domingo, 27 de fevereiro de 2011

Osteoporose: conceito e tratamento na visão biomolecular

Sabemos que se trata de uma doença que a cada dia afeta mais pessoas no mundo. Nos E.U.A. atinge cerca de 15 milhões de pessoas e tende, logicamente a aumentar já que as populações, em geral tendem a aumentar a longevidade.

Quanto mais as pessoas vivem, maior a probabilidade de adquirirem osteoporose e demais processos degenerativos. A principal razão de trazermos estas considerações para serem discutidas é, justamente, para que seja enfatizada a postura preventiva no que diz respeito a essa situação que, se vista de um ângulo profilático, pode ser minimizada.

O que é osteoporose?

Sabemos que se trata de condição em que ocorre desmineralização óssea progressiva, aumentando sua porosidade e, consequentemente, o risco de fraturas já que a textura óssea se torna enfraquecida. Afeta todos os ossos do corpo embora as manifestações mais frequentes se deem por comprometimento de vértebras e colo do fêmur. Na coluna, principalmente lombar, a estrutura vertebral pode ser tão acometida que provoca achatamento dos espaços levando a encurvamento da postura ereta e diminuição da altura do corpo.

Além dessas desvantagens, outras podem se seguir e a pergunta racional que se deve fazer está no “como prevenir” ?

Aprendemos que os ossos são formados de osteoblastos, osteoclastos e células marginais.

As primeiras são responsáveis por formação óssea e tem maior atividade na infância e adolescência, diminuíndo gradativamente sua ação.

As segundas atuam reabsorvendo tecido ósseo e, em condições normais, apresentam o máximo de atividade por volta dos 35-40 anos de idade prolongando-se até o climatério,e as últimas, respondem a certos estímulos, principalmente hormonais, para garantirem equilíbrio na troca de cálcio entre o osso e o resto do organismo.

Devemos lembrar que a estrutura óssea está em constante remodelação e, se possível, devemos estimular a otimização mais prolongada do equilíbrio entre as células ósseas.

Quando ocorrem as fraturas e deformidades devidas à osteoporose, sabemos que o comprometimento já é tardio e torna-se óbvio ressaltar a necessidade de se agir na prevenção já que sabemos ser uma condição na qual não se pode atuar satisfatoriamente no seu tratamento.

Queremos ressaltar que, corriqueiramente, ao se deparar com pacientes portadores de osteoporose, o médico tem a conscientização de que se deve, a todo custo, fornecer cálcio ao organismo doente não se preocupando, no mesmo grau de importância, com as medidas outras que são preventivas, certamente muito mais importantes e efetivas do que a simples administração do mineral.

Deve ser ressaltado que o cálcio ingerido é absorvido pela corrente sanguínea e normalmente eliminado pela via urinária,  praticamente não se dirigindo à estrutura óssea. Se o paciente tiver sorte, não formará cálculo renal, complicação importante no uso indiscriminado de cálcio, como reposição.

Devemos, isto sim, promover a proteção e permanência do cálcio no osso através de medidas conservadoras como atividade física regular e moderada, compatível com a condição individual, abolição ou controle de fumo, café e dieta hiperproteica, exposição moderada e coerente ao sol, além do uso terapêutico de substâncias a critério médico.

O uso clássico do cálcio poderá ser utilizado em conjunto com outros minerais, principalmente o Zn e Mg, além da avaliação própria no uso da hormonioterapia de reposição, vitamina D, calcitonina, bifosfonatos, boro, ácido fólico, vit. K etc.

Não estamos, nestes comentários, preconizando o uso de um ou outro esquema de tratamento e sim, enfatizando a importância do diagnóstico precoce e, principalmente a conduta preventiva.

Todos os pacientes que se apresentarem no curso de uma moléstia crônica, em fase climatérica ou fazendo uso de certos medicamentos que favorecem a desmineralização óssea, além dos mais idosos que sejam predominantemente sedentários, devem ser submetidos a densitometria óssea com finalidade preventiva.

Alertamos aquí que à medida que se envelhece, doenças e processos degenerativos se acentuam e que medidas preventivas servem de melhor conduta para se lidar com a osteoporose para que, num futuro próximo não tenhamos uma legião de inválidos vítimas de uma situação que pode ser “freiada”.

À medida que a longevidade aumenta, osteoporose poderá vir a ser uma praga e um flagelo no século 21.

Autor: Dr. Sérgio Vaisman é médico, especialista em Cardiologia e Nutrologia e se dedica à prática de Medicina Preventiva há vários anos, enfocando o processo do envelhecimento e suas consequências, procurando alcançar as fórmulas mais adequadas para a prevenção dos processos degenerativos que acompanham o fenômeno do envelhecer. Além disso, ressalta a saúde dentro do ambiente tóxico do mundo moderno e como se deve agir para a manutenção de um estilo de vida adequado.  É professor de pós-graduação nas áreas de Bioquímica e Biomolecular, autor de várias publicações científicas, palestrante em cursos, congressos, simpósios, empresas e escolas, além de membro de várias associações científicas nacionais e internacionais. Profere aulas em Universidades de Portugal e Itália. Comentarista e consultor de saúde em vários veículos de comunicação. Autor do livro MULHERES E SEUS HORMÔNIOS - Uma Forma de Retardar o Envelhecimento.

Fonte: http://www.sergiovaisman.com.br/mostra_minha2.php?id=150

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