quarta-feira, 6 de julho de 2011

O que é Ecologia celular ? Ecologia Médica ? Medicina ecológica ? Medicina ambiental ?

Ecologia celular por Carlos Braghini

No final do século XIX, estudiosos da embriologia sugeriram a possibilidade de que as próprias células dos tecidos se comportariam como organismos lutando por sobrevivência em um microambiente. O neurobiologista espanhol Ramón y Cajal acreditava que durante a neurogênese (formação das células nervosas) existe um tipo de luta competitiva por espaço e nutrição para o crescimento. A ideia de Ecologia Celular propõe que o desenvolvimento celular é influenciado pelo meio (ecológica) em oposição aos defensores do desenvolvimento construtivista (determinado pelos genes).

Esse conceito está de acordo com a teoria da seleção natural, em que o sucesso depende das interações ecológicas do individuo com seu meio ambiente. Nossas células dependem de um desempenho fisiológico e comportamental adequado à sobrevivência, influenciado fortemente pelos meios interno e externo. Essa capacidade de desempenho não está codificada nos genes, o que possibilita inúmeras "interações ecológicas" entre as células e os meios interno e externo.

As vias bioquímicas celulares estão codificadas nos genes; contudo, as vias metabólicas que serão ativadas e o resultado final estão sujeitos a vários fatores, como influxo de minerais, nutrientes, íons; aporte de hormônios, regulação da transcrição gênica, controle da motilidade do citoesqueleto, presença de toxinas etc. A fisiologia celular adequada pode significar a permanência (sucesso) da célula e do indivíduo no tempo (longevidade).

A Ecologia Celular, portanto, envolve uma série de ações que devem ser tomadas para levar as células do corpo a funcionarem com sua capacidade máxima. Mais do que tratar os sintomas e entender o relacionamento sinérgico entre os sistemas corporais, este conceito o leva a encarar a vida de outra maneira e a saber o que fazer para mantê-la por mais tempo e com o máximo de qualidade.

Para entender o que leva um organismo em direção à degeneração e ao adoecimento, é preciso entender como funciona uma célula em seu interior. Este não é um curso de biologia molecular, mas apresentarei alguns conceitos para você compreender e atuar numa direção mais saudável. Toda vida começa na célula, é mantida e interrompida por ela e cada uma tem diferentes responsabilidades, a depender do tipo celular.

Num complexo mundo de trilhões de células, o corpo é feito de pelo menos 200 diferentes tipos delas; há células cerebrais, da pele, dos rins, dos músculos, dos ossos, dos nervos etc. Todas as células do corpo desempenham papéis específicos e atuam em sinergia umas com as outras para fazer o organismo funcionar como um todo. Você não pode separar estas células, assim como não pode separar órgãos e sistemas sem alterar o funcionamento de todo o corpo e sem sofrer as consequências. Um erro comum da medicina convencional é compartimentar o corpo em diferentes partes, produzindo especialistas como se as células, órgãos e sistemas funcionassem separadamente. Como diz o dr. Eduardo Almeida, não há racionalidade científica em afirmar que o corpo adoece por partes. Nosso corpo trabalha como uma orquestra sincronizada; sinergicamente.

A despeito das diferentes funções, todas as células usam os mesmos carreadores de energia e os mesmos biocatalizadores para a infinidade de reações bioquímicas que ocorrem no seu interior. Muitos destes elementos não podem ser produzidos pelo corpo e devem ser obtidos através da alimentação. Sem um aporte adequado, a função celular fica comprometida.

Um metabolismo saudável permite que todos os elementos cheguem à célula e que todas as toxinas sejam eliminadas adequadamente. Essa compreensão de como funciona a base molecular da nossa saúde explica por que a doença cardiovascular é a maior causa de morte. O coração e o sistema circulatório, devido ao seu contínuo funcionamento de bombeamento do sangue, são os mais ativos órgãos do corpo. Por ter grande demanda, as células do sistema cardiovascular consomem altas taxas de nutrientes e produzem grandes quantidades de toxinas.

Existem onze categorias de elementos necessários para que uma célula cresça e funcione adequadamente:

1. Ácidos graxos essenciais (2)

2. Água

3. Aminoácidos (24)

4. Carboidratos ou glicogênio

5. Enzimas (catalisadores que aceleram a velocidade das reações químicas)

6. Fitonutrientes (derivados das plantas)

7. Gliconutrientes (8)

8. Luz do sol e ondas derivadas, como fótons (ondas pulsantes eletromagnéticas que vêm do sol)

9. Minerais (72)

10. Oxigênio

11. Vitaminas (16)

Esses elementos funcionam organizadamente para manter a vida celular, da mesma maneira que um dicionário possui milhares de palavras construídas a partir das 23 letras do alfabeto.

Vamos imaginar que a célula beta do pâncreas precise de 45 nutrientes para fabricar uma molécula de insulina e que para isso disponha de apenas 30 nutrientes. A célula deverá esperar pela próxima refeição para completar os 15 nutrientes que faltam para executar a tarefa. O mesmo ocorre com uma célula cerebral que necessite de 40 nutrientes para produzir serotonina. Se a membrana celular está endurecida, coberta por toxinas ou por gorduras hidrogenadas, obviamente a célula não consegue receber os nutrientes ou os impulsos elétricos necessários para que ela produza serotonina. Com uma célula do fígado, que produz bile, acontece o mesmo fenômeno. Cada hormônio, neurotransmissor, peptídeo ou qualquer outra substância produzida pelo corpo é construído a partir de uma receita onde cada nutriente atua sinergicamente.

Cada célula de nosso corpo funciona como o corpo todo. Respiramos oxigênio, nossas células respiram oxigênio. Comunicamo-nos por várias maneiras (gestos, palavras), nossas células se comunicam por diferentes linguagens: eletromagnética, neurotransmissora, hormonal e eletroquímica. Temos órgãos internos, nossas células têm órgãos internos chamados organelas. Temos a pele para nos proteger, nossas células possuem uma membrana semipermeável para protegê-las e deixar passar os elementos de que necessitam. Concebemos filhos, nossas células se dividem em novas gerações de células-filhas. Produzimos toxinas que devem ser eliminadas pela urina, fezes, respiração e pele, nossas células liberam toxinas que precisam ser eliminadas e levadas para longe. Precisamos da radiação eletromagnética proveniente da luz do sol, assim como nossas células necessitam dessa mesma energia.

Temos trilhões de minúsculos mecanismos celulares que armazenam, reparam, comunicam e transportam. A cada segundo nossas células estão envolvidas com eliminação de toxinas, produção de nutrientes, controle da temperatura e balanço do pH para manter a saúde e a vitalidade; a nossa e a delas próprias.

Para efetuar estes processos, nosso corpo utiliza substâncias existentes na natureza. Por isso, qualquer substância artificial é encarada como estranha. O processo de adoecimento é disparado pela acumulação de toxinas que comemos, respiramos, bebemos, pensamos e absorvemos pela pele cotidianamente. Se absorvermos mais ácidos, carcinógenos e contaminantes do que podemos filtrar, eliminar e com que nosso sistema imunológico possa lidar, haverá uma acumulação progressiva. A partir de um determinado ponto, essa acumulação passa a "poluir" nosso sangue, um rio por onde flui vida, transformando-o num rio por onde flui doença e morte.

Parece exagero, mas imagine-se acordando de manhã: escova os dentes com pasta contendo flúor e enxágua a boca com água da torneira contendo cloro; toma banho e absorve através da pele mais cloro, flúor, arsênico, alumínio, trialometanos e outras substâncias químicas usadas no tratamento da água que cai do chuveiro; usa xampu e condicionador carregado de derivados de petróleo; barbeia-se ou maquia-se com produtos também carregados com petrotoxinas; aplica desodorante contendo alumínio em suas axilas; veste uma roupa lavada com um sabão carregado de produtos tóxicos e com aquele “cheirinho” do amaciante tóxico.

Senta-se à mesa para tomar um café pulverizado com pesticidas; mistura um leite industrializado (contendo resíduos de antibióticos, hormônios do crescimento e transgênicos derivados da ração que o animal foi alimentado), pasteurizado (menor valor nutritivo) e desnatado (sem gordura para a absorção de cálcio e proteínas); adoça-os com açúcar refinado (acidificante e hiperglicêmico) ou aspartame (neurotoxina); come pão francês (hiperglicêmico) feito com farinha de trigo refinada aditivada com ferro (oxidante), com margarina (gordura hidrogenada) e presunto (nitritos cancerígenos); bebe suco de frutas de caixinha (interior revestido de alumínio), pasteurizado, adoçado (carga glicêmica) e carregado de conservantes e outros aditivos químicos; come mamão (pesticidas, adubos acidificantes e carcinogênicos) irradiado com raios gama (sem valor nutritivo e formador de radicais livres) com granola (cereais hiperglicêmicos de baixo valor nutritivo e contaminado com fungos) ou com um cereal de caixinha, como flocos de milho (alto índice glicêmico e feito com cereais transgênicos); lê o jornal carregado de noticias desagradáveis, discute alguns problemas familiares e se prepara para se dirigir ao trabalho estressante pensando em como driblar o trânsito...

E você ainda nem saiu de casa!

Ao sair encontra um ar poluído, absorvendo cerca de 100.000 substâncias químicas industriais a cada inspiração (fluorocarbonos, petrofluorocarbonos, dioxina, gases dos derivados de petróleo, pesticidas, herbicidas e outros genocidas). Mesmo que não fume, absorve milhares de substâncias químicas contidas na fumaça dos cigarros expelida pelos fumantes à sua volta.

Ao chegar ao trabalho, respira um ar que passa pelos dutos do ar condicionado que não é tratado há anos e recebe uma carga de radiação eletromagnética dos aparelhos de telefone sem fio, celulares, computadores e outros aparatos tecnológicos.

Se resolver tomar um refrigerante no meio da manhã adicione benzoatos, corantes, ácido fosfórico e quase 10 vezes a quantidade de açúcar que você tem circulando no sangue; se for diet retire o açúcar, mas inclua o aspartame.

Esse coquetel moderno introduz no corpo milhões de moléculas tóxicas que chegam ao sangue pela pele e pelos sistemas digestivo e respiratório a cada minuto. Não é preciso ser especialista e nem estar munido de aparelhos medidores para saber que a cada dia absorvem-se mais contaminantes do que o corpo pode eliminar. Você ainda não percebeu, mas esta fatura será paga com células, a única moeda de que nosso corpo dispõe.

Hipoteticamente, se nosso corpo absorve uma combinação de 150.000 contaminantes na segunda-feira e seu fígado, rins, intestinos, sistema linfático, suor e respiração só conseguem eliminar 100.000 contaminantes, sua terça-feira começa com problemas. Se você mantiver os mesmos hábitos alimentares, o mesmo estresse, o mesmo ambiente, dia após dia, adicionará a seu corpo uma carga crescente de toxinas.

Com o tempo, o sistema imunológico se enfraquece, o fígado, os rins e o sistema linfático se congestionam, diminuindo a capacidade de filtração e causando letargia e cansaço. Numa vida progressivamente mais sedentária, com dias arrastados à frente do computador ou da televisão, mais toxinas são acumuladas diariamente e seu sangue e sua linfa não circulam adequadamente. Seu sistema agora só consegue eliminar 90.000 contaminantes, depois 80.000, depois 70.000... A carga tóxica se mantém, mas sua capacidade de eliminação diminui progressivamente.

Na tentativa de limpar o sangue e diminuir a quantidade de toxinas circulantes e mantê-lo vivo, o corpo lança mão de uma alternativa: depositá-las (armazená-las); uma das áreas de armazenamento são as articulações. Os ácidos e contaminantes diminuem o metabolismo das células que fabricam o líquido sinovial e mantém as cartilagens saudáveis; o ressecamento e a degeneração celular atraem as células de defesa para limpar a bagunça, como um Pac Man biológico. Quando as células brancas de defesa combatem algo, liberam histaminas, citocinas e prostaglandinas, substâncias pró-inflamatórias e essa resposta inflamatória é chamada de artrite pela medicina. Artrite não é uma doença; “artr” quer dizer articulação, “ite”, inflamação. Logo, artrite não é um diagnóstico, mas a descrição de uma má função celular.

Se o depósito é de metais pesados, como alumínio, cádmio, chumbo e mercúrio, normalmente se acumulam no lobo frontal do cérebro, afetando as células que regulam o pensamento cognitivo. Você desenvolve problemas inicialmente na memória de curto-prazo, depois na memória de longo prazo, o que a ciência médica chama de doença de Alzheimer. Se o depósito for na substancia nigra, produtora de dopamina, provoca alterações na maneira de andar e tremores nas mãos; doença de Parkinson. Parkinson e Alzheimer são nomes de médicos, e de novo, simplesmente descrevem uma má função celular.

Podemos mostrar este mesmo caminho para cada “doença” catalogada pela medicina, mas podemos dizer que só há uma doença: o mau funcionamento celular. Uma célula pouco permeável, coberta de toxinas ou com sua membrana endurecida não permite que os nutrientes atinjam seu interior: se for água, há desidratação; se for oxigênio, há hipóxia. Os nutrientes essenciais ficam flutuando do lado de fora da célula. Perceba que esse conceito nada tem a ver com a ingestão de nutrientes, mas sim com sua disponibilidade para as células.

Baseado na localização da disfunção celular há um sintoma ou um grupo de sintomas correlacionados; estes sinais mostram que algo está errado e que algo deve ser feito. A medicina as chama de doenças e suprimir os sintomas não significa erradicar a doença. Não há a menor racionalidade científica nesta abordagem. Imagine que repentinamente acenda a luz do óleo do seu carro e em vez de parar para verificar o nível do óleo do motor, você pare num autoelétrico e peça ao mecânico para desligar a lâmpada; agora ela não vai mais incomodá-lo e seu motor pode “fundir-se tranquilamente”. Tentar suprimir os sintomas, esse grito de ajuda celular, é permitir que o processo se instale cada vez mais profundamente; é de uma ignorância atroz. É um assassinato legalizado pelo treinamento nas escolas médicas.

E por que esta situação não muda? Numa única palavra – e sem condescendência – dinheiro! Na década de 80, um executivo da indústria farmacêutica deu uma bombástica entrevista ao jornal norte-americano Herald Tribune afirmando: “O primeiro desastre é se você mata as pessoas. O segundo desastre é se as cura. As drogas de verdade são aquelas que você pode usar por longo e longo tempo.”

O dr. Francisco Humberto Azevedo diz: "Se as escolas brasileiras de medicina não ensinam a seus alunos oxigenoterapia hiperbárica, acupuntura e homeopatia, reconhecidas como especialidade s médicas há mais de uma década, como esperar que informem sobre outros métodos terapêuticos praticados em outros lugares do mundo? Quem quiser aprender algo diferente, terá que buscar no exterior e, na volta, correr o risco de ter seu registro cassado.”

O Dr. Eduardo Almeida, em seu livro “O Elo Perdido da Medicina”, diz que o currículo das escolas médicas do mundo todo é elaborado de maneira a garantir que os alunos saiam de lá treinados para corrigir os sintomas. Seus hospitais e centros de pesquisa são financiados pelas grandes indústrias farmacêuticas que investem milhões de dólares para ter certeza de que os futuros médicos não aprendam homotoxicologia e bioquímica nutricional, as duas principais matérias para o tratamento da doença celular.

Imagine o risco para estas empresas se a medicina questionasse sua própria toxicidade, cirurgias desnecessárias, remoção desnecessária de órgãos, radiação e quimioterapia; se médicos perguntassem: “Mas, professor, por que prescrevemos drogas que suprimem os sintomas e produzem múltiplos efeitos colaterais?” A profissão médica está assentada na supressão dos sintomas, mas sintomas não são doenças. São sinais de alerta que nos indicam que algo deve ser feito: mudança de hábito alimentar, de estilo de vida, desintoxicação, reposição de nutrientes, afastamento de ambientes e pessoas tóxicas.

Pense nisso!

O que leva você a um hospital é uma cascata de problemas e, por isso, qualquer terapia deve começar pela desintoxicação. Conforme expliquei, se a célula está impermeável, de nada adianta repor nutrientes enquanto a permeabilidade não for restaurada.

Fonte: http://www.ecologiacelular.com.br/content/por_que_ecologia_celular

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