segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Abordagem nutricional do paciente com dor

Manter bons hábitos alimentares é um dos pilares que merece MUITA atenção no tratamento da dor crônica e, mesmo com vários estudos demonstrando tais benefícios de algumas estratégias nutricionais, essa é uma parte que ainda é negligenciada.

A dor crônica é sempre acompanhada do aumento das respostas inflamatórias do organismo, tornando-se um ciclo bem complexo, em que a dor piora a inflamação e a inflamação piora a intensidade das dores.

Então, a utilização de estratégias nutricionais anti-inflamatórias é fundamental nesse quadro, sendo que, particularmente, gosto muito da dieta com padrão mediterrâneo (adaptada a realidade do paciente) para minimizar as respostas pró-inflamatórias do organismo. Nessa dieta, normalmente é priorizado o consumo de alimentos in natura, diminuindo de forma significativa os processados e ultraprocessados.

Ou seja, é um cardápio composto por folhas, legumes, leguminosas, cereais integrais, frutas, leite e derivados desnatados, azeite, peixes e oleaginosas. O consumo de carnes magras é reduzido para limitar a ingestão de gorduras saturadas, as quais em excesso podem agravar o quadro de dor crônica.

Na dieta mediterrânea o consumo de magnésio, zinco, selênio vitaminas em geral, gorduras mono e poli-insaturadas, fibras e compostos bioativos é bem mais elevado, resultando na diminuição de alguns marcadores inflamatórios (citocinas pró-inflamatórias em geral).

Alguns suplementos também podem trazer benefícios em determinados casos, servindo como complemento do cardápio prescrito.

Autor: 
Rodrigo Lamonier - Nutricionista e Profissional da Educação física
Revisores: 
Dr, Pedro Prudente - Médico do esporte, Acunturiatra e pós-graduado em Dor
Dr, Frederico Lobo - Médico Nutrólogo - CRM 13192 - RQE 11915
Márcio José de Souza - Profissional de Educação física e Graduando em Nutrição. 

quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

Alimentos que pioram acne

Sabe-se que existe uma forte correlação entre nossos hábitos alimentares e a saúde da nossa pele, principalmente com relação a microbiota intestinal (perfil de bactérias intestinais). 

Iinclusive, alguns trabalhos já demonstram a existência do eixo microbiota-intestino-pele, em que as bactérias intestinais podem influenciar positivamente ou negativamente em condições dermatológicas (incluindo a acne, rosácea, psoríase, dermatite atópica, dermatite seborréica).

No post de hoje separamos alguns alimentos que podem estar associados com a PIORA da acne. Mas lembrando, são alimentos que PODEM piorar, porém essa correlação deve ser avaliada com um Nutrólogo e Nutricionista por se tratar de uma resposta extremamente individual. Sugerimos o paciente anotar e depois mostrar para o seu dermatologista a correlação feita.

Alimentos que podem desencadear ou agravar a acne

🥛Proteína do soro do leite (Whey Protein) e laticínios: ALGUNS pacientes (minoria) apresentam o aumento da produção de sebo e oleosidade da pele com o consumo de Whey, leite e derivados;

🧃Açúcar, refrigerantes, sucos industrializados e outras bebidas adoçadas, alimentos e preparações ricas em gorduras saturadas (EXCESSO de carnes gordas, banha de porco, manteiga, óleo de coco): esses alimentos que podem agir em vias (SREBP-1, mTORC1 e IGFBP-3, por exemplo) aumentam a produção de sebo e favorecem a colonização da Propionibacterium acnes;

🍻Bebidas que contenham álcool: podem piorar a microbiota intestinal, respostas inflamatórias e aumentar a produção de sebo na pele;

🍕Alimentos industrializados com excesso de conservantes: há evidências que demonstram que esses alimentos também podem alterar negativamente a microbiota intestinal, além de boa parte serem ricos em açúcares, gorduras saturadas e apresentarem elevada densidade energética;
.
Portanto, fica bem nítido que os fatores que predispõem a piora da acne são os que estão mais presentes na dieta ocidental, a qual está associada também com maior risco de doenças crônicas não transmissíveis. 

Caso você tenha acne, a alimentação juntamente ao tratamento dermatológico pode trazer excelentes resultados! Tenha um dermatologista da sua confiança. Em Goiânia indicamos:

Dra. Maise Sampaio – CRM-GO 12576 | RQE 8130. Médica Dermatologista. Atende na Clínica Zelo. R  T 50 com T 29 qd 69 lt 5, n723, Setor Bueno, Goiânia – GO. Fone: (62) 98107-5354.

Autor: 
Rodrigo Lamonier - Nutricionista e Profissional da Educação física
Revisores: 
Dr, Frederico Lobo - Médico Nutrólogo - CRM 13192 - RQE 11915
Márcio José de Souza - Profissional de Educação física e Graduando em Nutrição. 

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Prática clínica baseada em evidências

 



sábado, 22 de janeiro de 2022

Estratégias para aumentar a saciedade

O sonho da maioria das pessoas é que a resposta para essa pergunta fosse "uma cápsula" ou "suplemento único", não é mesmo? 😂

Mas, infelizmente ainda não existe esse produto!

Para aumentar a saciedade, sem aumentar de forma tão significativa a ingestão calórica, o ideal é:

✅ Tente bater a meta de proteína que o seu Nutricionista estipulou. Ou seja, tente consumir proteína nas 3 principais refeições. O nosso metabolismo é influenciado por uma variável chamada EFEITO TÉRMICO DOS ALIMENTOS e a proteína tem capacidade de alterar mesmo que levemente a taxa metabólica basal. Além disso, alimentos hiperprotéicos promovem maior saciedade, principalmente pela digestão deles ser mais demorada e "trabalhosa" para o trato digestivo.

✅Consumir entre 3 e 5 porções de frutas ao longo do dia, ingerindo, por exemplo, as de menor densidade energética como a melancia, o melão, a maçã e o morango;

✅Colocar de forma livre as folhas e vegetais em geral (desconsiderando os tubérculos) e, se possível, iniciar a refeição por eles;

✅Beba muita água, inclusive, adicione um maior volume 30 minutos antes das grandes refeições;

✅Adicione os exercícios de alta intensidade na sua rotina, já que eles podem desempenhar respostas anorexígenas;

✅Não siga estratégias nutricionais extremistas e evite restrição severa de calorias.

Autor: 
Rodrigo Lamonier - Nutricionista e Profissional da Educação física
Revisores: 
Dr, Frederico Lobo - Médico Nutrólogo - CRM 13192 - RQE 11915
Márcio José de Souza - Profissional de Educação física e Graduando em Nutrição. 

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

O que é síndrome do ovário policístico

 O que é Síndrome do Ovário Policístico?

A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é um distúrbio do desequilíbrio hormonal.

A síndrome dos ovários policísticos inclui hormônios sexuais masculinos elevados (hiperandrogenismo), falha dos ovários em liberar óvulos (disfunção ovulatória) e ovários que estão aumentados, têm sacos cheios de líquido (ovários policísticos) ou ambos. A causa da SOP é desconhecida e o tratamento é baseado principalmente no manejo dos sintomas.

Quem é afetado pela SOP?

A síndrome dos ovários policísticos afeta indivíduos em todo o mundo. Dependendo dos critérios diagnósticos utilizados, entre 6% e 10% das mulheres em idade reprodutiva têm SOP. O papel da genética na SOP não está claro, e atualmente não há teste de triagem genética recomendado para SOP.

Sinais e Sintomas Comuns da SOP

A síndrome dos ovários policísticos é frequentemente considerada em mulheres em idade reprodutiva que têm períodos menstruais irregulares, incluindo períodos ausentes ou sangramento intenso ou prolongado. A infertilidade pode ser um sintoma associado. Devido ao excesso de hormônios masculinos, as mulheres com SOP geralmente também têm aumento de pêlos faciais ou corporais, queda de cabelo ou perda de cabelo no couro cabeludo e acne.

Diagnóstico de SOP e Avaliação para Outras Condições

O diagnóstico de SOP muitas vezes pode ser feito com base na história e no exame físico de um paciente. A medição de andrógenos no sangue e a ultrassonografia pélvica às vezes são feitas para confirmar o diagnóstico.

As pacientes devem ser avaliadas quanto a outras condições antes de um diagnóstico de SOP, incluindo distúrbios da tireoide, prolactina elevada (um hormônio envolvido na produção de leite materno), insuficiência ovariana primária (quando os ovários param de produzir óvulos antes dos 40 anos), problemas de produção hormonal no hipotálamo e glândulas hipofisárias no cérebro

Outras condições de saúde associadas à SOP incluem sobrepeso ou obesidade, pressão alta, diabetes de início adulto ou intolerância à glicose (pré-diabetes), valores anormais de colesterol, doença hepática gordurosa não alcoólica, apneia do sono, depressão e ansiedade e câncer endometrial.

Indivíduos com SOP devem ser rastreados para diabetes tipo 2 e outros fatores de risco cardiovascular, como pressão alta e níveis elevados de colesterol e triglicérides.

Tratamentos para SOP

Não há cura para a SOP, mas a perda de peso melhora muitas das condições de saúde associadas, portanto, as modificações dietéticas e o exercício devem ser priorizados. Medicamentos anticoncepcionais, que diminuem a produção de andrógenos, são usados para regular os ciclos menstruais para indivíduos que não estão tentando engravidar.

Indivíduos com SOP com sobrepeso ou obesidade podem se beneficiar da metformina, um medicamento oral que diminui os níveis de insulina e glicose no sangue. Para o excesso de pelos, medicamentos orais que bloqueiam andrógenos (como espironolactona) podem ser úteis, mas não podem ser usados se a gravidez for desejada devido a possíveis danos ao feto. O crescimento do pelo pode ser diminuído pelo creme de eflornitina aplicado no rosto ou por depilação a laser, barbear ou eletrólise.

SOP e Gravidez

Alguns indivíduos com SOP engravidam sem intervenções médicas. Aquelas com infertilidade devido à SOP podem engravidar usando medicamentos que promovem a ovulação, e alguns podem precisar da ajuda de especialistas em fertilidade.

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Guia Nutrológico - História da Nutrologia? O que é? O que não é Nutrologia? Residência de Nutrologia? Pós-graduação de Nutrologia? Prova de título de Nutrologia? Área de atuação ?

Esse é um guia Nutrológico, voltado para estudantes de medicina e médicos que desejam saber um pouco mais sobre Nutrologia. Aqui não abordarei patologias, mas sim as principais dúvidas daqueles que desejam trilhar o caminho da Nutrologia. 

História da Nutrologia

A Nutrologia pode ser definida como uma especialidade médica que estuda a fisiopatologia, o diagnóstico e tratamento das doenças nutricionais. Compreende-se por Doença Nutricional, qualquer patologia que tem como agente primário etiológico algum nutriente, seja ele excesso ou déficit.
O início da Nutrição médica ou Nutrologia Médica começou na América Latina com o médico Argentino Pedro Escudero.

Dr. Pedro Escudero nasceu em Buenos Aires no dia 11 de agosto de 1877, graduou-se em medicina na Faculdade de Ciências Médicas de Buenos Aires e durante a graduação recebeu uma medalha de honra ao mérito pelo seu desempenho acadêmico. Desde a graduação já apresentava interesse pela temática nutricional e após a graduação aprofundou-se nos estudos. Na década de 20 foi presidente da Associação Médica Argentina, chefiou serviços médicos de excelência em Buenos Aires, lecionou no curso de Medicina da Universidade de Buenos Aires (UBA).

Naquela época as ciências nutricionais ou medicina nutricional como alguns preferem denominar estava engatinhando e não existia a graduação em Nutrição. Em 1926 Pedro Escudero foi responsável por fundar e presidir o Instituto Nacional de Nutrição da Argentina. Nascia ali o berço da Nutrologia e posteriormente da Nutrição na América Latina.

Dr. Pedro Escudero participou de várias conferências médicas na América Latina e na década de 30 definiu que 4 leis regem uma alimentação saudável: Lei da Quantidade, Lei da qualidade, Lei da Harmonia e Lei da Adequação. 2

Em parceria com o governo argentino, o instituto desenvolveu três grandes áreas dos estudos nutricionais: a investigação de carências nutricionais, a docência e o assessoramento ao governo. Sendo assim os mais diversos profissionais da área da saúde, como médicos, enfermeiros e psicólogos, passaram pela instituição, se especializando em nutrição.

Posteriormente criou em 1941 a Associação Argentina de Dietologia, servindo de modelo para que outros países pudessem aprofundar nos estudos acerca da medicina nutricional. Era composta especialmente por médicos dietólogos e por dietistas (que posteriormente viriam a se tornar nutricionistas).

Em 5 de Setembro de 1908 nascia em Recife, Josué Apolônio de Castro, mais conhecido como Josué de Castro, graduou-se em Medicina e foi muito influenciado pelo trabalho de contemporâneo argentino Pedro Escudero. Pode-se dizer que foi o primeiro “nutrólogo” brasileiro. Era também professor, geógrafo, cientista social, político, escritor e ativista brasileiro do combate à fome. Pode-se dizer que a Nutrologia brasileira surgiu em 1932 com os estudos do Dr. Josué de Castro.

Responsável por elaborar o primeiro estudo de inquérito alimentar brasileiro ao avaliar o padrão de consumo alimentar de 500 famílias de bairros operários no Recife.

Foi criador do Serviço de Alimentação e Previdência Social (SAPS, 1940), da Comissão Nacional de Alimentação (CNA, 1945). Criou a Comissão Nacional de Alimentação na década de 40 e foi idealizador e diretor do Instituto de Nutrição da Universidade do Brasil (1946).

Foi presidente (1952-1956) do Conselho da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Alimentação e Agricultura (FAO) e Presidente (1960) do Comitê Governamental da Campanha de Luta contra a fome, na ONU. Embaixador do Brasil na ONU, seguiu carreira política e exilou-se na França durante a ditadura militar. No final da vida presidiu a Associação Médica Internacional para o Estudo de condições de vida e saúde (1970).

Um outro pioneiro na área de Nutrição médica no Brasil é o grande Prof. Dr. José Eduardo Dutra de Oliveira. Médico paulistano.

Dr. Dutra é um dos responsáveis pelo reconhecimento da importância e da necessidade do ensino da Nutrição clínica no ensino médico.

Em 1956 criou a divisão de Nutrologia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto (HCFMUSP-RP)

A Nutrologia apesar de parecer uma especialidade nova no Brasil, já tem mais de 45 anos, no Brasil sendo representada pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).

A ABRAN foi criada em 1973 no Rio de Janeiro pelos médicos Prof. Dr. José Evangelista (in memorian) e Dra. Clara Sambaquy Evangelista (in memorian).

É importante salientar que o termo Nutrologia, proposto pelo Prof. Dr. José Evangelista, e aprovado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Médica Brasileira (AMB), tem também as denominações correspondentes como: Nutrologia Médica, Nutrologia Funcional, Nutrição Médica, que são sinônimos e representam por definição e analogia o termo Nutrologia.

Posteriormente vários médicos deram continuidade ao projeto do casal Evangelista, dentre eles o Prof. Dutra e seus “discípulos” da divisão de Nutrologia do HCFMUSP-RP.

Dr. Hélio Vanuchi:
Dr. José Ernesto dos Santos:
Dr. Júlio Sergio Marchini:
Dra. Selma Freire;
Dr. Fernando Bahdur Chueire:
Dra. Vivian Marques Miguel Suen:

Porém, só em 1978, a Nutrologia foi reconhecida como Especialidade Médica pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), pela Associação Médica Brasileira (AMB) e pelo Conselho Nacional de Residência Médica (CNRM).

Atualmente o presidente da ABRAN é o Prof. Dr. Durval Ribas Filho, médico, endocrinologista e Nutrólogo.

Graças à atuação do Prof. Durval Ribas Filho a Nutrologia acabou tendo uma forte ascensão no cenário médico Nacional nos últimos 15 anos.

Ascensão tão forte que a maioria dos que se intitulam Nutrólogos na verdade não o são. Como dizia um outdoor aqui em Goiânia: “Especialize-se na especialidade do momento”.

A Nutrologia até alguns anos era uma especialidade um pouco desconhecida pela população e até mesmo pelos médicos. Com o aumento do interesse por temas relacionados à alimentação e doenças nutroneurometabólicas o interesse pela área cresceu de forma exponencial.  Ao passo que hoje temos que lidar com um problema, que é a quantidade exorbitante de profissionais que se intitulam nutrólogos e na verdade não são.

Médicos que apenas fizeram pós-graduações de Nutrologia ou nem isso. Saliento que só é especialista em Nutrologia/Nutrólogo quem fez residência médica em Nutrologia ou tem título de especialista pela ABRAN. Ou seja, aqueles que possuem Registro de Qualificação de Especialista (RQE) junto ao Conselho Federal de Medicina.

Alguns pesquisadores brasileiros atuam na área de Nutrição enteral e parenteral  e até possuem título de atuação nessa área, o que é diferente do título de Especialista em Nutrologia, já que Nutrição enteral e parenteral é uma área de atuação na medicina. Mesmo não sendo Nutrólogos, devido seus feitos pela ciência brasileira merecem o nosso reconhecimento. Dentre esses profissionais temos:

Prof. Dr. Dan Waitzberg (GANEP): Médico cirurgião e profº associado do deptº de Gastroenterologia da FMUSP, Coordenador do Laboratório de Metabologia e Nutrição em Cirurgia Digestiva – Metanutri da FMUSP, Coordenador da Comissão de Nutrologia do Complexo Hospitalar Hospital das Clinicas da FMUSP. Diretor do Ganep Nutrição Humana.

Prof. Dr. José Eduardo de Aguilar-Nascimento (UFMT): Médico, especialista em Cirurgia do aparelho digestivo. Mestre e doutor em Gastroenterologia Cirúrgica pela UNIFESP. É responsável pelo grupo de pesquisa Nutrição e Cirurgia da UFMT e pelo projeto ACERTO (www.projetoacerto.com.br).

Prof. Msc. Maria de Lourdes Teixeira da Silva (GANEP): Médica, especialista em nutrição parenteral e enteral (BRASPEN), Mestre em Gastroenterologia e diretora do GANEP.

Dr. Antônio Carlos L. Campos (UFPR): Professor Titular de Cirurgia do Aparelho Digestivo e Coordenador do Programa de Pós-graduação em Clínica Cirúrgica da Universidade Federal do Paraná. Ex-Presidente da SBNPE e da FELANPE.

Prof. Dra. Isabel Correia (UFMG): Médica e professora de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFMG. Coordenadora do grupo de Nutrição do Instituto Alfa de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas da UFMG.

Dra. Maria Cristina Gonzales (UCPEL): Médica, especialista em Gastroenterologia e Nutrição enteral e parenteral (BRASPEN). Professora Titular no Programa de Pós-graduação em Saúde e Comportamento da Universidade Católica de Pelotas, RS. Professora Colaboradora no Programa de Pós-graduação em Nutrição e Alimentos da Universidade Federal de Pelotas, RS. Editora do BRASPEN Journal.

Dr. Paulo Cesar Ribeiro (BRASPEN): Médico cirurgião geral. Especialista em Proctologia, Medicina Intensiva e Nutrição enteral e parenteral (BRASPEN).  Mestre em Cirurgia Geral pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Responsável pelo Serviço de Terapia Nutricional Artificial do Hospital Sírio Libanês.

A ABRAN realizou o 1º. Curso Nacional de Atualização em Nutrologia (CNNutro) em 2003. O mesmo nos primeiros anos ocorreu na Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto. Nos últimos anos, o CNNUTRO vem sendo realizado em São Paulo-SP. Atualmente a ABRAN promove também o Curso Nacional de Nutrição enteral e parenteral (CNNEP).

Para maior intercâmbio entre os afiliados e o público interessado em Nutrologia, a ABRAN criou o Nutro News (NN), um informativo trimestral e a Revista Científica de Nutrologia (International Journal of Nutrology), de distribuição gratuita para os afiliados. Anualmente promove o Congresso Brasileiro de Nutrologia (CBNutrologia) e jornadas regionais de Nutrologia.

Existe no Brasil também a BRASPEN que é a Sociedade Brasileira de Nutrição Enteral e Parenteral, uma área de atuação dentro da Nutrologia, assim como a Nutrologia pediátrica e a Nutrologia enteral e parenteral pediátrica.

A BRASPEN organiza vários eventos na área e tem parceria com o GANEP, que consiste em uma instituição de ensino aberta para médicos que atuam na área de nutrição médica e para nutricionistas. Possui uma Residência Médica no Hospital da Beneficência Portuguesa, além de várias pós-graduações. Organiza anualmente um congresso chamado GANEPÃO.

É importante salientar que ter o título de área de atuação em Nutrição Parenteral e Enteral (pela BRASPEN) não confere ao médico o título de Nutrólogo. O título de Nutrólogo é conferido apenas pela ABRAN.

No Brasil há pouco mais de 1700 Nutrólogo titulados. Nos últimos 5 anos a Especialidade cresceu exponencialmente, porém poucos ainda são nutrólogos verdadeiramente, ou seja, titulados e registrados no CFM.

Quando um profissional se intitula algo sem possuir o título, ele está cometendo infração ética perante o Código de Ética Médica que rege a medicina. Portanto, antes de se consultar com um profissional que se diz Nutrólogo, verifique se o mesmo é, realizando uma pesquisa simples no site do CFM ou dos CRMs regionais.

Acho importante salientar que na atualidade alguns profissionais estão levando a uma deturpação do que é realmente a Nutrologia. Pessoas confundindo terapias como Ortomolecular, Anti-aging, Nutriendocrinologia ou Medicina Integrativa com a Nutrologia.

Estas terapias até podem utilizar de elementos da Nutrologia e terem sua base calcada em fundamentos nutrológicos, mas a Nutrologia não incorpora na sua prática clínica ou hospitalar nada destas áreas, que sequer são reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina.

Mas afinal, o que faz um nutrólogo ?

O Nutrólogo é o médico habilitado e capacitado para diagnosticar, acompanhar e tratar todas as doenças que sejam de cunho nutricional ou que a ingestão alimentar pode influenciar no prognóstico.

A Nutrologia estuda, pesquisa e avalia os malefícios decorrentes da ingestão ou déficit de um determinado nutriente. Baseado nessa premissa, a Nutrologia aplica esse conhecimento para a avaliação de nossas necessidades orgânicas, visando a manutenção da saúde e redução de risco de doenças, assim como o tratamento das manifestações de deficiência ou excesso de nutrientes.

O acompanhamento do estado nutricional do paciente e a compreensão da fisiopatologia das doenças diretamente relacionadas com os nutrientes permitem ao médico Nutrólogo atuar no diagnóstico, prevenção e tratamento destas doenças, contribuindo na promoção de uma vida saudável, com melhor qualidade de vida.

Abrangência da Nutrologia

  • O diagnóstico e tratamento das doenças nutricionais (que incluem as doenças nutroneurometabólicas de alta prevalência nos dias de hoje como a obesidade, a hipertensão arterial e o diabetes mellitus), utilizando de todo um arsenal propedêutico (investigativo) e terapêutico: solicitação e avaliação de exames complementares, prescrição de medicações, vitaminas, minerais, ácidos graxos, antioxidantes, quando necessários.
  • A identificação de possíveis “erros” alimentares, hábitos errôneos de vida ou estados orgânicos que estejam contribuindo para o quadro nutricional do paciente, já que as interrelações entre nutrientes-nutrientes, nutrientes-medicamentos e de mecanismos regulatórios orgânicos são complexas, podendo levar ao padecimento do organismo.
  • O esclarecimento ao paciente, de que existem doenças nutricionais, decorrentes de alterações nos nutrientes. Desde condições mais simples, como anemia ferropriva e carência de vitamina A, até condições mais complexas, como: obesidade, hipertensão arterial, diabetes mellitus, vários tipos de câncer, anorexia nervosa, osteoporose. Elucidar para o paciente quais são as substâncias benéficas e maléficas presentes nos alimentos, de modo que ele mesmo saiba fazer as suas escolhas alimentares para viver mais e melhor.
  • Tratamento de pacientes gravemente enfermos ou internados em hospitais, a fim de se combater a desnutrição principalmente intra-hospitalar.
Baseado nisso, em quais estabelecimentos um médico Nutrólogo poderia atuar? Em quais áreas poderia adentar?

Para fins didáticos, prefiro subdividir a Nutrologia em Nutrologia clínica e Nutrologia Hospitalar.

O Nutrólogo que atua em Nutrologia clínica geralmente exerce suas atividades dentro de serviços ambulatoriais/consultório, atendendo situações que não necessitam de intervenção emergencial. Ex: médico Nutrólogo que trabalha com obesidade em ambulatório no sistema público ou em consultório privado. Eu sou um Nutrólogo clínico. 

Já a Nutrologia hospitalar, como o próprio nome diz, englobará atuações dentro do âmbito hospitalar. Ou seja, pacientes internados em enfermarias ou Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A Nutrologia hospitalar geralmente utiliza dentro do seu arsenal terapêutico, de fórmulas enterais (via sonda ou gastrostomia/jejunoostomia) ou formulações parenterais (via endovenosa).

O nutrólogo titulado pode atuar nas duas frentes, mas no Brasil infelizmente a maioria dos Nutrólogos atuam só na parte clínica, o que ocasiona uma deficiência de Nutrólogos dentro do âmbito hospitalar. 

Com isso o suporte nutricional de pacientes, fica limitado à supervisão de nutricionistas e que muitas vezes não possuem voz ativa em enfermarias e dentro de CTIs. É imprescindível que o número de nutrólogos atuantes nessa área cresça. 

Até porque temos pouquíssimos Serviços de Residência Médica em Nutrologia e Serviços de Nutrologia que ofereçam estágio com carga horária adequada (2880h/anuais).

Dentre as áreas que o Nutrólogo pode atuar, além da hospitalar temos:
  • Nutrologia pediátrica
  • Nutrologia geriátrica
  • Nutrologia esportiva
  • Nutrologia oncológica
  • Nutroterapia no paciente cirúrgico
  • Nutroterapia materno-fetal
  • Nutroterapia de doenças hepáticas,
  • Nutroterapia de doenças gastrintestinais,
  • Nutroterapia de doenças renais,
  • Nutroterapia de doenças pulmonares,
  • Nutroterapia de doenças cardíacas e vasculares,
  • Nutroterapia de doenças neurológicas,
  • Nutroterapia de doenças reumatológicas,
  • Nutroterapia de doenças osteomusculares,
  • Nutroterapia de doenças ginecológicas,
  • Nutroterapia de doenças hematológicas,
  • Nutroterapia de doenças alérgicas.
  • Ou seja, o Nutrólogo pode atuar em todas as áreas da medicina, já que existe uma interface entre a maioria das doenças e aspectos nutricionais.
Quais doenças e situações tratamos ?

1) Pacientes críticos e internados em UTI, necessitando de suporte nutricional para melhorar o prognóstico e evitar complicações (ex. sarcopenia) após a alta.
2) Pacientes restritos ao leito hospitalar (internados) e que necessitam de suporte nutricional adequado (enteral ou parenteral).
3) Pacientes que foram/serão submetidos a cirurgias, principalmente as do aparelho digestivo.
4) Pacientes saudáveis que desejam verificar os níveis de nutrientes: vitaminas, minerais. Colesterol, triglicérides, ácido úrico, glicemia.
5) Pacientes que não conseguem ingerir comida por via oral (pela boca) e necessitam de sonda nasogástrica/nasoenteral ou por via endovenosa (na veia). Gastrostomia ou jejunostomia.
6) Pacientes com Baixa massa magra (sarcopenia) ou com baixo peso (desnutrição).
7) Portadores de Sobrepeso ou Obesidade.
8) Síndrome metabólica.
9) Esteatose hepática (gordura no fígado).
10) Pré-diabetes, Diabetes mellitus tipo 1 e tipo 2.
11) Dislipidemias: aumento do colesterol e/ou dos triglicérides.
12) Acompanhamento Pré e pós-cirurgia bariátrica.
13) Transtornos alimentares, em acompanhamento conjunto com psiquiatras e psicólogos: Compulsão alimentar, Bulimia, Anorexia, Vigorexia, Ortorexia.
14) Alergias alimentares.
15) Intolerâncias alimentares (lactose, frutose, rafinose e sacarose). Intolerância FODMAPS e sensibilidade não-celíaca ao glúten.
16) Anemias carenciais (por falta de ferro, vitamina B12, ácido fólico, zinco, cobre, vitamina A).
17) Pacientes que optam pelo Vegetarianismo, veganismo, Piscitarianismo (consumo de Peixes), Reducitarianismo (redução do consumo de carne).
18) Pacientes com constipação intestinal (intestino preso).
19) Pacientes com quadros diarréicos crônicos (diarreias).
20) Pacientes com Disbiose intestinal, Síndrome de Supercrescimento bacteriano do intestino delgado (SIBO), Síndrome de supercrescimento fúngico (SIFO).
21) Portadores de Síndrome do intestino irritável, gases intestinais, distensão abdominal,  empachamento e digestão lentificada.
22) Pacientes com Doenças inflamatórias intestinais: Doença de Crohn e Retocolite ulcerativa
23) Pacientes com Doença diverticular do cólon (divertículo e diverticulite).
24) Gastrite.
25) Doença do refluxo gastroesofágico.
26) Esofagite eosinofílica.
27) Acompanhamento nutrológico pré-gestacional, gestacional e durante a amamentação.
28) Casais com infertilidade (aspectos nutrológicos).
29) Pacientes portadores de doenças cardiológicas em acompanhamento com cardiologista: Hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, doença arterial coronariana, arritmia cardíaca, valvulopatias.
30) Pacientes portadores de doenças pulmonares em acompanhamento com pneumologista: enfisema pulmonar, bronquite crônica, asma, fibrose cística.
31) Pacientes portadores de doenças renais em acompanhamento com nefrologista: insuficiência renal crônica, litíase renal (cálculos renais), cistite intersticial, hiperuricemia (aumento do ácido úrico), gota.
32)  Pacientes portadores de doenças no fígado/vias biliares em acompanhamento com hepatologista: insuficiência hepática, hepatites virais ou autoimunes, Síndrome de Gilbert, Litíase biliar (pedra na vesícula).
33) Portadores de Osteoporose ou osteopenia.
34) Pacientes portadores de doenças autoimunes e que estão em acompanhamento com especialista na área, tais como aartrite reumatóide, lúpus eritematoso sistêmico, doença de hashimoto, psoríase, vitiligo, doença celíaca, espondilite anquilosante.
35) Portadores de doenças neurogenerativas e que estão em acompanhamento com neurologista: esclerose múltipla, esclerose lateral amiotrófica, atrofia muscular espinhal (AME), doença de Alzheimer (DA) e outras demências, doença de Parkinson, doenças do neurónio motor (DNM), doença de Huntington (DH).
36) Pacientes portadores de cefaléias e enxaquecas, que já estão em acompanhamento com Neurologista.
37) Pacientes portadores de epilepsia, com crises convulsivas refratárias e que por indicação do neurologista pode-se utilizar dieta cetogênica.
38) Pacientes portadores do vírus HIV e que estão em tratamento com terapia antiretroviral sob supervisão de infectologista.
39) Pacientes portadores de câncer em acompanhamento com oncologista.
40) Pacientes portadores de transtornos psiquiátricos e que estão em acompanhamento com psiquiatra e psicoterápico: Transtorno de ansiedade generalizada, Síndrome do pânico, Depressão, Transtorno bipolar, Transtorno do déficit de atenção, Esquizofrenia.
41) Portadores de distúrbios do sono: insônia, apnéia obstrutiva do sono, sonolência diurna, sensação de sono não reparador, que estão em acompanhamento com Médico do sono.
41) Pacientes que apresentam fadiga, cansaço crônico, fraqueza, indisposição. Já que muitas vezes o sintoma pode ser decorrente da privação de algum nutriente, presença de metal tóxico ou de hábitos dietético-higiênicos errados.
42) Pacientes com falta de macronutrientes (carboidratos, proteína e gorduras) ou de micronutrientes (vitaminas, minerais).
43) Pacientes que desejam melhorar a performance na prática desportiva, atletas profissionais ou amadores.
44) Pacientes que desejam ganhar massa magra sem utilização de anabolizantes.
45) Pacientes com alterações dermatológicas, as quais pode existir um componentes nutricional: Acne, rosácea, queda de cabelo, unhas quebradiças.
46) Portadores de candidíase de repetição.
47) Mulheres com Tensão pré-menstrual e que já estão em acompanhamento com ginecologista.
48) Mulheres na menopausa e que apresentam alteração na composição corporal.
49) Pacientes portadores de zumbido e vertigem, que o Otorrinolaringologista ou Neurologista indica adequação dietética.
50) Pacientes com fibromialgia.

O que não faz parte da Nutrologia

Com o surgimento do Instagram e Facebook, a Nutrologia tem sido invadida por alguns profissionais que querem mudar a sua essência. Profissionais estes que na maioria das vezes se dizem Nutrólogo sem serem titulados, apenas porque cursaram uma Pós-graduação de curta duração e que não dá base para o profissional sair atuando e se dizendo especialista.

Mas pior do que isso, é o fato de terem condutas médicas que não são comuns à prática Nutrológica e alegarem que aquilo é Nutrologia. Ou seja, além de usurparem um título que não possuem, ainda mentem que um tipo de prática faz parte do arsenal terapêutico da Nutrologia. E o paciente acredita, afinal é leigo.

Vamos então a uma descrição de práticas que  NÃO fazem parte da Nutrologia mas que alguns médicos Nutrólogos utilizam:

Modulação Hormonal

Recentemente a Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) publicou em seu site um parecer especificando claramente que a a Modulação Hormonal não faz parte do rol de procedimentos Nutrológicos. O documento pode ser acessado aqui: http://abran.org.br/2018/07/04/posicionamento-sobre-a-modulacao-hormonal/



Prática Ortomolecular ou “medicina Ortomolecular”

A Ortomolecular é um tipo de estratégia terapêutica, que surgiu na década de 60 com o cientista Linus Pauling e ao longo dos anos foi crescendo e se popularizando. Não tem bases sólidas e por isso nunca será (e ao meu ver nem deve) uma especialidade médica. 

É composta por alguns preceitos baseados em bioquímica nutricional e tem muita coisa válida, como por exemplo a detecção de intoxicações por metais tóxicos ou por nutrientes. De forma clara, por anos vários médicos praticantes da Ortomolecular usurparam-se dos conhecimentos da Nutrologia e incorporaram às suas práticas. 

Muitos médicos praticantes de estratégia Ortomolecular são titulados em Nutrologia pois há cerca de 15 anos a única especialidade que os acolheu de forma indireta foi a Nutrologia. Na verdade, não foi um acolhimento, foi uma similaridade em alguns aspectos da prática, como investigações de déficits nutricionais.

Na atualidade pouquíssimos médicos titulados (recentemente) são praticantes de Ortomolecular. Os poucos que o fazem, agem de forma mais consciente, buscando basear a prática em evidências científicas. Concluindo: Ortomolecular não é sinônimo de Nutrologia. Em 2012 o Conselho Federal de Medicina publicou uma resolução com os princípios norteadores da Prática Ortomolecular e nessa resolução ele especifica o que é permitido e o que não é permitido ao praticante de estratégias ortomoleculares. http://portal.cfm.org.br/images/stories/pdf/res2004.pdf



Ozonioterapia

A ozonioterapia é uma terapia com algum grau de evidência científica para determinadas doenças. Porém não é a panaceia que muitos médicos propagam e nem isenta de efeitos adversos. 

A aplicação de gás ozônio por via retal, nasal, endovenosa ou intramuscular nunca fez parte do arsenal terapêutico da Nutrologia segundo a ABRAN. Apesar de ser legalizada na Rússia, Alemanha, Cuba, Espanha, Itália, Portugal, no Brasil a técnica é classificada como experimental pelo Conselho Federal de Medicina, porém permitida pelos outros conselhos da área de saúde: Odontologia, Enfermagem, Biomedicina, Farmácia, Fisioterapia. 

Terapia com hCG

Dieta altamente restritiva na qual se utiliza o hormônio hCG com finalidade de emagrecimento. As entidades médicas sérias se posicionam contra esse tipo de dieta e a mesma não faz parte do arsenal terapêutico da Nutrologia, apesar de alguns médicos titulados assim fazerem.

Uso de Anabolizantes/ Esteróides Androgênicos Anabolizantes (EAA): testosterona em gel, testosterona injetável, oxandrolona, gestrinona

A Nutrologia utiliza hormônio em sua prática? Sim, mas com indicações específicas, ou seja, para pacientes com massa magra muito baixa e decorrente de algumas doenças: ex. caquexia do câncer, caquexia do paciente portador de enfisema, pacientes que perdem peso durante a internação hospitalar, pacientes anoréxicos. No contexto de déficit de testosterona decorrente do envelhecimento, a reposição só deve ser feita se existir queixa, sendo o endocrinologista o profissional mais indicado para fazê-la. Prescrição de qualquer EAA com finalidade estética (ganho de massa, melhora da composição corporal) é proscrita, não sendo recomendado pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Ou seja, EAA fazem parte do arsenal terapêutico da Nutrologia apenas se houver indicação médica e relacionada à Nutrologia.

Medicina antienvelhecimento/anti-aging

A Nutrologia engloba a Nutrologia geriátrica e a Oxidologia (estudos dos radicais livres) mas não engloba a utilização de práticas que visam retardar o envelhecimento com substâncias como Procainoterapia, uso de antioxidantes sintéticos, doses altas de vitaminas, minerais e ácidos graxos. Portanto Nutrologia não é sinônimo de medicina anti-aging.

Nutriendocrinologia

O termo foi criado por um médico brasileiro e que já deixou de utilizar, após o Conselho Federal de Medicina e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia emitirem um alerta sobre a inexistência de tal especialidade médica, ou seja o não reconhecimento da mesma. 

Muitas das ferramentas utilizadas pelos praticantes da Nutriendocrinologia fazem parte do arsenal nutrológico, mas a grande parte não faz, muito menos encontra respaldo das grandes sociedades médicas: Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Associação Brasileira de Nutrologia, Sociedade Brasileira de Geriatria.  Portanto o que existe é Nutrologia e Endocrinologia.

Medicina integrativa

A medicina integrativa surgiu nos Estados Unidos, em centros Universitários e Hospitais, principalmente em Arizona, Harvard, Mayo e Cleveland Clinic. A proposta é um resgate da medicina tradicional e humanizada, contrapondo o modelo tecnológico e frio da medicina com excesso de tecnologia, segmentada e com “pouco toque”, “pouco ouvir” e pouca autonomia do paciente.

No Brasil, nosso principal expoente é o Dr. Paulo de Tarso Lima, do Hospital Albert Einstein em São Paulo. Os preceitos dessa prática são: o paciente é ativo em seu processo de cura e recuperação; o médico vê o paciente com um todo, de forma ampla e integral, compreendendo aspectos como mente, corpo e estilo de vida.

No tratamento integrativo o foco sobre a doença é retirado, sendo médico e pacientes parceiros no tratamento e no processo de cura. Ajustes na dieta e nos hábitos alimentares, suplementação nutricional (quando necessária), prática regular de exercícios físicos, redução e combate ao estresse e terapias focadas em corpo e mente são os pilares que sustentam as mudanças em benefício da saúde.

É importante salientar que a medicina integrativa não é uma área “alternativa”, mas sim complementar. Essa não deixa de lado todas as possibilidades de recursos tecnológicos e exames, procedimentos, cirurgias etc. No entanto usa todo esse aparato aliado a posturas psicoprofiláticas, mudança do perfil do cliente para otimizar seu autocuidado, qualidade de vida e saúde.

Todo o contexto de vida deve ser avaliado: circunstâncias e peculiaridades profissionais, estressores familiares e conjugais podem ser abordados e correlacionados ao processo de enfermidade x cura.

A proposta de uma medicina mais integrativa é excelente, o que ocorreu foi uma total deturpação da proposta da Medicina integrativa e misturaram-na com terapias sem validação científica. Medicina integrativa não envolve uso de hormônios, mega doses de vitaminas, minerais, ácidos graxos, utilização de antioxidantes, páginas e páginas de receitas de medicações manipuladas e com indicação de farmácia específica.

Portanto, o Nutrólogo pode ser praticante dos preceitos da Medicina integrativa, sendo mais humano, ouvindo melhor o paciente, colocando como figura de autonomia no tratamento. Mas Nutrologia não é sinônimo de Medicina integrativa, Nutrologia é especialidade médica.

Dieta detox

O processo de destoxificação não é mito, ele realmente existe e a única coisa que você precisa fazer é fornecer os nutrientes adequados para que o seu fígado o faça. Ou seja, não é tomando um suco de limão com couve no café da manhã que o seu corpo irá se “desintoxicar”. 

Há pesquisadores que estudam os nutrientes e fitoquímicos que podem facilitar as reações de destoxificação, mas daí extrapolar, alegando que existe uma dieta própria para isso, é inaceitável. Tal tipo de prática nunca foi e nem fará parte do arsenal terapêutico da Nutrologia.

Chips hormonais ou “chip da beleza”

Muito na moda nos consultórios de alguns médicos que se intitulam Nutrólogos, o tal chip da beleza não encontra respaldo das sociedades médicas do Brasil. Foram desenvolvidos com a finalidade de terapia anticoncepcional e para reposição hormonal, mas segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia não há evidências nem estudos realizados sobre os hormônios utilizados no chip. Sendo que em Dezembro de 2021 a ANVISA emitiu uma resolução que proíbe qualquer tipo de propaganda relacionada à gestrinona.

Como já dito acima, em medicina não se usa hormônio para fins estéticos. Nestes chips colocam hormônios androgênicos que podem alterar colesterol, pressão arterial, pelos, clitóris, voz e a distribuição de gordura. Mulheres de todas as idades (após a adolescência) estão fazendo uso pelo potencial em mudar a configuração corporal, reduzir celulites, melhorar a distribuição de gordura. 

O que na prática se vê por um curto período de tempo, depois os efeitos adversos surgem. Sendo assim o tal Chip da beleza não faz parte do arsenal terapêutico da Nutrologia, apesar de alguns Nutrólogos insistirem em prescrever para seus pacientes. 

Na visão da Nutrologia, redução de celulite, melhora da conformação corporal se dá com hábitos de vida saudável, alimentação equilibrada, além de prática de atividade física supervisionada e direcionada para o objetivo.

Como tornar-se Nutrólogo

Primeiro a pessoa necessita formar em Medicina. Ou seja, 6 anos de graduação em Medicina.

Depois há duas opções:
1) Fazer 2 anos de residência de Clínica Médica ou cirúrgica e posteriormente 2 anos de residência de Nutrologia. 
Ou;

2) Fazer pós-graduação de Nutrologia + comprovar 8 anos de atuação em algum serviço de Nutrologia + ser aprovado na prova de título.  Em 2022 parece que o edital mudará devido uma normatização da AMB e o tempo de atuação dobrará, ou seja, será de 8 anos. Sendo 4 em serviço de clínica médica ou clínica cirúrgica e 4 de Nutrologia. Totalizando 8 anos.

Fazer somente a residência de Nutrologia dá direito ao titulo emitido pela ABRAN? Não. Mas como é emitido o certificado pelo MEC a pessoa pode ir ao CRM e registrar o certificando. Sendo assim, o CRM emitirá o Registro de qualificação de especialista (RQE) em Nutrologia. A pessoa poderá se intitular Nutróloga? Sim, se tem RQE de Nutrologia é Nutrólogo. Se a pessoa quiser o título emitido pela ABRAN precisará prestar a prova de título. Muito raro alguém com residência em Nutrologia não ser aprovado na prova de título. Todos que conheço que fizeram residência são excelentes profissionais.

Fazer a pós-graduação de Nutrologia dá direito ao titulo emitido pela ABRAN? Não. Nenhuma pós-graduação de Nutrologia com carga-horária inferior a 2 anos dá direito a prestar a prova de título. Para prestar a prova de título a pessoa precisa cumprir os pré-requisitos que estão no edital da prova e ter um currículo que pontue até 30 pontos.  Em 2022 o edital provavelmente mudará e a nota do currículo corresponderá somente a 10% do valor total. Ou seja, o espero é que o currículo tenha valor de apenas 10 pontos e o CNNUTRO pontue 5 pontos desses 10 pontos. Isso ocorreu devido uma normatização da AMB. 

Ou seja, se você fez qualquer pós-graduação de Nutrologia, você não poderá se intitular Nutrólogo, sequer divulgar que fez a pós-graduação, pois isso configura infração ética. O CFM é bastante claro ao afirmar em resolução que o médico só poderá divulgar pós-graduação atrelada ao RQE que possui. Se não possui RQE de Nutrologia não poderá divulgar. 

Suponhamos que você tenha feito uma pós-graduação de Nutrologia da ABRAN e queria prestar a prova de título, como fazer? Primeiramente, esperar o edital da prova de titulo. Desde 2017 o Edital exige alguns pré-requisitos:


Ou seja, você precisa: 
1) Estar inscrito no CRM.
2) Ter pelo menos 2 anos de formado.
3) Ter feito residência de Nutrologia OU
4) Ter feito algum estágio em Nutrologia, reconhecido pela ABRAN e que tenha duração igual ao da residência de Nutrologia (2 anos) e atestado pelo chefe do serviço de Nutrologia, OU
5) Ter atuado em Nutrologia por pelo menos 4 anos e isso será comprovado por meio de uma declaração assinada pelo responsável pelo treinamento.

Residência de Nutrologia e Estágios reconhecidos pela ABRAN

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Acima os locais no Brasil onde há residência de Nutrologia e estágios reconhecidos pela ABRAN, que dão direito a prestar a prova de título.

Qual a diferença entre nutricionista e nutrólogo ? 

Talvez essa seja uma das perguntas que mais ouço ao longo do meu dia, seja no consultório particular, seja no ambulatório de Nutrologia clínica que atuo no SUS.

Muitos pacientes estão optando ir ao Nutrólogo ao invés de irem ao nutricionista, apenas porque a maioria dos planos de saúde cobrem consultas ilimitadas com o Nutrólogo, ou porque o mesmo prescreve medicações para emagrecer.

Alguns ilusoriamente acreditam que médico entende mais de alimentos e dietas do que nutricionistas ou que nutricionistas entendem mais de doenças nutricionais que médicos Nutrólogos titulados. O melhor caminho é ir em qual? Na minha opinião e baseado na minha prática clínica de quase 14 anos:

Se você é um paciente saudável, não apresenta doenças e deseja um plano alimentar: vá a um nutricionista, tranquilamente. Ele será o profissional mais habilitado para atender suas necessidades.
Mas se você apresenta sintomas ou alguma doença específica vá primeiro ao Nutrólogo e posteriormente ao nutricionista para receber um plano alimentar. O Nutrólogo pode até saber montar um plano alimentar, mas o profissional mais habilitado é o nutricionista. O importante é que se faça a investigação do sinal/sintoma e/ou diagnóstico correto da doença. Isso quem tem competência e dever por lei é o médico, baseado na Lei do Ato Médico e até mesmo na própria Lei que regulamenta a profissão de Nutricionista.

Mas quais as diferenças entre um e o outro?

Primeira diferença: A graduação

O Nutrólogo é médico e o nutricionista é nutricionista. Graduações diferentes, com tempo de formação diferente. A formação apesar de ser dentro da área da saúde e correlata à alimentação (no caso do médico que faz Nutrologia), possui enfoque diferente.

O médico estudou 6 anos para se formar em medicina, posteriormente fica de 3 a 5 anos se especializando. O nutricionista estuda 4 anos para formar (na maioria das particulares o curso dura 4 anos e nas Federais dura 5 anos em período integral). Posteriormente faz pós-graduações ou residência multiprofissional com duração média de 2 anos.

Se partirmos do pressuposto de tempo de estudo, obviamente e inquestionavelmente o nutricionista é o profissional mais habilitado para a Prescrição de dieta e orientações nutricionais. Enquanto o médico é o mais habilitado para DIAGNOSTICAR e orientar sobre a fisiopatologia, prognóstico e como se dá o tratamento das doenças nutricionais.

Segunda diferença: as áreas de atuação

A Nutrologia é uma das especialidades dentro da medicina. Dividindo-se em 2 sub-especialidades reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina: Nutrologia pediátrica e Nutrologia Parenteral e enteral.

Já o nutricionista é um profissional com formação generalista, humanista e crítica. É capacitado a atuar visando à segurança alimentar e à atenção dietética, em todas as áreas do conhecimento em que a alimentação e nutrição se apresentem fundamentais. Sua atuação visa a promoção, manutenção e recuperação da saúde através da nutrição. Além disso é parte essencial no processo de prevenção de doenças (em nível coletivo ou individual). A nutrição possui as seguintes áreas de atuação estabelecidas de acordo com a RESOLUÇÃO CFN Nº 689, de 04 de maio de 2021

I. Educação Alimentar e Nutricional;
II. Gestão de Políticas Públicas e Programas em Alimentação e Nutrição;
III. Nutrição Clínica;
IV. Nutrição Clínica em Cardiologia;
V. Nutrição Clínica em Cuidados Paliativos;
VI. Nutrição Clínica em Endocrinologia e Metabologia;
VII. Nutrição Clínica em Gastroenterologia;
VIII. Nutrição Clínica em Gerontologia;
IX. Nutrição Clínica em Nefrologia;
X. Nutrição Clínica em Oncologia;
XI. Nutrição Clínica em Terapia Intensiva;
XII. Nutrição de Precisão;
XIII. Nutrição e Alimentos funcionais;
XIV. Nutrição e Fitoterapia;
XV. Nutrição em Alimentação Coletiva;
XVI. Nutrição em Alimentação Coletiva Hospitalar;
XVII. Nutrição em Alimentação Escolar;
XVIII. Nutrição em Atenção Primária e Saúde da Família e Comunidade;
XIX. Nutrição em Esportes e Exercício Físico;
XX. Nutrição em Estética;
XXI. Nutrição em Marketing;
XXII. Nutrição em Saúde Coletiva;
XXIII. Nutrição em Saúde da Mulher;
XXIV. Nutrição em Saúde de Povos e Comunidades Tradicionais;
XXV. Nutrição em Saúde Indígena;
XXVI. Nutrição em Saúde Mental;
XXVII. Nutrição em Transtornos Alimentares;
XXVIII. Nutrição em Vegetarianismo e Veganismo;
XXIX. Nutrição Materno-Infantil;
XXX. Nutrição na Produção de Refeições Comerciais;
XXXI. Nutrição na Produção e Tecnologia de Alimentos e Bebidas;
XXXII. Qualidade e Segurança dos Alimentos;
XXXIII. Segurança Alimentar e Nutricional; e
XXXIV. Terapia de Nutrição Parenteral e Enteral.

Terceira diferença: o tipo de diagnóstico

Legalmente o nutricionista fica restrito ao diagnóstico nutricional (de acordo com a Lei nº 8234 de 17/09/1991 que regulamenta a nutrição), enquanto o médico ao diagnóstico nosológico (de doença) e instituição da terapêutica.  Ou seja, nutricionista não dá diagnóstico de doença.  Quem determina se o tratamento de determinada doença será apenas dietético ou terá intervenção medicamentosa ou cirúrgica é o médico.

Quarta diferença: solicitação de exames

Ambos os profissionais podem solicitar exames laboratoriais para elucidação diagnóstica. Entretanto o nutricionista geralmente não solicitam exames de imagem, eletrocardiograma, teste ergométrico, monitorização ambulatorial da pressão arterial, holter, exames laboratoriais que necessitem de monitoração médica durante a realização, polissonografia. Porém, solicitam DEXA e Bioimpedância.

Mas os nutricionistas possuem competência legal para solicitar exames laboratoriais?  A resposta é: Sim. Por lei eles podem solicitar os exames necessários ao diagnóstico nutricional, à prescrição dietética e ao acompanhamento da evolução nutricional. Isso está prescrito nas seguintes normatizações: Lei Federal 8.234/91, artigo 4º, inciso VIII, Resolução CFN nº 306/03, Resolução CFN nº 380/05 e Resolução CFN nº 417/08. Exames que geralmente nutricionistas solicitam: Hemograma, Uréia, Creatinina, Ácido úrico, Glicemia de jejum, Insulina, Perfil lipídico, Transaminases, Gama-GT, Proteínas totais e frações, Dosagem sérica ou urinária de vitaminas, minerais, marcadores inflamatórios que tenham correlação com nutrientes como a homocisteína. Mas a solicitação de exames por parte dos nutricionistas é limitada aos aspectos nutricionais, para o médico, ela é mais abrangente. 

Quinta diferença: o arsenal terapêutico

O nutricionista tem como arsenal terapêutico:

  • Orientações nutricionais com educação em saúde (um dos papéis mais nobres quando se fala em prevenção);
  • Plano dietético;
  • Prescrição de suplementos orais desde que respeitem as doses estabelecidas pela Agência nacional de vigilância sanitária (ANVISA). Os Níveis Máximos de Segurança de Vitaminas e ou Minerais estão dispostos no anexo da Portaria SVS MS 40/1999.
  • Prescrição de plantas medicinais, drogas vegetais e fitoterápicos: a prescrição de fitoterápicos e preparações magistrais, a partir de 2016, será uma atribuição exclusiva do nutricionista portador de título de especialista em Fitoterapia pela ASBRAN. Quem iniciou pós-graduação na área até Maio de 2015 poderá prescrever sem título, os demais apenas com prova de título de especialista.
É vedado ao nutricionista a prescrição de:
  • Produto que use via de administração diversa do sistema digestório; PORTANTO nutricionista não pode prescrever NADA que seja de uso tópico (pele), nasal, ocular, endovenoso, intramuscular. É importante salientar isso pois temos visto nutricionistas prescrevendo Citoneurim Intramuscular para correção de anemia megaloblástica, Noripurum endovenoso, Liraglutida e até mesmo hormônios. 
  • Medicamentos ou produtos que incluam em sua fórmula medicamentos; SOMENTE médico e dentista podem prescrever medicamentos. A nutricionista que prescreve qualquer tipo de medicamento, seja ele uma simples dipirona ou um hormônio está infringindo o código de ética médica e isso pode ser considerado exercício ilegal da profissão médica;
  • Medicamentos à base de vitaminas e minerais sujeitos a prescrição médica; Algumas doses de vitaminas e minerais deixam de ter efeito de suplementação e passam a ter ação medicamentosa como altas doses de Vitamina B12, Vitamina B6, Ácido fólico, Vitamina D3, Vitamina A. Nesse caso somente médicos podem prescrever. A ANVISA determina os níveis máximos desses nutrientes. 
  • Suplementos com quantidades de nutrientes superiores aos níveis máximos regulamentados pela Anvisa ou na falta destes o Tolerable Upper Intake Levels – UL;
  • Prescrição de fitoterápicos que necessitem de receita médica conforme a Instrução Normativa nº 5, de 12 de dezembro de 2008 da ANVISA
  • Produtos que não atendam às exigências para produção e comercialização regulamentadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (exemplo suplementos importados que não foram aprovados pela ANVISA, por exemplo DHEA, Melatonina etç).
O médico nutrólogo tem além de todo o arsenal terapêutico citado acima:

  • Prescrição de nutrientes via endovenosa (Parenteral);
  • Prescrição de suplementos em doses mais altas ou exclusivos para prescrição médica;
  • Prescrição de vitaminas, minerais e ácidos graxos em doses medicamentosas, que muitas vezes excedem as doses estabelecidas pela ANVISA. Exemplo: Citoneurim fornecendo 1mg de vitamina B12. Ácido fólico de 5mg prescrito na gestação. Ácido alfa-lipóico de 600mg prescrito para neuropatia diabética.
  • Prescrição de medicamentos: antibióticos, antiinflamatórios, analgésicos, antitérmicos, corticóides, hipoglicemiantes, anti-hipertensivos, antiarritmicos, antiulcerosos, psicotrópicos, medicações endovenosas, intramusculares, nasais, retais, tópicas.
  • Prescrição de fitoterápicos que necessitem de receita médica conforme a Instrução Normativa nº 5, de 12 de dezembro de 2008 da ANVISA :
Sexta diferença: prescrição de dietas (diferença que gera polêmica)

O nutrólogo trata das doenças ligadas à ingestão alimentar (doenças nutricionais ou como a ABRAN prefere denominar, doenças nutroneurometabólicas). O diagnóstico destas doenças deve ser feito por médicos e tratadas por médicos. Só depois de um diagnóstico, o médico encaminhará o paciente ao nutricionista para solicitar o acompanhamento nutricional. É importante salientar que o paciente é livre para ir em quem quiser, entretanto o diagnóstico deve ser firmado antes.

O bom Nutrólogo diagnostica e encaminha para o nutricionista montar o cardápio. É assim que eu prefiro trabalhar e tenho tido bons resultados. Tenho parceria com várias nutricionistas e trabalhamos de forma harmônica. Faço inquérito alimentar, solicito os exames necessários, detecto as deficiências nutricionais laboratoriais e só então encaminho para que eles com todo conhecimento do curso de Nutrição e pós-graduação em Nutrição clínica possam montar o plano alimentar conforme as diretrizes por mim sugeridas.

Segundo parecer jurídico do Conselho Federal de Medicina (CFM), o médico está habilitado a prescrever dietas apenas em casos de doenças. Ou seja, quando envolve estética, é vetado a ele. O Conselho Federal de Nutrição (CFN) não entende dessa forma e defende que a prescrição de dieta via oral seja atividade privativa da nutrição, conforme a lei federal que regulamenta a profissão. Alega que uma resolução não pode transpor uma lei federal.

Essa discussão na minha humilde opinião, acabou ano passado, quando o Supremo Tribunal de Federal (STF) determinou:

“Por outro lado, as atividades de planejamento, organização, direção, supervisão e avaliação de serviços pertinentes à alimentação e nutrição, consultório de nutrição e dietética, e de assistência dietoterápica hospitalar, ambulatorial e em consultório de nutrição não impedem nem prejudicam aquelas pertinentes a outras áreas de nível superior, notadamente referentes a bioquímicos e médicos nutrólogos”.

O que corrobora com o despacho COJUR n.º 515/2019 do Conselho Federal de Medicina, de 13/11/2019. Expediente CFM n.º 9789/2019. Assunto: Consulta sobre a possibilidade de médicos receitarem dietas. Possibilidade nos termos da regulamentação da profissão. Atividade abrangida pela profissão médica. ADI 803/DF. Arguição de exercício ilegal da profissão de Nutricionista.  Disponível em: https://sistemas.cfm.org.br/normas/arquivos/despachos/BR/2019/515_2019.pdf

Há quase um século e meio, o primeiro item da prescrição médica é a dieta. Médicos vinham fazendo isso nos últimos 100 anos. A Nutrologia no Brasil é anterior à Nutrição e surgiu na América Latina com o Médico argentino Pedro Escudero na década de 30.

A Nutrição surgiu assim como a fisioterapia, com a função de auxiliar a medicina e hoje caminha com as próprias pernas. Tornou-se uma grande ciência e que quando bem praticada pode mudar a vida dos pacientes, seja curando ou mudando o prognóstico de doenças.

Diferença entre Nutrólogo e Endocrinologista

Ambos são médicos e possuem algumas áreas de tratamento em comum, mas em sua essência são diferentes.

Primeira diferença: a formação: Para fazer endocrinologia, o médico deve antes fazer a residência de clínica médica, como pré-requisito. Já a Nutrologia o pré-requisito é residência de clínica médica ou cirurgia geral. O tempo de residência de ambos é o mesmo: 2 anos.

Segunda diferença: a matéria estudada: Enquanto o foco do endocrinologista são distúrbios glandulares (hormonais), o do Nutrólogo são as doenças nutricionais, ou seja, qualquer doença que pode ter como fator etiológico alterações na ingestão de nutrientes. Porém muitas vezes as doenças coincidem, como por exemplo: no caso da obesidade, osteoporose, dislipidemias, síndrome metabólica, acompanhamento pré e pós cirurgia bariátrica, diabetes mellitus. Ambos tratam.

Terceira diferença: o foco do tratamento: O endocrinologista tem uma formação um pouco mais superficial no que tange a parte nutricional, sendo esta, uma função pertencente ao Nutrólogo. Fazer inquérito alimentar, avaliar déficits nutricionais, orientar hábitos saudáveis de vida e se necessário dieta são algumas das condutas nutrológicas. O Nutrólogo pode e deve investigar distúrbios glandulares, porém a competência do tratamento cabe ao endocrinologista. O endocrinologista pode e deve pedir vitaminas e minerais, mas quem tem mais competência para manejá-las, compreender as interações entre nutrientes-nutrientes, fármaco-nutrientes é o nutrólogo.

Diferença entre Nutrólogo e Médico do esporte

Ambos são médicos e dentro da Nutrologia há uma sub-área que é a nutrologia esportiva. Mas afinal, o que faz um médico do esporte? O que faz um nutrólogo? Como as especialidades interagem?

Primeira diferença: a formação: Para fazer a residência de Nutrologia, antes deve-se fazer uma residência de clínica médica ou cirurgia geral. A residência de Nutrologia dura 2 anos. Já a de Medicina do Esporte tem duração de 3 anos e não há pré-requisitos para entrar.

Segunda diferença: a matéria estudada: Enquanto o foco na Nutrologia são as doenças nutricionais, ou seja, qualquer doença que pode ter como fator etiológico alterações na ingestão de nutrientes. Na Medicina do esporte e do exercício o foco é a atividade física, situações que podem atrapalhar a execução de qualquer exercício: osteoporose, sarcopenia, baixa capacidade cardiopulmonar. O Médico do Esporte tem grande parte de sua formação nas áreas de cardiologia (como avaliação pré-participação e condutas de urgência e emergência) e de ortopedia não cirúrgica. Ambos orientam hábitos saudáveis de vida, prática regular de atividade física, mas o Nutrólogo está mais habilitado para o manejo nutricional. Ambos podem fazer pós-graduação em Nutrologia esportiva ou Nutrição esportiva e com isso manejar aspectos nutricionais de quem pratica atividade física.

Terceira diferença: o foco do tratamento: O Médico do Esporte tem uma formação mais superficial no que tange a parte nutricional, sendo esta, uma função pertencente ao Nutrólogo. Fazer inquérito alimentar, avaliar déficits nutricionais, orientar hábitos saudáveis de vida e se necessário dieta são algumas das condutas nutrológicas. O Nutrólogo pode acompanhar o atleta ou praticante de atividade física, mas quem tem mais competência e experiência em compreender o universo do exercício físico é o Médico do Esporte.

Eu, Dr. Frederico Lobo mesmo sendo nutrólogo não trabalho com hipertrofia muscular e melhora de performance, entretanto o meu nutricionista (Rodrigo Lamonier, tem pós-graduação em Nutrição Clínica, Esportiva e está o último período de Educação física) possui muita experiência nesses casos. E é avesso a utilização de anabolizantes e substâncias proibidas.

A consulta nutrológica

Muitos me perguntam como é uma consulta de um Nutrólogo? O que fazemos no consultório? Se fazemos exame físico ou se solicitamos exames e o que prescrevemos? Então vamos lá.

Como toda consulta em medicina, a Nutrologia deve seguir um roteiro lógico para que o diagnóstico aconteça de forma inequívoca e o tratamento seja instituído de forma racional e personalizado para cada tipo de paciente.

Pode parecer um absurdo, mas é muito comum eu ouvir de pacientes que consultaram com profissionais que se dizem nutrólogos:

– Dr, mas ele não “mediu” minha pressão.

– Dr, mas a médica não examinou minha barriga sendo que eu tenho sintoma justamente nela.

– Dr, o médico que fui não me pesou.

Parece ilógico, mas acontece! Não só na Nutrologia, mas em todas as especialidades. A formação médica está cada vez mais precária, temos inúmeras faculdades sem estrutura e corpo docente de gabarito e especializado em educação médica. Porém na Nutrologia parece que a situação é mais catastrófica. Talvez porque uma grande parte dos que se dizem Nutrólogos, na verdade não o são. Apenas fizeram uma pós-graduação de fim de semana e usurpam o título de quem lutou para conseguir, como foi o meu caso.

Duvida? Dê uma passeada no instagram, digite a hashtag #Nutrologia e veja se figurões que se dizem Nutrólogos são verdadeiramente. Como saber ? Basta entrar no site do CFM ou no link: http://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_medicos&Itemid=59

Digitar o nome do médico, o estado e procurar. Se ao ver o nome do seu médico e não estiver especificado Nutrologia, infelizmente o médico não é titulado. Procure sempre nutrólogos de verdade, ou seja, nutrólogos titulados.

Para piorar a situação, existe a ideia errônea de que a Nutrologia é uma área que trata praticamente só de obesidade e de ganho de massa. Ledo engano, já que esses dois temas correspondem a menos de 5% do universo nutrológico. Os que assim exercem, é porque nunca frequentaram um ambulatório de Nutrologia no SUS. Aqui no site se você entrar na sessão: Doenças e Nutrologia verá que a Nutrologia pode ser útil em diversas doenças.

Mas afinal, como é a minha consulta particular em Nutrologia? Basicamente é composta por 3 etapas na primeira consulta e 3 etapas no retorno.

Etapas da primeira consulta

Etapa 1: Exame clínico, que inclui a anamnese (perguntas que fazemos ao paciente, para obter dele os dados necessários para se fechar um diagnóstico e futuramente instituir um tratamento).  Nesse momento o médico questionará sobre a história dos sinais e sintomas presentes no mento, tentará colocar uma ordem cronológica de surgimento. Ainda questionará sobre alergias, modo de funcionamento de alguns órgãos, história familiar de doenças, história de doenças que o paciente já teve. Além de verificar os hábitos nutricionais do paciente: se bebe, se fuma, se usa drogas, quanto bebe de água, se ingere frutas e verduras diariamente, se ingere lácteos. Ainda no exame clínico o médico deverá examinar o paciente. Eu particularmente afiro a pressão, verifico saturação de oxigênio, frequência cardíaca, frequência respiratória, verifico enchimento capilar, grau de hidratação, peso, quantifico a altura, faço exame físico completo na primeira consulta. Faço ausculta pulmonar, cardíaca, examino o abdome, faço percussão do mesmo. Examino as articulações, os edemas de membros inferiores, estalidos e crepitações nas articulações. Olho a língua, as unhas. Depois transcrevo todos os dados para o meu prontuário eletrônico.

Etapa 2: Solicitação de exames complementares caso sejam necessários. Posso solicitar desde exames simples de sangue até exames mais complexos como Ressonância nuclear magnética, Polissonografia, Holter, MAPA, Bioimpedância, Calorimetria indireta.

Etapa 3: Prescrição de algo para agilizar o tratamento. Raramente o faço, pois prefiro ver os exames e não tomar condutas às cegas. Nesta etapa eu envio para o e-mail do paciente alguns questionários nos quais tento obter mais informações para fechar o diagnóstico. Solicito que ele preencha um recordatório alimentar para quantificar o quanto está ingerindo de calorias, proteínas, gorduras. Se a qualidade da alimentação é boa. Explico o provável diagnóstico baseado na avaliação clínica, assim como o provável prognóstico.

Etapas do primeiro retorno

Etapa 1: Verifico se surgiu algum novo sintoma desde a última consulta, olho os resultados de exames. Transcrevo-os para o prontuário, para uma tabela de Excel que crio para cada paciente, para fins comparativos com futuros resultados. Explico para o paciente os achados nos exames.

Etapa 2: Tomo as condutas necessárias para aquele caso, sendo que a conduta pode ser: prescrição de medicação, de vitaminas, minerais, fitoterápicos.

Etapa 3: Oriento o paciente a procurar um nutricionista, porém faço uma espécie de redação para o nutricionista explicando todo o quadro do paciente, os achados laboratoriais e especifico minimamente como quero a dieta: porcentagem de proteína, carboidratos e gorduras, quais micronutrientes devem ser priorizados, quais alimentos devem ser retirados. Em algumas situações específicas eu prescrevo a dieta para o paciente. Importante salientar que na Nutrologia em raríssimas exceções se prescreve hormônios (testosterona, estrogênio, progesterona, GH, oxandrolona, stanozolol). Eu particularmente prefiro não prescrever pois acho que isso cabe ao endocrinologista pois ele é o médico mais capacitado para esse tipo de conduta. Indico a atividade física mais adequada e oriento a procurar um profissional da educação física. Caso o paciente apresente necessidade de passar em consulta com alguma outra especialidade, indico o profissional da minha confiança. Encaminho para o e-mail do paciente 3 e-books sobre hábitos de vida, explicando diversas coisas que infelizmente não dá tempo em 1 hora.

O tempo de retorno dependerá da patologia do paciente, da gravidade da situação, da necessidade de se acompanhar de perto e em intervalo de tempo menor a evolução. Mas geralmente o retorno é de 3 em 3 meses para a maioria dos casos. 

Como é uma consulta muito mais demorada e que se subdivide em dois momentos, geralmente o valor é um pouco acima do que os outros profissionais cobram.

Dicas para aqueles que querem iniciar um tratamento nutrológico:
  • Um Nutrólogos titulado obviamente é mais capacitado para te atender do que os demais. Verifique no site do Conselho Federal de Medicina se o profissional em questão é realmente especialista na área, antes de marcar a consulta. Pós-graduação não confere título de especialista.
  • Cada profissional cobra o preço que deseja, cabe o paciente verificar se aquilo está dentro do seu orçamento.
  • Tratamento nutrológico geralmente é um acompanhamento por toda a vida,  desconfie de tratamentos miraculosos e de difícil adesão (quantidades excessivas de medicações a serem tomadas, fórmulas com preços exorbitantes). Eles geralmente não são sustentáveis ao longo prazo. Ninguém quer ficar dependente de várias medicações por toda a vida.
  • Desconfie de profissionais que pedem exames que o Conselho Federal de Medicina ou as sociedades médicas específicas contraindicam.
  • Desconfie de tratamentos que são proibidos pelo Conselho Federal de Medicina, tais como terapia antienvelhecimento, modulação hormonal.
  • A prática de comercializar medicações/suplementos dentro do estabelecimento é proibida. Está vetada no código de ética médica.
Prova de título de Nutrologia

A prova de título de Nutrologia é o concurso realizado pela ABRAN em convênio com a Associação Médica Brasileira (AMB) para conferir a médicos o título de especialista em Nutrologia.

Acontece geralmente no segundo semestre (novembro ou dezembro). Alguns anos a ABRAN realizou a prova duas vezes ao ano, mas não é regra.

O custo é em torno de R$ 1.600, podendo variar.

O horário geralmente é das 09h00 até as 19h00, no auditório do Hospital do Servidor Público Estadual, Av. Ibirapuera, 1215, Indianópolis, São Paulo.

Os pré-requisitos variam conforme o edital do ano. Ou seja, podem variar. Por exemplo, na prova que prestei o tempo de formado era de no mínimo 8 anos.

No momento os pré-requisitos são:
2.1. Estar inscrito no Conselho Regional de Medicina há pelo menos 2 anos.
2.2. Ter feito Residência Médica em Nutrologia (comprovante autenticado), OU
2.3. Ter concluído de treinamento em Nutrologia, reconhecido pela ABRAN (aprovação pela Comissão de Título da ABRAN), nesse caso são as pós-graduações (estágios oficiais) com duração de 2 anos. Comprovar por meio de declaração assinada pelo responsável pelo treinamento e reconhecida firma ou através de documento autenticado OU
2.4. Comprovar treinamento/capacitação em  Nutrologia por meio de atividades profissionais, realizadas em um período de tempo mínimo de 4 anos. Comprovar por meio de declaração assinada pelo responsável pelo treinamento e reconhecida firma ou através de documento autenticado.
 
A aprovação na prova de título tradicionalmente é baixa, girando em torno de 20%, assim como a maioria das especialidades. Como toda prova de titulo não é uma prova fácil e geralmente só passa quem realmente estudou o edital.
 
A prova tem 70 pontos, sendo divididos da seguinte forma:
a) 50 Questões múltipla escolha: 0,50 (meio) ponto por questão, totalizando 25 pontos;
b) 10 Questões dissertativas: 1,5 ponto por questão, totalizando 15 pontos;
c) 3 Questões orais: 10 pontos por questão, totalizando 30 pontos;
 
O Curriculum Vitae totaliza 30 pontos. Média Final = Provas + Curriculum Vitae (100 pontos). O mínimo para aprovação é de 70 pontos. 

Em 2022 o edital provavelmente mudará e a nota do currículo corresponderá somente a 10% do valor total. Ou seja, o espero é que o currículo tenha valor de apenas 10 pontos e o CNNUTRO pontue 5 pontos desses 10 pontos. Isso ocorreu devido uma normatização da AMB. 
Minha história e como surgiu o MENUTRO

Meu nome é Frederico Lobo, sou natural de Goiânia – GO e desde antes da faculdade me interessei por Nutrição e metabolismo. Durante a faculdade estudei paralelamente Nutrologia Médica e já no quarto ano decidi que queria ser Nutrólogo. Atualmente sou Nutrólogo no SUS, em consultório particular e professor de Nutrologia através de mentorias. Sou idealizador do movimento Nutrologia Brasil (2014) e lutamos pela valorização da nossa especialidade. Nosso grupo é composto majoritariamente por Nutrólogos titulados ou que fizeram residência médica de Nutrologia. Mensalmente organizamos aulas visando a educação continuada além da troca de experiência que a internet possibilidade.

Em 2014 fiz a pós-graduação de Nutrologia da ABRAN (na época chancelada pela Santa Casa de São Paulo – SP). Dediquei-me 3 anos (2014-2017) a me preparar para a prova de título de Nutrologia. A qual prestei em 13/12/2017 e fui aprovado com 74,7%. Na minha época a média para aprovação era de 60 pontos.

Em 2018 por estímulo de amigos e professores reuni todo o material que utilizei para passar na prova e elaborei um e-book ensinando uma metodologia de estudo para ser aprovado. Mais adiante comecei a vender o banco de questões que elaborei e os flashcards (resumos) e posteriormente lancei o e-book: Tô na nutro e agora.

Em 2019 conheci a Dra. Amanda Weberling (hoje minha sócia), que havia acabado de ser aprovada na prova de título de Nutrologia e criamos o Menutro. Uma mentoria preparatória para a prova de título na qual por 12 meses treinávamos mentorandos para passarem na prova. Obtivemos grande sucesso na aprovação e fizemos novos amigos. Acabei apadrinhando vários destes e criando laços de amizade.
 
E-books, Mentorias e Cursos preparatórios para a prova

No momento não estamos fazendo mais as mentorias e cursos preparatórios para a prova. Apenas vendendo os e-books e o combo de flashcards e banco de questões. 

E-book: Quero ser Nutrólogo – Guia para acadêmicos de medicina e médicos
A quem se destina: E-book voltado para aqueles que desejam ser especialista em Nutrologia mas não sabe por onde começar. Nele você aprenderá sobre:

1) A História da especialidade Nutrologia
2) O que faz um médico nutrólogo?
3) Baseado nisso, em quais estabelecimentos um médico Nutrólogo poderia atuar? Em quais áreas poderia adentrar?
4) Quais doenças e situações o Nutrólogo pode auxiliar?
5) Por que a especialidade está em alta e há tantos Nutrólogos?
6) Quero ser Nutrólogo, como fazer? O modus operandis tanto para acadêmicos de Medicina quanto para médicos.
7) Prova de título de Nutrologia (TEN) – Estou apto a prestar a prova de título? Se sim, como proceder?
8) Não tenho título, fiz pós-graduação e quero atuar como Nutrólogo, posso?
9) Prós e contras de ser Nutrólogo
10) Será que a Nutrologia é para você?
11) Como é o mercado da Nutrologia?
12) Roll de procedimentos em Nutrologia
13) Qual a melhor pós-graduação de Nutrologia do Brasil ? Qual delas eu recomendo ?
Atenção: esse e-book não é voltado para a prova de título. O e-book indicado é o Metodologia de estudos para a prova de título de Nutrologia.

E-book: Metodologia de estudo para a prova de título de Nutrologia de 2022

A quem se destina: esse e-book é voltado para quem deseja se preparar para a prova de título de Nutrologia de maneira antecipada, estudando todos os temas do edital de 2021 (raramente os temas mudam). É um e-book que comercializo desde 2018 e venho atualizado anualmente baseado no edital da prova de título do respectivo ano.

Nele você aprenderá:

1) Como é o edital da prova de título de Nutrologia, quais os pré-requisitos baseado no edital de 2021. Porém, para 2022 podem ter mudanças.
2) Como adquirir os pontos de currículo e o que pontua.
3) Como é a distribuição da prova objetiva, subjetiva e oral.
4) Quais livros adquirir e ler por completo para se preparar para a prova.
5) Quais cursos fazer para se preparar melhor.
6) Onde há residência e estágios em Nutrologia no Brasil, para que você consiga ter os pré-requisitos para prestar a prova de título de Nutrologia.
7) Como montar um cronograma no qual ao longo de 9 meses você estude toda a matéria do edital.
8) Quais as melhores técnicas de estudo, para fixar melhor a densa matéria de Nutrologia e assim se preparar para a prova de título de Nutrologia.
9) Quais guidelines e consensos você deve baixar na internet, pois tem chances de cair na prova de título de Nutrologia.
10) Meu cronograma de estudo que utilizei para passar na prova, na versão atualizada de 2021 e que ao longo de 2022 irei atualizando.
11) Quais os quase 200 sub-temas que podem cair na prova de título. Por onde estudar cada um dos sub-temas. Atualizei em 2021, com alguns novos materiais.
12) Link para baixar guidelines, diretrizes, artigos.

Duração do cronograma: 9 meses de estudo.

Atenção: Esse e-book não inclui o banco de questões e flashcards. O e-book consiste em um arquivo em PDF com senha criptografada e intransferível. Na sendo permitido impressão dos arquivos, cópia dos textos. Ele é enviado via e-mail (hospedado no google-drive) com a senha e em outros e-mails os arquivos anexos. Os arquivos somente podem ser lidos on-line (dentro do google-drive), não sendo possível o download do arquivo.

E-book : Tô na nutro e agora ? (É o e-book que mais vendi ao longo desses anos).

A aquisição desse e-book é pré-requisito para tentar a vaga de apadrinhamento.

A quem se destina: A todos aqueles que estão começando uma pós-graduação de Nutrologia.

O que você encontrará nele:
1) Onde há residências e Estágios oficiais em Nutrologia no Brasil.
2) Quais são os pré-requisitos para a prova de título, como funciona a prova de título de Nutrologia e como adquirir os pontos para alcançar os 35 pontos de currículo.
3) Quais livros comprar, quais cursos fazer. Quais os melhores métodos de estudo baseado em evidências.
4) Quais livros adquirir para aprender o beabá da Nutrologia.
5) Quais cursos fazer para aprender os principais temas da Nutrologia e ter segurança para atuar no consultório.
6) Como foi a minha caminhada até chegar na Nutrologia e as dificuldades que encontrei até formar uma carteira de pacientes.
7) Começou consultório: Plano de saúde x Particular? Pessoa física x Pessoa jurídica? 8) Reembolso. Preço x Valor. Agregando valor à consulta.
9) Dicas de como criar um ambulatório de Nutrologia no SUS da sua cidade. Um projeto em .doc todo detalhado, pronto para você utilizar.
10) Quais as melhores técnicas de estudo para aprender Nutrologia para o dia-a-dia e estudar para a prova de título.
11) Como encantar o paciente desde o pré-consulta ao pós-consulta, dentro da ética e sem ser apelativo.
12) O que fazer na prática clínica: dentro da ética médica e da legalidade.
13) O que não fazer na prática clínica: pois fera a ética médica e responsabilidade civil e código penal.
14) Dicas de como empreender em redes sociais, de forma ética e eficaz. Como funciona o algoritmo do facebook e do instagram.
15) Reputação em redes sociais, número de seguidores e métricas da vaidade. Por que número de seguidores não tem importância e não faz conversão em pacientes no consultório.
16) Como organizar postagens em Instagram, Facebook, Sites. Quais cursos fazer para aprender mais sobre mídias digitais e empreendedorismo digital. Uma tabela em excel que vai organizar completamente a sua vida digital.
17) Como encontrar um Nutricionista da sua confiança para que ele possa acompanhar quinzenalmente os seus pacientes. Como elaborar um encaminhamento completo, de fácil compreensão para o Nutricionista. Um modelo prático, simples e rápido de ser preenchido, sem que nada passe desapercebido e o Nutricionista da sua confiança possa fazer um plano com todos os itens que você como médico julga necessário.
18) Como encontrar o seu nicho de pacientes e ser feliz na medicina.
19) Como é o meu prontuário de Obesidade/Sobrepeso, além de uma prática e rápida para atendimento de obesidade e sobrepeso ( a que utilizo no ambulatório do SUS).
20) Como é o meu prontuário eletrônico que segue as normas do CFM e a LGPD.
21) Recordatório alimentar funcional de 7 dias, por mim criado, baseado em estratégias da Nutrição comportamental.
22) Como fazer um exame físico praticamente completo em menos de 15 minutos.
23) Orientações pré-consulta por mim criadas, com a finalidade de agilizar o seu atendimento mas sem perder a qualidade.
24) Roteiro para a solicitação de exames de forma racional e assim evitar conflito com os planos de saúde.
25) Uma série de 10 lâminas nutrológicas educativas para facilitar a compreensão e adesão do paciente no tratamento da obesidade.
26) Orientações de preparo pré-bioimpedância.
17) Link para download do Manual de Publicidade Médica, Manual de Prescrição Médica.
18) Acesso a um grupo secreto no facebook chamado Nutrologia Brasil (criado em 2014). No qual postamos notícias, guidelines e artigos em Nutrologia. É preciso ter facebook. Link para acesso ao grupo NutroPDFs.

Atenção: O e-book consiste em um arquivo em PDF com senha criptografada e intransferível. Na sendo permitido impressão dos arquivos, cópia dos textos. Ele é enviado via e-mail (hospedado no google-drive) com a senha e em outros e-mails os arquivos anexos. Os arquivos somente podem ser lidos on-line (dentro do google-drive), não sendo possível o download do arquivo.

Apadrinhamento e mentorias

Nos últimos 3 anos tem sido constante e-mails de médicos que começaram a cursar as pós-graduações de Nutrologia disponíveis no Brasil. A grande maioria reclama muito da qualidade das aulas, da falta de lógica na distribuição do conteúdo e com isso ficam completamente perdidos e não sabem nem por onde começar. Com isso acabei apadrinhando vários médicos que inicialmente compraram meus materiais.

Isso foi muito gratificante pois passei por isso, sei das dificuldades, insegurança e o medo que é paralisante. O melhor de ser padrinho é poder nortear e evitar que desencantem de especialidade. Desde 2014 tenho visto inúmeros médicos fazerem pós de Nutrologia e depois abandonarem por diversos motivos, dentre eles dificuldade de enxergar um caminho a seguir.

A seleção é feita através de questionário e entrevista por telefone, análise de currículo e de redes sociais. Pode comprar todos os e-books que isso não é garantia de adoção. Vários dos afilhados não compraram nada e ainda ganharam todos os materiais gratuitamente.

PORTANTO:
  • Se você já se intitula Nutrólogo nas redes sociais sem ter RQE: esqueça, eu não te adotarei, você precisa é do código de ética médica e não de um padrinho.
  • Se você defende uso de Anabolizantes para fins estéticos, esqueça, também não te adotarei. Sou contra, assim como o Conselho Federal de Medicina, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia. Inclusive isso nunca foi ensinando pelos professores da ABRAN.
  • Se você posta foto de antes e depois dos pacientes, esqueça também, as chances de adoção é nula. Infração ética e novamente te recomendo ler o Manual de Publicidade Médica, além é claro, o código de ética médica.
  • Se você defende uso de implantes hormonais, terapias proibidas pelo Conselho Federal de Medicina, sem respaldo da ABRAN: esqueça, meus e-books não são para você e muito menos serei seu padrinho.
  • Poupe o meu tempo, o seu tempo e o seu dinheiro.
No momento meus afilhados são:

  1. Dra. Adrielly Cunha – Médica em Goiânia – GO – @adriellyocunha
  2. Dr. Alexandre Matos – Nutrólogo em Salvador – BA – @alexandrenogueiramatosalex/
  3. Cleber Matos – Estudante de Medicina em Salvador – BA
  4. Dr. Diego Rima – Médico em Fortaleza – CE – @diego_rima
  5. Dra. Edite Magalhães – Médica especialista em Clínica Médica em Recife – PE – @draeditemagalhes
  6. Dr, Glêyson Martins – Médico em São Paulo – SP – @gleysonmartins
  7. Dr. Gustavo Butzge Rubenick – Médico em Brasília – DF – @gustavorubenich
  8. Dr. Hugo Barucci – Médico em São Paulo – SP – @drhugobarucci
  9. Dr. Jhonny Willians – Médico Endocrinologista em Maceió – AL – @drjhonywgusmao
  10. Dr. Jhones Carneiro – Médico em Guanambi – BA – @jhonescarneiro
  11. Dr. Juliane Arndt – Médica especialista em Clinica médica em São Paulo – SP –
  12. Dr. Laura Pereira – Médica em Atibaia – SP – @dralaura.pereira
  13. Dr. Leandro Houat – Médico de Família e Comunidade em Jaraguá do Sul – SC – @drleandrohouat
  14. Lucas Jacobs – Estudante de Medicina em Mafra – SC – @lucascjacobs
  15. Márcio José de Souza – Profissional da Educação física e Acadêmico de Nutrição – @profmarciodesouza
  16. Dra. Rafaela Fontenelle – Médica endocrinologista em São Paulo – SP – @rarafaelafontenele
  17. Dr. Ricardo Lima – Médico em São Luiz – MA – @ricarddolima_
  18. Dr. Rodrigo Serrano – Médico em Maceió – AL – @odserranoandrade/
  19. Dr. Paulo Victor Quinan – Médico Residente de Clínica Médica – Goiânia – GO
  20. Dr. Pedro Paulo Prudente – Médico do Esporte e Acupunturiatra em Goiânia – GO – @vivamelhorsemdor
  21. Dr. Waldimiro Lacerda – Médico em Feira de Santana – BA – @drwaldimirolacerda
Para conhecer mais sobre o meu trabalho e sobre o que escrevo:
Blog: Ecologia médica – http://www.ecologiamedica.net
Blog: Dr. Frederico Lobo – http://www.drfredericolobo.com.br
Facebook: Dr. Frederico Lobo
YouTube: Dr. Frederico Lobo