sexta-feira, 15 de julho de 2011

Meditação funciona como exercício de musculação para o cérebro

Dois anos atrás, pesquisadores da University of California em Los Angeles (UCLA) descobriram que regiões específicas no cérebro de indivíduos que praticavam meditação a longo prazo eram maiores e tinham mais massa cinzenta do que os cérebros dos indivíduos em um grupo controle. Isto sugere que a meditação pode realmente ser boa para todos nós, pois, infelizmente, o nosso cérebro encolhe naturalmente com a idade.

Agora, um estudo de acompanhamento sugere que pessoas que meditam também têm conexões mais fortes entre as regiões cerebrais e demonstram menos atrofia cerebral relacionada com a idade. Ter conexões mais fortes influencia na capacidade de retransmitir rapidamente os sinais elétricos no cérebro. E significativamente, estes efeitos são evidentes no cérebro inteiro e não apenas em áreas específicas.

Eileen Luders, professora visitante no laboratório de neuroimagem da UCLA, e seus colegas usaram um tipo de imagiologia cerebral conhecido como imagem de tensor de difusão ou DTI, um modo de imagem relativamente novo que fornece insights sobre a conectividade estrutural do cérebro. Eles descobriram que as diferenças entre os meditadores e os controles não estão restritas a uma região de núcleo específica do cérebro, mas que envolvem redes de grande escala que incluem os lobos frontal, parietal, temporal e occipital e corpo caloso anterior, bem como as estruturas límbicas e o tronco cerebral.

"Nossos resultados sugerem que os indivíduos que meditam há muito tempo têm fibras de substância branca que são tanto mais numerosas, mais densas ou mais isoladas em todo o cérebro. Também descobrimos que o declínio normal, relacionado à idade, do tecido da massa branca é consideravelmente reduzido nos praticantes ativos de meditação", disse Luders.

O estudo consistiu de 27 praticantes ativos de meditação (idade média de 52 anos) e 27 indivíduos controle, que foram pareados por idade e sexo. O grupo meditação e o grupo controle constituíam-se, cada um, por 11 homens e 16 mulheres. O número de anos de prática de meditação variou de 5 a 46; os estilos de meditação auto-relatados eram: shamatha, Vipassana e Zazen estilos que eram praticados por cerca de 55% dos meditadores, exclusivamente ou em combinação com outros estilos.

Os resultados indicaram conectividade estrutural acentuada nos meditadores através de vias no cérebro inteiro. As maiores diferenças entre os dois grupos foram vistas dentro do trato corticoespinhal (uma coleção de axônios que viajam entre o córtex cerebral e a medula espinhal), o fascículo longitudinal superior (feixes de neurônios longos e bi-direcionais que conectam a frente e a parte de trás do cérebro), e do fascículo uncinado (massa branca que liga as partes do sistema límbico, como o hipocampo e a amígdala, com o córtex frontal).

"É possível que, meditando ativamente, especialmente durante um longo período de tempo, se possa induzir mudanças em um nível micro-anatômico", disse Luders.

Como consequência, a robustez das conexões de fibra nos meditadores podem aumentar e, possivelmente, levar aos efeitos macroscópicos vistos por DTI.

"A meditação, no entanto, pode causar alterações na anatomia do cérebro não só por induzir um crescimento, mas também por impedir sua redução. Ou seja, se praticada regularmente e ao longo dos anos, a meditação pode retardar a atrofia cerebral relacionada ao envelhecimento, talvez ao afetar positivamente o sistema imunológico", disse Luders.

Mas, há um "mas". Embora seja tentador assumir que as diferenças entre os dois grupos constituem efeitos realmente induzidos pela meditação, ainda há a pergunta sem resposta do inato versus o adquirido.

"É possível que os indivíduos do grupo de meditadores tenham cérebros que são fundamentalmente diferentes. Por exemplo, uma anatomia do cérebro em particular pode ter atraído um indivíduo para a meditação ou pode tê-lo ajudado a manter a prática em curso o que significa que a conectividade de fibra reforçada entre os meditadores constituiria uma predisposição para a meditação, em vez de ser a consequência da prática."

Ainda assim, ela disse: "A meditação parece ser um poderoso exercício mental com o potencial de mudar a estrutura física do cérebro em geral. Coletando evidências de que a prática de meditação ativa, frequente e regular causa alterações dos tratos fibrosos da massa branca que são profundos e sustentáveis pode tornar-se relevante para as populações de pacientes que sofrem de desmielinização axonal e de atrofia da massa branca".

Mas, Luders disse que mais pesquisa é necessária antes de levar a meditação para estudos de ensaios clínicos.

Fonte: http://www.isaude.net/pt-BR/noticia/19242/ciencia-e-tecnologia/meditacao-funciona-como-exercicio-de-musculacao-para-o-cerebro

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