sexta-feira, 29 de abril de 2011

Triglicérides pode ser mais perigoso que colesterol para AVC

Um estudo de pesquisadores na Dinamarca mostrou que o nível de triglicérides sem jejum está relacionado a um risco maior de AVC em homens e mulheres. Já o colesterol alto esta associado a tal risco apenas entre os homens. A pesquisa, que analisou dados de 33 anos, foi publicada pelo jornal científico “Annals of Neurology”.

Evidências médicas sugerem que o alto nível de triglicérides sem jejum demonstra uma grande quantidade de fragmentos de lipoproteínas, partículas semelhantes ao LDL – conhecido como “colesterol ruim”.

Ambos contribuem para a formação de placas que podem levar ao entupimento das vias coronarianas. “Interessantemente, as guias atuais de prevenção de derrames têm recomendações quanto a níveis desejáveis de colesterol, mas não de triglicérides sem jejum”, disse a autora do artigo, Marianne Benn, do Hospital Universitário de Copenhague.

“Nosso estudo foi o primeiro a examinar o risco de derrame para níveis muito altos de triglicérides sem jejum em comparação com níveis muito altos de colesterol na população geral”, prosseguiu. Mulheres com o triglicérides em 443 mg/dL têm uma possibilidade quase 3,9 vezes maior de sofrerem um derrame, em comparação com as que tem o nível em até 89 mg/dL.

Entre os homens, com estes mesmos indicadores, o risco é 2,3 vezes maior. No entanto, quando o nível de colesterol passa de 348 mg/dL, o risco relativo sobe para 4,4. O estudo acompanhou 7.579 mulheres e 6.372 homens, todos brancos e de origem dinamarquesa. Seus dados começaram a ser coletados entre 1976 e 1978 e foram analisados ao longo de até 33 anos.

Fonte: http://www.hebron.com.br/

Gene ligado ao consumo de álcool

Uma pesquisa conduzida por um grupo internacional de dezenas de cientistas conseguiu identificar um gene que pode ter um papel importante no consumo de álcool.

O estudo é destaque na nova edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). Os pesquisadores analisaram amostras de DNA de mais de 26 mil voluntários em busca de genes que pudessem afetar o consumo de bebidas alcoólicas.

Os resultados foram comparados com dados de outras 21 mil pessoas. Os participantes disseram quando bebiam por meio de questionários. De acordo com os autores, encontrar uma variante genética que influencia os níveis de consumo de álcool pode levar a um melhor entendimento sobre os mecanismos por trás do alcoolismo.

O gene é denominado AUTS2, sigla para “candidato para suscetibilidade ao autismo número 2”. Estudos anteriores indicaram a relação do gene com o autismo e com o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade.

A nova pesquisa, liderada por cientistas do Imperial College London e do King's College London, verificou que há duas versões do AUTS2, uma três vezes mais comum do que a outra. Indivíduos com a versão menos comum do gene bebem em média 5% menos álcool do que as pessoas com a versão mais comum, apontou o estudo.

O gene se mostrou mais ativo nas regiões do cérebro associadas com mecanismos de recompensa neurofisiológicas, o que sugere que possa ter um papel importante na regulagem na resposta à ingestão de bebidas alcoólicas. Sabe-se que o consumo de álcool é parcialmente determinado geneticamente, mas até agora o único gene conhecido com contribuição significativa era um que decodifica a álcool-desidrogenase, enzima que quebra as moléculas do álcool no fígado. “Claro que há muitos fatores que afetam quanto de álcool uma pessoa bebe, mas sabemos que os genes têm um papel importante.

A diferença promovida por esse gene específico [AUTS2] é pequena, mas, ao descobrir o seu papel, abrimos uma nova área na pesquisa sobre os mecanismos biológicos que controlam a ingestão de bebidas alcoólicas”, disse Paul Elliott, da Escola de Saúde Pública do Imperial College London, um dos coordenadores da pesquisa.

“Uma vez que as pessoas bebem por motivos muito diferentes, entender o comportamento especificamente influenciado pelo gene identificado ajuda a compreender melhor as bases biológicas desses motivos. Esse é um passo importante em busca do desenvolvimento de prevenções e tratamentos individuais para o abuso de álcool e para o alcoolismo”, disse Gunter Schumann, do Instituto de Psiquiatria do King's College London, primeiro autor do artigo.

Fonte: http://www.hebron.com.br/

Componente do brócolis pode ajudar pessoas com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC)

Cientistas americanos descobriram que o sulforafano, composto encontrado nos brotos de brócolis, poderia ajudar a eliminar a bactérias que afetam os pulmões, segundo um estudo publicado na revista americana "Science Translational".

O sulforafano está presente nas verduras da família da couve e se apresenta como um possível tratamento para prevenir ou reduzir as infecções que frequentemente afetam os fumantes e os pacientes com doenças pulmonares.

Um pulmão saudável se encarrega por si mesmo de expulsar as pequenas partículas de pó, os resíduos e as bactérias estranhas que entram através do aparelho respiratório junto com o oxigênio que respiramos. No entanto, este sistema de "autolimpeza" é disfuncional nos fumantes, e as pessoas com um tipo de doença chamada enfermidade pulmonar obstrutiva crônica (Epoc) ou Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), uma grave patologia respiratória.

As duas formas mais frequentes da doença são a bronquite crônica, definida por uma tosse prolongada com muco, e o enfisema, que ajuda a deterioração dos pulmões a longo prazo. O Epoc, que afeta 24 milhões de americanos e 210 milhões de pessoas no mundo todo, é a terceira causa de morte nos Estados Unidos. O médico Shyam Biswal, do Departamento de Ciências da Saúde Ambiental da Escola Bloomberg de Saúde Pública da Universidade Johns Hopkins analisaram os macrófagos (células do sistema imunológico) dos pulmões de pacientes com a enfermidade, assim como os de ratos expostos à fumaça do cigarro.

Os pesquisadores concluíram que o tratamento com sulforafano estimula a ativação da via de sinalização celular Nrf2 tanto nas células humanas dos pulmões com Epoc quanto as dos pulmões dos ratos expostos à fumaça. A ativação da via Nrf2 restaura a capacidade dos macrófagos pulmonares para eliminar as bactérias dos pulmões, com o que uma dieta rica em sulforafano poderia ajudar aos doentes a melhorarem.

"Nossas descobertas sugerem que os macrófagos dos pulmões dos pacientes com a enfermidade têm uma falha no processo chamado fagocitose, que consiste na destruição de bactérias ou agentes nocivos para o organismo", disse Biswal.

Os pesquisadores descobriram que, ainda segundo o médico, "a ativação da via Nrf2 induzida pelo sulforafano restaurou a capacidade dos macrófagos pulmonares para se unir e combater as bactérias".

"O estudo poderá ajudar a explicar a relação entre a dieta e a doença pulmonar, e aumenta o potencial de novos enfoques para o tratamento da doença frequentemente devastadora", afirmou Robert Wise, professor de Medicina da Escola de Medicina de Johns Hopkins e co-autor da pesquisa.

Fonte: http://www.hebron.com.br/

Consumo de ômega-3 durante a gravidez reduz risco de depressão pós-parto

O consumo durante a gravidez do ácido graxo ômega-3, encontrado em peixes como o salmão, reduz o risco de depressão pós-parto, segundo um estudo de cientistas americanos.

A doutora Michelle Price Judge, da Escola de Enfermagem da Universidade de Connecticut, demonstrara previamente que o consumo durante a gravidez do ácido docosahexaenoico (DHA), um ácido graxo poli-insaturado da série ômega-3, auxilia o desenvolvimento do bebê e quis saber o efeito que poderia ter na depressão pós-parto.

 Para o novo estudo, analisou os hábitos alimentares de 52 mulheres grávidas que foram divididas em dois grupos. Metade tomou um placebo e às mulheres do outro grupo foram administrados 300 miligramas de DHA cinco dias por semana entre as semanas 24 e 40 da gravidez, uma quantidade similar à de meia porção de salmão.

Os especialistas acompanharam as mães e mediram sua situação emocional através de uma escala de depressão pós-parto realizada pela doutora Cheryl Beck, da Universidade de Connecticut e coautora do estudo.

Segundo outras pesquisas mencionadas pelos autores, aproximadamente 25% das mães padecem deste tipo de depressão, que afeta as relações familiares e tem consequências no desenvolvimento afetivo da criança.

A análise dos dados indica que as mães que fizeram parte do grupo que consumiu pescado foram menos propensas a manifestar sintomas relacionados com a ansiedade. Michelle e sua equipe assinalaram durante o Congresso de Biologia Experimental 2011, realizado em Washington, que seria necessário um estudo maior para entender o porquê e o alcance dos benefícios do ômega-3 para a saúde mental da mãe. Ainda assim, foi recomendado o consumo de peixes ricos neste tipo de ácidos graxos entre dois e três dias por semana, já que são ricos em proteínas e minerais

Fonte: http://www.hebron.com.br/

Distrações da memória

A capacidade de realizar mais de uma tarefa ao mesmo tempo cai à medida que o homem envelhece. Uma nova pesquisa aponta que o motivo pelo qual pessoas mais velhas têm mais dificuldade em alternar tarefas está nas redes neurais.

Lidar com múltiplas tarefas envolve a memória de curta duração, que define a capacidade de manter e manipular uma determinada informação em um período de tempo.

Essa memória de trabalho é a base de todas as operações mentais, de decorar um número de telefone a digitá-lo em um aparelho, de manter o ritmo de uma conversa a conduzir funções complexas como raciocinar ou aprender.

“Os resultados do estudo sugerem que o impacto negativo das múltiplas tarefas na memória de trabalho não é necessariamente um problema com a memória, mas deriva de uma interação entre atenção e memória”, disse Adam Gazzaley, professor da Universidade da Califórnia em San Francisco, um dos autores do estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

De acordo com o estudo, a dificuldade em realizar mais de uma tarefa em um mesmo período de tempo está no momento de alternar entre uma atividade e outra. O problema fundamental não são as próprias tarefas ou as interrupções, mas as distrações. A pesquisa indica que a capacidade do cérebro em ignorar informações irrelevantes cai com a idade e que isso impacta na memória de trabalho.

O estudo reforça que as “coisas da idade”, como costumam ser chamados episódios comuns de distração e esquecimento, têm um impacto maior em indivíduos mais velhos

Fonte: http://www.hebron.com.br/

Caminhadas podem beneficiar pacientes de Mal de Parkinson

Uma nova pesquisa desenvolvida na Universidade de Maryland e apresentado na 63ª reunião anual da American Academy of Neurology, evidenciou que portadores de doença de Parkinson podem se beneficiar mais de caminhadas em esteiras a uma velocidade confortável do que praticando o exercício com mais intensidade, aumentando velocidade e inclinação.

Em um experimento, 67 pessoas que sofrem da doença foram separadas em três grupos que se exercitaram de formas diferentes. Um grupo fez caminhada de baixa intensidade por 50 minutos em uma esteira, o segundo grupo fez caminhada de alta intensidade por 30 minutos e o terceiro fez alongamentos com pesos.

Os indivíduos praticaram os exercícios três vezes por semana durante um período de três meses. Os resultados mostraram que todos os tipos de exercícios foram benéficos para os pacientes, mas que a caminhada de baixa intensidade proporcionou melhorias mais consistentes de mobilidade dos pacientes.

Fonte: http://www.hebron.com.br/

Estrogênio diminui riscos de câncer e doenças cardíacas

Em uma descoberta que desafia a ciência convencional a respeito dos riscos de certos hormônios usados na menopausa, um importante estudo de caráter governamental apontou que, após anos usando terapias de reposição apenas com estrogênio, algumas mulheres apresentaram risco consideravelmente menor de câncer de mama e ataque cardíaco.

A pesquisa, parte do difundido estudo Women's Health Initiative, acabou por surpreender as mulheres e seus médicos, que, durante anos, ouviram notícias amedrontadoras sobre os riscos da terapia de reposição hormonal.

No entanto, muitos desses receios têm a ver com o uso de uma combinação de dois hormônios, o estrogênio e a progesterona, prescritos para aliviar a sensação de calor e outros sintomas decorrentes da menopausa, sempre mostrando aumentar o risco de câncer de mama nas mulheres.

As novas descobertas, recentemente divulgadas no The Journal of the American Medical Association (JAMA), provêm do estudo Women's Health Initiative feito com 10.739 mulheres que já passaram por histerectomia, a remoção cirúrgica do útero ou parte dele.

Aproximadamente um terço das mulheres no mundo com mais de 50 anos já fizeram essa cirurgia. O estudo Women’s Health Initiative foi iniciado em 1991 pelo National Institutes of Health como uma investigação minuciosa do uso de hormônios e outros problemas relacionados à saúde das mulheres em período pós-menopausa.

Fonte: http://www.hebron.com.br/

Estudo mostra que câncer de ovário começa nas trompas

Um grupo de pesquisadores norte-americanos conseguiu recriar em laboratório o processo de formação do câncer de ovário, produzindo evidências sólidas de que os tumores começam nas trompas de falópio, e não nos próprios ovários, de acordo com um estudo publicado segunda-feira (18).

A descoberta pode ajudar a descobrir novas maneiras de combater o câncer nos ovários - que, na maior parte dos casos, não apresenta sintomas que permitam seu diagnóstico precoce, espalhando-se pelo organismo sem ser percebido.

O câncer nos ovários é o quinto mais mortífero para as mulheres. Ao todo, afeta 200 mil pessoas por ano, matando cerca de 115 mil em média. Estudos anteriores já haviam desenvolvido hipóteses dando conta de que este carcinoma pode, na verdade, ter origem em algum outro órgão, mas a pesquisa dos cientistas do Instituto do Câncer Dana-Farber, de Boston, é a primeira a mostrar como a doença começa no tecido das trompas de falópio.

As trompas de falópio - ou tubas uterinas - são os canais por onde o óvulo desce dos ovários para o útero durante o ciclo reprodutivo feminino. Ronny Drapkin, principal autor do estudo publicado na revista "Proceedings of the National Academy of Sciences", disse que análises anteriores feitas com tecido tubário de mulheres com predisposição a desenvolver o câncer de ovário já haviam mostrado "traços de células que eram antecessores de sérios tipos de câncer".

Assim, sua equipe decidiu tentar replicar o processo de formação do câncer dentro do laboratório. Os pesquisadores usaram células tubárias e alteraram sua programação genética para que elas se dividissem como células cancerosas. "Da mesma forma que as células de um tumor, estas células cancerosas 'artificiais' se proliferaram rapidamente e conseguiram deixar seu tecido de origem para crescer em outro local", indica o estudo.

"Quando implantadas em cobaias animais, elas também deram origem a tumores estrutural, genética e comportamentalmente semelhantes ao HGSOC (sigla científica para câncer de ovário) humano", explica.

Para Drapkin, a descoberta mostra que as células tubárias são a fonte do câncer de ovário, e dá pistas para o desenvolvimento de futuros tratamentos. "Estudos como este vão nos ajudar a identificar os diferentes tipos de câncer de ovário e, possivelmente, a descobrir marcadores biológicos - proteínas no sangue - que apontam a presença da doença", afirmou Drapkin, que é professor assistente da Escola de Medicina de Harvard.

Fonte: http://www.hebron.com.br/

Dieta de poucos carboidratos ajuda na redução de gordura no fígado

Uma nova pesquisa desenvolvida na Universidade do Texas (EUA) e publicada essa semana no American Journal of Clinical Nutrition, levou médicos a afirmarem que reduzir a ingestão de carboidratos é mais eficiente para diminuir a gordura no fígado do que a redução de calorias.

Em um experimento, cientistas recrutaram 18 pessoas com gordura no fígado (não causada por álcool) e designaram a um grupo uma dieta com poucas caloria0s, enquanto o segundo grupo seguiu uma dieta com poucos carboidratos.

Após 14 dias, os participantes da dieta de poucos carboidratos tinham perdido mais gordura do fígado do que o outro grupo.

Os pesquisadores ainda não sabem explicar a diferença de perda de gordura entre os dois grupos, mas eles acreditam que a descoberta pode ser significativa para tratamentos de diversas doenças, como a diabetes e a resistência à insulina.

Fonte: http://www.hebron.com.br/

Pagar pessoas para perder peso funciona, indica estudo

Um estudo britânico de 400 pessoas, batizado de "libras por quilos", descobriu que quase metade dos analisados perdeu mais de 5% do seu peso corporal. O artigo foi publicado no "Journal of Public Health".

Em média, os indivíduos --muitos deles trabalhadores do Serviço Nacional de Saúde (NHS, sigla em inglês)-- perderam cerca de 4 kg em um ano e receberam cerca de 180 libras.

A informação foi publicada no site do jornal britânico "The Telegraph" nesta sexta-feira.

Segundo os pesquisadores, os resultados mostram que o esquema funciona tanto quando programas de perda de peso existentes e poderia ser estendido para todo o país.

Para Clare Relton, da Universidade de Sheffield, "o recrutamento para este programa de incentivo financeiro sugere que a perda de peso pode ser aceitável pelo público em geral e pelos funcionários do NHS, além de homens e mulheres".

O presidente do National Obesity Forum, David Haslam, disse que, anteriormente, estava cético em relação à pesquisa, no caso dos pacientes pararem de perder peso se deixassem de ser pagos.

Mas em declaração à revista "Pulse", disse: "Quatro quilos em um ano é um número muito bom. Se estamos interessados nos ganhos para a saúde, este é o negócio".

A incitava "libras por quilos" recrutou 402 pessoas, 42,5% das quais eram funcionárias do NHS. A média de idade era de 45,1 anos; a média inicial de peso, 101,8 kg; e mais da metade era do sexo feminino.

Os participantes foram submetidos a planos de perda de peso de diversas durações e pesados novamente no fim de cada um.

No total, 44,8% tiveram perda de peso "clinicamente significativa" de mais de 5% do seu peso corporal; 23,6% perderam mais de 10%.

Apenas 38% dos participantes terminaram seus planos, número abaixo do de esquemas existentes, como o Vigilantes do Peso.

Mas a perda de peso média de 5 kg em 12 meses, incluindo aqueles que desistiram, foi maior do que a média do Vigilantes do Peso --4,02 kg.

Mesmo admitindo que aqueles que desistiram retornaram ao seu peso original, os dados sugerem que a perda de peso média geral para todos aqueles que participaram foi de 4 kg.

A incitava teve custo total de 75 mil libras e uma média de 186,57 libras por paciente.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/909233-pagar-pessoas-para-perder-peso-funciona-indica-estudo.shtml

Coca-Cola rejeita pedido para tirar bisfenol A de suas latas

Pedido veio de acionistas preocupados com a crescente pressão da população e proibição do químico em vários países; pesquisas associam substância a câncer, diabetes e obesidade

Mesmo depois da Comunidade Europeia ter proibido o bisfenol A (BPA).

Mesmo depois de todas as pesquisas científicas terem associado o químico à doenças como diabetes e câncer.

Mesmo depois das mães do Canadá terem saído às ruas pedindo o fim do químico em embalagens de alimentos.

Mesmo depois da indústria de alimentação no Japão ter retirado voluntariamente o bisfenol do contato com seus produtos.

Mesmo depois de todas as campanhas e comprovações sobre os malefícios do bisfenol A, o CEO da Coca-Cola, Muhtar Kent, disse ontem que empresa não acredita que haja evidências científicas suficientes para descontinuar o uso de BPA na resina epóxi utilizada como revestimento interno de suas latas.

A declaração aconteceu ontem durante a assembléia anual, realizada em Atlanta (EUA), em resposta à solicitação de um grupo de acionistas que pediu o fim do BPA nas embalagens de refrigerantes e sucos. A proposta dos acionistas teve esse ano 26% de adesão, 20% a mais de apoio do que no ano passado, quando idéia semelhante foi apresentada.

Risco Financeiro? – A proposta foi apresentada por três grupos que defendem os direitos dos acionistas e pede que a Coca-Cola “prepare um relatório para os acionistas revelando como está respondendo à crescente preocupação de consumidores em relação à segurança do BPA em produtos; desenhe um plano para desenvolver alternativas à resina epóxi com BPA; e revele o que a empresa está fazendo para manter sua liderança e a confiança do público neste tema. Michael Passoff, estrategista senior do grupo As You Sow, um dos grupos de acionistas, novamente rotulou a Coca como “uma indústria que está ficando para trás” alertando que isso “não era um bom sinal para seus investidores”.

A proposta foi apoiada por investidores de peso, incluindo a ISS e a Glass Lewis, duas das maiores empresas de consultoria no gerenciamento de ações dos Estados Unidos, além de acionistas institucionais como a CalPERS, o maior fundo de pensão do mundo.

A Domini Social Investments e a Trillium Asset Management Corporation também fazem parte da aliança, que afirmou que o receio está baseado “no risco financeiro e regulatório” que a empresa pode estar se expondo ao “ignorar os avanços na pesquisa científica, a reavaliação de agências regulatórias e a preocupação com o potencial risco à saúde que o BPA representa, assim como novas propostas legislativas que estão considerando a proibição do bisfenol A.”

A Coca-Cola afirmou que concorda com o consenso de agências regulatórias em vários países que afirma que o BPA presente no revestimento interno de latas não representa um risco à saúde humana. “Se tivéssemos qualquer dúvida em relação à segurança de nossas embalagens, nós descontinuaríamos o uso do BPA,”disse Kent na assembleia ontem. “É simples assim”.

No website da empresa foi publicada a seguinte declaração: “Estamos trabalhando com terceiros para produzir outros tipos de revestimento interno que incluem produtos sem BPA. Atualmente, o único sistema comercialmente viável para revestimento interno de latas para produção em massa de bebidas embaladas com latas de alumínio contém o BPA.”

“Nós levamos muito a sério a preocupação de nossos consumidores e queremos que saibam que temos confiança na segurança de todas as embalagens que utilizamos em nossas bebidas.”

Fontes: Food Production Daily - 28 de abril de 2011 e http://www.otaodoconsumo.com.br/voce-e-o-que-come-na-embalagem-que-consome/coca-cola-rejeita-pedido-para-tirar-bisfenol-a-de-suas-latas

7 coisas tóxicas que você não deveria jogar no lixo

Muita gente não pensa duas vezes em jogar no lixo algo que parece não prestar. O problema é que o lixo não é um sumidouro, ele é a primeira parada de algo que foi descartado. Substancias tóxicas contidas no nosso lixo podem ser muito prejudicial à saúde e ao meio ambiente. Veja abaixo uma lista de 7 coisas que deveriam ser destinadas com cuidado.

1 – Óleo de motor

Não só o óleo de motor, mas também o óleo de cozinha podem entupir tubulações de esgoto e atrapalhar os processos de tratamento de água e esgoto das empresas de saneamento. Além disso, óleo de motor derramado no chão pode contaminar águas subterrâneas. “Um galão de óleo pode contaminar um milhão de galões de água pura”, explica a representante do site Earth911, Jennifer Berry. A maneira correta de se livrar do óleo é colocá-lo em uma garrafinha com tampa e levar para centros de reciclagem, postos de gasolina ou oficinas de carros.

2 – Eletrônicos

Um problema que o mundo está tendo que lidar atualmente é o lixo eletrônico, mas não aquele spam que você recebe por e-mail, mas a quantidade de aparelhos de TV, DVD, computadores, celulares, câmeras, impressoras, videogames, iPods que são jogados por aí. Alguns países da Europa e os EUA produzem tanto e-lixo que precisam mandar para outros países. “Estes objetos contêm metais pesados como cádmio e chumbo que podem contaminar o meio ambiente”, disse Jennifer. É melhor encontrar alguém que esteja precisando destes aparelhos e fazer uma doação.

3 – Tinta

Tintas à base de óleo, revestimentos, corantes, vernizes, removedores de tinta são lixos extremamente perigosos porque contêm produtos químicos que podem ser prejudiciais a humanos, animais e ao meio ambiente. Eles nunca devem ser jogados no lixo ou em ralos. Latas que não foram usadas devem ser estocadas com cuidado ou devolvidas, ou você pode doar para escolas ou organizações.,

4 – Pilhas e baterias

Diferentes tipos de baterias devem ser destinadas de diferentes maneiras, mas nenhuma delas deve ser jogada no lixo tradicional, nem nas lixeiras de reciclagem. Elas devem ser destinadas para reciclagem. Muitas lojas têm lixos especiais para pilhas. Elas contêm materiais tóxicos e corrosivos, por isso devem ser descartadas com cuidado. A bateria do carro também faz parte deste grupo.

3 – Lâmpadas

Lâmpadas fluorescents contém minúsculas partes de mercúrio (cerca de 5 mg) que podem vazar caso ela se quebre. Por isso, elas devem ser descartadas em lugares que recolham lixo tóxico.

2 – Detector de fumaça

Este aparelho não é muito comum no nosso dia-a-dia, geralmente os vemos em hospitais ou hotéis, mas eles também são tóxicos. Os dispositivos contêm uma quantidade pequena de radiação para detecção da fumaça. É extremamente importante que não sejam atirados em qualquer lixeira. Deve-se retirar suas pilhas (que também devem ser encaminhadas, como dito anteriormente) e, em seguida, devolvê-lo ao fabricante.

1 – Termômetros

Os termômetros tradicionais contêm em média 500 mg de mercúrio e representa um risco à saúde em caso de quebra, principalmente para mulheres grávidas e crianças, porque prejudica o crescimento do sistema nervoso do bebê e dos garotos. É preciso mandá-lo para o lixo tóxico. [LifesLittleMysteries]

Fonte: http://hypescience.com/7-coisas-toxicas-que-voce-nao-deveria-jogar-no-lixo/

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Estudos relacionam obesidade a flora intestinal "ruim"

Os cientistas estão, nos últimos anos, começando a entender como vivem os trilhões de seres que há no intestino de cada ser humano. Ainda que seja você quem come chocolate todos os dias, uma flora intestinal que não ajuda pode ser a culpada pelos seus pneuzinhos, dizem os pesquisadores.

Em 2006, um estudo na "Nature" mostrou que gordos tinham um tipo diferente de flora intestinal. Não se sabia bem se a obesidade era causa ou consequência.

Três anos depois, um pesquisador americano, Jeffrey Gordon, da Universidade Washington, propôs na "Science Translational Medicine" que engordar era consequência. Ele dizia que as pessoas deveriam saber que tipo de bactérias há em seu intestino para saber se eram vulneráveis à obesidade.

Agora, um outro trabalho na "Nature" mostra que existem três diferentes tipos de flora intestinal. Do mesmo jeito que cada ser humano tem um tipo sanguíneo, todos tem um "tipo intestinal".

Cada um representa um tipo de bactéria diferente que predomina no intestino. Assim, ao menos por enquanto, esses tipos não tem nomes fáceis como "O positivo" ou "A negativo", mas "predominância de Bacteroides" ou "predominância de Prevotella".

Ficou claro para os pesquisadores que o tipo intestinal nada tem a ver com com a etnia do indivíduo, com o seu país de origem ou com a sua maneira de se alimentar.

Como cada bactéria tem uma eficiência diferente na hora de extrair energia dos alimentos, é possível que aquele amigo que come feito quem nunca viu comida e continua magro tenha tido a sorte de nascer com o tipo de flora intestinal certa.

Os cientistas, de várias instituições europeias (com colaboração da Universidade Federal de Minas Gerais), não conseguiram, porém, apontar qual das três floras intestinais é de gordinho e qual é de "magro de ruim". Estudaram bactérias de europeus, americanos e japoneses.

Era um grupo de poucas dezenas de pessoas. Os cientistas estão planejando repetir o trabalho agora com 400.

Mesmo que eles consigam novos resultados, certamente o tipo intestinal não será a única explicação para a obesidade. Outros fatores, como a alimentação e questões genéticas não relacionados ao intestino, certamente têm um peso grande.

De qualquer forma, não é possível subestimar o papel das bactérias no organismo humano.

Elas são muitas: enquanto o corpo humano tem cerca de 10 trilhões de células, cada pessoa carrega consigo mais de 300 trilhões de bactérias de todos os tipos.

Ou seja: há bem mais células de bactérias em você do que células de você mesmo.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/905599-estudos-relacionam-obesidade-a-flora-intestinal-ruim.shtml

Contaminantes ambientais por Dr. Fábio Cesar dos Santos

A entrevista abaixo foi feita com o Presidente da Associação Brasileira de Medicina Ortomolecular, médico, cardiologista e que atua na prática ortomolecular. Na reportagem o Dr. Fábio Cesar dos Santos fala muito sobre ecologia médica... Vale a pena !



quarta-feira, 20 de abril de 2011

Alergias podem ser fator de risco para depressão

A primavera sempre traz um surto de espirros, fungadas e narizes obstruídos.

Mas alergias sazonais podem ser psicologicamente prejudiciais? Uma onda de pesquisa emergente sugere que pode acontecer. Ainda que não haja evidências firmes que alergias causam depressão, vastos estudos mostram que pessoas que sofrem de alergia realmente apresentam maior risco de depressão.

Alergias graves podem trazer sonolência, dores de cabeça, fadiga e uma sensação geral de mal-estar físico, que juntos podem piorar o humor.  Estudos identificaram que reações alérgicas liberam compostos no corpo chamados citoquinas, que desempenham um papel na inflamação e pode reduzir os níveis do hormônio serotonina, que ajuda a manter as sensações de bem-estar. E é de conhecimento comum que algumas medicações comuns para alergia, como corticosteroides, podem causar ansiedade e oscilações de humor.

Muitos estudos de grande porte descobriram que o risco de depressão em pessoas com alergias graves é duas vezes maior que em pessoas sem alergias.

Em 2008, pesquisadores da University of Maryland reportaram que essa conexão pode ajudar a explicar um amplamente observado mas mal compreendido aumento de suicídios durante a primavera todo ano. Analisando registros médicos, os autores viram que em alguns pacientes, mudanças nos sintomas de alergia durante as temporadas de baixa e alta polinização se correlacionavam com mudanças em seus níveis de depressão e ansiedade.

Um estudo populacional finlandês de 2003 constatou uma relação entre alergias e depressão; contudo, mulheres tendiam muito mais a serem afetadas.

Em 2000, um estudo com gêmeos, na Finlândia também, mostrou um risco comum de depressão e alergias, um resultado de influências genéticas, escreveram os autores.

Fonte: http://noticias.terra.com.br/ciencia/noticias/0,,OI5075077-EI8147,00-Estudos+apontam+que+alergias+podem+levar+a+depressao.html

Terapia com luz pode diminuir sintomas em pacientes depressivos

O inverno com certeza tem um ar mais triste do que outras épocas. Se você fica para baixo em tais meses do ano, pode estar sofrendo de transtorno afetivo sazonal (TAS). Nos EUA, as pessoas têm combatido a depressão com uma dose extra de luz artificial durante o dia.

Agora, um novo estudo descobriu que a terapia da luz é eficaz para tratar outros tipos de depressão também. Por exemplo, pessoas com TAS podem ter uma sensação que perdura ao longo dos meses de inverno, às vezes até mesmo na primavera, porque os dias mais curtos não os fornecem bastante luz solar direta.

O tratamento com luz brilhante (TLB), também conhecido como fototerapia, é uma terapia diária que consiste em passar pelo menos 30 minutos olhando indiretamente para uma “caixa de luz” que contém um tipo específico de luz.

As caixas de luz imitam os comprimentos de onda de luz solar e são mais brilhantes do que as lâmpadas normais; emitem um feixe de pelo menos 10.000 lux, uma medida da intensidade da luz. A luz do sol varia de 32.000 a 100.000 lux em um dia médio.

Recentemente, os cientistas descobriram que a TLB era eficaz no tratamento de sintomas como mau humor, ansiedade, letargia, irritabilidade e fadiga nas pessoas com TAS porque estimulava a produção de neurotransmissores como a serotonina e a dopamina, que promovem sentimentos positivos.

Eles então testaram a TLB em pessoas que sofrem de Transtorno Depressivo Maior (TDM), também conhecida como depressão clínica, uma forma de depressão que bagunça os ritmos circadianos em um forma semelhante a TAS. A condição é especialmente prevalente em idosos, e muitos dos quais não recebem suficiente exposição ao sol.

A equipe forneceu uma luz azul brilhante a 42 pacientes de 60 anos ou mais com TDM, para usar em casa por uma hora todas as manhãs durante três semanas. Outros 47 pacientes receberam uma tênue luz vermelha como placebo. 58% dos pacientes com TDM e a luz azul relataram menos sintomas depressivos, enquanto apenas 34% do grupo placebo relataram uma diminuição.

Os benefícios da terapia podem ser em parte devido à forma como o organismo repõe o seu ritmo circadiano a um estado mais natural após a exposição extra à caixa de luz. Os pesquisadores também observaram um maior aumento do hormônio melatonina entre aqueles que receberam a terapia da luz.

Segundo os pesquisadores, simplesmente utilizar mais luzes e lâmpadas com potência maior pode, literalmente, adicionar mais brilho para a vida de uma pessoa deprimida. Se a TLB reduziu a depressão não sazonal em pacientes idosos, a iluminação adicional pode ser facilmente implementada nas casas dos pacientes para servir como complemento no tratamento antidepressivo.

Fonte: http://hypescience.com/terapia-com-luz-pode-diminuir-sintomas-em-pacientes-depressivos/

domingo, 17 de abril de 2011

O estresse pode ser gatilho para o Transtorno bipolar

A estrela de Hollywood Catherine Zeta-Jones, famosa por seu papel em “A máscara do Zorro” e vencedora do Oscar em 2003, se internou em um hospital psiquiátrico no início deste mês para tratamento do transtorno bipolar tipo II.

O assessor da atriz anunciou que a decisão de procurar um estabelecimento médico se deu, pelo menos em parte, devido ao estresse causado pelo tratamento contra o câncer de garganta de seu marido Michael Douglas, além de sua batalha judicial sobre rendimentos de filmes recentes.

Os grandes eventos da vida podem desencadear mudanças repentinas de humor em pessoas com a doença, mesmo se elas estivessem “indo bem”. Ou seja, mesmo que eles já estejam seguindo um tratamento, se relacionando bem com as pessoas à sua volta e contando com uma boa equipe de apoio, afirma David Solomon, professor de Psiquiatria Clínica da Universidade Brown, Rhode Island, EUA e diretor assistente do Programa de Transtornos do Humor no Hospital de Rhode Island.

O transtorno bipolar II inclui episódios de depressão e hipomania, uma euforia consideravelmente leve. O transtorno bipolar II é menos grave do que o I, que inclui a mania, hipomania e depressão mais intensa.

Transtornos de humor bipolar afeta 2,6% dos adultos nos EUA. A maioria dos casos, porém, são considerados graves, de acordo com o Instituto Nacional de Saúde. No Brasil, o transtorno atinge 5 milhões de pessoas. E atenção para os habitantes da cidade de São Paulo: chega a 8,6% da população os atingidos pela bipolaridade. No mundo, a taxa é de 2%

“Embora apenas Zeta-Jones e seu médico saibam o que provocou sua decisão de procurar ajuda, não me surpreenderia que um indivíduo sob tanta pressão e estresse acabasse sofrendo um episódio semelhante”, diz Solomon.

Os eventos estressantes não podem causar transtorno bipolar por si só, mas eles são capazes de “dar um empurrãozinho” em quem é geneticamente vulneráveis à mudança drástica de humor, coloca Solomon.

“A maioria das pessoas com a doença têm uma vulnerabilidade genética para o transtorno”, conta Solomon. Algumas pessoas que são criadas em lares estáveis ​​e amorosos podem nunca ter essa vulnerabilidade explorada, e viver a vida inteira sem manifestar qualquer sinal de distúrbio bipolar.

Entretanto, para muitas pessoas – que têm vulnerabilidade genética ou não – eventos estressantes desencadeiam uma piora no estado de saúde em geral, inclusive na lado emocional, como é possivelmente o caso de Zeta-Jones.

“Há muitos bons tratamentos, tais como medicamentos e psicoterapia, mas os pacientes respondem de forma muito variada a eles. Zeta-Jones certamente será capaz de se valer dos dois, o que é uma coisa boa. Espero que ela melhore”, completa Solomon. [LiveScience]

Fonte: http://hypescience.com/estresse-pode-desencadear-transtorno-bipolar/

sexta-feira, 15 de abril de 2011

75g de maçã/dia tem impacto sobre o colesterol (ruim e bom)

Segundo um novo estudo, as mulheres que comem uma maçã por dia podem diminuir seus níveis de colesterol ruim e aumentar seus níveis de colesterol bom sem ganhar peso.

160 mulheres com idades entre 45 e 65 anos participaram do estudo. Os pesquisadores formaram dois grupos; um grupo comeu 75 gramas de maçãs secas todos os dias durante um ano, e o outro grupo comeu outra fruta seca por um ano. Amostras de sangue foram tomadas depois de três meses, seis meses e no final do período de estudo.

As mulheres que comeram 75 gramas de maçãs secas todos os dias durante seis meses tiveram uma diminuição de 23% no colesterol LDL (ruim) e um aumento de 4% nos níveis de colesterol HDL (bom).
Depois de um ano, as mulheres que comeram maçã seca apresentavam menores níveis de colesterol ruim, de hidroperóxido lipídico (o produto de radicais livres tóxicos, que causam danos e morte às células no corpo) e da proteína C-reativa, um indicador de inflamação no corpo.

Os pesquisadores também descobriram que o excesso de 240 calorias consumidas por dia a partir da maçã seca não levou a ganho de peso nas mulheres; na verdade, elas perderam em média 1,5 kg ao longo do ano.
Segundo os cientistas, mesmo que as participantes do estudo tenham comido maçãs secas, o efeito provavelmente seria o mesmo se elas comessem maçãs frescas. Embora seja difícil fazer uma comparação exata, uma xícara de maçãs picadas frescas seria equivalente a um quarto de xícara de maçãs secas.

Os pesquisadores acreditam que os benefícios da fruta, que baixam o colesterol, provavelmente vêm de seu alto teor de fibras, o que pesquisas anteriores demonstraram que pode diminuir os níveis de colesterol ruim.

Como diria o velho ditado: ONE APPLE A DAY KEEPS THE DOCTOR AWAY

Fonte: http://www.livescience.com/13688-apple-day-lowers-cholesterol.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+Livesciencecom+%28LiveScience.com+Science+Headline+Feed%29&utm_content=Google+Reader

OBS: Dar preferência à fruta inteira (polpa+casca) e de preferência orgânica.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Fabricantes devem informar presença de Bisfenol-A (BPA) na composição de produtos

A Justiça Federal em São Paulo determinou que, em 40 dias, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) regulamente a obrigatoriedade de informação “adequada e ostensiva” sobre a presença da substância bisfenol A (BPA) nas embalagens de alguns tipos de produtos. A decisão, tomada terça-feira (5), é do juiz federal substituto Eurico Zecchin Maiolino, da 13ª Vara Federal Cível, em caráter liminar. A Anvisa informou que ainda não foi notificada.

O bisfenol A é uma substância química utilizada na fabricação de plásticos que torna o produto final mais flexível, transparente e resistente. Em latas, é usado como revestimento interno para proteger a embalagem da ferrugem. No entanto, o bisfenol usado nesse tipo de embalagem pode contaminar os alimentos.

No organismo, o produto funciona como o estrogênio (hormônio feminino). Segundo o Ministério Público Federal (MPF), estudos científicos comprovam o potencial nocivo do bisfenol à saúde das pessoas, em especial de mulheres e crianças.

De acordo com a pesquisadora Fabiana Dupont, membro do grupo de estudos sobre desreguladores endócrinos da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), o produto afeta, principalmente, os fetos e já foi relacionado a câncer de mama e de próstata, diabetes, obesidade, puberdade precoce, puberdade tardia, problemas cardíacos e comportamentos sociais atípicos em crianças.

“Colocar na embalagem [o alerta sobre a presença de bisfenol] é um passo muito importante porque, só de estar na rotulagem, o consumidor vai estar ciente que essa substância está presente ou não. Além dessa rotulagem, seria importante desenvolver, lançar uma campanha para informar aos consumidores sobre os riscos potenciais”, disse a pesquisadora. Ela criou um sítio na internet para denunciar os riscos do bisfenol.

O produto já foi proibido de ser usado em mamadeiras e copos infantis na União Europeia, no Canadá, na China e na Malásia. Nos Estados Unidos, algumas empresas já não utilizam mais o bisfenol e outras estabeleceram metas para deixar de usá-lo. No Japão, a indústria de bebidas também abandonou o produto.

Fonte: http://www.ecodebate.com.br/2011/04/08/fabricantes-devem-informar-presenca-de-bisfenol-a-bpa-na-composicao-de-produtos/

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Médicos americanos buscam tratar déficit de atenção sem medicação

Cerca de 2,5 milhões de crianças nos Estados Unidos usam medicamentos estimulantes para combater problemas de atenção e hiperatividade. Mas preocupações sobre os efeitos colaterais fizeram com que muitos pais procurassem por alternativas: praticamente dois terços das crianças que sofrem de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, ou TDAH, usam algum tipo de tratamento alternativo.

A estratégia mais comum implica mudanças na dieta, como o não uso de comidas processadas, açúcares e complementos alimentares. Cerca de 20% das crianças que sofrem da doença receberam algum tipo de fitoterapia; outras tentaram suplementos como vitaminas e óleo de peixe ou usaram biofeedback, massagem e ioga.

Embora alguns estudos de tratamentos alternativos pareçam promissores, existem poucos resultados sólidos para guiar os pais. O que é uma pena porque, para algumas crianças, medicamentos vendidos sob receita não são uma opção.

Os remédios mudaram a vida de muitas crianças. Mas quase um terço delas passaram por preocupantes efeitos colaterais e, em um estudo publicado em 2001 pelo Journal of the Canadian Medical Association, surge a informação de que, para mais de 10% dos usuários, os efeitos colaterais podem ser severos - incluindo diminuição de apetite e perda de peso, insônia, dor abdominal e mudanças na personalidade.

Apesar de os remédios serem em geral vistos como seguros, muitos pais ficaram alarmados quando a Food and Drug Administration (FDA, agência federal norte-americana que regulamenta alimentos e remédios) ordenou, em 2006, que estimulantes como Adderall, Ritalin e Concerta portassem alertas de risco de morte súbita, ataques cardíacos e alucinações em alguns pacientes.

E as alternativas? Na semana passada, o Journal of the American Medical Association revelou que um primeiro estudo da erva de São João mostra que ela não funcionou melhor que um placebo, para combater a TDAH. Mas o teste, com 54 crianças, durou apenas oito semanas, e até remédios vendidos sob receita podem levar até três meses para apresentar efeitos mesuráveis.

Mas a questão maior pode ser que, na medicina complementar, um tratamento raramente é usado isoladamente, fazendo com que a gama de remédios alternativos dificulte o estudo.

Tratamentos naturais podem ser benéficos, disse a principal autora do relatório, Wendy Weber, professora pesquisadora associada da escola de medicina naturopática da Universidade de Bastyr, em Kenmore, Washington. "Nós só precisamos fazer mais estudos e documentar o efeito."

Outros tratamentos herbais para o transtorno incluem equinácea, ginkgo biloba e ginseng. Não há dados confiáveis sobre a equinácea; um estudo de 2001 mostrou avanços depois de quatro semanas em crianças usando ginkgo e ginseng, mas não havia grupo de controle para fazer uma comparação.

Há mais esperança nos ácidos graxos do ômega-3, encontrados em peixes e suplementos de óleo de peixe. Um estudo publicado no ano passado pelo Pediatric Clinics of North America concluía que "crescentes provas" apoiavam o uso desses suplementos para crianças com TDAH.

Sobre as mudanças na dieta, um estudo publicado em 2007 no Lancet, publicação médica britânica, examinou o efeito de colorantes artificiais e preservantes no comportamento hiperativo de crianças.

Depois de consumir uma dieta sem aditivos por seis semanas, as crianças receberam ou uma bebida placebo ou uma contendo uma mistura de aditivos, por período de duas semanas. No grupo dos aditivos, os comportamentos hiperativos aumentaram.

O estudo fez com que muitos pediatras repensassem seu ceticismo sobre uma relação entre a dieta e a TDAH. "As descobertas gerais do estudo são claras e exigem que até mesmos nós, céticos, que há muito duvidamos de depoimentos de pais sobre os efeitos de várias comidas no comportamento de suas crianças, admitamos que podemos ter errado", declarou a edição de fevereiro da AAP Grand Rounds, uma publicação da Academia Americana de Pediatras.

Dados sobre cortes no açúcar são menos persuasivos. Vários estudos sugerem que qualquer conexão entre açúcar e hiperatividade vem da percepção dos pais, e não da realidade. Em um estudo, mães para as quais foi dito que as crianças receberam açúcar reportaram mais comportamentos hiperativos, mesmo quando a comida estava na verdade adoçada artificialmente. Mães para as quais foi dito que a criança recebeu um lanche com pouco açúcar reportaram menor incidência de problemas de comportamento em seus filhos.

Uma opção interessante é uma forma de terapia de biofeedback na qual a criança usa eletrodos na cabeça e aprende a controlar videogames exercitando as partes do cérebro relacionadas à atenção e ao foco. A pesquisa sugeriu que o método funciona tão bem quanto a medicação, e muitas crianças disseram ter gostado.

O desafio é encontrar um médico que ajude a explorar a gama de opções. Por exemplo, a melhor maneira de dizer que mudanças na dieta podem ajudar é eliminar as comidas e depois voltar a usá-las, monitorando o comportamento da criança durante esse tempo. A melhor prova pode vir de um professor que não saiba da mudança na dieta.

O Conselho de Pediatras Integrativos, em www.integrativepeds.org , tem uma lista de pediatras que oferecem tratamentos alternativos. Seu diretor, Dr. Lawrence D. Rosen, chefe de pediatria integrativa no centro médico da Universidade de Nova Jersey, diz que pais devem procurar uma abordagem holística. Mas ele adiciona que ela pode incluir remédios vendidos sob receita.

"Receito remédios, em meu consultório, e há crianças cujas vidas foram salvas por isso", ele disse. "Mas é a abordagem holística que permite tratamento muito diferente de um único remédio, uma única pílula. Estamos tratando não só das necessidades físicas e químicas das crianças, mas de toda sua saúde mental e emocional".

Tradução: Paulo Migliacci ME

Fonte: http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI2969726-EI8148,00.html

OSB: Para ler sobre a visão da prática ortomolecular sobre o TDAH veja o post:
  1. http://www.ecologiamedica.net/2010/12/deficit-de-atencao-na-visao-da-pratica.html

Tamanho do pulso pode detectar jovens com risco de doença cardiovascular

Segundo um novo estudo, a medição do osso do pulso pode ser uma nova forma de identificar quais crianças e adolescentes com sobrepeso têm mais chances de desenvolver doença cardiovascular.

477 crianças e adolescentes (idade média de 10 anos) com sobrepeso e obesas participaram do estudo. Os pesquisadores descobriram que a circunferência do pulso representa 12 a 17% da variação total da resistência à insulina nas crianças. A resistência à insulina é explicada apenas pelo tamanho do tecido ósseo no pulso, e não pelo tecido adiposo.

Muitos estudos mostram que a doença cardiovascular aterosclerótica, causada pelo estreitamento das artérias, começa a se desenvolver na infância. A resistência à insulina, uma condição na qual o organismo produz insulina, mas não pode usá-la de forma eficiente para quebrar o açúcar no sangue, é um fator de risco para o desenvolvimento de doença cardiovascular.

Níveis altos de insulina aumentam o risco de desenvolver resistência à insulina, o que aumenta o risco de desenvolver doença cardiovascular. Embora o excesso de gordura corporal esteja ligado a vários fatores de risco para doença cardíaca, incluindo a resistência à insulina, a medição da gordura corporal em crianças é problemática, em parte por causa da rapidez com que seus corpos mudam durante a puberdade.

Essa é a primeira evidência de que a circunferência do pulso é altamente correlacionada com resistência à insulina. Como a circunferência do pulso é facilmente medida, se o trabalho for confirmado por estudos futuros, o perímetro do punho pode ser usado para prever a resistência à insulina, e consequentemente o risco de doença cardiovascular.

Os pesquisadores mediram a circunferência do pulso das crianças manualmente, com uma fita métrica (de pano). Um subgrupo de 51 crianças também foi submetido a uma técnica de imagem chamada de ressonância nuclear magnética, para medir precisamente suas áreas ósseas versus áreas de gordura dos pulsos. Todas as crianças foram submetidas a exames de sangue para medir seus níveis de insulina e quantificar sua resistência à insulina.

A análise do grupo inteiro indicou que o perímetro do punho representa 12% da variação na resistência à insulina e nos níveis de insulina. A análise de imagens indicou que o tamanho do osso do pulso é responsável por 17% da variação de resistência à insulina.

Os pesquisadores descobriram que a correlação entre a secção transversal dos ossos do punho e a resistência à insulina é muito mais forte do que a correlação entre o índice de massa corporal (IMC) e os níveis de insulina ou resistência à insulina (o IMC é um valor numérico de peso e altura usado clinicamente para avaliar o peso de uma pessoa).

Vários estudos recentes afirmam que altos níveis de insulina no sangue estão associados com aumento da massa óssea. A maneira com que a insulina pode agir como um fator de crescimento tornou-se mais clara com a descoberta do fator 1 de crescimento símile a insulina, um hormônio com estrutura química similar à insulina que regula a produção de células ósseas.

A circunferência do pulso pode ser um marcador para metabolismo ósseo aumentado na presença de altos níveis de insulina. Se assim for, a circunferência do punho pode ser uma ferramenta segura para averiguar o risco das crianças e adolescentes.

Segundo os cientistas, uma das grandes prioridades da prática clínica atual é a identificação de jovens em risco aumentado de resistência à insulina, por isso a nova descoberta pode ser muito útil

Fonte: http://hypescience.com/tamanho-do-pulso-pode-detectar-jovens-com-risco-de-doenca-cardiovascular/

A campanha nacional contra o uso de agrotóxicos


Mais de 20 entidades da sociedade civil brasileira, movimentos sociais, entidades ambientalistas e grupos de pesquisadores lançaram uma campanha nacional, de caráter permanente, contra o uso dos agrotóxicos no Brasil.

A campanha pretende abrir um debate com a população sobre a falta de fiscalização, uso, consumo e venda de agrotóxicos, a contaminação dos solos e das águas e denunciar os impactos dos venenos na saúde dos trabalhadores, das comunidades rurais e dos consumidores nas cidades.

O secretário-executivo da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), Denis Monteiro, apresenta os objetivos da campanha.

“A primeira questão é que nós precisamos estabelecer uma coalizão, uma convergência ampla dos movimentos da área da saúde, da agricultura, comunicação e direito, para fazer a denúncia permanente desse modelo baseado no uso de agrotóxicos e transgênicos que tornou o Brasil campeão mundial do uso de agrotóxicos; e os impactos são gravíssimos na saúde dos trabalhadores, no meio ambiente, na contaminação das águas. ’’

Segundo Monteiro, além do caráter de denúncia, a campanha pretende também apresentar à sociedade o modelo proposto pelas entidades, mais saudável, baseado na pequena agricultura.

“Outro campo de articulação é mostrar para a sociedade e avançar na construção de outro modelo de agricultura, baseado na agricultura familiar, camponesa, em toda sua diversidade, dos povos e comunidades tradicionais, assentamentos de reforma agrária, e que este modelo sim pode produzir alimentos com fartura, alimentos de qualidade, com diversidade e sem uso de agrotóxicos. Temos estudos que mostram que a agroecologia é viável, produz em quantidade e em qualidade, e o local para a agroecologia acontecer são as áreas da agricultura familiar. Então outro campo de articulação importante é avançar na construção destas experiências em agroecologia que a gente já vem construindo, multiplicá-las pelo país, mostrando que este é o futuro da agricultura, e não vai ter futuro para o planeta se a gente não construir este modelo alternativo ao modelo que está aí’’

Monteiro aponta ainda que a atuação no âmbito das políticas públicas também se constituirá em um eixo importante da campanha.

“A Anvisa tem um trabalho de análise de resíduos de agrotóxicos e alimentos, que precisa ser ampliado para mais culturas, ter aumentada sua abrangência; está também fazendo reavaliações de agrotóxicos que têm um impacto terrível na saúde, propondo restrição ao uso e banimento de produtos. Por outro lado, precisamos avançar nas políticas direcionadas à agricultura familiar, para que elas possam fomentar o resgate da biodiversidade, o resgate das sementes crioulas, possam fortalecer as experiências de comercialização direta dos agricultores familiares com os agricultores. O Programa Nacional de Alimentação Escolar precisa ser efetivado, uma alimentação de melhor qualidade nas escolas, que o dinheiro público usado para alimentação escolar seja destinado à compra da agricultura familiar – a lei aprovada ano passado obriga que no mínimo 30% seja destinado para a compra da agricultura familiar; temos que lutar para que esta conquista seja efetivada.’’

Para o integrante da Via Campesina Brasil e da coordenação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stedile, a campanha pretende propor projetos de lei, portarias e iniciativas legais e jurídicas para impedir a expansão dos agrotóxicos.

“Seria uma boa iniciativa que os municípios começassem a legislar, porque é possível que as câmaras proíbam o uso de determinado veneno no seu município, e que a própria população fiscalize. Mas isso não basta ser iniciativa do vereador, é preciso que toda a sociedade se mobilize para garantir, inclusive, que o comércio não venda, que os fazendeiros não usem e que, afinal, nós vamos criando territórios livres de agrotóxicos, e vocês vão ver como a qualidade de vida vai melhorar muito nesses municípios.”

Stedile ainda avalia a natureza do uso dos agrotóxicos no Brasil e suas graves consequências.

“Nós estamos aplicando um bilhão de litros por ano, e isso representa, em média, cinco litros de veneno por pessoa. Não há parâmetro similar em qualquer outra sociedade do planeta, nem sequer nos Estados Unidos, que são a matriz indutora de toda a utilização de venenos na agricultura a partir da Segunda Guerra Mundial.”

Para Stedile, a redução e a eventual erradicação do uso de agrotóxicos dependem, fundamentalmente, da conscientização da população.

“Então nós esperamos que, daqui para diante, possamos congregar este conjunto de forças sociais, desde os movimentos sociais, dos trabalhadores, dos pesquisadores, dos médicos, das universidades, dos institutos de ciência, para fazermos uma grande articulação nacional e, de fato, conseguirmos paulatinamente ir diminuindo o consumo de venenos, até chegarmos, quiçá, em médio prazo, à eliminação total do uso de agrotóxicos na agricultura brasileira – o que seria uma grande conquista para toda a sociedade. Para que se tenha uma idéia, eu acho que a campanha contra os agrotóxicos é muito parecida com a campanha contra o fumo, porque no fundo o tabaco também usa muito agrotóxico, o tabaco é um veneno, causa gravíssimos problemas de saúde para a população, e somente de uns dez anos pra cá é que a sociedade brasileira começou a se conscientizar e fazer uma campanha contra o cigarro. E nós conseguimos reduzir: 30% da população eram fumantes e, hoje, só 12% são fumantes’’

De acordo com Letícia Silva, da Anvisa, é preciso que a campanha consiga promover uma grande consulta junto à sociedade brasileira sobre o tema.

“Não sei o tempo: quando colocamos a possibilidade de retirada de um produto agrotóxico do mercado, muitas vezes a gente recebe poucas manifestações favoráveis à retirada daquele produto no mercado, e muitas manifestações pela manutenção do produto no mercado. Então acho que a primeira coisa, a mais simples – e que independe até de uma grande mobilização – são as organizações da sociedade mostrarem o que estão pensando a respeito, mostrar o seu desejo com relação aos produtos agrotóxicos. Querem realmente que sejam controlados? Que produtos precisariam ser banidos, quais estão causando intoxicação? “

A campanha nacional contra o uso de agrotóxicos também promoverá iniciativas ligadas à educação – com a produção de cartilhas para as escolas – e realizará seminários regionais e audiências públicas.

Reportagem: Maria Mello.

Fonte: http://www.radioagencianp.com.br/9576-A-campanha-nacional-contra-o-uso-de-agrotoxicos

terça-feira, 12 de abril de 2011

Mercado dos agrotóxicos, legislação e irregularidades


O Brasil é o principal destino de agrotóxicos proibidos no exterior, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU). Pelo menos dez variedades vendidas livremente aos agricultores, no Brasil, não circulam na União Europeia e Estados Unidos. Para fabricantes e fornecedores, os riscos de prejuízo são mínimos. Desde 2002, apenas quatro produtos foram barrados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Um exemplo é o endossulfam, uma substância considerada altamente tóxica e associada a problemas reprodutivos. Por isso é vetado em 45 países. No entanto, a comissão formada pela Anvisa, Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) e Ministério da Agricultura decidiu que o produto será banido somente em 2013. Em 2009, o Brasil importou mais de duas mil toneladas do endossulfam, de acordo com a Secretaria de Comércio Exterior. Para a gerente de normatização da Avisa, Letícia Silva, isso é resultado da pressão das empresas.

“A pressão sempre é no sentido de avaliar mais rápido determinado produto, para que ele possa chegar ao mercado mais depressa e passar à frente de outras empresas. No caso de reavaliação, existe pressão para o produto não ser reavaliado. Isto significa poder tirá-lo do mercado. Isso ocorreu tanto no âmbito político, com tentativas de sustar a reavaliação toxicológica iniciada pela Anvisa, como também no âmbito judicial. As empresas ingressaram com três ações diferentes para impedir a reavaliação daqueles 14 produtos agrotóxicos que Anvisa colocou em avaliação em 2008.”

A pressão das empresas passa por diversas instituições. Em 2010, as empresas Shell e Basf conseguiram reverter uma condenação bilionária, que indenizava ex-funcionários de uma fábrica de agrotóxicos de Paulínia, que ficaram doentes por conta do contato com os produtos químicos. A presidente do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável do Rio Grande do Sul, Regina Miranda, avalia que a legislação está sofrendo modificações a partir dos interesses das empresas.

“A regulamentação não é clara. E ela vem mudando progressivamente, numa postura de criar essa confusão dos legisladores para judiciar o uso irregular. Numa hora, o agrotóxico é proibido, mas liberam o genérico dele, que recebe outro nome científico e é liberado, mas o nome comercial é proibido. Existe uma confusão em tudo isso. Pouca capacidade do Estado de acompanhar, regular e capacitar agricultores para o uso. Então, ele contamina o trabalhador da indústria que fabrica, contamina o agricultor que o utiliza, no solo, e as pessoas que bebem água contaminada e comem os alimentos com agrotóxicos.”

Um total de 2.195 marcas de agrotóxicos estão registradas no Brasil. Segundo o sindicato do setor, 400 toneladas de produtos sem registro já foram apreendidas desde 2001. O comércio ilegal movimenta R$ 500 milhões por ano.

Letícia Silva, da Anvisa, explica como é o processo de adulteração, a partir do exemplo da empresa israelense Milenia, autuada, em 2009, por fabricar agrotóxicos com formulação diferente da permitida.

“Ela buscou o registro com uma formulação. Aquela formulação colocava o produto como extremamente tóxico. Ela apresentou uma nova formulação e obteve o registro do produto como ‘classe 3’, que é medianamente tóxico. Era um produto utilizado na cultura do fumo, um antibrotante, inibidor de crescimento. Nós tínhamos coletado o produto no mercado e o submetido a uma análise. O INC, da Polícia Federal, constatou que a formulação do produto não era a mesma que havia sido registrado. Quando chegamos [na linha de produção], constatamos que ela tinha adulterado a fórmula e estava produzindo uma fórmula sem registro, que é um produto ‘classe 1’, extremamente tóxico”.

O monocultivo é o principal destino dos agrotóxicos. O integrante do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) Frei Sérgio Görgen afirma que a política de crédito beneficia a monocultura e impõe dificuldades para a produção diversificada.

“Uma única cultura agrícola em uma enorme extensão é induzida pelo crédito, pelos insumos, pela rede de compra e pela indústria. Você quase não consegue sair disso. E quando é soja, é só transgênica, não tem semente convencional. Não tem insumo para manejo de cultivo convencional. Então, o agricultor é obrigado a fazer. E se um assentamento estiver numa região dessas, a maioria ou produzirá soja ou estará fora do mercado. Há uma indução forçada, uma pressão do modelo econômico e político do país para que o monocultivo tome conta de algumas regiões.”

O uso dos agrotóxicos está ligado também ao comércio dos transgênicos. Dados do primeiro semestre de 2010 do Ministério da Agricultura apontam que, de cada quatro variedades de milho lançadas no mercado, três são transgênicas.

As novas variedades de sementes transgênicas surgiram com a promessa de reduzir o consumo de agrotóxicos. Para o coordenador do Greenpeace Iran Magno, o processo foi inverso.

“A promessa era a de que as sementes transgênicas trariam benefícios ao meio ambiente, porque diminuiriam o uso de agrotóxicos. Mas o que está surgindo - e é um fenômeno que já acontece no Brasil- o uso intensivo de glifosato estimulou o desenvolvimento de algumas ervas daninhas resistentes a este produto, as superervas; e os produtores estão utilizando agrotóxicos cada vez mais agressivos ao ambiente e à saúde. Na região Sul, por exemplo, há agricultores utilizando o 24-D, que é um dos ingredientes do ‘Agente Laranja’. Então, o surgimento destas superervas já enterrou as promessas de que os transgênicos iam trazer benefícios ao meio ambiente e à economia do produtor. Eles estão comprando mais agrotóxicos e utilizando os mais agressivos.”

Para a pesquisadora da Universidade Federal do Ceará (UFC) Raquel Rigotto, nem mesmo os grandes produtores suportam o alto custo dos agrotóxicos.

“O preço dos venenos tem sido um custo importante para as empresas. Hoje, elas já começam a se interessar por tecnologias de agricultura orgânica, não por princípio ético de respeito à natureza, mas por causa do custo dos agrotóxicos nos processos de produção dela. Na produção de abacaxi, este custo é de 45%. A reversão desse quadro depende da imposição de limites para esse modelo produtivo. E estes limites devem ser colocados pelo Estado.”

Pesquisas apontam que a disponibilidade de nutrientes fundamentais para a saúde é menor em alimentos produzidos com agrotóxicos. Além disso, o organismo humano não é capaz de eliminar os resíduos ingeridos. A atriz Priscila Camargo considera que o problema não pode ser encarado com naturalidade.

“Nós estamos consumindo, segundo pesquisadores importantes – gente da maior seriedade –, cinco litros de agrotóxicos por ano, cada pessoa. Já pensou em você ficar tomando um lixo químico? A situação é muito grave. Eu fiquei muito impressionada com as informações. A população não tem acesso a isto, porque a grande imprensa não divulga. Nós temos direito a um alimento de qualidade, temos direito a um alimento natural, a uma água natural, como Deus fez.”

Reportagem: Jorge Américo.
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Fonte: http://www.radioagencianp.com.br/9571-Mercado-dos-agrotoxicos-legisla%C3%A7%C3%A3o-e-irregularidades

Contaminação dos alimentos e a saúde pública


Um ditado indiano diz que a gente é aquilo que come. A alimentação sempre ocupou lugar de destaque desde as sociedades milenares. As pessoas comiam para satisfazer as necessidades do corpo, mas também da mente. A comida também se encarregou de perpetuar culturas de povos, passando receitas e costumes de geração para geração, até os dias de hoje.

No entanto, se a gente é o que come, não temos muito o que comemorar. Em nome da correria do dia-a-dia, a alimentação variada de antigamente, com legumes, verduras e frutas, tudo cozido e até mesmo plantado em casa, deu lugar a pães, bolachas, comidas instantâneas e enlatados.

O resultado dos novos maus hábitos foi comprovado em agosto de 2010. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou pesquisa em que mostra que a obesidade já é uma epidemia no país. Desde a década de 70, o déficit de alimentação diminuiu, mas o excesso e a obesidade estouraram. Tanto que o IBGE estima que, se for mantido o ritmo de crescimento de pessoas acima do peso, em apenas 10 anos o Brasil terá se igualado aos Estados Unidos.

Ou seja, o brasileiro está comendo mais, no entanto, com menos qualidade, como explica a nutricionista Regina Miranda, presidente do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável do Rio Grande do Sul (Consea).

“Há exemplo do trigo, batata, derivados de trigo como pão e macarrão, são dominante numa dieta diária. Isso, sem sombra de dúvida, empobreceu a alimentação”.

A má alimentação não se restringe apenas a ter uma dieta empobrecida e com pouca variedade por causa da dita falta de tempo. Também é consequência de um novo padrão alimentar que vem sendo imposto com a industrialização dos alimentos. As pessoas têm comida barata à disposição, mas com pouco valor nutritivo, carregado de açúcar, sal, conservantes e gordura hidrogenada. A mudança na alimentação, embora atinja toda a sociedade, é mais perversa entre os mais pobres, analisa Regina.

“O que faz com que as pessoas muito pobres, que têm uma renda baixa, acabam mais destes alimentos porque são mais baratos. Alimentam maior número de pessoas durante o mês. O resultado disso tudo uma humanidade obesa. É um sistema que obesifica as pessoas, que adoecem muito de doenças relacionadas a maus hábitos alimentares como diabetes, pressão alta, cardiopatia”

Neste novo padrão, a comida deixou de ser um alimento e passou a ser tratada como uma mercadoria, vendida aos consumidores, à população. Quem nunca escolheu, no supermercado, a laranja maior, mais lustrosa, a mais bonita? São essas as características que definem o valor nutricional dos alimentos? Há prateiras específicas até mesmo para as crianças, com bolachas e salgadinhos com carinhas e diversos sabores.

Para a nutricionista Regina Miranda, não é a aparência o que deve contar na hora de optarmos por uma alimentação mais saudável, e sim a sua essência.

“Não comemos mais alimentos, comemos mercadoria. Aquilo que vou comer estão embutidos outros valores em troca que não são necessariamente importantes para a minha saúde. Tem valor como uma mercadoria que tem que gerar lucro, tem que ter tempo de prateleira, estar maquiada”.

Muitas vezes, a comida mais bonita e que pode parecer mais apetitosa aos olhos não é necessariamente a melhor para a nossa saúde. Isso porque para deixarem o alimento com essa “boa” aparência, os agricultores usaram agrotóxicos na hora de plantar e produzir. Em 2009, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos e se tornou o líder mundial no uso de veneno agrícola. Foram consumidos 1 bilhão de litros por ano no país. É como se cada brasileiro consumisse, em média, 5 litros de veneno por ano.

A pesquisadora Rosany Bochner coordena o Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (SINITOX). Ligado à Fundação Oswaldo Cruz, o sistema centraliza e divulga os casos de envenenamento e intoxicação registrados na rede nacional. Os casos mais registrados pelo sistema são de efeito agudo, que ocorre quando a pessoa apresenta reações logo após a intoxicação.

No entanto, os casos crônicos, em que os efeitos aparecem após a exposição por um longo período aos agrotóxicos, são em grande maioria e não se restringem mais aos agricultores, que lidam diretamente com o veneno. De acordo com Rosany, atinge toda a população, apesar das dificuldades para comprovar que doenças que hoje afetam a população, como câncer, estão relacionadas aos venenos agrícolas.

“Há 10 anos, com certeza não tinha o consumo que se tem hoje. E se você olhar em termos de câncer e tudo mais, essas doenças aumentaram bastante. Se olhar o mapa das doenças hoje, vê que algumas diminuíram com saneamento, vacinas e com algumas coisas que foram feitas. E outras que vêm aumentando. Até porque a vida média aumentou. Mas a questão do câncer chama muito a atenção. Não sei se é uma coincidência, mas se ouve muito”.

Ainda há os problemas ambientais, como lembra o integrante da coordenação nacional da Via Campesina, João Pedro Stedile.

“Afetam o meio ambiente porque destroem os micronutrientes do solo, contaminam a água do lençol freático, evaporam e voltam com as chuvas. E finalmente, se incorporam com os alimentos e as pessoas que consomem estes alimentos acabam ingerindo pequenas doses permanentes de veneno que vão se acumulando no seu organismo e que afeta, em primeiro lugar, o sistema neurológico e, em segundo lugar pode degenerar as células e se transformar em câncer”

Em 2009, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) constatou que mais de 64% das amostras de pimentão analisadas pelo Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos apontam quantidade de resíduo tóxico acima do permitido. A Anvisa também encontrou , em todos os alimentos analisados, resíduos de agrotóxicos que não são permitidos no Brasil justamente por serem altamente prejudiciais.

A pesquisadora Rosany Bochner, da Fundação Oswaldo Cruz, desmistifica a ideia de que a quantidade de agrotóxicos utilizada é proporcional à escala de grãos produzidos no país.

“Em várias coisas ele [Brasil] não é o maior produtor. É uma ilusão achar que o Brasil é o maior produtor de grãos e que precisaria ser o maior consumidor [de agrotóxicos]. E o Brasil passou de segundo para primeiro, não se iluda, foi exatamente quando os outros países proibiram o uso de alguns produtos e nós não. Logicamente que se tinha uma oferta muito grande de produtos que vieram para cá. Com certeza vieram com preço menor, que se começou a consumir mais”

João Pedro Stedile responsabiliza o agronegócio e as grandes empresas por impor esse modo de produção, baseado no uso de venenos químicos. Ele sugere, por exemplo, a indenização das pessoas que sofreram com os efeitos dos agrotóxicos.

“Espero que algum dia, inclusive, tenhamos leis suficientes não só para proibir o uso do veneno, mas para exigir que estas empresas indenizem as famílias que tenham pacientes com enfermidades decorrentes dos venenos agrícolas”

Reportagem: Raquel Casiraghi.

Março de 2011.

Fonte: http://www.radioagencianp.com.br/9575-Contaminacao-dos-alimentos-e-a-saude-publica

Os danos dos agrotóxicos ao meio ambiente



Na última safra, as lavouras brasileiras bateram o recorde de uso de agrotóxicos. De acordo com informações do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Agrícola (Sindage), mais de um bilhão de litros de veneno foram usados na agricultura. Se confirmado o volume de vendas estimado em 2010 pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), esse recorde pode ser superado. A entidade estima um crescimento de até 8%, em relação ao período anterior.

O uso excessivo destas substâncias químicas está relacionado com o modelo agrícola brasileiro, que se sustenta no latifúndio, na monocultura, na produção altamente mecanizada para a produção em larga escala. Para sustentar essa lógica, empresas e produtores precisam usar sem qualquer controle os agrotóxicos. 

Mas para onde vai este veneno? Grande parte dele vai parar nos alimentos à venda nos supermercados, nas feiras. Ou seja, vai parar na mesa da população e, depois, no estômago.

Um estudo realizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) detectou no pimentão mais comum, vendido nos supermercados, substâncias tóxicas no patamar de 64% além da quantidade permitida. Na cenoura e na alface, foram encontrados 30% e 19% de agrotóxicos acima do recomendável pelo órgão do governo. Vale lembrar que a quantidade limite de agrotóxicos e produtos proibidos são diferentes para cada cultura, mas é certo afirmar que estamos comento produtos envenenados.

Além da contaminação dos alimentos, os agrotóxicos estão se dispersando no meio ambiente, seja na terra, água e até mesmo o ar. Muitos desses agrotóxicos comercializados no Brasil, inclusive, formam banidos da União Europeia (UE).

Uma operação da Anvisa, que durou aproximadamente dez meses e visitou sete fábricas de agrotóxicos instaladas no Brasil, concluiu que seis delas desrespeitavam as regras sanitárias e tiveram as linhas de produções fechadas temporariamente. Entre as irregularidades encontradas, estão o uso de matéria-prima vencida e adulteração da fórmula.

Para a gerente de normatização da Anvisa, Letícia Silva, as irregularidades encontradas se tornam mais preocupantes, pois esses agentes químicos são comercializados e estão se espalhando pelo meio ambiente.

“É bastante assustador. Principalmente quando pensamos que a água que bebemos está contaminada. Há estudos que mostram que há resíduos de agrotóxico na água da chuva e no ar. Um estudo feito pela Universidade Federal do Mato Grosso constatou que há resíduos de agrotóxicos no ar respirado em escolas da zona rural e até mesmo urbana, de municípios que plantam soja. Está em xeque nossa possibilidade de decidir. Começa aparecer indícios que toda uma cadeia alimentar está contaminada, desde a água, o solo, até o ar.

Letícia Silva se refere ao estudo da Fundação Oswaldo Cruz e da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Foram medidos os efeitos do uso de agrotóxicos em moradores de dois municípios produtores de grãos: Campo Verde e Lucas do Rio Verde.

Foi constatado que os agrotóxicos estão até mesmo no sangue e na urina das pessoas. O levantamento monitorou a água dos poços artesianos e identificou a existência de resíduos de agrotóxicos em 32% das amostras analisadas.

Em 40% dos testes com a água da chuva, também foi identificada a presença de venenos agrícolas. Nos testes com o ar, 11% das amostras continham substâncias tóxicas, como o endossulfam, proibido pelo potencial cancerígeno.

O médico e professor da UFMT, Wanderlei Pignatti, relata a situação.

“Não existe uso seguro de agrotóxicos. Uso de agrotóxico deve ser considerado como uma poluição intencional, por quê? As pragas das lavouras que são as ervas daninhas, fungos e insetos, estão crescendo no meio da plantação. Se eles estão crescendo, o fazendeiro poluiu aquele ambiente de maneira intencional para tentar atingir as pragas. Com esta prática, ele polui o ambiente de trabalho, todo o meio ambiente e inclusive polui o alimento que está produzindo. Por isso o fazendeiro sabe que todo agrotóxico que ele compra é nocivo.” 

Contaminação parecida foi constada no município de Limoeiro do Norte (CE). Agrotóxicos pulverizados por avião sobre as monoculturas estão contaminando a água da região. De acordo com resultados parciais de pesquisa da Universidade Federal do Ceará (UFC), pelo menos sete tipos de venenos já foram encontrados nas amostras de caixas d’águas que abastecem diretamente as torneiras da população. O morador do município e integrante da Cáritas Diocesana, Diego Gradelha, afirma que o agrotóxico já está contaminando até mesmo um aquífero.

“Já sabemos que há pelo menos setes princípios ativos de agrotóxico na água que bebemos. O Aquífero Jandaíra, com águas a 100 metros de profundidade, já está contaminado. O agrotóxico contamina o homem e a água. Mas existe uma cegueira na administração pública em não fiscalizar e nem cobrar das empresas provas que eles não contaminam.”

De acordo com o integrante dos Movimentos do Atingidos por Barragens (MAB) do estado de Pernambuco, Celso Rodrigues dos Santos, a lógica de produção das grandes empresas para a monocultura acabou sendo adotada pelos pequenos agricultores, que usam excessivamente agrotóxicos para matar qualquer praga que aparece nas plantações.

“Temos uma preocupação muito grande com esta questão dos inseticidas. Quando aparece uma praga o pessoal nem respeita o tempo certo da colheita, e para cultivar o produto “limpo”, sem praga, já sai jogando muito agrotóxico.”

O solo está constituído por uma mistura variável de minerais, matéria orgânica e água, capaz de sustentar a vida das plantas na superfície da terra. A professora da Universidade Federal do Ceará, Raquel Rigotto, explica que não é possível separar os agrotóxicos da destruição do ambiente.

“As empresas chegam e já promovem o desmatamento, reduzindo a biodiversidade que é fundamental para manter o equilíbrio do ecossistema, fato que protege as lavouras contras as pragas. Em seguida entram com a monocultura que nada mais é que a afirmação do oposto da biodiversidade. Depois aplicam uma série de pratica de fertilização. E critérios de produtividade por hectare são impostos à terra para estressar as plantas e produzir rapidamente o fruto. Este modo de produzir é indutor da necessidade do uso de agrotóxico. Com isto a terra está respondendo de forma muito dolorosa. No Ceará, há três fazendas que interromperam a produção porque a terra não produz mais.” 

A preservação do meio ambiente, como da água, do solo, do ar e das chuvas, deixa para todos os brasileiros a tarefa de discutir quem são os grandes beneficiados e prejudicados pelo uso excessivo de agrotóxicos nas lavouras de nosso país.

Reportagem de Danilo Augusto, da série especial “Os perigos dos agrotóxicos no Brasil”, produzido pela Radioagência NP

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Ação terapêutica da meditação na dor

Pesquisadores da escola de Medicina da Universidade Wake Forest Novo procuraram através de um estudo correlacionar meditação com ação terapêutica no controle da dor.

O estudo apesar de não ter contado com um grande número de participantes, teve uma conclusão interessante e que merece investigação.

Participaram do estudo 18 jovens, assintomáticos, sem qualquer problema de saúde e sem experiência com técnicas de meditação. Os mesmos receberam 4 sessões de treinamento em meditação (duração de 20 minutos cada). 

Eles aprenderam uma técnica na qual o indivíduo deve prestar atenção no seu padrão respiratório, levando o foco da sua mente para o fôlego sempre que tiver pensamentos que podem distraí-la da prática. A atividade cerebral dos jovens foi medida antes e após o treinamento com ressonâncias magnéticas.

Durante os exames, um aparelho que liberava 120 graus de calor entre intervalos de 12 segundos durante 5 minutos foi preso aos tornozelos dos participantes. Essa temperatura causa dor à maioria das pessoas.

Após o treinamento, a maioria dos indivíduos conseguiu meditar durante o exame, controlando seus pensamentos e bloqueando o barulho da máquina de ressonância. Com a meditação, a intensidade da dor foi reduzida em 40%. O desconforto causado pela dor diminuiu 57%.

Os pesquisadores concluiram que a meditação pode auxiliar no controle da dor, mesmo que a pessoa tenha pouco treinamento.

A meditação vem sendo usada há muito tempo como uma forma de controlar a dor crônica, mas nesses casos os pacientes normalmente são mais instruídos na prática. Os cientistas não sabem dizer se períodos curtos de treinamento poderiam ser efetivos em casos em que a dor é constante. Eles acreditam que a meditação como abordada pela pesquisa pode ajudar pessoas a lidarem com a dor de pós-operatórios e outras situações de dor intensa, porém passageira

Consumo de álcool pode afetar o cérebro

Adolescentes que consomem álcool exageradamente podem ter o crescimento do córtex cerebral afetado, o que resulta em danos cerebrais duradouros.

Segundo pesquisadores da University of North Carolina, a adolescência é um período crítico para o desenvolvimento cerebral, pois é quando o crescimento do córtex atinge o ápice, juntamente com grandes rearranjos dos neurônios.

Fulton Crews, autor da pesquisa, diz que essa remodelação do cérebro, que vai dos 12 aos 20 anos, pode ajudar as pessoas a se adaptarem às exigências da vida na idade adulta se aproxima.

Os resultados sugerem que os indivíduos que bebem muito durante a adolescência podem ser mais propensos a ter déficits que dificultem a adaptação com sucesso às situações de mudança de vida como adultos, possivelmente ligada à química e / ou mudanças estruturais no córtex frontal.

A pesquisa foi publicada na Alcoholism: Clinical and Experimental Research.

Síndrome metabólica aumenta riscos de câncer de fígado

Pesquisas mostram que a síndrome metabólica aumenta riscos de doenças de coração e diabetes, mas um novo estudo sugere que essa condição pode também aumentar as chances de desenvolvimento de câncer de fígado.

A síndrome metabólica é um conjunto de problemas e fatores de risco como pressão alta, nível baixo de “bom” colesterol e grande circunferência abdominal. O estudo envolveu 3.649 casos de carcinoma hepatocelular, 743 casos de colangiocarcinoma intra hepático e 195.953 pessoas que não tinham câncer, como um grupo controle.

Uma análise dos dados de todos os participantes mostrou que pessoas que tinham câncer de fígado tinham maior probabilidade de terem histórico de síndrome metabólica. 37,1% dos indivíduos que sofriam de carcinoma hepatocelular tinham histórico da síndrome, assim como 29,7% dos casos de colangiocarcinoma intra hepático, mas apenas 17,1% das pessoas do grupo controle apresentaram o mesmo histórico.

O estudo foi apresentado no American Association for Cancer Research.

Morangos contra o câncer

Amantes do morango têm agora mais um motivo para consumir com fartura a fruta.

Estudo realizado na Ohio State University Comprehensive Cancer Center, nos Estados Unidos, mostra que o consumo de morangos liofilizados inibe significativamente o desenvolvimento de tumores em pessoas com lesões pré-cancerosas no esôfago.

Segundo os pesquisadores, duas porções da fruta ingeridas por dia ajudaram a diminuir o grau histológico das lesões pré-cancerosas durante o estudo em 29 dos 36 participantes.

"Nosso estudo é importante porque mostra que os morangos podem retardar a progressão das lesões pré-cancerosas no esôfago. Morangos podem ser uma alternativa, ou podem trabalhar juntos com outras drogas quimiopreventivo, para a prevenção de câncer de esôfago. Mas, vamos precisar para testar presente em estudos randomizados controlados com placebo no futuro", diz Dr. Chen Tong, um dos autores da pesquisa.

Fonte: Bom dia doutor

Saúde física afeta prognóstico de câncer de mama

Mulheres que sofrem de câncer de mama ou que já conseguiram vencer a doença devem tomar cuidados extras com sua saúde.

Estar acima do peso, sedentarismo, pressão alta, diabetes e atrite são alguns dos fatores que comprometem a saúde física da pessoa.

Uma nova pesquisa afirma que mulheres que não são saudáveis correm mais riscos de não sobreviverem à doença ou terem que lutar contra uma recorrência do câncer.

Cientistas da Universidade da Califórnia (EUA) analisaram dados de 9.387 casos de sobreviventes de câncer de mama em estágio inicial para ver como esses fatores afetam a doença. Eles descobriram que em mulheres que já haviam vencido o câncer de mama, mas tinham uma saúde ruim, as chances de haver uma recorrência ou o surgimento de um novo câncer eram de 27%.

Os pesquisadores descobriram também que o risco de morte (por qualquer motivo) aumentava em 65% em mulheres com saúde ruim.

A pesquisa foi apresentada na reunião anual da American Association for Cancer Research.

Fonte: Bom dia doutor

Cerca de 10% dos casos de câncer em homens são atribuíveis ao álcool

Cerca de 1% dos casos de câncer em homens e de 3% em mulheres é atribuível à ingestão de álcool, revela um estudo realizado em oito países europeus.

Os resultados da pesquisa, publicados na revista científica "British Medical Journal"(BMJ), revelam também que pelo menos 40% dos casos de câncer atribuíveis à ingestão de álcool se dão em indivíduos que superam habitualmente os limites recomendados de consumo diário de bebidas alcoólicas.

A pesquisa, dirigida pelo epidemiologista alemão Madlen Schütze, foi realizada em França, Itália, Espanha, Reino Unido, Holanda, Grécia, Alemanha e Dinamarca. "Nossos dados revelam que muitos casos de câncer poderiam ter sido evitados se o consumo de álcool se limitasse às recomendações de muitas organizações de saúde.

E se evitariam muitos mais casos se as pessoas reduzissem sua ingestão de álcool para abaixo desses limites, ou inclusive parassem de beber", afirma Schütze. Os resultados estão baseados nas estimativas de risco de um estudo sobre câncer e nutrição, o Epic, realizado entre 1992 e 2000 com 520 mil pessoas de entre 35 e 70 anos escolhidas ao acaso em dez países europeus e nos dados sobre consumo de álcool da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A pesquisa se centrou em 363.988 homens e mulheres incluídos no Epic, que responderam a um questionário sobre sua alimentação e seu estilo de vida. A enquete incluía perguntas específicas sobre o consumo de álcool como a quantidade, a frequência e o tipo de bebida consumida no momento em que foram consultados e nos 12 meses anteriores

Fonte: Bom dia doutor

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Bisfenol pode aumentar risco de diabetes tipo 2

Substância química utilizada em certas embalagens de plástico, inclusive mamadeiras, o bisfenol-A (BPA) já foi acusado de elevar o risco de doenças cardíacas, câncer e problemas de fertilidade. Agora, um novo estudo associa o componente ao diabetes tipo 2.

A conclusão, publicada na “Nature Reviews Endocrinology”, partiu da revisão de mais de 90 estudos que envolvem o BPA e outros componentes químicos tóxicos ao organismo.

Roedores alimentados com uma dieta acrescida de BPA desenvolveram resistência à insulina e perderam a capacidade de manter níveis normais de glicose – um sinal de alerta para o desenvolvimento do diabetes tipo 2. E um estudo feito em 2010 indicou que ratas prenhas transmitiram esse risco aos filhotes.

Pesquisas similares envolvendo seres humanos apresentaram poucos resultados consistentes. Porém, uma análise feita nos EUA entre 2003 e 2004 com quase 1.500 pessoas mostrou que indivíduos com presença de BPA na urina tinham cerca de três vezes mais risco de ter diabetes tipo 2.

Embora os autores digam que são necessários estudos epidemiológicos mais amplos para estabelecer a conexão entre o BPA e a doença, eles argumentam que já existe evidência suficiente para recomendar que a substância seja evitada.

Fontes:
  1. http://www.nature.com/nrendo/journal/vaop/ncurrent/full/nrendo.2011.56.html
  2. http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultimas-noticias/2011/04/05/componente-de-embalagens-plasticas-pode-aumentar-risco-de-diabetes-tipo-2.jhtm

terça-feira, 5 de abril de 2011

O papel das grandes empresas no mercado dos agrotóxicos


Embora o Brasil ocupe a terceira posição no ranking dos maiores produtores agrícolas do mundo, já é líder no consumo de agrotóxicos. Somente em 2009, foram comercializados um bilhão de litros destes produtos. Dependendo do volume de vendas estimado em 2010 pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), esse recorde pode ser superado. A entidade estima um crescimento de até 8%, em relação ao período anterior.

Ainda de acordo com dados da Abiquim as empresas do ramo tiveram faturamento líquido de US$18,2 bilhões com a produção de defensores agrícolas, adubos e fertilizantes em 2010.

Para manter o nível de consumo, os fabricantes e fornecedores estão financiando a produção agrícola. Este incentivo consiste em fornecer, aos produtores insumos, as sementes, adubos, fertilizantes e pesticidas, além de assistência técnica. O pagamento é efetuado após a colheita, que recebe parte da produção.

Com isto, os produtores ficam reféns destas empresas. Um exemplo está na região do Vale do Rio Pardo, no Rio Grande do Sul, conhecida pela forte presença da indústria fumageira. A integrante do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Rosiele Cristiane, denuncia a exploração dos produtores de fumo, que, por meio de contratos, tiram o controle do agricultor sobre a sua produção.

“Antes de iniciar a safra, o orientador agrícola da empresa que presta a assistência técnica, que vai à casa das pessoas, faz o contrato com as famílias. Vê quantos pés de fumo eles querem plantar. Os agricultores assinam esse contrato sem ler: há várias promissórias, em branco também. E este contrato está dizendo que o agricultor não é dono do produto. Ele é o fiel depositário. Isto dá à empresa o direito de buscar o fumo, se o agricultor não entregar. Nos últimos anos, os agricultores estão esperando o melhor preço. Então, no início da comercialização, eles não estão entregando o fumo. Eles esperam até maio, junho, que é a melhor época para vender. Quando o fumo não é entregado para a empresa, e ela tem contratos a honrar no exterior, eles usam dessas artimanhas para buscar o fumo em casa”

A partir deste modelo de financiamento, a venda de defensivos agrícolas, no Brasil, pode crescer de US$ 6,6 bilhões para US$ 8,5 bilhões em cinco anos. No entanto, Rosiele alerta que a pressão das empresas já levou agricultores ao suicídio.

“Eu sempre falo do caso da Dona Eva, que foi uma agricultora. A indústria fumageira chegou à casa dela com o oficial de Justiça e a Polícia. Ela alegou que não tinha nenhuma dívida vencida. Era mês de fevereiro, e a dívida dela só venceria em maio. A empresa alegou ao juiz que ela estava desviando o produto. Ela se sentiu tão humilhada que, no mesmo instante em que eles carregavam o fumo do galpão, ela foi na varanda e se enforcou.”

O mercado mundial de agrotóxicos é dominado por seis empresas: Syngenta, Bayer, Monsanto, Basf, Dow, DuPont e Nufarm. Este negócio mais de US$ 20 bilhões por ano. O lucro cresce com a comercialização dos organismos geneticamente modificados: os transgênicos. As pesquisas na área da biotecnologia permitiram, pela primeira vez na História, o patenteamento de um ser vivo. Segundo o engenheiro agrônomo Horácio Martins, as plantas deixaram de ser espécies vegetais para se tornarem unidades de produção de moléculas.

“A maior parte das moléculas, que são desenvolvidas, não está na natureza. Elas são criadas em laboratórios, e o custo de uma nova molécula, hoje, gira em torno de US$ 250 milhões. Aquele novo germoplasma, o material genético da semente, traz características e propriedades que outras sementes não têm. Ele é inovador e permite, então, ser patenteado.”

A biotecnologia está nas mãos de empresas que controlam quatro áreas: sementes, agroquímicos, farmacêutica e veterinária. Existem cerca de mil princípios ativos de agrotóxicos, que, combinados, criam mais de dez mil formulações. Cada uma dessas formulações gera lucro para as empresas. Horácio Martins explica que as empresas exercem forte pressão sobre o poder público para viabilizar suas atuações na cadeia produtiva.

“Eles têm a patente dos seus produtos, dos princípios ativos que, depois, são combinados para gerar substâncias comerciais. A partir daí, pressionam os governos para que façam legislação, normas internas e um marco regulatório que vai controlar o uso daquela patente, daquele princípio ativo que ela mesma fabricou. Enfim, fabrica o produto e cria regulamentação para controlar o seu uso.”

A Monsanto controla 25% do mercado brasileiro de sementes de hortaliças, que é estimado em 200 milhões de dólares anuais. O domínio das transnacionais sobre a agricultura brasileira conta com apoio do Poder Público. Isto se dá a partir dos investimentos públicos em infraestrutura, isenções tributárias e legislações flexíveis para beneficiar as empresas.

No estado do Ceará, por exemplo, desde 1997, os agrotóxicos estão isentos do pagamento de diversos tributos. A medida foi adotada depois de um decreto do então governador Tasso Jereissati (PSDB).

A isenção é concedida até mesmo para produtos que foram proibidos em seus países de origem. A integrante do Núcleo Tramas, da Universidade Federal do Ceará (UFC), Maiana Maia, avalia que a política de incentivos gera impactos negativos.

“Num contexto em que estas substâncias provocam danos ao meio ambiente, danos à saúde da população, o Estado barateia o custo destes produtos, incentivando o uso de modo que os custos sociais são ‘externados’ pelo sistema público de saúde e pelo sistema público da previdência. Por exemplo, quando o Estado aplica uma política de taxação do cigarro, do álcool, para inibir o uso destas substâncias – porque são consideradas agressivas – e para poder adquirir recursos para financiar o sistema público, uma vez que vai cuidar dos danos, esta lógica ele não aplica para os agrotóxicos”.

Maiana considera que a sobrevivência dos pequenos agricultores depende de um enfrentamento do modelo sustentado na produção em latifúndios para exportação do agronegócio.

“As populações do entorno destes empreendimentos acabam ficando muito vulneráveis, porque elas encontram um Estado que não tem capacidade de fiscalizar. A partir disto, a gente percebe que o embate não é só com as empresas. Existe também um embate que precisa ser feito com estas políticas públicas que beneficiam este tipo de modelo de desenvolvimento.”

Há mais de uma década, a região do Baixo Jaguaribe, no Ceará, está marcada pela produção de frutas em latifúndios por meio da irrigação. Destaque para os monocultivos de banana, melão, abacaxi e mamão.

A expansão das áreas cultivadas representou um aumento de quase 1.000% do uso de agrotóxicos, na região, em quatro anos. Apenas em 2009, foram utilizadas quase 6,5 mil toneladas de produtos químicos.

O impacto na saúde e no meio ambiente foi instantâneo. A Universidade Federal do Ceará detectou, no último ano, a presença de 22 princípios ativos de agrotóxicos na água fornecida para as comunidades que vivem na região. Maia denuncia que, com a falta de monitoramento, vigilância e fiscalização, os resíduos já chegaram ao subsolo.

“Na região do Alto Jaguaribe, fizemos uma coleta ambiental que detectou a contaminação por agrotóxicos no Aquífero Jandaíra. Quando a gente foi esmiuçando esta questão, a gente se deparou com uma legislação do Estado, em que se permite a poluição. Existe uma portaria, nº 518, do Ministério da Saúde, que estabelece valores máximos permitidos de venenos em águas consideradas próprias para consumo humano. Então, a água que as pessoas bebem pode ter veneno. O Estado estabelece isto”.

O Baixo Jaguaribe recebeu, em dez anos, uma chuva de mais de quatro bilhões de litros de calda tóxica. Todo dia uma área de quase três mil hectares é banhada com agrotóxicos. A pulverização é feita por meio de aviões. A população teme os efeitos crônicos para a saúde. Os animais domésticos não estão resistindo, ficam doentes e morrem.

Reportagem de Jorge Américo, da série especial “Os perigos dos agrotóxicos no Brasil”, produzido pela Radioagência NP.

Fonte: http://www.ecodebate.com.br/2011/04/05/o-papel-das-grandes-empresas-no-mercado-dos-agrotoxicos/