sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Ressaca: como evitar, atenuar, melhorar mais rápido e seus mitos


Para este texto não ficar muito grande, procurarei ser mais objetivo neste e deixar para explicar melhor a “fisiologia da questão” no próximo artigo, ok? Então vamos lá:
O que é RESSACA? É aquele conjunto de sintomas bem incômodos e por vezes incapacitantes que aparece já na manhã seguinte ao abuso de bebidas alcoólicas e pode durar horas ou mesmo dias (para quem eventualmente não sabia o que era...)

O que causa a RESSACA? BEM resumidamente:
  • Baixa ingestão de líquidos
  • Alimentação inadequada
  • Intoxicação pelo álcool ingerido
  • Sintomas de “abstinência” do álcool
 Isto porque, aproximadamente:
  • 50% da ressaca é: desidratação que o álcool causa + pouca reposição de líquidos junto à ingestão das bebidas alcoólicas
  • 25% da ressaca é pela relativa desnutrição/hipoglicemia que o abuso alcoólico causa + pouca (e ruim) alimentação junto e após a ingestão do álcool
  • 25% é fruto da intoxicação do organismo, sobretudo fígado e cérebro (mas também, de maneira importante, aparelho gastrintestinal, músculos e pulmões) combinada à falta que o cérebro sente do efeito estimulante inicial do álcool
Como evitar a RESSACA:

  • Não ingerir bebidas alcoólicas (óbvio)
  • Se for beber mesmo, não cometer excesso e observar as demais regras da seção “como atenuar” abaixo 
  • Não beba, mesmo a mínima quantidade, se não estiver se sentindo bem por qualquer motivo (físico, mental, etc)
Como atenuar a RESSACA:
  • Não beber em excesso
  • Alternar o máximo possível de água entre os drinks alcoólicos
  • NUNCA beber de “estômago vazio” - alimentos ricos em proteínas e boas gorduras são "ótimas pedidas"
  • Alimentar-se regularmente durante a “bebedeira”
  • Preferir sempre bebidas de qualidade
  • Respeitar a hora de parar: lembre-se sempre que quando você começa a sentir efeitos desagradáveis ainda há quantidade de álcool já ingerida nos seus intestinos, sendo absorvida
  • Se fumar, o mínimo possível (evite sobrecarga de ainda mais toxinas)
  •  Beber pelo menos um copo cheio de suco natural logo antes de dormir (ou alimentação leve + boa quantidade de água)
No dia seguinte:
  • Alimentos leves, regularmente
  • Muita água, regularmente
  • Exercício físico bem leve (uma caminhada, por exemplo) ajuda na desintoxicação
  • Respeite seus limites – Seu organismo pode pedir só repouso mesmo
  • EVITE consumir mais bebida alcoólica (errar uma vez é humano mas repetir não é muito "inteligente")
  • Cuidado com overdose de medicamentos ou mesmo chás - lembre-se que seu fîgado está tendo muito trabalho e não precisa de ainda mais (sabe o boldo? Excelente para o fígado mas aumenta acidez no estômago...)
Alguns mitos no que tange a ressaca.

Antes de mais nada, sugiro a leitura destes 3 textos, só para instrumentar a discussão, já que contêm vários dos mitos acerca do tema “ressaca”: 

1 – Ressaca nem sempre é devida a grandes doses absolutas de álcool; por vezes é devida a dose alta demais para determinada pessoa, que pode nem ser considerável para outra. Mulheres, por exemplo, tendem a ter menor “resistência” para o álcool e sofrer mais com efeitos indesejáveis;

2 – Ressaca não é só abstinência: é muito mais desidratação, desnutrição e intoxicação pelo álcool que a abstinência dele em si;

3 – “Rebater” a ressaca com pequenas doses de bebidas alcoólicas “mais fracas” é adiar pequena parte do problema (a abstinência, mas enquanto se sofre por todo o resto) e agredir um pouco mais algo que já está bastante agredido (no caso, seu organismo): NUNCA cometa este erro...

4 – Esperar a fome para alimentar-se quando de ressaca é absurdo! Se parte da ressaca é desnutrição, quanto menos e pior você comer, mais tempo vai ficar de ressaca; alimente-se, sim, mas de pequenas quantidades de alimentos leves, a curtos intervalos, à medida que seu organismo se recupera;

5 – Café preto pode ajudar, sim, a combater a ressaca (exceto em pessoas hipersensíveis à cafeína ou que estejam apresentando sintomas gastrintestinais importantes) mas só se associado a boa alimentação e ingestão adequada de líquidos;

6 – Se você beber moderadamente e alimentar-se direito, ótimo: menos ou nenhuma ressaca. Mas se você abusar tanto do álcool quanto de alimentos, provavelmente somar-se-á à sua ressaca boa quantidade de sintomas gastrintestinais (náuseas, vômitos, gases, diarréia, ...);

7 – Não ache que porque você comeu antes de beber que boa parte do álcool ingerido não será absorvido: a maior parte será só que mais lentamente; por isso cuidado se for parar de beber só quando já não agüentar mais: como já disse anteriormente, ainda mais álcool está nos seus intestinos e será absorvido, o que provavelmente te fará “passar do limite”;

8 – Tome muita água, sim, quando de ressaca: mas nunca de uma só vez ou em grandes quantidades por tomada: lembre-se que seu aparelho gastrintestinal está “irritado” pelo álcool e pode não reagir muito bem a sobrecargas de uma só vez (de nenhuma espécie);

9 – Alimentos leves ajudam no pós-bebida; mas no “pré” uma alimentação um pouco mais pesada ajuda bem mais;

10 – Glicose “na veia” até que ajuda em casos mais extremos mas overdoses de glicose por via oral em quem já passou dos limites (em relação à ingestão excessiva de álcool) podem facilitar náuseas e vômitos (sem contar que a absorção intestinal já pode estar bem prejudicada).

Enfim, lembre-se: são poucos os que bebem somente para “apreciar a bebida”; e se a maioria bebe para sentir-se melhor (de alguma forma), não seria mais sábio “dar um tempo” quando você atingiu o estágio que desejava? Afinal, se continuar bebendo a partir do momento em que já está como queria, com certeza vai passar do ponto e experimentar o lado indesejável (mas tão freqüente) do álcool: vale a pena?

Autor: Dr. Ícaro Alves Alcântara (CRM-DF 11639) - Médico, homeopata, com pós-graduação em estratégias ortomoleculares. Presidente da ASOMED e conselheiro do CRM-DF (Brasília).

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