhecimento:
I. Utilização do ácido etilenodiaminatetraacetico (EDTA), procaína, vitaminas e antioxidantes referidos como terapia antienvelhecimento, anticâncer, antiarteriosclerose ou voltadas para o tratamento de doenças crônico- degenerativas;
II. Quaisquer terapias antienvelhecimento, anticâncer, antiarteriosclerose ou voltadas para doenças crônico-degenerativas, exceto nas situações de deficiências diagnosticadas cuja reposição mostra evidências de benefícios cientificamente comprovados;
III. Utilização de hormônios, em qualquer formulação, inclusive o hormônio de crescimento, exceto nas situações de deficiências diagnosticadas cuja reposição mostra vidências de benefícios cientificamente comprovados;
De acordo com a Resolução CFM 1999/2012, a reposição de deficiências de hormônios e de outros elementos essenciais se fará somente em caso de deficiência específica comprovada e que tenham benefícios cientificamente comprovados:
IV. Tratamentos baseados na reposição, suplementação ou modulação hormonal com os objetivos de prevenir, retardar, modular e/ou reverter o processo de envelhecimento, prevenir a perda funcional da velhice, prevenir doenças crônicas e promover o envelhecimento saudável;
V. A prescrição de hormônios conhecidos como “bioidênticos” para o tratamento antienvelhecimento, com vistas a prevenir, retardar e/ou modular processo de envelhecimento, prevenir a perda funcional da velhice, prevenir doenças crônicas e promover o envelhecimento saudável;
VI. Os testes de saliva para dehidroepiandrosterona (DHEA), estrogênio, melatonina, progesterona, testosterona ou cortisol utilizados com a finalidade de triagem, diagnóstico ou acompanhamento da menopausa ou a doenças relacionadas ao envelhecimento, por não apresentar evidências científicas para a utilização na prática clínica diária. 



Em 2018 a Justiça também corroborou com o CFM e proibiu a prática de Modulação Hormonal.


A Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região - TRF5 negou, por unanimidade, a apelação contra a Resolução Nº1999/2012, do Conselho Federal de Medicina (CFM).
A publicação do CFM tem por objetivo combater a prática de reposição hormonal sem comprovação científica, objetivando retardar, modular ou prevenir o processo de envelhecimento.
Esta Resolução foi questionada judicialmente por uma Associação, que impetrou ação civil coletiva (no Juízo da 1ª Vara Federal da Seção Judiciária do Ceará - SJCE), com o intuito de que o CFM fosse determinado a se abster de aplicar a Resolução aos médicos filiados à associação, tanto no presente quanto no futuro.
A ação foi negada na primeira instância, motivando recurso à segunda instância, mas, no dia 28/08/18, também foi negada por unanimidade. Desta forma ficou reconhecido o direito de o CFM regular e impedir a prática, que vinha sendo intitulada por alguns de “modulação hormonal”, e que a SBEM sempre combateu e reprovou por falta de evidências científicas.
Posição do CFM e do Relator
De acordo com o relator da apelação, desembargador federal convocado Frederico Wildson, não tem sentido afirmar que as práticas estão em conformidade com a referida resolução do CFM, tendo em vista que a aplicação da norma não se faz em tese e, sim, diante de cada caso concreto.
De acordo com colocações publicadas no site do Conselho, “verifica-se que, segundo o Conselho Federal de Medicina a falta de evidências científicas de benefícios e os riscos e malefícios que trazem à saúde não permitem o uso de terapias hormonais, com o objetivo de retardar, modular ou prevenir o processo de envelhecimento”. Ainda no site, o magistrado explica que o CFM entendeu que a chamada “terapia antienvelhecimento” oferece risco à saúde da população, motivo pelo qual editou o ato normativo impugnado.
A Resolução
No site do CFM está detalhada a Resolução 1999/2012. Vejam alguns pontos de destaque, entre os pontos:
Médicos que prescreverem métodos para deter o envelhecimento podem ser punidos com até com a perda do registro profissional.
Médicos brasileiros que prescreverem terapias com objetivo específico de conter os envelhecimento, práticas conhecidas como antiaging, estarão sujeitos às penalidades precisas em processos éticos

Ficam vedados o uso e divulgação dos seguintes procedimentos e respectivas indicações da chamada medicina antienvelhecimento:
I. Utilização do ácido etilenodiaminatetraacetico (EDTA), procaína, vitaminas e antioxidantes referidos como terapia antienvelhecimento, anticâncer, antiarteriosclerose ou voltadas para o tratamento de doenças crônico- degenerativas;
II. Quaisquer terapias antienvelhecimento, anticâncer, antiarteriosclerose ou voltadas para doenças crônico-degenerativas, exceto nas situações de deficiências diagnosticadas cuja reposição mostra evidências de benefícios cientificamente comprovados;
III. Utilização de hormônios, em qualquer formulação, inclusive o hormônio de crescimento, exceto nas situações de deficiências diagnosticadas cuja reposição mostra vidências de benefícios cientificamente comprovados;
De acordo com a Resolução CFM 1999/2012, a reposição de deficiências de hormônios e de outros elementos essenciais se fará somente em caso de deficiência específica comprovada e que tenham benefícios cientificamente comprovados:
IV. Tratamentos baseados na reposição, suplementação ou modulação hormonal com os objetivos de prevenir, retardar, modular e/ou reverter o processo de envelhecimento, prevenir a perda funcional da velhice, prevenir doenças crônicas e promover o envelhecimento saudável;
V. A prescrição de hormônios conhecidos como “bioidênticos” para o tratamento antienvelhecimento, com vistas a prevenir, retardar e/ou modular processo de envelhecimento, prevenir a perda funcional da velhice, prevenir doenças crônicas e promover o envelhecimento saudável;
VI. Os testes de saliva para dehidroepiandrosterona (DHEA), estrogênio, melatonina, progesterona, testosterona ou cortisol utilizados com a finalidade de triagem, diagnóstico ou acompanhamento da menopausa ou a doenças relacionadas ao envelhecimento, por não apresentar evidências científicas para a utilização na prática clínica diária.