sexta-feira, 31 de março de 2017

Quero ser nutrólogo, como proceder?


A razão desse texto é que muitos médicos tem enviado e-mail perguntando sobre a área de nutrologia. Como fazer pra ser nutrólogo, onde cursar, por onde estudar e quais os pré-requisitos para prestar a prova de título. Antes de explicar o modus operandi para "se tornar nutrólogo" vale a pena fazer algumas considerações importantes sobre a Nutrologia Médica.

A Nutrologia no Brasil: A nutrologia só foi reconhecida como especialidade médica há 39 anos (1978), entretanto desde 1952 faz parte do programa do Departamento de Clínica Médica da USP de Ribeirão Preto. Considera-se o pai da Nutrologia no Brasil o Prof. Dr. José Dutra de Oliveira. No Brasil quem representa a Nutrologia diante da Associação Médica Brasileira (AMB) e do Conselho Federal de Medicina (CFM) é a Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).

Nutrologia como especialidade médica: A Nutrologia é a especialidade médica que estuda, pesquisa e avalia os benefícios e malefícios causados pela ingestão dos nutrientes, aplicando este conhecimento para a avaliação de nossas necessidades orgânicas, visando a manutenção da saúde e redução de risco de doenças, assim como o tratamento das manifestações de deficiência ou excesso. Também denominada segundo a ABRAN de Nutrologia Funcional ou Nutrologia Médica, que são sinônimos na sua conceituação.

O acompanhamento do estado nutricional do paciente e a compreensão da fisiopatologia das doenças diretamente relacionadas aos nutrientes permitem ao nutrólogo atuar no diagnóstico, prevenção e tratamento destas doenças, contribuindo na promoção de uma longevidade saudável, com melhor qualidade de vida

Nutrólogo X nutricionista

Há 7 principais diferenças entre nutrólogos e nutricionistas.
  1. Graduação
  2. Áreas de atuação
  3. Tipo de diagnóstico permitido para médicos e nutricionistas
  4. Solicitação de exames
  5. Arsenal terapêutico
  6. Indicação do tipo de de dieta e prescrição de plano dietoterápico
  7. Número de consultas por planos de saúde
Para ler mais detalhadamente sobre cada uma das diferenças sugerimos que acesse esse texto: http://www.ecologiamedica.net/2015/08/diferenca-entre-nutrologo-e.html

É importante frisar que em nenhum momento a Nutrologia invade a nutrição, sendo que os bons nutrólogos sabem trabalhar em parceria com nutricionistas. Ou seja, o médico nutrólogo não é um prescritor de dietas, ele faz a parte médica da Nutrição humana, dando diagnóstico nosológico, instituindo o melhor tipo de terapia para cada caso, orientando o paciente sobre o prognóstico da doença e solicitando ao nutricionista o tipo de dieta a ser elaborada. 

Modismo x Nutrologia Baseada em evidências


Muitos dizem que desde 2008 com o surgimento de algumas redes sociais, a nutrologia tornou-se uma das especialidades médicas da moda. Talvez porque há alguns anos era menos difícil passar na prova de título de especialista.

As razões pela especialidade estar "em voga" são inúmeras:
  1. Aumento  estrondoso do número de pesquisas correlacionando a influência de hábitos alimentares sobre centenas de doenças.
  2. A influência da nutroterapia no desfecho de inúmeras patologias. 
  3. Médicos cansando de suas especialidades originais e querendo atuar em uma área diferente.
  4. A crença de que é uma área altamente rentável, já que trata de Obesidade e Ganho de massa (hipertrofia), ou seja, envolve estética e esse mercado gera bilhões em todo o planeta. 
  5. Como até pouco tempo atrás era relativamente fácil ter autorização para prestar a prova de título (e com isso garantir um título), médicos sem especialidade ou recém-formados viam na Nutrologia uma alternativa para ter um título de especialista. Isso agora acabou desde que a Associação Médica Brasileira estabeleceu critérios mais rígidos como pré-requisitos.
  6. É uma área que se inter-relaciona com diversas áreas da medicina e outras profissões da área da saúde, em especial Educação física, Nutrição, Psicologia. 
Como era uma especialidade até então "desconhecida por ignorância" até mesmo pelos próprios médicos, o "boom" ocorrido nos últimos anos foi benéfico. Porém ainda temos poucos nutrólogos no Brasil, segundo dados  publicados em Março de 2018 pelo Conselho Federal de Medicina (CFM)
  • Há 10 vagas autorizadas pelo MEC de R1, 10 vagas de R2, 23 vagas de R3 e 21 vagas de R4.
  • 1692 títulos registrados no CFM, ou seja, até a publicação da pesquisa demográfica existiam 1692 nutrólogos titulados no Brasil.
A Nutrologia nos últimos 5 anos despertou interesse da comunidade científica brasileira, dos médicos de diversas especialidades e de graduandos em medicina. Mas nem tudo são flores. Com esse "boom" surgiram inúmeros charlatões que se intitulam "nutrólogos" apenas por uma pós-graduação de Nutrologia. Sendo que o próprio CFM tem resolução especificando que pós-graduação não confere título de especialista a nenhum médico. Mesmo que essa pós-graduação seja ministrada pela Associação Brasileira de Nutrologia. O CFM também em seu site deixa claro que aqueles que cursaram pós-graduação em uma área, não podem colocar por exemplo: Nutrologia no carimbo, impressos e redes sociais. Tanto o CFM quanto a Justiça brasileira compreendem que isso é tentativa de confundir a mente de leigos. Ou seja, só pode colocar Nutrologia/Nutrólogo/Nutrologista no carimbo/receituários aquele que tem o título de especialista ou fez a residência de Nutrologia. 

É importante deixar claro que Nutrologia não inclui no seu arsenal terapêutico e propedêutico:
  1. Prática Ortomolecular ou Biomolecular
  2. Modulação hormonal
  3. Uso de hormônios com finalidade estética
  4. Ozonioterapia
  5. Biorressonância
  6. Medicina "quântica"
  7. Homeopatia
  8. Medicina germânica
  9. Medicina biológica
  10. Medicina funcional
Só existe UMA nutrologia, que é a nutrologia baseada em evidências científicas. Apesar da nutrição humana ser um terreno de incertezas, talvez por falhas metodológicas, ano após ano essas evidências vão se consolidando. 

Prós e contras

Por ser uma área que tem a ciência a seu favor (digo em investimentos de pesquisas científicas) é uma área ultra-dinâmica. Diariamente surgem novos estudos, ensaios clínicos. Algo que era verdade até o mês passado, pode deixar de ser. Para quem gosta desse dinamismo, a especialidade é um prato cheio. Para quem não gosta dessa "incertezas" científica, pule fora, nutrologia não é pra você. 

É uma área que demanda muito conhecimento do ciclo básico da graduação em medicina, em especial bioquímica médica. Se você não gosta de bioquímica, vias metabólicas, hormônios, compreensão da fisiopatologia das doenças, pule fora, ainda dá tempo, pois nutrologia não é pra você. 

Se você gosta de pacientes críticos, pode seguir a área de Nutrição Enteral e Parenteral. Ficando parte do seu cotidiano restrito ao ambiente hospitalar (em especial CTI, enfermaria). Mas se ficar em hospital não te agrada, você tem inúmeras áreas dentro da Nutrologia Clínica para atuar. A Nutrologia como citado acima, correlaciona-se com várias áreas, sendo assim é rara uma especialidade em que a Nutrologia não agregará algo. 

É Pediatra? A Nutrologia pediátrica pode te auxiliar muito. Caso você assimile o conceito de imprinting metabólico, pode contribuir para uma geração totalmente diferente das demais. E isso não fica restrito só à pediatria, obstetras também podem aprender muito com isso. 
É endocrinologista? A nutrologia pode mudar totalmente sua atuação no tratamento da obesidade, diabetes, síndrome metabólica.
É cardiologista? A nutrologia pode te auxiliar a manejar melhores seus pacientes hipertensos, com síndrome metabólica ou portadores de insuficiência coronariana.
É nefrologista? A Nutrologia com certeza trará um melhor prognóstico para os seus pacientes nefropatas.
É infectologista? O suporte nutrológico pode mudar o curso de inúmeros processos infecciosos.
É geriatra? A nutrologia pode ajudar na prevenção e tratamento da osteoporose, sarcopenia, síndrome da fragilidade.
É oncologista? A nutrologia pode te auxiliar muito, melhorando a tolerância dos pacientes à quimioterapia e evitando a caquexia inerente ao processo neoplásico. 

Mas eu sou cirurgião, será que a nutrologia pode agregar conhecimento à minha atuação? Sim, já ouviu falar sobre imunonutrição? Nutrição enteral precoce? Menor tempo de jejum pré-operatório? Projeto ACERTO. Tudo isso é Nutrologia. 

Ou seja, a nutrologia pode auxiliar a maioria das especialidades. 

A preocupação global das pessoas com a estética é uma faca de dois gumes. Se por um lado o excesso de preocupação pode precipitar transtornos alimentares, do outro temos pessoas de conscientizando mais sobre a importância de se alimentar melhor, favorecendo mais qualidade de vida e uma provável senilidade mais saudável. O mercado de emagrecimento gera bilhões em todo o mundo, assim como o desejo de hipertrofia muscular ou melhora da performance nos exercícios. Esse é um grande filão que recorre aos nutrólogos. Porém esse mesmo filão pode recorrer aos endocrinologistas, médicos do esporte, clínicos gerais, nutricionistas, profissionais da educação física, psicólogos. Ou até mesmo a farmacêuticos, enfermeiros, fisioterapeutas,  quem sabe o famoso "coach", "o tio da loja de suplementos" ou o "dono do espaço vida saudável".

Ou seja, muita gente que sequer compreende as nuances da obesidade, querendo manejar uma doença multifatorial, crônica, recidivante, com alto componente genético e comportalmental. Portanto se você quer ser nutrólogo saiba que você "concorrerá" com essas outras áreas, caso seu foco seja apenas obesidade, hipertrofia e performance. 

Mas dá pra atuar em nutrologia sem ter como foco obesidade, hipertrofia ou performance? Sim, seja bem-vindo. Isso é o que mais precisamos dentro da nutrologia. Médicos que queiram atuar em doenças. Manejo nutrológico de uma infinidade de doenças. Não necessariamente você precisa manejar só doenças. É importante também o manejo nutrológico dos principais ciclos da vida: infância, idade fértil, climatério, senilidade, ou seja, a nutrologia está presente do começo ao fim da vida.

O que temos visto é que a Nutrologia é uma das áreas médicas que mais tem atraído médicos na atualidade. Médicos de diversas áreas estão migrando para nutrologia ou complementando suas áreas com conhecimentos nutrológicos.

Modus operandi para se tornar nutrólogo

O que diferencia um médico nutrólogo de uma nutricionista é a formação (graduação). O médico nutrólogo geralmente faz 6 anos de graduação de medicina, 2 anos de residência de clínica médica (ou cirurgia) e 2 anos de residência de nutrologia. Ou então (até 2016) o médico que tinha outra formação de base, como por exemplo endocrinologia. Ele fazia 6 anos de graduação em medicina, 2 anos de residência em clínica médica, 2 anos de residência em endocrinologia, 2 anos de residência em nutrologia OU pós-graduação da ABRAN, com posterior aprovação na prova de título de nutrologia. O Nutrólogo não é um "nutricionista de luxo" como alguns ignorantes definem. O nutrólogo é um médico que entende de doenças nutricionais e da inter-relação dos nutrientes com nosso organismo.

Na atualidade a ABRAN possui uma pós denominada de Curso Nacional de Nutrologia (CNNutro), que ocorre anualmente em São Paulo. Até 2016 a realização deste era obrigatória para quem desejava prestar a prova de título. Ou então ter feito a residência. A partir de 2017 o edital da prova de título teve uma mudança radical, feita pela Associação Médica Brasileira (AMB). Agora quem quiser ser nutrólogo tem as seguintes opções:

Opção 1: Cursar 6 anos de medicina + 2 anos de residência de clínica médica e mais 2 anos de residência de Nutrologia. Nesse caso não precisa prestar a prova de título. Basta ir ao CRM e solicitar o seu Registro de qualificação de especialista (RQE) em nutrologia.

Opção 2: Fazer algum estágio ou Especialização em Nutrologia com prazo de formação mínimo de dois anos, sendo obrigatória carga horária anual de 2.880 horas (60h/semanais), distribuídas entre atendimento ambulatorial, atendimento em unidade de internação (hospitalar) e programa teórico. SE comprovado isso, com declaração do chefe do serviço de nutrologia (titulado) e diretor clínico, pode-se prestar a prova de título. No caso do estágio, segundo o edital o serviço tem que ser Credenciado à ABRAN. Sendo que a carga horária é de 60 horas semanais. No Brasil os únicos lugares que tem esse estágio são:
  • Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual de São Paulo (Hospital do Servidor Público Municipal): Três vagas
  • Programa de Treinamento Médico em Nutrologia do Instituto Brasileiro de Estudos e Pesquisas de Gastroenterologia e Outras Especialidades (IBEPEGE): Duas vagas.
  • Especialização em Nutrologia do Hospital São Joaquim da Real e Benemérita Associação Portuguesa de Beneficência de São Paulo: Quatro vagas
Opção 3: Atuar na área por 4 anos completos, em algum serviço de nutrologia que tenha atividade ambulatorial e hospitalar (obrigatoriamente) e esse serviço tem que ser reconhecido pela Associação Brasileira de Nutrologia. Nesse caso o médico deve receber uma declaração de atuação na área durante os 4 anos completos. SE comprovado isso, com declaração do chefe do serviço de nutrologia (o mesmo deve obrigatoriamente ser titulado em nutrologia) e diretor clínico, pode-se prestar a prova de título. Muitos tem apenas a atuação em ambulatório ou consultório, nesses casos a AMB rejeita a inscrição. Tem que ter a prática hospitalar e o chefe ser titulado.


Opção 4: Possuir 2 (dois) anos de residência médica certificada pelo MEC ou título de especialista certificado pela AMB/CFM/CNRM nas áreas de Clinica Médica e/ou Cirurgia Geral e/ou Pediatria e/ou Ginecologia e/ou Obstetrícia e/ou Medicina Intensiva. ALÉM DISSO o médico tem que possuir 2 (dois) anos completos de atividade em Nutrologia em serviço hospitalar e ambulatorial em serviços reconhecidos pela Associação Brasileira em Nutrologia - ABRAN. SE comprovado isso, com declaração do chefe do serviço de nutrologia (titulado em nutrologia) e diretor clínico, pode-se prestar a prova de título.

É importante salientar que nas Opções 2, 3 e 4 o médico que almeja prestar a prova de título deverá (segundo o edital de 2017) ter até 30 pontos no currículo e até 100 pontos de acreditação (conforme anexos do edital). Ou seja, o CNNUTRO ainda fornece uma pontuação alta (10 pontos segundo o último edital) e vale a pena fazer. Porém somente o CNNUTRO não basta, é preciso fazer o CNNEP (8 pontos segundo o último edital) para ter uma pontuação mínima. 

Além disso o médico deve comparecer aos congressos ou jornadas da especialidade e preferencialmente produzir trabalhos científicos (artigos científicos, poster em congressos, artigos de livros de nutrologia, participação em mesas redondas da área) para obter mais pontos. Pois é difícil alguém que não tem 30 pontos de currículo passar na prova. A média mínima a ser obtida na prova é 70 pontos de 100.

Ou seja, não basta apenas cursar o CNN, comprovar os 4 anos de atuação hospitalar e ambulatorial, é preciso vivenciar verdadeiramente a especialidade e o principal, lutar para que ela cresça de forma ética.

Autores:

Dr. Frederico Lobo - Médico Nutrólogo - CRM-GO 13192, RQE 11915. 
Dr. Leandro Marques - Médico nutrólogo e com área de atuação em Nutrição parenteral e enteral ( CRM-GO 14326 e CRM-DF 18413) RQE 10253
Dr. Delmir Rodrigues - Médico pediatra, endocrinopediatra e nutrólogo pediátrico (CRM- DF 14480, RQE 7746 e RQE 9984)

Em tempo: 01/05/2019

OBS: Quer saber como passei na prova de título de Nutrologia em Dezembro de 2017? Acesse meu site: www.provadetitulodenutrologia.com.br 

Lá você encontrar meu e-book no qual ensino toda a metodologia que utilizei para ser aprovado em terceiro lugar com 74,7% da prova. Além do material que utilizei para ser aprovado.

NOSSOS MATERIAIS

Nossos materiais disponíveis para venda são:

E-book : Tô na nutro e agora ? Valor: R$ 2.570,00. 
E-book: Metodologia de estudo para a prova de título de Nutrologia 2020. R$ 2500,00.
Interessados: WhatsApp: (62) 98330-8383

Eu, Frederico Lobo, não vendo mais os materiais preparatórios para a prova. Mas cedi o material pra minha amiga Amanda Weberling e ela reformulou todo o conteúdo. Os interessados: tratar via e-mail menutrologia@gmail.com 

Combo de Flashcards + questões: Flashcards (400 resumos na forma de flashcard, alguns menemônicos) + Banco de questões que caíram em provas da ABRAN (questões que caíram nas provas de título de 2012, 2014, 2015, 2017, 2018 e 2019), questões da prova final do CNNUTRO e CNNEP, questões de concursos de Nutrologia. Totalizando 1200 questões.
R$ 5.500,00 à vista. 


E-book 1: Tô na Nutro e agora ?
Consiste em um guia (202 páginas) para você que decidiu começar a estudar Nutrologia, iniciar consultório de atendimento em Nutro e nos próximos anos prestar a prova de título de especialista. É composto por: 
  1. Onde há residências e Estágios oficiais em Nutrologia no Brasil.
  2. Quais são os pré-requisitos para a prova de título, como funciona a prova de título de Nutrologia e como adquirir os pontos para alcançar os 35 pontos de currículo. Quais livros comprar, quais cursos fazer. Quais os melhores métodos de estudo baseado em evidências.
  3. Quais livros adquirir para aprender o beabá da Nutrologia.
  4. Quais cursos fazer para aprender os principais temas da Nutrologia e ter segurança para atuar no consultório.
  5. Como foi a minha caminhada até chegar na Nutrologia e as dificuldades que encontrei até formar uma carteira de pacientes.
  6. Começou consultório: Plano de saúde x Particular? Pessoa física x Pessoa jurídica? Reembolso.  Preço x Valor. Agregando valor à consulta.
  7. Dicas de como criar um ambulatório de Nutrologia no SUS da sua cidade. Um projeto em .doc todo detalhado, pronto para você utilizar.
  8. Quais as melhores técnicas de estudo para aprender Nutrologia para o dia-a-dia e estudar para a prova de título.
  9. Como encantar o paciente desde o pré-consulta ao pós-consulta, dentro da ética e sem ser apelativo. 
  10. O que fazer na prática clínica: dentro da ética médica e da legalidade.
  11. O que não fazer na prática clínica: pois fera a ética médica e código penal.
  12. Dicas de como empreender em redes sociais, de forma ética e eficaz. Como funciona o algoritmo do facebook e do instagram.
  13. Reputação em redes sociais, número de seguidores e métricas da vaidade. Por que número de seguidores não tem importância e não faz conversão em pacientes no consultório.
  14. Como organizar postagens em Instagram, Facebook, Sites. Quais cursos fazer para aprender mais sobre mídias digitais e empreendedorismo digital. Uma tabela em excel que vai organizar completamente a sua vida digital.
  15. Como encontrar um Nutricionista da sua confiança para que ele possa acompanhar quinzenalmente os seus pacientes. Como elaborar um encaminhamento completo, de fácil compreensão para o Nutricionista. Um modelo prático, simples e rápido de ser preenchido, sem que nada passe desapercebido e o Nutricionista da sua confiança possa fazer um plano com todos os itens que você como médico julga necessário.
  16. Como encontrar o seu nicho de pacientes e ser feliz na medicina.
  17. Como é o meu prontuário de Obesidade/Sobrepeso, além de uma prática e rápida para atendimento de obesidade e sobrepeso ( a que utilizo no ambulatório do SUS).
  18. Como é o meu prontuário eletrônico.
  19. Recordatório alimentar funcional de 7 dias, por mim criado, baseado em estratégias da Nutrição comportamental.
  20. Como fazer um exame físico praticamente completo em menos de 15 minutos.
  21. Orientações pré-consulta por mim criadas, com a finalidade de agilizar o seu atendimento mas sem perder a qualidade.
  22. Roteiro para a solicitação de exames de forma racional e assim evitar conflito com os planos de saúde.
  23. Uma série de 10 lâminas nutrológicas educativas para facilitar a compreensão e adesão do paciente no tratamento da obesidade.
  24. Orientações de preparo pré-bioimpedância.
  25. Link para download do Manual de Publicidade Médica, Manual de Prescrição Médica.
  26. Brinde 1: Acesso a um grupo secreto no facebook chamado Nutrologia Brasil (criado em 2014). No qual praticamente postamos notícias, guidelines e artigos em Nutrologia. É preciso ter facebook e me adicionar: Lobo Fred.
  27. Brinde 2: Acesso ao grupo secreto do Telegram chamado Nutrobooks no qual postamos livros e artigos da área. É preciso ter telegram e me adicionar.
  28. Brinde 3: Acesso ao grupo secreto do Telegram focado em Empreendedorismo digital em Nutrologia, no qual uma vez por semana envio materiais sobre o tema.
  29. Brinde 4: Cronograma de estudos utilizado por mim  para ser aprovado em 3º lugar com 74,7%. 
  30. OBS 1: O e-book consiste em um arquivo em PDF, com 202 páginas, com senha criptografada e intransferível. Na sendo permitido impressão dos arquivos. Ele é enviado via e-mail com a senha e em outros e-mails os arquivos anexos. São 13 arquivos anexos.

Att

Dr. Frederico Lobo










Depoimento da Dra. Laura Bernardes, que comprou o material preparatório para a prova de título e o e-book: Tô na nutro e agora.


Depoimento do Dr. Jhones Carneiro que comprou o material preparatório para a prova de título e o e-book: Tô na nutro e agora. Aluno da mentoria preparatória de 2020.


Depoimento da Dra. Juliane Arndt que comprou o material preparatório para a prova de título e o e-book: Tô na nutro e agora e o e-book: Metodologia de estudo para a prova de título. Aluna da mentoria preparatória de 2020.

Depoimento do Dr. Bruno de Andrade, sobre o banco de questões e Flashcards. Médico Nutrólogo aprovado na prova de título de 2017. 

Depoimento da Dra. Amanda Weberling, sobre o banco de questões e Flashcards. Médica Nutróloga com Residência pela USP. Aluna da Mentoria de 2018 e aprovada na prova de título de 2018. 



Depoimento de profissionais que compraram ou tiveram acesso ao e-book: Tô na Nutro e agora





E-book 2: Metodologia de estudo para a prova de título de Nutrologia de 2020: o que você vai aprender

  1. Como é o edital da prova de título de Nutrologia, quais os pré-requisitos
  2. Quais livros adquirir e ler por completo, para se preparar para a prova de título de Nutrologia
  3. Quais cursos fazer para se preparar melhor para a prova de título de Nutrologia
  4. Onde há residência e estágios em Nutrologia no Brasil, para que você consiga ter os pré-requisitos para prestar a prova de título de Nutrologia
  5. Como montar um cronograma no qual ao longo de 9 meses você estude toda a matéria do edital e ainda revise por 1 mês
  6. Quais as melhores técnicas de estudo, para fixar melhor a densa matéria de Nutrologia e assim se preparar para a prova de título de Nutrologia de 2020.
  7. Quais guidelines e consensos você deve baixar na internet, pois tem chances de cair na prova de título de Nutrologia de 2020.
  8. Meu cronograma de estudo que utilizei para passar na prova. Quais os quase 200 sub-temas que podem cair na prova de título.
Valor: R$ 2500,00.

att

Dr. Frederico Lobo - Médico nutrólogo aprovado na prova de titulo de Dezembro de 2017
Dra. Amanda Weberling  - Médica nutróloga aprovada na prova de titulo de Novembro de 2018


DICAS PARA QUEM ESTÁ SE PREPARANDO PARA A PROVA DE TÍTULO DE NUTROLOGIA

  • ESTUDEM !
  • ESTUDEM!
  • ESTUDEM!!
  • Em 07/03/2020 saiu o resultado da prova de título de 2019. Não sei ao certo quantos prestaram a prova, mas 93% dos que fizeram o MENUTRO passaram. Apenas 2 mentorandos não passaram. O número de aprovados praticamente quadruplicou. 
  • Parabéns aos aprovados.



2018
  • Dia 15/02/2019 saiu o resultado da prova de título de Nutrologia de 2018. Dos 124 que prestaram, somente 24 foram aprovados. Desses 24 novos titulados, 6 adquiriram o nosso material preparatório (pacote 1), participaram do grupo de estudos no whatsApp e no grupo do facebook.  Ficamos bem feliz com isso.  
  • Os 6 aprovados estudaram bastante e com certeza serão excelentes Nutrólogos. A Nutrologia precisa de profissionais éticos e que lutem pela valorização da especialidade. É sempre bom ver novos rostos entrando para a especialidade. Parabéns a todos.



quinta-feira, 30 de março de 2017

Gases intestinais por Dr. Mauricio Bravim

Todos nós produzimos gases intestinais e eles precisam ser eliminados. A quantidade produzida varia de pessoa para pessoa e existe uma quantidade que podemos classificar como "normal", aquela que não causa desconforto ou não gera nenhum tipo de problema ao paciente.

Os gases que encontramos nos órgãos do sistema digestivo – esôfago, estômago, intestino delgado e grosso – chegam até eles de duas formas:


  1.  Quando engolimos ar (aerofagia); 
  2. Quando ingerimos alimentos que são fermentados pelas bactérias da microbiota intestinal. 


O que é aerofagia?

O ato de engolir ar é conhecido como aerofagia e é uma das principais causas do acúmulo de gases no estômago. É normal engolirmos certa quantidade de ar quando ingerimos alimentos. Os alimentos podem ser sólidos ou líquidos, principalmente quando comemos ou bebemos muito rápido, conversamos enquanto nos alimentamos, mascamos chicletes, fumamos e quando aparelhos ortodôntico ou dentaduras não estão devidamente encaixados na arcada dentária.

Eructar (arrotar) é uma das formas mais comuns de eliminar os gases estomacais. O gás que não é eliminado por meio do arroto vai para o intestino delgado onde é parcialmente absorvido. O restante se dirige para o intestino grosso para ser liberado na forma de flatus, por meio do reto.

Como os gases são produzidos no nosso organismo?

Os gases são produzidos quando o alimento é digerido naturalmente por bactérias que colonizam o intestino grosso. Essas bactérias atuam sobre carboidratos como açúcares, amido, celulose e fibras que podem ser encontradas em muitos alimentos.

Qual é a quantidade que produzimos desses gases?

A quantidade e tipo de gás produzido depende das bactérias que podem ser encontradas no intestino grosso. Há uma seleção exclusiva de bactérias para cada indivíduo. Um tipo de alimento pode servir como substrato para produção de gases em um certo indivíduo e em outro não.

Quais são os sintomas mais comuns provocados pelo excesso de gases?
Eructação, náuseas, borborigmo (ruídos pelo deslocamento dos gases), flatulência e inchaço abdominal.

Quais são os principais gases que produzimos?

Hidrogênio, metano, dióxido de carbono, oxigênio e nitrogênio.

Quais os alimentos que mais provocam gases?

A maioria dos alimentos que contém carboidratos. Gorduras e proteínas produzem poucos gases, mas algumas proteínas podem intensificar o seu odor.

Quais os carboidratos são responsáveis pela produção de gases?

●Rafinose – o feijão e a vagem contêm grande quantidade desse carboidrato. Ele está presente em menor quantidade no repolho, couve, brócolis, aspargos, outros vegetais e alguns grãos.

●Lactose – é o carboidrato encontrado no leite e em seus derivados – queijo, sorvete, iogurte e molhos para salada. Muitas pessoas, principalmente os afrodescendentes e asiáticos, produzem menos lactase, enzima responsável pela digestão da lactose. Quanto mais velha a pessoa, a produção de lactase em seu organismo diminui progressivamente.

●Frutose – esse carboidrato está presente diversas frutas, cebola, alcachofra e vários outros legumes. A frutose é também usada para adoçar refrescos e sucos de fruta.

●Sorbitol – esse carboidrato pode ser encontrado nas frutas (maçã, pera, pêssego, uva e ameixa). É também usado como adoçante artificial em doces e chicletes sem açúcar.

●Amidos - incluindo a batata, cereais, macarrão e trigo produzem gases. O arroz é um único alimento rico em amido que não favorece a produção de gases.

●Fibras - As fibras são ricas em carboidratos e não são digeridos pelo intestino delgado e isso faz com que cheguem ao cólon (intestino grosso) praticamente intactas. No cólon, bactérias fermentam estas fibras, provocando o aumento de gases.

Quais as diferenças entre fibra solúvel e insolúvel?

A fibra solúvel se dissolve em água e se transforma em uma espécie de gel. Ela pode ser encontrada no farelo da aveia, cevada, nozes, grãos como ervilha e na grande maioria das frutas.

Metilcelulose é uma fibra semissintética. Ela é solúvel e também forma um gel, porém não fermenta. O gel absorve líquido e adiciona volume (massa) às fezes.

Já a celulose é um exemplo de fibra insolúvel e pode ser encontrada em legumes, sementes e grãos, na raiz de alguns vegetais, farelo de trigo e milho.

Quais são os problemas causados pela ingestão inadequada de fibras?

A solubilidade e a fermentação de cada tipo de fibra influenciam em sua ação no nosso aparelho digestivo. Uma proporção adequada entre fibras solúveis e insolúveis pode diminuir os efeitos colaterais e ajudar no funcionamento intestinal. O aumento súbito da ingestão de fibras pode causar sintomas gastrointestinais. Esta ocorrência de sintomas varia de acordo com a quantidade ingerida de fibras, da microbiota intestinal do indivíduo e pelo tipo de fibra. Por isso, frente a necessidade de suplementos de fibras, o médico pode indicar diferentes tipos de produtos.

Qual é o tratamento mais indicado?

Para controlar o desconforto causado pelo excesso de gases é preciso que o paciente evite a aerofagia, mude sua dieta e tome medicamentos. O paciente também deve evitar carboidratos e vegetais que fermentam, como por exemplo, feijão, vagem, brócolis, repolho, couve e alguns açúcares como sorbitol que pode ser encontrado nos chicletes, em doces e alguns sucos industrializados. Aqueles que são intolerantes à lactose devem evitar leite e seus derivados ou utilizar a lactase.

O que acontece quando ingerimos bebidas com álcool?

O álcool pode alterar o odor dos gases produzidos.

Qual melhor abordagem para o controle dos gases intestinais?

Tente manter uma dieta saudável e identifique os alimentos que podem lhe causar sintomas por aumento da produção de gases ou que afete o odor dos gases. Testes respiratórios para intolerância à carboidratos ajudam na definição da dieta, evitando restrições desnecessárias. A dieta indicada é sempre individualizada, pois depende de quanto este ou aquele alimento interfere na produção de gases.

A presença de disbiose (alteração da microflora intestinal) pode ser diagnosticada também pelo teste respiratório e indicar o controle deste supercrescimento bacteriano no intestino delgado, quando houver algum distúrbio.

Atividade física facilita a eliminação de gases, evitando a retenção.

Existem medicamentos que podem ajudar a diminuir os sintomas. Enzimas que ajudam na digestão, como a lactase, quebra a lactose e permite o consumo de leite e seus derivados.

Dimeticona ajuda a romper bolhas de gás que estão no estômago e assim elas podem ser expelidas através da eructação. Este medicamento não atua nos gases intestinais.

Qual a ação da lactase (Lactosil®) sobre a lactose?

Se acrescentarmos a lactase(Lactosil®) ao leite antes de beber ou se a tomarmos imediatamente antes de comer, diminuiremos muito a possibilidade de sintomas desencadeados por estes produtos lácteos.

Qual o tratamento recomendado para pacientes com problemas crônicos?

Evitar chicletes, especialmente dietéticos, cigarro, comer devagar e checar com seu dentista próteses ou aparelhos mal ajustados.

Atenção!!

Principais alimentos mais interferem no aumento dos gases:

●Feijão e vagem;

●Vegetais (alcachofra, aspargos, brócolis, repolho, couve, couve-flor, pepino, pimentão, cebola, rabanete, aipo cenoura);

●Grãos, sementes e farelos de cereais devem ser consumidos de forma moderada;

●Bebidas com gás podem ser consumidas após ficaram abertas por horas para reduzir a quantidade de gás carbônico;

●Leite e seus derivados, exceto com o uso de lactase (Lactosil®);

●Alimentos que contém sorbitol, como alimentos dietéticos, doces e chicletes;

●Vinho e cerveja.

Quais alimentos principais responsáveis pela formação de odor?

Álcool, aspargos, feijão, vagem, repolho, couve, frango, café, pepino, ovo, peixe, alho, nozes, cebola, ameixa, rabanete e alimentos defumados.

Quais alimentos interferem menos na produção de gases?

Carne, aves, peixe, ovos, vegetais (alface, tomate, abobrinha, quiabo), algumas frutas (uva, cereja, banana, mamão), pão sem glúten e arroz.

Atenção!!

Cada organismo reage de maneira distinta em diferentes indivíduos, ou seja, não existe um padrão, mas seu médico pode ajudá-lo. Siga as orientações prescritas. O sucesso depende de você.

www.clinicacemad.com.br

segunda-feira, 27 de março de 2017

Posicionamento oficial da Associação Brasileira de Nutrologia sobre óleo de coco

Obtido a partir da polpa do coco fresco maduro (espécie Cocos nucifera L.), o óleo de coco é composto por ácidos graxos saturados (mais de 80%) e ácidos graxos insaturados (oléico e linoléico). Os ácidos graxos saturados caprílico, láurico e mirístico possuem entre 6 e 12 átomos de carbono e por isso são chamados de ácidos graxos de cadeia média. Os demais ácidos graxos saturados são capróico, cáprico, palmítico e esteárico. As gorduras láuricas, como o óleo de coco, são resistentes à oxidação não enzimática e, ao contrário de outros óleos e gorduras, apresentam temperatura de fusão baixa e bem definida. Em virtude de suas propriedades físicas e resistência à oxidação, o óleo de coco é muito empregado no preparo de gorduras especiais para confeitaria, sorvetes, margarinas e substitutos de manteiga de cacau [1, 2].

Considerando-se que o óleo de coco tem sido divulgado, especialmente na imprensa leiga, como integrante de uma dieta preventiva para doenças crônicas, como quadros neuro-degenerativos, obesidade e dislipidemia, bem como para outras funções tais como imunomodulação e tratamento antimicrobiano, a Associação Brasileira de Nutrologia considera que deve se posicionar sobre o assunto:

Quando o óleo de coco é comparado a óleos vegetais menos ricos em ácido graxo saturado, recente revisão mostrou que ele aumenta o colesterol total (particularmente o LDL-colesterol) o que contribui para um maior risco cardiovascular [3].

Tem sido reportado que o óleo de coco possui atividade antibacteriana, antifúngica, antiviral e imunomoduladora, porém tais estudos são predominantemente experimentais, notadamente in vitro, não havendo estudos clínicos demonstrando esse efeito. Assim, faltam ainda evidências suficientes para recomendar o óleo de coco como agente antimicrobiano ou imunomodulador [4].

Até o momento, não existem estudos clínicos que tenham abordado o efeito de óleo de coco na função cerebral de indivíduos saudáveis ou portadores de alteração cognitiva [5]. Enfatiza-se também que não existem evidências clínicas de que o óleo de coco possa proteger ou atenuar doenças neuro-degenerativas, como a doença de Alzheimer [6].

Um número muito pequeno de estudos, com resultados controversos, tem relatado os efeitos do óleo de coco sobre o peso corporal em seres humanos. Estudo observacional de populações de ilhas do Pacífico consumindo grandes quantidades de cocos revelou que os Tokelauanos, que consumiam quantidades mais elevadas de coco (63% de energia derivada do coco versus 34% na dieta de Pukapukan), eram mais pesados e tinham pregas de pele subescapulares maiores [7].

Em um ensaio controlado randomizado, 40 mulheres (20-40 anos) foram instruídas a consumir diariamente 30 mL de óleo de coco ou de soja (placebo) por 12 semanas. Os grupos também foram instruídos a caminhar por 50 minutos por dia e a seguir um padrão alimentar saudável, e ambos os grupos consumiram aproximadamente 10% menos calorias do que no início. Apenas o grupo de óleo de coco apresentou circunferência de cintura reduzida no final do estudo (redução de 1,4 cm) e uma tendência ao aumento de insulina circulante. Embora os autores tenham usado recordatório alimentar de 24 horas no início e no final do período de estudo, as quantidades exatas de óleo de coco consumido pelos indivíduos não foram precisadas [8]. Examinando pequena amostra (13 mulheres e 7 homens) com 24-51 anos e índice de massa corporal médio de 32,5 kg/m2, prévio estudo (sem grupo controle) mostrou que o consumo de óleo de coco virgem (30 mL/dia/4 semanas) foi associado a redução da circunferência da cintura (2,61 ± 2,17 cm) em indivíduos do sexo masculino [9]. Examinando o efeito na saciedade, pequeno estudo (n=18) mostrou que não existe efeito de uma refeição rica em ácidos graxos de óleo de coco sobre o apetite ou ingestão alimentar [10].

No geral, não existem evidências suficientes para concluir que o consumo de óleo de coco leva à redução de adiposidade.

Sendo assim, considerando-se inclusive a robusta associação entre consumo de ácidos graxos saturados e o risco de doenças cardiovasculares e a ausência de grandes estudos bem controlados relativos ao óleo de coco em humanos,

a ABRAN recomenda que:


  1. o óleo de coco não deve ser prescrito na prevenção ou no tratamento da obesidade;
  2. o óleo de coco não deve ser prescrito na prevenção ou no tratamento de doenças neuro-degenerativas;
  3. o óleo de coco não deve ser prescrito como nutriente antimicrobiano;
  4. o óleo de coco não deve ser prescrito como imunomodulador.

Associação Brasileira de Nutrologia

Referências:

[1] Martins JS, Santos JCO. Estudo comparativo das propriedades de óleo de coco obtido pelos processos industrial e artesanal. Blucher Chemistry Proceedings vol 3, 2015.

[2] Marina AM, Che Man YB, Nazimah SAH, Amin I. Chemical Properties of Virgin Coconut Oil. J Am Oil Chem Soc 86:301–7, 2009.

[3] Eyres L, Eyres MF, Chisholm A, Brown RC. Coconut oil consumption and cardiovascular risk factors in humans. Nutr Rev 74(4):267-80, 2016

[4] DebMandal M, Mandal S. Coconut (Cocos nucifera L.: Arecaceae): in health promotion and disease prevention. Asian Pac J Trop Med 4(3):241-7, 2011.

[5] Lockyer, S, Stanner S. Coconut oil–a nutty idea?. Nutrition Bulletin, 41(1), 42-54, 2016

[6] Fernando WMADB, Martins IJ, Goozee KG, Brennan CS, Jayasena V, Martins RN. The role of dietary coconut for the prevention and treatment of Alzheimer’s disease: potential mechanisms of action. Br J Nutr, 114(1), 1-14, 2015.

[7] Prior IA, Davidson F, Salmond CE, Czochanska Z. Cholesterol, coconuts, and diet on Polynesian atolls: a natural experiment: the Pukapuka and Tokelau island studies. Am J Clin Nutr, 34(8), 1552-61, 1981.

[8] Assunção ML, Ferreira HS, Santos EAF, Cabral Jr R, Florêncio MMT. Effects of dietary coconut oil on the biochemical and anthropometric profiles of women presenting abdominal obesity. Lipids, 44:593–601, 2009

[9] Liau KM, Lee YY, Chen CK, Rasool AHG. An open-label pilot study to assess the efficacy and safety of virgin coconut oil in reducing visceral adiposity. ISRN Pharmacology, doi:10.5402/2011/949686, 2011.

[10] Poppitt SD, Strik CM, MacGibbon AKH, McArdle BH, Budgett SC, McGill AT. Fatty acid chain length, postprandial satiety and food intake in lean men. Physiol Behav, 101:161–7, 2010.

Fonte: http://abran.org.br/sem-categoria/posicionamento-oficial-da-associacao-brasileira-de-nutrologia-respeito-da-prescricao-de-oleo-de-coco/

sábado, 11 de março de 2017

Orientação sobre sucos: dar ou não à criança? Por Dra. Kelly Marques

Uma palavra sobre os sucos:

Muitas mamães me perguntam em relação aos sucos: Dar ou não? A partir de que idade? Qual a quantidade? Fiz uma coletânea das recomendações de diretrizes nacionais e internacionais e artigos, tomei a liberdade de resumi-las aqui para vocês, e colocar as que considero mais relevantes e pertinentes. As referências estão ao final do post. Espero que ajude!

 Recomendações dos principais órgãos:

 Sociedade Brasileira de Pediatria – Brasil

  • Os sucos naturais devem ser evitados, mas se forem administrados que sejam dados no copo, de preferência após as refeições principais, e não em substituição a estas, em dose máxima de 100 mL/dia, com a finalidade de melhorar a absorção do ferro não heme presente nos alimentos como feijão e folhas verde-escuras.

 Academia Americana de Pediatria – EUA

  •  Sucos não oferecem benefícios nutricionais para crianças menores de 6 meses e não devem ser oferecidos para as mesmas. (Veja os posts sobre benefícios do aleitamento materno e introdução alimentar).
  • A fruta in natura deve ser oferecida em preferência ao suco. Sucos não oferecem nenhum benefício maior do que a fruta in natura para crianças maiores de 6 meses.
  • Suco de fruta 100% natural pode ser parte de uma dieta saudável quando consumido como parte de uma dieta balanceada. Sucos de fruta artificiais ou de “caixinha” não são equivalentes ao suco de fruta natural e não são recomendados.
  • Sucos não devem ser dados em mamadeiras, ou em recipientes de fácil transporte, de forma a estimular a sua ingesta ao longo do dia todo (o objetivo não é esse!)
  • Não oferecer sucos na hora de dormir.
  • Sucos não são apropriados para o tratamento de desidratação e diarreia.
  • Consumo excessivo de sucos pode estar associado com diarréia, flatulência, distensão abdominal e cárie dentária, além de subnutrição.
  • Sucos não pasteurizados podem conter bactérias (Escherichia coliSalmonella e Cryptosporidium), responsáveis por doenças.
  • A ingesta de suco deve ser limitada a 120 a 180ml por dia em crianças de 1 a 6 anos, e para crianças de 7 a 18 anos, de 200 a 350 ml, ou 2 copos por dia.
  • Em crianças consideradas malnutridas, com diarreia crônica, flatulência excessiva, dor abdominal e má digestão o pediatra deve avaliar a criança e determinar a quantidade de suco consumida.
  • cárie dentária pode estar diretamente relacionada com a quantidade de suco ingerida, sem os cuidados necessários.

 Health Canada – Canadá 

Não recomenda sucos no primeiro ano. Depois de 1 ano, orientam dar suco de forma limitada e não oferecer bebida adoçadas. Se a criança estiver com sede, ofereça água a ela.

 National Health and Medical Research Council – Austrália  

  • Sucos são desnecessários e não se recomenda para crianças menores de 1 ano de idade.
  • Bebidas adoçadas estão associadas com cáries dentárias.
  • Chás e outras bebidas não tem benefícios conhecidos para a criança e podem ser potencialmente perigosos.
 National Health Service (NHS) – Reino Unido
  •  Bebês abaixo de 6 meses não devem receber sucos de fruta.
  • Sucos de fruta diluídos (uma parte de suco para 10 partes de água) podem ser oferecidos à criança com as refeições após os 6 meses. Gente eu coloquei isso aqui, mas por favor, não entendam mal! Não é para dar suco diluído como forma de refeição ou porção de frutas, seria mais como uma “água com gostinho” com o objetivo de hidratar (quando for dar água pode ser dessa forma…).
  • Dica: dar água diluída com suco de fruta natural e frutas sempre in natura!
  • Sucos in natura podem ser dados após as refeições para reduzir o risco de cárie, em pequena quantidade.

 O problema do excesso de suco

  • Excesso de suco pode levar a anemia e malnutrição (com excesso de açúcares e falta de outros nutrientes, como proteínas, carboidratos e vitaminas). Nessa situação imagine aquele bebê que se adapta perfeitamente ao suco, e acaba ficando “preguiçoso” para mastigar e comer outro alimento sólido, substituindo suco pelas refeições do dia. Nesse caso, o bebê pode ter dificuldade de ganhar peso, e ter falta de vários nutrientes importantes.
  • O excesso de suco pode danificar o esmalte do dente, levando a cárie dentária, principalmente quando oferecida na mamadeira.
  • Excesso de suco pode provocar gases e diarréia.
  • O consumo de mais de 350ml de suco por dia está associado a baixa estatura e obesidade.
  • Sucos de fruta podem conter sorbitol e uma grande quantidade de frutose, que pode causar cólicas no bebê, pela produção de gases.
  • Os açúcares podem causar problemas futuros pois mais tardiamente as crianças tem dificuldade de reduzir o carboidrato da dieta, incluído esses açúcares.
  • Sucos têm alto índice glicêmico e crianças que ingerem grandes quantidades de suco tem risco de obesidade no futuro. É só pensarmos quantas laranjas precisamos para fazer 120ml de suco em média. Provavalmente 2 laranjas. E quantos bebês comeriam 2 laranjas inteiras assim, de uma vez?

 Minha opinião como pediatra…

Prefiro a fruta in natura. Porque? A fruta in natura proporciona uma experiência muito mais interessante da criança com o alimento, com diferentes sensações: cor, cheiro, paladar, textura. Os sucos perdem isso. Além disso, as fibras são perdidas no processo de produzir o suco, bem como as vitaminas.
O suco “enche” a criança, mas não necessariamente é mais nutritivo. A tendência ainda é usar mamadeira para dar o suco (apesar de o indicado serem os copinhos de transição ou mesmo copos adaptados para criança), o que pode levar ao desmame.
Enfim, ao invés de nos perguntarmos porque não dar o suco, a pergunta deveria ser: porque dá-los à criança? Existe alguma vantagem? Espero tê-los convencido…Ah! Nem preciso dizer que isso se refere aos sucos in natura ok? Os de caixinha nem pensar!

 Conclusões…

  •  A recomendação é que se dê suco para crianças acima de 1 ano, e ainda assim, numa quantidade limitada.
  • A ingesta de suco excessiva pode contribuir para o desmame, principalmente quando oferecida na mamadeira.
  • Quando oferecida na mamadeira, principalmente à noite, pode contribuir para o surgimento de cáries.
  • A água pode ser dada no copinho junto com suco natural diluído, como forma de hidratação e nunca como substituição da fruta in natura, na proporção de 1:10 (1 parte suco para 10 partes de água)
Tudo isso só sobre suco, quanta informação! Espero ter esclarecido bem esse assunto, que tem causado muita dúvida nas mamães.  Continuem mandando suas duvidas e experiências aqui no blog, obrigada pela participação de vocês!
Para seguir o blog e receber as novidades por email, basta clicar no botão “seguir” no site. Siga também no Facebook (ative o receber notificações, para receber aviso dos posts novos) e instagram (@pediatriadescomplicada).
 Um abraço,
 Dra. Kelly Oliveira
Referências bibliográficas:
The Use and Misuse of Fruit Juice in Pediatrics. Pediatrics 2001;107;1210. Committee on Nutrition. Disponível on-line em: http://pediatrics.aappublications.org/content/107/5/1210.full.html
photo credit: http://www.simplebites.net/wp-content/uploads/2012/09/Clara-peach.jpg

É Assim Que Se Aprende Endocrinologia! por Dr. Rafael Reinehr

Como se forma um endocrinologista?

Quando você vai ao Endocrinologista, e ele solicita alguns exames, estabelece um diagnóstico e lhe sugere um tratamento, por trás dele existem 10 anos de estudo e aperfeiçoamento (6 anos na Faculdade de Medicina, 2 anos na residência de Medicina Interna e 2 anos na residência de Endocrinologia e Metabologia). Somente os estágios de residência (4 anos), exigem cerca de 11.500 horas de dedicação entre atendimentos ambulatoriais, pacientes internados, realização de procedimentos, rounds de discussão de pacientes e casos clínicos, estudos e plantões, muitos plantões!

Além disso, é importante lembrar que  para fazer Medicina, é necessário um concurso público. Para fazer Medicina Interna, mais um concurso público, com funil bem mais apertado. E para fazer Endocrinologia ainda mais um concurso público, com pouquíssimas vagas, onde somente os melhores entram.

Somente quem realiza residência médica em Endocrinologia e Metabologia ou é aprovado em uma prova anual de proficiência em Endocrinologia que tem direito ao RQE – Registro de Especialista, um número que deve estar presente em toda e qualquer publicidade e carimbo do médico. Fique atento(a)!

E um “nutriendocrinologista”?

Enquanto isso, vemos proliferar pelo Brasil uma onda de “cursos de formação” de “nutriendocrinologistas”, especialistas em “modulação hormonal”, criadores de síndromes inexistentes como “fadiga adrenal” e “hipotireoidismo com hormônios normais”, que são claramente atraídos pela existência de um público que está sempre em busca de algo novo e que não tem, necessariamente, a criatividade suficiente para se defender de pessoas cuja maior preocupação é não a saúde das pessoas mas aquela do seu próprio bolso.

Estes cursos de formação, alguns deles “aprovados pelo MEC” (pois tem o número suficiente de doutores que o MEC exige, entre outros parâmetros), são criados para beneficiar em primeiro lugar aqueles que os ministram (já que são cobrados altos valores para garantir a participação) e muitas vezes são realizados à distância, com um encontro presencial mensal. Para entrar? Basta pagar. Nenhuma seleção pública.

No outro dia, vi uma postagem de uma profissional da saúde se vangloriando de ter concluído um destes cursos, realizado por um “proeminente” médico, conhecido por sua visão polêmica em assuntos como “óleo de côco”, colesterol, dieta do hCG, no qual ela havia realizado 360 horas e havia sido certificada como “nutriendocrinologista”, palavra que em verdade não significa NADA, pois não é área de atuação reconhecida nem pelo MEC, nem pelo CFM, nem pela SBEM nem por nenhuma entidade internacional médica ou de saúde.



Como ocorrem os desvios éticos?

O que acontece a seguir? O próximo passo é começar a alimentar seu blog e Instagram com conteúdos relacionados à Nutrição e Endocrinologia, exaltando a sua “pós-graduação realizada em tal instituto ou com Dr. X”. O leitor incauto não consegue facilmente discernir entre alguém que realmente conhece a fundo todos os meandros e implicações endocrinológicas e metodológicas (o Médico Endocrinologista) daquele formado em cursos de final de semana (o “nutriendocrinologista”). Como nos lembra o doutor em Psicologia Moral Jonathan Haidt, nosso cérebro tende a se afixar primariamente às aparências e depois busca justificativas racionais para aceitá-las, ao invés de primariamente buscar discernir com cuidado sobre aquilo que se apresenta perante aos nossos olhos.

Assim, fica um alerta: se você realmente se preocupa com a sua saúde, busque ir além da superficialidade da internet. Descubra se o médico com o qual você está se consultando realmente dedicou – e continua dedicando – boa parte da vida para bem cuidar de você.

Descubra se o médico é um especialista de verdade

Entre na página do Conselho de Medicina do seu Estado, coloque o nome do médico que você quer saber mais (ou o CRM dele) e descubra se ele tem registro de especialista – ou se ele está enganando você com falsas promessas.

Por exemplo, as páginas dos Conselhos Regionais de Medicina do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina são as seguintes:



Na figura abaixo:

“Isso é com que se parece aprender Endocrinologia”

“Assim a 17-alfa-hidroxilase age na progesterona que se torna 17-alfa-hidroxi-progesterona que pode ou receber a 21-hidroxilase para se tornar 11-desoxicortisol ou receber 17,20-liase para se tornar a androstenediona”

“Eu estou confuso”

“Oh, desculpe! É um pouco complicado no começo. Mas eu trouxe comigo este diagrama que vai ajudar!”



Uma excelente jornada em busca do seu médico de confiança!

Glossário:

RQE: O RQE nada mais é que o Registro de Qualificação de Especialista. Trata-se de uma certificação, criada pelo Conselho Federal de Medicina, que tem a função de deixar claro quando um profissional da saúde é especialista em alguma área. Após a criação do RQE, tornou-se vedado aos médicos a auto divulgação como especialista, ainda que tenham sido aprovados no Exame de Título de Especialista. O RQE é emitido pelo Conselho Regional de Medicina de cada Estado. Para os médicos, o RQE é essencial para transmitir aos pacientes mais segurança e credibilidade, pois através dele fica comprovada a sua capacidade de especialização em sua área, reconhecida pelo CRM. Para os pacientes: antes de se consultar com qualquer profissional de medicina que se denomine especialista, cheque se o mesmo possui RQE. Trata-se de uma maneira simples e eficaz de evitar fraudes e profissionais despreparados.

hCG: Gonadotrofina Coriônica Humana, utilizada sem embasamento científico adequado como auxiliar no processo de emagrecimento. Existem estudos demonstrando que seu uso pode ser deletério à saúde. Vide http://www.endocrino.org.br/media/uploads/PDFs/posicionamento_oficial_hcg_sbem_e_abeso.pdf

CFM: Conselho Federal de Medicina – Regulamenta o Exercício da Medicina no Brasil – http://portal.cfm.org.br

CRM: Conselho Regional de Medicina – todo Estado tem o seu, monitora e regulamenta a atividade dos médicos em nível estadual

MEC: Ministério da Educação e Cultura

SBEM: Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (http://endocrino.org.br) – Entidade Associativa que reúne médicos endocrinologistas de todo país, organiza eventos científicos e promove o esclarecimento da população quanto a assuntos relacionados à Endocrinologia e Metabologia e suas sub-especialidades.

domingo, 5 de março de 2017

“Ficou fácil culpar o glúten por todos os problemas do intestino”

Abaixo uma reportagem que a revista Saúde publicou. Há 5 anos venho falando a respeito disso. Desde 2012 percebi que vários dos pacientes que referiam ter sintomas quando ingeriam alimentos com glúten, não apresentavam reações ao consumir tabule (que leva trigo). Após esses anos, novos estudos sobre Sensibilidade Não-Celíaca ao Glúten (SNCG) foram surgindo e alguns autores começaram a postular que o problema talvez não seja o glúten em si.

A maioria dos pacientes que alegam ter SNCG referem sintomas geralmente quando ingerem farinha de trigo refinada, alguns com a integral. Isso nos leva a pensar que o problema possa estar durante o refino. Outro ponto interessante é: teoricamente a aveia não contém glúten, sendo que o glúten que pode ser encontrado nela, geralmente é por contaminação cruzada, já que ela é manipulada no mesmo maquinário em que o trigo. Na prática percebo que a grande maioria dos pacientes que referem ter SNCG nada apresentam quando ingerem aveia.

Vale a pena ler a reportagem. Acredito que novos estudos surgirão nesse área, na tentativa de eximir o glúten da fama de vilão.

att

Dr. Frederico Lobo
Médico - CRM-GO 13192

“Ficou fácil culpar o glúten por todos os problemas do intestino”

Na terceira e última entrevista de nossa série sobre o glúten, conversamos com o gastroenterologista Peter Gibson, professor da Universidade Monash, na Austrália. O pesquisador ficou conhecido ao publicar os primeiros experimentos sobre a existência da sensibilidade não celíaca ao glúten, nos anos de 2011 e 2013. Na entrevista, ele fala sobre a possibilidade de o problema não ser provocado pela proteína, mas por outras substâncias presentes no trigo.

A reportagem de capa da edição de fevereiro da revista SAÚDE é justamente sobre a polêmica que envolve a proteína presente em grãos como o trigo, o centeio e a cevada. Ela está disponível nas bancas de todo o país e em versão digital para compra e download no iba, na App Store e no Google Play.

Plantas como o trigo sofreram modificações genéticas que podem impactar a saúde humana?

As mais diferentes variedades de trigo foram desenvolvidas para suportar condições extremas, como a seca, e ainda assim promover aumento da produção. Isso levou a mudanças na composição do grão, como maiores quantidades de carboidrato, já que essa vantagem é utilizada pela própria planta para crescer diante de situações nada favoráveis. Além disso, o trigo com mais glúten faz um pão melhor. Logo, espécies com teores elevados dessa proteína foram privilegiadas na agricultura. Não se sabe, porém, se essa característica tem algum efeito na saúde do ser humano. As melhorias no plantio do trigo trouxeram grandes benefícios ao mundo, uma vez que ele é uma das maiores fontes de energia e nutrientes que temos. Mais do que isso, essas modificações contribuíram para melhorar a saúde das pessoas, pois ajudaram a combater a desnutrição.

A sensibilidade não celíaca pode estar relacionada a outros elementos além do glúten?

O trigo tem uma série de componentes e muitos deles estão relacionados à indução de sintomas. Ficou muito fácil culpar o glúten por todos os problemas do intestino. Carboidratos de difícil absorção, também presentes no trigo, podem desencadear a síndrome do intestino irritável. Mas há pessoas que são sensíveis ao glúten ou a outras proteínas presentes no trigo. Sem contar que existe uma série de alergias relacionadas ao grão que também precisam ser consideradas.

Esse campo de pesquisa sobre a sensibilidade não celíaca ainda é muito recente? Ou já temos confirmações sobre seus mecanismos?

Nós estamos conduzindo quatro grandes estudos. Neles, recrutamos voluntários que responderam bem a uma dieta sem glúten e reintroduzimos a proteína na alimentação em metade do grupo. Nas quatro pesquisas, nós encontramos uma porção de indivíduos que desenvolveu sintomas por causa do glúten, mas, em outra parte, os incômodos não estavam relacionados ao componente em si. O que podemos concluir é que efeitos induzidos pelo glúten especificamente são bastante incomuns. Os trabalhos atuais levam a entender que cerca de 90% dos pacientes com alimentação sem glúten se sentem bem por outros motivos, e não pela exclusão da proteína em si.

Como diagnosticar a sensibilidade não celíaca?

A única maneira seria realizar estudos controlados, em que nem os voluntários, nem os cientistas, saibam quem está ingerindo a proteína e quem não está. Mesmo se tivéssemos essa possibilidade, os resultados são de difícil interpretação, especialmente quando a resposta do indivíduo está relacionada a um fator psicológico. Por enquanto, não sabemos como realizar o diagnóstico. Quando entendermos o mecanismo fisiológico do problema, nós conseguiremos detectar a sensibilidade com precisão.

As estatísticas dizem que 1% da população tem doença celíaca e 5% manifesta a sensibilidade não celíaca. Porém, um terço das pessoas diz querer retirar o glúten da rotina. Como interpretar esse conflito estatístico?

Nós ainda não sabemos quantas pessoas realmente têm a sensibilidade não celíaca. Conhecemos, porém, os 15% da população com síndrome do intestino irritável. Inclusive, uma grande proporção deles desenvolvem sintomas relacionados à ingestão de determinados alimentos, mas nunca procuraram o médico para saber o que está acontecendo. Reduzir a ingestão de trigo pode ajudar pelo menos 70% das pessoas que fazem parte deste grupo. Não por causa do glúten, mas porque eles deixarão de consumir um importante exemplar dos carboidratos de difícil digestão, conhecidos pela sigla FODMAPs.

Fonte: http://saude.abril.com.br/alimentacao/ficou-facil-culpar-o-gluten-por-todos-os-problemas-do-intestino/