sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Déficit de vitamina B12 na população com diabetes tipo 2

Um assunto pouco falado entre pessoas com diabetes e mesmo no consultório do endocrinologista é a deficiência de vitamina B12.

Esse é um nutriente fundamental para a formação dos glóbulos vermelhos do sangue e necessário para o bom funcionamento dos nervos e do cérebro. Sua carência está associada, portanto, a anemia, neuropatia (doença que acomete os nervos do corpo) e até demência.

As principais fontes de vitamina B12 na dieta são leite, ovos, fígado, carne de porco, atum, salmão e truta. Porém, para ser absorvida lá no intestino, ela precisa se ligar a uma proteína produzida pelo estômago.

A carência dessa vitamina é muito mais comum em pessoas com diabetes tipo 1 e também com diabetes tipo 2, mas por mecanismos diferentes.

Pessoas com diabetes tipo 1 têm um risco cinco vezes maior de ter deficiência de vitamina B12. Isso se deve ao fato de que o sistema imunológico delas chega a destruir as células do estômago que produzem a tal da proteína que se liga ao nutriente e permite sua posterior absorção. Como eu disse, sem a proteína, a vitamina não é aproveitada pelo organismo direito.

Tem mais: quem tem diabetes tipo 1 encara uma maior probabilidade de ter doença celíaca — condição inflamatória e autoimune que se agrava com a ingestão de glúten. A associação da doença celíaca com o diabetes, por sua vez, aumenta a propensão à deficiência da vitamina B12.

Com o diabetes tipo 2 a história é outra. O problema isoladamente não eleva o risco de faltar B12 no organismo. A questão está na metformina, medicamento usado para tratar a resistência à insulina e controlar os níveis de glicose no sangue.

Falamos de um remédio com mais de 60 anos de história e prescrito a praticamente toda pessoa com diabetes tipo 2. Entre seus efeitos colaterais, ele está ligado a uma diminuição na absorção intestinal de vitamina B12. Isso não é motivo para largar o tratamento, por favor. Mas pede atenção!

Tanto quem tem diabetes tipo 1 como indivíduos com o tipo 2 devem ter seus níveis de vitamina B12 avaliados periodicamente. Deficiências podem ser corrigidas com mudanças na dieta e suplementação a critério médico.

O Silêncio dos homens


Vale a pena assistir e perceber o quanto vivenciamos no cotidiano uma masculinidade tóxica.

O novo Código de Ética Médica, no capítulo II, defende que os profissionais podem se recusar a realizar atos médicos que não se adequem aos seus valores pessoais.

Você encontra o documento completo em: https://bit.ly/2RyvAE8.

Instagram proíbe posts com produtos de dietas e cirurgia estética.

Não é difícil ver alguma publicação sobre cirurgias estéticas ou produtos voltados para uma vida mais “fitness” (como chás de emagrecimento) no Instagram (e, pela lógica, quanto mais você vê, mais elas aparecem para você). Nesta quarta-feira (18), a plataforma anunciou algumas restrições que mudam as normas para esse tipo de postagem com produtos de dietas e cirurgias estéticas.

De modo geral, as redes sociais podem promover grande influência sobre o modo como vivemos, criando uma pressão social para que mudemos nosso padrão e para nos sentirmos mal em relação ao nosso corpo. Anúncios estéticos ou de produtos que fazem milagres, como “isso me ajudou a perder 10kg em uma semana” ou “isso me deixou 20 anos mais jovem”, prometem fazer rapidamente algo que leva mais tempo e podem influenciar distúrbios alimentares e problemas emocionais, principalmente em adolescentes.

O que muda no Instagram

Dentre as novas regras, estão proibidos posts de produtos duvidosos ligados à perda de peso vinculados a alguma oferta comercial (ou oferecendo desconto). O objetivo é promover mudanças benéficas e que não tirem da rede social sua ideia principal, que é ser um lugar positivo para todos os usuários.

Justamente por afetar um grande número de jovens, outro fator adicionado foi sobre a restrição de idade. Conteúdos relacionados ao uso de alguns produtos de emagrecimento e procedimentos estéticos ficam restritos para maiores de 18 anos. Em breve será possível denunciar esse tipo de publicação.

É claro que as empresas ligadas a esses setores não ficarão nada contentes com a notícia. Ysabel Gerrard, professora da University of Sheffield e uma das consultoras do Instagram (que prestou esse serviço gratuitamente para a rede social), afirmou que tais empresas devem agir com responsabilidade e remodelar seus produtos e técnicas de marketing visando a segurança das pessoas.

Alguns estudos recentes mostram como determinados tipos de publicações podem interferir na saúde mental dos adolescentes. Um deles, da Royal Society for Public Health e do Young Health Movement, realizado em 2017, mostrou que o Instagram é a pior plataforma de mídia social para a saúde mental de um jovem. Um segundo estudo, do Pew Research Center, feito em 2018, encontrou que 37% dos adolescentes se sentem pressionados para publicar conteúdos que receberão um grande número de curtidas.

Nos últimos dias, vimos que o Instagram tem mudado sua postura com relação a algumas questões. Uma mudança radical que deixou muitos chocados (e até mesmo chateados) foi a remoção do número de curtidas. A medida, adotada em julho deste ano no Brasil, teve como um dos seus objetivos também remover a pressão sobre o usuário.

Tais alterações transformam a rede social não em um lugar para competir por popularidade, curtidas ou ser “tóxico” para a saúde mental, mas sim para que diferentes pessoas possam se expressar. O ideal não é se concentrar em quão popular a sua foto foi, mas sim no conteúdo que foi publicado. Acredita-se que novas alterações virão por aí, algumas delas relacionadas ao combate ao bullying, mas não há nada certo ainda. Elas também podem chegar ao Facebook em breve.

No mês de prevenção ao suicídio no Brasil (chamado de Setembro Amarelo), ver ações como essa da rede social lembram que devemos nos empenhar mais não em exibir corpos considerados “perfeitos”, mas com a aceitação própria e a lembrança de que cada característica nossa é o que nos torna especiais, diferentes e, consequentemente, únicos.

#BombaTôFora - Exercício induzindo importantes funções cerebrais



Revisão científica sobre o efeito protetor cerebral do exercício físico e sobre as repercussões cerebrais do uso de esteroides anabonizantes, disponível gratuitamente no link: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/…/PM…/pdf/medicina-55-00396.pdf

Informe-se! Não permita que você, seus familiares, amigos e clientes entrem ou fiquem nessa!

Os danos são bem maiores que os ganhos!!!

Fontehttps://www.facebook.com/bombatofora/photos/a.340483713180222/498684717360120/?type=3&theater

19/09 - Aniversário do SUS


segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Uso de esteroides anabolizantes: um breve histórico do problema por Dr. Mateus Dornelles

Uso indevido de esteroides androgênicos, um velho problema

O uso de esteroides androgênicos para melhorar o desempenho físico, ao contrário do que se possa imaginar, é tema antigo na prática médica. Em 1893, um médico idoso chamado Brown-Séquard reportou “um ganho importante de força” após auto injetar um “fluido testicular” desenvolvido em laboratório de animais. Esta descoberta criou bastante entusiasmo e marcou o início da andrologia. Após algum tempo, já na década de 1930, começaram a ser desenvolvidos os primeiros andrógenos sintéticos derivados da testosterona. Desde então, diversos esteroides androgênicos foram sintetizados e aprovados para o tratamento de diversos problemas de saúde, incluindo deficiência de testosterona, caquexia, osteoporose, atraso no desenvolvimento da puberdade e até câncer de mama.

Ganho de massa muscular, as custas de efeitos adversos potencialmente graves

Os derivados sintéticos da testosterona possuem graus variados de atividade androgênica e anabólica, isto é, são capazes de aumentar a massa muscular, queimar gordura e melhorar o desempenho esportivo. Contudo, o uso de esteroides anabolizantes não se faz sem um custo muito alto à saúde. Efeitos adversos são frequentes e incluem toxicidade ao fígado e coração, aumento da viscosidade sanguínea (policitemia) com risco de trombose, aumento das gorduras do sangue (colesterol e triglicerídeos), pressão alta, depressão, crescimento de mamas em homens (ginecomastia), atrofia dos testículos, problemas sexuais e infertilidade em graus variados.

Falta de informação confiável dificulta a abordagem do problema

Como a maioria dos usuários destas substâncias não costuma procurar atenção médica, a literatura científica ainda carece de informações principalmente sobre as sequelas causadas pelo seu uso. Isso é problemático, pois o usuário não vê o médico como alguém com capacidade de fornecer informações apropriadas e acaba por buscá-las na internet ou com outros usuários. Já o médico, por não ter acesso a estudos confiáveis, fica desconfortável em abordar o assunto e acaba por adotar uma postura repressiva. Esta falta de empatia afasta paciente e médico, e o assunto vira tabu.

#BombaTôFora, uma luz no fim do túnel

Com o intuito de melhorar a assistência, prevenindo o uso e tratando as complicações, tanto médicos quanto pacientes devem estar dispostos a dialogar abertamente e a estudar sobre o assunto. Só desta maneira cooperativa, seremos capazes de construir conhecimento apropriado e confiável sobre o uso de esteroides anabolizantes. O projeto #BombaTôFora, apoiado pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, cumpre muito bem esta função.

Referência:
1- Pope HG Jr, Wood RI, Rogol A, Nyberg F, Bowers L, Bhasin S. Adverse health consequences of performance-enhancing drugs: an Endocrine Society scientific statement. Endocr Rev. 2014 Jun;35(3):341-75.

Dr. Mateus Dornelles Severo
Médico Endocrinologista
Doutor e Mestre em Endocrinologia pela UFRGS
CRM-RS 30.576 - RQE 22.991
www.facebook.com/drmateusendocrino

Efeitos Psiquiátricos dos Anabolizantes

Dr. Clayton Macedo, um dos responsáveis pela campanha Bomba Tô Fora - que tem o apoio da SBEM -, fala sobre os efeitos psiquiátricos que podem surgir com o uso dos anabolizantes (testosterona e afins).

Ele explica também que agressividade e reações inesperadas estão entre alguns dos sintomas e que podem estar ligados ao aumento do feminicídio. “Estamos vivendo um grave problema de saúde pública”, enfatizou o Dr. Clayton.

O médico alerta para que é importante ficar alerta aos sintomas e que diversas pesquisas estão sendo feitos, como uma pesquisa dinamarquesa. Nos dados, ele explica que cerca de 20% dos pesquisados que utilizavam os anabolizantes praticaram algum tipo de crime grave.

Vejam as informações que o médico deu na entrevista ao site da SBEM Nacional. Para ouvir acesse: https://www.endocrino.org.br/efeitos-psiquiatricos-dos-anabolizantes/?fbclid=IwAR3EclMNEh_nLXo-mhjhlw7hgaAdpegTxz7p1XO2uMhdO6o3yP0J5xhwb5Q

Reduzir o consumo de carne vermelha e sua relação com meio ambiente

Diminuir o consumo de carne vermelha é uma decisão muito difícil. A questão é que não podemos mais fazer vista grossa para o fato que o principal motor do desmatamento da Amazônia é a ampliação de pastos para o setor da carne. Se estamos juntos pedindo mais cuidado do governo pela floresta, um passo importante que cada um pode tomar individualmente é diminuir o consumo de boi. Se ainda gostamos de carne, há opções de proteína animal que causam menos impacto ambiental: frango, porco, cordeiro, cabra, peixes, frutos do mar, ovos, queijos...

Estudo publicado pela Academia Nacional Americana de Ciências compara o impacto ambiental da criação de boi com a criação de outras carnes (referência abaixo). Segundo a pesquisa, a produção atual de boi no mundo é a maior responsável por desmatamento no mundo, com extinção de espécies, poluição das águas e 1/5 das emissões de gases de efeito estufa.

Quem está junto nessa bandeira em defesa pela Amazônia em pé, convidamos para essa guinada juntos. Também estamos nesse processo de transição, por uma questão de coerência de discurso e ideais. 

Saiba mais:
"Burdens of meat" - PNAS - pesquisa da Academia Nacional Americana de Ciências: https://www.pnas.org/content/early/2014/07/17/1402183111
STOP DEFORESTATION - Beef Cattle: http://bit.ly/2lQTwIk

Conclusão sobre modulação hormonal


O professor Mauro Cziepiekeski deu uma brilhante aula  no III Update em Nutrição e Metabolismo em Hospital de Clínicas de Porto Alegre HCPA. esclarecendo sobre o uso inadequado de hormônios e a inaceitabilidade do uso de hormônios bioidênticos, que tem sido preconizado para a manutenção da jovialidade. Veja a sua conclusão.