terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Alimentos orgânicos - Algumas considerações importantes


A produção de orgânicos sempre que possível, baseia-se:

1)No uso de estercos animais,

2)Rotação de culturas,

3)Adubação verde,

4)Compostagem,

5)Controle biológico de pragas e doenças.

Tem como principal objetivo a manutenção da estrutura do solo além da sua produtividade, gerando alimentos saudáveis e produzidos baseados em uma relação harmônica com a natureza (homem/natureza, homem/animais homem/homem).

Por esses motivos, eu como médico e ecologista defendo essa causa. Alguns aspectos que sempre ressalto para quem me pergunta "Dr. porque vc está nessa de defender ecologia associada à medicina?":

1) Aspectos sanitários: alimentos orgânicos não possuem "defensivos" agrícolas sintéticos ou qualquer tipo de venenos que possa comprometer a saúde de qualquer ser na escala evolutiva, seja ele um invertebrado, seja ele um homo sapiens. Princípio este que jurei na minha formatura, princípio este criado pelo pai da Medicina (Hipócrates) "primum non nocere" que significa em primeiro lugar não lesar.

2) Aspectos ecológicos: a agricultura orgânica por não utilizar métodos agressivos e nocivos para a natureza, evita a degradação do meio ambiente. Isso inclui: manutenção das características do solo (as vezes adubando através de rochagem, mas sem utilizar fertilizantes sintéticos), manutenção da potabilidade da água e pureza do ar. A agricultura orgânica geralmente é familiar e ocorre de forma sustentável, na qual se respeita ciclos milenares (plantio/colheita). Desenvolvimento e preservação ambiental andam de forma conjunta.

De formal geral, a agricultura orgânica é baseada em três idéias. São elas:

1) Cultivo natural: é proibido o uso de agrotóxicos, adubos químicos e artificiais e conservantes no processo de produção.

2) Equilíbrio ecológico: A produção respeita o equilíbrio microbiológico do solo e as diferentes épocas de safra. O processo fica mais sustentável, não degradando a biodiversidade.

3) Respeito ao homem: o trabalhador tem que ser respeitado (leis trabalhistas, ganho por produtividade, treinamento profissional e qualidade de vida).

Para se obter um alimento verdadeiramente orgânico, é necessário conhecer diversas ciências (agronomia, ecologia, nutrição, medicina, economia, entre outras). Assim, o agricultor, através de um trabalho harmonizado com a natureza, tem condições de oferecer ao consumidor alimentos que promovam não apenas a saúde deste último, mas também do planeta em que vivemos.

O número crescente de produtores orgânicos no Brasil está dividido basicamente em dois grupos:

1) Pequenos produtores familiares ligados a associações e grupos de movimentos sociais, que representam 90% do total de agricultores, sendo responsáveis por cerca de 70% da produção orgânica brasileira;

2) Grandes produtores empresariais (10%) ligados a empresas privadas.

Enquanto na região sul cresce o número de pequenas propriedades familiares que aderem ao sistema, no sudeste a adesão é representada em sua maioria por grandes propriedades.

Atualmente, o Brasil ocupa a 34ª posição no mundo no ranking dos países exportadores de produtos orgânicos, sendo que na última década foi assistido um crescimento de 50%nas vendas por ano.

Calcula-se que já estão sendo cultivados perto de 100 mil há (hectares) em cerca de 4.500 unidades de produção orgânica espalhadas por todo o país. A maior parte da produção brasileira (cerca de 70%) encontra-se nos estados do Paraná, São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Espírito Santo. Apesar da tendência de crescimento, o Brasil ainda perde para a vizinha Argentina em termos de área certificada para o cultivo de orgânicos na América do Sul.

Da produção nacional de orgânicos, cerca de 75% é exportada, principalmente para a Europa, Estados Unidos e Japão. A soja, o café e o açúcar lideram as exportações. No mercado interno, os produtos mais comuns são as hortaliças, seguidos de café, açúcar, sucos, mel, geleias, feijão, cereais, laticínios, doces, chás e ervas medicinais. Infelizmente ainda não temos muitas frutas produzidas nos moldes correto.

Os países com maiores áreas de produção orgânicas são, respectivamente:

1) Austrália com 12,29 milhões de ha;

2) China com 2,3 milhões de ha;

3) Argentina com 2,22 milhões de ha.

Esses países têm como principal atividade nessas áreas orgânicas a pastagem não intensiva. Entretanto, alguns cuidados devem ser tomados na comparação entre países, pois a produtividade é extremamente variável entre eles. O Brasil se encontra na oitava posição, com 880 mil ha. Em termos de continente, a Oceania detém 40,7% da área sob manejo orgânico, seguida da Europa com 24,3%, América Latina com 16,2%, Ásia com 10,2%, América do Norte com 7,3% e África com 1,4%.

O Japão hoje é considerado um dos maiores mercados mundiais para produtos orgânicos. Devido à pequena dimensão territorial, a produção orgânica própria é pequena, principalmente se comparada à variedade e volume de produtos que importam, como cereais, legumes, frutas frescas, carne bovina, frango, queijo, entre outros.

Nos Estados Unidos, os produtores orgânicos certificados produzem principalmente cereais, com destaque para soja e trigo. O desenvolvimento da agricultura orgânica americana tem sido comparado ao da Europa, assistindo um volume de venda próximo dos U$5 bilhões anuais. Segundo dados da Organic Farming Research Fundation (Fundação de Pesquisa em Agricultura Orgânica), aproximadamente 1% do mercado americano de alimentos é proveniente de métodos orgânicos de produção.

Na Europa o desenvolvimento da agricultura orgânica e do consumo de produtos sem agrotóxico cresce a passos largos.

No final de 2009, na França, havia 16.446 fazendas orgânicas, um aumento de 23,7% em relação a 2008, e 677.513 hectares de terra orgânica, um aumento de 16% comparado a 2008. O país obteve destaque devido ao aumento significativo de algumas produções animais na linha orgânica, sobretudo o frango orgânico, que teve taxas de crescimento de 135% nos últimos dois anos.

A Alemanha foi o primeiro país do mundo a criar um organismo para inspeção e controle da produção orgânica e hoje o mercado alemão de produtos orgânicos é considerado um dos mais importantes da Europa. Em 1998, foram contabilizadas cerca de 6.786 unidades de produção (1,9% de sua área total).

Será que é orgânico mesmo? Como saber?

Se você pretende consumir alimentos orgânicos fique atento para não ser enganado. Procure sempre pelo selo de qualidade emitido por certificadoras reconhecidas pelo Ministério da Agricultura. São entidades como a Associação de Agricultura Orgânica (AAO), o Instituto Biodinâmico (IBD), entre outros. Essas entidades, ao todo cerca de 30 em todo Brasil, avaliam se a produção do alimento segue os critérios estabelecidos pela agricultura orgânica. Para ganhar o selo, os produtores seguem várias precauções e têm suas lavouras fiscalizadas a cada semestre. A presença do selo garante, portanto, a procedência e a qualidade dos produtos.


10 MOTIVOS PARA CONSUMIR PRODUTOS ORGÂNICOS

1) SÃO ALIMENTOS NUTRITIVOS E SABOROSOS

Com solos balanceados e fertilizados com adubos naturais, se obtém alimentos mais nutritivos. A comida fica mais saborosa, conservam-se suas propriedades naturais como vitaminas, sais minerais, carboidratos e proteínas. Um alimento orgânico não contém substâncias tóxicas e nocivas à saúde. Em solos equilibrados as plantas crescem mais saudáveis, preservam-se suas características originais como aroma, cor e sabor.

Consumindo produtos orgânicos é possível apreciar o sabor natural dos alimentos. Além disso, quando se utiliza o sistema de Rochagem na adubagem o alimento fica mais rico devido a inserção de minerais ESSENCIAIS na composição do solo. Pesquisas internacionais demonstram que alimentos orgânicos apresentam, em média, 63% a mais cálcio, 73% mais ferro, 118% mais magnésio, 178% mais molibdênio, 91% mais fósforo, 125% mais potássio, 60% mais zinco que os alimentos convencionais. Possuem menor quantidade de mercúrio (29%), substancia que pode causar doenças graves (informação publicada no Journal of Applied Nutricion, 1993).

No ano passado pesquisadores da London School of Hygiene & Tropical Medicine, em Londres, Inglatrra, realizaram um levantamento com 162 artigos científicos publicadas nos últimos 50 anos, que mostrou que não existe uma diferença tão grande entre o alimento orgânico e o normal. Erro na metodologia ? Interesses exclusos ? Mesmo que não tivesse superioridade nutricional, só de não conter agrotóxicos ja É SUPERIOR !

2) SAÚDE GARANTIDA

Vários pesticidas utilizados hoje em dia no Brasil estão proibidos em muitos países, em razão de consequências provocadas à saúde, tais como:

1) Cânceres dos mais diversos tipos

2) Alergias alimentares

3) Asma

4) Infertilidade

5) Alterações hormonais principalmente quando se trata de hormônios sexuais

6) Hiperatividade em adultos e crianças

7) Déficit de atenção

8) Doenças neurodegenerativas

9) Aumento da produção de radicais livres e diminuição da produção de antioxidantes.

10) Intoxicação por metais pesados

Um relatório da Academia Americana de Ciências, de 1982, calculou em 1.400.000 o número de novos casos de câncer provocados por agrotóxicos. Além disso, os alimentos de origem animal estão contaminados pela ação dos perigosos coquetéis de antibióticos, hormônios e outros medicamentos que são aplicados na pecuária convencional, quer o animal esteja doente ou não.

Consumindo orgânicos protegemos nossa saúde e a saúde de nossos familiares com a garantia adicional de não estarmos consumindo alimentos geneticamente modificados.

Vale a pena ler o Post sobre a recente pesquisa da Anvisa, na qual a mesma detectou irregularidade em 29% dos alimentos analisados.

Veja também esse post sobre a Reavaliação de agrotóxicos e veja o quão grave é a situação.

3) PROTEÇÃO ÀS FUTURAS GERAÇÕES

As crianças são os alvos mais vulneráveis da agricultura com agrotóxicos. “Quando uma criança completa um ano de idade, já recebeu a dose máxima aceitável para uma vida inteira, de agrotóxicos que provocam câncer”, diz um relatório recente do Environmental Working Group (Grupo de Trabalho Ambiental). A agricultura orgânica, além disso mais, tem a grande tarefa de legar às futuras gerações um planeta reconstruído.

4) AMPARO AO PEQUENO PRODUTOR

O trabalhador rural precisa ser preservado, tanto quanto a qualidade ecológica dos alimentos. Adquirindo produtos ecológicos, contribuímos com a redução da migração de famílias para as cidades, evitando o êxodo rural e ajudando a acabar com o envenenamento por agrotóxicos sofrido por cerca de 1 milhão de agricultores no mundo inteiro.

5) SOLOS FÉRTEIS

Uma das principais preocupações da Agricultura Orgânica é o solo. O mundo presencia a maior perda de solo fértil pela erosão em função do uso inadequado de práticas agrícolas convencionais. Com a Agricultura Orgânica é possível reverter essa situação.

6) ÁGUA PURA

Quando são utilizados agrotóxicos e grande quantidade de nitrogênio, ocorre a contaminação nas fontes de água potável. Cuidando desse recurso natural, garante-se o consumo de água pura para o futuro.

7) BIODIVERSIDADE

A perda das espécies é um dos principais problemas ambientais. A Agricultura Orgânica preserva sementes por muitos anos e impede o desaparecimento de numerosas espécies, incentivando as culturas mistas e fortalecendo o ecossistema. A Fauna permanece em equilíbrio e todos os seres convivem em harmonia, graças à não utilização de agrotóxicos. A Agricultura Orgânica respeita o equilíbrio da natureza e cria ecossistemas saudáveis.

8) REDUÇÃO DO AQUECIMENTO GLOBAL E ECONOMIA DE ENERGIA

O solo tratado com substâncias químicas libera uma quantidade enorme de gás carbônico, gás metano e óxido nitroso. A agricultura e administração florestal sustentáveis podem eliminar 25% do aquecimento global. Atualmente, mais energia é consumida para produzir fertilizantes artificiais do que para plantar e colher todas as safras.

9) CUSTO SOCIAL E AMBIENTAL

O alimento orgânico não é, na realidade, mais caro que o alimento convencional se consideramos que, indiretamente, estaremos reduzindo:

1) Gastos com MÉDICOS e MEDICAMENTOS

2) CUSTOS com a recuperação ambiental.

10) CIDADANIA E RESPONSABILIDADE SOCIAL

Consumindo orgânicos, estamos exercitando nosso papel social, contribuindo com a conservação e preservação do meio ambiente e apoiando causas sociais relacionadas com a proteção do trabalhador e com a eliminação da mão-de-obra infantil.


Maiores Informações: http://www.prefiraorganicos.com.br/


Vale a pena pagar mais por certos orgânicos?

Os adeptos da culinária saudável já estão cansados de saber dos benefícios dos alimentos orgânicos, infelizmente, investir 100% nesse tipo de frutas, legumes, folhas e até sucos e carnes ainda custa caro e é privilégio de poucos.

Pensando nisso, conversamos com especialistas para garimpar alguns itens nesse universo orgânico e saber exatamente por quais deles e em que situações realmente vale a pena se pagar mais em nome da saúde.

Um bom começo para começar a mudar os hábitos à mesa, sem pesar muito no bolso, seria substituir os campeões em agrotóxicos por suas versões orgânicas. Não é à toa. De acordo com a nutróloga Lívia Zimmermann, o consumo diário dessas substâncias nocivas pode intoxicar o organismo, criando um "ambiente" propício ao desenvolvimento de doenças - desde alergias até o câncer a longo prazo. "Há, inclusive, estudos que sugerem que os aditivos químicos, principalmente os corantes encontrados em alimentos industrializados, podem ter relação até com distúrbios psicológicos", alerta Lívia, membro da diretoria da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

Reveja sua lista de supermercado

Comer uma salada de tomates, hoje, pode ser uma aventura e tanto, graças ao nível de contaminação dessa fruta - que aparece nas feiras e sacolões cada vez maior e mais vermelha (como um típico efeito do uso de agrotóxicos). "A dona de casa mais atenta pode observar uma película meio esbranquiçada na casca do tomate. É o sinal da presença dos aditivos químicos", explica a nutróloga Lívia Zimmermann.

Trocar o tomate convencional pelo orgânico, portanto, pode valer a pena, especialmente no prato das crianças. Sabe-se que os efeitos dos agrotóxicos são cumulativos - por isso, de acordo com os especialistas, o quanto antes barrarmos boa parte desse contato, melhor.

O tomate é o vilão maior, mas entre os reis da contaminação ainda estão o morango, a melancia, o melão, a abóbora, enfim as frutas rasteiras, além do mamão e das verduras (legumes e folhas). No geral, nos cultivos tradicionais, esses alimentos recebem uma quantidade grande de químicos, por serem mais suscetíveis à ação de pragas, como as ervas daninhas.

Segundo Fernanda Pisciolaro, nutricionista Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), os cuidados devem ser redobrados com alimentos que se come com a casca e com aqueles que não têm casca (a exemplo do morango). Nem as carnes vermelhas escapam dos alimentos que merecem atenção (e que poderiam ser substituídos por sua versão orgânica). Os hormônios de crescimento e antibióticos usados na criação bovina podem causar prejuízos ao organismo. Isso não ocorre com a carne orgânica, resultado de um gado criado em pasto orgânico, com alimentação orgânica e sem o uso de remédios alopáticos.

Ganhos na qualidade e no sabor

"O agrotóxico deixa o morango com gosto de acetona. A fruta orgânica é bem diferente, muito mais saborosa", completa Raquel Diniz, coordenadora do Instituto Akatu, uma organização não-governamental que busca estimular o consumo consciente e sustentável.

José Pedro Santiago e Alexandre Harkaly, diretores da associação de certificação de orgânicos, o Instituto Biodinâmico (IBD), garantem que os alimentos orgânicos contêm uma concentração mais elevada de nutrientes. Para confirmar o que dizem, eles lembram de 41 estudos científicos divulgados, em 2005, pela Soil Association, da Inglaterra, que atestavam uma presença maior de vitamina C, magnésio e fósforo nos orgânicos.

"A laranja, por exemplo, contém 12% mais vitamina C e menos resíduos de nitratos em relação à convencional", comenta José Pedro. Essa maior concentração de nutrientes, segundo o especialista, pode ser vista também no leite orgânico, que apresenta maior quantidade de cálcio e vitaminas.

Reconheça um alimento orgânico

Para ser considerado orgânico, o alimento deve seguir alguns padrões essenciais de plantio e colheita. De início, nada de agrotóxicos ou agentes químicos, como os pesticidas, para "reforçar" a terra e evitar pragas e ervas daninhas.

Normalmente, os produtos vendidos em supermercados apresentam um selo de certificação, desde que tenham, no mínimo, 95% de ingredientes orgânicos. "Para certificar um produto, seguimos diretrizes que vão da produção primária à industrialização, armazenamento e transporte do produto. Além de questões de conservação do solo", afirma Alexandre Harkaly, diretor do IBD. O selo vale tanto para frutas e vegetais, quanto para laticínios e carnes.

Mas, se você tem o hábito de freqüentar feiras ou sacolões e mercadinhos próximos da sua casa, vai uma dica: alimentos orgânicos tendem a ter um aspecto mais feio. Isso reflete tanto no tamanho da fruta, quanto na coloração. Portanto, se você não quer abrir mão dos tomates "vermelhões" e gigantes, porém cheios de agrotóxicos, nem passe perto das prateleiras orgânicas. Ali, a fruta é menor e de um vermelho mais discreto.


Fonte: Redação Terra

Serviços:

Alexandre Harkaly - diretor do IBD (Associação de Certificação Instituto Biodinâmico)

www.ibd.com.br

Fernanda Pisciolaro - nutricionista, membro da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica)

www.abeso.org.br

José Pedro Santiago - diretor do IBD (Associação de Certificação Instituto Biodinâmico)

www.ibd.com.br

Lívia Zimmermann - nutróloga, membro da diretoria da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia)

www.abran.org.br

Raquel Diniz - coordenadora do Instituto Akatu

www.akatu.org



segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Multivitamínicos podem perturbar o sono, indicam estudos

Por Anahad O'Connor do The New York Times

Cientistas descobriram um índice levemente maior de sono insuficiente ou interrompido em pessoas que tomavam suplementos multivitamínicos

Milhões de americanos tomam suplementos multivitamínicos todos os dias, na esperança de obter vários tipos de benefícios para a saúde. Mas quando se trata de uma boa noite de sono, será que essas pílulas podem prestar um desserviço?

Ao longo dos anos, relatos sugeriram isso. Alguns usuários alegam que esses suplementos reduzem seu sono e levam a despertar mais frequente no meio da noite. Em um estudo realizado em 2007, pesquisadores recrutaram centenas de participantes e investigaram seus hábitos de sono - incluindo seu uso de vitaminas e medicações -, e então pediram que eles mantivessem um "diário do sono" por duas semanas.

Após controlar fatores como gênero, idade e outras variáveis, os cientistas descobriram um índice levemente maior de sono insuficiente ou interrompido em pessoas que tomavam suplementos multivitamínicos. Mas por terem encontrado apenas uma associação, eles não puderam excluir a possibilidade de que as pessoas com sono mais pobre simplesmente são as com maior tendência a buscar os multivitamínicos.

Se há um efeito, o problema é separar os efeitos das vitaminas individuais. Há alguma evidência de que a vitamina B produz alguma consequência. Alguns estudos mostram que ingerir vitamina B6 antes de ir para a cama pode levar a sonhos muito vívidos, o que pode acordar as pessoas. A B6 ajuda o corpo a converter triptofano em serotonina, um hormônio que afeta o sono. Outros estudos mostram que a vitamina B12 pode afetar os níveis de melatonina, promovendo a vigília.

Para aqueles que suspeitam que seus suplementos multivitamínicos podem estar abreviando seu sono, a melhor solução pode ser simplesmente tomar as pílulas pela manhã, ou pelo menos algumas horas antes de ir para a cama.

Sendo assim, há evidências de que suplementos multivitamínicos podem perturbar o sono noturno.

FONTE: http://tinyurl.com/348no8l

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Hipertensão e Sal


O sal é um composto químico natural e abundante na Terra. É constituído de Cloro (Cl) e Sódio (Na) que ao se unirem formam o Cloreto de sódio (NaCl). Na mistural de Na com Cl 40% corresponde ao Sódio e 60% de cloreto. Logo, 1g de Sal tem 0,4g de Sódio e 0,6g de Cloreto.

Existe basicamente 2 tipos de sal:
1) Sal marinho: é extraído através da evaporação da água do mar,
2) Sal de rocha também conhecido como sal-gema: é retirado das minas subterrâneas que são resultantes de mares e lagos antigos que secaram.

Apesar da abundância hoje conhecida, durante muitos séculos o sal foi considerado muito precioso, principalmente pela sua ação de preservar os alimentos. Já foi denominado ouro branco.

Os Gregos e Romanos, utilizavam o sal como moeda para suas compras e vendas e com este condimento os romanos eram pagos, por isso surgiu a palavra salário que deriva de sal. Foi também considerado um artigo de luxo e só os mais ricos tinham acesso a ele.

O sal em seu estado puro consiste de cloreto de sódio e é encontrado em grande quantidade na natureza, em alguns casos são adicionados a ele substâncias ou temperos para o seu uso culinário.

O Sal de cozinha, de mesa ou refinado: é o mais comum e também mais usado para preparar os alimentos; neste sal pelas leis brasileiras deve-se adicionar o mineral iodo para evitar o bócio, devido o nosso solo ser pobre em Iodo.

Tipos de sal

Sal marinho: Existem diversos tipos, dependendo da procedência e a cor de seus cristais pode variar. Muito usado na cozinha macrobiótica.

Sal grosso: Não refinado, apresenta-se na forma em que sai da salina. Na culinária é comumente usado em churrasco, assados de forno e peixes curtidos.

Sal light: seu teor de sódio é reduzido, sendo fruto da mistura de partes iguais de cloreto de sódio e cloreto de potássio. É ideal para pessoas em dietas com restrição ao sal .

Sal kosher: Este sal contém cristais grossos e irregulares que tanto pode ser extraído de mina ou do mar , desde que seja sob supervisão de rabinos. Sendo sua granulação mais grossa, tem a preferência dos chefes de cozinha, porque adere com muito mais facilidade a superfície das carnes.

Sal de Guérande: Considerado como o melhor do mundo este sal tem sua produção artesanal. Extraído da cidade de Guérande, região da Grã-Bretanha, França, torna-se um condimento caro.

Sal defumado: Tem sabor e aroma próprios que dão um toque especial às preparações.

Sal de aipo: É um sal de mesa misturado com grãos de aipo secos e moídos . É utilizado para dar melhor sabor aos grelhados de peixes, carnes e caldos consommés.

Gersal: Também muito utilizado na cozinha macrobiótica. É um sal misturado com sementes de gergelim tostadas e amassadas.

Dose máxima diária de Sal

O mínimo de Sal necessário para o homem é 1,2g/dia. Em 2005 a Organização Mundial de Saúde preconizou que a dose máxima diária de Sal (prestem atenção = NaCl e não apenas o Sódio isoladamente) seria de 5 gramas por dia (5g/dia), o que em medidas caseiras corresponde e aproximadamente 1 colher de café cheia. Portanto se em 1grama temos 0,4g de Sócio, em 5 gramas temos (+- 1colher de café) 2gramas de sódio. Logo o máximo a ser consumido de Sódio por dia é 2gramas/dia.

Em novembro de 2010 o Governo Brasileiro divulgou um acordo com a indústria para a redução do teor de sódio (e de glicose) dos produtos alimentícios. A redução deverá ser gradativa a fim de que os brasileiros não estranhem. Portanto, segundo o acordo, até 2020 os alimentos industrializados do Brasil deverão ter 50% menos sódio que hoje em dia. Estudos mostram que o brasileiro ingere em média 10g/dia.

Na época José Gomes Temporão (ministro da saúde) afirmou “ A redução do teor de sal é um novo desafio. O consumo excessivo pode causar, a longo prazo, problemas de saúde pública como hipertensão arterial sistêmica (HAS), entre outros. Entregamos à Abia um documento técnico com prioridades para a redução. Haverá agora o desenvolvimento de um trabalho técnico, com estabelecimento de metas, para que esse trabalho continue avançando. Estudos apontam que a redução de 3 gramas no consumo diário de sal levaria a uma redução de 13% nos casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC) e 10% nas doenças isquêmicas do coração".

Redução de 6 gramas para 5 gramas por dia de Sal

As novas diretrizes brasileiras de hipertensão (elaborada pela Sociedade Brasileira de Nefrologia), publicadas em 2010 (disponível aqui) afirmam que:

1 - "Ingestão excessiva de sódio tem sido correlacionada com elevação da Pressão arterial (PA). A população brasileira apresenta um padrão alimentar rico em sal, açúcar e gorduras. Em contrapartida, em populações com dieta pobre em sal, como os índios brasileiros Yanomami, não foram encontrados casos de HAS. Por outro lado, o efeito hipotensor da restrição de sódio tem sido demonstrado".

2 - "A relação entre PA e a quantidade de sódio ingerido é heterogênea. Esse fenômeno é conhecido como sensibilidade ao sal. Indivíduos normotensos com elevada sensibilidade à ingestão de sal apresentaram incidência cinco vezes maior de HAS, em 15 anos, do que aqueles com baixa sensibilidade. Alguns trabalhos demonstraram que o peso do indivíduo ao nascer tem relação inversa com a sensibilidade ao sal e está diretamente relacionado com o ritmo de filtração glomerular e HAS na idade adulta".

3 - "Uma dieta com baixo teor de sódio promoveu rápida e importante redução de PA em hipertensos resistentes. Apesar das diferenças individuais de sensibilidade, mesmo modestas reduções na quantidade de sal são, em geral, eficientes em reduzir a PA. Tais evidências reforçam a necessidade de orientação a hipertensos e “limítrofes” quanto aos benefícios da redução de sódio na dieta. A necessidade diária de sódio para os seres humanos é a contida em 5 g de cloreto de sódio ou sal de cozinha. O consumo médio do brasileiro corresponde ao dobro do recomendado.Dieta hipossódica: grau de recomendação IIb e nível de evidência B".

Portanto, as sociedades brasileiras de nefrologia, cardiologia e hipertensão adotaram a redução de 6 gramas para 5 gramas de Sal por dia. O mesmo limite adotado pela Organização mundial de Saúde (OMS) em 2005.

A redução em 1g pode parecer ínfima mas tem um grande impacto em saúde pública. Segundo um estudo publicado em Fevereiro de 2010 na maior revista científica do mundo (The New England Journal of Medicine), mostrou que a redução 6 para 5g/dia evita 10% das mortes por doenças cardiovasculares, sobretudo infarto e derrame. O que representa, em termos globais, em torno de 1 milhão de vidas salvas anualmente. Para hipertensos há um aumento de 4 anos na expectativa.

Segundo Marcus Bolívar Malachias (presidente da sociedade Brasileira de Cardiologia) "Os benefícios aumentam proporcionalmente à quantidade reduzida".

Sal e hipertensão arterial

O sal começou a aparecer nas diretrizes médicas a partir dos anos 80, quando a Associação Americana do Coração relacionou o consumo excessivo do mineral a um aumento nos riscos de hipertensão, doença responsável por 54% das mortes por derrame e 47% dos óbitos por infarto.

Descobriu-se que, depois da genética, o excesso de sal é o fator de maior influência para a pressão alta. Quando em excesso, além de ter ação vasoconstritora, o mineral aumenta o volume de sangue circulante pelas artérias, agredindo a parede dos vasos. A lesão, por sua vez, facilita o depósito de gorduras e reduz a síntese de substâncias vasodilatadoras. Com isso, as artérias enrijecem e têm seu calibre diminuído. A PA portanto aumenta.

O ideal é que ela não ultrapasse a marca dos 120 por 80. O número 120 corresponde a pressão máxima ou sistólica e equivale à força do fluxo de sangue contra a parede dos vasos, quando o músculo cardíaco se contrai e bombeia sangue para o resto do organismo. Já o 80 corresponde à pressão diastólica ou mínima, refere-se à medição no momento em que o coração relaxa e se enche de sangue.
Quando a sistólica ultrapassa 140 e a diastólica 90 o quadro é de hipertensão.

No Brasil, 30% dos adultos estão doentes – o que representa cerca de 30 milhões de homens e mulheres. Em oito de cada dez desses casos, a hipertensão é produto de uma combinação de múltiplos fatores – e o consumo excessivo de sal é um aspecto preponderante entre diversos fatores de risco (obesidade, sedentarismo e stress).

Portanto, faz-se necessário controlar a ingesta de Sal.

Abaixo algumas das orientações que faço aos meus pacientes hipertensos:

1 - Use o mínimo de sal no preparo dos alimentos, no começo pode-se estranhar o sabor, porém depois acostuma-se:
Dica: Substitua por temperos naturais como: salsinha, cebola, orégano etç. Sabe-se que uma das melhores maneiras de controlar a hipertensão (pressão alta) e a retenção de líquidos (inchaço, edema) é reduzir o consumo de sal.
O sódio é um elemento químico que faz parte da composição do "sal de cozinha" (cloreto de sódio). O sal é a maior fonte de sódio, mas este também é encontrado em diversos alimentos.
Abaixo, listo os alimentos (na maioria das vezes industrializados) que são ricos em sódio:
  • Carnes processadas e embutidos: presunto, mortadela, copa, bacon, paio, salsicha, lingüiça, salaminho e salame, carne seca, chouriço, etc.
  • Aves processadas: nuggets de frango, por exemplo.
  • Queijos amarelos: parmesão, prato, provolone, cheddar, suíço, roquefort.
  • Bolos prontos, arroz de preparo rápido, patês.
  • Alimentos enlatados e conservas: aspargos, milho, ervilha, azeitona, palmito, picles, alcaparras. Além do excesso de sal, possuem conservantes. Uma alternativa é deixa-los de molho em duas águas antes de consumí-los.
  • Biscoitos salgadinhos, bolacha de água e sal, etc.
  • Manteiga ou margarina com sal.
  • Macarrão instantâneo, sopas em pó.
  • Temperos e molhos industrializados: caldos concentrados e extratos de carne/frango/legumes, temperos prontos (Arisco, Sazon, Ajinomoto, etc), catchup, mostarda, maionese, molho de soja (shoyo), molho inglês, molhos de salada, extrato e molho e tomate. Todos são ricos em sódio porém nosso paladar não percebe. O mesmo acontece com os refrigerantes ditos Diet ou Light, na maioria das vezes possuem alto teor de Sódio.
ATENÇÃO para o RÓTULO dos alimentos.
Existem nos mercados produtos chamados "substitutos do sal" (como o sal light). Entretanto, a maioria deles substitui o sódio por potássio e, portanto, não devem ser usados por pacientes com problemas renais.

Uma dúvida freqüente dos meus pacientes é com relação ao que fazer no restaurante. Dicas:
  • Dar preferência a alimentos frescos, que possuem menos sal que os produtos de laticínios (se possível orgânicos);
  • Evitar pratos e molhos com queijo (apesar do cálcio promover relaxamento das artérias);
  • Escolher carnes grelhadas ou assadas; evitar frituras e carnes com molhos;
  • Pedir ao garçom que os alimentos sejam preparados sem sal;
  • Em caso de saladas, pedir o molho separadamente; dar preferência ao vinagre (ou limão) e azeite.
  • Faça uso de ervas no preparo dos alimentos; prepare uma mistura de temperos que mais lhe agrada e coloque-os moídos em um recipiente (tipo saleiro, com buracos maiores), para ser usado à mesa. Tais temperos podem ser encontrados em casas de produtos naturais. Utilizo um chamado Tempero Terapêutico e que contém diversas ervas e especiarias.

2 - Evite acrescentar sal aos alimentos já prontos e para isso a única saída é retirar o saleiro da mesa. Lembre-se que para hipertensos a dose máxima diária é de 5g (ou seja, 1 colher de café)

3 - O Sal marinho possui vários minerais que são retirados durante o refinamento. Portanto use o sal marinho ao invés do sal refinado.

4 – Um agente causador freqüente de hipertensão é o estresse emocional. As causas do estresse podem variar de acordo com o indivíduo. O melhor a fazer é se possível, identificar o motivo gerador da tensão e eliminá-lo. Na impossibilidade, deve-se procurar encarar a situação com mais leveza e fazer psicoterapia, meditação transcendetal, atividades que promovam relaxamento mental.

5 - Evite carnes salgadas como carne seca, carne de sol salgada, bacalhau e defumados.

6 - Evite aditivos: glutamato monossódico utilizado em alguns condimentos e em sopas instantâneas, além de terem sal, causam excitação cerebral.

7 – Alimentos ricos em cálcio são essenciais para a diminuição da pressão, mas não pense que somente o leite é rico em cálcio (lembre-se que o Leite também tem sódio). Outras fontes boas de cálcio e que devem ser consumidas diariamente são: Brócolis, espinafre, couve crua, ovos cozidos, gergelim, tofu, levedo de cerveja, castanhas.

8 – Alimentos ricos em potássio também são essenciais para a diminuição da pressão. A cada 100gramas desses alimentos você encontrará:
  • Ameixa seca (616mg);
  • Amendoim torrado sem sal (740mg);
  • Banana (370mg);
  • Batatas (400mg),
  • Uva passa (842mg);
  • Chicória (519mg),
  • Cogumelos (669mg);
  • Couve (400mg),
  • Damasco seco (1179mg),
  • Ervilhas verdes e vagem (937mg);
  • Feijão azuki (1300mg),
  • Polpa de tomate (88mg),
  • Soja (800mg).
9 – O magnésio é um dos minerais mais abundantes em nosso planeta e está envolvido no mecanismo de relaxamente dos vasos e com isso diminuição da pressão arterial. Na minha prática clínica percebo que a maioria dos meus pacientes apresentam deficiência de magnésio e respondem bem à reposição. Tal deficiência se deve a três fatores principais:
  • Na manipulação de alimentos (refino) mais de 80% do Magnésio é perdido devido a remoção do gérmen e das camadas externas dos grãos,
  • O solo brasileiro é naturalmente pobre em Magnésio e com a monocultura praticada por séculos o teor ficou ainda menor. Inúmeros estudos demonstraram que locais onde o solo é pobre em magnésio a incidência de hipertensão arterial e doenças cardíacas é maior. Além disso um estudo Finlandês mostrou que a suplementação de Magnésio na água sob a forma e um sal evidenciou redução na incidência de doenças cardíacas.
  • O terceiro fator é a  ingesta de alimentos refinados e com alto índice glicêmico. Alimentos com índice glicêmico elevado solicitam uma maior quantidade de insulina. Para que a insulina se ligue ao receptor e  promova a entrada de glicose na célula, utiliza-se além de outros minerais o magnésio, logo uma dieta rica em carboidratos, "manda muito magnésio embora".
O magnésio está envolvido em mais de 300 reações metabólicos essenciais. As principais fontes de magnésio são:
  • Grãos integrais (aveia, arroz integral, trigo integral, farelo de milho e de arroz),
  • Nozes e sementes secas: sementes de abóbora, girassol (torrada), gergelim. Amêndoas, castanhas, amendoim, pistache, soja, nozes
  • Frutas: banana, abacate,
  • Verduras e legumes: folha de beterraba, beterraba, grão-de-bico, figo seco, feijão, ervilha, mandioca (raiz), lentilhas, quiabo, batata com casca, fécula de batata, figo (seco), uva passa, algas marinhas, soja, espinafres, couve.
  • Ostras, soja e seus derivados, rapadura (ocasionalmente)

10 – Uma dieta rica em alimentos que contenham ômega 3 pode ajudar a reduzir a pressão arterial. Onde você encontrará }ômega 3 ? Em peixes como truta, salmão e cavala. Outras fontes ricas são: nozes, semente de linhaça dourada (deve ser usada diariamente). O ômega 3 já foi associado a um melhor desenvolvimento cerebral e a um baixo risco de desenvolvimento de câncer e de doenças cardíacas.

11 – Se você gosta de chocolate, uma boa notícia, alguns estudos mostram quem chocolate com mais de 70% de cacau, podem auxiliar na redução da pressão. Mas cuidado com o açúcar e lactose. Não ultrapassar 30g/dia.

12 – Diminua o consumo de bebidas alcoólicas, pois elas aumentam a diurese, podendo posteriormente aumentar a pressão arterial. Por isso, os homens não devem ultrapassar o limite diário de 60 mililitros de bebidas destiladas (uísque, vodca, aguardente etc.), ou 240 mililitros de vinho, ou 720 mililitros de cerveja (2 latinhas/dia). As mulheres e os indivíduos de baixo peso devem limitar a ingestão de álcool à metade da quantidade permitida aos homens. Se você não consegue se enquadrar nesses limites, sugere-se a abstenção de bebidas alcoólicas, pois, além de fazer subir a pressão, o álcool é uma das causas de resistência ao tratamento anti-hipertensivo, causando gastrite, problemas no fígado, no coração e no cérebro, sem contar os problemas sociais provocados pela bebida.

13 - Procure manter-se em seu peso ideal. O excesso de peso também aumenta consideravelmente o risco de hipertensão, um famoso estudo ( Framingham) demonstrou que em pacientes obeso, a incidência de hipertensão era 8 vezes maior. Estimou-se que para cada 1kg acima do peso ideal, a pressão eleva-se 1mmHg.

14 - Pratique um exercício físico, pois eles ajudam a diminuir a pressão arterial. Se possível sempre deve ser realizado sob supervisão. A assiduidade é um fator importante, caso não exista contra-indicação, faça atividade física diariamente. O seu coração agradece.

15 – O tabagismo é o mais importante fator de risco, passível de prevenção, para as doenças cardiovasculares, sendo responsável por um em cada seis óbitos. A nicotina aumenta a pressão arterial e acelera a progressão da aterosclerose que pode gerar infarto ou derrame (depósito de gorduras nas paredes das artérias). Portanto, abandonar o tabagismo deve ser a primeira providência do hipertenso. Além disso, o cigarro aumenta o risco de trombose, câncer de pulmão, mama, próstata, intestino, boca e diminui a elasticidade da pele favorecendo o envelhecimento.

16 - Antes de vir à consulta médica, evite: Beber café, coca-cola ou estar com a bexiga cheia. Podem ocasionar um aumento da pressão.

17 - Lembre-se que a hipertensão é a doença que mais mata em todo o mundo, devido as suas conseqüências. Ela atinge quase todos os órgãos do corpo:
a) Coração: infarto, insuficiência cardíaca
b) Olhos: cegueira
c) Cérebro: derrame, diminuição da inteligência e memória
d) Rins: Insuficiência renal crônica evoluindo para necessidade de hemodiálise ou transplante renal
e) Membros inferiores: Trombose

18 - Use corretamente os medicamentos prescritos pelo médico e tenha consigo anotado o nome, dosagem e como foi orientado a usar.

19 - Cuidado com os antiinflamatórios pois eles podem aumentar a sua pressão, quando algum médico receitar um antiinflamatório sempre diga que é portador de hipertensão. Exemplos de Antiinflamatórios: Diclofenaco, AAS, Nimesulida, Piroxicam, Meloxicam, Ibruprofeno.

20 – Ufa, quantas orientações, agora pode dormir, pois diversos estudos mostram que pacientes com insônia ou outros distúrbios do sono tendem a ter pressão arterial mais alta. Uma boa noite de sono, além de reparadora auxilia a diminuir o nível de estresse, eleva a produção de substâncias que diminuem a tensão nos vasos sanguíneos e com isso favorece uma melhora na pressão arterial. Então DURMA!


terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Cremego orienta sobre cuidados em viagens de avião

Até outubro deste ano, mais de 1,9 milhão de passageiros passaram pelo Aeroporto Santa Genoveva, em Goiânia. Com a chegada das férias e a aproximação das festas de fim de ano, esse número certamente vai aumentar.
Mas, muitas pessoas, ao optarem por esse meio de transporte, ignoram que viagens de avião requerem alguns cuidados com a saúde. Para orientar os passageiros, médicos e alertar as companhias aéreas sobre esses cuidados, a Câmara Técnica de Medicina Aeroespacial do Conselho Federal de Medicina (CFM) elaborou um documento com informações sobre possíveis complicações que podem ocorrer dentro do avião e cuidados que devem ser tomados antes de um voo.
Ontem (20), em entrevista coletiva à imprensa, o presidente do Cremego, Salomão Rodrigues Filho, falou sobre o assunto. Ele observou que durante as viagens aéreas ocorrem alterações no organismo que podem agravar o quadro clínico e até causar a morte de pacientes com problemas cardíacos ou respiratórios, por exemplo.
O presidente do Cremego também chamou a atenção para o risco de gestantes, a partir do sétimo mês de gestação, viajarem de avião. Segundo ele, essas viagens são proibidas, pois podem causar danos principalmente para o bebê. Já os recém-nascidos só devem viajar após a primeira ou segunda semana de vida. Salomão Rodrigues Filho ressaltou que os médicos devem ficar atentos às recomendações da Câmara Técnica de Medicina Aeroespacial e orientarem seus pacientes.

Confira as orientações da Câmara Técnica de Medicina Aeroespacial, baseadas na cartilha Doutor, posso voar? elaborada pelos alunos da Liga de Medicina Aeroespacial da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

DOENÇAS RESPIRATÓRIAS

Viagens aéreas são contraindicadas para passageiros e tripulantes com infecções ativas (pneumonia e sinusite) porque essas doenças podem alterar as respostas fisiológicas humanas habituais ao voo.
Passageiros e tripulantes com infecções pulmonares contagiosas (tuberculose e pneumonia) não devem embarcar, pois pode ocorrer agravamento dos sintomas, complicações durante e depois do voo, além do risco de disseminação da doença entre os outros passageiros.
Quadros graves, instáveis ou de hospitalização recente de asma brônquica (doença respiratória mais comum entre os viajantes) também são incapacitantes para o voo.
Pessoas com bronquite crônica e enfisema pulmonar apresentam reduzida capacidade de oxigenar o sangue, o que pode descompensar os sintomas da doença durante o voo. Por isso, esses viajantes devem buscar orientação médica especializada antes de embarcarem para que seja determinado se há necessidade de suporte de oxigênio por ocasião do deslocamento.

DOENÇAS CARDIOVASCULARES

Os pacientes e tripulantes acometidos de complicações cardiovasculares devem ser orientados a adiar os voos durante o período de estabilização e recuperação. De acordo com as orientações da Sociedade de Medicina Aeroespacial, os prazos a serem observados são os seguintes (recomenda-se que o paciente seja avaliado por seu médico assistente antes de embarcar, pois os mesmos podem ser ampliados ou reduzidos, de acordo com o caso):

• Infarto não complicado: aguardar duas a três semanas.
• Infarto complicado: aguardar seis semanas.
• Angina instável: não deve voar.
• Insuficiência cardíaca grave e descompensada: não deve voar.
• Insuficiência cardíaca moderada: verificar com o médico se há necessidade de utilização de oxigênio durante o voo.
• Revascularização cardíaca: aguardar duas semanas.
• Taquicardia ventricular ou supraventricular não controlada: não voar.
• Marcapassos e desfibriladores implantáveis: não há contraindicações.

Nos casos de Acidente Vascular Cerebral, deve-se levar em consideração o estado geral do passageiro e a extensão da doença. Recomenda-se observar os prazos de recuperação abaixo antes do embarque:

• AVC isquêmico pequeno: aguardar 4 a 5 dias.
• AVC em progressão: aguardar 7 dias.
• AVC hemorrágico não operado: aguardar 7 dias.
• AVC hemorrágico operado: aguardar 14 dias.

PÓS-OPERATÓRIO E PACIENTES EM RECUPERAÇÃO

Pós-Operatório torácico
• Casos de pneumectomia (retirada do pulmão) ou lobectomia pulmonar recente (retirada parcial do pulmão): recomenda-se uma avaliação médica pré-voo, com determinação da normalidade da função respiratória, principalmente no que diz respeito à oxigenação arterial.
• Casos de pneumotórax: é uma contraindicação absoluta. Deve-se esperar de duas a três semanas após drenagem de tórax e confirmar a remissão pelos Raios-X.

Pós-Operatório neurocirúrgico
Após trauma crânioencefálico ou qualquer procedimento neurocirúrgico, pode ocorrer aumento da pressão intracraniana durante o voo. Aguardar o tempo necessário até a confirmação da melhora do referido quadro compressivo por tomografia de crânio.

CIRURGIA ABDOMINAL
Contraindicado o voo por duas semanas, em média. Deve-se aguardar a recuperação do trânsito habitual do paciente, pois a presença de ar em alças sem eliminação adequada no pós-operatório de cirurgias recentes pode determinar a sua expansão excessiva em voo.
• Pós cirurgia laparoscópica: o voo pode ocorrer assim que a distensão pelo ar injetado tenha desaparecido e as funções do órgão operado retornado ao normal.
• Nos procedimentos onde foi injetado ar ou gás em alguma parte do corpo: aguardar o tempo necessário para a reabsorção ou a eliminação do excesso de ar ou gás injetado.
• Pós anestesia raquidural: o voo pode causar dor de cabeça severa até 7 dias após a anestesia.
• Após anestesia geral: não há contra-indicação, desde que o paciente tenha se recuperado totalmente.

GESSO E FRATURAS

Fraturas instáveis ou não tratadas são contraindicadas para voo.
Importante: considerando que uma pequena quantidade de ar poderá ficar retida no gesso, aqueles feitos entre 24-48 horas antes da viagem, devem ser bivalvulados para evitar a compressão do membro afetado por expansão normal do ar na cabine durante o voo.

TRANSTORNOS PSIQUIÁTRICOS
Distúrbios psiquiátricos - Pessoas com transtornos psiquiátricos, cujo comportamento seja imprevisível, agressivo ou não seguro, não devem voar. Já aqueles com distúrbios psicóticos estáveis, em uso regular de medicamentos e acompanhados, podem viajar.

Epilepsia - A maioria dos epilépticos pode voar seguramente, desde que estejam usando a medicação. Aqueles com crises frequentes devem viajar acompanhados e estarem cientes dos fatores desencadeantes que podem ocorrer durante o voo, tais como: fadiga, refeições irregulares, hipóxia e alteração do ritmo circadiano. Recomenda-se esperar 24-48h após a última crise antes de voar.

GESTANTES

Recomenda-se que os voos sejam precedidos de uma consulta ao médico. De forma geral, as seguintes medidas devem ser observadas:
• As mulheres que apresentarem dores ou sangramento antes do embarque não devem fazê-lo.
• Evitar viagens longas, principalmente em casos de incompetência ístmo-cervical, atividade uterina aumentada ou partos anteriores prematuros.
• A partir da 36ª semana, a gestante necessita de uma declaração do seu médico permitindo o voo. Em gestações múltiplas a declaração deve ser feita após a 32ª semana.
• A partir da 38ª semana, a gestante só pode embarcar acompanhada dos respectivos médicos responsáveis.
• Gestação ectópica é contraindicação para o voo.
• Não há restrições de voo para a mãe no pós-parto normal, mesmo no pós-parto imediato.

CRIANÇAS
No caso de um recém-nascido, é prudente que se espere pelo menos uma ou duas semanas de vida até a viagem. Isso ajuda a determinar, com maior certeza, a ausência de doenças, congênitas ou não, que possam prejudicar a criança no voo.

OBSERVAÇÕES GERAIS
Medicação - Recomenda-se levar medicação prescrita pelo médico em quantidade suficiente para ser utilizada durante toda a viagem. Os remédios devem estar sempre à mão, preferencialmente acompanhados pela receita do médico, com as dosagens e os horários em que devem ser administrados. Em caso de deslocamentos que impliquem em mudança de fuso horário, o médico assistente deve ser consultado para avaliar se há necessidade de ajustar os horários de ingestão dos medicamentos.
Enjoos - As pessoas mais susceptíveis a terem enjoo durante o voo são aquelas que já o apresentam quando andam de ônibus, carro ou navio. Estas devem evitar a ingestão excessiva de líquidos, comida gordurosa, condimentos e refrigerantes que podem facilitar seu aparecimento. Recomenda-se também, como medida de precaução, que utilizem os assentos próximos às asas do avião por ser o local de voo menos turbulento e, por conseguinte, menos propenso a induzir náuseas e vômitos.

Procurar assistência e/ou orientação médica antes do voo, caso o passageiro ou tripulante apresente:

• Febre alta, tremores com piora progressiva dos episódios;
• Sangue ou muco nas fezes;
• Vômitos que impeçam a ingestão de líquidos;
• Sintomas persistentes após uso de medicamentos sintomáticos;
• Sintomas, especialmente se usa diuréticos, imunossupressores ou remédios para diabetes e/ou hipertensão.

Vitamina D e Cálcio: Importância das novas Dri's para a População Brasileira.

* Texto elaborado pela Nutricionista Viviane Sant' Anna e pela estagiária Renata Alves Carnauba do Departamento Científico da VP Consultoria Nutricional.


Status Nutricional de Vitamina D e Cálcio no Brasil

Níveis inadequados de vitamina D parecem ser comuns na população adulta de todo o mundo, apesar de diferenças na prevalência de hipovitaminose D em relação à idade, grupo étnico, latitude, estação do ano, tempo e frequência de exposição solar, fortificação alimentar ou uso de suplementos de vitamina D (1). Além disso, tem se observado consumo inadequado de alimentos fontes de cálcio e aumento da prevalência de doenças associadas a essas deficiências, como osteoporose, osteopenia e fraturas ósseas.

No Brasil, a exposição solar ocorre praticamente durante todo o ano. Entretanto, com o aumento da incidência de câncer de pele, os dermatologistas têm recomendado a utilização de protetores solares com fatores muito altos, que podem limitar a disponibilidade da vitamina D (2).

Os dados de ingestão de vitamina D em dietas brasileiras são raros e, quando existentes, provêm de cálculos teóricos por meio de tabelas de composição de alimentos de outros países (2). Entretanto, estudos de avaliação do estado nutricional dos indivíduos em relação à vitamina D no Brasil têm aumentado devido, principalmente, ao reconhecimento da importância dessa vitamina na saúde humana.

A tabela 1 mostra alguns estudos realizados no Brasil sobre o status de vitamina D e cálcio na população.


Funções e Importância na Saúde Humana


A vitamina D é um hormônio que exerce importante influência sobre a absorção de cálcio, em que níveis adequados de vitamina D podem resultar em uma maior eficiência na absorção intestinal de cálcio.

A principal fonte de vitamina D é proveniente da produção endógena na pele após exposição à luz ultravioleta B. A dieta é uma alternativa, mas não tão eficaz fonte de vitamina D, sendo responsável por apenas 20% das necessidades, mas que assume um papel importante nos idosos, pessoas institucionalizadas, e aqueles que vivem em climas temperados (10).

Todos os derivados do colecalciferol são lipossolúveis e circulam principalmente ligados a uma alfa-globulina, a Proteína Ligadora da Vitamina D (DBP), que transporta estas moléculas hidrofóbicas a vários órgãos-alvo. A vitamina D também circula ligada à albumina (11).

No fígado, o colecalciferol é convertido em 25(OH)D pela hidroxilação no carbono 25, mediada pela enzima D3-25-hidroxilase (25-OHase). Aproximadamente, 75% da vitamina D circulante são convertidas a 25(OH)D em sua primeira passagem pelo fígado. Nas mitocôndrias dos túbulos contorcidos proximais do rim está presente a enzima 25(OH)1-hidroxilase (1-OHase), que converte 25(OH)D em 1,25-dihidroxivitamina D [1,25 (OH)2D], que é a forma mais ativa deste hormônio (11).

Estudos demonstram efeitos importantes da vitamina D sobre o sistema imunológico, agindo como potente imunomodulador e tendo possíveis relações com doenças autoimunes (12-14). Foi demonstrado que os monócitos e macrófagos de pacientes com a doença granulomatosa sarcoidose constituitivamente sintetizam a forma ativa da vitamina D, a1-25 dihidroxivitamina D, a partir do precursor 25OHD. Quando os receptores 1-25 dihidroxivitmina D são ativados, há a proliferação de linfócitos. Essa observação sugere que o mecanismo da 1-25 dihidroxivitamina D produzido pelos monócitos poderia agir sobre a produção das células T e B (15).  Estudos com doses suplementadas de vitamina D mostraram um aumento na sensibilidade à insulina, mas não da secreção desse hormônio, podendo ser um coadjuvante no tratamento para pacientes diabéticos (16,17).

O cálcio tem funções importantes em todo o organismo, não se restringindo apenas aos ossos. Várias metaloenzimas, como a alfa-amilase e fosfolipases, contêm cálcio como parte essencial do seu sítio catalítico. A calbindina D é essencial para a absorção do cálcio, para sua entrada na célula e para a reabsorção do filtrado glomerular no rim.

Conforme a ingestão de cálcio aumenta (> 500 mg/dia), a calbindina é responsável pela maior parte da absorção do mineral. Em vista disso, o processo passivo pode tornar-se o mecanismo predominante de absorção de grandes doses de cálcio, uma vez que o transporte ativo já está saturado.

Várias proteínas de coagulação do sangue necessitam de cálcio para sua atividade; muitos dos anticoagulantes utilizados para prevenir a coagulação de amostras de sangue in vivo agem quelando o cálcio. Seu principal papel funcional é a regulação metabólica. A proteína quinase que modula a atividade de enzimas-chave em resposta à ligação de hormônios na superfície das células é ativada pelo cálcio, podendo ser diretamente ligada à calmodulina, proteína ligadora de cálcio de alta afinidade. O cálcio também é importante na regulação da contração muscular, pois a proteína troponina que regula a contratilidade de actina e miosina é dependente de cálcio; e também no controle da pressão arterial, afetando o tônus vascular por meio da regulação de proteínas contráteis e do transporte de substâncias pelas membranas (2).

Há vários fatores que interferem no metabolismo do cálcio, como a deficiência de magnésio, por exemplo, assim como a ingestão de alimentos ricos em fósforo, como refrigerantes e alimentos fontes de proteína de origem animal, promove perda urinária de cálcio. Condições inflamatórias intestinais também podem alterar a absorção do mineral (18).

Avaliação Laboratorial da Vitamina D – Melhores Parâmetros

A concentração de 25(OH)D no plasma é o melhor indicador do estado nutricional do indivíduo em relação à vitamina D, uma vez que nesse caso é possível relacionar toda a vitamina D disponível, isto é, aquela de fonte alimentar e a sintetizada pelo organismo. A concentração de 25(OH)D no soro aceitável é de >30nmol/L; de 1,25(OH)2D é de 48-100pmol/L e a identificação de toxicidade de vitamina D se dá quando a concentração sérica de 25(OH)D é >200nmol/L (2).

Os sintomas mais comuns da deficiência de vitamina D estão relacionados com desordens do metabolismo ósseo, doenças inflamatórias, doenças infecciosas, hiperparatireoidismo secundário, alterações da função cognitiva e desequilíbrio imunológico. Além disso, leva à retenção de fósforo nos rins (18,19).

Prevenção e Tratamento de Doenças Associadas à Deficiência de Vitamina D e Cálcio

Com base nas evidências em estudos animais e humanos, a vitamina D tem surgido como um modificador do risco de desenvolver diabetes tipo 1 e tipo 2. Sugere-se que a vitamina D exerça influência direta (por meio da ativação de receptores da vitamina D) e indireta (através da regulação da homeostase do cálcio) sobre vários mecanismos relacionados com a fisiopatologia dos dois tipos de diabetes, incluindo disfunção das células ß pancreáticas, prejuízo na ação da insulina e inflamação sistêmica. Estudos observacionais de caso controle têm demonstrado que a suplementação de vitamina D na infância ou no início da gravidez está associada com o risco reduzido da incidência de diabetes tipo 1 (20).

Grimnes et al. (2010) avaliaram a hipótese de que baixas concentrações séricas de 25-hidroxivitamina D estão associadas com o aumento do risco de desenvolver diabetes mellitus tipo 2 (DM) em uma coorte de base populacional durante 11 anos de acompanhamento. Participaram deste estudo 4157 indivíduos não fumantes e 1962 fumantes, sem registro de DM ao início, sendo alocados em quartis de 25OHD sérica a cada mês, para se levar em conta as variações sazonais. No fim do estudo, a ocorrência de DM foi registrada em 183 não fumantes e em 64 fumantes, sendo que quanto menor o quartil, maior o risco de desenvolver DM (21).

Tem sido mostrado também que a vitamina D possui ação moduladora do sistema imunológico, sendo sua deficiência associada com o desenvolvimento de diversas doenças autoimunes, como, além do diabetes tipo 1, a esclerose múltipla. O uso experimental de vitamina D tem revelado um novo papel na imunopatogênese das doenças autoimunes. Distúrbios como lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide, polimiosite/ dermatomiosite e escleroderma sistêmico têm sido associados a algum grau de deficiência de vitamina D. Se a deficiência de vitamina D se apresentar de uma forma grave em pacientes com doenças autoimunes, a suplementação de vitamina D pode ser indicada (22).

Em alguns países, já é preconizada a fortificação dos alimentos com vitamina D para diminuição do risco de desenvolvimento de doenças como as citadas anteriormente, através da obtenção de colecalciferol e ergocalciferol de leveduras e de esteróis de plantas (ergosterol) (1).

Novas Recomendações de Ingestão Diária e de Limites de Ingestão de Cálcio e Vitamina D de acordo com a Dietary Reference Intake (DRI)

Nos últimos dez anos, o público vem conflitando dados sobre outros benefícios do cálcio e da vitamina D, especialmente desse último nutriente mencionado, e também sobre quanto desses nutrientes são necessários para obtenção de benefícios à saúde (23).

Para responder a essas questões, os governos dos Estados Unidos e do Canadá questionaram o Instituto de Medicina (IOM) para avaliar os dados recentes sobre os efeitos à saúde associados com o cálcio e a vitamina D. O Instituto de Medicina então fez um Comitê de estudiosos na área para revisar todas as evidências, como também para atualizar os valores de referência, conhecidos como Dietary Reference Intakes (DRIs) (23).

O Comitê forneceu uma revisão de estudos sobre os efeitos potenciais dos nutrientes cálcio e vitamina D. Contudo, apenas constataram os benefícios para a saúde óssea e não em outras condições (23). A tabela 2 mostra as novas recomendações alimentares e os limites de ingestão do cálcio e da vitamina D.


Cuidado com Excesso de Vitamina D

A ingestão excessiva de vitamina D, mas não a excessiva exposição ao sol, também pode causar sintomas como fraqueza, náuseas, perda de apetite, dor de cabeça, dores abdominais, câimbras e diarreia. Ainda mais grave, pode também causar hipercalcemia, que pode levar à calcinose, calcificação de tecidos moles, incluindo rins, coração, pulmão e vasos sanguíneos. Contudo, são raros os casos em que haja excesso de vitamina D (2,18).


Referência Bibliográfica:

1. UNGER, M. D. Determinação de níveis séricos de vitamina D em uma amostra de indivíduos saudáveis da população brasileira. Dissertação (Mestrado em Medicina Clínica Médica) - Universidade de São Paulo. 2009.

2. COZZOLINO, S.M.F. Biodisponibilidade de nutrientes. 2ªed. São Paulo: Editora Manole. 2007.

3. MARTINO, H.S.; FERREIRA, A.C.; PEREIRA, C.M. et al. Anthropometric evaluation and food intake of preschool children at Municipal Educational Centers, in South of Minas Gerais State, Brazil. Cien Saude Colet; 15(2): 551-558, 2010.

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19. BANDEIRA, F. et al. Vitamin D deficiency and its relationship with bone mineral density among postmenopausal women living in the tropics. Arq Bras Endocrinol Metab; 54(2): 227-232, 2010.

20. PITTAS, A.G.; DAWSON-HUGHES, B. Vitamin D and diabetes. J Steroid Biochem Mol Biol; 121(1-2): 425-9, 2010.

21. GRIMNES, G.; EMAUS, N.; JOAKIMSEN, R.M. et al. Baseline serum 25-hydroxyvitamin D concentrations in the Tromso Study 1994-95 and risk of developing type 2 diabetes mellitus during 11 years of follow-up. Diabet Med; 27(10):1107-15, 2010.

22. PELAJO, C.F.; LOPEZ-BENITEZ, J.M.; MILLER, L.C. et al. Vitamin D and autoimmune rheumatologic disorders. Autoimmun Rev; 9(7): 507-10, 2010.

23. Institute of Medicine (IOM). Dietary Reference Intakes for Calcium and Vitamin D. 2010.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Dica de Documentário: Foods matters (2008)

Acessem o blog de documentários Docverdade e baixem esse filme.
http://docverdade.blogspot.com/2010/07/comida-e-importante-food-matters-2008.html
Ele relata muito do que posto aqui no blog: importância da alimentação, importância de uma alimentação saudável sem herbicidas e pesticidas..

No link há o arquivo pra se baixar e a legenda.

Vale MUITO a pena !

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Pirâmide alimentar e dicas nutricionais

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Quem quer te câncer ? "Pequenos" bons motivos para reeducar sua alimentação e emagrecer

O relatório Saúde Brasil 2009, divulgado pelo Ministério da Saúde, revelou que 46,6% dos brasileiros estão acima do peso e que a obesidade tem forte impacto sobre uma das doenças que já se apresenta como a segunda causa de morte no país e no mundo: o câncer.

De acordo com o documento já em 2010-2011, o Brasil terá mais de 978.540 casos de câncer. O nutricionista Fábio Gomes, do INCA, explica que a alimentação pode ser fator de proteção ou risco para o câncer. Frutas, legumes e verduras são considerados alimentos protetores. Já alimentos processados, sal e álcool aumentam o risco de desenvolver a doença.

O especialista aponta que o consumo de bebidas adoçadas, como os refrigerantes e refrescos à base de xaropes e alimentos de alta densidade energética (que contêm mais de 2 calorias para cada grama de alimento), disparou nos últimos 30 anos no Brasil, atingindo mais de 400%, no caso dos biscoitos e refrigerantes.

A recente pesquisa de Orçamentos Familiares (IBGE 2008-2009) confirmou o crescimento explosivo da obesidade no Brasil nas três últimas décadas. O estudo revelou que metade dos brasileiros adultos apresenta peso excessivo, assim como uma em cada três crianças de 5 a 9 anos e um em cada cinco adolescentes. “Essa situação alarmante implicará um aumento da parcela da população que é ou será futuramente acometida por vários tipos de câncer”, afirma o especialista do INCA.

Segundo Gomes, o controle da obesidade demanda compromissos e investimentos que passam pela regulação do estímulo ao consumo de alimentos processados. O primeiro passo seria proteger o público infantil, diminuindo as chances de que as crianças de hoje sejam futuras pacientes de câncer.

Tumores

Entre os seis tipos de tumores citados no documento Políticas e Ações para Prevenção do Câncer no Brasil: Alimentação, Nutrição e Atividade Física, três estão entre os mais prevalentes (comuns) na população brasileira – entre homens e mulheres.

Segundo estimativa do INCA, em 2010, o Brasil terá 7.890 casos de câncer de esôfago entre homens e 2.740 entre mulheres; 13.310 casos de câncer colorretal entre homens e 14.800 entre mulheres. Mama, o tumor letal mais prevalente entre as mulheres brasileiras terá 49.240 novos casos.

O documento Políticas e Ações para Prevenção do Câncer no Brasil: Alimentação, Nutrição e Atividade Física, publicado em fevereiro deste ano pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), em parceria com o Fundo Mundial para Pesquisa contra o Câncer (WCRF), revela que uma fração importante dos casos de câncer poderia ser evitada no Brasil, a partir do controle da obesidade.

Segundo o relatório, a obesidade é responsável por:

20% dos casos de câncer de esôfago em homens no Brasil

26% dos casos de câncer de esôfago em mulheres no Brasil

25% dos casos de câncer de pâncreas em homens no Brasil

14% dos casos de câncer de pâncreas em mulheres no Brasil

8% dos casos de câncer de colorretal em homens no Brasil

1% dos casos de câncer de colorretal em mulheres no Brasil

14% dos casos de câncer de mama em mulheres no Brasil

29% dos casos de câncer no colo do útero em mulheres no Brasil

10% dos casos de câncer de rim em homens no Brasil

16% dos casos de câncer de rim em mulheres no Brasil

FONTE: http://www.jb.com.br/ciencia-e-tecnologia/noticias/2010/12/15/obesidade-e-uma-grande-parceira-da-incidencia-do-cancer-diz-ministerio-da-saude/

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Cientistas dos EUA geram rato a partir de dois machos

Pesquisadores americanos usaram células-tronco para gerar um rato a partir de dois machos, em uma operação que poderá preservar espécies ameaçadas de extinção, além de ajudar casais homossexuais a ter seus próprios filhos.

Segundo o estudo publicado quarta-feira (08), na revista Biology of Reproduction, cientistas do Texas especializados em reprodução manipularam células-tronco provenientes de um feto macho (XY) de rato para produzir células-tronco pluripotentes induzidas (CPi).

Algumas células-tronco que foram obtidas desta forma perderam naturalmente seu cromossomo Y para se tornar uma célula-tronco do tipo XO. Estes ratos cresceram e puderam cruzar com ratos machos normais, gerando um animal com material genético de ambos.

O estudo foi conduzido por Richard R. Behringer, do Centro Anderson de Câncer. Os pesquisadores declararam que com uma variação desta técnica "também será possível gerar esperma a partir de uma doadora e produzir machos viáveis e fêmeas através de duas mães", apesar do caminho para se aplicar isto a humanos ser longo.

FONTE: Bom dia Doutor: http://www.hebron.com.br/

domingo, 12 de dezembro de 2010

Brasileiros têm hábitos de vida pouco saudáveis

De acordo com a pesquisa internacional de saúde Bupa Health Pulse 2010, os brasileiros continuam tendo estilos de vida pouco saudáveis, apesar do medo de desenvolver doenças crônicas.

Os dados revelam que 63% dos brasileiros se exercitam apenas uma hora por semana ou menos, enquanto 66% fazem uso do álcool e 20% fumam. Embora este estilo de vida possa sugerir que as pessoas não se preocupam com sua saúde, quase nove em dez (88%) brasileiros disseram que se preocupam com o desenvolvimento de uma doença crônica. Por outro lado, 30% dos brasileiros não fizeram nada para avaliar seu risco de desenvolver uma doença crônica nos últimos 12 meses.

A pesquisa foi patrocinada pela Bupa, uma companhia internacional de seguros de saúde, e entrevistou mais de 12.000 pessoas em todo o mundo sobre suas atitudes e percepções a respeito de doenças crônicas. Dentre todas as doenças crônicas, 33% dos entrevistados no Brasil disseram que se preocupam mais com o câncer e menos de 10% colocaram as doenças cardíacas e diabetes como a principal preocupação. Além disso, 25% dos brasileiros acreditam que a obesidade é o maior problema de saúde do País em termos de número de pessoas afetadas.

"Embora aparentemente estejamos cientes da prevalência de doenças crônicas na sociedade, não estamos fazendo o suficiente para reduzir os riscos de uma condição crônica. Curiosamente, as pessoas também estão muito mais preocupadas com o câncer do que com outras condições, apesar das doenças cardiovasculares matarem mais pessoas. Mudar o estilo de vida é uma das chances para evitar essas doenças.", comenta Dr. Sneh Khemka, Diretor Médico da Bupa International.

Um relatório da London School of Economics (LSE) reforça a escala e o impacto das doenças crônicas na sociedade.

"A doença crônica é a principal causa de morte e incapacidade em todo o mundo, representando 60% de todas as mortes. O impacto econômico dessas doenças é substancial, sem mencionar os custos da assistência às pessoas e a perda de produtividade na economia" diz Julien Forder, Sênior Research Fellow da LSE. "O importante é que muitas dessas doenças são preveníveis. Pesquisas mostram que o exercício é uma das mudanças de estilo de vida mais eficazes para reduzir o risco de condições crônicas. Quase um terço (30%) das doenças cardiovasculares e 27% de diabetes poderiam ser evitadas se todos se exercitassem", conclui Julien Forder.

Pesquisa Bupa Health Pulse 2010:

• Ipsos MORI entrevistou 12.262 pessoas em 12 países - Austrália, Brasil, China, França, Alemanha, Grã-Bretanha, Itália, México, Rússia, Espanha, EUA - entre 10 de junho e 14 de julho de 2010.

Dados Brasil - Pesquisa Bupa Health Pulse 2010:

• 1005 brasileiros entrevistados.

• Quase nove em dez (88%) brasileiros estão preocupados em desenvolver uma doença crônica

• Um quarto dos brasileiros (25%) acredita que a obesidade é o maior problema de saúde do Brasil em termos de número de pessoas afetadas

• 30% dos brasileiros não fizeram nada para avaliar seu risco de desenvolver uma doença crônica nos últimos 12 meses; 36% dos homens que não fizeram nada comparado com 24% de mulheres, enquanto que 38% fizeram um check-up com o médico.

• Daqueles que não fizeram nada para avaliar seu risco, 28% afirmaram que é devido à falta de tempo, enquanto que 26% dos entrevistados disseram que o motivo principal é o custo.

• 23% dos brasileiros estão preocupados com o fato de não terem condições de arcar com os custos do melhor tratamento caso desenvolvam uma doença crônica, com mais mulheres preocupadas com isso (29%) do que homens (17%).

• Quase um terço acredita que eles morrerão de velhice (31%) ao invés de uma específica doença crônica (http://www.maxpressnet.com.br/).

FONTE: http://www.bonde.com.br/?id_bonde=1-27--56-20101209&tit=brasileiros+tem+habitos+de+vida+pouco+saudaveis

Reavaliação de agrotóxicos

Como já postei inúmeras vezes aqui no blog, a ANVISA está tentando fazer a reavaliação de algumas substâncias que entram na composição de mais de 200 agrotóxico utilizados em nosso país. Porém alguns empecilhos dificultam o trabalho.

Mas qual a razão da necessidade de se reavaliar tais substâncias ?

Em 2008, o Brasil assumiu o posto de maior consumidor de agrotóxicos em todo mundo, posição antes ocupada pelos Estados Unidos. Só o mercado de agrotóxicos movimentou mais de US$ 7 bilhões. Atualmente continua sendo o maior consumidor de agrotóxicos, sendo que nos ultimos 10 anos, na esteira do crescimento do agronegócio, esse mercado cresceu 176%, quase quatro vezes mais que a média mundial, e as importações brasileiras desses produtos aumentaram 236% entre 2000 e 2007.  As 10 maiores empresas do setor de agrotóxicos do mundo concentram mais de 80% das vendas no país.
Portanto, a fim de exercer seu papel que a proteção da saúde do brasileiro, a ANVISA trabalha na reavaliação de substâncias ativas utilizadas em agrotóxicos no Brasil.

Segundo a gerente de avaliação toxicológica da ANVISA (Letícia Rodrigues), o registro de um agrotóxico é eterno, a reavaliação ocorre quando há alguma alteração de riscos à saúde, em comparação aos riscos avaliados durante a concessão de registro de determinada substância ativa.

Mas por que não reavaliaram antes, visto que, dos 14 avaliados, quase todos são proibidos há muitos anos União Européia ?

O problema é que em 2008, uma série de decisões judiciais impediram a Anvisa de realizar a reavaliação dos 14 ingredientes ativos.

Apenas os produtores estavam por tras das ações judiciais ?

Não, empresas produtoras de agrotóxicos, o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola e o Ministério da agricultura recorreram ao Judiciário para impedir a Anvisa de cumprir seu papel. Isso contribuiu para o Brasil continuar recebendo, produzindo  e importando agrotóxicos proibidos em diversos países do mundo.

O Brasil virou um depósito de porcarias. Como esses agrotóxicos são proibidos na maioria dos países desenvolvidos e/ou em desenvolvimento, ou seja, o que não se consegue mais vender para a União Européia, Estados Unidos, Canadá, Japão e China, acaba vindo parar aqui,  pois não encontram barreiras.

No ano passado após a entrada do Conselho Nacional de Saúde na briga, além do apoio da sociedade civil organizada e recursos por parte da Advocacia Geral da União, a Anvisa consegui reverter as decisões judiciais para a reavaliação de 13 substâncias ativas:
  • Abamectina
  • Carbofurano
  • cihexatina
  • Endossulfam
  • Forato
  • Fosmete
  • Glifosato
  • Lactofem
  • Metamidofós
  • Paraquate
  • Parationa Metílica
  • Tiram
  • Triclorfom
Somente a reavaliação do acefato foi declarada nula. As demais reavaliações foram retomadas e estavam previstas para serem finalizadas em 2009, mas pelo visto o trabalho irá continuar.

Reavaliados até o momento

TRICLORFOM

O triclorfom não poderá mais ser utilizado no Brasil. É o que determina a Resolução RDC 37/2010 da Anvisa. O produto deverá ser retirado do mercado nacional imediatamente. A decisão foi fundamentada em estudos toxicológicos que associam o uso to triclorfom a hipoplasia cerebelar e efeitos adversos sobre a reprodução e o sistema hormonal humano (mais um dos disruptores endócrinos). O triclorfom era autorizado para o uso em mais de 45 culturas como: arroz, alface, feijão, tomate e milho. As importações do produto também estão proibidas.


FOSMETE

O fosmete foi reclassifcado como extremamente tóxico. Este ingrediente ativo, autorizado para uso nas culturas de citros, maçã e pêssego é considerado neurotóxico e capaz de provocar a síndrome intermediária (caracterizada por fraqueza e insuficiência respiratória). Os agrotóxicos a base de fosmete só poderão ser comercializados em embalagens hidrossolúveis dispostas em sacos metalizados.Outras restrições indicadas para o fosmete são: a diminuição da ingestão diária aceitável de 0,01 para 0,005 mg para cada quilo de peso corpóreo e autorização da aplicação do agrotóxico apenas por meio de trator

ENDOSSULFAM

O endossulfan foi proibido pela Anvisa em 2010, a determinação é fundamentada em estudos toxicológicos que associam o uso desse agrotóxico, considerado extremamente tóxico, a problemas: 1) reprodutivos; 2) endócrinos; 3) imunológicos; 4) neurotoxicidade; 5) hepatotoxicidade; em trabalhadores rurais e na população. O endossulfan já era banido em 44 países e sofreu severas restrições em outros 16. No Brasil, tinha o uso autorizado para as culturas de: Algodão, Café, Cacau, Cana-de-açúcar e Soja. De acordo com a norma da Anvisa, o insumo não poderá ser comercializado, no Brasil, a partir de 31 de julho de 2013. Antes disso, a partir de 2011, o produto não poderá ser mais importado e a fabricação em território nacional será proibida a partir de 31 de julho de 2012. Para o cultivo de cacau, a proibição é imediata. “A retirada do produto do mercado foi pensada de forma que os agricultores consigam substituir o uso de endossulfan por produtos menos nocivos para a saúde da população, com o menor prejuízo possível”, explica o gerente de toxicologia da Anvisa, Luiz Cláudio Meirelles.
Material disponível no site da Anvisa relatando os potenciais efeitos do endossulfan no nosso organismo.
Confira aqui a íntegra da resolução que determina a proibição do ingrediente ativo endossulfan no Brasil

CIHEXATINA

A Anvisa recomendou o banimento do país do princípio ativo cihexatina, utilizado na fabricação de 7 agrotóxicos, registrados principalmente para a citricultura. O produto também é aplicado nas culturas de maçã, morango, pêssego, café e berinjela. A recomendação consta da Consulta Pública 31, publicada no Diário Oficial da União de 25 de julho. Estudos em laboratório com ratos, coelhos e camundongos mostram graves riscos à saúde. Os principais efeitos da cihexatina são malformações fetais, em especial a hidrocefalia. As experiências provaram ainda risco de aborto, efeitos sobre o sistema reprodutivo, danos à pele, pulmões, visão, fígado e rins, entre outros. As doses em que apareceram esses efeitos nos animais sugerem que a cihexatina não é segura para os trabalhadores rurais, consumidores das culturas tratadas e população em geral. A substância já foi banida dos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Japão, China, Áustria, Belize, Kuwait, Laos, Suécia e Tailândia. Produtos à base de cihexatina tiveram o registro cancelado na Austrália, Filipinas, Líbia, Nova Zelândia e União Européia. Para acessar a Reavaliação toxicológica clique aqui: http://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/c87c850040677c3d813ceb137b78f2dc/cihexatina+apresentacao.pdf?MOD=AJPERES

A tabela abaixo mostra a lista dos 14 ingredientes ativos que a Anvisa queria ter reavaliado.



Não sei como a produtora do Acefato conseguiu a anulação, visto que o produto é banido na União Européia.

Enfim, é um absurdo agrotóxicos proibidos  (alguns há décadas) em diversos países ainda fazerem parte do cardápio do brasileiro. Felizmente a Anvisa está abrindo os olhos da população e anualmente através do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) libera a lista dos alimentos que mais apresentaram resíduos de agrotóxicos acima do esperado. Na minha opinião ainda é pouco, mas já é um avanço. Com isso a pessoas mais esclarecidas acabam percebendo que vale a pena pagar mais por orgânicos.

Em 2010 diversas revistas noticiaram possívels efeitos maléficos dos agrotóxicos e ressaltaram a importância de escolher orgânicos. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia ( regional SP) criou um fórum para discutir os disruptores endócrinos (até o momento só discutiram o Bisfenol, mas em breve espero que discutam os efeitos dos agrotóxicos no sistema endócrino).

FONTES:
1)  http://www.anvisa.gov.br/divulga/noticias/2009/020409.htm
2) http://www.ecologiamedica.net/2010/08/endossulfan-agrotoxico-e-banido-pela.html
3) http://www.ecologiamedica.net/2010/11/agrotoxicos-saude-e-meio-ambiente.html
4) http://www.ecologiamedica.net/2010/08/brasil-usa-agrotoxicos-proibidos-no.html
6) http://www.ecologiamedica.net/2010/06/disruptores-endocrinos-no-meio-ambiente.html
7) http://www.ecologiamedica.net/2010/09/publicadas-restricoes-para-agrotoxicos.html
8) http://www.ecologiamedica.net/2010/08/agrotoxicos-e-agronegocio-uma-alianca.html
9) http://www.ecologiamedica.net/2010/11/agrotoxicos-pesquisa-comprova-dano.html
10) http://www.ecologiamedica.net/2010/08/nota-tecnica-de-esclarecimento-sobre-o.html