terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Conheça 7 fontes de poluição do ar interior



De acordo com a EPA (Agência de Proteção Ambiental Americana), evidências científicas indicam que o ar interior pode ser mais seriamente poluído do que o ar exterior, mesmo nas cidades maiores e mais industrializadas. Outros estudos indicam que as pessoas gastam cerca de 90% de seu tempo em locais fechados. A matemática não é tão boa - para muitas pessoas, riscos de saúde podem ser maiores devido à poluição do ar interior, em vez da poluição ao ar livre.

Efeitos nocivos podem surgir depois de uma única exposição bem como a exposição repetida e pode gerar uma gama de irritação: dos olhos, nariz e garganta, dores de cabeça, tontura e fadiga. Estes efeitos são geralmente de curto prazo e tratável, às vezes simplesmente eliminar a exposição à fonte de poluição é o tratamento suficiente.

Outros efeitos na saúde podem aparecer devido às exposições longas ou curtas. Estes efeitos incluem algumas doenças respiratórias, doenças cardíacas e câncer, que podem ser severamente debilitantes ou fatais. É importante tentar melhorar a qualidade do ar interior em sua casa mesmo que os sintomas não sejam perceptíveis.

Há um número de fontes de poluição do ar que são mais comumente conhecidas, como o perigo dos produtos de limpeza e purificadores de ar. O site Care2 escolheu sete fontes de poluição do ar interior que podem ser menos conhecidas, adaptadas do site Greenerchoices.org , mostradas aqui pelo CicloVivo.

1. Carpete novo. Materiais do carpete podem emitir uma variedade de compostos orgânicos voláteis (COVs). Dica: Ao comprar um carpete novo, areje-o por alguns dias antes de instalá-lo. Procure por aquele com baixas concentrações de COVs - com adesivos sem formaldeído. Depois de colocado, mantenha as janelas na sala abertas e deixe um ventilador ligado por dois ou três dias.

2. Lâmpadas fluorescentes compactas quebradas. Quando essas lâmpadas quebram, podem emitir no ar, em pequenas quantidades, o mercúrio (uma neurotoxina). Carpetes e tapetes não podem ser totalmente limpos de mercúrio e aspiradores de pó não devem ser usados para limpá-lo. Dica: Não use lâmpadas fluorescentes compactas em luminárias que poderiam facilmente tombar, especialmente em casas com crianças ou mulheres grávidas. Se a lâmpada quebrar, abra uma janela e limpe o quarto por 15 minutos.

3. Novos componentes eletrônicos e produtos de plástico. Produtos feitos com cloreto de polivinila (PVC) podem emitir ftalatos, que têm sido associados a alterações hormonais e problemas reprodutivos. Plásticos também podem liberar produtos químicos retardadores de chama, como éteres difenil-polibromados, que têm sido associados a alterações neuro-comportamentais em estudos com animais. Dica: Ventile o espaço até o odor dos produtos químicos se dissipar. Aspire em torno de computadores, impressoras e televisores regularmente.

4. Colas e adesivos. Elas podem emitir COV, como acetona ou metil etil cetona, que podem irritar os olhos e afetar o sistema nervoso. Cimento de borracha pode conter n-hexano, uma neurotoxina. Adesivos podem emitir formaldeído tóxico. Dica: Procure por cola a base de água, livre de formaldeído. Trabalhe em um espaço bem ventilado.

5. Equipamento de aquecimento (fogões, aquecedores, lareiras e chaminés). Equipamento de aquecimento, especialmente fogões a gás, podem produzir monóxido de carbono, capaz de causar dores de cabeça, tontura, fadiga e até mesmo a morte se não for ventilado corretamente. Pode também emitir dióxido de azoto (nitrogênio) e partículas, que podem causar problemas respiratórios e inflamação dos olhos, nariz e garganta.

6. Tintas e decapantes. Tintas látex são uma grande melhoria às tintas a base de óleo porque emitem menos química. Mas, à medida que seca, todas as tintas podem emitir COV, o que pode causar dores de cabeça, náuseas ou enjôos. Decapantes, removedores de adesivos e tintas em spray aerosol também podem conter cloreto de metileno, que é conhecido por causar câncer em animais. Dica: use tintas com baixo teor de COV. Ao aplicar a pintura, abra janelas ou portas, areje o espaço com ventilador, e use um respirador ou máscara. Mulheres grávidas devem evitar o uso de decapantes com cloreto de metileno.

7. Móveis estofados e produtos de madeira prensada (compensado de madeira, painéis de parede, aglomerado, MDF). Quando novas, muitas mobílias e produtos de madeira podem emitir formaldeído, uma provável substância cancerígena que também pode causar irritação nos olhos, nariz e garganta; chiado e tosse, fadiga, erupções cutâneas e reações alérgicas graves. Dica: aumente a ventilação, principalmente depois de trazer novas fontes de formaldeído em sua casa. Use produtos de madeira prensada, eles são de baixa emissão, pois contêm resinas de fenol, não resinas de uréia. Procure por móveis sem formaldeído e produtos de madeira. Com informações do Care2.

Fonte: http://www.ciclovivo.com.br/noticia.php/3516/conheca_7_fontes_de_poluicao_do_ar_interior/

Saiba como manter o ar de casa limpo e fresco sem usar produtos químicos

Ninguém gosta de odores desagradáveis​​, e para acabar com ele muitas vezes as pessoas usam os tradicionais purificadores de ar em sprays ou de tomada. Com tudo, a casa acaba recebendo mais do que você espera em cada ‘sopro’. A maioria dos produtos perfumados - cartuchos e velas - enchem o ambiente com produtos químicos tóxicos.

Para não correr riscos, combata os maus odores com purificadores de ar ambientalmente corretos e orgânicos. Eles são mais seguros para pessoas e animais de estimação e são saudável para o planeta também.

Purificadores de ar, tóxicos, raramente fazem o trabalho que deveriam fazer. Em vez de quebrar ou neutralizar odores, eles simplesmente disfarçam-os. Pior ainda, neles estão contidas muitas substâncias químicas que amortecem os nervos que revestem as passagens nasais e bloqueiam temporariamente o sentido do olfato.

A exposição a estes produtos químicos podem causar dores de cabeça e náuseas ou agravar a asma . Mas, uma das substâncias químicas encontradas em ambientadores, os ftalatos, também causam problemas hormonais e reprodutivos, defeitos de nascimento e transtornos do desenvolvimento. Outros ingredientes tóxicos, tais como compostos orgânicos voláteis (VOCs), benzeno e formaldeído, causam dano neurológico e cancro.

Soluções ambientalmente corretas são uma boa opção. Encontre purificadores de ar à base de plantas, hoje em dia é bastante fácil, e eles oferecem uma variedade de benefícios ao meio ambiente. Esqueça o desperdício de energia com cartuchos perfumados de tomada; opções mais ecológicas vêm em sprays sem aerosol e são biodegradáveis. A maioria dos produtos de eliminação de odores ecologicamente corretos, também evita testes em animais e utilizam embalagens recicláveis​​. Lavanda sem pesticidas e óleos essenciais cítricos são mais frequentemente utilizados em purificadores de ar orgânicos. Mas, lembre-se de ler atentamente o rótulo, um purificador de ar sem cheiro ou que afirme ser natural não significa que seja 100% livre de produtos químicos.

Outra forma de evitar a introdução de toxinas em sua casa é fazer o seu próprio ambientador. Encha uma garrafa spray com água destilada ou purificada e adicione algumas gotas de um óleo essencial orgânico. Limão, laranja e lavanda são perfumes populares para refrescar a casa, mas você pode experimentar outros e criar um spray de ar personalizado.

A maneira mais simples e eficaz para refrescar o ar dentro de sua casa é abrir as janelas, mas você também pode deixar pequenos frascos com bicarbonato de sódio ou vinagre em toda a casa para absorver odores desagradáveis​​. Ferver especiarias como cravo e canela em uma panela cheia de água tira odores e adiciona um aroma delicioso ao ar. Queimar soja pura e velas de cera de abelha com chumaços de algodão também ajudam a limpar o ambiente. Saquinhos de ervas orgânicas espalhados por toda a casa deixam uma fragrância sutil. Outra maneira natural para refrescar o seu espaço é ‘nutri-lo’ com plantas, elas melhoraram significativamente a qualidade do ar interior, removendo o dióxido de carbono e outras toxinas.

Fonte: http://www.ciclovivo.com.br/noticia.php/4296/saiba_como_manter_o_ar_de_casa_limpo_e_fresco_sem_usar_produtos_quimicos/

O respeitável público não quer mais animais em circos!

INTRODUÇÃO

Atualmente estamos vivenciando um importantíssimo momento ético e legislativo em relação à presença de animais em espetáculos circenses.

Muitos os Estados e Municípios que atentaram para a questão, especialmente pelo crescente pleito da sociedade pelo fim da crueldade que a subsunção dos animais não-humanos aos animais humanos em circo significa. Atualmente são cinco os Estados que proíbem as apresentações, bem como mais de cinqüenta Municípios em todo o país.

Há ainda em tramitação projetos de leis em muitas cidades, alguns Estados, com destaque para a Bahia (PL 16.957/07, de autoria do deputado estadual Javier Alfaya) e também um de âmbito Federal, o PL 7291/06, tramitando atualmente na Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados.

A aprovação dos citados projetos de lei é de suma importância, conforme pode-se depreender dos argumentos que apresentaremos a seguir.

ORIGENS DA UTILIZAÇÃO DE ANIMAIS EM CIRCOS

Segundo Antônio Torres, em seu História do circo no Brasil (Funarte, 1998), é possível que a arte circense tenha suas raízes na Grécia antiga e no Egito. Os espetáculos desse período tinham a forma de procissões, cujo objetivo era celebrar a volta da guerra. Nesses cortejos, desfilavam homens fortes conduzindo os vencidos, trazidos como escravos, e animais exóticos, utilizados para demonstrar quão longe foram os generais vencedores.

Há, ainda, registros da presença da arte circense na China, onde a acrobacia era bastante popular, datados de mais de 4 mil anos. Relatos dão conta de que os chineses organizavam um festival anual desse tipo de apresentação. Dele teriam se originado os números da corda bamba e do equilíbrio sobre as mãos.

Espetáculos semelhantes ganharam força no Império Romano com a apresentação de habilidades incomuns em grandes anfiteatros, como o Circo Máximo de Roma e, mais tarde, o Coliseu, que comportava quase cem mil espectadores. Fazia parte da diversão, além da exibição de habilidades, a exposição do raro, do excêntrico, do inusitado – como animais exóticos, homens louros nórdicos, engolidores de fogo, gladiadores, entre outras atrações. No período de perseguição ao cristianismo, as arenas foram ocupadas por espetáculos de violência, como a sangrenta entrega de cristãos a felinos.

Com o passar do tempo, o impulso por divertir foi tomando novas formas e ocupando diferentes espaços. Durante séculos, artistas se exibiram em feiras populares, praças públicas e entradas de igrejas, com truques mágicos, malabarismo e outras habilidades julgadas incomuns.

O circo moderno, na forma como conhecemos hoje, com espetáculos pagos, picadeiro, cobertura de lona e cercado de arquibancadas, é invenção mais recente. Foi criado em 1770, por Philip Astley, suboficial inglês que comandava apresentações da cavalaria. Em seu circo, além das atrações com cavalos, Astley incluiu saltimbancos e palhaços. O enorme sucesso do espetáculo em Londres inspirou a criação de apresentações semelhante em toda a Europa e para além dos limites do Velho Mundo.

Nos Estados Unidos, primeiro país das Américas a receber essa atração, o circo consolidou sua característica itinerante, ao viajar por distintas cidades para fazer apresentações. Também nos Estado Unidos, o espetáculo consagrou a apresentação do que se consideravam excentricidades – mulheres barbadas, anões, gigantes, gêmeos siameses, pessoas muito velhas e deformações humanas e animais.

No Brasil, há registro da existência de pequenos espetáculos circenses a partir do final do século XVIII, provavelmente trazidos por ciganos expulsos da Europa. Em suas apresentações, esses artistas utilizavam doma de animais, números de ilusionismo e até teatro de bonecos. O circo moderno, no entanto, só chegou ao país no século XIX. Incentivadas pelos ciclos econômicos do café, da borracha e da cana-de-açúcar, grandes companhias européias vieram apresentar-se nas cidades brasileiras. Foram essas companhias que ajudaram a formar as primeiras famílias de circo, responsáveis pelo progresso da arte circense no Brasil.

O desenvolvimento do circo brasileiro não se deu em termos de espaços e equipamentos – concentrou-se no elemento humano, na sua destreza e habilidade. Foram mantidos números clássicos, como o do engolidor de fogo ou o da corda bamba, e criadas novas atrações adaptadas à cultura local. Os nossos palhaços, por exemplo, sempre falaram muito e usaram um tipo de humor mais malicioso, diferentemente do palhaço europeu, que era, por tradição, um mímico. Os números perigosos como o trapézio ou a doma de animais também ganharam mais espaço por de certa forma agradar muito aos brasileiros, à época desprovidos de informações sobre doma, manutenção dos animais nos circos e afins.

O circo que conhecemos é, portanto, fruto da evolução da arte circense. Esse espetáculo tradicional, familiar, composto de palhaços, trapezistas, mágicos e domadores, que povoou a infância de muitos e ocupa espaço na memória nacional, passa, no presente, por novas mudanças, seguindo o seu curso de evolução.

O surgimento dos grandes centros urbanos, o desenvolvimento tecnológico, o crescimento da economia da cultura, a concorrência de novas formas de entretenimento levaram os espetáculos circenses a se profissionalizar e a se concentrar na performance dos artistas.

Nesse novo cenário, o conhecimento circense não se transmite somente de pai para filho – exige preparo em escolas especializadas. Hoje são poucos os circos que continuam familiares.

Muitos donos de empreendimentos circenses que atuaram nos picadeiros preferem zelar para que seus filhos estudem e permaneçam no circo não como artistas, mas como administradores. A mudança nos valores e no perfil da nossa sociedade, cada vez mais urbana, tem criado uma demanda mais sofisticada e mais cosmopolita para a arte. Para adaptar-se aos novos tempos, os circos já vêm incorporando tentativas de desenvolver um diferente tipo de espetáculo que envolva novas linguagens além das atrações tradicionais.

O circo contemporâneo – ou novo circo, como alguns historiadores o chamam – apresenta um modelo que prospera atualmente, conhecido como circo do homem, por envolver somente a figura humana nas performances, excluindo a participação de animais. Seu formato, ainda em processo de desenvolvimento, representa uma tentativa de adaptar as artes circenses às exigências do mercado artístico contemporâneo, de fazê-lo acessível a todos os públicos, respeitando os valores sociais, sem deixar de cumprir os objetivos primordiais do circo: proporcionar alegria, ilusão e fantasia, em favor do entretenimento. Vários circos internacionais, como o Cirque du Soleil, do Canadá, e o Circo Oz , da Austrália, adotam essa nova abordagem artística, que não admite o uso de animais, cedendo espaço para as performances humanas. No Brasil, muitos circos orientam-se por essa concepção, como o Circo Popular do Brasil, a Intrépida Trupe, os Irmãos Brothers, o Circo Roda Brasil, o Teatro de Anônimos, entre tantos outros.

Esse novo modelo tem contribuído para a valorização do artista circense, criando um mercado promissor e altamente competitivo para esse profissional, com a remuneração associada à sua habilidade e ao grau de dificuldade da exibição.

MANUTENÇÃO E TREINAMENTOS DE ANIMAIS EM CIRCOS: GENERALIDADES

É sabido que os animais não humanos são dotados de sentimentos e instintos. Assim, como os animais ditos racionais, sentem dor, medo, angústia, stress, prazer, desprazer, tristeza, etc. São seres sencientes e que devem ter a mesma consideração à vida que qualquer outro ser vivo, pois estão todos em um mesmo patamar moral.

Nos circos, para que o animal se apresente manso e obediente, cada espécie é treinada de uma determinada forma a seguir explicitada:

ELEFANTES

“Como fazer para conseguir a atenção de um elefante de 5 toneladas. Surre-o. Eis como.” (Saul Kitchener – diretor do San Francisco Zoological Gardens)

•Antes de chegarem no circo, passam por meses de tortura. São amarrados sentados, numa jaula onde não podem se mexer para que o peso comprima os órgãos internos e causem dor;
•Levam surras diárias, ficam sobre seus próprios excrementos até que passem a obedecer;
•Elefantes se comunicam, vivem em grupos com papéis sociais definidos, são extremamente inteligentes, ficam de luto por seus mortos e são capazes de reconhecer um familiar mesmo tendo sido separado dele quando filhote;
•Sofrem de problemas nas patas por falta de exercícios, pois na natureza elefantes andam milhares de quilômetros todos os dias;
•No circo os elefantes permanecem acorrentados o tempo inteiro. Mexer constantemente a cabeça é uma das características da neurose do cativeiro.

LEÕES, TIGRES E OUTRO FELINOS

•De acordo com Henry Ringling North, em seu livro “The Circus Kings”, os grandes felinos são acorrentados a seus pedestais e as cordas são enroladas em suas gargantas para que tenham a sensação de estarem sendo sufocados;
•São dominados pelo fogo e pelo chicote, golpeados com barras de ferro e queimados na testa pelo menos uma vez na vida para que não esqueçam da dor;
•Muitos têm suas garras arrancadas e presas extraídas ou serradas;
•Passam a maior parte de sua vida dentro de jaulas apertadas.

URSOS

•Tem o nariz quebrado durante o treinamento;
•Suas patas são queimadas para força-los a ficar sobre duas patas;
•São obrigados a pisar em chapas de metal incandescente ao som de uma determinada música. No picadeiro, os ursos escutam a mesma música usada durante o “treinamento” e começam a se movimentar, dando a impressão de estarem dançando;
•Muitos tem garras e presas arrancadas. Já foi constatado um urso com 1/3 de sua língua arrancada;
•Alguns ursos se auto mutilam, batendo a cabeça nas grades e comendo suas próprias patas.

MACACOS

•Apresentam o mesmo comportamento de crianças que sofrem abusos;
•Até 98% do DNA dos chimpanzés é igual ao DNA humano;
•Apanham para obedecer e obedecem apenas por medo;
•Roer unhas e auto mutilação são comportamentos freqüentemente encontrados em macacos cativos;
•Os dentes são retirados para que o animal possa ser fotografado junto às crianças.

CAVALOS

•São açoitados e confinados sem direito a caminhadas;
•Apanham para aprender;
•Muitas vezes, por terem que fazer os números em pisos inadequados, especialmente escorregadios, acabam adquirindo lesões irreversíveis, com fortes dores.

TODOS OS ANIMAIS EM CIRCO

•Estão sujeitos aos instrumentos dos clássicos “treinamentos”: choques elétricos, chicotadas, privação de água e comida;
•Ficam confinados sem a mínima condição de higiene, sujeitos a diversas doenças;
•O confinamento não lhes fornece o mínimo de condições de bem-estar, sendo, aliás, totalmente contrário à vida que teriam em seus habitats;
•Não têm assistência veterinária adequada;
•São obrigados a suportar mudanças climáticas bruscas e viajar milhares de quilômetros sem descanso.
Por estas razões é que diversas associações pelos direitos dos animais condenam e trabalham contra a presença de animais em circos, e esta atitude tem sido fomentada por grande parte do respeitável público circense, sendo que todos os fatos narrados podem ser comprovados por amplo material já produzido, especialmente no Brasil. Também incluiremos em tópico adiante alguns exemplos de acidentes já ocorridos, o que deixará ainda mais indubitável que lugar de animais não-humanos definitivamente não é em circos.

Com efeito, os animais obedecem não por índole, mas porque sentem dor, desespero, medo, raiva, aflição, insatisfação, incômodo, situações que, sem dúvidas são caracterizadas como crueldade e maus-tratos.

DOMESTICAÇÃO DE ANIMAIS SILVESTRES?

Animais silvestres ou selvagens são aqueles naturais de determinado país ou região, que vivem junto à natureza e dos meios que este lhes faculta, pelo que independem do homem.

Pois bem. Com esta definição de animais silvestres fica latente que a domesticação destes é algo totalmente anti-natural, e, portanto, é considerada maus tratos, já que para que esta existe, haverá que se retirar o animal de seu habitat natural, alterando-lhe toda uma estrutura de vida e costumes, podendo inclusive levar-lhes à morte.

Aliás, não apenas a retirada do animal de seu habitat que lhe trará malefícios, mas também, e, principalmente, os hábitos que o ser humano irá imputar-lhe, para que viva com essa nova “sociedade”, portanto, mesmo que sejam originários da vida em cativeiro, as condições de vida que lhes são imputadas nada têm a ver com as necessidades que têm.

Em circos, normalmente os hábitos novos imputados aos animais são dos mais cruéis. Animais são forçados a realizar malabarismos e diversos outros números para entreter o público, porém, para que “aprendam” a fazer tudo que seus domadores desejam, sofrem demais.

Devemos finalmente ressaltar que, animais silvestres, apesar de em tese terem sido domesticados, podem revoltar-se, e então, ninguém será capaz de pará-los. Temos exemplos recentes de acontecimentos fatais por causa desta insistência de alguns circos em manterem animais em seus números, como a morte do garoto Juninho em Pernambuco, que fora puxado para dentro da jaula de leões famintos e lhes servindo de refeição, após três dias de total jejum.

Assim, é inquestionável que lugar de animal silvestre é na natureza, seu habitat natural, e que a diversão humana, sadia e inteligente, imprescinde do sofrimento de outrem, afinal de contas, artistas de circos sem animais são muito criativos, talentosos e capazes de entreter seu público. Nada como o bom e velho palhaço, os malabaristas, trapezistas e mágicos!

E OS ANIMAIS DOMÉSTICOS?

Também é comum encontrarmos animais domésticos, como cães, gatos e cavalos em apresentações de espetáculos públicos. Mas será que o simples fato de serem domésticos é permissivo para que seus tutores façam o que bem entenderem com eles?

Do mesmo modo que os animais silvestres nativos e exóticos, os domésticos indubitavelmente também possuem sua tutela legal e jurídica albergada por nossa legislação em vigor.

Ademais, de se ressaltar que animais domésticos são seres especialmente de companhia e não devem ser submetidos a longas jornadas de treinamento e trabalho, sendo obrigados a realizar atividades totalmente contrárias à sua natureza, bem como estando expostos a músicas em altos sons, gritaria e afins (lembrando-se que a audição dos animais é extremamente mais sensível e potente que a dos humanos. O cavalo, por exemplo, possui uma acuidade auricular quatro vezes melhor que a dos humanos).

De se ressaltar ainda que um animal só aprende determinado procedimento após repeti-lo incontáveis vezes, por reflexos condicionados, e, portanto, mesmo se tratando de um animal doméstico, não há nada natural em se forçar um cão a ficar constantemente apoiado apenas em duas patas ou então que um gato pule de uma altura de 20 metros ou ainda um cavalo dando pinotes em minúsculos palcos escorregadios, por exemplo.

Finalmente, não poderíamos deixar de citar os danos físicos que acometem os animais domésticos, que chegam até mesmo a pagar com suas próprias vidas para realizarem algum número forçado por seus “treinadores”, ou ainda pelas condições lastimáveis em que são mantidos, em espaços minúsculos e sem higiene, propensos a adquirirem inúmeras doenças e em notório estado de maus tratos.

ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE

Além de legislação específica já em vigor em determinados locais, conforme já citamos, devemos também atentar que nossa legislação ambiental alberga a tutela dos animais, inclusive todos aqueles utilizados em circos.

A Constituição da República, no capítulo do Meio Ambiente, assim dispõe:

“Art. 225 – Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

§ 1° – Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:

(…)

VII – proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais à crueldade.“

Importantíssimo ainda a tutela aos animais albergada pelo Decreto Federal 24.645/1934:

“Art. 1° – Todos os animais no país são tutelados do Estado.

Art. 2°, § 3°: Os animais serão assistidos em juízo pelos representantes do Ministério Público, seus substitutos legais e pelos membros das sociedades protetoras dos animais.

Citado decreto, inclusive, já proíbe a apresentação de animais em circos desde o ano de 1934, conforme podemos depreender de seu artigo 3º, que em rol exemplificativo traz situações quetipificam situações de maus tratos, e especialmente em seu inciso XXX, assim considera aexibição de animais em casas de espetáculos para a realização de acrobacias, ou seja, exatamente as atividades praticadas por circos.

Já a Lei de Crimes Ambientais (Lei federal n° 9.605/1998), finalmente, contempla o seguinte tipo:

“Art. 32 – Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos.”

Assim, devemos ressaltar que a proteção de todos os animais está albergada em nossa legislação, sendo crime qualquer ato que prejudique o animal, seja ele um cão poodle, um cavalo ou animais exóticos utilizados em apresentações circenses (elefante, urso, camelo).

E não obstante a questão legal abordada, a preservação da VIDA, seja ela de qual forma for, há que prevalecer como objetivo primordial e essencial na consciência e ética humana e ambiental. O ser humano deve alcançar a tão necessária evolução e parar definitivamente com a arcaica e irracional exploração de animais, tornando-se finalmente um ser racional, condição da qual tanto se orgulha de ostentar.

DOS DISPOSITIVOS DO IBAMA A RESPEITO DE ANIMAIS EXÓTICOS EM CIRCOS

Mister também ressaltarmos que, mesmo que se considerasse a possibilidade de manutenção de animais em circos, os animais presentes atualmente em circos de modo algum poderiam estar atualmente sob a tutela dos circenses, tendo em vista que é notório a qualquer leigo a falta de condições adequadas para a dignidade destes animais.

Conforme portaria IBAMA n.º 108/94, que regulamenta a manutenção de algumas espécies de animais exóticos por pessoas físicas ou jurídicas, dentre elas, aqueles mais comuns mantidos por circos como o Ursus arctus (urso pardo), o Elephas maximus (elefante asiático), o Panthera leo (leão) e o Panthera tigris (tigre), algumas exigências devem ser atendidas. As principais são:

- assistência permanente de pelo menos um médico veterinário;

- que o animal seja sexado e marcado (leia-se microchipado);

- apresentação de relatório anual (atualmente também com relatórios resumidos trimestrais a serem apresentados via internet);

- proibição de visitação pública;

- recinto nos mínimos padrões exigidos:

Urso
Área – 100 m² / 600 m³ (se arbícola)
Abrigo – 15 m²
Tanque – 15 m² / 2m profundidade
Área de Cambiamento – 10 m²
Piso – camada de terra 2,0 sem concreto.

Elefante (Proboscidae)
Área – 1000
Tanque – 100 m² / 3m profundidade
Área de Cambiamento - 2 x 50 m², altura mínima de 100 m
Piso – areia/terra, sem concreto
Especificidade: cambiamento em concreto. Portas de trilho reforçado.

Leão e Tigre
Área – 60 m² / 150 m³
Abrigoo – 15 m²
Área de Cambiamento - 3 x 6 m²
Piso – areia/terra, sem cimento
Tanque: 10 m² / 1,0 m profundidade.

Além das regras citadas, o transporte desses animais apenas poderá ser feito com a obtenção das respectivas guias de transporte (GTA), estando os animais com todas vacinações em dia, bem como com estado de saúde totalmente perfeito.

Importante também lembrar que é proibido no país a entrada de espécie exótica sem as devidas autorizações (artigo 31 da Lei de crimes ambientais), e, portanto, mesmo que filhotes tenham nascido no país, necessário comprovar-se a origem dos animais, bem como de todos seus ascedentes, pois a existência de ao menos um único animal que tenha entrado no país de forma ilegal, já enseja a ilegalidade de todos os seus descendentes.

Portanto, sem necessidade de conhecimento técnico algum, apenas pela simples observação, é notório que algumas das normas basilares para se tutelar os animais não são observadas minimamente pelo circo, especialmente no que se refere à questão de visitação pública e de padrões mínimos de recintos.

ALGUNS FATOS OCORRIDOS EM CIRCOS COM ANIMAIS NO BRASIL

São muitos os acidentes com animais em circos, prejudicando os próprios animais, bem como seus tratadores, outros componentes dos circos, o público e a população em geral. Para não nos tornarmos muito prolixos, selecionamos apenas alguns dos fatos para exposição a seguir, apenas a título de mera exemplificação prática:

- Bady Bassit/São José do Rio Preto/SP, abril de 2008: leão solto por circo causa pânico na região;

- Mata de São João/BA, dezembro de 2007: macaco arranca parte do dedo de uma menina de 3 anos. Animal fica em jaula improvisada em carrinho de supermercado;

- Cuiabá/MT, dezembro de 2007: leão pula muro e foge de circo;

- Vitória/ES, outubro de 2007: mulher tem braço amputado após mordida de leão de circo que tentou acariciar.

- Palhoça/SC, maio de 2006: elefante foge de circo;

- Itaboraí/RJ, fevereiro de 2006: leão é encontrado em jaula aberta escorada apenas com uma tábua em frigorífico abandonado;

- Uberaba/MG, dezembro de 2005: 5 leões são abandonados por circo m estrada;

- Ervália/MG, julho de 2005: macaca chimpanzé arranca dedo mínimo de criança de 12 anos que estava em circo que se apresentava na cidade;

- Campos do Jordão/SP, julho de 2005: dois tigres morrem no circo Stankowich. A priori afirmou-se que fora de frio, porém, após, em laudo feito por veterinário do circo, ficou constatada morte por vírus transmitido por gato doméstico, o que no sugere a ingestão de animais domésticos pelos animais do citado circo, já que representantes do circo tentaram descartar o cadáver de um dos animais, abrindo-lhe e queimando as vísceras, inclusive.

- Restinga Seca/RS, junho/2005: criança de oito anos sofreu ferimentos ao encostar em grade deleão, o qual acabou sendo executado com choque elétrico, por meio de aparelho para este fim portado por seu treinador;

- Lavras do Sul/RS, maio/2005: homem é atacado por um tigre de circo, tendo seu braço esquerdo amputado;

- São Paulo/SP, fevereiro de 2005: chimpanzé Dolores, após ter sido retirada do circo Di Napoli pelo IBAMA, estando depressiva e com bronquite crônica, finalmente é encaminhada para um santuário após decisão judicial;

- Antônio Carlos, Florianópolis/SC, julho de 2004: dois leões e dois tigres são apreendidos em um circo, após serem encontrados desnutridos e em jaulas soldadas;

- Curitiba/PR, junho de 2004: IBAMA precisa encontrar um novo lar para 2 leões que estavam com um particular e não têm mais condições de mantê-los. Animais nascidos em circo;

- Iguaraci/PE, abril de 2004: o urso pardo Bruno, maltratado e desnutrido é simplesmente abandonado por circo no sertão do Pernambuco;

- Penha/SC, março de 2004: morre gato em conseqüência de queda na apresentação do número “pulo do gato” em circo em Santa Catarina;

- Aparecida de Goiânia/GO, dezembro de 2003: tigresa da espécie real de bengala ataca tratador, mordendo antebraço e bíceps do rapaz, o qual teve sérios ferimentos, tendo que ser submetido a cirurgia para tentar recuperar os movimentos;

- São Paulo/SP: Bambi, elefanta presente no circo Stankowich escapa para a Radial Leste em pleno horário de rush;

- Penha/SC, outubro de 2003: morre Madú, elefanta que viveu anos em um circo e passou o final de sua vida em um outro circo em Santa Catarina. No laudo atestava-se que a elefanta morreu com um raio na cabeça, apesar de ter vivido ao redor de uma cerca eletrificada e de diversas testemunhas terem presenciado sua cruel morte por eletrocussão;

- Sumaré/SP, janeiro de 2003: circo Stankowich abandona três leões no centro da cidade de Sumaré/SP, alegando não querê-los mais. Os animais foram encaminhados em estado lastimável de saúde para o Santuário Ecológico Rancho dos Gnomos, sendo que um dos animais estava tão debilitado, que veio a óbito;

- Maracanaú/CE, dezembro de 2001: leoa morta a tiros depois de escapar em circo no Ceará;

- Curitiba/PR, agosto de 2001: trapezista do circo imperial do México teve que amputar braço após ter sido atacado por leoa;

- Atibaia/SP, abril de 2000: circo Bartholo abandona 3 leões e 1 leoa em terreno baldio;

- Recife/PE, abril de 2000: leões matam garoto. Quatro leões famintos do circo Vostok puxam o garoto Juninho para dentro da jaula no intervalo da apresentação do espetáculo circense. Garoto tem uma morte trágica e cruel e os animais são todos mortos. Em exame necroscópico, há a constatação de que os animais não comiam há dias.

CONCLUSÕES

Os legisladores baianos, bem como os federais deverão atentar-se que o circo contemporâneo apresenta um modelo que prospera atualmente, conhecido como circo do homem, por envolver somente a figura humana nas performances, excluindo a participação de animais.

Além disso, a utilização de animais não humanos para tentativa de atraçãode um suposto público é uma ultrapassada e falidaestratégia de marketing, tendo em vista que o anseio da sociedade moderna há tempos vem evoluindo, de modo que não mais aceitam o tratamento de animais não-humanos como se meros objetos fossem, além de se ressaltar que já se trata de atividade ilegal e inconstitucional, conforme rol legislativo já citado e pela indubitável crueldade que tal ato significa.

Também não há que se falar em educação, arte e cultura na apresentação de animais em situações totalmente estranhas às suas naturezas, além de toda uma vida submetida às jaulas e à itinerância, sob todo tipo de intempérie climática. Educação, arte e cultura não são feitas e nunca o serão por meio da exploração de qualquer forma de vida que seja, pois caso contrário teríamos um enorme contra-senso. Qual seria a lição a se transmitir a uma criança ao fazê-la ver um elefante subindo em um banquinho? Ou um leão e um tigre pulando um arco de fogo? Ou ainda um urso dançando ou andando de bicicleta? Um gato pulando de uma altura de dez metros e se espatifando no chão? Não vejo outra a não ser a de que animais seriam seres inferiores e que o humano (“todo-poderoso”) pode dominá-lo e fazer o que quiser…

Assim, roga-se que legisladores tenham uma atuação ética e não antropocêntrica, coadunando-se com as tendências mundiais morais globais, e finalmente votando e aprovando o PL do Estado da Bahia 16.957/07 e o PL federal 7291/06, proibindo-se a apresentação e manutenção de quaisquer animais não-humanos nos circos e espetáculos assemelhados.

E que o respeitável público ostente mesmo esse título de respeitável e continue evoluindo em seus conceitos éticos, morais e legais, não aceitando a crueldade como cultura e arte.

Texto recebido por email da INFO SENTIENS.

Fonte: http://mariliaescobar.wordpress.com/2010/06/03/o-respeitavel-publico-nao-quer-mais-animais-em-circos/

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Voltando às origens: plantio em pequena escala pode significar alimento mais saudável na mesa do consumidor

O alerta sobre resíduos de agrotóxicos em diversos produtos vindos do campo, como o pimentão e o morango, dá força a movimentos que defendem a agricultura familiar orgânica, agroecológica e sustentável como modelo agrário.

A produção de alimentos tem ganhado destaque nas discussões globais e locais em um planeta que ganha cada vez mais habitantes. Como alimentar uma população que deve chegar a 9 bilhões em 2050, segundo estimativas das Nações Unidas, com ameaças de instabilidades climáticas e tendência de aumento nos preços das commodities agrícolas?

O tema fez parte das mesas de discussão do 42º Fórum Econômico Mundial, que aconteceu neste final de janeiro em Davos, na Suíça. Segurança alimentar, sustentabilidade ambiental e fomento às oportunidades econômicas por meio da agricultura estiveram no centro do debate. Produzir mais com menos recursos é a tônica. Isso, em contrapartida, pode comprometer a integridade dos alimentos e do solo, com o uso cada vez mais intenso de defensivos agrícolas, que entram no sistema para aumentar a produtividade das lavouras.

Na mesma Comunidade Europeia, outro segmento da população se manifesta contra o modelo que prioriza a produção em larga escala. Na Alemanha, por exemplo, 40 organizações e iniciativas de diversas áreas, entre elas agricultura, nutrição, proteção à natureza e desenvolvimento, lideram uma campanha que pede um basta ao agronegócio e defende a agricultura familiar baseada nos princípios da sustentabilidade.

O movimento, preocupado com os impactos do atual modelo para a nossa sociedade, saúde e meio ambiente, incentiva um diálogo mais próximo entre produtores e consumidores, ideia que também ecoa em terras brasileiras. Aqui, uma das ações do Ministério do Desenvolvimento para incentivar o escoamento direto da produção de agricultores familiares é a certificação pelo Selo de Identificação da Participação da Agricultura Familiar (Sipaf).

O mercado é expressivo. O último censo agropecuário realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgado em 2009, mostra que a agricultura familiar representava em 2006 cerca de 80% do total dos estabelecimentos agropecuários. A produção em pequena escala, ocupando apenas 24,3% da área agropecuária brasileira, já era responsável por 87% da produção nacional de mandioca, 70% da produção de feijão e 46% de milho. A cultura com menor participação da agricultura familiar foi a soja (16%).

Comprar alimentos desses produtores certificados incentiva a economia de pequena escala e, para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), reduz o risco de se consumir produtos que não estejam de acordo com as “boas práticas agrícolas”.

A ANVISA fez um alerta em dezembro do ano passado, quando divulgou dados de seu Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos de Alimentos. Das 18 culturas pesquisadas, 28% foram consideradas insatisfatórias. Em alguns casos, foi constatada nos alimentos a presença de agrotóxicos que não são autorizados pela Agência ou que estavam em níveis acima dos autorizados. Com a repercussão nacional da notícia, o pimentão, o morango, o pepino, a alface e a cenoura, que estão no topo da lista de alimentos com resíduos de agrotóxicos, entraram na mira da população.

Há quem oriente o consumidor a lavar bem as frutas e verduras, retirando a casca e as partes externas, como forma de reduzir a presença de agrotóxicos na alimentação. Mas há uma série de organizações no Brasil que, como as da Alemanha, defendem a produção de alimentos orgânicos e agroecológicos como a única opção para uma vida saudável (tanto para o trabalhador rural quanto para o consumidor), além de uma terra sempre produtiva e um futuro livre de doenças e contaminações decorrentes de práticas abusivas do agronegócio.

A “Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida” foi lançada nacionalmente em abril de 2011 e já se espalha em comitês regionais pelos principais Estados brasileiros, promovendo principalmente ações de articulação, comunicação e formação profissional. “É importante ressaltar que as culturas que mais utilizam agrotóxicos são justamente aquelas produzidas no modelo do agronegócio, cultivadas em grandes áreas de monocultivo e voltadas para a exportação, como é o caso da soja, que é responsável por 51% do volume total de agrotóxicos comercializados no país”, afirma Cleber Folgado, secretário-geral da campanha e dirigente do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA).

A tendência é realmente que o consumidor se aproxime cada vez mais da produção, saiba de onde vem o alimento, quem o planta e como, e consiga comprar diretamente do agricultor.

No livro A Terceira Onda, o futurista Alvin Toffler vai além e prevê uma civilização que começará a “cicatrizar a ruptura histórica entre o produtor e o consumidor”, gerando o que ele classifica como a “economia do prossumidor”, ou seja, aquela pessoa que já não depende de supermercados e redes de comércio para se alimentar ou adquirir mercadorias. Essas pessoas já existem: mesmo no ambiente urbano, elas cultivam hortaliças e legumes em quintais, varandas ou mesmo telhados, tendo assim a garantia da saúde em seus pratos de comida.

Fonte: http://sustentabilidade.allianz.com.br/?1759%2Fplantio-em-pequena-escala-alimento-mais-saudavel-na-mesa

Abre alas para a desintoxicação

A medicina tem recursos para limpar o organismo dos venenos liberados pelo excesso de comida, bebida e falta de sono. Mas quantos de nossos exageros podem ser consertados depois da folia?

O corpo intoxicado

O consumo exagerado de gordura, sódio e álcool e a superexposição ao sol e ao cigarro, entre outros hábitos ruins da modernidade, podem comprometer o funcionamento de uma das mais nobres estruturas celulares, as mitocôndrias - pequenas usinas de energia existentes no interior das células. Quando agredidas, elas deflagram a produção excessiva de radicais livres, átomos ou moléculas altamente reativos que podem desequilibrar a bioquímica celular.









Fonte:
http://veja.abril.com.br/noticia/saude/abre-alas-para-a-desintoxicacao

Abaixo alguns textos sobre o tema

Detoxificação e dieta por Dra. Jane Corona
A dieta e a detoxificação interagem em vários pontos. Se por um lado ela é fonte de muitas toxinas naturais e ambientais, ao mesmo tempo fornece fitoquímicos, fibras, aminoácidos e nutrientes que facilitam as duas fases que detoxifica os hormônios, toxinas e as substâncias produzidas pelo organismo durante o seu metabolismo.

São também os componentes da dieta que interagem com os genes que regulam as fases 1 e 2 deste eficiente sistema detox.

As maiores fontes de toxinas da dieta são os xenobióticos, ou seja, resíduos químicos de pesticidas, solventes, herbicidas, aditivos alimentares, metais pesados, e as gorduras trans. O sistema de detoxificação além de nos desintoxicar dos fungos, bactérias, drogas e hormônios produzidas em excesso pelo organismo, tem também que nos livrar destas substâncias potencialmente tóxicas que se acumulam no tecido adiposo.

O sistema detox ocorre na pele, pulmões, rins, intestino e principalmente no fígado. A capacidade funcional para metabolizar e excretar esses compostos varia de pessoa para pessoa e é isso o que determina a quantidade de toxinas que serão acumuladas.

Na fase 1 da detoxificação esses compostos que adoram as gorduras, lipofílicos, são biotransformados, por um grupo de enzimas da família do Citocromo P450, em espécies intermediárias altamente reativas e em substancias potencialmente cancerígenas. Estes compostos intermediários ficam preparados para reagirem com as enzimas da fase 2, as conjugases, que os tornam solúveis em água e prontos para uma rápida excreção pelos rins.

Se não tivermos um sistema detox funcionando com as duas fases de maneira equilibrada, os compostos reativos formados podem oxidar proteínas, lipídeos da membrana celular e até os ácidos nucléicos do DNA.

Durante um jejum prolongado as enzimas da fase 1 aumentam substancialmente e muitos compostos intermediários são formados, resultando num estresse tóxico, porque não há enzimas da fase 2 suficientes para neutralizá-los, uma vez que estas dependem exclusivamente dos componentes dieta. O funcionamento equilibrado dessas duas fases é que permite que os compostos intermediários sejam conjugados, detoxificados, excretados completamente e não se acumulem.

Uma detoxificação para ser eficiente precisa de nutrientes adequados como os folatos das folhas, a vitamina A das frutas e vegetais, as proteínas, a vitamina B12, minerais, como o magnésio e particularmente o enxofre da cebola, alho e dos vegetais crucíferos, como brócolis, couve flor, couve de Bruxelas, repolho, couve, rúcula, nabo e acelga. Esses elementos influenciam no genoma das enzimas da fase 1 e nas reações enzimáticas da fase 2, entre elas, a glucuronidação, sulfatação e acetilação.

Em resumo, os xenobióticos são ameaças constantes para nossa saúde, por isso o organismo conta com um sistema detox muito eficaz e equilibrado para eliminá-los. Quando esse sistema falha, esses agentes tóxicos para proteínas, DNA e lipídeos podem desencadear fadiga crônica, dores musculares ou doenças hepáticas, renais, endócrinas, imunológicas, neurológicas e inclusive câncer

Autora: Dr. Jane Corona, médica com prática em ortomolecular.
Fonte: http://janecorona.blog.uol.com.br/




Detox e seus benefícios por Dra. Sílvia Coelho (artigo originalmente postado na liga da saúde)

Detoxificação ou desintoxicação? Bem na verdade, todos os termos possuem o mesmo significado: eliminação de substâncias tóxicas, que muitas das vezes, ingerimos e nosso organismo por esse excesso de consumo, pode começar a acumular. Todas essas substâncias, principalmente vindo de fármacos, alimentos industrializados e vegetais ricos em agrotóxicos precisam passar por alguns processos bioquímicos no nosso organismo para que tal substância tenha capacidade de eliminação. Esse é um tema longo e abrangente, mas aqui falarei para que possam entender um pouco sobre o assunto.
Esse é um processo fisiológico, nosso organismo sempre vai ser realizá-lo. A detox (como normalmente chamamos) é realizado por todas as células de todos os tecidos, mas principalmente pelo intestino (20%, aproximadamente) e no fígado entre 60 a 65%. Então problemas de constipação intestinal, diarréias recorrentes ou problemas hepáticos (como a esteatose hepática, conhecida como “gordura no fígado”), normalmente podem não estar desempenhando bem essa função.
Porém, existem duas principais limitações: problemas genéticos (que possam impedir ou dificultar a eliminação) ou quando o consumo é maior que a capacidade que nosso organismo tem de eliminação. Verifico na minha prática clínica o segundo problema ocorrendo com muitos pacientes e com frequência, e o motivo: a falta de tempo para um consumo de alimentos com qualidade. A preocupação sempre é a falta de tempo e ainda se o produto consumido é diet ou light.
Caímos em uma outra questão: na sua grande totalidade, esses tipos de alimentos processados tem baixa qualidade nutricional e alta quantidade de adoçantes artificiais, corantes, acidulantes, conservantes (a lista é grande) entre outros, e quando consumidos em grandes quantidades é como nosso organismo ficasse saturado de tal substância e não reconhecesse o excesso do mesmo.
Há ainda outros fatores que aumentam o caráter tóxico do nosso organismo: jejum, dieta de baixa caloria e qualidade nutricional, dieta pobre em proteínas, deficiência de vitaminas e minerais, dietas ricas em carboidratos e gorduras saturadas, cigarro, álcool, alimentos ricos em adoçantes (principamente artificiais) e intoxicação por metais tóxicos (é mais comum do que imaginamos!).
Mas, como saber se estamos afetados por toxinas? Preste atenção se você tem múltiplas hipersensibilidades, ansiedade, tonturas, déficit de memória, concentração ruim, fadiga excessiva, queda de cabelos, unhas fracas, celulite, colesterol alterado, dores de cabeça/enxaqueca, desordens tireoidianas, dificuldade para emagrecimento entre outros sintomas/doenças. Importante: consulte sempre um profissional capacitado para ter certeza e avaliar a origem do seu problema.
De fato, para a detox ser eficiente, não é tão simples assim.  A verdadeira detoxificação abrange 3 períodos onde vários grupos alimentares são eliminados e outros priorizados: glúten, leites e derivados, açúcar, café, qualquer alimentos processado, carnes vermelhas e em determinado período até oleaginosas, peixes e ovos. Esse processo deve ser de no mínimo 21 e no máximo de 30 dias.
No nosso organismo, o processo de detoxificação compreende em duas etapas (todas dependentes de nutrientes essenciais): fase I (biotransformação ou bioativação) e fase II (conjugação). Os nutrientes utilizados vão de vitaminas, minerais e antioxidantes, a probióticos,  aminoácidos (glicina, cisteína, glutamina...) e alguns fitoterápicos (como a silimarina, dente-de-leão e alcachofra) para que as duas fases descritas anteriormente recebam todo o aporte nutricional suficiente para ser realizadas pelo seu organismo com sucesso.
 Acredito que nesse momento você deve estar se perguntando: o que comer? Não se preocupe, pois durante o processo de limpeza (“roto-ruter”) e eliminação de toxinas, precisamos priorizar o consumo de vegetais (principalmente orgânicos), recorrer aos leites de arroz, de quinua ou castanha, cereais integrais, azeite, frutas e suco de frutas, chás, ervas entre outros. A criatividade é um fator fundamental nesse momento, pois há criação de muitas possibilidades com esses alimento. Já passei por uma detox esse ano, posso falar com propriedade: foi ótimo!  E como valeu a pena!
Aliado a todo esse processo, para aumentar a capacidade de desintoxicação do nosso organismo e promover saúde e emagrecimento saudáveis e efetivos, é necessário também  praticar atividades físicas (sempre com supervisão de profissionais capacitados e autorização médica), drenagem linfática, diminuir a ingestão de medicamentos sem prescrição médica e consumir alimentos (de preferência orgânicos) que aumentem a capacidade de detoxificação do nosso organismo:  couve, vegetais verdes escuros, limão, romã, alecrim, própolis, cúrcuma, frutas, chá verde. Não podemos esquecer da água, ok? Sem ela, todo esforço será em vão.
Adicione esses alimentos diariamente e siga as dicas acima diminuindo a ingestão de susbstâncias químicas e verifique como seu organismo funcionará melhor. Sempre que possível, priorize os alimentos orgânicos e consuma suco de limão com hortelã, arroz integral com cúrcuma, salada de grãos com couve regado ao azeite extra virgem, chá de ervas...
Seu sistema de detoxificação (e seu organismo) sempre funcionarão a todo vapor! Sem contar que as doenças passarão bem longe de você...
Muita saúde a todos!




Uma vida saudável pede uma alimentação equilibrada. O difícil é consumir alimentos saudáveis todos os dias e abrir mão da feijoada, da lasanha e do churrasco do fim de semana. Para ajudar a equilibrar as refeições, apontar os alimentos que vão compor a lista de compras e até organizar adequadamente a geladeira, existem profissionais capacitados para tais funções. São os personal dieters. Trata-se de um nutricionista que vai até a casa do cliente, auxilia nas compras de alimentos, ajuda a compreender o rótulo dos produtos e não deixa cair em tentação.

A nutricionista Carolina Morais trabalha com a dieta desintoxicação, ou dieta detox, há pouco mais de três anos. “A detox é basicamente uma dieta que auxilia na eliminação das toxinas que atrapalham o bom funcionamento do nosso metabolismo. Através de uma alimentação e suplementação, além de outras orientações. Tudo levando em consideração a individualidade bioquímica de cada um”, explica.

Elaborada de acordo com a necessidade de cada pessoa, a dieta detox ajuda a alcançar os resultados desejados mais rápido. "Cada pessoa tem um organismo diferente e precisa de cuidados diferentes. Inicialmente é realizada uma consulta para saber quais procedimentos deverão ser tomados e que tipo de alimentos serão cortados aos poucos do cardápio daquela pessoa", garante.

Para auxiliar aquelas pessoas que não sabem quais alimentos levar para casa ou como prepará-los, Carolina teve a ideia do detox delivery. Assim, é ela quem vai até o paciente. Além de orientar o paciente, a nutricionista ajuda na mudança de hábitos alimentares de toda a família. “A gente faz um trabalho geral. Damos orientações até para a cozinheira da casa. Explicamos qual é a melhor foram de preparar cada alimento do novo cardápio e qual é o jeito mais adequado de guardá-lo”, afirma Carolina.

Cotidiano

Uma das grandes dificuldades para quem está de dieta, ou cuidando da alimentação para uma vida mais saudável, é manter a vida social. Carolina Morais explica que a dieta detox muda cerca de 90% do hábito alimentar do paciente. Os outros 10% são compostos por aquilo que a pessoa gosta e não consegue abrir mão. “Eu penso na vida social dos meus pacientes. Elaboro dietas para que eles não tenham que abrir mão de uma festa por causa da comida que será servida”, diz. A nutricionista destaca que a quantidade dos alimentos é regulada de acordo com a necessidade de cada pessoa, já que, segundo explica, nem toda dieta é para perder peso.

Idéia aprovada

Algumas pessoas se adaptam facilmente aos novos hábitos alimentares, mas existem aquelas que precisam de ajuda durante meses. No caso da jornalista e empresária Andrea Regis, de 34 anos, não foi difícil entrar para o grupo de pessoas mais saudáveis. “Eu sempre fui muito natureba, mas não sabia bem o que comer e nem a quantidade. Não foi difícil abrir mão de certos tipos de comida. Com a ajuda de um profissional é ainda mais simples”, declara.

Sobre o resultado da nova rotina, a jornalista afirma que se sentiu muito mais disposta comendo alimentos sugeridos pela nutricionista Carolina Morais e na quantidade e hora certa, além de outros benefícios. “Me sinto com mais energia, sem falar que a pele ficou muito mais bonita. A dieta detox também ajuda a melhorar a aparência de celulites”, finaliza.

Valores

Os benefícios são muitos. É maravilhoso saber que existe a possibilidade de receber orientações de uma nutricionista no conforto do próprio lar. De acordo com Carolina Morais, um dia de treinamento em casa custa, em média, R$ 700. Pode parecer caro, mas quem fez o tratamento garante que vale o investimento.

Fonte: http://www.aredacao.com.br/vida.php?noticias=5907


PS: A Dra. Carol Morais tem um blog muito interessante, no qual escreve sobre dieta, dicas nutricionais e de restaurantes, alimentos orgânicos, tudo de uma forma bem descontraída. Ela é uma das nutricionistas da Clínica de Ecologia Médica e nutricional. Para saber mais sobre o serviço de Dexto delivery acesse: http://www.falecomanutricionista.com.br/



Toxinas ambientais e suas influências na saúde humana - Texto publicado pela Dra. Renata Carnaúba no blog da VP: http://www.vponline.com.br/frame_eventos_diversos.php
Diariamente, entramos em contato com cerca de 60 mil compostos tóxicos. Nestes, podemos incluir medicamentos, metais tóxicos, aditivos alimentares, agrotóxicos, poluentes do ar, migrantes de embalagem e outros (1), conhecidos também como xenobióticos.

Sempre que o nosso organismo entra em contato com alguma toxina, inicia-se um processo de destoxificação, que visa a eliminação dessa substância; seja em nível celular ou orgânico. A destoxificação ocorre em todas as células, mas principalmente nas do fígado e do intestino(1).

As reações de destoxificação dão-se por um processo dividido em três fases. As reações de Fase I, também chamada de biotransformação ou bioativação, são realizadas por várias enzimas, e entre elas podemos citar o citocromo P450, que é o principal sistema enzimático responsável por este processo(2). Quando a toxina é biotransformada ela está na verdade sendo preparada para a reação de conjugação, conhecida também como fase II. As reações de fase II têm os objetivos de transformar as toxinas em moléculas passíveis de excreção e hidrossolúveis, além neutralizar sua possível reatividade (1). Após terem sido metabolizadas nas fases I e II, a ex-toxina, agora um metabólito excretável, será transportada para a circulação. Esta ação é realizada pela P-glicoproteína (Pgp), que transporta o metabólito para sua eliminação, seja nas vias biliares, tecido renal ou ainda no intestino, também chamada de fase III (3,4).

Existem muitas evidências que nos permitem afirmar que a nutrição influencia de forma determinante em como destoxificamos (1). Para a síntese do complexo enzimático P450, por exemplo, vários nutrientes são importantes, como ferro, cobre, zinco e vitamina B12 (5). Além desses, uma série de fitoquímicos presentes nos alimentos modulam reações do citocromo P450 e de conjugação (1).

A ingestão dietética de frutas e verduras é muito importante para esse processo, pois estes alimentos contém vitaminas, minerais, aminoácidos e fitonutrientes, que são cofatores necessários para as reações de fases 1 e 2, protegendo também contra o estresse oxidativo, inflamação e lesão mitocondrial induzida pelas toxinas. Especula-se que a composição desses alimentos seja, ao menos parcialmente, responsável por esses efeitos benéficos (5,6).

Dentre os alimentos mais eficazes para ajudar a destoxificação podemos citar as Brássicas, que inibem enzimas de fase I e aceleram enzimas de fase II, que determinam a destoxificação de compostos potencialmente tóxicos (7,8); a toranja (grapefruit), que possui a capacidade de modular as reações de fase I e II por meio da ação enzimática (9); o cúrcuma, que acelera enzimas de fase 2 e também possui capacidade de aumentar a atividade de reparo de DNA contra danos induzidos pelo arsênico (10); o chá verde, que estimula as reações de fase I e II através da ação enzimática, podendo aumentar em até 30 vezes uma das principais enzimas da reação de fase II; entre outros.

A toxicidade de diversos agentes tóxicos em seres humanos tem sido amplamente investigada, sendo relatado o aumento da incidência de disfunções do sistema endócrino de seres humanos. Estudos têm sugerido que a exposição a essas substâncias provoque possíveis alterações na saúde humana envolvendo o sistema reprodutivo, como câncer de mama e de testículo, endometriose e infertilidade, entre outros; além de distúrbios de comportamento e doenças auto-imunes (11,12).

Tais substâncias são chamadas de interferentes endócrinos. Interferente endócrino pode ser definido como substância química exógena, natural ou sintética que, mesmo presente em concentrações extremamente baixas, tem o potencial de causar efeitos adversos na saúde por interferir no funcionamento natural do sistema endócrino podendo causar câncer, prejudicar o sistema reprodutivo, entre outros (13,14). Embora banidas, muitas dessas substâncias ainda permanecem e permanecerão por muito tempo na natureza devido a sua alta estabilidade (14).

Existem diversas formas de contaminação por meio da cadeia alimentar em humanos. Exemplo disso são os agrotóxicos, migrantes de embalagens e contaminantes presentes em produtos de origem animal.

Os alimentos de origem animal geralmente são contaminados na fase da criação desses animais, em que é comum o uso de agentes anabolizantes nas rações, e que acabam sendo encontrados nos produtos derivados consumidos em quantidades permitidas pela legislação, desde que respeitadas as doses indicadas e o período de aplicação (1,11).

Embalagens plásticas podem conter constituintes inorgânicos os quais podem migrar para o alimento (15), apesar de ser uma migração pequena, a detecção dos efeitos biológicos na exposição em curto prazo não é possível de ser avaliada, entretanto, após longos períodos de ingestão, manifestações tóxicas sutis e de difícil detecção poderão ocorrer (1).

O rápido aumento de compostos químicos no ambiente coincide com o aumento da epidemiologia da obesidade nos últimos 40 anos. Além disso, evidências científicas sugerem que a exposição a certas toxinas que mimetizam a ação dos hormônios pode contribuir para o aumento da obesidade em humanos e modelos animais (16).

Tem sido mostrado que poluentes ambientais como POPs, pesticidas e bifenilas policlorinadas (PCBs) acumulam no tecido adiposo após a exposição. Foi evidenciada também que a exposição ao Bisfenol A (BPA) afeta o transporte de glicose no tecido adiposo e altera a funcionalidade endócrina dos adipócitos, sendo que em doses ambientalmente relevantes inibem a liberação de uma adipocitocina chave protetora contra a síndrome metabólica (16,17).
Evidências patológicas e laboratoriais sugerem que o arsênico, mercúrio, chumbo, POPs e possivelmente BPA, interagem com o funcionamento das células pancreáticas Langerhans, afetando consequentemente a produção de insulina (18). A exposição oral a baixas doses de mercúrio através de amálgamas dentárias, do consumo de peixes e vacinas, diminui os níveis plasmáticos de insulina e eleva assim a glicemia e a intolerância à glicose, além de aumentar o estresse oxidativo, induzir citocinas inflamatórias e promover lesão mitocondrial (6,18).

A determinação de uma quantidade de ingestão segura dessas substâncias não significa que sejam inócuas, e sim, que com os avanços tecnológicos tornou-se possível a não identificação de alterações significantes na saúde nos animais em que foram realizados os testes. Tem-se ainda que considerar as interações múltiplas entre os diferentes compostos tóxicos, que só ocorrerão dentro do organismo de cada um e serão metabolizados de forma única (1).

A maneira mais segura para a saúde seria a redução do consumo dessas substâncias, reduzindo o consumo de produtos industrializados e dando preferência aos alimentos orgânicos, que conferem maior proteção destoxificante, antioxidante e de fitonutrientes antiinflamatórios; reciclando e reutilizando materiais cuja decomposição no meio ambiente é lenta e fonte de liberação dos tais poluentes (11,16).


Autor: Renata Alves Carnauba - Departamento Científico da VP Consultoria Nutricional e Andréia Naves - diretora da VP Consultoria Nutricional

Fonte: http://www.vponline.com.br/frame_eventos_diversos.php

Referência Bibliográfica:

1- PASCHOAL, V.; NAVES, A.; FONSECA, A.B.B.L. Nutrição Clínica Funcional: dos princípios à prática clínica. 1 ed. São Paulo: VP editora, 2008.
2- KROHN, J,; TAYLOR, F.A.; PROSSER, J. The whole way to natural detoxification. Vancouver: Hartley & Marks Publishers, 1996.
3- CAMPOS, S. P-Glicoproteína. Disponível em: Acesso em: 17/05/2010.
4-JONES, D. Textbook of functional medicine. Florida: The Institute for Functional Medicine, 2006.
5- OGA, S. Fundamentos de toxicologia. 2ª ed. São Paulo: Atheneu, 2003.
6- HYMAN, M. A. Environmental toxins, obesity, and diabetes: an emerging risk factor. Altern Ther Health Med.; 16(2):56-58, 2010.
7- DEKKER, M.; MCNEILL, J.; BARRIE, F.R. et al. International code of botanical nomenclature (Saint Louis Code). Germany: Koeltz Scientific Book, 2000.
8- STEINKELLNER, H.; RABOT, S.; FREYWALD, C. et al. Effects os cruciferous vegetables and their constituents on drug metabolizing enzymes involved in the bioactivation of DNA-reactive dietary carcinogens. Mut Res; 480-481:285-297, 2001.
9- HAHN-OBERCYGER, M.; STARK, A.H.; MADAR, Z. Grapefruit and oroblanco enhance hepatic detoxification enzymes in rats: possible role in protection against chemical carcinogenesis. J Agric Food Chem;53(5):1828-32, 2005.
10- MUKHERJEE, S.; ROY, M.; DEY, S. et al. A Mechanistic Approach for Modulation of Arsenic Toxicity in Human Lymphocytes by Curcumin, an Active Constituent of Medicinal Herb Curcuma longa Linn. J Clin Biochem Nutr; 41(1):32-42, 2007.
11- FONTENELE, E.G.P.; MARTINS, M.R.A.; QUIDUTE, A.R.P.et al. Contaminantes ambientais e interferentes endócrinos. Arq Bras Endocrinol Metab.;54(1):6-16, 2010. 12- GHISELLI, Gislaine; JARDIM, Wilson F. Interferentes endócrinos no ambiente. Quím. Nova, São Paulo, v. 30, n. 3, June 2007.
13- LAHOUEL, M. et al. Effet protecteur des flavonoïdes contre la toxicité de la vinblastine, du cyclophosphamide et du paracétamol par inhibition de la peroxydation lipidique et augmentation du glutathione hépatique. Pathologie Biologie; 52 (6):314-322, 2004.
14- ALVES, Crésio et al . Exposição ambiental a interferentes endócrinos com atividade estrogênica e sua associação com distúrbios puberais em crianças. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 23, n. 5, May 2007.
15- SOARES, P.E.; SAIKI, M.; WIEBECK, H. Avaliação da migração de elementos de embalagens plásticas de alimentos para soluções simulantes pelo método radiométrico. INAC; 2005.
16- NAVES, A. Nutrição Clínica Funcional: Obesidade. 1ª ed. São Paulo: VP editora, 2009.
17- LATINI, G.; GALLO, F.; LUGHETTI, L. Toxic environment and obesity pandemia: Is there a relationship? Italian Journal of Pediatrics; 36:8, 2010.
18- SHARP, D. Environmental toxins, a potential risk factor for diabetes among Canadian Aboriginals. Int J Circumpolar Health; 68(4):316–326, 2009.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Suco detoxificante para quem chamar a jaca de pantufa nesse carnaval

Os ingredientes desse suco possuem alguns compostos que chamamos bioativos, capazes de auxiliar na biotransformação* e eliminação de um pouco das impurezas (toxinas) que tanto consumimos atualmente.

Para uma detoxificação adequada é preciso garantir nutrientes para que o fígado possa realizar adequadamente a *transformação das moléculas lipossolúveis em hidrossolúveis (biotransformação), e também que essas moléculas sejam eliminadas, através da urina, suor e respiração.

Mas esse papo pode ir longe... Quem sabe em outra oportunidade aprofundamos mais o assunto...

Então segue abaixo a receitinha pra você começar a experimentar durante os dias de carnaval

Ingredientes:
  • 1 folha de couve ORGÂNICA sem o talo
  • ½ maçã grande com casca
  • 1 laranja
  • Suco de ½ limão
  • 1 pedaço de gengibre do tamanho de uma moeda
  • 1 colher de sobremesa de linhaça (deixada de molho 24horas em água)
  • Opcional: folhas de hortelã
Modo de preparo: Bater tudo no liquidificador com um pouco de água e apreciar os benefícios diários de um pouquinho de saúde e vitalidade pra começar bem o dia.

Essa receita pode ser adaptada, e melhorada de acordo com o seu paladar e conveniência. Por exemplo: na combinação das frutas, preferindo sempre as da estação e orgânicas; utilizando outros vegetais como cenoura, beterraba, brócolis, etc.; utilizando outras sementes e cereais como gergelim, quinoa, amaranto... Ou seja, é só abrir a mente e o coração para os milhões de possibilidades que a natureza nos oferece e viver as experiências de energia e vitalidade ao começar o dia... Vem?

Autora: Dra. Carol Morais - Nutricionista especialista em nutrição esportiva funcional, fitoterapia, ecologista clínica e pioneira do serviço de detox delivery em Goiânia. Autora do blog http://www.falecomanutricionista.com.br/ e colaboradora da liga da saúde http://www.ligadasaude.blogspot.com/

Estudo detecta chumbo em 400 batons vendidos nos EUA


Pesquisa recente feita pelo governo americano com os 400 batons mais vendidos no país detectou níveis elevados de chumbo na composição dos cosméticos. Segundo o Washington Post, a discussão sobre a quantidade de substâncias químicas nas maquiagens não é novidade, mas a escala do material encontrado foi superior a outros estudos já realizados.

Cinco batons da L'Oréal e da Maybelline, marcas da L'Oréal americana, estavam entre os 10 mais contaminados, segundo o teste da agência de vigilância sanitária dos Estados Unidos (FDA). Além disso, dois produtos da Cover Girl, dois da Nars e um da Stargazer também figuraram na listagem.

O resultado da análise dos componentes presentes nos cosméticos acirra a discussão entre os integrantes da Campanha por Cosméticos Seguros e o governo americano. Há anos o grupo pressiona o governo para que haja regulação no nível de chumbo nos batons.

O FDA defende que os níveis do componente encontrados nos batons não representa risco à segurança dos consumidores, ainda que o mais recente teste tenha apresentando quantidades superiores ao primeiro.

Os integrantes da Campanha, por sua vez, afirma que a vigilância sanitária do país não tem estudos científicos que comprovem que de fato o uso do batom não cause nenhum prejuízo à saúde das mulheres, especialmente as grávidas e as crianças.

Os primeiros relatos de chumbo em batons tiveram início nos anos de 1990 e, em 2007, o grupo Campanha por Cosméticos Seguros testou 33 batons vermelhos para provar que eles excediam o limite aceitado pelo FDA de chumbo em doces. O órgão apontou a comparação como inválida, pois os batons não são feitos para ingerir, como os doces, e em 2008 fez os primeiros testes próprios em 20 cosméticos.

A cientista do Conselho dos Produtos de Cuidado Pessoal, Halyna Breslawec, em entrevista ao Washington Post, declarou que o chumbo não é acrescentado pelas empresas. Segundo ela, eles estão presentes nos corantes feitos a partir de minerais que são aprovados pela vigilância sanitária

Fonte: http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultimas-noticias/2012/02/16/estudo-feito-pelo-fda-detecta-chumbo-em-400-batons.jhtm

Dica de textos sobre cosméticos e poluição ambiental (dica da nossa amiga Renata S. Esteves do Blog Beleza Orgânica)

Entidade lista 5 dicas para evitar intoxicação de crianças em casa



Um conjunto de organizações de saúde canadenses divulgou uma lista com cinco dicas para que pais evitem a contaminação de crianças por substâncias tóxicas em casa.

Elas são: evitar o acúmulo de poeira, optar por produtos de limpeza sem perfume e menos tóxicos, tomar cuidado durante reformas, evitar certos tipos de plásticos e, na alimentação, evitar certos tipos de peixe que absorvem grandes quantidades de mercúrio.

A campanha de conscientização a respeito dos efeitos da poluição ambiental sobre o cérebro em desenvolvimento foi financiada pelo governo do Canadá e inicialmente se dirige à população do país, mas se aplica na prática a pais e futuros pais em qualquer parte do mundo.

"Se os pais adotarem práticas simples nessas cinco áreas, podem reduzir significativamente a exposição dos seus filhos a substâncias tóxicas e até economizar dinheiro", disse Erica Phipps, diretora da Canadian Partnership for Children's Health and Environment (Parceria Canadense para o Ambiente e a Saúde da Criança, CPCHE).

Poeira

Aspirar o pó ou passar pano úmido com frequência para eliminar poeira é a primeira recomendação dos especialistas.

"A poeira em casa é uma grande fonte na exposição de crianças a substâncias tóxicas, incluindo o chumbo, que mesmo em níveis baixos, é conhecido por prejudicar o desenvolvimento do cérebro", disse Bruce Lanphear, especialista em saúde ambiental infantil e consultor do CPCHE.

"O cérebro em desenvolvimento de um feto ou de uma criança é particularmente sensível aos efeitos neurotóxicos do chumbo, mercúrio e outras substâncias tóxicas", explicou Lanphear. "Uma criança absorve 50% do chumbo ingerido, enquanto um adulto absorve 10%".

Segundo o especialista, a criança tende a colocar a mão na boca com frequência, o que aumenta ainda mais os riscos de que ela absorva essas substâncias tóxicas.

Produtos de Limpeza

Os pais podem reduzir o grau de exposição da família a produtos químicos tóxicos e economizar dinheiro ao optar por produtos de limpeza mais ecológicos.

O bicarbonato de sódio pode ser usado para esfregar banheiras e pias, e vinagre diluído em água funciona bem para limpar janelas, chão e outras superfícies, disseram os especialistas.

Evitar o uso de purificadores de ar e optar por sabão sem perfume para lavar roupa pode reduzir a exposição das crianças a substâncias químicas usadas na fabricação de fragrâncias - associadas, em estudos, a distúrbios nas funções hormonais.

Reforçando recomendações feitas por entidades médicas, entre elas a Canadian Medical Association, os especialistas também desaconselharam o uso de sabão bactericida.

Cuidados em Reformas

Quando houver reformas em casa, mulheres grávidas e crianças devem ficar longe das áreas afetadas pela obra. Isso evita sua exposição à poeira resultante da reforma - contaminada por substâncias tóxicas - e aos gases tóxicos liberados por tintas, cola e outros produtos.

Áreas não afetadas pela reforma devem ser cuidadosamente isoladas com o uso de plásticos. E a poeira deve ser aspirada durante e após a obra.

Cuidados com Plásticos

Certos plásticos devem ser evitados, especialmente quando se serve ou guarda alimentos. Os especialistas canadenses advertem os pais contra o uso de vasilhas de plástico ou de embalagens plásticas no micro-ondas, mesmo quando a etiqueta diz que o produto é seguro para uso no micro-ondas.

Produtos químicos presentes no plástico podem contaminar o alimento ou a bebida - eles explicam.

Comer alimentos frescos ou congelados sempre que possível reduz a exposição ao Bisfenol A, presente na maioria das embalagens de comida e bebida. O produto está associado a uma ampla gama de problemas de saúde, entre eles, problemas de desenvolvimento no cérebro e disfunções endócrinas.

Os especialistas também alertam contra produtos feitos de PVC, também conhecido como vinil. Ele contém um tipo de substância química chamada ftalato, que está associada a diversos problemas de saúde.

Ftalatos podem ser encontrados em cortinas de banheiro, babadores e até capas de chuva.

Os especialistas aconselham que os pais joguem fora brinquedos e mordedores feitos com este tipo de plástico.

Peixe Seguro

Para reduzir a exposição das crianças ao mercúrio, um metal que é tóxico para o cérebro, os especialistas aconselham que sejam escolhidas variedades de peixe que absorvem menos mercúrio, como cavala do Atlântico, truta, arenque, salmão selvagem ou em lata e tilápia.

Se for servir atum, procure as variedades "leves", que absorvem menos mercúrio do que a variedade albacore (atum branco).

Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/06/110623_dicas_intoxicacao_criancas_mv.shtml

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Outro alerta sobre a água que bebemos

A água consumida na Região Metropolitana de Campinas (RMC), onde vivem cerca de 2,5 milhões de pessoas, contém vários tipos de compostos derivados de fármacos, hormônios sexuais e produtos industriais. Algumas destas substâncias são classificadas como “interferentes endócrinos”. Isso significa que, quando ingeridas em grandes concentrações ou por tempo prolongado, podem interferir no funcionamento das glândulas de espécies animais, incluindo os seres humanos. A constatação faz parte da tese de doutorado defendida recentemente pela pesquisadora Gislaine Ghiselli, do Instituto de Química (IQ) da Unicamp, sob orientação do professor Wilson de Figueiredo Jardim.

Compostos apresentam concentração muito acima do limite

Intitulado “Avaliação da Qualidade das Águas Destinadas ao Abastecimento Público na Região de Campinas: Ocorrência e Determinação dos Interferentes Endócrinos (IE) e Produtos Farmacêuticos e de Higiene Pessoal (PFHP)”, o estudo coletou durante quatro anos amostras de água bruta e água potável oriundas da Sub-Bacia do Rio Atibaia, principal manancial utilizado para o abastecimento público da região. Durante esse período, foram monitorados 21 compostos. Entre estes compostos, seis são hormônios sexuais, quatro são esteróides derivados do colesterol, cinco são classificados como produtos farmacêuticos e seis têm origem industrial.

A pesquisa revelou a presença das seguintes substâncias na água potável distribuída à população: dietilftalato, dibutilftalato, cafeína, bisfenol A, estradiol, etinilestradiol, progesterona e colesterol. A princípio, segundo a autora da pesquisa, estes compostos não deveriam estar presentes na água consumida pela população. “Alguns foram encontrados numa concentração até mil vezes maior que em países da Europa”, relata Gislaine.

É o caso, por exemplo, da cafeína, presente em produtos alimentícios e farmacêuticos. Segundo o estudo, esta substância apresentou uma concentração média na água potável de 3,3 micrograma por litro (µg/L). Para o colesterol, a média obtida na água potável foi de 2,4 µg/L. Outros compostos também chamaram a atenção, como a progesterona (1,5 µg/L), estradiol (2,4 µg/L) e etinilestradiol (1,6 µg/L), hormônios sexuais femininos. Considerando-se a média de 1 µg/L de hormônios femininos na água potável, ao beber dois litros de água por dia uma pessoa estaria ingerindo 60 µg destes compostos por mês.

Para a coleta de água potável foram selecionados dez bairros em Campinas, abrangendo as regiões Norte, Sul, Leste, Oeste e Central. “Os compostos detectados indicam que os tratamentos empregados nas estações de tratamento de esgoto da RMC não estão sendo eficientes para a destruição destes interferentes endócrinos”, diz Gislaine. “Conseqüentemente, estes hormônios são transportados para as águas superficiais, através do lançamento do esgoto tratado, e chegam na água potável porque também são resistentes aos tratamentos empregados nas estações de tratamento de água”, completa.

Águas brutas – As análises das águas brutas também revelaram uma situação preocupante. O Ribeirão Anhumas representa o caso mais gritante de poluição, com concentrações que atingem 106 µg/L para cafeína, 301 µg/L para colesterol e 41 µg/L para coprostanol. “No caso da cafeína, por exemplo, o normal em países desenvolvidos como a Alemanha, é de no máximo 1 µg/L”, compara Jardim. No Atibaia, as amostras revelaram concentrações significativas do fármaco diclofenaco (5 µg/L) e dos hormônios estradiol (3 µg/L), etinilestradiol (1,7 µg/L) e progesterona (1,4 µg/L). Para a avaliação das águas brutas foram selecionados cinco pontos de monitoramento: três no Atibaia, um no Ribeirão Anhumas e um no Ribeirão Pinheiros.

Um dos pontos de coleta no Atibaia está no distrito de Sousas, exatamente no local de captação de água utilizado pela Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S/A (Sanasa) para o abastecimento público, representando a água bruta que abastece 95% da população campineira.

Tantos os hormônios quanto os fármacos são excretados pela urina ou fezes, chegando aos rios por meio da rede de esgoto. Segundo Gislaine, os fármacos detectados são muito utilizados como analgésicos, antiinflamatórios e antitérmicos. “Diclofenaco, por exemplo, é um poderoso agente não-esteróide usado no combate à febre e para o alívio de dores em geral, como antigripais e no tratamento de reumatismo”, explica a pesquisadora. A cafeína é uma das substâncias mais consumidas no mundo e pode ser encontrada em diversos produtos como os alimentícios (café, chá, erva-mate, pó de guaraná, bebidas como os refrigerantes a base de cola, condimentos, etc.), tabaco, medicamentos, dentre outros.

Além de fármacos e hormônios, a pesquisa também identificou a presença de substâncias resultantes da atividade industrial, chamadas de antrópicas. Entre elas, o destaque fica por conta dos ftalatos. Derivados do ácido ftálico, são empregados basicamente como plastificantes, bem como na fabricação de tintas, adesivos, papelão, lubrificantes e fragrâncias. Têm sido utilizados há mais de 40 anos. Segundo Gislaine, ftalatos podem ser introduzidos no ambiente através da lixiviação, sobretudo dos plastificantes utilizados na fabricação de plásticos de uso comum. Entre os poluentes avaliados, tanto os antrópicos quanto os hormônios e fármacos, há substâncias consideradas interferentes endócrinos.

O interferente – A ciência descreve um interferente endócrino como sendo uma substância ou mistura química exógena que altera uma ou mais funções do sistema endócrino, constituído por diversas glândulas. Podem ser naturais ou sintéticos. Os hormônios naturais, que incluem o estrogênio, a progesterona e a testosterona, estão presentes no corpo humano e nos animais. Já os compostos sintéticos incluem os hormônios idênticos aos naturais, fabricados pelo homem e utilizados como contraceptivos orais ou aditivos na alimentação animal, e os xenoestrogênios, produzidos para a utilização nas indústrias, na agricultura e para os bens de consumo. Estão incluídos nesta categoria os pesticidas e aditivos plásticos.

De acordo com Gislaine Ghiselli, a maioria dos estudos ecotoxicológicos realizados até o momento mostram que as glândulas mais afetadas pelos interferentes endócrinos estão relacionadas aos sistemas reprodutivos masculino (testículos) e feminino (ovários). “Evidências observadas em moluscos, crustáceos, peixes, répteis, pássaros e alguns mamíferos têm sugerido que possíveis alterações de saúde humana envolvendo o sistema reprodutivo, tais como o câncer de mama e de testículo, podem estar relacionadas à exposição a estas substâncias”, diz Gislaine.

A pesquisadora explica que os interferentes endócrinos podem agir pelo menos de três formas: imitando a ação de um hormônio produzido naturalmente pelo organismo, como o estrogênio ou a testosterona, desencadeando deste modo reações químicas semelhantes no corpo; bloqueando os receptores nas células que recebem os hormônios, impedindo assim a ação dos hormônios naturais; e/ou afetando a síntese, o transporte, o metabolismo e a excreção dos hormônios naturais no organismo.



Sem alarmismo

Apesar da identificação de interferentes endócrinos na água potável, os pesquisadores são cautelosos ao avaliar as possíveis conseqüências para a população. “A simples presença de um determinado interferente endócrino no meio ambiente não significa, necessariamente, que existe um risco a ele associado”, pondera Gislaine Ghiselli. “Embora já se saiba que algumas destas substâncias, em doses elevadas, interferem no funcionamento das glândulas, ainda não há estudos sobre os efeitos da exposição crônica”, acrescenta o professor Wilson Jardim. Segundo eles, o objetivo do estudo não é fazer alarmismo, e sim apresentar um diagnóstico da água consumida na região.

Atualmente, a Sanasa atende com água potável encanada 98% da população urbana de Campinas, através de 5 estações de tratamento. Quanto ao sistema de esgotamento sanitário, a Sanasa atende atualmente 86% da população urbana de Campinas com coleta de 200 mil ligações. “Entretanto, o grande desafio é o tratamento dos esgotos”, alerta Jardim. Até o ano 2000, praticamente todo o esgoto coletado era lançado sem tratamento nos corpos d’água da região. Apenas em 2001 é que investimentos nesta área começaram a ser intensificados, com a criação do Programa Nacional de Despoluição de Bacias Hidrográficas. Em janeiro de 2001, segundo o estudo apresentado por Gislaine, a cidade de Campinas tratava somente 5% de seus esgotos domésticos e, sozinha, respondia por metade do esgoto não tratado entre os 19 municípios da Região Metropolitana. Novos investimentos elevaram esta marca para 34%. O Plano Diretor de Esgotos de Campinas prevê o tratamento de 90% dos esgotos domésticos da cidade até 2008.

Fonte: http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/dezembro2006/ju346pag03.html

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Consumo de frutose está associado à gordura visceral e a fatores de risco cardiometabólicos, de acordo com estudo do The Journal of Nutrition

Embora os adolescentes consumam mais frutose1 do que qualquer outro grupo etário, a relação entre o consumo de frutose1 e os marcadores de risco cardiometabólicos ainda não foi estabelecida nesta população.

O estudo publicado pelo The Journal of Nutrition estabelece associações de ingestão total de frutose1 (frutose1 livre mais metade da ingestão de sacarose livre) com fatores de risco cardiometabólicos e tipo de adiposidade em um grupo de 559 adolescentes com idades entre 14-18 anos, na Geórgia.
Os parâmetros estudados foram: glicemia2, insulina3, lipídios, adiponectina e proteína C-reativa. A dieta foi avaliada e a atividade física foi determinada por acelerometria4. Tecidos moles livres de gordura5 e massa gorda6 foram medidos por Dual Energy X-Ray Absorption (DEXA). Já o tecido7 adiposo abdominal e a gordura5 visceral foram avaliados através de ressonância magnética.

As avaliações estatísticas revelam que a ingestão de frutose1 está associada à gordura5 visceral, mas não parece estar relacionada ao tecido7 adiposo abdominal. Também foram observadas as relações entre o consumo de frutose1 e uma tendência de aumento da pressão arterial sistólica8, da glicemia de jejum9 e da proteína-C reativa (um sinal10 de inflamação11 sistêmica), além de uma diminuição nos níveis de HDL12-colesterol13 (colesterol13 bom) e da adiponectina.

Os resultados mostram que, em adolescentes, o maior consumo de frutose1 está associado a múltiplos marcadores de risco cardiometabólicos e parece que essas relações são mediadas pela obesidade14 visceral.

Fonte: The Journal of Nutrition, de fevereiro de 2012

NEWS.MED.BR, 2012. Consumo de frutose está associado à gordura visceral e a fatores de risco cardiometabólicos, de acordo com estudo do The Journal of Nutrition. Disponível em: . Acesso em: 11 fev. 2012. - http://www.news.med.br/p/medical-journal/259820/consumo+de+frutose+esta+associado+a.htm

Não compre gato por lebre: 10 dicas na hora de escolher um ômega 3


# Praticamente toda semana recebo e-mail de gente pedindo indicação de ômega 3. 
É totalmente anti-ético fazer orientações médicas via internet, cada caso é um caso e portanto a consulta médica é imprescindível. 
Ou seja, não adianta me mandar e-mail, mensagem na fã page do facebook ou instagram pois eu não responderei qual o melhor tipo de ômega 3 para o seu caso. O Conselho Federal de Medicina PROÍBE o médico de fornecer orientações via internet ou telefone. Apenas em consultas presenciais. 

Às vezes meus amigos ou pacientes me contam que compraram um ômega 3, pois fulano disse que é ótimo pra isso ou aquilo. Sim, ômega 3 é ótimo, mas quando prescrito por um médico habilitado ou nutricionista funcional. E na maioria das vezes gastam dinheiro a toa, comprando óleos de péssima procedência.

São inúmeras as variáveis que interferem na qualidade do óleo, portanto, abaixo cito algumas dessas variáveis, que 99,9% da população leiga desconhece e que pelo menos todos os prescritores de ômega 3 deveriam ter obrigação de saber.

1º - Observe o conteúdo de EPA e DHA por cápsula. Os melhores possuem no rótulo a descrição
da quantidade de EPA e DHA. Somente o “Ômega 3 farmacológico” é capaz de combater doenças crônicas e prevenir o que os cientistas chamam de Inflamação Silenciosa, sendo portanto o tipo de suplemento utilizado nos estudos clínicos que validam a eficácia da suplementação com ômega 3. Sua pureza e concentração tornam possível o uso de “altas doses” indicadas em certas doenças, sem o risco de efeitos colaterais como acontece com produtos similares. Existem muitos Ômega 3 disponíveis no mercado que não atingem a concentração de EPA e DH, sendo assim muitas vezes não correspondem aos critérios de qualidade e eficácia que se esperam deles.

2º - Cheque a proporção de EPA e Ácido Araquidônico (ômega 6). Uma relação de 20% de EPA pra 1% de Ácido araquidônico.

3º -  Identifique a estrutura do óleo (éster etílico ou triglicerídeos), no rótulo deverá falar qual a forma de ômega 3 ali contido.

4º -  Verifique se é isento de contaminantes ambientais: PCBs, mercúrio e dioxinas (geralmente
os bons produtos informam isso de forma bem destacada na embalagem):
  • Concentração de PCB's
  • Concentração de Mercúrio 
  • Concentração de dioxinas
  • Nível de oxidação Total ( OTOX); 13 meq/l

5º - Verifique se é extraído por destilação biomolecular ou ultra-filtrado: o que garante isenção de
poluentes ambientais.

6º -  Verifique se ele é considerado "Enteric Coated". Os assim denominados tem melhor absorção e dão
menos gosto de peixe na boca após o consumo.

7º -  Por último, esvazie 4 cápsulas de ômega 3 em um recipiente e coloque-as no congelador por 5
horas. Se ele congelar, então não se trata de um produto ultra-filtrado.

8º - Os óleos mais baratos na maioria das vezes não atendem a esses pré-requisitos. Porém, o barato sai caro. Uma das coisas mais importantes é que você calcule o preço em relação à concentração de EPA e DHA. O que você deveria estar pagando é pelo EPA e DHA. Os óleos de peixe mais baratos têm baixas concentrações de EPA e DHA, e por isso, você pode na verdade estar pagando mais caro por um produto sem qualidade.

9º - Ômega 3 que de boa qualidade sempre terá Vitamina E na cápsula, pra agir como antioxidante.

10º - 60 doses de um bom ômega 3 (no Brasil) não sai por menos de 50 reais. Desconfio se encontrar mais barato.

Portanto fica a dica: não use ômega 3 sem supervisão de médico ou nutricionista funcional, você (e seu bolso) podem se dar mal, afinal, ele não é isente de efeito colateral.


Fontes:
Recentemente fiz uma pesquisa e pedi auxílio de alguns colegas  para criarmos uma tabela com as principais marcas nacionais.