sexta-feira, 31 de março de 2017

Quero ser nutrólogo, como proceder?


Definitivamente a Nutrologia se tornou a especialidade "da moda". Isso vem acontecendo já tem cerca de 8 anos. Muitos querem se intitular Nutrólogos mas não querem pagar o preço para utilizar o título.

Esse guia tem como objetivo sanar as dúvidas que recebo quase que diariamente via instagram, e-mails, facebook, canal no youtube. E se tem muita gente perguntando, é porque realmente a especialidade está em alta. 

As dúvidas mais comuns:
1) Onde cursar Nutrologia?
2) Fazer residência de clínica médica e depois de Nutrologia ou partir para pós-graduação?
3) Como é o mercado da Nutrologia?

Não responderei às perguntas na sequência acima, pois acho mais lógico explicar primeiro sobre a especialidade e posteriormente especificar o passo-a-passo da formação em Nutrologia. Portanto, leia o texto abaixo com atenção. Qualquer dúvida: doutorfredericolobo@gmail.com 

1) História de Nutrologia ( extraído de www.nutrologogoiania.com.br )

A Nutrologia pode ser definida como uma especialidade médica que estuda a fisiopatologia, o diagnóstico e tratamento das doenças nutricionais. Compreende-se por Doença Nutricional, qualquer patologia que tem como agente primário etiológico algum nutriente, seja ele excesso ou déficit.

O início da Nutrição médica ou Nutrologia Médica começou em 1932 com o médico Josué de Castro que estudou problemas relacionados a nutrição no Brasil, influenciado pelo Nutrólogo argentino Pedro Escudeiro (o pai da Nutrição médica na América Latina). Dr. Josué foi responsável pelo primeiro estudo de inquérito alimentar no Brasil. Foi criador do Serviço de Alimentação e Previdência Social (SAPS, 1940), da Comissão Nacional de Alimentação (CNA, 1945). Criou e dirigiu o Instituto de Nutrição da Universidade do Brasil por 10 anos. Foi diretor cientifico dos Arquivos Brasileiros. Um outro pioneiro na área de Nutrição médica no Brasil é o Prof. Dr. José Eduardo Dutra de Oliveira. Ele foi um dos responsáveis pelo reconhecimento da importância e da necessidade do ensino da Nutrição clínica no ensino médico e desde a década de 50 atua em nosso país. Em 1956 criou a divisão de Nutrologia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto (HCFMUSP-RP)

A Nutrologia apesar de parecer uma especialidade nova no Brasil, já tem mais de 45 anos, no Brasil sendo representada pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN). Uma associação médica que foi criada em 1973 no Rio de Janeiro pelos médicos Prof. Dr. José Evangelista (in memorian) e Dra. Clara Sambaquy Evangelista (in memorian). Porém só em 1978, a Nutrologia foi reconhecida como Especialidade Médica pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), pela Associação Médica Brasileira (AMB) e pelo Conselho Nacional de Residência Médica (CNRM). 

A Nutrologia acabou tendo uma forte ascensão no cenário médico nacional nos últimos 7 anos. Ascensão tão forte que a maioria dos que se intitulam Nutrólogos na verdade não são. Como dizia um outdoor aqui em Goiânia: “Especialize-se na especialidade do momento”. Até alguns anos era uma especialidade praticamente desconhecida pela população e até mesmo pelos médicos.  Com o aumento do interesse por temas relacionados à alimentação e doenças nutroneurometabólicas o interesse pela área cresceu de forma exponencial.

Hoje temos que lidar com um problema, que é a quantidade exorbitante de profissionais que se intitulam nutrólogos e na verdade não são. Médicos que apenas fizeram pós-graduações de Nutrologia ou nem isso. No Brasil a Especialidade relacionada à Nutrição médica é a Nutrologia. Porém há áreas de atuação dentro da Nutrologia. São elas:
  • Nutrição Parenteral e Enteral
  • Nutrição Parenteral e Enteral Pediátrica
  • Nutrologia Pediátrica
2) O que faz um nutrólogo ?

O Nutrólogo é o médico habilitado e capacitado para diagnosticar, acompanhar e tratar todas as doenças que sejam de cunho nutricional ou que a ingestão alimentar pode influenciar no prognóstico. Falou que é doença nutricional, o médico Nutrólogo está habilitado a tratar. 

A Nutrologia estuda, pesquisa e avalia os malefícios decorrentes da ingestão ou déficit de um determinado nutriente. Baseado nessa premissa, a Nutrologia aplica esse conhecimento para a avaliação de nossas necessidades orgânicas, visando a manutenção da saúde e redução de risco de doenças, assim como o tratamento das manifestações de deficiência ou excesso de nutrientes.

O acompanhamento do estado nutricional do paciente e a compreensão da fisiopatologia das doenças diretamente relacionadas com os nutrientes permitem ao médico Nutrólogo atuar no diagnóstico, prevenção e tratamento destas doenças, contribuindo na promoção de uma vida saudável, com melhor qualidade de vida. Nossa abrangência engloba:
  1. O diagnóstico e tratamento das doenças nutricionais (que incluem as doenças nutroneurometabólicas de alta prevalência nos dias de hoje como a obesidade, a hipertensão arterial e o diabetes mellitus), utilizando de todo um arsenal propedêutico (investigativo) e terapêutico: solicitação e avaliação de exames complementares, prescrição de medicações, vitaminas, minerais, ácidos graxos quando necessários.
  2. A identificação de possíveis “erros” alimentares, hábitos errôneos de vida ou estados orgânicos que estejam contribuindo para o quadro nutricional do paciente, já que as inter-relações entre nutrientes-nutrientes, nutrientes-medicamentos e de mecanismos regulatórios orgânicos são complexas, podendo levar ao padecimento do organismo.
  3. O esclarecimento ao paciente, de que existem doenças nutricionais, decorrentes de alterações nos nutrientes. Desde condições mais simples, como anemia ferropriva e carência de vitamina A, até condições mais complexas, como: obesidade, hipertensão arterial, diabetes mellitus, vários tipos de câncer, anorexia nervosa, osteoporose. 
  4. Elucidar para o paciente quais são as substâncias benéficas e maléficas presentes nos alimentos, de modo que ele mesmo saiba fazer as suas escolhas alimentares para viver mais e melhor.
  5. Tratamento de pacientes gravemente enfermos ou internados em hospitais, a fim de se combater a desnutrição principalmente intra-hospitalar.
3) Baseado nisso, em quais estabelecimentos um médico Nutrólogo poderia atuar? Em quais áreas poderia adentrar?

Para fins didáticos, prefiro subdividir a Nutrologia em Nutrologia clínica e Nutrologia Hospitalar.

O Nutrólogo que atua em Nutrologia clínica geralmente exerce suas atividades dentro de serviços ambulatoriais/consultório, atendendo situações que não necessitam de intervenção emergencial. Ex: médico Nutrólogo que trabalha com obesidade em ambulatório no sistema público ou em consultório privado. Eu sou um Nutrólogo clínico. 

Já a Nutrologia hospitalar, como o próprio nome diz, englobará atuações dentro do âmbito hospitalar. Ou seja, pacientes internados em enfermarias ou Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com risco nutricional. 

A Nutrologia hospitalar geralmente utiliza dentro do seu arsenal terapêutico, de fórmulas enterais (via sonda ou gastrostomia/jejunostomia) ou formulações parenterais (via endovenosa).

Dentre as áreas que o Nutrólogo pode atuar, além da hospitalar temos:
  • Nutroterapia no paciente cirúrgico (preparo pré-cirúrgico), pediátrica, geriátrica, esportiva,  oncológica,  materno-fetal, doenças hepáticas, doenças gastrintestinais,  doenças renais, doenças pulmonares, doenças cardíacas e vasculares, doenças neurológicas, doenças reumatológicas, doenças osteomusculares, doenças hematológicas, doenças alérgicas.
Ou seja, o Nutrólogo pode atuar em todas as áreas da medicina, já que existe uma interface entre a maioria das doenças e aspectos nutricionais.

4) Quais doenças e situações tratamos ?
  1. Pacientes saudáveis que deseja melhorar hábitos dietéticos e salutares de vida.
  2. Pacientes saudáveis que desejam realizar check up nutricional, para detecção de falta ou excesso de nutrientes.
  3. Pacientes críticos e internados em Centros de Terapia Intensiva (CTIs), necessitando de suporte nutricional para melhorar o prognóstico e evitar complicações (ex. sarcopenia) após a alta.
  4. Pacientes restritos ao leito hospitalar e que necessitam de suporte nutricional adequado para se evitar desnutrição intra-hospitalar.
  5. Pacientes que serão ou foram submetidos a cirurgias.
  6. Orientações nutrológicas para pacientes oncológicos (os mais diversos tipos de câncer).
  7. Pacientes que não conseguem ingerir comida por via oral (pela boca) e necessitam de sonda nasogástrica/nasoenteral ou por via endovenosa (na veia).
  8. Pacientes com gastrostomia ou jejunostomia.
  9. Magreza constitucional (baixo peso), em todas as fases da vida.
  10. Sobrepeso.
  11. Obesidade em todos os seus graus: em todas as fases da vida.
  12. Preparo pré-cirurgia bariátrica.
  13. Acompanhamento pós-cirurgia bariátrica.
  14. Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica (TCAP).
  15. Bulimia, Anorexia, Síndrome do Comer Noturno, Vigorexia, Ortorexia: aspectos nutrológicos. O acompanhamento psiquiátrico é indispensável
  16. Aspectos nutricionais da ansiedade, depressão, insônia (ou seja, o psiquiatra faz a parte dele e o nutrólogo busca déficits nutricionais ou intoxicação por substâncias que possam estar interferindo no agravamento da doença).
  17. Intolerância à glicose, Diabetes mellitus tipo 2  e tipo 1.
  18. Dislipidemias: hipercolesterolemia (aumento do colesterol) e hipertrigliceridemia (aumento do triglicérides).
  19. Síndrome metabólica: Obesidade acompanhada de hipertensão, aumento da circunferência abdominal ou dislipidemia.
  20. Esteatose hepática não-alcoólica (gordura no fígado).
  21. Alergias alimentares.
  22. Intolerâncias alimentares (lactose, frutose, rafinose e sacarose).
  23. Anemias carenciais (por falta de ferro, de vitamina B12, de ácido fólico, cobre, zinco, complexo B, vitamina A).
  24. Pacientes vegetarianos, veganos, ovolactovegetarianos, crudivoristas.
  25. Constipação intestinal (intestino preso).
  26. Diarreia aguda ou crônica.
  27. Síndrome do Intestino Curto.
  28. Dispepsias correlacionadas à ingestão de alimentos específicos (má digestão).
  29. Alterações da Permeabilidade intestinal (leaky Gut), Disbiose intestinal.
  30. Síndrome de Supercrescimento bacteriano do intestino delgado (SIBO).
  31. Síndrome do intestino irritável.
  32. Orientações nutrológicas em Doença de Crohn e Retocolite ulcerativa.
  33. Aspectos nutrológicos da Fibromialgia.
  34. Pacientes portadores de Fadiga.
  35. Acompanhamento nutrológico pré-gestacional e gestacional (preparo pré-gravidez e pós-gravidez para retornar ao peso anterior e fazer suplementações necessárias).
  36. Infertilidade (aspectos nutrológicos).
  37. Orientações nutrológicas para cardiopatas (Insuficiência coronariana, Insuficiência cardíaca, Arritmias, Valvulopatias, Hipertensão arterial).
  38. Orientações nutrológicas para pneumopatas (Enfisema, Asma, Fibrose cística).
  39. Orientações nutrológicas em Hiperuricemia (aumento do ácido úrico), Gota.
  40. Orientações nutrológicas em Transtorno de déficit de atenção com hiperatividade.
  41. Orientações nutrológicas e tratamento de pacientes com sarcopenia (baixa quantidade patológica de músculo).
  42. Orientações nutrológicas e tratamento de pacientes com osteoporose ou osteopenia.
  43. Orientações nutrológicas para portadores de doenças autoimunes (artrite reumatóide, lúpus, Hipotireoidismo/tireoidite de hashimoto, psoríase, vitiligo, doença celíaca).
  44. Orientações nutrológicas em portadores de HIV em tratamento com antirretrovirais.
  45. Orientações nutrológicas para hepatopatas (Varizes esofagianas, Hipertensão portal, insuficiência hepática, Ascite, cirrose hepática).
  46. Orientações nutrológicas para nefropatas (Insuficiência renal aguda, insuficiência renal crônica, glomerulonefrites, litíase renal, gota e hiperuricemia assintomática).
  47. Atletas
5) Por que a especialidade está em alta e há tantos Nutrólogos ?

Primeiramente deixo a imagem abaixo, para frisar QUEM pode se considerar Nutrólogo. Pois a grande maioria dos que se intitulam, na verdade não o são e propaganda enganosa configura crime!

Sim, publicidade enganosa é crime de acordo com o Código de Defesa do Consumidor, sujeitando o médico a uma pena de detenção de 3 meses a 1 ano e multa. Incorre na mesma pena o agenciador da propaganda enganosa, ou seja, o dono da clínica que é conivente com a propaganda enganosa.

A propaganda é enganosa quando induz o consumidor (nesse caso o paciente) ao erro, ou seja, quando apresenta um produto ou serviço com qualidades que não possui (nesse caso, o título de especialista). Quando o médico usurpa de outro um título que não possui, ele está cometendo crime.  Além da responsabilidade penal, o Código impõe ainda uma responsabilidade civil aos veiculadores de propaganda enganosa.

Não preciso nem deixar claro que se é crime, consta como infração ética perante o Conselho Federal de Medicina. Muitos dos processos éticos profissionais que correm em sigilo nos conselhos regionais são relacionados a essa propaganda enganosa. Médicos se intitulando Nutrólogo quando na verdade não são.


Caso recentemente divulgado pela mídia: https://www.agazeta.com.br/es/gv/medicos-que-se-passavam-por-especialistas-sao-denunciados-pelo-mpes-0219

Mas e aí, se eu fiz pós-graduação em Nutrologia eu não posso divulgar? Não, de acordo com o código de ética médica não, pois induz o paciente ao erro. O médico devidamente registrado no Conselho Regional de Medicina (CRM) da jurisdição na qual atua está apto a exercer a profissão em toda sua plenitude, sendo impedido apenas de anunciar especialidade sem o registro do respectivo título no CRM.

Mas porque a especialidade está tão em alta nos últimos anos?  Há muitos nutrólogos?

Por volta de 2008 a especialidade começou a sua ascensão e em 2013 entrou verdadeiramente em alta. Tendo poucos profissionais atendendo por planos de saúde.

A grande maioria dos que se intitulam nutrólogos, na verdade não o são. Segundo o site do Conselho Federal de Medicina, somos 1047 Nutrólogos ativos e registrados no Brasil: https://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_medicos&Itemid=59#buscaMedicos


Se há poucos nutrólogos atendendo por planos, poucos atendendo no SUS, é porque a maioria está atendendo somente particular. E se uma boa parcela está só no particular, poderia se inferir que é porque há público procurando, correto? Em partes sim. Talvez isso responda um dos motivos da alta.

A consulta nutrológica demanda tempo, dedicação e o valor que os planos pagam é muito baixo. No SUS há poucas cidade que possuem serviço de Nutrologia, pois preferem contratar Nutricionistas. Quando na verdade deveriam contratar os dois.

Muitos dizem que desde 2008 com o surgimento de algumas redes sociais, a Nutrologia tornou-se uma das especialidades médicas da moda. Talvez porque há alguns anos era menos difícil passar na prova de título de especialista. As razões pela especialidade estar "em voga" são inúmeras:
  1. A sociedade busca cada vez mais saúde, bem-estar, longevidade e estética. As pessoas se preocupam cada vez mais com o que ingerem, como ingerem e o que o corpo faz com o que foi ingerido.
  2. Aumento  estrondoso do número de pesquisas/estudos correlacionando a influência de hábitos alimentares sobre centenas de doenças. O que potencializa o item 1.
  3. A influência da nutroterapia no desfecho de inúmeras doenças. O que também potencializa o item 1.
  4. Médicos cansando de suas especialidades originais e querendo atuar em uma área diferente e mais dinâmica. 
  5. A crença de que é uma área altamente rentável, já que trata de Obesidade e Ganho de massa (hipertrofia), ou seja, envolve estética e esse mercado gera bilhões em todo o planeta. 
  6. Como até pouco tempo atrás era relativamente fácil ter autorização para prestar a prova de título (e com isso garantir um título), médicos sem especialidade ou recém-formados viam na Nutrologia uma alternativa para ter um título de especialista. Isso agora acabou desde que a Associação Médica Brasileira estabeleceu critérios mais rígidos como pré-requisitos para a prova de título. Além do alto grau de dificuldade da Prova de título elaborada pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).
  7. É uma área que se inter-relaciona com diversas áreas da medicina e outras profissões da área da saúde, em especial Educação física, Nutrição, Psicologia. 
6) Quero ser Nutrólogo, como fazer?

Cursar Medicina e AMAR BIOQUÍMICA. Não existe faculdade de Nutrologia. A Nutrologia é uma especialidade médica. Logo, só médicos podem fazer residência de Nutrologia ou pós-graduação. Pode parecer bobo ter que explicar isso, mas inúmeras pessoas já me perguntaram se para ser Nutrólogo tem que fazer Medicina. E se você não gosta de bioquímica, esqueça, você nunca aprenderá Nutrologia e muito menos gostará da área. Portanto, se você não curte vias metabólicas, metabolismo de macro e micronutrientes, e não entende o mínimo de endocrinologia, desculpa mas a Nutrologia não é para você. Estou cansado de conviver com Nutrólogos péssimos e que o problema base é o fato de não entender o ciclo básico, ou seja, bioquímica. "Ah Dr, mas eu gosto de alimentação, de atividade física". Não interessa, se não souber Bioquímica e BEM, será muito difícil você se tornar um bom Nutrólogo.

Estudantes de Medicina: modus operandis

Se você ja é estudante de medicina, a dica que te dou é: gradue-se e depois faça residência de Clínica Médica ou Clínica Cirúrgica e depois preste a prova de residência de Nutrologia. É o caminho mais difícil mas que te dará melhores garantias no futuro.

Todas as residências de Nutrologia no Brasil são coordenadas por excelentes profissionais. Eu mesmo, se pudesse voltar no tempo, teria feito residência de Clínica Médica e depois de Nutrologia. A diferença entre o Nutrólogo que fez residência e o que fez só pós e passou na prova de título é gritante. Por um simples motivo: não há escola melhor para se tornar Nutrólogo do que o Sistema Único de Saúde do Brasil. É ali que se bota a mão na massa, ali que você aprende a se virar com poucos recursos. Sem firulas de prescrição de suplementos ineficazes. Nutrologia é prática, variedade de doenças nutricionais. Se você não tem isso, mais uma vez te digo: esqueça Nutrologia.

Se não dá para fazer a residência, a segunda melhor opção são os estágios em serviços credenciados à ABRAN (listei todos logo abaixo). Todos são bons, coordenados por professores altamente capacitados. Além de terem a mesma carga horária da residência.

Médicos: modus operandis

Não adianta espernear, tentar burlar, fazer pós-graduação e colocar Nutrologia no carimbo. Seja adulto e reconheça que você tem apenas 3 opções:
1) Seguir o caminho tradicional, já citado acima, ou
2) Estágio supervisionado (ou especialização) em serviço reconhecido pela ABRAN;
3) Pós-graduação de Nutrologia (e hoje temos mais de 20 em todo o país).

É importante salientar que apenas a residência médica e o estágio reconhecido pela ABRAN dão direito a prestar a prova de título logo após o término. No caso do Estágio supervisionado faz-se necessário que o serviço seja reconhecido pela ABRAN, tenha a carga horária e tempo de duração exigidos pela AMB. Além disso o médico deverá ter pelo menos 2 anos de formado, que é o tempo mínimo de duração dos estágios.

No caso das pós-graduações, nenhuma delas dá direito a prestar a prova de título. É preciso ter no mínimo 4 anos de formado e 4 anos de atuação em Nutrologia. Ou seja, na melhor das hipóteses o médico só poderá prestar a prova de título 4 anos após terminar a pós-graduação.

Residência médica em Nutrologia no Brasil

Cursou 6 anos de medicina? Você terá que fazer 2 anos de residência de clínica médica ou cirúrgica e mais 2 anos de residência de Nutrologia. Nesse caso não precisa prestar a prova de título. Basta ir ao CRM e solicitar o seu Registro de qualificação de especialista (RQE) em nutrologia. Mas se quiser prestar a prova de título pode, pois preenche o pré-requisito.


Serviços de Especialização em Nutrologia (Estágios credenciados)

Você pode prestar a prova de título de Nutrologia se tiver no mínimo 2 anos de formado e tiver feito Estágio ou Especialização em Nutrologia com prazo de formação mínimo de 2 anos, sendo obrigatória carga horária anual de 2.880 horas (60h/semanais), distribuídas entre atendimento ambulatorial, atendimento em unidade de internação (hospitalar) e programa teórico.

SE comprovado isso, com declaração do chefe do serviço de nutrologia e diretor clínico, pode-se prestar a prova de título. No caso do estágio, segundo o edital o serviço tem que ser reconhecido pela ABRAN. No Brasil os únicos lugares que tem esse estágio são:

Pós-graduações em Nutrologia

Pós-graduação em Nutrologia tornou-se um mercado promissor, principalmente por se tratar de uma área com pouquíssimas vagas de residência. O que a maioria das pós-graduações não contam é que nenhuma delas (nem mesmo a da ABRAN) dá  ao médico o direito a prestar a prova de título.


REPITO: NENHUMA DAS PÓS-GRADUAÇÕES ABAIXO DÁ DIREITO A PRESTAR A PROVA DE TÍTULO, MUITO MENOS SE ANUNCIAR ESPECIALISTA. 

Na atualidade a ABRAN possui uma pós denominada de Curso Nacional de Nutrologia (CNNutro), que ocorre anualmente em São Paulo. Até 2016 a realização deste era obrigatória para quem desejava prestar a prova de título. Ou então ter feito a residência. A partir de 2017 o edital da prova de título teve uma mudança radical, Além disso a ABRAN tem o Curso Nacional de Enteral e Parenteral (CNNEP) e a Pós de Nutrologia Esportiva do professor Werutsky. Até 2019 o CNNUTRO pontuava 15 pontos para a prova de titulo e o CNNEP e a pós de Nutro esportiva 10 ponto cada.

Outras pós-graduações de Nutrologia que existem no Brasil mas como não fiz não posso opinar muito:
Repetindo: NENHUMA pós-graduação de Nutrologia dá direito a prestar a prova de título. Nem mesmo a da ABRAN. Os pré-requisitos para prestar a prova vão depender do edital daquele ano. Anualmente a AMB muda o edital e baseado no último edital (2019) somente pode prestar a prova de título quem: Fez a residência ou tenha 4 anos de formado e fez o estágio reconhecido ou atuou por 4 anos em algum serviço de Nutrologia ambulatorial/consultório ou hospitalar.

Atuação por 4 anos em serviço de Nutrologia

O médico que não fez a residência de Nutrologia ou o Estágio reconhecido, ele tem direito a prestar a prova de título, caso comprove o tempo de atuação em serviço de Nutrologia. Nesse caso, o médico deverá ter atuado em algum serviço de nutrologia que tenha atividade ambulatorial ou hospitalar, precisando receber uma declaração (de algum colega que o viu atuando durante os 4 anos). Mas isso pode mudar de acordo com o edital.

Serve atendimento em Equipe multidisciplinar de terapia Nutricional? Sim! Em UTI? Sim. Em ambulatório de Nutrologia no SUS? Sim. Em consultório particular de Nutrologia? Sim. Mas como dito acima, todos os anos o edital muda e a tendência é ficarem mais exigentes nos pré-requisitos.

7) Prova de título de Nutrologia (TEN) - Estou apto a prestar a prova de título, e agora?

Para saber se está apto, deverá consultar o edital do ano vigente, que geralmente sai 2 meses antes da prova. A ABRAN pode fazer a prova uma ou duas vezes ao ano.

As pontuações da prova de título se distribuem da seguinte maneira:
  • 65 pontos de prova e 35 pontos de currículo (2019). No edital de 2020 tivemos algumas mudanças: 
  • Prova escrita objetiva contendo 50 questões de multipla escolha (0,5 ponto cada questão) = 25 pontos
  • Prova escrita dissertativa contendo 10 questões e cada uma vale 1,5 ponto = 15 pontos
  • Prova oral contendo 3 questões e cada uma valendo 10 pontos = 30 pontos
  • Provas valem 70 pontos no total.
  • Curriculum 30 pontos.
  • Somando currículo + provas o candidato deve ter 70 pontos para ser aprovado. 
  • Os pré-requisitos para prestar:
  • 1 - Estar inscrito no CRM ha pelo menos 2 anos
  • 2 - Ter feito residência de Nutrologia ou
  • 3 - Ter feito treinamento em Nutrologia em serviço reconhecido pela ABRAN com duração de 2 anos ou,
  • 4 - Ter atuado em serviço de Nutrologia por pelo menos 4 anos. Sendo que deve-se comprovar por meio de declaração assinada pelo responsável pelo treinamento e reconhecida firma ou através de documento autenticado
  • Data: 10/10/2020 às 09h até as 19h no Hospital do Servidor Público Estadual
Para ser aprovado, o médico deverá ter pelo menos 70% dos 100 pontos. Ou seja, ir para a prova sem ao menos 35 pontos de currículo é pedir para não ser aprovado. O currículo inclui inúmeras atividades que geram pontuação. No edital de 2019 a residência Médica fornecia 35 pontos de currículo e os estágios supervisionados 30 pontos.

Por exemplo: ter feito CNNUTRO = 15 pontos, CNNEP 10 pontos. Ir ao congresso por 2 anos seguidos = 6 pontos. Mas como dito acima, todos os anos estão mudando. Minha dica é: o médico deve comparecer aos congressos ou jornadas da especialidade e preferencialmente produzir trabalhos científicos (artigos científicos, poster em congressos, artigos de livros de nutrologia, participação em mesas redondas da área) para obter mais pontos. Pois é difícil alguém que não tem 35 pontos de currículo passar na prova. Não é impossivel, eu não tinha, mas eu fechei a prova oral e fui bem na prova escrita, por isso passei. 

Ou seja, que lição tiramos disso: não basta apenas cursar o CNNUTRO, CNNEP, comprovar os 4 anos de atuação hospitalar e ambulatorial, é preciso vivenciar verdadeiramente a especialidade e o principal, lutar para que ela cresça de forma ética. É um caminho árduo. Principalmente para quem não quis fazer a residência ou algum estágio com 60h semanais. Por isso elaborei o e-book: Metodologia de estudos para a prova de título de Nutrologia, no qual explico como estudar para a prova de título, por onde estudar, meu cronograma de estudos. Nos últimos 10 anos a taxa de aprovação na prova de título tem girado em torno de 10 a 20%. Ou seja, 80% de reprovação.

Também elaborei um e-book chamado Tô na Nutro e agora, que é voltado para aqueles que já formaram e querem começar atender Nutrologia em consultório. Dou o caminho das pedras, explicando como foi o meu processo e inúmeras informações práticas para quem está com dificuldade para começar a atender. É muito difícil começar do nada, sem ter feito uma residência de Nutrologia.

Na verdade é difícil até mesmo para quem fez residência, já que quase todas as residências de Nutrologia no Brasil são voltadas para Nutrologia Hospitalar. Parte do estímulo para criação desse e-book veio dos meus amigos que fizeram residência de Nutro e não sabiam por onde começar.

Então ensino o beabá do consultório, redes sociais, marketing ético. Modéstia parte o e-book Tô na Nutro e agora é um sucesso de vendas e talvez o grande segredo do sucesso seja a mentoria gratuita que dou para quem compra. Acolho os compradores como afilhados. Prova disso são os inúmeros depoimentos em www.provadetitulodenutrologia.com.br 

Não tenho título, fiz pós-graduação e quero atuar como Nutrólogo, posso ?

Pode, porém é expressamente proibido divulgar. Ou seja, como já dito acima: não pode divulgar que fez pós-graduação, nem colocar Nutrologia no carimbo ou qualquer impresso. Caso infrinja essa recomendação pode ter problemas não só com o Conselho Regional de Medicina da sua localidade, mas também responder na esfera jurídica por propaganda enganosa. Porém há estratégias éticas para divulgar seu trabalho sem falar que fez pós ou que é Nutrólogo. Isso ensino no e-book: Tô na Nutro e agora?

8) Prós e contras de ser Nutrólogo

Por ser uma área que tem a ciência a seu favor (digo em investimentos de pesquisas científicas) é uma área ultra-dinâmica. Diariamente surgem novos estudos, ensaios clínicos. Algo que era verdade até o mês passado, pode deixar de ser.

Para quem gosta desse dinamismo, a especialidade é um prato cheio. Para quem não gosta dessa "incertezas" científica, pule fora, nutrologia não é pra você. No começo as incertezas doem, geram insegurança, com o tempo começamos a aprender a caminhar nesse terreno arenoso. 

É uma área que demanda muito conhecimento do ciclo básico da graduação em medicina, em especial bioquímica médica. Se você não gosta de bioquímica, vias metabólicas, hormônios, compreensão da fisiopatologia das doenças, pule fora, ainda dá tempo, pois nutrologia não é pra você.

Não adianta fazer algo só por interesse financeiro. Você pode até lucrar, mas o paciente consegue enxergar quem realmente ama o que faz e diferenciar daquele que faz por dinheiro. Os olhos dos verdadeiros amantes da Nutrologia brilham, quando precisam explicar Educação Nutricional e Medicina Nutricional para os pacientes. Fazer Nutrologia por falta de opção é a maior burrada que um médico pode fazer. E eu posso te garantir que vi dezenas de amigos e colegas se arrependendo de ter feito isso. De ter investido 20, 30, 50 mil em cursos e depois desistir da área. Não foi uma, duas, 10, 20 ou 30 vezes. Foram mais de 40 vezes que vi isso acontecendo. É triste e por isso falo: Só curse Nutrologia e invista se realmente gostar da área. Fazer por modismo pode ser uma péssima idéia e o tiro sair pela culatra.

Mas porque? Porque a Nutrologia é uma especialidade muito mal falada. Simples assim. Há bons e péssimos profissionais em todas as áreas, mas na Nutrologia, como a grande maioria faz apenas por modismo, acabam deturpando tudo que é ensinado pelos mestres da Nutrologia. Começam colocar como "conduta nutrológica" coisas do tipo: uso de anabolizantes para fins estéticos. Infusão de soros sendo que o trato digestivo está funcionante. Nada disso consta no roll de procedimentos nutrológicos. Com isso a Nutrologia fica mal falada, principalmente por outros médicos, que muitas vezes desconhecem a real Nutrologia, praticada baseada em evidências.

Logo, se você quer fazer Nutrologia e criar "condutas nutrológicas" rechaçadas pela Associação Brasileira de Nutrologia, saiba que você tem grandes chances de ter a imagem maculada perante outros médicos. Quer fazer? Faça direito. Não por modismos, não por dinheiro.

9) Será que a Nutrologia é para você?

Se você gosta de pacientes críticos, pode seguir a área de Nutrição Enteral e Parenteral, que é a área de Nutrologia Hospitalar. Ficando parte do seu cotidiano restrito ao ambiente hospitalar (em especial CTI, enfermaria). Mas se ficar em hospital não te agrada, você tem inúmeras áreas dentro da Nutrologia Clínica para atuar. A Nutrologia como citado acima, correlaciona-se com várias áreas, sendo assim é rara uma especialidade em que a Nutrologia não agregará algo. 

É Pediatra? A Nutrologia pediátrica pode te auxiliar muito. Caso você assimile o conceito de imprinting metabólico, pode contribuir para uma geração totalmente diferente das demais. E isso não fica restrito só à pediatria, obstetras também podem aprender muito com isso.

É endocrinologista? A nutrologia pode mudar totalmente sua atuação no tratamento da obesidade, diabetes, síndrome metabólica, transtornos alimentares, sarcopenia.

É cardiologista? A nutrologia pode te auxiliar a manejar melhores seus pacientes hipertensos, com síndrome metabólica ou portadores de insuficiência coronariana.

É nefrologista? A Nutrologia com certeza trará um melhor prognóstico para os seus pacientes nefropatas.

É infectologista? O suporte nutrológico pode mudar o curso de inúmeros processos infecciosos.

É geriatra? A nutrologia pode ajudar na prevenção e tratamento da osteoporose, sarcopenia, síndrome da fragilidade.

É oncologista? A nutrologia pode te auxiliar muito, melhorando a tolerância dos pacientes à quimioterapia e evitando a caquexia inerente ao processo neoplásico. 

Mas eu sou cirurgião, será que a nutrologia pode agregar conhecimento à minha atuação? Sim, já ouviu falar sobre imunonutrição? Nutrição enteral precoce? Menor tempo de jejum pré-operatório? Projeto ACERTO. Tudo isso é Nutrologia. E o melhor, tudo isso faz diferença na condução dos casos.

Ou seja, a nutrologia pode auxiliar a maioria das especialidades. 

A preocupação global das pessoas com a estética é uma faca de dois gumes. Se por um lado o excesso de preocupação pode precipitar transtornos alimentares, do outro temos pessoas de conscientizando mais sobre a importância de se alimentar melhor, favorecendo mais qualidade de vida e uma provável senilidade mais saudável.

O mercado de emagrecimento gera bilhões em todo o mundo, assim como o desejo de hipertrofia muscular ou melhora da performance nos exercícios. Esse é um grande filão que recorre aos nutrólogos.

Porém esse mesmo filão pode recorrer aos endocrinologistas, médicos do esporte, clínicos gerais, nutricionistas, profissionais da educação física, psicólogos. Ou até mesmo a farmacêuticos, enfermeiros, fisioterapeutas,  quem sabe o famoso "coach", "o tio da loja de suplementos" ou o "dono do espaço vida saudável". Vários concorrentes, não é?

Ou seja, muita gente que sequer compreende as nuances da obesidade, querendo manejar uma doença multifatorial, crônica, recidivante, com alto componente genético e comportamental. Portanto se você quer ser nutrólogo saiba que você "concorrerá" com essas outras áreas, caso seu foco seja apenas obesidade, hipertrofia e performance. 

Mas dá pra atuar em nutrologia sem ter como foco obesidade, hipertrofia ou performance? Sim, seja bem-vindo (no meu e-book explico o que mais atendo e o que meus amigos nutrólogos mais atendem). Isso é o que mais precisamos dentro da nutrologia. Médicos que queiram atuar em doenças. No manejo nutrológico de uma infinidade de doenças. Não necessariamente você precisa manejar só doenças.

É importante também o manejo nutrológico dos principais ciclos da vida: infância, idade fértil, climatério, senilidade, ou seja, a nutrologia está presente do começo ao fim da vida.

O que temos visto é que a Nutrologia é uma das áreas médicas que mais tem atraído médicos na atualidade. Médicos de diversas áreas estão migrando para nutrologia ou complementando suas áreas com conhecimentos nutrológicos.

10) Como é o mercado de Nutrologia?

Qual tipo de mercado? Sempre faço essa pergunta e quase sempre vão logo perguntando da rentabilidade.

A rentabilidade varia muito. Inúmeros fatores vão influenciar tais como formação, qualificação, Networking, marketing, empatia.

A maioria dos médicos que fazem residência de Nutrologia, permanecem trabalhando com Nutrologia Hospitalar e alguns fazem Nutrologia clínica (ambulatorial ou consultório).

Nutrologia hospitalar: o médico Nutrólogo pode chefiar a Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional (EMTN) e o valor pago por isso varia. Pode passar visita em enfermaria/UTI, sendo que cada visita nutrológica de terapia enteral gira (valor bruto) em torno de R$40 a 60/paciente, porém alguns planos não pagam a visita de enteral. No caso de visita diária em terapia parenteral o valor bruto varia de R$80 a 100 e pelo menos em Goiás a maioria dos planos só pagam a visita a cada 2 ou 3 dias. A EBSERH também constantemente lança editais contratando Nutrólogos (via CLT) para 20 hora semanais.

Ambulatório de Nutrologia no SUS: os valores também variam muito, mas giram em torno de R$ 5600 a 7400 por 20 horas semanais. Há pouquíssimos serviços de Nutrologia ambulatorial no Brasil, geralmente só onde há residências de Nutrologia.

Atendimento de planos de saúde: os planos buscam muito os Nutrólogos pois há poucos que atendem por plano de saúde. Razão? Os valores pagos pela maioria das operadoras de saúde.  Há planos de todos os tipos e as consultas podem girar em torno de R$30 até 9. Lembrando que toda consulta por plano, dá direito a um retorno dentro de um prazo estabelecido pela operadora. Logo, o valor deve ser dividido por 2. Essa é a razão de eu nunca ter atendido planos de saúde. Para ter o mínimo de lucro, o nutrólogo terá que atender um grande volume de pacientes. Qualidade e volume são inversamente proporcionais na Medicina.

Consultório particular: o valor de uma consulta particular em Nutrologia varia muito. Geralmente Varia entre R$ 400 a 700. Mas até um médico conseguir cobrar acima de R$500 vai um tempo.

O médico Nutrólogo pode ainda ser professor na Graduação de Medicina ou pós-graduações. O valor médico da hora/aula gira em torno de R$ 50 a 60 reais. O que totaliza ao final do mês de  R$1600 a 2000 reais. No caso de pós-graduações pagam cerca de R$150 a 200 a hora aula.

Logo, como se vê, não é uma área que gera alta rentabilidade. Aqueles que muito lucram com a Nutrologia são exceções. Ou então são profissionais que trabalham com práticas não permitidas pelo Conselho Federal de Medicina, como prescrição de anabolizantes para fins estéticos. Que é o que denomino de profissional de vida médica curta, pois cedo ou tarde terá algum problema. Pelo menos é o que tenho visto nos últimos 12 anos.

11) Roll de procedimentos em Nutrologia

É importante deixar claro que Nutrologia não inclui no seu roll de procedimentos terapêuticos e propedêuticos as práticas abaixo:
  • Prática Ortomolecular ou Biomolecular
  • Modulação hormonal
  • Uso de hormônios com finalidade estética
  • Ozonioterapia
  • Biorressonância
  • Medicina "quântica"
  • Homeopatia
  • Medicina germânica
  • Medicina biológica
  • Medicina funcional
  • Medicina Integrativa
Conheço excelentes Nutrólogos que são Homeopatas ou praticantes de Ortomolecular, mas verdade seja dita: isso não faz parte da Nutrologia. O médico pode até praticar, mas não pode colocar como se isso fosse próprio da Nutrologia.

Só existe UMA nutrologia, que é a nutrologia baseada em evidências científicas. Apesar da nutrição humana ser um terreno de incertezas, talvez por falhas metodológicas, ano após ano essas evidências vão se consolidando. Sendo assim, o médico deve se pautar no princípio da Medicina Baseada em evidência.

12) Agradecimentos aos meus amigos Nutrólogos
  • Agradeço aqui a todos os meus mestres na Nutrologia, em especial aos meus professores da ABRAN (Elza de Mello, Juliana Machado, Sandra Fernandes, Eline Soriano, Fernando Chueire, Vivian Suen, Durval Ribas, família Giorelli, Marcela Garcez). 
  • Juan Bernard por ser um amigo muito participativo nas minhas decisões "nutrológicas".
  • Pedro Dal Bello por ler sempre meus textos e opinar de forma carinhosa e amiga. 
  • Karol Calfa que foi uma das pessoas que de forma indireta me fez escolher a Nutro.
  • Haroldo Falcão por me estimular a estudar bastante, logo quando comecei na Nutro.
  • Simone Silvestre por ler o texto atentamente e fazer as correções.
  • Leandro Marques por ter me auxiliado bastante na época da prova de título e por sempre ser meu termômetro/revisor nos meus textos.
  • Daniela Costa por ter colaborado tanto comigo na época da prova de título.
  • Amanda Weberling por ter topado a Mentoria para a prova de título.
  • Rodrigo Costa por sua excelência e por me estimular a ser um profissional melhor. 
Autor: Dr. Frederico Lobo - CRM-GO 13.192 | RQE 11915 - Médico Nutrólogo - Goiânia - GO



ABAIXO OS NOSSOS MATERIAIS À VENDA



E-book : Tô na nutro e agora ? Valor: R$ 2.570,00. Para comprar: clique aqui.
E-book: Metodologia de estudo para a prova de título de Nutrologia 2020. R$ 2500,00.
Interessados: clique aqui.

Eu, Frederico Lobo, não vendo mais os materiais preparatórios para a prova. Mas cedi o material pra minha amiga Amanda Weberling e ela reformulou todo o conteúdo. Os interessados: tratar via e-mail menutrologia@gmail.com ou clique aqui.

Combo de Flashcards + questões: Flashcards (400 resumos na forma de flashcard, alguns menemônicos) + Banco de questões que caíram em provas da ABRAN (questões que caíram nas provas de título de 2012, 2014, 2015, 2017, 2018 e 2019), questões da prova final do CNNUTRO e CNNEP, questões de concursos de Nutrologia. Totalizando 1200 questões.
R$ 6.500,00 à vista. 

E-book 1: Tô na Nutro e agora ?
Consiste em um guia (202 páginas) para você que decidiu começar a estudar Nutrologia, iniciar consultório de atendimento em Nutro e nos próximos anos prestar a prova de título de especialista. É composto por: 
  1. Onde há residências e Estágios oficiais em Nutrologia no Brasil.
  2. Quais são os pré-requisitos para a prova de título, como funciona a prova de título de Nutrologia e como adquirir os pontos para alcançar os 35 pontos de currículo. Quais livros comprar, quais cursos fazer. Quais os melhores métodos de estudo baseado em evidências.
  3. Quais livros adquirir para aprender o beabá da Nutrologia.
  4. Quais cursos fazer para aprender os principais temas da Nutrologia e ter segurança para atuar no consultório.
  5. Como foi a minha caminhada até chegar na Nutrologia e as dificuldades que encontrei até formar uma carteira de pacientes.
  6. Começou consultório: Plano de saúde x Particular? Pessoa física x Pessoa jurídica? Reembolso.  Preço x Valor. Agregando valor à consulta.
  7. Dicas de como criar um ambulatório de Nutrologia no SUS da sua cidade. Um projeto em .doc todo detalhado, pronto para você utilizar.
  8. Quais as melhores técnicas de estudo para aprender Nutrologia para o dia-a-dia e estudar para a prova de título.
  9. Como encantar o paciente desde o pré-consulta ao pós-consulta, dentro da ética e sem ser apelativo. 
  10. O que fazer na prática clínica: dentro da ética médica e da legalidade.
  11. O que não fazer na prática clínica: pois fera a ética médica e código penal.
  12. Dicas de como empreender em redes sociais, de forma ética e eficaz. Como funciona o algoritmo do facebook e do instagram.
  13. Reputação em redes sociais, número de seguidores e métricas da vaidade. Por que número de seguidores não tem importância e não faz conversão em pacientes no consultório.
  14. Como organizar postagens em Instagram, Facebook, Sites. Quais cursos fazer para aprender mais sobre mídias digitais e empreendedorismo digital. Uma tabela em excel que vai organizar completamente a sua vida digital.
  15. Como encontrar um Nutricionista da sua confiança para que ele possa acompanhar quinzenalmente os seus pacientes. Como elaborar um encaminhamento completo, de fácil compreensão para o Nutricionista. Um modelo prático, simples e rápido de ser preenchido, sem que nada passe desapercebido e o Nutricionista da sua confiança possa fazer um plano com todos os itens que você como médico julga necessário.
  16. Como encontrar o seu nicho de pacientes e ser feliz na medicina.
  17. Como é o meu prontuário de Obesidade/Sobrepeso, além de uma prática e rápida para atendimento de obesidade e sobrepeso ( a que utilizo no ambulatório do SUS).
  18. Como é o meu prontuário eletrônico.
  19. Recordatório alimentar funcional de 7 dias, por mim criado, baseado em estratégias da Nutrição comportamental.
  20. Como fazer um exame físico praticamente completo em menos de 15 minutos.
  21. Orientações pré-consulta por mim criadas, com a finalidade de agilizar o seu atendimento mas sem perder a qualidade.
  22. Roteiro para a solicitação de exames de forma racional e assim evitar conflito com os planos de saúde.
  23. Uma série de 10 lâminas nutrológicas educativas para facilitar a compreensão e adesão do paciente no tratamento da obesidade.
  24. Orientações de preparo pré-bioimpedância.
  25. Curadoria minha por 6 meses. Disponibilidade de 1 hora 2 vezes por semana.
  26. Link para download do Manual de Publicidade Médica, Manual de Prescrição Médica.
  27. Brinde 1: Acesso a um grupo secreto no facebook chamado Nutrologia Brasil (criado em 2014). No qual praticamente postamos notícias, guidelines e artigos em Nutrologia. É preciso ter facebook e me adicionar: Lobo Fred.
  28. Brinde 2: Acesso ao grupo secreto do Telegram chamado Nutrobooks no qual postamos livros e artigos da área. É preciso ter telegram e me adicionar.
  29. Brinde 3: Acesso ao grupo secreto do Telegram focado em Empreendedorismo digital em Nutrologia, no qual uma vez por semana envio materiais sobre o tema.
  30. Brinde 4: Cronograma de estudos utilizado por mim  para ser aprovado em 3º lugar com 74,7%. 
  31. OBS 1: O e-book consiste em um arquivo em PDF, com 202 páginas, com senha criptografada e intransferível. Na sendo permitido impressão dos arquivos. Ele é enviado via e-mail com a senha e em outros e-mails os arquivos anexos. São 13 arquivos anexos.

Att

Dr. Frederico Lobo










Depoimento da Dra. Laura Bernardes, que comprou o material preparatório para a prova de título e o e-book: Tô na nutro e agora.


Depoimento do Dr. Jhones Carneiro que comprou o material preparatório para a prova de título e o e-book: Tô na nutro e agora. Aluno da mentoria preparatória de 2020.


Depoimento da Dra. Juliane Arndt que comprou o material preparatório para a prova de título e o e-book: Tô na nutro e agora e o e-book: Metodologia de estudo para a prova de título. Aluna da mentoria preparatória de 2020.

Depoimento do Dr. Bruno de Andrade, sobre o banco de questões e Flashcards. Médico Nutrólogo aprovado na prova de título de 2017. 

Depoimento da Dra. Amanda Weberling, sobre o banco de questões e Flashcards. Médica Nutróloga com Residência pela USP. Aluna da Mentoria de 2018 e aprovada na prova de título de 2018. 



Depoimento de profissionais que compraram ou tiveram acesso ao e-book: Tô na Nutro e agora





E-book 2: Metodologia de estudo para a prova de título de Nutrologia de 2020: o que você vai aprender

  1. Como é o edital da prova de título de Nutrologia, quais os pré-requisitos
  2. Quais livros adquirir e ler por completo, para se preparar para a prova de título de Nutrologia
  3. Quais cursos fazer para se preparar melhor para a prova de título de Nutrologia
  4. Onde há residência e estágios em Nutrologia no Brasil, para que você consiga ter os pré-requisitos para prestar a prova de título de Nutrologia
  5. Como montar um cronograma no qual ao longo de 9 meses você estude toda a matéria do edital e ainda revise por 1 mês
  6. Quais as melhores técnicas de estudo, para fixar melhor a densa matéria de Nutrologia e assim se preparar para a prova de título de Nutrologia de 2020.
  7. Quais guidelines e consensos você deve baixar na internet, pois tem chances de cair na prova de título de Nutrologia de 2020.
  8. Meu cronograma de estudo que utilizei para passar na prova. Quais os quase 200 sub-temas que podem cair na prova de título.
Valor: R$ 2500,00.

att

Dr. Frederico Lobo - Médico nutrólogo aprovado na prova de titulo de Dezembro de 2017
Dra. Amanda Weberling  - Médica nutróloga aprovada na prova de titulo de Novembro de 2018


DICAS PARA QUEM ESTÁ SE PREPARANDO PARA A PROVA DE TÍTULO DE NUTROLOGIA

  • ESTUDEM !
  • ESTUDEM!
  • ESTUDEM!!
  • Em 07/03/2020 saiu o resultado da prova de título de 2019. Não sei ao certo quantos prestaram a prova, mas 93% dos que fizeram o MENUTRO passaram. Apenas 2 mentorandos não passaram. O número de aprovados praticamente quadruplicou. 
  • Parabéns aos aprovados.



2018
  • Dia 15/02/2019 saiu o resultado da prova de título de Nutrologia de 2018. Dos 124 que prestaram, somente 24 foram aprovados. Desses 24 novos titulados, 6 adquiriram o nosso material preparatório (pacote 1), participaram do grupo de estudos no whatsApp e no grupo do facebook.  Ficamos bem feliz com isso.  
  • Os 6 aprovados estudaram bastante e com certeza serão excelentes Nutrólogos. A Nutrologia precisa de profissionais éticos e que lutem pela valorização da especialidade. É sempre bom ver novos rostos entrando para a especialidade. Parabéns a todos.




quinta-feira, 30 de março de 2017

Gases intestinais por Dr. Mauricio Bravim

Todos nós produzimos gases intestinais e eles precisam ser eliminados. A quantidade produzida varia de pessoa para pessoa e existe uma quantidade que podemos classificar como "normal", aquela que não causa desconforto ou não gera nenhum tipo de problema ao paciente.

Os gases que encontramos nos órgãos do sistema digestivo – esôfago, estômago, intestino delgado e grosso – chegam até eles de duas formas:


  1.  Quando engolimos ar (aerofagia); 
  2. Quando ingerimos alimentos que são fermentados pelas bactérias da microbiota intestinal. 


O que é aerofagia?

O ato de engolir ar é conhecido como aerofagia e é uma das principais causas do acúmulo de gases no estômago. É normal engolirmos certa quantidade de ar quando ingerimos alimentos. Os alimentos podem ser sólidos ou líquidos, principalmente quando comemos ou bebemos muito rápido, conversamos enquanto nos alimentamos, mascamos chicletes, fumamos e quando aparelhos ortodôntico ou dentaduras não estão devidamente encaixados na arcada dentária.

Eructar (arrotar) é uma das formas mais comuns de eliminar os gases estomacais. O gás que não é eliminado por meio do arroto vai para o intestino delgado onde é parcialmente absorvido. O restante se dirige para o intestino grosso para ser liberado na forma de flatus, por meio do reto.

Como os gases são produzidos no nosso organismo?

Os gases são produzidos quando o alimento é digerido naturalmente por bactérias que colonizam o intestino grosso. Essas bactérias atuam sobre carboidratos como açúcares, amido, celulose e fibras que podem ser encontradas em muitos alimentos.

Qual é a quantidade que produzimos desses gases?

A quantidade e tipo de gás produzido depende das bactérias que podem ser encontradas no intestino grosso. Há uma seleção exclusiva de bactérias para cada indivíduo. Um tipo de alimento pode servir como substrato para produção de gases em um certo indivíduo e em outro não.

Quais são os sintomas mais comuns provocados pelo excesso de gases?
Eructação, náuseas, borborigmo (ruídos pelo deslocamento dos gases), flatulência e inchaço abdominal.

Quais são os principais gases que produzimos?

Hidrogênio, metano, dióxido de carbono, oxigênio e nitrogênio.

Quais os alimentos que mais provocam gases?

A maioria dos alimentos que contém carboidratos. Gorduras e proteínas produzem poucos gases, mas algumas proteínas podem intensificar o seu odor.

Quais os carboidratos são responsáveis pela produção de gases?

●Rafinose – o feijão e a vagem contêm grande quantidade desse carboidrato. Ele está presente em menor quantidade no repolho, couve, brócolis, aspargos, outros vegetais e alguns grãos.

●Lactose – é o carboidrato encontrado no leite e em seus derivados – queijo, sorvete, iogurte e molhos para salada. Muitas pessoas, principalmente os afrodescendentes e asiáticos, produzem menos lactase, enzima responsável pela digestão da lactose. Quanto mais velha a pessoa, a produção de lactase em seu organismo diminui progressivamente.

●Frutose – esse carboidrato está presente diversas frutas, cebola, alcachofra e vários outros legumes. A frutose é também usada para adoçar refrescos e sucos de fruta.

●Sorbitol – esse carboidrato pode ser encontrado nas frutas (maçã, pera, pêssego, uva e ameixa). É também usado como adoçante artificial em doces e chicletes sem açúcar.

●Amidos - incluindo a batata, cereais, macarrão e trigo produzem gases. O arroz é um único alimento rico em amido que não favorece a produção de gases.

●Fibras - As fibras são ricas em carboidratos e não são digeridos pelo intestino delgado e isso faz com que cheguem ao cólon (intestino grosso) praticamente intactas. No cólon, bactérias fermentam estas fibras, provocando o aumento de gases.

Quais as diferenças entre fibra solúvel e insolúvel?

A fibra solúvel se dissolve em água e se transforma em uma espécie de gel. Ela pode ser encontrada no farelo da aveia, cevada, nozes, grãos como ervilha e na grande maioria das frutas.

Metilcelulose é uma fibra semissintética. Ela é solúvel e também forma um gel, porém não fermenta. O gel absorve líquido e adiciona volume (massa) às fezes.

Já a celulose é um exemplo de fibra insolúvel e pode ser encontrada em legumes, sementes e grãos, na raiz de alguns vegetais, farelo de trigo e milho.

Quais são os problemas causados pela ingestão inadequada de fibras?

A solubilidade e a fermentação de cada tipo de fibra influenciam em sua ação no nosso aparelho digestivo. Uma proporção adequada entre fibras solúveis e insolúveis pode diminuir os efeitos colaterais e ajudar no funcionamento intestinal. O aumento súbito da ingestão de fibras pode causar sintomas gastrointestinais. Esta ocorrência de sintomas varia de acordo com a quantidade ingerida de fibras, da microbiota intestinal do indivíduo e pelo tipo de fibra. Por isso, frente a necessidade de suplementos de fibras, o médico pode indicar diferentes tipos de produtos.

Qual é o tratamento mais indicado?

Para controlar o desconforto causado pelo excesso de gases é preciso que o paciente evite a aerofagia, mude sua dieta e tome medicamentos. O paciente também deve evitar carboidratos e vegetais que fermentam, como por exemplo, feijão, vagem, brócolis, repolho, couve e alguns açúcares como sorbitol que pode ser encontrado nos chicletes, em doces e alguns sucos industrializados. Aqueles que são intolerantes à lactose devem evitar leite e seus derivados ou utilizar a lactase.

O que acontece quando ingerimos bebidas com álcool?

O álcool pode alterar o odor dos gases produzidos.

Qual melhor abordagem para o controle dos gases intestinais?

Tente manter uma dieta saudável e identifique os alimentos que podem lhe causar sintomas por aumento da produção de gases ou que afete o odor dos gases. Testes respiratórios para intolerância à carboidratos ajudam na definição da dieta, evitando restrições desnecessárias. A dieta indicada é sempre individualizada, pois depende de quanto este ou aquele alimento interfere na produção de gases.

A presença de disbiose (alteração da microflora intestinal) pode ser diagnosticada também pelo teste respiratório e indicar o controle deste supercrescimento bacteriano no intestino delgado, quando houver algum distúrbio.

Atividade física facilita a eliminação de gases, evitando a retenção.

Existem medicamentos que podem ajudar a diminuir os sintomas. Enzimas que ajudam na digestão, como a lactase, quebra a lactose e permite o consumo de leite e seus derivados.

Dimeticona ajuda a romper bolhas de gás que estão no estômago e assim elas podem ser expelidas através da eructação. Este medicamento não atua nos gases intestinais.

Qual a ação da lactase (Lactosil®) sobre a lactose?

Se acrescentarmos a lactase(Lactosil®) ao leite antes de beber ou se a tomarmos imediatamente antes de comer, diminuiremos muito a possibilidade de sintomas desencadeados por estes produtos lácteos.

Qual o tratamento recomendado para pacientes com problemas crônicos?

Evitar chicletes, especialmente dietéticos, cigarro, comer devagar e checar com seu dentista próteses ou aparelhos mal ajustados.

Atenção!!

Principais alimentos mais interferem no aumento dos gases:

●Feijão e vagem;

●Vegetais (alcachofra, aspargos, brócolis, repolho, couve, couve-flor, pepino, pimentão, cebola, rabanete, aipo cenoura);

●Grãos, sementes e farelos de cereais devem ser consumidos de forma moderada;

●Bebidas com gás podem ser consumidas após ficaram abertas por horas para reduzir a quantidade de gás carbônico;

●Leite e seus derivados, exceto com o uso de lactase (Lactosil®);

●Alimentos que contém sorbitol, como alimentos dietéticos, doces e chicletes;

●Vinho e cerveja.

Quais alimentos principais responsáveis pela formação de odor?

Álcool, aspargos, feijão, vagem, repolho, couve, frango, café, pepino, ovo, peixe, alho, nozes, cebola, ameixa, rabanete e alimentos defumados.

Quais alimentos interferem menos na produção de gases?

Carne, aves, peixe, ovos, vegetais (alface, tomate, abobrinha, quiabo), algumas frutas (uva, cereja, banana, mamão), pão sem glúten e arroz.

Atenção!!

Cada organismo reage de maneira distinta em diferentes indivíduos, ou seja, não existe um padrão, mas seu médico pode ajudá-lo. Siga as orientações prescritas. O sucesso depende de você.

www.clinicacemad.com.br

segunda-feira, 27 de março de 2017

Posicionamento oficial da Associação Brasileira de Nutrologia sobre óleo de coco

Obtido a partir da polpa do coco fresco maduro (espécie Cocos nucifera L.), o óleo de coco é composto por ácidos graxos saturados (mais de 80%) e ácidos graxos insaturados (oléico e linoléico). Os ácidos graxos saturados caprílico, láurico e mirístico possuem entre 6 e 12 átomos de carbono e por isso são chamados de ácidos graxos de cadeia média. Os demais ácidos graxos saturados são capróico, cáprico, palmítico e esteárico. As gorduras láuricas, como o óleo de coco, são resistentes à oxidação não enzimática e, ao contrário de outros óleos e gorduras, apresentam temperatura de fusão baixa e bem definida. Em virtude de suas propriedades físicas e resistência à oxidação, o óleo de coco é muito empregado no preparo de gorduras especiais para confeitaria, sorvetes, margarinas e substitutos de manteiga de cacau [1, 2].

Considerando-se que o óleo de coco tem sido divulgado, especialmente na imprensa leiga, como integrante de uma dieta preventiva para doenças crônicas, como quadros neuro-degenerativos, obesidade e dislipidemia, bem como para outras funções tais como imunomodulação e tratamento antimicrobiano, a Associação Brasileira de Nutrologia considera que deve se posicionar sobre o assunto:

Quando o óleo de coco é comparado a óleos vegetais menos ricos em ácido graxo saturado, recente revisão mostrou que ele aumenta o colesterol total (particularmente o LDL-colesterol) o que contribui para um maior risco cardiovascular [3].

Tem sido reportado que o óleo de coco possui atividade antibacteriana, antifúngica, antiviral e imunomoduladora, porém tais estudos são predominantemente experimentais, notadamente in vitro, não havendo estudos clínicos demonstrando esse efeito. Assim, faltam ainda evidências suficientes para recomendar o óleo de coco como agente antimicrobiano ou imunomodulador [4].

Até o momento, não existem estudos clínicos que tenham abordado o efeito de óleo de coco na função cerebral de indivíduos saudáveis ou portadores de alteração cognitiva [5]. Enfatiza-se também que não existem evidências clínicas de que o óleo de coco possa proteger ou atenuar doenças neuro-degenerativas, como a doença de Alzheimer [6].

Um número muito pequeno de estudos, com resultados controversos, tem relatado os efeitos do óleo de coco sobre o peso corporal em seres humanos. Estudo observacional de populações de ilhas do Pacífico consumindo grandes quantidades de cocos revelou que os Tokelauanos, que consumiam quantidades mais elevadas de coco (63% de energia derivada do coco versus 34% na dieta de Pukapukan), eram mais pesados e tinham pregas de pele subescapulares maiores [7].

Em um ensaio controlado randomizado, 40 mulheres (20-40 anos) foram instruídas a consumir diariamente 30 mL de óleo de coco ou de soja (placebo) por 12 semanas. Os grupos também foram instruídos a caminhar por 50 minutos por dia e a seguir um padrão alimentar saudável, e ambos os grupos consumiram aproximadamente 10% menos calorias do que no início. Apenas o grupo de óleo de coco apresentou circunferência de cintura reduzida no final do estudo (redução de 1,4 cm) e uma tendência ao aumento de insulina circulante. Embora os autores tenham usado recordatório alimentar de 24 horas no início e no final do período de estudo, as quantidades exatas de óleo de coco consumido pelos indivíduos não foram precisadas [8]. Examinando pequena amostra (13 mulheres e 7 homens) com 24-51 anos e índice de massa corporal médio de 32,5 kg/m2, prévio estudo (sem grupo controle) mostrou que o consumo de óleo de coco virgem (30 mL/dia/4 semanas) foi associado a redução da circunferência da cintura (2,61 ± 2,17 cm) em indivíduos do sexo masculino [9]. Examinando o efeito na saciedade, pequeno estudo (n=18) mostrou que não existe efeito de uma refeição rica em ácidos graxos de óleo de coco sobre o apetite ou ingestão alimentar [10].

No geral, não existem evidências suficientes para concluir que o consumo de óleo de coco leva à redução de adiposidade.

Sendo assim, considerando-se inclusive a robusta associação entre consumo de ácidos graxos saturados e o risco de doenças cardiovasculares e a ausência de grandes estudos bem controlados relativos ao óleo de coco em humanos,

a ABRAN recomenda que:


  1. o óleo de coco não deve ser prescrito na prevenção ou no tratamento da obesidade;
  2. o óleo de coco não deve ser prescrito na prevenção ou no tratamento de doenças neuro-degenerativas;
  3. o óleo de coco não deve ser prescrito como nutriente antimicrobiano;
  4. o óleo de coco não deve ser prescrito como imunomodulador.

Associação Brasileira de Nutrologia

Referências:

[1] Martins JS, Santos JCO. Estudo comparativo das propriedades de óleo de coco obtido pelos processos industrial e artesanal. Blucher Chemistry Proceedings vol 3, 2015.

[2] Marina AM, Che Man YB, Nazimah SAH, Amin I. Chemical Properties of Virgin Coconut Oil. J Am Oil Chem Soc 86:301–7, 2009.

[3] Eyres L, Eyres MF, Chisholm A, Brown RC. Coconut oil consumption and cardiovascular risk factors in humans. Nutr Rev 74(4):267-80, 2016

[4] DebMandal M, Mandal S. Coconut (Cocos nucifera L.: Arecaceae): in health promotion and disease prevention. Asian Pac J Trop Med 4(3):241-7, 2011.

[5] Lockyer, S, Stanner S. Coconut oil–a nutty idea?. Nutrition Bulletin, 41(1), 42-54, 2016

[6] Fernando WMADB, Martins IJ, Goozee KG, Brennan CS, Jayasena V, Martins RN. The role of dietary coconut for the prevention and treatment of Alzheimer’s disease: potential mechanisms of action. Br J Nutr, 114(1), 1-14, 2015.

[7] Prior IA, Davidson F, Salmond CE, Czochanska Z. Cholesterol, coconuts, and diet on Polynesian atolls: a natural experiment: the Pukapuka and Tokelau island studies. Am J Clin Nutr, 34(8), 1552-61, 1981.

[8] Assunção ML, Ferreira HS, Santos EAF, Cabral Jr R, Florêncio MMT. Effects of dietary coconut oil on the biochemical and anthropometric profiles of women presenting abdominal obesity. Lipids, 44:593–601, 2009

[9] Liau KM, Lee YY, Chen CK, Rasool AHG. An open-label pilot study to assess the efficacy and safety of virgin coconut oil in reducing visceral adiposity. ISRN Pharmacology, doi:10.5402/2011/949686, 2011.

[10] Poppitt SD, Strik CM, MacGibbon AKH, McArdle BH, Budgett SC, McGill AT. Fatty acid chain length, postprandial satiety and food intake in lean men. Physiol Behav, 101:161–7, 2010.

Fonte: http://abran.org.br/sem-categoria/posicionamento-oficial-da-associacao-brasileira-de-nutrologia-respeito-da-prescricao-de-oleo-de-coco/

sábado, 11 de março de 2017

Orientação sobre sucos: dar ou não à criança? Por Dra. Kelly Marques

Uma palavra sobre os sucos:

Muitas mamães me perguntam em relação aos sucos: Dar ou não? A partir de que idade? Qual a quantidade? Fiz uma coletânea das recomendações de diretrizes nacionais e internacionais e artigos, tomei a liberdade de resumi-las aqui para vocês, e colocar as que considero mais relevantes e pertinentes. As referências estão ao final do post. Espero que ajude!

 Recomendações dos principais órgãos:

 Sociedade Brasileira de Pediatria – Brasil

  • Os sucos naturais devem ser evitados, mas se forem administrados que sejam dados no copo, de preferência após as refeições principais, e não em substituição a estas, em dose máxima de 100 mL/dia, com a finalidade de melhorar a absorção do ferro não heme presente nos alimentos como feijão e folhas verde-escuras.

 Academia Americana de Pediatria – EUA

  •  Sucos não oferecem benefícios nutricionais para crianças menores de 6 meses e não devem ser oferecidos para as mesmas. (Veja os posts sobre benefícios do aleitamento materno e introdução alimentar).
  • A fruta in natura deve ser oferecida em preferência ao suco. Sucos não oferecem nenhum benefício maior do que a fruta in natura para crianças maiores de 6 meses.
  • Suco de fruta 100% natural pode ser parte de uma dieta saudável quando consumido como parte de uma dieta balanceada. Sucos de fruta artificiais ou de “caixinha” não são equivalentes ao suco de fruta natural e não são recomendados.
  • Sucos não devem ser dados em mamadeiras, ou em recipientes de fácil transporte, de forma a estimular a sua ingesta ao longo do dia todo (o objetivo não é esse!)
  • Não oferecer sucos na hora de dormir.
  • Sucos não são apropriados para o tratamento de desidratação e diarreia.
  • Consumo excessivo de sucos pode estar associado com diarréia, flatulência, distensão abdominal e cárie dentária, além de subnutrição.
  • Sucos não pasteurizados podem conter bactérias (Escherichia coliSalmonella e Cryptosporidium), responsáveis por doenças.
  • A ingesta de suco deve ser limitada a 120 a 180ml por dia em crianças de 1 a 6 anos, e para crianças de 7 a 18 anos, de 200 a 350 ml, ou 2 copos por dia.
  • Em crianças consideradas malnutridas, com diarreia crônica, flatulência excessiva, dor abdominal e má digestão o pediatra deve avaliar a criança e determinar a quantidade de suco consumida.
  • cárie dentária pode estar diretamente relacionada com a quantidade de suco ingerida, sem os cuidados necessários.

 Health Canada – Canadá 

Não recomenda sucos no primeiro ano. Depois de 1 ano, orientam dar suco de forma limitada e não oferecer bebida adoçadas. Se a criança estiver com sede, ofereça água a ela.

 National Health and Medical Research Council – Austrália  

  • Sucos são desnecessários e não se recomenda para crianças menores de 1 ano de idade.
  • Bebidas adoçadas estão associadas com cáries dentárias.
  • Chás e outras bebidas não tem benefícios conhecidos para a criança e podem ser potencialmente perigosos.
 National Health Service (NHS) – Reino Unido
  •  Bebês abaixo de 6 meses não devem receber sucos de fruta.
  • Sucos de fruta diluídos (uma parte de suco para 10 partes de água) podem ser oferecidos à criança com as refeições após os 6 meses. Gente eu coloquei isso aqui, mas por favor, não entendam mal! Não é para dar suco diluído como forma de refeição ou porção de frutas, seria mais como uma “água com gostinho” com o objetivo de hidratar (quando for dar água pode ser dessa forma…).
  • Dica: dar água diluída com suco de fruta natural e frutas sempre in natura!
  • Sucos in natura podem ser dados após as refeições para reduzir o risco de cárie, em pequena quantidade.

 O problema do excesso de suco

  • Excesso de suco pode levar a anemia e malnutrição (com excesso de açúcares e falta de outros nutrientes, como proteínas, carboidratos e vitaminas). Nessa situação imagine aquele bebê que se adapta perfeitamente ao suco, e acaba ficando “preguiçoso” para mastigar e comer outro alimento sólido, substituindo suco pelas refeições do dia. Nesse caso, o bebê pode ter dificuldade de ganhar peso, e ter falta de vários nutrientes importantes.
  • O excesso de suco pode danificar o esmalte do dente, levando a cárie dentária, principalmente quando oferecida na mamadeira.
  • Excesso de suco pode provocar gases e diarréia.
  • O consumo de mais de 350ml de suco por dia está associado a baixa estatura e obesidade.
  • Sucos de fruta podem conter sorbitol e uma grande quantidade de frutose, que pode causar cólicas no bebê, pela produção de gases.
  • Os açúcares podem causar problemas futuros pois mais tardiamente as crianças tem dificuldade de reduzir o carboidrato da dieta, incluído esses açúcares.
  • Sucos têm alto índice glicêmico e crianças que ingerem grandes quantidades de suco tem risco de obesidade no futuro. É só pensarmos quantas laranjas precisamos para fazer 120ml de suco em média. Provavalmente 2 laranjas. E quantos bebês comeriam 2 laranjas inteiras assim, de uma vez?

 Minha opinião como pediatra…

Prefiro a fruta in natura. Porque? A fruta in natura proporciona uma experiência muito mais interessante da criança com o alimento, com diferentes sensações: cor, cheiro, paladar, textura. Os sucos perdem isso. Além disso, as fibras são perdidas no processo de produzir o suco, bem como as vitaminas.
O suco “enche” a criança, mas não necessariamente é mais nutritivo. A tendência ainda é usar mamadeira para dar o suco (apesar de o indicado serem os copinhos de transição ou mesmo copos adaptados para criança), o que pode levar ao desmame.
Enfim, ao invés de nos perguntarmos porque não dar o suco, a pergunta deveria ser: porque dá-los à criança? Existe alguma vantagem? Espero tê-los convencido…Ah! Nem preciso dizer que isso se refere aos sucos in natura ok? Os de caixinha nem pensar!

 Conclusões…

  •  A recomendação é que se dê suco para crianças acima de 1 ano, e ainda assim, numa quantidade limitada.
  • A ingesta de suco excessiva pode contribuir para o desmame, principalmente quando oferecida na mamadeira.
  • Quando oferecida na mamadeira, principalmente à noite, pode contribuir para o surgimento de cáries.
  • A água pode ser dada no copinho junto com suco natural diluído, como forma de hidratação e nunca como substituição da fruta in natura, na proporção de 1:10 (1 parte suco para 10 partes de água)
Tudo isso só sobre suco, quanta informação! Espero ter esclarecido bem esse assunto, que tem causado muita dúvida nas mamães.  Continuem mandando suas duvidas e experiências aqui no blog, obrigada pela participação de vocês!
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 Um abraço,
 Dra. Kelly Oliveira
Referências bibliográficas:
The Use and Misuse of Fruit Juice in Pediatrics. Pediatrics 2001;107;1210. Committee on Nutrition. Disponível on-line em: http://pediatrics.aappublications.org/content/107/5/1210.full.html
photo credit: http://www.simplebites.net/wp-content/uploads/2012/09/Clara-peach.jpg