sábado, 29 de outubro de 2011

Fabricantes terão de reduzir substância cancerígena em refrigerantes

Fabricantes de refrigerantes de baixas calorias ou dietéticos cítricos vão reduzir a quantidade de benzeno (substância cancerígena) das bebidas no prazo de até cinco anos, conforme acordo fechado com Ministério Público Federal em Minas Gerais (MPF/MG). As informações são da Proteste Associação de Consumidores.

O Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado com a Ambev, a Coca-Cola e a Schincariol prevê que a quantidade máxima deverá ficar em cinco microgramas por litro.

A presença do benzeno nas bebidas foi detectada em 2009 pela Proteste ao realizar exames em 24 amostras de diferentes marcas. O Termo de Ajustamento de Conduta foi assinado agora, dois anos após o MPF instaurar inquérito civil público para apurar o caso.

Ao analisar 24 amostras de diferentes marcas, a Associação detectou a presença do benzeno em sete delas: Fanta laranja, Fanta Laranja light, Sukita, Sukita Zero, Sprite Zero, Dolly Guaraná e Dolly Guaraná diet. Em duas das amostras – Fanta laranja light e Sukita Zero – a concentração estava acima dos limites considerados aceitáveis para a saúde humana. Foram encontrados limites aceitáveis de benzeno no Dolly guaraná tradicional e light, na Fanta laranja tradicional, Sukita tradicional e no Sprite Zero.

De acordo com o MPF, a legislação brasileira, em especial o Código de Defesa do Consumidor, estabelece que os produtos colocados à venda no mercado não poderão trazer riscos à saúde ou à segurança dos consumidores, obrigando-se os fornecedores, em qualquer hipótese, a fornecer as informações necessárias e adequadas a respeito.

Já que as bebidas testadas traziam ácido benzoico, era possível que algumas também tivessem benzeno, uma substância cancerígena que resulta da combinação dos ácidos benzoico e ascórbico, mais conhecido como vitamina C.Estas duas substâncias juntas, sob certas condições de exposição à luz e ao calor, podem reagir e formar o benzeno.

Como não existe um limite fixado pela Anvisa para refrigerantes, a Proteste utilizou o parâmetro de água potável que é de 5 micrograma por litro. Como a OMS e as autoridades sanitárias estrangeiras e nacionais não estabeleceram um limite de benzeno para refrigerantes e sucos, considera-se que, no mínimo, deve ser adotado o mesmo limite utilizado para a água potável. As marcas reprovadas estavam acima desse limite.

O MPF também expediu recomendação para que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária realizasse os estudos necessários para determinar a concentração máxima, tolerável, da substância nos refrigerantes comercializados no país.

Enquanto isso, o MPF reuniu-se com os fabricantes para tentar uma solução amigável e definitiva, que pudesse proteger os consumidores. Desde o início, três deles, que representam quase 90% do mercado, dispuseram-se a acatar as orientações do Ministério Público.

Os fabricantes informaram que a formação do benzeno decorre de um processo químico geralmente desencadeado nos refrigerantes light/diet, já que a presença do açúcar inibe a formação da substância. Disseram ainda que “a eventual identificação de traços mínimos de benzeno em determinado produto pode se dar por razões diversas e alheias aos esforços da empresa, como, por exemplo, em decorrência da quantidade de benzeno pré-existente na água”.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultimas-noticias/2011/10/28/fabricantes-terao-de-reduzir-substancia-cancerigena-em-refrigerantes.jhtm

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Estudo associa proximidade de antenas de celulares a mortes por câncer

Um estudo recentemente realizado em Belo Horizonte revela que há fortes evidências entre mortes por câncer e a localização de antenas de celulares na capital mineira. Com base no geoprocessamento da cidade, a engenheira Adilza Condessa Dode constatou que mais de 80% das pessoas que morreram de cânceres relacionados à radiação eletromagnética - emitida pelos celulares - moravam a cerca de 500 metros de distância de alguma antena. A pesquisa confirma resultados de estudos realizados na Alemanha e em Israel.

De acordo com a pesquisadora - que defendeu tese de doutorado em março na UFMG -, até agora, ninguém sabe quais são os níveis seguros de radiação para a saúde humana, e os padrões permitidos no Brasil são os mesmos adotados pela Comissão Internacional de Proteção Contra Radiações Não-Ionizantes (Icnirp), normatizados em legislação federal de maio de 2009. Entretanto, para a pesquisadora, esses padrões são inadequados. “Eles foram redigidos com o olhar da tecnologia, da eficiência e da redução de custos, e não com base em estudos epidemiológicos”, assegura.

Entre os 22.543 casos de morte por câncer ocorridos em Belo Horizonte no período 1996 e 2006, a engenheira selecionou 4.924, cujos tipos - próstata, mama, pulmão, rins, fígado, por exemplo - são reconhecidos na literatura científica como relacionados à radiação eletromagnética. Na fase seguinte, elaborou metodologia inédita, utilizando o geoprocessamento da cidade para descobrir a que distância das antenas moravam as 4.924 pessoas que morreram no período. “A até 500 metros de distância das antenas, encontrei 81,37% dos casos de óbitos por neoplasias”, conta a pesquisadora.

“Não somos contra a telefonia celular, mas queremos que o Brasil adote o princípio da precaução, até que novas descobertas científicas sejam reconhecidas como critério para estabelecer ou modificar padrões de exposição humana à radiação não ionizante”, diz a pesquisadora.

Recomendações

Em um capítulo de sua tese, a pesquisadora lista uma série de recomendações. Entre elas, a de que o Brasil adote os limites já seguidos por países como a Suíça; de que o governo não permita transmissão de sinal de tecnologias sem fio para creches, escolas, casas de repouso, residências e hospitais; crie infraestrutura para medir e monitorar os campos eletromagnéticos provenientes das estações de telecomunicação e desestimule ou proíba o uso de celulares por crianças e pré-adolescentes.

Para o professor Francisco de Assis Ferreira Tejo, do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande, a tese desenvolvida por Adilza Dode "deve ser um marco para que a sociedade brasileira e o Ministério Público comecem a se debruçar sobre a questão dos efeitos biológicos dos campos eletromagnéticos".

Fonte: http://boasaude.uol.com.br/lib/emailorprint.cfm?type=news&id=8457

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Produtos usados no dia-a-dia podem contaminar a água

O simples ato de lavar os cabelos com xampu, ou tomar a diária pílula anticoncepcional traz riscos ambientais. Quantidades mínimas de substâncias que compõem medicamentos de uso comum e produtos de higiene pessoal podem ser a origem de diversas alterações em animais pelo mundo, como feminilização de anfíbios e peixes e diminuição de fertilidade em ursos polares e pingüins.

São os chamados contaminantes emergentes, que têm como via principal a água. Após serem usadas ou ingeridas pelas pessoas, caem no sistema de esgoto, passam incólumes pelo sistema de tratamento, e acabam em diferentes ecossistemas.

“A gente tem mais ignorância do que certeza sobre este assunto” adverte Wilson Jardim, pesquisador do Laboratório de Química Ambiental da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A estimativa é que por ano sejam criadas 1500 novas substâncias, o que de acordo com o professor, não dá tempo para avaliar o efeito de cada uma delas. “Estipula-se que a gente conviva com 100 mil substâncias”, diz.

Em pequenas doses
Estudos recentes, no entanto afirmam que o hormônio sintético usado na pílula anticoncepcional (17 alfa etinilestradiol), quando atinge o ambiente seja pela urina de seres humanos ou por serem descartados pela privada, pode causar alterações na reprodução de peixes, incluindo a feminilização de machos. Assim como a ocorrência de distúrbios no sistema reprodutor de ursos polares e pinguins devido a exposição alimentar de uma série de substâncias inibidoras endócrinas.

Outro composto que pode causar a alteração só que em anfíbios é a antrazina, herbicida largamente utilizado na agricultura.

Um contaminante recém encontrado na costa brasileira é o TBT (tributilestanho), substância antiincrustrante usada em casco de navios que provoca características sexuais femininas em moluscos machos.
Um bactericida, chamado triclosan e encontrado em produtos de higiene pessoal como pastas de dente, anti-séptico bucal, cremes para pele, sabonetes desinfetantes, desodorantes entre outros produtos é bastante tóxico para os organismos aquáticos, e pode se transformar em dioxinas quando exposto a luz solar.

Todas estas substâncias que são muito solúveis em água e têm ação no sistema endócrino animal. Geralmente são moléculas pequenas que têm o poder de mimetizar alguns hormônios esteróides ou da tireóide, comprometendo assim, os processos reprodutivos de várias espécies.

Sem se alarmar
“Não é uma questão de proibir, porque proibindo, a indústria terá que substituir por outra substância que talvez não se tenha conhecimento de seus riscos. É preciso saber, mas sem se alarmar. Não é uma coisa irreversível, a gente pode intervir”, analisa Gisela Umbuzeiro bióloga do Laboratório de Ecotoxicologia e Microbiologia Ambiental, da Unicamp.

A pesquisadora lembra que já existe tecnologia para que estas substâncias sejam tratadas nas redes de esgoto, por uso de oxidativos ou por métodos que mineralizam os compostos, “O problema é que ainda são muito caros”, diz.

Wilson Jardim também concorda que não é possível apenas proibir. “Nosso saneamento é deplorável”, diz. O professor também lembra a necessidade de que as cartelas de comprimido tenham apenas a quantidade necessária de acordo com a posologia do medicamento. “Todo mundo tem antibiótico em casa sobrando, não? Um dia ele acaba no lixo ou na privada”.

30 anos de um problema grande e variado
Já na década de 80 observou-se a contaminação de crocodilos no lago Apoka, na Flórida. A exposição contínua de alguns pesticidas, mesmo que em baixas concentrações, teve efeito sofre os ovos da espécie, interferindo no desenvolvimento do sistema reprodutor dos animais, tornando-os inférteis.

A feminilização de peixes em pontos de descarte de efluentes de estações de tratamento de esgoto, o aumento de tumores em peixes de áreas urbanas dos EUA e a formação disforme de larvas do mar do norte da Europa também são considerados efeitos causados pela presença de interferentes endócrinos contidos nos contaminantes.

Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/meioambiente/produtos+usados+no+diaadia+podem+contaminar+a+agua/n1237771208405.html

Partículas presentes em produtos químicos alteram cérebro

Nanopartículas de dióxido de titânio, utilizadas em vários produtos, de tintas até cremes solares, podem alterar uma barreira essencial que protege o cérebro de elementos tóxicos, segundo estudo divulgado esta quarta-feira na França.

Os resultados do estudo em laboratório sugerem que a presença de nanopartículas de dióxido de titânio (TiO2) poderia ser a origem de uma inflamação cérebro-vascular, informou o Comissariado francês de Energia Atômica (CEA) em um comunicado.

A exposição crônica a estas nanopartículas "poderia dar lugar a um acúmulo no cérebro, com risco de perturbações de certas funções cerebrais", alertou o CEA.

Um estudo feito com ratos já tinha demonstrado em 2008, através de uma instilação nasal, ser possível detectar nanopartículas de dióxido de titânio no cérebro, particularmente no bulbo olfativo e no hipocampo, estrutura com papel chave na função da memória.

Os cientistas buscaram a explicação de como estas nanopartículas apareceram no cérebro, que é protegido de substâncias tóxicas por uma estrutura particular: a barreira hematoencefálica (BHE).

Equipes do CEA e da Universidade Joseph Fourier de Grenoble (sudeste da França) reconstituíram um modelo celular desta barreira protetora, associando células endoteliais (células da parede dos vasos sanguíneos), cultivadas em uma membrana semipermeável, e células gliais (do sistema nervoso).

Graças a este modelo, que contém as principais características da barreira hematoencefálica presente no homem, os cientistas mostraram que uma exposição in vitro aos nano-TiO2 provoca seu acúmulo nas células endoteliais. Isto implica também a ruptura da barreira de proteção, associada a uma inflamação.

A equipe constatou também uma redução da atividade de uma proteína (P-glicoproteína), que tem a função de bloquear toxinas suscetíveis de penetrar o sistema nervoso central, segundo os resultados deste estudo, publicados na edição online da revista Biomaterials.

Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/particulas-presentes-em-produtos-quimicos-alteram-cerebro/n1597326595013.html

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Baixa imunidade, estresse, genética, e até TPM podem ser causas de afta

Baixa imunidade, estresse, fatores genéticos, deficiências nutricionais e até tensão pré-menstrual (TPM) podem ser causas de afta na boca. De 10% a 25% da população mundial tem essa feridinha em algum momento da vida.

O problema, em que aparece uma bolinha branco-amarelada envolta por um círculo vermelho, é comum em crianças, pessoas que gostam de alimentos ácidos e também em quem usa aparelho ortodôntico.

Para explicar as causas e o tratamento da afta, o Bem Estar desta quinta-feira (20) recebeu a pediatra Ana Escobar e a cirurgia-dentista Helenice Biancalana.


Após comer uma fruta ou um alimento ácido, enxaque bem a boca – assim, a chance de afta diminui. E a melhor prevenção é a higiene oral e uma boa alimentação, para que o sistema imunológico fique forte.

Não dá para saber exatamente quando a afta aparece por um problema emocional ou uma deficiência no organismo. Muitas vezes, as duas questões andam juntas. Pessoas de todas as idades podem ter, mas é mais comum em crianças e menos comum em idosos, pois a mucosa da boca fica mais grossa com a idade.

A palavra “afta” vem do grego e foi usada por Hipócrates, considerado o pai da medicina. Significa "Eu queimo, incendeio, ardo".

Indivíduos que fumam mais de um maço de cigarro por dia dificilmente apresentam afta, porque o fumo provoca uma queratinização maior da mucosa da boca, ou seja, uma espécie de calo que impede a penetração de elementos estranhos.

Uma vez que a afta surgiu, não existe uma fórmula para eliminá-la. A ferida leva entre 10 e 14 dias para cicatrizar. Para aliviar, uma dica é bochechar água com um pouquinho de bicarbonato de sódio e cuspir -- o bicarbonato não deve ser engolido. Não é bom colocar bicarbonato diretamente na afta, pois isso pode até irritar mais. Sal também não ajuda, pois desidrata a mucosa.

Nós fizemos uma enquete no site do Bem Estar e 48% das pessoas não fazem nada e esperar a afta passar. Os demais tentam produtos para melhorar: 17% colocam sal e 35% usam outros tipos de remédios. Os resultados estão no fim do texto.

Como muitos fatores podem causar afta, é difícil ter um tratamento que elimine de vez esse incômodo.

Aparelho ortodôntico

Aparelhos bucais corrigem o posicionamento dos dentes e da mordida, evitando problemas com dores e desconforto.

Hoje, de cada cinco pacientes em tratamento com aparelhos, um é adulto. O aparato é indicado para resolver má-posição dentária e problemas na articulação temporomandibular (ATM), que podem causar dores de cabeça, ouvido, pescoço e ombros.

As crianças podem usar aparelho fazer isso a partir do momento em que a troca de dentes de leite para dentes permanentes termina. Na fase adulta, náo existem restrições de idade.

O aparelho fixo consiste em pequenos quadradinhos de metal, os "brackets", que são colados nos dentes com resina. Por eles passa um fio de níquel-titânio, que faz força sobre os dentes para colocá-los na posição desejada. O tratamento, que dura em média entre dois e três anos, serve para acertar o espaçamento entre os dentes e melhorar o encaixe da mordida.

Fonte: http://www.sissaude.com.br/sis/inicial.php?case=2&idnot=12664

Pesquisa britânica mostra que acordar cedo tem diversos benefícios

A hora em que o despertador toca costuma ser um momento nada agradável para muitas pessoas. O frio da manhã e o aconchego do cobertor deixam qualquer um tentado a fechar a cortina e programar o alarme para mais tarde. Mas nem todo mundo gosta de adiar o momento de sair da cama. Para quem sente prazer em levantar cedo, estar de pé nas primeiras horas do dia tem um valor inestimável. E segundo pesquisadores da Universidade de Roehampton, no Reino Unido, esse valor está relacionado a mais saúde e qualidade de vida. Estudo realizado na instituição com mais de mil voluntários concluiu que pessoas que acordam cedo são mais magras, mais felizes e mais saudáveis do que aquelas que usam a manhã para dormir um pouco mais.

Por meio de um questionário on-line, os pesquisadores entrevistaram 1.068 adultos sobre seus hábitos de alimentação e sono, seus níveis de felicidade e ansiedade e seu estado de saúde. Usando escalas padronizadas para avaliar se eles eram matutinos ou vespertinos, os estudiosos analisaram o bem-estar, a consciência e o comportamento alimentar dos voluntários. As pessoas matutinas levantavam da cama, em média, às 6h58m, e as vespertinas, às 8h54m. Nos fins de semana, os dois grupos costumavam ficar uma hora a mais na cama, levantando-se às 7h47 e às 10h09, respectivamente. Cruzando esses dados com outras respostas, os especialistas perceberam que acordar cedo traz uma série de benefícios, deixando as pessoas mais dispostas e saudáveis.

“Ser uma pessoa matutina ou não é em parte uma questão do relógio do corpo do indivíduo e em parte uma questão de preferências que se desenvolveram ao longo da vida. As escolhas matutinas provavelmente se adaptam melhor à sociedade industrial em que vivemos, além de serem mais saudáveis”, defende o professor Jöerg Huber, que liderou a pesquisa.

Hormônios

Segundo Nonato Rodrigues, especialista em transtornos do sono, o relógio biológico de cada um tem papel fundamental na determinação dos horários de dormir e acordar. Ele explica que, apesar dessa variação, existem horários mais saudáveis para o sono, relacionados às substâncias que o regulam. “A melatonina é o hormônio que gerencia o sono. Às 22h, o organismo tem um pico dessa substância e, por isso, é o horário em que as pessoas têm maior propensão para deitar. Como a duração do sono mais comum fica por volta de oito horas, a tendência é que o indivíduo que dorme a essa hora acorde às 6h, quando a luminosidade está aumentando”, explica. Apesar disso, algumas pessoas fogem à regra e podem ter necessidade de dormir mais ou menos tempo. Rodrigues explica que esses indivíduos são classificados como grandes dormidores ou pequenos dormidores, com sonos que duram de seis a 10 horas.

O aposentado Flávio Barbosa, 69 anos, faz parte do time de quem não consegue ficar até muito tarde na cama. Apesar de não precisar mais acordar cedo para trabalhar, ele mantém o hábito por prazer. “Ficar mais tempo na cama, em vez de me deixar relaxado, começa a cansar. Não gosto de acordar tarde porque a gente acaba ficando com uma moleza estranha, uma sensação de que o dia está começando na hora errada”, descreve. E o hábito se espalhou pela família. Apesar de trabalhar apenas à tarde, o filho de Flávio, Eduardo Barbosa, 42 anos, levanta diariamente às 6h. Após tomar café da manhã e levar os filhos na escola, o servidor público bem que poderia voltar para a cama, mas prefere dedicar o tempo a uma atividade física em companhia do pai. “Se eu acordasse às 10h, por exemplo, não poderia aproveitar esse tempo.”

Para o neurologista Henrique Braga, acordar cedo reduz o estresse e a ansiedade do dia a dia por dar mais tempo para as pessoas se organizarem e realizarem as atividades com calma. “Chegar cedo ao trabalho, não enfrentar trânsito pesado, comer bem e sem pressa pode colaborar muito na redução do estresse e da ansiedade, que são fatores de risco de doenças cardiovasculares.” Na opinião do médico, alimentar-se corretamente pela manhã é fundamental, porque o organismo recebe energia para o resto do dia e pode controlar também a produção de cortisol. “Pela manhã, o organismo tem mais cortisol, um hormônio que deixa o indivíduo mais ativo e estimulado, mas também está relacionado ao estresse. Se a pessoa não come, falta energia e o organismo produz essa substância em excesso para tentar compensar. Aí, é ansiedade e irritação na certa.”

Alimentação

Apesar de admitir que gostaria de acordar um pouco mais tarde, a gerente de loja Cristina Campista, 44 anos, levanta às 7h30 todos os dias para fazer exercícios físicos no Parque da Cidade. “É uma maneira mais saudável de começar a manhã. O dia rende mais e a gente se sente mais disposta e bem-humorada. Às vezes, pode ser ruim na hora de levantar, mas depois vale muito a pena”, diz. Tão essencial quanto as caminhadas é a refeição que toma antes de sair. “Não saio de casa sem meu café da manhã. Pão integral, uma fatia de peito de peru e suco de soja, já que sou alérgica a leite. Mas sem comer, não dá para começar o dia.”

Jöerg Huber e seus colegas de pesquisa identificaram o costume de tomar café da manhã entre aqueles que acordam cedo, hábito intimamente relacionado à saúde. Muitos dos entrevistados que levantavam mais tarde costumavam pular a refeição, o que contribui para a perda de qualidade de vida. Para a nutricionista Joana Lucyk, tomar café da manhã é essencial para estimular a produção de serotonina, substância que regula o ritmo de sono e o apetite e está relacionada à disposição e ao bom humor. Segundo Joana, comer mais cedo também diminui a compulsão alimentar no fim do dia e nas outras refeições, o que ajuda no controle do peso (veja quadro).

“O ideal é se alimentar por volta das 8h, até uma hora após despertar. Café da manhã muito tarde quase vira almoço e não devemos deixar de fazer nenhuma refeição”, aconselha. Joana ressalta ainda a importância de fazer várias refeições pequenas ao longo do dia. “Comer de três em três horas modula o cortisol, que em excesso leva ao acúmulo de gordura abdominal. Por isso é vantajoso acordar e tomar o café mais cedo.”

Adepta dos hábitos matutinos e de uma boa refeição logo no começo do dia, a fonoaudióloga Andréia Pinheiro, 41 anos, tenta passar o costume ao filho João Pedro, de apenas 2 anos. Eles acordam todos os dias às 6h30 e tomam café com cereal, leite, pão e muitas frutas. “Quando a gente tem criança em casa é importante ensinar esses hábitos para ela. Esse sol do começo da manhã faz muito bem. Fora que o dia rende muito mais”, acredita. Nos fins de semana, a rotina não se altera. Andréia usa os sábados e domingos para caprichar mais na refeição matutina. “É quando eu e o meu marido aproveitamos para fazer panquecas, omeletes e comer mais frutas.”

O café da manhã ideal

O melhor horário para fazer a primeira refeição do dia é até uma hora após levantar da cama. De preferência, isso deve acontecer logo no início da manhã, para estimular a produção de serotonina e regular o cortisol, além de diminuir a produção de neuropeptídeo (que estimula a fome) no fim do dia

Carboidratos
» Pão (de preferência integral), tapioca, cuscuz, aveia, granola e quinoa são algumas opções

Frutas
» Fontes de vitaminas e minerais, elas garantem uma refeição nutritiva e saborosa, além de fornecerem vitaminas do complexo B. Uma alternativa são os sucos naturais

Proteínas
» Queijo branco, iogurte, leite de soja ou tofu podem ser ingeridos. Frios magros como blanquet de peru, peito de peru ou presunto magro também podem fazer parte do menu matinal

Oleaginosas
» Castanhas, nozes e outras oleaginosas compõem a dieta balanceada para começar o dia cedo e com energia e disposição

Fonte: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/ciencia-e-saude/2011/10/18/interna_ciencia_saude,274346/pesquisa-britanica-mostra-que-acordar-cedo-tem-diversos-beneficios.shtml?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

Comportamento é melhor para emagrecer do que remédios

Intensidade nas ações: segundo cientistas de um centro de saúde em Portland (Oregon, EUA), esse é o segredo para emagrecer. Quanto maior a quantidade de atitudes físicas e psicológicas, simultâneas, maior a chance de perder peso de maneira notável. As ações comportamentais, como explicam os médicos, ganham destaque nessa proposta.

Em um estudo feito com 58 clínicas de Portland, pessoas obesas que passaram por tratamentos comportamentais perderam em média de 3,2 quilos entre 12 e 18 meses. Em tratamentos intensivos, o resultado foi ainda superior. Entre 12 e 29 sessões, os pacientes perderam entre 4 kg e 6,8 kg.

Essa terapia intensa recebeu dos médicos o nome de “Tratamento compreensivo”. Trata-se de um pacote de medidas para reduzir o peso. Sessões de exercícios, dietas com calendário e pequenas atitudes saudáveis, tudo aplicado ao mesmo tempo. A medicação, nesse caso, vira um fator secundário.

Estes conceitos têm sido usados para o que os médicos chamam de rastreamento da obesidade. A medicina considera como rastreamento (screening, no termo em inglês), a grosso modo, um diagnóstico rápido feito a partir de testes práticos.

No contexto do tratamento comportamental, uma série de indicadores poderiam dizer, rapidamente, o quanto cada paciente é propenso a virar obeso. Mas os pesquisadores de Portland afirmam que se deve tomar cuidado para não tirar conclusões apressadas. Afinal, como eles explicam, diagnosticar que uma pessoa está precisando emagrecer, quando na verdade ela não precisa, pode ser mais nocivo do que se imagina.

Fonte: http://hypescience.com/comportamento-e-melhor-para-emagrecer-do-que-remedios/

Novos males do álcool

Depois de tantas pesquisas, já não é novidade para ninguém que o alcoolismo por longo período leva a uma doença hepática chamada cirrose, que é o “coroamento” dos danos que o álcool paulatinamente causa ao corpo. Pesquisas recentes de universidades britânicas, no entanto, têm dado mais atenção a outros órgãos que também são danificados pela bebida.

O mais afetado é o coração. Um centro de medicina da Inglaterra aponta, em um estudo, que o alcoolismo pode levar a um pacote de problemas nesse quesito. Aumento de pressão sanguínea, insuficiência cardíaca e infarto são exemplos, além da temível miocardiopatia, na qual o músculo do coração incha e torna a vida do portador um eterno sobressalto quanto à chance de uma parada cardíaca. O álcool, aparentemente, aumenta o nível de gordura circulante no sangue.

Outro centro médico britânico, este especializado em fatores cancerígenos, afirma que o risco de câncer de mama aumenta entre 7% e 12% para cada 10g de álcool ingerido por dia. Em uma semana, 100g de álcool no organismo representam 19% a mais de chances de câncer colorretal. De acordo com um estudo da entidade, a cada ano 13 mil britânicos (dos quais 4 mil mulheres) contraem câncer devido ao consumo exagerado de bebidas.

Mais dois focos de preocupação: imunidade e fertilidade. No primeiro quesito, uma pesquisa aponta o álcool como redutor da nossa resistência a doenças virais. Quanto à capacidade reprodutora, as bebidas alcoólicas tornariam mais difícil o período fértil da mulher e diminuiriam a quantidade de esperma produzida pelo homem.

Um dos fatores mais agravantes, segundo esta nova onda de estudos, diz respeito à quantidade. Nas últimas décadas, tornou-se senso comum que o álcool só faz realmente danos se for ingerido em excesso, e chega a ser aconselhável quando consumido com parcimônia. Mas um estudo da Universidade de Cambridge, também no Reino Unido, coloca até isso em cheque.

Segundo esta pesquisa, que teve uma etapa clínica com ratos de laboratório, o álcool pode ser danoso inclusive em pequenas quantidades.

No delicado quesito da genética, os pesquisadores garantem que poucas doses de álcool durante a gravidez já podem causar danos permanentes ao feto. Um problema de saúde pouco pesquisado, a síndrome fetal alcoólica, aumenta a chance de deficiência mental e física no bebê que vai nascer.

Isso sem mencionar, é claro, que os danos do álcool para o fígado em si continuam crescendo em número de casos e preocupação dos médicos. Uma pesquisa de um hospital em Southamptom, também na Grã-Bretanha, afirma que as mortes por doença no fígado aumentaram em 500%. Deste número de mortes, 85% foram diretamente relacionadas ao álcool.

Segundo os registros de Southampton, 2010 marcou a primeira vez em que mais de um milhão de pacientes foram internados por problemas de alcoolismo em um período de doze meses. Apenas sete anos antes, em 2003, esse número ainda era de 510 mil casos, pouco mais do que a metade.

Fonte: http://hypescience.com/descubra-novos-males-do-alcool/

Ioga e alongamento podem aliviar dor crônica nas costas

Segundo um novo estudo, ioga ou alongamento intenso podem aliviar o desconforto de pessoas que sofrem de dores crônicas nas costas.

Os pesquisadores disseram que nenhuma das duas formas de exercício parece ser mais eficaz do que a outra, ambas são boas opções.

Quando os médicos atendem adultos com dores nas costas, regularmente prescrevem analgésicos e relaxantes musculares com graus variados de sucesso, ou encaminham os pacientes para fisioterapeutas, quiropráticos, e outros especialistas.

Muitos médicos também recomendam exercícios e alongamento, mas poucos estudos já exploraram se determinadas atividades físicas são especialmente eficazes para pacientes com dor nas costas.

O novo estudo é o acompanhamento de uma pesquisa de 2005 que descobriu que a ioga era um pouco melhor para dor nas costas do que um programa de exercício que incluía treinamento de força, aeróbica e alongamento.

Os pesquisadores suspeitavam isso poderia ser devido ao “componente mental” de meditação da ioga, e esperavam para obter um resultado semelhante com a nova pesquisa.

O estudo recente incluiu 228 adultos mentalmente saudáveis, com dor moderada nas costas. A maioria era bastante ativa, apesar de sua dor.

Os pesquisadores designaram aleatoriamente os pacientes para um de três grupos: um grupo fez aulas semanais de 75 minutos de ioga, outro fez aulas de alongamento e resistência semanais, e um grupo de controle recebeu um livro sobre como lidar com dores nas costas.

Os grupos de ioga e alongamento também receberam vídeos de instrução e foram encorajados a praticar em casa por 20 minutos por dia entre as classes.

Três meses mais tarde, os participantes dos grupos de alongamento e ioga foram muito mais propensos do que as pessoas no grupo de controle a relatar uma melhora na dor nas costas.

O dobro de participantes nestes dois grupos (cerca de 40%, versus 20% no grupo de controle) disse que diminuiu a utilização de medicamentos, uma tendência que persistiu três meses após as aulas terminarem.

No entanto, a ioga não foi mais eficaz do que o alongamento. Esta constatação surpreendeu os pesquisadores, que achavam que os benefícios da ioga eram principalmente devidos ao componente mental ou espiritual.

O estudo sugere que, na verdade, o principal benefício da ioga é físico. E, de fato, a classe de alongamento (com foco em pacientes com dor nas costas) não é muito diferente de uma aula de ioga.

“Eu recomendo exercícios de flexibilidade para cada paciente com dor nas costas que tenho. Alongamento terapêutico combinado com relaxamento e respiração profunda ajuda muito na dor lombar”, disse o quiroprático americano Scott Duke.

Segundo os pesquisadores, o estudo sugere que os médicos devem incorporar o alongamento no seu protocolo de tratamento padrão para dor nas costas.

Mas não é qualquer tipo de ioga ou qualquer classe de alongamento que ajuda os pacientes com dor nas costas.

O tipo de ioga utilizado no estudo centrou-se nas costas e nas pernas, e foi adaptado para as limitações físicas de cada indivíduo. Pacientes com dor nas costas devem evitar aulas muito “intensas” de ioga, e devem procurar estilos terapêuticos e restauradores.

Sem a devida orientação e limites, os pacientes podem ficar piores do que quando começaram. Mesmo no estudo, cerca de 15% dos pacientes de ioga e alongamento aumentaram sua dor nas costas, uma taxa que está próxima da média do mundo real.

O ideal é uma classe voltada para iniciantes, e um instrutor que tem experiência em trabalhar com pacientes com condições especiais. Claro, todo paciente pode ir a uma aula, se testar, ver até onde aguenta. Sempre com muito cuidado

Fonte: http://hypescience.com/ioga-e-alongamento-podem-aliviar-dor-cronica-nas-costas/

Come demais? Talvez você esteja querendo aumentar seu status na sociedade

Segundo um novo estudo, consumidores que se sentem impotentes socialmente escolhem porções extragrandes de comida em um esforço para aumentar a sua posição social aos olhos dos outros.

Pesquisadores franceses e americanos realizaram várias experiências para ver por que as pessoas de menor posição social tomam decisões tão precárias de saúde, selecionando porções maiores de alimentos.

“Uma tendência em curso no consumo de alimentos é os consumidores comerem cada vez mais”, escreveram os pesquisadores. “O aumento no consumo de alimentos é particularmente prevalente entre as populações vulneráveis, tais como consumidores de menor status socioeconômico”.

Os cientistas observaram que as normas culturais associam alguns itens maiores, como casas, veículos ou TVs de tela plana, com riqueza, sucesso e status social elevado.

Se os consumidores se sentem infelizes com seu status, eles podem tomar essa crença e aplicá-la aos alimentos. Ou seja, estes consumidores podem tentar compensar seu menor status percebido pela sociedade, mostrando aos outros que eles podem se dar ao luxo de comprar os tamanhos maiores de comida – um McMansão.

Em um dos experimentos, os participantes perceberam que os consumidores que compraram um café grande tinha um status mais elevado do que aqueles que escolheram cafés médios ou pequenos, mesmo quando o preço de todos os tamanhos era o mesmo.

Outra experiência mostrou que os consumidores que se sentiram impotentes escolhiam pedaços maiores de bagels (pães) do que os participantes que não se sentiam impotentes. Consumidores de baixo status também tendiam a escolher bebidas maiores quando estavam em um evento social, do que quando compravam a bebida sozinhos.

Sendo assim, os cientistas concluíram que o tamanho das porções tende a afetar negativamente o consumidor de baixo status, que vai procurar sempre compensar sua posição social com comida.

No entanto, os pesquisadores descobriram que aqueles que compensam baixo status com itens alimentares grandes podem também ser influenciados a tomar decisões mais saudáveis quando se trata de comida.

Em outro experimento, quando os participantes foram informados de que pequenos hors d’oeuvres (aperitivos franceses) eram servidos em eventos de prestígio, eles escolheram os itens menores comida, que continham menos calorias.

“Entender e monitorar a relação de status com opções de comida é uma importante ferramenta à disposição dos políticos para combater eficazmente o consumo excessivo de alimentos”, disseram os pesquisadores.

Fonte: http://hypescience.com/come-demais-talvez-voce-esteja-querendo-aumentar-seu-status-na-sociedade/

Lixões deverão ser extintos até 2014

Um dos grandes desafios para a implementação da política de resíduos sólidos é a meta estabelecida para o fim dos lixões em 2014. Mas, de acordo com o diretor de Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Silvano Silvério, mais importante que extinguir os lixões será mantê-los permanentemente fora de atividade até o ano de 2031, prazo de vigência do Plano Nacional de Resíduos Sólidos. Isso significa, entre outras atividades permanentes, a queima pontual dos gases metanos, a coleta do chorume e a drenagem pluvial.

O secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do MMA, Nabil Bonduki, reafirma que a base para o sucesso dessa empreitada está na coleta seletiva e, para isso, os municípios têm de se mobilizar para levar em frente a ideia dos consórcios intermunicipais. O secretário garante que a meta para o fim dos lixões é factível, pois cerca de 58% dos municípios já destinam de maneira adequada seus resíduos.

"Os 40% que faltam estão entre os municípios de pequeno porte e, destes, cerca de 800 já estão elaborando seus planos de resíduos. Portanto, o prazo para o fim dos lixões tem de ser perseguido", afirma. Bonduki informa que São Paulo tem a melhor cobertura de aterros sanitários do País, e que, nessa parte, o estado já cumpriu seu dever de casa. "O que falta agora é a questão da coleta seletiva. Também nesse aspecto São Paulo deve dar exemplo. Daqui devem surgir inovações para a destinação final dos resíduos", disse.

Bonduki e Silvério estão em São Paulo participando da abertura da audiência pública sobre o Plano Nacional de Resíduos Sólidos. O encontro da região Sudeste conta com a participação de São Paulo e Espírito Santo. Devido a sua magnitude e complexidade, os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais debaterão o tema em datas diferentes. A de Minas Gerais será 25 de outubro e a do Rio de Janeiro no dia 26 do mesmo mês.

Aos participantes do encontro em São Paulo, entre eles representantes da indústria e dos catadores, o secretário Bonduki disse que o debate sobre resíduos sólidos é uma política transversal do Governo Federal, envolvendo 12 ministérios e coordenada pelo do Ministério do Meio Ambiente. "Essa discussão está no centro das agendas governamentais. Ela se articula com o projeto de desenvolvimento nacional, com o Brasil sem Miséria, com o desenvolvimento econômico e com a agenda da cidadania", salientou.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, afirmou que o setor produtivo vem se preparando para enfrentar os desafios propostos pela nova lei. "Estamos divulgando em todo o estado de São Paulo as diretrizes da PNRS", informou. Segundo ele, para que a lei seja aplicada será necessária uma mudança de cultura. "É preciso haver uma conscientização coletiva", avalia. A audiência da região Sudeste foi realizada na sede da Fiesp, na capital paulista.

Fonte: http://cheida.com.br/noticia.php?idnoticia=803

Spas que oferecem aromaterapia podem ter nível elevado de poluente no ar, diz estudo

Spas que oferecem massagens com óleos essenciais da aromaterapia podem ter níveis elevados de poluentes no ar, mostra estudo de pesquisadores de Taiwan e publicado no jornal Environmental Engineering Science.

Os óleos essenciais, derivados de plantas, podem liberar compostos orgânicos voláteis (COVs). Esses COVs reagem com o ozônio presente no ar, produzindo partículas ultrafinas chamadas de aerossóis orgânicos secundários (AOS), que podem causar irritação nos olhos e nas vias respiratórias.

A equipe, liderada por Der-Jen Hsu, da Universidade de Kaohsiung, testou óleos essenciais e fragrâncias produzidas a partir de ervas chinesas e analisou amostras de ar em spas que oferecem massagens com aromaterapia.

Os autores concluíram que a qualidade do ar dos spas é alterada pelos aerossóis, já que a estrutura de ventilação desses estabelecimentos não permite que eles se dissipem.

Para o cientista Domenico Grasso, da Universidade de Vermont, a equipe fez um bom trabalho por chamar a atenção para um risco quase sempre ignorado por ambientes de luxo focados em bem-estar.

O estudo "Characteristics of Air Pollutants and Assessment of Potential Exposure in Spa Centers During Aromatherapy" pode ser obtido em inglês no site www.liebertpub.com/ees.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultimas-noticias/2011/10/20/spas-que-oferecem-aromaterapia-podem-ter-nivel-elevado-de-poluente-no-ar-diz-estudo.jhtm

Porque o estresse faz a gente perder o cabelo

A americana Tyra Banks, modelo e atriz famosa nos EUA, além de magnata, acaba de adicionar “escritora de ficção” e “autora de best-sellers” a sua lista sempre crescente de realizações.

Mas escrever um livro enquanto gerencia uma indústria multimilionária de moda, beleza e entretenimento supostamente fez
Tyra perder algo precioso: seu couro cabeludo.

Perder o cabelo – seja uma situação temporária ou permanente – é difícil de lidar, mesmo para as mais belas e ricas entre nós. E o motivo para tanto é bem comum: estresse.

“Escrever um livro pode definitivamente ser um fator de estresse que pode levar à perda de cabelo, ou alopecia”, diz Orr Barak, um dermatologista americano.

Mas em mulheres com perda de cabelo, os médicos também têm que descartar se o estressor é um problema da tireoide ou baixos níveis de ferro. “Mas esses fatores raramente são as causas. É mais comumente um estressor emocional, como o que houve com Tyra”, ressalta.

Barak suspeita que a modelo tenha “eflúvio telógeno”, uma espécie de perda de cabelo induzida por estresse. Ainda assim, precisamos ir à raiz do problema: por que o estresse faz nosso cabelo cair?

Barak explica que um cabelo normal gasta 80 a 90% de seu tempo na fase de crescimento, conhecido como anágena, e 10 a 20% do seu tempo na fase de repouso, ou telógena. Uma exceção a isso é a gravidez, quando o ciclo do cabelo aumenta para 100% anágena, ou crescimento.

“Quando o corpo sofre estresse, o folículo piloso é afetado e um novo equilíbrio é definido para o ciclo do cabelo”, fala Barak.

A taxa pode cair para 60% do seu tempo no ciclo de crescimento e 40% na fase de repouso, por exemplo. Esta mudança faz com que mais cabelo caia, e você o encontra mais em sua escova ou no ralo do chuveiro.

Felizmente, perder mais cabelo do que o normal é muitas vezes temporário. “Quando o corpo se recupera do estresse, o cabelo volta ao seu ciclo normal de 80 a 90% de proporção de crescimento”, observa Barak.

Cuidado, hein? Não perca seus cabelos com seus problemas

Fonte: http://hypescience.com/porque-o-estresse-faz-a-gente-perder-o-cabelo/

Pessoas que sofrem de insônia têm maior risco de ataque cardíaco

A insônia pode aumentar moderadamente o risco de ataque cardíaco. É o que sugere estudo publicado pela American Heart Association. Os resultados revelam que o risco de ataque cardíaco em pessoas com dificuldades para dormir é de 27% a 45% maior do que naquelas que raramente experimentam dificuldades no sono.

Pesquisadores da Norwegian University of Science and Technology relacionaram o risco de ataque cardíaco a três principais sintomas da insônia. Comparadas às pessoas que declararam nunca ou quase nunca ter tido problemas no sono, pacientes com insônia que: tiveram problemas para adormecer quase diariamente no último mês apresentaram um risco 45% maior de ataque do coração; tiveram problemas em manter o sono quase todas as noites tiveram um risco 30% maior de ataque cardíaco, e tão acordaram se sentindo revigorados pela manhã mais de uma vez por semana tiveram um risco 27% maior de problema do coração.

Segundo os pesquisadores, o risco de ataque cardíaco também aumenta com cada sintoma insônia adicional relatada pelo paciente. "Os problemas do sono são comuns e relativamente fáceis de tratar. Então, é importante que as pessoas estejam conscientes dessa conexão entre insônia e ataque do coração e falem com o médico se estiverem com os sintomas", disse o investigador principal, Lars Erik Laugsand.

O estudo contou com 52.610 adultos noruegueses que responderam a perguntas sobre a insônia como parte de uma pesquisa nacional de saúde entre 1995 e 1997. Os pesquisadores examinaram registros hospitalares para identificar 2.368 pessoas que tiveram ataques cardíacos pela primeira vez durante os seguintes 11 anos.

A equipe usou a análise de sobrevivência para ajustar fatores que poderiam influenciar os resultados, como idade, sexo, estado civil, nível de escolaridade, pressão arterial, colesterol, diabetes, peso, exercícios e trabalho por turnos. Consideraram também depressão e ansiedade, que podem causar insônia.

Até 33% das pessoas na população em geral experimentaram pelo menos um sintoma de insônia, de acordo com os pesquisadores. Estudos anteriores menores ligaram insônia a doenças cardíacas, incluindo pressão arterial alta e ataques cardíacos.

Não está claro por que a insônia está ligada ao maior risco de ataque cardíaco. Alguns sugerem que os problemas do sono afetam os fatores de risco de ataque cardíaco, como pressão alta e inflamação. Os pesquisadores ressaltam que mais estudos são necessários para confirmar a associação.

Fonte: http://www.isaude.net/pt-BR/noticia/22162/geral/pessoas-que-sofrem-de-insonia-tem-maior-risco-de-ataque-cardiaco

Estudo aponta que doenças cardiovasculares são a maior causa de mortes no Brasil

33% das mortes no Brasil, sendo a principal causa de óbito no país. A conclusão é de um estudo divulgado no último mês de setembro pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O relatório mostra que as doenças não transmissíveis são muito influenciadas por fatores de risco comportamentais da população, como o fumo, falta de atividade física, consumo de álcool e alimentação pouco saudável.

Por se tratarem de problemas silenciosos, com poucos sintomas, as doenças cardiovasculares se tornam ainda mais perigosas. Por este motivo, os exames de rotina e os check-ups se tornam, cada vez mais, necessários. “São nestes exames que o médico irá determinar o risco cardiovascular, isto é, o risco que esta pessoa apresenta de sofrer um ataque do coração ou um acidente vascular cerebral (AVC). Será nesta consulta e através da confirmação por exames e testes complementares que será diagnosticada ou afastada a presença de doenças que podem ser controladas de forma a diminuir as chances de ocorrer um evento mais grave”, explica o cardiologista e professor da Faculdade Inspirar, Alexandre Manoel Varela.

Para piorar este quadro, pesquisas, realizadas no ano passado, apontam que apenas um terço da população brasileira realiza check-ups anuais. A baixa procura por este exame de rotina se deve a falta de informação da população, mesmo com iniciativas governamentais e, até mesmo, privadas que despertam a necessidade de se verificar, de forma regular, aspectos clínicos, como uma simples medição da pressão arterial. Segundo Alexandre Manoel Varela, o principal motivo para que as pessoas procurem um médico é, infelizmente, a existência de algum sintoma ou ocorrência de alguma doença grave. “Na maioria das vezes o primeiro sintoma é a ocorrência de algo grave como um infarto do miocárdio ou acidente vascular cerebral. E aí já é tarde. O dano já foi causado e muitas vezes são irreparáveis e podem deixar sequelas terríveis”, detalha o especialista.

Além dos cuidados já conhecidos, como uma dieta balanceada, prática de exercícios físicos regulares e repouso adequado com 6 a 8 horas de sono diários, o cardiologista revela que os exames de rotina e check-ups devem se iniciar ainda na infância, com exames, determinados pelo pediatra, referentes principalmente aos quadros de hipertensão arterial e diabetes. “Os jovens, com idade entre 20 e 30 anos, deveriam fazer consultas regulares a cada dois anos e sempre que forem iniciar a prática de alguma atividade esportiva de forma regular. Já na fase adulta, o ideal é que até os 40 anos se faça ao menos uma vez ao ano uma visita ao cardiologista e após esta idade, pelo menos a cada seis meses. Desta forma, o médico pode detectar qualquer alteração em uma fase muito precoce o que é importante para o controle de futuras ocorrências”, completa

Fonte: http://www.sissaude.com.br/sis/inicial.php?case=2&idnot=12671

Câncer de mama ainda é a principal causa de morte entre as brasileiras

As mulheres conquistaram muitos direitos: podem votar, trabalham fora, provam, diariamente, que são iguais ao homem. Mas, uma luta que a brasileira tem travado com muito empenho é vencer o câncer de mama. Apesar de todos os cuidados que as elas têm com a saúde, este tipo de câncer ainda é a principal causa de morte entre as mulheres no Brasil. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), anualmente surgem cerca de 49 mil novos casos da doença.

Segundo o mastologista do Hospital Nossa Senhora das Graças Dr. Cícero Urban, o fator que mais contribui para essa triste estatística é o diagnóstico tardio. “Quando a doença é descoberta em fase avançada as chances de cura são menores e os custos de tratamento aumentam consideravelmente. O câncer de mama pode dar metástases em outros órgãos como ossos, fígado e pulmão”, lembra o especialista. “Quando descoberto no início, há chances de cura da doença, por isso, a importância do diagnóstico precoce. Em Curitiba, felizmente, a maioria das pacientes descobre a doença precocemente e o índice de cura ultrapassa os 90%”, conta ele.

Para o diagnóstico ser feito com precisão, é necessária a realização do exame clínico por um especialista, que pode detectar tumores superficiais de até um centímetro. Outro exame que diagnostica o câncer de mama é a mamografia, que faz uma radiografia da mama e é capaz de mostrar lesões iniciais, de milímetros. “Pacientes com baixo risco, sem casos de hereditariedade, é recomendável exame clínico anualmente a partir dos 20 anos. Depois dos 40 anos, a mamografia deve ser inserida nessa rotina”, enfatiza Dr. Cícero.

Exposição a radiação ionizante, ingestão regular de álcool, idade avançada, primeira menstruação precoce e menopausa tardia são alguns fatores de risco para desenvolver o câncer de mama. Hereditariedade e história familiar também são relevantes, porém, apenas 10% dos casos estão relacionados a esses fatores. “Existem famílias com incidência muito alta de câncer de mama, que pode chegar a 80%. Nesses casos, é preciso intervir com prevenção ou até com cirurgias redutoras de risco”, salienta o mastologista.

O tratamento do câncer de mama é feito com cirurgia para remoção do tumor e retirada dos gânglios da axila, caso estejam comprometidos. As novas técnicas de cirurgia hoje, explica Dr. Cícero, procuram preservar a mama. “A cirurgia já não é mais a mutilação de alguns anos atrás. Combinamos técnicas de cirurgia plástica às técnicas de cirurgia oncológica, o que traz grandes benefícios para preservar a qualidade de vida e a auto-estima das pacientes. Obter o máximo de eficácia com o mínimo de mutilação é o principal objetivo dos tratamentos de câncer de mama atuais”.

Atendimento com parâmetros internacionais

O Hospital Nossa Senhora das Graças conta com atendimento integrado especializado sobre o problema, no qual é possível conseguir excelência em tratamento de câncer de mama. A equipe é formada por cirurgiões, oncologistas clínicos, radioterapeutas, médicos nucleares, fisioterapeutas, geneticistas, radiologistas e patologistas que discutem e decidem sobre os casos tratados no hospital.

O atendimento é reconhecido pelo Senonetwork, entidade ligada a Sociedade Européia de Oncologia e Sociedade Européia de Mastologia, que reconhece serviços que seguem as normas de excelência estabelecidas pelo Parlamento Europeu. “A importância deste reconhecimento é certificar que nossas pacientes estão recebendo um tratamento que está rigorosamente dentro dos parâmetros internacionais e em sintonia com os melhores centros no mundo”, enfatiza Dr. Cícero.

Fonte: http://www.sissaude.com.br/sis/inicial.php?case=2&idnot=12679

Riscos alimentares do século 21

Excesso de gordura, sal e açúcar são ameaças reais à saúde

No início do século 20, nossa maior preocupação em relação aos alimentos era com a contaminação e com as medidas sanitárias para garantir que eles não veiculassem doenças. Os Estados Unidos adotaram medidas sanitárias para garantir alimentos não contaminados, como a inspeção das carnes já em 1906. No Brasil, as primeiras resoluções sobre o assunto datam de 1929. Uma ênfase maior foi dada ao problema através de um decreto presidencial de 1952.

Atualmente, o maior risco alimentar, na maior parte do mundo, não são os micróbios, mas os excessos alimentares sob a forma de calorias, açúcares, sal e gorduras. Somos mais de 1,6 milhões pessoas com sobrepeso em todo o mundo de acordo com o Dr. Barry Popkin, professor de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da Carolina do Norte nos Estados Unidos.

De acordo com Popkin, esse número assustador já ultrapassou os 800 milhões de desnutridos espalhados pelo mundo, fazendo da obesidade uma pandemia, responsável direta ou indiretamente pela maior taxa de mortalidade imposta por qualquer fator de risco existente. Nos Estados Unidos, um terço da população adulta é obesa. No Brasil, de acordo com a última Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE 2002-2003, num universo de 95,5 milhões de pessoas acima de 20 anos há 3,8 milhões de pessoas (4,0%) com déficit de peso e 38,8 milhões (40,6%) com excesso de peso, das quais 10,5 milhões são consideradas obesas.

Alimentos industrializados mais saudáveis

Um exemplo recente dos nossos equívocos na industrialização dos alimentos foi a produção da gordura hidrogenada para substituir a gordura saturada da manteiga. “Passamos a comercializar margarinas duras, ricas em gordura hidrogenada, que, grama por grama, causa um risco cardiovascular muito maior do que a gordura saturada da manteiga, uma vez que, além de aumentar o mau colesterol (LDL colesterol), a gordura hidrogenada ou trans ainda reduz o colesterol protetor (HDL colesterol), sendo duplamente deletéria à saúde”, diz a endocrinologista e nutróloga Ellen Simone Paiva.

Atualmente, são muitas as leis que obrigam a indústria de alimentos a declarar a quantidade de gordura hidrogenada de seus produtos em seus rótulos, como é o caso do Brasil. Exemplos muito bem sucedidos, como é o caso de Nova York, que conseguiu praticamente abolir a gordura trans de seus alimentos industrializados, inclusive nos alimentos servidos em bares, lanchonetes e restaurantes. O fato é tão sensacional que mereceu destaque numa das mais importantes revistas médicas dos Estados Unidos. O artigo publicado em julho de 2009 não é um ensaio clínico, pesquisa ou revisão de literatura. Trata-se de cinco páginas com a descrição orgulhosa da metodologia usada pela cidade de Nova York para conseguir mudar o perfil dos cardápios da cidade. A ação atingiu todos os estabelecimentos licenciados para comercializar alimentos, incluindo restaurantes, lanchonetes, cantinas escolares, cafeterias, empresas fornecedoras de alimentos e comércio ambulante.

“O fato inédito envolveu várias estratégias adotadas pelo órgão equivalente a uma secretaria municipal de Saúde e culminou na redução, a níveis muito baixos, do consumo de gordura hidrogenada pelos restaurantes da cidade de Nova York. Esse processo só foi possível graças a uma emenda ao Código de Saúde da Cidade, pois as várias tentativas anteriores, feitas através de campanhas educacionais, não obtiveram sucesso”, conta a médica.

O amargo sabor do açúcar

Sempre nos perguntamos o porquê da esmagadora preferência das pessoas por alimentos doces... A indústria de alimentos percebeu isso bem e milhares de alimentos nos supermercados são adoçados. “Muitas vezes, nos perguntamos se esse excesso de alimentos doces induziria a um quadro de grande necessidade deles e compulsão por doces, tão freqüente nas sociedades modernas. Enquanto ainda não temos respostas definitivas para tais questões, procuramos entender a predileção da maioria das pessoas pelos doces. Sabemos, por exemplo, que se provermos uma gestante com grande quantidade de doces, seu bebê será mais predisposto a gostar das guloseimas do açúcar”, conta Ellen Paiva.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que o açúcar de adição não ultrapasse 10% das calorias de uma refeição. Apesar disso, nos Estados Unidos as crianças consomem o dobro dessa recomendação. Os refrigerantes são os maiores contribuintes individuais dessa ingestão. “O açúcar, incorporado na maioria dos alimentos industrializados, leva a um consumo expressivamente alto desse ingrediente, causando um aumento das calorias das dietas com um poder de saciedade muito pequeno. O resultado dessa equação é sempre muito amargo e um dos responsáveis pela epidemia de obesidade e diabetes em todo o mundo, principalmente entre crianças e adolescentes”, diz a diretora do Citen.

O desafio de reduzir o sal

Esse desafio é ainda maior, mas também muito importante. Alimentos muito salgados “tomam conta do nosso paladar”, induzindo-nos a preferir comidas mais temperadas e a recusar aquelas de sabor mais natural. “Comer muito sal é um hábito e um vício que se traduz pela sensação de que qualquer comida, com menor teor desse ingrediente, pareça sem graça e sem sabor”, diz a endocrinologista.

Os americanos consomem quase duas vezes a recomendação máxima diária de 2300mg de sódio. Estima-se que a redução de 1300mg por dia na ingestão de sódio salvaria cerca de 150.000 vidas. Tal redução seria mais eficaz do que tratar todas as pessoas com hipertensão arterial, utilizando medicamentos específicos para isso. Os alimentos processados e aqueles consumidos em restaurantes respondem por 77% do sal ingerido, tornando muito difícil a redução deste ingrediente.

O reconhecimento da necessidade de redução do consumo de sal é bem antiga. Em 1981, o FDA já havia declarado sua intenção de reduzir o sal dos alimentos processados, mas até o momento pouca coisa mudou, além da obrigatoriedade da descrição da quantidade de sódio nos rótulos dos alimentos, medida também adotada pela ANVISA, no Brasil. E quanto ao consumo, nos últimos 30 anos, a ingestão de sódio aumentou 69% entre as mulheres e 48% entre os homens nos Estados Unidos.

“As necessidades diárias de sal estão relacionadas às necessidades de sódio. Elas são facilmente alcançadas sem a adição de sal no preparo dos alimentos, pois uma dieta normal já contempla os 500mg de sódio necessários ao organismo. Não quero dizer, no entanto, que devamos comer sem sal. Sabemos do maravilhoso sabor que ele incorpora aos alimentos... Mas é preciso tomar cuidado com os excessos”, diz a nutróloga Ellen Paiva.

O brasileiro também tem exagerado na ingestão de sal. De acordo com o Ministério da Saúde, em seu Guia Alimentar de 2006, estamos ingerindo cerca de 30 gramas de sal por dia (12gramas de sódio), quando deveríamos ingerir no máximo 12 gramas (5 gramas de sódio).

Praticamente, todos os alimentos industrializados contêm sódio. Do pão integral ao refrigerante... Até mesmo os sucos artificiais em pó contêm sal. “Mas os campeões são os embutidos (presunto, salame, mortadela, salsicha) e defumados, os caldos concentrados e temperos prontos, as sopas instantâneas, os salgadinhos industrializados em pacotes, os queijos amarelos, os pratos prontos congelados e as conservas”, diz a médica.

Quem come fora de casa regularmente tem mais dificuldade para controlar o consumo de sal, mas sempre é possível fazê-lo. A melhor estratégia para conseguir isso ainda é evitar o saleiro, uma vez que os alimentos já são normalmente preparados com mais sal e as saladas podem ser consumidas utilizando apenas o azeite, fazendo com isso cair a média de ingestão de sal na refeição. “Embora todos se beneficiem com a redução do sal, pessoas com hipertensão arterial, doenças cardíacas e hepáticas que causam retenção de líquidos e insuficiência renal devem reduzir o sal como parte fundamental do seu tratamento, pois o excesso de sal causa maior retenção de água,o que pode agravar essas condições clínicas”, conta Ellen Paiva.

Políticas públicas equivocadas

Diante de um problema de tamanha proporção, a indústria de alimentos e os governos devem desenvolver ações em conjunto no sentido de produzir alimentos mais saudáveis e de menor custo. As agências reguladoras de alimentos devem se empenhar em exigir rotulações exatas e de linguagem acessível ao público leigo. “E finalmente, os governos devem sobretaxar alimentos mais calóricos e subsidiar alimentos mais saudáveis, tornando vantajosa a compra desses, não somente do ponto de vista nutricional, mas também econômico. Todo e qualquer aumento excessivo no teor de açúcar e gordura dos alimentos deveria ser tributado e não o contrário, como ocorre na indústria de alimentos. Hoje, um litro de leite desnatado é muito mais caro do que um litro de leite integral. Chega ser ínfimo o preço de um pacote de bolachas recheadas em relação ao preço do pão integral”, sugere a endocrinologista.

De acordo com o Dr. Barry Popkin, da mesma forma que os governos têm programas de prevenção de saúde extremamente bem sucedidos, como os de uso dos cintos de segurança e de combate ao tabaco, eles também devem olhar com a mesma preocupação para o avanço da obesidade no mundo e lançar programas relacionados à prevenção da mesma. Essa política de prevenção parece ser a única forma eficaz e economicamente viável contra o avanço da obesidade no mundo, uma vez que o tratamento das comorbidades desta doença impõe intoleráveis gastos aos países em desenvolvimento.

“Enquanto nosso arsenal terapêutico tem se mostrado frágil, muitas vezes, deletério, precisamos contar com povos esclarecidos e motivados, uma indústria de alimentos engajada no mesmo esforço e governos responsáveis e interessados em declarar guerra contra a doença que vem desafiando pesquisadores e governantes”, defende Ellen Paiva.

Fonte: http://www.sissaude.com.br/sis/inicial.php?case=2&idnot=4254

Médicos recomendam três noites sem álcool por semana

Uma noite de bebedeira deve ser seguida por dois ou três dias sem álcool, afirmam médicos britânicos.

Segundo a associação Royal College of Physicians (RCP), o fígado precisa de tempo para se recuperar.

'Além das quantidades, limites seguros para o consumo de álcool também precisam levar em conta a frequência. Há um maior risco de problemas no fígado para aqueles que bebem diariamente ou quase diariamente na comparação com aqueles que bebem esporadicamente ou alternadamente', disse Ian Gilmore, conselheiro sobre álcool do RCP.

'Recomendamos um limite seguro de consumo de álcool entre zero e 21 unidades por semana para homens e um máximo de 14 unidades para mulheres, desde que o total não seja consumido em apenas um ou dois episódios e que haja dois ou três dias sem álcool por semana.'

Uma garrafa de 330 ml de cerveja tem em torno de 1,7 unidades, enquanto uma taça pequena de vinho (125 ml) tem 1,5 unidade.

'Se alguém bebe um drink por dia, uma bebida pequena todos os dias de sua vida, é improvável que haja algum problema, mas se você sai e bebe muito, é aconselhável deixar seu corpo descansar.'

De acordo com números oficiais, as internações relacionadas a álcool chegaram a um número recorde no ano passado na Grã-Bretanha.

Mais de um milhão de pessoas foram admitidas em hospitais em 2009-2010 no país e, em quase dois terços dos casos, os pacientes eram homens.


Fonte: http://www.sissaude.com.br/sis/inicial.php?case=2&idnot=12680

Pesquisa encontra evidência científica de que a hipnose existe

Pesquisadores encontraram pela primeira vez evidência científica para a existência de um estado hipnótico. Um olhar fixo e estranho pode ser a chave para resolver o debate sobre a existência ou não da hipnose, que já dura mais de cem anos.

Para muitos psicólogos, psiquiatras e neurologistas, a hipnose não passaria de um mito popular ou de um fruto da imaginação de pessoas que estariam, de fato, conscientes. Com a evidência científica, esse ponto de vista deve ser abandonado.

Esse tipo de olhar é um dos clichês de como uma pessoa fica quando é hipnotizada, mas nunca tinha sido estudado a fundo pelos cientistas, já que não acontece em todos os casos.

Nesse estudo, os cientistas observaram uma pessoa que pode entrar e sair facilmente do estado de hipnose com uma simples deixa de uma palavra. Durante a hipnose, eles monitoraram o movimento dos olhos com aparelhos de alta definição. O olhar fixo foi acompanhado por um comportamento automático dos olhos, em reflexos, que não é apresentado em pessoas que não estão hipnotizadas.

A pesquisa foi conduzida pelas Universidades de Aalto, Turku (ambas na Finlândia) e Skövde (na Suécia) e publicada na revista científica PLoS ONE.

Fonte: http://www.sissaude.com.br/sis/inicial.php?case=2&idnot=12707

Bisfenol A está ligado a alterações comportamentais em garotas

Novo estudo realizado em Cincinnati, Ohio, nos Estados Unidos, sugere que meninas expostas a níveis mais elevados de bisfenol A (BPA) - antes do nascimento, ainda dentro do útero - apresentaram mais problemas de comportamento e estavam mais ansiosas e hiperativas do que as que estiveram expostas a pequenas quantidades deste produto químico. A substância é usada para fazer plásticos e encontrada em embalagens de alimentos, produtos enlatados e até mamadeiras.

A constatação, porém, não prova que as mães que têm mais contato com o bisfenol A estejam colocando suas filhas em risco. Além disso, segundo a pesquisa, não havia nenhuma ligação entre a quantidade de BPA existente na urina das mulheres grávidas e os problemas comportamentais dos meninos - ou entre os níveis da substância em crianças e seus comportamentos.

Embora quase todas as mulheres e crianças tivessem traços de bisfenol A na urina, "a grande maioria das nossas crianças estavam em desenvolvimento normal e não cumpriram todos os critérios clínicos para problemas de comportamento", disse o autor do estudo, Joe Braun, da Escola de Saúde Pública de Harvard, em Boston.

Braun e seus colegas de equipe recolheram amostras de urina de 244 mulheres grávidas que vivem em Cincinnati e também próximo à cidade. O processo foi feito duas vezes durante a gravidez e logo depois que deram à luz, com o objetivo de medir as concentrações de BPA.

Depois disso, os pesquisadores mediram os níveis da substância nas crianças a cada ano. Aos três anos de idade, os pais fizeram um relatório sobre a ansiedade dos pequenos, o que inclui depressão, agressividade e hiperatividade, bem como quaisquer problemas de comportamento ou dificuldade em controlar as emoções.

Quase todas as mulheres tinham bisfenol A na urina, em uma concentração média de dois microgramas por litro. Para cada aumento de 10 vezes na concentração durante a gravidez, as meninas - mas não os meninos - atingiram níveis significativamente mais altos nos testes de ansiedade e depressão e tiveram pior controle comportamental e emocional.

Sobre os relatórios, quando uma pontuação de 50 representa uma criança média, os aumentos foram entre nove e 12 pontos, "um efeito bastante considerável" que os pais provavelmente seriam capazes de notar, disse Braun.

Essa constatação surgiu depois que os pesquisadores levaram em conta se as mães estavam deprimidas durante a gravidez, bem como a sua raça, educação, renda e estado civil.

A maior concentração de BPA na urina das crianças de um, dois e três de idade não estava ligada a problemas comportamentais ou emocionais, disseram os pesquisadores na revista 'pediatrics'.

Associação 'preliminar'

Um pesquisador não envolvido no estudo chamou a ligação entre o bisfenol A e o comportamento das meninas de 'muito preliminar'.

"Outros grupos vão ter de replicar estas descobertas para serem capazes de fortalecer as implicações da pesquisa em particular", disse o Dr. Amir Miodovnik, que estuda a saúde ambiental das crianças no Centro Médico The Mount Sinai, em Nova York.

As descobertas não provam que a exposição, ainda no útero, ao BPA faz com que existam problemas de comportamento, disse Braun. "Pode ser que as mulheres que estejam consumindo mais alimentos processados e comidas prontas e enlatadas também estejam ganhando menos nutrientes importantes para o desenvolvimento cerebral dos bebês", disse Joe Braun à Reuters Health.

Ainda assim, "há um crescente corpo de evidências que realmente parece sugerir aquilo a que você está exposto e o que acontece durante a gestação que pode mudar o curso de vida", disse Braun. "O cérebro começa a se desenvolver desde muito, muito cedo na gravidez. Um rompimento nesse processo poderia causar efeitos duradouros na infância e na vida."

O bisfenol A é um produto químico que interfere nos hormônios naturais do corpo. O Canadá e a União Europeia, por exemplo, proibiram seu uso em mamadeiras. No Brasil, a partir de janeiro de 2012, as mamadeiras vendidas também não poderão ter a substância.

Segundo Braun, o efeito observado no estudo foi limitado às meninas porque o BPA interfere apenas em determinados hormônios e, durante a gravidez, os meninos e as meninas ficam expostos a diferentes níveis de hormônios enquanto estão se desenvolvendo no útero.

Fonte: http://www.sissaude.com.br/sis/inicial.php?case=2&idnot=12701

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Cronobiologia e o horário de verão


  1. Acordar cedo para correr.
  2. Em seguida, ir ao dentista.
  3. Às 14h, participar de uma reunião de trabalho.
  4. À noite, aula na faculdade.
  5. E uma consulta ao relógio à espera do último compromisso do dia.
  6. Um encontro com os amigos para tomar uma cervejinha. 



Agora imagine outro relógio, destinado a marcar outro ritmo: o do seu corpo. Nessa agenda interna, as coisas mudam.
  1. Quer correr? Então calce os tênis no início da noite, quando a força física aumenta e a suscetibilidade à exaustão é menor.
  2. Dentista de manhã? Só por masoquismo: à tarde, a sensibilidade à dor será menor e, caso seja necessário usar anestesia, ela terá efeito três vezes mais duradouro.
  3. Talvez seja bom rever o horário da reunião: por volta das 14h, o corpo pede sono, e ficamos mais letárgicos.
  4. Quanto ao curso, uma dica: de manhã a capacidade cognitiva aumenta e facilita a aprendizagem.
  5. Nem a tal cerveja escapa: o fígado metaboliza melhor o álcool entre as 17h e as 18h.

Nenhuma dessas recomendações são fruto de algum livro de auto-ajuda ou de gurus. São baseadas nas descobertas da Cronobiologia, um ramo da ciência que estuda os ritmos biológicos, sua interação com o ambiente e como o ser humano - ao conhecê-los e respeitá-los - pode aproveitá-los para melhorar o desempenho na vida pessoal, social e profissional.

Será então que somos programados e temos um relógico biológico?

Sim, temos um relógio biológico e ele se localiza no hipotálamo. Consiste numa estrutura denominada Núcleo supraquiasmático. Esta pequena estrutura cerebral dita o ritmo dos processos fisiológicos e comportamentais. A duração de cada ciclo é circa-diana (ou seja, cerca de um dia).


O núcleo supraquiasmático precisa de receber informação das células ganglionares da retina para "acertar o relógio" às 24 horas. Sendo assim, o sincronizador mais potente do nosso "relógio biológico" é, sem dúvida, a luz solar. Pode parecer incrível, mas só a partir dos anos 90 é que os cientistas - na verdade, os pioneiros da cronobiologia - obtiveram mais detalhes sobre o relógio biológico, ativação do núcleo supra-quiasmático e coordenação de vários eventos orgânicos.

Ao longo dos milênios, a evolução deste mecanismo foi fundamental para a adaptação do organismo ao movimento de rotação da Terra, permitindo organizar temporalmente as tarefas biológicas em função das necessidades. O núcleo supraquiasmático integra a informação ambiente e comunica, por via neuronal ou hormonal, com os tecidos periféricos ritmando e sincronizando a sua função.

Os achados sobre ele, nos mostra o tão complexo é o nosso corpo, uma série de engrenagens que se comunicam.  Como já citado acima, a luz solar é  o principal ativador de todo o mecanismo, ou seja, os ponteiros do corpo são acionados pela luz. A luz incide sobre a retina aí o núcleo supra-quiasmático desencadeira uma série de respostas que vão coordenar uma cascata de reações bioquímicas que pautarão todas as funções de órgãos e sistemas.

É esse relógio, por exemplo, que determina quando um hormônio deve subir em concentração no sangue ou quando deve diminuí-lo a níveis muito baixos. E faz isso regido por uma lógica própria e bastante inteligente, voltada para a adequação da função a ser desempenhada de acordo com a parte do dia ou da noite.

Um exemplo claro dessa perfeição é o que ocorre logo após o almoço. Guiado pelo relógio biológico, o corpo diminui a produção de hormônios responsáveis pelo estado de alerta para centrar esforços na fabricação de hormônios importantes para o processo da digestão. "Essa é uma das razões da sonolência típica do período", explica o neurocientista John Fontenele Araújo, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e um dos principais estudiosos brasileiros de cronobiologia. Ao mesmo tempo, também sob a batuta do tal relógio, o corpo baixa sua temperatura e envia mais sangue para o sistema digestivo, fechando um pacote que aumenta o sono, mas em compensação mobiliza o organismo para o que, naquele momento, é o mais importante.

Até pouco tempo atrás, o estudo da Cronobiologia era restrito aos laboratórios das instituições de pesquisa. Essa nova ciência começa agora a ganhar espaço entre a população com a publicação de livros a respeito do assunto. O mais recente é o Sex sleep eat drink dream, a day in the life of your body (Sexo dormir comer beber sonhar, um dia na vida do seu corpo), de Jennifer Ackerman. Nele, a escritora científica faz uma compilação de vários estudos da área. Lançado no ano passado nos Estados Unidos, o livro está entre os mais vendidos

O grande segredo do sucesso que o assunto faz entre os leigos é justamente o fato de a cronobiologia estar decifrando para o homem um mecanismo que lhe é inato, importantíssimo para o bom funcionamento do corpo e da mente, mas que até então era pouco conhecido.

A cronobiologia tem contribuído para o estudo do desenvolvimento psicomotor, na relação entre a ritmicidade circadiana e a função cognitiva, nas desordens do humor, nas alterações do ciclo sono-vigilia, sendo um dos motivos da insônia, e estudos comportamentais em trabalhadores noturnos ou em turnos alternantes.

A cronobiologia em sido vista em várias linhas de estudo:

  1. Área molecular – identificação dos mecanismos moleculares e dos vários genes que contribuem para o controle da expressão da ritmicidade circadiana.
  2. Área da fisiologia – identificação dos principais mecanismos biológicos influenciados pela luz.
  3. Área da psicologia – identificação da importância da ritmicidade biológica nas funções cognitivas (aprendizagem e memória).
  4. Área da medicina – na caracterização, tanto no diagnóstico quanto no tratamento de distúrbios da ritmicidade e as doenças relacionadas.
  5. Área da saúde pública – identificação da influência e conseqüências do trabalho noturno ou em turnos alternantes.
As duas principais frentes de aplicação clínica da Cronobiologia são:
  1. Cronopatologia: Estuda o efeito do ciclo circadiano na saúde e sua relação com as doenças. Exemplos: Têm-se os menores níveis tensionais às 3:00 hs da madrugada e máxima divisão celular das células da epiderme à meia-noite; a asma é pior às 4:00 h da madrugada, enquanto as doenças cerebrais e cardiovasculares têm predomínio pela manhã.
  2. Cronofarmacologia: Estuda a variabilidade circadiana da eficácia e toxicidade dos diversos tratamentos farmacológicos. Exemplo: A melhor eficácia de um fármaco (diltiazem) se dá quando administrado a noite, e o máximo efeito anticoagulante entre 4:00 e 8:00 hs da manhã. Ou o Acido acetilsalicílico (AAS) sendo tomado a noite pra fazer efeito de manhã, quando a ocorrência de infartos é maior.
Devido essas várias constatações e aplicações na prática clínica, os conceitos da cronobiologia têm despertado muito interesse nos pesquisadores. Afinal, são informações úteis para definir ações nas mais variadas áreas da vida humana. Desde recomendar a melhor parte do dia para fazer um exercício de alta performance até qual o horário ideal para tomar um medicamento.

Na Universidade do Tennessee, nos Estados Unidos, por exemplo, funciona um grupo coordenado pelo Dr. Jim Waterhouse, um dos grandes pesquisadores da área. Neste centro, os cientistas já chegaram a conclusões interessantes, algumas relacionadas ao tempo do corpo e o exercício físico. "O melhor horário para ganhar condicionamento e aumentar a resistência é no fim da tarde e início da noite. Neste período, o alerta e a motivação estão em alta", segundo o Dr.Waterhouse.

A pesquisadora Leana Araújo, do Centro de Estudos em Psicobiologia e Exercício Físico da Unifesp, com quem o Dr.Waterhouse desenvolve um trabalho em comum, adiciona outra explicação para a escolha do momento para os exercícios pesados. "No final da tarde, a percepção corporal está mais aguçada, o que eleva a rapidez nas reações de proteção para não sofrer lesões", diz Leana.

Outra área que vem se valendo dos dados da nova ciência é a produção e administração de medicamentos (Cronofarmacologia, como já citado acima). "Muitas bulas, lidas com atenção, já preconizam horários adequados para o consumo de remédios", afirma o cientista Luiz Menna-Barreto, um dos primeiros do Brasil a estudar os ritmos do corpo.

Existe uma droga contra hipertensão, por exemplo, que deve ser ingerida à noite, antes de dormir. Ela foi desenvolvida para apresentar seu pico de ação no começo da manhã, horário em que ocorre boa parte dos infartos. Na França, esse tipo de informação está sendo levado tão a sério que alguns hospitais começam a aplicar remédios em horários específicos para que tenham melhor efeito. Por lá, as pesquisas básicas também estão bastante avançadas. Um dos cientistas mais destacados é Francis Levi, da Unidade de Cronoterapia do Serviço de Cancerologia do Hospital Paul Brousse, da Universidade de Paris. Ele estuda meios de usar a cronobiologia para a criação de novos medicamentos e a melhor utilização dos já existentes. Ele e sua equipe têm comprovado que os diferentes ritmos do organismo ao longo do dia podem influir na eficácia, toxicidade e tolerabilidade das drogas.

Estudos em ratos mencionados por Levi num dos artigos científicos, mostraram que a mesma dose de um fármaco pode ser letal se administrada em certos momentos do dia ou da noite, mas tem pouco efeito adverso quando dada em outro horário. No ser humano, segundo Levi, a conciliação entre o momento da administração e os tempos dos ritmos gerais e relógios moleculares de cada órgão - estes regidos por genes chamados de clock genes - pode se traduzir em resultados clinicamente relevantes.

No Brasil, também existem estudos sobre o tema em andamento. O fisiologista Mário Miguel, do Grupo Multidisciplinar de Desenvolvimento de Ritmos Biológicos da Universidade de São Paulo, estudou a variação ao longo do dia do efeito da ciclofosfamida - droga que reduz a atividade do sistema de defesa para não haver rejeições de órgãos. "Perto do meio-dia seu efeito é maior e mais positivo", conta o pesquisador.

Porém, como qualquer coisa que diz respeito ao ser humano, é claro que há variações individuais nos horários de cada relógio biológico. Embora cerca de 80% da população siga praticamente em um mesmo ritmo, há aqueles que têm seu potencial concentrado na manhã, na tarde ou na noite. São os chamados Cronotipos: matutinos ou vespertinos. Para esses indivíduos, ser obrigado a trabalhar ou realizar alguma atividade importante no período em que seu corpo está com o desempenho baixo representa um sacrifício.

Um teste simplificado para saber qual o seu cronotipo consiste em responder a um questionário que tenho aplicado nos meus pacientes e que quase sempre é compatível. O questionário foi elaborado pelos doutores Horne e Osterberg e publicado no Jornal internacional de Cronobiologia em 1976.  A pontuação está descrita ao final de cada pergunta, portando anote a sua pontuação e ao final some.

1 - Até que ponto vc depende do despertador para acordar de manhã:
1 - muito dependente ( )1
2 - razoavelmente dependente ( )2
3 - um pouco dependente ( )3
4 - nada dependente ( )4

2 - Você acha fácil acordar pela manhã?
1 - Nada ( )1
2 - Não muito ( )2
3 - Razoavelmente ( )3
4 - Muito ( )4

3 - Você se sente alerta durante a primeira meia hora depois de acordar?
1 - Nada ( )1
2 - Não muito ( )2
3 - Razoavelmente ( )3
4 - Muito ( )4

4 - Como é o seu apetite durante a primeira hora depois de acordar?
1 - Péssimo ( )1
2 - Ruim ( )2
3 - Razoável ( )3
4 - Muito bom ( )4

5 - Durante a primeira meia hora depois de acordar você se sente cansado?
1 - Muito ( )1
2 - Não muito ( )2
3 - Razoavelmente em forma ( )3
4 - Em plena forma, bem enérgica ( )4

6 - A que horas você gostaria de ir se deitar, caso NÃO tivesse compromisso na manhã seguinte?
1 - Mais de duas horas mais tarde que o normal ( )1
2 - Entre uma e duas horas mais tarde do que o habitual ( )2
3 - Menos que uma hora mais tarde que o habitual ( )3
4 - Nunca mais tarde do que o horário que costumo dormir ( )4

7 - O que você acha de fazer exercícios físicos das 07:00 às 08:00 2 vezes por semana?
1 - Acharia muito difícil ( )1
2 - Acharia isso difícil ( )2
3 - Estaria razoavelmente disposto pra fazer( )3
4 - Estaria bem disposto pra fazer ( )4

8 - Você foi dormir várias horas mais tarde do que o costume. Se no dia seguinte você não tivesse hora certa pra acordar, o que que aconteceria?
1 - Acordaria mais tarde que o habitual ( )1
2 - Acordaria na hora normal e dormiria novamente ( )2
3 - Acordaria na hora normal, com sono ( )3
4 - Acordaria na hora normal, sem sono ( )4

9 - Se você tivesse de ficar acordado nas 04:00 às 06:00 pra fazer uma tarefa e não tivesse compromisso durante o resto do dia, o que você faria?
1 - Só dormiria depois de fazer a tarefa ( )1
2 - Tiraria uma soneca antes da tarefa e dormiria depois ( )2
3 - Dormiria bastante antes e tiraria uma soneca depois ( )3
4 - Só dormiria antes de fazer a tarefa ( )4

10 - Se você tivesse de fazer 2 horas de exercício pesado, qual destes horário você escolheria?
1 - 19 às 21h ( )1
2 - 15 às 17 ( )2
3 - 11 às 13 ( )3
4 - 8 às 10 ( )4

11 - O que você acha de fazer exercícios físicos das 22:00 às 23:00 2 vezes por semana ?
1 - Estaria bem disposto pra fazer ( )1
2 - Estaria razoavelmente disposto pra fazer( )2
3 - Acharia isso difícil ( )3
4 - Acharia isso muito difícil ( )4

12 - Entre 20h e 03h, a que horas da noite você se sente cansado e com vontade de dormir?
1 - 20 às 21 ( )5
2 - 21 às 22 ( )4
3 - 22 às 00:45 ( )3
4 - 00:45 às 02 ( )2
5 - 02 às 03 ( )1

13 - Se você fosse se deitar às 23h, com que nível de cansaço você se sentiria?
1 - Nada cansado ( )0
2 - Um pouco cansado ( )2
3 - Razoavelmente cansado ( )3
4 - Muito cansado ( )5

14 - Se você tivesse total liberdade pra planejar seu dia, que horas que você levantaria?
1 - 5:00 às 6:30 ( )5
2 - 6:30 às 07:45 ( )4
3 - 07:45 às 09:45 ( )3
4 - 09:45 às 11:00 ( )2
5 - 13:00 às 14:00 ( )1

15 - Se você tivesse total liberdade pra planejar seu dia, que horas que você deitaria?
1 - 20:00 às 21:00 ( )5
2 - 21:00 às 22:15 ( )4
3 - 22:15 às 00:30 ( )3
4 - 00:30 às 01:45 ( )2
5 - 01:45 às 03:00 ( )1

16 - Se você trabalhasse por 5 horas seguidas e pudesse escolher qualquer horário do dia, por qual você optaria?
1 - Matutino ( )5
2 - Verspertino ( )3
3 - Noturno ( )1

17 - Em que hora do dia você atinge o seu melhor momento de bem-estar?
1 - 5 às 7 ( )5
2 - 8 às 9 ( )4
3 - 10 às 16 ( )3
4 - 17 às 21 ( )2
5 - 22 às 04 ( )1

18 - Qual o horário você escolheria para ter o máximo de sua forma em um teste de esforço mental?
1 - 8 às 10 ( )6
2 - 11 às 13 ( )4
3 - 15 às 17 ( )2
4 - 19 às 21 ( )0

19 - Com qual cronotipo você se considera mais parecido?
1 - Tipo matutino ( )6
2 - Mais matutino que vespertino ( )4
3 - Mais vespertino que matutino ( )2
4 - Tipo vespertino ( )0

Some as pontuações:
  • 16-30 pontos: Vespertino típico
  • 31-41 pontos: Moderadamente vespertino
  • 42-58 pontos: Misto
  • 56-69 pontos: Moderadamente matutino
  • 70-86 pontos: Matutino típico


Segundo o Dr. Delattre, de 10% a 12% da população são matutinos; 8% a 10% são vespertinos. A maioria, 80%, está numa situação intermediária. Mas esse perfil muda ao longo da vida. Crianças e idosos tendem a ser mais matutinos. Na adolescência, porém, há um 'atraso': os jovens sentem necessidade de ir para a cama mais tarde. Mas esse aspecto nem sempre é levado em consideração: os adolescentes têm de acordar cedo para ir à escola.

Em Natal, pesquisadores do Laboratório de Cronobiologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte buscam alternativas para esse problema. Segundo a professora Carolina Azevedo, especialista em neurociência do comportamento, uma das pesquisas feitas na instituição atualmente avalia a reação de estudantes a três tipos de intervenção.

No primeiro grupo, eles receberam informações sobre hábitos saudáveis de sono e aprenderam que a exposição à luz artificial, como a do computador, atrasam o ciclo de sono e vigília. No segundo grupo, os jovens passaram a ter a primeira aula ao ar livre. No terceiro, as primeiras aulas foram de educação física. 'Os ritmos circadianos tendem a se adiantar com a exposição à luz solar de manhã. Além disso, a atividade física interfere nos ritmos', explica Azevedo. Segundo ela, esse tipo de conhecimento é importante para a saúde. 'Vários ciclos acompanham o de sono e vigília. Quando mexemos nos horários de dormir e de acordar, isso afeta tudo no corpo.'

A verdade é que viver na contramão do próprio relógio biológico pode ter conseqüências sérias do ponto de vista social, profissional e também sobre a saúde. Estudos sugerem que uma rotina irregular que exija esforços de adaptação intensos e por tempo prolongado influencia no desenvolvimento de diversas doenças, como o câncer.

"O desajuste do relógio biológico altera o ciclo de vida das células, predispondo a enfermidades", explica o neurocientista Araújo, da UFRN. No último número da revista Chronobiology International, pesquisadores israelenses publicaram um trabalho cujos resultados vão ao encontro do que diz o cientista brasileiro. Um grupo de estudiosos da Universidade de Haifa constatou que mulheres que vivem em áreas bem iluminadas - portanto, que têm o ritmo biológico alterado pelo excesso de luz - apresentam maior risco de desenvolver câncer de mama.

De acordo com os cientistas, tudo indica que a luz interfere na produção de um hormônio importante, a melatonina. Agora, os pesquisadores querem investigar a fundo a associação desta substância com o risco elevado para o tumor. Todas essas revelações começam a desenhar novos caminhos para a organização da vida. A Organização Mundial da Saúde, por exemplo, já se baseia em dados da cronobiologia para sugerir novas diretrizes no campo da saúde do trabalhador. Afinal, como se vê, ignorar o relógio biológico pode gerar problemas. Se for respeitado, é um grande aliado

Jennifer Ackerman, escritora científica, avaliou pesquisas divulgadas nos últimos anos para simular uma viagem de 24 horas pelo corpo humano. Sem tom acadêmico, ela descreve os ciclos que regem nossa variação de força, de memória e de saúde em função do tempo.

Há dados curiosos, como as constatações de que o nariz escorre mais de manhã (às 8h). "Muitos de nós nos vemos como criaturas cerebrais, movidas principalmente pelo que vai em nossas mentes. Mas, freqüentemente, nós somos movidos pelo que vai na parte inferior de nossos cérebros -pelos escondidos e intrigantes altos e baixos, crises e triunfos do nosso corpo. Nós apenas não sabemos disso. Nós temos pouca consciência dos ritmos sutis que nosso corpo experimenta na pressão arterial, no nível hormonal, no apetite. Graças a esses ritmos, há horas boas e ruins para atividades como revisar um manuscrito ou tomar decisões" segundo Ackerman. O contato com essas informações enquanto escrevia o livro fez com que ela mudasse alguns hábitos. "Estou mais atenta à importância do horário nas minhas atividades quando agendo reuniões, por exemplo, e passei a respeitar mais as necessidades do meu corpo, da prática de exercícios até a soneca à tarde"

A cronobiologia "ocupa-se da organização temporal dos seres vivos", segundo o Dr.Luiz Menna-Barreto, professor do Grupo Multidisciplinar de Desenvolvimento e Ritmos Biológicos da USP (Universidade de São Paulo). A área contempla os ciclos curtos, como os dos batimentos cardíacos, e os longos, como a influência das estações do ano nas alterações de humor (a depressão é mais comum no inverno, por exemplo). Mas os ciclos mais estudados são os circadianos, referentes às mudanças que ocorrem ao longo de um dia. Esses ciclos fazem parte da herança genética e estão escritos nos chamados 'clock genes' (genes-relógio).

Mas os aspectos ambientais são igualmente relevantes, especialmente a alternância entre luz e escuridão, diz Edson Delattre, professor do Instituto de Biologia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). É a diminuição da luminosidade no ambiente, por exemplo, que estimula a secreção da melatonina, hormônio que induz o sono. O outro principal 'sincronizador' do funcionamento do corpo, diz Delattre, é o convívio social, que estabelece horários para trabalho, alimentação e exercícios.



Pesquisas mostraram que, sem a variação de luminosidade e a influência social, o corpo passa por um processo curioso: ao depender só da carga genética, o ciclo de sono e de fome aumenta para 25 horas. 'O que faz nossos ritmos se comprimirem em um período de 24 horas são as influências geofísicas e sociais', diz Delattre.

O estresse crônico também pode alterar esse ritmo segundo o endocrinologista Dr. Claudio Kater. O mesmo, cita como exemplo o cortisol: produzido durante o sono, esse hormônio atinge seu valor máximo por volta das 6h. É uma das substâncias envolvidas no processo do despertar. Ao longo do dia, sua concentração vai caindo. O estresse crônico, porém, libera jatos de cortisol fora do horário padrão. O resultado? Obesidade, ansiedade, depressão (já que o cortisol antagoniza a serotonina) aumento da pressão, hiperglicemia, alteração do ritmo do sono, doenças cardíacas e até osteoporose.

A cronopatologia estudo as doenças e sua correlação com os ciclos. Os quadros abaixos sintetizam um pouco da cronopatologia.


Os ataques cardíacos são mais comuns de manhã, quando há uma elevação súbita da pressão arterial. Por isso, já foram desenvolvidos remédios para hipertensão que devem ser tomados após acordar -orientação presente na bula.

As crises de asma são mais freqüentes de madrugada, quando as passagens bronquiais têm seus diâmetros reduzidos em 8% -para asmáticos, isso pode significar uma redução do fluxo de ar de 25% a 60%, o que agrava os sintomas da doença.






A oncologia é uma das áreas que mais estudam a relação entre o horário de administração de um medicamento e seus efeitos no organismo. Uma das características dos tumores é que, ao contrário das outras células do corpo, eles não seguem o ciclo circadiano.

 "Nosso corpo depende de uma orquestração maravilhosa. O tumor é uma aberração desses controles, incluindo o do tempo. Normalmente, a replicação da célula é mais intensa em um horário do que em outro. Mas as tumorais crescem aleatoriamente". O problema está em como utilizar essa informação de forma prática. Segundo Andrade, uma pesquisa divulgada em 2006 avaliou as diferenças entre a quimioterapia tradicional e a cronomodulada em pacientes com câncer de intestino. "Não houve diferença na sobrevida dos pacientes como um todo. Entretanto, quando se avaliou os subgrupos, viu-se que, nas mulheres, o efeito foi deletério. Mas, para os homens, a cronobiologia foi benéfica. A pesquisa mostrou que ainda não conseguimos verificar como a cronobiologia pode ser usada, mas temos de averiguar.Talvez o futuro seja avaliar perfis de comportamento cronobiológico para ver quem pode se beneficiar da cronoterapia".

Privação de sono

Ackerman traz, em seu livro, exemplos dos efeitos de alterações no sono. Ela cita pesquisas da Universidade de Chicago que mostram que a privação de sono leva a falhas no processamento da glicose, altera os níveis do hormônio da fome e afeta o sistema imunológico. Em um desses estudos, foi avaliada a resposta à vacina da gripe em 25 voluntários sujeitos à restrição de sono. Dez dias após a vacinação, a resposta do sistema imune dos voluntários era muito inferior à observada em pessoas com sono normal.

Além das vantagens do sono noturno, a autora também elogia a sesta. E escreve: "Se nós morássemos na Esanha, poderíamos ir para casa para uma sesta. Mas nós não temos essa tradição civilizada, então lutamos contra o estupor".

Algumas dicas
Coagulação: Para evitar sangramentos, é melhor se barbear às 8h, quando as plaquetas, que levam à coagulação sangüínea, são mais abundantes do que nas outras horas do dia -o que também ajuda a entender por que ataques cardíacos têm seu pico nesse horário

Fertilização: Nos homens, os níveis de testosterona atingem seu ápice às 8h, horário em que eles estão mais estimulados para a atividade sexual. Já o sêmen tem maior qualidade à tarde, com 35 milhões de vezes mais espermatozóides do que de manhã

Dor:Vá ao dentista à tarde, quando a sensibilidade à dor nos dentes é menor. Além disso, a anestesia aplicada em procedimentos odontológicos dura mais à tarde do que de manhã: o efeito da lidocaína é três vezes maior quando ela é aplicada entre as 13h e as 15h

Sonolência: Ondas de sono nos atingem a cada 1h30 ou 2h, algo ainda mais forte em pessoas vespertinas, segundo Mary Carskadon, da Brown University. Uma delas ocorre à tarde -estudos mostram que acidentes de trânsito causados por fadiga são mais comuns entre a 1h e as 4h e entre as 13h e as 16h. Um motorista tem três vezes mais chance de cair no sono às 16h do que às 7h

Álcool: Beba aquela cerveja ou vinho entre as 17h e as 18h, quando o fígado é mais eficiente na desintoxicação do organismo. Em um estudo feito com 20 homens, aqueles que beberam vodca às 9h tiveram um desempenho pior em testes de velocidade de reação e funcionamento psicológico do que os que receberam a mesma dose às 18h

Calor: A temperatura do corpo atinge seu ápice no fim da tarde. Pesquisadores de Harvard e da Universidade de Pittsburgh relacionaram a elevação da temperatura a uma maior capacidade de memória, atenção visual, destreza e velocidade de reação

Exercícios: Exercite-se no fim da tarde, quando a percepção da exaustão é menor, as juntas estão mais flexíveis e as vias aéreas, mais abertas. O corpo esquenta e, a cada 1oC de elevação, há uma aumento de dez batidas cardíacas por minuto. Além disso, é possível ter um ganho de massa muscular 20% maior do que de manhã. A manhã é mais propícia a exercícios que exijam equilíbrio e acuidade

Concentração: Pesquisas de Lynn Hasher, da Universidade de Toronto, e Cynthia May, do College of Charleston, sugerem que jovens adultos se distraem mais facilmente de manhã -quando são mais propensos a soluções criativas. À tarde, ficam mais concentrados e ignoram dados irrelevantes. Já adultos mais velhos são concentrados de manhã e vulneráveis à distração à tarde

Alergias: Segundo Michael Smolensky, cronobiologista da Universidade do Texas, a resposta da pele a alérgenos como poeira e pólen é mais acentuada à noite

Memória: Ainda segundo Hasher, a memória dos idosos diminui ao longo do dia. De manhã, eles esquecem, em média, cinco fatos. À tarde, cerca de 14. Jovens adultos tendem a ser mais esquecidos de manhã

Câncer: A oncologia é uma das áreas com mais estudos em busca da relação entre o horário e a aplicação de medicamentos. Enquanto as células normais seguem um ciclo previsível de divisão celular, as dos tumores se multiplicam aleatoriamente

Horário de verão e cronologia

O horário de verão começará domingo (21/10) e em algumas partes do país, os relógios serão adiantados em uma hora. Se para algumas pessoas isso significa apenas mais uma hora de dia claro, para outras é sinônimo de sonolência e mau humor.

De acordo com Lúcia Rotenberg, pesquisadora do Laboratório de Educação em Ambiente e Saúde do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), isso acontece porque a mudança não afeta somente os relógios que temos à nossa volta, mas altera também nosso relógio biológico.

Com base na cronobiologia, a pesquisadora explica como o corpo humano se ajusta ao horário de verão e altera nosso relógio biológico – e por que algumas pessoas têm mais dificuldade para a adaptação.

O que é o relógio biológico e qual a sua função?
Nosso corpo apresenta diversos ritmos biológicos, ou seja, fenômenos que se expressam de maneira periódica, indo desde a secreção de um hormônio até um comportamento, como o sono e a vigília. Estes ritmos são controlados por uma estrutura do sistema nervoso, chamado núcleo supraquiasmático, localizada no hipotálamo anterior, uma região do cérebro que atua como principal centro integrador das atividades dos órgãos viscerais. Esta estrutura é denominada “relógio biológico”, uma vez que é responsável pela temporização das funções biológicas.

Como a mudança para o horário de verão pode interferir em nosso relógio biológico?
Características herdadas geneticamente e informações cíclicas do ambiente interferem no nosso relógio biológico que, em condições normais, está adaptado ao ambiente externo. No entanto, quando o ambiente se modifica – como no horário de verão –, o organismo também precisa se ajustar. Desta forma, os horários que regulam nossas vidas, como parte do ambiente social onde estamos inseridos, podem interferir em nosso relógio biológico. Este fenômeno é o mesmo que ocorre quando cruzamos fusos horários em uma viagem, por exemplo.

Por que a mudança para o horário de verão afeta algumas pessoas e outras não?
A Cronobiologia, ciência que estuda os ritmos e os fenômenos físicos e bioquímicos periódicos que ocorrem nos seres vivos, dá a resposta. A forma como cada indivíduo vivencia as alterações de horário depende da característica genética de cada um, pois as pessoas apresentam cronotipos diferentes. Algumas pessoas são do tipo matutino, com maior predisposição genética para realizar suas tarefas bem cedo. Essas pessoas possuem o relógio biológico adiantado e, por isso, tendem a dormir cedo e levantar cedo. Outras são vespertinas, ou seja, tendem a dormir tarde e acordam mais tarde. A tendência matutina ou vespertina também se expressa em outros ritmos biológicos, como o ciclo de temperatura corporal. O pico de temperatura do corpo, por exemplo, é atingido mais cedo pelos matutinos do que nos vespertinos.

Quem tende a sofrer mais com a mudança de horário, os matutinos ou os vespertino?
As pessoas matutinas costumam sofrer mais com a alteração do horário. Há indícios de que pessoas que tendem a dormir pouco (chamadas de pequenos dormidores) também apresentariam maior dificuldade em relação à implantação do horário de verão.

Quais são as principais mudanças comportamentais que essas pessoas sofrem e quanto tempo em média os desconfortos podem ser sentidos?
Enquanto o organismo não se ajusta completamente ao novo horário, as pessoas se sentem mais irritadas e mal humoradas, com sensação de cansaço e sono durante o dia. No entanto, esse desconforto fica restrito aos primeiros dias e a queixa costuma ir embora em até uma semana depois da implantação do novo horário, tempo costuma ser o suficiente para a adaptação entre a maioria das pessoas.

Horário de verão e infarto

Segundo o estudo, publicado em 2008 no New England Journal of Medicine: http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMc0807104, os casos de infarto do miocárdio aumentam cerca de 5% na semana seguinte ao ajuste dos relógios – principalmente nos três primeiros dias. “A hora de sono perdida e os conseqüentes distúrbios de sono que isto provoca são as explicações mais prováveis”, disse Imre Janszky, um dos pesquisadores envolvidos no estudo. Segundo o estudo a saúde cardiovascular entra em risco, principalmente por um aumento da atividade do sistema nervoso simpático e elevação de citocinas pró-inflamatórias.

“Talvez seja melhor adotar o horário de verão durante todo o ano, em vez de ajustar os relógios duas vezes por ano. Este é um debate que está ocorrendo atualmente”, disse o Dr. Rickard Ljung. 

Os cientistas também observaram que o reajuste dos relógios no fim do horário de verão (que na Suécia ocorre sempre no último domingo do mês de outubro), que é sempre seguido por um dia de uma hora extra de sono, representa uma leve redução do risco de infartos na segunda-feira seguinte. 

A redução no índice de ataques cardíacos durante toda a semana que se inicia, no entanto, é significativamente menor do que o aumento registrado no início do horário de verão.  Estudos anteriores demonstram que a ocorrência de infartos é mais comum às segundas-feiras.

Segundo os cientistas do Instituto Karolinska, o ajuste dos relógios no horário de verão oferece outra explicação para este fato. “Sempre se pensou que a causa da maior incidência de infartos às segundas-feiras fosse principalmente o estresse relacionado ao início de uma nova semana de trabalho. Mas, talvez outro fator seja a alteração dos padrões de sono ocorrida durante o fim de semana”, observou o Dr. Janszky.

Os cientistas explicam que os distúrbios do sono produzem efeitos negativos no organismo humano e alertam que níveis elevados de estresse podem desencadear um ataque cardíaco nas pessoas que se situam em grupos de risco.  “Pessoas mais propensas a sofrer um infarto devem viver de maneira saudável, e isto inclui ciclos regulares de sono durante toda a semana”, diz Rickard Ljung. “Como um cuidado extra, podem talvez também relaxar mais nas manhãs de segunda-feira”, acrescentou ele.

Os cientistas suecos esperam que o estudo possa aumentar a compreensão sobre os impactos que as alterações dos ritmos diários do organismo podem ter sobre a saúde humana. “Cerca de 1,5 bilhão de pessoas em todo o mundo são expostas todos os anos aos ajustes dos relógios, mas é difícil generalizar a ocorrência de infartos do miocárdio que isto pode provocar”, observou Ljung.


Quanto custa tudo isso aos cofres públicos e aos nossos próprios bolsos?

Segundo o Dr. Alexandre Feldman, "existe um processo de aclimatização após cerca de 1 semana, quando a maioria de nós (mas não todos), idealmente, consegue se adaptar ao fuso horário. Mas o custo dessa 1 semana pode ser imenso, em termos financeiros, para a população. E como é possível medi-lo, se não se consegue nem mesmo comprovar algo tão objetivo quanto a economia de energia elétrica no país? Tudo o que se divulga de economia são estimativas, sem comprovação científica. E se existem estudos sérios, como o realizado pela Comissão de Energia da Califórnia (EUA), mostrando a ausência de economia de energia elétrica com o horário de verão, conforme divulgado na Scientific American, então por que continuar a impor ao organismo de toda uma população de crianças, adultos e velhos mais esse stress?" Questiona o médico."

"Se o governo realmente se preocupa com seus gastos e com a saúde da população, é importante que suspenda a lei que institui o horário de verão. Nosso relógio biológico controla um grande número de funções vitais do organismo. Um bom sono é crucial para uma boa saúde e já está cientificamente comprovado que o adiantamento e posterior atraso dos relógios em uma hora traz problemas à saúde." Sugere o Dr. Alexandre Feldman



Bibliografia: