terça-feira, 31 de agosto de 2010

Poluição Eletromagnética

Como se não bastasse:
1) Poluição do ar
2) Poluição das águas
3) Poluição do solo
4) Poluição sonora
5) Poluição visual

Temo também a já conhecida mas não "tão bem" elucidada POLUIÇÃO ELETROMAGNÉTICA... Acredito que por um bom tempo ainda ficará "inconclusiva", afinal é interesse da indústria de eletrônicos. Não conheço de forma aprofundada sobre o tema mas no tange a área que atuo (ortomolecular) sei que ondas eletromagnéticas são capazes de diminuir consideravelmente a liberação de um dos nossos principais neurohormônios e antioxidante endógeno: Melatonina.

O texto abaixo recebi de uma pessoa confiável e por isso repasso pro blog.



Electrosmog ou Poluição Electromagnética: Ameaça? Pricipio da Precaução é preciso?

“Our lives begin to end the day we become silent about things that matter”. Martin Luther King Jr. (1929 - 1968)

Um novo livro publicado por Samuel Milham - epidemiologista da cidade americana de Seattle que foi pioneiro na pesquisa de campos eletromagnéticos, "Dirty Electricity: Electrification and the Diseases of Civilization" revela que a eletricidade é responsável pela maioria das chamadas "doenças da civilização".
Detalhes em: http://electromagnetichealth.org/electromagnetic-health-blog/sam-milham/

Milham, o autor, recebeu em 1997 o prestigioso Prêmio Ramazzini pela sua contribuição à epidemiologia da doença ocupacional, com referência em particular ao risco carcinogênico dos campos eletromagnéticos. Milham é um expert internacional líder em perigos ocupacionais. Ele fez publicações datadas de 1979 que revelaram que a mortalidade das pessoas que trabalham com eletricidade aumentou devido a certos cânceres.

O trabalho do Dr. Milham é baseado em décadas de registros governamentais de mortes e eletrificação mostrando que a eletricidade é responsável pelo aumento na mortalidade causada por câncer, doenças cardiovasculares, diabetes e suicídio desde o começo do século 20.

A propagação lenta da eletrificação residencial nos Estados Unidos na primeira metade do século 20 das áreas urbanas para as rurais resultaram por volta de 1940 em duas grandes populações que permitiram uma comparação detalhada da propagação da eletricidade com os índices de morte. A eletrificação é claramente associada aos índices maiores de doença e morte. Os índices de morte urbana foram de até 66% maiores do que os índices rurais para doenças cardiovasculares, doenças malignas, diabetes e suicídio em 1940. Os índices de mortes rurais foram significativamente correlacionados com o índice do serviço elétrico residencial por Estado para a maioria das causas examinadas.

A publicação do Dr. Milham sugere que a epidemia do século 20 das chamadas doenças da civilização incluindo doenças cardiovasculares, câncer, diabetes e suicídio foi causada pela eletrificação e não pelo estilo de vida. Ele conclui também que uma grande proporção dessas doenças podem portanto ser evitáveis.

O Dr. Milham comentou também que: "O recente aumento explosivo das fontes de radiação por rádiofrequência e de transientes de voltagem de alta frequência, dos telefones celulares e torres, antenas terrestres, sistemas de telecomunicações WiFi e WiMax, Internet de banda larga através de fios elétricos e equipamento eletrônico pessoal podem estar levando a uma nova epidemia do século 21 igual à epidemia de campos eletromagnéticos do século 20". O fato de esta nova epidemia de doenças e mortalidade estar a caminho é uma grande preocupação para o Dr. Milham.

Como Lidar Com A Eletricidade Suja

Há maneiras de poder reduzir os níveis desta poluição dentro dos nossos ambientes. Pode ser tão simples como substituir as nossas lampadas “ditas económicas” por lampadas incandescentes, uma vez que as lampadas fluorescentes compactas (CFL) , que nos apregoam com “economicas”, criam nos circuitos elétricos, frequências altas e nocivas, emitem UV, contém Mercurio, e tem uma cintilação de frequência tão alta que confunde nosso cérebro. Tambem pode ser que altos niveis de poluição sejam devidos à proximidade de fontes externas de produção de altas frequências, como postes com antenas de telemóveis, ou porque os vizinhos possuam aparelhos que contaminem os circuitos e cablagens elétricas.

São aconselhadas medições dos ambientes de trabalho e quartos de dormir, onde se passam grandes períodos de permanência, e assim determinar os niveis de poluição existentes.

O Parlamento Europeu já reconheceu esta ameaça à nossa saúde, e a Comunidade Cientifica Europeia já determinou valores limite máximos, para a nossa exposição a esta nova ameaça do nosso bem-estar e saúde.

Mais especificamente o esforço da Eurodeputada Frédérique Ries, resultou na ” RESOLUÇÃO DO PARLAMENTO EUROPEU de 2 de ABRIL DE 2009″ sobre as Preocupações com a saúde associadas aos campos electromagnéticos. Processo 2008/2211 (INI) AprovaçãoP6TA (2009) 0216.

http://www.europarl.europa.eu/sides/getDoc.do?pubRef=-//EP//TEXT+REPORT+A6-2009-0089+0+DOC+XML+V0//PT

........

Que Tipo De Problemas Podem Causar Estes Campos?

O sistema nervoso humano, trabalha com impulsos elétricos de muito baixa voltagem, e por isso, os campos induzidos no nosso corpo, causam fatores de desequilíbrio que explicam os vários tipos de sintomas e perturbações. E donde surgem estes campos elétricos que fazem elevar nossa Voltagem Corporal? Na maioria das vezes, eles são induzidos pelas cablagens elétricas que correm dentro das paredes, das nossas casas ou escritórios, ou muitas vezes pelos fios das extensões dos aparelhos que temos à nossa volta. Outra fonte destes campos, pode ser das cablagens no chão, ou no teto do vizinho de baixo, ou podem ser gerados por linhas de distribuição elétrica que passam perto da casa, linhas de alta tensão, linhas de elétricos ou comboios, tranformadores de potência ou sub-estações de distribuição, antenas de telemóveis e outras fontes diversas............

Pesquisas Estão Ligando Autismo A Campos Elétricos E Electromagnéticos, afirma o Dr. Dietrich Klinghardt, MD, PhD da Academia Neurobiologica de Klinghardt, Sussex UK..

Link http://www.klinghardtacademy.com/

Enfim, cientistas emergentes tem vindo a alertar para os efeitos biológicos adversos, causados por este cocktail de radiações electromagnéticas e pedem mais urgentes pesquisas a entidades como a Organização Mundial de Saúde, Parlamento Europeu e Governos. É preciso, aplicar o Principio da Precaução, limitando ao máximo a nossa exposição aos potenciais efeitos negativos.

Links:
www.icems.eu
www.dirtyelectricity.org

Ver no Youtube:

Mobile phones 'more dangerous than smoking: http://www.youtube.com/watch?v=wFpoG-vUffU

Dr. George Carlo EMF Cell Phone Dangers Interview: http://www.youtube.com/watch?v=2GD_BKTWyTY

Calif. Regulators Ban Cell Use By Train Operators: http://www.youtube.com/watch?v=dx2Ft7lZeuE&feature=related

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Herbicida atrazina é associado à inflamação da próstata e atrasos da puberdade

A pesquisa constatou que a incidência de inflamação da próstata passou de 48% no grupo controle para 81% nos ratos do sexo masculino expostos à atrazina.
Por Henrique Cortez - EcoDebate, com informações de Robin Mackar, NIH/National Institute of Environmental Health Sciences

Um novo estudo [Effects of prenatal exposure to a low dose atrazine metabolite mixture on pubertal timing and prostate development of male Long-Evans rats] mostra que a exposição pré-natal de ratos machos a baixas doses de atrazina, um herbicida amplamente utilizado, torna-os mais propensos a desenvolver inflamação da próstata e ao passar pela puberdade mais tarde do que os animais não-expostos. A pesquisa acrescenta mais um efeito negativo à crescente da literatura científica sobre a atrazina, um herbicida usado principalmente para controlar ervas daninhas e gramíneas em culturas como milho e cana-de-açúcar. A atrazina e seus derivados são conhecidos por serem relativamente persistentes no ambiente, podendo contaminar recursos hídricos, atingindo, inclusive, os sistemas de abastecimento de água.

A pesquisa, que está disponível online e será destaque na capa da revista Reproductive Toxicology (Volume 30, Issue 4), constatou que a incidência de inflamação da próstata passou de 48% no grupo controle para 81% nos ratos do sexo masculino que foram expostos a uma mistura de atrazina e seus produtos de degradação durante a fase pré-natal. A gravidade da inflamação aumentou com a força das doses. A puberdade também se atrasou nos animais que foram expostos à atrazina.

As doses da mistura atrazina dado aos ratos durante os últimos cinco dias de sua gravidez estão próximos aos níveis regulamentados, nos EUA, para fontes de água potável. O nível de contaminação corrente máxima permitida de atrazina na água potável é de 3 partes por bilhão. As doses administradas aos animais foram de 0,09 (ou 2,5 partes por milhão), 0,87 e 8,73 miligramas por quilograma de peso corporal. A pesquisa foi conduzida por Suzanne Fenton e Jason Stanko, do Instituto Nacional de Ciências de Saúde Ambiental (NIEHS), parte do National Institutes of Health. Fenton começou a trabalhar como pesquisador na Agência de Proteção Ambiental, dos EUA (United States Environmental Protection Agency, EPA), mas terminou a pesquisa no NIEHS. Ambos, NIEHS e EPA, forneceram apoio financeiro para o estudo.

“Nós não esperamos ver estes efeitos em níveis tão baixos de exposição,” diz a Dra. Fenton. Ela acrescenta que este é o segundo estudo que mostra os efeitos de baixas doses de atrazina. Fenton foi o autor sênior em um estudo de 2007, que demonstrou que exposição a baixas doses de atrazina era associada ao atraso no desenvolvimento mamário de ratas. “Foi interessante notar que a inflamação da próstata diminuiu ao longo do tempo, sugerindo que os efeitos podem não ser permanentes”, disse David Malarkey, um patologista do NIEHS e coautor do estudo.

Fenton salienta que estes resultados podem ultrapassar os efeitos da atrazina isoladamente e podem ser relevantes para outros herbicidas encontrados na mesma ‘família’ das triazinas, incluindo propazine e simazina. Todos os três herbicidas possem as mesmas características de degradação no meio ambiente. “Esperamos que esta informação seja útil para a EPA,na sua avaliação de risco da atrazina”, disse Linda Birnbaum, diretora do NIEHS e do National Toxicology Program.

Os resultados da pesquisa serão apresentados à EPA, em setembro, como parte da reavaliação da atrazina. EPA anunciou, em 2009, que havia começado uma avaliação global da atrazina, para determinar os seus efeitos em seres humanos. No final deste processo, a agência vai decidir se irá rever a sua avaliação do risco atual da atrazina e se novas restrições são necessárias para melhor proteger a saúde pública.

Para mais informações sobre a avaliação de risco da atrazina, realizado pela EPA, acessem o hotsite in http://www.epa.gov/pesticides/reregistration/atrazine/atrazine_update.htm.

O artigo apenas está disponível para acesso aos assinantes da revista Reproductive Toxicology.
Jason P. Stanko, Rolondo R. Enoch, Jennifer L. Rayner, Christine C. Davis, Douglas C. Wolf, David E. Malarkey, Suzanne E. Fenton, Effects of prenatal exposure to a low dose atrazine metabolite mixture on pubertal timing and prostate development of male Long-Evans rats, Reproductive Toxicology, In Press, Corrected Proof, Available online 19 August 2010, ISSN 0890-6238, DOI: 10.1016/j.reprotox.2010.07.006.

Fonte: Ecodebate e Ecoagência

domingo, 29 de agosto de 2010

Água: Importante e esquecida



Há cerca de 08 anos atendi, no HFA, uma senhorita dos seus “quase” 30 anos, com uma queixa bastante comum: Cefaléia (dor de cabeça). A paciente relatava que já havia passado por Otorrino, Oftalmo, Neurologista, Clínico e até Endocrinologista,com as prescrições dos mais diversos tratamentos e a presunção de várias hipóteses diagnósticas , sem qualquer melhora , entretanto . Durante sua consulta , entre as várias perguntas habituais , questionei acerca do quanto de água ela ingeria por dia e de que forma (ou seja , com qual periodicidade) ;esta senhorita me referiu que ingeria pouca água diariamente e sobretudo à noite, porque “não sentia sede” ; após mais algumas perguntas e um exame físico praticamente sem alterações, suspendi as medicações para enxaqueca e cefaléia em geral que a paciente estava tomando e disse-lhe que ela apenas precisava tomar água adequadamente; um tanto quanto descrente, após um pouco de conversa, ela voltou para casa .

Após apenas uma semana, retornou referindo que não sentia mais qualquer dor de cabeça, que seu intestino funcionava melhor e que até sua disposição havia melhorado... Milagre ? Não. Bom senso. Casos como este são bastante comuns e quando a cura não depende da simples mudança ou adequação de hábitos em nossas vidas, pelo menos algum grau de melhora está envolvido; Todos sabemos o quanto é importante uma ingesta adequada de água diariamente mas quase sempre negligenciamos a devida atenção que lhe deveria ser dada.

Para mostrar o quanto é fácil convencer-se dos inúmeros benefícios da ingestão hídrica adequada e de como fazê-la, basta observar que todos os dados fornecidos no texto que se segue foram obtidos pesquisando-se as palavras “água”, “ importância” e “saúde”, simultaneamente, no site de busca Yahoo!Brasil, o que forneceu 40.103 referências sobre o assunto ! Sendo assim, não há como justificar a falta de informação com falta de tempo, não saber onde encontrá-la, dificuldade de acesso...

Todos os organismos vivos apresentam de 50 a 90% de água em si. O próprio corpo humano é constituído em 70% por água que, em constante movimento, hidrata, lubrifica, aquece, transporta nutrientes, elimina toxinas e repõe energia, entre inúmeras outras utilidades. Em constante renovação, um indivíduo adulto perde por dia, em condições normais, uma média de 2,5 litros de água (cerca de 800 ml pela expiração e urina, 1,2 litros pela transpiração e 0,6 litros pelas evacuações fecais). Sendo assim, um adulto normal deveria beber pelo menos este dois litros e meio diariamente, para evitar a desidratação.

Há quem pense que nunca esteve desidratado, a quem posso afirmar que a desidratação ocorre todos os dias, por várias vezes; isto porque todos os processos citados (produção de urina, transpiração e produção de fezes/urina) estão constantemente ocorrendo, o que faz da perda de água uma condição igualmente constante. Para se ter uma idéia, quando uma pessoa sente sede, a água já está “em falta” no seu organismo há algum tempo... Isto ocorre porque o corpo tem mecanismos de reduzir a perda de água, reduzindo a produção de urina, desidratando as fezes, diminuindo a transpiração e até “roubando” água da respiração para poupar sua água; quando vem a sede, o organismo está na verdade mostrando que seus reservatórios de água estão com os “níveis baixos” e que não está mais conseguindo compensar as perdas de água. Assim sendo, a ingesta de água deve ser independente da sede, constante e rigorosa. Preconiza-se um mínimo de 01 copo de 200ml de água por hora em que se estiver acordado.

E não adianta deixar para tomar os 2 a 3 litros necessários diariamente de uma só vez. Estudos mostram que o estômago capacita apenas 12 ml/kg/hora de líquidos, ou seja, um adulto não conseguirá tomar mais que 01 litro de líquido de uma só vez sem “passar mal”; some-se a isso o fato que, se houver excesso de líquido no corpo, aumenta a produção de urina proporcionalmente.

Se o leitor ainda não está convencido de que deve tomar seus 3 litros de água diariamente, basta observar que a desidratação diária ocasiona :


•Desvitalização dos cabelos, levando a sua queda e “embranquecimento”;
•Descamação do couro cabeludo;
•Distúrbios de concentração, sono e memória, com perda da disposição para realização das atividades diárias, em virtude da circulação cerebral prejudicada (Uma baixa quantidade de água faz o sangue ficar mais “viscoso” e “grosso”, de circulação mais lenta);
•Ressecamento dos olhos e tecidos das vias aéreas que, com baixa umidade, sofrem lesões com mais facilidade por ficarem mais frágeis, assim tornando-se mais propensos a inflamações ou infecções (conjuntivites, sinusites, bronquites, pneumonias );
•Lesões de pele e sangramentos, com o aparecimento de “cravos” e “espinhas” pela não eliminação adequada de toxinas via pele e seu acúmulo local;
•Queda e enfraquecimento dos pêlos;
•Baixa produção de saliva, levando à sensação de boca seca
•Distúrbio no aproveitamento adequado de vitaminas e sais minerais, com excesso em alguns lugares e falta nos outros, levando a caimbras, dormências, perdas de força muscular e problemas ósseos, dentais,...
•Respiração dificultada, por vezes levando a falta de ar, sobretudo aos exercícios físicos
•Constipação e, por vezes, sangramento retal (devido a fezes ressecadas, endurecidas, que lesam o tecido intestinal ao moverem-se no seu interior)
•Cefaléias (Pela menor chegada de sangue no cérebro e Pela retenção de toxinas, não eliminadas adequadamente em virtude da baixa transpiração e produção de urina/fezes)
•Impotência ou disfunções eréteis ou, no caso das mulheres, sangramentos vaginais;

É certo que há água nos alimentos, mesmo os sólidos, mas a complementação da ingesta diária de água deve ser feita, periodicamente, conforme já disposto. Uma forma prática de checar se a quantidade de água adequada para o seu corpo está sendo tomada é observar a coloração da urina, que deve ser sempre incolor; quanto mais forte a cor, geralmente, mais concentrada está a urina, ou seja, menos água há em relação ao que está sendo eliminado.

Vale lembrar que é sempre bom evitar bebidas alcoólicas e bebidas não naturais (colas, refrigerantes, etc.). Tanto o álcool ( presente nos vinhos, cervejas,...) como a cafeína (presente nos refrigerantes de cola, café,etc.) são diuréticos e assim, embora ajudem a eliminar pelos rins os detritos metabólicos (formados durante o trabalho muscular e processos de desintoxicação e filtragem), obrigam os rins a eliminar água e os sais minerais que deveriam ser retidos para compensar a desidratação; fica, portanto, a dica de intercalar sempre a administração destas substâncias, quando feita, com bastante água ou sucos naturais. Ainda importante é ressaltar que a ingesta de líquidos deve distanciar-se em pelo menos meia hora das refeições, para não prejudicar a digestão.

Uma curiosidade : Há trabalhos científicos evidenciando que muitos tratamentos com medicações orais, sobretudo anticoncepcionais, terapia de reposição hormonal e antihipertensivos não alcançam o devido sucesso em virtude da baixa ingesta de água por parte do paciente; isto dever-se-ia tanto à má circulação da substância pelo corpo quanto pela má absorção da mesma no intestino, processo este dependente da água como veículo de transporte para a substância.

Levando-se em consideração a realidade específica da nossa comunidade, 3 comentários adicionais :


•Aos hipertensos : O rim tem papel fundamental no controle da pressão sangüínea e é o único órgão do corpo que pode parar de receber sangue caso haja desidratação considerável; sendo assim, é especialmente importante a ingesta adequada de água aos portadores de pressão alta;
•Os aparelhos de ar condicionado desidratam ainda mais o ambiente, sobre tudo as vias aéreas, tornando consideravelmente maior e mandatória a reposição de água, freqüente;
•Uma adequada ingesta hídrica, associada a dieta regular (5 a 6 refeições por dia) rica em fibras, e exercícios físicos regulares são tudo o que qualquer pessoa precisa para perder peso e/ou manter-se no seu peso ideal (Tema a ser discutido nos próximos artigos)

Fonte:
Artigo escrito por Ícaro Alves de Alcântara, médico; atua em Clínica geral, Homeopatia, estética e ortomolecular.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

"A Monsanto não é confiável"

Repostando uma entrevista interessante que a Revista ÉPOCA fez com a francesa Marie Monique Robin, a autora de um livro polêmico chamado " O mundo segundo a Monsanto"
que mostra o que há por tras da indústria de transgênicos e agrotóxicos. Vale a pena ler a reportagem. Já havia postado, porém, vale a pela ler novamente.



A documentarista francesa Marie-Monique Robin, autora de O Mundo Segundo a Monsanto, dedicou três anos de sua vida para desvendar como uma indústria de químicos virou a maior companhia mundial de sementes transgênicas e uma das empresas mais influentes do planeta, segundo a revista Business Week.

Marie trabalha há 25 anos com matérias investigativas e recebeu prêmios como o Albert Londres, em 1995, concedido a um documentário sobre o tráfico internacional de órgãos. Em 2004, ela foi aclamada na Europa ao produzir o também premiado Esquadrões da Morte: a escola francesa, sobre a relação do governo francês com ditaduras da América Latina, nos anos 70.

Para escrever a história da Monsanto, Marie analisou 500 mil páginas de documentos e viajou à Grã-Bretanha, Estados Unidos, Índia, México, Brasil, Vietnã e Noruega. A escritora falou à revista ÉPOCA sobre o seu último livro. Procurada pela reportagem, a Monsanto afirma que “agricultores enxergam um benefício no cultivo de seus produtos”.

Confira a seguir a entrevista.

Quem é
Documentarista e jornalista francesa. Seu documentário que denuncia táticas do serviço secreto francês e conexões com a repressão na América do Sul foi premiado pelo Senado da França.

O que fez
Já publicou livros denunciando uma rede internacional de tráfico de órgãos e a prática da tortura na Guerra da Argélia. O Mundo Segundo a Monsanto virou um documentário feito pela agência de cinema do Canadá. Para investigar a história, passou cinco anos levantando 500 mil páginas de documentos e viajando para Grã-Bretanha, Índia, México, Paraguai, Brasil, Vietnã, Noruega e Itália

Existem outras companhias que também desenvolvem a biotecnologia e possuem patentes sobre sementes. Por que fazer um livro exclusivamente sobre a Monsanto?

Há cinco anos, quando trabalhava em três documentários sobre biodiversidade e os organismos geneticamente modificados – e ainda acreditava que eles não teriam problemas – eu acabei viajando muito. Fui para Canadá, México, Argentina, Brasil e Índia, e em todas essas regiões eu sempre encontrava denúncias contra a Monsanto. Foi quando eu decidi buscar quem é essa companhia que agora é a maior produtora de biotecnologia e de alimentos geneticamente modificados do planeta.

E como seria esse mundo segundo a Monsanto que você descobriu?

Cheio de pesticidas. Cerca de 70% dos alimentos geneticamente modificados são feitos para serem plantados com uso do agrotóxico Roundup. Ao comer uma transgênico, a pessoa está praticamente ingerindo Roundup. E, ao contrário do que propagou a Monsanto, esse pesticida não é bom ao meio ambiente e muito menos biodigradável. Ele é muito tóxico. Tenho certeza de que nos próximos cinco anos ele vai ser proibido no mundo, tal como aconteceu com outro produto da companhia, o DDT. O mundo segundo a Monsanto também é dominado por monoculturas. O que é um problema para a segurança alimentar, pois concentra a produção de alimentos na mão de poucos. Também considero arriscado deixar a alimentação mundial na mão de companhias que no passado produziam venenos e armas químicas como o agente laranja, despejado por tropas americanas no Vietnã.

“A Monsanto foi condenada a pagar US$ 700 milhões de dólares pela contaminação em Annistion, nos EUA”

Os transgênicos são festejados por reduzirem o uso de pesticidas. Eles não teriam ao menos esse lado bom?

Não, isso é mentira. Os transgênicos não reduzem o uso de agrotóxicos. Pelo contrário, eles geram ervas daninhas cada vez mais resistentes aos agrotóxicos. Os transgênicos são apenas uma forma da Monsanto controlar a produção de alimentos no mundo.

Como uma empresa pode ter todo esse poder? Isso não é teoria da conspiração?

Não, de forma alguma. Tenho todas as denúncias que faço baseada em documentos e estudos científicos. Esse monopólio sobre a comida é um processo que acontece há um tempo. Ele começou com a permissão das patentes das sementes, na década de 80. Isso deu às empresas exclusividade sobre as sementes que selecionam. Depois, vieram as chamadas plantas híbridas, que são estéreis e não produzem outras sementes. E por último, houve os royalities sobre os transgênicos. Agoras as multinacionais podem cobrar para si, uma parte do lucro da colheita dos fazendeiros. Os transgênicos também são produzidos para reagirem com produtos específicos. No caso da Monsanto, 70% tem que ser plantado com o Roundup. O que obrigados o produtor a comprar sementes e agrotóxicos da mesma empresa.

Outras multinacionais produzem nesse mesmo padrão. O que comprova que a Monsanto quer controlar a comida do mundo?


Após a liberação da venda dos transgênicos, a Monsanto começou a comprar todas as produtoras de sementes do mundo. Hoje, ela é a maior produtora de sementes do planeta. O resultado é que se um fazendeiro quiser mudar sua produção de transgênicos, e voltar ao tradicional, daqui a alguns anos, provavelmente ele não vai conseguir mais, pois só vão existir sementes transgênicas, e da Monsanto. Essa já é uma realidade com a soja dos Estados, e o trigo, na Índia. Nos EUA existem processos contra a Monsanto por monopólio, algo similar ao que aconteceu com a empresa de tecnologia Microsoft.

E qual seria interesse da empresa em controlar a produção de alimentos?

Ele querem manter o agrotóxico Roundup no mercado, o produto que responde por 45% do lucro da companhia. Acho que se o Roundup for banido, como acredito que possa acontecer daqui a alguns anos, os transgênicos vão desaparecer. Sem o Roundup, não é interessante ter transgênico.

Por que culpar exclusivamente a Monsanto pelas armas químicas do Vietnã?
A opção por usar armas químicas foi do governo americano, e não das companhias. E outras empresas também venderam químicos ao governo dos EUA
.

A venda de agente laranja para o governo americano foi um dos negócios mais lucrativos da Monsanto. Mas hoje, nenhuma das empresas que lucraram com esse processo quer se responsabilizar. No Vietnã, eu vi hospitais repletos de crianças deformadas, que nascem assim até hoje, porque o ambiente continua contaminado. Além do agente laranja, também usaram bifenil policlorado (um produto banido no mundo) nas misturas jogadas no país, e que a própria Monsanto sabia serem tóxicas desde 1937. Nem os soldados americanos foram alertados para os riscos. Como confiar que uma companhia com essa história domine a produção de alimentos?

Qual é a prova que a Monsanto sabia que estava vendendo algo tóxico?

Em 2002, os moradores de Annistion, no EUA, ganharam o direito de uma indenização de US$ 700 milhões de dólares da Monsanto. A empresa foi condenada por contaminar o meio ambiente e as pessoas da cidade com a sua fábrica química. Documentos mostram que desde 1937 a Monsanto sabiam dos riscos da toxidade dos PCBs.

Os produtos da Monsanto são aprovados por agências como a FDA, que regula alimentos e medicamentos nos EUA. Como dizer que a FDA e outras agências internacionais estão sendo enganadas?

A Monsanto usa seu poder econômico para pressionar governos e também infiltra seus ex-funcionários em cargos políticos. Esse processo é conhecido como portas giratórias. Tem casos célebres como a de Linda Fisher, que era funcionária da Agência Americana de Proteção Ambiental, e depois foi trabalhar na Monsanto, em 1995, e acabou retornando para EPA, em 2001.

Se a empresa possui toda essa blindagem, então não há solução?

Acho que só os consumidores podem evitar um problema maior. Na Europa isso já começou. Ninguém quer consumir transgênicos que não foram testados. Estão todos assustados com a atual epidemia de câncer.

Mas qual a ligação do câncer com os transgênicos?

Ainda estou pesquisando o assunto. O meu próximo livro vai ser exatamente sobre isso, a relação entre a comida que consumimos depois da Revolução Verde e o aumento de doenças como o câncer e o Parkison. O mais interessante, um processo que começou justamente entre os próprios agricultores, o mais expostos aos agrotóxicos.

Fonte

Agrotóxicos e agronegócio: uma aliança que mata trabalhadores



Como se não bastassem as mortes por intoxicação, o mercado de agrotóxicos agora ceifa também a vida daqueles que ousam cobrar o direito a uma vida saudável. Uma reportagem publicada pela revista Carta Capital desta semana levanta as circunstâncias que envolvem o assassinato do trabalhador rural Zé Maria. Morto há quatro meses, ele denunciava o uso abusivo de agrotóxicos na região do Baixo Jaguaribe, no Ceará, cujas terras vem sendo dominadas pelo agronegócio da fruticultura, que reúne empresas nacionais e estrangeiras.

A matéria, de autoria do jornalista Luiz Antonio Cintra, relata os esforços empreendidos por Zé Maria e o preço que pagou por denunciar os malefícios causados pelo uso inadequado de agrotóxicos nos quase 3 mil hectares de plantação de banana que empresas levaram para a região, atraídas por incentivos fiscais criados pelo último governo de Tasso Jereissati (PSDB) – entre 1999 e 2002 – e nos seguintes, cujo motivo era estimular as exportações:

Desde esse período, os incentivos para as empresas foram crescendo – incluindo a desoneração fiscal dos agrotóxicos –, enquanto os pequenos eram tragados por desvio de dinheiro na cooperativa local, ainda nos anos 90, além da falta de apoio técnico e financeiro, da especulação fundiária e das disputas por terras. Mas de todas as batalhas, enfrentar a contaminação da água provocada pela pulverização aérea dos bananais foi o que deu visibilidade a Zé Maria – e há quem acredite que tenha sido o estopim da emboscada, ainda que os problema-s fundiários sejam relevantes e aguardem uma solução definitiva da Justiça.

Como outros problemas da região, o descaso do poder público, no caso a prefeitura, é evidente, como relata a promotora do Meio Ambiente de Limoeiro, Bianca Leal: “É uma aberração usar o canal da irrigação para captar as águas que serão consumidas. Isso jamais deveria ocorrer”. Mas é rotina há anos nas comunidades locais.

A aberração é ainda maior porque o canal corre a céu aberto por 14 quilômetros, desde a sua origem no açude do Castanhão, outra obra iniciada no período Jereissati e construída para dar suporte ao agronegócio. “O problema é que os bananais ficam em alguns casos a poucos metros das casas, e o vento frequente na região trata de levar o veneno para o canal e de lá para as torneiras residenciais. Além disso, há a chamada deriva técnica, que, em média, significa a perda de 19% do veneno pulverizado pelos aviões”, afirma a médica Raquel Rigotto, professora da Universidade Federal do Ceará e coordenadora de uma pesquisa sobre a contaminação da água na Chapada do Apodi.

Entregue ao Ministério Público em uma cerimônia na quinta-feira 19, ocorrida na sed-e de uma faculdade local e diante de uma plateia de mais de 300 pessoas, uma parcela deles militante do MST, o evento serviu para lembrar os quatro meses do assassinato.

“Nas 13 amostras colhidas em diferentes pontos ao longo do canal foram identificados de três a 12 princípios ativos, alguns considerados tóxicos e outros altamente tóxicos, e sempre persistentes, ou seja, com efeito prejudicial à saúde por um tempo muito longo”, anota o relatório final, que conta com a colaboração de quase 30 pesquisadores de instituições como a Universidade Federal de Minas Gerais, que fez a análise das amostras, Universidade de Brasília e Fundação Oswaldo Cruz.

Também foi encontrada água contaminada em poços artesianos, no lençol freático e nas torneiras das casas. “No mundo todo, calcula-se em cerca de 7 milhões o número de intoxicações decorrentes do uso do agrotóxico e 70 mil mortes. A maioria dos casos se concentra nos países em desenvolvimento, para onde as empresas multinacionais estão migrando. Além disso, o uso na chapada está contaminando o Aquífero Jandaíra, um verdadeiro tesouro para o semiárido”, afirma a pesquisadora, que contou com o apoio do CNPq para levar adiante o trabalho. “Além da contaminação da água, verificamos que os agrotóxicos são vendidos sem os receituários e que não há um manejo adequado das embalagens, que precisam viajar mais de 100 quilômetros até chegar em Mossoró, onde fica o posto de coleta mais próximo.” A pesquisa relata ainda o caso de um funcionário de uma multinacional que morreu de uma doença no fígado após trabalhar por alguns anos no almoxarifado onde os defensivos eram armazenados. “Todos os indícios sugerem que a morte tem a ver com os agrotóxicos.” […]

Expansão perigosa

Os agrotóxicos ocupam o quarto lugar no ranking de intoxicações do país, atrás apenas de medicamentos, acidentes com animais peçonhentos e produtos de limpeza (saneantes). Em 2007, foram registrados 6.260 casos provocados por agrotóxicos.

Atualmente, vêm ganhando terreno no mercado de veneno brasileiro os agrotóxicos conhecidos como “genéricos”. No ano passado, esses venenos genéricos responderam por mais de 80% das 725,5 mil toneladas de agrotóxicos negociados no Brasil. Parte expressiva desse crescimento se deu pela evolução da soja transgênica e o aumento da demanda por seu principal agrotóxico, o glifosato.

O glifosato é o composto químico base do veneno que já foi campeão de vendas da Monsanto, conhecido como Roundup – largamente denunciado por suas propriedades letais –, e é utilizado sobre plantações de transgênicos cujas sementes foram geneticamente modificadas para serem resistentes à sua aplicação. Ou seja, por não comprometer as sementes, o glifosato pode ser aplicado em grandes quantidades sobre as plantações, o que faz com que o volume de veneno utilizado aumente e que tenhamos acesso a produtos com maior grau de contaminação.

Veneno financia o agronegócio

Ao longo dos últimos anos, as empresas de agrotóxicos vêm aumentando sua participação no financiamento do agronegócio por meio de um sistema conhecido como “barter”. Esse sistema funciona da seguinte maneira: as empresas adiantam a venda de venenos para os grandes fazendeiros que, em contrapartida, comprometem-se a entregar um determinado volume da produção para pagar por aquele veneno adquirido. O compromisso é selado por meio da troca de uma espécie de “moeda” conhecida como Cédula de Produto Rural (CPR) que é, inclusive, negociada nas bolsas de valores.

O agronegócio e os grandes fabricantes de venenos costumam chamar esse processo de triangulação. Segundo seus cálculos, nos próximos cinco anos, essa triangulação poderá ser responsável por 30% da venda de venenos a serem utilizados dentro do país.

Somente as transnacionais FMC e Monsanto, que estão entre as cinco maiores empresas de venenos atuantes no Brasil – ao lado das também estrangeiras Bayer, Syngenta e Basf –, lucraram 100 milhões de dólares cada uma na última safra com vendas via “barter”.

Enquanto as transnacionais exultam com seus lucros, o Brasil ocupa o posto de maior consumidor de venenos do mundo. A posição, antes ocupada pelos Estados Unidos, foi assumida em 2008, ano em que todo o mercado de agrotóxicos movimentou 7 bilhões de dólares.

FONTE

O que é terapia ortomolecular?

O texto abaixo já tem um tempo, mas decidi reescrevê-lo, pois a cada ano muda um pouco minha visão sobre a prática ortomolecular. O texto é de minha autoria e do Dr. Edison.



"Doutor, o que é Medicina Ortomolecular ?" É uma pergunta que ouço sempre no meu dia-a-dia. Há diversas maneiras de respondê-la. Eis algumas:

Tão desconhecida quanto mal falada, a tal "Orto" é tratada por alguns colegas com um ar maroto de superioridade, charlatanismo, modismo, não-científica. São críticas desferidas, já que na verdade a resposta sincera deveria ser: "Não conheço“ ou “Conheço e não aprovo”. Outros já apresentam, quando em vez, uma curiosidade não assumida, empurrada ladeira acima pela ansiedade dos pacientes que querem vias alternativas à "milagrosa drogaria" moderna.

Uma boa resposta no bate pronto é a desconcertante - "Olha, não existe medicina ortomolecular, aliás, não existe medicina alopática, não existe medicina homeopática, não existe..., etc. Existe MEDICINA. Um grande guarda-chuva que abriga diferentes terapêuticas (aí sim) alopática, homeopática e vá lá, ortomolecular.”

Ao contrário do que alguns médicos que praticam a ortomolecular afirmam por aí, a ortomolecular perante o Conselho Federal de Medicina (CFM) NÃO É uma especialidade médica. Ela tem o reconhecimento (regulamentação) do CFM como estratégia ou abordagem, conforme a resolução 1938/2010. Mas nenhum médico pode se intitular especialista em Medicina ortomolecular pois a mesma não é especialidade. Assim como não existe a especialidade Medicina estética, Ecologia médica ou Medicina ecológica.

Outra resposta possível é "A Orto, em termos simples, é uma abordagem nutricional e higiênica para tempos modernos".

Voltando ao histórico da terapia ortomolecular, o termo “Ortomolecular” foi cunhado por Linus Pauling (Prêmio Nobel de Química em 1954 e da Paz em 1962), conhecido mundialmente por seus trabalhos e pela ênfase com que recomenda o uso diário de vitaminas (principalmente a vitamina C) e minerais. O mesmo  pensou no ser humano saudável como um "caldo"completo e complexo de moléculas. Assim, onde houvesse falta ou excesso ali estaria a base para o surgimento de doenças. Boa visão para um químico, soma das partes no fundo. Entretanto – na minha percepção, o prefixo Ortho (que em grego significa certo, correto) é um retorno a uma "velha nova" maneira de abordar o binômio doença/saúde.

No Brasil temos três pioneiros na medicina ortomolecular. Os dois primeiros são pesquisadores renomados e que contribuíram para a popularização da Ortomolecular.
  • Prof. Dr. Hélion Póvoa  é um dos maiores especialistas na área de nutrição e bioquímica do país. Foi ex-aluno de Linus Pauling e trouxe para o Brasil a ortomolecular. Membro titular da Academia Nacional de Medicina, pesquisador da Fiocruz e professor-visitante de Nutrição em Harvard. Tem mais de 400 trabalhos de pesquisa publicados no Brasil e no exterior. Inúmeros livros sobre ortomolecular.
  • Prof. Dr. José de Felippe Jr é também um dos  pioneiros da ortomolecular (ou como o próprio denomima: Medicina Biomolecular) no Brasil. Fomou-se pela Santa Casa de São Paulo, tem doutorado em Fisiologia pela Universidade de São Paulo,  PhD em Ciências , livre docente de Clínica Médica e Medicina Intensiva pela Universidade do Rio de Janeiro, fundador e Primeiro Secretário Geral da Associação de Medicina Intensiva Brasileira ( AMIB).
  • Prof. Dr. Efrain Olszewer é também um dos pioneiros da ortomolecular em nosso país. Médico, especialista em clínica médica e em cardiologia. 
A ortomolecular atua basicamente de 3 modos:

1) Modo PREVENTIVO: através de diagnósticos cada vez mais precoces, detectando alterações metabólicas subclínicas, antes do surgimento de doenças, utilizando-se do tratamento Ortomolecular que visa o equilíbrio global do indivíduo, dando-lhe condições de manter-se sadio ou, diante de doenças, obter melhor resposta a terapêutica específica empregada. Os exames por nós utilizados incluem: exames de imagem, exames laboratoriais, mineralograma capilar.

2) Modo SISTÊMICO: atua na avaliação diagnóstica de todos órgãos e sistemas, analisando a inter-relação e interdependência entre eles e nos tratamentos nutricionais celulares, através de suplementação com nutrientes indispensáveis ao organismo ou retirando substâncias em excesso ou tóxicas, como metais pesados.

3) Modo INTERATIVO: atua na inter-relação dos sistemas humanos com os sistemas ambientais, visto que estamos dentro de uma grande teia e os sistemas interagem: homem/natureza; homem/animais, homem/alterações climáticas, homem/poluições.

O exercício da ortomolecular não é uma tarefa fácil, pois, o desafio é descobrir quais os nutrientes que estão em déficit, excesso e ainda verificar os elementos tóxicos no organismo do indivíduo.  Muitas das vezes, a correção dos desvios encontrados é o suficiente para proporcionar o equilíbrio metabólico e energético necessário para o indivíduo retornar ao estado de saúde. Procuramos também controlar os fenômenos inflamatórios, oxidativos, glicantes no organismo.

A “orto” em sua essência, visa a prevenção através da adoção de medidas nutricionais e higiênicas e isso inclui:

1) Higiene do sono:
2) Higiene dos alimentos e do ecossistema:
2.1  Combate as parasitoses intestinais (detecção e tratamento) além  reeducação para não se recontaminar;
2.2 Em defesa da agricultura orgânica e modos sustentáveis de vida;
2.3 Combate e esclarecimento da população sobre os riscos da poluição da água, ar, solo, poluição sonora, eletromagnética;
3) Higiene corporal:
3.1 Evidenciando os malefícios do sedentarismo e das atividades físicas extenuantes;
3.2 Elucidando a importância da manutenção de uma respiração correta;
3.3 Salientando quais hábitos de vida são nocivos para a nossa saúde e suas possíveis repercussões em todo o nosso organismo;
4) Combate aos vícios (álcool, tabagismo, drogas):
5) Abordagem nutricional no combate à formação excessiva de radicais livres:
5.1 Prevenção e tratamento de doenças através da utilização de substâncias terapêuticas, esse grupo é composto por minerais, aminoácidos, vitaminas, ácidos graxos, fitoterápicos.
5.2 Busca pela correção molecular, suplementando quando necessário e retirando os excessos;
5.3 Elucidando a necessidade de uma dieta inteligente, saudável, adequada e equilibrada, a fim de que o organismo possa obter a grande maioria dos nutrientes;
5.4 Objetivando esclarecer ao paciente a importância da manutenção de um sistema digestivo íntegro, saudável (saúde digestiva)
6) Abordagem ecológica
6.1 Visa evidenciar a necessidade de manutenção do equilíbrio entre o homem e o meio em que vive (natureza), defendendo a teoria de que quando há uma ruptura entre esse equilíbrio surgem inúmeras patologias.

Segundo o Dr. Irineu Golbspam (médico ortomolecular do RS), a ortomolecular se baseia em quatro princípios:
  • Desintoxicação: Hoje há em nosso meio um excesso de toxinas, principalmente metais pesados (mercúrio, alumínio,etc.), agrotóxicos e aditivos químicos nos alimentos (acidulantes, conservantes, corantes, flavorizantes, etc.). O sistema imunológico – nosso sistema de faxina – não consegue eliminar estes elementos muito pesados, o que provoca um bloqueio nas trocas metabólicas, sofrimento celular e o desenvolvimento de doenças funcionais e degenerativas. 
  • Antioxidação: O sofrimento dos tecidos causa uma oxidação (degeneração) das membranas das células e dos vasos sanguíneos, que provoca um sofrimento e morte celular com a diminuição ou até perda das funções dos órgãos afetados. A oxidação já é amplamente utlizada e difundida principalmente na área de Dermatologia e estética, com os cremes anti-oxidantes e mesmo na Cardiologia, onde os trabalhos científicos mais modernos tem mostrado que a oxidação do colesterol é um fator de risco cardíaco tão ou mais importante que o nível de colesterol ou até na Oncologia onde a oxidação é hoje um fator demostrado de risco ou agravamento na formação e desenvolvimento de tumores.
  • Antiglicação: As pesquisas mostram que o consumo de açúcar nos EUA em torno do ano de 1900 era de aproximadamente 3 Kg por ano e hoje em torno de 35 Kg por ano.Já no Brasil calcula-se em 25 Kg por ano o consumo. A fonte são os carboidratos refinados , o açúcar refinado e o chamado açúcar escondido usado nos alimentos prontos e industrializados. Este excesso de açúcar se liga as proteínas que formam os tecidos, caramelizando-as (cientificamente chama-se glicação) e bloqueando então as funções e respiração destes tecidos. Isto é o que acontece com os diabéticos. Uma terapêutica e um tratamento Anti-glicação então é fundamental para recuperarmos a saúde de nossos tecidos.
  • Rebalanço bioquímico: Assim como nossos ossos não incorporam bem o Cálcio sem vitamina D, silício e outros elementos, todas as reações químicas do nosso corpo dependem de vários elementos em quantidade e balanço exato. É como fazer um bolo. Se não tivermos farinha, ovos, água, açúcar, chocolate e fermento presentes e em quantidades exatas o bolo ou não sairá ou ficará uma porcaria.. No corpo humano a correta presença e combinação de minerais, vitaminas, ácidos graxos e aminoácidos é fundamental para a perfeita atividade dos órgãos e a suplementação dos elementos necessarios a cada caso nas quantidades e combinações exatas podem representar uma ajuda fundamental no tratamento e na prevenção de doenças 
Mas afinal, o que a ortomolecular trata? Todas as patologias que tem como causa base um processo inflamatório decorrente do aumento da produção de radicais livres ou diminuição da capacidade antioxidante.

Com relação à ortomolecular e convênios (planos de saúde), dificilmente você encontrará um bom ortomolecular que atende (consultas exclusivamente com preceitos ortomoleculares) planos de saúde. O motivo é bem simples, uma consulta bem-feita englobando uma avaliação minuciosa, exame físico, formulação de hipóteses diagnósticas, solicitação de exames e orientações, dificilmente durará menos de 1 hora.

Você sabe quanto um plano de saúde paga para o médico, por um consulta? Os melhores pagam em torno de 50 reais. Você acha que 1 hora ( a minha em média dura 2 horas) de consulta vale esse valor ? Qual o valor da sua saúde ?  Para ler mais sobre o assunto, acesse esse link, que contem um artigo escrito por um colega que pratica ortomolecular (Dr. Ícaro).

Autor:
Dr. Frederico Lobo (CRM-GO 13192 / CRM-DF 18620)

O Ministério da saúde adverte, seu Junk food é prejudicial à saúde

Extraí o texto abaixo do Site: Corpo em foco. Vale a pena ler. Bem interessante.

Hoje vou abordar um dos temas mais discutidos na mídia, nas academias, na roda de amigos que é sobre alimentação, parece que sempre vai existir dúvidas sobre isso, porém algo mudou, estão comentado e muito sobre um projeto de lei para que as embalagens de alimentos industrializados tragam estampados os perigos de seu consumo, bem como as possíveis restrições para algumas pessoas.

Basta mencionar a palavra “obesidade” diante de pesquisadores de saúde para perceber que o único ponto em que há consenso a esse respeito é o fato de que a questão atingiu proporções críticas. A obesidade, é considerada uma epidemia generalizada que afeta crianças e adultos, e não apenas nos EUA e na Europa Ocidental, mas também em países como a África do Sul, China e Brasil. Os órgãos responsáveis pela saúde pública advertem sobre a iminência de uma crise nos sistemas de saúde, que deverão receber em breve uma quantidade imensa de pacientes com diabetes, pressão alta, problemas cardíacos e outras enfermidades associadas ao excesso de peso. Mas de onde vem toda essa problemática, o que está acontecendo com nosso hábito alimentar? Se tudo que precisamos para ter uma vida saudável, duradoura, cheia de energia vem dos alimentos.

Devo ressaltar que esse tipo de problema que estamos enfrentando principalmente pelo estilo de vida corrida, vem atingindo as crianças que crescem recebendo de seus pais o mau hábito alimentar, e estão herdando doenças que não são típicas dessa faixa etária. É só andar pela rua com um olhar um pouco mais crítico para perceber a enorme quantidade de crianças obesas, e isso acarretará a um adulto obeso e cheio de doenças.

Como diz o Personal Trainer Flávio Settanni, famoso pelas celebridades, “devemos encarar alguns produtos como verdadeiras drogas, na mesma linha adotada com cigarro e álcool”, porém a informação que nos é apresentada não é a verdadeira que devemos obter, e não basta ter informação, mas principalmente a consciência do que aquele tipo de produto nos causa. Creio que a culpa não seja somente dos pais que assim como as crianças são vítimas da falta de informação, mas também, da mídia, do governo, das escolas enfim, para o consumidor, o que é apresentado nas embalagens é uma verdadeira “sopa” de letras e números (P.I, EPX, A-I, CT II, etc.) de difícil compreensão para o público leigo que compõem a quase totalidade dos consumidores. Considerando que o Código do Consumidor garante a este o direito a uma informação clara e precisa no rótulo a respeito do que contém no produto. Esses alimentos, se consumidos em excesso, principalmente por pessoas predispostas a sofrer danos com seu consumo, têm o potencial de uma droga sim. Uma droga que engorda, entope artérias e provoca envelhecimento precoce, além de outros prejuízos. Veja aqui alguns aditivos que são acrescentados nos alimentos industrializados para que eles possam durar mais, ter uma aparência mais sedutora para o consumo e que devem ser consumidos com restrição ou até evitados:

1.Gorduras Hidrogenadas: riscos de doenças cardiovasculares e obesidade.
2.Corantes Artificiais para alimentos: alergias, asma, hiperarividade, possibilidade de serem substâncias carcinogênicos (que induzem o aparecimento de cânceres) (Quem quiser ler mais, postei no começo do ano sobre o tema)
3.Nitritos e Nitratos: essas substâncias podem gerar nitrosaminas no organismo, que podem ser cancerígenas.
4.Sulfitos (dióxido de enxofre, metabisulfito, e outros): reações alérgicas e asmáticas.
5.Açúcares e Adoçantes: obesidade, cáries, diabetes, hipoglicemia, incremento de triglicerídeos (gordura na corrente sanguínea) ou candidíase.
6.Adoçantes artificiais (Aspartame, Acesulfame K e Sacarina): problemas de comportamento, hiperativiade, alergias e possivelmente carcinogênicos. O governo desaconselha o uso de adoçantes artificiais para crianças e mulheres grávidas. Qualquer pessoa com fenilcetonúria (com incapacidade para metabolizar o aminoácido “fenilalanina” presente nas proteínas) não deve usar o aspartame. Dar preferência aos naturais: Agalve (novo no mercado e orgânico), Stevia ou Sucralose.
7.Glutamato monosódico: alergias e reações como dores de cabeça e depressão, também pode agir como uma neurotoxina por ter ação neuroestimulante.
8.Conservantes (Butil Hidroxitolueno – BHT; Butil Hidroxianisol – BHA; Cálcio Dissódico – EDTA, entre outros): reações alérgicas, hiperatividade, possibilidade de causar câncer. O BHT pode ser tóxico para o sistema nervoso.
9.Flavorizantes Artificiais: alergias e alterações no comportamento.
10.Farinhas refinadas: baixo teor de calorias, desbalanceamento de carbohidratos, alterações na produção de insulina, perda de vitaminas do complexo B devido o refino.
11.Sal (excesso): retenção de líquidos no corpo e aumento da pressão arterial. Não ultrapassar o permitido: 1,5g de Sódio por dia.
12.Olestra (um tipo de gordura artificial): diarréia e distúrbios digestivos.

Conheço pessoas que levam a obesidade somente pelo aspecto estético que já é muita coisa e não levam em consideração o que acontece com nosso corpo, lá dentro com o consumo de alimentos industrializados. A importância deve ser dada principalmente por nós, porém cada vez mais posso perceber que as empresas já estão mudando de estratégia ou mascarando ainda mais a problemática, como por exemplo a empresa General Mills que em janeiro, anunciou que substituiria os grãos refinados de vários cereais por grãos integrais. No mesmo mês, a empresa lançou uma nova versão do chocolate da marca Chocolate Lucky Charms (com alto teor de açúcar e grande quantidade de marshmallow).

“As pessoas gostam de ter opção.” E havendo opções, as empresas não precisam se impor aos clientes. Não é interessante que o marketing diga aos consumidores o que devem comer ou fazer. Não há lugar para paternalismos. Médicos e nutricionistas, ou talvez o governo, podem desempenhar esse papel, mas não o profissional de marketing.” Diz Barbara Kahn, professora de Marketing da Wharton.

Algo que devemos levar muito em consideração é que “as pessoas não sabem quanto comer. Elas não comem mais apenas para satisfazer seu apetite. Os adultos não conhecem limites. Não é o que acontece com as crianças. Quando não sentem fome, elas não comem. Param no meio de uma mordida, uma atitude que os adultos desaprenderam”.

E nesta situação o que nós adultos costumamos fazer é forçar a criança a comer mais. A decisão de cortar o excesso, ou de mudar o hábito alimentar, de modo geral, supõe que o consumidor está disposto a assumir “pessoalmente a responsabilidade” por suas ações — conforme mais uma frase sempre citada no debate em torno da obesidade. Shelley Rosen, membro da Equipe Global de Estilos de Vida Equilibrados do McDonald’s, observa que as pessoas são responsáveis pelas “decisões que tomam na vida. Nós e outras marcas procuramos oferecer opções, de modo que as pessoas possam tomar as decisões corretas com base nas suas necessidades — levando em conta, entre outras coisas, preço, portabilidade e conveniência. Se as pessoas não se interessam pelas opções que oferecemos, nós as retiramos do cardápio. Todos dizem que deveríamos ter um hambúrguer vegetariano. Nós temos [em alguns de nossos mercados], porém a taxa de ‘consumo’ desse tipo de hambúrguer não é a mesma de outros produtos. Apesar disso, continuamos a testá-lo”.

Com isso podemos observar que não é somente a falta de informação, pois nós sabemos o quanto prejudicial é consumir este tipo de alimento, o que falta mesmo é mais amor pela vida, pela sua própria vida.

“Os gordinhos que não se controlam, os hipertensos que sofrem com o consumo excessivo de sal e as pessoas com altos índices de colesterol deveriam ser proibidas de comprar alguns produtos, ou, ao menos, deveriam ser aterrorizadas com imagens do mal que eles podem fazer, como nos maços de cigarros” diz Flávio. Talvez devessem ter até sua propaganda proibida, principalmente nos programas e materiais infantis. O problema, porém, é que muitos anúncios são dirigidos a uma parcela vulnerável da população — as crianças. No momento em que se recorre a personagens do desenho animado, associando-se produtos a filmes infantis, por exemplo, a pergunta passa a ser outra: será que o consumidor é capaz de escolher com base em informações detalhadas ou será que ele está sendo inundado com material de marketing capaz de modificar seu comportamento? As empresas podem retrucar com o argumento de que as crianças não são responsáveis pelas decisões de compra; cabe aos pais decidir comprar ou não, mas todos sabemos do enorme poder de persuasão das crianças.

Não sei exatamente quais produtos estarão sujeitos a essa legislação, mas posso dizer qual é minha lista de alimentos que deveriam ser banidos de qualquer alimentação, principalmente pelos candidatos a problemas sérios:

- Salgadinhos de pacote: quase todos! Farinha refinada frita, muitas vezes com gordura trans e lotado de sal. Consumir isso todos os dias provavelmente fará mais mal do que fumar alguns cigarros ou beber um pouco. Faço uma pequena exceção para alguns novos que são assados e feitos sem gordura trans, que, embora não sejam recomendados, provocam menos prejuízos.

- Bolachas e biscoitos: novamente a farinha refinada, preparada com gordura, açúcar e/ou sal em abundância. Esse é o lanchinho da tarde preferido nos escritórios, talvez por isso homens e mulheres engordem tanto quando começam a trabalhar e compartilhar essas tranqueiras.

- Refrigerantes com açúcar: é quase burrice tomar refrigerante com açúcar quando se pode tomar um diet.

Existem outros produtos perigosos, mas os que citei acima lideram o ranking dos alimentos que deveriam ter seu uso controlado ou conter drásticas advertências na embalagem.

Mais uma vez a escolha é só sua. Continue comendo e engordando, comendo e prejudicando sua saúde, comendo e envelhecendo mais depressa, se pelo menos não existisse outras opções eu até entenderia, mais existe e com certeza aquele tempinho que você gastou cozinhando algo ou refletindo melhor no que ingerir será recompensado com um corpo saudável e uma vida mais tranqüila. Nada vai adiantar se o governo ir lá nas embalagens colocar o quanto aquele alimento pode fazer mau e mesmo assim, irmos lá e comprá-lo, levar para casa, para mesa de nossa família uma refeição mascarada de bomba atômica. Fica para todos aquela frase mágica:

VOCÊ É O QUE VOCÊ COME.

Ah, quero agradecer a participação de todos! Aos poucos vamos atendendo aos pedidos de temas enviados e também estamos procurando responder rapidamente as dúvidas e esclarecer as verdades e mitos do universo fitness

domingo, 22 de agosto de 2010

Entenda por que o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo



O Brasil é campeão mundial de uso de agrotóxico, embora não seja o campeão mundial de produção agrícola. O País ainda é o principal destino de agrotóxicos barrados no exterior. Para entender por que isso acontece, entrevistamos o pesquisador do assunto, Wanderley Pignati (médico formado pela UNB, possui mestrado em Saúde e Ambiente pela Universidade Federal de Mato Grosso (1996) e doutorado em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública Fundação Oswaldo Cruz (2007). Atualmente é professor adjunto - dedicação exclusiva da Universidade Federal de Mato Grosso. Tem experiência na área de Saúde Coletiva, com ênfase em Vigilância e Saúde do Trabalhador, atuando principalmente nos seguintes temas: saúde e ambiente, saúde do trabalhador, avaliação de riscos, saúde rural e agrotóxicos). Confira abaixo:

Por que o Brasil lidera o ranking de uso de agrotóxicos? Temos mais pragas que os demais países?
É uma somatória de razões. A mais óbvia é que somos um dos maiores produtores agrícolas do mundo, de soja principalmente. Uma outra é que nossas sementes melhoradas já são pensadas para usar agrotóxicos. São selecionadas até um certo ponto em que, realmente, dependem destes produtos. E, para dar a produtividade que se espera, demandam grandes quantidades. Em terceiro lugar, não temos mais pragas, mas, por usarmos agrotóxicos há tantos anos, nossas pragas ficaram mais resistentes. É um espiral que vai aumentando.

Como outros países evitam o uso de agrotóxicos?
Eles limitam o uso de agrotóxicos mais tóxicos. Aqui usamos agrotóxicos que foram proibidos em 1985 na União Européia (UE), Estados Unidos e Canadá. No Brasil, estamos tentando revisar o uso de 14 tipos há dois anos e não conseguimos, porque dependemos do parecer do Ministério da Agricultura, do Ministério do Meio Ambiente e o parecer do próprio sindicato dos produtores.

Na UE existe uma fiscalização mais rigorosa. Aqui aplicamos dezenas de agrotóxicos por avião, coisa que é proibida lá. Jogamos agrotóxicos por avião perto de casas, animais, gado, nascentes de rios e córregos. Outro fator importante é a conscientização da população europeia, que cobra este tipo de cuidado do governo e dos produtores.

Agrotóxico faz mal mesmo se for usado corretamente?
Não existe uso seguro. Isso é uma fala dos produtores de agrotóxico. Por exemplo, se o trabalhador que aplica estiver como um astronauta – isolado com todos os equipamentos de proteção (EPI), inclusive para respirar – ele é menos prejudicado, mas não existe uma proteção 100% dos trabalhadores. E qual a proteção ao ambiente? Isso vai sempre deixar resíduos em alimentos, contaminar rios, ar, lençóis freáticos. Que segurança é essa? E se formos mais a fundo nessa discussão, veremos que é uma contaminação intencional. Em termos jurídicos, fala-se em crime culposo quando a pessoa não teve a intenção de cometê-lo e doloso quando teve. Aqui não é um crime culposo. Não é culpa do vento que mudou o agrotóxico de direção, mas do agricultor que cometeu um ato inseguro e intencional. Existe a intenção de poluir para atingir o alvo dele – no caso, os insetos, as pragas. Ele aceita conscientemente essa consequência.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, as intoxicações por agrotóxicos são três milhões anuais. Destes, 2,1 milhões de casos acontecem nos países em desenvolvimento. Mais de 20 mil pessoas morrem no mundo, 14 mil estão nas nações do terceiro mundo. Existe alguma razão para que essas mortes concentrem-se nestes países?
Utiliza-se mais agrotóxico, em primeiro lugar, porque se produz mais alimentos em países em desenvolvimento. Muitas dessas lavouras usam agrotóxicos proibidos na União Europeia, EUA e Canadá. Ora, se são mais tóxicos e proibidos lá, naturalmente acontecerão mais mortes aqui na América Latina e na África. E quer saber mais? Muitos desses agrotóxicos são produzidos no primeiro mundo e vendidos para o terceiro.

Como um agrotóxico provoca a morte de uma pessoa? Que outros males eles podem causar à saúde?
Depende do agrotóxico. Aqui no Mato Grosso, por exemplo, já vimos caso de trabalhador que estava no trator com o ar condicionado ligado, jogando agrotóxico. Como o filtro de ar estava vencido, e ele não usava máscara dentro do trator, morreu de intoxicação aguda. Alguns agrotóxicos também causam câncer, problemas neurológicos, má formação fetal e desregulação endócrina. São extremamente prejudiciais à saúde humana. Estão na água, no ar, na chuva.
Os defensivos agrícolas demoram de três a quatro anos para degradar e o produto é tão prejudicial quanto a substância inicial. Um grande problema são doenças crônicas que acontecem durante anos de uso continuado de níveis baixos de agrotóxicos. Existe hoje a determinação de um limite máximo de resíduo por alimento. Esse limite não deveria existir, é absurdo. Cada pessoa tem uma sensibilidade diferente ao produtos. Sabe como esse limite é determinado? A partir da média da sensibilidade das pessoas, são medidas arbitrárias. No Brasil, por exemplo, um quilo de soja pode ter 10 miligramas de glicosato [princípio ativo de um agrotóxico famoso]. Nos EUA o limite é de 5 mg, na Argentina 5 mg, mas na Europa é 0,2 mg.

Qual a punição dada ao agricultor que permite que seus funcionários ou clientes sejam intoxicados no Brasil?
Primeiro ele vai responder ao Ministério do Trabalho, porque será notificado como um acidente de trabalho. Depois, podem entrar com uma ação de crime doloso [intencional] contra ele. Porque se contratou, tem que dar toda a proteção ao trabalhador. A punição depende muito da força do Sindicato.

Na sua opinião, os alimentos transgênicos são uma solução para o uso de agrotóxicos?
Pelo contrário. Alguns transgênicos são feitos para ser mais resistentes aos agrotóxicos, por isso se usa ainda mais, como a soja resistente ao glicosato.

Quais são as lavouras que mais usam agrotóxicos no Brasil?
Por hectare é o algodão. Logicamente não comemos algodão, mas sua semente é usada para fazer ração de gatos e outros animais. Outras lavouras que usam muito agrotóxico são as de tomate, morango, hortaliças em geral, soja e milho.

Como se proteger? Basta lavar bem as verduras e legumes?

Não. O consumidor deve também consultar os dados do PARA [Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos] da Anvisa. Nos dados de 2009, ele descobrirá os alimentos que têm problemas e poderá evitá-los. Mas é preciso ainda pressionar a Secretaria de Saúde e do Meio Ambiente para que façam uma vigilância mais dura.


Fonte: Revista Galileu

Risco de Consumo de Frutas e Hortaliças Cultivadas com Agrotóxicos

Retirado do Site da Anvisa.

Transcrevo aqui no blog a nota técnica de esclarecimento sobre o Risco de Consumo de Frutas e Hortaliças Cultivadas com Agrotóxicos.

Vale a pena ler e ao final refletir sobre o que o brasileiro está ingerindo. Veja a tabela e alta porcentagem de alimentos contaminados principalmente com agrotóxicos que a Anvisa não autoriza para aquela cultura.

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Nota Técnica de Esclarecimento sobre o Risco de Consumo de Frutas e Hortaliças Cultivadas com Agrotóxicos

Objetivo: esta Nota Técnica visa contemplar questionamentos da população, em relação aos resultados do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) divulgados, esclarecendo a população quanto a:

1. Diferenciar agrotóxicos sistêmicos de agrotóxicos de contato
2. Orientação de como tratar os alimentos em relação aos agrotóxicos
3. Quais os agrotóxicos encontrados nos resultados insatisfatórios do PARA e seu
significado.
4. Se os resultados insatisfatórios representam risco à saúde baseado nos conceitos de IDA e LMR.


I - Lavar retira os agrotóxicos dos alimentos?

NÃO COMPLETAMENTE: O processo de lavagem dos alimentos contribui para a retirada de parte dos agrotóxicos. Os agrotóxicos podem ser divididos quanto ao modo de ação entre sistêmicos e de contato. Os sistêmicos são aqueles que, quando aplicados nas plantas, circulam através da seiva por todos os tecidos vegetais, de forma a se distribuir uniformemente e ampliar o seu tempo de ação. Os de contato são aqueles que agem externamente no vegetal, tendo necessariamente que entrar em contato com o alvo biológico. E mesmo estes são também, em boa parte, absorvidos pela planta, penetrando em seu interior através de suas porosidades.
Uma lavagem dos alimentos em água corrente só poderia remover parte dos resíduos de agrotóxicos presentes na superfície dos mesmos. Os agrotóxicos sistêmicos e uma parte dos de contato, por terem sido absorvidos por tecidos internos da planta, caso ainda não tenham sido degradados pelo próprio metabolismo do vegetal, permanecerão nos alimentos mesmo que esses sejam lavados. Neste caso, uma vez contaminados com resíduos de agrotóxicos, estes alimentos levarão o consumidor a ingerir resíduos de agrotóxicos.

II - Quais os tipos de agrotóxicos estão indo para a mesa do consumidor segundo
os dados do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos -PARA?


No intuito de monitorar a qualidade dos alimentos no tocante aos resíduos de agrotóxicos, a ANVISA/MS iniciou em 2001 um projeto de análise de resíduos de agrotóxicos em alimentos. O Projeto foi consolidado no Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA). Relatórios e notas técnicas do Programa, desde o ano de 2001, podem ser consultados no endereço eletrônico http://www.anvisa.gov.br/toxicologia/residuos/index.htm
O uso indevido de agrotóxicos não autorizados (NA) para as culturas monitoradas, bem como de agrotóxicos autorizados, porém com resíduo encontrado acima do limite máximo permitido (LMR), durante o ano de 2007, podem ser observados na tabela 1.



III - Os resultados insatisfatórios do PARA representam risco à saúde dos
consumidores?


Os resultados encontrados pela ANVISA dividem-se em duas categorias:
a) Resíduos que podem causar dano à saúde porque excederam os limites máximos
estabelecidos em legislação.
b) Resíduos que podem causar dano à saúde porque são agrotóxicos não
autorizados para aquele determinado alimento.

No primeiro caso, que representa cerca de 10% dos resultados insatisfatórios, o uso abusivo dos agrotóxicos, em desrespeito às indicações da bula de cada produto, e ainda a negligência ao intervalo de segurança (tempo entre última aplicação e colheita dos alimentos) levam à presença de resíduos nos alimentos superiores àqueles estabelecidos em legislação e reconhecidos como seguros, expondo a população a possíveis agravos à saúde.

Ressalta-se ainda que, além do risco à saúde da população em geral, representado pela ingestão prolongada desses alimentos com agrotóxicos acima do LMR permitido, estes resultados sugerem que as Boas Práticas Agrícolas não estão sendo respeitadas, podendo isto representar um aumento do risco à saúde dos trabalhadores rurais. Quem trabalha aplicando agrotóxicos encontra-se em situação de exposição mais grave do que a da população em geral.

Um dos exemplos detectados pelo PARA de risco à saúde do trabalhador rural é o caso do metamidofós encontrado no tomate de mesa. O metamidofós, um dos ingredientes ativos pesquisados pelo PARA, tem elevada toxicidade aguda e neurotoxicidade. Atualmente, é autorizado para a cultura de tomate industrial em função do modo de aplicação, que deve ser exclusivamente via trator, pivô central ou aérea. O equipamento de aplicação costal, utilizado no cultivo do tomate de mesa, não é autorizado para o metamidofós em função da toxicidade para o aplicador. Desta forma, este ingrediente ativo não está autorizado para o tomate de mesa, cujo modo de aplicação é menos tecnificado.

O segundo caso, referente aos produtos não autorizados (NA), representa aproximadamente 85 % dos resultados insatisfatórios. Uma vez que não existem estudos que possibilitem estabelecer, em âmbito nacional, limites de resíduos que representem segurança aos consumidores para esses produtos, qualquer resultado ‘NA’ encontrado nas análises do PARA pode significar risco à saúde.

Entre os casos de resultados insatisfatórios existem aqueles agrotóxicos que passaram a ser proibidos para uma determinada cultura, como é o caso dos ditiocarbamatos para a alface. Em 2005, os ditiocarbamatos passaram a ser proibidos em alface. No entanto, as medidas restritivas não são incorporadas de imediato pelos agricultores, que ainda não adotaram por completo esta resolução. Isso explica o súbito aumento no percentual insatisfatório em alface de 2005 em diante, quando este IA começou a contar como NA.

Ainda refletindo sobre a razão do uso de agrotóxicos para as culturas monitoradas no PARA, essas culturas possuem ampla oferta de agrotóxicos testados, registrados, com limites estabelecidos e disponíveis no mercado. Não obstante, as irregularidades mais encontradas são exatamente referentes ao uso de produtos não autorizados para estes alimentos. Desta forma,surgem alguns questionamentos que se respondidos poderiam auxiliar na solução deste problema:

1 - Por que os agricultores têm necessidade de utilizar produtos não autorizados?
2 - Seriam os agrotóxicos já autorizados realmente eficazes para estes alimentos?
3 - A oferta e disponibilidade destes produtos atende à demanda dos agricultores?
4 - Os preços dos agrotóxicos são regulados ou monitorados pelo órgão responsável pelo registro?

IV - Quais as conseqüências de se ingerir agrotóxicos?

De acordo com os conhecimentos científicos atuais, se ingerirmos quantidades dentro dos valores diários aceitáveis (IDA) não sofreremos nenhum dano à saúde. Existem estudos que indicam que, se ultrapassarmos essas quantidades, as conseqüências poderão variar desde sintomas como dores de cabeça, alergia e coceiras até distúrbios do sistema nervoso central ou câncer, nos casos mais graves de exposição, como é o caso dos trabalhadores rurais.

Em geral, esses sintomas são pouco específicos, não sendo possível determinar a causa baseado apenas na avaliação clínica. Tudo isso vai variar de acordo com diversos fatores, tais como o tipo de agrotóxico que ingerimos, o nível de exposição a estas e outras substâncias químicas, a idade, o peso corpóreo, tabagismo, etc.
Para o registro de agrotóxicos no país, é exigida pelas autoridades regulatórias uma série de estudos com o objetivo de definir o grau de relevância toxicológica do agrotóxico em relação ao uso, aos limites de resíduos e ao consumo diário.

O Limite Máximo de Resíduo (LMR) permitido é expresso em mg/kg da cultura e a quantidade diária segura para o consumo (Ingestão Diária Aceitável-IDA) é expressa em mg/kg de peso corpóreo. Os dados para cada ingrediente ativo estão publicados no link http://www.anvisa.gov.br/toxicologia/monografias/index.htm.

Exemplificando: se um determinado ingrediente ativo contido em um agrotóxico tiver uma IDA igual a 0,05 mg/kg, significa que uma pessoa de 60 kg, por exemplo, poderia ingerir uma quantidade máxima de 3,0 mg, diariamente, sem riscos à saúde. Esses valores são definidos com uma margem boa de segurança para o consumidor.

V - O que é IDA?

É a quantidade máxima de agrotóxico que podemos ingerir por dia, durante toda a nossa
vida, sem que soframos danos à saúde por esta ingestão. Esta quantidade máxima de
ingestão permitida é calculada para cada Ingrediente Ativo - IA (substância principal da formulação do agrotóxico), expressa no valor que chamamos de IDA (Ingestão Diária Aceitável), medida em miligramas de IA por quilo de peso corpóreo da pessoa que o ingere (mg/kg).
Em alguns casos, a proibição de um determinado IA para o trato de uma cultura específica deve-se ao fato de que, no balanço geral da ingestão de alimentos pela população, este IA está sendo usado no tratamento de mais de uma cultura e a soma dos resíduos (LMR) encontrados em todas essas culturas ultrapassa a IDA. Desta forma, as instituições responsáveis pela gestão do risco à saúde da população devem regular o uso destas substâncias, evitando que a população seja exposta a uma ingesta deste agrotóxico acima do permitido.

VI - O que é LMR?

O limite máximo de resíduos (LMR) é a quantidade máxima de resíduo de agrotóxico ou afim, oficialmente aceita no alimento, em decorrência da aplicação adequada numa fase específica, desde sua produção até o consumo, expressa em miligramas do agrotóxico, afim ou seus resíduos por quilo do alimento analisado (mg/Kg).

VIII - O que pode ser feito pelo consumidor para diminuir a ingestão de agrotóxicos?

Optar por alimentos certificados como, por exemplo, os orgânicos, e por alimentos da época, que a princípio necessitam de uma carga menor de agrotóxicos para serem produzidos. A orientação é procurar fornecimento de produtos com a origem identificada, pois isto aumenta o comprometimento dos produtores em relação à qualidade dos alimentos, com a adoção das boas práticas agrícolas. Deve-se ainda realizar os procedimentos de lavagem, conforme descrito anteriormente, para reduzir os resíduos de agrotóxicos presentes na superfície dos alimentos.

IX - Água sanitária remove agrotóxicos dos alimentos?

Até o momento a ANVISA não tem conhecimento de estudos científicos que comprovem a eficácia da água sanitária ou do cloro na remoção ou eliminação de resíduos de agrotóxicos nos alimentos. Soluções de hipoclorito de sódio (água sanitária ou solução de Milton) devem ser usadas para a higienização dos alimentos na proporção de uma colher de sopa para um litro de água com o objetivo apenas de matar agentes microbiológicos que possam estar presentes nos alimentos.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Minerais no Solo Brasileiro: Influência do Solo na Dieta

Uma avaliação do consumo de minerais em dietas brasileiras, realizada mediante análise laboratorial dos minerais presentes em alimentos das diferentes regiões do país, preparados de acordo com as formas habituais, mostrou que a ingestão de minerais varia conforme a região [1].

A pesquisa coordenada por Silvia Maria Franciscato Cozzolino, presidente da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN), verificou que a ingestão de magnésio fica abaixo em algumas regiões do país, mas, em outras, mantém um nível limítrofe. A ingestão de zinco é limítrofe para determinados grupos da população e bem baixa para outros, por exemplo, em idosos. A ingestão de cobre também é limítrofe, assim como a de magnésio, e a de selênio varia de acordo com a região geográfica [1,2].

O selênio é um elemento nutricional essencial, pois ele é parte integrante da enzima gluta­tiona peroxidase, um antioxidante que impede a formação excessiva de radicais livres e protege o organismo de suas ações. A diminuição da atividade da glutationa peroxidase devido à diminuição de selênio é responsável pelo aumento dos radicais livres que causa envelhecimento precoce, maior incidência de câncer e patologias cardiovasculares [2,4].

Além disso, o selênio está estreitamente relacionado com a função da tireóide, pois participa da conversão da tiroxina (T4) para tri-iodo tironina (T3), a forma mais ativa do hormônio tireoidiano. O selênio também está envolvido na síntese da testosterona e, durante a gravidez, a deficiência de selênio é associada com maior incidência de defeitos do tubo neural do feto [1,2,4].

O solo brasileiro apresenta regiões muito pobres em selênio, o que torna muito frequente a deficiência deste mineral, principalmente nas regiões do sudeste e do centro-oeste, que são as de menor concentração de selênio no solo e onde se constata a maior deficiência alimentar desse nutriente. Já nas regiões do norte e nordeste, não é comum a deficiência desse micronutriente, já que o solo dessas regiões é muito rico em selênio [1].

Cozzolino fez um levantamento de selênio no território nacional, analisando o feijão, a carne bovina, a água e o solo. Os resultados mostraram que no Ceará, por exemplo, o feijão tem 1,2 µg de Se/g; em São Paulo, tem 0,016 µg de Se/g. Portanto, percebe-se que o teor de selênio é influenciado pelo meio ambiente em que a planta cresce [1,2].

Analisando os parâmetros bioquímicos relativos ao selênio obtidos para certos grupos da população brasileira nas regiões sudeste e centro-oeste, foram observados valores abaixo da média referida na literatura. Por sua vez, em estudo que realizamos em Macapá, onde a farinha de castanha-do-pará (oucastanha-do-brasil) é utilizada na merenda escolar, foi observado que todos os parâmetros bioquímicos analisados em crianças estavam muito acima dos valores de referência, indicando a necessidade de cuidado quanto aos possíveis efeitos adversos, como a toxicidade do selênio, que é alcançada em doses elevadas (acima de 400 µg ao dia), e está associada à fragilidade e perda de cabelo e unha, irritabilidade, fadiga, aborto e infertilidade [1,4].

A recomendação é de que um adulto consuma, no mínimo, de 55 a 70 microgramas por dia [4]. A castanha-do-pará contém, por grama, cerca de 25 a 49 µg/Se, assim, com uma unidade já é possível encontrar cerca de 200 a 400 microgramas de selênio. No caso de uma criança, meia castanha seria suficiente, afirma Silvia Cozzolino [1].

Em relação ao zinco, as melhores fontes desse mineral são os mariscos, ostras, carnes vermelhas, fígado, miúdos e ovos. As nozes e as leguminosas também são fontes relativamente boas de zinco. O consumo de zinco é influenciado pela fonte protéica da dieta, assim, dietas constituídas de ovos, leite, frango e peixe têm menor razão Zn/Proteína do que aquelas de mariscos, ostras e carnes vermelhas [2].

Um estudo realizado por Cozzolino avaliou a sua biodisponibilidade na dieta brasileira e constatou que, embora os resultados tenham sido bastante variáveis de um indivíduo a outro (pois o grupo era composto de dezoito adultos jovens do sexo masculino), os valores encontrados mostraram que a oferta do zinco não se mostra um problema de biodisponibilidade na dieta brasileira [1].

Contudo, apesar da biodisponibilidade do zinco não ser um problema na dieta brasileira, a deficiência desse mineral pode ocorrer, devido ao fato de que nem todos os brasileiros tem acesso às suas principais fontes, assim, como o selênio, que pode estar em falta na dieta em determinadas regiões do país, como vimos anteriormente. Assim, uma conduta possível para minimizar esse problema da deficiência desses importantes minerais na dieta seria a suplementação.

Normalmente, a suplementação se aplica quando determinado nutriente é deficiente para um grande número de pessoas. Ela é adotada quando grupos específicos mostram deficiência maior em determinado nutriente – por exemplo, suplementação para gestantes, crianças, idosos, ou mesmo em determinadas regiões, onde os índices de deficiência de um determinado nutriente são maiores [1].

Porém, quando se pensa em programas de intervenção em suplementação, é indispensável prestar atenção às interações entre nutrientes. O excesso de determinado nutriente pode interferir na absorção de outro. A ocorrência de interações entre alimentos nas dietas é menos provável do que naquelas situações em que se introduz um composto químico isolado, por exemplo, numa solução aquosa [1].

Assim, concluímos que o ideal é sempre consumirmos os nutrientes através de uma alimentação saudável, já que estaremos consumindo-os em sua forma natural. Porém, em casos em que isso não pode ser feito, como no caso das regiões sudeste e centro-oeste, em que não há biodisponibilidade de selênio no solo, a suplementação pode ser implantada em casos de deficiência.


Fonte: http://www.rgnutri.com.br/sqv/saude/msb.php

Referência:

[1] COZZOLINO, S. M. F. Deficiências de minerais. Estudos Avançados, São Paulo, v. 60, p. 119-126, 2007.

[2] MAIHARA, V. A.; GONZAGA, I. B.; SILVA, V. L.; FÁVARO, D. I. T.; VASCONCELLOS, M. B. A.; COZZOLINO, S. M. F. Daily dietary selenium intake of selected Brazilian population groups. Journal of Radioanalytical and Nuclear Chemistry, Akadémiai Kiadó, v. 259, n. 3, p. 465-468, 2004.

[3] FAVARO, D. I. T.; MAIHARA, V. A.; ARMELIN, M. J. A.; VASCONCELLOS, M. B. A.; COZZOLINO, S. M. F. Determination of As, Cd, Cr, Cu, Hg, Sb and Se concentrations by Radiochemical Neutron Activation Analysis in Different Brazilian Regional Diets. Journal of Radioanalytical and Nuclear Chemistry, v.181, n. 2, p. 385-394, 1994.

[4] KRAUSE. Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. 11ª Edição. São Paulo. Editora Roca. 2005.

[5] MAFRA, D., COZZOLINO, S. M. F. Importância do zinco na nutrição humana. Rev. Nutr. vol.17 no.1 Campinas Jan./Mar. 2004.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Estresse engorda?



Alguns pacientes me perguntam com frequência:
- Dr, pq quando fico estressada(o) engordo?
Ou
- Dr, é só ficar estressada que emagreço!
Sempre me questionei sobre a questão de emagrecimento na vigência de situações estressantes. Via de regra, fisiologicamente falando perda de peso por estresse não ocorre (exceto quando o paciente ao viver situação estressante, diminui a ingesta calórica). É só pintar uma tensão forte, provocada por acúmulo de trabalho, trânsito caótico, discussão em casa e pronto: você aumenta a ingestão alimentar, muitas vezes sem se dar conta de que está passando dos limites. Para saber até que ponto o estresse é o culpado pelos seus quilinhos a mais, é preciso entender como esse mecanismo funciona.

A chave é um hormônio produzido pela nossa glândula supra-renal: o cortisol!
O cortisol tem múltiplas funções, dentre elas auxilia na manutenção dos níveis glicêmicos e controle da pressão arterial.

Quando em excesso poderá favorecer o ganho de peso. Mas afinal, que situações podem desencadear maior liberação do cortisol ?
O que ativa esta liberação são estressores como poluentes, alimentação rica em gordura saturada ou trans, excesso de sódio, adoçantes, o jejum prolongado (ficar horas sem comer alguma coisa), a ansiedade, a apreensão, o nervosismo, medicamentos (corticóides) , alcoolismo dentre outros.

"O estresse leva ao aumento do hormônio cortisol, que facilia a diferenciação de células gordurosas (aumento do número de células gordurosas), aumenta a formação de gordura (entrada de triglicérides no adipócito - célula de gordura), dificulta o emagrecimento", afirma o endocrinologista, Dr. Marcio Mancini, Presidente do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e médico responsável pelo Grupo de Obesidade do Hospital das Clínicas.
Além disso ocorre um desequilíbrio na massa magra pois uma das ações do cortisol é a utilização da massa magra (degradação das proteínas) e com isso alteração do metabolismo basal, fraqueza muscular.

Existe uma outra questão importante quando se fala de cortisol, a privação do sono. Quem não dorme direito:
1) Produz mais cortisol (que engorda);
2) Produz menos hormônio de crescimento (que facilita o emagrecimento);
3) Produz menos leptina (hormônio relacionado à saciedade e que também facilita o gasto de energia pelo organismo);
4) Produz mais grelina (substância responsável por estimular o apetite;
Além disso, a privação do sono pode gerar estresse, irritabilidade, aumento da incidência de doenças cardiovasculares, labilidade emocional, indisposição e fadiga no dia seguinte. Portanto qualidade de sono é igual Qualidade de vida (vide o post: Qualidade de sono pode contribuir para a obesidade)

Um exemplo da interferência do Estresse no consumo maior de alimentos é o estudo realizado por Diana Fernandez, da área de medicina preventiva da Universidade de Rochester, nos EUA. Ela observou 2.782 empregados de uma fábrica de Nova York e constatou que o estresse vivenciado em uma fase de demissões aumentou muito a procura por comidas ricas em gorduras e calorias – elas desapareciam rapidamente das máquinas onde eram vendidas. Mas as complicações causadas pelo estresse foram além. Os trabalhadores disseram não ter tempo para comer bem ou fazer atividade física na hora do almoço porque tinham medo de sair de suas mesas de trabalho por muito tempo. Cansados física e emocionalmente, à noite a maioria se dedicava a ver televisão. “Os que assistiram a quatro horas por dia ou mais tiveram 150% mais chances de se tornar obesos”. Por causa de achados como esses, alguns endocrinologistas começam a defender mudanças nos relacionamentos pessoais e profissionais – visando à diminuição do estresse – também com o objetivo de conter o avanço da obesidade

Pensando nisso, uma das propostas para sanar este problema é que os programas de bem-estar no trabalho examinem a estrutura organizacional e forneçam meios práticos para minimizar o estresse. Além disso, é necessário dar condições para romper o sedentarismo. Uma delas é praticada por poucas empresas no Brasil, é ter uma área equipada para pessoas se exercitarem antes, durante ou depois do expediente.

Dicas para o emagrecimento saudável OU para evitar o ganho indesejado de peso:

- Coma de maneira fracionada - 5 refeições/dia e sempre de 3 em 3 horas, para que não ocorra um estado de hipometabolismo e posteriormente o organismo armazene o que deveria gastar;
- Habitue-se a ingerir diariamente alimentos saudáveis (saladas, frutas, verduras, alimentos integrais, carnes magras, soja nas suas formas fermentadas - Tofu, Tempeh, Missô);
- Alimentação funcional - Algumas substâncias conseguem modular o cortisol como o abacate e oleaginosas por serem ricos em beta-sitosterol. Peixes e vegetais folhosos escuros, soja e arroz por conterem fosfatidilserina, a vitamina C e alguns fitoterápicos como extrato de maracujá também podem auxiliar nesta modulação.
- Esteja sempre com uma garrafinha de água por perto e pelo menos (no mínimo) 2L/dia;
- Pratique exercícios no mínimo 3 vezes por semana (1 hora);
- Durma bem, como disse acima, Qualidade de sono é igual a qualidade de vida;
- Controle o nível de estresse - prática de atividade física, leitura, meditação, yoga, exercícios de relaxamente, psicoterapia, se necessário uso de ansiolíticos (de preferência fitoterápicos).

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Endossulfan (agrotóxico) é banido pela Anvisa



A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou ontem resolução que determina o banimento do ingrediente ativo endossulfan no Brasil. A determinação é fundamentada em estudos toxicológicos que associam o uso desse agrotóxico, considerado extremamente tóxico, a problemas:
1) reprodutivos;
2) endócrinos;
3) imunológicos;
4) neurotoxicidade;
5) hepatotoxicidade; em trabalhadores rurais e na população.

O endossulfan já está banido em 44 países e sofreu severas restrições em outros 16. No Brasil, tem uso autorizado para as culturas de:
1) Algodão,
2) Café,
3) Cacau,
4) Cana-de-açúcar,
5) Soja.

De acordo com a norma da Anvisa, o insumo não poderá ser comercializado, no Brasil, a partir de 31 de julho de 2013. Antes disso, a partir de 2011, o produto não poderá ser mais importado e a fabricação em território nacional será proibida a partir de 31 de julho de 2012. Para o cultivo de cacau, a proibição é imediata.

“A retirada do produto do mercado foi pensada de forma que os agricultores consigam substituir o uso de endossulfan por produtos menos nocivos para a saúde da população, com o menor prejuízo possível”, explica o gerente de toxicologia da Anvisa, Luiz Cláudio Meirelles.

No período de retirada gradual do produto do mercado brasileiro, o endossulfan só poderá ser utilizado em dez estados: Bahia, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo. “Nesses locais onde o produto continuará permitido durante a fase de phase-out, o uso, a distribuição e a comercialização terão medidas de controle bastante severas”, explica Meirelles.

De imediato, as empresas não poderão mais fabricar produtos a base de endossulfan em embalagens com menos de 20 litros e será proibida a aplicação costal (por meio de bombas nas costas dos trabalhadores rurais) e área (por meio de aviões) do agrotóxico. Além disso, novos produtos a base de endossulfan não poderão ser mais registrados no Brasil.

Outra medida que vale desde já é a proibição do uso do agrotóxico para controle de formigas. Também, não será autorizado o uso de embalagens metálicas para produto. A decisão da Anvisa já foi encaminhada para 8ª Vara de Justiça, onde tramita uma ação civil pública com pedido do Ministério Público Federal para banimento imediato desse produto no país.

Outros agrotóxicos

A ação é resultado do trabalho de reavaliação toxicológica dos agrotóxicos pela Anvisa. A Agência realiza esse trabalho sempre que existe algum alerta nacional ou internacional sobre o perigo dessas substâncias para a saúde humana. Em 2008, a Agência colocou em reavaliação 14 ingredientes ativos de insumos agrícolas, entre eles o endossulfan. Juntos, eles representam 1,4 % das 431 moléculas autorizadas para serem utilizadas como agrotóxicos no Brasil.

Uma série de decisões judiciais impediram a Anvisa, por quase um ano, de fazer a reavaliação desses ingredientes. Mas a Agência conseguiu publicar a reavaliação do ingrediente ativo cihexatina. O resultado prevê que a substância seja retirada do mercado brasileiro até 2011. Para outras quatro substâncias, a Anvisa já publicou as Consultas Públicas e está na fase final da reavaliação. Houve três recomendações de banimento, para o acefato, o metamidofós e o triclorfom, e uma indicação de permanência do produto com severas restrições nas indicações de uso para o fosmete.

Fonte: Anvisa
Material disponível no site da Anvisa relatando os potenciais efeitos do endossulfan no nosso organismo.
Confira aqui a íntegra da resolução que determina a proibição do ingrediente ativo endossulfan no Brasil.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Desnutrição na terra da fartura

O Brasileiro está adoecendo por falta de vitaminas


Um país anêmico – O brasileiro consome apenas um terço de frutas, legumes e verduras do que recomenda a OMS. Especialistas mostram quais as principais doenças relacionadas à ausência de vitaminas.

Clima ameno, terra abundante, solo fértil, muita água e uma incrível variedade de frutas, verduras, legumes, cereais, peixes e carne vermelha. As feiras e supermercados de norte a sul do Brasil estão repletos de vitaminas à disposição durante os 365 dias do ano. O cardápio da população, no entanto, está cada dia menos nutritivo. Independentemente da classe social, crianças, adultos e idosos nem sempre ingerem a quantidade mínima desses micronutrientes — indispensáveis para garantir uma vida saudável.

O resultado preocupa especialistas: o brasileiro está adoecendo por falta de vitaminas. A Organização Mundial da Saúde recomenda o consumo diário por pessoa de, no mínimo, 400 gramas de frutas, legumes e verduras, mas no país campeão de produção de grãos a ingestão desses produtos representa apenas um terço do total preconizado pela OMS. Pesquisa do IBGE mostra também que no total de calorias diário ingerido pelo brasileiro, apenas 2,3% vêm do consumo de frutas e verduras. Reportagem de Márcia Neri, no Correio Braziliense.


Pequenas no tamanho, mas gigantes no propósito de garantir o bom funcionamento do organismo, elas previnem males e podem garantir a longevidade. A falta de vitaminas causa estragos porque desequilibra a máquina humana. O corpo passa a sofrer com problemas que variam da falta de apetite e indisposição à cegueira noturna, retardo no crescimento, infertilidade, anemia, alteração no sistema nervoso central, osteoporose e muitos outros.

De acordo com o médico José Humberto Gebrin, nutrólogo da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), a desinformação e o estilo de vida adotado nos últimos anos condicionam a população à ingestão de refeições rápidas, de alimentos industrializados e sem nutrientes. “Por isso, doenças como o escorbuto(1) — decorrente da falta de vitamina C — e o raquitismo, desencadeado pela escassez de vitamina D, ainda atingem a população, até em regiões privilegiadas, como o Distrito Federal”, lamenta o especialista.

Cores indispensáveis
O médico observa que a dieta equilibrada deve ser praticada da infância à velhice e explica que as vitaminas são elementos nutritivos encontrados nos vegetais, legumes, frutas e carnes (veja quadro). Um cardápio balanceado que contempla tais alimentos é suficiente para abastecer o corpo desses nutrientes sem a necessidade de suplementos vitamínicos.

“Para manter a saúde em dia precisamos de combinações que garantam um prato colorido. Simplificando, cores diferentes oferecem a vasta gama de vitaminas, minerais, fibras e substâncias fitoquímicas que o corpo demanda para manter a energia, se proteger contra os efeitos da idade e reduzir o risco de câncer e doenças cardíacas”, garente Gebrin.

O nutrólogo Leandro Vaz explica que as vitaminas são divididas em dois tipos. As liposolúveis — A, D, E e K — estão relacionadas com a manutenção da estrutura das membranas celulares. “Elas são encontradas em alimentos gordurosos, como azeites e castanhas, elas permanecem mais tempo no organismo do que as solúveis em água, que fornecem o que precisam ao corpo e são eliminadas pela urina”, diz Leandro.

Os suplementos vitamínicos são indicados somente para suprir uma falta emergencial. Eles estimulam o metabolismo a voltar a funcionar bem e quando cumprem sua função devem ser substituídos pela dieta saudável. É ela que proporciona a interação das vitaminas com outros nutrientes necessários ao organismo. A associação gera melhor absorção. Legumes verdes são fontes do complexo B; laranja, cenoura e frutas vermelhas, têm vitamina A; as cítricas são ricas em vitamina C; e os óleos vegetais, ovos, cereais integrais e peixes garantem vitaminas D e E.

Escorbuto
Durante as grandes navegações dos séculos 15 e 16, um dos maiores flagelos dos marinheiros era uma estranha doença que atingia a tripulação. Provocava queda de dentes e cabelo, hemorragias generalizadas, anemia e intensa fraqueza. Não eram poucos os que acabavam morrendo, em absoluta prostração. Essa doença, hoje conhecida como escorbuto, surge no organismo em consequência da alimentação deficitária em vitamina C.

O sol no cardápio
A servidora pública Adriana Alves, 33 anos, sentiu na pele o efeito da carência de vitaminas. Há um ano, a indisposição e a insônia deram o sinal de alerta. “A falta de energia estava estampada na minha pele, completamente sem viço. Procurei um médico e os exames não deixaram dúvidas quanto a ausência de vitamina B12 e B9 (ácido fólico)”, conta. Adriana confessa que não se alimentava corretamente e que a correria do dia a dia fazia com que a saúde fosse deixada em segundo plano.

O problema foi contornado com alimentação balanceada. “Agora, aprendi a apreciar verduras, principalmente as folhas verdes, como o espinafre, e a dar valor ao prato colorido e variado. Também não abro mão da carne. Em um mês, minha vida mudou. Durmo bem e estou muito disposta, animada”, comemora.

Os ossos também dependem das vitaminas para se fortalecerem, principalmente da D. Obtida por meio de vegetais verdes, peixes e carnes, ela se transforma em um hormônio essencial para a estrutura óssea, mas depende do sol para ser sintetizada. “Tudo começa com a ingestão dos alimentos fontes, seguida da exposição solar que ativa a vitamina D no organismo e um rim saudável para transformá-la em hormônio e garantir que o intestino permita a absorção do cálcio. De nada adianta tomar leite e derivados, se essa sequência for quebrada em algum momento”, explica a endocrinologista Luciana Naves.

Osteoporose
A médica alerta que o brasileiro tem sofrido com a falta da vitamina D porque o cardápio está rico em macarrão, arroz, batata frita e industrializados e a população tem se protegido do sol com os filtros solares. “A radiação que ativa a vitamina D é a ultra-violeta, justamente a bloqueada pelos filtros. Eles são importantes, não restam dúvidas, mas precisamos de alguns minutinhos de exposição para ativar a vitamina. A falta dela tem favorecido a osteoporose precoce”, diz.

A administradora de empresas Juliene Alcântara Quintão, 26 anos, se assustou quando os exames de sangue acusaram carência de vitamina D. “Sou uma pessoa disposta, mas o cansaço estava me consumindo. Passei a ir dormir diariamente às oito da noite e sentia um sono incontrolável no meio do dia. Acho que a falta de esclarecimento sobre a importância das vitaminas faz com que não se comer verduras e frutas seja um traço cultural”, observa.

A indisposição de Juliene também foi contornada com dieta balanceada. “Confesso que não sou disciplinada, mas agora tomo e valorizo um solzinho. O cardápio está mais colorido também. Refiz os exames e o médico verificou que a taxa de vitamina D está quase normalizada”, diz aliviada.


O que são vitaminas?
As vitaminas são um grupo de nutrientes orgânicos, essenciais para regular o processamento químico do corpo humano. São elas as responsáveis por ativar a oxidação dos alimentos, as reações metabólicas do organismo e facilitar a libertação e a utilização de energia

Produção
As vitaminas são obtidas de alimentos ou de suplementos vitamínicos.
No organismo, em reações químicas aceleradas por elas, proteínas, carboidratos e gorduras se combinam para produzir energia e compor os tecidos e os ossos

Tipos
Vitaminas hidrossolúveis – não são armazenadas no corpo e devem ser tomadas diariamente para prevenir sua deficiência

Vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K) – podem ser armazenadas. O intestino as absorve e o sistema linfático as transporta para diferentes partes do corpo

Benefícios das mais conhecidas:

A
Anticarcinogênica, previne o envelhecimento da pele e a cegueira noturna, aumenta a capacidade de cura do organismo, promove o crescimento e a saúde dos ossos, cabelos, dentes, pele e gengiva, ajuda no tratamento do hipertireoidismo
Fontes: Cenoura, leite e seus derivados, ovos, fígado, couve, mamão, laranja, manga, melão, melancia, pêssego, espinafre, couve de Bruxelas, brócolis, batata-doce, inhame, abóbora

B1
Ajuda a transformar açúcar em energia nos músculos e ossos, protege contra desequilíbrios causados pelo consumo de álcool, pode ajudar no tratamento de doenças neurológicas, anemia, pode aumentar a agilidade mental
Fontes: Arroz integral, gérmen de trigo, espinafre, couve-flor, nozes, sementes de girassol, amendoim, feijões, abacate, carne de porco

B2
Ajuda a metabolizar gorduras, proteínas e carboidratos, melhora a visão, estimula funções reprodutoras saudáveis, aumenta o desempenho atlético, protege contra a anemia
Fontes: Levedo de cerveja, fígado, língua e outras vísceras, leite, queijos duros, peixes, algas marinhas, repolho, ovos, sementes de girassol, arroz selvagem, aspargo, brócolis, espinafre, cogumelos

B3
Estimula a digestão, reduz a hipertensão arterial, previne a enxaqueca, ajuda na respiração celular, pode baixar o colesterol e proteger contra doenças cardíacas
Fontes: Fígado e outras vísceras, galinha, ervilha, tâmara, figo, cereais integrais, ameixa, abacate, peixes, amendoim, trigo integral, leite, ovos

B5
Melhora o sistema imunológico, previne a fadiga, reduz os níveis de colesterol, protege contra as doenças cardíacas e previne a artrite. Tem sido indicada para tratar asma, herpes simplex, alcoolismo e bruxismo
Fontes: Carne, cereais integrais, nozes, frango, melado, gema de ovos, peixe, queijo, amendoim, feijões, batata doce, couve-flor, ervilhas, abacate

B6
Ajuda a controlar o diabetes, trata sintomas da TPM, reduz câimbras e espasmos musculares, atua como diurético natural, protege contra o câncer. Tem sido utilizada para tratar a displasia mamária
Fontes: Levedo de cerveja, fígado, coração, melão, repolho, melado, ovos

B9
Melhora a lactação, a pele, é um analgésico natural, dá resistência à infecção em crianças, é essencial à transmissão do código genético (DNA), previne a espinha bífida
Fontes: Vegetais de folhas verde-escuras, cenoura, fígado, cereais, abacate, gema do ovo, melão e damasco

B12
Aumenta a memória e a concentração, protege contra elementos alérgenos e tóxicos, previne a esclerose múltipla, neuropatia diabética, herpes zoster e depressão em idosos
Fontes: Fígado, carne vermelha, carne de porco, ovos, queijos e leite

C
Antioxidante, acelera a cura de ferimentos, mantém a saúde de ossos, dentes e órgãos sexuais, atua como anti-histamínico natural, reduz a duração de resfriados e outras viroses, auxilia no tratamento do estresse.
Fontes: Todas as frutas cítricas, especialmente laranja, limão, acerola, kiwi, frutas silvestres (fruto da roseira, groselha preta), brócolis, batata-inglesa, batata-doce, couve-flor, tomate, fígado e todos os vegetais

D
Protege contra a osteoporose, ajuda no tratamento da psoríase, melhora o sistema imune, é necessária para se ter ossos e dentes fortes
Fontes: É encontrada na cavala, sardinha, bacalhau e todos os óleos de peixe

E
Antioxidante, anticoagulante, protege contra distúrbios neurológicos, trata problemas de pele, auxilia na prevenção do aborto, previne câimbras musculares e espasmos, estimula o sistema imunológico
Fontes: Germe de trigo, soja, óleos vegetais, brócolis, verduras, cereais integrais e ovos

Fonte: http://www.ecodebate.com.br/2010/08/10/brasileiro-esta-adoecendo-por-falta-de-vitaminas-diz-oms/