quarta-feira, 23 de março de 2011

Poluição eletromagnética

Em torno dessas fontes geradoras de radiofrequência e transmissoras de eletricidade, campos eletromagnéticos atravessam paredes, interferem no funcionamento de equipamentos eletrônicos e, para desespero dos corretores, podem atrapalhar a venda de um imóvel.

Mas, afinal, as antenas oferecem risco à população?

VEJA consultou especialistas e descobriu que a resposta não é simples. Ao contrário da temida radiação emitida pelos aparelhos de radiografia, que em doses excessivas comprovadamente altera a estrutura das células e pode provocar câncer, as ondas não ionizantes, irradiadas por antenas e linhas de transmissão de energia elétrica, ainda causam controvérsia.

REDES DE ALTA-TENSÃO

O que se diz: o campo eletromagnético proveniente das torres de transmissão de energia seria responsável pelo aumento da incidência de câncer, principalmente de casos de leucemia em crianças.

O que dizem os especialistas: em geral, a radiação emitida pelas redes de energia elétrica que cortam as cidades não é perigosa. "São redes de média tensão, que trabalham com menor voltagem e, por isso, geram campos eletromagnéticos menos intensos", explica José Pissolato Filho, coordenador do laboratório de alta-tensão da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Essas linhas são sustentadas por torres de, no máximo, 20 metros de altura.

Os estudos que relacionam o risco de câncer com as redes de energia elétrica referem-se às linhas de alta-tensão, que passam por torres de mais de 30 metros de altura e não cruzam as cidades.

Em 2005, um estudo inglês concluiu que crianças que vivem num raio de 200 metros dessas redes de alta-tensão têm 70% mais probabilidade de desenvolver leucemia. "Não existem, porém, comprovações científicas de que esses campos eletromagnéticos causem câncer, principalmente quando são respeitadas as áreas de isolamento", diz Pissolato.

Pessoas que invadem essa zona de segurança podem perceber a ação das ondas eletromagnéticas sobre o cérebro. "Dependendo da proximidade, as ondas podem interferir na sinapse dos neurônios e afetar o raciocínio e a coordenação motora", diz o neurofisiologista Fernando Pimentel de Souza, professor da Universidade Federal de Minas Gerais

ANTENAS DE TELEFONIA MÓVEL

O que se diz: pessoas que moram ou trabalham perto de antenas de telefonia móvel, as estações radiobase (ERBs), teriam maior propensão a desenvolver tumores malignos.

O que dizem os especialistas: a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) regulamenta as estações radiobase segundo orientações da Organização Mundial de Saúde - que, por sua vez, avalia centenas de estudos internacionais sobre seus efeitos nos seres humanos. E as normas adotadas por muitos países, inclusive o Brasil, estabelecem margens de segurança bem folgadas.

O problema é que não há consenso entre os cientistas sobre os efeitos da radiação e, consequentemente, sobre a forma como são conduzidos os estudos. Uma corrente de pesquisadores acredita que sua característica predominante seja o poder de aquecimento, como acontece no forno de micro-ondas. Outro grupo de cientistas, porém, teme que a alteração térmica seja apenas um dos efeitos dessa radiação.

"É preciso levar em conta que a exposição a longo prazo pode provocar danos nos tecidos e quebra da molécula de DNA. Daí a associação com o surgimento de tumores", diz Álvaro Almeida de Salles, professor de engenharia elétrica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Pesquisas realizadas na Alemanha e em Israel, ambas divulgadas em 2004, indicaram que morar próximo a uma ERB pode triplicar a probabilidade de desenvolvimento de tumores. Por que alguns cientistas relutam em aceitar esses resultados?

"Os estudos epidemiológicos apenas comparam dados estatísticos - de grupos de habitantes expostos com grupos de moradores não expostos a campos eletromagnéticos -, sem apresentar uma relação de causa e efeito. Ou seja, pode haver outras variáveis em jogo", afirma o engenheiro eletrônico José Thomaz Senise, professor e pesquisador do Instituto Mauá de Tecnologia, em São Paulo


ANTENAS DE TRANSMISSÃO DE RÁDIO E TV

O que se diz: além de interferirem no funcionamento de aparelhos eletrônicos, as ondas de radiofrequência causariam nas pessoas desde dores de cabeça até o risco de desenvolver diversos tipos de câncer o que dizem os especialistas: "Nenhuma pesquisa científica conseguiu comprovar que os campos eletromagnéticos cuja intensidade esteja dentro dos limites de segurança ofereçam riscos à saúde", afirma o professor Luiz Trintinalia, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.

Mesmo assim, o assunto cria polêmica. Há duas semanas, a Suprema Corte italiana determinou que a Rádio Vaticano indenizasse uma pequena cidade nos arredores de Roma sob o argumento de que a radiação emitida por uma das antenas da estação estaria acima dos níveis seguros e seria responsável pelo aumento dos casos de tumores e leucemia em crianças.

Os equipamentos eletrônicos, por sua vez, de fato não estão imunes às ondas da radiodifusão. "Mesmo em níveis seguros, a radiação pode interferir no funcionamento dos circuitos elétricos desses produtos", diz Trintinalia.

A culpa pelo computador que se reinicia sozinho, assim, pode ser do campo eletromagnético - e não da lei de Murphy ou da inaptidão tecnológica do dono.

Já os portadores de marca-passos cardíacos estão a salvo. "A interferência nesses aparelhos é muito rara. Em geral, seus circuitos são protegidos da radiofrequência ambiente", explica o cardiologista Carlos Alberto Pastore, do Instituto do Coração, em São Paulo.

Fonte: http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/saude/poluicao-eletromagnetica-622671.shtml

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