quarta-feira, 29 de junho de 2011

Venenos agrícolas matam, artigo de Julio Cesar Rech Anhaia

“Nós permitimos que esses produtos químicos fossem utilizados com pouca ou nenhuma pesquisa prévia sobre seu efeito no solo, na água, animais selvagens e sobre o próprio homem”. (Primavera Silenciosa – Silent Spring Rachel Carson)

O termo "veneno" deriva da experiência concreta do trabalhador rural, e em nossa opinião, constitui a mais digna e acurada denominação para tais produtos, que, desde o inicio da utilização dos biocidas no meio rural, vem observando além de seus efeitos previstos, matarem pragas, também seus efeitos nocivos à saúde humana e animal.


A tecnologia imposta pela Revolução Verde, a partir dos anos 60, fundamentada na melhoria do desempenho dos índices de produção agrícola, e disseminada entre os agricultores maximizou, num primeiro momento, a produtividade, porém criou estreita dependência a essa tecnologia, fazendo aumentar o custo da produção agrícola.

Socialmente, a Revolução Verde representou uma grande ilusão, pois aumentou a concentração de terra e tornou precária a vida dos pequenos agricultores descapitalizados, como também não solucionou o problema da fome no mundo.

Ambientalmente, essa revolução provocou intenso processo erosivo, perda da fertilidade dos solos, perda da diversidade genética e utilização de matriz energética fóssil, altamente poluente, contaminação dos recursos hídricos, solo, alimentos, animais e o próprio homem, pelos venenos agrícolas.

Por aqui, desde o século passado, eram utilizados venenos caseiros, à base de soda cáustica, querosene, carvão mineral, azeite de peixe, entre outros produtos. Até a década de 40, deste século, foram muito utilizados produtos botânicos, piretro, rotenona e nicotina, que eram até exportados. Venenos inorgânicos também foram usados, como o sulfato de tálio, cianeto de cálcio, carbonato de bário e sulfato de cobre, este até hoje sendo utilizado.

A difusão do uso de venenos agrícolas, para o controle de pragas e plantas invasoras na agricultura brasileira, foi favorecida pelo sistema de crédito rural, colocando-os definitivamente no cotidiano dos trabalhadores rurais. Para tanto, o Banco do Brasil tornou obrigatória a destinação de 15% do valor de empréstimos de custeio para aquisição de agrotóxicos, significando dessa maneira, o aval do governo para a ampliação do mercado e preservação financeira à indústria química.

Os venenos agrícolas destroem a vida do solo, principalmente os herbicidas, que eliminam algas, fungos, impede a formação das micorrizas. Os herbicidas bloqueiam, ainda, a atividade de enzimas deshidrogenases, específicas para decomposição da palha (resteva), impedindo, portanto, a formação de húmus. Sabe-se que bactérias existentes no solo como Rizhobium e Azospirilo, ou ainda Azollas, sintetizam nitrogênio do ar, cedendo grande quantidade deste elemento às plantas. Esta oferta gratuita é impedida pelos herbicidas, mesmo em pequenas doses, pela eliminação destas bactérias úteis. Fora isso, outros venenos agrícolas contaminam o solo e exterminam a vida.

Os venenos agrícolas estão entre os mais importantes fatores de risco para a saúde dos trabalhadores e para o meio ambiente. Utilizados em grande escala por vários setores produtivos e mais intensamente pelo setor agropecuário, são ainda utilizados na construção e manutenção de estradas, tratamentos de madeiras para construção, indústria moveleira, armazenamento de grãos e sementes, produção de flores, combate às endemias e epidemias, como domissanitários etc. Enfim, os usos desses produtos excedem em muito aquilo que comumente se reconhece. Dentre os trabalhadores expostos destacam-se, além dos trabalhadores rurais, os da saúde pública, de empresas desinsetizadoras, de transporte, comércio e indústria de síntese. Ressalte-se ainda, que a população em geral também está exposta, seja através de resíduos em alimentos, de contaminação ambiental ou acidental.

Do ponto de vista ambiental, um dos principais problemas causados pelo uso intensivo dos venenos agrícolas é a eliminação de insetos benéficos, chamados inimigos naturais, que contribuem para manter o equilíbrio ecológico.

O uso continuado dos venenos agrícolas perpetua o desequilíbrio ecológico de um agroecossistema. Seu uso crescente pode provocar, também, ainda, a resistência genética de insetos, de plantas e de fungos, resultando no processo pelo qual essas espécies desenvolvem mecanismos bioquímicos que permitem que a dose aplicada já não seja mortal, transmitindo essa resistência às gerações posteriores.

A deriva é um dos principais e maiores problemas, motivos de perdas de venenos agrícolas e conseqüente contaminação ambiental, deriva é tudo aquilo que não atinge o alvo durante a aplicação.

A Constituição Federal atribui ao Poder Público à obrigação de controlar as substâncias que comportem risco à vida, a qualidade de vida e ao meio ambiente, no que se inclui o controle dos venenos agrícolas.

Vivemos sobre o aqüífero guarani, maior reservatório de água potável subterrâneo do mundo que abrange os estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além parte do Paraguai, Argentina e Uruguai, onde se concentra também, a maior produção agrícola do país, arroz, soja, milho, cana-de-açúcar, algodão, que, por sua vez, utiliza quase 80% dos venenos agrícolas consumidos.

A nossa fauna e flora nas zonas agrícolas ou já foi destruída pelos venenos agrícolas, ou está contaminada, pois o controle que existe é ineficiente e relapso, e, também, porque o lucro fácil auferido e o poder econômico da indústria de venenos agrícolas e sua cadeia de distribuição, se sobrepõe ao interesse coletivo. Uma das atividades mais perniciosa e de risco na agricultura é aplicação de venenos agrícolas pela aviação agrícola, pois, ao fazer a pulverização deposita venenos (agressivo) agrícolas altamente tóxicos, combinados com produtos de grande poder de aderência nas plantas, atingindo também aves e animais, potencializando o tempo de intoxicação, levando-os à morte em números alarmantes.

A falta de uma política de conservação da biodiversidade do Bioma Pampa ou Campos Sulinos é evidente, vastas extensões de monoculturas, o modelo adotado pelo grande agronegócio, em que se eliminam completamente os elementos da paisagem natural, reduz-se a biodiversidade ao extremo e exaure-se o solo, tornando impossível produzir de maneira sustentável.

As “Unidades de Conservação” do Pampa, a única Federal APA do Ibirapuitã, que abrange os municípios de Alegrete, Quaraí, Rosário do Sul e Sant’Ana do Livramento, tendo como órgão gestor o Instituto Chico Mendes da Conservação da Biodiversidade , onde dois abnegados técnicos trabalham em condições precárias, as tres Estaduais, Reserva Biológica de Ibirapuitã, Parque Estadual do Espinilho e a Reserva Biológica do São Donato, ainda não saíram do papel, por enquanto, pouca esperança de inversão de tendências.

Há um descuido e descaso na salvaguarda de nossa casa comum, o planeta Terra. Solos são envenenados, ares são contaminados, águas são poluídas, florestas são dizimadas, espécies de seres vivos são exterminadas; um manto de injustiça e de violência pesa sobre dois terços da humanidade. Um princípio de autodestruição está em ação, capaz de liquidar o sutil equilíbrio físicoquímico e ecológico do planeta e devastar a biosfera, pondo assim em risco a continuidade do experimento da espécie homo sapiens e demens (Boff 2004.).

“Ao mesmo tempo em que observamos e percebemos a expansão das fronteiras do agronegócio, também o ocultamento dos impactos negativos como o crescimento da migração e da favelização das cidades, a proletarização e precarização das condições de trabalho e de doenças ocupacionais, aumento da prostituição, degradações ambientais e a contaminação dos alimentos“.

O aperfeiçoamento dos sistemas de controle do uso indiscriminado de venenos agrícolas ainda permanece como ponto relevante da agenda ambiental e de saúde pública, somente ações diversificadas e multisetoriais poderão dar conta para reverter o atual quadro.

Como vemos a classe agronômica não assumiu de fato o receituário agronômico, não está preparada para desenvolver esta atividade, não está levando a sério e com isso quem está perdendo é a nossa classe e a sociedade.

Outro fato que constata a distorção sofrida no processo de implantação do receituário agronômico, a partir de sua proposta inicial, é a verificação de que até mesmo via internet é possível se fazer a compra de venenos agrícolas “a priori”, sema necessidade de uma efetiva avaliação técnica a justificar o ato de comercialização.

avaliação técnica a justificar o ato de comercialização.

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, 15% dos alimentos consumidos pelos brasileiros apresentam taxa de resíduos de veneno em um nível prejudicial à saúde. Segundo dados da Organização das Nações Unidas, o Brasil é o principal destino de agrotóxicos proibidos no exterior. Dez variedades vendidas livremente aos agricultores não circulam na União Européia e Estados Unidos.”

Do ponto de vista social, a agricultura moderna é responsável por sérios transtornos estruturais. Ela elimina a mão-de-obra no campo e contribui diretamente à hipertrofia das grandes cidades. Só lucra mesmo com a maquinaria pesada e a agroquímica quem já é forte. Ao pequeno agricultor só resta retirar-se e partir para o trabalho assalariado, quando houver.

Inescrupulosamente, a agroquímica promove agressões antes inimagináveis. Basta citar o caso dos ‘desfolhantes’ na Guerra de Vietnã e sua continuação como herbicidas aplicados por avião, para a destruição, em grande escala, da floresta ou vegetação arbustiva, com o intuito míope de transformá-las em pastos simplificados, em monoculturas, ecologicamente insustentáveis (Lutzenberg, 1989).

É tempo de acabar com a mentira de que apenas a agricultura promovida pela tecnologia pode salvar a humanidade da inanição. O oposto é verdadeiro. É preciso uma nova forma de balanço econômico que, à medida que soma o que é chamado de “produtividade” ou “progresso” na agricultura, também deduza todos os custos: as calamidades humanas, a devastação ambiental, a perda da diversidade biológica na paisagem circundante, e ainda, a mais tremenda perda, a biodiversidade em nossos cultivares (Lutzenberg, 2001).

A introdução em grande escala de substâncias desconhecidas na natureza é uma característica da segunda metade do século passado e a denúncia sobre a presença de contaminantes na cadeia alimentar não é nova. Rachel Carson em “A Primavera Silenciosa” (1962), já alertava sobre os riscos da crescente contaminação dos ecossistemas por agentes químicos sintéticos e sobre os efeitos de seu acúmulo para os seres humanos. Mais recentemente, Colborn, Dumanoski & Myers em “O Futuro Roubado” (1996) apresentam um retrato preocupante dos efeitos perniciosos de pesticidas e outros compostos químicos maioria persistentes na gordura de quase todos os organismos vivos-, sobre a fertilidade e a sobrevivência de várias espécies, incluindo o homem. De acordo com esses autores, de 51 químicos sintéticos identificados como causantes de rupturas de mecanismos hormonais, mais da metade, incluindo os PCB’s 5, são produtos que resistem à decomposição natural. “Estes químicos de vida larga serão um legado e um risco, acompanhando àqueles que ainda não nasceram por anos, décadas, ou no caso de alguns PCB´s, por vários séculos“.

Um estudo feito entre 2000 e 2002 com gestantes, por pesquisadores da Universidade de Granada, na Espanha, alertou para o perigo de disruptores hormonais, substâncias químicas, boa parte pesticidas, cuja presença no ambiente, inclusive o urbano, pode ser absorvida pelo corpo de modo imperceptível.

Um dado preocupante dessa contaminação silenciosa foi à descoberta de que 100% das 308 grávidas analisadas terem, pelo menos, um tipo de pesticida na placenta, camada que deveria proteger o feto. Os pesticidas começaram a ser usados nos anos 40, mas apenas na década de 90 se percebeu que a ingestão, por muitos anos de alimentos contendo agrotóxicos, pode ser responsável por alterações hormonais.

Fundamentalmente, a solução dos problemas ambientais está na educação. Mas a educação é um processo lento, demasiado lento para conter ainda a avalanche que se aproxima do estrondo. Para que ainda tenha sentido a educação da juventude, devemos fixar já os novos caminhos, devemos começar logo a reparar o que pode ser reparado. Para isto devemos abjurar a simplória ideologia do crescimento ilimitado, do desenvolvimento sem freios, do preenchimento dos últimos ‘vazios’. A visão da Ecosfera como um todo sinfônico terá que estar na base de nossas considerações políticas e econômicas. (Lutzenberg, 1986)

A problemática da agroquímica é complexa e campeia à ignorância entre os próprios técnicos. Quando burocratas e políticos discutem o problema, o fazem, em geral, em total desconhecimento de causa e a indústria faz questão de não esclarecê-los adequadamente. Ela não esclarece sequer o comércio do qual se serve. A maneira como vem sendo conduzido o negócio da química agrícola, em termos ecológicos, é algo assim como se fosse permitido o comércio livre de bombas atômicas baratas e acessíveis ao público (Lutzenberger, 1975).

A sociedade deve debater e executar ações contra esse modelo e a favor da produção sustentável.

A luta aos efeitos nocivos do uso indiscriminado dos venenos agrícolas, não é tarefa fácil em razão da dimensão dos interesses e da força econômica que tem o setor.

Não adormeças pensando que uma coisa é difícil, pois correrás o risco
de seres despertado pelo barulho de alguém que o executa.
Provérbio Americano

11 de janeiro – “DIA DO CONTROLE DA POLUIÇÃO POR AGROTÓXICOS”

Julio Cesar Rech Anhaia – Engº Agrº – JANEIRO DE 2011


Fonte: http://www.ecodebate.com.br/2011/01/12/venenos-agricolas-matam-artigo-de-julio-cesar-rech-anhaia/

A frugalidade alimentar

A frugalidade é a simplicidade dos costumes e hábitos, é desfrutar a virtude de se reconhecer o valor da vida. Com ela, podemos sentir a natureza e honrá-la em sua origem no passo do compasso, na fonte das necessidades, vivendo-se o “porquê” e o “como” das coisas.

Quanto ao frugal na alimentação, a natureza humildemente oferta seus alimentos para nos servir, em diversidade de cores, sabores, formas e conteúdos, respeitando nossas preferências em variados níveis e nos fornecendo tudo aquilo que precisamos para viver em harmonia. Entretanto, o ser humano comumente inverte os valores e insiste em ser escravo da alimentação, ao passo que pode utilizá-la para servir seu corpo com o que lhe é necessário.

Tem-se aí o desnecessário que, por vezes, passa a ser o foco principal de consumo. As pessoas se alimentam cada vez mais do que é artificial, enfeitado, processado, aditivado e do complicado. Ao invés de consumirem alimentos com nutrientes certeiros, ingerem-se substâncias ultra-reinventadas, com nomes esquisitos, grandes e com números (vide rótulos) que de fato não nutrem e sim, enganam ou viciam em outras substâncias parecidas.

Com tal alimentação precária, o ser humano transforma seu corpo numa máquina movida à ilusão e suportada pelo vício alimentar. No entanto, assim como uma árvore não cresce sem chão ou como um navio não navega sem água, bem se sabe que a ilusão não nutre células, nem tecidos e nem órgãos. Nós precisamos de alimentos de boa qualidade nutricional para promovermos nosso preenchimento ideal.

Em contrapartida, a alimentação equilibrada em sua essência pode trazer foco e criatividade, pois vem da naturalidade e resgata não só a natureza, mas o natural: ressalta-se o que de fato é vida em vez do artificial. Isso porque somos mais que carne e ossos movidos por sangue em pulsação, nós somos uma máquina repleta de parafusos traduzida numa verdadeira obra de arte, que carece de suprimentos específicos e de uma boa manutenção.

Dessa maneira, podemos perceber um caminho universal para uma alimentação saudável. O jeito é dizer adeus para o que não convém, para o que atrasa, embaraça os pensamentos, embaça a visão, esfumaça o coração e retarda a digestão. A simplicidade aniquila o que confunde o paladar e perturba os instintos. Ela afina, pois.

Viva o frugal. Façamos de nós então uma arte moldada pela natureza com as ferramentas alimentares. E que a alimentação seja a métrica, que o bom hábito leve à rima e que a real nutrição se revele em poesia.

Autora: Isis Moreira - Estudante de Nutrição - UNB
http://www.alimentando.net/

Células tumorais expostas à "quinta sinfonia", de Beethoven, perderam tamanho ou morreram

Mesmo quem não costuma escutar música clássica já ouviu, numerosas vezes, o primeiro movimento da "Quinta Sinfonia" de Ludwig van Beethoven. O "pam-pam-pam-pam" que abre uma das mais famosas composições da História.

Descobriu-se agora, seria capaz de matar células tumorais - em testes de laboratório. Uma pesquisa do Programa de Oncobiologia da UFRJ expôs uma cultura de células MCF-7, ligadas ao câncer de mama, à meia hora da obra. Um em cada cinco delas morreu, numa experiência que abre um nova frente contra a doença, por meio de timbres e frequências.

A estratégia, que parece estranha à primeira vista, busca encontrar formas mais eficientes e menos tóxicas de combater o câncer: em vez de radioterapia, um dia seria possível pensar no uso de frequências sonoras. O estudo inovou ao usar a musicoterapia fora do tratamento de distúrbios emocionais.

- Esta terapia costuma ser adotada em doenças ligadas a problemas psicológicos, situações que envolvam um componente emocional. Mostramos que, além disso, a música produz um efeito direto sobre as células do nosso organismo - ressalta Márcia Capella, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, coordenadora do estudo.

Como as MCF-7 duplicam-se a cada 30 horas, Márcia esperou dois dias entre a sessão musical e o teste dos seus efeitos. Neste prazo, 20% da amostragem morreu. Entre as células sobreviventes, muitas perderam tamanho e granulosidade. O resultado da pesquisa é enigmático até mesmo para Márcia. A composição "Atmosphères", do húngaro György Ligeti, provocou efeitos semelhantes àqueles registrados com Beethoven. Mas a "Sonata para 2 pianos em ré maior", de Wolfgang Amadeus Mozart, uma das mais populares em musicoterapia, não teve efeito.

- Foi estranho, porque esta sonata provoca algo conhecido como o > "efeito Mozart", um aumento temporário do raciocínio espaço - temporal - pondera a pesquisadora.

- Mas ficamos felizes com o resultado. Acreditávamos que as sinfonias provocariam apenas alterações metabólicas, não a morte de células cancerígenas.

"Atmosphères", diferentemente da "Quinta Sinfonia", é uma composição contemporânea, caracterizada pela ausência de uma linha melódica. Por que, então, duas músicas tão diferentes provocaram o mesmo efeito?

Aliada a uma equipe que inclui um professor da Escola de Música Villa-Lobos, Márcia, agora, procura esta resposta dividindo as músicas em partes. Pode ser que o efeito tenha vindo não do conjunto da obra, mas especificamente de um ritmo, um timbre ou intensidade.

Quando conseguir identificar o que matou as células, o passo seguinte será a construção de uma sequência sonora especial para o tratamento de tumores. O caminho até esta melodia passará por outros gêneros musicais. A partir do mês que vem, os pesquisadores testarão o efeito do samba e do funk sobre as células tumorais.

- Ainda não sabemos que música e qual compositor vamos usar. A quantidade de combinações sonoras que podemos estudar é imensa - diz a pesquisadora.

Outra via de pesquisa é investigar se as sinfonias provocaram outro tipo de efeito no organismo. Por enquanto, apenas células renais e tumorais foram expostas à música. Só no segundo grupo foi registrada alguma alteração.

A pesquisa também possibilitou uma conclusão alheia às culturas de células. Como ficou provado que o efeito das músicas extrapola o componente emocional, é possível que haja uma diferença entre ouvi-la com som ambiente ou fone de ouvido.

- Os resultados parciais sugerem que, com o fone de ouvido, estamos nos beneficiando dos efeitos emocionais e desprezando as consequências diretas, como estas observadas com o experimento - revela Márcia.

Fonte: O Globo - Renato Grandelle

Até os bebês estão obesos: como fomos parar aqui?

Uma criança de 4 anos chegou mancando no hospital. Ele estava carregando tanto peso que deslocou seus quadris. O menino, um exemplo extremo de obesidade infantil, tem mais de 45 quilos e um índice de massa corporal (IMC) 99% acima de sua faixa etária.

Na semana passada, o Instituto de Medicina americano divulgou seu primeiro relatório enfocando políticas de prevenção da obesidade para crianças menores de 5 anos de idade.

Nos EUA, quase 10% dos bebês e crianças pequenas carregam excesso de peso para seu comprimento. 1 em cada 5 crianças de 2 a 5 anos está acima do peso ou obesa – antes mesmo de entrar no jardim de infância.
Crianças obesas mostram anormalidades metabólicas na insulina, nas enzimas do fígado e no colesterol, problemas geralmente detectados em adultos mais velhos.

Médicos contam que já viram sinais de artrite e diabetes em crianças de 8 anos. Os pacientes têm elevada resistência à insulina e consequente descoloração da pele em torno dos pescoços e braços. Elas não estão doentes ainda, mas caminham nessa direção.

Segundo especialistas, má alimentação, tamanho grande de porções, falta de atividade física, sono inadequado e pais desinformados estão contribuindo para um maior número de crianças com sobrepeso e jovens obesos.

As famílias e adultos que cuidam das crianças podem, sem querer, fazer escolhas alimentares ruins. A boa notícia é que essa é uma idade ideal para fazer mudanças de estilo de vida. Os pais têm mais controle sobre o que criança come, em comparação com os adolescentes.

Um dos problemas observados pelos especialistas é de que as crianças jovens estão constantemente bebendo calorias vazias, como bebidas energéticas, suco de frutas e outras bebidas açucaradas.

Os bebês ficam só na mamadeira muito tempo, e quando passam para outras bebidas, ficam tomando golinhos constantemente, durante todo o dia.

O problema é que há uma desconexão na mente das pessoas: as mães não sabem direito as consequências disso. Por exemplo, elas estão acostumadas a pensar que suco é bom, mas não percebem todo o açúcar que vem neles.

Porém, nem todos os problemas têm a ver apenas com estilo de vida. Há o caso de uma menina, Tylynn, que com oito semanas ganhou 2,72 quilos em duas semanas. Os médicos ficaram intrigados. A criança começou a ganhar peso drasticamente em 18 meses.

A mãe tomou várias medidas, e nada funcionou. A família transformou a dieta em apenas frutas, legumes e carnes magras. Tylynn e sua irmã mais nova dançam e fazem aulas de natação e caminhadas. Enquanto sua irmã mais nova é magra, a menina continua obesa.

Foi quando descobriram, na idade de 4, que Tylynn tinha hipometabolismo, o que faz com que seu corpo queime energia lentamente e, portanto, ganhe peso rapidamente. A mãe se sente muito mal, contando que não consegue mais suportar aquele olhar de “quanta comida você está dando para sua filha?”.

E para os pequenos obesos também é ruim. Além do desgaste físico, a obesidade pode ter um efeito emocional de longa duração nas crianças, como depressão.

Entretanto, como a maioria dos casos é devido a estilo de vida, a situação geralmente tem concerto. Confira recomendações de pediatras para criar um bebê saudável:

Antes do nascimento: o bebê tem mais chances de ser obeso se seus pais forem obesos. Durante a gravidez, a saúde da mãe, como seu aumento de peso e diabetes gestacional, são fatores de risco para a obesidade do bebê. Comer por dois durante a gravidez é errado. Comer por dois não significa comer em dobro.

Bebês: estudos mostram que bebês alimentados com fórmulas (ao invés de amamentados), e que recebem alimentos sólidos antes dos quatro meses, têm maior risco de se tornarem obesos. Crianças alimentadas com fórmula podem consumir mais alimentos e calorias. O Instituto de Medicina americano recomenda amamentação durante a infância. A Academia Americana de Pediatria aconselha as mães a amamentarem exclusivamente durante os primeiros seis meses, podendo continuar a amamentação por um ano.

Crianças: o crescimento das crianças deve ser monitorado pelos profissionais de saúde porque os pais tendem a subestimar o peso de seus filhos. Existe uma crença popular de que um bebê gordinho é um bebê saudável, e que logo as crianças vão crescer e emagrecer. Essa visão é errada. Um estudo mostrou que apenas metade dos pais de crianças obesas reconhece que seu filho está acima do peso.

Crianças pré-escolares devem ser encorajadas a se exercitarem durante o dia. Elas devem brincar ao ar livre, ter acesso a playgrounds ou gramados e um ambiente adequado em creches. Alimentação, atividade física e TV não devem ser usados como incentivo ou punição; especialistas dizem que há outros meios de promover comportamentos ou desestimulá-los.

Os adultos devem dar o exemplo de uma alimentação saudável e incentivar as crianças a comerem frutas, legumes, proteínas magras, cereais integrais e laticínios de baixa ou sem gordura. As crianças devem dormir bem (e poder dormir mais), porque as mais pesadas dormem menos que as crianças de peso normal. A TV afeta o sono dos pré-escolares: os especialistas também aconselham limitação do tempo na frente das telas, o que por sua vez também limita a exposição a anúncios de comidas não saudáveis.

Fonte: http://hypescience.com/ate-os-bebes-estao-obesos-como-fomos-parar-aqui/

Usar maconha antes dos 15 anos reduz memória em até 30%

O uso de maconha antes dos 15 anos -quando o cérebro ainda está em processo de amadurecimento- prejudica a capacidade de recuperar as informações, reduzindo a memória dos usuários em até 30%.
Os danos são proporcionais à quantidade de droga usada: quanto mais se fuma, maiores são os estragos. E eles persistem mesmo se houver um período de abstinência de um mês.
Os resultados são de uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo apresentada no 7º Congresso Anual de Cérebro, Comportamento e Emoções, em Gramado (RS).
"Os usuários precoces têm resultados significativamente inferiores também em ouras áreas, como a capacidade de controlar seus impulsos", diz a neuropsicóloga Maria Alice Fontes, uma das autoras do trabalho.
Se o uso se inicia após os 15 anos, no entanto, as chances de prejuízo nessas funções diminui.
"Não é que seja o consumo da maconha fique seguro, longe disso. Mas ele se torna menos nocivo, porque o cérebro já passou dessa etapa de desenvolvimento", afirmou a pesquisadora.
O estudo foi publicado na última edição do "The British Journal of Psychiatry".

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/935827-usar-maconha-antes-dos-15-anos-reduz-memoria-em-ate-30.shtml

terça-feira, 28 de junho de 2011

Bisfenol-A altera comportamento de roedores

Testes conduzidos em uma espécie de camundongo selvagem indicaram novos riscos para o ambiente, e talvez para a saúde, ligados ao bisfenol-A, componente de mamadeiras e de vários outros produtos industrializados.

O consumo de níveis supostamente seguros da molécula fez com que camundongos machos ficassem com sua capacidade de localização espacial prejudicada.

Pior ainda (para eles): as fêmeas da espécie passaram a esnobá-los, como se soubessem que havia algo de errado com os bichos. Os achados estão na revista "PNAS", da Academia Nacional de Ciências dos EUA, e foram obtidos por Cheryl Rosenberg e seus colegas da Universidade do Missouri.

Os pesquisadores demonstram cautela na hora de relacionar os resultados com possíveis efeitos sobre meninos humanos, mas afirmam que é preciso levá-los em conta e continuar os estudos.



Mimetizador
O bisfenol-A é empregado amplamente por indústrias do mundo todo para a fabricação de plásticos e resinas. Além das mamadeiras, os produtos que contêm bisfenol-A incluem resinas dentárias, lentes de contato, CDs e DVDs e o revestimento interno de latas de refrigerante ou outras bebidas.

O grande problema da molécula e de seus derivados é o fato de o organismo de vertebrados como nós "interpretarem" as substâncias como hormônios sexuais --os mesmos que o corpo produz para gerar as características típicas de cada sexo.

Mas os hormônios sexuais também têm papel importante em uma série de outras dinâmicas do organismo, do sistema imune (de defesa) à capacidade mental, o que sugere uma ampla gama de potenciais problemas ligados à overdose de bisfenol-A.

A questão é saber se esses problemas estão mesmo acontecendo. Por via das dúvidas, há países cogitando barrar total ou parcialmente o uso.

Os pesquisadores tentaram investigar o efeito da molécula numa espécie em que há diferenças claras de comportamento entre machos e fêmeas, o camundongo Peromyscus maniculatus.

Entre esses bichos, os machos são polígamos e, na época do acasalamento, transformam-se em grandes exploradores, atravessando distâncias relativamente grandes para chegar até as fêmeas, que estão dispersas pelo território natal dos animais.

Perdidos

Como não havia muito jeito de espalhar os bichinhos por quilômetros e quilômetros, os cientistas testaram essa capacidade nos machos ensinando-os a se deslocar por um labirinto de laboratório. Antes disso, porém, os roedores foram divididos em dois grupos principais.

Num deles, os bichos recebiam bisfenol-A durante a gravidez e após o nascimento, em quantidades comparáveis às ingeridas por humanos em países industrializados. No outro grupo, a substância não estava na dieta.

Além de se tornarem pouco atraentes para as fêmeas, os bichos que ingeriam bisfenol-A também se saíam pior no labirinto --ou seja, sofreriam para achar parceiras caso estivessem na natureza.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/935847-usado-em-plasticos-bisfenol-a-altera-comportamento-de-roedores.shtml

domingo, 26 de junho de 2011

“As dificuldades são os interesses das empresas e os lobbies”, diz deputado Alfredo Sirkis

Alfredo Sirkis, deputado autor de Projeto de Lei que proíbe o uso de bisfenol A no Brasil, acredita que informação e campanhas educativas são fundamentais para prevenir doenças associadas ao químico

Em busca de cortes nos custos e aumento nos lucros, há algumas décadas as empresas passaram a vender seus produtos em embalagens de plástico, latas de alumínio e outros materiais com a justificativa de que poderiam oferecer produtos mais baratos aos consumidores. Muitos anos depois, vários estudos científicos comprovaram que substâncias químicas, utilizadas na fabricação dessas embalagens economicamente eficientes, migram da embalagem para o conteúdo interno. Entre essas substâncias, uma das mais prejudiais é o bisfenol A (BPA), associado a doenças como câncer, infertilidade, aborto, obesidade e puberdade precoce.

Por conta disso, o BPA já é proibido no Canadá, na Costa Rica, na Malásia e em toda a União Europeia. Nos Estados Unidos, vários estados e cidades já proíbem o uso do químico em produtos infantis. Na China, o governo anunciou na semana passada que, além de o químico estar proibido na fabricação de mamadeiras, quem infringir a lei poderá ser condenado à pena de morte.

No Brasil o processo de proibição ainda está pouco adiantado, mas o deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ) quer agilizar o passo. Ele apresentou na Câmara dos Deputados, em janeiro de 2011, o Projeto de Lei nº 1197/2011, que proíbe a comercialização, em território nacional, de alimentos sólidos, bebidas e medicamentos embalados em material cuja composição química contenha bisfenol A, ftalatos e outras substâncias químicas prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. O Tao do Consumo entrevistou o deputado Sirkis.

Em que fase está o Projeto de Lei de vossa autoria que proíbe a venda de alimentos, bebidas e medicamentos que contêm bisfenol-A e outras substâncias prejudiciais à saúde e ao meio ambiente?
Está na fase inicial. Foi apresentado e agora vai às comissões.

Qual é a sua expectativa em relação à aprovação desse Projeto de Lei?
Espero que seja aprovado porque diz respeito à saúde da população como um todo. As dificuldades são os interesses das empresas que utilizam essa substância e os lobbies que dispõem tradicionalmente na Câmara.

A recente proibição do bisfenol-A na União Europeia pode ajudar na aprovação da lei no Brasil?
Em tese sim. Mostra que o problema é real e que os países mais avançados se preocupam com isso.

Por que deve existir uma lei que proíba a utilização de bisfenol-A na fabricação do plástico e no revestimento interno de latas de bebidas e alimentos?
Pelos estudos científicos que demonstram o risco potencial para a saúde e dentro do princípio da precaução.

Além da lei, o que mais é necessário para que a população brasileira não esteja mais exposta ao bisfenol-A?
Campanhas educativas que deveriam estar a cargo do Ministério da Saúde.

O que as empresas poderiam fazer antes mesmo da lei entrar em vigor para demonstrar que se preocupam com os consumidores?
Seria útil se a embalagem do produto informasse existência da substância, como se faz atualmente em relação à gordura trans, por exemplo.

O que o senhor faz no dia a dia para reduzir sua própria exposição ao bisfenol-A?
Estou examinando e pesquisando melhor os produtos que consumo.

Quais outros benefícios a sociedade pode obter ao adotar hábitos de consumo mais saudáveis?
Além de prevenir doenças através de um consumo mais saudável, reduziríamos a pressão sobre o sistema de saúde e possibilitaríamos um melhor atendimento a quem de fato viesse a precisar.

Por Fernanda Medeiros e Fabiana Dupont

Fonte: http://www.otaodoconsumo.com.br/voce-e-o-que-come-na-embalagem-que-consome/%ef%bb%bf%ef%bb%bf%ef%bb%bf%ef%bb%bf%ef%bb%bf%e2%80%9cas-dificuldades-sao-os-interesses-das-empresas-e-os-lobbies%e2%80%9d

Energia eólica ganha impulso e reforça matriz renovável no País

O Brasil aposta no potencial dos seus ventos para ampliar o leque de opções e garantir a sustentabilidade no fornecimento de energia. O investimento em energia eólica ganhou força nos últimos dois anos. Atualmente, a energia eólica no Brasil possui aproximadamente 1,1 GW (gigawatt) de potência instalada, o equivalente a quase uma usina nuclear brasileira (Angra 1 tem 0,65 GW e Angra 2 tem potência de 1,35 GW). Antigamente, os famosos moinhos captavam o vento para moer grãos, por exemplo. Agora eles receberam uma nova tarefa: produzir energia elétrica. O mecanismo funciona geralmente por intermédio de um dispositivo que transforma a energia dos ventos em energia elétrica e mecânica.

O coordenador de Tecnologia e Inovação em Energia do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Eduardo Soriano, lembra que a primeira turbina foi instalada na Dinamarca (Europa), em 1976, para geração de energia elétrica conectada à rede. "Hoje existem mais de 30 mil turbinas eólicas no mundo. Elas também começaram a crescer em tamanho. Antes elas cabiam numa sala, por exemplo, hoje os postes que seguram as turbinas podem ter até 120 metros de altura", observa.

Apesar do crescimento recente, utilizar o potencial dos ventos ainda é novidade no País. O primeiro leilão de comercialização de energia, voltado exclusivamente para fonte eólica, foi realizado em 2009. O resultado foi a contratação de 1,8 Gigawatt (GW), distribuídos em 71 empreendimentos de geração eólica em cinco estados das regiões Nordeste e Sul. Já no leilão de 2010, foram contratadas mais 70 usinas eólicas, com potência total de 2 GW, também distribuídos em vários estados.

Vantagens - Um dos motivos que estimulam o investimento em energia eólica no país é o preço competitivo no mercado em relação às outras energias. Eduardo Soriano avalia a trajetória de queda do valor atribuído à energia nos últimos anos. Segundo ele, as primeiras instalações tinham preços cerca de duas a três vezes maiores na comparação com o custo atual. "Nos últimos anos, houve leilões específicos para energia eólica. Os primeiros preços beiravam R$ 300,00/megawatts hora. No leilão de 2009 foi em torno R$ 148,00 e no leilão 2010 foi de R$ 130,00. Então se pode ver que houve uma redução de preços da energia eólica no Brasil e ela está entrando de uma forma muito competitiva", informa o especialista em energia do MCT.

Outro ponto favorável à energia eólica é a necessidade em se compor matrizes energéticas mais limpas, renováveis e menos poluentes. O Brasil já é um dos países que têm mais energias renováveis na sua matriz energética. Em torno de 45% da energia produzida no Brasil vêm de fonte renovável, sendo 90% na geração de energia elétrica.

A energia eólica contribui para a manutenção dos altos índices de energias renováveis da matriz energética brasileira, mas na avaliação de Soriano, ela não pode ser encarada com uma solução definitiva e o Brasil não pode desprezar outras opções. Ele alerta que é fundamental para um país não depender de só uma fonte de energia. "Tem que diversificar as fontes. Vamos supor que o vento pare. Não vai ter energia?", indaga. "Então é preciso ter uma diversificação, um pouco de energia eólica, hidráulica, termonuclear, termelétrica, carvão e óleo. É preciso ter as várias fontes funcionando em conjunto para que se possa ter uma segurança energética", sustenta.

Por conta da instabilidade dos ventos, a energia eólica compõe o sistema brasileiro de distribuição de energia e não chega a atender uma cidade específica. É conectada às várias linhas de distribuição de energia espalhadas pelas diversas regiões brasileiras. Além da região Nordeste, os ventos do Sul do País e também do Rio de Janeiro concentram os ventos com potencial para a geração de energia, especialmente, na faixa do litoral. Ao contrário de locais como a Dinamarca, que possui usinas eólicas no mar, no Brasil elas estão instaladas em terra.

Investimento - O investimento governamental também incentiva o crescimento do setor. As primeiras instalações surgiram a partir de um programa do Ministério de Minas e Energia, o Proinfa (Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica), que subsidiou a energia eólica no Brasil, além de outras alternativas como a geração a partir da bioenergia e a energia hidráulica de pequeno porte. Desde 2002, o MCT investe recursos em pesquisa, principalmente na produção de peças, parques e sistemas para geradores eólicos, tais como: conversores, elementos mecânicos de torres, sistemas de controle, aerogeradores de pequeno porte, pás etc.

Em 2009 e 2010, o ministério implementou editais de subvenção econômica com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), direcionado para empresas, nos quais foram aprovados 14 projetos envolvendo recursos da ordem de R$ 25 milhões (incluindo as contrapartidas empresariais). Tais investimentos, aliados aos incentivos governamentais para a implantação da energia eólica na matriz energética, têm alavancado no Brasil o mercado de peças e partes, o que está contribuindo com o aumento dos índices de nacionalização dos aerogeradores que estão sendo produzidos no País por diversas empresas. Alguns itens como pás, estão sendo exportados para diversos países do mundo.

Agora o grande desafio a ser superado é a falta de mão de obra especializada e de laboratórios capacitados. Para isso, o MCT deve lançar, ainda neste ano, um edital, no valor em torno de R$ 15 milhões, para formar recursos humanos de alto nível (pós-graduação, mestrado e doutorado) e criar laboratórios nos diversos estados, com prioridade para os locais com projetos em energia eólica. A carência de profissionais na área de energia é uma situação preocupante na avaliação de Eduardo Soriano.

De acordo com ele, está faltando engenheiros e técnicos no mundo inteiro na área de projetos, de implantação e de operação de energia eólica. O que representa uma deficiência que precisa ser suprida para dar suporte a esse crescimento da energia eólica. "Para ser competitivo, não basta ter só ventos, equipamentos e uma política de implantação de energia eólica. Precisamos ter também recursos humanos e laboratórios pra dar suporte a esse crescimento da energia eólica no Brasil", reforça Soriano

Fonte: http://www.ecoagencia.com.br/?open=noticias&id=VZlSXRFWWNlUsRmeTxmWhN2aKVVVB1TP

Agrotóxicos em plantações de fumo prejudicam produtores e seus vizinhos

O clima na sala da casa é pesado. Não existe momento de descontração nesta tarde fria em Rio Azul, a 180 quilômetros de Curitiba. Do lado de fora, as crianças se divertem com o opaco colorido das casas de alvenaria típicas do Paraná. Dentro, os adultos têm uma tensa conversa. Lídia Maria Bandacheski do Prado, de 35 anos, tem a tristeza estampada no rosto. Nas mãos, a fraqueza provocada pelo uso de agrotóxicos. À frente das pernas, um andador mostra que os problemas notados há uma década e agravados há quatro anos estão longe de encontrar solução. “Teve época que não conseguia sair da cama. Tem dia que fica pior, que não consigo fazer nada, me paralisa as pernas, me paralisa os braços.”

Uma visita ao hospital em 2001 deu início ao calvário de Lídia, dona de uma pequena propriedade. Passaram-se muitos anos até que uma equipe da Universidade Federal do Paraná esclarecesse que ela sofre de intoxicação crônica por agrotóxicos. “Fique quase dois anos sem dormir direito. Com dor nos braços, nas pernas. Era um fantasma dentro de casa”, lamenta. Nascida e criada na roça, Lídia viu a morte prematura do pai transformá-la em uma das chefes da família. Aos 9 anos, passou a ajudar a mãe diretamente no plantio de fumo, uma prática que até hoje não foi retirada do mapa da produção de tabaco no Brasil. Se hoje persistem problemas no manejo do agrotóxico, naquela época não se tinha a menor ideia dos efeitos dessa substância sobre a saúde humana.

Uma das práticas era cavar um buraco no chão e ali preparar, com as mãos desprotegidas, o “tempero”, a dissolução dos defensivos agrícolas em água. “Naquela época a gente vivia dentro do paiol. A mãe cozinhava dentro do barracão, a gente dormia em cima das pilhas de fumo”, conta a agricultora.

Pesquisas

O caso de Lídia chamou a atenção dos integrantes do Núcleo de Estudos em Saúde Coletiva da UFPR, que em 2009 passou a analisar a intoxicação por agrotóxicos em Rio Azul, cidade em que 45% das riquezas passam pelo tabaco. É um dos muitos municípios paranaenses responsáveis pela produção de 150 mil toneladas de fumo ao ano, oscilando entre 15% e 20% do tabaco nacional, setor comandado pelo Rio Grande do Sul. São pequenas propriedades, na maioria entre zero e dez hectares, empregando em sua quase totalidade mão de obra familiar.

Ao mesmo tempo, o Paraná figura entre os quatro estados que mais consomem defensivos agrícolas no Brasil, dado que é atribuído também à soja e ao milho. “Apesar de uma redução nos últimos anos, ainda se utiliza muito agrotóxico na cadeia do fumo. É um trabalho extremamente penoso, com equipamento costal, que dá problemas na coluna e reumatismo”, adverte Amadeu Bonatto, coordenador técnico do Departamento de Estudos Socioeconômicos Rurais (Deser).

O levantamento de dados por parte do Núcleo de Saúde Coletiva está na fase final. Ao levantar os casos registrados de intoxicação por agrotóxicos nos últimos dez anos em Rio Azul, os pesquisadores apenas ratificaram a impressão de que a cidade segue a média nacional de subnotificação deste tipo de ocorrência. “Os produtores ficam tontos, sentem ânsia de vômito, mas a relação entre agrotóxico e sintomas nem sempre é feita”, lembra Paulo de Oliveira Perna, coordenador do núcleo, que adverte que também entre os agentes de saúde a questão dos agrotóxicos é subestimada.

Um dos obstáculos para o convencimento é também cultural. A maioria dos agricultores, criado nesse ambiente, sempre resistiu a acreditar que aquilo que sempre foi feito possa estar errado – cada organismo reage de uma maneira à exposição ao agrotóxico e a intoxicação crônica pode levar anos para se consumar. Outra questão é a baixíssima escolaridade: segundo dados da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), 89,9% dos trabalhadores do setor não completaram o ensino fundamental, o que dificulta a leitura das bulas e a aplicação das dosagens corretas.

Alguns vizinhos de Lídia custam a acreditar que as falhas de memória e as perdas parciais de movimento de pernas e da visão sejam resultado do uso dos venenos. Para desafiar as constatações científicas, um vizinho chegou a mergulhar em um tambor “temperado”. Não satisfeito, continua levando os filhos ao trabalho na roça. Uma das filhas de Lídia, submetida à mesma rotina quando a família não sabia dos efeitos nocivos do agrotóxico, teve extraída parte do aparelho urinário.

Empresas

O Ministério Público do Trabalho avalia que as empresas devem ser culpadas pelos danos provocados por defensivos agrícolas. Sem ingressar nos pormenores dos contratos estabelecidos entre fumageiras e fumicultores, tema que será abordado na próxima reportagem da série, os agricultores utilizam os produtos e as quantidades entregues pelas empresas. “Os engenheiros agrônomos são contratados pela própria empresa, o que configura conflito de interesses. As empresas exigem não apenas a quantidade, mas a marca do agrotóxico”, assinala a procuradora Margaret Ramos de Carvalho. Na safra 2010/11, o uso do Gamit 500 rendeu dores de cabeça aos produtores de orgânicos de São João do Triunfo (leia quadro abaixo).

“Pude perceber que tinha problema de saúde quando deixei de produzir fumo químico. Sentia dor de cabeça, tontura, mas não sabia que era o agrotóxico”, recorda Anderson Sviech, um produtor de Palmeira, a 80 quilômetros de Curitiba. Um embaço nos olhos, muitas vezes, é interpretado como conjuntivite. Perda de apetite e irritabilidade são outros sintomas subestimados. O uso dos equipamentos de proteção individual, os chamados EPIs, é uma questão à parte. “A indústria quer falar que foi o produtor que não usou, mas mesmo usando não protege. Quando se está aspergindo, o veneno passa, não tem como”, reclama Paulo Perna, da Universidade Federal do Paraná.

Outra argumentação das fumageiras é de que os trabalhadores não cumprem o chamado “prazo de carência” após a aplicação do agrotóxico, ou seja, não ficam distantes da plantação tempo suficiente para que o veneno se dissipe. O problema, como se sabe, é que as propriedades são muito pequenas e as plantações ficam logo ao lado das residências.

Folha verde

A parede do paiol de Evaldo Gross, de 47 anos, mostra que ele sabe os efeitos dos agrotóxicos: alguns cartazes fornecidos pela fumageira indicam quais EPIs devem ser utilizados em cada fase da lavoura. No entanto, a colheita ocorre em pleno verão, e Evaldo se queixa que a roupa de proteção acaba queimando a pele. O resultado do contato direto com a planta é a chamada “doença da folha verde” do tabaco. Trata-se da manifestação de uma série de sintomas causados pelo contato com a folha molhada, que libera nicotina. “Quando chega a tarde, começa a dar moleza nas pernas, dá ânsia. Um mal-estar tremendo. E não tem remédio, tem de esperar passar. Te trava o sono, atravessa a noite sem dormir”, afirma Evaldo. Ao fim de um dia de trabalho na época de colheita, um produtor fica exposto a 54 miligramas de nicotina, o equivalente a 36 cigarros.

Apesar dos problemas, os fumicultores têm poucas alternativas para mudar a produção. É comum ouvir que a renda vem em primeiro lugar, a saúde em segundo, e o resto depois. Lídia, mesmo com as limitações provocadas pelos agrotóxicos, sentia-se obrigada a seguir cultivando fumo para ter um sustento. Só parou porque, após a constatação da intoxicação crônica, nenhuma fumageira quis manter vínculos com a agricultora. Sem alternativas economicamente viáveis para uma propriedade de oito hectares, ela e a família se preparam para engrossar uma área urbana.

Em São João, o triunfo é do agrotóxico

São João do Triunfo é uma pequena e montanhosa cidade, vizinha de Palmeira e uma das grandesprodutoras de fumo. Há bairros inteiros que vivem em torno da fumicultura. Azar dos vizinhos. Em março deste ano, um grupo de agricultores autointitulado Coletivo Triunfo divulgou uma carta na qual se queixa que as propriedades responsáveis pela produção de alimentos sofreram contaminação por agrotóxicos.

Eles contam que o problema se agravou este ano e acusam as empresas de ter receitado aos fumicultores o Gamit 500, herbicida proibido pela Secretaria de Agricultura do Paraná. A recomendação da bula das variações de Gamit permitidas no estado é de que se mantenha uma distância de 800 metros em relação a lavouras de milho e girassol, hortas e pomares.

Como isso não ocorreu, os agricultores denunciam a morte de pássaros e plantas, além de problemas de saúde em algumas famílias. Silvestre de Oliveira Santos, um senhor corpulento de Fernandes Pinheiro, cidade colada a São João, trabalha com a possibilidade de ruir os esforços empreendidos na certificação de seus produtos orgânicos, uma medida que abriria novos mercados e renderia melhor remuneração. “A gente estava há dez anos trabalhando nisso. Trabalhando em organização e avaliação”, lamenta.

Ele conta que na época em que o vizinho aplicou Gamit, as plantas amarelaram e as frutas caíram. Agora, acredita que boa parte da plantação vai acabar secando. “Se vier aplicar Gamit de novo, temos que tomar providência. Se não aplicar, pode plantar o que quiser aqui do lado, não tem problema.”

Fonte: http://www.ecoagencia.com.br/?open=noticias&id=VZlSXRVVONlYHZEUTxmWhN2aKVVVB1TP

O nome é diferente, mas o plástico é o mesmo

Será que o plástico feito com material vegetal é melhor? Em março, a Pepsi divulgou para a imprensa “a primeira garrafa feita 100% a base de plantas, uma garrafa PET feita com fontes renováveis”. Em seguida, a Coca devolveu: “Odwalla, do grupo Coca-Cola é a primeira indústria a comercializar embalagens feitas 100% a base de plantas”.

As manchetes seguintes foram ainda mais fortes: “Garrafas da Pepsi: agora sem plástico” (Christian Science Monitor), “Pepsi pressiona mercado com garrafas feitas a base de plantas, uma garrafa 100% sem plástico” (GreenBiz), “Coca-Cola está desenvolvendo garrafas de plástico reciclado e materiais vegetais” (Guardian).

No mês passado a Coca-Cola lançou um comercial para sua água mineral Dasani argumentando que a embalagem feita com material vegetal foi desenvolvida para “fazer a diferença”.

Mas, apesar de todo o barulho, as garrafas a base de plantas ainda resultam no velho e conhecido plástico. As empresas simplesmente substituíram combustíveis fósseis (como o petróleo e o gás natural) pelo etanol. E embora o etanol seja renovável e fonte de baixa emissão de carbono, o plástico resultante é quimicamente idêntico ao PET (polietileno tereftalato) ou ao PEAD (polietileno de alta densidade), materiais comumente usados na fabricação de garrafas plásticas. E, uma vez que o material vegetal se torna plástico, eles causam os mesmos impactos ambientais que um plástico feito de combustível fóssil.

Ou seja, como não são biodegradáveis, poluem os oceanos e o solo e ainda contaminam os alimentos com químicos que migram da embalagem para o conteúdo interno. “Eles estão simplesmente utilizando plantas para fazer os mesmos polímeros que se encontram em plásticos. Isso não tem efeito nenhum para o meio ambiente”, explica Marcus Eriksen, um dos criadores da 5 Gyres, entidade que estuda a poluição de plástico em áreas como a grande mancha de lixo do Oceano Pacífico.

Eriksen e sua equipe acabam de explorar as cinco maiores correntes do mundo onde o plástico se acumula. Eles acharam plástico se acumulando em várias das ilhas pesquisadas e no estômago de pássaros e peixes mortos que consumiram plástico, pensando se tratar de pequenos peixes ou algas marinhas.

O plástico feito a base de plantas (ou não) prejudica a saúde de humanos da mesma forma. Os perigos de aditivos químicos normalmente usados em sua produção – como ftalatos e bisfenol A – têm sido amplamente divulgados: os dois já foram associados à obesidade, autismo e várias formas de câncer.

“Algumas formulas de bioplásticos usam os mesmos tipos de aditivos que os plásticos feitos com petróleo ou gás natural”, reconhece Melissa Hockstad, vice presidente da SPE (The Society of the Plastics Industry), uma associação de indústrias de plástico dos Estados Unidos. “Algumas empresas estão trabalhando para conseguir alternativas” diz Hockstad. A dúvida é: se as empresas “estão trabalhando no desenvolvimento”, esses bioaditivos ainda não existem

Fonte: http://www.ecoagencia.com.br/?open=noticias&id=VZlSXRFWwJlUspFWTxmWhN2aKVVVB1TP

Agricultor contaminado com grandes quantidades de agrotóxico

Cientistas de Leipzig descobriram teores elevados do herbicida glifosato em um fazendeiro da Saxônia. A quantidade encontrada é mil vezes superior à média de outras amostras, afirmou a veterinária e microbiologista Monika Krueger, da Universidade de Leipzig, para a revista Exakt, da rede MDR de notícias. A professora Monika Krueger considera que os índices encontrados na urina do agricultor são preocupantes.

O glifosato é o herbicida mais utilizado mundialmente no controle de ervas daninhas. Milhares de toneladas são pulverizadas nos campos, só na Alemanha. Organizações ambientalistas vêm alertando há anos para potenciais problemas de saúde provocados pelo glifosato e seus aditivos. A consultora de Preservação Ambiental e Transgênicos da NABU (Sociedade de Preservação Ambiental da Alemanha), Steffi Ober, avalia o uso do glifosato como sendo uma espécie de “teste cego em toda a população.”

Especialistas suspeitam que o envenenamento com glifosato abre um perigoso caminho para bactérias causadoras de botulismo; bactérias que normalmente não prejudicam seres humanos saudáveis. O referido agricultor, no caso, vem sofrendo há algum tempo intensos distúrbios nervosos (causados pela toxina de uma bactéria, Clostridium botulinum).

Os sintomas do agricultor agora podem ser esclarecidos como sendo decorrentes de uma intoxicação causada pela toxina botulínica simultânea à contaminação com glifosato. Segundo a Prof. Monika Krüger “Esta é nossa primeira hipótese: de que se trata de um efeito resultante da ação do glifosato.” Os cientistas agora estão analisando mais pessoas com relação a possíveis efeitos do herbicida.

Fonte: http://www.ecoagencia.com.br/?open=noticias&id=VZlSXRFWwJlUsRmdXxmWhN2aKVVVB1TP

ONU discute impactos de pesticidas em crianças na agricultura

As Nações Unidas lançaram um alerta sobre os riscos causados por pesticidas a crianças que trabalham em lavouras. A Organização da ONU para Agricultura e Alimentação, FAO, e a Organização Internacional do Trabalho, OIT, discutiram o tema durante a 5ª. Conferência das Partes de Roterdã, sobre substâncias químicas nocivas. O evento termina nesta sexta-feira, em Genebra.

Segundo as Nações Unidas, cerca de 68 milhões trabalham na agricultura. Atividades do setor estão entre as três mais perigosas para qualquer pessoa em termos de acidentes de trabalho fatais ou não. E para as crianças, os riscos são ainda maiores.
A especialista em crianças trabalhando na agricultura da OIT, Paola Termine, contou que elas têm uma tolerância mais baixa às substâncias tóxicas, já que respiram, comem e bebem de forma proporcional ao peso do corpo.

Termine alertou que a exposição a produtos químicos perigosos e pesticidas pode afetar o desenvolvimento físico e neurológico das crianças, que têm menos noção sobre situações de risco. A contaminação pode ocorrer quando as crianças pulverizam as plantações, ou até mesmo indireta quando mães trabalham nos campos carregando seus bebês nas costas.

A Convenção de Roterdã, criada em 1998, entrou em vigor seis anos depois. O objetivo é estabelecer o “direito de saber” e proteger a saúde humana e o meio ambiente dos riscos da exposição aos pesticidas e produtos químicos nocivos.

Fonte: http://www.ecoagencia.com.br/?open=noticias&id=VZlSXRlVONlUsRmdXxmWhN2aKVVVB1TP

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Intoxicação infantil: como evitar

Principal causa de internação de crianças, a intoxicação ainda é um dos motivos que mais preocupam os pais e profissionais da saúde infantil. De acordo com uma pesquisa do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), crianças menores de 5 anos representam 35% dos casos de intoxicação por medicamentos, no Brasil.

 
INTOXICAÇÃO

 
É causada pela ingestão de medicamentos e substâncias tóxicas ou venenosas, além da intoxicação alimentar e também pelo contato com animais peçonhentos. As principais ocorrências de intoxicação são acidentais, pois a criança é atraída pela caixinha do medicamento colorido ou pelas embalagens do produto de limpeza, por exemplo,e isso aguça a curiosidade dela, que vai querer mexer e até tomar.

 
O pediatra Sérgio Sarrubo, diretor do hospital estadual Darcy Vargas, unidade de referência em atendimento infantil em São Paulo, enfatiza que os medicamentos são ingeridos por crianças que os encontram em local de fácil acesso,deixados pelo adulto. Guardar medicamentos em locais inadequados pode exercer atração visual nas crianças, o que as deixa mais exposta a esse tipo de acidente, afirma.

 
MEDIDAS PREVENTIVAS

  •  Mantenha todos os produtos tóxicos em local seguro e trancado, fora do alcance das mãos e dos olhos das crianças, de modo a não despertar sua curiosidade;
  • Pílulas coloridas, embalagens e garrafas bonitas, brilhantes e atraentes, odor e sabor adocicados despertam a atenção e a curiosidade natural das crianças; não estimule essa curiosidade;
  • É importante que a criança aprenda que remédio não é bala, doce ou refresco; quando sozinha, ela poderá ingerir o medicamento.
  • Lembre-se: remédio é remédio;
  • Evite tomar remédio na frente das crianças;
  • Não dê remédio no escuro para que não haja trocas perigosas e mantenha sempre os medicamentos nas embalagens originais;
  • Cuidado com remédios de uso infantil e de adulto com embalagens muito parecidas;
  • Guarde produtos de limpeza longe dos alimentos;
  • Antes de jogar fora uma embalagem, despeje todo o conteúdo na pia ou vaso sanitário;
  • Jogue fora os remédios vencidos
  • Não reutilize embalagens de produtos tóxicos

 
COMO IDENTIFICAR UMA CRIANÇA VÍTIMA DE INTOXICAÇÃO

 
Segundo o pediatra, muitas vezes os pais pegam a criança no flagrante e então é possível identificar o que foi tomado e a quantidade para explicar ao médico. Tenha sempre em mente o pronto socorro mais próximo de onde vocês está, alerta Dr. Sérgio. Vá imediatamente a uma unidade básica de saúde e leve a embalagem do produto.

 
Os tipos de medicamentos que mais causam ocorrências de intoxicação infantil são os psicotrópicos e anti-convulsivos. O pediatra esclarece sobre os sintomas que esses remédios provocam. Se a criança está com comportamento estranho, com sonolência ou prostração, não recorre à estímulos, com baixa coordenação motora e os sintomas não estão acompanhados de febre, então existe a suspeita de que ela possa ter ingerido algo, esclarece.

 
Mas o principal alerta está para a forma de socorro. As pessoas não sabem como socorrer em emergência, lembra Sérgio. Para os pais, é ainda mais importante saber qual é a unidade de atendimentohospitalar mais próxima e estar preparado para ir até lá comoem casos de intoxicação.

 
Em caso de dúvida, também é possível ligar gratuitamente para o Centro de Intoxicações da sua região, que oferece orientação em caso de emergência infantil provocado por exposição à intoxicação e envenenamento. Veja alguns telefones abaixo:

 
São Paulo – CEATOX/SP 0800.148.110

 
São Paulo – CCI/SP 0800.771.3733

 
Porto Alegre – CIT/RS 0800.780.200

 
Curitiba – CIT/PR 0800.410.148

 
Salvador – CIAVE/BA 0800.284.4343

 
Florianópolis – CIT/SC 0800.643.5252

Fonte: http://institutohealtho.wordpress.com/2011/06/10/intoxicacao-infantil-como-evitar/

Asma x nutrição

A asma é uma inflamação crônica dos das vias respiratórias que causa grande desconforto. Também conhecida como bronquite asmática ou bronquite crônica, ela atinge cerca de 10% da população brasileira, segundo dados da Associação Brasileira de Asmáticos ABRA.

No entanto, a maioria dos asmáticos desconhece o poder dos alimentos no tratamento da doença.

Segundo a nutricionista Fernanda Nunes, especialista em nutrição funcional, a maioria das pessoas que sofrem de asma não costumam seguir nenhuma dieta específica. Mas, em alguns casos, alimentos como o leite, nozes, ovos, peixes, comidas que levam conservantes ou são coloridas artificialmente podem piorar o quadro e agravar as crises, ela adverte.

A nutricionista explica que, para essas pessoas, é importante introduzir as vitamina C e E na alimentação. Esses componentes vão diretamente para os pulmões e ajudam no combate às doenças respiratórias, diz. Você encontra a vitamina C nas frutas cítricas, brócolis, abóbora, manga, morango, pimentões e couve, entre outros. Quando for escolher os alimentos, prefira os de cor mais forte, pois são os que contêm maior quantidade de vitamina C, a nutricionista recomenda.

Já a vitamina E pode ser encontrada em alguns tipos de óleo, no gérmen de trigo, em massas, grãos integrais e em sementes como a de girassol. Inclua também a cebola e a cebolinha, ricas em enxofre, substância que ajuda a reduzir a inflamação.

Outro nutriente que não pode faltar na dieta de quem sofre com a asma é o ômega-3, encontrado em peixes como o salmão e a cavala, em castanhas e óleos vegetais. A nutricionista explica que esse tipo de ácido graxo ajuda a reduzir o dano nos tecidos afetados pela doença. Fernanda fala ainda sobre dois outros componentes: o selênio e o magnésio.

O selênio, usado para reduzir efeitos inflamatórios, é encontrado em grande quantidade na castanha-do-Pará, mas, segundo Fernanda, não é aí que os doentes de asma devem busca-lo. Como as castanhas e nozes podem provocar alergias, ela recomenda evita-las. A carne de frango e os frutos do mar também contêm esse mineral, explica. Já o magnésio ajuda a fazer com que mais ar circule nas vias respiratórias. Você o encontra na soja, nas ostras, no espinafre e em peixes como a cavala e o linguado.

Fonte: http://institutohealtho.wordpress.com/2011/06/18/alimentos-para-quem-sofre-de-asma/

Ciatalgia

Muita gente só descobre que este nervo existe quando ele reclama e provoca dores insuportáveis. Para que elas não façam parte da sua vida, saiba mais sobre o ciático, descubra as causas da dor e as boas maneiras para dar um adeus a elas.

Engana-se quem pensa que as temidas dores no nervo ciático são sintomas de velhice. Há algum tempo, isso era mesmo verdade. Mas hoje em dia cada vez mais jovens sofrem com a dolorida irritação desse nervo. E isso graças, em grande parte, aos maus hábitos rotineiros, como uma postura incorreta e a prática de esportes de maneira inadequada (sem um aquecimento prévio, por exemplo).

“Entre os motivos que levam os jovens a sofrerem com as dores ciáticas estão o hábito de passar muitas horas em uma mesma posição e o sedentarismo generalizado, assim como a sobrecarga física e emocional, que é tão comum hoje em dia”, avalia a fisioterapeuta Fernanda Ferrareze, especialista em acupuntura e em RPG. Segundo ela, a incidência do problema, que antes era maior aos 40 anos, hoje se concentra já por volta das 30 primaveras.

O fisioterapeuta Aya Nawa, especializado em shiatsu, explica que a sensação tão indesejada de dor ciática, apesar de bastante comum e normalmente associada aos maus-hábitos posturais, merece uma análise extremamente cuidadosa, já que pode representar problemas mais sérios. “Muitas vezes, o desconforto é um caso de lombalgia (dor na região lombar), que pode estar acompanhada de inflamação ou outra anormalidade relacionada ao nervo ciático, que passa nessa região”, diz ele.

No entanto, a reclamação pode representar também um caso de hérnia de disco, o que requer o cuidado de um médico tradicional, já que pode ser necessário até mesmo passar por uma cirurgia corretiva.

A sensação da dor ciática pode ser de formigamento na perna, associado a dores que lembram facadas na região lombar. Ela percorre os membros inferiores e pode se manifestar apenas em uma, como acontece na maioria das vezes, ou em ambas as pernas. É uma dor bastante chata, descrita por quem a sente como “um formigamento pulsante que irradia até o pé

O ciático é formado por raízes que saem da região lombar e formam um grande nervo, que percorre o quadril e a parte posterior da coxa. É muito importante para o corpo e para os movimentos humanos, pois é ele o responsável pela inervação da perna (o músculo não trabalha sem inervação). É o nervo ciático o responsável por enviar aos neurônios a informação de que a musculatura desse membro deve agir.

O que causa a dor, de acordo com Nawa, é a contração muscular. Quando o paciente chega com tensão nesta área, é feita a massagem. “Ao massagear o músculo que apresenta desconforto, aumentamos a circulação no local, o que faz com que ele relaxe”, explica.

Logo de cara, o especialista faz um levantamento do histórico do paciente e às vezes descobre que o problema pode ser até mesmo psicossomático. “A contratura muscular pode ser emocional, uma representação física da tensão psicológica acumulada no dia a dia”, explica Fernanda. Nesses casos, a massagem também é muito benéfica.

Quando a dor é muito intensa, não há outra alternativa a não ser procurar um médico imediatamente. Mas, quando o nervo causa apenas aquele desconforto irritante, fazer alongamentos básicos pode ser eficiente – e isso sem sair de casa. O fisioterapeuta Aya Nawa recomenda alongar suavemente as costas, movimentando de forma cuidadosa a área do foco da dor.

Outra ideia é utilizar os fundamentos da reflexologia, que associa pontos específicos nos pés a todas as partes do corpo, para aliviar a dor. “No entanto, é essencial ter um conhecimento prévio desta prática. Antes de tudo, deve-se consultar um especialista”, recomenda Fernanda Ferrareze. Ela lembra, no entanto, que não é recomendado massagear a saída do nervo, localizada na base da coluna.

A especialista em shiatsu e acupuntura Mariko Sato, diretora da clínica Shiozawa Shiatsu, ensina que a utilização de compressas e bolsas de água quente na região dolorida podem ajudar, também, a acalmá-la. Ainda, automassagear a região do tornozelo pode surtir resultados. “Encontramos ali um ponto mais sensível, que dói ao toque. É esse ponto que corresponde à dor no nervo ciático. Pressionando-o o máximo que conseguir, você alivia consideravelmente a dor lombar”, recomenda ela

Para aliviar as dores ciáticas, o massoterapeuta e acupunturista William Yoji Miwa lança mão de movimentos de diferentes técnicas, tradicionais e modernas, numa mesma sessão. Além do shiatsu, ele utiliza, entre outras práticas, o trigger point, a acupuntura e o spiral tape. Pode ser utilizado, também, o tui-na, que consiste na pressão e no deslizamento das mãos nos pontos da acupuntura, principalmente nas extremidades do corpo. Portanto, não há qualquer motivo para ficar sofrendo com esse desconforto. Se sentir dor, procure na hora um especialista – as possibilidades são várias.

Fonte: http://www.triada.com.br/bem-estar-e-saude/bem-estar-e-saude/aq169-181-451-4-elimine-as-dores-no-nervo-ciatico.html#anc-pagina

Salsa pode combater as doenças do coração

É notícia boa. E vem das universidades brasileiras: sabores variados e saúde em dia têm tudo a ver. Os pesquisadores não precisaram ir longe para encontrar as primeiras pistas. Salsa batidinha por cima do salpicão, do arroz de forno. Eu uso salsa para tudo, porque ela também faz bem para o coração”, diz a aposentada Dirce Corrêa.

No Mercadão de Madureira, na Zona Norte do Rio, o conhecimento é passado de geração em geração. Dona Dirce, dona Olinda, dona Célia, dona Fátima: vidas inteiras dedicadas às ervas brasileiras.

“A salsa serve para tempero e serve para os rins. O chá é um santo remédio para expelir pedras dos rins”, afirma a feirante Fátima Barros.

Que a salsa era boa para os rins, a ciência já sabia. Mas uma pesquisa com moradores do estado do Rio surpreendeu os especialistas do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O farmacêutico Douglas Chaves descobriu o que estava na boca do povo: a salsa, além de diurética, afina o sangue.

“Nós observamos que a população utiliza essa espécie para fins medicinais e, principalmente, para o afinamento do sangue”, conta o farmacêutico.

Será? O jeito foi pesquisar. “Fazemos um processo de extração das substâncias da salsinha através do cozimento da planta realizado sob um aquecimento”, explica o farmacêutico Douglas Chaves.

A pesquisa trouxe uma descoberta sensacional: o tempero mais comum da mesa brasileira pode combater um dos males mais comuns da Humanidade: as doenças cardiovasculares, que atingem hoje 30% da população em todo o mundo.

Os pesquisadores ainda procuram algumas respostas. Qual é a quantidade necessária de salsa para prevenir as doenças circulatórias na população em geral e qual é a dosagem que pode funcionar como remédio para os pacientes com trombose? Na busca das repostas, eles já chegaram a algumas conclusões animadoras.

Componentes químicos da salsa agem na circulação. Eles impedem a formação de trombos, coágulos que podem entupir os vasos e causar derrames.

Flávia faz uma demonstração. Uma amostra de plasma que não teve contato com a salsa fica gelatinosa depois da coagulação. Enquanto isso, o plasma sanguíneo que teve contato com a salsa permanece líquido por um longo tempo. Isso mostra que a salsa inibe a formação dos coágulos. A salsa só deve ser evitada pelas mulheres grávidas, pois pode provocar sangramentos.

“No fundo, nossas avós estavam certas. Estamos mostrando que, realmente, a salsa 'afina' o sangue, serve para melhorar a circulação e prevenir a formação de trombos”, diz a bioquímica Russolina Zingali.

Com as novas descobertas, a salsinha, que todos conhecemos tão bem, pode virar um grande remédio.

“Uma pílula de salsa”, adianta Russolina Zingali.

Eles são muito fáceis de achar, estão em todas as feiras, em qualquer mercado. Afinal, não dá para cozinhar sem os temperos. E o melhor: são baratos. Mas nem sempre foi assim. As especiarias já foram muito cobiçadas. E, acredite, elas tiveram o peso cotado em ouro. Era o tempo dos descobrimentos, e os temperos serviam para conservar os alimentos. Hoje, mais do que nunca, a ciência confirma o imenso valor das especiarias.

E na raiz de todas essas descobertas está a sabedoria popular.

A feirante Olinda Ribeiro Costa é uma apaixonada por temperos. Na feira, ela contou que tem em casa um cantinho com tudo de que precisa.

“Fica no terraço. É um pedacinho que eu adoro”, diz.

No alto, protegido do sol pela caixa d'água, está o cantinho de saúde de dona Olinda. Tem um pouco de tudo.

“É muito bom chegar e pegar um galhinho”, diz dona Olinda.

E, como sempre, as dicas do uso dos temperos para a saúde vão surgindo.

“O alecrim é bom para resfriado porque é expectorante”, explica dona Olinda.

Alecrim contra gripe? E não é que dona Olinda tem toda a razão? A comprovação é feita por uma das melhores universidades do país, a Universidade de São Paulo (USP). A Faculdade de Ciências Farmacêuticas estuda os temperos há mais de 20 anos. E uma das conclusões mais recentes é que o alecrim combate o vírus da gripe. O trabalho foi feito em conjunto com o Instituto Butantã.

“Nós estudamos o vírus da gripe, que é o influenza, e observamos que os extratos do alecrim diminuem a replicação viral”, conta o cientista em alimentos da USP Jorge Mancini Filho.

Tudo na cozinha de dona Olinda leva um pouco de verde. No frango, vai sálvia, alfavaca e alecrim. Mas os poderes dessa planta tão cheirosa não param aí. Em testes com animais, a nutricionista da USP Ana Mara Silva descobriu outras qualidades do alecrim: um remédio poderoso contra as complicações de saúde dos diabéticos.

“Pelos resultados, reduziu o colesterol total, os triglicerídios – que são todas as gorduras, que no diabetes estão muito envolvidas com as doenças do coração”, explica Ana Mara Silva.

No mesmo experimento, o extrato de alecrim preveniu a catarata, as doenças nos rins e na retina, que são comuns nos diabéticos. É por isso que o experiente professor Mancini põe o alecrim no topo da lista de temperos indispensáveis na nossa mesa. “O alecrim é considerado a especiaria, associada a todo o conjunto de outros vegetais, com maior atividade antioxidante. É o campeoníssimo”, afirma.

Todos têm antioxidantes, compostos químicos que combatem os radicais livres, aquelas substâncias que provocam o envelhecimento do corpo.

As descobertas no Mercadão de Madureira, no Rio de Janeiro, não terminaram. A feirante Fátima Barros conta que a mãe, a feirante Célia Diniz da Costa, de 78 anos, criou uma mistura poderosa. Dona Célia, que tem sérios problemas de circulação, diz que se mantém em pé, trabalhando, por causa das ervas que usa em chás e na comida.

Dona Fátima revela os ingredientes do tempero de dona Célia: “Hortelã-pimenta, alfavaca, sálvia, manjerona, aipo, que é o salsão, alho-poró, manjericão e hortelã comum. É o tempero da vovó. Ela usa para temperar frango, carne, arroz, feijão. Lá em casa tudo é feito com isso. É muito difícil alguém ficar gripado”.

O Globo Repórter foi conhecer o segredo do tempero de dona Célia. Na cozinha, todos os temperos são bem lavados. Primeiro, elas põem um pouco de óleo e quatro cabeças de alho. Depois, vão acrescentando os maços de temperos, um a um: hortelã, hortelã-pimenta, sálvia, alfavaca, manjerona, alho-poró e aipo. Para completar, cebola e pimentão vermelho, para dar cor.

“Esse trabalho vale a pena porque gastamos menos horas descascando alho e socando cebola, essa lenga-lenga toda. Já fica tempero para toda a família”, conta dona Célia.

A mistura ainda leva sal. Depois de pronto, o tempero é distribuído em potinhos para toda a família.

“É um potinho para cada um”, diz dona Fátima.

Que é gostoso, ninguém duvida. Mas e os benefícios para a saúde? De Madureira para a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O potinho da vovó Célia chegou longe. A professora Gláucia Pastore é uma grande conhecedora dos poderes dos alimentos. Ela fica animada com a riqueza da mistura de dona Célia e destaca as suas propriedades: as vitaminas do Complexo B, as fibras, os antioxidantes.

“Consumindo esse tipo de tempero, a pessoa ganha a manutenção da saúde, mais reforço, mais defesa para enfrentar os diversos sistemas invasivos, microorganismos, doenças contagiosas, infectocontagiosas. A pessoa vai estar mais defendida”, explica a cientista em alimentos.

A professora Gláucia Pastore diz que as qualidades de cada tempero são reforçadas com a mistura. E confirma: dona Célia tem razão quando diz que o tempero ajuda a manter a saúde da família.

Gláucia Pastore revela os temperos que não podem faltar na cozinha brasileira: alho, cebola, alho-poró, sálvia e hortelã. E dá uma última dica: “Geralmente, quando se trata de compostos bioativos, mais importante que a dose é a constância. Então, não importa muito se essa dose não é tão igual entre os dias. O importante é que todos os dias se faça uso um pouquinho”.

Fonte: http://g1.globo.com/globoreporter/0,,MUL1021377-16619,00-SALSA+PODE+COMBATER+AS+DOENCAS+DO+CORACAO.html

Entrevista com o Urologista Miguel Srougi (dicas para prevenção de câncer de próstata)

O urologista, que cuida da saúde do "PIB" brasileiro, fala sobre os principais temores masculinos, como problemas na próstata, disfunções sexuais e decadência física. Não tem nem o que questionar: quando se fala em urologia, e principalmente em saúde masculina, primeiro nome da agenda e da confiança dos principais políticos, empresários e brasileiros em geral é o do médico Miguel Srougi. Considerado o número 1 do Brasil em Cirurgias de câncer de próstata ( já realizou 2.900), atende em seu consultório gente como o presidente Lula, José Alencar, José Serra , Geraldo Alckmin, Joseph Safra, Lázaro Brandão, Abílio Diniz e Antônio Ermírio de Moraes, entre outros pesos pesados.

Professor titular de urologia da Faculdade de Medicina da USP, pós-graduado pela Harvard Medical School, em Boston, nos Estados Unidos, 35 anos de carreira, uma dezena de livros publicados e outra centena de artigos espalhados mundo afora, Srougi tem a simplicidade daqueles que muito sabem, pouco ostentam e continuam lutando. Ele se dedica integralmente ao que faz - trabalha todos os dias, das 7 da manhã às 10 da noite -, abriu mão da vida pessoal - é casado, pai de dois filhos - e não tem receio de dizer que se envolve demais com seus pacientes. "Sofro muito e esse sofrimento é um dos fatores de sucesso da minha carreira, porque acabo me entregando mais aos doentes." Embora viva intensamente entre os limites das dores da perda e alegrias dos resgates da vida, Srougi, aos 60 anos, se abastece lecionando na Faculdade de Medicina, "uma de minhas razões existenciais".


No ano passado inaugurou um moderno centro de ensino e pesquisa para seus alunos, garimpando verbas junto aos seus pacientes poderosos. A sala ganhou o nome de Vicky Safra, mulher de Joseph Safra - em homenagem ao banqueiro que doou a maior parte dos recursos.

Nesta entrevista, o maior especialista em câncer de próstata do país afirma que "todo homem nasce programado para ter a doença" e que, se viver até os 100 anos, inevitavelmente vai contraí-la.
Fala ainda sobre medos, fantasmas masculinos, impotência, novos tratamentos e seus sonhos pessoais. E conta por que trocou o Hospital Sírio-Libanês pelo Oswaldo Cruz depois de 30 anos. A seguir, os principais trechos.


ASSOMBROS MASCULINOS

Os homens têm uma certa sensação de invulnerabilidade - isso faz parte da cabeça deles. Passam boa parte da sua vida livre de todos os incômodos que a mulher tem, fazendo com que relaxem mais com a sua saúde. Com o passar dos anos, começam a perceber a sua vulnerabilidade e passam a dar um pouco mais de valor aos cuidados médicos. O que mais os atemoriza hoje? Problemas com a próstata, disfunções sexuais e a decadência física, que mexe muito com a cabeça das mulheres, mas também com a deles. As mulheres pautam muito a vida em função da beleza e os homens, da força, da virilidade, da capacidade de agir, raciocinar. E na hora em que surgem falhas nessas áreas, ele percebe que, talvez, não seja aquele ser imortal que achava que fosse.

ENVELHECIMENTO

Há dois profundos temores hoje nos homens: o primeiro é o crescimento benigno da próstata, um fenômeno que ocorre em praticamente todos eles: ela aumenta de tamanho depois dos 40 anos e, dessa forma, o canal da uretra fica ocluído. Isso faz com que o homem comece a urinar sucessivas vezes, a não ficar em uma reunião prolongada, tem de levantar à noite, prejudica o sono, acorda mal, pode ter descontroles de urina. O crescimento benigno é quase inexorável: todos os homens vão ter em maior ou menor grau - felizmente, apenas um terço, 30%, tem sintomas mais significativos que exigem apoio médico. Nesses casos, há medicações que desobstruem parcialmente a uretra e fazem o indivíduo urinar e viver melhor; apenas de 4% a 5% dos homens têm de fazer uma cirurgia para desobstruir a uretra por causa desse crescimento benigno. Essa é uma cirurgia, que se faz com segurança e sem os inconvenientes de uma cirurgia maior nos casos de câncer. Ela remove apenas o fator obstrutivo, o homem passa a viver melhor e sem nenhuma seqüela. Esse crescimento não tem causa conhecida, surge por um desequilíbrio hormonal no homem maduro, ou seja, as células da próstata passam a se proliferar em decorrência dos hormônios. Não tem como prevenir.
Existem algumas medidas, mas nenhuma consistente.

OBESOS E FUMANTES

Existe a idéia de que o obeso e os fumantes teriam menos crescimento benigno da próstata. O que é interessante é que a próstata seria o único lugar no organismo que eles deixam de ter todas as desvantagens, mas a realidade é meio dura: recentemente se apurou que eles são menos operados da próstata, mas não porque ela não cresce, mas pelo receio dos médicos de operá-los porque complicam mais e também porque muitas vezes não vivem o suficiente para ser operados - morrem antes.
É uma realidade perversa.

REALIDADE NUA E CRUA

O câncer na próstata adquire maior relevância porque tem uma grande prevalência: 18% dos homens - um em cada seis - manifestarão a doença. E também porque o tumor, que ocorre com muita freqüência dentro da próstata, é eliminado com sucesso em 80%, 90% dos homens. Se esse tumor não é identificado no momento certo e se expande, saindo para fora da próstata, as chances de cura caem para 30%. É um tumor muito comum e se for detectado a tempo, tem como resgatar esse paciente. Dos 18%, somente 3% morrem - a medicina consegue curar 15% dos homens, ou seja, a maioria. Mas vale dizer que todo homem nasce programado para ter câncer de próstata. Ou seja, nós temos, nas nossas células, genes que as estimulam a virar cancerosas e eles ficam bloqueados durante a nossa existência. Quando o indivíduo envelhece, esses mecanismos de bloqueio deixam de exercer o seu papel e o câncer começa a se manifestar. Com isso vai aumentando a freqüência da doença e todo homem que chegar aos 100 anos vai ter câncer de próstata.

SEM FANTASIA

O exame de toque - um dos meios de se detectar a doença - gera na cabeça dos homens fantasias negativas e receios, mas, na verdade, eles tem muito medo da dor. Tanto é que os que fazem pela primeira vez, no ano seguinte perdem o medo. Leva três ou quatro segundos e não dói. Então, um dos fatores de resistência é eliminado. Existe um segundo sentimento, que é muito forte: expressar, exteriorizar uma fraqueza se a doença for descoberta.
O homem tem pavor disso porque, de acordo com todas as idéias evolucionistas, só vão sobreviver aqueles que forem fortes. É comum você descobrir um câncer no indivíduo, e ele entrar em pânico, não pela doença, mas porque as pessoas vão descobri-la. Porque o câncer é muito relacionado com morte, decadência física, perda da independência, dependência dos outros. O homem não aceita essa idéia, e prefere fechar os olhos e enfiar a cabeça debaixo da terra a enfrentar, mostrando para o mundo e às pessoas que ele é um ser mais fraco.
Isso vai afetar a imagem dele, acha que vai perder poder sobre outras pessoas, porque ninguém obedece a um fraco, alguém que vai morrer. Isso vai contra a idéia que temos de ser mais fortes para sobreviver.

A PERFORMANCE DO ROBÔ

Estamos fazendo cirurgias com robô, que permite uma visão muito mais precisa do campo cirúrgico, elimina os tremores mão do cirurgião, permite incisões pequenas, uma operação muito mais perfeita porque os movimentos dele são muito suaves. Isso é muito novo no Brasil. Fiz o primeiro caso há dois meses, no Sírio-Libanês. E agora, o Albert Einstein tem e o Oswaldo Cruz está adquirindo. Nos Estados Unidos se faz cirurgia robótica em larga escala. Lá, o robô ganha em performance do cirurgião médio, mas ele ainda perde do habilitado. Tenho mais de 2.900 pacientes operados de câncer de próstata pessoalmente. Eu sou o terceiro cirurgião do mundo nesse quesito - só perco para dois americanos e eles estão parando de trabalhar. Apesar de ter essa grande experiência, quando comecei a operar, 35% ficavam com incontinência urinária grave. Agora são só 3%. Impotentes, todos também ficavam. Hoje, se o homem tem menos de 55 anos, a incidência é de 20% - antes era 100%.
Há também enxertos de nervos, porque a impotência se deve à remoção de dois nervos que passam perto da próstata. e nós estamos fazendo esse enxerto quando somos obrigados a retirá-los nos casos em que o tumor fica grudado. Entre os pacientes que fizeram os enxertos, metade voltou a ter ereções com o tempo.

IMPOTÊNCIA, O QUE FAZER?

Esses novos remédios para tratar a disfunção sexual contornam 1/3 da impotência, tanto após a cirurgia quanto depois da radioterapia. Se os comprimidos não atuarem, existem injeções. Há ainda próteses penianas que são muito desenvolvidas e produzem uma ereção que quase não tem nenhuma diferença em relação à normal.
Isso permite que o homem reassuma a vida sexual plenamente e que as mulheres tenham muita satisfação. Os homens ficam extremamente felizes - são hastes colocadas dentro do pênis. Não fica marca, nem cicatriz. Nos Estados Unidos, entrevistaram as mulheres sobre os homens que tinham prótese e as respostas foram positivas. Ela funciona muito bem.

ENTRE A VIDA E A MORTE

Minha vida é complexa porque eu ando um caminho muito estreito que, de um lado tem a morte e, de outro, a vida. E as minhas ações podem, com uma certa freqüência, resgatar alguém para a vida. Trilhar esse caminho é muito difícil porque, quando você se identifica com o paciente, compreende o sofrimento humano, isso cria um estado de impotência que lhe faz sofrer. Mas, por outro lado, traz momentos de alegria incontida, principalmente quando você resgata um ser para a vida, que não tem nada parecido.

ESCUTANDO MAIS, OUVINDO MENOS

Se eu listar uma série de qualidades, como, por exemplo, humildade, conhecimento técnico, dedicação ao doente, presença, coerência, sentido humanístico, desprendimento material e comunicação e perguntar qual é melhor, só tem uma resposta: comunicação. Todas as outras são importantes. O médico precisa ser humano, ter desprendimento material. A relação médico-doente não é tipo supermercado, que você dá e recebe, é algo muito superior. Ele precisa ter conhecimento técnico, precisa estar presente, gerar esperança, mas ele tem de se comunicar. É comunicação superior, não apenas saber falar. É tão significativo que explica por que há médicos brilhantes aqui no Hospital das Clínicas que conhecem tudo, e não conseguem atender a um doente porque falam bobagem na hora de se expressar. São inibidos, tímidos, não sabem dar para o doente o substrato humanístico. Ele lista 450 tabelas de números e cálculos e não sabe o que se passa pelo seu coração. Isso explica também porque tem tanto charlatão por aí - médicos mal-intencionados e não-médicos - que conseguem atender a muitos pacientes. Eles têm a comunicação. Comunicação envolve inicialmente gerar empatia no doente. É errado cumprimentar um doente e falar "como vai?". Você deve cumprimentar alguém que está com uma doença grave e falar "eu lamento que você esteja nessa situação, imagino o que está sentindo". Saber ouvir, que é diferente de escutar. A hora que você passa a ouvir, entende quais as apreensões que ele tem, elimina um pouco do sentimento de culpa, entende por que está lhe procurando e conquista a confiança. É preciso ser coerente e falar com realismo. É ilusão achar que se engana as pessoas. Falar numa dimensão maior significa gerar esperança, estimular a espiritualidade, porque um dos maiores medos é morrer e não saber o que vai acontecer depois; explicar o que vai ser a evolução dele. Também assegurar presença - ele não será abandonado.

O PAPEL DAS MULHERES

Os homens são resistentes: eles relutam muito em ir ao médico fazer um exame de próstata e só vão quando a mulher os empurra: dois terços dos pacientes no consultório de Miguel Srougi são trazidos por elas. "Ligam para marcar a consulta, os acompanham. A gente não vê mulheres jovens trazendo homens jovens para fazer exames. A gente vê mulheres maduras. Claro que o jovem não está na faixa de risco. Mas existe um outro significado da importância da mulher. Primeiro, que ela é pragmática e incentiva o marido." Mas, por que ela quer isso? "Porque quem ficou vivendo bem 30 anos e conseguiu superar todos os embates da vida conjugal é um casal que o tempo consolidou. E aí a mulher tem um sentido de preservação da família muito mais forte que o do homem. Passadas as tempestades e oscilações do relacionamento, ela não quer que o marido morra. É real. Toda vez que tenho um paciente e ofereço dois tratamentos: um que aumente a existência dele, mas vai, por exemplo, causar alguma deficiência na área sexual. E ofereço um outro tratamento, que cura menos, mas preserva melhor a parte sexual, o homem balança na decisão. A mulher nunca hesita. Ela prefere aquele que aumenta a existência, mesmo ocorrendo o risco de comprometer a vida sexual dele e do casal. Poucas vezes vi uma mulher aconselhar um tratamento que dê menos chance de vida e aumente a possibilidade de ele ficar potente. Dá para contar nos dedos. Ela quer o companheiro, quer preservar aquela pirâmide que foi construída, que é rica."

GERANDO ESPERANÇAS

O ser humano precisa ter alguma esperança, nem que sejam vislumbres. Os médicos americanos acham que são fantásticos e verdadeiros quando dizem que não tem jeito o seu caso, mas isso é não conhecer a natureza humana. É preciso mostrar que ele tem alguma chance, sim.

SOFRIMENTOS E PRIVILÉGIOS

Eu me envolvo muito com meus pacientes. Sofro muito. E esse sofrimento é um dos fatores do sucesso da minha carreira, de 35 anos. Nesse sofrimento eu acabo me entregando mais e mais aos doentes. Isso é ruim, porque não tenho vida pessoal, minha vida familiar é feita nos intervalos. Felizmente, os momentos bons prevalecem sobre os ruins. É por isso que eu sobrevivo. Um doente que coloca a cabeça no meu ombro e agradece por ter feito algo por ele, ou deixa correr uma lágrima na minha frente, me faz deletar, superar aqueles momentos em que me senti totalmente impotente. Uma das coisas importantes é o médico saber e demonstrar que a medicina não é infalível e ele não se sentir onipotente. O urologista tem um privilégio. O oncologista mexe com câncer avançado, já no fim do caminho - eu lido com o inicial. eu consigo salvar muita gente. É um privilégio para mim.

MEDO DA SEPARAÇÃO

Nós não queremos morrer. Primeiro, pela incerteza do porvir. segundo, porque a morte implica extinção e o ser humano não aceita a aniquilação. A nossa cabeça nasceu para ser imortal. A morte está relacionada com dor, sofrimento, à decadência física, à desfiguração, à perda do papel social, desamparo da família, perdas dos prazeres materiais, da independência. Mas a causa verdadeira é o nosso horror de nos separar das pessoas que amamos. Bem material não deixa ninguém feliz. Há tanta gente rica se suicidando, tomando droga para sair da realidade. Os médicos não compreendem isso. Se as pessoas têm medo de se afastar das pessoas do seu entorno, você precisa tratar o entorno também. Não é o médico que apóia o doente nas fases difíceis - é a família. Eles reagem raivosamente contra a família, querem afastá-la do processo, sem perceber que um doente só vai ter paz, tendo a morte pela frente ou não, se a família estiver ao lado.

VIVENDO NOS LIMITES

Eu sou católico, não praticante, acredito em alguma coisa depois da vida e isso me dá muita paz. Eu continuo numa luta incessante. Vivo nos limites. Nos limites do sofrimento, porque estou do lado das pessoas que sofrem. Nos limites das minhas energias, porque começo a trabalhar às 7 da manhã e vou até as 10 da noite. Trabalho na faculdade de Medicina. Tenho várias razões existenciais, uma delas é a faculdade. Aqui é a única forma de deixar marcas e mostrar que a minha passagem pela Terra não foi em vão. Aqui você planta as coisas. Cada aluno que receber esses conhecimentos, vai multiplicar o feito. Em vez de ajudar 20 pessoas que ajudo num mês, para cada aluno que eu fizer isso, serão 40, 60, 80, 320... Se eu saísse da faculdade, não iria agüentar essa carga toda de emoções, sentimentos, morte e vida. Aqui a gente conhece o que é o ser humano. Lá fora as pessoas estão todas maquiadas.

REABASTECENDO ENERGIAS

Eu simplesmente acabei com a minha vida pessoal, os meus grandes amigos mal vejo. O meu melhor amigo médico, o oncologista Sergio Simon, não encontro há quase três anos. Sábado à noite vou para uma casa de campo que tenho e fico 24 horas ouvindo música, fazendo minhas leituras, pesquisas, um pouco no computador. E controlo muito bem a alimentação, o sono e a atividade física para poder agüentar. Faço ginástica de quatro a cinco vezes por semana, tenho uma alimentação equilibrada e durmo bem. Deixo de sair com os amigos para dormir. Não gosto de dormir, mas preciso me recompor.

A SAÍDA DO SÍRIO-LIBANÊS

Os verdadeiros templos na Terra são os hospitais - não as igrejas. Nas igrejas tem muito ouro, riqueza. Aqui não, você conhece o sofrimento, o valor da existência humana. Os orgulhosos e os soberbos ficam humildes, ricos e pobres são iguais; os ruins, os autoritários e os maldosos se tornam condescendentes: eles ficam despidos, tiram a máscara; é aqui que você conhece o que é viver, que resgata para a vida, não em uma igreja qualquer,que o sujeito entra lá, reza dez minutos e sai. Ele pode até sarar, cicatrizar a sua alma. Mas aqui nós curamos a alma e o corpo. Esse é o verdadeiro templo, onde o ouro é a vida. Você entende o impacto que a desigualdade social tem sobre o ser humano, a pobreza, a falta de instrução causa doenças. Depois de 30 anos no Sirio-Libanês eu mudei para o Oswaldo Cruz. Achar que eu vou ter novas salas, três enfermeiras a mais, é brutalizar o que passou pela minha cabeça. Mudei porque não estava vendo esse lugar como um templo. Eu vivo intensamente, por isso tenho esses sentimentos.

NAS ASAS DA LIBERDADE

Você só é livre quando tem boa saúde. Ninguém fala isso. Dar saúde para uma pessoa é um pré-requisito para ela ser livre. Nesse templo, que é o hospital, nós tornamos as pessoas livres.

UM POUCO DE FILOSOFIA

A melhor forma de se transmitir as virtudes é pelo exemplo, pela coerência. Certa vez perguntaram para Sócrates como a virtude poderia ser transmitida - se pelas palavras ou conquistada pela prática. Ele não soube responder. Então, Aristóteles, depois de uns anos, respondeu: "A virtude só pode ser transmitida pela prática e por meio do exemplo". Aqui, eu posso tentar ser o exemplo. Mudando o cotidiano das pessoas, transformando a sociedade e construindo um novo mundo.

CINCO MEDIDAS PREVENTIVAS

Segundo Miguel Srougi, a prevenção ao câncer de próstata é feita de forma um pouco precária, porque não existem soluções para impedi-lo.

Na prática, há o licopeno, que é o pigmento que dá cor ao tomate, à melancia e à goiaba vermelha. "Talvez diminua em 30% a chance, mas esse dado é controvertido, por causa disso a gente incentiva os homens a comerem muito tomate, só que deve ser ingerido pós-fervura, ou seja, precisa ser molho de tomate. Não pode ser seco ou cru."

A vitamina E também reduz teoricamente os riscos em 30%, 40%. Mas, se for ingerida em grandes quantidades, produz problemas cardiovasculares. Na verdade, se o homem quiser se proteger, deve tomar uma cápsula de vitamina E por dia. Acima disso, não é recomendável.

O terceiro elemento é o Selênio, um mineral que existe na natureza e é importante para manter a estabilidade das células, impedindo que elas se degenerem, que é encontrado em grande quantidade na castanha-do-Pará. "Qualquer homem pode ingerir em cápsulas, mas se ele comer duas castanhas por dia, recebe uma certa proteção", diz o especialista.

Uma quarta medida é comer peixe, três porções por semana - rico em ômega 3 e tem uma ação anticancerígena provável.

E, uma quinta, tomar sol. "O homem que toma muito sol sintetiza na pele vitamina D, que tem forte ação anticancerígena. É por isso que os homens da Califórnia desenvolvem muito menos a doença do que os de Boston", afirma Srougi.

PACIENTES ILUSTRES

Trato todos os meus pacientes de forma igual. Se começo a tratar os mais importantes de um jeito diferente, eles dão mais trabalho. Se tratar igual, não. Até se sentem melhor com isso.

PODER vs TRANSFORMAÇÃO

O poder é a única forma de passar pela existência deixando marcas. Só com ele você consegue fazer isso. E nenhum de nós terá vivido de forma digna se não deixá-las. A minha definição de felicidade é estarmos alegres com o que somos, o que representa um continuum de bem-estar físico, mental e afetivo. É fantástica essa definição. E a gente só é feliz se estivermos circundados por pessoas felizes. E o poder nos dá um pouco dessa felicidade. Mas o grande problema é você dá-lo ao ser humano, que é altamente imperfeito - ele tem defeitos incompreensíveis para qualquer espécie - aí vira uma arma de destruição. Mas, quando se dá poder às pessoas de bem, ele se torna algo transformador.