Muitos ortomoleculares estão utilizando no seu arsenal terapêutico a modulação hormonal e administração de Gonodotrofina coriônica humana para fins de emagrecimento. E muitos pacientes, amigos, familiares perguntam minha visão sobre o tema e sempre deixo claro: Discordo e condeno. Por que?
Discordo até mesmo dos endocrinologistas que prescrevem hormônio sem antes investigar a causa. Minha formação acadêmica e principalmente após a pós-graduação de estratégia ortomolecular, aprendi que para qualquer alteração, existe uma explicação. Nenhum hormônio sobe ou desce de forma inexplicável. Exceto pela idade, na qual fisiologicamente há um declínio NORMAL.
Por exemplo, se a pessoa apresentam alteração laboratorial num hormônio (ex. TSH que é o que estimula a Tireóide a produzir os hormônios T3 e T4), antes devo REPETIR essa dosagem pra confirmar (já que dosagem hormonal é algo difícil de se confiar, mesmo em laboratórios excelentes). POSTERIORMENTE se confirmada a alteração, tentar dentro do quadro clínico descobrir o que pode estar INTERFERINDO na cinética adequada daquele eixo hormonal. Aí entra uma anamnese minuciosa, verificando principalmente os hábitos de vida e alimentares do paciente.
Exemplo comum: homens com sobrepeso ou obeso com baixa de testosterona. Confirmada duas vezes essa baixa de testosterona, qual a conduta adequada? Repor testosterona? NÃO !
Quando há um aumento da insulina associado a obesidade, os níveis de testosterona caem, isso é fisiologia endócrina. Se o paciente obeso receber testosterona, a chance dessa testosterona ser convertida em estrogênio (hormônio feminino) no tecido adiposo é alta, a não ser que se faça o bloqueio de uma enzima chamada aromatase (através de medicação).
Um outro exemplo clássico, que há 4 anos presencio no consultório. Pacientes com TSH acima de 5 ou 6. Muitos endocrinologistas e os chamados moduladores hormonais (geralmente tratam quando acima de 2,0), preferem iniciar com doses baixas de T4 (um dos hormônios tireoideano). Eu particularmente não faço isso. Primeiro tento descobrir o porquê desse TSH estar elevado, já que INÚMERAS condições podem elevá-lo:
- Privação de sono, se o paciente foi dormir tarde, se o paciente é obeso, se faz uso de medicações que alteram o TSH como por exemplo um anti-hipertensivo da classe dos betabloqueadores (Propranolol), contraceptivos orais, drogas anti-arrítmicas como a Amiodarona. Outras fazem o TSH cair e uma elevação dos níveis de T4, como por exemplo a Metformina, um hipoglicemiante.
- Deficiências nutricionais de nutrientes essenciais pra cinética correta dos hormônios tireoideanos. Por exemplo, sem Selênio não ocorre a conversão do hormônio T4 em T3 (que é a forma ativa), assim como a falta de Zinco e Vitamina D. E essas deficiências nutricionais são MUITO COMUNS na maioria da população. Ano passado dosei o Selênio sérico em 246 pacientes e somente 3 apresentavam níveis adequados de Selênio. Vitamina D, dosei em mais de 300 pacientes e somente 2 apresentavam níveis adequados.
Quantas vezes fiz suplementações básicas de Selênio, Vitamina D e Zinco e o TSH normalizou? Mais de 500. Diariamente faço isso e com bons resultados.
Ou seja, primeiramente é DEVER do médico investigar a causa da alteração, tentar mudar o estilo de vida, adequar a alimentação (o que ja dá resultados excelentes, pois os alimentos conseguem modular os hormônios), suplementar substâncias naturais (vitaminas, minerais, aminoácidos) e verificar se há uma resolução do quadro. SE não resolver, aí sim, postular a reposição hormonal.
Pelo que vejo, a reposição hormonal foi banalizada e diariamente pego pacientes vítimas de iatrogenia médica. No último final de semana ocorreu uma Jornada de Anti-envelhecimento no CRM de Goiás e lá os conselheiros e especialistas deixaram claro, que a maioria das condutas dos chamados "Moduladores hormonais" não possuem embasamento científico AINDA. E o profissional que for pego prescrevendo hormônio sem a devida comprovação laboratorial da deficiência do mesmo, será punido pelo CRM, com até cassação do registro. Estimulou os médicos a incitarem os pacientes vítimas de tais iatrogenias a levarem suas receitas no CRM. O médico endocrinologistas ou outros especialistas não podem fazer praticamente nada diante da situação, apenas orientar o paciente.
Agora em Outubro o Conselho Federal de Medicina, lançou a Resolução Nº 1999 DE 27/09/2012 (Federal) na qual resolve:
Art. 1º. A reposição de deficiências de hormônios e de outros elementos essenciais se fará somente em caso de deficiência específica comprovada, de acordo com a existência de nexo causal entre a deficiência e o quadro clínico, ou de deficiências diagnosticadas cuja reposição mostra evidências de benefícios cientificamente comprovados.
Art. 2º. São vedados no exercício da Medicina, por serem destituídos de comprovação científica suficiente quanto ao benefício para o ser humano sadio ou doente, o uso e divulgação dos seguintes procedimentos e respectivas indicações da chamada medicina antienvelhecimento:
I - Utilização do ácido etilenodiaminatetraacetico (EDTA), procaína, vitaminas e antioxidantes referidos como terapia antienvelhecimento, anticâncer, antiarteriosclerose ou voltadas para o tratamento de doenças crônico- degenerativas;
II - Quaisquer terapias antienvelhecimento, anticâncer, antiarteriosclerose ou voltadas para doenças crônico-degenerativas, exceto nas situações de deficiências diagnosticadas cuja reposição mostra evidências de benefícios cientificamente comprovados;
III - Utilização de hormônios, em qualquer formulação, inclusive o hormônio de crescimento, exceto nas situações de deficiências diagnosticadas cuja reposição mostra evidências de benefícios cientificamente comprovados;
IV - Tratamentos baseados na reposição, suplementação ou modulação hormonal com os objetivos de prevenir, retardar, modular e/ou reverter o processo de envelhecimento, prevenir a perda funcional da velhice, prevenir doenças crônicas e promover o envelhecimento saudável;
V - A prescrição de hormônios conhecidos como "bioidênticos" para o tratamento antienvelhecimento, com vistas a prevenir, retardar e/ou modular processo de envelhecimento, prevenir a perda funcional da velhice, prevenir doenças crônicas e promover o envelhecimento saudável;
VI - Os testes de saliva para dehidroepiandrosterona (DHEA), estrogênio, melatonina, progesterona, testosterona ou cortisol utilizados com a finalidade de triagem, diagnóstico ou acompanhamento da menopausa ou a doenças relacionadas ao envelhecimento, por não apresentar evidências científicas para a utilização na prática clínica diária.
Art. 3º. Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação.
ROBERTO LUIZ DAVILA
Presidente do Conselho
HENRIQUE BATISTA E SILVA
Secretário-Geral
Legislação completa: http://www.legisweb.com.br/legislacao/?legislacao=246190
Agora em Outubro o Conselho Federal de Medicina, lançou a Resolução Nº 1999 DE 27/09/2012 (Federal) na qual resolve:
Art. 1º. A reposição de deficiências de hormônios e de outros elementos essenciais se fará somente em caso de deficiência específica comprovada, de acordo com a existência de nexo causal entre a deficiência e o quadro clínico, ou de deficiências diagnosticadas cuja reposição mostra evidências de benefícios cientificamente comprovados.
Art. 2º. São vedados no exercício da Medicina, por serem destituídos de comprovação científica suficiente quanto ao benefício para o ser humano sadio ou doente, o uso e divulgação dos seguintes procedimentos e respectivas indicações da chamada medicina antienvelhecimento:
I - Utilização do ácido etilenodiaminatetraacetico (EDTA), procaína, vitaminas e antioxidantes referidos como terapia antienvelhecimento, anticâncer, antiarteriosclerose ou voltadas para o tratamento de doenças crônico- degenerativas;
II - Quaisquer terapias antienvelhecimento, anticâncer, antiarteriosclerose ou voltadas para doenças crônico-degenerativas, exceto nas situações de deficiências diagnosticadas cuja reposição mostra evidências de benefícios cientificamente comprovados;
III - Utilização de hormônios, em qualquer formulação, inclusive o hormônio de crescimento, exceto nas situações de deficiências diagnosticadas cuja reposição mostra evidências de benefícios cientificamente comprovados;
IV - Tratamentos baseados na reposição, suplementação ou modulação hormonal com os objetivos de prevenir, retardar, modular e/ou reverter o processo de envelhecimento, prevenir a perda funcional da velhice, prevenir doenças crônicas e promover o envelhecimento saudável;
V - A prescrição de hormônios conhecidos como "bioidênticos" para o tratamento antienvelhecimento, com vistas a prevenir, retardar e/ou modular processo de envelhecimento, prevenir a perda funcional da velhice, prevenir doenças crônicas e promover o envelhecimento saudável;
VI - Os testes de saliva para dehidroepiandrosterona (DHEA), estrogênio, melatonina, progesterona, testosterona ou cortisol utilizados com a finalidade de triagem, diagnóstico ou acompanhamento da menopausa ou a doenças relacionadas ao envelhecimento, por não apresentar evidências científicas para a utilização na prática clínica diária.
Art. 3º. Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação.
ROBERTO LUIZ DAVILA
Presidente do Conselho
HENRIQUE BATISTA E SILVA
Secretário-Geral
Legislação completa: http://www.legisweb.com.br/legislacao/?legislacao=246190
"Quanto mais picareta, mais se ganha dinheiro. E isso não é exclusividade do Brasil, até porque essas picaretagens não nascem aqui.
HCG (gonadotrofina coriônica humana) oral + dieta de 600kcal/dia
1) Se vc faz uma dieta de 600kcal e usa HCG, vc perde peso; se vc faz uma dieta de 600kcal e toma uma pílula de homeopatia, vc perde peso; se vc faz uma dieta de 600kcal e toma uma colher de aguarraz por dia, vc perde peso.
2) O HCG é um hormônio polipeptídeo. Se usado por via oral, assim que chegar ao estômago, vai acontecer com ele a mesma coisa que acontece com qualquer proteína: pelo pH ácido e as enzimas gástricas, vai ser quebrado em aminoácidos, e cada um deles vai ser absorvido independentemente, e vão ser matéria prima para qualquer proteína que o organismo precise fazer.
3) Existem algumas doenças para as quais se usa HCG como tratamento, sobretudo o hipogonadismo hipogonadotrófico. Esse "palavrão" quer dizer que o organismo não produz o hormônio que estimula a função das gônadas - testículos ou ovários - em produzir os hormônios sexuais. Mas a gente prescreve por via intramuscular, e não é por maldade de fazer o paciente usar uma injeção em vez de um comprimido. É "só" pelo que foi dito em (2).
4) Esse (3) também se vê no "hormônio de crescimento oral". É, tratamos de crianças e adolescentes por anos e anos a fio com uma aplicação subcutânea por dia porque somos maus mesmo. Porque apesar de existir uma opção oral, queremos mesmo que ele use injeção. Blaaaa!
5) A parte mais "engraçada" do site é quando ele diz que os laboratórios não se interessam pelo HCG porque não podem patentear. Curioso que os medicamentos biológicos, obtidos por engenharia genética, dentre os quais os hormônios peptídeos, estão entre os mais caros que existem."
Abaixo, uma reportagem no jornal O Globo falando sobre o tema:
"A busca por fórmulas ditas milagrosas para emagrecer está levando mulheres e alguns homens a se injetarem hormônio de gravidez diante da promessa de perder pelo menos meio quilo por dia. Conhecida como dieta hCG, ela associa a aplicação diária de injeções de beta-hCG (sigla de gonadotrofina coriônica humana) - liberado naturalmente na gravidez e receitado como fármaco em tratamento de infertilidade feminina - à alimentação altamente restritiva: em média, 500 kcal/dia (quilocalorias). Esse programa de emagrecimento ganha cada vez mais adeptos nos Estados Unidos e até no Brasil, onde clientes o compram pela internet; mas pode causar sérios danos à saúde, como embolia.
Em forma de fármaco, o beta-hCG é receitado para estimular a ovulação em tratamento de pacientes com dificuldade de engravidar, e a ideia de usá-lo para perder quilos é antiga. O tratamento foi proposto pela primeira vez em 1954 pelo médico britânico W. Simeons, mas pesquisadores nunca encontraram evidências de que a substância atue no emagrecimento. Aqueles que defendem a dieta hCG afirmam que o hormônio ajuda a suportar os efeitos de uma alimentação quase anoréxica, que traz transtornos como dor de cabeça, problemas intestinais, fraqueza e irritabilidade.
Scott Blyer, um médico americano que oferece a dieta hCG, explica que a substância "engana o corpo, como se a pessoa estivesse grávida". Então o organismo "passa a queimar gordura para que o feto receba calorias suficientes, mas protege o músculo". Na tentativa de atrair mais clientes incautos, as clínicas que vendem o programa da dieta hCG dizem que esse tratamento queima a gordura nas áreas mais difíceis, como braços, barriga e coxas. A terapia dura de 25 a 40 dias, com a "garantia" de o paciente perder em torno de 20 quilos, ao custo de US$ 500 a US$ 1 mil por mês, incluindo consulta, suprimento de hormônio e as seringas.
Em cada etapa do programa (geralmente três) são 21 injeções. Há relatos de mulheres que perderam 11 quilos, ou mais, em 30 dias. E ainda existe a opção de aplicar o hCG em gotas, usada embaixo da língua, mas esta é uma forma menos divulgada. O americano Lionel Bissoon, com clínica em Nova York, cobra US$ 1.150 pelo tratamento da dieta hCG com injeções e afirma que "médicos de todo o país estão vendo pessoas perderem grande quantidade de peso com o programa, e não se pode ignorar isso".
Perigo de problemas cardiovasculares
A dieta começa com aplicações diárias de injeções hCG e no quarto dia o paciente começa a dieta restritiva. Uma brasileira que experimentou o tratamento contou num blog que, depois das injeções, saía para caminhar sob o sol, porque em contato com a radiação ultravioleta "o hCG prometia melhorar a pele, a libido e a fertilidade". Isto é, além de suportar a dieta de fome, ela acreditava que poderia ficar ativa sexualmente e com uma pele mais bonita. No almoço e jantar, tinha direito apenas a consumir 600 gramas: 200 gramas de proteína, 200 gramas de verduras e a mesma quantidade com frutas; sem variar, e tudo cozido, grelhado ou assado, só com sal. Pelo programa, ela não poderia usar condimentos nem alimentos gordurosos - além, claro, de passar longe dos alimentos mais calóricos, como chocolate, pizza e sorvete. E nada de lanchinho nos intervalos. Ela também teria que evitar pintar o cabelo e não tomar corticoides, restrições para grávidas.
Só no fim do programa começa a fase de "reeducação alimentar". O endocrinologista Ricardo Meirelles, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), diz que estudos mostraram que o beta-hCG não contribui para a perda de peso total, nem para melhorar a distribuição de gordura.
- O médico americano fornece o hormônio em seu próprio consultório, prática inaceitável no Brasil e estritamente proibida pelo Código de Ética Médica. Já existiram por aqui clínicas que faziam o mesmo, mas não tenho ouvido falar nelas - diz Meirelles.
Mesmo o FDA, o órgão americano que controla medicamentos e alimentos, alerta que "não está provado que o produto intensifique a perda de peso, que cause distribuição mais atraente de gordura ou reduza fome". E a instituição já recebeu relato sobre um paciente que faz a dieta hCG e sofreu uma embolia pulmonar. Mesmo assim, clínicas continuam oferecendo.
- Outra coisa que chama a atenção é que os médicos que vendem esse programa de dieta se propõem a tratar de pessoas que não preenchem os critérios de sobrepeso e obesidade, ou seja, que apresentem índice de massa corporal acima de 30 - comenta Meirelles. - Eles tratam de noivas interessadas em emagrecer para um casamento e mulheres com outras motivações desse tipo. Com a dieta que receitam, qualquer um emagrece. As injeções são placebo para motivar a adesão ao programa. Isto é antiético.
Efeito similar ao de um placebo
Também o endocrinologista Amélio de Godoy Matos, do Instituto de Endocrinologia e Diabetes do Estado do Rio (Iede), diz que a dieta hCG é "charlatanice" desde a década de 60 e acredita que no Brasil há clínicas oferecendo esse tratamento. Mas não há evidência de que ele funcione, tampouco alguma coerência no que afirmam os defensores desse tratamento.
- Nem se sabe o que esses médicos estão injetando em seus pacientes, pois a injeção é aplicada na própria clínica ou vendida pelos próprios interessados. Os riscos com esse tratamento podem ser altos se, de fato, for o hormônio beta-hCG, pois é um hormônio potente, que pode levar a formações de cistos nos ovários, aumentar a produção de testosterona e, com isso, virilizar, causar infertilidade e doença cardiovascular. O estranho é que o FDA não tenha até hoje punido esses médicos - diz.
Também o endocrinologista Alfredo Halpern, professor da faculdade de Medicina da USP, alerta para o perigo da dieta hCG:
- Esse programa não tem qualquer base científica para ser aplicado. Infelizmente há pessoas que gastam dinheiro com isso - critica Halpern.
- Os testes com as pessoas que usaram o hormônio hCG comparados a outro grupo com tratamento placebo mostraram que a perda de peso foi igual.
O que faz emagrecer, diz Halpern, é a dieta de 500, 600kcal, semelhante a de cardápios de spa.
- Qualquer pessoa perde peso em um programa tão restritivo assim. O hormônio hCG não emagrece - garante.
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/saude/dieta-associada-injecoes-de-hormonio-da-gravidez-vira-mania-pode-matar-2811670#ixzz22hhCTKgS "



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