quarta-feira, 13 de abril de 2011

Médicos americanos buscam tratar déficit de atenção sem medicação

Cerca de 2,5 milhões de crianças nos Estados Unidos usam medicamentos estimulantes para combater problemas de atenção e hiperatividade. Mas preocupações sobre os efeitos colaterais fizeram com que muitos pais procurassem por alternativas: praticamente dois terços das crianças que sofrem de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, ou TDAH, usam algum tipo de tratamento alternativo.

A estratégia mais comum implica mudanças na dieta, como o não uso de comidas processadas, açúcares e complementos alimentares. Cerca de 20% das crianças que sofrem da doença receberam algum tipo de fitoterapia; outras tentaram suplementos como vitaminas e óleo de peixe ou usaram biofeedback, massagem e ioga.

Embora alguns estudos de tratamentos alternativos pareçam promissores, existem poucos resultados sólidos para guiar os pais. O que é uma pena porque, para algumas crianças, medicamentos vendidos sob receita não são uma opção.

Os remédios mudaram a vida de muitas crianças. Mas quase um terço delas passaram por preocupantes efeitos colaterais e, em um estudo publicado em 2001 pelo Journal of the Canadian Medical Association, surge a informação de que, para mais de 10% dos usuários, os efeitos colaterais podem ser severos - incluindo diminuição de apetite e perda de peso, insônia, dor abdominal e mudanças na personalidade.

Apesar de os remédios serem em geral vistos como seguros, muitos pais ficaram alarmados quando a Food and Drug Administration (FDA, agência federal norte-americana que regulamenta alimentos e remédios) ordenou, em 2006, que estimulantes como Adderall, Ritalin e Concerta portassem alertas de risco de morte súbita, ataques cardíacos e alucinações em alguns pacientes.

E as alternativas? Na semana passada, o Journal of the American Medical Association revelou que um primeiro estudo da erva de São João mostra que ela não funcionou melhor que um placebo, para combater a TDAH. Mas o teste, com 54 crianças, durou apenas oito semanas, e até remédios vendidos sob receita podem levar até três meses para apresentar efeitos mesuráveis.

Mas a questão maior pode ser que, na medicina complementar, um tratamento raramente é usado isoladamente, fazendo com que a gama de remédios alternativos dificulte o estudo.

Tratamentos naturais podem ser benéficos, disse a principal autora do relatório, Wendy Weber, professora pesquisadora associada da escola de medicina naturopática da Universidade de Bastyr, em Kenmore, Washington. "Nós só precisamos fazer mais estudos e documentar o efeito."

Outros tratamentos herbais para o transtorno incluem equinácea, ginkgo biloba e ginseng. Não há dados confiáveis sobre a equinácea; um estudo de 2001 mostrou avanços depois de quatro semanas em crianças usando ginkgo e ginseng, mas não havia grupo de controle para fazer uma comparação.

Há mais esperança nos ácidos graxos do ômega-3, encontrados em peixes e suplementos de óleo de peixe. Um estudo publicado no ano passado pelo Pediatric Clinics of North America concluía que "crescentes provas" apoiavam o uso desses suplementos para crianças com TDAH.

Sobre as mudanças na dieta, um estudo publicado em 2007 no Lancet, publicação médica britânica, examinou o efeito de colorantes artificiais e preservantes no comportamento hiperativo de crianças.

Depois de consumir uma dieta sem aditivos por seis semanas, as crianças receberam ou uma bebida placebo ou uma contendo uma mistura de aditivos, por período de duas semanas. No grupo dos aditivos, os comportamentos hiperativos aumentaram.

O estudo fez com que muitos pediatras repensassem seu ceticismo sobre uma relação entre a dieta e a TDAH. "As descobertas gerais do estudo são claras e exigem que até mesmos nós, céticos, que há muito duvidamos de depoimentos de pais sobre os efeitos de várias comidas no comportamento de suas crianças, admitamos que podemos ter errado", declarou a edição de fevereiro da AAP Grand Rounds, uma publicação da Academia Americana de Pediatras.

Dados sobre cortes no açúcar são menos persuasivos. Vários estudos sugerem que qualquer conexão entre açúcar e hiperatividade vem da percepção dos pais, e não da realidade. Em um estudo, mães para as quais foi dito que as crianças receberam açúcar reportaram mais comportamentos hiperativos, mesmo quando a comida estava na verdade adoçada artificialmente. Mães para as quais foi dito que a criança recebeu um lanche com pouco açúcar reportaram menor incidência de problemas de comportamento em seus filhos.

Uma opção interessante é uma forma de terapia de biofeedback na qual a criança usa eletrodos na cabeça e aprende a controlar videogames exercitando as partes do cérebro relacionadas à atenção e ao foco. A pesquisa sugeriu que o método funciona tão bem quanto a medicação, e muitas crianças disseram ter gostado.

O desafio é encontrar um médico que ajude a explorar a gama de opções. Por exemplo, a melhor maneira de dizer que mudanças na dieta podem ajudar é eliminar as comidas e depois voltar a usá-las, monitorando o comportamento da criança durante esse tempo. A melhor prova pode vir de um professor que não saiba da mudança na dieta.

O Conselho de Pediatras Integrativos, em www.integrativepeds.org , tem uma lista de pediatras que oferecem tratamentos alternativos. Seu diretor, Dr. Lawrence D. Rosen, chefe de pediatria integrativa no centro médico da Universidade de Nova Jersey, diz que pais devem procurar uma abordagem holística. Mas ele adiciona que ela pode incluir remédios vendidos sob receita.

"Receito remédios, em meu consultório, e há crianças cujas vidas foram salvas por isso", ele disse. "Mas é a abordagem holística que permite tratamento muito diferente de um único remédio, uma única pílula. Estamos tratando não só das necessidades físicas e químicas das crianças, mas de toda sua saúde mental e emocional".

Tradução: Paulo Migliacci ME

Fonte: http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI2969726-EI8148,00.html

OSB: Para ler sobre a visão da prática ortomolecular sobre o TDAH veja o post:
  1. http://www.ecologiamedica.net/2010/12/deficit-de-atencao-na-visao-da-pratica.html

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